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Oraçam funebre nas exequias reales da serenissima rainha de Portugal D. Maria Sofia Isabel N. Senhora celebradas na Real Casa da Misericordia de Lisboa, aos II. de septembro de 16 99

Diogo da Annunciaçaõ Justiniano Arzobispo de Cranganor

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ORACAM FVNEBRE nas exequias reaes da sereníssima Rainha de Portugal D MARIA SOFIA ISABEL N. SENHORA, Celebradas na Real Caía da Mifericordia de Lisboa, aos ii.de Septembro de 1699. D 1 S S E-A 7 O Arcebifpo de Cranganor D. D IO GO DA ANNVNCIACAM JUSTINIANO, do Confelho de Sua Mageftadej offerecida AO SERENÍSSIMO PRÍNCIPE DOM JOAM N.S. LISBOA , NaOfficina de MIGUEL DESLANDES, AmpreíTor de SuaMageftade. Amo 1699. ^om todas as licenças necefiar ias. «vi Vi p A ic c S il a 3 K v "i AXiniyssaai - oi í.mu/ • ,.j ? iV.i --íV)8 ÀIJÍÀM ,/ Oiikíag . 8 : ;( x J - ' ‘ V/ . j afc w; sLn cCi; i\ - h 6 o I Cl > - f ’ 'iohn?>pj/:D -h oqixhy/ A Q Jv.A 0 A 1 ü ,/ ■ v .; .‘ a ci O D : -1 a c-! « o H A I íí i T c -J r isbifbg;.' ' ,: .'2 9b oito.; /. : ■ oL i Q ; > JFJí 3 7 V O ;i J:: : o KJ 28 .! M j;; . ■ •... .H M a 01 M (ji a ~ 1 " V > ' •'* ‘ ’ .* A r ■ i ,V • f.íc . /- ' ' . 1 wiò * SENHOR: T)or de P ortugal exprefifa nos di/l curfos deste papel, fem maisadulaqao, que referir a verdade , & ■ fem mais adorno,que a fimple^narraçao de tam altas prendas,fao os gemidos,que por parte da fiua faudade tributa aos Reaes pès de V. <tAlteza o mais obfequiofo refpeito, no golpe mais deshumam.es-je a Providencia nao dijpuzera,que em V . ■ dltefy nos ficajje o retrato do Original que per¬ demos , ainda a morte da Pfinha Sfi. Senhora fora mais incomparável mente / entida. <PKÍas co¬ mo os filhos queficM,igualmente herdaoofangue, que as virtudes dos pays que morrem; em V. JltCTgi temosprefente o me fno > que na Serenfsima fiainha noffia Senhora choramos morto : & ■ com reprefentaçdo tamgloriofa, que mal fie pode dijtinguir quem he a Idea, ou quem he a Copia. Veja-fe Aij V. F. Alteia no efpelho defi mefmo, & ■ nasfu ai he¬ roicas aeçoens vera juntamente as virtudes de S. EÁdageílade,para defempenhar as obrigações de irahjúmftò tãofoberano. " " A peHnáfWefcfeve efle \P anegyrico he tam defgual do fèu mefmo ar¬ gumento, quefó a %eal benignidade de F. Alte¬ ia lhe poderá difsimular osdefehos : &- a nativa clemenciada : i5\4agcslade,que está em gloria po¬ derá conceder o perdão à fincer idade cõ que corre por excellencias tam portentofàs : mas hum animo por tantos titulos magoadò,náopode fer eloquente, Úr mais quando conjiderapúctendó afortuna de preconiiar a íPortugal ofauAfsmojuYamento deF. Alteia, teve também a dèfgtüça de propor a este feyuo, nas Exéquias de S. zEVfagcflâdé, o excef.sivo de huma perda tao grade. Deos guar¬ de a fea.l Fejjoa de F. Alteia com as felicidades temporaes , &• eternas, comò fomos obrigados a defejar a F.^ilteip osfeus vajjallos. Lisboa n. dcScptembrode i6$y. D. Arcebiípo de Çranganor. Obtenebrátus eJISolin ortu Juo , &Luna nonfplendebit in lumine fuo. IíaÍ3ecap.i3.verfao. Tè quando? oh morte deshumana ! Atè quando ? (Sereniííima Rainha,& Senhora noíla,a quem a ièm-razão da morte entre as fombras funeílas deíla Urna trifte roubou aos noílbs olhos, para gravar a memória de V. Mageítade na perdurᬠvel lamina da noíla íaudade. Hum Throno tam eminente não teve privilegio para evitar hü gol¬ pe tam barbaro; porque não ha cortina, que guarde as Mageftades do p6 da morte. A altura fez cahir mais depreílã o rayo-,Sc domínio tam foberano em todas as quatro partes do mundo fez fúnebre trãíformação em quatro palmos de terra, que fendo na vida argumento para gloriofos elogios,hoje na morte he aflumpto patético para faudoíbs epitaphios.) . . Atè quando? oh morte deshumana ! Atè quando inexorável à voz dos noílbs fufpiros,Sv cnfurdecida ao eílrõdo das lagrimas que derrama a noíla dor, com defprezo da noíla mágoa, has de atar ao carro dos teus triumphos os defpojos da noíla mortalidade? Atequadoirraciônavelmentcdeíigual,hasde unir.o aprcílãdo dos voos ao tardo dos paílos, fendo para hús anatomia de oílbs que anda, & para outros fouce que voa ? Até quando a tuafouce Igualmente ha ide talhar as plahtas, St os cedros? a tua elpada icortar as Abres,& o icno ? o teu arco apontar as fettas contra o valle, St contra o monte, eatuatyrannia ha dc proporcionar para o golpe os frutos do Uu- * tono, Sc as flores da Primavera? Até quando has de íèr impacien ^ Morreo S. jVl.cmqua* tro,fazendo os annos em Íeis. Enterrouíè no dia dos annos. í 6 ) & ambiciofa ? Ambiciofk,por cortar flores, Sc frutos: impaciente, pornaoreparar em perder frutos, fó por cortar flores. At I quando has de fer onzonte do noflo OncnteVTumuIo do nollb Berço? Fifcal da nofla vida ? Efquecimcnto de toda a lembrança ? Tribunal fupremo aonde fe decidem todas as cauíàs dosv.ventes ? Funefta foinbrasdo ^fluelíemefinoPlanet^que^paraSgentar as trevas do teu Occidente, teve o feu Oriente > 4 , - uo, finalmente, afarfa da tuazombaria não ha de fazer diftinccão^ê 1 urpuras, Sede Eimarras? de canas, Sc de fccptro > de vaflallos? de paflores, Sede Monarcas? de Palacios, Sc de cabí renr’ A ra d f e i ílaSpe ' ' SU1UaS comm Ummentenáo dá refpofta a infenfibibdade da morte , porque conhecendo a razáo das queixa , illonuand * 1 ' cadara J a 0 c omiquefatisfazeraeílasperguntas: por damenrep 0 1 1 moI te ^ a ° S°^P e »fecha os olhos, porque dcíârrezoachmamosX °r rte aSCega t No ccli P fe Porém fatal, que hoje n.:c 1 ’ - perpetuamente choraremos, tem a morte muito ju- «ihcadarazao para emmudecer mais,porque depois que aprencleo nèef, a a S r CreatU1 ' aS,nunCa J t antocomo ho Í e % irracional no em. hJ? c , tiro; po,s indoca minhando o luminofo Art 10 , que hoje nos falta, com tanta prella para osfeus annos, que lhe faltava fowine^ 11 P ar *a acabar o íèu cu r fo; affim lhecorwu, morte os paf! Eítafem-razão,que emmudece a morte para dar refpoíla às rn° nín H ei r n tas ’ ° mefmo > <l lle juílifica a noíTa dor para o fentiT^nr f?7 h f ma i t a ! PCrda . VertanCo So1 acabar em tâ ° P b reve dia ! 7anta luzfepiiltadaemtãopoucafombra ! Tanta neve desfeita em tao eícallo po! Tanto Ailro caber em tão apertado tumulo ! O bei ço da vida defpojo da morte! O dia dos annos, dia do fepulc W Lquetamabreviadashoras foílem reprefentaçãoda morte, Sc da vida. Appaiecerparaanoíla ventura humaRainha de tam altas rendas no breve curio de trinta Sc tres annos , oh que aflbmbro! Mas Mas que em menos dé trinta fictres annos de íàpparece(Tem tão foberanos attributos, oh grande pena! Que em trinta fie tres annos fe fizeíle huma Rainha tão portentoíà, oh prodígio! Mas que huma Rainha tão admiravel fe houveílede fepultar em menos de trinta fk tres annos, oh fentimento ! Que quando eiperavamos celebrarlhe os annos hum dia depois, hum dia antes lhe choraílemos a mor¬ te, oh laftima! oh fentimento! oh pena! oh dor! Mas fe a morte foy tão cruel, fie tão inhumana,que íè anticipou hum dia primeiro para dar a ultima hora àvidadeS. Mageítadeyufto era que hum mez depois, a pezar da mefma morte, refufcitailemos nós, no modo poííivel, à Seremílima Rainha .• ôc fe os Panegyricos, como diz Santo Ambrofio, dão nova vida aos mortos: FideD Amb . i IT turnobis mfermone revtvifcere j principiemos nós oPanegyrico dcS. Orat.Fun. Mageítade, para que ao menos neíta breve hora a tenhamos refufT hcodoí; citada,já que portão largo tempo a havemos de chorar morta. San¬ to Ambroíio pregando as Exéquias do Emperador Theodofio,dif. fe , que fuppoíto o laíhmofo daquelle fucceir 0 ,com a repetiçam havia de magoar ao animo dos feus ouvintes, também as lamamas com quechoraílem difgraça tam grande, alivianãoa magoando feu coração enternecido t Fletus refrigerar petim, & mcejhtm confolatur. n , bubi Aíhm era na verdade, porque no fúnebre daquellaslrnperiaesExe-fupr." 1 ' quias era igual o Orador ao argumento: mas não poderá fer hoje *íFrm, porque o argumento deltas Exéquias Reaes he fummamcncedeíigual do Orador: ficnãofey fe para fatisfazer cabalmente a 1 Si npt0 tam foberarK) ’ feria mais difereto acordo collocar naqueU: . c Maufoleo (como lã íizerão os Egypcios no tumulo do Príncipe. ^ P ,s ) huma imagem muda, para que apontando para o lugar daV Queilas Reaes cinzas, repetiífe com eloquente filencio o mefmo,^ por veneração não fabem dizer as vozes , nem por refpeito podem articular as linguas. As Mageftades defuntas, dizia Tertulliano, té huma notável difgraça i fic vem a fer, dependerem as fuas acçoens, oc a gradeza da fua foberama, dos Panegyriílas que as referem,& das ínguas que as acclamão. E neíla matena, tal vez , tiverão melhor iortuna os vanãllos,queosReys: porque foy menos eloquente o; U rador dos Reys, que dos vaílãllos. Mas eíta difgraça não poderá t , e . r a Mageítade da noflã SercniíTima Rainha, porque ° brado g ra ~ de das fuas Reaes prerogativas baila para fupprir o limitado de todosos Panegyricos, principalmentc em quem tendo razoens pata ■ * emi nu “ Htígdbic. Gloífhic. cmmüdecef reverente, eílá obrigado a fallar obfequiofo. Para prègar neftas Reaes Exéquias abri o livro das Efcrituras, 6c na tnortc.de hüma Rainha encontrei no Capitulo 13. de líaias, íc não proporcionada allcgoria, que 1ÍI0 era impoffivel, alguma fe- . melhança, porque defcobn na Eícritufa ao Sol, 6c a Lua mortos no diadofeunafcimento. O Sol defunto com a morte natural, aLua morta de fentimento pelo occaío do Sol: Obtenebratus efi Sol in orttt , fito, & Lttna non fiplendebitin lumine fito. O Sol efcureceo-fe, porque realmente no dia dos feus annos morreo o Sol: a Lua ecliplòuíe de mortal.dor, porque ao feu Sol vio morrer era o dia dos feus annos, O Sol morto, & como tal no dia dos annos Íèpultadc, diz Hugo,foy Balthafar, porque com effeito no dia dos feus annos fe fepultou , éc morreo: Übtenebratus efi Sohn ortn fiuo,idefi Rex fialthafiar morta hs e fi in die natalis fui. A Lua eclipíãda pela morte do Sol, em dia tão ce¬ lebre, foy a Rainha lua efpoiã, porque nefle dia morreo à efficacia t do fentimento, por ver defunto aquelle efpoíb,aquemcom o co-: ração fez entrega dos affectos.: Et Luna non fplendebit in lumine fito, idefi Regina uxor Balthafar. E fe o efpofo fe íepul tou morto em o dia dos feus annos, porque fe lhe acabou neíle dia alua vida : a efpofa, diz a ínterlineal,morreo com tal cxceílb pelaímgularidade dador, que depoílas as iníignias de Rainha, feeclipfou defunta , porque o Sol fe eicureceo morto: Non fiplendebit ampltus Regina apparaitt Re - giO. Efte Texto, quanto ao fentidolitteral, já teve execução, por¬ que o fentimento de ver ao Rey feu eípofo defunto, Sc fepultado no dia dos feus annos , matou a Rainha,que foy efpofa daqualle Rey. Faltou porem em o Rey femelhante fineza, porque aindanos não coníta de nenhum Rey morto pela efficacia da pena,por ver morta , ík fepultadaem o dia dos feus annos a Rainha fuaelpoíá. Só na mor¬ te da Sereniffima Rainha de Portugal Dona Maria Sofia Ifabel,noffa Senhora,vemos a ella fineza, porque pelo fentimento fe efcurecco o Sol do feu fereniffimo efpofo, quando no dia dos feus annos, pela morte fe eclipfouaLuadafua efpofa fereniffima. Imitou o cípoíb deíla Rainha o amor da efpofa daquelle Rey i porque fe a ef¬ pofa fe eclipfou, porque o efpofo no dia dos annos morreo : hoje fe eclipía o elpofo, pois a efpofi morreo no dia dos annosLá a morte foy no efpofo, 6c a dor na efpofa .-aqui a mortefoynaeípofa,6cador no efpoío. Lá,porque o eclipfefpy noSol, foy odefmuyonaLua: ( 9 5 <áqui, porque a Lua defmáyou , por iflb o Sol fe efcureceò. ÁíHra forão mutuas as trevas na Eípoía, Sc no Efpofo, que o Efpofoficou efcurecido, quando a Eípoía foy edipfadaJ Como a Efpoíà he ametadedo coração do eípoio, não podia no efpofo ficar o coração in¬ teiro, partmdo-íe#a morte da Efpofa o coração do Eipofo. Na Eipofafoy a morte neccílidade da natureza , no Efpofo foy a morte obrigaçãoda fineza; porque fe a Eípoía he a alma do Efp.oío ,quem vio já mais apartarfe a alma, Òc ficar vida f O Eipofo, 6t a Eípofa, diz S. Pedro Chryfologo, faõ hum dous , dous hum , outro o Cliryfoh -mefmo: Fe.cit Deus,utfit.homo, unusdjuoy duounus, alter ipfi. ; S e faõ ler,?5 ’ hum dous, não pòde viver hum quando morre o outro. Se faõ dous hum, não fe pòde deftruir a unidade,para que hum pereça, 6c o outro exifta. Se fao outro o mefmo, não fe pòde deílruir a iden¬ tidade, St fazer divifo o mefmo,que he infeparavel. He logo o occafo do Efpofo occidente da Efpoia, ôc o fepulchro da Eípofa tu¬ mulo do Efpofo,porque ambos ficãocícurecidos,quando qualquer delles he o eclipfado. No eclipfé porém deites dous Aftros, ainda que as trevas forão iguaes em ambos os Planetas, ponderemos nos principalmente as fombras da Lua, 6c nellas veremos a correfpondcncianos defmayosdo Sol, porque nefiecafoficou o Sol morto, porque a Lua foy a-defunta: Obtenebratus eft Sol in ortu fuo , & Luna non fplcndebitin lumine fuo. A Lua no termo da fua duração tem quatro eftados: apparecc Lua nova coroada de rayos: creíce no luzido dos feus refplandores: enche toda a roda da fua grandeza com oíingular das fuas prerogativas: õt mingua laílimoíamente no eclipfe,aonde fepulta toda a fua luz, 6c toda a fua gala. He a luz nas Eícnturas chamada Raijyiv.AlIeg. ilha do Ceo, diz Laureto : Luna Regina C<ch. E huma Rainha, que V crb-ICeg* he do Ceo, ainda que também o foilé da terra, convinha que tiveífe ■ na terra as propriedades que no Ceo tem a Lua Rainha dasEftrellas. Para chorarmos mais amargamente p ecliple defteReal Afiro, ponderemos os quatro eftados que teve aformofa Lua,que hoje ve¬ neramos, ÔCeternaméte veneraremos fepultada não tanto no tunefto deite trifte ornato, quanto na excefíiva magoa do noílb coraçaõ affiigido,6c no minguãtedos feus rcfplãdores veremos como o Sol tem eclipfado os feus rayos: Obtenebratus eft Sol in ortu fuo, cr aa nonfplendebit inluminefuo. locoEntãoappareceaLuanovaemonoiToOnzonte, quan ^ , . , (ÇmJ ■ 1 )rc ofaítíè/ço: ^ará Portugal por^rcòoit-ô^rqiíc bntaSTe decla¬ rou ília RSíhna; cc para as outras naçoens por obiequio , porque tcndolhejá np Oriente íacrificados -os affeólos , efperavão que fe a Lua nova as mm coroou , com os rayos que ao depois liavHío de fahir da Lua nova, coroariaõ aos teus Impérios , 6c tenaó itiais.telicidáde hôs reiplandores, que a Lua concedeíle aobTeus;.dorninios, do que fe á melra a Lua illuílraífe áòs feus E liados , porque os íbbcraudj reflexos,que íãhiílem da fúaíüz, leríaõ reiplandores de hum Monarca iam pottentofo, 6c de huma Lua tara admiravel. Graças porem à Providencia Divina, que para nós fez nafeer a @fl:e RculAílro, 6t sò para nós produzio em hum dia tam grande ‘humá Lira tam' pròdigiofa, íciido sò para a nofla dita o feu fauítiflr- *mo nafeimentó; 6c com circunllancias tam portentofas, que sò pa¬ ra Portugal Foy deílinada já do berço eíla Rainha Sereniflima. Foy , couíà notável, & fmgular, que as duas primeiras Filhas, que a Im¬ perial Cafade Sua'Màgeítade concedeo para os defpoforios dos Monarcas,òiafceflem ambas enl o mcfmo dia, bem que em diverfos annos, 6c em differentés mézcs. A Auguíliflima Emperatriz nafceo em 6. de Jàheifo'de i6??. 6c a noifaSereniflirna Rainha nafceo em 6,dcAgoílode 1666. Ponderemos os dias, logo repara¬ remos nos annosEfleacafo m e parece,que namcarece demyílerio. De modo que as primeiras duasPrincezas,que na Caía de Sua •Mageílade íe coroáraõ, nafeendo em mezes, 6c annos differentes, ’ conformáraõ-fe nos'dias para o nalcimento ? E porque nam nafeeo Sua Mageílade em 6. de Janeiro, mas em 6. de Agoíto? E a Augu¬ íliflima Emperatriz, porque nam nafeeo em 6 . de Agoílo, mas em 6. de Janeiro? Direy: Em 6. de janeiro era dia de Reys,6c então Bcda hic. foraô tres Reys ao Prefepio , diz o Veneravel Beda, 6c Ruperto, Ruperc. U. p 0T ^ ue i at J aquelk dia sò fe tinhaõ defeuberto as tres partes do mun- ** * doj ficaudo ainda a America deíconhecidaaos homens : 7 res Mà.» gí^ trè^munài fartesfEuropam^ Afiam^ çr Afr-icam. E como nam teve ^ naquelle dia pafteo Rey da quarta parte do mundo, que sò he o de Portugal, por ifloSúa Mageílade naícco em outro dia , porque sò para Portugal foy o nafriihcnto de Sua Mageílade. Aflim a deílinou Deos para o neflb remedio,que nam permittio que tivefle o feu Oriente èmóütro dia, fenaõ naquelle em que na quarta parte do rníihdò tíféti Monarca pudeííe ter a reprefentaçam mais gloriofa. Em que dia havia de fer nalcimento tam admiravel, fenaò no dia 6. ( *7 ) ■ ,j do Agofto, em que Pedro na Transfiguração havia de ter tam gran¬ de parte: Affümpjit Petrttm : para que nos d éfle a entender o Ceo,que Matth-c. 17, para £edro já deílinava deíde então a luz,que havia de apparecer v.i. naquelle dia. O Thabor fignifica a Maria, diz o nofíb Santo An to¬ mo .• Thabor Mariamfígnificat : 6 c como não havia Pedro ter a pofie ^ rm - * de Maria em 6 . de Agofto,fe a Providencia levou a Pedro para efte irans dia: AJfumpfit Petrttm ? com dominio tam foberano em dia tam ad - miravel, que como íè de Pedro foffe sò efte dia, a Pedro como coufa própria pertencia a accõmodação do dia, 6 c das peflbas que nelle apparecéráo: Faciamus hic tria tAbernacuU , tibi unum^ Moyjiunum , & Vcrf.4* EiU unum , tendo para fi feito eleição de ficar naquelle monte : Botmmeftnoshicejfc , porque sò no monte, que era Maria, em 6 . de Ibukm ' Agofto havia de ter Pedro a fua permanência , deixandónos na fua Real fuccefiaõa companhia ; & com myfterioem 6 . de Agofto havia de Pedro aflegurarnos a afíiftencia: Hk ejfe , porque havendo de efeolher Pedro meyo para viver perpetuamente nos nofíbs coraçoens, primeiro procurou a afliftencia no dia 22.. de Junho , pertendendo nas faudofas memórias daSerenifíima Rainha D. Maria Franciíca Ifabelde baboya,deixarnos afuaRealfucceflãónos fru¬ tos que em ambos os M onarcas prometião as primaveras de tantas flores. Mas efte beneficio não eftava concedido ao dia 22. de]unho, em quem a Serenifíima Rainha Dona Maria Francifca teve o feu nafeimento; mas ao dia 6 . de Agofto , porque sòa efte dia eftava firmemente prometida a afliftencia de Pedro: Hic ejfe: não a Maria ■ J?^ a f cco em 22. de Junho, mas a Maria em 6 . de Agofto, porque onafeimehumafôfi-, to do Sol sò eftava promettido a efta Aurora. A Maria em 22.de lha. Do fcJunho foi concedida a flor na falta dofruto^ mas a Maria em 6 . de Agofto forão concedidas as flores, & os frutos. j uas filha?. Não íó naíceo Sua Mageftade em 6. de Agofto , porque efte diafoy cfpeciai de Pedro, mas também no anno de 1666. porque, íègundo a nolTa memória, foy o mais celebre anno para as efperanças de Portugal. O anno mais decantado nos defejos da efperança Por- ^ tugueza íoy o de 1666. porque nefte anno efperavão muitos Portucí - pc , guezes a vindado Encubertojmas enganarão-fe no objeéfco da efperava 5 os Scrança, porque efte anno não era para vir o Encuberto, mas a Encuberta, porque nefle anno envolta nasfaxasdo feu berço appareceo o -ncu anofla Sereniíflma Lua, pararenafeerem as noftas efperanças,cCP a " n reíuícitar a baronia dos noflbs Monarcas. Oh Oh Lua admiravel! Ôc quanto cegão lá os teus rayos nas pri¬ meiras Auroras da tua vida! Jâ então o nollbdefejo percendia, que Alemanha folie para o teu naícimento omeíino que o Onenje he para a Aurora: berço para nafccr, mas não lugar permanente para o Real Adro queemáonafcia. Queríamos que lá tivellem muito embora os annos da Lua o prologo, mas que Portugal folie o rhea-, tro em quem tiveilea dia reprelentaçáo a Lua. Foliem lá muito embora os Onzqntes, com tanto que Portugal folie o lugar aonde como cm propno emifpherio fe produziilem os ray os. Mas ay ! ÔC que pouco permanente que foy a vida da Lua nova ! A nollá ven¬ tura eíteve no feu Oriente, mas foy tal a nollá difgraça, que pedin¬ do os rayos da Lua nova mais dilatado mapa , para fe confervarem no Sol, Se na Lua as luzes, já fe elcurccèráo as luzes do Sol, porque jí nap bnihão os refplandores,da Lua : Obunebratm eft Sol i n orta Jffo, & Lunanon fplendebit in.luminefuo . Quem como Lua nova appareceo no berço do feu Oriente,nos reflexosfôc augmento dos feus rayos, não podia deixar deter para a fua luz o Quarto crefcente dos ieus refplandores. Efta grandeza teve Sua Mageftade nos íeusfeliciílimos deípoíbrios , difpondo a Providencia que em Portugal tiveile Sua MagedaJé o dominio. Naquella fatal inundação em que a difgraça levava a naufragar o noílò Reyno na falta da baronia, lançou Portugal os olhos poi * 1 toda Europa,para dar condigna Efpofa ao feu Monarca , &íõSuaMageíhide foy quem lhe roubou os affe&os , para nos deixar o noílb Sereniífimo Rey eternizada a fua memória nos multiplicados fru¬ tos da fua Real fucceiraõ. Eílefoy o augmento com que SuaMageílade coroou os refplandores do leu Oriente. Não podé Jo crefcer as íingulares prendas com que eíla Sereniílima Senhora appare¬ ceo no feu nafcimentoifó os feus defpoforios lhe puderão augmentar a fua grandeza, porque communicadas as luzes deíles dous fobe- , ra nos Planetas, ficou o Sol mais luzido, & a Lua mais refplandccente. Nam podia unirfe a melhor Eílrella o Sol, nem a Lua em ou¬ trem mais que no Sol podia ter condigna uniaõ da fua grandeza. NamtemnosfeusdefpolòriosqueenvejaraLuanova, cm as duas refplandecentes EftrellasdefuasSereniífimas Irmãs, o Sceptro de Alemanha, & a Coroa de Caftella.; porque neíle globo fublunaf o âmbito da Coroa de Portugal he o compendio do gyro do Firma* mento, &tam dilatado oj^rcuito do feu Império, que .começando ^ c „1 o S ol a mcdilo defdc o nafcimento, nam acaba a émpreza fenão quã* <lo m orre. Os defpoforios dos outros Monarcas prometem a home¬ nagem em Eítados, jurãoas vaíiallagens em Províncias, & conce¬ dem as obediências em Reynos : mas Portugal em todo o mundo concede as obediências, juraas vaíiallagens, & promete a homena¬ gem às íuasRamhas pela fortuna dos íeus defpoforios. Oh que fe¬ licidade para Portugal nos Epitalamios deita Sereniffima Senhora ! Mas oh que excedo de prerogativas refultàraõ a eíta Senhora Serenidima pela uniáodos feus Reaes defpoforios! Pareceme na verdade, que vendo os demais gloriofos Irmãos, a quem a natureza concedeo o Real íãngue da Rainha noíla Senho¬ ra, ôc a precedencia nos annos , pareceme que vendo naícer a eíta Serenidima Irmaa, admirados das íuas grandes prerogativas, & feri» dos com a excediva luz dos íeus rayos, lhes ouço fazer huns aos ou¬ tros aquella pergunta,com que emíemelhante cafofe fufpendèrão os Irmãos de outra Prmceza, vendo-a nafcer herdeira do feu meímo langue : Soror noflra parva , dr úbera non habet : qitid faciemus forori no. CantIe,c -** firam die , quando alloquenda efi ? Que faremos a eíta noda Irmãa , v ' 8 " que ainda agora no feu nafcimento he tam pequena, que apenas tem apparecido como Aurora no leu Oriente ? Que feitas, & que folemnidades lhe feráõ decidas á fua grandeza, quando vier aquelle ce¬ lebre dia,em o qual, já padãdos alguns annos, fe poderá fallar a eíta Princeza, diz Glyslerio: In dte quando alloquenda efl , idejl quando fcr- ^° ’ mo f fi et ei ? Notay: que nafcendo eíta Princeza tam prodigiofa, toda a íua grandeza fe lhe não admira pelo dia em que naice, mas pelô dia yEmulor quefelhedeítina. Poisfe os Sereniílimos Irmãos lhe reconhecem Expoíir.j* por tam celebre ao feu Oriente, porque sò feadmirão , ôc preparao para o outro dia, que fuccederá ao feu nafcimento ? Sabem porque? diz Gly slerio .• porque no nafcimento feia Deos nafcer Princezajno dia porém de que feadmiraóos Irmãos, ha de fazela Rainha .* toxta h ; c áterni P atris complacentiam in Regiam, & fp on f* dionitatem dato evetta f 0 u m ihi9?5 Jit Regno. E quando fuccederá eíta grandeza a Princeza tam glorioEx P oíím.§- fa ? O mefmo Padre o diíTe: No dia dos feus defpoforios: /« die qmDe hoc n '*> * do alloquenda efi, fcihcet matrimonio copulanda. E o dia mais gloriofo das^Pnncezas, nam he quando nafcem Princezas, he fim quando fe ^ defpofaõ Rainhas : In die quando alloquenda ejl , idejl matrimonio copumihii>y4* Pcrmitime allegorizarcfteTexto, porque he proprijíhma §. N oh.iJÚ deftecafoaallegoria. m&K ‘ c ij Qs em { 20 ) Quemhe,oa quem Foy eftaPrinceza,para quem Foram tàna Cát.c.3.v.i. Fauftos os feusdeFpoForios ? Foyhumafilhade humPrincipe : Ff lia Principis: ou como lè Simmacho,foy filha de hum Duque : Filia Vide GlysU Ducisy fem controverfiaPrincipe jlLuítnííimo por todos os titulos. hic,ExpoL Eft e p r incipe, ou efte Duque na opiniaó commua Foy Abraham,, i.§.Nocadu%com 0 no tou Glyslerio, o qual por aatonomafia Fe interpreta o Pay excelfo: Pater excelfus ;.porque de Abraham, como de illuílre tronverb.AbífCO Fe derivárao como Feus netos,os Monarcas, SC OS Reys: Reges ex bam. te egredientur : predicados , que có toda a. propriedade íe attnbuem ao Auguftiflimo Pay da noíFaSereniíTima Rainha. Na qualidade Gcnef.c.17p r inci p e . Prtncipís. Na dignidade Duque: Filia Ducis j Sc na deFcendencia excelFo, porque raro FeràoEmperador, ouRey, que com o tempo nam tenha a prerogativadeFerFeu neto: Reges ex te e - gredUentur. Efta Princeza chamava-Fe Maria, diz Glyslerio : Per- , <Slysl.in c.s p ulcfter jummam Marte cxplicansfolicitudmem.j.u.ntou.k-\hc ao FobeCantic.v.s. ranonomede Maria o de Sofia, porque íe Sofia quer dizer SabedoExppí-fbl. r i a>a Sabedoria Foy a EFpoFadequem falia o Texto Sapientiam ^apienc^s. quejivi fponfam rmhi ajfumere. Ao nome de Maria Sofia Fe lhe agre¬ di. gou o de IFabcl ^porque Fe IFabel igualmente quer dizer juramento de Deus, que Feptenario] Fagrado E lifabeth y idefi juramentam , & fitSylvi Alleg. crum feptenarium } íète partos teve efta Princeza , que na opinião v«b. Hdãc ommua p p gre j a> p 0r que teve Fetc Sacramentos Sc nefta. ** th * Princeza tinha Deos prometido có a verdade do Feu juraméto dar 1 aPortugal a Fecundidade, para reparo da decima-Fexta geraçaõ ate¬ nuada : £t in ipfa decimafexta generatione , attenmta prole refptcta , & vi- ^o.DeuDeosaeftaPrincezahúaFecúdidadctam granfie,quecomodiílemosjlhe deu em Fete Sacramentos Fete partos j Sc a eíla Fecun¬ didade, diz Sottomayor,lhe ajuntou Deos a idade de trinta 8c tres ■ g a( j annos, porque efta na doutrina de Paulohc a idade perFeita: In menEp!icr.c.4. furam etatis plenitttdims ChrifiiBonorum omnium , diz Sottomayor v. 13 • copiam nunquam deficientem : atqttc Uútiam, que expietate proficitur:feSottomayor & fobolem : nec non etatisintegritatem,. E finalmente para a 5 ud ? cát. que nenhuma circuftancia nos Falte, efta EFpoFa Foy EFpoFa de PeJ.iXxpoF.i dro , porque a Pedro eFpeciaimente Fe entregou efta EFpoFa, §.Tertio, q U c na opiniaó commua Foy a Igreja : Tu es Petrus& fuper hanc pe~ fol.mihi. adificabo Ecclefam meam. Eporifib nam Fem myfterio , diz 8 5 8 * , PlvsleriojFecelebràraõ em diado EFpirito Santo os Epitalamios ^ ,c,x ’ deíU E F poFa: para que nefíc dia, diz efte grande Padre, vafccfadc Pedro,,8c dafoaEfpofaaquella fecun^ma gmçaad^ tangos fif ^ ^ lhos, quantos entaõ nafcerao a Igreja Cathohca . vru {icato8Can '- v -** PetrusApofiolorum Princeps palam Divtm verbi fe exhibmt p Expof rem+unlcme ijus vr<&dieatione y atq.fie tinms exubens expreffione tanta «Bcneiomfc Eccleíiaçenita cLftoefi fidelmm proles . Nem vos pareça impropira fol.ivnhi a allegoria dos deipoforios efpirituaes de Pedro com a Igreja , aos t defnotbrios do nolVo Monarca com. a SereniíTima Rainha ; porque deites lb houve fete filhos, 8c daquelles foraõjos filhos ínnumeraveis: pois nafrafe daEfcntura os partos expreílos no numero de iete equivalem a infinitos filhos ,.comofeveno capitu o fegundodo nrimeiro livro dos Reys, porque dizendo a nofla Vulgata,que feraó muitos, ÕC infinitos os partos de Anna: Donec fierUts pepent pl*- ' fr • dizem os Setenta, que os partos de Anna foraõ lo fete: Donec Vide - Mcn . (I lis vevent feptem. E humaPnncezacom allegoriatam propna^a donçam noíla SeremflimaRainha, nos feus deipoforios tem toda a lua grãRcg tom.rí deza, porqos feus defpoforios foraó aquelles,que ao feu nafcimento, acumuláraó os ray os com que refplandeceo eíla fermoliífimaLua : Quid facimus firori noflrst m Me qnando alloqtienâa efi l Aífimhe,SereniffimaRainha,8cSenhoranofla. afiimhe : o Oriente de V.Maaeftadefoy pequena esfera para Lua tam foberana, c urto C eo.pS-atamadm.mvel Sol.eftrcito mapa para Aftro, taómaravilhofo. Foy Aurora que prognofticou tanta grandeza. No Oriente nafeeo V Mageftade filhade^P er , ador “^ e B ^ de Duques, de Marquezes. de Condes,.deVifcondes, & deBar ° e ?- mas nafeendo filha de tantos Príncipes, nenhum Prmape nafceohlho de V. Mageftade. Sóefta fortuna fe refervou para. os delpolrios, r enafeendoV.Mageftade Máyde R eys, l eno n afcimentotoy filhadePrincipes. Grande fortuna henafeer filha de Reys.masne mayor a felicidade de quem pelos feus dcfpofonos tem aos Reys p feus filhos. Mais illuftrehe para V. Mageftade aDefcendencia,q a Afcendencia, porque fe a Afcendencia.a fez a V. Magçftadc-n * aDefcendencia aconftituío aY. Mageftade May. Grande he ter o fanguedos Reys, mas mayor honra he dar aos.Rey^ ‘ ‘ gue. Clar.iorj diífe S. PedroDamião fallandode outr *^" * rior profeElo jtíit pro Avorttm tituhs , , fed incomparabibter c 4 > rofítate prolis . Filia fiqttidem Regnm y fed Aíater RegisYcus de Reys hefingular brazão para nâo JXazao mais glo rioíb defeendeatesj mas adefcendencia dos Reys hc biazao S ^ fôi. e.ti. y.x. Ibidem. Macth. c. y. 3 i . C 2 2 ) ape s qUempek def « n denci M u edáaos R eys , fica May dos PriflNotey eu muito, que o Profeta Ifaias fallando naqueila fua celebre vara, em quem le hgurou a mayor Prinrev-, „„ t U ,r havia de defeender de Jt&:£ £ redi«lZ,J1T J qUC não diflefl'e,que de Dav.d havfade procedír efta var/^ n q “ ? ; hlho de Jelsè, & J efsè foy pay de Dav°d“ noia frS1 a fp mais immediato pay do que jeisè, nora^ 2, av ia ^ er Davidfoy o pay daquella Prmcezar’ Mais noh^r'^ 1 7 * ° P ‘ ' 0 ^ c i 1 a ’ c l u j e que Jefsè, porque Jelsèfoy hum homem muito humdde^ r) aV ‘v) íoyhumReymuy loberano. Poisfe oR-X „ a’ S cer a nobreza da vara, porque fugioà regalia do tronrn”^ en , car ?' ^^aaahuUy . ro huma flor, 3 que era í3iriftô ZIa & l & irÍe a 4 ^ ra ^ aV ' a e e d j r ^ f ™ ' havia de revnar na Cafi 13 Ͱa. ‘J i 0 qual oriaheHas.íainh,r,L°„\7í f o ™ Í 5 usPll y s } porque mafov ***M*B ™ te honrada mayor Rainha do mundo : &eftc foy o timbre da mayor Rainha de Portugal, darem-lhe tanta deza os feusReaes defpoforios, que nafeendo S. Mwclhde filha dê tode*&comr^°r < ^í^ >0 ( 0ri . o , s « ^ficírío fiSe ta M gt emqiitmaim 1 1 ! 1 Angularidade, que raro lerá o Reyno domundo, cm quem com o tempo fenam veia coroado j 0 r> • nhanoflà Senhora. Êara Portugil forajam‘fftes dc f to' c,^ T rír ?r M ^ n os nofsos Sàe ™ mZ s pfâ luraero 1 , of 0SdafUa Pi' odl g lora fecundidade: pertendendo c5 umero dos partos igualar no efeudo das A _ cipes Quinasde^onugal t C> Ef U akl n ° e ^ udo ^ A r tntódSteRèyno« tro chagas vivas & ÍCn ° C01 po ^ e Ghri ^° fe eftampáraõ quaAngulara fccundidad:rs m M? e X e d neftapr0dÍS, °í a aUeg0, ' Ía fo f nascinco Quinas de feus m-^rnf ™ fifh"“T'“decmcojporque , “-us generoíos filhos igualmente choramos i hum morro, que adoramos a quatro vivos. Efta he a nofsa emnde divida a Rainha nolsa Senhora: 8c nam hc menor a obrigaçfó que os outrosRey nos fora de Portugal devem a eftaSenhora Serendfi! tna, pois lhes deixou duas Eftrdlas.com quem podem efmaltâr as Tuas fuas Coroas,jura dolhes como a Rainhas a obediência,para na vafsallagem a tanta íòberania poderem eternizar a lua dita A gloria dos Reys nam efiá na fecundidade dos íilhos, efiá fim na fecundidade dos filhos para ferem Reys depois dos Pays. Terem os Reys fi¬ lhos, St para os íilhos nam terem os Reys Reynos, nem he para os Reynos ventura , nem para os Reys hé fortuna. Por ifso oslegundosdefpoforiosnam cofiumaò ier para as Rainhas muito felices, porque commumentefaltaò os Reynos aos filhos dos deípoforios íegundos. Terem porem as Rainhas filhos quehaõ de fer Reys, St filhas que infaiiivelmente ferâõ Rainhas, efsa he afortu¬ nados defpoforios Reaes. S. Magefiade nos feus primeiros defpoforios teve as fegundas v o das do nofso grande Monarca , mas íèndo asíegundas forãotam venturofas, que para o nofso Reyno íèr fó para os feus filhos, foy S. Magefiade a que ao nofib Reyno deu a ba¬ ronia dos noífos Principes. A Rainha nofia Senhora foy a redempção do noiío Sceptro, a firmeza da noífa Coroa , ôc o reparo da nolla ruína, porque fó Sua Magefiade acabou a eftenlidade para os nofsos Príncipes, dandonos herdeiros para o nofso Reyno. Nam faõ os filhos os que fazem fecundos aos pays j os filhos que hão de reynar, faõ os que fázem aos pays fecundos. Hum Rey com mui¬ tos filhos, fem nenhum lhe poder fucceder no Reyno, com toda a fua fecüdidade ainda heefteril,porq afecundidade dos Reys naõhe tanto em ordem aos filhos , quanto em ordem aos filhos poderem . fer Reys. Só S. Magefiade foy Rainha fecundiífima para Portu¬ gal, St para todo o mundo, porque para o mundo, St para Portugal deixou Rainhas, St deixou Reys. Heíingulariííimaaoppoíição do Texto de Jeremias no capi¬ tulo Zz. com o Texto de S. Matthcus no capitulo i . ILfcrcve , diz Dcos a Jeremias, efcreve,para que todo o mundo iaiba , quejecpnias,ouJoakim ,quetudoheo mefino,hehomemefieril , &t f clI H , lv fuccefsão, porque eu não quero que tenha filhos: Scnbe vtrurn ijht , fienlem^ nec enim erit de femine ejusvir. Podem haver palavras mais • exprefsas donde confie, que não teve filhos Jeconiasf Não aspòde haver. OraleamosaS. Mattheus no capitulo i. lechonüis genuit SaMatth.c.i. Uthiel , Salathielautem genuit Zorobabd. Jeconias,dizS. Mattheus, teve y.h. por filho a Salathiel, St Zorobabel foy neto de Jeconias,St defie uetOjSt filho deícreveS. Mattheus hu ma geração tam copiofe » ^teS. Jofeph. refere nove defeendentes, todos.netos, a ? eco . Jcrcm.ubi íapr. X J + ) Jetonias. Claramente fe yèaoppoíiçãodoEvangelifiacom o Pro¬ feta : porque le Jeconiasfoy eftcnl , he ccrtoque não teve filhos: fé teve filhos, he certo que não foy cltei il. Logo como podia íèr efieril quem teve tantos filhos, Òt tantos netos ? Foy efieril efie Rey, porque tendo netos, & filhos, para os filhos, St para os netos faltou o Reyno, porque nenhum neto, o u filho de Jeconias empu¬ nhou O Sceptro.: Nccemment de femmeejus vir , qui fideat fuper foUum David , & potefiatem habeat ultra m fada. E como a fecundidade dos Reys he mais para o throno, que para os filhos, por ifso foy-eftcril hum Rey, que teve filhos, St não teve throno: Scnbe virum i/}* fierilem. Só a Rainha nofsa Senhora teve efia felicidade , porque dandonos tantos Principes,igualmente lhes deixou o Rcynonapatria, quefóra da patria o domínio, tanto mais ambiciofainente pertendido, quanto mais as fuas heroicas prendasie fazem obfequiofainente deíejadas. Mas ay ! que durou pouco a Authora de tanta < dita ! pois ao tempo em que nos Planetas de feus Sereniflimos Fi¬ lhos, St nos rayos do feu preclariflimo Efpofo prometião mayor du¬ ração os feus Reaes refplandores,não iòie efcureceo como Lua no¬ va, mas também fe eclipfou no Quarto crefcéte das fuas luzes; St o Efpofo fe efcureceo como Sol ^ pois padeceo huma fombra tam inhumana a Lua no feu Quarto crelcente: Obtenebmtus efi Sclin ortti /uoy & Lunanon fplendebit in luminefuo. Nam parou a Lua no Quarto crefcentedos feus defpoforios , mas delle fubio ao eftado de Lua chea nas fuas grandes virtudes. O * encher a Lua ao feu luminofo gyro,he porque então tem em íí’ to¬ da amageíhdedosfeus rayos, apartando-fe do Sol na difiancia de cento, Sc oitenta graos. Sua Mageftadc para ler Lua mais foberana, quafi pela meíma difiancia para fer Lua chea, veyo de tam longe para íc unir ao íeu Sereniílitno Efpofo, em cuja prefença intendendoíelhe os rayos , as virtudes a fizelfem Lua chea de todas as perfeigoens. As admiráveis aeçoensde S. Mageftade na vifmhança do Sol a fizerao Lua chea de.refplandores, porque foraó heroicas as fuas virtudes. Eftendeo-fepelo feu Império afama das fuas excellen cms,ot aonde não chegou afuaReal prefença, láfe ouvirão ,os cccosda íua gloria. Todo o mundo foy o theatro das fuas acçoens, porque a todo o mundo chegou a noticia da lua uiedade Aí Virtudes de S-Mageftade oú fe podem confiderar em ordem ao amor de üeos, ou ao amor do proximo.- & em qualquer deftes dous objcftos objeftos aonde cdnfideremos^asfuas^virtude^foyf^prehcroicp^o. feu amor. Diícu rfemo.s primeiro o amor de Deos,&dep faremos pelo amor do proximo. c Com as lagrimas nos olhos vendo S. Mageftade aos íeus Ser - (imos filhos nitimandolhes o amor deDeos,cuftumayadizer,que e fuas Altezas nafcèraõ para oífender a bondade Divina , pedia ao mefmo Senhor q aífim como lhe fez amerce de lhos dar para o bem univerfaí deíle Rey no, aífim lhe fizefle a graça de os levar para li an¬ tes eme o pudefiem oífender. Oh palavras dignas de mayor lamina, que a minha voz 1 Oh Lua cheyade toda a Santidade l em quem o amor de Deos prevaleceo ao amor dos mefmos filhos, Sc do meímo Revno ] Oh Rainha admiravel! em quem o amor de Deos preva¬ leceo às importâncias da Coroa, Sc ás conveniências dos filhos! Oh entofa Princeza! cm quem a vida dos filhos foy vidtima ao amorde Deos! A mayor difgraça dos Reys he, terem o feu coraçaõ na maõ de Deos: Cor Regis m manu Domim, 8c naò regularem os Reys Proverb< pela mão de Deos ao feu coração, prevalecendo nelíes ao amor de xu Deos o amor dos filhos. S.Mageílade foy a exceiçaó defta regra, porque mais que aos filhos amou a Deos S. Mageilade. Amou-os com hum taó grande amor , que cada hum dos noilos Príncipes era o feu coraçaõ,& a fua vida: mas aborrecíamos com tão íagrada impie¬ dade,que por amor de Deos moftrou queaborrecia aosPrincipes, porque lhes defejava a morte,fe com a fua vida ouveíTe deferDeos o offendido. Amou aDcos S.Mageílade como Deos quer íerama^o, porque por amor de Deos chegou a moílrar , que aborrecia ao Quero, diz Chriílo,que todo o filho aborreça a fua mãy, & toda a mãy aborreça ao feu filho: que e naõ fizer aífim,nao me pode c ê iul * ou feia filho, ou feia Mãy: Si ymsvemt aà me, & non oditpatrem , Luc* ca ? trem, &filtos ,nonpotej} meus ejfe DifcipyJus. Eíle Texto he hum 1 4 , Y,i mais diíficultofos, que tem toda aEícritura Sagrada, porque tot a mãy tem hum preceito natural, que a obriga a amar a feu filho, todo o filho tem o mefmo preceito para amar a fua mãy: & a S ora ’ fegundo a doutrina de Chrifio, amãy, & o filho tem hum prece no divino para aborrecerem o mefmoque eílaõ obrigados ** n) * ^ w a preceitos Divinos nao encontrão os naturaes. Amar por ? YQ ^ C ao mãy ao filho, 6c o filho à mãy, Sc por preceito ab< l rrec ^ ■ a al / ‘ac* filho, Sc o filhoà mãy, he impoífivel: pois como íe junta- C 3 2 ] Cruento, & incruento, porque em ordem a eílesdous Sacrifícios foy o Sacerdócio deClmíto. Grande myílerio ! No mefmo dia Rey , lacramentado, morto, 6c íèpultado? tudo unido f tudo con¬ forme ! Sim: porq unida a fepultura á Euchariília , unia o fepulchro ao Sacramento, o qual diz o Alapide foy a Transfiguraçaô tie ChriS f^Conc o* -it° : Chrijhis m Eucharijha transfigurari vidctur^ tranfubftantiauo enimeji nat. Joan.i. qmfiaccidentium transfiguratio, E comoodiadaEpiphaniafoy o dia foi.9* da Eílrella: fadimusjielUm\ erajuílo que no dia da Eílrella fe contiMatth.cap. braile 0 Occaíò de hum Rey, que á Transfiguraçaô haviade unir o fepulchro. Ao nafcimentò do Rey fe une a Transfiguraçaô, 6c a fepultura , porque parece não pode haver para os Reys melhor Eltrella , que unir a fepultura , 6c a Transfiguraçaô' ao feu nafci mento. Eile dia que entre o naícer, 8c íèpultar de S. Mageílade coníervou adiílancia de trinta 6c tresannos, teve prefença taó admiravel* q o nafeer que já tinha fido, feunio ao fepulchro que ainda havia de íer: 6c o fepulchro, que havia defer,umofc ao nafcimentò que já ■ p&lm. i** tinhafido. Hum dia , dizia David, falia com outro dia : Diesdiei v.K. jrtiílat verbum. Já vedes a implicaçaó: porque para dous fallarem, ambos de dous coexiítem, ÔC quando hum dia chega, já o outro foy: logo não podem fallar. Sim podem, diz Agoílinho; porque eítes dous dias quefalláo, íàõ o dia do nafcimentò, 6c da fepultura de Chri- &ug.Scrm. fto :DiesNativdatulocjniturdieipaflionis. Comopòdeíer, Agoílinho, •js mNat.D? verdadeira cila propofição? A lepultura foy trinta 6c tres annos deouicft ii dc pois do nafcimentò, 6c o nafcimentò trinta 6c tres annos antes da fe- ’ pukura:pois como feuniVap,6c como fallarão? Sabeis como? Unindofe o que havia de fer trinta 6c tres annos depois, ao que tinha fido trinta 6c tres annos antes, porque não he novidade nos Reys o nafci mento que foy,unirfe á fepultura que fera, 6c a fepultura queferá, imnfe ao nafcimentò, que foy. Etles dous dias feuniraó, porque he pri vilegio dos Reys que mofrem de trinta 6c tres annos, fazerem prefentes o dia em que nafeem, 6c o dia em que fe fepultão. Nafceo S. Mageílade em feis, 6c em feis juntamente fefepultou , porque como morreo de trinta 6c tres annos, no, Reys, que morrem afiim, hecoílumefallarem eílesdous dias com tal proporção,que ambos fe unem, para que ambos difeorram : Diesdiei erxitat verbum, Mas fe S. Mageílade fe fcpul ta em íeis, que he o dia em que naf¬ ceo, como morre em quatro ? N ão vedes que o dia feis tinha fido ícu pelo qtu tem m C 33 r J pclò natcimento, Sc náo tinha lido léu por qualquer fucceflb odia quatro. Pois morra em quatro ,6c náo em leis, porque quem cm cbrode ^ íeis hade ter o fepulchro que náo he feu, he bem que morra em qua¬ tro, para ter em dia que náo he íèu, a morte, como ícnáo fora íua. Gre g. ^iíl. S. Gre^orio N ílVeno affirmou que Chriito morrera no dia 24. orar. & u de Março Aquando fe facramentou, prevenindo, 6c anticipando a ^k.rre^ 1 taorte, que havia de ter em o dia 25*. Sic que conjfatpravenifc morn m ^ ^ fitam, tinam pofinâieJcUicet die Vrneris fudai in Cruce ipfi vijitnhter eYant ^ illaturi. Mas fe Chnito fe hade fepultar na Seita feira que hamie ier 2 y. para que feamicipaa morrer na quinta feira, queiaó 2 4 ? Direi: Nos2íV foy o-dia dosannos de Chnito, porque em 2 y . de Março encarnou o V erbo i 6c deite dia, diz Alberto Magno, fe lhe devem principiar a contar os annos a Chnito : fafius incipit Deo vivere à die /Lc concepttonis , malas amem adie nativkatis th num dum , qmafolum Albert.Mag. mundonAtusefi. Chnítonodiadosannos,qfoyaos 2 y. haviadeter o de.Laud. fepulchro emhüa fepultura que náo era íua- : Pofmtillud fofephin ^j h>ca? . monumento fuo. E quem no dia dos annos ha de ter a fepultura, que Yt6 ’ 0 . r náoheiüa , he bem que no dia antes tenha a fu a morte, para que morra em dia que náo he feu, como fe a morte náo foíle fua. Demais, que fendo S.Mageftade nos privilégios Aurora, a Aurora tem a prerogativa demorrer antes dos annos, 6c no dia dos annos ter o enterro." Morre antes dos annos a Aurora, porque fe o Sol hê-quem faz os annos, antes que o Sol chegue, a Aurora morre. Tem porém no dia dos annos o enterro, porque íeíepulta no dia em que o Sol principia o gy ro dos annos. É fe S .Mageílade foy a Adi o* m, quenonoífo Emíiphenoannunciouonafcimento do Sol, como náo haviadeexperimentar antes dosannos a morte, para ter nodia dosannos a tumba . ? A Aurora he máy do Sol, Sc o Sol he filho da Aurora.- mas a máy como Aurora morre depois, porque na noyte precedeoà Aurora a morte do Sol: 6c o Sol como filho morre pri¬ meiro, porque o fepulchro do Sol na noyte chora na madrugada a Aurora. Juítoera que o Príncipe como hlho morrei) e primeiro que a Máy como Sol,6ca Máy como Aurora morrcífe depois, para que o Sol deixando no dia dos annos o fepulchro,permitiiTc á Máy como Aurora ter nelle o depofito. j O Sol,6c a Luaquádo para5,coítumaó parar no mefmo higai. *. H abac.cap. & Lma fieterunt in babitaculo fuo. Eíe o Filho como Sol ni ? },ÍI ’ rado no lugar do fepulchro primeiro que a Máy,parando ao . C P^ ‘ Jòan.cap.i< Y.& Matcli.cap. *7 v -5* Lucjecap.9 y.i8. A batalha dclReyD.SebaíHáo foy 2 4-ck Agoíto May como Lua, não podiaó ambos ter omefmo lugar , íc o filho naó dtixaffe o tumulo ,para a máy ter o enterro. Joaó chegando primeiro que Pedro à cova, ao depois quando veyo Pedro deulhe ) Joaó a preferencia para entrar na fepultura: Femt ergo Simon Petrns fequens eum>dr irtroivit in monumetnum. E fe em Joaó he nativo eíte oblequio: como o Principe D Joaõ naó daria a fua berenilíima May a primazia, para q S. Mageítade tiveíle no tumulo a preferencia? O golpe que a morte inhumanamente deu nó Principe em 17. deSeptembrojonze annos primeiro que na Sereniífima Rainha empregaíle o tiro, mortalmente ferio à May que eftava viva. O filho dcíunto onze annos depois , também íe laítimou pela femrazaó da morte : Sc íe para nós morreo o filho tantos annos primeiro, agora para acrefcentar anoíla difgraça, renafee das mefmas cinzas, para tornar a morrer por ifcntimento no dia em q a May fc íèpulta morta. E fè a máy morreo em quatro, tendo nafcido em leis, o filho deixou oíepulchro cm íeis , tendo nafeido em trinta, paraq no filho tiveíle a máy a morte 110 dia dos annos, Se o filho no dia dos annos da mãy tornaíle a morrer à força do fentimento. No dia da Transfiguraçaó fe vio a© Principe Moyfes deixar o fepulchro Et ecce apparuerunt Moyfes, &Elias: deixe logo no meímo dia o Principe D.Joaóacova, para que o dia 6. de Agofto em que na Transfiguraçaó fe fatiou . de huma morte taõfentida: Dicebant excejfum ejtts , fe proporcione a outro dia do mefmo myíterio,aonde ha de fer fentida hüa morte taô deíãrrezoada; St para que não falte circunftancia, deixe o Principe D.Joaò o tumulo, jà que Moyfesncíle dia deixou o fepulchro. DividioS. Mageítade o dia damorte dodia dos annos, porque fecom os annos tinha honrado ao dia leis, agora quiz honrar coma fua morte o dia quatro. Mas ay! que podendo fer outro qualquer dia,odiadeíteOccafo,foy o dia quatro de Agoílo o dia deite eclipfe! Eítá a morte de pofie de fazer infauíto para Portugal a eíte dia, . Separa nao perder ao feu direito , feem quatro de Agoílo virou o i feu relogio nos campos de África para acabar a vida de hum Rey . Portugucz; no mefmo dia applicou em Lisboa a fua fouce, para cor¬ tar a vicia de hüa Rainha de Portugal. Gento Se vinte Sc oito annos cíteve a morte apontando eíte tiro, para defpedir do feu arco com mayor impulfo eíta fetta, julgando fer conveniente tirar a Portugal huma Rainha, no mefmo dia em que tirou hurn Rey a Portugal: ou porque a perda era igual, ou porque o golpe era mayor; Separa que que em tudo foflem proporcionados osfuccefíb ' * Ncitedia Faria no mdino dia tiveflem citas duas mortes a lua i epre e ç • ,-p Epit.navida quatro de Agofto, ha cento Sc vinte oy to annos , queem dclRe, d.Scchorou fengue o Ceoi&defdeod.aquatrode Apito ate efahom, ^ hajà hum mez continuo, que as pedVa^em Ltsboa eftao chorando o langue docoraçaó, porque a melhor Pedra dePoitugal o» 1 “da inllante deite mez te eftà desfazendo em torrentes de agua, paia fent.r condignamente a húa tal morte A pedra do deferto, a penas morreo Mana em Cadés , logo fe desfez em a gua no melmo ugar aonde Maria morreo: Montaefiibt Mma. E«rejftfrm urpjNumcr. cap. Rm ,. & a Pedrada noflaCorte derreteofe em lagrimas, porque com a.v-n. a morte de Maria ficou o feu Palacio deferto. Mana quando morreo „„; j, j, ,i c cento St v inte annos, chorarão as pedras a lua morte, fendo Mhaidadc taó longe: St como não chorTr/a Pedra de PortucnlamortcdcMirià na idade de trinta Sc tres annos, aonde alua vidafoy tanto mais curtamente medida, quanto mais brevemente cortada ? A circunftancia do fentimento das pedras na morte de ■ Maria fov ter afua morte em Cadés , que fe interpreta mudança: CaAcs mLuc : Seque Mana fe mudafle, para que emtnnta Sc nove annos de mudança tiveflé mtempettuolamente afua morte, hefe-w* talidade tão grande para o fentimento da fua perda, que ate as pedras chorão por fentimento o feu Occafo! Que Manadeixafle oEgypto para fe mudar para Cadés! Que S. Mageftade de.xalk Alemanha Lra fe mudar para Portugal ; Sc que trinta & nove annos de mu¬ dança ba ftalVe para matar em Cadés a Mana ! & efeaflamente dqz annos de mudança deflem em Portugal a S. Mageftack ac te cila he a vara, que fere a Pedr a Pedro, para chorar a morte de Mana na fua mudança ;pois efpevando que a mudança a etei mzafle cm tugal em mais longa vida, a mudança a arrebatou para tao breve morte. Oh dia funefto para Maria que morre, porque iemudou. para Pedro,que defejando mudar-íe para fe enterrar vivo com iViai i morta, por mais q Pedro fe queira matar, naópòde Pedro moii . Nodiadefta morte experimentamos tres golpes eml em África para a vida delRcy D. Sebaftiao, outro em Lisboa par vidadaSer P eniffimaRainhaD.Mar.ia,¶ofentime^don ) f l i , feerêniffimoRey outro. Etreslançadas cm. ™ °^“^ r<J as,Sc ' ió dia, porque fenaó eítragara a alma paia a dor de ta P eX p e ripara ojuílo fentimento de golpes tao penetrant ê inenta^ mentavamos , que no diã da morte das Rainhas tnorriaõ as Rai¬ nhas, ÔC ficavão os Reys: mas neíte dia , a pezar danofla dor, mor¬ rem os Reys, Ôc mais as Rainhas. As Rainhas morrem, porque acabaõ; os Reys morrem, porque fe noagoaõ. Huma vida cortada tanto em flor ! hüa vida na primavera taõ tiranamente cortada , igual¬ mente he morte do Efpofo,que da Efpofa. Antes naõ he tanto 'mor¬ te para a Efpofa que morre, como he morte para o Efpofo que fica fem a Efpoía. A Efpofa morre , porq fenece, mas a fua morte mais he para o Efpoib que fica, porq para a dor do Efpofo, fó coftu ma fer a morte da Eípofa. Chorava Jacob a morte de Rachel, 6c chorava afilm.- Mihi etúm Gen cap 48. q H anào vemebam de Mefopotamia , mortua efi Rachel. Para mim, v - 7 * dizia Jacob,morreoiRachel. Para mim? notável mododefallar! Para íi he que havia de dizSJacob que morrèra Rachel, porque Rachel foy a que mprreo. Pois como não diz que Rachel morrèra para R achel, mas que Rachel morrèra para Jacob: Mihi mortua eji ? Bem fe declara o Patriarca: porque diz, que Rachel lhe morrèra napriItidein. mavera: Erat vernumtempus: 6 c quando na primavera, ou pelos annos, ou pelo tempo morre as Eípoíàs, mais he a morte para o Efpofo que fica, que para a Efpoía, q acaba. A Efpoía fenece, porque mor¬ re: Mortua efi^ mas porque o íentimento naõ pode acabar ao Eípoíò, por iflb para o Efpofo he a morte da Efpoía: Mihiynortua. Bem o te¬ mos viílo no Quarto mingoante da nofla fcrmofiífima Lua ; pois nao fó a Lua foy a eclipíada, mas também o Sol ficou efcurecido: 5c ^fiim ambos ficavam igualmente mortos. A Lua, porque na vefpora dos annos padeceo o golpe mais deshumano; o Sol, porque pertendendo morrer, naõ o pode o íentimento matar: Obtenebratus efi Sol tn ortu fuo , & Luna non fplendebttm lumine fuo. Tenho acabado o Panegyrico, ainda q não tenha íatisfeitoã grandeza doaflumpto. Efte foy o Quarto mingoante deila morte para a nofla dor, 8c naõ deve fer menos efíicaz para o nofib defengano; porque fe para os Reys, 6c para as Rainhas ha morte , que temos nós que efperar da vida? Sendo a morte taõ certa, 6c taõ commua no mundo, naõ hacouíano mundo mais incriyel,que haverem deter as Rainhas , 6c os Reys morte.. Afiim vivemos enganados coma morte dosPrincipes , que nos não perfuadimos que morrem os Reys. Sam Pedro pregando de femelhante arguméto, acabou o íeu Sennaó pedindo aos feus ouvintes perdão de que no íeu difeurfo lhe tinha A&orcap. a v.ij. tinha dito húa rtdzw Meus irmaós,uizia Pedro, 'ícjamc licito dizei vos nua teme ridade uíoü o Apõftolo ,diz Ugo.deftacautela para que osouügohic vintes feuaó indfenaírem contra o Prègador: Bocdicit ne w dignar entrr Eque tetnendade podia dizer hü Apoftelo, -contra quem fepudeítíelcádáizar o auditono? Etle mefmoQ ^ ,,j vos Ac Patrmrcha ÜMid, quontAmdefnritiusefl,&fepulms.L)Mt\ fAmftolo á elRey David morrèra, & fe lepultára. E affim crera os homens immortács aos Reys, que arada na bocca de hura Apoftolo iulgaó temeridade o dizerfelhes, que para hum Rey ha fepulcura, Sc morte.- Qua® temevana feja efta prefumpçao, bem o vimos nc'h morte, pois quem aUi efU morta, 8c fepultada, he hua Rainha. c' 1 Real de Portueal emtaõ pouco^jjÉhnos temos viílo a morte de dous Reys, de tr.es Rainhas, de dous ‘ Principes, & de duas Pr ncezas* 6c repetição de taõ funeftas mortes, naõ riolas mete Deos cm cafa fem efpecial Providencia. Abramos os olhos ,&-deixemos de fer cegos.' Confideremos o que fomos, 8c dcfcnganemonos , que n irã a morte nao aproveita nada. Nãooillujtre dofangue .porque alli eftà mona hiía Rainha iUuftriffima. Nao as veneinçoens da Coroa, porque alli eftá enterrado hum Cetro. Nao osannos.porq aíl, cftaa Primaveraamortecida. Não as prendas,porque os at t ri¬ butos mais fòbcvanos também alli eftãofepultados. Todas ascafas Reaesda Europa eftáo alli dentro naquella Urna ,& todas mudamenu nos bradão, que alli vai aparar tudo. Efeeftahearefoluçao detodas ásReaes calas,aonde hamde hir pararasparticulaies,pot mais illuftres que feiáo? Alli asefpera o feu termo , porque aquel c tumulo he o eclipie univerfal de toda a Mageltade , o Occafo de toda a luz, 8c o Occidente de todos os Aftros, p orque alli igualmentc fe aílbmbra o Sol, q íè eícurece a Cua. A Luaalhjazha muitosdias. defencanefe agora o Sol, 8c maisas Eftrcllas, que luppoíto tenhao o curfomais vagarofo, também hamde chegar aquella Unta, porque também allihamde ter morte os fcusrayosiSc por mais foberanos q lenoosfeus refplandores, todos depois de eclipfados hamde depen¬ der dc q a noflã piedade lhes diga a cadahú, hum Reqme[a«t wpae. F I N I S LICENCAS. o V I f tas as informaçoens, pódefe imprimir efte Sermaõ, & depois de impreíío tornará para fe conferir, & dar licença que corra, & femella naõ correrá. Lisboa 9. de Outubro 699. Cajlro. DiniZi Carneiro. Fr.G. \ . P O d e^fe imprimir o Sermaõ de q eftapetiçaõ trata, & depois de impreflb tornará para fe lhe dar licença para correr. Lisboa xo. de Outubro de F .P .Bifpo de Bona, > \