Sermam do espiritos, prègado ao tribunal da Justiça da Corte de Lisboa, ...
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SERMAM ESPIRITO S.i Pregado aoTríbunal da Juftiça da Corte de Lisboa, Sendo fen Regedor o IllufiriJJírao i & ReverendiJJimo Senhor d.alvaro de abranches, Bifpo dc Leyria, doConfelho dc Sua Mageftade, Fio Rca/ Convento dos Frades PFegadores , na prF meyra Oytava da me fina Fe(la 3 PELO M. R. PADRE Fr. PEDRO MONTEYRO Meftre na Sagrada Theologia, Pregador deS. Alteza.’ Confultor do Santo Officio, Examinador Sypodaldo Arçebifpado de Lisboa Oriental, & do Priorado do Crato. Oferecido ao Revmniftmo Padn Meflro R ° r DRIG ? LANC ASTRO, • Rcl c g xí° da n m , dma 0rdem - do ConTelho de S. Mageftade,& do Gérai do S. Officio. LISBOA OCCIDENTAL, ' Na Officina de ANTÓnkTpEDROZO GALRAM. Com todas as licenças necejfarias. Anno de 171 7 -
REVERENDÍSSIMO P. MESTRE. USCA efie papel a protecção deV.Rever.en^ âijjima por fer hum dos meus , que mais mordeo a inveja , & calumniQU a ignorant eia. Tarde ofube , & por ijfo também chega tarde. Determinava ate aqui ) que entraria com os outros , que principio a prepararia* radar a luz , quando cejfar a conímuaçae do púlpito, imitando rtifio , o que fizer ai os mais > porem vime precifado aonao retardar tanto , por jufias razoes , quecaUa, Na pejjba de V Reverendijfima vejo unidas todas, as prendas , que confiituem hum Mecenas grande , bondade de animo , Nobreza de fangue, & fabedoria de, Meftre. Da primeyra temexjknema , naifi os Relmofos, m ■ vivemos deportas adentro com V. Rever endijfima , mas tom¬ bem todos os mau, que tiver ao occajiab de os V. Rever endiffma 'tratar. Da Jegunda tem V. Reverendijjma por Uftemunhas os gafeoncellos, os Soujas, os Favor as, os Silvas, & os Lancafi. nubi* í Uet>rúC t d f > t udo do tnaiiqualificado domaispírodefte Reyno. Pelos Vafimcellos-àSoufas hi V RevLvínillr 0 Nfn f edr ° de KfcmL & Sottfa , Gotado do Rrrri da P all . l a > àCapitai General de todo o Eftado do BrafiL, hoje Embayxador Extraordinário delRey nofjo Senhor na Corte de Madrid a ElRey Catholico. Fdho do Se¬ nhor Smao deVafcomllos & Sottfa, Gemd-hmm da Ca- "" J * ij mera
mera do Serenijfimo Príncipe Dom Tear o, & irmão do Excellentijfimo Conde de Caftello-Melhor, de quem V. Rever endifi fima he amado\fobrinho. Pelos Pavor as he V .Rever endijfimafilho da Senhora D. Joanna de Pavor a , Dama quefoy da SeremJJima Rainha D. Luiza de Gufmao , & parente de todos os defie nobihjfimo appellido, que fi nejle Reyno tem ires cafas titulares , a dos Excellentijfimos Marquezes de Pavor a , a dos ExcellentiJJimos Con¬ des de Sao Vicente > & Condes de Alvor, ò~ outras nao titu¬ lares. Pelos Silvas , he V Reverendijfima neto pela linha ma¬ terna do Senhor Joao. Gomes da Silva, Regedor quefoy da Ca - fa da Supplicaçao. Cujo morgado , p or falta de varap,ficou k filha mais velha herdeyra , que cafou na Excelkntijfima cafa dos Condes de Sarzedas , de quemV Rever endijfima ficeufo¬ brinho. Bifneto do Senhor Lms da Silva y Mordomo morda Cafa Real, Vedor da Fazenda, & do Confelho de Eftado , cuja baronia fe conferva hoje na Excellentijfima cafa dos Marquezes de Alegrete. E deficenâente da mais antiga nobreza de toda Hejpanha , que dandolhe principio o Conde D. Pedro em Dom Guterre Alderete da Silva, Rico homem y queflorecia no Reynado delRey Dom Affonfo VI. de Leao , & do Seremjfimo Rey Dom Affonfo Henriques de Portugal ,fe naofatisfazem geral¬ mente os Genealógicos ,que com mais curwfidade invefttgàrao eis antiguidades-, por que huns a deduzem dos Rey s de Albafif*’ £ a i defeendente de Eneas por feii filho Silvio ate o Conde Dom Pelayo Silvio , que flore ceo pelos annos de 430 .. pay de Dom Gnterre Pelayo, Governador da terra da May a, q ue f°J eivo de Dom Guterre Alderete da Silva. Outros querem, que 0 Con^t Dom Pelayo fcjfefiih 0 do Infante Dom Ordonho 0 cego,filho de Dom Fruella II Rey de Leao, & defie ate LeovigildoRey Sexto decimo dos Godos , pelos annos de 5 6 7 . procedido da anti¬ gafamilia dos Baldos , daq Ua l f empre os ViceG odos elegiao feus Rey s.Outros pelo patronímico de Alderete affimao,que D-
Guterre Alderete da Silva defcendia do Conde Alderedo , a quem EIRey D.Ramiro oprimeyro mandou tirar os olhos pelos annos de 84.3. Finalmente as armas defia nobihjjima família, quefao as mefmas do Reyno de Leao , mofirao , que D. Guterre Alderete da Silva era defcendente daquelles Reys, & delles ate os antigos Godos , que vier ao a dominar fíefpanha pelos annos de 411 • com 0 (eu.phmeyro Rey Ataulfo. Defie para cdfe tem jà paffado trezefeculos y & dentro delles fe extinguirão muytas Monar chias , & acabar ao as defcendenctas de muytos prínci¬ pes ■ , & a efclarecidafamília dos Sãvqs continha tao dilatada, que ainda hoje conta por fita baronia vinte cafas titulares em Portugal , & Cafiella x & outras tantas , que lhe nao fao infe¬ riores j menos nos títulos. Pelos Lancaftros he V\ Reverendijfima pela linha pater¬ na neto da Senhora Dona Marimna de Lancaftro x M arqutza de Cafiello-Melhor , Camareyra mor da Sermffima Rainha Dona Maria, filha dos Exctllenüjfimos Condes da Calheta,& defcendente emgrh conhecido do Meftre de Santiago ,0 Senhor Dom Georgede Lane afiro, prmeyro Rortuguez , que vfou defie fobrenome,fundador da Excellentijfima cafa dos Duques de Aveyro, & filho do Seremjpmo Rey Dom Joao 0II de Por - iugd. F oyefte appellido de L ancajlro , herdado da Seremffma Ramha DmaMppa de Lancajlro , mulher do Stnmttm Rey Dom Joao o Prmeyro Ma Coroa ,fâha do Duque Dom Joao de Lancajlro, filho dei Rey D. Duarte delnglaterra Z pay de Henrique o V.àeflenommnosRtysáa mefma Com deyras , que da ReUgiaí leo comZlZZZ ’ que fubip ao púlpito , em que teve tLa^aceyZlhfZ^ ’ * queoilkJlriJfimoCábW da Santa siorZZZt rZ Í’ Udo V oEmZmffiÍTs!nh a „ ÍaZdíZj * üj Tudo
Tudofe acredita com a êleyçao , que Jèfez de V. Revtren* dijjima , tirando-o de Prior dejle Convento de Lüboa para Deputado do Santo Officio do tribunal de Coimbra. E ultima mente com o Eminentijjimo Senhor Cardeal Cunha , Inqttiji* dor Géraldejles Reynos , prover a V. Rtverendijfíma no lugar, que a Religião tem de propriedade no Confelho Geral, de que V» ReverendiJJima heja o decimo pojfuidor. Donde o publico mtre* cimento de V. Reverendiffima fefaz ainda de majores honras acredor. Deos Senhor nojfoguarde a pejfoa de V. Reverendijfif ma para mayor credito , & ejfilendot' defia Província , Servo de V. Revcrendiíílrtu Redro Monteyro •
m; LICENÇAS DO S. OFFICIO. Cenfttra do M. R. Padre Meftre Fr. Joao de Santa Tberefttj - Qualijicador do Santo Officio. EMINENTÍSSIMO senhor, " Andame V. Eminência veja o Sermaõ, que compozu _L & prègou oM.RJP. Fr. Pedro Monteyro, Religioíode N. Padre S. Domingos, Meftre na Sagrada Theologia, Prègador de S. A lteza, ConfuJtor do S. Officio, Exa¬ minador Synodal do Arcebifpado de Lisboa Oriental, 6 c do Priorado do Crato;& vendo a caufa que teve parap pòrem publico , tenho muyto que agradecer a quem lhe levantou o teftemunho; porque fe naõ tivera efte motivo naõ dera efte Sermaõ taõcedoao prelo,& nos privara da liçaõ da fua doutrina, por taõ occupado na predica ; mas permittirà Deos íeja defpertador, acommua aceytaçaõ de quem ler efte feuefcrito, para fahir logo com os mais' que diz, a publico* porque fóentaõ conhecerá o malevo-’ lo animo,que o cenfurou, que afllm como os Sermões pré gados o chegárao a arear, para em íbmelhante defatino proropeMÍfim também lidos o chegaráõ a confundiW mc. ,„,h m difdpKÍ”^ s ,6 de Aquino,hum lucidiffimo ravo a,t S T ' 0nlfe riaõas fombras o ccultar a< fi,,7i 'S^reconhecendOjque. ceo entre as foS ?*, ’ P ° r ,ffo reí P , a " d e - D ras, que effe he da luz a occupaçaó precifa
cifa : Lttpi intmbrisltícet > nem parece podia fahir a luz cfte reparo, fenao excitado com a cega, & nublofa emulaçaõ do fe v u adverfo: o Sol intende mais os Teus luzimentos, quando com fombras fe vè occultò; qma intenditur à con¬ trario: afíim também efte Author,fendo hum brilhante Sol ma predica, agora augmentarà ( fe he que pode fer ) m a & a fua fabedoria . No Sermaõ,que aprefentaprègado às j uítiças, confeflblheadmirey a traça, com que íuppondoo paflado,& naô difRcultando o futuro, deu para as Jnãiças de prefente os mais admiráveisareftos; enfinando íem nu¬ ca julgar, o modo, com que osMimftros fe devem haver* cuja doutrina por taô lolida, & verdadeyra deve ficar na lembrança muyto impreífa^c quiçá quizefieDeos permittir aquelle abíurdo, para que redunde da impreflaõ nuiyto-proveytoj que he certo, que fe os Miniítros leré em fuas cafascom attençaõ taõ grande doutrina, poraó logo em execução a juftiça, caftigarfe-haõ culpas,evitarfe-haõ tantaS) porque fe o ladraò vir, que apenas o feu fociofoy pre¬ zo, logo na forca fe vio pendurado , terà emenda por niedoj & o mefmofará,o que fem piedade tira a outro a vida, fe logo fe acabar a fua fem demoraj&r haverá melhores coítumes,do que fe experimenta:tambem fe animaráõ os me¬ nos poderofos contra os que podem muyto , para pedi¬ rem, o que he feu por direyto, & fem temerem gaftos, fa¬ raó pleytos, & naó fe comera taõ indevidamente o aiheyo, como muytos eílaõ comendo, que por temerem os direytosfenhorios adilaçaò de hüa demanda, perdem a fua juf¬ tiça; 6c como a matéria he para os bõs coftumes importan- <j tiffima, & à nofla Santa Fé naô he oppoíla, me parece de¬ ve V. Eminência de juftiça dar ao Author a licença, que implora. Efteheo m e u parecer Jalvomehori. Lisboa OccF dental no Convento de N. Senhora de JESfJ aos 31. de jMayodeiyi/. O M. Fr. Joao de S. Therefa. Cm-
Cenfurado MltiP.MeJire Fr'- Jôfeph âo Eftirito Sami Qualijicador do Santo Qjficto. eminentíssimo senhor: O B e decendo a V. Eminência li com attençaõ o Ser-' maõ do Efpirito Santo, que me fez graça remeter 'ã eompoz.êc prégouo M. R. P.M.Fr. Pedro Móteyro, R e - ligiofo da Ordem dos Pregadores, que eu conheci, & provey na Univerfidade de Evora.infignedifcipulodo Doutor Angélico nas cadeyras,& púlpitos .verdadeyramente ágiua nas divinas letras, & por iffo digniffimo Confultor do S. Ofhcio, & mais títulos, que acreditaô fua pelfoa, & Religiaó. Confeflo, que ha tempos naõ vi Sermaõ taó douto, & tao fundado nas divinas letras,& doutrinas mais folidas dos Santos Padres. Nàõ podia deyxar de a^dar muy to a hu auditono taó douto,& ta6 authorizado, como heo tribunal dasJuftiças defta Corte, aquém expòz os dictamcs do Efpirito Santo, mais neceffarios para e acerto do bom procedimento dos Miniftros da Tuftica em f,„c „ hiptto Comp„f,. levantes, doutrinas muy verdadeyras ,& provas literaes muy genu.nas alt.miou enfinou, encaminhou aos Minif! tros da Corte, qne lhe derao' audiência ; mas porque efta doutrina também quer DeosfecommunfmiP LZ 4 • í • “ «fr» . srssr s Deos fervido, quehu zoilo o obrieafiea d,lli. - a’ y He eftyloda infinita bondadeSdetMi f°d n l fle St i | a l 3 en e f i c as P r o v i d en c i arpará > a p rtu^y < ímnento de fuas creaturas. Affim vemos aproveytamenconfcienciasdepravadasderaõoccafi ' C c Tj • 0cc a í iao ao mayor Doutor J j • n ' Ieron ymo para publicar taõ ricas doutrinas, como diftou nas apologias, que efcreveo a Rufino , Jovinun°, & outros.Pois nette Sermaõ fe moftra a verdade taõ ** pura
+ Sermão mento de Chrifto Senhor noflb, Na vinda porem do Efpirito Santo nao foyaíllm. Difte Chrifto a feus Difcipulos, que elle fubindo *o Ceo, rogaria a feu Eterno Pay, 6 c que efte lhe daria o Divino Eípirito: Egorogabo Patrent , & alium Paraclítuni áàbit vobis * 6 c ifto íe cumprio em breves dias: Dum compkrentur dtes Pentecoftes , &c, faãus efireALapid P ente ^ e Calofonus. Ouçao ao Doutiílimo ALapidenefte Jik. P ’ lugar: FaBm eft repente , ut declararei fuam celentatem. Di¬ zer o texto, que o Eípirito Santo viera de repente, foy pa¬ ra nos dar a entender, que viera fem dilaçaõ, com preça. Frimeyrodi&ame, ou primeyra Ley, que efte Divino Ef« pirito dá hoje a todos os miniftros defte re&iflimo tribunal , aílim aos Advogados, como aos Juizes, que naõ de¬ vem culpavelmente dilatar ascaufasrque faõ obrigados huns a propor as razões das partes Tem dilaçaõ* & outros, quantopoflivelfor,adefpacharosfeytos fem demora-,q naõ durem as demandas muytos annos , mas que fuppoft» temos Ordçnaçaõ, ou temos ley, tudo , fegundoella ,fe defpache , completos os dias: Cum complerentur dies , &c, fa tf ti* eft repente , ut declarar et fuam celeritatem. Quantas vezes tem jà fuccedido ( naõ fallo, nem fallareyem todo eíleSermaõ , do que deprefenre acontece; porque eu jà difte, que di prefente tinha por re£tiílimos a todos os Miniftros defte tribunal: fallo fomente em com- ^urrijclo que nefte mundo jà fuccedeo ,&do que hepof- *} v el, fenaõ íe obviar, pelo tempo adiante tornar a fucce- ** er ) quantas vezes pois tem já fuccedido por hum po¬ bre, & de qualidade inferior huma demanda a outro rico, &poderofo,pedi n c [ 0 ]| ie) 0 q U e evidentemente confta va fer feu, que zombando e ft e d a q uelle,difte: O villaõ ruim fazme demanda ; pois eu fim devo, mas nem elle, nem feus fiihf)s em fua vida haõ de cobrar o dinheyro ? E achou hum deites Letrado,que lhe advogaíTe^ Miniftros,que ao me¬ nos pata a dilaçaõ lhe deferiíTem. Quantas vezes tem acontecido pedir outro ao poderofo , o que certam e nteíb
Do EJpirito Santo. y lhe devia, que de tal forte lhe dilatàraó a califa, que mais gaftou nas defpezas da demanda, do que depois cobrou, alcançando por íilentença, ficando o pobre em pçyor eftado depois, do que antecedentemente eftava ? Da injuftiça deftes Miniftros, ôc defies Advogados fe queyxa gra¬ vemente o Summo Pontífice Innocencio, d izendo : Sape innoeêr caufas tandiu differunt , quandin iitigantibas plnfquam totum hh - dc vi. auferunt , quia maior ejt expcnfarum fumptm , quàm fenten - condit tiafruttuthurnin. Agora me lembra, o que o Profeta Ofeas difie*fcfacob, fobre o haver efte lutado com hum Anjo: Invalmt ad O Ce(e Angelum i & confortatm eji h / evit , & rogavit eum. Diz I2 ”*' que Jacob na luta prevalecèra contra o Anjo, que efte fo¬ ra o vencido, & aquelle o vitoriofo* & depois accrefceota, que Jacob foy confortado, que chorou,& que rogou.Confeífo, que he myfteriofo modo defallar efte do Profeta. Pois Jacob he na luta o vitoriofo,& efte mefmo he, o quê fica desfalecido ? Jacob he ,o que contra o Anjo prevaleceo, Invaluit ad Angelum , & efte mefmo he, o a quem fe confortou: Et confortatm eft? Jacob na luta he, o que ven¬ ce, Invaluit, te depois da vitoria o mefmo Jacob he,oquè fhora: Flevití Na luta o Anjo foy, o que rogou a Jacob dmttteme,èe a g oradepoisde vencedor,Jacob he.oquer roga ao Anjo: Et rogavaeunrt Sim , & com razaó, porque Jacobachava-feem peyor eftado com a vitoria,do que ancecedentcmenteeftava„ quando entrou na luta ■ que ne(N ao menos entroufaÓ,& com a vitoria achou-fe coxo ■ & ,! dores da perna \hc t.rarao o gofto da vitoria , caufa no tem Jacob para desfalecer, & motivo iufl-nr. . P ? S valuit ad Angelum , & confortatuí r/ 2 , & c . P Ch ° rar ^ ta a r n^ elha r nte r f 0 , a 0 q UefuCcedeoa J ac ob na fua lu- ; f .“° tam r bem ao noffo pobre na fua demanda: tinli3 por í i tfvcs f f n t pnp/v r • /• ZrJ] f c ? 5 n t en 9 a - o f eu contrario ficou ver i L ovltor í°^o invaluit', mas que jmportou j o, e pelo feu contrariofer rico, fer-poderofo, culpaAj vel-
6 Sermafí velmente lhe dilatàraõ a caufa; & pelos exceffivos gaftos, queoobrigàraô a fazer ife acha. em peyor eitado depois, do que eítava antes.? porque nem os frutos da fentença chegaõ a pagar as deípezas do litigio * fe fc acha com o tépo gaito, a fazenda coníumida,& bem poderá fér,que tam¬ bém, qual outro Jacob, com a faude poftrada?.Iftaiáz defr falecer os animõs,& jirttamente provoca a lagrimas; Invaluitad Angektm, ér confortatus efi - r fievit , & rogavit eum. * Pois para que eítes danos fe evitem, di£ta hoje o Amor Di*i vinlj>que as eaufas' c u lpável mente fe/naõ dilatem} que eftas naõ durem annos , mas que (fe poílivel for) tenhaõ o feu complemento em poucos dias : Cum compkrentur dies. Eítamefma doutrina do EfpiritoSantoeníinaõ aeftedoivtiflimo tribunal as fuas leys, L. ampliarem §. in refntatorijs tod. de Appellat. glofi in l.i.ff ! quod met. cauf. Naõ fomente fedeve entendereíta doutrinanas cauías eiveis,fenaõ também nos feytos crimes. Oiiçaõ o que füccedeo ao ScreniíTimo Rey Dom Joaõ o II. tendo a fuá Corte em Évora. Foy eíte grande Rey hurna íefta feyra* como coítumava, à Relaçaõ. Eítava na> m e f a grandejulgu* do à morte hum rèo por homicida. Tendo eíte já noticia *ei>nd. da-ftia fentença, foy trazido diante dei Rey,& d ifíe: Senhor, deRcquatorze annosha , que eftou prefo. Em quanto tive fazenda DJuàõ para peytas^fempre me ddatarao d caufa ; agora queja nao teli. cap. nho quegafiar , me fientenceao a morte. Se então me matar ao^ 97 ' eufo padecera, & a Minha mulher , & filhos ficaralhe fazenda, para fe manterem-,efi agora) Senhor ^mataorodos^pois tudo gaftey, por dilatar avida.Olhe V.Alteza ifto com olhos de pie¬ dade , & de tao virtüofò Rey , como he. Ouvindo o Reyaõ rèo, ficou triíte; vio 0 principio do feu.feyto, & achou,que falíava verdade, qu G q ua t orze annos havia, que eítava prefoiôc voltando para os Defembargadores diííe: Melhor tnefcôieiA vos-outros a morte , do que efie pobre homem -, mas quemhd de mitar.a tantos?. Chamou ent&õ o rèo, & lhe, que.elie Lhe perdoáva, & que à cuíta da íua Fazenda v - - c“ Real,
Do ÉMrm Stíntol 7 > Real, mandaria pela perdaõ da parte, o que cumpria. Ain, da pois que afentença de hum rèo haja de íer de morte* fempre o abreviar a caufa, he piedade. . . . Ora entrem comigo a ponderar com attençap a caufadeChrifto Senhor noflb,6c acharáp deíempenhada 3 verdade defte penfamentp. Períuade .q Demonio a judas, que entregue a Chrifto, feu, & noílb Divino Meftrç , nas maos de feus inimigos, para lhe tirarem a vida : Çum Dial. Joan-ijl holus mifijfet in cor , ut traderet ewn Judas. Trata eftç da vç1 ‘ da, recebe o dinheyro,& executa a entrega. Torn^ o n}ef. mo Demonio a lugerirlhe, que fe arrependa, que leve p proprio dinheyro aps Príncipes dos Sacerdotes, que dian¬ te delles declare quepeccou , & que feu Meftre. he hujn^ homem jufto: P cemtentia duttus retulit triginta argente os Matth, Prinápibiu Sacerdotum> & fmwnbas dicens : Peççavi ir adens t l A ' fangiunemjujlutfi. Naõ lheaçeytap o dinheyro, lança-o no çemplo, volta-lhe as coftas j ultimamente defefperado , 3 ôc do mefmo Demonio perfuadido,enforca-fe.Efte foy o primeyro enredo, que o Demonio fez na cauía de Chrifto Senhor noíío. Senta-fe Pilatos em tribunal, para fentencear amefina caufa, atemorizado das infolentes vozes daquelle barbaro povo. Eis jà. o Demonio traçando fegundo embçleco: vay fugerir á mulher de Pilatos, a que lhe períirada , que de nenhuma .forte o fentencee, porque eftá innocenre : Sedente a iiteim illo. pro tribunali^ wffit aà eimmxor ems . dirnitMatth.
5 Sertnaõ te, Rey dos Judéos, fena5 queelle dizia fer Rey dos Judeos: 'Dicebant ergo Pilato Pontífices Judaorunr. Nòlifcribere, Rex Judaorum ,fed quia ipje dixit , Rex fum Jiidãonim; Ora dizeme agora, Demônio trapafleyro, a que fim fe ordena vaõ todos eftes enredos, todos eftes embelecos, 5 c todas eítas trapaças , com que correftes nefta caufa ? Oi? tu querias , que Ghrifto morreíTe, ou naõ?Que'naô ha catenderte; es muy fagaz: fe querias , que naõ morreíTe, para que íugeres a j udas,que o venda? E fe querias, que morrefle , para que fazes, com que o mefmo Judas fe arrepen¬ da, que intente desfazer a venda, que torne a levar odinheyro, que diga que peccou ,& que feu Meftre eftáin- ; nocente? Dizeme mais ,fe querias,que naô morreíTe, para que tue. íj. amotinafte o povo, a que gritafle, que o criicificafle: Cru - cfige , çrucfige eunvt E fe querias, que morreíTe, para que no mefmo tempo foftes ter com a mulher de Pilatos, a fugerirlhe, que lhe pedifle, o na 5 fentenciafle? Mais: Se naô querias, que morreíTe, para que induziMarc ^ ftes teflemunhas, a que juraflem falfo ? Mult-i tejümoniurft 5$* I4 ’faljúm dicebant adverfus eurri. E fe querias, que morreíTe, porque naô combinaftes eflas teflemunhas, porque naô 6zeftes , que conteftaflem ? Et convementia teftimonia non erant. Ultimamente , fe querias, que naô morreíTe, porque na ° diíTeftes, que vieflem com embargos à morte, fenaô que vieflem com elles ao titulo ? E fe querias, que morreffe, que importava o titulo ? para que era efle embaraço, fe jàeftavafentenciado, & jà caminhava para a morte? Ifto em ti naó era incohercncia 3 porque eu bem fey, que tens entendimento , com que certamente era muy ta malicia. Ora já te entendo: o que tu querias, 8 c o que defejaftes fempre, foy dilatares efta caufa * &; por duas razoes ; hfia por amor de ti, & outra pelo grande odio , que tinhas a Chrifto. ** ' Notem:
Do EJpirho Santo. „ NottiMiNefta caufa de Chrifto Senhor noffo Vío-fe { Wemomo perdido. Sufpeytou efte, que com afaa morte' ficava o mundo livre. Diz pois entre íi: Eu veiome arrui nado i porque os homens que atè aqui í'aõ meus eícravos em eUe morrendo, ficaõ remidos. Naõ tenho pois ou-m retugio mais, que ver fe pofio ir dilatandoefta caufa pa -a que efte dano me nac.chegue taõ cedo.Ouve-fe "diíTe aq ui hu douto Expofitor) como fe haõ os litigantes do mundo de má confciencia, que conhecendo naõ ter jufti-a fazem muyto, por pòr as caufas em dilaçaó. Affira pois fdiz elle) irey miniftrando os fundamentos, com que eira cau fa fe pode deter A embaraçar. Para o primeyro'artigo fe r . vira de fundamento o embeleco, de que ufey com fudaL í;„“roír ! ' d o " d ' f c ^ “ - ’ “í o reftKuhio.’ q l,eOIlaÕVeade0 ’ P 0r< ^ ue h Wm vio, q Ue orgenteòs^ COnta ^ 0> com eHe fe comprou hum campo” que ouve perfeyta venda. 5 P C 1 corno Provará, que naõ pòde fubfiftir a vend, 'ki preço ouve lefaõ enorme. Ven “ a , porque nefte>‘ Provará, que naõ houve lefanon^ r j naõ vendeo efte.homem paraferv,! '’ r P orqueJudas deo, foy a fua asenria d» P * e Vlr * 0 que fomente ven- ** "fta paSStr y S; * ^ «*?* rovara ( aqui agora req uinta o letrado ) quenaó tfv B " náo
naõvendeò, mas nem podia vender, porque era incapaz de contrato; 6c por duas razões $ primeyra, porque eílava louco: aflinio moítrou a acçaõ de ir enforcaríe: Laqueo fe Matrh. fnjpenâit. Segunda * porque havia lido Reiigicfo, aos pes 17.5.' domeímo Meílre tinha feyto profhraõ: Rehqmmus Matth , I ; ) m a,&JhMtifumuste. 17. Provará,por fegundo artigo,que elte homem era malfeytorj qúe aâim o diffe hum diiapuioíeu, a quem o riieP Mauh. morèp tratava por amigo > A mice. : á» 26, > °‘ Provará, que naõ era malfeytor, porque efêe mefmo difciptiLo depois fe defdiííej:& confeflbu, que elleérat> peccador, & feu Meftre oinnocente: Peccavi tradensfan* Matth. guinem,jujhm. E da mfefma íorte em todos os mais en.ber a7 * 4 ‘ lecofc,que o.Demonio.difpunhapara dilaçaõ dacaufa. K.fe a Providencia Divina naõ ordenára o contrario, entre prq* v?ará* & naõ provará,eftiveraChriítoSenhornoíío»na cadea, & dilatárafeaobrada Redempçaõ, que era, o que/ b Demonioqueria,por amor de fir Moras neAit,(di{Te o douZuíct. c.t to Expofitor) & obft acida ponit , ut Chrijü viBoria diffetar* tur,.& ut maltís litigatoradverfarn fententiam , quam neqiút 1 effvgereiconatvr faltem per objtactda dijf erre- •• - ; í - : Segunda razaõ. Defejava também dilatar efta caufa, pelo grande odio, que tinha a Chriíto Serçhornoflo. Sabia eíte, queos Judeos lhe defejavaõ apreffar a morte * & veor do, que com ella fe acabavaõ ao Senhor todos os feus ti abalhos, para que eftafoffe mais cruel, defejava, que eíta cauíafe proceíTafle com dilaçaõ.He verdade,que csjudtfof também p Qr inimizade lhe. abreviáraõ a morte j mas para o que elles queriaõ, naõ fouberaó , 0 que fízeraõ. O Demtf 1 nio porem, que tinha entendimento fupertor,&' aindaaíht' cia mayor, femeou na cnufa enredos , embelecos ,òi trapâffás, para a por em â\hç ã& . entendendo, que havendo hum rèo de morrer, o naõ lhe dilatar o proceílb ,era moderai*^ rigor com piedad e. E pelo contrario, o telío na prifaõ, ôc 1. v. ; U eftar-
Do Ejftjrho Santo . eftarlhe dilatando acauía, iffo era liiimamorle crueliíli! i t le do D-monio a eíteintento o mefmoExpofitor. - .. ,lM ' Sirva de confirmação, 6c de prova evidente defte difc cnrfo, o que o mefmo Senhor diffe a judas: Qpodfacü, fàc õtM: Judas, o que fazes, faze-o com preffa. Senhor, o que Judas anda tratando de prefente, he a voffa venda, avoffá * 7 , entrega, 6c a voffa morte 5 pois como fabendo vòs ifto meft mo, lhe dizeis, quefe apreffe? Mais: Judas nefta accab eommette hum horrendo facrilegio j pois fe íois imoeccavel, 6c por natureza Santo, como com o confeffio,'6c com ©impériomandais,ajudas,quefeapreffeneíkacçaõ: Faà obtias? Da mefma razaõ da duvida me aprovey to para a íoluçao. De Chrifto Senhor noffofer impeccavel, 6c por rfáí preza Santo, 6c mandar a Judas, que fe ouveffe neile ne¬ gocio com preffa ,fe fegue evidentemente, que efta nao podia fer culpa, intentada no fentido , em que o Senhor a mandou, mas antes feria piedade. Notem: ISTeff^ B 2 morre
ii Sermão morre mais do que huipa? Âílim o fuppoem Job, & fup¬ poem bem. Cafos ha, em que aquelle,aquem mataõ, mor¬ re mais do que huma vez , morre muy tas vezes > & morre todos os dias * & fe elle fe vira em huma cadea rèo de hum crime capital , efperando todos os dias huma fentença de morte, repeteria omefmo, & não com menos razaô: Si fagellaty occidat fmeliSe eu heideeftar em hum cárcere, ef¬ perando certamente hõa fentença de morte, cada dia com hum fufto*hoje me fentenceaõ,à manhaã me enforcaó, menos mal he ,que fe acabe logo a vida por huma vez*que todo o tempo de dilaçaõ naó faõ dias, em que fe viva, ífl© he tempo ,em que fe morre: Stflagellat , o ccidatfemel. Agora entenderão ao Apoftolo Saó Paulo, dizendo* que morria todos os dias \ §uotidtemorior. Para Paulo mor¬ rer todos os dias, era neceíTario refufcitar muy tas vezes* pois fenaò refufcitou, como todos os dias morreo ?Quoti~ die y & c. Reparem no contexto nas palavras atraz immediatas, que nellas deoa razaõ: Utquid & nos periditamur omni hora ? A minha vida anda arrifcada fempre, todas as horas me vejo em perigo, & os dias de huma vida fempre arrifcada, propriamente fe naó devem chamar dias de ví^ da: Quotidie morior. Periditamur omni hora. Vida fempre arrifcada, & pofta em perigo, he a de-hum rèo de crime ca¬ pital, metido na cadea* efte pois já naó vive, todos os dias *ttorre:C7í quid & nos periditamur omni horaíQuotidie morior. Será pois di&ame diabolico > querer que eftacaufafe di¬ late culpavelmente annos, & he hoje doutrina do Efpirito Santo, que todas fe acabem nos devidos dias: Cu?n complcrentur dies. E como Chrifto Senhor noíío foy dado ao mu¬ do pelo Amor Div m o : Sic Deus dilexit mnnâum , ut Filiurn fuu?n unigenitumdarn * por iíío efte Senhor praticando os mefmos di6tames, ou as, mefmas leys do Divino Amor,di¬ zia,que o feu tribunal era perfeyto* que o feu juízo era juIto: 7 uàicnm muwpftum efi. SEGüN :
Do Ejp/ritò Santo . i j SEGUND A LEY. A F p arecc o Efpirito Santo, & defce em lingnas com® de fogo: Apparuerunt illü dij}ert:tá Ufjgua 3 tamquam ignii. Keparey, que naõ diz o texto, que dias linguas fofiem de fogo, mas que fó tinhaõ delle a femelhança, tantquam igms. O u ç aõ ao doutifíimoALapide neíle lugar:/^* ALapy; Tamquam, videturjignificarehas linguas tmfuiffe ver unt igl hic ‘ nem, fé A ignisduntaxãthabuijfe Jpeciem 3 ^ Jimhtuàinm. O mefmo nos dà a Igreja a entender, quando diz : Advenií ignis divinm , non cemburens ,fed illummms. Eraõ lineuas dadas pelo Efpirito Santo, & a huns homens, que haviaõ KJ? de fer juizes do mundo: Sedebitis.-judicantes,* quem hoje dá também eftefegundo diâame, ou feguhda Ley, que aindaque o crime feja o mais enorme, naõ deve o julgador I 9 a *' com a lingua, ou com as palavras tratar mal ao reo. A quelle homem, de quem falia Saõ Mattheos, que íem ter a gala decente, entrou nos defpoforios do filho d® Rey, eftranhou efte a culpa, mas foy com palavras de atmzade: Amtce , quomodo huc intrafifi Reparem, que ainda Mat* quefallava com hum criminolo, naõ lhe chamou atreS"^ do, nem pelo menos lhe diffe, que andara confiado, tratou-o.fim c ompalavras.de a migo, Amice. Pois feaculca era tao grave, que por ella o mandou prender, & o conde nou a morte, & naÔ a qualquer, mas à ereml • n v7 mimfirú , hgatis ntánibm, & pedtbiis eias «.,•„> mt Rex nebras exteriores,ibi {crit fletis , findr J t,t . e e umm te ' trata poramigo a eftc rèoAmS-v díH,lum ; como ete Regedorro d.SnZo SÍf?” .'"l vinha a fer Chrifto Senhor „ J P , Ef JP lnt0 Sant0 * & ma j mas o fer taõ grave fez com n f P ?r T . graVÍín ' ijfpnrpnrv, moo ~c , GOm quefofie também grave a íentença, mas nao fez , nem devia fazer fecofa a lineua* Arnce, qmmcdo huc intraftii azerlog íaa hngt ' B $ N«*
20 Sermão íer no inferno, ninguém me tirará dc lá. Nao hade pois olhar para as peííoas, de quem íaó os feytos , ha¬ de iimattender para áfua pefiòa,para afua alma, pa¬ ra a fua honra > advertindo, queefta igualdade he, o que o Efpirito Santo manda, 6c o contrario, o que abo¬ mina. ftoy. io. Ponâus > & fondus , menfura , & menfura , utrumÍG * que abommabile efi apud Deum. Pezo , 6c pezo j vara , 6c varaj huma ,& outra coufa he abominável para Deos, diz o Efpirito Santo por Salamaõ. Pois fe efte Divina Efpirito he tam amante da juftiça , como agora diz, que lhefaõ abomináveis os pezos , 6c que lhe íaõ abomina-: veis também as varas ? Ora reparem bem no texto, 6c acharáò , que naõ abomina a juftiça, abomina fim a injuftiçaj porque abomina ter o mefmojuiz dous pezos, p ondm, & ponduSy abo m i n a te r o J u i z d u as v a ras, menfura, t & menfura •, abomina ter hum pezc, com que na balança da Juftiça peza as culpas dos parentes, dos amigos, dos ricos, 6c dos afilhados * 6c efte pezo he leve, porque as culpas deftes nuncafaò graves j 6c juntamente ter outro, com que na mefroa balança fe pezem as culpas dos po¬ bres , ôc dos defemparados j 6c efte pezo he grave, por¬ que as culpas deftes fempre deytaó abalança ao fundo. Abomina ter huma vara,qüe fe defvela em bufcar o ho¬ miziado de crime menos grave,ou efcondido na cafa aIheya ,ou tal vez no Templo Sagrado 6c juntamente ter outra vara ,que fegura a hum rèo de crime mais gra¬ ve , o paíTear na Corte, 6c o dormir em cafa. Eftes dous pezos, 6c eftas duas varas * eftas defigualdades, ou eftas injuftiças hequ e f a 5 a abominaçaò de Deos iPondm, & fondus, &c. Querem os Miniftro* nas caufas crimes fazer al¬ gum favor,que redunde em bem de todos, íem ferinjuftiça, antes fazendo grande bem à Republica r to_ » jnetB
Do Ejpirito Santo. 21 mem efte confelho: Se perguntarem a huro Miniftro, porque caftiga hum rèo * ha de refponder, caíligo-o pe¬ la fu a culpa j 6c para que íirva de exemplo acs mais. Diz bem * mas eílejaõ certos todos os Miniílros , que as cul¬ pas dos rèos fempre haõ de ter caíligo, ou feja neíle mundo, ou no outro > fe for neíle* por mais grave, que feja, a refpey to,do que pede huma oílenfa contra Deos, fempre he caíligo leve; 6c fe for no outro, por mais leve* quefeja,emcomparaçaõ dos deile mundo, fempre he caíligo grave. Mas já ouçoque me dizem: IíTo aülm heporem manda Deos, que os rèos fe caíliguem ainda ne* íte mundo , para que aos mais firvaõ de exemplo. Di¬ zem bem > mas agora entra o meu confelho melhor Pois comecem os Miniftros no caíligo pelos grandes & depois atraz delles, fe ainda acharem alguns delin¬ quentes , caftiguem da mefma forte também aos peque nos. No caíligo vaõ os grandes diante, & os pequenos atraz; porque com o caíligo dos pequenos emendaõ-fe os pequenos, mas naõ fe emendaó os grandes , & com o caíligo dos grandes todos fe emendaó , temem os grandes , & emendao-fe os pequenos; & deita forte evitarfe-hiao muytos vícios , haveria menos juftiç dos fatfe-hia grande ferviço a Deos, & muyto via de dizer: Oh là, ladrões cÍS d^ TTYt ha * ^ bom Mimílro, naRelaçaóda Corte far ila rèm eu digo, que fe naõ fazia ,uft" n faZ ‘ f e P oCorte ; mas para iíTo, naõ mi * Ç Re,a 9 aõ deíTa mento principal, que he eílna P r o y e F ° do fllnda ’ dous ladrões Chrifto innocen t e T f° ^ principal, & he : quando eftes na Cruz, dondeeftava Barabbàs ?BarabbàshTviafahicio C 3 foi-
ti .$*. Sermão 1 foko,8diVreda cadea,máis naõ foypor falta de pron va,& andiva paíTeando na Corte.Qiiem eraefte BarabMare.ij. bà s ;> £)iga-o s a 5 Marcos: Cum feditiojis erat vntftvs,qui wfeditionefecerathomiciditínr. Era hum dos amotinado-. joan.18. rss ( j a j^ e p U b ü ca> & no motim tinha feyto hum homi¬ cídio . Seja teftemunha Saò Joaõ.: Erat autem Bar Mas latro : diz que também era ladrao. Pois no Calvaria dous ladrões padecendo , 6 c na mefma Corte fcum Ba** rabbâs com tres crimes da primeyra qualidade, amotina-* dor , homicida, & ladrao, & em todos elies compro-* va, anda no mefmo tempo paíTeando ? Vejaõ agora, fe digo bem, que nefta Relaçaõ naõ havia juftiça. E por¬ que fenaõ fez juftiça em Barabbàs nefta Relaçaõ? AgoMatth.17 ra a razaõ dala-ha Saõ Mattheos, & ajudalo-haõ os mais l6, Evangeliftas. Habebat autem tmc vinftuminjignem . D \tt que Barabbàs era hum prezo, peftba grande. E Barab* j x*8.fimiiihàs ( dizem todos os Evangeliftas ) teve demais muyta ter& a iij. gente, que pedio por e l l eiDimittenobisBarabbam.Vois a Relaçaõ de Judea poem na Cruz dous ladrões-zinho9 defemparados , que naõ tiveraõ nem huma peftba, que *fallaífe por elies, & folta da cadea a Barabbàs, que tem prova contra íi, de que he amotinador, homicida, 8* íadraõ? ifto porque? Por fer homem grande i V tnftum infigmm } 8c por ter muytos , que pedirão por elle : á vi- ‘ lia difto, haverá quem diga, que nefta Relaçaõ Te fazia juftiça?Haõ digo,que naõ crucificaífem os dous ladrõeszinhos, mas para bem o Barabbàs havia de ir diante 8c poderá ler, que fe elle foííe diante, naõ fízeflem os dous por donde ir atraz, 8c defta forte com a morte de hum fò grande, fe evitariaõ as de muytos homens: Et cum co emeifixerunt duos latrones. Efte he o meu confelho ; mas com fer bom, duvido muyto, que fe apro' veytem delle. Atè agora naõ ouvi, n em fey que fe reparai , ~ ~ em
Do Eftirito Santo. m crí que Judas Te enforcaííe ,& que ò Ceo "aílim o pçi> mittiíle : Laqueo f efufperidit. Judas na forca? Hum homem do Collegio Sagrado ? Sim : & enforcado por fuas mãos? Também. £ porque o pcrmirtiria affim o Ceo ? Porque ainda que Judas eraladraõ i furxratiíc Judas fe não enforcára , nao havia de haver em Judea quem enforcafle ajudas. E qual ferá a razaõ deíla mefma razaõ ? O meu auditorio dará huma, & eu accrefcentarey duas* & todas tres feraõ breves. Maõ ha¬ via de haver,quem o puzeffe na forca * porque que¬ ria o Ceo enfinar aos Miniftros feculares o refpevto , que deviaõ ter ao eftado Ecclefiaftico : Judas ainda que mdigniflimo, era Sacerdote 5 que na cea or¬ denou Chrifto Senhornoffo a todos os feus difcipuloS} & efte Senhor naõ quer, que haja miniftro fecular, que nos feus Sacerdotes poífa pòr as mãos* A T 0 Ute tangere Chriftos meos. O Sacerdote he da famiíia do" Rey dos Reys he da cafa do Rcy daglor.a , por iflba Efcntuta Sagrada chama ao Sacerdócio dignidade RealRegale Sacerdotium } & diante dos coroados poem-fe né joelhos em terra, & náo fe levanta maõ. Oh, que o Sa cerdote pode fer outro Judas. Ncfte cafo a Iereia" também tem tnbunaes. E apertada mais a duvida • & feneftes tnbunaes fe nao fizer juftiça, 0 que tenho quafi por moralmente impoffivel.digo, queefttaõ 6 . ca o crime «Tentado para Deos. Nefte cafo Deos caf tigara o ladrao, ou o Ceo permittirá nn« r , draõ por fuas mãos fe enforque* T ° m e f rnolaBoa razaõ. o SiièSTJ «nero por boa A s „„ J.p, minhaj ' & E " ™ •£ h ” “ S'..r d b a , r,r lid r • quem tem boa bolfa, ainda que fej» i a d r aó, naó morWatth.iy 4 . Joan. iz] 6 . i-Para^ i*. ia. i .Pctri i.?.
*4 •' Sermão re enforcado em Judea. Segunda raza 5 : porque Ju¬ das nao era ladraõ pequeno , nam era algum Jadraó maroto} era hum ladraõ grande, era hum ladraõ,que tinha huma occupaçam muyto nobre j era hum ho¬ mem , dos que o mundo chama authorizados : fe. o prendeflem, havia de fer outro cafo , como o de Barabbàs,havia de ter muyta gente, que pediíTe por eile. Pois eftes ladroens grandes , ou o Ceo ha depermittir, que fe enforquem por fuas mãos, ou para elles (como pedia a igualdade da juftiça) na Corte de Judea naõ ha forca: Laqueo fefufiendit. Lánaõ, mas nefta Corte lim: porque os Miniítros defte rediílimo tribunal invocaõ ao Efpirito San¬ to , para que os ajude a fazer, o que devem j & aílim por diddame do mefmo Amor Divino, à imitaçaõ de Chrifto Senhor noíTo , fazem todos juftiça fem dilaçaõ, juftiça com amor , & juftiça com igualdade: juf¬ tiça fem dilaçaõ * porque defpaçhaõ completos o$. dias, Ciim complerentur dies. Juftiça com amor * pois bem eftamos vendo, que nenhum rèo vay ao fupplicio, •fenaõ nos cafos , em que naõ he bem , fe haja piedadej & que quando pòde fer fem oftenía de Deos , a mor¬ te natural fecommutaem morte civ r el, fendo as fuas linguas , atè para com os condenados , fempre afraveis , fempre benignas , & verdadeyramente fempre cortezãs : Apparummt illis difiertit* lingu£- E finalniente juftiça com igualdade: temaõ os pequenos,& temaõ os grandes temaõ os pobres, & temaõ os ri¬ cos, que fe ouvcr culpas , tem efte re&ifíimo tribu¬ nal Miniftros tam inteyros, que fem excepçaõ de peííoa, a todos chegará com igualdade o czfàgp' ditquefupra fingidos eorum. A praticar efta mefma dou¬ trina , he que Deos mandou feu Filho ao mundo: Sic mundum , ut Fitíum fmm unigenit# 9 * — — — - ' - daretp
Do EJpiríto Sàntol 4 arèi -y & porque os Miniftros defte tribunal a apren¬ deram bem ,por iflfo ( com fua proporçam ) lhe applicaremos aquellas palavras, que o mefmo Senhor diziado feu, que efte tribunal he re£to, 6c efte juízo he juf- >co : Jàdicmn meumjuftum ejl> &c. E quem poderá duvidar , que para a re&ídam defte tribunal concorre muyto a vigilante aíliftencia de feu grande Regedor , fe o eftá dando a entender aílim o mefmo Efpirito Santo , fallando por boca dé üalámaõ , donde diz: Secundkmjiidicetnfopj(li } _fíc & E nijin ejus , conforme for o Regedor, aííim ha de fer x ' a juftiça dos feus Miniftros? E como nao havia dè influir nos Miniftros , que fizeflfem juftiça, hum Prín¬ cipe , 6c hum Regedor , que faz timbre des Cafteilos, 6c dos leoens, ou que tem por armas os leoeny, 6c os Caftellos ? Sao as jarmas dos Excellentiftimos Con¬ des de Valadares , de cuja nobiliílima cafa he o noflb grande Regedor, o mefmo efeudo Real dos Reyno* de Caftella,& Leaò,que fecomooemde Penen* . Rr D que
t6 • Sermão que foífem prifliínofos $ & tanto que fobreeltes defeéo o Efpirito Santo, logo naõ tiveraõ medo, & fahiraõ M.X.4. todos publicamente aprègar : Et coeperunt kquLfroút laurct in Sp ritus S an Bus âãbat eloqm tlhs. SyívaYer Do leaõ diífe omefmo Laureto , ler fymbolo de koi«». entendido 5 porque ainda depois do largo tempo conhece , quem o oífende , ou lhe faz bem. Digna prenda he de hum Regedor, & de hum bom Miniftra, o ter bom entendimento, para faber diftinguir o culpa* do do innocente i pois faltando efte , naõ fe julga bem. Hum dos dons, que o Efpirito Santo deo aos Apofto* los, foy o da fciencia : Me vos docebit omnia. O leaõ Iôati.14, nas Divinas letras também fignifica a juftiça punitiva ti. de Deos : Defignat etiam vim irafcibilem m Deo , hoC tft yjujfitiam pumtivam. Os homens nos feus efeudós, laurct, & nas fuas emprezas retrataõ os íèus penfamentos, & í 1 ’ $s fuas inclinações ; finai he pois, que a tem para a juftiça punitiva, quem nos feus efeudos pinta leoens. Finalmente do Leaõ efereve Ariftoteies , que fó cftá cegamente irado, quandoeftá faminto ■ > porém f* - ciado, deyxa-fe tratar, he brando, naõ prefume mal* hefeftivo, benerolo , & com os companheyros muy a* gradavel: Leo enim , qiiamvu m edenddferoajjirnmfit, ^tamen pajlus , & forne jam vacans , factUs , mtUqtíi kifiòr. amirum in modum eft. Nihiihic fufpicatur , nulUus fufi jjfir 1 * pncwfus eft , fejlivus , ludibundus , benevolu* admodum cap. 44 .fa ™ cnmfocijs. Com que os leoens, que ha cegamente foi. »ihi irados , iflf 0} f a 5 huns leoens-zinhos , que ha famintos; 443 » porém os abaftados, os abundantes , os cavalheyros, cftes leoens fao tratayeis, que temperaõ o rigordajuftiça com a clemencia, faõ feftivos, benevolos,& muy agradaveis. Mas já naõ quero fallar , nem dos Caftellos, nem ios leoens > agorafallo com V, JlluítaíTima: lliuftrifftmo*
Do Efpirho Santo] -ij fimo, & Rcverendiíllmo Senhor , com a juftiça fe firmaó os Impérios, com a Juftiça fe eftabelecem as Monarchias, com a juftiça fe confervaò os Reynos,com a Juftiça fe fazem ditofas as Republicas , & nas Cafas, em que fe faz Juftiça, por difpofiçaõ do Ceo , fe perpetuaô os baftóes. Com a Juftiça fe guarda a fazenda, com a Juftiça fe conferva a vida, com a Juftiça fe de¬ fende a honra, com a Juftiça fe augmenta a graça, & atè a gloria he coroa de Juftiça: Repojita eft mihi corona Aã Jujiitue^uam reddet mihi Dominia in ilU diejujlus judex. I 1 ®-* Quam mhi, & vobü 3 & c. * * LAUSDEO.
it '.nv.-...*'. .• 23 *.íf c 2 ';hsf]ín! 2v>-‘- I. .3 : . // •*, ) ; O . .. : \j; .V - 7 ' t ’ 3 e&aO 2::II > < .. .. .' . - £1 t.l . í ..'/.' :,{/ -*i;q 'Jl c í,/J ob *:cq t í.:j.jíu I stl si sup u; j t cbnjXfii 3 fcblfiuí? vi 3 rçoD 20 ofitrcaq -ub Si &')•/! ;' - ui o í :;V:/ .. êv ,.:::^ --i fíiüi r * V* s>Awm v.\* -• V" •- k . . I :* £ r. 6~z ** : ‘ í .x:^^ ... .... v.'; y^úwCI .v.:.; V.' ,.v; v.u \ v- .VÒ ;ú i.- v- 'O e \Ü HK ÍOHCI 2 U A J