Gotfrydo Ostermejerio prierašai Jokūbo Brodovskio rankraščiuose: „Litauische Sprichwörter und Rätsel“ ir „Lexicon Germanico–Lithvanicvm et Lithvanico–Germanicvm“
Full text
ONA ALEKNAVIČIENĖ
Instituto da Língua Lituana
Áreas de pesquisa: história da língua escrita lituana, história da língua, literatura e cultura da Lituânia Menor.
ANOTAÇÕES DE GOTFRYD OSTERMEJER NOS MANUSCRITOS DE JOKŪBAS BRODOVSKIS: LITAUISCHE SPRICHWÖRTER UND RÄTSEL E LEXICON GERMANICO-LITHVANICVM ET LITHVANICO-GERMANICVM1
Inscrições de Gottfried Ostermejer nos manuscritos de Jacob Brodowski: Litauische Sprichwörter und Rätsel e Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum
RESUMO
O artigo analisa a questão da autoria da coleção manuscrita de provérbios, ditados e enigmas Litauische Sprichwörter und Rätsel (PR), conservada na Biblioteca Wroblewski da Academia de Ciências da Lituânia (LMAVB RS: F 137–1). No manuscrito de unidades de folclore oral, entre as anotações do compilador principal — Jokūbas Brodovskis, precentor de Trempai (distrito de Darkiemis) — foram encontrados acréscimos de Gotfrydas Ostermejeris: 16 frases em alemão e 11 em lituano. O objetivo do artigo é avaliar os acréscimos de Ostermejeris como elementos da macroestrutura e da microestrutura da coleção.
1 O artigo foi elaborado no âmbito do projeto Patrimônio e identidade: pesquisa e divulgação de fontes de estudos lituanos do século XVII, integrado ao programa Estado e nação: patrimônio e identidade. A pesquisa foi financiada pelo Conselho de Pesquisa da Lituânia (contrato n.º VAT 10/2010).
P A L A V R A S - C H A V E: Gottfried Ostermejeris, Jokūbas Brodovskis, Lituânia Menor, folclore oral, provérbios, ditados, enigmas.
P A L A V R A S - C H A V E: Gottfried Oster meyer, Jacob Brodowski, Lituânia Menor, folclore oral, provérbios, ditados, enigmas.
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elementos, determinar as relações com fontes lituanas anteriores e distinguir as inscrições registradas pela primeira vez na história da escrita lituana. O artigo também aborda as inscrições de Ostermejer no dicionário de Brodovskis Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum (B; LMAVB RS: F 137–15) e analisa as características linguísticas das inscrições de Ostermejer.
ANOTAÇÃO
O artigo aborda o problema da autoria da coletânea manuscrita de ditos, provérbios e enigmas Litauische Sprichwörter und Rätsel (PR), conservada na Biblioteca Wroblewski da Academia de Ciências da Lituânia (LMAVB RS: F 137–1). Entre as unidades de folclore de pequena extensão registradas pelo compilador principal — Jacob Brodowski, precentor de Trempen (distrito de Darkehmen) — encontram-se também no manuscrito anotações de Gottfried Oster meyer: 16 frases em alemão e 11 em lituano. O objetivo deste artigo é avaliar as inscrições de Ostermeyer como elementos da macroestrutura e da microestrutura da coletânea, determinar suas relações com fontes lituanas anteriores e distinguir as inscrições registradas pela primeira vez nos escritos lituanos. O artigo também discute as inscrições de Ostermeyer no dicionário de Brodowski Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum (B; LMAVB RS: F 137–15) e analisa suas particularidades linguísticas.
0. INTRODUÇÃO
Gotfrydas Ostermejeris (Gottfried Ostermeyer, 1716–1800) – ryški XVIII amžiaus antrosios pusės Mažosios Lietuvos figūra. Literatūrologams jis žinomas visų pirma kaip giesmių kūrėjas, giesmyno sudarytojas ir istoriografas, kalbos istorikams – kaip gramatikos autorius, kultūros istorikams – kaip ikikrikščioniškosios Prūsijos tautų ir jų religijų tyrėjas. Nors gimė ne Mažojoje Lietuvoje ir nelietuviškoje šeimoje, literatūros, kalbos bei istorijos tyrimus skyrė mokslo sričiai, kuri dabar įvardijama kaip lituanistika plačiąja prasme.
A família Ostermejer traçava suas origens aos alemães da Baviera, que, passando pela Saxônia e pela Silésia, chegaram à Prússia Ocidental (Šlaitaitė 1994: 150–151, 157–158). Gotfrydas nasceu em 1716, em Marienburg (atual Malbork, norte da Polônia, voivodia da Pomerânia), numa família de artesãos (curtidores). Entre 1728 e 1736, estudou no ginásio de Toruń (Šlaitaitė 1994: 151–152, 158–159; Biržiška 1963: 101). Foi matriculado na Universidade de Königsberg em 9 de maio de 1737: „Ostermeyer Godofr. Marienburg. Boruss.“ (Erler 1911: 370)2. Estudou teologia e, por volta de 1739–1740, aprendeu lituano no Seminário de Língua Lituana (Citavičiūtė 2004: 87–88, 344).
2 Biržiškos (1963: 101) nurodyta data 1739-05-09 klaidinga.
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Ostermejer teve de interromper os estudos duas vezes por falta de recursos. Segundo relata seu filho Zygfrydas (Siegfried Ostermeÿer, 1759–1821), o pai sustentava-se dando aulas particulares a pastores rurais e, depois de economizar dinheiro, voltava a Königsberg. Na última vez, esteve com o pastor Fabijonas Kalava (Fabian Kalau, 1691–1747), em Verdainė (cerca de 3,5 km a leste da antiga Šilokarčema, atual Šilutė), onde também estudou teologia e, por fim, aprendeu lituano. Por saber lituano, mostrou-se digno de receber um cargo oficial na Lituânia Menor: Friedrich von Görne, patrono da igreja de Trempen e ministro de Estado e da Guerra (Königliche Etats- und Kriegsminister), convidou-o em 1744 para trabalhar como precentor em Trempen (Šlaitaitė 1994: 152, 159).
Em 1752, quando o pastor de Trempen, Gerhard Ludwig Mühlenkamp, foi transferido para Kussen, a vaga ficou aberta. Em 29 de agosto de 1752, os conselheiros do consistório informaram ao rei que a paróquia havia escolhido Ostermejer entre três candidatos (Die Pfarr-Stelle zu Trempen betreff., 1752; GStA PK: XX. HA Hist. StA Königsberg, EM 44 d, Nr. 233, Bl. 18r–21v). Ostermejer trabalhou como pastor em Trempen até sua morte (13/03/1800). Casou-se com Anna Regina (Anna Regina Kalau, 1721–1770), filha do mencionado pastor de Verdainė, Kalau. Seu filho Zygfrydas e seus netos também se tornaram pastores e professores luteranos e se interessaram, em maior ou menor grau, por atividades de estudos lituanos.
A concepção do povo e dos valores espirituais por ele criados, formulada no Iluminismo, suscitou muitos debates na Europa. Eles envolveram também Ostermejer — primeiro sobre a etnogênese dos lituanos prussianos e, de modo geral, de todos os povos bálticos; mais tarde, sobre os princípios de tradução de hinos. As obras inspiradas por esses debates provocaram novos debates. Em todos eles, um dos instrumentos e argumentos mais importantes de Ostermejer eram os fatos da língua lituana. Ostermejer era membro da Sociedade Real Alemã de Königsberg (Königliche deutsche Gesellschaft zu Königsberg) e publicou artigos sobre a religião, a etnografia e a mitologia prussianas e lituanas, bem como sobre a história das igrejas e escolas, na publicação periódica da sociedade Preussisches Archiv.
Ostermejer publicou suas principais obras em alemão. Nem todos os trabalhos publicados sobreviveram3. Restaram muito poucos manuscritos — até agora, conheciam-se apenas três autógrafos e uma cópia. O primeiro autógrafo é uma carta escrita em 6 de janeiro de 1781 a Abraham Jakob Penzel (1749–1819), de Trempen para Cracóvia, atualmente conservada na Biblioteca Estatal da Baviera, em Munique (Gerulaitienė 2002: 18–20); o segundo é um artigo sobre a história da Bíblia lituana Historische Nachricht von der litauischen Bibel, conservado na Biblioteca Wroblewski da Academia de Ciências da Lituânia. O artigo não tem assinatura, mas sua autoria por Ostermejer foi comprovada com base em sua carta a Penzel (Gerulaitienė 2002: 11–15) e em um terceiro documento, conservado
3A maioria dos textos que sobreviveram foi traduzida para o lituano e publicada em Rinktiniuose raštuose (1996), com exceção da gramática da língua lituana Neue Litauische Grammatik (1791) e dos artigos na publicação Preussisches Archiv.
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No Arquivo Secreto do Estado do Patrimônio Cultural Prussiano, em Berlim (Geheimes Staatsarchiv Preussischer Kulturbesitz). Trata-se dos comentários de Ostermejer sobre o salmo de Davi (Sl 2,1–12), traduzido para o lituano por Liudvikas Rėza, e de uma conclusão assinada (sobre ela, ver Citavičiūtė 2002: 21–25). Assim, a sequência cronológica dos autógrafos de Ostermejer conhecidos até agora é a seguinte:
(1) Gotfrydas Ostermejeris. Carta de Trempai a Abraham Jakob Penzel, em Cracóvia, 1781-01-06; Bayerische Staatsbibliothek München: Penzeliana II (Ostermever, Bl. [1–6]; publicada em: Keturi Gotfrydo Ostermejerio rankraščiai, 2002: 73–77, 143–148.
(2) [Gottfried Ostermever]. Hiftorijch[e] Nachricht v[on] d[er] littauifch[e]n Bibel, [depois de 1791]; LMAVB RS: F 15–299; publicada em: Keturi Gotfrydo Ostermejerio rankraščiai, 2002: 31–52, 91–123.
(3) M[artinus] Lud[ovicus] Rheſa. Tradução do 2.º S[almo] para o lituano, 1797. – Acta des Königl. Ober-Schul-Collegii, von den Polnisch- und Litthauischen Prediger- und Schullehrer Seminar zu Königsberg in Preußen, 1797–1805; GStA PK: I. HA Rep 76 alt Ältere Oberbehörden für Wissenschaft, Kunst, Kirchen- und Schulsachen, II Nr. 271, Bl. 42r–42v; publicada em: Keturi Gotfrydo Ostermejerio rankraščiai, 2002: 79–82, 149–150.
Conhece-se ainda outro documento manuscrito de Ostermejer — Zusätze zum Beitrag zur Altpreußischen Religions Geschichte und zu den Gedanken von den alten Bewohnern des Landes Preußen, mas não se trata de um autógrafo, e sim de uma cópia (LMAVB RS: F 15–70). São aditamentos aos livros publicados por ele, Kritischer Beitrag zur Altpreußischen Religionsgeschichte (1775) e Gedanken von den alten Bewohnern des Landes Preussen (1780), escritos depois de 1783 (Gerulaitienė 2002: 15–18; publicados em: Keturi Gotfrydo Ostermejerio rankraščiai, 2002: 53–72, 125–142).
Ao examinar a coleção manuscrita de provérbios, ditados e enigmas Litauische Sprichwörter und Rätsel (doravante PR; LMAVB RS: F 137–1), conservada na Biblioteca Wróblewski da Academia de Ciências da Lituânia e considerada anônima por muito tempo, chamou a atenção o fato de que os itens de folclore popular haviam sido registrados em momentos diferentes e por pessoas diferentes. Do texto como um todo destacavam-se as anotações feitas com tinta preta ou castanho-escura. As circunstâncias históricas permitiram supor que poderiam ser de Ostermejer, orientando assim a pesquisa para a identificação de mais um autógrafo seu. No entanto, a questão mais importante a responder primeiro era: quem havia compilado a coleção inteira?
1. AUTORIA DA COLEÇÃO LITAUISCHE SPRICHWÖRTER UND RÄTSEL
Até a Segunda Guerra Mundial, esta coleção manuscrita de folclore popular foi conservada no Arquivo do Estado da Prússia, em Königsberg (Preussisches Staatsarchiv in
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Königsberg4. Na folha de rosto, a antiga cota alfabética da LMAVB, «1. LR – I», inscrita em tinta violeta, indica que o manuscrito foi atribuído ao fundo de Liudvikas Rėza (Ludwig Jedemin Rhesa, 1776–1840) (ver também Šiožinys 1950: 10–13). Esse fundo foi constituído depois da Segunda Guerra Mundial, quando muitos livros e manuscritos recolhidos durante expedições para salvar bens culturais foram trazidos da região de Karaliaučius para a Lituânia (Abramavičius 1944–1947: 40v–41r; Abramavičius 1963: 189).
O conjunto é lacunar: faltam-lhe o início, o fim e parte de fragmentos internos. A folha de rosto autêntica, escrita pela mão do compilador, não sobreviveu; os dados do título foram acrescentados posteriormente. Na primeira folha da antiga pasta em que o manuscrito esteve guardado, encontram-se duas inscrições: 1) o título «Littauilch[e] Sprichwörte[r] || u || Räthſel.» (no meio da folha, em tinta castanha-escura); 2) a inscrição «Litth. Sprüchwörter» (no topo da folha, a lápis castanho ou vermelho; está desbotada e é difícil de ler). O conjunto não é mencionado por contemporâneos, pelo que também faltam informações secundárias.
Na bibliografia lituana, o manuscrito foi registado como uma fonte do final do século XVII, sem indicação de autor: «Littauilche Sprichwörter und Rätſel. [Provérbios, ditados e enigmas lituanos]. S. l., final do século XVII. [1, 40] folhas. 20,5 × 17,4 cm» (LB I 516, n.º 177). No catálogo em fichas da Secção de Manuscritos da LMAVB, a fonte é identificada como «Conjunto de provérbios, enigmas e ditados lituanos. Autor desconhecido. Em lituano, segunda metade do século XVII. 40 folhas. 20 × 17,4. Manuscrito restaurado; na primeira folha, inscrição: N.º 177 Litauische Sprächwörter und Rätsel⁵». Devido à ausência de dados no título, depois da Segunda Guerra Mundial o conjunto passou a ser tradicionalmente designado Conjunto Anónimo de Ditados, Provérbios e Enigmas.
Em 1956, Jurgis Lebedys levantou a questão da autoria. Parecia-lhe indubitável que o conjunto era propriedade do precentor de Trempai (distrito de Darkiemis), Jokūbas Brodovskis (Jacob Brodowski, 1692–1744)6 e uma das principais fontes do seu dicionário Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum; contudo, ainda assim duvidava da autoria do conjunto. Embora não excluísse a possibilidade de considerar Brodovskis o compilador do conjunto-
4 Há apenas um indício de proveniência que revela quem foi o antigo proprietário da fonte: a cota Nō 177, inscrita no canto superior direito da folha de rosto, em tinta castanha-escura. Como o PR não contém uma inscrição com o nome do arquivo Preussisches Staatsarchiv in Königsberg (nos manuscritos, geralmente abreviado como Staatsarchiv Königsberg), denominação adotada a partir de 1867 (Forstreuter 1955: 65), nem o respetivo carimbo, é de supor que a cota do PR tenha sido inscrita quando o arquivo ainda não tinha sido renomeado, isto é, quando funcionava sob a designação Königliches Geheimes Archiv zu Königsberg in Preussen. Após a morte de Rėza, os manuscritos que este reunira foram incorporados no arquivo assim denominado, entre eles o Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum de Jokūbas Brodovskis (doravante, B), o anónimo Clavis Germanico-Lithvana (doravante, C), o Lexicon Lithuanicum e outros (Nesselmann 1851: VI).
5 Na folha de rosto do PR encontra-se Sprichwörter, Räthſel.
6 Brodovskis trabalhou como precentor em Trempai de 1713 a 1744. Tinha estudado na Universidade de Karaliaučius — matriculou-se em 1709-04-24: «Brodowski Jac., Goldap, Pruss., iur., gratis» (Erler 1911: 264). Presume-se que não concluiu os estudos. Essa pode ser uma das razões pelas quais não se tornou pastor.
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toju, bet neradęs pakankamų įrodymų, klausimą paliko atvirą (Lebedys 1956: 25–26). Vėlesni B ir PR patarlių santykio tyrimai įtikinamo rezultato taip pat nedavė.
Após a análise da caligrafia de todo o conjunto (recorrendo sobretudo à metodologia de análise da escrita exposta no livro de Lothar Michel, Gerichtliche Schriftvergleichung. Eine Einführung in Grundlagen, Methoden und Praxis (Michel 1982: 78–85, 237–261), concluiu-se que o PR é um autógrafo de Jokūbas Brodovskis, com exceção de algumas dezenas de acrescentos feitos por outra pessoa e das inscrições na folha de rosto, acrescentada posteriormente (Aleknavičienė 2011: 50–54). As inscrições principais foram comparadas com o dicionário de Brodovskis, Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum.
A análise do papel do conjunto não contrariou essa conclusão. Embora investigadores anteriores do manuscrito tenham indicado datas diversas — final do século XVII (últimas décadas, segunda metade) ou final do século XVII–início do século XVIII (primeiras décadas, primeiro quartel) —, a análise das marcas-d’água permitiu restringir o intervalo: o PR é uma fonte da primeira metade do século XVIII, e não do século XVII.
Com base nas marcas-d’água, determinou-se que no PR foi utilizado papel de três oficinas papeleiras prussianas: Giunveris, Finkenas e Ekeris. Para a datação do manuscrito, é importante o papel com uma marca-d’água que contém o monograma «CF»7. A marca-d’água representa uma serpente com coroa, enroscada numa centáurea. O papel com a serpente coroada era produzido pela oficina papeleira de Giunveris (Grünwehr). As letras «CF» na parte inferior da marca-d’água são o monograma do mestre Christophas Fund(t)as (ou Pfundtas), que trabalhou em Giunverija de 1719 a 1724. Uma marca-d’água semelhante, com as iniciais «CF», encontra-se já num documento de 1716, mas desconhece-se onde Fund(t)as trabalhava nessa altura. Assim, o manuscrito deve ter sido escrito depois de 1716 (Aleknavičienė 2011: 45–50). O período de fabrico do papel das outras oficinas não contraria esta datação.
Os acrescentos de uma segunda pessoa, feitos a tinta preta ou castanho-escura, apresentam traços caligráficos individuais bem marcados. A caligrafia de Ostermejeris foi comparada com os originais de dois dos seus manuscritos já mencionados e com uma reprodução de uma carta. A análise gráfica tanto de letras isoladas como das suas combinações permitiu concluir que foram acrescentados por Gotfrydas Ostermejeris (Aleknavičienė 2011: 55–64). Em 1744, foi nomeado para ocupar o lugar de Brodovskis, precentor de Trempai, falecido nesse mesmo ano. Tanto para Brodovskis como para Ostermejeris, Trempai foi a primeira e única paróquia.
Ostermejeris foi o primeiro a fornecer informações sobre Brodovskis enquanto lexicógrafo e sobre o seu dicionário. Na obra Kritischer Beitrag zur Altpreußischen Religionsgeschichte, publicada em 1775, Ostermejeris baseou-se no lexicógrafo lituano — Pilypas Ruigys (Philipp Ruhig, 1675–1749) e Brodovskis — para os nomes das divindades bálticas recolhidos da tradição oral, que, segundo ele, nenhum historiador prussiano fornecia (Ostermeyer 1775: 9–23). Ostermejeris recorreu a Ruigys e Brodovskis como fontes autorizadas que ajudavam a determinar-
7 A marca-d’água com o monograma «CF» tem 10,8 × 9 cm; a linha não é um eixo; a distância entre as linhas de pontusais é de 2,3 cm; as linhas são nítidas. Encontra-se nas folhas PR 9 (parte inferior), PR 11–14 (folha inteira) e PR 16 (parte superior). As marcas-d’água foram publicadas em Aleknavičienė 2011: 46–48, figs. 1–3.
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… e também a esfera de atuação das antigas divindades, pois aqueles que viviam entre os lituanos podiam ouvir mencionar uma grande quantidade de deuses.
No entanto, Ostermejeris forneceu a maior parte das informações sobre Brodovskis e a compilação do dicionário no livro Gedanken von den alten Bewohnern des Landes Preussen (1780). As mais importantes dizem respeito ao método de elaboração do dicionário (Brodovskis recolhia material da língua viva e trabalhou nele durante cerca de 30 anos8), à sua estrutura (em duas partes: a primeira alemão–lituano, a segunda lituano–alemão; começara a transcrever esta última em escrita cursiva, mas não chegou a concluí-la) e à abundância de provérbios (o título indica mais de 2000) (Ostermeyer 1780: XXXVI–XXXVII).
A descrição, feita por Ostermejeris, do modo de recolher material ajuda a compreender a cronologia em várias etapas dos verbetes tanto de B como, sobretudo, de PR: por causa de uma palavra ou expressão, Brodovskis podia percorrer várias milhas; levava sempre consigo uma tabuinha para escrever e, ao ouvir algo novo, anotava-o imediatamente nela; ao regressar, incorporava-o ao dicionário.
A correspondência com Penzelis mostra que Ostermejeris não apreciava particularmente as canções lituanas da época (Keturi Gotfrydo Ostermejerio rankraščiai, 2002: 73, 75, 144). No entanto, no livro Gedanken von den alten Bewohnern des Landes Preussen, conclui o seu discurso sobre Brodovskis com uma avaliação positiva do dicionário, devido à abundante apresentação de provérbios. Segundo ele, estes deveriam ser selecionados, organizados e publicados à parte, com explicações acrescentadas. Os provérbios revelariam o espírito dos antigos lituanos e seriam muito apreciados. Além disso, isso proporcionaria uma ocasião para lamentar que a Ordem Teutónica tivesse privado de liberdade um povo assim (Ostermeyer 1780: XXXVI–XXXVII). Assim, a publicação de provérbios e ditados recolhidos da língua viva parecia a Ostermejeris poder servir como uma espécie de compensação moral.
Ostermejeris não menciona PR como fonte independente. O próprio Brodovskis provavelmente considerava PR parte do dicionário e pretendia acrescentá-lo no final, como foi feito em C, KzŽ e em vários outros dicionários bilíngues dos séculos XVII–XVIII. A relação entre PR e B também é indicada pelas remissões de uma fonte à outra. Portanto, é provável que este manuscrito fosse guardado junto com o dicionário.
2. APONTAMENTOS DE GOTFRYDO OSTERMEJERIO NO MANUSCRITO DE JOKŪBAS BRODOVSKIS
PROVÉRBIOS E ADIVINHAS LITUANOS
Ao todo, Ostermejeris acrescentou a PR 16 frases alemãs e 11 lituanas (53 palavras lituanas no total, ou 61 formas de palavras) e corrigiu pelo menos 5 palavras de Brodovskis. Dessas onze, dez são provérbios e ditados, e uma é uma adivinha.
8 Ostermejeris escreve que Brodovskis começou cedo a recolher material para o dicionário: «Er fieng frühezeitig an ein Wörterbuch von dieser Sprache zusammen zu tragen, und brachte mit dieser Arbeit an die dreyßig Jahre zu.» (Ostermeyer 1780: XXXVI), isto é, provavelmente logo que chegou a Trempen.
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A maioria das anotações de Ostermejeris relacionadas com as entradas de Brodovskis estabelece relações verticais e, em conjunto com elas, constitui a macroestrutura da coletânea. São artigos autónomos da coletânea (o termo artigo da coletânea é usado de modo análogo ao termo lexicográfico verbete). Há um número um pouco menor de anotações ligadas por relações horizontais e pertencentes ao domínio da microestrutura. Estas anotações dividem-se em três tipos: 1) complemento das entradas de Brodovskis — acrescenta-se um equivalente alemão em falta ou adicional; 2) correção das entradas de Brodovskis — propõe-se uma variante melhor em lituano ou alemão; 3) correção de palavras isoladas de Brodovskis.
2.1. Artigos da coletânea acrescentados
São elementos da macroestrutura da coletânea: artigos individuais que contêm ambos os componentes — lituano e alemão (cf. fig. 1). Há dez destes (nove ditos e provérbios e uma adivinha):
PR ᵒ1r II₅–₁₁ ⁹ Diewe dūk wienam gimt, alle ne wienam dirbt. Que Deus {ła}ça cada um nascer sozinho; mas que ninguém trabalhe sozinho, isto é, sem trabalhadores (filhos e criados), não há exploração agrícola.
PR ᵒ1v II₃–₆ Diews ne žur į Arodą diz-se quando, no matrimónio, nascem frequentemente filhos, mas há pouco pão
PR ᵒ2r II₃–₅ Diews neweikus, alle atmenūs A vingança de Deus tarda muitas vezes, mas não fica por cumprir.
PR ᵒ7v II₄–₆ Iau brauki ſu Lapais, tikt Szakučius palieki. Mentes descaradamente.
PR ᵒ10v I₂–₄ Kas yra gražėlnis po Smerczo, ne kai gyws! ℞ Lagostim, quando cozido ⟨O←geb⟩.
PR ᵒ18r II₁–₆ Skola ne Mūma As dívidas têm de ser pagas; melhor: as dívidas oprimem e não acariciam, como uma mãe.
PR ᵒ20v II₁–₃ Swečias ne ilgay, alle da{ug} mało. Um hóspede vê muito, mesmo durante a estadia mais curta.
PR ᵒ24v I₉–₁₂ Tirpūlys per mano Kuną {i}ejo A morte passou por cima da minha sepultura. NB: dito perante um sobressalto inesperado.
PR ᵒ24v II₁₀–₁₂ Tingini ragiſi, be tojo (ſzojo) pats dirbk Um criado preguiçoso é, ainda assim, melhor do que nenhum.
PR ᵒ32r I₂₀–₂₁ Žuvis trokšta be Wandens. Não se vive bem de nada.
9 As anotações de Ostermejeris são assinaladas na referência métrica acrescentando a letra sobrescrita O antes da página, por exemplo, PR ᵒ2r II₃–₅; as correções são assinaladas entre parênteses angulares, com a abreviatura O, por exemplo, «Kėpėje ⟨O→Kėpėjė⟩». As letras escritas de forma pouco clara são colocadas entre chavetas, por exemplo, {ła}ße; as palavras que não sobreviveram devido a danos nas folhas e foram reconstituídas com base noutras fontes são colocadas entre chavetas duplas. As terminações das palavras alemãs, quando escritas de forma abreviada, são reconstituídas entre parênteses retos, por exemplo, auße[n].
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Anotações de Gotfrydas Ostermejeris nos manuscritos de Jokūbas Brodovskis: Litauische Sprichwörter und Rätsel e Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithuanico-Germanicum
FIG. 1. PR ⁰18r II₁–₆: artigo da coletânea acrescentado por Ostermejeris: um provérbio lituano e dois equivalentes alemães, ligados pela palavra beßer
Oito dos dez itens de folclore lituano em B não aparecem em PR o1r II₅–₁₁, o1v II₃–₆, o7v II₄–₆, o10v I₂–₄, o18r II₁–₆, o20v II₁–₃, o24v I₉–₁₂, o24v II₁₀–₁₂. É provável que também não estivessem na parte lituano-alemã do dicionário de Brodovskis (doravante – *Blv), pois não foi possível encontrá-los no ficheiro do Dicionário da língua lituana, conservado no Centro de Lexicografia do Instituto da Língua Lituana
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da Língua Lituana10. Assim, deve-se observar que quem registrou esses itens de folclore não foi Brodovskis, mas Ostermejeris. Sete deles — seis provérbios e um enigma — foram registrados pela primeira vez em lituano: PR ¹₁ᵥ II₃–₆, ⁰₇ᵥ II₄–₆, ¹₀ᵥ I₂–₄, ⁰₁₈ᵣ II₁–₆, ⁰₂₀ᵥ II₁–₃, ⁰₂₄ᵥ I₉–₁₂, ⁰₂₄ᵥ II₁₀–₁₂. Não foram encontrados em obras anteriores da língua lituana escrita. Portanto, podem ter sido anotados por Ostermejeris a partir da língua falada, tanto mais que não são traduções do alemão. Os equivalentes alemães parecem mais explicações do que provérbios ou ditos.
Outro provérbio, acrescentado em PR ⁰₁ᵣ II₅–₁₁, disputa a primazia com o provérbio da obra de Pilypas Ruigys Betrachtung der Litauischen Sprache (1745, doravante – RgB); compare-se: “Diewe dŭk, wienam gimt’, ne wienam bŭt’: Ohne Gefind iſt ein ſchlechtes Leben.” RgB 87₅–₆.
Dois dos dez itens indicados acima também se encontram em B, mas, num deles, coincide apenas o provérbio lituano, enquanto o equivalente alemão é diferente; no outro, tanto o provérbio lituano como o alemão devem ser considerados variantes distintas do mesmo item. Este último já havia sido registrado em fontes manuscritas anteriores: em C e na sua cópia — o dicionário de Johann Heinrich Kunzmann (1709–1775), mais precisamente, a sua cópia (doravante – KžŽ); compare-se:
PR ⁰₂ᵣ II₃–₅ Diews neweikus, alle atmenŭs A vingança de Deus demora muitas vezes, mas não falha.
B 594₄₅–₄₆ Prov Deus é paciente, mas também justo. Diew’s ne weikus alle atmennus.
PR ⁰₃₂ᵣ I₂₀–₂₁ Žuwis trokſzta be Wandens. É difícil viver sem nada.
B 853₃₀–₃₁ Prov É difícil viver sem nada; não consigo ficar sozinho sem ti. aß wis trókſßtu be Wandens.
B 946₂₉–₃₀ Aß wis be Wandens trókſßtu Não consigo ficar sozinho sem ti; é difícil viver sem nada.
KžŽ 263₁₈–₁₉ Žuwis trókſzta be Wandennio É difícil viver sem [nada].
C II 1120 I₂₆–II₂ Žuwis trokſßta be Wandeniô: É difícil viver sem nada.
2.2. Artigos da coletânea corrigidos
Estes são elementos da microestrutura da coletânea (cf. fig. 2). Em três lugares, Ostermejeris acrescentou o equivalente alemão que faltava; em outro, acrescentou um equivalente adicional (a seguir, citam-se ambos — primeiro o lituano de Brodovskis e depois o alemão de Ostermejeris):
10 A parte lituano-alemã não foi preservada. O fichário do LKŽ contém fichas transcritas dessa parte antes da Segunda Guerra Mundial (Balčikonis 1941: IV).
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Gotfrydo Ostermejerio prierašai Jokūbo Brodovskio rankraščiuose: Litauische Sprichwörter und Rätsel ir Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum
PR 5r I₂₃ √Gikis, numirres ne gilis.
PR ⁰5r I₂₄–₂₅ Defende-te, protege-te enquanto viveres; depois da morte é tarde demais
PR 5r II₃–₄ √Gerri Miltai mokinn’ Képėje ‹O→Képėje›, gerri Linai W{ė}rpėje ‹O→W{ė}rpėje.
PR ⁰5r II₅–₆ Boa farinha dá bom pão; bom linho, boa gavela
PR 19v I₄ √Sukis¹¹ [‹O→Sukkas’›] kaip appatinne puſſe Girnu.
PR ⁰19v I₅ Uma pessoa muito preguiçosa.
PR 4v I₈–₉ √Ao bom, o bom; ao mau, o mau. √Como se faz, assim também se recebe.
PR ⁰4v II₁ Como se age, assim as coisas acontecem
Uma nota excepcional — um provérbio lituano e um comentário em alemão indicando que o provérbio é precisamente este, e não aquele que Brodovskis escreveu em frente, isto é, na segunda coluna (PR 17v II₁–₄). No entanto, o provérbio apresentado por Brodovskis em PR coincide essencialmente com o provérbio de B, e B o registra três vezes. Além disso, o mesmo provérbio também aparece em *Blv¹². Portanto, no círculo de Brodovskis, era uma unidade estável; dificilmente ele se enganou aqui. Já a variante apresentada por Ostermejeris é próxima de uma das variantes de C; cf.:
PR ⁰17v I₄–₆ A árvore seca quebra-se, a verde se curva. É assim que se diz o provérbio, e não como está escrito em frente.
PR 17v II₁–₄ Sauſas [Sens] Medis braßka, 3áles [jauns] l{ų{bta}} alte Leute müß[en] ſterb[en] junge köne[n] st{{erben.}} Es köm[en] leichter Kalbs als Ochſe[n] Häut zu M{{arckt.}} Der Todt ſiehet weder alt noch jung.
B 73ₚᵣₛₜ. Alte Leute müß[en] ſterb[en] junge Leute kon[nen] ſterbe[n]. Der Todt ſiehet weder Alt noch Jung. Sén’s l. Sauſas Medis braßka Jaun’s l. 3áles lußta.
B 648ₚᵣₛₜ. Prov Es köme[n] leichter Kälber als Ochſe[n] Haut zu Marckt. vel alte Leute müß[en] ſterb[en] junge köne[n] ſterbe[n]. Sauſas (ſen’s) Medis braßka, 3áles (jaun’s) lußta. vel Der Todt ſiehet weder alt noch Jung.
B 723ₚᵣₛₜ. Prov O sol seca a madeira, o jovem verga. Os velhos têm de morrer, os jovens podem morrer. É mais fácil levar ao mercado peles de vitelos do que de bois. A morte não poupa nem velhos nem jovens.
*Blv 200≥LKŽk A madeira seca verga, o jovem verga. Os velhos têm de morrer, os jovens podem morrer.
C II 1117 II₁₇–₂₄ Sauſas (·Sens·) Medis lußta (·bráßka·) 3álas (·jaun’s·) linkſta (·lußta·) Alte Leute müßen ſterben, junge können ſterben. /. Es kömt ſo leicht e. Kalb, alß Ochſen=Häut zu Marckte. /. Der Todt ſchonet weder jung noch alt.
11 Sublinhado a tinta preta por Ostermejeris.
12 Os fragmentos *Blv são apresentados com a referência ≥LKŽk.
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FIG. 2. PR 5r: Ostermejeris acrescentou o correspondente alemão em falta junto de dois provérbios lituanos: PR 05r I24–25 e PR 05r II5–6
Num lugar, Ostermejeris apresenta uma variante alemã adicional como melhor («beßer») do que a de Brodovskis, cf.:
PR 18v I18–20 ‘O rigoroso não é irmão. ‘Os senhores severos castigam com escorpiões.
PR 018v I20 melhor: a necessidade não agrada a ninguém.
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Acrescente-se que Ostermejeris também registrou duas variantes alemãs, ligadas pela palavra beßer, no artigo do repertório que ele próprio acrescentou: „Skola ne Mūma Schulde[n] muß man bezahle[n], beßer: Schulden drück[en] u. liebkofe[n] nicht, wie eine Mutter.“ PR 18r II₁–₆ (ver também a fig. 1). Embora provérbios e ditos se caracterizem pela estabilidade do conteúdo semântico, no processo comunicativo são realizados de diferentes maneiras e adquirem significado situacional (Zaikauskienė 2010: 98). Neste caso, o provérbio lituano apenas sintetiza a situação — transmite certa experiência de vida (a dívida não é mãe) —, desempenhando, assim, uma função generalizadora, isto é, representativa-referencial. Já a função semântica da primeira equivalência alemã é diretiva, isto é, apelativo-impressiva: procura influenciar o destinatário e tem intenções didáticas (as dívidas devem ser pagas). A função semântica da segunda equivalência é avaliativa, isto é, expressivo-emotiva: transmite uma atitude valorativa, uma expressão de avaliações generalizadas (as dívidas pesam, não acariciam como uma mãe) (cf. Zaikauskienė 2010: 100–102). Assim, as equivalências alemãs apontam para pelo menos duas situações distintas em que o provérbio lituano poderia ter sido usado: quando é preciso instruir o destinatário e quando é preciso apoiá-lo ao enfrentar dificuldades. Na verdade, a segunda hipótese é mais provável.
Ostermejeris corrigiu poucas palavras isoladas. No dito „Sukis kaip appatinne pulle Girnu“, a palavra Sukkas está sublinhada e, acima dela, foi acrescentado a tinta preta Sukkas’ PR 19v L₄. Em duas ocasiões, Ostermejeris corrigiu a terminação do acusativo singular: acrescentou um traço oblíquo às vogais <e>: Kėpėje→Kėpėje, W{ę}rpėje→W{ę}rpėje (ver fig. 2). Em alguns pontos, há pontos colocados a tinta preta sobre o <e>, mas não é possível atribuí-los com segurança a Ostermejeris; cf.: begančiem→begančiem PR 27v I₁, Teẇs→Tėẇs PR 27v II₁. A letra <j> foi realçada a tinta preta: jelſkančiem PR 27v I₁; depois da palavra Moczeka foi acrescentada uma vírgula: „Wiena Diena Motina, kitta Diena Moczeka, dicit[ur] vo[m] ˈwand elbahr[en] Wetter“ PR 29v I₄–₅. Ainda nesse trecho, foi colocado a tinta preta um ponto sobre o primeiro <i> da palavra. Há outros pontos sobre <i>, mas não são foneticamente relevantes e, por isso, não serão comentados.
3. ANOTAÇÕES DE GOTFRYDO OSTERMEJERIO NO MANUSCRITO DE JOKŪBAS BRODOVSKIS LEXICON GERMANICO-LITHVANICVM ET LITHVANICO-GERMANICVM
O dicionário de Brodovskis contém apenas três anotações de Ostermejeris. No verbete Infſerburg, depois da equivalência lituana Ÿſtrutis, foi acrescentado a tinta preta „/ Ifra die Infſer“ B °756₂₆ (ver fig. 3), e no verbete Pregel, depois de Preglus, „beßer Pregora“ B °985₂₃. Também se atribui a Ostermejeris a anotação a tinta cinzenta „/ alii Iurbarkas.“ B °786₃₀,
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FIG. 3. B 075626: anotação de Ostermejeris a tinta preta „// Ifra die Infter“
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que consta na lista de igrejas da Prússia compilada por Brodovskis, ao lado do topônimo Georgenburg Iurborgs. Esses nomes de rios e o topônimo eram relevantes para ele. Ostermejeris, no livro Gedanken von den alten Bewohnern des Landes Preussen (1780), ao debater com Anton Friedrich Büsching, resenhista de sua obra Kritischer Beitrag zur Altpreußischen Religionsgeschichte (1775), a fiabilidade dos dados registrados em documentos históricos, enfatizou a importância de recorrer à língua e ao conhecimento das condições naturais, e apresentou a etimologia do nome do rio Priegora (mencionam-se também as denominações alemãs dos rios Įsra e Jurbarkas; sobre a etimologia de Priegora, ver Pėteraitis 1992: 141–143):
A partir de um documento que consta nos Actis Borussicis Tom. II. p. 611. seqq., aprende-se que o Pregel se chamava, na verdade, Pregora, ou que antigamente era assim chamado. Se agora quero saber o significado desse nome, só a língua pode indicá-lo. Prie significa junto a, em, e Gora, uma montanha: portanto, Priegora significa tanto quanto o rio junto à montanha. Se quero saber ainda o que motivou essa denominação, também não encontro resposta na língua; é preciso ir ao lugar onde o Pregel nasce. A confluência do Angerapp com o Inster ocorre junto a uma montanha alta e extensa, sobre a qual se situam Georgenburg e Rettinen; daí vem o fato de o rio que nasce dessa confluência se chamar o rio junto à montanha (Ostermeyer 1780: XVI–XVII).
Em sua gramática Neue Litauische Grammatik (doravante OG), Ostermejeris apresenta os nomes dos rios Priego-ra e Įsra como exemplos de substantivos cujo gênero, segundo ele, pode ser determinado pelo significado: „Femina, os nomes [...] dos rios, como: Priegora, o Pregel, Iſra, o Inster“ OG 1920–28. As anotações de Ostermejeris B relacionam-se ao texto de Brodovskis apenas por vínculos horizontais e pertencem exclusivamente ao domínio da microestrutura.
4. NOTAS DE GOTFRYDAS OSTERMEJERIS LITAUISCHE SPRICHWÖRTER UND RÄTSEL E LEXICON GERMANICO-LITHVANICVM ET LITHVANICO-GERMANICVM: DATAÇÃO
Cabe perguntar quando Ostermejeris acrescentou anotações tanto a PR quanto a B. Como já mencionado, na obra publicada em 1775, Contribuição crítica para a história religiosa da Prússia Antiga, ao escrever sobre os antigos deuses bálticos, Ostermejeris baseou-se no dicionário de Brodovskis. Com as referências ao dicionário «Brodowski libro supra nominato» ou simplesmente «Brodowski», Ostermejeris apresentou 20 nomes. Para seis deles, o dicionário de Brodovskis é indicado como única fonte. No dicionário de Brodovskis, a grande maioria dos nomes dos deuses—
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A maioria dos nomes de deuses encontra-se na lema Götz, onde se encontra a lista dos antigos deuses «Götzen der alten Preußen», B 597–598; compare-se:
OB 141–2 Iawinnê (r)13, a deusa dos cereais, a mãe do grão, de Iawai cereal.
B 59826 Deusa dos cereais Iawinne.
OB 1414–15 Bibcziû Bóbelis (v), o deus dos jardins Priapus
B 5984 Priapus. Bibcziû Bobelis deus dos jardins.
OB 186–9 Iaucziû Bobis, também Baubis (g), o deus dos pastores, de Jautis, um boi, e Baubju, eu berro. O Pã dos antigos.
B 5985 Pan. Iaucziû Baubis deus dos pastores.
OB 191–3 Muffû Birbikš (i), o deus das moscas, Baal-Zebube, 2 Reis 1:2, de Muffē, uma mosca, e birbju, eu zumbo como uma abelha.
B 59815 Belzebu Musfu Birbiks
OB 2010–11 Iagaubis (n), o deus do fogo; o Vulcano.
B 59742 Vulcanus Iagaubis, Ugnis βwēnta. deus do fogo.
OB 2012–13 Drebkullys (o), o deus dos terremotos, de drebėti, tremer, e kulti, bater.
B 59816 Deus dos terremotos. Drebkullys.
Numa carta de 1781-01-06 a Penzelis, Ostermejeris escreve que o precentor Gronwaldas possui então o dicionário de Brodovskis. Anteriormente, Ostermejeris lhe havia perguntado se poderia vender (!) a obra ou, ao menos, permitir que fosse copiada. Gronwaldas, porém, recusara ambos os pedidos. O fato de já terem trocado correspondência anteriormente sobre a possibilidade de publicação também é indicado por Gronwaldas ter proposto a Ostermejeris que se encarregasse da revisão. Ostermejeris lhe escrevera que, antes da impressão, o dicionário precisava ser verificado. Ele próprio recusou-se a fazê-lo, pois era velho demais para um trabalho tão minucioso (Keturi Gotfrydo Ostermejerio rankraščiai, 2002: 74–77, 147–148).
O precentor de Wilhelmsberg, Gronwald, certamente já possuía o dicionário em 1780. Ostermejeris menciona esse fato no livro Gedanken von den alten Bewohnern des Landes Preussen (1780). Respondendo às críticas de um resenhista não identificado, que o acusava de ter se baseado num dicionário inédito de Brodovskis na obra Kritischer Beitrag zur Altpreußischen Religionsgeschichte (1775), Ostermejeris afirmou considerar confiáveis os dados nele contidos sobre os antigos deuses prussianos e ter copiado fielmente tudo o que Bro- havia registrado de próprio punho
13 As letras entre parênteses OB indicam notas de rodapé nas quais são citadas as fontes; nas notas de rodapé r, v, i, apenas o dicionário de Brodovskis é indicado como fonte.
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dovskis. Se alguém duvidar disso, que consulte o dicionário dele, atualmente em posse do precentor de Wilhelmsberg, Gronwald (Ostermeyer 1780: XXXV).
Nem na carta nem no livro Ostermejeris informa o nome de Gronwald. Nos documentos de arquivo, ele é mencionado como Gottfried Grunwald14. Em 1772, foi nomeado precentor em Wilhelmsberg e trabalhou ali aproximadamente até junho de 1781, pois foi ordenado em 1781-06-15 e empossado em 1781-06-18 como pastor da igreja de Karvaičiai (distrito de Klaipėda). Menos de um ano depois, Grunwald foi transferido de Karvaičiai para Kraupiškis (distrito de Ragainė), onde trabalhou até 1811 (Moeller 1968: 62, 77). Não foram encontrados dados sobre seus interesses literários. Suas cartas de Kraupiškis tratam principalmente de assuntos administrativos, e sua caligrafia não dá fundamento para a hipótese de que PR contenha anotações de próprio punho. Até hoje não se sabe como B chegou a Wilhelmsberg, pouco conhecido pelos estudiosos do lituano (até 1725, Klikučiai, distrito de Darkiemis)15, nem por que o precentor dessa localidade julgava ter o direito de decidir em que condições o manuscrito de Brodovskis poderia ou não ser emprestado. Por que justamente ele procurava alguém capaz de preparar o manuscrito para publicação? Ainda não se sabe onde o manuscrito estava antes de chegar à biblioteca particular de Rėza.
Atualmente, só é possível estabelecer a época aproximada das anotações de Ostermejeris comparando-as com suas próprias obras e procurando nelas indícios de que se baseou em PR e B. Em 1775, na obra Kritischer Beitrag zur Altpreußischen Religionsgeschichte, ao escrever sobre os antigos deuses prussianos, Ostermejeris baseou-se no dicionário de Brodovskis; em 1780, no livro Gedanken von den alten Bewohnern des Landes Preussen, informou que o dicionário estava com Gronwald (Ostermeyer 1780: XXXV), portanto, o terminus ad quem da consulta é 1775. Para maior precisão, esse limite pode ser restringido a 8 de agosto de 1775. Isso porque, na introdução da obra Kritischer Beitrag zur Altpreußischen Religionsgeschichte, Ostermejeris indicou o local e a data em que a escreveu — o ano e o dia de São Domingos: “Trempen in der Predigerwohnung am Tage Dominici 1775” (Ostermeyer 1775: IVv).
Há muitos provérbios e ditados (cerca de 25) em OG, sobretudo na terceira parte, dedicada principalmente à sintaxe, “Dritter Haupttheil. SYNTAXIS”. Oito deles são semelhantes aos de PR e B, mas não idênticos. As correspondências alemãs diferem especialmente; compare-se:
14 Uma carta ao rei, datada de 1772-01-23 e escrita pelo decano da Faculdade de Teologia da Universidade de Königsberg, Daniel Heinrich Arnoldt, Theodor Christian Lilienthal e Gotthilf Christian Reccard, informa que eles designariam o estudante Gottfried Grunwald para Wilhelmsberg caso surgisse uma vaga de precentor (Wilhelmsberg Praecentorat 1758–1803; GStA PK: XX. HA Hist. StA Königsberg, EM 55 d, Nr 975, Bl. 4r–4v). Matriculado em 1764-05-07 como “Grünwald Godfr.: Saalfeld Boruss.” (Erler 1911: 492).
15 Após a peste de 1709–1711, muitos colonos — franceses e suíços — das regiões de Nassau, do Palatinado e do ducado da Francônia se estabeleceram nas proximidades. Para atender às suas necessidades, começou-se a construir em 1724 uma igreja em Klikučiai, aldeia da paróquia de Gavaičiai que ficara despovoada durante a peste; a construção foi concluída em 1725. A paróquia recém-formada pertencia à inspeção de Įsrutis; a igreja era simultânea — nela se realizavam cultos luteranos evangélicos e reformados — e havia dois pastores (Moeller 1968: 150; Rogge 1873: 83–87).
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OG 141₂₈–₂₉ girts ßeßeis, o pagiroms wos wienu Um bêbado, com seis, mas quando sóbrio, mal com um.
PR 6r I₉–₁₁ √Girt’s penkeis; ßeßeis, o pagirom’s ne wienais. √Rico bêbado, pobre sóbrio. vid pobre.
B 120ₚᵣšt. Pr Rico bêbado, pobre sóbrio. Girt’s ir wažuť’s, pag0rom’s ne peßczes. Girts penkeis, ßeßeis, o pagirom’s nei wienais.
B 953₅–₇ Prov Rico bêbado, pobre sóbrio. Girt’s ir wažuť’s, pagiroms ne peßczes. vel Girts penkeis, ßeßeis o pagiroms ne wienais.
B 1009₂₃–₂₅ Prov Rico bêbado, pobre sóbrio. Girt’s ir wažuť’s, Pagirom’s nei Peßczes. vel Girt’s penkeis, ßeßeis, o Pagirom’s nei wienais.
OG 150₁₇–₁₀ tas lautis Dobilus ne mindžos O boi não pisará o trevo, isto é, morrerá antes mesmo da primavera.
PR 23r I₁₂–₁₃ √Tas daugiau Dóbilo nemÿs. √Ele não ouvirá mais o cuco.
B 611ₚᵣšt. Pr Ele não ouvirá [mai]s o cuco. Tas dóbilo daugiau ne mÿs.
B 799₁₉ ir pršt. Prov Tas daugiau Dóbilo nemÿs. Ele não ouvirá mais o cuco.
OG 141₂₈–₂₉ kurs wogs, tas ne pralobs Nenhum ladrão ficará rico.
PR 31r I₁–₂ Wokdam’s ne pralopłi. √Ladrão √Um bom casaco não cai.
B 451ₚᵣšt. Ladrão Um bom casaco não cai Wógdam’s ne pralóbłi.
B 572ₚᵣšt. Ladrão Um bom casaco cai ‹corr. cai› não. Wógdam’s ne pralóbłi.
B 612ₚᵣšt. Ladrão Um bom casaco cai não. Wógdam’s ne pralóbłi «←pralóplłi».
OG 151₂₁–₂₂ Diewe dük wienam gimt’, alle ne wienam büt’ Que Deus me deixe nascer sozinho, mas não estar, viver sozinho.
PR O1r II₅–₁₁ Diewe dük wienam gimt, alle ne wienam dirbt. Que Deus deixe cada um nascer sozinho; mas que ninguém trabalhe sozinho, isto é, sem trabalhadores (filhos e criados), não há fazenda.
RgB 87₅–₆ Diewe dük, wienam gimt’, ne wienam büt’: Sem criados, a vida é miserável.
Cabe chamar atenção para o último exemplo. Este provérbio não se encontra em B, mas foi acrescentado por Ostermejeris em PR; sua OG, contudo, apresenta outra variante, com apenas um correspondente alemão. É semelhante a RgB 87₅–₆: „Diewe dük, wienam gimt’, ne wienam büt’: Ohne Gelind ift ein fchlechtes Leben.“ Assim, as diferenças entre as variantes de PR e OG são bastante marcantes, o que dá fundamento para afirmar que Ostermejeris, ao escrever a gramática, não se baseou nem em PR nem em B. De modo geral, tanto os acréscimos de Ostermejeris em PR quanto os exemplos de OG são muito mais comedidos e neutros, e menos ambíguos do que os recolhidos por Brodovskis da língua viva; além disso, aparecem geralmente após citações da Bíblia ou de outros escritos religiosos. Cabe concluir, com cautela, que Ostermejeris só acrescentou material a PR depois de chegar à paróquia, isto é, antes de B chegar a Wilhelmsbergue — e, provavelmente, junto com ele, também PR — para o precentor Grunwaldas. Os-
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termejeris provavelmente não recuperou B. É provável que B tenha ido parar nas mãos de seu grande oponente, o cantor de Pilkalnis, Kristijonas Gotlybas Milkus (Christian Gottlieb Mielcke, 1733–1807). No prefácio do dicionário Litauisch–deutsches und Deutsch–litauisches Wörterbuch (1800), Milkus (1800: 3r–4r) declara ter se baseado em B e inclui no dicionário cerca de 300 de seus ditados e provérbios. O dicionário, com quase mil páginas, sem dúvida foi preparado ao longo de vários anos. Em busca de fundos para a impressão, em 1797 foi publicada uma subscrição na revista Preussisches Archiv (Lebedys 1956: 516). Portanto, as fontes também devem ter permanecido por muito tempo ao alcance.
Resumindo a contribuição de Ostermejeris para a formação tanto da macroestrutura quanto da microestrutura de PR, cabe dizer que seus acréscimos são relativamente poucos e, por isso, ele não pode ser considerado coautor. O principal compilador da coletânea é Jokūbas Brodovskis, e Ostermejeris é apenas um colaborador. Contudo, o fato de Ostermejeris ter deixado marcas tanto em B quanto em PR atesta — ainda que indiretamente — que o local de produção de ambos os manuscritos é Trempai e que ambos foram escritos por Brodovskis. Embora a autoria de B não tenha sido muito questionada, ainda não se determinou se este é realmente um autógrafo de Brodovskis ou uma cópia feita por outra pessoa. A razão é simples: até hoje não foi encontrado nenhum documento com a assinatura de Brodovskis.
5. A LÍNGUA DOS ACRÉSCIMOS DE GOTFRYDAS OSTERMEJERIS
Geldapė, onde Brodovskis nasceu, assim como Trempai, onde exerceu o cargo de precentor por mais de 30 anos, pertenciam à área do subdialeto dos aukštaičiai do sudoeste da Lituânia Menor, os chamados baltsermėgiai. Ostermejeris, nascido numa família alemã em Marienburgo (Prússia Ocidental), estudou lituano na Universidade de Königsberg, mas aprendeu a língua, como escreveu seu filho Zygfrydas, em Verdaineje, com o pastor Kalava (portanto, numa área do subdialeto dos žemaičiai ocidentais); passou toda a vida posterior (de 1744 a 1800) também em Trempai, entre os aukštaičiai do sudoeste.
Ostermejeris acrescentou relativamente poucos provérbios e enigmas lituanos, o que permite apenas tirar conclusões fragmentárias. Para a análise de sua ortografia, fonética e morfologia, dispomos de 53 palavras lituanas (61 formas vocabulares) de PR e 3 palavras de B:
ale (3) ‘mas’ conj.: alle PR ¹r II₆ PR ²r II₃ PR ²⁰v II₁ aruodas (1) subst.: acc. sg. Arodą PR ¹v II₃ aš (1) pron. pess.: gen. sg. mano PR ²⁴v I₉ atmenus, -i (1) adj.: nom. sg. m. atmenùs PR ²r II₃ be (2) prep. (com gen.): be PR ²⁴v II₁₀ PR ³²r I₂₀
braukti (1) v.: praes. 2 sg. brauki PR ⁷v II₄ būti (2) v.: praes. 3 yra PR ¹⁰v I₂ PR ²⁰v II₁ daug (1) adv.: da{ug} PR ²⁰v II₁ Dievas (3) subst.: nom. sg. Diews PR ¹v II₃ PR ²r II₃ * voc. sg. Diewe PR ¹r II₅ dirbti (2) v.: inf. dirbt PR ¹r II₆ * imper. 2 sg. dirbk PR ²⁴v II₁₁
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dar (1) v.: imper. 2 sg. dùk PR º1r II₅ nascer (1) v.: inf. gimt PR º1r II₅ vivo, -a (1) adj.: nom. sg. m. gyws PR º10v I₃ belo, -a (1) adj.: comp. nom. sg. m. gražėlnis PR º10v I₂ para (1) prep. (com acus.): į PR º1v II₃ entrar (1) v.: pret. 3 {į}ėjo PR º24v I₉ por muito tempo (1) adv.: ne ilgay PR º20v II₁ Įsra (1) sf. nloc.: nom. sg. Įfra B º756₂₆ já (1) adv.: Iau PR º7v II₄ Jurbarkas (1) sm. nloc.: nom. sg. Iurbar-kas B º786₃₀ quem (1) pron. inter. Kas PR º10v I₂ corpo (1) sm.: acc. sg. Kuną PR º24v I₉ folha (1) sm.: instr. pl. Lapais PR º7v II₄ inclinar-se (1) v.: pres. 3 linktą PR º17v I₄–₅ quebrar-se (1) v.: pres. 3 lužta PR º17v I₄ ver (1) v.: pres. 3 mato PR º20v II₂ árvore (1) sm.: nom. sg. Medis PR º17v I₄ mama (1) ‘mãe, genitora’ sf.: nom. sg. Mūma PR º18r II₁ não (1) part.: ne PR º18r II₁ do que (1) ‘de que modo, do que’ conj.: ne kai PR º10v I₃ deixar (1) v.: pres. 2 sg. palieki PR º7v II₅ próprio, própria (1) pron. def.: nom. sg. m. pats PR º24v II₁₁ por (1) prep. (com acus.): per PR º24v I₉ depois de (1) prep. (com gen.): po PR º10v I₂ Priegora (1) ‘Prieglū̄s’ sf. nloc.: nom. sg. Pregora B º985₂₃ escrever (1) v.: fut. 2 sg. ragili PR º24v II₁₀
seco, -a (1) adj.: nom. sg. m. Saùfas PR º17v I₄ dívida (1) sf.: nom. sg. Skola PR º18r II₁ morte (1) sm.: gen. sg. Smerczo PR º10v I₂–₃ com (1) prep. (com instr.): łu PR º7v II₄ afogar-se (1) v. refl.: pres. 3 Sukkas’ PR º19v I₄ hóspede (1) sm.: nom. sg. Swećias PR º20v II₁ raminho (1) ‘ramo pequeno’ sm. demin.: acc. pl. Szakúčius PR º7v II₅ este, esta (1) pron. demonstr.: gen. sg. m. emph. Įzojo PR º24v II₁₀ esse, essa (1) pron. demonstr.: gen. sg. m. emph. tojo PR º24v II₁₀ somente (1) ‘apenas, tão somente’ part.: tikt PR º7v II₄ preguiçoso (1) sm.: acc. sg. Tingini PR º24v II₁₀ arrepio (1) ‘calafrio’ sm.: nom. sg. Tirpuly s PR º24v I₉ faltar (1) v.: pres. 3 trok{ž}ta PR º32r I₂₀ água (1) sm.: gen. sg. Wandens PR º32r I₂₀ eficiente, -e (1) adj.: nom. sg. m. neweikus PR º2r II₃ caranguejo (1) sm.: nom. sg. Wėžys PR º10v I₃ um, uma (3) pron. def., indef.: dat. sg. m. wienam PR º1r II₅ ne wienam PR º1r II₆ verde (1) adj.: nom. sg. m. žalas PR º17v I₄ olhar (1) v.: pres. 3 ne žur PR º1v II₃ peixe (1) sf.: nom. sg. Žuwis PR º32r I₂₀
A ortografia de Ostermejeris difere um pouco da de Brodovskis. Ele empregava grafemas e dígrafos que não eram característicos de Brodovskis: <ź> e <Ź> para o som [ž]; <Iz>, <Sz> e <Íź> para o som [š]; <ć> e <cz> para o som [č], cf.:
<ź>, <Ź>
[ž]
gražėlnis PR º10v I₂; Wėžys PR º10v I₃; žalas PR º17v I₄; ne žur PR º1v II₃; Žuwis PR º32r I₂₀
<Iz>, <Sz>, <Íź>
[š]
[zojo PR º24v II₁₀; trok{ž}ta PR º32r I₂₀; Szakúčius PR º7v II₅; lužta PR º17v I₄
<ć>, <cz>
[č]
Swećias PR º20v II₁; Szakúčius PR º7v II₅; Smerczo PR º10v I₂–₃
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Acta Linguistica Lithuanica LXVII
Anotações de Gotfrydas Ostermejeris nos manuscritos de Jokūbas Brodovskis: Litauische Sprichwörter und Rätsel e Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum
Para Brodovskis, tanto em PR quanto em B, nesses casos são habituais <ǯ>, <ǯ> e <з>, <З> para o som [ž]; <β> e <Sз> para o som [š]; <з> e <Cз>, mais raramente <ćз>, por vezes também <c> em posição não inicial de palavra, e <ć> para o som [č], cf.:
<ǯ>, <ǯ>, <з>, [ž] ferir PR 28v I₁₃; Awíža B 619₁₃; Žiema PR 28v I₁₂; uzdegs PR 8r I₈; Awížos B 619ₚᵣšₜ.; Žagre PR 39r I₄; Žmogaus B 48₁₃
<β>, <Sз> [š] Espesso PR 24v II₃; Werßis PR 13r I₅; βakalis B 832ₚᵣšₜ.; βýplóti B 832₄₃; Sзū PR 8v II₃; Sзallin B 42₂
<з>, <Cз>, <ćз>, <c>, <ć> [č] Bacзka PR 16r I₇; Cзerkóčius, Cзerka B 619₄₄; Bacзka PR 38v I₂; Recзius B 633₁₅; Swécio PR 20v I₁; Swecias B 781₁₆; Swécías PR 34v II₁; Kwiet—Milčiú B 558₄₆
Ostermejeris, ao contrário de Brodovskis, não usava <ÿ> para indicar o [i] longo — escrevia <y> (por exemplo: gyws PR ⁰10v I₃; yra PR ⁰10v I₂; Tirpulyṣ PR ⁰24v I₉), ou <i> (por exemplo: ragili PR ⁰24v II₁₀). Brodovskis assinalava o [i] longo em PR de três maneiras: mais frequentemente com <ÿ>, mais raramente com <y> e <i> (cf. Arklÿs PR 7v I₁₂; dÿgſta PR 23r I₁₄; Arklys PR 40r I₅; Birbyne PR 15r I₃; Gadine PR 4r I₃; Giweÿi PR 6v I₄).
Ostermejeris assinalava os antigos sons nasais: nas formas de acc. sg. escrevia grafemas com um traço transversal: Aroda PR ⁰1v II₃; Kuna PR ⁰24v I₉; Tingini PR ⁰24v II₁₀; também a preposição į PR ⁰1v II₃, o prefixo i- no topónimo Ifra B 0756₂₆, talvez também no verbo praet. 3 {i}ėjo PR ⁰24v I₉ (este não é claramente visível). Embora haja apenas cinco exemplos inequívocos, os sons nasais são representados em todos os casos em que anteriormente deveriam ser pronunciados. O facto de Ostermejeris procurar assinalar sistematicamente a nasalidade pretérita é também demonstrado por duas correções suas à terminação de acc. sg. de Brodovskis — foi acrescentado um traço transversal: Képėje→Képėje PR 5r II₃; W{ę}rpėje→W{ę}rpėje PR 5r II₄. Já nas palavras de Brodovskis, em PR, há uma vez e meia menos formas de acc. sg. de nomes com vogais nasais do que sem elas. Assim, Brodovskis assinalava a nasalidade pretérita de forma bastante inconsistente; cf. as formas de acc. sg.: Galwa PR 31v I₇, mas Galwa PR 15r I₂, PR 25r II₃, Gálwa PR 23r II₁; Girpe PR 37v I₂, mas Girpe PR 39v II₁, PR 39v II₈; Ilti PR 1r I₆, mas Ilti PR 8v I₁₄; Dangu PR 22r I₈, mas Dangu PR 24r I₁₁, dangu PR 40v II₂.
Ostermejeris não acentuava as palavras (com uma única exceção: adj. nom. sg. m. atmenùs PR ⁰2r II₃), nem usava sinais diacríticos para distinguir as formas de genitivo, instrumental e locativo. Brodovskis, por sua vez, usava três sinais de acento: agudo, grave e circunflexo. Também assinalava com o circunflexo as formas de gen. sg. de nomes do género feminino (30×), bem como as formas de gen. sg. de nomes do género feminino e masculino (21×). Com o grave e com um ponto sobre a letra, Brodovskis assinalava a terminação de instr. sg. dos substantivos femininos e masculinos (4× e 2×, respetivamente); por vezes, assinalava também com um ponto as formas de iness. sg. (2×).
Tanto nas palavras de Brodovskis como nas de Ostermejeris, devido à pronúncia assimilada característica dos falantes de aukštaitiano ocidental da Lituânia Menor, sobretudo dos setentrionais, confundem-se [o] e [uo]; na escrita, são representados respetivamente por <o> ou <ū>, raramente por <u>. As palavras de Brodovskis…
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Essa mistura não é frequente; cf. nom. sg. Pon’s PR 1v I₁₅, Lobis PR 21r I₅, mas Kamolÿs PR 10r I₃, 13r II₃, 38r I₃ e Kamuļÿs PR 33v I₉; praes. 1 sg. odžiu PR 38r I₂ e Ūdžiu PR 26r II₁; acc. sg. Pūda PR 5v I₉, instr. sg. Pūdu PR 24v I₃, mas iness. sg. Pode PR 14r I₁. Em sua obra Kritischer Beitrag zur Altpreußischen Religionsgeschichte (1775), Ostermejeris explicou que <û> deve ser lido como o [o] alemão (OB [4r]); na gramática, descreveu o ditongo indicado pela letra <û> como um ditongo parcial, no qual o [u] é mal audível, enquanto o [o] é pronunciado longo: „û, das die Alten uo schrieben, ist nur ein halber Diphthongus, das u wird nur etwas angeltoßen, das o aber lang ausgesprochen“ (OG 4).
Nas notas, Ostermejeris escreve imper. 2 sg. dūk PR ᵒ1r II₅, mas acc. sg. Aroda PR ᵒ1v II₃; também escreve nom. sg. Skola PR ᵒ18r II₁, praes. 3 trokſzta PR ᵒ32r I₂₀, mas nom. sg. Mūma PR ᵒ18r II₁. Contudo, não há indícios dessa mistura nem em OB, nem no documento manuscrito de 1797 — os comentários de Rėza à tradução: [uo] é representado pela letra <û>, e [o·], pela letra <o>. Alguns exemplos de confusão foram observados na gramática de Ostermejeris, cf. Sſloju, βlofu, βloti, dainoju, dainofu OG 74, mas são poucos. É possível que a semelhança entre [o·] e [uo] tenha sido causada pela monoftongação de [uo].
Nas notas de Ostermejeris, não há confusão entre [e·] e [ie], como ocorre nos registros de Brodovskis, nos quais esses sons são representados por <e>, <ė>, <ie>, por exemplo: nom. sg. Kiele ‘kielė’, PR 8r I₈, mas gen. sg. Kėlės PR 5r I₁₂; acc. sg. Sena ‘sieną’, PR 3v II₈, mas iness. sg. Sėnoje PR 10r I₆; nom. sg. Miera PR 4v I₁₄, mas imper. 2 sg. ne merūk PR 1v I₆, nom. sg. Melapautis PR 13v II₁, instr. pl. Mēlemis PR 3v II₅ etc. Na gramática, Ostermejeris classifica o ditongo [ie] entre os ditongos impróprios (Diphthongi impropria OG 5), nos quais, na prática, apenas a segunda vogal é audível. Na gramática encontram-se exemplos de mistura; cf. Penas ‘pienas’, neſti ‘niežti’ OG 13, Pietuwys ‘pietuvys’ OG 17, leju ‘lieju’ OG 73, Gieda ‘geda’ OG 123.
Nas palavras de Ostermejeris, as vogais finais átonas [o·] < [*ā] não são reduzidas nem nas formas de gen. sg. dos nomes (cf.: gen. sg. Smerczo PR ᵒ10v I₂₋₃; gen. sg. m. emph. [ʒojo] PR ᵒ24v II₁₀; tojo PR ᵒ24v II₁₀), nem nas formas praes. e praet. 3 dos verbos (cf.: praes. 3 mato PR ᵒ20v II₂; praet. 3 {i}ėjo PR ᵒ24v I₉). Brodovskis também conserva, em geral, o vocalismo longo nas terminações átonas dos nomes: o [o·] longo < [*ā] ocorre 128 vezes no gen. sg. f. e m., e [a] < [*ā], 8 vezes. Contudo, a redução é muito mais frequente nas terminações átonas dos verbos, sobretudo nas formas praes. 3: o [o·] longo < [*ā] ocorre 12 vezes, e [a] < [*ā], 32 vezes. O [o·] longo é um pouco mais frequente que [a] nas formas praet. 3: 19 e 12 ocorrências, respectivamente.
Ostermejeris encurta algumas terminações: 1) elimina –a– nas formas nom. sg. m. dos nomes: nom. sg. Diews PR ᵒ1v II₃, PR ᵒ2r II₃; nom. sg. m. gyws PR ᵒ10v I₃ (–a– só não é eliminado da terminação quando sua remoção dificultaria a pronúncia: nom. sg. m. Saulas PR ᵒ17v I₄; nom. sg. Swećias PR ᵒ20v II₁; nom. sg. m. žalas PR ᵒ17v I₄); 2) elimina –i no infinitivo e nas formas praes. 3: inf. dirbt PR ᵒ1r II₆; gimt PR ᵒ1r II₅; praes. 3 ne žur PR ᵒ1v II₃; praes. 3 Sukkas PR ᵒ19v I₄, mas conserva –a: linkſta PR ᵒ17v I₄₋₅, lužſta PR ᵒ17v I₄, trokſzta PR ᵒ32r I₂₀, yra PR ᵒ10v I₂, PR ᵒ20v II₁.
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O encurtamento morfológico do final da palavra é mais característico de Brodovskis: o -a- não é conservado 169 vezes nas formas nom. sg. m. dos nomes, e é conservado 93 vezes; já as vogais breves [a], [i] não são conservadas 84 vezes nas formas praes. 3, e são conservadas 117 vezes.
Nas palavras lituanas anotadas por Ostermejeris falta um dos traços que permitem classificar seu idioleto entre os dialetos do alto lituano ocidental meridional da Lituânia Menor (os baltsermėgiai): não há palavras com ditongos tônicos de início firme [á·u], [á·i], [é·i], que os falantes do alto lituano ocidental setentrional (na região de Narkyčiai, Želva, Skaisgiris, Žiliai, Būdvietis, Lazdynai, Pilkainis, Kusus) monoftongaram (exceto na parte setentrional próxima ao Nemunas — aproximadamente até a linha Labguva–Gastos–Žiliai–Trapėnai) (Zinkevičius 2002 [1989]: 445, 447; Zinkevičius 2006: 187). Antanas Salys considerava a paróquia de Didlaukiai uma área de transição entre os dialetos do alto lituano ocidental meridional e setentrional da Lituânia Menor; ali se falava de modo misto: já·ns e já·uns, dá·kts e dá·ikts, mas as vogais finais longas eram reduzidas: màna, màta, miẽsta, mer̃gas, e o [a] breve era eliminado: já·uns, lá·nks etc. (Salys 1992: 92). Em geral, PR não contém formas com ditongos monoftongados.
É bastante problemático atribuir a língua de Ostermejeris aos dialetos do alto lituano ocidental meridional da Lituânia Menor com base apenas no traço tradicionalmente considerado sua principal característica distintiva — o vocalismo das terminações átonas (partindo do pressuposto de que os falantes do alto lituano ocidental setentrional reduziam as vogais longas e eliminavam as breves, enquanto os do sul conservavam em ambos os casos o vocalismo antigo intacto; Zinkevičius 2006: 186–188). A análise de PR mostra que tanto na língua de Ostermejeris quanto, sobretudo, na de Brodovskis, há muitas características que a literatura linguística atual atribui ao alto lituano ocidental setentrional (striukiai)16. Cabe perguntar se a redução do vocalismo longo e a eliminação das vogais breves nas terminações átonas podem ser consideradas características distintivas desses dialetos. No início do século XVIII, a redução do vocalismo longo e a eliminação das vogais breves eram características de ambos os dialetos, embora esses fenômenos fossem um pouco mais intensos na região setentrional. Alguns fatos comuns aos dois dialetos, encontrados em uma mesma fonte atribuída ao alto lituano ocidental meridional, já haviam sido observados anteriormente durante o estudo da língua do tratado de Perkūnas Wohlgegründetes Bedenken über die ins Litauische übersetzten zehen Fabeln Aesopi und derselben passionierte Zuschrift (1706). Ao resumir, do ponto de vista dialetal, o vocalismo das palavras nele apresentadas, constatou-se também que, ao lado de características marcantes do dialeto do alto lituano ocidental meridional da Lituânia Menor, havia outras atribuídas ao dialeto do alto lituano ocidental setentrional (Aleknavičienė, Schiller 2008: 140–145).
O lituano não era a língua materna de Ostermejeris; por isso, a redução das terminações longas e o encurtamento morfológico do final da palavra são menos marcantes do que na língua de Brodovskis.
16 Apie Prūsų Lietuvos lietuvių tarmes plačiau žr. Bezenberger 1885: 253–293; Salys 1992: 76–109; Zinkevičius 2002 [1989]: 444–448; Zinkevičius 2006: 180–198.
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CONCLUSÕES
1. Na coletânea manuscrita de provérbios, ditados e enigmas Litauische Sprichwörter und Rätsel (PR; LMAVB RS: F 137–1), compilada por Jacob Brodowski (Jacob Brodowski, 1692–1744), precentor em Trempen (distrito de Darkehmen), há anotações de Gotfrydas Ostermejeris (Gottfried Ostermejer, 1716–1800; precentor em Trempen a partir de 1744, pastor a partir de 1752): 16 frases em alemão e 11 em lituano (um total de 53 palavras lituanas, ou 61 formas de palavras); pelo menos 5 palavras de Brodowski foram corrigidas. No dicionário manuscrito de Brodowski Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum (B; LMAVB RS: F 137–15), Ostermejer acrescentou 3 palavras lituanas.
2. O terminus ad quem das anotações de Ostermejer pode ser 1775; portanto, devem ser consideradas autógrafos anteriores de Ostermejer do que os conhecidos até agora, datados de 1781–1797.
3. A maioria das anotações de Ostermejer está ligada por relações verticais aos registros de Brodowski na coletânea Litauische Sprichwörter und Rätsel e constitui a macroestrutura da coletânea. O B não contém oito unidades de folclore lituano, pelo que o seu autor deve ser considerado não Brodowski, mas Ostermejer (PR o1r II5–11, o1v II3–6, o7v II4–6, o10v I2–4, o18r II1–6, o20v II1–3, o24v I9–12, o24v II10–12). Sete delas, em lituano — seis provérbios e um enigma — foram registadas pela primeira vez (PR o1v II3–6, o7v II4–6, o10v I2–4, o18r II1–6, o20v II1–3, o24v I9–12, o24v II10–12). Não foram encontradas em obras anteriores da língua lituana escrita e, por isso, provavelmente foram registadas a partir da língua falada.
4. As anotações de Ostermejer no dicionário Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum são topónimos da Lituânia Menor. Estas anotações relacionam-se com os registos de Brodowski apenas por relações horizontais e pertencem ao domínio da microestrutura.
5. As anotações de Ostermejer na coletânea Litauische Sprichwörter und Rätsel e no dicionário Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum atestam (embora indiretamente) que o lugar de criação de ambos os manuscritos é Trempen e que podem ser considerados autógrafos de Brodowski.
6. A língua de Ostermejer caracteriza-se por um vocalismo relativamente preservado nas terminações átonas. A redução das terminações longas e o encurtamento morfológico em final de palavra são menos acentuados do que em Brodowski.
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Gotfrydo Ostermejerio prierašai Jokūbo Brodovskio rankraščiuose: Litauische Sprichwörter und Rätsel ir Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithuanico-Germanicum
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Gotfrydo Ostermejerio prierašai Jokūbo Brodovskio rankraščiuose: Litauische Sprichwörter und Rätsel ir Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum
O s t e r m e y e r G o t t f r i e d 1780: Gottfried Ostermeyers, Predigers bey der Kirche zu Trempen, Gedanken von den alten Bewohnern des Landes Preuffen [...] Königsberg und Leipzig, bey Gottlieb Lebrecht Hartung; vertimas į lietuvių kalbą: Ostermejeris Gotfrydas. Rinktiniai raštai, parengė ir išvertė Liucija Citavičiūtė. Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidykla, 1996, 75–159.
O s t e r m e j e r i s G o t f r y d a s 1781-01-06: Carta a Abraham Jakob Penzel, de Trempen para Cracóvia; Bayerische Staatsbibliothek München: Penzeliana II (Ostermeyer, Bl. [1–6]; fac-símile, transcrição e tradução para o lituano: Quatro manuscritos de Gotfrydas Ostermejeris, organizado por Vilija Gerulaitienė. Vilnius: Žara, 2002, 73–77, 143–148.
[O s t e r m e y e r G o t t f r i e d] po 1791: Hiſtoriſch[e] Nachricht v[on] d[er] littauiſche[n] Bibel; LMAVB RS: F 15–299, buv. MLF–LXXXI; faksimilė, perrašas ir vertimas į lietuvių kalbą: Keturi Gotfrydo Ostermejerio rankraščiai, parengė Vilija Gerulaitienė. Vilnius: Žara, 2002, 31–52, 91–123.
O s t e r m e j e r i s G o t f r y d a s 1996: Escritos selecionados, organizado e traduzido por Liucija Citavičiūtė. Vilnius: Editora de Ciência e Enciclopédias.
P ė t e r a i t i s V i l i u s 1992: Mažoji Lietuva ir Tvanksta. Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidykla, Mažosios Lietuvos fondas.
PR – [B r o d o v s k i s J o k ū b a s] depois de 1716: Littauiſch[e] Sprichwörter[r] u[nd] Räthſel; LMAVB RS: F 137–1.
RgB – R u h i g P h i l i p p. Consideração sobre a língua lituana, sua origem, essência e propriedades; compilada diligentemente a partir de muitos escritores e da própria experiência, e publicada para uma avaliação mais ponderada dos eruditos por Philipp Ruhig, pastor e decano em Walterkehmen, no distrito principal de Insterburg. Königsberg, impresso e publicado por Johann Heinrich Hartung, 1745; fac-símile e tradução para o lituano: Ruigys Pilypas. Investigação sobre a origem, a natureza e as propriedades da língua lituana, organizado por Vytautas Jurgutis e Valerija Vilnonytė. Vilnius: Vaga, 1986, 20–164.
R h e s a M a r t i n u s L u d o v i c u s 1797: Ueberſetzung des 2ten Pſ[alms] ins litthauiſche.“ – Acta des Königl. Ober-Schul-Collegii, von den Polniſch- und Litthauiſchen Prediger- und Schullehrer Seminar zu Königsberg in Preußen, 1797–1805; GStA PK: I. HA Rep 76 alt Ältere Oberbehörden für Wissenschaft, Kunst, Kirchen- und Schulsachen, II Nr. 271, Bl. 42r–42v.
R o g g e A d o l f 1873: Geſchichte des Kreiſes und der Dioecese Darkemen von Adolf Rogge, Pfarrer in Darkemen. Darkemen, Druck und Verlag von M. Glaſer.
S a l y s A n t a n a s 1992: Raštai 4. Lietuvių kalbos tarmės. Roma: Lietuvių Katalikų Mokslų Akademija.
Š i o ž i n y s J o n a s 1950: Liudviko Rėzos rinkinys (LR). – Lietuvos TSR mokslų akademija. Centrinė biblioteka. Rankraščių skyriaus informacinis biuletenis Nr. 4, parengė Lietuvos TSR mokslų akademijos bibliotekos Rankraščių skyrius, vadovaujant direktoriaus pav. mokslo reikalams T[adui] Adomoniui. Vilnius, 10–13; LMAVB RS: Rc–1/4, įrištas mašinraštis.
Straipsniai / Articles
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ONA ALEKNAVIČIENĖ
Šlaitaitė Rita 1994: Gotfrido ir Zigfrido Ostermejerių biografijos. – Senoji Lietuvos literatūra 3. Devynioliktan amžiun įžengus. Vilnius: Pradai, 149–171.
Precentorado de Wilhelmsberg, 1758–1803; GStA PK: XX. HA Hist. StA Königsberg, EM 55 d, Nr 975, Bl. 4r–16v.
Zaikauskienė Dalia 2010: Lietuvių paremių funkcijos. Teorinės pastabos. – Tautosakos darbai 40, 97–107.
Zinkevičius Zigmas 1990: Lietuvių kalbos istorija 4. Lietuvių kalba XVIII–XIX a. Vilnius: Mokslas.
Zinkevičius Zigmas 2002 [1989]: Buvusios Mažosios Lietuvos tarmės. – Rinktiniai straipsniai 1. Lietuvių kalbos kilmė ir ryšiai su kaimynų kalbomis. Istorinė gramatika. Tarmių kilmė. Dialektologija. Rašomosios kalbos kilmė. Vilnius, Lietuvių katalikų mokslo akademija, 444–448.
Zinkevičius Zigmas 2006: Lietuvių tarmių kilmė. Vilnius: Lietuvių kalbos institutas.
Inscrições de Gottfried Ostermeier nos manuscritos de Jacob Brodowski: Litauische Sprichwörter und Rätsel e Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum
RESUMO
O artigo aborda o problema da autoria da coletânea manuscrita de ditos, provérbios e adivinhas Litauische Sprichwörter und Rätsel (PR), conservada na Biblioteca Wroblewski da Academia de Ciências da Lituânia (LMAVB RS: F 137–1). Entre os itens de pequeno folclore registrados pelo compilador principal do manuscrito — o precentor de Trempen (condado de Darkehmen), Jacob Brodowski (1692–1744) — encontram-se também inscrições feitas por Gottfried Ostermeier (1716–1800; a partir de 1744, precentor de Trempen; a partir de 1752, pastor): 16 frases em alemão e 11 em lituano. O artigo também discute as inscrições de Ostermeier no dicionário de Brodowski Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum (B; LMAVB RS: F 137–15) e analisa as particularidades linguísticas das inscrições de Ostermeier em PR e B.
1775 pode ser considerado o terminus ad quem das inscrições de Ostermeier em PR e B; portanto, as inscrições podem ser consideradas autógrafos de Ostermeier anteriores, em comparação com os que eram conhecidos até então e datados de 1781–1797.
A maioria das inscrições de Ostermeier relaciona-se às entradas de Brodowski na coletânea Litauische Sprichwörter und Rätsel por relações verticais e compõe a macroestrutura da coletânea. Oito itens de pequeno folclore em lituano não estão presentes em B, tornando assim Ostermeier relativamente
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Acta Linguistica Lithuanica LXVII
Gotfrydo Ostermejerio prierašai Jokūbo Brodovskio rankraščiuose: Litauische Sprichwörter und Rätsel ir Lexicon Germanico-Lithvanicum et Lithvanico-Germanicum
mais do que Brodowski, seu verdadeiro compilador (PR º1r II5–11, º1v II3–6, º7v II4–6, º10v I2–4, º18r II1–6, º20v II1–3, º24v I9–12, º24v II10–12). Entre eles, sete provérbios lituanos — seis provérbios e um enigma — foram registrados pela primeira vez (PR º1v II3–6, º7v II4–6, º10v I2–4, º18r II1–6, º20v II1–3, º24v I9–12, º24v II10–12). Não haviam sido registrados em obras anteriores da língua escrita lituana; provavelmente, Ostermeyer os registrou a partir da língua falada.
A língua de Ostermeyer é atribuída ao subdialeto aukštaitiano (das terras altas) do sudoeste devido à característica tradicionalmente considerada a principal marca distintiva desses subdialetos: a preservação relativamente intacta das vogais nas terminações átonas. Embora a redução das terminações longas e o encurtamento morfológico das terminações das palavras também sejam características da língua de Ostermeyer, esses fenômenos não são tão evidentes quanto na língua de Brodowski.
Entregue em 23 de setembro de 2012.
ONA ALEKNAVIČIENĖ
Instituto da Língua Lituana
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