Nidos kortelė Nr. 30084 Marburgo Pilypo universiteto vokiečių kalbos atlaso archyve: kalbos analizė
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DALIA KISELIŪNAITĖ
Instituto da Língua Lituana
Áreas de investigação: linguística báltica comparada, geolinguística, etnolinguística.
FICHA DE NIDA N.º 30084 NO ARQUIVO DO ATLAS DA LÍNGUA ALEMÃ DA UNIVERSIDADE PHILIPPS DE MARBURGO: ANÁLISE LINGUÍSTICA
Análise linguística do questionário de Nida n.º 30084 no Arquivo do Atlas Linguístico da Alemanha, na Universidade Phillips, Marburgo
RESUMO
O artigo analisa um dos poucos testemunhos escritos da língua em extinção dos curonianos do istmo da Curlândia — a chamada ficha de Wenker n.º 30084, que foi incluída no fichário do «Atlas da Língua Alemã» (Deutscher Sprachatlas ou DSA), iniciado por Georg Wenker. O próprio manuscrito desta ficha, as circunstâncias da sua criação e o sistema ortográfico já foram apresentados pela autora num artigo publicado em coautoria com Christiane Schiller. A única ficha na língua dos curonianos do fichário foi elaborada pelo professor de Nida, Otto Pohlmans, com base nas informações do informante local, o pescador Mikel Pleikis. Neste artigo, a língua do manuscrito é analisada em vários níveis (ortográfico, fonético, morfológico, lexical e sintático). A atenção incide sobretudo na autenticidade linguística — em que medida o texto registado reflete a situação real da língua dos curonianos do istmo da Curlândia naquela época e quais factos devem ser considerados falhas do método de documentação (tradução). As características linguísticas observadas são comparadas com os dados do estudo de Adalbert Bezzenberger, publicado alguns anos mais tarde, e com os do estudo de Jūre Plakis, publicado meio século depois. Uma vez que está atualmente em curso na Alemanha um projeto de digitalização do DSA (DiWA), considera-se que uma análise linguística exaustiva de cada ficha também será útil para esse empreendimento.
PALAVRAS-CHAVE: Georg Wenker, «Atlas da Língua Alemã», documentação linguística, língua em extinção, língua dos curonianos do istmo da Curlândia, contacto entre línguas, análise linguística de textos.
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A N O T A Ç Ã O
O artigo analisa um dos poucos monumentos escritos da língua kuršininkų, ameaçada de extinção: o cartão n.º 30084, de Nida/Niden, que, juntamente com outros exemplares análogos das regiões alemãs do século XIX, foi incluído no arquivo do atlas da língua alemã (Deutsche Sprachatlas, ou DSA), iniciado por Georg Wenker. O manuscrito deste cartão, as circunstâncias da sua criação e o sistema ortográfico já foram apresentados pela autora e pela coautora Christiane Schiller num artigo publicado em 2015. O único cartão na língua kuršininkų do projeto de Wenker foi preenchido pelo professor de Nida Otto Pohlman. Baseava-se nas informações fornecidas pelo pescador local Mickel Peleikis. O artigo analisa a língua deste manuscrito em vários níveis (ortografia, fonética, morfologia, léxico e sintaxe). A autora centra-se na autenticidade da língua — em como o texto escrito reflete a situação real da língua kuršininkų na época e em quais aspetos devem ser considerados limitações do método de documentação (tradução). As particularidades linguísticas observadas são comparadas com o estudo de Bezzenberger, publicado alguns anos mais tarde, e com outro estudo de Plakis, publicado cinquenta anos depois. Na Alemanha, foi recentemente implementado o projeto de digitalização do DSA (DiWA), pelo que se considera que uma análise linguística abrangente de cada cartão também será útil.
PALAVRAS-CHAVE: Georg Wenker, atlas da língua alemã, documentação linguística, língua ameaçada de extinção, língua kuršininkų, interação linguística, análise linguística de textos.
INTRODUÇÃO
Os monumentos escritos da língua kuršininkų1 não são muito antigos. O registo de lexemas isolados está associado aos nomes de Matas Pretorijus e P. Ruigys (para mais pormenores, ver Schiller, Kiseliūnaitė 2015: 444). De acordo com os conhecimentos disponíveis, o primeiro monumento publicado da língua kuršininkų é um pequeno glossário do atlas linguístico de Peter Simon Pallas, Linguarum totus orbis vocabularia comparativa (Pallas 1786: 89), apresentado nos trabalhos de Victor Diederich (Diederichs 1883: 44–46), Daina Zemzare (Zemzare 1961: 164–174), Vanda Kazakienė (Казакене 2013) e Arina Ivanicaja (Иваникая 2017). Este último artigo publica o mais antigo monumento escrito conhecido da língua kuršininkų: o registo manuscrito do glossário do referido P. S. Pallas, datado de cerca de 1773. Algumas palavras da língua kuršininkų foram incluídas no chamado dicionário de Richter (Schiller 2014).
1 Neste artigo, parte-se do princípio de que se deve aplicar o termo língua à língua dos habitantes do Istmo da Curlândia, usando-o no sentido sociolinguístico; contudo, nos casos em que as suas características são comparadas com o letão padrão ou com os seus dialetos, adota-se o termo dialeto kuršininkų, com base numa perspetiva genealógica.
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A fonte analisada neste artigo é o chamado cartão de Wenker — o cartão manuscrito n.º 30084, datado de 1879, no arquivo de Sprachatlas des Deutschen Reiches, atlas da língua alemã iniciado por Georg Wenker2, ou seja, alguns anos anterior ao estudo de Adalbert Bezzenberger (Bezzenberger 1888). Além de exemplos isolados que ilustram a descrição das características da língua dos kuršininkai, este último inclui também vários textos contínuos, publicados mais tarde por Jūris Plakis, na ortografia do letão padrão, no estudo Kursenieku valoda (Pl).
O fac-símile do texto do cartão de Wenker de Nida, as circunstâncias da sua criação e as particularidades ortográficas, juntamente com a transcrição, foram apresentados pela autora e por Christiane Schiller num artigo (Schiller, Kiseliūnaitė 2015), mas nele quase não se analisava a própria língua. Aqui apresenta-se uma análise das principais características da língua dos kuršininkai refletidas no cartão de Nida do ficheiro do atlas de Wenker. O objetivo é identificar tanto as características antigas, trazidas da Curlândia, como as que se desenvolveram posteriormente na língua dos kuršininkai, revelar indícios e tendências da interação entre línguas e distinguir traços próprios apenas desta fonte, que não se aplicam necessariamente a todos os falantes. No apêndice, a transcrição do manuscrito é apresentada em frases numeradas; na segunda linha, a mesma transcrição em língua kuršininkų normalizada com caracteres letões3; na terceira linha, uma tradução literal para o letão4, com a redação em letão padrão nas notas de rodapé; e, na quarta linha, a transcrição da frase em alemão apresentada para tradução.
A análise da língua da fonte está organizada por níveis linguísticos e aplica métodos de análise textual e comparativa.
No cartão de Wenker n.º 30084, o professor de Nida Otto Pohlman5 escreveu à mão traduções para a língua dos kuršininkai das chamadas «40 frases de Wenker», utilizando caracteres alemães e lituanos. O verso da segunda folha contém os dados do questionário; na primeira linha, em resposta à pergunta «Geschah die Uebersetzung durch Schüler oder durch den Lehrer?», a parte da linha «durch Schüler» está riscada à mão, com a seguinte anotação: «mit Hilfe eines Eingeborenen (Mikel Pelēkis)» (com um sinal em forma de acento circunflexo sobre o e, que provavelmente indica a sílaba tónica).
É difícil dizer agora qual Mikel Pelēkis ajudou o professor. A linha riscada indica que, ao contrário das recomendações de Wenker, provavelmente não era
2 Plačiau apie lietuvišką šios kartotekos medžiagą žr. Fleischer, Sommer 2012.
3 Esta transcrição foi preparada pela autora, seguindo as regras de reconstrução da relação entre ortografia e fonética, mas sem corrigir a língua do texto; quando necessário (em casos de realização fonética duvidosa), apresentam-se variantes possíveis entre parênteses e observações nas notas de rodapé.
4 A autora agradece à colega, Dra. Liene Markus-Narvila, a ajuda na edição da parte letã da transcrição.
5 Otto Pohlman, natural do distrito de Preußisch Eylau, trabalhou na escola de Nida de 1878 a 1883 (Chronik 2013: 75, 137).
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mok... Na base de dados genealógica6, várias pessoas estão registadas como Michel Peleis, tendo vivido em Nida ou tido filhos durante o período de preenchimento do questionário; no entanto, é mais provável que o professor tenha contado com a ajuda de M. Peleikis, que lhe alugava alojamento7.
A língua das composições registada nas frases de Wenker reflete as características linguísticas da época. Tanto do ponto de vista fonético como morfológico, e em grande medida também lexical, a língua das composições de Nida deve ser considerada um geoletão das variedades da Curlândia, formado na península até ao século XVII8; contudo, importa salientar que não se trata da continuação de uma variedade específica do letão, mas do resultado da interação entre diversos dialetos, sob uma influência crescente das línguas lituana e alemã.
CARACTERÍSTICAS ORTOGRÁFICAS
Nas frases do questionário de Nida usam-se caracteres alemães9, com os quais o autor tenta representar as características da fonética báltica, mas sem conseguir fazê-lo de forma consistente.
Vocalismo. Muitas vezes, a brevidade da vogal é representada por consoantes geminadas: e, a + dd (is ledus ‘para o gelo, gelo’, prada snkti ‘começa a nevar’, pradim ‘chuva’10), i + tt (kritīs ‘caído’), a + nn (par mani ‘por mim’), i + bb (gribb 3ª pessoa ‘quer’), a + mm (namms ‘casas’), u + rr (eβ turu dikti saukti ‘tenho de gritar bem alto
6 http://www.online-ofb.de/namelist.php?nachname=PELEIS&ofb=memeland&modus=lang=de.
7 O apelido Pelekis é muito comum na península da Curlândia, mas os portais genealógicos não indicam o local de nascimento ou de sepultamento de todas as pessoas; por isso, os possíveis informantes devem ser procurados apenas entre aqueles que viviam em Nida na época, embora pudessem ser originários de outra localidade. É difícil dizer o que o professor queria dizer com «local». Na crónica da escola de Nida, entre os membros do conselho da igreja de Nida em 1887, é mencionado Michel Peleis, de Preila (Chronik 2012: 142). No entanto, é mais provável que o professor tenha recorrido à sua relação próxima com M. Peleis, que lhe alugava alojamento na sua casa desde 1878 (ibidem, 137). Provavelmente, o mesmo Michel Peleikis é referido também mais tarde nas fontes históricas como senhorio das instalações da escola (ibidem, 149).
8 Embora existam dados segundo os quais os primeiros migrantes da península da Curlândia chegaram já no século XV, os seus nomes pessoais ainda não aparecem nas fontes históricas do primeiro século, e é difícil dizer se foram precisamente esses colonos que lançaram os alicerces da língua que mais tarde se formaria e consolidaria. Uma migração mais intensa chegou à península da Curlândia no século XVI e intensificou-se sobretudo a partir do século XVII (para mais pormenores, ver Elertas 2014).
9 Pode considerar-se influência da ortografia lituana a marcação algo inconsistente da palatalização das consoantes com a letra i; a letra ž representa sistematicamente o som ž, sem equivalente em alemão; aparecem ā e ū com diacríticos, mas aparentemente apenas na palavra bedšan ‘macaco’ (alemão Affe); é possível considerar o diacrítico um sinal de vogal longa.
10 Para o significado, ver «Características lexicais».
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(‘gritar’) etc. Às vezes, essa marcação de vogal breve atesta características fonéticas regulares do dialeto, como a brevidade das vogais dos prefixos verbais em gaidėti (letão padrão gaidīt ‘esperar’), daretė (letão padrão darīt ‘fazer’), nedarės (letão padrão nedarīs ‘não fará’), ou especificidades dos prefixos derivacionais, por exemplo: ar abelenis ‘com maçãs’, awenu (gen. pl. dim. do dialetal ave, letão padrão aita ‘ovelha’).
Pasaiko também apresenta casos sem marcação de quantidade (mais precisamente, de brevidade): radusci (letão padrão radusi ‘tendo encontrado’), ou grafias duplas: es neparmanu jummies ‘não vos compreendo’, mas wintsch numis11 neparmane ‘ele não nos compreende’. Há também casos duvidosos: por exemplo, tadus, taddi aparece escrito duas vezes (tadus nieks ‘tais ninharias’; mūbu kalni nau taddi diži ‘as nossas montanhas não são tão grandes’); cf. letão padrão tāds ‘tal’.
A quantidade da vogal ī na palavra wiers = vīrs ‘homem’ é indicada, de algum modo, por ie, mas apenas uma vez; noutros casos, a grafia de ī varia: czijsi = čsti ‘limpo’, ziti = dzīti ‘defender, conduzir’.
A quantidade das outras vogais tónicas é raramente refletida. udnigi = ūdnā ‘água’, jubu = jūsū ‘vosso’, buri = būri ‘rebanho, camponeses’, kajas = kājas ‘pernas’; o sinal diacrítico é usado uma vez em bedschan = bēdzane ‘macaca’ (cf. bedzāne ‘macaco’ (Plāķis 1927: 50) e bēdzāns m. (Pietsch 1991: 36)); e o acusativo singular būdel-ki12 ‘uma garrafa’.
Como seria de esperar, as vogais longas átonas do letão não são refletidas neste documento, pois na língua falada elas são geralmente reduzidas a breves, em certos casos a semilongas e, mais raramente, mantêm-se longas, por exemplo, nas raízes de formas prefixadas iega ‘foi’, nas terminações do locativo (mežā ‘na floresta’), nos advérbios de origem locativa (pakalā ‘atrás’), em formas pronominais de alguns casos (tā ‘essa’).
O ditongo tónico ie é geralmente grafado iā: iābrits = iebrītis ‘caído’, e ē e ę tónicos também são representados desta forma: ēd = ēd ‘come’, valgo, biāz = sēž ‘está sentado’, miās iām = mēs iesam ‘nós vamos’, mas também há outras grafias: pi tas sewos = pie tās sievas ‘junto daquela mulher / àquela mulher’. Pasaiko apresenta até grafias duplas na mesma posição dentro de uma única frase: kur tu ietī wa meb ar tevi ēbam? (kur tu iej, va mes ar tevi iesam? ‘para onde vais, iremos contigo?’). Sobre a possível monotongação do ie átono, ver a secção «Características fonéticas do dialeto».
Na posição tónica, o ditongo uo é mais frequentemente representado por oa: doadao = duodau, letão padrão dodā ‘pensa’, koaki = kuoki, letão padrão koki ‘árvores’, gowes acusativo plural guoves, letão padrão govis ‘vacas’, soasis koasch (zuoses kuož, letão padrão zosis kož ‘os gansos mordem’); por vezes, escreve-se uo: uoglis, letão padrão ogles ‘carvões’, ou o: kiozi = kuoci ‘cozinha’.
11 Erro tipográfico; deve ler-se munis.
12 A julgar pela adivinha, provavelmente é assim que ū está assinalado no manuscrito.
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Consonantismo. As fricativas e as africadas: o c letão é geralmente registrado como tʒ (wetzaich = vecais, letão padrão vecais ‘o velho’); ocorre também ts (līts = lec ‘voa’) e, uma vez, dz (dzīma = ciema ‘do pátio’); dz é registrado mais frequentemente como ds (idser i = iz-deri ‘semear’, pabādis = pazadis ‘tendo roubado’, kādads = kā daudz ‘quanto’), mas ziti = dziti ‘impelir, conduzir’; z – s (ar sirgu = zirgu ‘com o cavalo’), š – sch (sadegschi = sadeguši ‘queimados’), embora ocorram também outras formas, por exemplo: wirchus = veršus (letão padrão vērsus), č – cz (czijsti = cīsti, letão padrão tīri ‘limpo’), ž – o ž da escrita lituana (bjāž = sēž 3.ª pessoa do presente ‘está sentado’, laužī = laužī, letão padrão lauzīs ‘pessoas’), mas também há sch (koasch = kuož ‘morde’). A letra β representa s: isch krābnis (= iš krānes, letão padrão krāni ‘para o forno, no forno’), βaubas lapas (= folha seca ‘folhas secas’), es eβu (= sou, letão padrão esmu, ‘sou’), embora de modo inconsistente — compare-se is gaisa (= iz gaisa, letão padrão gaisā ‘no ar’) e gaβas (gais, letão padrão gais e laiks ‘ar’). A letra β também aparece por vezes para z: pabādis (pazadis ‘tendo roubado’), uβ¹⁵ to lauk (uz tuo lauk ‘para aquele campo’), mas esses casos são raros.
Os antigos grupos consonantais com j: o grupo *nj é refletido antes como ng: is ta undi = iz tā ūnda ‘para a água’, winga = vina ‘para’; as demais consoantes palatais letãs são grafadas como no lituano atual, indicando a palatalização com a letra i: nedęlo = nedu (Plāks 1927: 69), letão padrão nedēļu ‘semanas’, plauti = plauti, letão padrão pļaut ‘ceifar’, gallu = gaļu ‘carne’, kiucchis = ķaušis, letão padrão ola, ‘ovo’, kiozi = kūci, letão koci, ‘cesto’. Na palavra wurschzu (= gen. pl. vuršķu, nom. vuršķis ‘caixa’), o k letão no fim do radical é provavelmente pronunciado de forma semelhante a c. Não há completa consistência nos casos de l palatalizado < ļ: por exemplo, tiā lauzi = tie laužī ‘essas pessoas’; em outra frase há três posições nas quais se esperaria um ļ palatalizado, mas justamente na palavra ļauzi a palatalização não está assinalada: Es eβu ar tes ļauzis tiā pakalla par plaβam ib gradu i žjāβ. ‘Eu passei com aquelas pessoas por ali (?) atrás, através dos prados, entrando no centeio’. A palatalização das consoantes é uma das questões mais interessantes da evolução da língua dos curônios; para mais detalhes, ver a seção “Características fonéticas do dialeto”.
A consoante j é normalmente escrita j (jau, kajas = kājas ‘pernas’), mas entre vogais também ocorre g: satsegu = saciju, letão padrão saciju ‘digo’, pagings = pakajings ‘calmo, cortês’, mazis = mācijs, letão padrão mācījis ‘terá ensinado’.
Os casos de assimilação são geralmente grafados foneticamente: snikłi = snigti, aukti = augti, laps = labs, jodsch = juo dž etc. Contudo, também ocorrem casos de grafia morfológica, por exemplo, tads = tāds ‘tal’, e erros: pudneni = forma esperada putneni (letão padrão putni ‘pássaros’).
13 Veja “Características lexicais”.
14 Este caso pode refletir uma característica fonética; compare-se fiedat ‘canta’, firdi 2.ª pessoa do presente ‘ouves’ (Bezenberger 1888: 37).
15 Provavelmente deve ser considerado uma notação fonética; ver abaixo.
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As preposições por vezes são escritas juntas: ista = is tā (let. iz tā), kaduds = kā daudz ‘quanto (muito)’, nußirds = nu(o) sirds, letão padrão no sirds ‘do coração’, jodsch = juo dižs, letão padrão lielāks ‘maior’.
CARACTERÍSTICAS DAS PARTICULARIDADES FONÉTICAS
Na ficha do dialeto de Nida no atlas de Wenker, preenchida com caracteres alemães não adaptados às línguas bálticas, vemos os esforços de um professor estrangeiro para representar o sistema sonoro do texto ouvido, o que permite reconhecer algumas (certamente não todas) características da língua dos Kursenieki daquela época. Algumas foram herdadas dos dialetos da Curlândia, mas aqui encontramos elementos de várias subvariedades dialetais; por isso, o título da seção é convencional e aplicável à língua dos Kursenieki enquanto geoletto da língua letã.
Redução das terminações. A língua atual dos Kursenieki caracteriza-se por uma redução avançada das terminações. No entanto, o material desta fonte mostra que, na segunda metade do século XIX, a maioria das terminações ainda era relativamente bem distinguível, embora as longas provavelmente já tivessem sido abreviadas há muito. Em muitos casos, a grafia das terminações ainda permite distinguir as formas dos casos:
Kas tur mane kozi ar galiu pabdis? = kas tur mana koči ar galu pazdis?, letão padrão: quem tem (também) meu cesto (de carne) ou posso furtar?; «quem tem meu cesto com carne furtado, isto é, quem […] furtou»; wing16 tur tas dranas par sawa mati gatawas schti = vina tur tas dranas par sava mati gatavas šūti, letão padrão: ela tem aquelas roupas prontas para costurar para a mãe (ela já as costurou), «ela tem aquelas roupas (prontas) para costurar para a mãe»; ar to wendamo = lepli (ar tuo vendamo lepi), letão: ar to vārāmo karoti «com a colher para cozinhar», etc.
A grafia variável da mesma terminação mostra que, devido à redução, as vogais nem sempre se distinguem claramente: ac. sg. mane kozi (= mana koči), cf. letão padrão manu grozu; ac. tewe / tewi (= tevi), particípio ativo passado nom. pl. ebam pawargusch (= pavarguši) / (e) sadagusch, voc. sg. be(ž)dzān (be(ž)dzāne) / mišaisch waikili (= querido menino). Contudo, esses casos são relativamente poucos. As variantes de grafia das terminações também estão relacionadas a outras mudanças fonéticas (alargamento vocálico) e, por vezes, são erros gramaticais: kad tu wing but pasnis (= se tu o tivesses conhecido) «se tu o tivesses conhecido / conhecido».
A redução das terminações na língua dos Kursenieki também foi observada por A. Bezzenberger, que afirma ter ouvido uma a e uma u átonas como e reduzido, mas que as consoantes que o precedem não são palatalizadas: galdē «da mesa», mane meit (mana meita), etc. (Bezzenberger 1888: 24–25). J. Plakis também menciona terminações abreviadas.
16 Provavelmente, a terminação é um erro.
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(Plāks 1927: 17). Na língua dos Kursenieki, a vogal final a não é eliminada quando se formam grupos consonantais s+s, z+s, sn+s etc. Um exemplo desse tipo na ficha é gaibas, letão padrão gaiss «ar»; cf. svēss, letão padrão svess «estranho», tiesnas, letão padrão taisns «reto», etc. (Plāks 1927: 83, 86).
Os textos escritos em língua dos Kursenieki da segunda metade do século XX mostram que a redução das terminações é muito acentuada e provoca a nivelação das formas casuais: Kad tie zvejes par labes savumes jua duag āspelni, tap piges cēpe [...] (Pietsch 1983: 116 (= kad tie zveji par labis savumis juo daug āspelņa, tapa pīragi cēpi), letão: kad tie zveji par labiem savumiem (lomi) vairāk nopelna, tika pīragi cepi «como os pescadores obtinham muitos (rendimentos) com boas capturas, assavam-se pastéis». Para mais informações sobre a nivelação das terminações na língua dos Kursenieki no século XX e a desintegração do sistema de declinação, ver Ivanauskas, Kisiliūnaitė 2015.
Encurtamento das vogais átonas. O encurtamento das vogais átonas em formas não finais foi observado por todos os pesquisadores da língua dos Kursenieki (Plāks 1927: 17; Bezenberger 1888: 24–26), mas a ficha de Wenker ilustra essa característica apenas nos casos em que ela se manifesta na grafia, isto é, nas consoantes geminadas. É especialmente evidente o encurtamento das vogais dos sufixos verbais: darete (= dareti, letão padrão darīt «fazer»), gaideti (= gaideti / gaidīt letão padrão gaidīt «esperar»).
Alargamento vocálico. Na língua dos Kursenieki, as vogais breves i e u são alargadas em posição átona, mas isso é refletido de forma inconsistente na ficha: darete (= daryti, letão padrão darīt «fazer»), wīno (= vienu «um»), nedares (= nedaris, letão padrão nedarīs «não fará»), priekš schiescho niedelo niers (= priekš šešu nedēļu nirš, letão padrão pirms sešām nedēļām miris «morto há seis semanas», āmeguš (= iemiguši «adormecidos»), ei und stawe (= ej un stāvi «vai e fica de pé»), pulātis¹⁷ (= palicis «tendo ficado»; wiņa [...] pasi (= viņi pasi), jumies = jumes < jumis «vocês», mas snkti «nevar», eβ turu dikti saukti (= es turu dikti saukti, letão padrão man ir dikti jāsauc) «tenho de gritar alto», etc. Em outras fontes escritas dos Kursenieki, essa característica (desconsiderando as terminações, nas quais o sinal e pode indicar a redução da terminação) ocorre apenas em certos casos, por exemplo, nas formas da partícula si / se e no sufixo verbal -inat (letão padrão -ināt): ziema saserinkas (= ziemā sasirinas, letão padrão ziemā salasījās «reuniam-se no inverno»); iemācēne (= iemācī-nati, letão padrão iemācīt «ensinar») (Pietsch 1983: 82). Cabe observar que, até agora, os pesquisadores da língua dos Kursenieki, com exceção de Christliebe El Moghabel (Moghabel 1993: 66, 68), dedicaram pouca atenção a essa característica e não a analisaram separadamente¹⁸.
Fechamento vocálico. Outra característica marcante, observada por praticamente todos, é que o e fechado em posição átona, sobretudo depois de sonantes, se funde com i (Bezenberger 1888: 33,
17 Nota editorial.
18 No estudo de J. Plāks, a passagem dos sufixos -īt e -ināt para -ēt e -enāt é mencionada na seção de gramática (Plāks 1927: 33).
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34; Plāķis 1927: 16; Endzelīns 1931: 574). Na ficha de Wenker, esses casos são frequentemente registrados com a letra i: ak. sg. uglis = uogles, iš krãnis = iš krãnes, la. b. k. krãsni, ta ugnī (= tā ugne); talvez devido a essa característica, a terminação *-el(ia)s / -ele tenha passado a -ils: mergìls, vaikìls, stiklìs; cf. também sīgīles < vo. Ziegel, mentìlis < vo. Mantel (Bezenberger 1888: 33–34).
Ditongação. No dialeto dos curonianos, não é regular e, devido à influência dos dialetos lituanos, ocorre com maior frequência em palavras comuns: vielu, la. b. k. vēlu ‘tarde’; viel ‘novamente’ etc. (Plāķis 1927: 16). Na ficha de Wenker, essa característica é atestada apenas na palavra tie, letão te ‘lá’ (Plāķis, ibid.), mas wel = vēl ‘novamente’.
Reflexos dos ditongos. Monotongação. Foram encontrados apenas alguns casos de ie átono, registrados como i (schadin = šuodin ‘hoje’, ti < tie ‘lá’) e e (ar tes laũzis = ar ties laužis; cf. letão ar tiem laudim, em que o instrumental do pronome tie é ties (Plāķis 1927: 27); ver «Características morfológicas»). Contudo, isso não basta para determinar se essa monotongação era regular. No dialeto documentado posteriormente, a monotongação de ie átono ocorre com bastante frequência (Mogharbel 1993: 8519). Como em outros dialetos letões, as preposições proclíticas sofrem monotongação naturalmente: nubīdis = nu sirds, letão no sirds ‘do coração’.
Outro caso de monotongação observado no dialeto é a aproximação de ei a um som mais fechado, 20, que hoje em dia às vezes é representado pela letra lituana ė: grēt < greit < ‘rapidamente’, mēte < meita ‘moça’, vēds < veids ‘rosto’, rēz < reiz ‘uma vez’ etc. (Pietsch 1991: 126, 142, 261; Mogharbel 1991: 72), mas essa característica não aparece na ficha de Wenker: grait ‘rapidamente’.
A combinação uv, característica do dialeto da Curlândia Ocidental, ocorre na palavra dui (letão divi) ‘dois’; no entanto, não há nesta fonte palavras ilustrativas como ‘peixes’ e ‘fundo’; cf.: zuve (letão zivs ‘peixe’), dubens (letão dibens ‘fundo’), suvens (letão sivēns ‘porco’) (Plāķis 1927: 16; Ābele 1927: 119).
Palatalização das consoantes. Os pesquisadores da língua dos curonianos salientam que a palatalização da consoante l é irregular — nas palavras laužī e pak ju, frequentemente também se pronunciava um l não palatalizado (Bezenberger 1888: 38; Plāķis 1927: 17); portanto, a «consistência ortográfica» que observamos em ar tes laužis na ficha de Wenker provavelmente não é um erro. Endzelīns também observou isso no período entre guerras (Endzelīns 1931: 574), e a autora, tendo estudado a língua dos informantes atuais, pode confirmar que, no período tardio da língua, a oposição entre l e l é neutralizada em todas as posições em favor do alveolar (provavelmente devido à influência do alemão); em casos como valoda, lēt e laužī, é difícil distinguir auditivamente a palatalização. O material da ficha de Wenker permite observar que, no século XIX, a palatalização da consoante l diante do i histórico, apesar de
19 Não convém relacionar a preposição pi < pie com a monotongação regular, pois essa forma é usada em muitos dialetos letões nos quais não há monotongação regular (Endzelīns 1951: 679).
20 Ši ypatybė būdinga Ventspilio apylinkių tarmėms (Šmite 1928: 116).
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era excepcional, apesar dos esforços para registrá-la. Ainda assim, algumas grafias suscitam diversas questões; por exemplo, se, no sintagma able koki ‘Apfelbaum’, isso significa um l palatalizado ou uma terminação reduzida, sem articulação distinta, que provavelmente perde sua função devido à fusão de duas palavras numa só, segundo o modelo de formação alemão. No entanto, acompanhando a evolução de l após vogais e de l nos encontros consonantais, desde as primeiras fontes escritas até os dias de hoje, poderíamos supor uma neutralização progressiva desses fonemas devido à influência do alemão21.
Nors J. Plakis rašo tik apie veiksmažodžių kamiengalį (Plākis 1927: 32), tačiau ir vardžodžiai, kurių kamienas baigiasi istoriniais bi, pi, rods, jau XIX a. nebuvo jų išsaugoję – kortelėje tai liudija žepu = ziepu, la. b. k. ziepu ‘muilo’.
Também vale notar aqui outra característica: nas fichas de Wenker, j também aparece como marcador de palatalização em outras posições (priækš [...] schiešo niedelo mieres (prieš [...] šešu nedėlu miris); jumies = jumes < jumis ‘vocês’, tos kiauschis ‘ovos’). Essa grafia pode indicar que as consoantes se palatalizam também antes das vogais anteriores, isto é, que ocorre uma palatalização «lituana». Esse fenômeno provavelmente também progrediu em função do contato dos falantes com a língua lituana (especialmente se as mães eram lituanas).
Efeito das consoantes palatalizadas, j e do j histórico sobre o vocalismo subsequente: na ficha, as vogais a e o em final de palavra, depois de j, l, n, são registradas como e, às vezes até como i. Isso provavelmente reflete a pronúncia: ista auksta udina (iz tā aukstā ūdena), letão iz tā auksta ūdena / tajā aukstā ūdenī ‘naquela água fria’, darė = darja, letão darja ‘fez’, bij = bija ‘era’, pargjem = pargjam, letão pargjam ‘voltamos’, cf. lituano baixo žemaitiano turje (turėjo), peile (peilio).
As terminações das formas pronominais no nom. sg. apresentam regularmente -aiš: mielaisch = mielais, letão mīlais ‘o querido’, brunaisch = brūnais, letão brūnais ‘o castanho’, tas labaisch wetwaisch wers = tas labais, vecais vīrs, letão tas labais, vecais vīrs ‘aquele homem bom e velho’. Essa característica dialetal manteve-se até os nossos dias; J. Plakis relaciona-a à influência de j sobre a sílaba seguinte (vējš, zvejš); na língua dos curonianos, ela também se manifesta nas terminações -āj > -aiš, -ēj > -īš (plavš ‘barqueiro’ etc.) (Plākis 1927: 17).
Inserção de vogais. No dialeto de Nida, as vogais são inseridas nas posições TR e SR antes de uma terminação de palavra com vogal zero, mas não há inserção quando a sílaba seguinte contém uma vogal (nom. tīkls ‘rede’, mas gen. tīkla) (ver Kiseliūnaitė 2005 para uma análise mais ampla). Na ficha de Wenker, essa característica é atestada na palavra agirs = agrs, seu āgrirs (= juo agri, letão agrāk ‘mais cedo’). Outro tipo de inserção vocálica — a anaptixe (inserção de vogais após ditongos) — é uma característica descrita em detalhe por A. Bezenberger
21 Ch. El Mogharbel (1993: 32) escreve que a palatalização da consoante l varia conforme a idade dos informantes.
22 O diacrítico sobre a letra a é provavelmente um erro.
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(Bezenberger 188: 28–29), atestado na palavra pi smertšes = pi smerčes23 < letão padrão smerties / smerčio ‘morte’. O desaparecimento da anaptixe meio século depois é mencionado por]. Plakis (Plāķis 1927: 15, 23).
Elisão de consoantes. As consoantes v, n são elididas após as consoantes tautossilábicas. Essa característica ocorre regularmente na língua dos kursenieki e é própria de quase todo o dialeto médio letão, mas no texto analisado foi encontrado apenas um exemplo: mels (letão padrão melns) ‘preto’; compare-se com outras fontes: vēls, letão padrão velns ‘diabo’ (Pietsch 1991: 291), cilēks, letão padrão cilvēks ‘pessoa’, ciris, letão padrão cirvis ‘machado’, gala, letão padrão galva ‘cabeça’, tēs, letão padrão tēvs ‘pai’ etc. (Bezenberger 1888: 39; Plāķis 1927: 17).
CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS
As frases apresentadas no questionário de Wenker não são gramaticalmente impecáveis, mas refletem algumas características morfológicas da língua dos kursenieki descritas em outros estudos.
Substantivos e adjetivos. Foram preservadas formas antigas do instrumental plural masculino dos nomes de tema em o: ar sarkanis abolenis, letão padrão ar sarkaniem āboliem ‘com maçãs vermelhas’, ar tes (= ties) laužis, letão padrão ar tiem ļaudīm ‘com aquelas pessoas’. Formas desse tipo também eram usadas regularmente no século XX (Plāķis 1927: 21–23; Mohrbel 1993: 127), mas nos dialetos atuais do sudoeste da Curlândia são substituídas com maior frequência pelas formas da língua padrão (Ozola 2007: 383).
Na língua dos kursenieki, os substantivos de tema em i passaram ao tema em ē. No questionário encontramos exemplos como: isch krabnis = iš krānes, genitivo do letão padrão krāsns ‘do forno’; ta ugni = tā ugne, letão padrão tā uguns ‘aquele fogo’; bi bales = be sāles, letão padrão bez sāls ‘sem sal’; nufridis = nu(o) sirdes, letão padrão no sirds ‘do coração’; tur [...] dewines govas = tur devinas guves, acusativo plural do letão padrão devinas guovis ‘tem nove vacas’. Em alguns casos, é difícil determinar a ocorrência desse fenômeno com base nessa regra, porque e e i átonos são frequentemente confundidos (tas piktas soais = tās piktas zuos, letão padrão tās piktas zos ‘aquelas gansas malvadas’), mas há provas suficientes em outras fontes da época, cf. ause, aze, awe, smilte, suwe e outros (Bezenberger 1888: 65).
As construções preposicionais com is / iš + gen.: is gais são usadas com o sentido de caso locativo (inessivo e ilativo; cf. letão literário viver na floresta e ir à floresta): (letão literário gais) ‘no ar’, is ledus (letão literário ledū ‘para o gelo, para a geleira’), iβ graudu (letão literário graudos ‘coalhada’ ‘para a coalhada’), isch krānis (letão literário krāsnī ‘para o forno’), i mušu dārž buduati (letão literário mūsu dārzā būvet ‘construir no nosso jardim’), entre outras. O caso locativo é usado
23 smērīs, -ča (Plāķis 1927: 81).
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mais raramente: com sentido inessivo, gulėjo […] jau gulta (letão padrão gulēja gultā ‘estava deitado na cama’); em formas adverbializadas: apakša (letão padrão apakšā ‘embaixo’). Sobre a concorrência entre o locativo e as construções preposicionais, ver também Bezenberger 1888: 48–49. Com o fortalecimento da influência do alemão no século XX, as formas analíticas se consolidaram ainda mais.
Usam-se formas analíticas dos graus dos adjetivos com juo: tu turi […] judis but (= juo džis, letão padrão lielaks ‘maior’), mužu kalni […] daug jo didži (letão padrão lielāki ‘maiores’). Também se formam advérbios no comparativo: tu wari jo āgri pis maju īt, letão padrão tu vari agrāk mājās iet ‘podes ir para casa mais cedo’. Formas desse tipo também são registradas nos dialetos da Curlândia (Ozola 2007: 387). A forma superlativa ocorreu apenas numa construção com um substantivo que desempenha função adverbial: Tu ebi schadin wibu daugumu mazis = tu esi šuden visu daugumu mažis, letão padrão tu esi šoden visvairāk mažies ‘hoje aprendeste mais do que todos’.
O numeral du apresenta duas formas flexionais de gênero: grib du (acusativo) pius jaunus namus […] budavai; compare-se com o letão padrão grib divas skaitas mājas būvēt, ‘quer construir duas belas casas’, mas os substantivos que o acompanham aparecem no plural²⁴. Ocorreu uma forma híbrida do numeral ‘quatro’: genitivo tschēturi (= čet(u)ru, Plāķis 1927: 29; nominativo četri, letão četri, compare-se com o lituano keturi); a grafia da terminação reduzida pode refletir o r palatalizado, ainda ouvido por A. Bezenberger (Bezenberger 1888: 38; Plāķis 1927: 17). Na língua dos kursenieki, as formas dos numerais de 12 a 19 foram adotadas do lituano; o questionário contém um exemplo: dewika ‘doze’; ver «Características lexicais».
Tarmė būdingos įvardžių linksnių formos: ac. ir dat. pl. munis, jumis (Plāķis 1927: 26) kortelėje liudijamos pavyzdžiais: nepamanu jumis (la. b. k. ak. jūs) ‘nesuprantu jus (jūs)’, wintsch numis (= mumis) nepamane ‘jis mus (mūsų) nesupranta’, ųmumis gaideti (uz mumis gaiditi), la. b. k. mūs gaidīt ‘mus (mūsų) laukti’, kurias J. Plāķis laiko perimtas iš vakarų žemaičių (Plāķis 1927: 26)²⁵. Tačiau kortelėje yra formų, nesutampančių su J. Plāķio nurodytomis: instr. ar jums (plg. instr. jumis Plāķis 1927: 26), suns tewi nieka nedares (tev – Plāķis 1927: 26), la. b. k. suns te nekā nedarīs. Kitos vienaskaitos formos yra tokios kaip la. b. k.: kasch tewi (la. b. k. kož tevi) ‘kanda tave’, ar tewi (la. b. k. ar tevi) ‘su tavimi’, par mani (la. b. k. par mani) ‘dėl manęs, man’.
Os pronomes possessivos são usados em forma invariável: Mana mīlalis waiki; us manna galdu; sati twa mājai. Formas desse tipo também são registradas no sudoeste
24 J. Plāķis nurodo ac. dui sievu, bet nekmentuoja (Plāķis 1927: 29). Tokią daiktavardžių dviskaitos formą galėtų atsirasti dėl kaimynų lietuvių tarmių įtakos, tačiau iki šiol daugiau pavyzdžių neteko užfiksuoti.
25 J. Endzelīns observa que as formas jumis, mumis eram usadas com sentido dativo na Curlândia (Endzelīns 1951: 514).
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Kuržemėje, kalbininkai linkę laikyti jas lietuvių kalbos įtaka (Ozola 2007: 387). Pasitaikė, kad dėl vokiečio originalo įtakos savybiniai įvardžiai mano, tavo vartojami vietoje savybinio savo: saki tawa maβai (la. b. k. saki sawai maša ‘sakyk savo seseriai’), tačiau ne visada: par sawa mati ‘savo motinai’, wing gribejə sawo mait (= meitai) satse (= saci), la. b. k. viņa gribējə savai meitai sacīt ‘ji norėjo savo dukteriai sakyti’. Įvardis viņš, viņa vartojamas ir asmenims, ir neasmenims reikšti: Tas sniegs[...], wintsch satrips (la. b. k. tas sniegs[...] tas iskusis) ‘tas sniegas [...] jis ištirpęs’.
Verbos. Estrutura.
A forma do infinitivo na ficha de Wenker varia: -ti // -t (snikt ‘chover’, saswiri ‘ferver’, isto é, entrar em ebulição’, satse = saci, letão padrão sācīt ‘dizer’, darete = dareti, letão padrão darīt ‘fazer’, mas stawed = stāvet, letão padrão stāvēt ‘estar de pé’, iat = iet ‘ir’; há variação até mesmo na mesma frase: isderi, tu turi [...] aukti ir jodisch but = izderi, augti, būt ‘beber, crescer, ser’, e, de modo semelhante, suti = šūti ‘costurar’ e pataisit = pataisit ‘consertar, fazer’ etc. As formas variantes são usadas até hoje. J. Plakis reconstrói em todos os casos com -ti (Plāķis 1927: 37), enquanto Ch. E. Mogherl considera as formas com -i uma variante facultativa de ocorrência rara (Mogherl 1993: 159).
Entre os verbos atemáticos, ieti ‘ir’ tem uma forma continuada da 2.ª pessoa do presente singular: kur tu iētti; cf. iēti ao lado de ēji (Plāķis 1927:31); ela pode ter origem também nos falares livônicos da Curlândia, e a influência dos samogícios ocidentais lituanos pode ter contribuído para sua consolidação (ver também Kiseliūnaitė 1998: 130). A forma da 1.ª pessoa do presente plural pagajem = pāgājam ‘voltamos’ conserva o sentido antigo; cf. letão padrão atnācām.
A estrutura do presente e do imperativo singular dos verbos sem sufixo geralmente não difere da língua letã padrão ou dos dialetos da Curlândia: id = ed ‘come’, liats = liec ‘põe’, lāts = lec ‘voa, levanta voo’, koasch = kuož ‘morde’, eβi = esi ‘és’. No entanto, há também uma estrutura diferente: virti tem uma forma de presente com radical da: ar to werda-mo = leppili = ar tuo verdamo lepil, letão padrão ar vāramo kari ‘com uma colher de madeira fervente’; a mesma forma é registrada por A. Bezzenberger e J. Plakis (Bezzenberger 188: 83; Plāķis 1927: 32) e continua em uso até hoje.
Não se sabe se, por influência do texto alemão, a forma do presente siš²⁶ foi usada na frase 11 com sentido de futuro (cf. letão padrão sītu ‘bato, espanco’); mas pode tratar-se também de uma forma de futuro em que, após t, não se insere uma vogal, como em letão (sišu), mas a consoante final do radical se funde com o sufixo, como em lituano²⁷: Es scha tewe tuiu ar to werdamo = leppili (= es sišu tevi tuju ar tuo verdamo-lepili); cf. alemão ich schlage Dich gleich mit dem Kochlöffel. O fato de que o tradutor podia também não copiar a gramática alemã é demonstrado pela frase 39, em que o alemão Hund thut Dir nichts foi traduzido para o futuro
26
Šis veiksmažodis turi ia kamieno præs. formą, žr. Kiseliūnaitė 1998: 133.
27
Ch. El Mogherl tokias formas laikė reta išimtimi (Mogherl 1993: 174), tačiau autorės pastebėjimu, dabartinių kuršininkų kalboje jos nėra retenybė.
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com sns tevi nieka nedres (tevi nieka nedaris, letão padrão tev neka nedaris) ‘o cão não te fará nada’.
Na língua dos curônios, assim como em parte dos dialetos letões, usavam-se formas do pretérito com radical em ē28 (para mais detalhes, ver Kiseliūnaitė 1998: 136–138). Contudo, aparentemente, sua passagem para o radical em ā já estava em curso antes mesmo da partida para o Istmo da Curlândia, pois apenas uma palatalização enfraquecida e o uso esporádico de formas da 3.ª pessoa atestam vestígios da estrutura antiga. Na ficha de Wenker, pode-se hipoteticamente supor que ela esteja atestada em nazi = nāce, letão padrão nāca ‘veio’.
As vogais dos verbos de conjugação curta são breves, e os verbos com os sufixos -eti < -ēt e -iti < -īt não são conjugados, embora isso ocorra sobretudo nas formas do pretérito (saci-ju, turiju, gribju, net runaju // runju – Plāķis 1927: 34). Há poucas formas prefixadas do pretérito nas frases de Wenker. A grafia variante sacit (letão padrão sacīt) ‘dizer’ indica que o fenômeno pode ter tido origem fonética (com alongamento): es wingu satse un wingu satse, wing gribēja savo maita satseta = es ūnu (ūnai) sacēju un(d) ūna sacēja, ūna gribēja savo maita (meitai) sacīt (letão padrão es ūnai saciju un ūna sacīja, (ka) ūna gribēja savai meitai sacīt ‘eu lhe disse, e ela disse (que) queria dizer à filha’); mas pažakes pažazija = pasakas pasacija, letão padrão pasakas pasacīja ‘contava histórias’; mazigis = māci(j)e(s), letão padrão mācī-jes ‘aprendeu’ wintsch darie = viņš darīja, letão padrão viņš darīja ‘ele fez’; gribēja = gribēja, letão padrão gribēja ‘queria’.
Como, nos verbos de radical em i (turet, letão padrão turēt), pode haver, nas formas da 2.ª pessoa do plural, reflexos do alargamento de i ou da palatalização enfraquecida, talvez se possam discernir nos exemplos da ficha reflexos de terminações com i ou -ia: newaret, turret < *varīt / varīt, *turit / turīt; cf. letão padrão nevarat, turat. Como nas variedades da Curlândia os vestígios do radical em i sobreviveram até o século XX (Endzelīns 1951: 790–800), é provável que também houvesse reflexos deles na língua dos curônios, embora tenham desaparecido rapidamente devido ao contato com o dialeto samogício ocidental, sobretudo no uso de palavras de origem comum.
Na ficha de Wenker está registrada uma forma de futuro da 1.ª pessoa do plural com -am: ėbam (iesam, letão padrão iesim) ‘iremos’; formas assim são usadas regularmente também na língua atual, embora J. Plāķis afirme ter ouvido ainda formas com -i- (Plāķis 1927: 34).
Os verbos prefixados colocam a partícula reflexiva depois do prefixo; por vezes, usam-se duas (Plāķis 1927: 36). A forma da partícula reflexiva após o prefixo varia na língua dos curônios: sa é mais frequente, e si um pouco menos. Na ficha de Wenker estão registradas as seguintes formas reflexivas: sasviti = sasvirti / sasvirti, letão padrão užvārīties ‘ferver’, parsķerjes = parskrējis, letão padrão par daudz skrejis ‘ter corrido demais’, mazigis29 = mācij(e)s, letão padrão mācījies ‘ter aprendido’.
28 Daugiau apie ē kamieno pėdsakus Kuržemėje žr. Ābele 1928: 136; Ozola 2007: 389.
29 Esta forma do particípio não é muito clara; pelo sentido, deveria ser reflexiva.
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Formų daryba. Kadangi kūrinių tarmeje nebuvo vartojamos dėtyvo formos (Endzelīns 1931: 574; Bezenberger 1888: 88), jo funkciją atlieka analitinės formos su veiksmažodžiu turēt ‘turėti, reikėti’: turr tas dānas par sava mati šuti = tur tās dānas par sava mati šūti, la. b. k. (viņai ir apgērbs savai mātei jāšuj ‘ji turi tuos drabužius savo motinai siūti’; tu turri dar bischki aukti = tu turi dar biški augti, la. b. k. tev vēl biški (drusku) jāaug ‘tu turi dar truputį (pa)augti’. Kitų analitinių formų (su vaizdeli = la. b. k. vajadzēt ar lietuvišku reikia, pavyzdžiui, reik zvejoti30) Wenkėrio kortelėje nepasteikė. Formos su tureti paplitusios ir Šventosios latvių kalboje, fiksuojamos ir vakarų Kuršėje bei ten sukūtoje XVII a. raštijoje (Ozola 2009). Tačiau veiksmažodis turet vartosena tuo neapsiriboja – kaip pagalbinis veiksmažodis jis tarnauja sudėtinėms formoms sudaryti, kurios dažniausiai nukopijuojamos iš originalo vokiečių sakinio (žr. toliau).
Į. Plāks apresenta muitos exemplos que mostram que os kursenieki usam formas do modo condicional «à maneira lituana», isto é, com alternância: es būčiau, tu būtum etc. (Plāks 1927: 34). A forma de 2 cond. sg. encontrada no cartão não confirma isso: Kad tu winga but pasinis, buti zitadi nazis und but stawis ar winga labi. No trabalho de A. Bezenberger, do mesmo período, afirma-se que, na época, as formas do modo condicional lituanas e letãs competiam entre si (Bezenberger 1888: 96, 97); assim, o papel da língua lituana no fortalecimento das terminações do condicional aumentava.
Embora na língua dos kursenieki se usassem várias formas verbais não compostas, no texto de Wenker quase todos os particípios aparecem em formas compostas, geralmente por imitação da estrutura da frase alemã31: ir ar zirgu is ledus ākritis ir sta aukta undi kritis = ir ar zirgu is ledus iekritis ir (un) is tā aukta und(a) kritis, letão padrão ir ar zirgu ledū iekritis (ielūzis) un (aukstajā ūdenī) (ie)kritis ‘caiu no cavalo no gelo e caiu naquela água fria’. De modo semelhante: ir [...] mēres, ir [...] sadaguschi, ebu [...] parsiskrejs, ebu [...] bijis, ebi [...] magis, turr [...] pabads, ir [...] pulūzis ale sho it ir wintsch satris, neturat raduschi, turr [...] adaduschu, ebu [...] ijājis. O verbo turet desempenha a função de verbo auxiliar em formas compostas correspondentes, esperadas numa língua de calque do alemão (Wer hat mir meinen Korb mit Fleisch gestohlen? kas turr mane kozi ar gallu pabads? = kas tur mana koci ar gaļu pazadis?, letão padrão ‘quem tem meu cesto com carne roubado, isto é, quem roubou meu cesto com carne’); de modo semelhante habt ihr [...] gefunden: wa jus neturat [...] raduschi = neturat [...] radūši? ‘vocês não têm [...] encontrado, isto é, não encontraram’). Nessa situação, também no letão atual se usam formas compostas
30 Ver Plāks 1927: 35.
31 Para mais detalhes, ver «Características sintáticas».
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formas, mas com o auxiliar būt. Quanto à influência do alemão aqui e à sua antiguidade, essa é outra questão.
Parece haver poucos casos em que o particípio tenha sido usado numa forma composta segundo a tradição das línguas bálticas, isto é, em que se mantém a correlação de tempo ou modalidade entre o verbo auxiliar e o principal: but pasinis = būtų pazinis ‘terias reconhecido’, butu drėchali pastelajusch = butu drėli pastelajuši ‘teriam contratado um trabalhador braçal’, ėjam pawargusch = esam pavarguši ‘estamos cansados’, bija [...] įmegusch = bija [...] įmegúši ‘tinham adormecido’.
Foi encontrada uma única forma participial com função atributiva — prt. praes. act. instr. sg. ar werdamo lepli ‘com uma colher de sopa fervente’.
Prieveiksmiai. Dalis prieveiksmių pavarti įprastai: apkarti (Plāks 1927: 47 apkārt) ‘aplink’, bischi = biški, la. tarm. biški, biškin ‘truputį’, zitai = citādi ‘kitaip’, labi ‘gerai’, wacker ‘vakar’, scho rit = šuorit, la. b. k. šorīt ‘šįryt’ ir kt.
Foram registados lexemas dialetais e formas seus característicos da Curlândia: ne mag = nemag, letão padrão nemaz ‘nemaz’, nu ‘ainda’³², gana ‘bastante’, dikti ‘fortemente’ < alemão dicht, letão padrão loti, stipri, aukstum = augšum, letão padrão augšā ‘alto’ (ME I 218).
Kortelėje galima rasti prieveiksmių („įpėnėjus veidojums“ – Plāks 1927: 38), kuriuos kuršininkai sudarė savitai: šāmi = žemu ‘žemai’ (žr. „Leksikos ypatybės“). Prieveiksmio daug / dauz formos kortelės sakiniuose įvairuoja (EH I 310): pardau ‘per daug’, wißu daudum ‘daugiausiai’, bet kadudus = kā daud ‘kiek’ (žr. „Leksikos ypatybės“). Kuršininkų kalboje prieveiksmio daug laipsnių formose nėra latviams įprastos leksemos vairāk, visvairāk, čia, kaip ir būdvardžiuose, vartojamos analitinės formos su juo ir visu. J. Plāks laiko latviška ir prieveiksmio formą ciec ‘kiek’ (Plāks 1927: 38; ME I 392 tik iš raštų).
Há advérbios e construções observados do lituano (ver «Características lexicais»). O germanismo fasti ocorreu uma vez e deve ser considerado ocasional, pois não se encontrou equivalente para a expressão fest am schlafen ‘dormir profundamente, a sono solto’, embora na língua dos kursenieki ciets com a palavra miegs ainda seja usado até hoje.
Prielinksnių vartojena tik iš dalies sutampa su dabartine latvių kalba ar tradicine vartosena tarmėse: ar sigu = ar zigžu ‘su arkliu’; bi bales = be sāles, la. b. k. bez sāls ‘be druskos’; pi tas sewas = pi tās sievas, la. b. k. pie tās sievas ‘pas (tą) moterį’; pi smerrishes = pi smēr(e)s, la. b. k. līdz nāvei ‘iki mirties, mirtinai’; ar tewi (= ar tevi) ‘su tavim’, par [...] mati = par māti, la. b. k. māte ‘motina’; par mani, la. b. k. man ‘man’ ir kt. Ryškiausias pastebimas skirtumas – jau minėtas prielinksnio is / iš (la. tarm. iz) vartojimas išeivio funkcija: is musu darza = is mūsu dārza ir pan. Tai gali būti kontaminuota forma: plg. la. tarm. iekš krāns = krāsnī ir la. iz (su gen. ME I 712), galima ir lietuvių iš
32 Betones nu ‘agora’ – ME II 752, 753.
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influência. Existem ainda outras diferenças: o letão aiz ‘atrás’ é monoftongado pelos kursenieki, com um a encurtado < āz (as nama = az nama, letão padrão aiz nama)33; a preposição už com acusativo desempenha a função de inessivo (e [...] uβ to lauku, letão padrão uz tā lauka, lauka. pž. ‘no campo’, isto é, ‘em campo’; us to muren, letão padrão uz tā mūra ‘sobre o murinho, a cerca de pedra’; us mana galdu, letão padrão uz mana galda ‘sobre a minha mesa’); a preposição pic < pēc é usada provavelmente sob influência do alemão para indicar direção de movimento (pis maju iät = pic māju iet, letão padrão mājas iet) (Endzelīns 1951: 677). Diferentemente do letão contemporâneo, as preposições são usadas com vários casos do plural: pis maju = pic māju (gen. pl.), letão padrão mājas, ao lado de ac. sg. uz māju; priekš schiešo niedelio miēres = priekš šešu nedēļu miris (gen. pl.), pi mušu (= pi mūsu, letão padrão pie mums, uz mums (ac. pl.) (mais detalhes em Plaķis 1927: 40; Ivanickaja, Kiseliūnaitė 2015: 217). O único caso em que uma preposição no plural é usada com o instrumental (no letão contemporâneo, no singular com o acusativo) é gar ausim (alemão ac. um die Ohren)34.
PARTICULARIDADES DO LÉXICO
A maioria das palavras do texto é conhecida no letão padrão ou em seus dialetos. Vale a pena destacar separadamente alguns exemplos mais interessantes do léxico característico dos dialetos da Curlândia: formas arcaicas de palavras, dialetismos propriamente ditos e semânticos, germanismos característicos dos dialetos letões ocidentais. Trata-se de lexemas usados ou registrados nesses dialetos: maģģ (= maģ), letão padrão maz ‘pouco’ (ME I 548); par diždžu = par dižu, letão padrão par lielu ‘grande demais’, pois dižs = juo dižs, letão padrão lielāks ‘maior’ (ME I 475)35; dikti, letão padrão ļoti, stipri, skaļi ‘intensamente, alto’ (ME I 466); drānas = drānas, letão padrão drēbes ‘roupas’ (ME I 494 drāna = drēbes bibl. u. in Kurl. ‘Kleider’); kiozi = ķuoči, nom. kuocis do alemão dial. kō(t)z ‘Korb’ ‘cesto’ (ME II 393; cf. lituano dial. samogitiano kiočis ‘cesto, cesta’); uz murens = mūrens / mūrenes ‘sobre a cerca’ (muris, murieneks – Plaķis 1927: 68) < alemão dial. mur.
Entre os derivados com o sufixo diminutivo registrados no cartão estão: el > il (vaikeli, ‘criancinha’, stukila ‘pedacinho’), usados com sentido diminutivo sem conotação depreciativa, como é característico dos dialetos da Curlândia (Markus-Narvila 2011: 98); embora os exemplos encontrados sejam lituanismos, a língua dos kursenieki também contém numerosos derivados autênticos com o sufixo el > il (pušilis ‘rapazinho’, laivis ‘barquinho’, ruokile
33 Prėdelis āz- ir prielinksnis az (Plaķis 1927: 39, ME I 233).
34 gar ausim duot ‘dar uma surra’ (ME I 601).
35 Na língua dos kursenieki da Curlândia, a palavra lies é desconhecida; o lexema dižs, -a veio da Curlândia (Ābele 1928: 142).
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‘mãozinha’ etc. – Plāķis 1927: 14). Outro sufixo diminutivo apreciado pelos kursenieki é en, ao contrário do letão padrão, com vogal breve (Plāķis 1927: 19): ar abelenis = ar ābuolenis ‘com maçãs’; avenu = āvenu ‘de cordeirinhos’ (do dial. ave, letão padrão aita ‘ovelha’), pūdeni = pūteni ‘passarinhos’; uz murens = mūrena / mūrenes ‘sobre a cercazinha’.
Uma tendência particularmente notável dos kursenieki na formação de abstratos (com significados de estado decorrente de uma qualidade, resultado etc.) é o uso do sufixo -ums: slapumu = slāpumu, letão padrão slāpes ‘sede’, cf. situms, letão padrão sitiens ‘golpe’; nuronajums, letão padrão noruna ‘acordo’ (Plāķis 1927: 19, 69) etc. Parece que essas formas verbais serviram para formar a forma superlativa do advérbio: wibu daugumu ‘a maioria’.
Também merece destaque o já mencionado uso peculiar de advérbios, parcialmente semelhante ao dos dialetos da Curlândia: aukschum = augšum, letão padrão augša ‘no alto’ (Paula 1926: 56); sām = zemī, letão padrão apakša ‘baixo, embaixo’ (cf. virsuoji Paula, ibid., ao lado de apakša= apakā ‘idem’). Outros pesquisadores já observaram que os kursenieki usam vários lexemas com o sentido de ‘muito’: dikti, tā, tā daug, par daug e o letão loti, desconhecido para eles (Plāķis 1927: 38); no cartão, o alemão sehr ‘muito’ corresponde a pardaug = par daug, tadi dzi = tādi dzi. O advérbio alemão to(d)t ‘mortalmente’ é aqui traduzido pela construção preposicional pi smerithes = pi smerā, cf. letão padrão līdz nāvei.
Os traços semânticos mostram que os significados de algumas palavras são pouco diferenciados, mas, neste caso, isso não é necessariamente uma particularidade da própria língua, podendo antes ser uma escolha do tradutor: por exemplo, o alemão erzählen ‘contar’ corresponde na língua atual dos kursenieki a rākot (letão padrão stāstīt), enquanto no cartão aparece pažagia = pasacia (letão padrão pasacīa); também não está inteiramente claro se a palavra pasakas (alemão Geschichte) é usada em sentido estilisticamente neutro ou se se pretendeu conferir-lhe uma nuance depreciativa de ‘relato falso, inventado’. Embora os kursenieki tenham a palavra tupeti ‘ficar agachado’ (Plāķis 1927: 86), provavelmente por influência do original alemão, aqui se diz dos pássaros bīāz = sēž ‘estão sentados’. Contudo, há também diferenças de significado inequivocamente atribuíveis à língua dos kursenieki, registradas em várias fontes até os nossos dias, como: iāijβ = iējis ‘gefahren’ ‘tendo entrado de carro’ (jāti, letão braukt, ‘ir de carro’ – Plāķis 1927: 60), namme = namus, letão padrão māja ‘casa’³⁶.
No léxico das frases do cartão, vemos uma influência considerável do lituano, sobretudo dos dialetos vizinhos. São incorporados tanto lexemas lituanos quanto lexemas vindos de outras línguas através do lituano, adaptados de várias maneiras fonética e morfologicamente: graiti = greiti < lituano greitai, letão padrão ātri
36Na língua dos kursenieki, a palavra māja no singular é usada sobretudo na forma de locativo lexicalizado mā(jā) ‘em casa, para casa’ ou no plural mājās ‘em casa’. Com o sentido de ‘casa, habitação, edifício’, usa-se nams.
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kiauschis = kaŭšus < mentira. kiaũšis, la. b. k. ola
waikili = vaikilis < mentira. vaikẽlis, la. b. k. bērniņš
prada = prada, inf. pradēt < mentira. pradėti, la. b. k. sākt
wis pradim < mentira tam. pradēm ‘continuamente’, la. b. k. vienmēr
dewika < mentira dỹlika, la. b. k. dezessete
miels < mīlas (Plākis 1927: 68 – mīls), la. b. k. mīļš
schischi = šīš(i) < mentira tam. šīš ‘aqui’, la. b. k. te, še
tujau < samog. tujau ‘imediatamente’, la. b. k. tūlīt
dar < mentira dar, la. b. k. vēl
arb < lie. arb (Plākis 1927: 41 –va), la. b. k. vai.
A palavra pradēt ‘começar’ adaptou-se, na língua dos curonianos, ao tipo misto de pessoas: pradēt, prada, pradija (Kiseliūnaitė 1998: 128).
Algumas características lexicais de aparência «lituana» podem ter sido classificadas por outros pesquisadores como empréstimos, nem sempre justificadamente; por exemplo, lāts = lec ‘voa, esvoaça’, la. b. k. lido era usado no dialeto de Kursėnė (ME II 458). Palavras tradicionalmente classificadas como lituanismos podem ser curonismos; por exemplo, puik ‘excelentes, bonitos’, que é difundida na área lituana samogícia, também é conhecida nos dialetos da Curlândia (ME 3: 403).
Os eslavismos entraram na língua dos curonianos sobretudo por meio da língua falada e religiosa lituana. Há apenas alguns poucos empréstimos antigos, trazidos ainda da Curlândia (baznīca, cil(v)ēks e semelhantes); entre os da ficha de Wenker, deve ser incluído domajo = duomoju, la. b. k. domāt ‘pensar’. São mais numerosos os eslavismos surgidos por intermédio do lituano⁷: pakajings = pakajings < hib. pakajęs ‘calmo’, la. b. k. mierīgs; cizti = čišti < lituano eslavo čystai, la. b. k. tīri ‘limpamente’; smerits = smerd / smetes < lituano eslavo smėris, la. b. k. navė ‘morte’; būdeli = būdeli (būdelė ‘garrafa’ Plākis 1927: 51) < lituano eslavo butėka ‘garrafa’; budavati = budavati < lituano eslavo budavōti ‘construir’, la. b. k. celt, būvēt; bedschan = bezdāne < lituano bezdžionė / beždžionė < bielorrusso абязьяна, la. b. k. pērtiķis.
Também terão chegado através dos dialetos lituanos alguns germanismos: stukla (= stukėla, cf. stukės da Samogícia ocidental ‘pedacinho’ < dial. alemão stuk; bū ‘būra’, camponeses < dial. alemão buhr; slekti, cf. o lituano dial. tam. šlėtas < alemão schlecht, letão b. k. slikts ‘mau’ (Plākis 1927: 81); wurschu (= vuršku, nom. vuršis) < lituano dial. tam. vuršis / vurštas < alemão Wurst, cf. letão b. k. desa ‘linguiça’; pastelajusch = pastelajuši < lituano dial. tam. steliuoti ‘convidar’, alemão stellen; ou bērschtu ‘com uma escova’ (bērštas letão birste, pente – Plākis 1927: 50) < lituano dial. tam. bērštas < alemão Bürste ‘escova, pente’. Uma palavra interessante é o ac. sg. drāschali = *drēš(i)s < alemão Drescher ‘debulhador’, não registrada nos dicionários curonianos, enquanto o alemão dreschen é traduzido por kulte ‘debulhar’ (Pietsch 1991: 88). O léxico curoniano relacionado à agricultura influenciou mais a língua lituana do que a alemã, e
37 Plačiau žr. Hinze 1993.
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é difícil dizer se a palavra *drēlis era sequer conhecida pelos kūrininkai. Não foi possível encontrá-la nas fontes da língua lituana da Prússia, mas, foneticamente, parece um germanismo adaptado ao lituano; cf. skrybėlė ‘chapéu’, < vo. term. skriver etc.
Há também outras nuances de uso lexical que levam a pensar na interação entre o lituano e o kursenieku: a palavra vel = vēl é usada nas frases do cartão não com o sentido letão de ‘ainda’, mas como o lituano vėl ‘de novo’; lauku ‘no campo’ corresponde ao dialetal lituano < žem. lauku; cf. letão da língua padrão laukā, āra ‘fora, para fora’ (lauku I. Plakis classificava-o entre as formações kursenieku particulares (Plāks 1927: 38), mas talvez não conhecesse a palavra žemaitija); satirpis38, letão da língua padrão izkusis ‘derretido’; scha = šā, alemão sonst; cf. a conjunção lituana šiaip ‘caso contrário, senão, de outro modo’; é possível que também o uso da conjunção ir ao lado de un(d) (bi šales ir bi piparu = be šales ir be piparu ‘sem sal e sem pimenta’) seja uma influência lituana, embora também esteja registado em dialetos letões (ME I 708).
O léxico diretamente proveniente do alemão é relativamente escasso neste texto: und < vo. und ‘e’, ganz < vo. ganz ‘bastante, completamente’, fasti < vo. fest ‘firme, duro’; noutras fontes kursenieku, usa-se la. ciets, -a > adv. cieti; lepile ‘colher’, do vo. Löffel, cf. letão b. k. karote ‘colher’; brunaisch = brunāiš ‘castanho’, sendo que este último pode ter sido trazido ainda da Curlândia (ME I 341). Talvez também se possa incluir entre eles koki ‘pȳragai’, cf. letão dialetal koka < alemão dialetal koke (ME II, 342).
No que diz respeito ao uso do léxico, importa ter em conta que estes textos são uma tradução; portanto, não se devem atribuir todas as «estranhezas» do uso lexical à comunidade kursenieku da época. É evidente que, muitas vezes, o tradutor seguiu não só a estrutura frásica alemã, mas também os equivalentes lexicais literais, sem escolher sempre um equivalente semântico autêntico. Assim, surgiram no texto decalques semânticos, tanto em combinações livres como na fraseologia. Chama particularmente a atenção o uso aparentemente anómalo dos pronomes tas, ta e iens, -a: wienō bisch = vienu biški ‘ein Bischen’; wintsch id os kaucsis = vińš ēd tuos kaušus; cf. er ißt die Eier; tas kajas man padau tap = tās kajas man padau sap; cf. die Füße thun mir sehr weh; ta uni bi par karta, tīe koki ir [...] sadaguchi = ta une bi(ja) par karta, tie kuoki ir [...] sadeguši, cf. das Feuer war zu stark / heiß, die Kuchen sind [...] gebrannt; Mušu kalni nau taddi dzi tie jušu daug jo dzi = mušu kalni nav tādi dziži, tie jušu daug jo dziži; cf. Unsere Berge sind nicht sehr hoch, die euren sind viel höher, entre outros.
Algumas combinações de palavras alemãs são traduzidas literalmente: rein machen: czisti pataisit = čisti pataisit ‘limpar’; fertig nähen: gatwas schuti = gatavas šūti ‘coser’; recht von ihnen: labi no viņa = labi nuo viņu ‘eles agiram bem’. O mesmo acontece com expressões alemãs fixas: wiewel: kadaus = kā daudze ‘quanto’, haben Durst (ver abaixo).
38 tirpt ‘derreter, fundir’ provém da literatura (ME 4: 197); ver também Endzelīns 1931: 575.
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Nem sempre se respeitam cuidadosamente os significados das palavras. Por exemplo, o alemão durch’s Eis gebrochen é traduzido como iš ledus įkritęs = iš ledus įkritis ‘caído no gelo, caído através do gelo, tendo rompido o gelo’, embora na língua dos kūrininkai se use a palavra įlūžti ‘romper-se através do gelo’.
Há também casos de incompreensão na tradução. Por exemplo, o alemão durchgelaufen (a respeito dos pés) foi aparentemente mal compreendido pelo tradutor (‘esfolar ou ferir ao caminhar’) e traduzido como parsikreis = parsikreisis, distorcendo assim o sentido de toda a frase. De modo semelhante, na frase Es hört gleich auf zu schneien, a expressão es hört [...] auf ‘deixará, acabará, cessará (de nevar)’ também causou dificuldades e foi traduzida ao contrário: wel jau prada snikti = vėl jau pradeda snigti ‘já começa a nevar de novo’.
É interessante observar o uso do verbo turėti ‘ter’. Na língua kursenieku, ele é normalmente usado como o lituano turėti e o alemão haben. Esse significado não é desconhecido nos dialetos letões ocidentais (Ozola 2007: 396–398). Parece difícil encontrar na língua kursenieku um equivalente para o verbo alemão (ihr) dürft (nicht) (cf. letão da língua padrão (ne)drīkstat); o alemão dürfen é traduzido por varet ‘poder’ (Pietsch 1991), e neste texto por (ne)turėti ‘(não) ter’. Além disso, o verbo turėti é usado em contextos em que, gramaticalmente, o letão emprega o debitivo, ou seja, corresponde aos verbos modais alemães müssen, sollen (ver «Características morfológicas»); também exprime finalidade, como em kad tas piens greit sasvirit tur = kad tas piens greit sas(i)virti tur ‘para que o leite ferva mais depressa’. O verbo turėti também é usado para descrever um estado: turam slapumu = turam slapumu (lit. ‘temos sede’); embora J. Plakis registe o verbo slāpt (Plāks 1927: 81), a geração atual de kursenieku usa mais frequentemente precisamente a construção analítica, enquanto slāpt ‘ter sede’ ocorre em situações em que se fala de peixes: ‘os peixes têm sede’. Além de todos esses casos, o verbo turėti desempenha a função de auxiliar nas formas compostas do perfeito, que devem ser consideradas decalques do alemão (ver «Características morfológicas»).
Algumas palavras alemãs usadas em sentido figurado são traduzidas literalmente (por exemplo: Das war recht von ihnen), mas há também casos em que o tradutor apresenta um significado natural: Augenblickchen: biški ‘por pouco tempo, um pouco, por um instante’.
Por vezes, não é inteiramente claro se as correspondências com construções alemãs que ocorrem são próprias deste tradutor, uma característica linguística de toda a comunidade kursenieku ou resultado da influência do alemão sobre o letão. Por exemplo, o uso fraseológico de stāvet com o sentido de ‘dar-se bem, conviver’ (es thate besser um ihn stehen: but staw ejs ar wing labi = būtu stāvejs ar viņa (viņu) labi): cf. alemão stehen mit [...] ‘dar-se bem, entender-se’ e ar vieniem raden saietes, ar citiem – stāv naidā (EH II 574). Por vezes, parece até haver exagero, pois o original alemão não «pede» o verbo stāvet (sei so gut): staw tads laps = stāi (esi) tāds labs ‘sê tão bom’. A influência do alemão na fraseologia também admite interpretações distintas. No exemplo ihr dürft nicht solche Kindereien treiben!: jus ne turret tads niakus ziti = jūs neturēt tādus niekus dzīt ‘falar disparates, dizer tolices’, o uso de dzīt é próximo da fraseologia letã,
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cf. liv. de K. jokus džit ‘brincar’, porém o tradutor alemão de Kinderen não traduziu literalmente, mas encontrou o equivalente niekus.
CARACTERÍSTICAS SINTÁTICAS
É difícil avaliar as características sintáticas do texto da ficha, não só porque a sintaxe dos kursenieki foi pouco estudada, mas também porque, na fonte, as frases curtas foram traduzidas do alemão, e nem todos os falantes são capazes de dizer ou sabem como expressar o pensamento de uma língua estrangeira com os meios sintáticos próprios e habituais. Nas traduções, foi utilizada a informação de apenas um informante; por isso, nem todo fenômeno sintático incomum aqui encontrado deve ser considerado uma característica autêntica da língua de toda a comunidade.
Por outro lado, na segunda metade do século XIX, em toda a Alemanha passou-se a adotar o alemão como língua de ensino; os kursenieki estudavam com livros didáticos alemães e outros livros, por isso é provável que algumas características sintáticas da língua alemã já tivessem penetrado então também na sua fala. Sem pretender oferecer uma avaliação ou um estudo exaustivo, serão observadas aqui algumas das características sintáticas mais marcantes deste texto.
Construção da frase. A construção da maioria das frases traduzidas difere pouco da do original alemão, isto é, segue-se a ordem alemã tanto nas frases simples como nas compostas.
O que mais chama a atenção é a regra alemã de posição do predicado, evidente após a leitura de apenas algumas frases, mas especialmente perceptível quando ela viola a ordem lógica natural da própria língua: Was sitzen da für Vögelchen oben auf dem Mäuerchen? kas biž ti par pudeni aukšum us to murens = Kas sėž tie par puteni aukšum uz to (tā?) muren(e)s?, cf. liv. de K. kas par putnieni sėž tur augšā uz mūriša?, lit. kas par paukšteliai tupį ten aukštai ant mūrelio? Neste caso, kas par putneni constitui um sujeito indivisível, que na tradução foi separado do predicado e do adjunto.
Nas frases simples construídas com formas compostas, a cópula e o elemento nominal do predicado «classe» seguem as regras alemãs39: 15. eßi pagangs biž = esi pakaģis biž (de modo semelhante, 5, 28, 32, 33, 40); mesmo nos casos em que uma forma composta alemã é traduzida por uma forma simples, o predicado continua no fim da frase: Wem hat er die neue Geschichte erzählt? Kam wints tas jaunas paßas paßiga?; letão Kam viņš tās jaunas pasakas (pa)sacija?
Nas orações subordinadas compostas, o predicado fica quase sempre no final da oração subordinada (3, 9, 16, 17). Nessas frases também falta
39 Aqui e adiante são apresentados os números das frases, pelos quais é possível localizar os exemplos junto a.
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isto é, que a oração subordinada é introduzida sem conjunção: [...] sag Deiner Schwester, sie solle [...] nähən: [...] saki tava māsai, vingai tur [...] schuti = saki tava māsai, vīnai (vīna) tur [...] šūti; ich glaube, ich habe sie durchgelaufen: es domajo es eβu par daug parsikrējis = es domāju, esu par daug parsikrējis.
As orações compostas coordenadas e de tipo misto também reproduzem literalmente a ordem da oração alemã (4, 6, 14, 20, 31).
Também foram observados casos de inserção de conjunções: 20. [...] sie haben es aber selbst getan: winga ale pachi darė = vīna (vīni) ale paši darja.
O fato de que, em muitos casos, a ordem das palavras na oração não é natural também é demonstrado pela tradução das orações para o letão contemporâneo (ver o apêndice, tradução de Liene Markus-Narvila), em que a ordem das palavras costuma ser diferente.
As construções preposicionais alemãs também influenciaram as construções das orações traduzidas. Podem ser considerados exemplos dessa influência os casos em que os equivalentes das construções preposicionais nas línguas bálticas, especialmente no letão, são diferentes: gar aūbim = la. b. k. pa ausīm, für mich: par mani = par mani, la. tam, priekš manis; la. b. k. man; für eure Mutter: par sava māti = par sava māti, la. b. k. savai mātei; já mencionada utilização da preposição pic: pis maju = pic māju (la. b. k. mājās).
Outra dificuldade para os tradutores foram as negações, que em alemão são expressas pelas partículas nicht e kein, ao passo que nas línguas bálticas são necessárias no prefixo do verbo. Dos três casos na ficha, dois foram traduzidos segundo as regras próprias, enquanto em uma oração falta o prefixo de negação no verbo: habt ihr kein Stückchen [...]: wa jus neturat neviena stukla = va jus neturat neviena stukla; Hund thut Dir nichts: uns tevi nieka nedarēs = uns tevi nieka nedaris; mas: Ich will es auch nicht mehr wieder thun!: Es gribu ne mag to darte = Es (ne)gribu ne māg to darit.
Pode-se constatar que a sintaxe alemã restringiu consideravelmente o tema e a estrutura naturais das orações nas línguas bálticas, e que, na ficha, as orações traduzidas com ordem livre e equivalentes gramaticais próprios mal se encontram:
12. Wo gehst Du hin? Sollen wir mit Dir gehn? Kur tu īeti wa meβ ar tewi eβam? = Kur tu ieti, va mes ar tevi iesam? (não se segue a posição do predicado alemão).
29. Unsere Berge sind nicht sehr hoch, die euren sind viel höher: Muβu kalni nau tadi diži tā jūbu daug jo diži = Mūsu kalni nav tādi diži, tie jūsu daug jo diži (a cópula não é repetida).
30. [...] wieviel Brod wollt ihr haben?: kadus maizes jus gribat = kā daudze maizes jūs gribat? (a palavra haben não é traduzida).
7. ohne Salz und Pfeffer: bi šales ir bi piparu = be sales ir be piparu (a preposição é repetida).
Encontramos traduções mais naturais nos casos em que a expressão gramatical do alemão e das línguas bálticas é completamente diferente: 18. Hättest Du ihn gekannt!: Kad tu viņa but pazinis = kad tu viņa (viņu) būtu pazinis. De modo semelhante, «contorna-se a situação» quando uma oração impessoal alemã é substituída por uma pessoal: 22. Man muß laut schrein: eβ
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turru dizer que preciso = es turu dikti saukti. Parece que o tradutor terá «simplificado» também toda a construção legen geblieben na frase: 25. Der Schnee ist [...] bei uns liegen geblieben = Tas sniegs ir [...] pi mūsu pultais = Tas sniegs ir [...] pi mūsu palicis. Não fica muito claro por que, na frase 38, um dos predicados coordenados foi substituído por um adjunto de finalidade: sind [...] draufen auf dem Felde und mähen / haue: Tā laui ir šcodanin wibu lauku už to lauku plauti = Tie laži ir šodien visi lauku uz to lauku plauti.
Assim, a sintaxe será provavelmente a camada linguística do texto kursenieku mais afetada pela escolha do método, mas apenas uma análise linguística mais aprofundada de outras fontes, sobretudo de gravações de áudio, poderia responder à questão de como a língua quotidiana dos kursenieku foi realmente afetada pelo bilinguismo.
CONCLUSÕES
A ficha n.º 30084 do atlas de Wenker é um valioso documento escrito da língua kursenieku. Por meio dela, a língua kursenieku integrou um grande projeto de linguística europeia. Na ficha, a língua foi documentada tão bem quanto possível, adaptando criativamente caracteres alemães e lituanos a uma língua sem escrita. Depois de expor os princípios ortográficos e realizar a análise linguística do texto, pode-se constatar que a ficha de Nida foi redigida com cuidado e que a sua informação linguística reflete, em muitos casos, a língua autêntica da época. A comparação com os estudos da língua kursenieku realizados por linguistas profissionais (A. Bezzenberger e J. Plakis) mostrou que, na segunda metade do século XIX, do ponto de vista da dialetologia letã, a língua kursenieku ainda era um dialeto sistemático que testemunhava a origem de variedades dialetais heterogéneas. A ficha também reflete a interação entre línguas na península da Curlândia.
Na fonética são visíveis antigas características dos dialetos da Curlândia, bem como os resultados, na morfologia, da interação com os dialetos lituanos vizinhos (alterações fonéticas em certas formas), mas a influência do alemão é relativamente pequena (por exemplo, ainda se observam diferenças letãs na palatalização do l final, pois o processo de redução das terminações não havia começado). Na morfologia também há vestígios arcaicos dos dialetos da Curlândia (paradigmas de declinação relativamente claros, formas antigas preservadas de casos nominais e de graus dos adjetivos, formas do modo condicional ainda não consolidadas, atestação de uma forma de tema em ē do pretérito verbal, preposições usadas com vários casos do plural); ao mesmo tempo, nota-se a influência do lituano (terminações pronominais, uso do verbo tureti + inf. etc.) e o início da influência do alemão, que se manifesta no uso de sintagmas preposicionais e de formas verbais compostas. Contudo, nem em todos os casos a influência do alemão deve ser considerada uma característica do dialeto — por exemplo, parece que o uso dos pronomes tas, ta ou do verbo tureti em formas compostas
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deve ser avaliado como uma deficiência da tradução. No léxico, a par de palavras antigas da Curlândia e de processos de formação de palavras, constatou-se uma influência marcante do lituano, sobretudo do dialeto vizinho da Samogícia, de onde os kursenieku adotaram palavras não só de origem lituana, mas também alemã e eslava; além disso, algumas palavras bálticas comuns passaram a ser usadas com sentidos lituanos. A influência direta do alemão no léxico não deve ser considerada, em todos os casos, uma característica autêntica da língua kursenieku, pois fontes posteriores não confirmam certas palavras ou aceções. É provável que parte dos germanismos lexicais e semânticos deste texto tenha surgido devido à tradução literal. Algumas correspondências com equivalentes alemães são difíceis de interpretar, pois fenómenos semelhantes também ocorrem na língua letã. Isso aplica-se sobretudo à sintaxe. A maioria das frases traduzidas reproduz literalmente a construção da frase original alemã, que muitas vezes é estranha às línguas bálticas e, por vezes, torna a frase difícil de compreender. Contudo, há exceções: encontram-se correspondências sintáticas habituais e naturais, e o pensamento é expresso com maior liberdade.
Devido ao método de inquérito escolhido (a tradução), a influência do alemão na língua kursenieku nesta fonte deve ser avaliada com cautela, pois, quando se utiliza este método, seguir literalmente o original é quase inevitável.
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Ozola Ieva 2007: Gramatisās īpatnības un to pārmaiņas rucavnieku valodā. – Rucavā, tur Pauropē... Etnogrāfija, folklora, valoda. Liepāja: LiePA, 379–400.
Ozola Ieva 2009: Vajadzības modalitāte Lieksūzemē: par kādu reti dzirdamu konstrukciju. – Vārds un tā pētīšanas aspekti 13(1). Liepāja: LiePA, 292–297.
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Pallas Peter Simon 1786: Linguarum totius orbis vocabularia comparativa. Pars Prior. Petropoli, Typis Iohannis Caroli Schoor, MDCCLXXVI.
Paula Lizete 1926: Īvandes izloksne. – Filologu biedrības raksti 6, 48–63.
Pietsch Richard 1983: Fischerleben auf der Kurischen Nehrung. Berlin: Camen.
Pietsch Richard 1991: Deutsch-kurisches Wörterbuch. – Schriftenreihe Nordost-Archiv 33. Lüneburg: Nordostdeutsches Kulturwerk.
Plāķis Juris 1927: Kursenieku valoda. Latvijas Universitātes raksti 16. Rīgā: Valstspapīru spiestuvē.
Schiller Christiane 2014: Kuronismen im Halleschen sog. Richter-Wörterbuch. – Res Humanariae 15, 105–114.
Schiller Christiane, Kiselinaitė Dalia 2015: Ein kuronisch-kurischer Text im Forschungszentrum Deutscher Sprachatlas in Marburg. Das Blatt Niden 3008. – Archiv Lithuanicum 17, 443–466.
Šmite Tekla 1928: Sarkanmūžas pagasta izloksne. – Filologu biedrības raksti 8, 108–134.
Zemzare Daina 1961: Latviešu vārdnīcas (līdz 1900. gadam). Rīga: Latvijas PSR Zinātņu Akadēmijas izdevniecība.
Казанкене Банда 2013: Материалы балтийских языков в словаре Петра Симона Паласа. – Материалы семнадцати чтений памяти И. М. Тронского «Индоевропейское языкознание и классическая филология – XVII». СПб: Наука.
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PRIEDAS
DSA KORTELĖS
NR. 30084 TRANSKRIPCIJA
1 PUSĖ1
1. Siāma lȧts βaũβas lapas is gaisa apkarti. Ziemā lec sausas lapas is gaisa apkārti. Ziemā lec (ido) sausas lapas gaisa apkārt.2 1. Im Winter fliegen die trocknen Blätter durch die Luft herum.
2. Wel jau prada snkti, tad bus3 gaibas vel laps. Vēl jau prad4 snigti, tad būs gaisas vel labs. Atkal sāk snigt, tad būs laiks atkal labs. 2. Es hört gleich auf zu schneien, dann wird das Wetter wieder besser.
3. Līts Uoglis is krãnis, kad tas piens grāti sawirti tur. Liec ogles iš krānes, kad tas piens greti sas(i)virti tur. Liec ogles ikš krāns, kad tas piens āri vārītos.5 3. Thu Kohlen in den Ofen, daß die Milch bald an zu kochen fängt.
4. Tas labaiš wetaiš wiem ir ar sirgu is ledus ākritis ir ista auksta udin-gi krittis. Tas labāš vecāš vīrs ir ar zīgu is ledus iekritis ir is tā auksta udēna kritis. Tas labāš vecāš vīrs ir ar zīgu ikš ledus (ledū) iekritis (ielūzis) un ikš tā auksta udēna (aukstaja udeni) (ie)kritis. 4. Der gute alte Mann ist mit dem Pferde durch’s Eis gebrochen und in das kalte Wasser gefallen.
5. Wintsch ir präksch schetturri arba schiescho niedelio mières. Viņš ir priekš četru arba (va) šešu nedēļu miris.
1 Antrosios pusės, užpildytos vokiškai, perrašė žr. Schiller, Kiseliūnaitė 2015.
2 Ziemā gaisa īdo sausas lapas.
3 3 a. galūne ū yra klaida.
4 Vertimo klaida, turi būti ‘liaus, baigs’.
5 Liec ogles krāsni, lai piens ātrāk sāktu vārīties.
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Viņš ir piekš (pirms) četrām vai sešām nedēļām miris.6 5. Er ist vor vier oder sechs Wochen gestorben.
6. Tā ugni bi par karta, tē koki ir apakša gauz meli sageuši. Tā ugne bi(a) par karta, tē kuoki ir apā ganč meli sageuši. Tā uguns bija par karta, tie pragi ir apakš gan (loči) meli (melni) sageuši.7 6. Das Feuer war zu stark/heiß, die Kuchen sind ja unten ganz schwarz gebrannt.
7. Wintsch iäd tos kiauschis wis pradim bi ßales ir bi piparu. Vinš ēd tos kaušus vis pradem be sāles ir be piparu. Vinš ēd tos kaušus (olas) vienmēr bez sāls un bez pipariem. 7. Er ißt die Eier immer ohne Salz und Pfeffer.
8. Tas kàjas man pardaug ßap, es domajo es eßu par daug parsikreijis. Tàs kàjas man par daug sāp, es domàju, es esu par daug parsikreijis. Tàs kàjas man par daug (daudz) sāp, es domàju, es esu (esmu) par daug (daudz) skrēis. 8. Die Füße thun mir sehr weh, ich glaube, ich habe sie durchgelaufen.
9. Es eßu pi tas sevos bijis und es wingu sacegu und winga sacega, winga gribeja savo mait satseta8. Es esu pi tas sievas bijis und es viņu9 saciju und viņa sacija, viņa gribeja sa-vo meita(i) saci. Es esu (esmu) pie tās sievas (sievietes) bijis un es viņu (viņai) (to) saciju un viņa sacija, (ka) viņa gribēja sava meitai sacīt. 9. Ich bin bei der Frau gewesen und habe es ihr gesagt, und sie sagte, sie wollte es auch ihrer Tochter sagen.
10. Es gribu ne mag to darte. Es gribu ne māg to date. Es (ne)gribu mag (nemaz) to darīt.
6 Viņš ir miris pirms četrām vai sešām nedēļām.
7 Uguns bija par karstu, pīrāgi apakšā ir sadeguši pavisam melni.
8 Dēļ -ti redukcijas gali būt ne visai tiksliai atstatytas balsis.
9 Klaida, greičiausiai dėl redukcijos neteisingai užrašyta dat. galūnė, turi būti viņai.
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10. Ich will es auch nicht mehr wieder10 tun!
11. Es sicha tewe tuja ar to wedamo = leppili gar ausim, tu beschān11.
Es sīšu tevi tuja ar tuo wedamu lepili gar ausim (-im?), tu bedzān. Es sīšu tevi tult ar to vāram karoti gar ausim, tu pertiķi12.
11. Ich schlage Dich gleich mit dem Kochlöffel um die Ohren, Du Affe!
12. Kur tu iēti wa meß ar tewi eßam? Kur tu ieti, va mes ar tevi iesam? Kur tu ej, vai mēs ar tevi iesam (iesim)?
12. Wo gehst Du hin? Sollen wir mit Dir gehn?
13. Nu ir slekti laiki. Nu ir slekti laiki. Nu ir slekti laiki.
13. Es sind schlechte Zeiten.
14. Mana mālaisch vaikili, pald13 schischi sēmui staved14, tas piktas soasis koasch tewi pi smerishes15.
Mana mielā16 vaikili, paliec šīi zemū stāvet, tas piktas zuosis (-es?) kuōz tevi pi smer(i)ča.
Mans mīlais bērniņ, paliec te apakšā stāvet, tās piktas zosīs kož tevi līdz nāvei.17
14. Mein liebes Kind, bleib hier unten stehn, die bösen Gänse beißen Dich todt (dt. zu Tode).
15. Tu ebi schoadin wibu daugummu mazis und ebi pakagins bijs, tu wari jo āgni18 pis maju iāt kad tā ziti.
10 Kursinakai vok. k. nicht mehr wieder su veiksmāždžiu paprastai atliepia morfologine forma nibi- < lie. nebe-: es nibėriau ‘aš nebenoriu’, plg. la. b. k. vairs nebrū.
11 Rankraštyje matyti ā (su diakritiku).
12 Es sīšu tevi ar pavāņu pa ausīm, tu pertiķi!
13 Greičiausiai klaida, turėtų būti c.
14 Klaida, inf. turi būti t.
15 Subraukta, atstatyta s pagal sistemą pi su gen.
16 Plg. mīļš, -a (Plāķis 1927: 68).
17 Mans mīlais bērniņ, paliec te apakšā stāvet, tās niknās zosis nokos tevi līdz nāvei.
18 ā greičiausiai klaida vietoje a.
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Tu esi šiōdien visų daugumų māčijis und esi pakajīgs bijis, tu vari jo ag(i)ri pic māju iet ka(d) tie citi.
Tu esi šiōdien visvairāk māčijis un esi pieklājīgs (miēgs) bijis, tu vari jo agr(i) (agrāk) mājas iet (ne)kā tie citi.19
15. Du hat heute am meisten gelernt und bist arg gewesen, Du darßt früher nach Hause gehn als die Andern.
16. Tu dar ne ēbi par didžu gana wiāno būdelki20 winā izdēti, tu turi dar biški augti ir jo dižs būt.
Tu dar nesī par didžu gana vienu būdelki vnā izdēti, tu turi dar biški augti ir jo dižs būt.
Tu vēl neesi gana dižs (iels) (vienu) pudeli vīna izdzert, tev vēl bišķi (mazliet) jāaug un lielākam jākļūst21.
16. Du bist noch nicht groß genug, um eine Flasche Wein auszutrinken, Du mußt erst noch ein End/etwas wachsen und größer werden.
17. Ei und stāve tās labs und saki tava māsa, viņai tur tās dranas par sawa mati gatavas šuti und ar Bāršču czijti pataisit.
Ej und stāvi (esi) tās labs und saki tava māsai, viņai22 tur tās drānas par sava mati gatavas šūti und ar bērtu čišti pataisit.
Ej un stāvi (esi) tās labs un saki tava (tavai) māsai, viņai tās drānas priekš savas mātes ir gatavas jāuzšuj un ar birsti jāiztīra.23
17. Geh, sei so gut und sag Deiner Schwester, sie sollte die Kleider für eure Mutter fertig nähen und mit der Bürste rein machen.
18. Kad tu vīna būtu pazinis, būtu citādi nācis un būtu stāvējis ar viņa labā24.
Kad tu viņa (viņu) būt(u) pazinis, būt(u) citādi nācis und būt(u) stāvējis ar viņa (viņu) labā.
Kad tu viņu būtu pazinis, būtu citādi iznācis un būtu stāvējis ar viņu labā.25
19 Tu esi šiōdien visvairāk māčijis un esi bijis pieklājīgs (miēgs), tu vari iet mājās agrāk nekā citi.
20 ū su diakritiku yra užrašytojo klaida, nes po to einanti germanų dd turi reikšti trumpą balsį.
21 Tu vēl neesi gana liels, (lai) vienu pudeli vīna izdzertu, tev vēl mazliet jāpieaug.
22 Dat. forma čā neregulāri: jeigu reikamybė reiškiama su turėt, vartojamas nom. formos.
23 Ej un esi tik labs, un saki savai māsai, ka viņai ir apģērbs savai mātei jāuzšuj un jāiztīra.
24 Rankraštyje raidė a išbraukta.
25 Ja tu viņu būtu pazinis, būtu citādāk bijis, (tu) būtu labi ar viņu satics.
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18. Hättest Du ihn gekannt! dann wäre es anders gekommen, und es täte besser um ihn stehen.
19. Kas tur mane kozi ar galiu pab̃dis?
Kas tur maną kuoci ar galų padzis?
Kas ir manų koci (grou) ar galų padzis?26
19. Wer hat mir meinen Korb mit Fleisch gestohlen?
20. Winsch darė tą jaunas pabkes pabziga27 kad wingi butu drėschali pas-tellajusch, winga ale paschi darie.
Viñs darija tą, kad viñ butu drėeli pastelauši, viñ ale paši darija.
Viñs darija tą, ka viñ butu kūleju pastelejuši (pasūtijuši), bet viñ (to) paši darija.
20 Er hat so, als hätten sie ihn zum Dreschen bestellt; sie haben es aber selbst gethan.
21. Kam winsch tas jaunas pabkes pabziga.
Kam viñs tas jaunas pasakas pascija?
Kam viñs tās jaunas pasakas pascija (stāstija)?28
21 Wem hat er die neue Geschichte erzählt?
22. Eβ turu dikti sakti cha winsch numis29 nepamane.
Es turu dikti sakti, šā viñs mumis nepamane.
Es turu (man ir) dikti (skali) saukt, citādi viñs mumis (mūs) nesaprot.30
22 Man muß laut schreien, sonst versteht er uns nicht.
23. Męβ ębam pa wargusch und turam sląpum.
Mes esam pavarguši(i) un turam sląpum.
Mēs esam pavārguši un turam (mums ir) slāpes31.
23. Wir sind müde und haben Durst.
26 Kurš ir man gals grozu nozadzis?
27 Rankraštyje išbraukta; matyt, per klaidą buvo įrašytas fragmentas iš kito sakinio, žr. toliau.
28 Kuram viñs tās jaunās pasakas stāstīja?
29 Klaida, turi būti mumis (Plaķis 1927: 26).
30 Man ir ļoti skali jāsauc, citādi viņš mūs nesaprot.
31 Mēs esam pavārguši un izslāpuši.
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24. Kad mäß wacker wacker pargajem, ta gullejo ta zitti jau gultā und bija fasti iāmegusch.
Kad mēs vakar vakar(ā?) pārgājam, ta guleja tie (?) citi jau gultā und bija fasti (cieti) iemiguš(i).
Kad mēs vakar vakarā pārgājām, tad tie citi jau gulēja gultā un bija cieti iemiguši.32
24 Als wir gestern Abend zurück kamen, da lagen die Andern schon zu Bett und waren fest am schlafen.
25. Tas sniäks ir scho nakti pi muḷbu pulātzis33 ale scho rit ir wintsch satirpis.
Tas sniegs ir šo nakti pi mūsu palicis, ale šopit ir viņš satirpis.
Tas sniegs ir šo nakti pie mūsu (pie mums) palicis, bet šorīt viņš ir satirpis (izkusis).34
25. Der Schnee ist diese Nacht bei uns liegen geblieben, aber heute Morgen ist er geschmolzen.
26. As muḷbu namma stav trīs puiki ābole koaki ar sarkanis abolennis.
Az mūsu nama stāv trīs puiki ābol(1?)a (-u?) kuoki ar sarkanis ābuolenis.
A(i)z mūsu nama stāv trīs puiki (skaisti) ābolu koki ar sarkanis ābolēnis (ar sarkaniem āboliem).35
26. Hinter unserm Hause stehen drei schöne Apfelbäumchen mit rothen Aepfelchen.
27. Wa jus newaret wieno bischki uʃmumīs gaidetti tad mēs iäbam ar jums.
Vai jūs nevarat (nevarētu?) vienu biški uz mums gaideti, tad mēs iesam ar jums.
Vai jūs nevarat (nevarētu?) bišķi uz mums (mūs) (pa)gaidīt, tad mēs iesim ar jums.
27. Könnt ihr nicht noch ein Augenblickchen auf uns warten, dann gehn wir mit euch.
28. Ius ne turret taddus36 niäkus ziti.
32 Kad mēs vakar vakarā pārnācām, tad tie citi jau bija gultā un bija cieti iemiguši.
33 Priēsdēlejie greičiausiai korektūros klaida.
34 Sniegs ir šonakt pie mums saglabājies, bet no rīta tas ir nokusis.
35 Aiz mūsu nama stāv trīs skaistas ābeles ar sarkaniem ābolīšiem.
36 Mažai tikėtina, kad tads būtų su trumpuoju, tačiau du kartus parašyta geminata dd (žr. Nr. 29), leidžia spėti, kad gali būti ir ne klaida.
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Jūs neturat tādus niekus dzī̄t. Jūs nedrīkstat tādus niekus dzīt. 28. Ihr dürft nicht solche Kindereien treiben!
29. Mußu kalni nau tādi diži tiā juḅu daug jo diži. Mūsu kalni nav tādi diži, tie jūsu daug juo diži. Mūsu kalni nav tādi lieli, tie jūsu (ir) daudz lielāki. 29. Unsere Berge sind nicht sehr hoch, die euren sind viel höher.
30. Ziäk schwarru wurschu ir kadauds maīes jus gribat. Ciek svaru (švaru?) wuršku ir kā daudź maizes jūs gribat? Cik svaru desas un cik (daudz) maizes jūs gribat? 30. Wieviel Pfund Wurst und wieviel Brod wollt ihr haben?
31. Es neparmanu jummies jus turrat wienu bischki dikti satziti. Es neparmanu jumis, jūs turat (vienu) bišķi dikti saciti. Es jumis nesaprotu, jums bišķi (mazliet) diktak (skaļak) jāsaka.37 31. Ich verstehe euch nicht, ihr müßt ein bißchen lauter sprechen.
32. Wa jus neturrat newiena stukkila baltu Žȩpu par manni us manna galdu raduschi. Va jūs neturat (neesat) neviena stukiļa baltu ziepu par mani uz mana galdu (galda?) raduši? Vai jūs neturat (neesat) nevienu gabaliņu baltu ziepju priekš manis uz mana galda atraduši?38 32. Habt ihr kein Stückchen weiße Seife für mich auf meinem Tische gefunden?
33. Winga bralis gribb dui puikus jaunus namm us is muḅu darźa39 būdawati. Viņa brālis grib dui puikus jaunus namus is mūsu darza būdavati. Viņa brālis grib dui (divus) puikus (skaistus) jaunus namus mūsu dārzā būvēt. 33. Sein Bruder will sich zwei schöne neue Häuser in eurem Garten bauen.
34. Tas warts nazi wingam nußirdis. Tas vards nāce viņam nu(o) sirdes.
37 Es jūs nesaprotu, jums jārunā mazliet skaļāk.
38 Vai jūs neesat nevienu baltu ziepju gabaliņu uz mana galda man atraduši?
39 Tikriausiai ž yra rašybos klaida, nes latvišką darzs kuršininkai vartoja iki šių dienų.
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Tas vārds nāca viņam no sirds.
34. Das Wort kam ihm von Herzen!
35. Tas biji labi no winga.
Tas bija labi nuo viņu40.
Tas bija labi no viņiem41.
35. Das war recht von ihnen!
36. Kas Bǟž ti par pudnenni aukschum us to murenns.
Kas sēž tie par putneni aukšum uz tuo muren(e)s42?
Kas sēž tur par putniniem aukšum (aukšā) uz mūr(en)a?43
36. Was sitzen da für Vögelchen oben auf dem Mäuerchen?
37. Tā būri tur piätzus wirzchus und dewinges goawes und dewìlika awennu priäksh ta dziāma advādušchu tos wingi gribbeja parduati.
Tie būri tur piecus vēršus und deviņas goves und dvìlika avenu priekš ta ciema atwedušu44, tuos viņi gribēja parduoti.
Tie zemnieki ir piecus vēršus un deviņas goves (govis) un divpadsmit aitiņas priekš tā ciema atveduši, tos viņi gribēja pārdot.45
37. Die Bauern hatten fünf Ochsen und neun Kühe und zwölf Schäfchen vor das Dorf gebracht, die wollten sie verkaufen.
38. Tā ļauži ir schoadinni wißu46 lauku uß to lauku pliauti.
Tie ļauži (ļauži) ir šodien visi lauku uz to lauku plauti.
Tie ļauži (ļaudis) ir šodien visi ārā uz lauka pļaut47.
38. Die Leute sind heute alle draußen auf dem Felde und mähen/hauen.
39. Ei nu tas brūnaisch suns tewi niēka nedarres.
Ej nu, tas brūnais suns tevi nieka nedaris.
40 Vokiškas sakinys rodo daugiskaitą.
41 No viņu puses tas bija labi / taisnīgi (darīts).
42 Su –en– nuo muris (Plāķis 1927: 68), la. b. k. mūris, tačiau neaiškus vedinio linksniavimo tipas.
43 Kas par putniņiem sēž tur augšā uz mūriša?
44 Greičiausiai klaida, turėtų būti atveduši.
45 Zemnieki atveda pie ciema piecus vēršus un deviņas govis, un divpadsmit aitiņas, tos viņi gribēja pārdot.
46 Galbūt klaida: turėtų būti visi (lauži).
47 Tie ļaudis ir šodien visi ārā uz lauka pļaut.
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Ej nu, tas brūnais suns tev nekā nedarīs.
39. Geh nur, der braune Hund thut Dir nichts.
40. Es eßu ar tes ļaužis tiä pakaļļa par pliawam iß graudu iäjajiß. Es esu ar ties ļaužis (laužis) tie pakaļā par pļavam(s) is graudu iejājis. Es esmu ar ties ļaužis (tiem ļaudīm) tur pakaļā par pļavām graudos iejājis (iebraucis?).48
40. Ich bin mit den Leuten da hinten über die Wiese ins Korn gefahren.
48 Es esmu ar tiem ļaudīm pāri pļavām graudu laukā iebraucis.
Language Analysis of Nida Questionnaire № 30084 in the Archive of the Linguistic Atlas of Germany at the Phillips University, Marburg
S U M M A R Y
The article presents a written source of the Kursenieku language - Card No. 30084 (Nida/Nidden) from Deutscher Sprachatlas (DSA) launched by Georg Wenker. The linguistic analysis led to the following conclusions:
The Nida card is carefully written, and its linguistic information in many cases reflects the authenticity of the language. The comparison with the research by professional linguists (Bezzenberger and Plakis) showed that in the nineteenth century the Kursenieku language was still a systematic geolect derived from a heterogeneous dialectal basis. The card also reflects the interaction of languages in the Curonian Spit.
Phonetic features reflect the dialects of Courland and the results of interaction with the neighbouring Lithuanian dialects in terms of phonomorphology and a relatively insignificant influence of the German language.
Morphology also contains archaic features of the dialects of Courland (the manifested declension paradigms, the old flections of nouns and the grades of adjectives, the preserved
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preterit forms of verbs, prepositions with plural forms). At the same time, the influence of the Lithuanian language (pronoun flections, verb tureti + inf., etc.) and the beginning of the influence of the German language, which manifests itself in the use of prepositions and compound verb forms, is observed. However, the effect of the German language cannot always be regarded as a dialect feature – for example, the often-repetitive use of tas, or the verb tureti in compound verb forms looks more like a fault of translation.
In the lexis there is a strong Lithuanian influence, especially from the neighbouring Samogitian dialects, next to the lexis inherited from Courland. The Kursenieki also adopted German and Slavic lexemes from Western Lithuanian dialects, and some common Baltic words absorbed the Lithuanian meaning. The direct influence of the German language on lexis is not always considered to be an authentic feature of the Kursenieku language, since some words or their meanings are not confirmed by later sources; a part of lexical and semantic Germanisms in the text arose due to literal translation. Some similarities with German language equivalents are not easy to interpret, because analogical features can be found in Latvian. This makes the determination of the time of their occurrence in the Curonian Spit difficult.
This is most applicable to syntax. Most of the translated sentences literally repeat the construction of the German original sentence, which is often not typical of the Baltic languages and sometimes makes the sentence hard to understand. However, there are exceptions – some natural, creative syntactic equivalents are found.
Due to the chosen method of language documentation (translation), the effect of German on the Kursenieku language in the 19th century should be carefully considered in this source, because the use of this method makes the literal transfer of the original almost inevitable.
Įteikta 2018 m. birželio 8 d.
DALIA KISELIŪNAITĖ
Lietuvių kalbos institutas
Petro Vileišio g. 5, LT-10308 Vilnius, Lietuva
[email protected]
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