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Redes sociais como arma na guerra de informação

Carona, António

Abstract

Esta dissertação realiza uma análise sobre a contribuição das Redes Sociais (RS) para a gestão da imagem da Força Aérea Portuguesa (FAP), comparativamente com os órgãos de comunicação social (OCS) ditos tradicionais, investigando a possibilidade de retirar proveitos na temática da Guerra da Informação (GI), mais concretamente na área da superioridade da informação. Pressupõe-se que cada organização, incluindo a militar, tem uma imagem associada que é projetada no público e que, em grande parte, resulta das notícias veiculadas para a opinião pública. Ora, as organizações militares enfrentam um problema de implantação da sua imagem junto da opinião pública, pois a comunicação social tradicional não considera atrativa a notícia relacionada com a área da defesa a não ser quando existem problemas. Isto é uma vulnerabilidade que tem de ser compensada por forma a garantir na GI a superioridade informacional. Suportado pela Web 2.0, o paradigma atual dos sistemas de informação é a colaboração em rede. Confrontadas com esta realidade as organizações estão a convergir para a sua adoção; estamos na era da Web 2.0. Esta Web não é apenas tecnologia mas uma nova forma de utilização dessa tecnologia para produção de conhecimento e divulgação de informação. Com esta adoção foi possível implementar o uso de ferramentas, entre as quais se incluem as Redes Sociais, que permitem complementar ou, nalguns casos, contraditar as informações veiculadas pela comunicação social tradicional. Garante-se assim a possibilidade de se saber o que a opinião pública pensa da organização e permite a esta criar a sua imagem através destas ferramentas, que mais não são do que canais próprios de informação e criação de conhecimento. Nesta dissertação é apresentado o modelo de comunicação da FAP, cujo objetivo é garantir que a informação correta e atempada alcança a opinião pública. A análise identifica a forma como todo o circuito se processa e as vantagens e desvantagens do mesmo. De forma a obter-se os dados pretendidos efetuou-se uma revisão bibliográfica com o intuito de identificar os conceitos essenciais na área de GI, nomeadamente na superioridade de informação, na área da Comunicação Externa (CE), utilizando as Redes Sociais (RS), que validem a metodologia e processos de análise utilizados, demonstrando as vantagens de canais de divulgação públicos alternativos, através da Internet. Com o desenvolvimento das novas tecnologias no ciberespaço e a utilização das mesmas, mais especificamente da Web 2.0, o público modificou o seu comportamento e relacionamento com instituições como a FAP. A clarificação de conceitos permite perceber quais as medidas a adotar para acompanhar esta evolução. A fase de análise inclui uma entrevista exploratória realizada ao Chefe do Gabinete de Relações Públicas que demonstra o ponto de vista da organização na comunicação externa. Foi também realizada uma análise do alcance de notícias que são transmitidas das RP para o público, comparando resultados alcançados pelas RS e pelos OCS tradicionais - televisão e jornais. Depois de analisado todo o processo, conclui-se que as RS, como o Facebook, são uma vantagem na GI para a FAP, pois criam e sustentam uma boa imagem da organização e permitem efetuar uma comunicação mais próxima e eficaz com o público.

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ACADEMIA DA FORÇA AÉREA Redes Sociais como arma na Guerra de Informação António Moura Maia Torres Carona Aspirante a Oficial-Aluno Piloto-Aviador 136116-D Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Aeronáutica Militar, na Especialidade de Piloto-Aviador Júri Presidente: Major-General Manuel Teixeira Rolo Orientador: Professor Doutor Paulo Cardoso do Amaral Coorientador: Major Paulo Jorge Rodrigues Mineiro Vogal: Coronel Rui Alberto Gomes Bento Roque Sintra, março de 2014 iii Este trabalho foi elaborado com finalidade essencialmente escolar, durante a frequência do Curso de Pilotagem Aeronáutica cumulativamente com a atividade escolar normal. As opiniões do autor, expressas com total liberdade académica, reportam-se ao período em que foram escritas, não representam a doutrina da Academia da Força Aérea. iv Agradecimentos Esta dissertação representa o fim de mais uma fase no meu percurso na Academia da Força Aérea, fase essa importante, pois cresci muito ao longo destes anos, como pessoa e como militar. Estou a um passo de ter a asa completa ao peito e não podia estar mais entusiasmado. Por outro lado, sei que vou sentir muita falta da vida de aluno da Academia e daquela que foi a minha casa durante muitos anos. Ter a oportunidade de frequentar o curso de Ciências Militares Aeronáuticas, na especialidade de Piloto-Aviador, dá-me um grande orgulho e lembra-me o privilegiado que sou por ter conseguido ingressar na Academia. No entanto, estaria a mentir se dissesse que fiz todo este trajeto sozinho. Tive quem me apoiasse nesta etapa e por isso não posso deixar de agradecer a quem permitiu que eu concluísse esta dissertação. Primeiro, gostaria de agradecer ao Professor Doutor Paulo Amaral, que através da sua paciência, inteligência, profissionalismo, experiência e espírito aeronáutico se revelou essencial para a elaboração deste trabalho. Segundo, o meu sincero obrigado ao Major Paulo Mineiro, pois graças à sua tranquilidade, preocupação, boa disposição e ajuda, fui capaz de concluir esta fase. Um grande obrigado à minha família e amigos, especialmente à minha Mãe e ao meu irmão mais velho, que sempre se demonstraram como dois bons exemplos a seguir. Ao meu curso, especialmente aos Pilotos-Aviadores, a quem também posso chamar família, por me apoiarem sempre que precisei. v Resumo Esta dissertação realiza uma análise sobre a contribuição das Redes Sociais (RS) para a gestão da imagem da Força Aérea Portuguesa (FAP), comparativamente com os órgãos de comunicação social (OCS) ditos tradicionais, investigando a possibilidade de retirar proveitos na temática da Guerra da Informação (GI), mais concretamente na área da superioridade da informação. Pressupõe-se que cada organização, incluindo a militar, tem uma imagem associada que é projetada no público e que, em grande parte, resulta das notícias veiculadas para a opinião pública. Ora, as organizações militares enfrentam um problema de implantação da sua imagem junto da opinião pública, pois a comunicação social tradicional não considera atrativa a notícia relacionada com a área da defesa a não ser quando existem problemas. Isto é uma vulnerabilidade que tem de ser compensada por forma a garantir na GI a superioridade informacional. Suportado pela Web 2.0, o paradigma atual dos sistemas de informação é a colaboração em rede. Confrontadas com esta realidade as organizações estão a convergir para a sua adoção; estamos na era da Web 2.0. Esta Web não é apenas tecnologia mas uma nova forma de utilização dessa tecnologia para produção de conhecimento e divulgação de informação. Com esta adoção foi possível implementar o uso de ferramentas, entre as quais se incluem as Redes Sociais, que permitem complementar ou, nalguns casos, contraditar as informações veiculadas pela comunicação social tradicional. Garante-se assim a possibilidade de se saber o que a opinião pública pensa da organização e permite a esta criar a sua imagem através destas ferramentas, que mais não são do que canais próprios de informação e criação de conhecimento. Nesta dissertação é apresentado o modelo de comunicação da FAP, cujo objetivo é garantir que a informação correta e atempada alcança a opinião pública. A análise identifica a forma como todo o circuito se processa e as vantagens e desvantagens do mesmo. De forma a obter-se os dados pretendidos efetuou-se uma revisão bibliográfica com o intuito de identificar os conceitos essenciais na área de GI, nomeadamente na superioridade de informação, na área da Comunicação Externa (CE), utilizando as Redes Sociais (RS), que validem a metodologia e processos de análise utilizados, demonstrando as vantagens de canais de divulgação públicos alternativos, através da Internet. Com o desenvolvimento das novas tecnologias no ciberespaço e a utilização das mesmas, mais especificamente da Web 2.0, o público modificou o seu comportamento e relacionamento com instituições como a FAP. A clarificação de conceitos permite perceber quais as medidas a adotar para acompanhar esta evolução. A fase de análise inclui uma entrevista exploratória realizada ao Chefe do Gabinete de Relações Públicas que demonstra o ponto de vista da organização na comunicação externa. Foi também realizada uma análise do alcance de notícias que são transmitidas das RP para o público, comparando resultados alcançados pelas RS e pelos OCS tradicionais - televisão e jornais. Depois de analisado todo o processo, conclui-se que as RS, como o Facebook, são uma vantagem na GI para a FAP, pois criam e sustentam uma boa imagem da organização e permitem efetuar uma comunicação mais próxima e eficaz com o público. vi Palavras-chave: Guerra de Informação, Comunicação Externa, Web 2.0, Superioridade de Informação vii Abstract This study disserts on the contribution of Social Networks to manage the image of Portuguese Air Force when compared with traditional media, investigating the possibility of withdrawing income in the theme of Information Warfare, specifically in the area of information superiority. Assumingly, each organization, including the military, has an associated image that is projected onto the outside and it is largely influenced by the news broadcasted to the general public. However, military organizations face a challenge when addressing the general public, since the traditional media seldom refers to them except when to report eventual problems related with defense matters or public jeopardy. This is a weakness that must be balanced to ensure the Information Superiority in the Information Warfare. Supported by Web 2.0, the current paradigm of information systems is the collaborative networking. Faced with this reality organizations are all moving toward the future: we are in the era of Web 2.0. This web is not just technology but also a new way of using this technology for knowledge production and dissemination of information. This platform enables the use of tools, among them Social Networks, which allow complement or, in some cases, contradict the information conveyed by the traditional media. This ensures the ability to know what the public thinks about the organization and it allows creating its profile through these tools, which are merely their own channels of information and knowledge creation. This dissertation explores the communication model of the Portuguese Air Force, whose goal is to ensure that correct information reaches the public in due time. The analysis identifies how the circuit works and considers its advantages and disadvantages. In order to obtain the desired data, a literature review was performed with the aim of identifying the key concepts in the field of Information Warfare, especially in Information Superiority in the area of External Communication, using the Social Networks, that validate the methodology and processes analysis used, demonstrating the advantages of dissemination of alternative public channels over the Internet. With the development and usage of new technologies in cyberspace, more specifically Web 2.0, the public changed its behavior and interaction with institutions such as the Portuguese Air Force. Clarification of concepts allows us to see what steps to take to monitor this development. The analysis phase includes an exploratory interview to the Head of Public Relations Office that shows the point of view of the organization in External Communication Was also carried out an analysis of the reach of news that are transmitted from the RP to the public by comparing the results achieved by Social Networks and traditional media - television and newspapers . After examining the entire process, it is concluded that Social Networks, like Facebook, are an advantage in Information Warfare for the Portuguese Air Force, since they create and maintain a good image of the organization and enable an effective and closer communication with the public. viii Keywords: Information Warfare, External communication, Web 2.0, Information Superiority ix 1 1. Introdução As guerras modernas são essencialmente assimétricas (STEPANOVA, 2008) e são comummente conhecidas como ”Guerra da 4ª geração”, o que significa que a guerra evoluiu com os anos e as características que temos hoje já não são de facto as mesmas do que o que se viveu até ao início da Sociedade da informação (BERKOWITZ, 2003). De acordo com AlvinToefler (Toefler, 1980), vivemos desde há cerca de três décadas na era da informação, o que se manifesta na forma como todos vivemos. Nas organizações militares as suas prioridades e até a sua doutrina passaram a ser diferentes (ALBERTS, 2001). Se antes havia um foco no desenvolvimento da tecnologia e na sua aplicação, agora há uma maior atenção no avanço de tecnologias da informação (ALBERTS, 2001). Isto está patente no conceito de Guerra Centrada em Rede (SMITH, 2006) bem como no conceito de superioridade de informação o qual assenta, por definição, na forma como são veiculadas e adquiridas as informação relativamente ao exterior da organização militar (COELHO, 2012). É precisamente aqui que entra a questão das redes sociais como arma de comunicação, tão forte que esteve presente na primeira linha das alterações profundas provocadas pela primavera árabe (RIBEIRO et al., 2012), mesmo apesar de o médio oriente não ser considerada uma zona do globo onde as tecnologias de informação e comunicação estejam particularmente desenvolvidas (IWS, 2013). Existe uma mudança social que transforma a nossa sociedade numa sociedade de informação ou conhecimento (CASTELLS, 2007). Ora, com o desenvolvimento da Web 2.0 (CONSTANTINIDES; FOUNTAIN, 2007), as redes sociais tornaram-se as ferramentas mais utilizadas para comunicar e interagir com os cidadãos, sendo necessário, por isso, uma atenção e investimento nesta matéria. 1.1. Generalidades “Today the ability to collect, communicate, process and protect information is the most important factor defining military power.” – Bruce Berkowitz “A Força Aérea tem por missão principal participar, de forma integrada, na defesa militar da República, nos termos do disposto na Constituição e na lei, sendo fundamentalmente vocacionada para a geração, preparação e sustentação e forças da componente operacional do sistema de forças.” (DECRETO-LEI N.º 232/2009) As Forças Armadas (FFAA), que são um dos pilares essenciais da Defesa Nacional (DN), com o objetivo de garantir a soberania nacional, precisam, que a sua mensagem chegue a diferentes públicos por forma a garantir que as suas missões são aceites e que, por essa via, sejamos reconhecidos como uma instituição na qual se pode confiar. 2 A FAP necessita de meios para cumprir a sua missão. Perante a crise financeira que se vive na Europa e em Portugal, a escassez de recursos é uma realidade e as Organizações Militares competem na atribuição e distribuição desses recursos com outras áreas da Administração Pública, como a Educação, Justiça ou Saúde. Nesta encruzilhada, quem dita o que cada um tem, é o poder político, que por outro lado é consideravelmente influenciado pela opinião pública (COELHO, 2012). Assim sendo, é muito importante conseguir mostrar o que fazemos e como fazemos por forma a criarmos uma imagem positiva junto da opinião pública e, dentro da temática da GI, a Superioridade de Informação facilita esse processo. É de grande importância que as organizações militares conheçam o pensamento dos cidadãos sobre as mesmas, ou seja, saber qual é a opinião pública. Recorrendo a resultados de um estudo efetuado à população portuguesa, pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) e pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE/IUL) em 2009, os resultados são favoráveis ao reconhecimento do papel das FFAA ao serviço do país. Ao serem questionados sobre qual a “Opinião sobre a existência de Forças Armadas no nosso país” 82,3 por cento dos participantes responderam que “As Forças Armadas são necessárias” (MARTELO, 2012). Assim, o papel da FAP deve ser transmitido à sociedade portuguesa de maneira a que haja uma correta compreensão do mesmo o que requer uma estratégia de comunicação adequada. Esta estratégia deverá contemplar a mensagem a transmitir e os canais a usar. No caso em concreto da FAP um dos canais mais usados para veicular a informação é a Internet, quer através do seu Website, quer pela representação que possui nas Redes Sociais (ROQUE, 2013). 1.2. Motivação O principal serviço oferecido pela Internet e redes sociais é a possibilidade de se ser simultaneamente consumidor e produtor de informação. O uso extensivo destas plataformas por indivíduos criou a oportunidade para as organizações as usarem para outro tipo de atividades (MCAFEE, 2006). De acordo com Carter (2012), empresas e organizações estão dispostas não só a pagar grandes quantias de dinheiro para publicitarem na Internet, como para terem acesso a informação disponibilizada pelos seus utilizadores. Outras usam as redes sociais para estender a sua imagem de modo a criar uma relação mais pessoal e leal com os utilizadores (CARTER, 2012). A Internet e as ferramentas sociais são, desde o seu aparecimento, utilizadas pelas entidades privadas para potenciarem a sua imagem e informarem-se sobre o que os seus “clientes” pensam sobre eles e, desta forma tentarem obter superioridade informacional (ALBERTS, 2001). Na Força Aérea compete às Relações Públicas (RP) a gestão da Informação Pública. Para executarem esta missão as RP acionam vários canais entre os quais as redes sociais. 3 1.3. Objetivo Por GI entende-se todos os meios para que um estado ou organização tenha uma superioridade de informação de modo a atingir os seus objetivos e é composta por várias áreas sendo as mais importantes a Guerra Centrada em Rede, Cyberwarfare, Operações Baseadas em Efeitos, Operações de Informação, entre outros. Não é possível abarcar nesta dissertação todos os domínios atinentes a esta temática. Assim, o objeto deste estudo é perceber em que medida é que as Redes Sociais se podem revelar importantes na área da Comunicação Externa, em tempo de paz, entendendo-se esta como a capacidade de alcançar, informar e formar a opinião pública, usando como ferramenta as redes sociais. Os objetivos deste trabalho são assim o estudo das RS no contexto da interação da FAP com os diferentes públicos na área Guerra de Informação, contextualizando-as com a superioridade de informação, pois a partir dela consegue, usando os seus canais de comunicação, criar uma boa imagem da instituição, conquistando o coração e a mente das populações levando a que estas reconheçam a importância das missões que a FAP executa, ao mesmo tempo que desmoraliza possíveis atos que não vão ao encontro dos objetivos da mesma. Assim, iremos usar entrevistas e análises estatísticas de casos em concreto para tirar conclusões que permitam evidenciar se a FAP consegue atingir os seus objetivos com o uso de redes sociais. Para isso iremos usar uma metodologia de trabalho baseada no método de Quivy e Champenhoudt (2008). Face ao expendido e de acordo com a metodologia enunciada a questão central que se coloca é: “Em que medida é que a utilização das RS na área de informação pública, permite adquirir superioridade informacional na Guerra de Informação?” Com a pergunta de partida definida, propõe-se a seguinte hipótese: “As Redes Sociais podem ser utilizadas como arma para a superioridade de informação no contexto da missão da Força Aérea” Algumas perguntas derivadas surgiram de modo a responder com maior objetividade à pergunta principal, às quais este estudo procura dar resposta:  “Em que medida é que a FAP consegue através das RS fazer passar as suas mensagenschave?”  “Em que medida é que o público segue a FAP nas RS oficiais potenciando, dessa forma, o contraditório?” Perante as novas perguntas, colocam-se as seguintes hipóteses: 4  Hipótese 1 – A FAP possui um normativo que indica os objetivos estratégicos a alcançar pela sua comunicação externa; o Esta hipótese de trabalho tem o propósito de avaliar se o normativo existente contempla a realidade das redes sociais;  Hipótese 2 – O alcance das publicações nas redes sociais é muito inferior ao verificado nos órgãos de comunicação tradicionais. o A análise dos indicadores poderá permitir a comparação entre os meios em análise e, dessa forma, com os indicadores indicados é possível medir qual dos dois é mais visto, logo, tem mais impacto pelo público o que poderá, ou não, permitir a realização do contraditório. A avaliação a realizar permitirá também aferir o que já está a ser feito pela FAP e o que ainda será possível fazer para tirar o máximo partido das redes sociais na área da GI. 1.4. Metodologia Para ser possível dar reposta à pergunta de partida e às questões derivadas, tal como apresentadas na secção anterior, é preciso recorrer uma metodologia que dê validade ao trabalho. Para isso, são realizadas três fases distintas de estudo. Numa primeira fase, é feito um levantamento de pressupostos teóricos assentes em diversas bibliografias, nacionais e estrangeiras, com o intuito de contextualizar o tema e definir conceitos que suportem a nossa teoria. Estes conceitos são a Guerra da Informação, Comunicação Externa, Web 2.0 e Superioridade de Informação. Na fase seguinte é efetuada uma recolha de dados através de diferentes processos, sendo eles a entrevista exploratória e a análise de determinas notícias da FAP. Estas notícias podem ter sido criadas por um OCS que acederam a um comunicado de imprensa, podem ter sido lançadas na página da Internet da FAP ou nas RS. Os dados apurados neste capítulo permitem perceber qual dos diferentes canais de comunicação social que as RP da FAP dispõem tem um alcance maior, ou seja, chega a mais pessoas. Depois de tratados os dados permitem relacionar a realidade com as hipóteses previamente estabelecidas. Na fase final, após os dados serem recolhidos e tratados, faz-se uma dissertação objetiva sobre a temática com o intuito de criar uma fonte de informação para possíveis medidas a adotar no futuro. 1.5. Estrutura de dissertação Esta dissertação encontra-se divida em quatro capítulos. Neste presente capítulo é feita introdução ao trabalho, definidos os objetivos e pertinência do tema, sendo sucedido pelos três seguintes capítulos: 5  O segundo capítulo, que tem por nome “Revisão Bibliográfica”, diz respeito a uma sintetização de conceitos teóricos que suportem todo o trabalho. Nesta revisão são explorados os conceitos de GI em várias vertentes, a comunicação externa e a Web 2.0.  O terceiro capítulo é suportado pelo capítulo anterior, efetuando-se uma recolha de dados e analisando os mesmos de forma a obter informações concretas que possam ser objeto de apreciação. A partir da área da GI, com a visão das RP e as potencialidades da Web 2.0, utilizando as ferramentas fornecidas pelos métodos de investigação, é feita uma análise de todo o processo de comunicação exterior, contextualizando-o na superioridade de informação. Numa primeira fase faz-se uma análise acerca dos meios que permitem aceder às RS em Portugal, extraindo valores concretos de utilizadores da Internet, móvel e fixa, assim como de utilizadores de plataformas móveis de última geração. Numa segunda fase é feita uma análise do alcance das notícias da FAP criadas nos diferentes canais de comunicação social, conseguindo extrair um valor quantitativo do alcance das mesmas. Ao longo deste capítulo vão sendo realizadas conclusões intermédias que auxiliem o raciocínio para chegar a uma conclusão final.  O quarto capítulo, nomeado de “Conclusões e Recomendações”, sintetiza toda a dissertação e apresenta conclusões finais. Nesta fase a investigação é abordada como uma só, fazendo a interligação entre os conceitos definidos e os métodos de análise utilizados, permitindo verificar a validade das hipóteses apresentadas no primeiro capítulo. São também feitas recomendações que podem servir para futuras possíveis adaptações na comunicação externa da FAP ou para estudos futuros que envolvam a temática abordada nesta investigação. 6 2. Revisão da Literatura Este capítulo tem como fim definir os conceitos teóricos essenciais à realização deste trabalho. Para isso iremos realizar leituras e realizaremos entrevistas. Por um lado as leituras e bases bibliográficas tem como objetivo assegurar a qualidade da problematização e por outro, as entrevistas e questionários, conferem a visão real do que acontece no tempo presente em que nos encontramos (QUIVY; CHAMPENHOUDT, 2008). 2.1. A Guerra da Informação O rápido avanço na área das Tecnologias de Informação (TI) nas últimas décadas fez com que várias organizações, especificamente militares, tenham mudado totalmente a sua estratégia e maneira de agir no campo de batalha. Esta revolução e desenvolvimento tecnológico alterou as prioridades nas ações militares sendo agora a superioridade informacional um dos principais objetivos em quaisquer Forças Armadas. Foi na década de 90, que esta nova ideia começou ser chamada de Guerra da Informação (HEWITT, 2009). Com este recente modo de agir e pensar o conflito, importa mais às organizações militares serem multifacetadas. Sendo assim, missões e objetivos são alcançados e mantidos com sucesso, não só pelas ações das forças amigas, mas também ao não deixar que as forças inimigas realizam ações semelhantes para atingirem os seus objetivos. (HEWITT, 2009). 2.1.1. Informação Para uma melhor definição de GI é necessário antes definir o que é a própria informação, pois é nela que esta área assenta. Segundo Waltz (WALTZ, 2008), a importância da informação e o papel central que desenrola numa guerra não é novo. No século XI a.C. o chinês Sun Tzu, famoso militar estratega, detalhou no seu livro The Art of War a importância da informação. Podem-se retirar do mesmo quatro afirmações acerca da informação.  A informação é um aspeto crucial no processo de vigilância, avaliação, desenvolvimento estratégico e na tomada de decisões, consoante o risco e alternativas (WALTZ, 1998).  A informação como forma de inteligência e habilidade para prever os futuros eventos, distinguem os melhores guerreiros (WALTZ, 1998).  O controlo da informação comunicada ao inimigo, através de deceção e ocultação, são contributos que podem fazer com que o adversário faça interpretação errada de uma mensagem, sem o saber (WALTZ, 1998).  Usar a informação em vez da força física, para fazer com que o adversário se renda, é a forma suprema de guerra (WALTZ, 1998). Cada um dos princípios anteriormente referidos, aplicados até antes do século XI a.C., baseiam-se na aquisição, processamento e disseminação da informação. Estes princípios não foram 7 alterados no presente, mas os meios para adquirir, processar e disseminar a informação são agora consideravelmente diferentes. Meios eletrónicos avançados para adquirir e gerir a informação substituíram por completo os anteriores métodos, utilizando tecnologias muito desenvolvidas. O uso de meios eletrónicos para gerir a informação veio conferir-lhe uma maior valorização, desde logo porque o seu processamento se tornou numa arma poderosa arma em qualquer conflito (WALTZ, 1998). Para Waltz, o termo informação pode ser dividido em três níveis; dados, informação e conhecimento.  Dados são observações, medições ou mensagens individuais não organizadas, que partem do nível hierárquico mais baixo. Comunicação humana, mensagens de texto ou aparelhos eletrónicos que captam movimentos ou sons, são os principais exemplos de dados (WALTZ, 1998);  A informação refere-se aos dados, mas depois de organizados. O processo de organização de dados pode ser realizado de diferentes maneiras, dependendo daquilo que mais interessar àqueles que os organizam (WALTZ, 1998);  Conhecimento é a informação, após ter sido analisada e compreendida. Mais conhecido por Intelligence no meio militar, serve para compreender a informação e criar uma relação entre os dados e o que já se sabe ou pode-se vir a saber sobre eles (WALTZ, 1998). 2.1.1.1. Domínios Segundo Alberts, de modo a entender corretamente a maneira como a informação pode influenciar a realização de operações militares, é necessário pensar em três diferentes domínios (ALBERTS, 2001):  Domínio físico;  Domínio informacional;  Domínio cognitivo; A representação esquemática destes domínios pode ser consultada na Figura 1. 8 Figura 1 – Domínios de ação Fonte: (ALBERTS, 2001) O domínio físico é onde a ação propriamente dita decorre, onde há ataques, defesas e manobras, que podem ocorrer em terra, no ar, mar ou no espaço. É neste sector onde as plataformas físicas e comunicações que as põem em contacto residem. Os elementos deste domínio são fáceis de caracterizar e avaliar, o que, consequentemente o transforma num medidor de poder bélico em relação a outras forças militares. É possível também associar este domínio à realidade, ou seja, poder físico no terreno. A capacidade letal e de sobrevivência são os principais indicadores para a medição de poder de combate (ALBERTS, 2001). O domínio informacional é onde a informação se encontra e onde ela é criada, manipulada e partilhada. É a partir deste domínio que as unidades no domínio físico ganham uma maior capacidade de comunicar e partilhar informação entre elas e, também, como o Comando e Controlo (C2) transmite as suas ordens (ALBERTS, 2001). O domínio cognitivo é o sítio onde perceções, awereness, understanding e as crenças residem e, também, onde as tomadas de decisão são realizadas. Neste domínio é o que mais influência o sucesso ou insucesso de uma missão, pois nele habitam fatores tão importantes como a liderança, moral, coesão, qualidade de treino e experiência, situational awereness e opinião pública. Apesar de ser difícil avaliar os atributos deste domínio, pois cada indivíduo que lhe pertence é único, eles mantêm-se praticamente constantes desde que Sun Tzu escreveu The Art of War (ALBERTS, 2001). Os três domínios funcionam em harmonia, de modo a tirar o máximo partido de cada um deles. Há uma realidade, ou seja, um domínio físico, onde o que lá acontece é convertido em dados, informação e conhecimento pelos sistemas no domínio informacional. A partir do treino e experiência partilhada, toda essa informação é tratada e analisada no domínio cognitivo (ALBERTS, 2001). 9 2.1.2. Guerra Importa agora, mesmo não sendo o principal objeto de estudo debruçarmo-nos sobre a guerra no seu sentido puro ou bélico. Segundo Clausewitz, a natureza da guerra é caracterizada por uma série de relações e interações entre força racionais e irracionais num ambiente onde a incerteza, violência e confronto são proeminentes, o que resulta numa infinidade de possibilidades. Segundo Hewitt (2009) a guerra no século XX possuiu as seguintes características:  Conflito entre dois estados, maioritariamente pela disputa de um território;  A mobilização da população para o esforço de guerra;  Enorme número de combatentes a participar nas batalhas, causando um grande número de baixas;  Aproveitamento dos media para dar a enfâse ao interesse nacional na guerra, censurando e conduzindo a informação do modo mais conveniente para os interessados. Este exemplo de uma guerra industrial como foi a Segunda Guerra Mundial testemunhou avanços técnicos, uma grande vontade da população em ajudar a sua nação e um significativo avanço na capacidade industrial. O uso de armas nucleares, em Agosto de 1945, mudou o rumo da guerra e sendo também essa a principal razão para a Guerra Fria não ter ocorrido como um conflito ativo entre estados. Consequentemente, a Guerra Fria é visto como o ponto de viragem da guerra industrial do séc. XX para a predominância da GI do séc. XXI (HEWITT, 2009). 2.1.2.1. Uma nova guerra A guerra é um produto da sua própria idade. As ferramentas e táticas utilizadas em combate evoluem paralelamente com a tecnologia. Numa altura em que vivemos na era da informação, a guerra vai, naturalmente, conter características que distinguem esta era das anteriores. Estas características afetam as capacidades no combate, bem como o ambiente onde os conflitos se dão (ALBERTS, et al., 2000). Webster afirma que a guerra do séc. XXI é caracterizada pelo desfecho da guerra industrial que dá lugar ao célere desenvolvimento da GI (WEBSTER, 2003). As mudanças radicais na tecnologia militar, desde o soldado digital até à última tecnologia que envolve plataformas não tripuladas, satélite e computadores contribuíram para uma superior complexidade de sistema de armas. Em contraste com a guerra industrial, Webster apresente as seguintes características de GI (HEWITT, 2009):  A GI não exige uma mobilização de massas. Os conflitos baseiam-se num grupo mais pequeno de profissionais, capazes de trabalhar com ferramentas complexas a computorizadas (HEWITT, 2009):  As operações militares têm mudado o seu modo de atuar consoante, ao que é frequentemente nomeado de, a sociedade pós-militar, onde uma parte do conflito usa a 10 força sobre a outra através de bombardeamento e poucas, ou praticamente nenhuma, baixas são registadas (HEWITT, 2009):  Futuros conflitos passaram a ser mais breves, onde atividades operacionais durarão apenas uns dias ou semanas, com a vitória a favorecer os países de Oeste devido à sua esmagadora superioridade em recursos militares (HEWITT, 2009):  Em comparação com a elaboração de planos estratégicos na guerra industrial, os planos na era da GI são elaborados de modo a terem uma resposta mais flexível perante os acontecimentos; com a incorporação das TI nas tecnologias de armamento, grandes quantidades de informação circulam pelas redes que vão influenciar a fase de planeamento, tendo este como prioridade a mobilidade, flexibilidade e capacidade de resposta rápida (HEWITT, 2009):  Sem a mobilização de massas, a população no geral passar a não ter um grande envolvimento direto com a GI. No entanto, a população desenrola um papel secundário crucial através do enorme envolvimento e transmissão dos media no conflito (HEWITT, 2009). 2.1.3. Guerra Centrada em Rede A Network Centric Wardfare (NCW) é baseada na experiência das organizações que se tenham adaptado com sucesso à nova natureza dos seus espaços competitivos, na era da informação. Uma das principais lições aprendidas é que, sem mudanças no modo como uma organização é gerida, não é possível aproveitar a influência do poder da informação. A NCW reconhece a centralidade da informação e a sua importância como fonte de poder. Este novo poder é obtido através das relações entre indivíduos, organizações e processos que são desenvolvidos. Novos comportamentos e modos de operação são criados por estas novas relações (ALBERTS, et al., 2000). Na década de 90 a Internet teve um desenvolvimento acentuado, acompanhado de tecnologias que permitiam o seu acesso. Isto foi possível devido a quatro fenómenos simultâneos: a digitalização da rede de telecomunicações; o desenvolvimento da transmissão em banda larga; a melhoria do desempenho dos computadores ligados em rede; e avanços tecnológicos nos setores da microeletrónica e do software. Deste modo, a competitividade entre as empresas amentou, devido às exigências organizacionais e às transformações tecnológicas, passando a concorrência a existir em forma de rede (RIBEIRO, 2008). 2.1.3.1. Superioridade de Informação Pressupondo que a NCW assenta sobretudo em bases tecnológicas e em disputas por uma vantagem informacional, torna-se necessário definir superioridade de informação. Na Joint Vision 2010, os Estados Unidos da América constatam o seguinte: 17 É importante ainda frisar que as redes sociais estão a transformar a forma como as pessoas comunicam umas com as outras, pois sendo interativas por natureza, os utilizadores partilham e processam informação entre si, ao mesmo tempo que alteram os seus comportamentos e o modo como utilizam o seu tempo. Para as organizações este é um problema, pois, e como ficou plasmado as redes sociais são inerentemente destruturadas, e sendo um fenómeno recente, ainda se tenta perceber como tirar o melhor partido destas ferramentas. Se isto é objeto de estudo nas organizações/empresas civis, nas organizações militares, que são instituições altamente hierarquizadas, a situação ganha contornos de grande destaque. É costume dizer-se que "a tropa existe em democracia, mas não existe democracia na tropa", pelo que o uso de redes sociais, que significa a democratização da informação, pois transforma as pessoas, que passam de leitores a editores de conteúdo, é um processo nem sempre fácil e obrigatoriamente penoso. Pese embora o que fica dito as redes sociais são um canal de informação a ter em conta no universo das organizações. Elas não são um mero canal para distribuir informação, uma vez que permitem aos seus utilizadores participar e interagir e dar a sua opinião aos produtores de informação. Escolher as redes sociais em que queremos estar representados é outro desafio e tal significa desde logo, definir quais os públicos-alvo que se pretende alcançar, quais os objetivos, qual a mensagem a transmitir e o controlo que pretendemos ter. Na prática não podem as organizações estar na rede sem uma estratégia, com políticas integradas e atividades que materializem essas orientações. 2.3. Comunicação Externa Comunicação Externa (CE) é toda a informação pública que uma organização disponibiliza para o exterior da organização, seja sobre ela própria, ou sobre os seus produtos e serviços. Uma CE adequada define bem o público-alvo, bem como a melhor maneira de alcançar o mesmo com sucesso. Porque o objetivo da CE de uma organização é promover a sua ideia e manter uma boa imagem, ela torna-se num papel com extrema importância como parte de um bem maior (NATION). É por esta via que, e neste caso em concreto, se consegue a superioridade informacional. Devido à importância para uma organização da CE, usualmente existe um departamento ou equipa específica e preparada para que tal aconteça, de modo a garantir o sucesso da organização. 2.3.1. Relações Públicas O uso de comunicação para influenciar o público é uma prática que existe há centenas de anos. Desde a civilização antiga, na época dos romanos e dos gregos, a comunicação e informação eram usadas para obter o apoio da população (CUTLIP et al, 2006). No entanto, foi o conceito de Opinião Pública (OP) que criou a justificação científica para usar as RP e as técnicas de comunicação para atingir esses fins (TENCH; YEOMANS, 2009). 18 No presente, qualquer organização que queira fazer uma boa gestão da sua atividade e imagem tem de ter um departamento de RP. Este papel tem uma enorme relevância e responsabilidade, pois é nele que são confiadas as relações com outras instituições e com a sociedade em geral (TENCH; YEOMANS, 2009). A Public Relations Society of America (PRSA) constatou, em 1982, o seguinte acerca das RP: “Public relations helps our complex, pluralistic society to reach decisions and function more effectively by contributing to mutual understanding among groups and institutions. It serves to bring private and public policies into harmony.” - PRSA “Public relations serves a wide variety of institutions in society such as businesses, trade unions, government agencies, voluntary associations, foundations, hospitals, schools, colleges and religious institutions. To achieve their goals, these institutions must develop effective relationships with many different audiences or publics such as employees, members, customers, local communities, shareholders and other institutions, and with society at large.” - PRSA Ainda no mesmo documento, a PRSA afirma que, sendo uma função de gestão, as RP devem englobar (PRSA):  Antecipação, análise e interpretação da OP, atitudes e problemas que possam ter impacto, positivo ou negativo, nas operações e planos de uma organização;  Aconselhamento, por parte de todos os níveis dentro da organização, acerca de decisões, opções de ação e comunicação, tendo em conta as suas ramificações públicas bem como a sua responsabilidade social;  Pesquisa, condução e avaliação, num processo contínuo, de programas de ação e comunicação de modo a atingir o público com a informação necessária à compreensão dos objetivos da organização. Ações como esta podem incluir relações de marketing ou financeiras, angariação de fundos, emprego, ou relações com outros possíveis programas;  Planeamento e implementação do esforço da organização para influenciar a opinião pública;  Definição de objetivos, planos, orçamentos, recrutamentos e treino dos membros da organização, desenvolvendo capacidades e garantido que há recursos para a segurança dos mesmos;  Conhecimentos específicos que podem ser necessários para uma boa gestão das RP, como arte de comunicação, psicologia, sociologia, ciências políticas, economia e princípios éticos. Conhecimentos técnicos e qualidades profissionais também podem ser requeridas para um maior impacto na OP, sendo exemplos o relacionamento com os media, publicidade, propaganda, publicações, apresentações, discursos, edição de fotografia e vídeo e eventos especiais ocasionais. No caso da FAP, compete às Relações Públicas (RP) a divulgação e gestão de informação. Estas estão hierarquicamente dependente do Gabinete do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (GABCEMFA), e têm como missão (EMFA): 19 “Assegurar a difusão da informação pública da Força Aérea, contribuir para a divulgação da imagem institucional junto da opinião pública e assegurar o protocolo do CEMFA, incluindo a preparação e condução de visitas de altas entidades.” As suas competências são (EMFA): a) Manter as relações com os órgãos de comunicação social, em conformidade com os princípios e orientações definidos pelo CEMFA, competindo-lhe especificamente a preparação de comunicados e sua difusão após aprovação superior; b) Analisar diariamente a imprensa, a fim de informar o CEMFA, com oportunidade, sobre os assuntos que mereçam a sua atenção especial e avaliar a imagem da Força Aérea junto da opinião pública; c) Preparar e, após aprovação superior, difundir notícias sobre acontecimentos de relevo, com vista à promoção da imagem da Força Aérea junto da opinião pública; d) Assegurar, de acordo com as orientações do Chefe de GABCEMFA, a gestão dos conteúdos de informação das páginas oficiais da Força Aérea na Internet e na Intranet; e) Planear, coordenar e executar as cerimónias e atos protocolares que lhes forem atribuídos; f) Preparar, coordenar e acompanhar as visitas oficiais de altas entidades à Força Aérea; g) Apoiar a organização das visitas oficiais do CEMFA. 2.3.2. Comunicação de massas O termo comunicação de massas, ou como é mais conhecido internacionalmente, mass communication, foi criado, juntamente com o termo mass media, no início do séc. XX para descrever o que foi na altura um novo fenómeno social e um elemento chave para o emergente mundo moderno, que estava a ser construído com fundamentos no industrialismo e na democracia popular. Foi uma época de grande migrações, além cidades e fronteiras, causadas por confrontos entre forças libertadoras e tentativas de repreensão, bem como conflitos entre impérios e estados. O termo mass media refere-se aos vários meios livres de comunicação, organizados e a longas distâncias (MCQUAIL, 2010). Os mass media iniciais (jornais, revistas, rádio, fonograma e cinema) desenvolveram-se rapidamente para atingir formatos que são hoje facilmente reconhecidos e considerados tradicionais, com mudanças sobretudo no alcance e diversificação, adicionando o aparecimento da televisão nos meados do séc. XX. Similarmente, o que era considerado como as chaves da comunicação de massas há dezenas de anos atrás, continua a prevalecer nas mentes da população no presente: a capacidade de alcançar toda a população, de uma maneira rápida e com a mesma quantidade de informação, opiniões e entretenimento; a fascinação universal que eles atingem; a estimulação de medos e esperanças; o possível impacto e influência (MCQUAIL, 2010). Atualmente, é necessário reconhecer que as formas de comunicação de massas anteriormente apresentadas, já não são as únicas para uma comunicação social à escala global. As novas tecnologias têm sido desenvolvidas e utilizadas apresentam-se como uma rede potencial e alternativa de comunicação. A comunicação de massas, em larga escala, que circula num só sentido 20 em conteúdos públicos, continua inabalável, mas já não é só feita pelos meios de media tradicionais. Estes têm sido suplementados pelos novos media, principalmente pela internet e tecnologia móvel, que fazem circular diferentes conteúdos ao simultaneamente (MCQUAIL, 2010). 2.3.3. Sociedade em Rede Uma sociedade em rede é uma sociedade cuja estrutura é formada por redes alimentadas por informação eletrónica e por tecnologias da comunicação. Esta estrutura é também social porque compreende os comportamentos e relações humanas típicas numa organização, como produção, consumo, reprodução, experiência e poder (CASTELLS, 2004). Esta rede possui um conjunto de nós interligados sendo que não tem centro ou núcleo, apenas nós. Cada nó pode ter maior ou menor relevância para a rede e um nó é tão mais relevante, quanto maior for a sua capacidade de absorver e processar informação. A importância relativa de um nó não é medida pelas suas características próprias, mas pela sua capacidade para contribuir para o objetivo da rede. A rede é uma unidade, ao contrário do nó (CASTELLS, 2004). No mundo da comunicação, a sociedade em rede é caracterizada pelo seu padrão em rede, pela flexibilidade, pela combinação de códigos e por uma simbologia comunicativa efémera. Expressões culturais de todos os tipos estão anexadas e moldadas por este tipo eletrónico e interligado de informação, formado pela televisão, rádio, jornais, filmes, arte e pela comunicação via Internet (CASTELLS, 2004). Os media nas sociedades em rede apresentam uma grande variedade de canais de comunicação, com uma crescente interatividade. A concentração da comunicação neste espaço caracterizado pela rede, pela flexibilidade, pela combinação de códigos e por uma simbologia comunicativa efémera tem um efeito decisivo na diplomacia. Os media tornaram-se no novo espaço público (VOLKMER, 2003). As relações da sociedade – a construção de uma cultura comum que permite aos indivíduos e grupos sociais viverem juntos, mesmo que em conflito – passam-se agora em grande parte nos novos espaços de comunicação, ligados em rede, digitalizados e interativos, centrados à volta dos mass media e da Internet. Por esta razão, a relação entre os cidadãos e políticos, entre os representados e os representantes, depende essencialmente do que acontece neste espaço comunicativo centrado nos media. Não se pretende com isto dizer que os media ditam as políticas nos dias de hoje, mas é no seu meio que batalhas de todo o tipo são travadas, ganhas ou perdidas. Deste modo, a linguagem e táticas usadas no meio dos media são essenciais para moldar a mente do público (CASTELLS, 2004). 2.3.4. Os media tradicionais Os media convencionais são um modo de comunicação de massas que acontece numa relação de um para vários, isto é, existe uma fonte de informação que a transmite, através de diferentes canais, para muito recetores. A história da comunicação de massas iniciou-se com a 21 imprensa, onde em Veneza foi publicado o primeiro jornal, no séc. XV. Anos mais tarde, em 1826, aparece a fotografia, que veio dar uma dimensão visual à comunicação de massas (COELHO, 2012). O processo comunicativo feito por este tipo de comunicação social é representado por um fluxo monológico, onde a informação parte de um emissor e segue para vários recetores, sem haver interação ou feedback, como se pode ver na Figura 4 (PINHO, 2013). Até aos OCS que hoje são de conhecimento geral da sociedade, surgiram, por ordem cronológica, o código Morse e o telégrafo, que vieram alterar as dimensões de tempo e espaço, o telefone e o cinema. Com primeira emissão de rádio, em 1920, iniciou-se a verdadeira comunicação de massas, seguido da televisão, computador e Internet. Coelho (2012) constata no seu artigo a ideia a manter sobre a evolução dos media: “O paradigma alterou-se de modo duplamente abrupto: mudou-se da difusão de informação (mesmo a de massa) baseada na relação transmissor-recetor (independentemente dos números de cada) com feedback esporádico, para uma relação de rede de múltiplos transmissores e múltiplos recetores, em que o feedback é parte relevante do processo comunicacional, ao ponto de ser muitas vezes o seu motor.” 2.3.5. Os novos media Já no início da década de 90, W. Russell Neuman previa uma mudança de peso na forma como a informação ia chegar à população. Os media tradicionais iam passar a ter companhia no mundo da comunicação social. No seu estudo, Neuman fala de desenvolvimentos tecnológicos de Figura 4 – Modelo de comunicação nos media tradicionais Fonte: (PINHO, 2013) 22 imprensa que eram caracterizados como uma proliferação para os novos media, mais especificamente da Internet (Neuman, 1991). Nos últimos anos a Internet passou a ser um fator inerente ao dia-a-dia da vida das pessoas, tanto profissionais, como pessoais. O uso do computador e a possibilidade de estar online é hoje comum, especialmente entre as gerações mais jovens, a quem chamam a net generation, o que está a levar os media comerciais para uma direção de interatividade: comunicação através da Internet tem a particularidade de ser feita nos dois sentidos, ao contrário do que acontece nos media tradicionais (COELHO, 2012). Os novos media permitem que as mensagens se propaguem com uma maior eficácia, comparativamente com os media tradicionais, e ferramentas como os Blogs, Youtube, Twitter e Facebook providenciam uma possibilidade de comunicação imediata com uma vasta audiência. Compreender e incorporar este tipo de ferramentas para veicular a informação de uma organização vai possibilitar uma comunicação significativamente mais eficaz (CLAVETTE et. Al). A comunicação imediata que os novos media permitem realizar torna-se bastante útil para um princípio do Direito, mas que se aplica ao mundo do jornalismo, que é o princípio do contraditório. Este pressupõem que existe uma igualdade entre as partes – neste caso entre diferentes OCS – permitindo que cada uma possa contestar a outra ou contra-argumentar (PRIBERAM). Isto é, e imaginando um exemplo prático, se um meio de comunicação social lança uma notícia sobre uma organização que não é verdade, esta tem o direito e o dever de se defender. Quanto mais rápida for a contra-argumentação, menos impacto a notícia inicial terá no público. Ora, sendo as RS uma ferramenta de comunicação quase imediata, que transmite uma mensagem para uma grande quantidade de pessoas, esta revela-se bastante útil para a aplicação do contraditório. A forma de comunicação primária deste novo tipo de media é feita, como referido anteriormente, através da Web 2.0. Neste âmbito da comunicação de massas, cada indivíduo é emissor e recetor da mensagem, criando-se um diálogo feito por “muitos para muitos” e onde o universo da rede tem uma grande quantidade de interlocutores, como se pode verificar na Figura 5 (PINHO, 2013). 23 2.4. Valor-notícia “Big media has lost its monopoly of the news. Now that it is possible to publish in real time to a worldwide audience, a new breed of grassroots journalists are taking the new into their own hand.” – Dan Gillmor (2004) Esta expressão permite dar uma importância ao valor das notícias, classificando-as quanto à sua notoriedade, em função de critérios de seleção que poderão ter impacto na OP. Estes critérios podem ser divididos em três categorias (COELHO, 2012):  Avaliação: são exemplos a morte, novidade, atualidade, proximidade, número de pessoas envolvidas, o inesperado, a controvérsia, a grandeza e o conflito;  Valor contextual da produção: disponibilidade para cobrir o acontecimento, equilíbrios de recursos aos temas em agenda e existência de fotografia, vídeo ou som;  Construção: relevância, ampliação, personalização, dramatização e a consonância. Termos como media tradicionais, novos media, social media, blogging e social networking tem vindo a ser cada vez menos úteis para calcular o valor ou qualidade das notícias. Novos tipos de organizações jornalísticas criam-se todos os dias, enquanto jornalistas profissionais desenvolvem novas capacidades em social media e blogging, por exemplo. No entanto, os media tradicionais ainda não perderam totalmente a sua influência no público e na criação de notícias. Também eles estão na disputa para manter o seu controlo na distribuição de notícias, ao mesmo tempo que os social media oferecem meios alternativos para encontrar e descobrir notícias. No presente, ferramentas como o Facebook e Twitter são acusadas de se alimentarem da qualidade das notícias dos OCS tradicionais, ficando com os benefícios comerciais (NEWMAN, 2011). Com todos os benefícios que as ferramentas como o Facebook e Twitter oferecem, cria-se a preocupação que elas podem ser uma ameaça para os OCS tradicionais – particularmente porque o tempo gasto pelos utilizadores nas RS como o Facebook pode reduzir as visualizações de notícias Figura 5 – Modelo de comunicação na Web 2.0 Fonte: (PINHO, 2013) 24 nas televisões, rádios, jornais, entre outros – ou pelo menos fazem com que os cidadãos apenas leiam os cabeçalhos, em vez de lerem a notícia na íntegra (NEWMAN, 2011). Um estudo realizado entre 2008 e 2011 no Reino Unido demonstra que tal não é o que acontece. Apesar de o número de pessoas que consultam as RS e outras ferramentas semelhantes através da Internet ter aumento significativamente, o número de pessoas que visualizam notícias pelos meios tradicionais tem aumentado, embora que não com uma intensidade tão grande como nas RS. Os dados podem ser consultados no Gráfico 1. No entanto, segundo o Chefe das Relações Públicas, para comparar a notoriedade de uma notícia que saia nas RS e nos OCS tradicionais, há dois fatores (ROQUE, 2013). O primeiro e o mais importante é o alcance. Apesar de não ser o único fator, é o que se destaca mais. O alcance indica-nos claramente a quantas pessoas chegou a notícia base. Estamos então na métrica de avaliação das redes sociais (ROQUE, 2013). Por outro lado, nos OCS tradicionais teremos de considerar uma outra métrica. Na imprensa escrita será a tiragem, ou seja, o número de exemplares distribuídos. Na televisão ou no rádio a métrica que devemos considerar é o share, ou seja, o número de visualizações ou audições que uma dada notícia teve aquando da sua difusão. (ROQUE, 2013). É por este motivo que se pretendermos fazer um comparativo entre as RS e os media tradicionais, teremos a que comparar o alcance das RS com a tiragem e com o share que a comunicação social teve (ROQUE, 2013). Gráfico 1 – Visitas na Internet às RS e a notícias e media Fonte: Experian Hitwise UK 25 2.5. Opinião Pública A OP resulta do debate, da crítica e da liberdade de pensamento. Por ser um termo associado ao debate político, deriva de passados longínquos, mais propriamente da Grécia Antiga (COELHO, 2012). Hoje em dia é considerado um agregado de atitudes e crenças individuais, que juntas criam um complexo de opiniões, de uma grande variedade de pessoas, de onde surgem várias opiniões coletivas. O termo “opinião pública”, na verdade, não é usado de uma maneira correta, pois não existe apenas uma opinião pública mas várias, devido às várias correntes de opinião que se foram dentro da sociedade. Sobre um assunto, cada indivíduo faz a sua análise agregando-se com outros que têm a mesma opinião, formando assim vários públicos (COELHO, 2012). O objetivo na comunicação com o público é não só influenciar como as pessoas pensam, mas também como elas agem. A maneira mais eficaz para obter as ações pretendidas por parte dos cidadãos é através de um diálogo comunicativo que conduz à emoção. A emoção é a chave para fazer com que os outros façam o que nós queremos e tenham os mesmos objetivos que nós. O que se pretende é que o público se preocupe connosco e nos apoie (CUNNINGHAM, 2010). 26 3. Missão da Força Aérea Portuguesa: contribuição das Redes Sociais “A Força Aérea é um ramo das Forças Armadas, dotado de autonomia administrativa, que se integra na administração direta do Estado, através do Ministério da Defesa Nacional.” - Decreto-Lei n.º 232/2009 Como parte integrante do Estado e com o dever de manter a soberania nacional, a FAP tem de estar pronta para combater em todo o tipo de batalhas. Deve acompanhar o desenvolvimento das tecnologias e adaptar-se às novas barreiras e desafios nacionais e internacionais. Para isso, e como objeto de estudo deste trabalho, a FAP tem de estar atualizada e fazer parte do mundo da Internet, por ser uma ferramenta com um crescimento considerável nos últimos anos (segundos as estatísticas da OBERCOM, no final de 2011, 57,2% do portugueses possuíam acesso doméstico à Internet), mais especificamente das RS. Este capítulo tem como objetivo fazer uma análise das ferramentas que a FAP possui no âmbito da CE, o modo como elas são utilizadas e a possível mais-valia que trazem à instituição. Através da entrevista realizada ao Chefe do Gabinete de Relações Públicas do Gabinete do Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, do tratamento de dados estatísticos provenientes dos OCS, do tratamento dos dados estatísticos provenientes das RS e fazendo um comparativo entre os dois últimos, retiram-se conclusões intermédias que irão contribuir para a conclusão final. 3.1. Missão da Força Aérea Portuguesa A FAP, segundo a Lei Orgânica da Força Aérea (LOFA), tem a necessidade de ajustar a sua estrutura, “dotando-a de capacidades adequadas ao exercício das suas competências, respeitando, sobretudo, os princípios da racionalidade e da economia” (Decreto-Lei n.º 232/2009). Deste modo, e segundo o mesmo documento, a “Força Aérea tem por missão principal participar de forma integrada, na defesa militar da República,” (…) “sendo fundamentalmente vocacionada para a geração, preparação e sustentação de forças da componente operacional do sistema de forças”, tendo ainda incumbido o dever de (Decreto-Lei n.º 232/2009): a) Participar nas missões militares internacionais necessárias para assegurar os compromissos internacionais do Estado no âmbito militar, incluindo missões humanitárias e de paz assumidas pelas organizações internacionais de que Portugal faça parte (DECRETO-LEI N.º 232/2009); b) Participar nas missões no exterior do território nacional, num quadro autónomo ou multinacional, destinadas a garantir a salvaguarda da vida e dos interesses dos portugueses (DECRETO-LEI N.º 232/2009); c) Executar as ações de cooperação técnico-militar nos projetos em que seja constituído como entidade primariamente responsável, conforme respetivos programas quadro (DECRETO-LEI N.º 232/2009); 33 facilidade com que é possível alcançar uma pessoa que nós podemos nem conhecer é notável. Basta ser “conhecido de um conhecido” para ser possível entrar em contacto com determinada pessoa, algo que feito no mundo físico seria mais complicado (MINEIRO, 2010). Outra vantagem relevante das RS é serem uma ferramenta de custo baixo. Como todas as ações se fazem a partir da Internet, tendo acesso a esta, basta um computador ou telemóvel que suporte a aplicação para ser possível manter contacto com um grande número de pessoas e em tempo reduzido. (MINEIRO, 2010). Outro fator a ter em consideração, e seguindo Mineiro (2014), é que as RS são compostas por três elementos: pessoas, tecnologias interativas e economia digital. Assim, estamos perante uma tendência em que as pessoas utilizam as tecnologias para adquirirem a informação de que precisam, em vez de a procurarem junto das organizações. Esta realidade é um desafio e quase que obriga à existência de um representação oficial nas redes por parte das organizações/empresas sob pena de a informação existente na rede estar desatualizada ou ser incorreta. Existem, no entanto, outros riscos e estes são reais, quer para indivíduos, quer para organizações. Desde logo o facto de toda a informação que é colocada nestas redes, ser da responsabilidade do utilizador, o que potencia a existência de perfis falsos. Por outro lado e por ser uma ferramenta com acesso fácil é capaz de entreter o utilizador por longos períodos de tempo, o que pode vir a ser uma distração das tarefas do dia-a-dia, fazendo com que, sem ser perceber, se perca demasiado tempo a utilizá-las. 3.5.1. Redes Sociais na FAP As RS são uma das ferramentas mais conhecidas da Web 2.0. Através da entrevista realizada ao Chefe das Relações Públicas, ficámos a saber que a FAP tem perfis criados em sete redes sociais diferentes (Facebook, YouTube, Twitter, Flickr, Instagram, Klout e Google+), mas é o Facebook e o Twitter que têm mais impacto na sociedade portuguesa, pelo que, neste estudo vamos apenas nos vamos focar nestas duas. As RS permitem aos seus utilizadores criar perfis públicos ou semiprivados dentro de um sistema, também podem gerar conteúdos, conversar entre si, colaborar, partilhar, editar e criar informação. Enquanto consumidores podem tomar decisões. É por tudo isto que há um grande número crescente de organizações, marcas e outros grupos coletivos que têm também um perfil criado. É também, e como ficou dito, o caso da FAP. De notar, e seguindo Mineiro (2014), que criar uma conta numa RS sem uma estratégia e apenas porque todas organizações/empresas/instituições têm uma conta pode revelar-se um erro colossal. As RS são um desafio e uma oportunidade, nunca um mero canal de distribuição de informação. Como afirma Mineiro (2014), a representação de uma organização nas RS permite aos utilizadores participarem e interagirem com ela, o que contribuirá para a reputação dessa organização. Por tudo isto é fundamental saber agir e ter em conta os objetivos estratégicos da organização. O Facebook é a maior rede social em termos de número de utilizadores. Esta rede tem um enorme alcance e é extremamente acessível devido à facilidade de utilização da sua versão mobile. 34 Como vimos, o uso mobile em Portugal é cada vez mais elevado o que aliado à facilidade de utilização permite que os utilizadores do Facebook acedam à rede a partir de qualquer lugar, de qualquer dispositivo ou sistema operativo. Tudo isto estimula a partilha e produção de conteúdos. A partir do momento em que o perfil está criado, o utilizador tem a possibilidade de interagir com os outros utilizadores, criando “amizades” sendo esta uma das caraterísticas principais da Web 2.0. Dentro da rede social, há três formas principais para realizar essa interação (PINHO, 2013).:  Através do botão “gosto”, que sendo a ação mais simples de realizar nesta rede, o utilizar expressa o seu agrado por uma determinada história, imagem, filme ou ligação partilhada;  Realizando comentários em histórias criadas por outros utilizadores, onde não há limite de comentários, criando-se na maior parte das vezes diálogos acerca da informação partilhada;  Usando a opção de “partilha”, onde um utilizador, a partir de uma informação inicial já criada por outro utilizador, tem a possibilidade de partilhá-la com os “amigos” da sua rede, podendo adicionar uma opinião acerca do tema. Não havendo limite na informação que se quer partilhar, esta ferramenta permite que se criem publicações elaboradas, onde a informação que é partilhada pode ser de diferentes tipos, o que a distingue do Twitter. Na Figura 6 está representada um exemplo de uma publicação criada pela FAP, onde é possível ver, por baixo da imagem, as ligações para fazer “gosto”, para comentar ou para partilhar a publicação. Por tudo o que fica dito o Facebook é quase incontornável em qualquer estratégia de RS. É por isso que a FAP tem representação criada e o utiliza de forma intensiva. 35 O Twitter tem um funcionamento diferente do Facebook e como tal, diferentes objetivos nas suas partilhas. Nesta ferramenta a quantidade de informação partilhada é limitada, com uma extensão máxima de 140 carateres. Esta rede de micro-blogging é extremamente popular entre celebridades, empresários, jornalistas e figuras notáveis em todo o mundo. A possibilidade de se etiquetar o tópico que se está a twittar (hashtag) permite entrar em contacto com pessoas que partilhem os mesmos interesses e, simultaneamente, medir as reações a um acontecimento. O Twitter diferencia-se ainda das outras RS por estar ligado à instantaneidade da informação e, consequentemente é conotado como uma fonte de notícias e novidades em primeira mão. Foi isso que aconteceu durante a Primavera árabe onde foi possível acompanhar os acontecimentos através do Twitter. É pela sua instantaneidade e por ser seguido por muitos jornalistas que a FAP utiliza esta rede. Na Figura 7 está representado um exemplo de um “tweet” feito pela FAP. Figura 6 – Exemplo de uma ligação partilhada pela FAP no Facebook Fonte: https://www.facebook.com/pages/For%C3%A7a-A%C3%A9reaPortuguesa/188128631326969?fref=ts 36 Na Tabela 1 estão resumidas as características destas duas redes, Facebook e Twitter. Figura 7 – Exemplo de uma ligação partilhada pela FAP no Twitter Fonte: https://twitter.com/fap_emfa Tabela 1 – Resumo das características das redes sociais em análise Fonte: (MINEIRO, 2010) (adaptado) 37 Finalizada a análise às RS utilizadas pela FAP e de acordo com o seu funcionamento e caraterísticas, é possível retirar várias conclusões intermédias que ajudarão a chegar à resposta à pergunta de partida que origina toda a dissertação. Assim, são apresentadas as seguintes conclusões intermédias:  As RS são uma ferramenta que permitem a realização de tarefas que podem não ser possíveis no mundo físico, ou, pelo menos, facilitam o seu processo e reduzem o tempo demorado.  As RS são uma ferramenta de baixo custo, que apenas precisam de uma ligação à Internet e de uma plataforma tecnológica que suporte a aplicação, e permitem alcançar um grande número de contatos em tempo reduzido.  A procura de informações através de tecnologias como estas redes, em vez de a procura junto das organizações, requer das organizações uma presença oficial nas redes, sendo que a informação existente nelas deve ser correta e atual.  A FAP tem perfis criados em várias RS, sendo que o Facebook e o Twitter são as mais utilizadas pelas RP.  É necessária uma estratégia adequada no uso das RS. Devido ao fator de interação entre as organizações e os utilizadores, a FAP deve ter uma estratégia definida no uso das RS.  O Facebook é a RS mais utilizada em todo o mundo e tem caraterísticas que o definem: o A quantidade de informação partilhada é ilimitada, permitindo a criação de histórias mais elaboradas. Por esta razão as RP utilizam o Facebook normalmente no final de uma missão, em vez de partilharem informações em cima do acontecimento. o A interação entre utilizadores é grande, pois a possibilidade de fazer “gosto”, comentar ou partilhar uma publicação cria uma espécie de “bola de neve” que faz a informação circular por toda a rede, atingindo vários utilizadores. o Os detalhes que podem ser partilhados são vários, podendo incluir mensagens, fotografias, vídeos ou ligações externas.  O Twitter tem para a FAP objetivos diferentes na sua utilização devido a aos seguintes fatores: o A quantidade de informação é limitada, bem como a qualidade. o O Twitter é uma rede social onde a partilha de informação é instantânea, o que permite às RP da FAP ir relatando os acontecimentos, quão breve quanto pretendido. o Existe um grande número de jornalistas que utilizam esta ferramenta, o que torna a partilha de conteúdos na mesma um bom meio de divulgação para a comunicação social. 3.6. Estudo dos canais de comunicação social Este capítulo é dedicado às metodológicas que orientam o trabalho. Seguindo a linha de pensamento até aqui feita, após uma pesquisa bibliográfica e um estudo das funcionalidades e 38 capacidades das RS, falta agora fazer uma análise quantitativa do alcance das notícias através dos diferentes canais de comunicação social. Foi executada uma análise do alcance de sete notícias, transmitidas pelos OCS tradicionais (jornais e televisão) e pelas RS oficiais da FAP, no espaço temporal compreendido entre o início de dezembro 2013 e o final de fevereiro de 2014. A escolha de notícias foi aleatória, dentro das seguintes fontes:  Sítio na Internet da FAP, na ligação “Recortes de Imprensa” o Esta base de dados do website da FAP permite encontrar variadas notícias onde a mesma é referenciada, tendo um registo concreto de notícias transmitidas pela televisão nacional e de artigos que saíram em jornais, sobre um determinado tema. o A partir desta plataforma conseguimos fazer uma estimativa do número de pessoas que viu uma determinada notícia, por diferentes OCS.  Redes Sociais oficiais da FAP: o Diariamente as RP partilham novas histórias com os utilizadores das redes, nomeadamente do Facebook. Esta análise do alcance permite, juntamente com a análise anterior, uma recolha de dados que vai possibilitar dar resposta às questões do primeiro capítulo. Se o objetivo é perceber em que medida as RS se podem revelar importantes na área da GI, para uma obtenção de uma boa imagem da instituição perante a população, fazer uma estimativa de a quantas pessoas a mensagem da FAP chega é essencial. A FAP atua em termos de CE com um circuito definido dependendo da notoriedade que se pretende dar à própria notícia. Perante um acontecimento as RP decidem em que canal devem atuar. Assim, há três formas distintas de iniciar o processo de divulgação. 1. Comunicado de imprensa – é emitido na página da Internet da FAP um comunicado que pode ser consultado por qualquer pessoa onde é explicada a razão da possível notícia e onde estão disponíveis os contactos da organização, caso algum OCS queira criar a sua própria notícia e com os seus próprios meios. 2. Canais próprios – é criada a notícia pelas RP da FAP que é publicada para consulta pública no website da organização. 3. Redes Sociais – é feita uma publicação no Facebook oficial da FAP. Repare-se que as RP não atuam necessariamente apenas num dos canais referidos anteriormente. Cada acontecimento que englobe a FAP e que seja merecedor de notícia pode ser comunicado para o exterior pelos canais que se pretender. Tudo depende do conteúdo da notícia e do tipo de público que se pretende alcançar. Do mesmo modo, uma notícia que seja criada num dos canais pode ser mais tarde divulgada nos outros. 39 Como unidades de análise foram usados o “alcance”, a “tiragem” e o “share” por serem métricas que possibilitam uma estimativa do número de pessoas ao qual a mensagem da FAP chegou. O “alcance” está relacionado com as redes. Esta medida é verificada de uma forma direta na página de Facebook da FAP, pois esta ferramenta é capaz de nos dizer o número de pessoas que visualizaram uma determinada publicação partilhada. Com acesso à conta oficial da FAP é possível aceder a diferentes estatísticas. As medidas de alcance são as mais eficientes para medir as audiências de uma página. Elas são mais eficientes que os próprios “amigos” pois nem todos eles vêm as histórias publicadas do mesmo modo que muitos dos utilizadores que vêm as publicações não são “amigos” da FAP. Deste modo, o alcance divide-se nas três seguintes componentes (SMITHA, 2013):  Orgânico – o número de pessoas de utilizadores que viram algum dos conteúdos da página da FAP no seu News Feed, no ticker ou na própria página.  Pago – o número de utilizadores que viram os conteúdos pagos. No caso da FAP, este número é inexistente pois a instituição opta por não ter publicidade paga.  Viral – o número de utilizadores que viram algum dos conteúdos da página da FAP mencionado numa história de um dos seus amigos. Estas histórias incluem “gostos”, comentários ou partilhas, bem como a resposta a perguntas ou a convites para eventos. Posto isto, o número real de utilizadores aos quais as publicações da FAP chegam é muito maior do que as indicadas nas estatísticas fornecidas pelo website. No Gráfico 7 está representado o número médio diário de visualizações das publicações do Facebook da FAP, no mês de outubro de 2013. 40 Vamos pressupor que cada “amigo” da FAP no Facebook tem 100 amigos, independentes uns dos outros (pela fonte OBERCOM, a maioria dos portugueses, 29,1%, tem entre 200 e 500 amigos no Facebook). Por cada visualização dada pela estatística do site do Facebook acerca do número médio das pessoas (25.538) que visualizarem diariamente as publicações da FAP durante o mês de outubro, é possível que mais 100 pessoas tenham visto a mesma publicação. Ora, fazendo uma conta simples, isto significa que por dia a FAP pode ter alcançado a visualização de cerca de 2.500.000 utilizadores nas suas publicações. Sabendo que Portugal tem cerca de 10.000.000 de cidadãos, projetar a imagem e missão da FAP para 25% da população, de uma forma rápida e sem custos, é favorável à instituição. Na Gráfico 8 está representado o número de utilizadores que fizeram “gosto”, comentaram e partilharam uma publicação do Facebook da FAP. Gráfico 7 – Alcance médio das publicações no mês de Outubro de 2013 Fonte: Facebook da FAP Gráfico 8 – Número de “gostos”, comentários e partilhas das publicações no mês de outubro Fonte: Facebook da FAP 41 Os valores diários obtidos através das anteriores funcionalidades são reduzidas, comparando com o alcance médio diário no mesmo período. Assim e de acordo com as palavras do Coronel Roque (2013), a parte que deve ser mais valorizada é o alcance da publicação, isto é, o número de pessoas a quem ela chegou. Não sendo a única métrica para averiguar a importância desta ferramenta, é a que se torna mais relevante. Vamos agora fazer a análise de uma notícia em concreto. Recentemente a Esquadra (Esq.) 751 “Pumas” alcançou a marca das 3000 vidas salvas, ao longo de 25 anos de existência, sob o lema “Para que outros vivam”. Este feito foi notícia em todos os canais de comunicação social da FAP e foi feito um comunicado de imprensa, ao qual vários OCS responderam, tendo assim um grande impacto na sociedade e tornando-se um bom exemplo para fazer a comparação de alcances dos meios de comunicação social. A notícia passou nos canais televisivos SIC, SIC Notícias e RTP Açores, no jornal Diário Insular e na página da Internet SIC Online. As RP da FA têm uma relação com a empresa Manchete, sendo atualmente a maior empresa portuguesa de gestão e análise de informação, que lhes fornece dados sobre o que é escrito sobre a instituição, bem como o seu impacto. Na tabela 2 estão representadas as notícias acerca do feito da Esq. 751. Interessa tomar atenção ao valor SVE, que é o dinheiro que aquela notícia vale, perante determinados fatores, sendo os principais:  Programas televisivos – dia, hora, duração, destaque.  Jornais – dia, página, posição na página, com ou sem cor, tamanho da notícia. Título Fonte Data SVE Pág./Hora Heróis do ar Diário Insular 16/02/2014 2.820,00€ 1/12 a 15 A Missão da Esquadra 751 SIC/ Primeiro Jornal 11/02/2014 110.572,58€ 13:57 Missão da Esquadra 751 SIC Notícias/ Edição da Tarde 11/02/2014 24.810,00€ 15:16 Missão da Esquadra 751 SIC Notícias/ Opinião Pública 11/02/2014 24.258,67€ 17:34 Esquadra 751 da Força Aérea já salvou mais de 3 mil pessoas Sic Online 11/02/2014 779,86 € Esquadra 751 da Força Aérea portuguesa RTP Açores/ Telejornal 06/02/2014 33.719,08€ 20:00 Pumas salvam 3001 vidas em 35 anos de existência Diário Insular 05/02/2014 564,00 € 13 Tabela 2 – Valores referentes às 3000 vidas da Esq. 751 Fonte: Manchete 42 Analisando a notícia que saiu no Primeiro Jornal da SIC, depois de um pedido feito por telefone ao próprio canal televisivo, sabemos que ela teve um share de 25,3% durante esse programa, nesse dia, o que significa que 25,3% das televisões ligadas estavam programadas para esse canal. Pressupondo que a essa hora do dia estão cerca de 800.000 televisões ligadas (OBERCOM, 2008), conseguimos calcular o número de televisões programadas nessa emissão, dando cerca de 200.000. Como não foi possível descobrir o share para as outras emissões que transmitiram a notícia sobre as 3000 vidas, podemos fazer uma estimativa do número de espetadores, através dos valores alcançados anteriormente e recorrendo a uma simples conta. A Tabela 3 apresenta os valores estimados para o número de espetadores dos diferentes programas televisivos. Estes valores são apenas estimativas não rigorosas calculadas por termos de comparação, visto que o valor das notícias depende de muitos outros fatores, como foi visto anteriormente. Resumindo, a notícia sobre as 3000 vidas salvas pela Esq. 751, teve a partir dos meios televisivos, um alcance estimado de 350.000 espetadores. Repara-se que isto é apenas uma estimativa para o número de televisões ligadas, visto que nada nos garante que todas elas tivessem exatamente um espetador. Para calcular o alcance obtido através dos jornais, o medidor será o número de tiragens. O Diário Insular tem, segundo o website do mesmo, uma tiragem de 3.500 exemplares por edição. Assumimos que esse vai ser o valor de leitores que realmente leram a notícia, mas, similarmente como acontece com a televisão, não temos forma de saber se todos os exemplares foram vendidos, nem se os que leitores que compraram leram a notícia referente às 3000 vidas. Deste modo, e como a notícia saiu em dois dias diferentes, o alcance estimado foi de 7.000 leitores. Título Fonte SVE Espetadores A Missão da Esquadra 751 SIC/ Primeiro Jornal 110.572,58€ 200.000 Missão da Esquadra 751 SIC Notícias/ Edição da Tarde 24.810,00€ 45.000 Missão da Esquadra 751 SIC Notícias/ Opinião Pública 24.258,67€ 44.000 Esquadra 751 da Força Aérea portuguesa RTP Açores/ Telejornal 33.719,08€ 61.000 350.000 Tabela 3 – Número de espetadores estimados de cada emissão 49 o A interação entre utilizadores é grande, pois a possibilidade de fazer “gosto”, comentar ou partilhar uma publicação cria uma espécie de “bola de neve” que faz a informação circular por toda a rede, atingindo vários utilizadores. o Os detalhes que podem ser partilhados são vários, podendo incluir mensagens, fotografias, vídeos ou ligações externas.  O Twitter tem para a FAP objetivos diferentes na sua utilização devido a aos seguintes fatores: o A quantidade de informação é limitada, bem como a qualidade. o O Twitter é uma rede social onde a partilha de informação é instantânea, o que permite às RP da FAP ir relatando os acontecimentos, quão breve quanto pretendido. o Existe um grande número de jornalistas que utilizam esta ferramenta, o que torna a partilha de conteúdos na mesma um bom meio de divulgação para a comunicação social.  As RS são, quando acionadas simultaneamente com outros canais de comunicação, sempre um contributo e nunca uma ferramenta prejudicial à CE. Foi constatado que funcionam como um complemento aos demais OCS e, quando acionadas isoladamente, capazes de alcançar um grande número de pessoas.  Os dados estatísticos provenientes do Facebook não demonstram, por si só, a realidade. O universo de pessoas a quem uma mensagem chega é muito maior do que aqueles que viram diretamente determinada publicação.  A métrica utilizada para calcular o alcance da uma emissão televisiva, o “share”, não é rigoroso pois não temos como saber se há realmente indivíduos a olhar para a televisão enquanto a notícia passa.  Do mesmo modo, a métrica utilizada para calcular o alcance da imprensa escrita, as “tiragens”, não é um valor fidedigno porque não se sabe se todos os jornais foram vendidos, assim como se a notícia onde está representada a FAP foi lida.  Independentemente do rigor das métricas, o número de pessoas às quais uma mensagem partilhada no Facebook chega, será sempre muito maior do que pelos outros canais de comunicação social.  Face à quantidade de utilizadores com meios de acesso que permitem o uso de aplicações Web 2.0, a FAP, através das mesmas e essencialmente com o uso de RS, tem a capacidade de complementar notícias que são criadas por indivíduos ou organizações exteriores, podendo chegar aos cidadãos rapidamente, permitindo que o público saiba exatamente o que acontece nas missões desempenhas pela FAP, melhorando assim a imagem da organização e criando laços de confiança com os vários públicos.  Similarmente, a FAP ao utilizar ferramentas como o Facebook, tem a oportunidade de corrigir informações incorretas noticiadas por órgãos externos à organização, potenciando a realização do contraditório. Assim, de uma maneira rápida e eficaz, tem a possibilidade de alcançar um número vasto de indivíduos, diminuindo as consequências que notícias falsas ou parcialmente incorretas possam vir a trazer à instituição. 50 Estas conclusões são validades considerando os seguintes pressupostos:  A entrevista realizada ao Coronel Rui Roque representa um ponto de vista fidedigno sobre a CE efetuada pela FAP, pois trata-se do Chefe do Gabinete de RP do GABCEMFA e Porta-voz desta instituição.  As notícias selecionadas na amostra, para a realização do estudo dos canais de comunicação social utilizados pela FAP, são representativas da missão da FAP transmitida ao público. o Os canais de comunicação selecionados constam como os mais utilizados pelas RP da FAP, para a divulgação social da mensagem. A investigação teve como base, os seguintes pressupostos:  A FAP possui um normativo que indica os objetivos estratégicos a alcançar pela sua comunicação externa; o Esta hipótese de trabalho tem o propósito de avaliar se o normativo existente contempla a realidade das redes sociais;  O alcance das publicações nas redes sociais é muito inferior ao verificado nos órgãos de comunicação tradicionais. o A análise dos indicadores poderá permitir a comparação entre os meios em análise e, dessa forma, com os indicadores indicados é possível medir qual dos dois é mais visto, logo, tem mais impacto pelo público o que poderá, ou não, permitir a realização do contraditório. A primeira hipótese não foi validada pois a FAP não possui qualquer normativo no que diz respeito ao uso das RS e de outro tipo de aplicações Web 2.0. Apesar de a FAP já ter presença oficial em diversas RS e de ser um membro assíduo em várias delas, ainda não possui uma doutrina para o seu uso. As RS carecem de uma estratégia adequada e bem definida, devido à interação próxima que se cria entre as organizações e os utilizadores. Ficou demonstrado que o alcance das mensagens transmitidas pelas RS é grande e independente da ativação de outros OCS tradicionais. O seu uso vem sempre em benefício da instituição e permite alcançar um grande número de pessoas, em comparação com outros canais de comunicação social, pelo que a segunda hipótese é inválida. Com uma presença assídua nas redes e com publicações estratégicas que criam laços de confiança entre a FAP e os utilizadores, é possível realizar o contraditório, quando necessário. Com o intuito de enriquecer a investigação e de apoiar a conclusão final foram criadas algumas questões secundárias, apresentadas nos Objetivos da dissertação. De acordo com as conclusões intermédias obtidas e tendo em conta os pressupostos colocados, é agora possível dar reposta a essas perguntas. 51  “Em que medida é que a FAP consegue através das RS fazer passar as suas mensagenschave?” O crescente número de utilizadores em Portugal com acesso à Internet, bem como o uso de aparelhos móveis que permitam aceder a aplicações Web 2.0, permite à FAP, através dos seus canais nas RS manter um contato regular com os utilizadores. Os estudos realizados na fase de análise demonstraram que existem muitos utilizadores que acompanham a FAP nas RS, especialmente no Facebok e no Twitter, tornando estas redes excelentes difusores de informação, favorecendo um ambiente participativo e de confiança entre a instituição e o utilizador. Face a estas razões, a FAP tem a oportunidade de utilizar as redes como uma forma de realizar o contraditório, expondo os seus factos diretamente aos cidadãos e diminuindo as consequências de falsas notícias ou rumores exteriores. “Em que medida é que o público segue a FAP nas RS oficiais potenciando, dessa forma, o contraditório?” O crescente número de utilizadores em Portugal com acesso à Internet, bem como o uso de aparelhos móveis que permitam aceder a aplicações Web 2.0, permite à FAP, através dos seus canais nas RS manter um contato regular com os utilizadores. Os estudos realizados na fase de análise demonstraram que existem muitos utilizadores que acompanham a FAP nas RS, especialmente no Facebok e no Twitter, tornando estas redes excelentes difusores de informação, favorecendo um ambiente participativo e de confiança entre a instituição e o utilizador. Face a estas razões, a FAP tem a oportunidade de utilizar as redes como uma forma de realizar o contraditório, expondo os seus factos diretamente aos cidadãos e diminuindo as consequências de falsas notícias ou rumores exteriores. Por fim surge a questão principal da dissertação, na qual toda ela se baseia e tenta dar resposta clara e objetiva: “Em que medida é que a utilização das RS na área de informação pública, permite adquirir superioridade informacional na Guerra de Informação?” Esta pergunta foi elaborada assumindo o seguinte pressuposto: “As Redes Sociais podem ser utilizadas como arma para a superioridade de informação no contexto da missão da Força Aérea” Toda a investigação surge com o propósito de responder à pergunta de partida acima referida, com resolução do processo de investigação e análise. Conclui-se que a hipótese apresentada é valida e verifica-se que a utilização das RS trazem uma vantagem na obtenção de uma superioridade de informação, na área da informação pública, podendo ser utilizadas como uma arma para este efeito. A procura de informação através da Internet aumenta continuamente, principalmente através de ferramentas que a Web 2.0 disponibiliza, como as RS, exigindo por parte das organizações uma presença oficial nesse meio, potenciando a sua CE. Foram vistas as potencialidades, 52 qualitativamente e quantitativamente, que as redes trazem a uma organização, bem como as vantagens que o uso destas trazem num ambiente dominado pela informação, comparativamente com outros canais de comunicação social, revelando-se meios capazes de chegar a um grande número de pessoas e com uma mensagem com qualidade. A pergunta é orientada pela seguinte linha de pensamento: a FAP tem uma missão a cumprir que sendo bem divulgada, através dos diferentes canais de CE, passa a ser conhecimento público, possibilitando a prevenção de possíveis fatores dissuasores e, com o uso das RS, criando uma partilha de informação que gera confiança na FAP por parte dos cidadãos e que permite aumentar o domínio nas diferentes dimensões da informação – precisão, intemporalidade e relevância – que garantem uma superioridade informacional, ligando, deste modo, este trabalho com a GI. 4.2. Recomendações e futuras contribuições Durante a realização desta investigação, foram surgindo ideias e dificuldades que pode ser abordadas em estudos futuros. Na área desta investigação, deixa-se como proposta a criação de um normativo sobre a Comunicação Externa da FAP, não só para as Redes Sociais, mas para todos os canais de comunicação social que a FAP dispõe. Este deveria conter:  Objetivos da Comunicação Externa da FAP, de modo a saber em que situação nos encontramos e a que fim queremos chegar.  Distinção entre os diferentes públicos-alvo e canal de comunicação adequado para cada um deles, pois têm diferentes caraterísticas entre si  Definição das responsabilidades dos intervenientes. Sugere-se também que se faça um estudo sobre a potencialidade das Redes Socias noutras áreas da Guerra da Informação. 5. Referências bibliográficas 53 AGHEI S.; Nematbakhsh M.; FARSANI H. – Evolution of the World Wide Web: from Web 1.0 to Web 4.0. International Journal of Web & Semantic Technology (IJWesT) Vol.3, No.1, 2012 ALBERTS, D.; GARSTKA, J.; STEIN. F. – Network Centric Warfare – Developing and Leveraging Information Superiority. 2ª ed.. DoD C4ISR Cooperative Research Program, 2000 ALBERTS, David S.; GARSTKA John J.; HAYES, Richard E.; SIGNATORI and David T. – Understanding Information Age Warfare. 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O circuito de informação pública na FAP, genericamente, é feito de 3 formas:  Primeiro, iniciando com um comunicado de imprensa que depois tem consequência nos OCS tradicionais, como rádios, televisões, jornais e artigos online desses mesmos OCS e/ou acionando a nossa página da Internet e/ou as nossas redes sociais. Este é um circuito básico;  Segundo, apenas atuamos a nossa página da internet  Terceiro, usamos a página de internet e as redes sociais. A forma como o processo é desenvolvido depende da notoriedade que nós vamos atribuir à própria notícia. Vamos dar dois exemplos. Uma missão de Busca e Salvamento junto à costa ou uma missão de longa distância. Se na semana anterior tivéssemos tido duas ou três missões junto à costa, não vamos emitir um comunicado de imprensa, pois a comunicação social está saturada e ao fazermos isso só iríamos estar a saturá-la ainda mais. No entanto, nós precisamos que o público saiba o que é que nós estivemos a fazer. Para isso vamos acionar a página de Facebook da FAP e o Twitter. Por outro lado, mesmo quando as RP enviem um comunicado de imprensa, a comunicação social não destaca aquilo que a FAP fez, ou mais, por vezes destaca não a FAP mas sim uma entidade que nem participou no exercício. Por exemplo, há algum tempo fizemos uma missão de busca e salvamento. A TVI24 disse “Marinha resgata passageiro Holandês”. Ora, isto não é verdade. A Marinha coordenou a ativação dos meios necessários para que se salvasse a pessoa. Recebem o telefonema, fazem a avaliação dos meios necessários para cumprir a missão e depois solicitam os meios. A partir desse momento quem coordena a missão é a FAP. A FAP diz se tem capacidade ou não. Tendo, coordena o meio aéreo necessário, prepara, planeia e executa, ou seja, é a FAP que faz tudo. Portanto, até para dar um conhecimento fidedigno e exato às pessoas do que fazemos, é importante que a FAP faça passar a sua mensagem e para isso usamos quer os canais de OCS tradicionais, quer os canais que nós temos (página de Internet e RS). Aproveito para mencionar que a FAP esta presente em sete redes sociais, sendo as que mais atuamos o Facebook e o Twitter, com uma lógica própria. A lógica é perceber para o que serve e qual o mecanismo de comunicação que cada uma dessas redes utiliza. Por exemplo, o Twitter, só tem 140 carateres. É uma rede de comunicação instantânea e como tal, as primeiras informações sobre a missão, são veiculadas pelo Twitter. Quando temos algo mais substancial, mais robusto, utilizamos o Facebook. Exemplo prático, “foi acionado um meio”, (notícia dada via Twitter), “o meio já está no ar” (notícia dada via Twitter), “o meio já chegou à zona de operações” (notícia dada via Twitter), “o doente já foi resgatado” . A partir deste momento temos todas as condições para acionar o Facebook, porque a informação já é mais consistente. No fundo quase que agregamos a informação que já pusemos no ar, damos-lhe uma nova roupagem e fazemos a notícia no Facebook. Podemos utilizar mais imagens se as tivermos. Também podemos fazer o mesmo no Twitter, é verdade. Mas o público é diferente e o público está habituado a linguagens diferentes.