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A importância da dança na escola e seu significado social e cultural na formação educacional

Martins, Aline Augusta Coelho

Abstract

A dança como instrumento didático / pedagógico e através do processo de ensino-aprendizagem pode ser utilizada para aumentar o potencial dos alunos. Este estudo pretende refletir sobre a importância da dança no espaço escolar como meio de socialização na formação de cidadãos críticos, participativos e responsáveis, tornando o aluno protagonista das suas próprias ações. A dança como experiência permitirá aos alunos utilizarem novas formas de expressão e comunicação para orientá-los na descoberta da sua própria linguagem corporal, o que irá auxiliar no processo de ensino. Como educador, devemos adotar uma postura comprometida, na construção de uma prática pedagógica que dê mais atenção à realidade e potencialidades de cada indivíduo, com atitude consciente e educativa, para orientar o sujeito a participar, criar, recriar e transformar a sua realidade. A pesquisa proposta neste trabalho concentra-se na cidade de Marituba junto aos alunos e ex alunos/membros do Grupo de Dança D’Ávila Dance existente na escola de mesmo nome. Além do grupo, alguns funcionários também estiveram presentes em determinados dias da ação. O estudo, pretende-se investigar através da dança típica da região norte do Estado do Pará o “carimbó”, a qual possui origem na fusão entre as cultura negra, indígena e portuguesa (Gabay,2010), que proporcionaram aos alunos a construção de sua identidade individual e valorização cultural e social. Além disto, procuramos reconhecer e valorizar o que pensam os alunos e professores sobre a dança como um componente educacional da cultura escolar, pois acreditamos que a educação através da dança é fundamental e poderá ter um lugar próprio no currículo escolar. Visa-se que os alunos compreendam o significado da dança e o seu potencial educativo, ou seja, como elemento de comunicação, arte e cultura na educação escolar.

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Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais Aline Augusta Coelho Martins A importância da dança na escola e seu significado social e cultural na formação educacional dezembro de 2021 UMinho|2021 Aline Augusta Coelho Martins A importância da dança na escola e seu significado social e cultural na formação educacional Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais Aline Augusta Coelho Martins A importância da dança na escola e seu significado social e cultural na formação educacional Projeto de Intervenção e Relatório Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura Trabalho efetuado sob a orientação da Prof. Doutora Helena Pires dezembro de 2021 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND h tt p s:/ / crea t ive c o mm on s .org / licen s es / by - nc - n d/ 4.0/ iii Agradecimento Deus mais uma vez me deu forças para enfrentar os desafios... Gratidão ao meu Deus por me capacitar e conceder esta vitória, eu sei que vou mais longe ao seu lado, toda honra e glória são para Ti Senhor, reconheço que sem a Tua presença eu não teria conseguido. Agradeço ao meu noivo Bruce Macêdo , pois, ele foi canal de Deus para que eu pudesse realizar este sonho e mesmo na sua ausência, tenho certeza, estava torcendo por mim. Meu imenso agradecimento à minha orientadora Helena Pires , a qual foi incansável e paciente sempre que a procurei para conversar, obrigada pela confiança, obrigada por ter aceitado ser minha orientadora... Grata por todos os teus conselhos e ensinamentos, sua contribuição foi fundamental para o meu progresso acadêmico. À Universidade do Minho, professores e funcionários em especial a funcionária Conceição Antunes e a professora Emília Rodrigues , quero agradecer por me receberem de braços abertos e me proporcionaram todas as condições para dias de estudos muito ricos. Quero agradecer e dedicar este relatório a minha família: aos meus pais Antônio e Raimunda , pois, sempre me incentivaram e renunciaram seus sonhos para que eu pudesse realizar os meus, aos meus irmãos, Alessandra , Adriana e Augusto que muitas vezes ouviram minhas aflições e não me deixaram desistir, aos meus sobrinhos que nos dias difíceis me encheram de amor e carinho, deste modo, impulsionando a seguir até o fim, ao meu cunhado Elves que esteve em prontidão em me ajudar na formatação gráfica, ao meu padrinho César que sempre me apoio e contribuiu para minha formação pessoal e profissional. Aproveito este parágrafo para agradecer aos grandes amigos: Cristiano, Dany e Suzi, obrigada pelos abraços reconfortantes. Gratidão ao meu amigo Padre Thieber, pois, sempre esteve em prontidão em colaborar com este projeto. iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mas declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universida de do Minho. v Resumo A dança como instrumento didático / pedagógico e através do processo de ensino-aprendizagem pode ser utilizada para aumentar o potencial dos alunos. Este estudo pretende refletir sobre a importância da dança no espaço escolar como meio de socialização na formação de cidadãos críticos, participativos e responsáveis, tornando o aluno protagonista das suas próprias ações. A dança como experiência permitirá aos alunos utilizarem novas formas de expressão e comunicação para orientá-los na descoberta da sua própria linguagem corporal, o que irá auxiliar no processo de ensino. Como educador, devemos adotar uma postura comprometida, na construção de uma prática pedagógica que dê mais atenção à realidade e potencialidades de cada indivíduo, com atitude consciente e educativa, para orientar o sujeito a participar, criar, recriar e transformar a sua realidade. A pesquisa proposta neste trabalho concentra-se na cidade de Marituba junto aos alunos e ex alunos/membros do Grupo de Dança D’Ávila Dance existente na escola de mesmo nome. Além do grupo, alguns funcionários também estiveram presentes em determinados dias da ação. O estudo, pretendese investigar através da dança típica da região norte do Estado do Pará o “carimbó”, a qual possui origem na fusão entre as cultura negra, indígena e portuguesa (Gabay,2010), que proporcionaram aos alunos a construção de sua identidade individual e valorização cultural e social. Além disto, procuramos reconhecer e valorizar o que pensam os alunos e professores sobre a dança como um componente educacional da cultura escolar, pois acreditamos que a educação através da dança é fundamental e poderá ter um lugar próprio no currículo escolar. Visa-se que os alunos compreendam o significado da dança e o seu potencial educativo, ou seja, como elemento de comunicação, arte e cultura na educação escolar. Palavras-chaves : Carimbó; Dança; Ensino-aprendizagem; Formação educacional; Valorização cultural e social. vi Summary Dance as a didactic / pedagogical instrument and through the teaching-learning process can be used to increase the potential of students. This study intends to reflect on the importance of dance in the school space as a means of socialization in the formation of critical, participative and responsible citizens, making the student the protagonist of their own actions. Dance as an experience will allow students to use new forms of expression and communication to guide them in discovering their own body language, which will help in the teaching process. As an educator, we must adopt a committed posture, in the construction of a pedagogical practice that pays more attention to the reality and potential of each individual, with a conscious and educational attitude, to guide the subject to participate, create, recreate and transform their reality. The research proposed in this work focuses on the city of Marituba with students and former students/members of the D’Ávila Dance Dance Group existing at the school with the same name. In addition to the group, some employees were also present on certain days of the action. The study intends to investigate through the typical dance of the northern region of the State of Pará, the “carimbó”, which has its origin in the fusion between black, indigenous and Portuguese cultures (Gabay,2010), which provided students with the construction of their individual identity and cultural and social value. Furthermore, we seek to recognize and value what students and teachers think about dance as an educational component of school culture, as we believe that education through dance is fundamental and can have its own place in the school curriculum. It is intended that students understand the meaning of dance and its educational potential, that is, as an element of communication, art and culture in school education. Keywords : Carimbó; Dance; Teaching-learning; Educational background; Cultural and social enhancement. vii ÍNDICE INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................... 1 CAPÍTULO 1: QUESTÕES DE PESQUISA ........................................................................................... 4 1.1. QUESTÃO DE PARTIDA .............................................................................................................. 5 1.2. OBJETIVOS A ATINGIR ............................................................................................................... 6 CAPÍTULO 2: ENQUADRAMENTO TEÓRICO ..................................................................................... 7 2.1O DESENVOLVIMENTO DO PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM. ............................................ 7 2.2 ARTE E EDUCAÇÃO .................................................................................................................. 9 2.2.1. O QUE É ARTE? .............................................................................................................9 2.2.2. A ARTE COMO ESCASSEZ ................................................................................................ 10 2.3O DESENVOLVIMENTO DA DANÇA COMO UM PROCESSO DE APRENDIZAGEM DEFRONTE DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO .................................................................................................................... 11 2.3.1HISTÓRIA DA DANÇA .................................................................................................................. 11 2.3.2A DANÇA ............................................................................................................................. 13 2.3.3 - DANÇA NO ESPAÇO ESCOLAR: SUA HISTÓRIA E SEU ENVOLVIMENTO NO ENSINO ................... 15 2.3.4CONTRIBUIÇÕES DA DANÇA ...................................................................................................... 21 2.4A DANÇA DO CARIMBÓ DO ESTADO DO PARÁ .......................................................................... 24 2.4.1CONTRIBUIÇÃO DA DANÇA FOLCLÓRICA PARA A EDUCAÇÃO .................................................... 25 CAPITULO 3: A PESQUISA DE CAMPO-PERCURSO METODOLÓGICO ........................................... 27 3.1 CONTEXTO E UNIVERSO DA INTERVENÇÃO ................................................................................... 27 3.2PESQUISA E INTERVENÇÃO .......................................................................................................... 27 3.3 - LÓCUS E SUJEITOS DA INTERVENÇÃO-AÇÃO ............................................................................... 29 3.4O PROGRAMA DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA............................................................................. 29 3.5DESCRIÇÃO DA INTERVENÇÃO ..................................................................................................... 34 1º MOMENTO: APRESENTAÇÃO DO PROJETO E INICIAÇÃO DAS OFICINAS TEÓRICAS SEGUIDAS DE PRÁTICAS: .............................................................................................................................................. 35 2º MOMENTO – OFICINA DE DANÇA AFRO-BRASILEIRA ............................................................................ 36 3º MOMENTO - OFICINA DE DANÇA INDÍGENA ......................................................................................... 38 4º MOMENTO - OFICINA DE DANÇA EUROPEIA ........................................................................................ 40 2ª PARTE1º MOMENTO: OFICINA DE CARIMBÓ ...................................................................................... 43 questões básicas a serem compreendidas e reveladas durante o ato de dançar. Nesse sentido, esta pesquisa se justifica por entender a importância da dança como um processo educativo e formativo, destacando o treinamento crítico e estético por meio de apresentações e oficinas de dança, com o desafio de reconhecer, expandir, qualificar e problematizar o ensino de dança na escola. 1.1. QUESTÃO DE PARTIDA Em vista do exposto, fazemos a seguinte pergunta: será que a dança poderá contribuir para o desenvolvimento motor, cultural e social dos alunos? Na perspectiva de Batalha (2004), o ensino da dança deve abordar as interações motoras, cognitivas, emocionais, culturais e sociais dos alunos, e o processo de ensino é tão importante quanto o produto que é finalmente exibido ao público. A autora enfatiza o processamento especial de dispositivos psicomotores, o que aumenta o valor da arte, principalmente a dança. É uma linguagem relacional, principalmente no nível das relações interpessoais, como indicador da cultura humana e do comportamento social. Por sua vez, o ensino desta forma de arte se concentra na criatividade, sentimento e comunicação. Além disso, autora define a dança: é criar de forma original, “comunicar intencionalmente, impressionar artisticamente, observar contemplativamente e criticar fundamentadamente” (Batalha, 2004, p.22). No entanto, a autora adverte que o mais importante não é ensinar o conceito de movimento, mas fazer com que os alunos os descubram e saibam como recriálo. O papel da dança na educação também é ajudar os alunos a se conscientizarem de sua própria vida. A dança pode, portanto, ajudar a desenvolver habilidades nas áreas: motora e social como, na opinião de Batalha (2004), nas lições de pensamento cognitivo e potencial motor no que diz respeito a possíveis habilidades físicas, espaciais e rítmicas, para reforçar essa ideia, a função ou movimento motor é construído como comunicação e interação com o mundo exterior, como exercício de atividades lúdicas na forma de jogos e ritmos que estimulam a harmonia de movimentos voluntários e a respectiva capacidade de controlar hábitos estimulantes de higiene e aparência. Com base nessa situação, consideramos relevante o questionamento reflexivo e coletivo de situações sociais por meio de pesquisa-ação, o resultado é melhorar seus hábitos educacionais e entender o desenvolvimento dessas práticas, que gerarão novos conhecimentos sobre o sistema educacional e quem sabe contribuir para novas mudanças. 5 1.2. OBJETIVOS A ATINGIR GERAL: analisar o papel da dança na educação e desenvolvimento da formação humana e cultural do aluno. _ Aprofundar estudos e discussões no âmbito acadêmico sobre a utilização da dança como desencadeador de aprendizagem artística e construção de conhecimento. _Estimular a comunidade escolar a refletir a respeito da relevância de se trabalhar a dança na escola e entre elas o Carimbó, agregando e ampliando conhecimento da cultura regional. _Reconhecer e valorizar o que pensam os alunos sobre a dança como um componente educacional da cultura escolar. _Possibilitar à comunidade escolar a indagação sobre cultura popular e identidade, através do reconhecimento de nossa diversidade. ESPECÍFICOS: _Proporcionar meios que orientem os alunos de forma a aumentarem suas capacidades corporais e culturais, propiciando dessa forma o ensino-aprendizagem. _Possibilitar de modo natural e espontâneo o resgate, das manifestações expressivas da nossa cultura. _Ajudar os alunos a se conscientizarem de sua própria vida, auxiliando na sua própria formação e construção de identidade. _Promover a dança folclórica na escola para apoiar a comunicação e a expressão corporal; _Ampliar o senso perceptivo e a manifestação cultural. 6 CAPÍTULO 2 ENQUADRAMENTO TEÓRICO Neste capítulo, à luz da literatura, gostaríamos de sustentar alguns tópicos e conceitos que consideramos relevantes para o projeto em questão. Tentamos fazer uma pesquisa bibliográfica atualizada. No entanto, devido à valiosa importância do conteúdo, também recorremos a algumas fontes mais antigas de natureza acadêmica e não acadêmica. 2.1O DESENVOLVIMENTO DO PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM. Na contemporaneidade, o indivíduo é considerado como um todo, não apenas no campo da educação, mas também em outras esferas, por conseguinte, a educação se desdobra no processo de ensino-aprendizagem. O estudo do processo de ensino nos permitiu repensar a prática educacional. Compreendendo a escola de hoje e observando que a sala de aula é uma comunidade cultural, a solução é refletir sobre como os alunos aprendem e como o processo de ensino orienta a aprendizagem. Pensar no processo de ensino-aprendizagem para promover a construção do conhecimento implica imaginar as pessoas como indivíduos inacabados, capazes de refletir criticamente sobre o que aprenderam. Nesse processo de construção de conhecimento, alunos e professores são sujeitos e precisam agir conscientemente. Não se trata apenas de tópicos no processo de aprendizado, mas de pessoas que são integradas a uma cultura e têm certas histórias e experiências de vida. Freire (1997) explicou que as pessoas só começam a ensinar quando descobrem que podem aprender. Ao desenvolver suas habilidades de aprendizado, ele se viu capaz de ensinar. Nessa perspectiva, os professores aprendem enquanto ensinam, enquanto os alunos ensinam enquanto aprendem. Cada processo de ensino depende dos interesses dos participantes, estudantes, professores, comunidade escolar e outros fatores do processo. Portanto, o aprendizado ocorre no coletivo, sem ignorar a individualidade de cada indivíduo (contexto e história). 7 Verderi (2009) explica que os professores precisam perceber que é hora de inovar e acreditar que o tempo para a cópia já passou, enquanto o paradigma ainda não se encaixa nas novas visões da pedagogia que lidam com a educação integral do aluno. Nesse sentido, o processo de ensino e aprendizagem acontecerá através da relação entre sujeitos no processo de socialização permanente da experiência e do conhecimento. Para que o processo de ensino-aprendizagem suceda, Vygotsky (1991) afirma que o professor deve questionar o nível em que o aluno se encontra, sem desconsiderar seus conhecimentos e experiências anteriores, mas tendo em vista o futuro e as habilidades adquiridas pelo mesmo. Desta forma, o aluno permitirá a socialização de experiências culturais que foram historicamente coletadas pela humanidade. Nessa perspectiva, o processo de ensino-aprendizagem permite que os sujeitos _ professores e alunos _ conheçam, troquem, socializem conhecimentos, experiências, afetos, histórias, sonhos e utopias. O professor sempre medeia com ferramentas educacionais e psicológicas. De fato, alunos e professores vivem em um eterno intercâmbio, em um processo de interação em que um aprende com o outro. Nesta comunicação, o conhecimento não é um detentor único, mas pessoas inacabadas que aprendem e ensinam umas às outras. Vygotsky (1989) afirma que o apoio dado ao aluno em suas atividades de aprendizagem é válido, porque o que a criança faz hoje com a ajuda de um adulto ou outra criança mais velha acontecerá sozinho amanhã. Dessa maneira, o autor ressalta o valor da interação e das relações sociais no processo de aprendizagem. Com isso em mente, ainda é importante enfatizar que o processo de ensino-aprendizagem ocorre a qualquer hora e em qualquer lugar. Nesse processo, pergunta-se qual o papel da escola. Como isso deve ser levado em consideração? Qual o papel do professor? É tarefa da escola mediar entre o conhecimento anterior dos alunos e o sistematizado e proporcionar oportunidades de acesso ao conhecimento científico. Como tal, deve ser visto como um processo de desenvolvimento contínuo que influencia e é influenciado pelo ambiente, no qual deve haver um meio dinâmico e contínuo que contribua para o processo de aprendizagem. O papel do professor é liderar e orientar os alunos, para que todos contribuam para uma disciplina consciente, ativa e autônoma. 8 Verderi (2009, p.34) afirma O professor é aquele que cria condições para o processamento das atividades e o aluno, aquele que busca, dentro desse contexto, condições para o seu pleno desenvolvimento. Verderi (2009, p.34) Isso nos leva a pensar no fato de que existe aprendizado de ambos os lados e que, para desencadear o processo de aprendizado dos alunos, o professor precisa criar condições sob as quais ele possa desenvolver o conhecimento, criticá-lo e assumir a responsabilidade. Diante disso, o desafio para os professores continuam sendo tornar as práticas educacionais mais realistas, mais humanas e com teorias que possam cobrir o indivíduo como um todo e promover o conhecimento e a educação. Sendo assim, é evidente que a aprendizagem é um fenômeno profundamente complexo que inclui aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais. E ensinar só faz sentido quando se trata de aprender. Portanto, é necessário saber como o professor ensina/aprende e entende como o aluno aprende. Somente então o processo de ensino-aprendizagem pode ocorrer e o aluno pode aprender a pensar, sentir e agir. 2.2 ARTE E EDUCAÇÃO Acreditamos que é importante ter em consideração o valor da arte na educação. Como alguns autores (Sousa, 1980; Read, 1982; Martins, 2002; Sousa, 2003a; Batalha, 2004) argumentam, a arte é o alicerce da educação. A importância de preparar a pessoa para a vida está sendo reconhecida atualmente. Portanto, é importante trabalhar o aluno como um todo. Nesse sentido, as técnicas educacionais desenvolvem valores e atitudes básicas para viver em sociedade que contribuem para o desenvolvimento pessoal: saber estar em um grupo e na comunidade, como agir adequadamente em um grupo alicerçado em valores e saber que eles são globalmente harmoniosos (Martins, 2002). Acreditamos que a arte e a educação estão relacionadas e podem ajudar a fechar brechas nos níveis motor e social e combater qualquer forma de exclusão, elas desempenham um papel importante nesta pesquisa. 2.2.1. O QUE É ARTE? Em Martins (2002), a palavra arte deriva do latim ars (artis) e tem o significado de habilidade, definido como um objeto criado a partir da experiência estética, que evoca os três fatores existentes na Arte: 9 criação, objeto e experiência estética, que estão inter-relacionados com conhecimento, comportamento e sentimento. A arte é a personificação da ordem estética criada pelos seres humanos e é movida por emoções e sentimentos. É uma forma de comunicação que leva à interpretação, leitura e compreensão por parte de quem a considera e observa, o que leva à surpresa, contemplação e êxtase. Mas a arte envolve não apenas habilidades, mas o mais importante é a imaginação e a expressão, seja em música, literatura, poesia, dança, pintura, apresentação visual ou em uma interpretação única de alguém e de seu espaço criativo (Martins, 2002). Batalha (2004) acredita que a arte é uma parte importante da formação humana, pois é uma das formas que o homem pode expressar: criação, interpretação, prazer e apreciação, que permitem ao homem desenvolver e integrar conhecimentos. Por outro lado, Sousa (2003 a) acredita que somente através da arte é possível formar um todo. As dimensões das emoções e valores são as mais importantes para a formação geral de uma pessoa e são essenciais para uma vida feliz, enquanto a educação baseada na educação holística é necessária para atender às necessidades dos sujeitos (biológicas, emocionais, cognitivas, sociais e motoras). No entanto, o conceito de arte é muito extenso e subjetivo e varia de acordo com o ambiente (isto é, fatores históricos e socioculturais). É o resultado do pensamento subjetivo do criador, intérprete ou ouvinte / observador. Como a arte é um fator humano, para compreender uma determinada forma, ela deve ser interpretada, submetida ao seu processo de fabricação, desenvolvida e interpretada pelo autor (Eco, 1986). 2.2.2. A ARTE COMO ESCASSEZ O surgimento da arte como uma necessidade é porque é uma forma de comunicação, uma ferramenta de expressão, a disseminação do conhecimento sobre nós mesmos e tudo o que nos rodeia, além de crescimento pessoal, acesso a novos conhecimentos e cultura. Pode ser a fonte da humanidade. A compreensão através de diferentes métodos artísticos expande a nossa visão do mundo. Na visão de Sousa (1980), a expressão é “necessidade”, assim como precisamos respirar e comer, também temos necessidades de diversão. Brincar é a atividade mais importante da vida de uma criança, pois pode formar inteligência através da brincadeira e fornece todo o apoio necessário para um desenvolvimento equilibrado. 10 O valor educacional das expressões tornou-se um modelo global adequado para os alunos, no qual gestos, ações, atitudes e todas as expressões que elas desenvolveram, revelando assim seu mundo interior. No entanto, alguns anos depois, o autor acrescentou que o objetivo da expressão é proporcionar aos alunos um desenvolvimento mais abrangente e harmonioso através do poder da expressão, da criatividade e da comunicação artística, além de seu espírito estético, fantasia e tudo o que ajuda na formação de seu personagem (Sousa, 1986). Batalha (2004) acredita que a arte, principalmente a dança, pode originar emoções criativas e estéticas baseadas em aspectos neurobiológicos e equipamentos psicomotores privilegiados. Por todas essas razões, arte e educação através da arte tornaram-se dois aspectos básicos da harmonia pessoal, e as instituições educacionais têm a responsabilidade de fornecer experiência e sensibilidade para a leitura de várias línguas artísticas. Como os autores mencionados anteriormente declararam: “A própria arte é sinônimo de educação” (Batalha, 2004, p. 9). 2.3O DESENVOLVIMENTO DA DANÇA COMO UM PROCESSO DE APRENDIZAGEM DEFRONTE DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO. 2.3.1HISTÓRIA DA DANÇA De modo geral, a dança é caracterizada pela arte de mover o corpo e desempenha um papel fundamental hoje. Como forma de expressão, para nos tornarmos presentes, críticos e atores sociais. Numa analogia histórica, pode-se observar que desde os tempos antigos, todos os grupos étnicos cultivavam expressões como dança, jogos e lutas. Segundo Verderi (2009), o homem primitivo dançava em forma de ritual “para tudo que tinha significado” caça, colheita, alegria, tristeza... Com isso percebemos que a dança é realmente uma das artes mais antigas que os seres humanos experimentaram. Ao longo dos anos, desenvolveu-se em termos conceituais, sociais e culturais, destacando a relação entre as pessoas, o mundo e seus diferentes estilos de vida. Também percebemos que o movimento da dança é a primeira forma de expressão emocional e é a personificação do medo e do sentimento. Logo tornou-se cerimônia, performance, celebração e, eventualmente, uma forma divertida de aprendizado. Podemos ver que a dança é uma expressão de vários eventos que marcam a era humana, a partir a 11 qual os seres humanos podem demonstrar papéis sociais e desempenhar relações sociais. Portanto, podemos entender que a dança tem uma enorme significação para o ensino. Tem uma conexão importante com a educação, porque no campo do ensino, possibilita aos alunos o desenvolvimento do aprendizado e estimula a formação do conhecimento. Conforme descrito pelo autor abaixo. Nesta perspectiva, Pereira (2001) afirma que a dança é um conteúdo essencial a ser trabalhado e desenvolvido na escola, pois, com ela: “Pode-se levar os alunos a conhecerem a si próprios e/com os outros” (Pereira, 2001, p.61). Percebe-se, assim, as diversas possibilidades de trabalho do/para o aluno por meio da sua corporeidade. Essa declaração nos ajuda a entender que trabalhar com a dança dentro de uma visão educacional vai muito além do ensino de gestos e técnicas para os alunos. De fato, trabalhar com a dança de maneira divertida permite ensinar todo o potencial de expressão do corpo humano. É um excelente recurso educacional para desenvolver uma linguagem que não seja a fala e a escrita e até promover a socialização da classe. Ao longo dos anos, a dança ganhou cada vez mais espaço no campo da educação. No entanto, não é objetivo desta pesquisa relatar toda essa trajetória, mas apenas um breve posicionamento de seu desenvolvimento para fins de conhecimento. Segundo Ossona (1988), na cultura antiga, a dança teve um cunho de espetáculos e características populares. Na Idade Média, a dança se tornou uma forma de entretenimento para as classes altas e as do povo. O autor acredita que a dança, desde a pré-história, é uma forma de expressão e uma espécie de “expressão corporal” que ao longo do tempo foi afetada por várias influências e ganhou espaço de desenvolvimento na educação. Desse modo, notamos que a dança percorreu um longo caminho para ganhar esse espaço e essa visão da dança é um recurso para a prática de ensino. Podemos ver essas influências no fato de que novos recursos musicais e instrumentais surgiram e que a sociedade hoje tem mais acesso à cultura e que no passado se limitava às classes sociais mais altas. Tais sugestões ainda são refletidas e discutidas hoje, pois muitas pessoas ainda veem 12 a dança como uma forma de entretenimento, como o autor explica acima, como um “ espetáculo”, esquecendo assim seu papel pedagógico, suas diversas contribuições como educação. Finalmente, em 1997, foi publicado o Parâmetro Curriculares Nacionais (PCN) que incluiu a dança pela primeira vez na história do país. Brasil (1997) afirma que a educação em arte proporciona o aumento do pensamento artístico, caracterizando um modo particular de dar significação as experimentações pessoais e coletivas, através da ampliação da sensibilidade, percepção e reflexão. A inclusão da dança nos PCNs teve como objetivo ver o ensino da dança como uma atividade educacional, recreativa e criativa, além de proporcionar situações para a construção do conhecimento, independentemente de brincarem, pularem e dançarem. Teoricamente, a proposta de incluir a dança nos PCNs é bastante significativa para a nossa visão atual da educação, mas é necessário reavaliar a prática dessa proposta, porque o que temos não é um recurso para aprender, mas uma maneira de descanso, com intuito de preencher horários de aulas vagas, usado para distração e diversão e, mesmo um recurso na ausência de conteúdo programático. Nesta concepção, hoje a dança é entendida por seu próprio valor, muito mais do que uma diversão. A dança é tão importante e fundamental quanto conversar, cantar e tocar. Inclui uma riqueza de movimentos que envolvem corpo, espírito, mente e emoções, o que enriquece o aprendizado. 2.3.2A DANÇA. Sousa (s/d) considera a dança uma das manifestações mais naturais, vulgares e espontâneas do movimento humano, uma vez que a dança é uma maneira natural dos alunos atenderem às suas necessidades de movimento e expressão. Segundo o Currículo Nacional do Ensino Básico, a dança é uma atividade fascinante do ser humano, pois, o movimento gerado pelo corpo expressa o encanto da energia humana. Além disso, envolve não apenas pensamento, sentimento e corpo, mas também constata a essência da busca pessoal da vida. Por outro lado, Sousa (2003b) reconhece que pular de alegria, correr alegremente e exercitar o corpo de maneira espontânea (apenas por diversão) seria dança, porque o autor acredita que a dança é espontânea, livre e expressiva, e seu objetivo é apreciar a performance, além de expressividade e criatividade. Nanni (1995) e Macara, (1998) concordam com essa visão, mencionando que a dança é uma 13 expressão de movimento inerente à vida e à infância estando desse modo relacionada ao desenvolvimento da criança. Berge (1975) também vê a dança como resultado da espontaneidade dos movimentos, como uma síntese de uma infinidade de informações, experiências e, às vezes, reflexões que são registradas de maneira natural e simultânea. Além da espontaneidade, dos movimentos naturais e orgânicos, há outras referências que veem a dança como um processo de comunicação de pessoa a pessoa com o objetivo específico de transmitir algo. Essa é a opinião de Batalha (2004), que assume que a dança é uma linguagem de relacionamento, em termos de atitudes interpessoais e como indicador de comportamento cultural e social, portanto, avalia a instrução de dança em termos de criatividade, sensações e formas de comunicação. Batalha & Xarez (1999) alegam que a dança não é somente uma tradução do movimento, mas também um pensamento que transmite significado. Exteriorizam que dançar é enaltecer a dança, elevando-a a um sentido fabuloso, a partir de movimentos simples e naturais. Além disso, consideram que na dança o fundamental é o surgimento de um gestual próprio. É importante a reinvenção do corpo com base na sensibilidade, emoções e energias internas. Batalha (2004), considera que o mais importante é enfrentar a dança dos alunos para expressar interioridade e linguagem corporal e se comunicar com o mundo exterior. Isto significa que dançar é encontrar a mágica que existe em cada pessoa, e por essa razão, consequentemente, a turma deve estar focada na criação de movimento de dentro para fora. Porque o mais importante não é ensinar o conceito de movimento, mas fazer com que os alunos os descubram e saibam como recriálo. Para Macara (1998), o maior valor desse gênero artístico reside na busca do significado humano, em uma modelagem responsável e criativa do corpo, espaço, tempo, dinâmica e, acima de tudo, da vida. O autor considera a dança a glória dos gestos e destaca-se de outras atividades motoras para despertar e provocar o imaginário através de sua espetacular performance motora. De acordo com o mesmo autor, as aulas de dança enfocam finalmente a interação dos aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais do aluno que dança, pelo que o processo de ensinoaprendizagem é mais importante do que o produto finalmente apresentado. Quem concorda com essa ideia é Batalha (2004), que também nos diz que o foco da educação em dança é o aspecto motor, cognitivo, afetivo e social do aluno e que o processo de aprendizagem é mais importante que o produto final. De fato, este autor alerta para dois aspectos importantes que precisam ser considerados em todo o processo de ensino14 primariamente relacionada de forma intrínseca. Em suma, como apontado pelos autores citados, a dança educacional ajuda a estimular e promover a expressão do aluno, imagem corporal e autoconsciência. E outros também ajudam a construir personalidade. Além disso, respeita o ritmo de todos e a sua liberdade e movimento pessoal, promovendo a autoestima e a adaptação ao ambiente, estimulando a criatividade e a improvisação. Propõe também um experimento multissensorial e multidisciplinar potencializando aos alunos diferentes aspectos da emoção, movimento físico, cognição, sociedade e cultura. 2.3.4CONTRIBUIÇÕES DA DANÇA. Gradativamente, o ensino da dança vem sendo incluído nos currículos escolares e extracurriculares, pois, a aplicação da dança como prática pedagógica pode oferecer aporte ao processo de ensino-aprendizagem. De acordo com Verderi (2009), a dança no contexto escolar deve ter papel essencial como atividade pedagógica “… e por meio dessas mesmas atividades a autoestima, a autoimagem, a autoconfiança e o auto conceito” (Verderi, 2009, p. 12). Conforme a ideia de Piconez (2003) “os alunos aprendem pela prática”. Desse modo, as atividades de ensino através da dança não podem isolar os alunos, ao contrário, deve-se estimular a descoberta de sua expressividade e criatividade. Com isso, fica claro que a dança como um processo de aprendizado permite que o aluno aprenda com as experiências do seu próprio corpo, entenda o ponto de vista dos outros, desenvolva habilidades e expresse a sua atividade. Desta forma, a dança pode fazer com que a aprendizagem aconteça de maneira agradável através da prática e sempre inspirar o interesse dos alunos. Para Bertoni (1992), a dança como agente educacional, auxiliar para o desenvolvimento psíquico, social, anatômico, intelectual, criativo e familiar. Nesta lógica, a dança contribui para uma educação motora consciente e global e oferece várias vantagens em termos de aspectos físicos, sociais e intelectuais. Trabalhar com a dança também possibilita descobrir o próprio corpo, perceber que cada indivíduo tem maneiras diferentes de se mover, o que leva o aluno a tomar consciência do respeito para com a individualidade da pessoa. O discurso de Bertoni enfatizou ainda mais a ideia de que a dança ajuda os alunos a se 21 desenvolver globalmente. Nanni (1995) afirma que a dança pode expandir funcionalidades intelectuais, tais como: concentração, memória, raciocínio, observação, criatividade, exploração, compreensão qualitativa da situação e poder de crítica, apesar dessas características poderem ser encontradas através das outras manifestações artísticas, o que torna a dança singular, é a possibilidade de desenvolver uma linguagem diferente da fala e da escrita, visto que, através do corpo é possível conhecer a si mesmo de outra maneira, além disso, a presença da dança na vida do homem, sempre teve valor, é uma arte completa, reafirmando o que já foi visto neste relatório, segundo Verderi (2009) está presente desde os povos primitivos e continua a existir até hoje. Além de sua capacidade de integração com outras artes. Essa afirmação do autor apenas nos faz enfatizar que a dança é educacional e pode dar uma enorme contribuição ao desenvolvimento do aprendizado. De qualquer forma, a dança pode promover um bom aprendizado sem sair do plano de estudos e deve se concentrar na autoestima, autoconfiança, motivação e no desenvolvimento dos elementos mais importantes do processo de ensino. Como tal, a contribuição da dança como recurso de ensino é perceptível, pois auxilia em diversas áreas de maior importância para o aluno, a fim de construir o seu conhecimento. Fux (1983) considera a dança uma ferramenta para estimular a espontaneidade e a criatividade. Barreto (2004) enfatizou as diferentes razões que fundamentam a importância do ensino de dança no espaço escolar: promove o autoconhecimento; estimula vivências e experiências da corporeidade na escola; viabiliza aos alunos relacionamentos estéticos uns com os outros e com o mundo; fomenta a expressividade dos indivíduos; através dos diálogos corporais, possibilita a comunicação não verbal na escola; sensibiliza os indivíduos, contribuindo para que eles tenham uma educação estética, dessa forma, propiciando relacionamento mais equilibrado e harmonioso no mundo, desenvolvendo o apreço, prazer e a fruição da dança. Nesse sentido, é importante ressaltar que a dança, como prática pedagógica, promove o desenvolvimento do aluno e faz dele um sujeito capaz de pensar de forma criativa e crítica, além disso, expressar e se comunicar espontaneamente com o mundo ao seu redor. O que também nos faz pensar a dança como meio natural de comunicação pela expressão corporal. A escola é um lugar privilegiado para se aprender dança com qualidade, profundidade, 22 compromisso, amplitude e responsabilidade, para que isto aconteça e, enquanto ela existir a dança não poderá mais continuar sendo sinônimo de festinhas de fim de ano (Marques, 1997, p.21). Isso ainda nos leva a refletir que o trabalho de dança na sala de aula deve sempre se concentrar no aprendizado, não como uma forma de entretenimento. No entanto, devemos sempre inspirar a liberdade do aluno, caso contrário ele será reprimido e incapaz de atingir os objetivos da sala de aula. Segundo Nanni (1995), o movimento corporal é importante para o progresso do aluno, pois desenvolve e aumenta seu conhecimento por meio de suas habilidades motoras. Isso fica claro para nós que, no momento em que o aluno se conscientiza de si mesmo e de suas habilidades, pode se desenvolver e crescer, interage com seu espaço de vida e experiências através de seu próprio corpo. O ponto de vista do autor nos leva a acreditar que o corpo está conectado internamente, de modo que a mente está associada ao movimento. À vista disso, os exercícios estimulam o pensar, que promoverá de maneira natural e automática o processo de aprendizagem. Ossona (1988) ainda ressalta que nossas crianças têm um grande potencial psicofísico e temos a responsabilidade de estimular e aumentar esse potencial. Neste sentido, é primordial que as atividades possam gerar liberdade de expressão e sejam propícios ao desenvolvimento da capacidade motora dos alunos. Ademais, devemos sempre tomar cuidado para não restringir ou inibir seu desenvolvimento. Também é importante enfatizar que a dança, como processo de aprendizado, contribui para a formação de um corpo vivo que, além de ocupar espaço e ter formas, tem expressão, desejos e interage com as coisas da natureza (Ossona, 1988). Isso nos permite aprender que a dança ajuda homens e mulheres a se tornarem mais conscientes de suas próprias vidas, o que favorece o processo de aprendizado dessa consciência e de outras pessoas que são mais educacionais. Portanto, pode-se dizer que a dança como processo educacional não se limita à cooperação com o ensino de habilidades, mas também contribui para o desenvolvimento do potencial humano e de sua relação com o mundo, além de propiciar o acúmulo de conhecimento. 23 2.4A DANÇA DO CARIMBÓ DO ESTADO DO PARÁ. Entre as várias danças folclóricas brasileiras, este trabalho tem como objetivo aprofundar o estudo desta pesquisa através do Carimbó, característico da região norte do país, principalmente no Estado Pará, originária da cultura negra, indígena e portuguesa. (Gabay, 2010). A princípio a "Dança do Carimbó" detinha um movimento mais lento, peculiar das danças indígenas, quando os escravos perceberam essa expressão artística acelerou seu movimento, que passou a ser vibrante como o batuque africano, assim, contagiando os colonizadores portugueses que, excepcionalmente, acrescentaram suas particularidades da expressão corporal característica das danças portuguesas, como o estalar de dedos na marcação precisa do ritmo agitado e envolvente (Pará 2006). O termo Carimbó em Tupi refere-se a um tambor feito de um tronco, chamado Curimbó, onde "Curi" refere-se a um bastão de madeira e "mbó" refere-se a oco ou perfurado, isto é, pau que produz som. Em alguns lugares do interior do Pará, continua o nome original "Dança do Curimbó", mas em todo país a dança é chamada "Dança do Carimbó" (Neves, 2013). Em um conjunto musical característico, a dança é acompanhada por dois tambores, Ganzá, recoreco, banjo, flauta, maracás, afoxé e pandeiro. No entanto, há também um desenvolvimento mais moderno do Carimbó, após o sucesso do cantor Pinduca, nome artístico de Aurino Quirino Gonçalves, responsável pela introdução nacional do Carimbó, com a inclusão de instrumentos eletrônicos e de sopro no tradicional Carimbó. Ênfase especial foi dada ao baixo elétrico, que forma uma linha muito original e característica nos arranjos (Santiago, 2012). A coreografia é geralmente realizada em pares e em círculo. Começa com um número de homens e outro de mulheres. Ao tocar a música, os homens batem palmas dançando para as mulheres, indicando um convite para dançar. Eles aceitam o início da apresentação, em que os pares de dançarinos giram constantemente em torno de si e giram em um grande círculo (Neves, 2013). O figurino: os homens dançam geralmente de calças branca com bainhas enroladas, um legado da cultura negra, recordando as roupas que os ribeirinhos usavam até metade do século XX, além do 24 tradicional chapéu de palha na cabeça e um lenço enrolado no pescoço. Já as mulheres usam blusas de cores arrojadas, com as pontas amarradas ao umbigo e para completar o traje, usam saias longas estampadas, com o corte arredondado, para que se tenha lindas evoluções e movimentos livres, além disso, pulseiras e colares feitos de sementes da região do Pará e flores nos cabelos. Ambos os dançarinos dançam com os pés descalços (Neves, 2013). 2.4.1CONTRIBUIÇÃO DA DANÇA FOLCLÓRICA PARA A EDUCAÇÃO. Segundo Giffoni (1973), a dança folclórica no espaço escolar contribui muito com seus valores e importância para o ensino educativo: _Valor corporal : é uma maneira de atividade física completa que melhora a circulação, a respiração, a função digestiva e ajuda a agilidade do exercício e flexibilidade. _Valores morais : encoraja e aperfeiçoa o autodomínio, a iniciativa, o entusiasmo e o senso de ordem. _Valor psicológico : desenvolve funções de atenção, imaginação, memória e raciocínio. _Valor social : eles preferem relacionamentos pessoais e amizades. _Valor cultural : transmitem ideias e costumes de uma geração para outra e mantêm a vitalidade da tradição. A dança folclórica enriquece o contexto cultural de toda a sociedade: através dessas danças, além da contribuição ao emocional, cognição, social, e autoconfiança, eles podem entender melhor as pessoas, os costumes e o estilo de vida de todos. Expressões corporais reduzem a timidez. Uma boa maneira de os professores combinarem os dois pontos importantes “aprender” e “brincar”, daí a expressão “aprender brincando” ou “aprender dançando” ou “aprender cantando” (Vieira, 2014). 25 CAPITULO 3 A PESQUISA DE CAMPO PERCURSO METODOLÓGICO 3.1 CONTEXTO E UNIVERSO DA INTERVENÇÃO. Na situação atual, dada a pandemia provocada pela covid-19, a diversidade das normas publicadas é inegável no sentido de ajudar no combate às emergências de saúde pública e determina o estado de calamidade. Apesar de todos os obstáculos enfrentados para iniciar o projeto no espaço escolar, depois de alguns meses de muitos esforços e resistências para implantar o mesmo, após um período de controle da pandemia, conseguimos a liberação da direção da escola para dar início ao projeto. Desta forma, a intervenção foi realizada em dois lócus: na Escola Santa Tereza D’Ávila pela parte da manhã; devido aos participantes trabalharem ou terem outras ocupações diárias, tivemos que adequar os horários conforme suas disponibilidades, assim, os alunos sugeriram que a intervenção ocorresse também pelo turno da tarde, entretanto, com a impossibilidade de ocorrer o projeto pelo turno da tarde no espaço escolar, foi necessário contactar um espaço alternativo, o qual foi disponibilizado pelo Padre Thieber da Paroquia Bom Pastor , localizada no Conjunto Nova Marituba. 3.2PESQUISA E INTERVENÇÃO. A partir do interesse em conhecer e diagnosticar a prática pedagógica do ensino da dança, sua importância na escola e seu significado social e cultural em relação à formação educacional, o presente projeto buscou envolver os alunos e ex alunos do ensino fundamental e ensino médio, integrantes do grupo de dança D'Ávila Dance da Escola Santa Tereza D'Ávila, ressalto que a escolha do local, foi devido ter sido aluna e aos anos que pertenci ao quadro funcional, a qual prestei serviços administrativos e educacionais a está escola, logo, devido à forte ligação afetiva ao grupo de dança D’Ávila Dance, o qual surge em 2012 a partir do 2Programa Mais Educação, sob a minha 2 O Programa Mais Educação foi instituído pela Portaria Interministerial n.º 17/2007 e integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), como uma estratégia do Governo Federal para induzir a ampliação da jornada escolar e a organização curricular, na perspectiva da Educação Integral. 26 coordenação partilhada com a amiga e também professora de dança, Rosa Daniele da Gama, durante o período de seis anos de trajetória, procuramos desenvolver oficinas e apresentações artísticas de estilos diversos, a exemplo do contemporâneo, ballet, jazz, dança moderna, danças urbanas, dança de salão e danças folclóricas, ademais, sempre buscamos trabalhar junto aos nossos alunos, com respeito, amor e encanto, para trazermos à tona, a magia da linguagem escrita na dança, onde o corpo se expressa e “fala”. Dada atual conjuntura, apenas 01(um) aluno, 09 (nove) ex alunos do ensino médio puderam participar presencialmente do projeto, infelizmente os professores não puderam participar da parte prática do projeto, contribuíram somente respondendo o questionário aplicado no final da intervenção. Seguimos todas as orientações de cuidados e prevenção ao covid-19. O presente capítulo descreverá a ação de intervenção e pesquisa de campo. O questionário aplicado nesta fase permitiu-nos formular a seguinte pergunta: a educação em dança pode mediar e contribuir para o ensino-aprendizagem de questões críticas e reflexivas na educação? Deste modo, tendo como propósito de pesquisa inquirir a percepção dos docentes e alunos frente às possibilidades e necessidades de se ter uma prática corporal em favor de uma aprendizagem crítica, os objetivos desta intervenção desdobraram-se em ações específicas que foram desenvolvidas, por sua vez com objetivos particulares tais como: _Proporcionar meios que orientem os alunos a aumentarem suas capacidades corporais e culturais, propiciando dessa forma o ensino-aprendizagem. _Ajudar os alunos a se conscientizarem de sua própria vida, auxiliando na sua própria formação e construção de identidade. _Promover a dança folclórica na escola para apoiar a comunicação e a expressão corporal; _Ampliar o senso perceptivo e a manifestação cultural. _Estimular a comunidade escolar a refletir a respeito da relevância de se trabalhar a dança na escola e entre elas o Carimbó, agregando e ampliando conhecimento da cultura regional. _Reconhecer e valorizar o que pensam os alunos e docentes sobre a dança como um componente educacional da cultura escolar. 27 Advindo da concepção de que a dança está presente em todos os espaços e no cotidiano da vida humana, através dos movimentos que os levam a expressar seus sentimentos, acredita-se que a inserção no espaço escolar pode ser uma importante experiência para a construção da aprendizagem, visto que beneficia o homem em sua totalidade. 3.3 - LÓCUS E SUJEITOS DA INTERVENÇÃO-AÇÃO. Este projeto foi implementado no Município de Marituba do Estado do Pará, integrante da Região Metropolitana de Belém, na Escola RCEFM Santa Tereza D'Ávila localizada na rua Decouville, n.º 951, Marituba-PA, onde funciona o grupo de dança D'Ávila Dance. Antes de iniciar a intervenção, foi necessário entrar em contato com vice-diretor César Magalhães, o mesmo entrou em contato com diretora Maria Clara, a qual permitiu a intervenção no espaço escolar, deste modo, formalizando o compromisso e autorizando a pesquisa. Para isso foi indispensável fazer uma breve explanação sobre a importância dos estudos, explicando a magnitude do mesmo e a contribuição para os sujeitos envolvidos. O segundo local foi no espaço da Paróquia Bom Pastor, localizada no Conjunto Nova Marituba, pois, foi sugerido pelos participantes que a ação também pudesse ocorrer pelo turno da tarde, porém, na impossibilidade de ser realizado o projeto à tarde na escola Santa Tereza D’Ávila, foi necessário contactar o padre Thieber da paroquia Bom Pastor, o qual se mostrou muito atencioso e disposto a colaborar com o projeto, cedendo-nos o espaço e o que fosse preciso para a realização da ação. Os indivíduos envolvidos no presente projeto de intervenção foram 1 aluna e 9 ex alunos do ensino médio, sendo 06 meninas e 04 meninos da Escola E.R.C.E.F.M. Santa Tereza D’ Ávila da Rede Municipal de Marituba, Pará-Brasil, pertencentes do grupo de dança D’Ávila Dance, no entanto, houve duas funcionárias da escola, uma policial e um pai de aluno que pediram para participar sempre que pudessem estar presente, mais adiante, irei identificar, pois, houveram algumas falas interessantes que contribuíram para este projeto. 3.4O PROGRAMA DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA. Este plano de ação teve como objetivo proporcionar aos alunos do grupo de Dança D'Ávila Dance a possibilidade de conhecer, experimentar e vivenciar a dança folclórica Carimbó, bem como reconhecer a sua história, cultura, natureza e dimensão da dança. Buscou-se desenvolver atividades que permitiram aos alunos: conhecer a história e as características da dança do Carimbó; aprender os passos básicos do Carimbó; construir coletivamente uma coreografia de Carimbó, sendo protagonista 28 de suas ações; realizar uma apresentação de Carimbó para a comunidade escolar, através de atividades teóricas/práticas que estivessem em diálogo a todo momento, na possibilidade de promover ao grupo, interações e experimentações significantes. Dessa maneira, procurou-se produzir a recolha de dados, através da roda de conversa previamente no primeiro encontro com os alunos, com o intuito de obter algumas informações para analisar e interpreta-las, relacionadas ao que pensam sobre à dança de modo geral e em particular a dança folclórica na escola, na possibilidade de identificar os significados e concepções que os alunos atribuem a esta arte referente a educação, a fim de, preparar as ações de intervenção. Um desenho de um projeto de intervenção deve ser definido com antecedência, mas redesenhado à medida que o projeto avança, em contínua negociação do que se passa no terreno, com um processo próprio de reflexão e interpretação, como defendido por Lima e Pacheco (2006). Portanto, utilizamos técnicas e ferramentas de recolha de dados para obter informações que, quando analisadas e interpretadas, se transformam em resultados. Além disso, serviram para o planejamento, a preparação, a concepção das ações. Posto isso, solicitei permissão para registros de falas e imagens, ao que obtive consentimento, deste modo, optamos para a recolha de dados durante e depois da ação-intervenção o uso das fotografias e vídeos, para posteriormente codificar, desenvolver uma síntese, encontrar tópicos e padrões, organizar informações em sessões, escrever narração, fazer uma nova escolha e organizar as informações. Outra técnica de coleta de dados utilizada neste estudo são as entrevistas realizadas nos intervalos para descanso dos participantes e posteriormente no final da ação em determinados dias das ações-intervenções, pois, sugerimos deixar por opção do grupo de forma muito espontânea e livre a responder quando se sentissem à vontade em realizar. Ainda sobre as entrevistas, tal recolha de dados foi escolhida por razão de complementar os dados coletados, visto que, este método é um processo "de construção da realidade no qual ambas as partes contribuem e pela qual ambos são afetados…considerando que a entrevista é uma “escuta ativa” devendo ser o mais aberta possível.” (Woods, 1999, in Lima & Pacheco, 2006, p.96). Com a intenção de analisar os sentidos que os sujeitos atribuem as suas práticas e as leituras que fazem de suas experiências, fornecendo informações sobre os significados e modos de pensar, gravamos com um aparelho celular as falas dos alunos e ex alunos e concluímos que este método apresentou vantagens, na medida em que a profundidade dos elementos de análise recolhida, flexibilidade e total 29 liberdade de expressão, provocando questionamentos, reflexões e reações pessoais e conjuntas, assim, permitindo respeitar o conteúdo dos entrevistados. Além dos alunos entrevistados, o professor de Educação Física pôde comparecer em apenas um dia da ação e pensamos ser necessário entrevista-lo, pois, sendo um profissional que também trabalha com a dança, conclui-se que seu lugar de fala seria muito importante para este projeto, na tentativa de perceber através da sua ótica em relação à dança como forma de livre expressão na aprendizagem e desenvolvimento dos alunos. Mas adiante, em outro dia da ação, as coordenadoras pedagógicas do ensino médio também estiveram presentes na ação, novamente concluímos ser importante identificar o ponto de vista do corpo técnico da escola Santa Tereza D’Ávila, representado pelas coordenadoras em relação ao ensino da dança enquanto prática pedagógica no espaço escolar. A elaboração dos guiões de perguntas aplicado aos alunos e professores, as quais serviram como base tanto para as entrevistas com o professor quanto para as coordenadoras. Desta forma, elaboramos as questões dos roteiros da entrevistas (que se encontram nos Anexos: A e B) com base na revisão da literatura realizada e nos objetivos traçados para o estudo. Os dados coletados foram alicerces para responder aos questionamentos do objeto de pesquisa a fim de proporcionar reflexões sobre a prática do ensino da dança, com base nas discussões e experiência dos alunos, do professor e das coordenadoras, pois tal informação é relevante para a ação-intervenção. A entrevista caracterizou-se a uma conversa, pelo fato de os sujeitos estarem confortáveis ao falar livremente sobre seus pontos de vista. Além disto, as rodas de conversas no final de cada ação, as quais foram fundamentais para se aprofundar no assunto e o conhecimento da problemática em questão. Ademais, preferimos aplicar o questionário de avaliação estruturado com perguntas objetivas e abertas no final de todo processo de intervenção, o qual ocorreu no dia da apresentação coreográfica aos alunos e docentes, no dia da premiação dos professores, o qual serviu para ampliar a reflexão do impacto da ação. Segundo Negrine (2004), uma das vantagens do uso de questionários é que eles podem obter muitas informações de pessoas espalhadas em uma área específica. Pádua (2007) acrescentou que esforços devem ser feitos no sentido de limitar seu escopo e finalidade para que as respostas possam ser obtidas em um curto espaço de tempo, e destacou que essas são as questões mais importante na concepção do questionário. Escolhemos o questionário avaliativo, por ser uma técnica de pesquisa com o propósito de delinear e incluir questões, com o objetivo de compreender opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, experiências. Passemos então à caraterização dos participantes. Como podemos ver na tabela abaixo e em seguida as atividades que foram planejadas e aplicadas no decorrer da ação, por meio das quais 30 “comunidade-terreiro”. Oliveira (2002) recorda esta estruturação como uma tática de resistência, neste seguimento, o terreiro é um lugar: “Onde a tradição afirma-se, recriada, como elemento capaz de garantir a permanência do universo simbólico negro face à descontinuidade histórica provocada pela violência da escravidão. Nesses termos, podemos ver o terreiro... como uma reterritorialização étnica operada pela via do sagrado em terras brasileiras, ou seja, uma forma social de condensar a realidade fragmentada parida pelos movimentos da diáspora africana. (Oliveira 2002, p.76). Foi importante os momentos de conversa durante o intervalo. Assim, podemos escutar e observar o que pensam sobre está cultura. Ademais, conseguimos desmitificar e apresentar outras expressões humanas, ressignificada nas diversas formas de expressão artística. Após o intervalo, retornamos para finalizar a prática do dia com uma aula de ritmo. Seguros de suas possibilidades, os participantes do grupo D’Ávila Dance e os funcionários, reproduziram alguns movimentos e padrões rítmicos do movimento proposto e exercitado. Foi dada a todos liberdades subjetivas, criativa e poética, para que colocassem em prática suas capacidades de criação coreográfica, a qual foi bem produtiva e surpreendente. 3º MOMENTO - OFICINA DE DANÇA INDÍGENA. A ação ocorreu pela parte da manhã na escola Santa Tereza D’Ávila. Iniciamos com uma breve introdução histórica sobre a dança indígena, uma vez que esta dança e música ainda têm um papel religioso na cultura indígena. Normalmente, a dança é realizada durante as cerimônias de canto de Ação de Graças e celebrações religiosas, ou é um pedido aos deuses. Pode ser realizada individualmente ou em grupo. Geralmente as danças indígenas têm a função de execução passo a passo. Os índios quase sempre batem “um pé” mais forte no chão, em um compasso binário (ou seja, em dois tempos), para definir o ritmo da dança e da música. Logo em seguida, fomos para a prática, iniciando com o movimento básico e peculiar da dança indígena, que é marcado por essa medida binária nos movimentos dos pés, o qual foi executado em fileira e círculo. Foi proposto aos participantes, que se dividissem, formando assim dois grupos, imaginando a representação de duas tribos. Além disso, tiveram que pensar nos nomes para as mesmas e foi dado um tempo para que pudessem pesquisar. O primeiro grupo escolheu Saterê Mawé e o segundo grupo Tupinambá. 37 Foi perguntado aos envolvidos o porquê das escolhas dos nomes. A tribo Saterê Mawé disse, “achamos interessante, pois, significa inteligente e curioso”. O mesmo foi perguntado à segunda tribo, os Tupinambás, que disseram, “achamos um pouco confuso o significado, pois, vários apareceram, mas escolhemos por um dos que surgiram, optamos pelo significado: os descendentes dos primeiros pais”. A seguir, fizemos uma batalha de dança, a partir dos movimentos experimentados na aula de dança indígena e tiveram novamente a liberdade de criar seus próprios passos de dança. Feita a batalha, foi proposto que às duas tribos se unissem, desta forma, formando apenas uma tribo a qual teria que pensar ou pesquisar o nome para ela, não podendo ser os nomes utilizados anteriormente, com o objetivo de estimular o ato de pesquisar. Assim, depois de terem pesquisado e chegarem a uma definição, o nome escolhido foi: Ianomâmis que significa seres humanos. Com o intuito de potencializar o trabalho em equipe e promover a colaboração entre todos, fomentando a força de cada participante, deste modo, superando as dificuldades limitadas pelo corpo e mente, puderam com o auxílio da professora, enquanto observador participante, finalizar a ação do dia com uma única dança, na qual todos os indivíduos contribuíram para a evolução dos movimentos, em que todos os pertencentes de uma única “tribo”, unidos para alcançar um objetivo comum, compartilharam suas ideias e capacidades. Através da dança indígena, puderam aprender, se divertir, vivenciar e experimentar um universo de conhecimento histórico, cheio de valores sociais e culturais dos povos indígenas. Os participantes sugeriram que houvesse neste mesmo dia a oficina da dança europeia, assim finalizando as oficinas de dança com base na miscigenação entre a cultura negra, indígena e portuguesa (Gabay, 2010), a qual deu origem à dança do carimbó. Deixamos as entrevistas para o final da oficina da dança europeia. Abaixo segue de forma detalhada a ação através da matriz Europeia. 4º MOMENTO - OFICINA DE DANÇA EUROPEIA. A intervenção ocorreu na escola Santa Tereza D’Ávila pelo turno da tarde. Iniciamos a ação falando sobre a influência cultural europeia, que aconteceu principalmente pelos países colonizadores, com destaque para Portugal. Buscamos correlacionar a quadrilha europeia com a quadrilha de hoje no Brasil, dançada nas festas juninas, a qual faz parte da tradição herdada dos europeus, ademais, conhecer seus símbolos, história e perceber característica das danças europeias nas danças folclóricas do Brasil, para este projeto, a dança do carimbó. No início do século XIX, com a colonização portuguesa, principalmente a emigração da família real para o Brasil, a Festa Junina passou a ser celebrada religiosamente. A quadrilha europeia é caracterizada por homens e mulheres, possui muitos movimentos com os braços, com as mãos, sapateiam, se movimentam muito de um lado 38 para outro, muitos giros, trocando de casal, utilizam os movimentos da saia, e para dar ritmo à dança batem palmas e estalam os dedos. Além disso, as expressões faciais são marcantes. Todavia, está dança foi ganhando nova característica e tradição. Atualmente conhecida como quadrilha junina, foi sendo modificada em cada região, pois utiliza aspectos específicos da cultura popular típica da cidade ou dos estados brasileiros. Para mais, a beleza dessa dança reflete-se nesses aspectos diversificados da cultura popular, o que torna a dança repleta de cores, músicas e ricos elementos culturais. A Quadrilha é o destaque das comemorações juninas do Brasil. Acontecem principalmente nos ambientes das escolas, empresas e associações culturais. Os locais onde ocorrem os festejos são decorados com bandeiras e balões coloridos, símbolo peculiar da festa junina. Os dançarinos usam roupas de caipira, geralmente com estampa quadriculada. As mulheres (damas) vestem saia com anágua e uma blusa e/ou vestidos, além disso, fazem maquiagem e os homens (cavalheiros) para aqueles que não têm bigode, pintam bigodes e cavanhaques, e uns dos adereços indispensáveis é o chapéu de palha, o qual faz parte do acessório masculino. Logo após, iniciamos a parte prática, primeiramente foi posto para fazer a escuta da música europeia, para que pudéssemos conhecer o ritmo, percebendo assim a diferença entre a música da quadrilha europeia para a quadrilha junina do Brasil, além disso, irão poder perceber movimentos corporais transmitidos desta dança europeia para a dança do carimbó, com a qual este projeto será culminado. Assim, após a escuta e familiarização com o ritmo, dividimos o grupo em duplas e a partir de uma configuração espacial em círculo. A priori foram ensinados os movimentos básicos da quadrilha europeia, fazendo relação no primeiro momento com a quadrilha de hoje dançada no Brasil. Logo em seguida, associamos a dança europeia (quadrilha) com a dança do carimbó e foi incrível notarmos através do olhar e do corpo dos sujeitos a descoberta e o deslumbramento em perceber a ligação entre uma dança e outra. Apesar das perceptíveis dificuldades de interpretação, criação de movimento e timidez, apresentadas pelo grupo durante a realização das atividades de dança, ficaram evidentes a dedicação e empenho em tudo o que se propuseram a desenvolver, resultando em um trabalho harmônico entre corpo, movimento, som e imagem. No final da ação, nos reunimos numa roda de conversa e foram feitas as seguintes perguntas abertas e espontâneas e obtivemos as respetivas respostas: 1) Gostariam de comentar algo sobre as matrizes trabalhadas durante esses dias? Alguns ex alunos responderam que sim, no entanto, mostraram-se bastante inseguros para expor seus pensamentos. A7 :_ “... A indígena e a afro remeteram muito a época da 39 escolaridade, infância, que a gente dançava na escola, andava nos ensaios enfim... a europeia já lembrou muito a minha infância também! Porque, a música sei lá, lembra quando a gente era pequeno, dos filmes lembra muito, bastante! Esse sentimento de sei lá..., ao mesmo tempo de alegria, mas de conforto, não sei..., coisa similar, uma mistura. A1 :_” eu sentir muita facilidade na afro e indígena (risos), até porque a senhora foi minha professora, no ensino médio todinho, já vinha trabalhando isso, para mim, é tá em casa. Mas a europeia eu sentir um pouco de dificuldade, porque achei que é muito pescocinho”. 2) Perceberam algo em comum e/ou diferenças entre as danças da cultura negra, indígena e europeia? A6 :_ “... Apesar de termos outras influências culturais, a indígena traz um pouco da nossa realidade, do que nós somos.” 3) Houve alguma matriz de que vocês gostaram mais? A3 :_ “para mim, foi a indígena, porque desde criança a gente tem aquilo de resgatar todo ano o folclore e a gente vai lembrando, querendo ou não fica no nosso subconsciente. E a indígena eu lembrei até da minha infância, a gente colocava negócio de índio na cabeça, escutava as músicas...e é isso. 4) Algo que queiram perguntar? A3 :_” Apesar de não escutar essas músicas todos os dias, não ter essa conversa com essa música, a gente lembra daquele sentimento que fica no nosso subconsciente. Nesta perspectiva, constatou-se uma sensação de pertencimento com a cultura indígena, no 40 entanto, isso não exclui a importância e a influência deixada pelas outras culturas. Como vimos, a nossa cultura possui significações diversificadas e sua definição vai depender das vivências e experimentações e da forma que nos foi ensinado e apresentado no decorrer da nossa vida. Um dos intuitos de utilizar a entrevista foi para encorajar a interagir neste processo de conhecimento, enquanto sujeitos ativos, potencializando e aumentando a capacidade de pensar de forma reflexiva e/ou critica, agir e falar. Foram gravadas as vozes dos participantes com aparelho celular, sendo transcrita a fala para uma melhor análise dos dados coletados. Ao término da primeira parte deste projeto, o qual teve como objetivo resgatar de forma natural e espontânea, as manifestações expressivas da nossa cultura, assim, proporcionaram artifícios que orientassem os participantes a aumentar suas capacidades corporais e culturais, propiciando dessa forma o ensino-aprendizagem. A partir deste momento iniciaremos um ponto fulcral versa sobre a ampliação de possibilidades no ensino da dança, resultante da experimentação artística, na intenção de juntar, corpo, mente, sentimentos, visualidade e ações em um processo de atelier aberto de criação em dança, tendo como tema indutor “dança do carimbó: um mergulho ao passado”. Abaixo descreveremos de forma minuciosa a ação referente a segunda parte desta intervenção no espaço escolar. 2ª PARTE1º MOMENTO: OFICINA DE CARIMBÓ. A partir de agora adentramos na segunda parte, constituída por quatro momentos. Neste primeiro instante foi de suma importância fazermos uma breve explanação histórica sobre a origem da dança do carimbó, contando e mostrando de forma lúdica a miscigenação das culturas e suas contribuições corporais e culturais para a dança folclórica carimbó. Após a teoria, iniciamos a parte prática mostrando e ensinando de forma minuciosa os movimentos básicos para se dançar carimbó. Além disso, para enriquecer o aprendizado, foi sendo ensinado os passos de dança do carimbó fazendo referência a matriz negra, indígena e europeia, as quais foram trabalhadas na primeira parte deste projeto. Para além disso, foi mostrado seus significados, os quais muitos estão relacionados com o cotidiano, por exemplo: os movimentos que remete aos pescadores remando e pescando, a colheita, os movimentos que as saias das mulheres fazem, reporta-se às maresias dos rios que compõem o Estado do Pará, assim, a execução dos passos de dança foi feita a priori de modo mais lento e conforme os alunos foram assimilando os movimentos, fomos intensificando e acelerando o ritmo, tornando os movimentos mais rápidos, acrescentando os giros e os diversos remelexos que há nesta dança. Ao final da ação, convidamos todos os sujeitos a participar da roda de conversar, para que pudéssemos captar a 41 percepção dos envolvidos sobre a importância de se resgatar esta manifestação cultural do estado do Pará. As entrevistas foram feitas novamente de forma natural, com perguntas abertas e foram gravadas pelo celular. Captando somente as vozes dos alunos, nem todos se sentiram à vontade para responder. Entretanto, dos que quiseram contribuir, encontra-se logo abaixo a fala transcrita dos mesmos, partindo das seguintes perguntas abertas e logo após as respostas: 1) Conseguiram perceber dentro da dança do carimbó as matrizes que foram trabalhadas no primeiro momento? A1 :_” a roda está presente em todas, em todas as matrizes...tipo referencial.” Ex aluna:_” lembrou a dança europeia que tem que dançar com parceiro e o carimbó também tem.” 2) E qual a importância desta preservação cultural, neste projeto a dança do carimbó? A10 :_” ... por ser uma cultura do Pará, acho que deveria ter uma atenção muito maior, eu acho tipo quase virar uma matéria, porque o paraense tem que saber o carimbó! Tem muito paraense que conhece todos os ritmos lá de fora, mas o carimbó não sabe nem que existe as vezes, então acho que falta uma valorização das escolas, do governo, de criar leis(pensativo)como posso dizer... para fortalecer a nossa cultura paraense.” 3) Gostariam de comentar algo? A4 :_” não quero falar” (tímida). A10 :_” a força da dança que todas as três tem e o carimbó mais ainda, no sentindo de você se envolver com a música.” 42 É fundamental e de extrema relevância que a escola enquanto espaço de ensino esteja sempre aberta a valorizar e a prestar atenção às diversas manifestações populares e ao conhecimento de diversos grupos. Além disso, é importante que possa aproximar os alunos de múltiplas expressões culturais relacionadas às origens históricas e étnicas do patrimônio cultural brasileiro. Para mais, desempenhar um papel transformador na avaliação da diversidade, a fim de combinar conhecimento popular e educação (Alves, 2013). 2º MOMENTODANÇA DO CARIMBÓPROCESSO CRIATIVO. Para Verderi, (1998, p. 38) a dança é muito mais do que sua própria palavra inspira. Ela deve ser experimentada, vivenciada, pensada e sentida. O ato de dançar traz em si, um “encantamento” imanente, potencializador de construção de informação e formação capazes de habilitar os humanos a se tornarem seres mais íntegros, autônomos e participativos na construção da sociedade. No entanto, antes de adentrarmos nesta etapa, é interessante falarmos sobre a coreografia, a qual podemos predefinir como uma estrutura dada aos movimentos da dança para expressar uma ideia. Observamos também que se trata de um “desenho” de uma dança, destinada a se comunicar através dos gestos dos dançarinos, que estão abertos a várias interpretações. O momento como desenvolvemos uma coreografia, manipulamos elementos da dança, combinamos formas e fatores de movimento, construímos ações e relações, ativamos sons e ritmos, enfim, é o momento da composição, o momento em que desenvolvemos uma produção de dança, o produto sendo a coreografia (Barreto, 2004). Com base em Costa (2005), devemos fomentar as reflexões sobre o processo criativo em dança e o envolvimento dos participantes. Nesta etapa, os alunos tiveram os papéis de protagonista de sua própria ação. Foi proposto a todos os que puderam estar presentes que criassem uma composição coreográfica, que pudessem utilizar o que foi visto durante os módulos anteriores, a qual culminaria com a dança do carimbó para a apresentação final a comunidade escolar. O desafio lançado a eles foram compor uma coreografia no ritmo de carimbó que pudessem através desta dança contar sobre a origem do carimbó, perpassando pelos ritmos que originaram essa dança: afro, indígena e europeia. Com intuito de estimular a criatividade e a percepção dos participantes, pensamos num tema indutor para a criação coreográfica, visando a possibilidade de provocar um resgate cultural dos envolvidos, o qual denominamos: “dança do carimbó: um mergulho ao passado”. Deste modo, foi orientado que este processo de criação era livre, ou seja, eles poderiam enfatizar as três matrizes e/ou a qual eles quisessem trazer para a montagem dos movimentos. No decorrer do processo criativo, os alunos e alguns 43 funcionários foram estruturando as ideias e o espírito de equipe foi bem interessante. Era perceptível a colaboração de todos os envolvidos. Até os mais tímidos contribuíram e conseguiram interagir com seus colegas. Com o auxílio da professora e aproveitando todas as lições aprendidas até o momento, os alunos escolheram a música awaeté- (Silvan Galvão e André Nascimento) CD Tambores que cantam e deram início a criação da coreografia. No momento em que os participantes se colocaram enquanto sujeitos ativos da ação, alguns alunos disseram que “não queriam fazer feio”, “que estavam acostumados em apenas reproduzir o que já estava feito pelo professor”, mas foi sendo feito um trabalho de encorajamento, motivacional e estimulante, aumentando a autoestima de cada envolvido, mostrando a eles que vale a pena o esforço aplicado em tudo que façamos, o quanto é importante superar os desafios e nossas limitações. Neste processo coreográfico, no desenvolvimento da ação, tivemos que retornar algumas vezes na primeira parte desta intervenção, para relembrar aos participantes os movimentos das matrizes negra, indígena e europeia. Assim começaram a adquirir autoconfiança. Com o passar dos dias, os participantes ficaram mais entusiasmados, chegando com todo vigor na sala de aula. O senso de organização, responsabilidade e colaboração foi ganhando uma proporção excelente entre todos. Além disso, desde sempre foi dada liberdade de criar para que os alunos colocassem questões e partilhassem as suas ideias, desde que de forma ordenada. Estimulados ao trabalho colaborativo, o grupo de alunos se manteve focado na pesquisa sobre os assuntos abordados no projeto, nas observações e experimentos que vivenciaram em todo o processo da intervenção, resultando assim, numa composição coreográfica autêntica e inovadora. Foram dedicadas 4h durante 19 dias de processo de ensino-aprendizagem em dança, de preparação corporal, montagem coreográfica e ensaios intensos onde os participantes desenvolveram a percepção de identificar os diferentes movimentos e suas intensidades. A todo instante, buscou-se informações nas matrizes africanas, indígena e europeia, e nos movimentos básicos do carimbó, na tentativa de usá-los na contemporaneidade de forma ressignificada. Agimos dessa maneira no intuito de provocar inquietações sobre algo que historicamente faz parte do nosso contexto. Precisamos então exigir do coletivo uma intensa preparação física, e esta só poderia ser alcançada se todos compreendessem a necessidade de superação. Durante o processo de composição coreográfica, os alunos tentaram montar um enredo, numa iniciativa de articular e organizar as ideias que foram surgindo, que por sinal foram interessantíssimas. No entanto, não sabiam por onde começar, pois, sentiram dificuldade de aplicar as matrizes culturais de modo enfático na dança do carimbó. Além disto, foi percebida a dificuldade de alguns sujeitos de tomar a iniciativa, a insegurança com receio de fazer errado, a timidez 44 bloqueando na criação de movimentos. Todavia, muitos tinham um senso de liderança, com o qual começaram a compor a dança. Foi um momento impar e extremamente satisfatório perceber o cuidado de uns com os outros, e conforme os dias das ações foram passando os participantes foram conseguindo chegar a uma conclusão, a conversa entres todos foi fluindo, foram necessárias intervenções do observador participante, pois o grupo precisou de auxílio para organizar as ideias. Após muitas conversas decidiram evidenciar os movimentos da cultura negra e indígena, sem deixar de perpassar pela cultura europeia. Foram dedicados dias aos ensaios, correções, inovações e mudanças que os alunos precisaram para se preparar para a apresentação final da “dança do carimbó: um mergulho ao passado”. No decorrer dos dias em que a ação foi sendo aplicada, tivemos a oportunidade de estar entrevistando as coordenadoras pedagógicas da escola Santa Tereza D’Ávila, identificadas C1 e C2, está conversa com as coordenadoras foi muito importante para o desenvolvimento deste projeto, pois, foi essencial para ampliar o olhar da pesquisadora, além disso, permitiu compreender melhor a ação da sua práxis educativa, o que possibilitou agregar nas atividades/vivências do grupo de alunos e funcionários. Logo abaixo, encontra-se a transcrição das entrevistas, gravada no dia 30/11/2020, pelo aparelho celular em formato de vídeo, o qual tivemos o cuidado em transcrever minuciosamente, com seriedade e principalmente com uma conduta ética a fala do entrevistado. Para uma melhor compreensão as respostas estarão identificadas de acordo com o número das perguntas, as quais estão discriminadas a seguir: 1)- Considera que a arte, e em particular a dança, pode ter um papel importante no processo de ensino-aprendizagem? Se sim de que modo? Se não por quê? 2)- O que acha que deveria ser feito em vista a articulação da dança com a dinâmica do ensino-aprendizagem? Respostas da coordenadora C1: 1) _ “Sim, na verdade, a dança ela é uma arte onde ela mexe com o raciocínio da criança. A mente da criança fica mais espontânea, envolve corpo, movimento e tudo isso faz com que a criança ela se desenvolva. Então pra mim, a arte é essencial para o desenvolvimento da criança, é essencial.” 2) _ “Acredito que se nós tivéssemos no contra turno 45 especificamente a dança em particular, nós iriamos ter muitos alunos demostrando interesse pela dança e assim a aprendizagem como falei anteriormente. A dança ela desperta esse aprender do aluno, esse querer aprender, a criatividade do aluno. Toda arte ela compactua para que o aluno seja criativo e a dança em especial, como é corpo e movimento!? Né! Se articula, né!? Pra mim o ensino-aprendizagem ele é essencial, principalmente no momento que estamos vivendo hoje né! Que o aluno está muito sozinho. E esse grupo, essa dança, esse agir, esse pensar, esse articular, nossa, esse aluno..., o desenvolvimento dele, o pensar dele, com certeza melhora muito. Perguntas espontâneas: Enquanto a dança como prática pedagógica sendo uma disciplina extracurricular, como uma disciplina isolada, sem está dentro de uma outra grade curricular? Resposta a seguir: _ “Antes nós tínhamos os parâmetros curriculares nacionais e nós tínhamos essas disciplinas extracurriculares e dá muito certo, porquê dá para entrar no nosso currículo como extracurricular, porque é uma questão de aptidão, assim, como é aptidão para um ao outro aluno que não gosta, pode ver o aluno e dizer nossa, mas esse aluno está se articulando fazendo assim. Acredito que dá pra gente trabalhar como extracurricular, como disse anteriormente, principalmente no contra turno, onde as crianças vão ter uma segunda opção para fazer né!? Uma atividade diferenciada e acredito que dá sim pra fazer como extracurricular e é fundamental! Nós estamos precisando mesmo. Ao desenvolver da conversa a coordenadora se referiu a este projeto de intervenção, dizendo que “tinha tudo a ver com o novo ensino médio” que seria muito bom permanecer este projeto na escola. Abaixo está a fala da coordenadora Nilda explicando um pouco sobre esse novo ensino médio. _ “A dança, ela dá pra ser incluída no nosso novo ensino médio, nosso novo ensino médio, a gente está com uma 46 (...) Papel importante na educação dos corpos e do processo interpretativo e criativo [em] dança, pois dará aos alunos subsídios para melhor compreender, desvelar, desconstruir, revelar e, se for o caso, transformar as relações que se estabelecem entre corpo, dança e sociedade (Brasil, 1998, p.70). A escola poderá possibilitar e auxiliar no desenvolvimento comum do aluno através do ensinoaprendizagem imprescindível da dança. Visto que a dança promove progresso multilateral ao aluno, através de prática harmoniosa e expressiva, englobando suas técnicas de composição, percepção, improvisação e de interpretação dentre outras. Todavia, a dança também precisa ser trabalhada de forma contextualizada, pois, além das aulas serem aplicadas possibilitando ao aluno a oportunidade de desempenhar o conhecimento do seu próprio corpo, adquirindo noções de espaço, coordenação motora, musicalidade, auxiliando no equilíbrio e na flexibilidade, estimulando e aumentando a capacidade de criar e de socializar, é necessário que os alunos entendam o porquê e o para quê de dançar, conhecendo sua história e trajetória que cada dança traz consigo, fazendo relação com sua cultura e com o contexto do lugar. “A escola tem a possibilidade de fornecer subsídios práticos e teóricos para que as danças que são criadas e aprendidas possam contribuir na formação de indivíduos mais conscientes de seu papel social e cultural na construção de uma sociedade democrática” (PCN, 1998, p. 71). O ensino da dança tratada neste projeto não tem a intenção de formar bailarinos, mas o intuito de mostrar a possibilidade de a dança, quando empregada de forma educativa, poder contribuir para a educação e aprendizado dos alunos, podendo influenciar sobre seus sentimentos. Assim, este ensino deve ser experimentado, vivenciado e ensinado de maneira tranquila, sem exigir dos sujeitos, perfeitas técnicas. Esse conteúdo precisa de ser ensinado de forma leve, independentemente da faixa etária do seu público, levando os envolvidos a participar, a pensar e a criar, oportunizando, através dos movimentos, alcançar a consciência corporal, assim, conectando corpo e mente. Ademais, de forma natural, pretende-se que os participantes comecem a desenvolver movimentos espontâneos e expressões, melhorando seu aprendizado, convivência e respeito uns com os outros, desta maneira, para que não seja um adulto reprimido. Além disso, a dança possibilita o bem-estar, a qualidade de observar e analisar, deste modo, estimulando os alunos a criarem suas próprias opiniões, aprendendo a conviver com suas individualidades e a do próximo, respeitando os limites, adversidade e expressões culturais de cada um pertencente ao coletivo. 53 Visto que é na escola que o sujeito “irá se apropriar deste conhecimento de forma direta e intencional, permitindo o educando a ascender” (Avila, 2010, p. 5). Portanto, o professor exerce o papel de mediador entre o conhecimento que o aluno aprende em seu cotidiano e entre o conhecimento adquirido na escola. É fundamental que este educador considere neste processo educativo o cenário social e cultural, bem como os saberes que esses alunos já possuem, tendo o cuidado e atenção nas escolhas dos ritmos e estilos, reconhecendo os saberes que estes sujeitos apresentam, sem excluir ou diminui-los. Verderi (2009, p. 32) reconhece que o docente é aquele que cria e propícia oportunidade: "Para o processamento das atividades e o aluno, aquele que busca, dentro desse contexto, condições para o seu pleno desenvolvimento." Nesse relacionamento, os educadores também podem aprimorar o conhecimento que os alunos trouxeram e a partir daí explorar novas e mais complexas formas de conhecimento. Assim sendo, é essencial e relevante a busca de orientações pedagógicas e didáticas compromissadas com a realidade e valores éticos e morais para construção de uma sociedade mais digna e justa, com cidadãos críticos e reflexivos comprometidos com a realidade sociocultural brasileira. 4.1ANALISANDO OS QUESTIONÁRIOS DOS ALUNOS E EX ALUNOS. As perguntas do questionário avaliativo, foram aplicados a 01 (UM) aluno e 07 (SETE) exalunos, buscou informações pessoais e pedagógicas relacionadas com a dança, como veem a dança no universo escolar, quais as dificuldades em aprender a dança na escola. Os quais permitiram ter esse olhar crítico a partir da compreensão de todos os envolvidos, neste capitulo segue análise dos dados obtidos dos questionários aplicados aos alunos. Toda a interpretação dos dados visa compreender a percepção sobre o papel da dança na escola através dos olhares dos alunos e ex alunos. Na primeira pergunta do anexo A, sobre definição da dança e se gosta de dançar, algumas definições que surgiram foram: liberdade de expressão, bem-estar, vida, manifestação cultural, forma de expressar sentimentos e movimento. Esta informação confirma as ideias de alguns autores, que acreditam e afirmam que a dança é uma prática que pode proporcionar diversos benefícios e estão relacionados com os aspectos emocionais, culturais, intelectuais e físicos. Reafirmando está ideia, Gariba (2002) afirma que os proveitos vão desde a melhora da autoestima, incluindo o combate ao estresse, depressão e enriquecedor para as relações interpessoais. As respostas foram positivas em relação a pergunta se gostam de dançar, totalizando 08 (OITO) afirmativas. Na segunda questão, procurou-se saber se a dança está presente em seu dia a dia, tendo sido 54 respondido por 07 (sete) participante que a dança está presente no cotidiano da maioria dos alunos, através de companhia de dança, fitdance, show , festas e nas escolas em datas comemorativas, com exceção de uma aluna que afirmou que a dança “não está presente diariamente, mas em momentos específicos...como: São João, folclore.” Com o resultado da terceira questão que tinha por objetivo saber se a dança está suficientemente presente na escola, os 08 (oito) participantes diz que não, que a dança só é apresentada em tempos específicos, em dias comemorativos, que deveria ser vista como uma disciplina, que deveria ser mais valorizada, que deveria ter em todas as escolas, que é vista como algo que vai atrapalhar os alunos. Esta evidencia identificada nesta escola vai ao encontro do pensamento da autora Marques (2005), que afirma que a dança não está de maneira organizada e sistematizada no currículo escolar, somente em datas comemorativas. Deste modo, é necessário que os professores trabalhem a dança dentro do currículo escolar, e para este fim o planejamento é primordial e indispensável. Logo, intencionamos a visibilidade à dança com base no pensamento de Strazzacappa (2007, p.4) quando diz que a dança é “nosso patrimônio cultural imaterial”. É possível concluirmos a partir das respostas coletadas da segunda e terceira questão, que há possibilidade de haver ausência da prática da dança enquanto ensino-aprendizagem no espaço escolar. De acordo com as respostas da quarta e quinta questão, que perguntam se os alunos já tiveram aulas de danças, como foram suas primeiras aulas de dança, o que mais gostam nas aulas de dança e se há algo que não gostam, os 08 (oitos) participantes responderam que de alguma forma tiveram aula de dança, 03 (três) participantes disseram que o primeiro contato foi constrangedor, a timidez bloqueava o processo, além disso, tinham “vergonha de estar no meio sem saber muita coisa”. Para 05 (cinco) participantes a primeira interação com a dança foi muito tranquila, pois já tinham convívio com está arte, visto que, sempre gostaram de dançar. Hoje se sentem bem à vontade nas aulas de dança, compreenderam que a pratica da dança, é uma constante evolução para o autoconhecimento corporal, alguns querem seguir estudando na área da arte e outros apenas amam dançar, mas com pretensão em outras carreiras. Quanto ao que mais gostam das aulas de dança, vejamos algumas justificativas: “explorar novos ritmos”, “gosto de basicamente tudo, pois acho que tudo que aprendemos nas aulas agregarão na vida profissional ou pessoal”, “dos movimentos”, “do contato com os colegas”, “gosto da alegria que a dança transmite”, “gosto de quando acertamos a coreografia e dançamos em sintonia”, “gosto muito da hora de 55 montar a coreografia, todavia, os alunos não gostam de: “errar e esquecer a sequência”, “não gosto de ficar repetindo movimento”, “alguns ritmos não agradam” e “improvisos.” De acordo com os escritos de Verderi (2000) e Marques (2007), pesquisadoras da dança na escola, a dança trabalhada no espaço escolar é além do que meramente ensinar movimentos e técnicas aos alunos; a multiplicidade de suas características possibilita ensinar de forma prazerosa o potencial expressivo do corpo humano, visto que a motivação está presente no ensino da dança, com intuito de alcançar os objetivos relacionados a percepção corporal, criatividade, coordenação motora, dentre outros, que através da dança essa potencialidade humana possa ser despertada. As questões seis e sete estão relacionadas com a importância da dança na formação do aluno e suas contribuições ou não para o bom ambiente escolar e/ou para o sucesso do ensinoaprendizagem. Os 08 (oito) participantes respondeu que sim, que acreditam na importância da dança para a sua formação, no benefício que esta arte pode trazer às pessoas que a praticam, desta forma, acreditamos ser importante expor algumas respostas que obtivemos dos alunos: “impulsionou a seguir o caminho que estou hoje”, através da dança é transmitido sentimentos, cultura e aprendizagem”, “além de fazer bem para o corpo e mente, valoriza a cultura das danças locais, a história do país”, “ajuda na convivência em grupo” dentre outros. Essas respostas são consistentes com Ávila (2009) que afirma que a dança é o campo da comunicação e da expressão, transforma-se na arte do movimento e é um dos processos básicos da formação do aluno. Como parte integrante da cultura corporal, a educação em dança proporciona uma compreensão crítica e sensível do mundo, permitindo que as pessoas olhem dialeticamente para os produtos estéticos e culturais produzidos por diferentes formas de expressão. Ao mesmo tempo, também desperta o senso de pertencimento e cultura, além de promover a inclusão. Na oitava pergunta, procurou-se saber se os participantes gostaram de participar do projeto “dança do carimbó no espaço escolar: valorizando a cultura regional”, de maneira positiva, seguem algumas justificativas: “sim, aprender sobre nossa cultura paraense é sempre maravilhoso”, “sim, amei! Porque eu aprendi coisa que eu mesmo não sabia da dança da minha região”, “sim, pois aprendi muito sobre a história do carimbó e o quanto devemos valorizar mais a nossa cultura”, “sim, por que pude aprender mais sobre o carimbó, suas matrizes, apesar de ser um estilo de dança sempre presente, eu não tinha o conhecimento teórico e prático”, “sim, porque aprendi sobre às três culturas principais na formação do carimbó...”, “o projeto veio resgatar essa nossa cultura que muitas vezes é deixada de lado..., e que as 56 escolas deveriam investir na nossa cultura”, “...aprender mais sobre minha cultura e trajetória do meu povo através da dança.”, “sim, foi bem prazeroso participar do projeto...”. A partir do que foi dito pelos participantes é plausível concluirmos que oferecer aos alunos oportunidades de experimentar diferentes estilos de dança, associar sua prática a aspectos históricos e sociais ajuda o meio em que vive com os outros e consigo mesmo. Para Gariba (2005, p. 1), a arte da dança e a sociedade “são interdependentes desde sempre”, não é possível falar da história da dança sem falar da história do homem, elas estão interligadas, “elas se completam”. Reconhece ainda (2005, p. 2) que conhecer a si mesmo e conhecer a pratica da dança “passa pela necessidade de conhecer sua história e as manifestações culturais de seu povo”. Entre outras coisas, danças folclóricas e danças urbanas são particularmente bons modelos para se mencionar a relação entre as danças, exemplos do papel que a dança desempenha entre os alunos e existem várias expressões culturais estabelecidas. As pessoas entendem sua origem, o contexto, seus figurinos, qual é sua base e quais os movimentos que os tornam únicos. Essas danças com suas características promovem integração, sociabilidade, prazer, diversão e respeito aos costumes das diferentes sociedades. Dançar, além da prática artística que ela traz, vai além de se apresentar nos palcos, está sempre relacionada com a cultura de uma sociedade e o seu movimento de transformação, adaptação e desafios dos tempos. Na nona e última questão, perguntamos se gostariam de contribuir com alguma sugestão, obtivemos as seguintes respostas: “ele está excelente!”, “não, pois acredito que o projeto está muito bom”, “o projeto está perfeito...”, “sim, eu gostaria que tivesse mais projetos e com mais ritmos e estilos de dança”, “gostaria que mais pessoas tivessem acesso ao prazer que a dança me trouxe”, “estou contribuindo com a minha opinião nas aulas, nesta sendo ótimo...”. Percebemos que os participantes conforme a fala de cada envolvido, gostaram do projeto e da forma que ocorreu, apesar de todas as dificuldades que tivemos. Todavia, sabemos o quanto é necessário melhorar e a perfeiçoar este projeto de intervenção, mas reconhecemos que dada atual conjuntura de pandemia, foi feito o melhor possível! 4.2ANALISANDO OS QUESTIONÁRIOS DOS PROFESSORES. Neste projeto de intervenção, constatamos ser importante analisar o papel da dança na escola, através do ponto de vista do professor, referente as transformações que a dança pode propiciar à vida do 57 educando. Podendo essas mudanças alcançarem o ambiente escolar e familiar, além disto, perceber qual atribuição que os mesmos detêm relacionado ao papel da dança na formação do indivíduo, desta forma, buscando provocar nos inquiridos uma reflexão crítica sobre o assunto aqui tratado, além de possibilitar ampliar esta concepção, que muitas vezes nos deparamos de que a prática da dança no espaço escolar é meramente para o entretenimento nas datas festivas. Os professores responderam a um questionário de avaliação, com seis perguntas abertas referentes ao ensino da dança no espaço escolar. A identidade dos participantes e o sigilo das informações serão mantidos, evitando assim, qualquer tipo de constrangimento. Sendo assim, usaremos para identificação dos professores P1; P2; P3 e P4. Apenas quatro professoras aceitaram responder ao questionário, outros tiveram resistência, devido haver insegurança sobre o assunto. A seguir, descreveremos as perguntas , respostas e logo após suas possíveis análises e discurssões. 1Você acredita que a dança na escola é importante para a formação dos alunos? Porquê? P1:_ “Sim, é importante, pois através da dança desperta a alegria e favorece a auto estima das pessoas em viver melhor com mais entusiasmo e muda sua rotina de vida.” P2:_ “Sim, pois trás (traz) diversos benefícios para saúde.” P3:_ “Sim, pois por meio da dança os alunos podem explorar sua capacidade de criar, de aprender e de se expressar.” P4:_ “Sim, despertar novos talentos, estimular para uma profissão, ocupar bem o tempo dos jovens principalmente em lugares onde não há programas do governo." Acerca do acima exposto, fica evidente que o ensino da dança é essencial para a formação dos alunos, ao ponto de vista dos inquiridos, facilitando e desenvolvendo sujeitos críticos, participativos e reflexivos. Pode-se dizer, que está arte da dança enquanto ensino-aprendizagem neste processo educacional não se resume em promover somente coreografias para os dias festivos, ou formar bailarinos, ou apenas para preencher os espaços vazios nos horários vagos das aulas. Todavia, o processo educacional através da dança, contribuí para o progresso das potencialidades e habilidades humanas, despertando sua relação com o mundo, possibilitando e facilitando na construção de conhecimento. Pudemos perceber na fala do P3, que afirma que por meio da dança, o aluno pode explorar sua capacidade de criação, aptidão de aprender e de se comunicar. 58 Verderi (2009) afirma: a dança na escola deve proporcionar oportunidades para que o aluno desenvolva todos os seus domínios do comportamento humano e, por meio de diversificações e complexidades, o professora contribua para a formação de estruturas corporais mais complexas. Ao buscar uma prática educativa mais articulada com a realidade escolar, o ensino da dança prepara o corpo e a mente dos alunos para que possam se exercitar conforme necessário, por meio de movimentos espontâneo e precisão dos gestos. Desse modo, percebemos que dançar na escola não é uma arte da performance, mas uma educação pela arte. E é de fundamental importância para se alcançar os objetivos educacionais e o desenvolvimento emocional e social do educando. Está ideia é reforçada com o pensamento de Pereira (2001, p. 61) que afirma em relação ao ensino da dança que o seu conteúdo é essencial: (...) “A ser trabalhado na escola: com ela, pode-se levar os alunos a conhecerem a si próprios e/com os outros; a explorarem o mundo da emoção e da imaginação; a criarem; a explorarem novos sentidos, movimentos livres (...) Verifica-se assim, as infinitas possibilidades de trabalho do/ para o aluno com sua corporeidade por meio dessa atividade” (Pereira, 2001, p.61). Portanto, esta abordagem pode trazer grandes mudanças internas e externas ao comportamento dos alunos, por meio da expressão e da forma de pensar. 2Você pode imaginar benefícios ou malefícios que a dança na escola traria ao desenvolvimento dos alunos? Quais? P1:_ “A dança trás (traz) benefícios para o corpo e mente e fortalece a alma com muita energia. O desenvolvimento intelectual das pessoas que dançam é o despertar para seu novo conceito da vida e da arte de sonhar.” P2:_ “Benefícios que a dança pode proporcionar é o bem-estar, leveza, aminação (animação), determinação e força.” 59 P3:_ “Benefícios, dessa forma, a atividade contribui para o processo de aprendizagem, contribuindo social, emocional, corporal e intelectual.” P4:_ “Se bem associado com a parte pedagógica só pode acontecer benefícios, pois se os programas de dança acompanharem as notas e desempenho dos alunos em sala e selecionarem sem deixar que o aluno apresente bom desempenho na dança e em sala de aula.” Iniciamos está discussão analisando a fala do professor P4, que apesar de percebermos uma visão do ensino da dança ainda precária, com um deficit de compreensão, talvez de conhecimento e reconhecimento da dança, enquanto ensino potencializador de transformação e construção de saberes, sendo notório a percepção da prática da dança apenas para estímulos a outras disciplinas, isolando-a da sua verdadeira contribuição educativa na formação de cidadãos. Nesta perspectiva, Fux (1983) declara: [...] “dançar, então, não é um adorno na educação, mas um meio paralelo a outras disciplinas, que formam em conjunto a educação do homem. Integrando-a nas escolas de ensino comum, como mais uma matéria formativa, reencontraríamos um novo homem, com menos medos e com a percepção de seu corpo como meio expressivo em relação com a própria vida.” No entanto, ainda sim, é possível notarmos nas falas dos professores uma possibilidade de mudança de pensamento em relação ao ensino-aprendizagem através da dança, permitindo que está arte de dançar, ultrapasse as barreiras dos preconceitos e da desvalorização perante as demais disciplinas, possibilitando que a dança ocupe seu lugar na educação. Ademais, não foi exposto nenhum, tipo de malefícios em relação à dança na escola. As respostas dos professores inquiridos foram todas positivas, ficando evidenciado a suma importância desta arte no ambiente escolar para os alunos e para quem a pratica. 3Você considera que a arte, e em particular a dança, pode ter um papel importante no processo do ensino-aprendizagem? Se sim, de que modo? Se não, porquê? P1:_ “A dança é uma arte de mover a mente e processa uma aprendizagem em desempenhar a linguagem corporal e mental, facilitando assim seu raciocínio mais rápido e preciso, provocando 60 mudanças de comportamento para melhor pensar em uma vida familiar, social e ética diante da sociedade e viver com mais intensidade e amor na vida. Ensinar a dançar, aprendemos uns com os outros, a cada passo é seu novo destino em aprender as potencias que temos, pois a alma conduz o corpo e a mente na dança.” P2:_ “Sim, de modo despertar criatividade, inovação, proatividade, trabalho em equipe, fortalecimento de amizade. P3:_ “Sim, no meio da dança permite momentos de pesquisa e reflexão.” P4:_ “Sim, pode ser um grande estimulador para os alunos alcançarem bom desempenho em sala e assim participarem dos projetos de dança, caso contrário impedir a participação.” Diante do que foi dito pelos professores acima, fica claro que é preciso e se faz necessário a compreensão referente ao processo de ensino-aprendizagem, o qual se dá através do relacionamento entre sujeitos que detêm sua história de vida e que fazem parte de um contexto comum. Nesta concepção, o processo de ensino-aprendizagem vai acontecer através desta relação entre os indivíduos de forma contínua e da socialização de vivências, experiências e saberes que cada pessoa traz consigo. O pensamento do professor P1 faz-nos compreender que a atribuição educacional da dança propõe-se alcançar o desenvolvimento corporal, emocional, social e cultural do aluno. De maneira que expanda seu olhar na sociedade, assim, transformando-o num indivíduo pensante, sendo capaz de contribuir com essa sociedade. Para Bertoni (1992), a dança como elemento educacional proporciona o desenvolvimento psíquico, social, anatômico. Nessa perspectiva, o ensino-aprendizagem por meio da dança contribuí para uma educação corporal e responsável globalmente, propiciando diferentes benfeitorias no que tange aos aspectos anatômicos, sociais e intelectivos. O ensino com a prática da dança também possibilita a descoberta e o despertar do próprio corpo e o reconhecer de que cada sujeito possui diversos modos de se movimentar, e este reconhecimento originara conscientização no aluno relacionado com o respeito pela individualidade dos seres humanos. Todavia, ao nos depararmos com o discurso do professor P4, podemos perceber o enfrentamento que o ensino da dança nas escolas ainda terá que encarar, para ter seu real papel na educação reconhecida, pois é possível perceber através do pensamento do professor que a dança pode vir a comprometer o desenvolvimento do aluno em sala de aula nas demais disciplinas, sendo perceptível a desvalorização da educação através da arte. Neste caso, a dança, quando o professor P4 diz que, caso o rendimento dos alunos decaia, o mesmo deve ser impedido de permanecer nas aulas de dança, fica mais claro a ideia de que a dança mencionada pelo professor é apenas para recreação dos 61 alunos, podendo ser retirada da vida do aluno a qualquer momento, o que reforça a fala do aluno B1 quando diz “a dança ainda é vista como algo que vai atrapalhar os alunos...”, diante disso, expomos a ideia de Verderi (2009) quando declara: “O professor deve conscientizar-se de que o momento é de inovar e ousar [...]” Com tal afirmativa, ressaltamos a importância da dança no processo de ensino-aprendizagem, pois, tanto quanto falar, contar ou aprender português, geografia e/ou qualquer outra disciplina, são imensuráveis os benefícios que a arte traz para o aluno, deixando de ser um ensino repressivo e sem encanto. Desta forma, o ensino se torna interessante, quando a educação une corpo e mente, fomentando o pensar em termos de ações corporais para dominá-las, não apenas se preocupar com a escrita, o raciocínio lógico abstrato e a linguagem. Mas sabemos que este é um processo inacabado, sendo que o aluno e professores são sujeitos na construção de conhecimento e estão inseridos culturalmente com vivências, experiências e histórias representativas e intrínsecas de vida . 4O que acha que deveria ser feito em contexto escolar, tendo em vista a articulação da dança com a dinâmica do ensino-aprendizagem? P1:_ “A arte da dança, desperta a curiosidade e a cada canção move os movimentos do corpo e provocar um intusiasmo (entusiasmo), por isso deveria ter grupos de danças que englobassem também a família dos alunos para motivação e armonia (harmonia) com mais compreensão e entusiasmo para viver com mais alegria na vida.” P4:_ “Só participar dos projetos quem apresenta bom desempenho em sala de aula. Ensaios e estudos sobre o assunto deveriam ser realizados no contra turno para não atrapalhar os alunos em sala. De acordo com a fala do professor P1, este reafirma o que foi explanado na literatura, no qual cita o desenvolvimento do bem-estar do aluno, permitindo as diversas possibilidades, capacidade e potencialidades tanto e físicas como expressivas do corpo. É interessante na fala do professor quando menciona neste processo um grupo importantíssimo da comunidade escolar que é a família, sendo perceptível nesta ideia a dimensão que o ensino através da dança pode alcançar na vida do aluno. Podese notar no que diz o professor P4 que é possível o mesmo desconhecer os benefícios e o papel que a dança enquanto pratica pedagógica dentro do contexto escolar traz consigo. O professor afirma novamente que a dança atrapalha a vida escolar dos alunos, reforçando que os alunos com rendimento baixo na sala 62 4Já teve aulas de dança? Como foram suas primeiras aulas de Dança? Como você se sente hoje nas aulas de Dança? 5O que mais gosta nas aulas de Dança? Há algo que você menos gosta nas aulas de Dança? 6Você acredita que a dança na escola é importante na sua formação? Porquê? 7Você acha que a dança contribui, ou não, para o bom ambiente escolar e/ou para o sucesso do ensino/aprendizagem? Porquê? 8Você gostou de participar do projeto “dança do carimbó no espaço escolar: valorizando a cultura regional”? Porquê? 9Você gostaria de contribuir com alguma sugestão para melhorar o projeto? Obrigada pela sua participação! 69 Apêndice B - 2º Questionário aplicado aos professores Cara(o) funcionária(o) da Escola…, Primeiramente, gostaria de agradecer a sua participação nesta pesquisa que é parte integrante do projeto de Mestrado intitulado: “A importância da dança na escola e seu significado social e cultural em relação à formação educacional”. Este projeto faz parte do mestrado Comunicação, Arte e Cultura da Universidade do Minho em Portugal, que está a ser desenvolvido pela mestranda Aline Augusta Coelho Martins, sob orientação da professora doutora Helena Pires. O projeto tem como um dos seus principais objetivos perceber o papel da dança na escola através dos olhares dos alunos, ex alunos e funcionários e intervir, a título experimental, no meio. Para presente questionário, não existem resposta certas ou erradas, apenas se pede que responda de acordo com sua opinião. Sua participação significará muito para o desenvolvimento deste projeto. Nome: Idade: Sexo: ( ) masculino ( ) feminino Formação escolar:_ Função: 1Você acredita que a dança na escola é importante para a formação dos alunos? Porquê? 2Você pode imaginar benefícios ou malefícios que a dança na escola traria ao desenvolvimento dos alunos? Quais? 3Você considera que a arte, e em particular a dança, pode ter um papel importante no processo de ensino-aprendizagem? Se sim, de que modo? Se não, porquê? 4O que acha que deveria ser feito em contexto escolar, tendo em vista a articulação da dança com a dinâmica do ensino-aprendizagem? 70 5Você acha que a dança contribui positivamente, ou não, para o bom ambiente escolar e/ou para o sucesso do ensino/aprendizagem? Porquê? 6Você gostaria de contribuir com alguma sugestão para melhorar o projeto? Obrigada pela sua participação! 71 REFERÊNCIAS Alcades, Thais Rodrigues; Fernandes, Rita de Cassia; Rocha, Adenilson José de Araújo (2011). A dança como conteúdo da Educação Física escolar e os desafios da prática pedagógica . Alves, W. F. (2013) A organização do trabalho pedagógico na formação continua da em Educação Física Escolar: para além do paradigma conservador. Ávila, Regiane. (2009) Dança, cultura e educação: contribuições da pedagogia histórico-crítica . Barreto, D. (2004) Dança... Ensino, sentidos e possibilidades na escola . São Paulo: Autores associados. Batalha, A. & Xarez, L. (1999). 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