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The future use of internet as a communication, information and selling channel, by fast moving consumer goods companies.

Dutschke, Georg; Junco, Julio Garcia del

Abstract

A Internet é uma realidade, que tal como a conhecemos hoje, tem apenas 9 anos, e está a passar por um momento de indefinição sobre as suas mais valias como tecnologia que permita criar novos modelos de negócio, ou como um novo canal de comunicação e venda. A evolução da Internet continuará a ser muito rápida, mas existe ainda uma grande dificuldade das empresas em conseguirem perceber como será no futuro e como pode ou deve ser utilizada. Em ambientes estáveis as mudanças são previsíveis, mas em ambientes incertos, como é a Internet, torna-se difícil tomar decisões, implementar estratégias e fazer investimentos que podem ser elevados e de risco quanto ao retorno esperado. Este trabalho tem como objectivo encontrar respostas para algumas das incertezas relacionadas com o uso da Internet pelas empresas que podem vir a condicionar os seus mercados no futuro, bem como ter implicações nos respectivos negócios.

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473 THE FUTURE USE OF INTERNET AS A COMUNICATION, INFORMATION AND SELLING CHANNEL, BY FAST MOVING CONSUMER GOODS COMPANIES. Georg Michael Jeremias Dutschke Julio Garcia del Junco RESUMO A Internet é uma realidade, que tal como a conhecemos hoje, tem apenas 9 anos, e está a passar por um momento de indefinição sobre as suas mais valias como tecnologia que permita criar novos modelos de negócio, ou como um novo canal de comunicação e venda. A evolução da Internet continuará a ser muito rápida, mas existe ainda uma grande dificuldade das empresas em conseguirem perceber como será no futuro e como pode ou deve ser utilizada. Em ambientes estáveis as mudanças são previsíveis, mas em ambientes incertos, como é a Internet, torna-se difícil tomar decisões, implementar estratégias e fazer investimentos que podem ser elevados e de risco quanto ao retorno esperado. Este trabalho tem como objectivo encontrar respostas para algumas das incertezas relacionadas com o uso da Internet pelas empresas que podem vir a condicionar os seus mercados no futuro, bem como ter implicações nos respectivos negócios. ABSTRACT Internet is a reality, that as we know it today, has only 9 years, and is now passing trough a moment of doubts about its potential as a technology that allows creating new business models or as a new communication and selling channel. The Internet evolution will keep on being very fast, but still existing high difficulties in organizations to understand how it will be in the future and how it can or should be used. In stable environments changes could be predicted, but in non-stable environments, as Internet, is very difficult for organizations to take decisions, develop new strategies or making high value investments taking the risk of uncertain returns. This work wants to find answers for some of the uncertainties related with the future use of Internet by organizations that could affect their markets, and this way, respective businesses. PALAVRAS CHAVE / KEY WORDS Internet, Empresas, Delphi, Comercio Electrónico / Internet, Organizations, Delphi, e-Commerce 1. O MÉTODO DELPHI O actual estado da Internet origina um elevado nível de incerteza tecnológica e estratégica (Porter, 1982). A incerteza tecnológica está relacionada com a grande dinâmica de inovação da Internet e dos seus meios de acesso, e a incerteza estratégica com a falta de experiência e conhecimento das empresas que as impede de identificar e implementar as estratégias mais adequadas à sua realidade. Existem ainda outras incertezas que podem ser relevantes e se devem ao pouco conhecimento sobre como os futuros consumidores vão utilizar a Internet e os seus diferentes meios de acesso, e com possíveis constrangimentos tecnológicos, legais e sociais no CITIES IN COMPETITION 474 seu uso. Segundo Fernandez (2002) as diferenças no ambiente externo ás empresas condiciona o tipo de técnicas adequadas em cada caso para avaliar a possível evolução futura. Neste sentido, as técnicas, de Previsão e Prospectiva, podem ser utilizadas para tentar explicar ambientes futuros estáveis ou turbulentos, respectivamente. Para Menguzzato e Renau (1991) citados por Fernandez (2003), a previsão consiste na determinação e acompanhamento com um certo grau de confiança da evolução de variáveis num determinado período de tempo. Trata-se de uma análise quantificada e a partir de dados do passado que se assumem como válidos num futuro estável ou com alterações pouco relevantes e lentas. Pelo contrário, a Prospectiva, utiliza-se em cenários de futuro possível mas incerto, ou seja, que pode ser influenciado e explicado quer pela acção dos indivíduos quer pelos dados do passado. As técnicas Prospectivas, permitem a consideração de informação qualitativa na análise da evolução do comportamento dos factores que definem e influenciam o ambiente externo à empresa, permitindo obter uma visão mais global, e a possibilidade de ter em consideração os factores qualitativos, as estratégias e os respectivos indivíduos capazes de as decidir e implementar (Nicolon e Decouflé, 1972 citados por Fernandez, 2003). Entre as possíveis técnicas Prospectivas, existem as denominadas técnicas de grupo, que se caracterizam como sendo um conjunto específico de procedimentos, utilizados para a formação de uma visão única, a partir de um grupo de pessoas (Sniezek, 1990 citado por Fernandez, 2003). O método Delphi, é uma das técnicas desenvolvidas para analisar e avaliar a opinião de grupos. Este método foi desenvolvido pela Rand Corporation na década de 50. De acordo com Bouzada (1984), o método Delphi é uma técnica que consiste numa serie de sessões de brainstorming, nas quais se tenta evitar a influencia de factores psicológicos, cuja má influencia pode reduzir o valor das opiniões dadas pelo conjunto de especialistas consultados. De acordo com Fernandez (2002), o método Delphi é provavelmente o sistema mais conveniente para previsões a longo prazo, bem como para identificar as novas tecnologias ou variáveis que podem originar modificações na extrapolação de séries temporais. Segundo Godet (1997) o método Delphi tem por objectivo evidenciar as convergências de opinião e destacar certos consensos sobre assuntos muito concretos, graças à interrogação de peritos, por meio de questionários sucessivos. Uma das vantagens deste método é a quase certeza de se obter um consenso final dos questionários sucessivos. Alem disso, a informação recolhida durante o inquérito sobre os acontecimentos, tendências, e rupturas determinantes para a evolução futura do problema estudado, é geralmente rica e abundante. Finalmente, este método pode ser utilizado tanto no domínio da gestão, da economia, da tecnologia, como das ciências sociais. De acordo com Pareja (2003), o método Delphi, é uma técnica que permite obter opiniões de consenso em grupo, sobre um determinado assunto específico e é útil como ferramenta exploratória para o prognóstico tecnológico ou sobre a educação (por exemplo, como serão utilizados os computadores daqui a 30 anos). INNOVATIONS AND TECHNOLOGY PROJECTS AND OPERATIONS MANAGEMENT IN THE CITY DEVELOPMENT 475 Segundo Bouzada (1984) o método Delphi, tem três características principais: 1. Respostas anónimas A opinião dos especialistas consultados obtém-se através de um questionário ou outro meio de comunicação formal, com o objectivo de diminuir a influência dos indivíduos dominantes; 2. Interacção com rectroacção controlada A interacção realiza-se através de um procedimento sistemático sobre várias interacções, com uma rectroacção entre cada uma das etapas cuidadosamente controlada, para alcançar o objectivo de reduzir os erros de transmissão das mensagens; 3. Resposta estatística do grupo A opinião do grupo define-se como um conjunto válido das opiniões individuais na fase final, ou seja, garante que a opinião de cada elemento do grupo está devidamente representada na resposta e visão final. Desta forma, reduz-se a pressão do grupo sobre cada indivíduo, até obter-se uma opinião global e de preferencia unanime; Para Pareja (2003), o método Delphi pode-se aplicar de uma forma síncrona ou assíncrona. No primeiro caso, os membros do grupo recebem as opiniões dos outros membros de forma imediata e a sua revisão é também quase imediata. No segundo caso, os participantes recebem as opiniões em papel ou por correio electrónico e as suas opiniões podem ser revistas com algum tempo de espera. Não é necessário que o grupo de “especialistas” se encontre fisicamente no mesmo local. Geralmente estão dispersos geograficamente, pelo que o importante é ajustar o processo de comunicação á situação. Segundo Bouzada (1984), a validade das conclusões depende muito do questionário e da selecção dos especialistas. Para tal as perguntas do questionário devem ser claras, precisas e sem ambiguidades, com o objectivo de evitar respostas de interpretação imprecisa, vaga ou errónea, e os especialistas devem ser as pessoas mais competentes na sua especialidade. Devem ser seleccionados indivíduos com experiências diferentes, mas que possam ter uma grande influência em decisões tomadas ou a tomar sobre a matéria em estudo. A participação dos especialistas deve ser feita a titulo estritamente pessoal. De acordo com Bozada (1984) e Godet (1997) o método para ser válido exige um número mínimo de questionários respondidos superior a 25. Para Pareja (2003), podem-se identificar dez passos na implementação deste método: 1. Definição do problema. Em alguns casos, este pode ser precisamente o objecto da utilização do método; 2. Formação do grupo que aborde um tema especifico. Normalmente os membros do grupo são especialistas no tema que se pretende estudar. Dentro do grupo, podem-se formar subgrupos (painéis). Um dos subgrupos pode-se dedicar à análise dos resultados obtidos em cada envio das perguntas durante o processo; 3. Desenho do questionário que se utilizará no primeiro envio das perguntas aos especialistas; CITIES IN COMPETITION 476 4. Teste do primeiro questionário. Por vezes a estrutura e a formulação das perguntas pode originar resposta não apropriadas. Deve-se evitar a ambiguidade e a pouca clareza nas perguntas. Estas devem ser muito precisas e não sujeitas a interpretações; 5. Entrega do questionário aos especialistas; 6. Análise das respostas obtidas no primeiro envio; 7. Preparação das perguntas para o segundo envio, e aproveitamento das respostas obtidas ao primeiro envio para afinar algumas perguntas. 8. Envio do segundo questionário aos especialistas; 9. Análise das respostas ao seguindo envio (os passos 5 a 9, devem-se repetir até que se obtenha um consenso e estabilidade nas respostas); 10. Preparação da informação por parte de quem analisa os resultados, para apresentação das conclusões. 2. A APLICAÇÃO DO MÉTODO DELPHI À INVESTIGAÇÃO APRESENTADA 2.1. O GRUPO DE ESPECIALISTAS Para conseguir obter uma visão abrangente e imparcial sobre a importância futura que a Internet poderá ter para as empresas que comercializam produtos ou serviços de grande consumo e tentar identificar quais os respectivos meios que devem ser utilizados para os comunicar e comercializar, considerámos importante juntar um grupo de especialistas com diferentes experiências mas complementares e de áreas profissionais diferenciadas. Todos os especialistas do grupo têm que tomar decisões sobre o uso comercial da Internet nas suas empresas como vendedores, utilizadores ou consultores com a excepção de um estudante de MBA que se dedica a tempo inteiro ao estudo académico das novas tecnologias e em particular da Internet no Japão. O grupo inicial de 42 especialistas foi composto da seguinte forma: Profissionais de empresas de Hardware e Software – 5 Profissionais de empresas de Acessos e Conteúdos de Internet – 8 Responsáveis de Marketing de Empresas de Grande Consumo – 12 Directores Gerais de Médias Empresas – 2 Consultores de Marketing – 3 Consultores de Internet – 5 Pessoas com experiência passada em projectos de Internet – 3 Professores e Estudantes de MBA ou Doutoramento – 4 Após as quatro interacções realizadas o grupo de especialistas com resposta e participação válidas foi de 34 indivíduos repartidos da seguinte forma: Profissionais de empresas de Hardware e Software – 5 Profissionais de empresas de Acessos e Conteúdos de Internet – 6 Responsáveis de Marketing de Empresas de Grande Consumo – 10 Directores Gerais de Médias Empresas – 1 Consultores de Marketing – 3 Consultores de Internet – 4 Pessoas com experiência passada em projectos de Internet – 2 Professores e Estudantes de MBA ou Doutoramento – 3 INNOVATIONS AND TECHNOLOGY PROJECTS AND OPERATIONS MANAGEMENT IN THE CITY DEVELOPMENT 477 O grupo de especialistas foi sempre bastante colaborativo e na maioria cumpridor dos prazos solicitados nas respostas ao envio dos questionários (os atrasos existentes não foram relevantes para a boa condução da investigação). 2.2 O QUESTIONÁRIO O questionário inicial tinha 25 perguntas que no final se traduziram em 55 variáveis (47 consideradas como muito relevantes para a análise do modelo investigado). O primeiro questionário foi testado, corrigido e validado por dois dos especialistas que depois fizeram parte do grupo, antes de ser enviado. Sendo este tema muito recente e com pouca informação disponível que permita desenvolver um questionário apenas com perguntas fechadas optou-se inicialmente por um questionário com 17 perguntas abertas cujas respostas foram resumidas, agrupadas em conceitos e transformadas em perguntas fechadas após a primeira interacção. Esta decisão permitiu identificar e obter um importante conjunto de informação e opiniões que depois foram reenviadas para o grupo e avaliadas por todos os especialistas. O primeiro questionário foi feito em Microsoft Word sendo os três seguintes em Microsoft Power Point. Após a recepção e análise das respostas obtidas ao primeiro envio foi elaborado um segundo questionário com as mesmas perguntas que o primeiro, mas já com as opiniões agrupadas por ordem de importância. Neste questionário foram listadas todas as opiniões recebidas (mesmo as com muito pouca importância) em gráficos de Power Point. O segundo questionário foi enviado na totalidade (todas as perguntas), para todos os especialistas, por correio electrónico, sendo as respostas obtidas pela mesma via. Após a recepção e análise das respostas obtidas ao segundo envio, foi elaborado um terceiro questionário, identificando quais as perguntas com respostas consensuais, e quais as não consensuais. Foram também eliminadas as respostas pouco representativas. Desta forma foi possível construir um novo questionário, apenas com perguntas fechadas, e baseado nas opiniões obtidas pelo grupo nas duas respostas anteriores. O terceiro questionário foi enviado, para todos os especialistas que responderam ao segundo envio, por correio electrónico, e as respostas obtidas pela mesma via. Após a recepção e análise das respostas obtidas ao terceiro envio, foi elaborado um quarto questionário, identificando quais as perguntas com respostas consensuais, e quais as não consensuais. O quarto questionário foi enviado, apenas para os especialistas que tinham opiniões não consensuais (fora do intervalo de respostas entre o 1º e 3º quartil) nas perguntas onde ainda não havia consenso. Este questionário foi enviado por correio electrónico, e as respostas obtidas pela mesma via, ou por reunião pessoal com os autores. Após a recepção das respostas a cada envio / interacção foi efectuada uma análise às opiniões dos especialistas com base no calculo da média, mediana e espaço interquartil, sendo nas respostas em que tal não foi possivel feito através do calculo da importância absoluta e relativa. Esta informação foi sempre reenviada para os especialistas na interacção seguinte, com o objectivo de dar a conhecer a opinião do grupo e ajudar na criação (ou não) de consensos. CITIES IN COMPETITION 478 As datas de envio dos questionários foram as seguintes: - 1º envio – 4 de Outubro de 2003 - 2º envio – 9 de Novembro de 2003 - 3º envio – 10 de Janeiro de 2004 - 4º envio – 17 de Fevereiro de 2004 As interacções foram feitas por correio electrónico devido ás diferentes localizações físicas dos especialistas, facilidade no envio e resposta e garantia da privacidade e anonimato dos especialistas. O facto de todos os especialistas usarem diariamente o correio electrónico como instrumento de trabalho e serem de alguma forma conhecedores das novas tecnologias e da Internet facilitou também o uso do correio electrónico. Na última interacção (4ª) optámos por realizar entrevistas pessoais com alguns dos especialistas para que fosse possivel esclarecer com mais eficácia duvidas ainda existentes e tentar obter alguns consensos mais difíceis (respeitando sempre a opinião do especialista e não o forçando para obter consensos). Na carta (email) que acompanhou o envio de cada questionário foi indicada a data limite para envio da resposta (15 dias após cada envio). Na realidade foi necessário alargar este prazo pois devido à extensão e complexidade do questionário inicial, e também ao pouco tempo disponível dos especialistas, as respostas foram recebidas em média 3 semanas após a data do envio. No primeiro envio foi pedido a cada especialista que indicasse qual o grau de dificuldade que sentiu para responder a cada pergunta, através de um quadro de resposta em cruz. O objectivo foi tentar identificar quais os especialistas que se encontravam mais à vontade em cada assunto e desta forma poder obter mais tarde informação segmentada por grupos de respondentes com base na sua formação e tipo de actividade, bem como avaliar se o questionário poderia ser respondido com seriedade, para que a informação final obtida fosse relevante. De uma forma geral todos os especialistas se sentiram confortáveis com o questionário embora e naturalmente cada um mais na sua area de conhecimento. 2.3 A AVALIAÇÃO DAS RESPOSTAS E ANÁLISE ESTRUTURAL A Análise Estrutural é um instrumento de estruturação da reflexão colectiva que permite a possibilidade de descrever um sistema com o auxilio de uma matriz que relaciona todos os elementos constituintes desse sistema (Godet, 1997). Para a análise e avaliação das respostas após a recolha e identificação das variáveis através do método Delphi foi desenvolvida uma Análise Estrutural As respostas obtidas ao questionário utilizando o método Delphi foram analisadas através do cálculo da média, mediana e espaço interquartil, ou não sendo possível, calculando a importância absoluta e relativa. Esta análise permitiu identificar quantitativamente as opiniões mais importantes, identificar os consensos existentes e as variáveis relevantes constituintes do sistema em avaliação. INNOVATIONS AND TECHNOLOGY PROJECTS AND OPERATIONS MANAGEMENT IN THE CITY DEVELOPMENT 479 Após a identificação de todas as variáveis obtidas com as respostas ao Delphi foi solicitado a dez especialistas que identificassem as que consideravam relevantes e não relevantes para o sistema avaliado, sendo que das cinquenta e cinco variáveis identificadas quarenta e sete foram consideradas relevantes. As quarenta e sete variáveis relevantes foram colocadas numa matriz de quarenta e sete linhas por quarenta e sete colunas tendo sido novamente pedido aos mesmos dez especialistas que validassem as relações existentes entre cada variável através de zeros (não relação) e uns (relação). Por uma questão prática e devido ao facto dos especialistas se encontrarem fisicamente distantes e não ser possivel o seu encontro, as relações entre variáveis foram primeiro estabelecidas pelos autores com base nas suas percepções, e depois enviadas para os especialistas por email para análise individual. Os especialistas propuseram algumas alterações que sendo consensuais foram consideradas. Foi então construída a matriz de relações directas e identificadas as variáveis Motrizes, de Reforço, Autónomas e Dependentes. Estando identificadas e tipificadas as variáveis através de uma relação directa, desenvolveu-se uma classificação indirecta (dita MicMac ou seja Matriz de Impactos Cruzados Aplicados a uma Classificação) obtida com a elevação da matriz à potência. A comparação da hierarquia das variáveis nas diferentes classificações (directa, indirecta e potencial) é rica em ensinamentos permitindo confirmar a importância de certas variáveis e também revelar variáveis que, em virtude das suas acções indirectas, desempenham um papel preponderante e que a classificação directa não permite detectar (Godet, 1997). Para Fernandez (2002) o objectivo da Análise de Impactos Cruzados é encontrar e valorizar as influências mútuas entre os elementos de um conjunto de sucessos, através de um procedimento sistemático. O método denomina-se de impactos cruzados pois as diferentes variáveis apresentam-se estruturadas numa matriz. Na investigação agora apresentada a Matriz de relações Directas foi elevada á potência oito, em que as variáveis estabilizaram, sendo então procedida nova identificação das variáveis Motrizes e Dependentes de Reforço e Autónomas. Para a elevação da matriz à potência foi utilizado o software Derive daTexas Instruments. 3. OS RESULTADOS OBTIDOS Para analisar os resultados obtidos e identificar as variáveis mais importantes identificadas no estudo Delphi realizado com os especialistas, realizámos uma análise estrutural de relações directas seguida de uma análise de relações indirectas utilizando a técnica MicMac, sendo que a matriz de relações directas foi elevada à potência oito (utilizando o software Derive da Texas Instruments) até que fosse possivel identificar as variáveis motrizes do modelo. A matriz de relações directas permitiu identificar e classificar as quarenta e sete variáveis que foram consideradas como válidas pelos especialistas (dez) e colocadas em gráfico, após o que se procedeu à identificação das variáveis Motrizes, de Reforço, Autónomas e Dependentes (Figuras 1 e 2). As variáveis motrizes identificadas foram: - Os grupos etários predominantes de utilizadores; CITIES IN COMPETITION 480 - As razões de utilização da Internet; - As razões de acesso através do Computador Pessoal; - As razões de acesso através do Telemóvel; - As razões de acesso através da Televisão Interactiva; - O grau de generalização da Internet em 2015; - O numero de utilizadores a comprar on-line em 2015; - Os constrangimentos ao uso da Internet em 2015, também por meio de acesso; - A atitude em relação à Internet da geração com actualmente dez anos; - A percentagem de tempo dedicado por actividade de lazer em 2015 nos grupos etários entre os dezasseis e mais de cinquenta anos. INNOVATIONS AND TECHNOLOGY PROJECTS AND OPERATIONS MANAGEMENT IN THE CITY DEVELOPMENT 481 Figura 1. Universidade Sevilla - Dirección de Empresas y Gestión de Marketing 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 0123456789101112131415161718192021222324252627282930313233343536373839404142434445 Variáveis Motrizes Variáveis Motrizes Variáveis de Reforço Variáveis de Reforço Variáveis Autónomas Variáveis Autónomas Variáveis Dependentes Variáveis Dependentes Motricidade Motricidade Dependencia Dependencia Matriz de Relações Directas Universidade Sevilla - Dirección de Empresas y Gestión de Marketing 76 Matriz de Relações Directas V ariável Matriz Ori g inal D M Ti p o de Variável 1 Penetração da Internet 26 28 Reforço 2 Nº horas/semana de utilização 26 23 Reforço 4 Grupos sociais predominante de utilizadores 14 32 Reforço 18 Importancia da Net como meio para criar bases de dados 41 24 Reforço 20 Importancia da Net como canal de comunicação para vendas of line 34 24 Reforço 21 Categorias de produtos com mais potencial de venda on line 24 29 Reforço 3 Grupos etário predominante de utilizadores 23 44 Motriz 10 Razões de Acesso via PC 20 24 Motriz 11 Razões de Acesso via Telemóvel 19 22 Motriz 12 Razões de Acesso via TV I 20 24 Motriz 15 Razões de Utilização da Internet 27 42 Motriz 36 Nº de utilizadores a comprar On Line 21 26 Motriz 38 Atitude em relação ao uso da Net da geração com actualmente 10 anos 17 41 Motriz 39 Grau de massificação da Net em 2015 (como a TV ou Telefone) 21 31 Motriz 40 Constragimentos ao uso da Net 5 44 Motriz 41 Constragimentos por meio de acesso 19 29 Motriz 44 % de tempo dedicado pelo grupo etário 16 a 23 anos ás várias actividades de lazer 16 35 Motriz 45 % de tempo dedicado pelo grupo etário 24 a 40 anos ás várias actividades de lazer 15 35 Motriz 46 % de tempo dedicado pelo grupo etário 41 a 50 anos ás várias actividades de lazer 15 35 Motriz 47 % de tempo dedicado pelo grupo etário mais de 50 anos ás várias actividades de lazer 15 35 Motriz 6 Importancia do meio de acesso Telemóvel 19 19 Dependente 7 Importancia do meio de acesso TV I 23 21 Dependente 14 Razões de Acesso via Carro 17 12 Dependente 16 Que tipo de Portal de acesso vai ser utilizado (Generalista/Especifico) 11 7 Dependente 17 Importancia da Net como canal de comunicação para as empresas 42 13 Dependente 19 Importancia da Net como canal de venda on line para as empresas 31 10 Dependente 22 Meios que as empresas devem utilizar na Net para comunicar via PC 23 7 Dependente 24 Meios que as empresas devem utilizar na Net para comunicar via TV I 23 7 Dependente 25 Meios que as empresas devem utilizar na Net para comunicar via Consola 23 7 Dependente 37 Constragimentos para o crescimento das compras On Line 8 25 Dependente 5 Importancia do meio de acesso PC 21 19 Autónoma 8 Importancia do meio de acesso Consola 22 18 Autónoma 9 Importancia do meio de acesso Carro 17 12 Autónoma 13 Razões de Acesso via Consola 19 20 Autónoma 23 Meios que as empresas devem utilizar na Net para comunicar via Telemóvel 21 7 Autónoma 26 Meios que as empresas devem utilizar na Net para comunicar via Carro 20 6 Autónoma 27 Meios que as empresas devem utilizar na Net para vender via PC 16 10 Autónoma 28 Meios que as empresas devem utilizar na Net para vender via Telemóvel 17 9 Autónoma 29 Meios que as empresas devem utilizar na Net para vender via TV I 17 10 Autónoma 30 Meios que as empresas devem utilizar na Net para vender via Consola 17 10 Autónoma 31 Meios que as empresas devem utilizar na Net para vender Of Line via PC 15 5 Autónoma 32 Meios que as empresas devem utilizar na Net para vender Of Line via Telemóvel 15 4 Autónoma 33 Meios que as empresas devem utilizar na Net para vender Of Line via TV I 16 4 Autónoma 34 Meios que as empresas devem utilizar na Net para vender Of Line via Consola 15 4 Autónoma 35 Meios que as empresas devem utilizar na Net para vender Of Line via Carro 15 5 Autónoma 42 % de tempo dedicado pelo grupo etário 5 a 10 anos ás várias actividades de lazer 13 9 Autónoma 43 % de tempo dedicado pelo g rupo etário 10 a 15 anos ás várias actividades de lazer 14 21 Autónoma