„Lietuvių kalbos tarmių chrestomatija“
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Vaskelaitė, R. 2003: Lietuvių kalbos daiktavardiniai junginiai sintaksinių ryšių požiūriu. Acta Linguistica Lithuanica 48, 143–158.
Vytautas Ambrazas, Instituto da Língua Lituana, Rua P. Vileišio, 5, LT-10308, Lituânia
Recebido em 22/04/2005
Crestomatia dos dialetos da língua lituana
Organizada por Rima Bacevičiūtė, Audra Ivanauskienė, Asta Leskauskaitė e Edmundas Trumpa
Vilnius: Lietuvių kalbos institutas, 2004, 328 [16] p., ISBN 9986-668-56-5
Durante muito tempo, nossos grandes linguistas Juozas Balčikonis, Zigmas Zinkevičius, Adelė Laigonaitė e outros nos ensinaram sobre a grande importância da cultura popular (da língua viva, dos dialetos) para a cultura e a ciência da vida de uma nação; recebíamos com alegria cada livro sobre dialetos. Também nos alegramos com a nova Crestomatia dos dialetos da língua lituana. Foi preparada por uma geração mais jovem de linguistas e dialetólogos, que frequentemente investigou e continua investigando nossas falas e variedades locais com métodos novos (editora científica: a professora associada Laima Grumadienė).
Todo o material é apresentado a partir de gravações em fita (por isso, silencia-se completamente sobre a crestomatia semelhante de 1970); não se evita apresentar textos com violações do sistema dialetal (o professor Juozas Balčikonis ensinava há muito que hoje já se pode encontrar de tudo nos dialetos, pois a escrita e a escola estragaram muita coisa). Como já quase não existem comunidades rurais, hoje todos aprendem pelo rádio, pela televisão e em escolas de todos os tipos; por isso, nas conversas com falantes de dialetos ouve-se a adaptação à língua «correta» — em 15–20 minutos não se consegue registrar quase nada, pois trata-se apenas de uma fala de poucos minutos, uma demonstração de «erudição», e não de uma fala herdada. Há ocorrências desse tipo nesta crestomatia; a «Introdução» alerta para isso — todos conhecemos a situação atual e percebemos que esse fenômeno também aparecia antes nas gravações e em diversos artigos. Isso pode induzir ao erro outros linguistas, que encontrarão, ao lado de elementos herdados, elementos muito recentes.
Apresenta-se a transcrição utilizada em sua totalidade, embora haja muitas questões ainda não resolvidas (especialmente a notação da palatalização de grupos consonantais ankščiau, kel'ti, a grafia das vogais reduzidas desde a época de Chylinski vaikas Dv, maišas Drsk, Rtn etc.). Observam-se erros: deŋ'.kt' = deŋgt', mėːdis = mėːd'is, uːks = u̯o̯ks (p. 18, 19); os falantes de Šiauliai não têm a forma ž'uŋkšn'us = ž'uŋkšn'us, mas sim a forma da Lituânia Oriental žiuŋgsnys (ver também LKŽₓₓ, de LD 67, Grv).
Diz-se que «o primeiro elemento dos ditongos com acento agudo i, u + l, m, n, r da língua padrão é breve, por isso seu contorno acentual é marcado com acento grave (`), por exemplo: gìrtas, kùrmis», mas no livro não restaram exemplos dos lugares onde isso se afirma: nas variedades de Kaunas, Jurbarkas e Žagarė, as primeiras sílabas são apenas longas ou semilongas (esqueceu-se somente o ditongo ùi).
Será que os novos nomes dos dialetos foram criados por um único Alekso Girdenio, ou será que o professor Zigmas Zinkevičius não teve oportunidade de contribuir (p. 26)? Em obras científicas, atenção e rigor são indispensáveis.
A obra começa com a seção «Aukštaitianos ocidentais» (subseção «Falantes de Kaunas e aukštaitianos da região de Klaipėda»). É interessante o artigo introdutório sobre a história dessas variedades locais; são lembradas as subvariedades da Lituânia Menor striūkiai e baltsermėgiai. À variedade de Kaunas acrescenta-se também a fala de Jurbarkas (resumindo
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já nem sequer se recorda que ali se diz mā.ta ~ māto, sā.k'e, e que eles diferem especialmente dos kauniškiai). Será que em Jurbarkas, tal como em toda a Lituânia Prussiana, e entre os zanavykai de Šakiai se pronuncia e pronunciava pí.rmas, dú.nda (isso não é confirmado nem pelos volumes do Dicionário da fala zanavykai, editados por Aldonas Pupkis e Vilija Sakalauskienė, com a dr.ª Rima Bacevičiūtė à frente, nem por muitas outras pessoas consultadas) (p. 40). Depois de ouvir os textos do CD, ouve-se mais claramente o alongamento de i, u (em Marijampolė e Prienai há alongamento, mas não muito); os próprios autores dizem, num mapa especial (após a p. 36), que se pronuncia de forma breve até em Kybartai e Pajevonys, mas aqui há uma confusão: quem está a dizer algo falso, Rima Bacevičiūtė, o mapa, ou Frydrichas Kuršaitis, Jonas Jablonskis, a LKA? Nesse mapa, as aldeias de Eglinė e Vaiponia são consideradas pertencentes à subfala de Punskas, mas na realidade pertencem à região de Liubavas–Kalvarija, separada pela Liga das Nações com a ajuda da França. É uma grande injustiça dizer que JRB pronuncia mā.tu, mā.ti — apenas mā.ta, sā.k'e e afins (por isso foram classificados entre os aukštaičiai do noroeste e agora transferidos para os kauniškiai).
O texto da fala de Katyčiai é muito interessante (o autor conversou ali em 1964, depois de ir da aldeia de Buikiškė, perto de Vainutas): ali diziam būva ~ būvo, išvā.r'e ~ išvārė, sā.k'e ~ sākė, šė.n'd'ie šā.lta ~ šiandien šalta, mas no livro aparece de outra forma. No texto de Baltkojai (distrito de Šakiai), todos os e átonos passam a ę žemaitiano (ao ouvir o texto, trata-se apenas de um e um pouco mais recuado, não do ę žemaitiano), e í.r é ī.r. (p. 51, 52). No texto de Garliava, há um problema de transcrição: āštuntais, devintais no caso instrumental indicam a segunda sílaba tónica, mas a transcrição dá āštuntāis, devintāis; o acento secundário do numeral kā.turez'dāe.šims, na sílaba -de.-, foi tomado por acento principal (p. 51, 52), entre outros casos. No texto de Birštonas, da aldeia de Žemaitkiemis, não se ouviu o ditongo ua ~ uo, embora alguns homens o pronunciassem na quinta de Kederis e mulheres o falassem na cidade, junto à igreja (incluindo Kajetonas, irmão do saudoso prof. Jonas Kazlauskas). Será que ua (p. 54) é uo, e não va? Também chama a atenção í.rgi (em Garliava será ī.rgi).
As falas šiauliškiai também são introduzidas por um prefácio e um mapa, que é sem dúvida valioso e interessante (o único problema é muziká.nc = muzikāntas (Žagarė) e, em todas as falas, pasiž'ā.uk't' = pasiž'āukt', bė.k't' = bė'kt'; já os e completamente átonos, ligeiramente recuados, serão o ę žemaitiano, e plāukai será que é mesmo plāukai (p. 63), plākas ~ plēkas (l endurecido) e outros casos).
Nos textos das redondezas de Žagarė, não se reparou que o acento circunflexo não alonga o primeiro elemento do ditongo — trata-se apenas da melodia do acento musical, īšein, šāugdava e afins (os dialetólogos já discutiram muito este assunto). O alongamento generalizado das vogais breves é muito inesperado: bū.va, ži.na (conversei muito com os habitantes de Šakyna e nunca ouvi isso; talvez agora já se tenha misturado), mas distinguiam e ainda distinguem claramente pa'kíla e pa'kíla (em Šakyna e Žagarė há muitos recém-chegados de toda a parte); pronunciavam š'v'ėlp'n, š'v'il'p'n.
Também há dúvidas quanto à transcrição: mušó.ika (1), não mušėikā; trō.ba, não trōba; gi.lei não tem esse recuo do acento; ta.s (tas, «esse») é uma surpresa; tu.s («tocos») também; ū.žlips' lā.kstā.r — será o particípio lā(k)stās, e não um verbo reflexivo; tēmi não é «nesse», mas tem uma raiz completamente diferente e outra alternância (por exemplo, paš'l'auž' ~ pašliaužia, não pašliaužia (p. 70) etc.). Formas aparentemente iguais, mas com pronúncia sempre diferente: bā.ndo.s ganī't' e bāndas než'u.rėsi (p. 71). A transcrição tuōs, tão distante do žemaitiano, é inesperada.
Em Krakių, dúos foi transformado em dúos (!!), braj.gus mokeš'č'ei em brāngūs mókeščiai, ū.li'č'os em ūlýčios, rėi.škē em reiškia, etc. (p. 75).
Os aukštaičiai do sul são os verdadeiros dzūkai; a sua área está continuamente a encolher — ora se eslaviza, ora se torna oriental ou kaunietiškia. A introdução está bem preparada; talvez fosse necessário corrigir bė'kti = begtė, lań.k'e = lań.k'e (p. 77). Também não se percebe como o mapa indica que o som vocálico ʒ. tem uma fronteira oriental junto ao Nemunas, quando ʒ'škā ~ ožkā, kǝ'pa ~ kǝ'pǝ são pronunciados bem mais a leste, em Varėna, Maceliai, Valkininkai, Paparčiai e Ramaškonys (p. 78); compare-se com o mapa após a p. 76 (esse som é pronunciado também em BrS, DrS e até nas falas de Vilnius — que espécie de jogo é este?).
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Há de tudo nos textos: os textos de Paparčiai, Mačėliai e Varėna, transcritos pela dr.ª Asta Leskauskaitė, estão inteiramente corretos (talvez «agora» também devesse levar acento; não me lembro de ouvir a queda de dois t em attrūktu; parvaž iav[o] deveria ser transcrito; ri.tōːi = ri.tɔːj (p. 92), namōpi = namɔːp'i (p. 93), pauõːk = pauõːk (p. 93), ti·če = ti·če); no texto de Kučiūnai, será que havia dúos ~ duõs (p. 95), dalí·kas = dal'i·kas (p. 95), etc. Há muitos erros na bibliografia: o artigo de A. Jonaitytė e T. Sudnik é sobre o dialeto de Apso (aukštaičiai orientais), não sobre os aukštaičiai do sul (p. 86).
Provavelmente, o capítulo mais longo é «Aukštaičiai orientais» (p. 100–171). Aqui há a maior diversidade de falas, e os autores tiveram muito trabalho. O mapa está muito bem preparado; os limites das falas são claros e bastante precisos (mapa após a p. 100). A introdução também foi preparada com cuidado; são duvidosas apenas as formas acentuadas laukúošna = laukúosna, dantýsan = dantýsan (p. 105); não se percebe como, quando as consoantes k, s são palatalizadas, a vogal e também se palataliza e se transforma em a: seserės > sasaras (?) (p. 105).
O nome da aldeia no distrito de Pastovys (localidade lituana na Bielorrússia) é Juravas, não Jūravas (p. 113) (verificado); nešìės = nešìės (p. 115); relutamos em reconhecer a forma de futuro bèks ~ bègs (p. 115); o mesmo vale para uždės (p. 115); vilkas didzú.use(s) é advérbio (antigo nome) e a eventual palatalização de s não tem importância (p. 115); žósti raramente leva acento nessa posição; seria melhor žósti, «começar a falar, tomar a palavra» (p. 130), etc. Quanto à bibliografia, mais uma notícia inesperada: dificilmente o estudo da fala de Lauksargiai, a 9 km de Tauragė, será adequado até mesmo para crianças que procuram características dos dialetos lituanos orientais (p. 130).
Nos textos, ma.mi·tæ. deve ser transcrito como momýtė (p. 136–137), kótas (p. 137) = kótas; dizem que smalė·kai — será que não é smalėkai? (p. 137); namúošna = namúosna, pir'k'õ·sna = pirkiõsna (p. 138), svietas = svietas (p. 139); há acentuação de palavras de canções: langą, kiaulės (p. 139), žìnta., isto é, žento (p. 139), dú.kte, isto é, duktė, šu.ni(s), isto é, šunis (na mesma página).
O mesmo se verifica no importante texto de Baltmuižė (perto de Daugavpils): durnì·s'te = durnýstė (2), nedó·ra.s ă.ki.s = nedó·ra.s ă.ki.s; kaimí.nka, não kaiminkà; apibū.ra. = apibū·ra. ~ apibūro. O mesmo também ocorre nos textos de Anykščiai: bú.dava = bú·dava.; liktarne.la.s = liktarnėlės; išplė·ždava foi transcrito pelo menos duas vezes como plėšdavo? A forma ustāvas, da fala de Žadininkai, será autêntica? Pronuncia-se ustā·vas (ustā·vas), em Rk ustɔ·vas ~ užstovas (p. 147); suplā·iš'ā.ji. = supleišėję; aždun.cū = uždunsu (após n, a consoante s frequentemente se transforma em c) (p. 148).
Os textos de Kupiškis são muito interessantes, mas também há observações a fazer: bagõ·tas = bagõ·tas, gera = gera, važúos = važiuos; krikš't'i·nɔ.s = krikštynɔ.s, jí ~ jy (não ji) (p. 157); atɔ.gal'u ranku = atāgalia rankà (p. 159).
Širvintiškiai luŋ'·kt' = luŋ.kt' é como um prego no sapato (p. 162); vìlko būta =...būta, laukúos(na) = laukúosna (p. 163); pakin'k'l'u.kai = pak'in'kl'u.kai; mergi·tes, suknì·te, nabagì·ču — será que o sufixo não é -ytė em todos os casos? (p. 166); rit'ōi = rit'ōi (p. 166); dirvó·na (só K escreveu assim) = dirvó·na (p. 170), etc.
Entre as falas de Panevėžys que ainda hoje se mantêm mais vigorosas, a introdução e os textos estão entre os mais exemplares (os seus habitantes já me censuraram por usar a palavra panevėžiškiai); talvez apenas blógūs devesse ser corrigido para blógūs (p. 180). O dúos dos habitantes de Panevėžys = duõs (pelo menos três vezes), abžó·t' = ab'žó·t', ž'ūrė·t' = ž'ūrė·t' (p. 185); ė·dal's = ė·dal's (p. 186); d'i·k's = d'i·k's, blō·ga = blō·ga, apibė·ks = apibė·ks, á.ic'vars é á.ic'vars (?).
Os problemas dos «pequenos instrumentos» žemaitianos são maiores; na introdução, pelo menos àv'ieč'ė, kàmu.li·s, sú.nòs (p. 196) deveriam ter sido corrigidos. A distribuição dos africados č, dž não está aqui descrita de forma sistemática (p. 198). Em muitas falas do norte e dos varniškiai, os adjetivos definidos são plāt'ė·s'is, žāl'ė·sis, e não plačiāsis, žāliasis (p. 201). A palavra balandis é conhecida em toda a Lituânia, não apenas entre os žemaičiai (p. 203); soda significa «aldeia não dispersa», não qualquer coisa (p. 203).
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O mapa parece estar praticamente impecável. Sobre os žunsis de Šaukėnai e outros casos escreveu o prof. Albertas Rosinas; nos textos de Vaiguva para o „Atlasui“ também há exemplos desse tipo.
Diz-se que se distingue i˙, u˙ de i˙, u˙˙, mas se escreve uoki.č'ū. (em todos há -i˙t'is | -i˙t'e — o que é que as falas do sul eliminam? (p. 208). A metatonia do futuro não ocorre em palavras com raiz ou sufixo de acento agudo (dįrbs, aūgs, gyvēns), enquanto o acento circunflexo e o breve permanecem inalterados (p. 209). No mesmo local, não se indica a grande área em que as terminações -ums do dativo e do instrumental plural são usadas: apenas Nemakščiai, e não metade do ducado, com Jurbarkas e os demais vizinhos.
Da grande distinção entre i˙ < ie surgiram vyresnyjai = vir'es'n'i˙jai ~ vyresnieji (p. 210) e, adiante: nuri˙t'ėje = nurietėjo, novamente vi˙resni˙j'ė (!), uoki.t'i (?) (p. 219); seni˙je: de Varniai (p. 230), ani˙je ~ anyjai (?), didi˙je ~ didyjay (3 formas) (p. 231)!
A forma do pronome não é mūsų, mas mu˙su | mu˙su | mu˙sa e outros casos ~ mūsų, mūsų e outros casos (p. 212). Também são inesperadas estas formas: skerdī˙nes = skerdynės; ga˙l' ~ galia; aŋ'kš'č'ā.u = aŋkš'č'āu | ankščiau significa «muito cedo», e há esse g' antes do k duro; kā.r.šls = kā.r.šc (p. 215–216); jū˙s'us ~ jūsius (de todos os žemaitas, como é que Nemakščiai se distingue aqui?); drū˙c = drū˙kc (ouvido pessoalmente em 1998); tuoki˙s é uma forma totalmente desconhecida (p. 220); em Šv há n'eši, vė˙ž'i, e não nešė, vė˙že (p. 224); malū˙i já não tem u˙u (p. 230); plū˙ga = plū˙ga, ši˙mta li˙tu =...li˙tu (p. 232); vā˙kū˙ também já não tem u˙u (p. 233), l'u˙b surgiu tardiamente, e em Kv volta a aparecer susišukūos por transposição (p. 233); até o sinal de palatalização žiūburius recebe acento (p. 233) etc.
Os žemaitas do norte apresentam deficiências semelhantes: mė˙ŋkəs = mė˙ŋ'k'ęs (p. 238), mas m'i˙n'ku = mi˙ŋ'ku; lá não se ouve dizer tộp'ò, apenas tốpò ~ tupù, tôpâ.m ~ tūpam etc. (p. 242). Apareceram outros fantasmas de formas atributivas: pilkėjai, gerėjai, didėjai, de p'elk'ė˙je: (ėi + i˙e- – i e i fundiram-se), portanto, são pilkėjai, gerėjai, didėjai (p. 242); pronuncia-se dâ.inas, não dā.inàs (p. 248); i˙štū˙r ~ iš tū˙ra, não iš tūri (p. 248); os habitantes de Klỹkoliškiai dizem mô.n šā.lt palė.ka, não šalt(a) (p. 249); a forma skambà de Tirkšliai é suspeita, enquanto tôupi˙te ou taupyti dá algum consolo (p. 251). Será que o especialista em letão E. Trumpa a entendeu mesmo assim? Em Seda, i˙ bažn'i˙č'ė (!) varā˙, dę.rps' = d'i˙rpsi, jį˙ms = ji˙ms (p. 252); será que em Telšiai se diz šuoks, šiesā.s (p. 252), ožō.us (p. 253), quando na língua literária se diz šōks, šėsas, užuōs? jaunė˙jė, mas apenas jaunėjai; jaunā.s's = jā.unā.s's, vėšos = višūs (p. 253), ɔnti˙rto = ant rytù (p. 254), trôpėnė˙l's = trupinėlius, e não trupinėlius (p. 254), vė˙iŋok'ūos = vienokios, e não vienokios (p. 253).
Nos textos muito interessantes de Kretinga, certas coisas parecem inacreditáveis: ė(š)~šėrdė˙j ~ iš širdie = iš širdė (p. 263), dōuses ~ duōsis = duosis (p. 264); no mesmo local, n'ories supostamente significa norės, e šiedėis é na verdade sėdes(is), não sėdės nem sėdėdama (p. 265); on tou kā.rtė = an tā karčia (não an ta kartė), liŋgōus = lingūos, não linguōs (p. 265). No ponto de Pryšmančiai, devintais tem acento na 2.ª sílaba, mas foi assinalado com acento na 4.ª (p. 265); āudrūos é uma forma impossível — ā.udras (genitivo singular) —, e jog não pode ser traduzido por juk (p. 265). Em Plungė, a forma mais comum é ė.žis, não ėži˙s (p. 266); lūos é traduzido como lōs (p. 266); žėnōtumė mū˙sa gi.vė.nimā = žinōtumi mūsų gyvenimą, não žinōtumei mūsų (?) gyvenimą (p. 267); i.dūomė. = idōmiai (p. 267), e padįrbs, não padįrbs; não bėprōtis, mas bėprōt'is = bėprōtis (p. 267).
No ponto de Endriejavas (arredores de Judrėnai, aldeia de Lelėnai), os žemaitas dzūkai são apresentados com maior nitidez. Primeiro, um informante «mais modernizado»: papā.sakuos'ō (trad. papāsakuoso), vėl'nes (trad. v'ė.l'n'c'), vā.ka.rs (trad. vākā.rs) etc.; mas não é possível transpor ėšė˙t(u) (p. 268), ė˙t'ō ~ eitū, não eitū, pāka.l'nė = pākalnė[je], não pākalnėje (ibid.) etc.
A seção dos žemaitas ocidentais (donininkai) já é um exemplo de falas desorganizadas. A sua história pode ser mostrada tanto pelo livro de W. Fenzlau sobre a germanização dos sobrenomes da região de Klaipėda quanto pelos registros de folclore (nem sequer se notou o ocasional traço de dūnininkai — u.dinē em Sausgalviai mostra a pronúncia ūdinėti < uo-dinėti (p. 284). A fala do muito respeitado J. Užpurvis, porém, baseia-se apenas em recordações, com a morfologia corrigida
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(em 1958, o autor viveu durante 3 semanas na família do irmão; por isso, a fala da irmã e do irmão é muito mais arcaica e sistemática). Ūsai ten yra ó:zná· ~ uõznai, ne užnai (p. 275), auštrinis (áuštrenis) ne áuštrinis. É claro que a fala de Palanga é do noroeste žemaitiano (terceira confusão geográfica da Lituânia, ver p. 276). E Degučiai também fica na chamada região dūnininkai, não na região de Klaipėda. Doutù, invali.dọ.m(a), vã·ikã. não são formas daquela fala: dọ·tọ, invaledọma, vã·kõ, o locativo plural šeš·õ·s m'etõ·s foi inventado pelo transcritor ou por alguém.
Um livro de design belíssimo, no qual se investiu muito trabalho e se depositaram muitas esperanças, mas faltou atenção aos detalhes; a transposição é bastante deficiente e há muitas inverdades. A orientadora do trabalho, a socióloga e linguista sem dialeto, natural de Vilnius, professora associada doutora Laima Grumadienė, apesar dos muitos trabalhos e, ao que parece, da pouca experiência prática na pesquisa dos dialetos, não conseguiu ajudar minimamente as organizadoras. Ao utilizarmos este livro para fins científicos, convém fazê-lo com alguma cautela.
Vytautas Antanas Vitkauskas
Instituto da Língua Lituana
Rua P. Vileišio, 5, 10308 Vilnius, Lituânia
Recebido em 2005 06 09
Dicionário da fala zanavykiana II, L–R
Autoras do texto: Rima Bacevičiūtė, Giedrė Čepaitienė, Vilija Sakalauskienė, Janina Švambarytė, Klementina Vosylytė
Editoras: Vilija Sakalauskienė (editora-chefe), Klementina Vosylytė.
Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidybos institutas, 2004, 595 p., ISBN 5-420-01550-1 (2 tomas), ISBN 5-420-01506-6 (bendras).
Já temos também o segundo volume do Dicionário da fala zanavykiana, que reúne palavras iniciadas pelas letras L–R. Este dicionário dialetal de tipo abrangente (exaustivo) apresenta todo o léxico da fala, base da língua-padrão, que foi possível registrar e extrair do LKŽ sem seleção durante as expedições; emprega-se uma transcrição fonética simplificada (é pena que não inclua a vogal ɔ não tensa nem as consoantes ŋ, ŋ’, x). É muito bom que se tenha desistido das frases e palavras de autores de obras literárias (pois haviam sido incluídas até criações neológicas de escritores daquela região e palavras recolhidas de outros lugares — isso não é objeto de dicionários dialetais).
O dicionário oferece uma quantidade realmente grande de material dialetal confiável e inteiramente novo, além de exemplos de uma língua popular viva e muito expressiva, que, sem dúvida, muitos pesquisadores da língua lituana e, em especial, de suas falas usarão e explicarão em seus trabalhos. O dicionário é importante também no contexto histórico atual, quando os sistemas linguísticos herdados de todas as falas são fortemente influenciados pela língua-padrão e pelos meios que difundem sua influência, sobretudo o rádio, a televisão, a administração e os fatores políticos. Isso é particularmente visível na região de Sūduva, onde as novidades são adotadas com entusiasmo, e o falar soa repleto de gírias e de todo tipo de empréstimos e decalques, nas bocas dos habitantes locais da terra de Jonas Jablonskis! Alguns deles são apresentados aqui; talvez fosse preciso alertar os usuários do dicionário para o caráter recente dessas palavras e formas. Eis a “contribuição” da burocracia para o nosso repertório linguístico: mašiniai Šk «em massa» (p. 130); pramatyti (no sentido de prever) (p. 135); expressão fraseológica nó de controle «cérebro» (p. 139); [mulher] apsivė·dus (p. 157); mišiuginis «idiota» (da vida judaica) (p. 201); motininė [porca] «reprodutora» (p. 216); pamušti blatą «extorquir,»