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Histórias de Roteiristas (Guionistas) : Cinema Biográfico

Davino, Glaucia

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1675 Histórias de Roteiristas (Guionistas): Cinema Biográfico Glaucia Davino Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, SP, Brasil 1. Contextualização do projeto Esse projeto tem origem nas pesquisas iniciadas na década de 80 pela coordenadora do projeto, em nível mestrado, de doutorado e nos desdobramentos sobre o tema roteiro (1). A década de 80 mostrou o despontar de uma nova geração de cineastas oriundos das universidades, do movimento do curta metragem, do mercado publicitário e cinéfilos. As mudanças político-econômicas desencadearam, nos anos 90, novas políticas culturais rompendo com as antigas formas de financiamento governamental, levando a produção de filmes buscar novos formatos. Transformações mundiais como a globalização que envolve fundamentalmente os meios de comunicação fizeram emergir outro perfil de consumidores do audiovisual. Nestas passagens histórias, o roteiro passou, pouco a pouco, ser revalorizado no mercado e, conseqüentemente, no interesse pelo seu domínio. Surgiram, pela primeira vez no Brasil, em 2000 e em 2006, duas entidades representantes dos roteiristas formadas pelos próprios profissionais que vêm conquistando espaço e têm sido escritos e traduzidos títulos sobre o tema. Mesmo com este florescimento discreto, a figura do roteirista sempre foi uma incógnita, pois se o roteirista não é necessariamente o diretor, então quem conta ou quem é o autor das histórias na forma fílmica? Quem são os roteiristas que criam nossos audiovisuais? Como desenvolvem suas criações? Quais as suas relações com a produção nacional de filmes, de vídeos, de conteúdos para internet (audiovisual), de programas de TV (com ênfase na dramaturgia)? Quais as suas relações com o mercado nacional e o internacional? Qual o valor do roteirista dentro da categoria? Como se trabalha com roteiro, no contexto contemporâneo? Como se aprende a roteirizar? Por isso, formos buscar nas conversas com os próprios roteiristas o “mistério” da profissão, através de histórias que eles contam sobre si mesmos. Em 2006 foi realizado o ‘projeto piloto’ para a definição de métodos e diretrizes para a produção de outros títulos na mesma linha temática. O piloto foi financiado pelo Mackpesquisa (2) e os pareceres finais foram favoráveis ao resultado alcançado. No projeto piloto, a proposta foi a de pesquisar um roteirista por vez, entrevista-lo e produzir, como reflexão do resultado final, um texto-audiovisual no formato vídeo. A personalidade entrevistada na ocasião foi o roteirista e dramaturgo Rubens Rewald, jovem diretor de cinema, escritor, dramaturgo, roteirista e professor de roteiro no Curso Superior de Audiovisual na Universidade de São Paulo. Além de peças de teatro, roteirizou e dirigiu filmes. Escreveu Caos Dramaturgia e em 2007, roteirizou e dirigiu seu primeiro longa metragem intitulado Corpo. O texto audiovisual final se concretizou com 90 minutos de duração, dividido em capítulos criados, intitulados e organizados segundo as idéias dos pesquisadores do projeto, como forma de reflexão e interpretação do conteúdo gravado. O estudo e as entrevistas individualizadas têm a função de desvincular umas das outras entrevistas. A idéia é tratar cada escritor como único, não como mais uma peça de uma massa pertencente ao cinema brasileiro. Portanto, ao final deveremos ter uma série composta por um vídeo de cada roteirista. O painel de roteiristas do audiovisual nacional contemporâneo será composto por uma série, não por um único vídeo que intercale prévia e dialeticamente as idéias de nossos roteiristas, ao contrário. Qualquer relação ou conclusão a que se poderá chegar sobre o conjunto de roteiristas caberá à disponibilidade dos 1676 espectadores Ao invés de estabelecermos e direcionarmos as relações de aproximação e contrastes, pretendemos permitir que cada espectador monte seus conhecimentos segundo sua ordem de interesses. Ele tanto poderá se interessar por um ou uma combinação de nomes e, desta experiência, tirar suas conclusões. Em 2008 iniciou a segunda parte após o piloto, e foi sub-intitulado “Episódio II”. Tivemos a oportunidade de entrevistar duas personalidades de gerações muito distantes, Jean Claude Bernadet e Sabina Anzuategui. A distancia de geração não impediu que as circunstâncias os levaram a trabalhar juntos. Mesmo assim, para cada autor há um vídeo independente. Em 2009, ocorreu o terceiro ano de trabalho, com o “Episódio III”, quando fizemos quatro entrevistas e finalizamos duas dos roteiristas David Mendes e Di Moretti. O “episódio IV” deverá entrar em ação entre 2012 e 2013. 2. Objetivos Gerais (a) em maior prazo, é o de consolidar o Projeto para que o audiovisual brasileiro seja estudado segundo a realização artística daquele que o idealiza, o roteirista; (b) contribuir para o registro da memória da trajetória do audiovisual nacional. (c) realizar um levantamento dessas personalidades e traçar um perfil do universo dos roteiristas brasileiros; (d) fazer com que cada produção resultante tenha característica de ser um texto-audiovisual integral e que possa ser publicado, divulgado a uma diversidade de públicos tanto na qualidade de pesquisa sobre roteirização, dramaturgia do cinema nacional, cinematografia documental como na qualidade de uma produção audiovisual nas mídias que lhe forem compatíveis (vídeo, internet, outras); (e) ampliar o número de pesquisadores e estabelecer parcerias para o projeto e (f) valorizar o roteirista nacional (g) obter o apoio permanente de nossa instituição para que o projeto possa alcançar um status de maturidade (e conseqüentemente dos pesquisadores envolvidos) para a obtenção de recursos também em outros órgãos de fomento à pesquisa: estaduais, federais e outros. 3. Objetivos Específicos (a) investigar a produção artística das personalidades, em questão, e identificar a repercussão de seus trabalhos nas obras. (b) refletir sobre o processo de roteirização de cada autor (c) produzir, a partir da pesquisa de conteúdo, um produto audiovisual final em vídeo (texto audiovisual) que mostre a reflexão e que divulguem o roteirista/cineasta oculto em cada obra ou no conjunto das obras; (d) produzir, divulgar, na forma de texto verbal a pesquisa e seus desdobramentos através de publicações acadêmicas e não acadêmicas; (e) gerar conhecimento que dialogue com os outros projetos de pesquisa com os quais pretendemos nos envolver; (f) divulgar e apresentar os vídeos produzidos em mídias, eventos e outras modalidades acadêmicas e não acadêmicas; 1677 (g) amadurecer e aperfeiçoar o processo a cada etapa (ou episódio) e que 4. Metodologia Como tradicionalmente, as leituras específicas e teóricas a respeito do tema tratado têm sido para atualização, aprofundamento e compartilhamento entre os membros do grupo. Essa pesquisa tem sido desdobramento das pesquisas teórico-analíticas baseadas na construção da narratividade, na compreensão do processo de roteirização, da própria construção do filme, dos níveis narrativos do filme, dos elementos fílmicos, das opções estéticas entre roteiro/direção, do trabalho do roteirista, da adaptação fílmica, da passagem do roteiro para o filme, sobre documentário, sobre o processo de roteirização. O projeto que antecedeu e se constituiu como piloto, mostrou a necessidade desses os seguintes caminhos pragmáticos: - o trabalho mais denso caberá ao contato direto com os roteiristas que ainda serão selecionados nos primeiros períodos da pesquisa (restrição deste momento da pesquisa será a da escolha de roteiristas que estejam atuando no eixo Rio - São Paulo); - metodologicamente, o contato direto com os autores é o cerne do trabalho, é nosso o trabalho da construção bio-cinematográfico. Os primeiros contatos serão para se levantar assuntos que eles podem nos trazer como pertinentes, apontar acontecimentos, materiais a serem pesquisados, etc. Esses levantamentos, essas conversas poderão ou não ser gravadas, conforme disponibilidade dos equipamentos e/ou de permissão dos autores; - um roteiro de gravações deverá seguir as diretrizes desses contatos diretos com os autores; - a captação de informações com os roteiristas serão feitas a partir de formulação de perguntas que não deverão aparecer no vídeo de maneira que provoquem o contar de histórias ou que permitam que a edição dê essa impressão à cena; - as gravações deverão ser realizadas em mais de um encontro para que diferentes momentos suscitem novas emoções dos autores; - materiais de arquivo ou de arquivo pessoal deverão ser consultados e terem autorização dos direitos cedidos pelos responsáveis para serem utilizados na edição final - o resultado dessas conversas será o fio condutor da construção do roteiro do produto final (não significa que o produto será linear), quer em texto, quem em CD. Esse projeto, tanto quanto qualquer manifestação em linguagem literária e audiovisual tem sempre a expressão intermediando aquilo que se quer dizer. Essa pesquisa tem um traço diferenciado das pesquisas teórico-reflexivas e pesquisas quantitativas ou qualitativas. Ela é uma pesquisa cujo levantamento de dados (nomes dos roteiristas que comporão o painel) e dos materiais (compilação) levam ao registro artísticocrítico do trabalho do autor a partir do tema central proposto. Faz parte da postura metodológica desta pesquisa obter um audiovisual como produto final de demonstração e difusão dos conhecimentos constituídos. Portanto, teremos a reflexão sobre o roteirista, um profissional do audiovisual, através da linguagem intrínseca deste meio (linguagem em imagem e som). Consideramos que a intenção seja atender plenamente a área do saber, através desta forma prática e, de certa forma, experimental. 1678 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARISTÓTELES (1964): Arte Retórica, Arte Poética. 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