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Processo Criativo de Arte Aplicado no Empreendedorismo

Sousa, José Pedro Silva

Abstract

O presente estudo tem como objetivo principal descobrir se os empreendedores aplicam o processo criativo de arte no empreendedorismo. Porém, primeiro é fundamental entender o que é verdadeiramente a arte, isto é, entender o que é na essência e não olhar no sentido de uma obra de arte (objeto físico ou imaterial). Assim, segundo Coelho (2005), Platão pensava na arte de uma forma muito simples e objetiva, ela servia como um meio de educação para as crianças, transmitindo assim o conhecimento a futuros cidadãos. Com isto, o estudo foi feito junto de empreendedores cujas empresas estão ligadas à rede de incubadoras Portus Park. Foi adotada uma abordagem qualitativa e quantitativa – a quantitativa no que se refere ao tratamento de dados de caraterização da amostra –, os dados foram recolhidos através de entrevistas telefónicas e questionários por e-mail. Os resultados desta investigação sugerem que 65% dos entrevistados não utilizaram o processo criativo de arte aplicado no empreendedorismo e 35% admitem que inconscientemente utilizaram o processo de forma total ou parcial.

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Processo Criativo de Arte Aplicado no Empreendedorismo José Pedro Silva Sousa Julho, 2018 Dissertação de Mestrado em Gestão de Empresas Orientador: Professor Doutor Paulo Jorge Madeira dos Santos José Pedro Silva Sousa Processo Criativo de Arte Aplicado no Empreendedorismo Dissertação de Mestrado em Gestão de Empresas Trabalho realizado sob a orientação do Professor Doutor Paulo Jorge Madeira dos Santos Julho, 2018 AGRADECIMENTOS Faço questão de expressar toda a minha gratidão às pessoas e instituições que me apoiaram durante esta etapa: • A todos os meus entes queridos, pela paciência, compreensão e ajuda que, cada um com o seu jeito e capacidade, foi determinante para que este projeto chegasse a bom porto; • Ao Prof. Doutor Paulo Madeira que aceitou orientar este projeto, tomando sempre posições críticas e objetivas, possibilitando uma caminhada mais simples e concreta; • Ao Prof. Doutor Marco Lamas pelo incentivo na fase inicial e pelos pontos de orientação; • Aos colaboradores do ISVOUGA que se disponibilizaram para qualquer esclarecimento; • E, por fim, a todos os empreendedores que despenderam o seu tempo para a realização da entrevista e por terem fornecido as suas sinceras opiniões. PROCESSO CRIATIVO DE ARTE APLICADO NO EMPREENDEDORISMO RESUMO O presente estudo tem como objetivo principal descobrir se os empreendedores aplicam o processo criativo de arte no empreendedorismo. Porém, primeiro é fundamental entender o que é verdadeiramente a arte, isto é, entender o que é na essência e não olhar no sentido de uma obra de arte (objeto físico ou imaterial). Assim, segundo Coelho (2005), Platão pensava na arte de uma forma muito simples e objetiva, ela servia como um meio de educação para as crianças, transmitindo assim o conhecimento a futuros cidadãos. Com isto, o estudo foi feito junto de empreendedores cujas empresas estão ligadas à rede de incubadoras Portus Park. Foi adotada uma abordagem qualitativa e quantitativa – a quantitativa no que se refere ao tratamento de dados de caraterização da amostra –, os dados foram recolhidos através de entrevistas telefónicas e questionários por e-mail. Os resultados desta investigação sugerem que 65% dos entrevistados não utilizaram o processo criativo de arte aplicado no empreendedorismo e 35% admitem que inconscientemente utilizaram o processo de forma total ou parcial. PALAVRAS-CHAVE: Arte; Empreendedorismo; Processo Criativo; Diferenciação. CREATIVE PROCESS OF ART APPLIED IN ENTREPRENEURSHIP ABSTRACT The present study has as main objective to discover if the entrepreneurs apply the creative process of art in the entrepreneurship. However, first it’s fundamental to understand what is truly art, this is, to understand what is in essence and not look at the meaning of a work of art (piece). Thus, according to Coelho (2005), Plato thought of art in a very simple and objective way, it served as a means of education for children, thus transmitting knowledge to future citizens. With this, the study was made with entrepreneurs whose companies are connected to the network of incubators Portus Park. It was adopted a qualitative and quantitative approach, the quantitative approach to the treatment of data characterizing the sample, the data were collected through telephone interviews and questionnaires by e-mail. The results of this research suggest that 65% of the interviewees didn’t use the creative art process applied in entrepreneurship and 35% admit that they unconsciously used the process in whole or in part. KEY-WORDS: Art; Entrepreneurship; Creative Process; Differentiation. SUMÁRIO O presente trabalho está divido em: introdução; revisão bibliográfica; metodologia; resultados; conclusão; bibliografia; e apêndices. Na introdução é exposto qual o propósito do estudo, o que serviu de inspiração para fazer esta investigação, qual a pergunta de partida, quais os seus objetivos e uma descrição do que se fez nos principais capítulos. Na revisão bibliográfica, não foram apresentados projetos de autores que tenham feito abordagens similares com este estudo, isto porque, durante o momento destinado às leituras não foi encontrado nenhum trabalho com tais abordagens, assim, foi feito um levantamento de todo o conteúdo pertinente para o leitor entender os conceitos que estão em causa, como entender o que é a arte, qual o processo criativo de arte, como avaliar arte, entender a criatividade no empreendedorismo e ainda qual o processo de empreendedorismo. No que diz respeito à metodologia, é explicado os métodos adotados para o estudo, desde a fase da observação, que implicava a escolha do campo de análise, quem se deve analisar, entre outros, até à análise de dados, isto é, como se realizou todo o tratamento dos dados obtidos. No capítulo dos resultados, é apresentada a caraterização da amostra, é exposto o relacionamento de processos, ou seja, é mostrado como os empreendedores conjugam ou como eles pensam que os processos se conjugam e será apresentado o ponto de vista em relação às mais-valias da união destes processos, mediante a opinião dos entrevistados, dado isto, será apresentado um estudo de tendências, isto é, será apresentada a opinião final dos entrevistados mediante cada ponto da caraterização da amostra. Na conclusão, será exposto quais os contributos do estudo para a comunidade científica, quais foram as suas limitações e quais as perspetivas de futuras investigações. Quanto à bibliografia, é a seção destinada para expor todos os autores que serviram de suporte ao trabalho. E por fim, nos apêndices, estão expostos todos os documentos externos gerados pelo investigador. «Tenho em mim todos os sonhos do mundo.» Fernando Pessoa ÍNDICE INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................... 10 PARTE 1 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................................. 12 1.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 12 1.2. ARTE ........................................................................................................................................... 13 1.2.1. O que é a Arte? .................................................................................................................. 13 1.2.2. Processo Criativo de Arte ................................................................................................... 21 1.2.3. Avalição de Arte .................................................................................................................. 22 1.3. EMPREENDEDORISMO ................................................................................................................... 25 1.3.1. A Criatividade no Empreendedorismo ................................................................................ 25 1.3.2. Processo de Empreendedorismo ....................................................................................... 31 PARTE 2 – METODOLOGIA ................................................................................................................ 35 2.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 35 2.2. METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO .................................................................................................. 36 2.2.1. Observação......................................................................................................................... 36 2.2.2. Análise de dados ................................................................................................................ 40 PARTE 3 – RESULTADOS................................................................................................................... 42 3.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 42 3.2. ANÁLISE DOS RESULTADOS ........................................................................................................... 43 3.2.1. Caraterização da Amostra .................................................................................................. 43 3.2.2. Relacionamento de Processos ........................................................................................... 45 3.2.3. Estudo de Tendências ........................................................................................................ 55 CONCLUSÃO ....................................................................................................................................... 61 BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................................................... 64 APÊNDICES .......................................................................................................................................... 70 APÊNCICE A – QUESTIONÁRIO ............................................................................................................... 70 APÊNCICE B – ENQUADRAMENTO TEÓRICO VIA VIDEO ............................................................................ 72 APÊNCICE C – RESPOSTAS .................................................................................................................. 78 APÊNCICE D – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS ...................................................................................... 93 14 As ideias de Santoro (2007) convergem com as de Chalumeau (1997), argumentando que Aristóteles tem uma perspetiva da arte para além da estética, «mas também uma noética do mito (que se configura até como uma abertura para a filosofia) e ainda uma patética das emoções (que se configura como uma abertura para a moralidade).». De forma que a reflecção sobre o sentido da obra de arte não se afaste da reflecção realizada sobre a educação e até mesmo da criação de valores, o que leva a dois níveis: por um lado intelectual, por outro sentimental/moral. Continuando com as ideais de Santoro (2007), Aristóteles herdou de Platão a classe de arte mimética, isto é, de imitação da natureza, porém as artes literárias são consideradas com valor arcaico e as artes não literárias têm um valor de «atividade socialmente inferior». A mimese de Aristóteles é uma antítese à mimese de Platão, que define a imitação como um distanciamento da verdade e o lugar da falsidade e da ilusão, para Aristóteles, a imitação é o lugar da semelhança e da verossimilhança, o lugar do reconhecimento e da representação. Pode-se tomar o seguinte exemplo, quando um artista pinta um quadro de um tigre, esse quadro mostra, para quem nunca esteve na presença de um, como o tigre é, assim a representação tem a capacidade de ensinar, de dar a ver as coisas, numa forma de simples contemplação. Prosseguindo, para Santoro (2007), a função mimética, em Aristóteles, traduz-se numa linguagem humana como forma de representar coisas, ou seja, é a capacidade de atribuir um significado. Resgatando assim o valor tradicional da poesia grega que tinha caraterísticas educadoras e formadoras. Seguindo esta linha de ideias, a diferença de um poeta e de um historiador é que o segundo narra factos acontecidos (o particular) e o primeiro descreve factos que podem acontecer (o universal). Daí que a poesia seja «mais elevada e filosófica que a história». Segundo Chalumeau (1997), Plotino aborda de uma forma diferente o ponto de vista teórico da arte, implementa o conceito de emanação ao invés de o de imitação. O objeto material apenas se torna belo se se integrar do pensamento que emana o divino. Para Plotino, é a arte que tem a capacidade de transcensão da natureza, pois esta, não tem em si a aptidão de conceber o ideal. Os artistas têm o dom de transformarem o objeto material (o feio) em racional (o belo), dado que eles 15 não se contentam em imitar o que veem, têm de aperfeiçoar «a fim de lhes conferir beleza». Júnior (2007) faz uma observação muito semelhante à que foi anteriormente apresentada. Para ele, Plotino propõe a imitação daquilo que dá origem à natureza. «Portanto, o artista produz sua arte através da contemplação imediata do inteligível e pode […] produzir com mais beleza e perfeição que a natureza, pois é capaz de contemplar com mais intensidade do que ela.». Desta forma, seguindo as ideias de Júnior (2007), para Plotino todas as artes são a produção de uma prévia contemplação, pois há um princípio compreensível. A ação, que é um campo de operação inferior ao da produção, é uma mera sombra da contemplação e da razão, dado que o homem que age tem falta de conhecimento, «os homens são levados à ação pelo desejo de contemplar: num ato análogo à contemplação, eles querem ver sensivelmente aquilo que não são capazes ver intelectualmente.», e consequentemente, «Eles desejam que outros homens também vejam o resultado de sua ação, pois isso lhes parece um reconhecimento de valor.». Júnior (2007) conclui que para Plotino, a contemplação é o melhor tipo de conhecimento, unindo o contemplador e o objeto racional. A aquisição de conhecimento é gerada pela motivação das ações das vidas humanas. Pois, conhecer/aprender através do ato contemplativo é o derradeiro objetivo das obras de arte, dada a imitação de toda a existência em qualquer nível da realidade. Assim, a obra de arte é uma expressão válida desse derradeiro objetivo, pois é a expressão da atividade contemplativa do artista. Leonardo da Vinci, segundo Chalumeau (1997), tinha ideias diferentes sobre a conceitualização da arte, descartando a imitação e a emanação. Pois o artista não se pode dissolver em deus, sabendo que ele mesmo é uma espécie de deus. Pois, longe de imitar a natureza, conhece-a em virtude de princípios inventados pela inteligência humana. Apenas esta última se encontra na origem da arte. 16 Barros (2008) argumenta que, para Leonardo da Vinci o grande critério na avaliação do que é a arte ou na avaliação da forma como o artista se expressa, é a completude no sentido em que esta representa a natureza. É a partir desta noção de completude que o famoso italiano coloca a pintura num patamar superior ao das restantes artes, visto que seria mais fácil proporcionar uma boa representação da natureza, através de uma melhor captação direta e imediata. Ou seja, o mais fácil aqui tem em vista o facto de como o contemplador aprecia a pintura, pois por exemplo, em relação à escultura da época, esta carecia da falta de cor. Continuando o raciocínio de Barros (2008), Da Vinci conjugava os dois elementos, a ciência e a arte, numa perspetiva de complementação íntima na sua maneira de apreender o mundo. Sendo a arte concebida como a ciência da representação da natureza. Sendo isto o que capacita Leonardo da Vinci de pronunciar-se sobre uma imitação científica da natureza ao invés da imitação mecânica, pois o conhecimento científico servia como potenciador da arte. «A Ciência, para Da Vinci, devia estar fortemente amparada pela observação e pela experimentação – e ele critica as argumentações científicas idealizadas e desligadas da experiência sensível com o mesmo vigor com que condena as demonstrações baseadas em “argumentos de autoridade”.». Tanto o cientista como o artista, devem ser observadores e experimentadores, sendo que os sentidos deveriam ter uma posição nuclear para a apreensão da realidade. A arte, como estava presente no pensamento do artista italiano, é um caminho para o conhecimento, porém, de uma forma mais especifica, a visão é apresentada como o caminho por excelência do conhecimento. Leonardo da Vinci asseverava que todos os aspetos e elementos da natureza deveriam ser procurados pela imitação artística. Tal como registado nos seus escritos, o artista não deveria estar «interessado no Belo, mas sim no Individual e Característico. O Feio poderia ser tanto objeto da representação artística como o Belo». É verdade que, neste caso, Leonardo da Vinci está se referindo ao rigor geométrico da perspetiva, criação recente da arte Renascentista e que subordinava a matéria da visão à racionalidade de um olho centralizador. De certa maneira, a perspetiva era para Leonardo uma espécie de ponte que unia arte e ciência. Da mesma 17 forma, também é preciso associar a insistência com que Leonardo da Vinci frisa que “a arte é uma coisa mental” a seus interesses bem determinados de elevar o status da pintura entre as demais artes. Desde os períodos clássicos, a pintura havia sido classificada como “arte mecânica”. Afirmá-la como atividade mental e como ciência significa, para a época, elevá-la a um novo patamar – deslocá-la do plano dos artífices para o plano dos grandes criadores e pensadores, e este ponto leva-nos mais uma vez até a já mencionada insistência com que Da Vinci frisa que a verdadeira Arte deve se voltar para uma “representação científica da Natureza e do Mundo”, e não para uma mera “imitação mecânica”, obtida através de artifícios aprendidos pela imitação de mestres anteriores e de recursos facilitadores. Conceber como atividade mental a Arte – e a Pintura, em particular – equivale a trazer para o conjunto de suas preocupações centrais a busca do novo, da superação contínua de novos problemas colocados ao artista, da experimentação, da elaboração da arte como forma privilegiada de conhecimento. (Barros, 2008, p. 9-10) No seguimento de análise das ideias de Da Vinci, Barros (2008) diz que, o pintor italiano tinha a noção do seguinte: as pessoas viam a arte «mais vezes com o intelecto do que com os olhos, propriamente ditos.» e que a arte nasce da ideia que o artista tem em mente, mostrando assim, de uma forma percussora, que a preocupação essencial que cada artista e pensadores da arte deveria ter. Esta preocupação revela um pensamento futurístico da questão mais fundamental da temática em causa, ligando as suas ideias com a geração vindoura. Pois o mais importante não é o produto final, mas sim «a ideia que sustenta uma obra de arte, ou o processo pelo qual se chega até ela». Assim, a arte é instrumento do conhecimento. Segundo Nascimento (2007), Charles Baudelaire foi um forte interlocutor de uma crítica de modernidade, desenvolveu a ideia de que o artista expressa a sua própria temporalidade, explicando que, esta temporalidade é a capacidade de expressar a sua consciência enquanto compreensão da vida contemporânea. 18 Procurou «promover reflexões sobre a materialização da experiência do tempo». Cria ainda uma ideia de dinamismo, isto é, a obra e a crítica, os artistas através da imaginação, têm de fazer viajar o contemplador para o passado e depois trazê-lo de volta ao presente, e não somente apenas fazê-lo viajar ao passado. Desta forma o contemplador não pode só aprender com o passado, mas também ver que tem aplicabilidade no presente. A definição de belo é a chave que constitui a postura de Baudelaire, desafiando a permanência de uma crítica que se fundamenta a partir de elementos que se querem eternos e imutáveis. A relatividade do belo representa a consciência da especificidade de cada época. Desvencilhar-se de regras implica criar mecanismos de leitura que permitam a emergência dos elementos que fazem com que a obra carregue consigo a capacidade de restabelecer os princípios utilizados em seu momento gerador. Dessa forma, a própria obra de arte, ao manifestar-se como atividade autossuficiente em relação às interferências advindas de campos exteriores ao seu domínio, propicia sua interpretação, suscita a sua crítica. A ideia de que o Belo contém o tempo presente transforma esse conceito em algo dinâmico, sempre outro. (Nascimento, 2007, p. 11) Para Chalumeau (1997), Charles Baudelaire considera que a crítica deve ser feita a partir de um ponto de vista que abra um maior número de horizontes. A pintura deve suscitar sentimentos e sonhos e não raciocínios. Segundo Kern (2010), John Ruskin via uma confusão entre a arte e a moralidade, sendo que a crítica deveria libertar a essência e a autoridade do belo e do verdadeiro. A sua crítica era mais contundente em relação à fotografia como arte, porque para ele «a arte depende da ação da alma» e não daquilo que uma mera câmara fotográfica pode fazer, a imagem fotográfica não permite a composição, que é uma caraterística do intelecto ativo que, segundo ele, pode ser percebida pelo contemplador e que é a essência do trabalho artístico, tece, ainda, uma crítica também a fotografias de paisagens, pois elas simplesmente captam a natureza. Ele tem como princípio uma educação estética baseada em métodos artísticos 19 tradicionais e não através das tecnologias apresentadas. A sua crítica focava-se na fotografia comercial e nas gravuras baratas, que eram produzidas em larga escala. Tolstói (1898), na sua obra “O que é a arte?”, faz um levantamento do porquê de a arte ser tão importante na nossa vida e começa logo por fazer uma crítica ao julgar a arte pela beleza. Isto porque, a beleza é um conceito relativo a cada ser humano, ou seja, o que é belo para uma pessoa não significa necessariamente que é belo para outra. E depois como pode uma pessoa dizer que, por exemplo, uma música é bela? Só se pode chamar alguma coisa de bela se agradar ao nosso olhar. Assim, poder-se-ia dizer que a música é boa, mas não o contrário, dado que podemos incluir no conceito de bom o de belo, todavia o inverso não se verifica. Desta forma, Tolstói (1898) sugere que se rejeite a confusa noção de beleza. Continuando nas ideias de Tolstói (1898), este afirma que qualquer definição de arte que tenha como base o prazer que ela proporciona, é imprecisa. «Para definir exatamente a arte, é necessário, antes de tudo, deixar de olhar para ela como um veículo de prazer». Sugerindo que o propósito da arte deve ser, então, na vida do homem e da humanidade, sendo um meio de comunhão entre as pessoas. Qualquer obra de arte faz o recetor entrar numa espécie de comunhão com quem a produziu ou produz e com todos aqueles que simultaneamente ou antes ou depois dele tiveram ou terão a mesma impressão artística. Assim como a palavra que transmite os pensamentos e as experiências das pessoas serve de meio de união das pessoas, do mesmo modo opera a arte. A particularidade deste meio de comunicação que a distingue da comunicação por meio da palavra, consiste no facto de que pela palavra uma pessoa transmite à outra os seus pensamentos, enquanto através da arte as pessoas transmitem umas às outras os seus sentimentos. A atividade da arte é baseada no facto de o homem que recebe pela audição ou pela visão a expressão do sentimento de outro ser capaz de experimentar o mesmo sentimento daquele que o 20 expressou. O exemplo mais simples: uma pessoa ri e outra pessoa sente alegria; chora e a pessoa que ouve pranto fica triste; uma pessoa anima-se, aborrece-se, e outra, olhando para ela, fica no mesmo estado. O homem exprime-se através dos gestos e da entoação o ânimo, a firmeza ou, pelo contrário, o desânimo, a tranquilidade, e seu estado de espírito transmite-se aos outros. O homem sofre, manifestando por gemidos e queixumes o seu sofrimento, e este sofrimento transmite-se aos outros; o homem exprime o seu sentimento de admiração, de veneração, de temor, de respeito perante certos objetos, certas faces, certos fenómenos, e as outras pessoas contagiam-se, experimentam os mesmos sentimentos de admiração, veneração, de temor, de respeito perante os mesmos objetos, faces, fenómenos. Ora, é nesta capacidade das pessoas de serem contagiadas pelos sentimentos de outras pessoas que baseia a atividade artística. Contudo, se um homem contagia outro ou outros com a sua aparência ou com os sons produzidos no mesmo instante em que experimenta o sentimento, fazendo outra pessoa bocejar quando ele próprio boceja, ou ri ou chora quando ele próprio ri ou chora por alguma razão, ou sofrer quando ele próprio sofre, isto ainda não é arte. A arte começa quando o homem, com o propósito de transmitir às outras pessoas um sentimento experimentou certa vez, e provoca de novo em si e o expressa por certos sinais exteriores. (Tolstói, 1898, p. 79-81) Para Kosuth (1969) a capacidade de existência da arte dependerá não só de não realizar um serviço – como o entretenimento ou a experiência visual – mas, em vez disso, permanecerá viável ao não assumir uma posição filosófica. Pois o caráter único da arte é a capacidade de permanecer distante dos julgamentos filosóficos. É neste contexto que a arte compartilha semelhanças com a lógica, a 21 matemática e, também, com a ciência. Mas enquanto os outros empreendimentos são úteis, a arte não é. A arte realmente existe por sua própria causa. Neste período do homem, após a filosofia e a religião, a arte pode ser um empreendimento que cumpre o que outra idade poderia ter chamado de "necessidades espirituais do homem". Ou, de outra maneira, pode ser que a arte trate de maneira análoga ao estado das coisas além da física, onde a filosofia teve que fazer asserções. A única reivindicação da arte é para a arte. A arte é a definição de arte. Segundo Oliveira, Albuquerque e Torres (2010) a arte gera informações subjetivas, empíricas e emocionais, acessíveis a qualquer ser humano. Compreender a arte como conhecimento significa compreender a interação entre público e arte. A sociedade ajuda a moldar a experiência artística como uma experiência subjetiva, tanto em termos de individualidade quanto em termos de estrutura. Pensar no indivíduo como o centro do processo estético leva à ideia da estética do sujeito. O conceito-chave desta ideia é o assunto: quando o observador se tornou um elemento participante, quase coautor do trabalho interativo, ele tornase o centro da questão estética, um assunto com um papel fundamental para a compreensão da arte. A sua relação e interação com o trabalho são as principais ideias dessa hipótese. 1.2.2. PROCESSO CRIATIVO DE ARTE Tal como referido por Kneller (citado por Mello, 2008) o processo criativo de arte é composto por cinco fases a apreensão, a preparação, a incubação, a iluminação e a verificação. Desta forma, segundo Kneller (citado por Mello, 2008), a apreensão é a primeira fase, onde é apreendida a ideia a ser desenvolvida ou problema a ser resolvido. É o momento em que o artista se depara perante uma questão que necessite de uma solução criativa. A fase da preparação, para Kneller (citado por Mello, 2008), tem em conta um pequeno paradoxo, pois significa fazer uma investigação com o fim de ver o que outros artistas já fizeram até ao momento dentro da mesma questão de partida, servindo como um trampolim de projeção da imaginação. 22 Perante Kneller (citado por Mello, 2008), na terceira fase, a incubação, é a altura em que a maturação de ideias entra em cena. Sendo uma fase onde o artista simplesmente elabora, ou seja, o criador pode simplesmente afastar-se do processo que até então vinha a desenvolver, isto porque assim evita o desgaste e quando voltar, traz novas ideias para a resolução da questão levantada. A fase que se segue, segundo Kneller (citado por Mello, 2008), é a da iluminação, é o momento em que o artista resolve a questão de partida através de um momento inspirador, sendo este o «clímax da criação». Por fim, para Kneller (citado por Mello, 2008), a verificação, é a última fase deste processo e consiste numa revisão sobre tudo o que foi feito no processo. Neste momento o criador usa o intelecto e o julgamento para terminar a obra que a imaginação iniciou. Um processo de revisão onde as determinações da inspiração são conscientemente elaboradas, alteradas e corrigidas. 1.2.3. AVALIÇÃO DE ARTE A avaliação de arte surge com o propósito de distinguir o que é ou não uma obra de arte. Para Tolstói (1898), o contágio é o sinal claro que diferencia a arte verdadeira da falsa. Um sinal indubitável que distingue arte verdadeira da falsa é o contágio. Se a pessoa sem qualquer esforço da sua parte e sem qualquer mudança da sua situação, ao ler, ouvir, ver a obra de outra pessoa, experimentar um estado de espírito que o une a essa pessoa e a outras que, tal como ela, percecionam o objeto da mesma forma, então o objeto que provoca esse estado é um objeto de arte. Por mais poético, semelhante ao autêntico, impressionante ou interessante que seja o objeto, não é arte se não provocar na pessoa aquele sentimento, totalmente diferente dos demais, de alegria e de união espiritual com outro (o autor) e com outros (ouvintes ou espectadores), que percecionam a mesma obra de arte. (Tolstói, 1898, p. 192-193) 23 Da leitura anterior, retém-se que a obra de arte deve proporcionar um tal contágio, que, para Tolstói (1898), permita unir o artista e o contemplador de tal forma que o objeto pareça ser feito pelo ouvinte ou espectador, «e que tudo aquilo que se exprime por meio deste objeto é exatamente aquilo que há muito ele desejava expressar.». Desta forma, segundo Tolstói (1898) este grau contágio depende de três condições, a particularidade, a clareza e a sinceridade. Quanto mais particular o sentimento transmitido, mais forte é o efeito produzido no contemplador. O contemplador sente tanto mais prazer, quanto mais especial for o estado de espírito para que é levado, e por isso se une a ele com mais força e maior vontade. Por outro lado, a clareza de expressão do sentimento contribui para o contágio porque, unindo-se com o autor na sua consciência, o contemplador fica tanto mais satisfeito quanto mais claramente é expresso esse sentimento que, segundo lhe parece, já conhece e sente há muito tempo, e para o qual só agora encontrou expressão. Mais do que tudo, o grau de contágio da arte aumenta com o grau de sinceridade do autor. Assim que o espectador, ouvinte, leitor sente que o próprio autor está contagiado pela sua obra e escreve, canta, toca para si próprio, e não só para influenciar os outros, esse estado de espírito do autor contagia o contemplador. Inversamente, assim que o espectador, leitor ou ouvinte sente que o autor escreve, canta, toca, não para sua própria satisfação, mas para o público, não sentindo, portanto, aquilo que quer expressar, dá-se uma resistência e nem o mais novo e extraordinário sentimento, nem a técnica mais delicada não só não provocam impressão alguma como causam ate repulsão. (Tolstói, 1898, p. 194-195) Seguindo as ideias de Tolstói (1898), então para se avaliar uma obra de arte, quanto ao facto de ser verdadeiramente arte, deve-se ter em conta se o objeto em causa se trata de arte autêntica, se se trata de arte religiosa ou arte universal; 30 prazo. Assim, a par do que já foi mencionado na citação: Amabile et al. (citados por Matthews, 2007) num parágrafo anterior, Amabile (citada por Adams, 2005), sugere que a gerência reforce a motivação intrínseca através do foco em seis áreas: desafio; liberdade; recursos; caraterísticas de trabalho em grupo; encorajamento dos supervisores; suporte organizacional. Desta forma, para Amabile (citada por Adams, 2005), a área do desafio compreende que a gerência combine pessoas em trabalhos desafiantes de maneira otimizada. Quanto à liberdade, é importante dar ao trabalhador a autonomia de escolha de metas (não necessariamente as finais) isto porque aumenta a criatividade. Recursos em tempo e dinheiro são importantes, em algumas circunstâncias, a pressão do tempo pode aumentar a criatividade, aumentando a urgência e o senso de desafio, mas os prazos falsos ou incrivelmente apertados criam desconfiança e causam esgotamento. Num estudo com 177 funcionários em 22 projetos de sete empresas, Amabile (citada por Adams, 2005) descobriu que as pessoas são menos criativas sob pressão de tempo, apesar do facto de acharem que são mais fortes. As caraterísticas do grupo de trabalho estão relacionadas com a criação de um grupo com pessoas com perspetivas distintas e que cada uma saiba reconhecer o valor que cada individuo traz para a mesa de trabalho. O encorajamento dos supervisores está diretamente relacionado com o facto de que as organizações que toleram o fracasso e incentivam a tomada de riscos têm maior probabilidade de ver inovações bem-sucedidas. Por fim, o suporte organizacional carateriza-se pelo contágio que trabalhadores empolgados conseguem transmitir aos seus colegas e onde há uma partilha e colaboração de informações. 31 1.3.2. PROCESSO DE EMPREENDEDORISMO Para Fayolle (2007), o processo de empreendedorismo é composto por várias decisões baseadas na forma como os indivíduos percebem e analisam situações de acordo com os seus objetivos, motivações, recursos e com o meio ambiente. Assim, apresenta um meta-modelo, composto por seis posições, destinado a ser aplicável a todos os processos que apoiam o ato empreendedor, tendo em conta que numa perspetiva teleológica, é a configuração estratégica instantânea percebida pelo individuo que controla e conduz o processo. A posição 0, segundo Fayolle (2007), é o momento em que o individuo não tem a perceção de que está perante uma oportunidade de empreendimento. O não aproveitamento da oportunidade é justificado através da falta de informação, resultante da educação, personalidade ou ambiente do indivíduo. Na posição 1, para Fayolle (2007), o individuo já tem a perceção da possibilidade de criar a sua própria empresa. Os indivíduos nesta situação têm a informação necessária para conhecer e entender o que significa um negócio, mas essa possibilidade não é realizada e não é pensada. Perante Fayolle (2007), a posição 2 significa que o ato de criação de negócios é considerado. Nesse caso, os indivíduos consideram isso como uma possível alternativa às suas situações atuais. Os indivíduos têm um projeto de empreendimento em mente, mas ainda não é muito preciso; é mais uma intenção do que um projeto. Os potenciais empreendedores tentam identificar uma possível ideia de negócio, começam a procurar informações e prestar atenção a tudo o que se relaciona com a criação de empreendimentos. No entanto, nesta fase, eles dedicam pouco tempo e energia a essa atividade. Esta situação pode durar muito tempo e estanca quando o indivíduo vai para o próximo passo ou opta por sair. Na posição 3, segundo Fayolle (2007), a ação é desejada, os indivíduos focam-se ativamente na conceção de uma ideia, enquanto, paralelamente, mantêm os seus postos de emprego. A diferença em comparação à posição 2, é que nesta o individuo gasta mais tempo, energia e recursos. Esta ação pode levar ao abandono 32 do projeto, dado os custos a suportar e ao cansaço acumulado entre o emprego e o empreendimento. A posição 4, para Fayolle (2007), traduz que a ação deixa de ser desejada e passa a ser tomada. Nesta fase, são tidas em conta as várias etapas necessárias para a nova entidade económica: locação ou compra de instalações e equipamentos de produção necessários, negociação de negócios com fornecedores e clientes, recrutamento de pessoal, procedimentos legais e financeiros. A nova organização está pronta para operar, começa a produzir e a comercializar. Neste ponto, voltar para trás é muito difícil, até impossível, porque os custos financeiros e psicológicos seriam muito altos. A empresa start-up, ainda está numa posição delicada, continua a ser frágil e de consumo de recursos, especialmente em termos de energia pessoal. Pode chegar ao seu ponto de equilíbrio financeiro e atingir a quinta posição, mas também pode enfrentar dificuldades que podem, mesmo nesta fase, levar ao fracasso ou à exclusão. Por fim, perante Fayolle (2007), a posição 5 significa que a ação está completa. A empresa alcançou o seu saldo operacional. Tornou-se uma entidade económica reconhecida pelos seus parceiros externos, ou seja, o empreendedor provou que o seu projeto era viável e agora é um gestor de empresa. A fase de emergência acabou, porém, na maioria dos casos, a relação empresário/iniciante permanece. Kuratko (2016) argumenta que o pensamento de que não há ideias é erróneo, estamos rodeados de ideias e são fáceis de encontrar, o problema reside no número de oportunidades viáveis. Desta forma, o fundamental é identificar oportunidades de empreendedorismo. Assim, na origem de uma oportunidade está a ideia. Uma oportunidade de empreendedorismo surge quando um empresário reconhece e sustenta o potencial de uma ideia para que uma nova empresa ofereça um produto ou serviço que resolva um problema real ou traga valor para um cliente. As melhores oportunidades de negócios podem ser as que resolvem os problemas da vida quotidiana, às vezes referidos como o ponto de dor. Ou seja, parte por identificar qual é a dor, verificar como de momento estão a tratar essa dor e apurar, se este novo produto, resolve essa dor de melhor forma do que a concorrência. Se a 33 ideia resolve a dor ou acrescenta valor, trata-se de uma oportunidade altamente atrativa. De uma forma objetiva, Kuratko (2016) considera um modelo de processo de empreendedorismo, onde num primeiro instante existe a oportunidade, dada esta oportunidade é desenvolvida uma avaliação genérica do contexto em que a oportunidade surge. «Todos os fatores contextuais que podem influenciar a criação de valor são descobertos, avaliados, testados e verificados.». É aqui que o empreendedor procura identificar riscos e incertezas para os quais devem ser desenvolvidas estratégias com o intuito de controlar ou reduzir esses riscos ou incertezas. A avaliação é um processo interativo e repetitivo. Após a avaliação, segundo Kuratko (2016), é dado o lugar à criação do modelo de negócio. Esta é a fase em que o empreendedor está certo de que vai criar valor e que vai capturar uma parte desse valor para ele mesmo. Dado isto, para Kuratko (2016), o empreendedor tem que se submeter à seguinte fase, a de compromisso, este é o momento onde se assumem todas as obrigações e as eventuais consequências. Porém este compromisso de nada serve se o empreendedor não o começar a explorar, sendo este o campo de negócios em si mesmo. Com isto, resumindo as ideias de Kuratko (2016), o processo resume-se em cinco fases: obter a oportunidade; avaliar a oportunidade; criar o modelo de negócio; assumir um compromisso; e proceder à sua exploração, tendo sempre em vista a criação de valor. Este processo inclui três categorias inter-relacionadas: a de domínio estratégico, que requer uma capacidade empresarial e abrange as três primeiras fases; a de domínio pessoal, que requer uma capacidade psicológica e abrange a terceira e quarta fase; e a de domínio tático, que requer uma capacidade de gestão e abrange a quarta e quinta fase, tendo como fim a criação de valor. Segundo Matthews (2007), o processo de empreendedorismo passa pelo desejo de se iniciar um negócio ou pela descoberta da ideia de negócios, e a partir daí desenvolver uma solução, de um problema, pela qual um determinado grupo de pessoas esteja disposta a comprar. Segundo Davidsson (citado por Matthews, 34 2007), descreve o processo de empreendedorismo como um conjunto de momentos como a descoberta e a explosão, ou seja, num primeiro momento é descoberta a oportunidade, este momento inclui fases como: deteção da oportunidade; desenvolvimento da oportunidade; refinação da oportunidade; criação de valor. Já o momento da explosão está relacionado com a ação/criação, isto é, com a implementação das ideias, este momento inclui fases como: esforços para legitimar a start-up, esforços para adquirir recursos, esforços para combinar e coordenar esses recursos através da criação de uma organização funcional e esforços para gerar procura através do marketing e contactos com possíveis clientes. 35 PARTE 2 – METODOLOGIA 2.1. INTRODUÇÃO A investigação empírica foi baseada nos ensinamentos de Quivy e Campenhoudt (1995), como forma de sustentar e validar toda a investigação. Desta forma, primeiramente, foi desenvolvido o plano de observação, detalhando o que se deve observar, quem se deve observar e como se deve observar. Dadas as caraterísticas deste projeto, estamos perante o método estudo de caso, isto porque, para Crowe et al. (2011) a abordagem do estudo de caso é adequada para uma investigação no campo das ciências socias onde a pesquisa tenha como fim a compreensão de uma questão complexa num contexto de vida real. A segunda fase, foi dedicada à análise das informações. O método utilizado para o tratamento da informação foi a análise de conteúdo, sabendo que para Quivy e Campenhoudt (1995) «o método de entrevistas está sempre associado a um método de análise de conteúdo.», isto porque, este método permite associar a informação à explicação da investigação científica. Assim, foi explicado todos os passos executados na análise da informação obtida. Em jeito de nota informativa, foram ocultadas todas as informações das empresas entrevistadas como forma de proteção do anonimato, como por exemplo, o nome da empresa ou o seu produto. 36 2.2. METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO 2.2.1. OBSERVAÇÃO O primeiro momento da investigação foi focado na definição dos dados necessários para responder às hipóteses levantadas (Quivy e Campenhoudt, 1995). Desta forma, os dados devem ser levantados junto dos empreendedores com empresas criadas à 4 anos ou menos, sendo crucial a recolha de dados de caraterização da amostra (género, idade, grau académico e o tipo de empreendedor) e dados relativos à compreensão dos empreendedores tendo em conta o processo criativo de arte e o processo de empreendedorismo. O campo de análise consiste no estudo de uma amostra representativa da população, dado que se trata de uma população grande. Assim, a amostra foi recolhida junto de líderes de empresas que mostraram abertura para realizar a entrevista. Essas empresas tinham que ter 4 anos ou menos de atividade, cujas raízes estivessem ligadas às áreas das novas tecnologias, eletrónica ou software e que operassem em incubadoras pertencentes à rede da Portus Park. O critério relacionado com o facto de as empresas terem 4 anos ou menos de atividade serve para garantir que estamos perante empresas, ainda, numa fase jovem, quanto ao critério de que as empresas têm de ter raízes na área das novas tecnologias, eletrónica ou software possui como objetivo recolher informação de empresas cuja indústria apela muito ao conceito de criatividade. Por fim, quanto ao critério de que as empresas têm de pertencer à rede da Portus Park, tem apenas como razão a proximidade territorial. Mediante isto fez-se uma observação indireta, dado que para Quivy e Campenhoudt (1995) o investigador dirige-se diretamente com o interlocutor para fazer a recolha de informação. Foi utilizado tanto o questionário como a entrevista, porém o questionário foi apenas utilizado em três situações, dado que os interlocutores não mostraram ter disponibilidade para responder à entrevista, desta forma o questionário online tinha as mesmas perguntas que a entrevista normal, que serão expostas a partir do próximo parágrafo, e detinha um vídeo explicativo (Apêndice B) com o enquadramento teórico e, claro, continha ainda o contacto do investigador caso houvesse alguma dúvida ou questão. 37 Dado isto, a entrevista com o interlocutor iniciava-se formalmente, e as primeiras perguntas eram de etimologia quantitativa, com o intuito de caraterizar a amostra. As três primeiras perguntas fazem parte daquele grupo de perguntas clichê, a primeira está relacionada com o género da pessoa, a segunda com a idade e a terceira com o grau académico. A quarta pergunta tinha como fim saber se o interlocutor é um empreendedor por necessidade ou por oportunidade, ou seja, pode ser um empreendedor por necessidade se, por meio das condições que a vida lhe proporcionou, foi forçado a ser um empreendedor, ou em caso contrário se é um empreendedor por oportunidade, se de facto o interlocutor se deparou com uma oportunidade de negócio e resolveu aproveitá-la. A título de nota, esta pergunta era a única de carater não obrigatório. Esta caraterização da amostra é importante para saber se há tendências diferentes entre os homens e as mulheres, ou entre pessoas mais velhas e mais novas, etc… existe uma panóplia de cruzamento de informação que pode ser relevante para obtenção de conclusões. Em suma, as perguntas de origem quantitativa são: • Qual o seu género? • Qual a sua idade? • Qual o seu grau académico? • Que tipo de empreendedor se considera? Com isto, o próximo conjunto de perguntas são de índole qualitativa e têm como objetivo despertar uma consciencialização dos dois processos e dar resposta à pergunta de partida. As perguntas que se seguem são baseadas no modelo de processo de empreendedorismo apresentado por Kuratko (2016), e também no modelo de processo criativo apresentado por Mello (2008), contudo as perguntas só são feitas depois de um enquadramento do tema, portanto, antes de cada pergunta é explicado o que se pretende com cada uma delas. O objetivo, das primeiras quatro perguntas, é intercalar o processo criativo de arte com o de empreendedorismo, isto é, conjugar etapa a etapa de ambos processos de forma a entender como veem essa relação, a penúltima pergunta existe apenas para encerrar o processo de empreendedorismo, pois não tem grande impacto conclusivo, e na pergunta final o 38 objetivo é saber se os empreendedores usaram de facto o processo criativo ou não. Assim, será aqui apresentada a forma como as perguntas foram feitas, ou seja, como se fez o enquadramento teórico da questão e posteriormente qual a questão. Resta ressalvar que antes de colocar em prática a observação, foram feitos testes com empresários, com o intuito de refinar as perguntas e como as colocar. Então, a primeira pergunta consiste no que Kuratko (2016) apresenta como a perceção da oportunidade de empreendedorismo, pois embora, mesmo que por de trás da oportunidade esteja a ideia, se a ideia for fraca não vai ter pés para andar, contudo, se a ideia for boa e tiver potencial para resolver um problema real ou que traga valor para um cliente, essa é uma boa oportunidade. A par disto, Kneller (citado por Mello, 2008), apresenta o momento da apreensão, que é quando o artista se depara com um problema e resolve solucionar com uma ideia criativa, isto é, tem a oportunidade de solucionar um problema. Assim a pergunta a colocar é: • Que sentido faz o relacionamento entre o momento da perceção de uma oportunidade de empreendedorismo com o momento de apreensão do artista? A segunda pergunta toca no tema da avaliação da oportunidade, que para Kuratko (2016) está relacionado com a avaliação de todos os fatores inerentes que têm de ser devidamente estudados, de forma a entender quais são os possíveis riscos. Analogamente, pela pesquisa de Mello (2008), a segunda etapa é a preparação, ou seja, um estudo; ver o que os outros desenvolveram, para isto servir de trampolim para a projeção da imaginação. Com isto desenrola-se mais uma pergunta a colocar: • Que sentido faz o relacionamento entre o momento da avaliação da oportunidade com o momento de preparação do artista? Posteriormente, a pergunta número três, tem o intuito de saber se após isto o empreendedor começa a criar o negócio, segundo Kuratko (2016) este é o momento em que o empreendedor sente que vai criar valor com o negócio e vai capturar uma parte desse valor. Paralelamente, segundo o estudo de Mello (2008), a terceira etapa do processo criativo de arte é a incubação, onde o artista desenvolve, 39 onde começa a criar, embora possa haver um período de afastamento. E posteriormente, na quarta etapa do processo criativo de arte, o da iluminação, onde o artista resolve o problema até lá não solucionado. Seguindo isto, a pergunta que decorre destas ideias é: • Que sentido faz o relacionamento entre o momento da criação do negócio com o momento de incubação e de iluminação do artista? A questão quatro, tem como objetivo perceber se, após estas etapas, o empreendedor assume um compromisso, segundo Kuratko (2016), esta fase é o momento em que o empreendedor assume as obrigações e as consequências, pois já tem tudo pronto para arrancar com o negócio. Seguindo a corrente de ideias, o modelo de processo criativo de arte de Kneller (citado por Mello, 2008), apresenta o quinto e último momento, o da verificação, onde é constatado e analisado toda a obra realizada. Com isto, surge a seguinte pergunta: • Que sentido faz o relacionamento entre o momento em que o empreendedor assume o compromisso com o momento de verificação do artista? A penúltima pergunta é feita apenas com o intuito de finalizar o processo apresentado por Kuratko (2016), que está relacionado com o início da exploração do negócio, não sendo, assim, relevante do ponto de vista do relacionamento entre os dois processos. Desta forma a pergunta resultante é: • Após todo este processo deu início à exploração do seu negócio? Por fim, a última pergunta, tem o intuito de saber objetivamente se o empreendedor aplicou ou não o processo criativo de arte no empreendedorismo e saber a sua respetiva opinião sobre este tema. • O que acha deste cruzamento de conceitos? Utilizou? 46 Gráfico 5 - Pergunta 05 Fonte: Elaboração própria. Da pergunta 05 resultaram três conclusões extra (categorias): acrescentar valor; inovação; princípios e fins distintos. Isto é, efetuou-se um agrupamento de respostas mediante o que o entrevistado dizia. O primeiro conjunto, o de acrescentar valor, refere-se às respostas que diziam que estas etapas são importantes para que o empreendedor acrescente valor no mercado com o seu novo produto, já o segundo conjunto, da inovação, aponta que estas etapas são importantes tendo em conta o fator de inovação, de marcar pela diferença, já o último conjunto está relacionado ao entendimento de que embora, os entrevistados, pensem que as duas etapas estão relacionadas, assumem que os princípios e os fins do empreendedor são diferentes dos do artista. Cientificamente, segundo LaSalle e Britton (citado por Gentile, 2007), acrescentar valor não é apenas vender experiências memoráveis, mas também possibilitar ao cliente viver todos os momentos do relacionamento com uma empresa de forma excelente, mesmo além de suas expectativas. Para Rasquilha (2016) a inovação é colocar ideias novas em ação. Com isto, observando o Gráfico 6 - Conclusão Extra da Pergunta 05, verifica-se que 44% empreendedores descrevem que a conjugação destas etapas 96% 4% Que sentido faz o relacionamento entre o momento da perceção de uma oportunidade de empreendedorismo com o momento de apreensão do artista? Estão relacionados Não estão relacionados 47 traz mais-valias no que concerne ao acréscimo de valor do produto para o mercado, 39% no que respeita a um benefício tendo em conta o fator da inovação e por último, 17% dos empreendedores afirmam que, embora relacionem a primeira etapa, os princípios e os fins do empreendedor e do artista são diferentes. Gráfico 6 - Conclusão Extra da Pergunta 05 Fonte: Elaboração própria. Os gráficos 7 e 8 tratam a pergunta 06 (Que sentido faz o relacionamento entre o momento da avaliação da oportunidade com o momento de preparação do artista?) da entrevista, que é responsável pela comparação da etapa da avaliação da oportunidade (processo de empreendedorismo) e da preparação (processo criativo de arte). Desta forma, analisando o Gráfico 7 - Pergunta 06, conclui-se que há uma unanimidade de respostas, 100% dos entrevistados concordam com o relacionamento da segunda etapa de ambos processos. 44% 39% 17% Conclusão Extra da Pergunta 05 Acrescentar valor Inovação Principios e fins diferentes 48 Gráfico 7 - Pergunta 06 Fonte: Elaboração própria. Da pergunta 06 resultaram três conclusões extra (categorias): alicerçar/avaliar; diferenciação; acrescentar valor. Isto é, efetuou-se um agrupamento de respostas mediante o que o entrevistado disse. O primeiro conjunto, o de alicerçar/avaliar, refere-se às respostas que apontam que esta conjugação é ideal para se pensar bem no que se vai fazer, avaliando todas as hipóteses possíveis, já o segundo conjunto, o da diferenciação, induz que este é o momento indicado para preparar o produto tendo em conta que é fundamental diferenciar o produto de todos os outros, já o último conjunto, o de acrescentar valor, refere-se às respostas que diziam que estas etapas são importantes para que o empreendedor acrescente valor no mercado com o seu novo produto. Com isto, observando o Gráfico 8 - Conclusão Extra da Pergunta 06, 61% dos empreendedores descrevem que esta conjugação de etapas traz mais-valias tendo em conta o fator de alicerçar/avaliar o produto para o mercado, 22% no que respeita a um benefício tendo em conta o fator da diferenciação e por último, 17% dos empreendedores afirmam que, embora relacionem a primeira etapa, os princípios e os fins do empreendedor e do artista são diferentes. 100% 0% Que sentido faz o relacionamento entre o momento da avaliação da oportunidade com o momento de preparação do artista? Estão relacionados Não estão relacionados 49 Gráfico 8 - Conclusão Extra da Pergunta 06 Fonte: Elaboração própria. Os gráficos 9 e 10 tratam a pergunta 07 (Que sentido faz o relacionamento entre o momento da criação do negócio com o momento de incubação e de iluminação do artista?) da entrevista, que é responsável pela comparação da etapa da criação do negócio (processo de empreendedorismo) e da incubação e iluminação (processo criativo de arte). Desta forma, analisando o Gráfico 9 - Pergunta 07, constata-se que 88% dos entrevistados concordam com o relacionamento da segunda etapa de ambos processos e que apenas 12% discordam. Gráfico 9 - Pergunta 07 Fonte: Elaboração própria. 61% 22% 17% Conclusão Extra da Pergunta 06 Alicerçar/Avaliar Diferenciação Acrescentar valor 88% 12% Que sentido faz o relacionamento entre o momento da criação do negócio com o momento de incubação e de iluminação do artista? Estão relacionados Não estão relacionados 50 Da pergunta 07 resultaram quatro conclusões extra (categorias): valorização da criação artística; desenvolvimento; não permite isolamento; inspiração/criatividade. Isto é, mais uma vez efetuou-se um agrupamento de respostas perante o que o entrevistado dizia. O primeiro conjunto, o de valorização da criação artística, resulta do facto de os empreendedores acharem que o processo de criar algo, no ponto de vista do artista, era mais completo e difícil. O segundo conjunto, o do desenvolvimento, destaca o facto de ser o momento de desenvolver o produto, mas sempre numa perspetiva de preparar algo forte. O terceiro conjunto, o de não permite isolamento, refere-se às respostas que diziam que para o empreendedor é difícil ter o momento onde se afaste e depois volte com o momento de iluminação, o de “eureca”. Por fim, o conjunto referente à inspiração/criatividade, serve para as respostas que destaquem o momento de inspiração e de criatividade do empreendedor. Cientificamente, segundo Lubart (citado por Matthews, 2007) a criatividade é a capacidade de criar algo novo ou original mediante as restrições de tarefa. Com isto, observando o Gráfico 10 - Conclusão Extra da Pergunta 07, constata-se que 58% dos empreendedores descrevem que esta conjugação de etapas traz mais-valias tendo em conta o fator de desenvolvimento do produto para o mercado, 31% no que respeita a valorização da criação artística, 21% refere-se ao proveito da inspiração/criatividade e por último, 13% dos empreendedores afirmam que o mundo dos negócios não permite o afastamento. 51 Gráfico 10 - Conclusão Extra da Pergunta 07 Fonte: Elaboração própria. Os gráficos 11 e 12 tratam a pergunta 08 (Que sentido faz o relacionamento entre o momento em que o empreendedor assume o compromisso com o momento de verificação do artista?) da entrevista, que é responsável pela comparação da etapa do compromisso (processo de empreendedorismo) e da verificação (processo criativo de arte). Desta forma, analisando o Gráfico 11 - Pergunta 08, constata-se que 94% dos entrevistados concordam com o relacionamento de ambos processos e que apenas 6% discordam. Gráfico 11 - Pergunta 08 Fonte: Elaboração própria. 31% 56% 13% 21% Conclusão Extra da Pergunta 07 Valorização da criação artística Desenvolvimento Não permite o isolamento Inspiração/ Criatividade 94% 6% Que sentido faz o relacionamento entre o momento em que o empreendedor assume o compromisso com o momento de verificação do artista? Estão relacionados Não estão relacionados 52 Da pergunta 08 resultaram três conclusões extra (categorias): fins distintos; recetividade/polimento; tempo. Ou seja, efetuou-se, mais uma vez, um agrupamento de respostas mediante o que o entrevistado respondia. O primeiro conjunto, fins distintos, resulta do facto dos empreendedores acharem que o propósito dos artistas é diferente do empreendedor. O segundo conjunto, recetividade/polimento, segmenta-se nas ideias dos empreendedores que afirmam que colocar o produto no mercado é a melhor maneira de testar a recetividade do produto e que esse mercado acaba por polir o produto, visto que se o pode adaptar no futuro. O terceiro conjunto, o do tempo, refere-se às respostas que afirmam que não se deve perder tempo em colocar o produto no mercado. Com isto, observando o Gráfico 12 - Conclusão Extra da Pergunta 08, verifica-se que 69% dos empreendedores descrevem que esta conjugação de etapas traz proveitos tendo em conta o fator de recetividade/polimento do produto para o mercado, 19% no que respeita com o tempo que se leva a colocar o produto no mercado e 13% referem que os fins do empreendedor e do artista são distintos. Gráfico 12 - Conclusão Extra da Pergunta 08 Fonte: Elaboração própria. O gráfico 13 trata a pergunta 09 (Após todo este processo deu início à exploração do seu negócio?) da entrevista, que é relativa, unicamente, ao processo de empreendedorismo. Desta forma, analisando o Gráfico 13 - Pergunta 09, constata-se que 100% dos entrevistados afirmam que “Sim”. 13% 69% 19% Conclusão Extra da Pergunta 08 Fins distintos Recetividade/ Polimento Tempo 53 Gráfico 13 - Pergunta 09 Fonte: Elaboração própria. Os gráficos 14 e 15 tratam a pergunta 10 (O que acha deste cruzamento de conceitos? Utilizou?) da entrevista, que é responsável por dar resposta à pergunta de partida. Será que afinal os empreendedores utilizaram o processo criativo de arte aplicado no empreendedorismo? E o que eles pensam sobre isso? Pois bem, analisando o Gráfico 14 - Pergunta 10, constata-se que 0% dos empreendedores afirmam que utilizaram o processo criativo de arte aplicado no empreendedorismo, 65% afirmam que não utilizaram e 35%, curiosamente, admitem que nunca pensaram nesta aplicação do processo criativo de arte, porém admitem que de forma inconsciente acabaram por o utilizar de forma total ou parcial. Desses 35%, das 6 respostas suficientemente conclusivas, 50% admite ter utilizado o processo de forma parcial e a outra metade admite ter utilizado de forma total o processo criativo de arte aplicado no empreendedorismo (Apêndice D.11). 0% 100% Após todo este processo deu inicio à exploração do seu negócio? Não Sim 54 Gráfico 14 - Pergunta 10 Fonte: Elaboração própria. Da pergunta 10 resultaram duas conclusões extra (categorias): potencialização; diferenciação. Por um lado, um grupo de empreendedores acredita que a utilização do processo criativo de arte aplicado no empreendedorismo tem mais-valias no que respeita a potencialização do produto no mercado, isto é, na criação de valor, de ser um produto forte e robusto. E por outro lado um grupo de empreendedores acredita que a utilização deste processo destaca o fator da diferenciação do produto. Com isto, observando o Gráfico 15 - Conclusão Extra da Pergunta 10, constata-se que 62% dos empreendedores acreditam que o processo é uma maisvalia para a diferenciação do produto e que 38% acreditam que o processo é proveitoso para a potencialização do produto. 0% 65% 35% O que acha deste cruzamento de conceitos? Utilizou? Utilizou Não utilizou Inconscientemente 55 Gráfico 15 - Conclusão Extra da Pergunta 10 Fonte: Elaboração própria. 3.2.3. ESTUDO DE TENDÊNCIAS O estudo de tendências compara as respostas obtidas através da pergunta 10, com as respostas que caraterizam a amostra levantada, ou seja, com o género, idade, grau académico e com o tipo de empreendedor. Desta forma, a Tabela 1 - Conclusão Extra da Pergunta 10 & Género, mostra que 27% das pessoas que responderam “Não” são do género feminino e 73% das pessoas pertencem ao género masculino. Quanto às pessoas que responderam “Inconsciente”, 38% são do género feminino e 63% são do masculino. Mas verificando o número de quantidade constata-se que do género feminino 4 responderam que “Não” e 3 que “Inconsciente”, indicando que, são valores muito próximos, já as pessoas do género masculino mostram um maior afastamento, com 11 a responder que “Não” e 5 que “Inconsciente”. Tabela 1 - Conclusão Extra da Pergunta 10 & Género Não Inconsciente Potencialização Diferenciação Quant. Perc. Quant. Perc. Quant. Perc. Quant. Perc. Feminino 4 27% 3 38% 3 38% 2 15% Masculino 11 73% 5 63% 5 63% 11 85% Fonte: Elaboração própria. 38% 62% Conclusão Extra da Pergunta 10 Potencialização Diferenciação 62 Quanto à matéria de limitação ao estudo destacam-se três fatores, o primeiro está relacionado com o facto de não ter sido encontrado qualquer outro projeto com a abordagem desejada, o segundo fator está ligado à amostra levantada e, por fim, a terceira limitação está relacionada com a rigidez de resposta por parte de uma maioria dos entrevistados. Desta forma, explicando um pouco mais o que cada limitação traduziu, primeiramente como não foi encontrada nenhuma tese, dissertação ou outro projeto de carater de investigação, foi necessário fazer um percurso um pouco diferente do habitual. Sendo esta uma limitação tendo em conta o ponto de partida, pois se já houvesse uma base, ou até mesmo mais do que uma, seria mais simples começar a estruturar o projeto, ver quais são os pontos essenciais a abordar e como guiar o projeto, ou seja, é quase como se já houvesse uma rota delineada. O segundo fator, relaciona-se com a circunstância da amostra levantada, isto porque, a dimensão da amostra apenas abrangeu um setor de atividade e uma zona geográfica. O último fator trata a rigidez de resposta por parte de uma maioria dos entrevistados, isto é, uma parte considerável dos empreendedores mostravam rigidez para responder, tendo como principal argumento que a entrevista demorava demasiado tempo e pediam para agendar para outro dia, porém aquando a chegada desse dia, eles já não atendiam a chamada, havia uma minoria que apresentava desculpas para não responder e não parecer que não queria responder (o argumento que essa minoria usava era demasiado descarado e inválido). Mais, alguns durante a entrevista respondiam só para, de uma maneira leiga, despachar a entrevista. Mesmo assim era mostrado um esforço por parte do entrevistador para recolher o máximo de informação possível, contudo nem sempre essa resiliência resultava em grandes frutos. Este início de estudo abre várias portas para futuras investigações, destacam-se fundamentalmente três: a ampliação; pôr em prática; e o contágio. Com isto, a ampliação implica levar este estudo a mais realidades, como outro centro de incubadoras ou, em vez do foco ser somente as empresas na área das novas tecnologias, eletrónica ou software, ser também nas empresas de outras 63 áreas de negócio, ou até, não se restringir apenas a empresas com 4 ou menos anos de atividade. Quanto ao pôr em prática, traduz a ideia de poder acompanhar a criação de uma empresa que aplique o processo criativo de arte, claro que este tipo de investigação seria extenso. Por último, seria interessante descobrir/entender um pouco mais sobre o que é o contágio das obras de arte, e qual o seu efeito na aplicabilidade no produto. Como forma de se explicar/detalhar melhor este último ponto de futuras investigações, vale a pena recorrer aos ensinamentos de Tolstói (1898). Este afirma que se o contemplador ao experimentar (ler, ouvir ou ver) um estado de espírito transmitido pelo artista, e este provocar uma união, significa que estamos perante um objeto de arte. Como por exemplo, tal se aplica quando um determinado grupo de pessoas se identifica com uma banda, um escritor, um pintor, etc… O contágio está relacionado com a capacidade de unir as pessoas em torno de um objeto de arte (físico ou imaterial). Assim, com o aprofundar do conhecimento sobre o efeito do contágio das obras de arte, seria interessante trazer o mundo do empreendedorismo para este campo e testá-lo mediante tais caraterísticas, com o fim de descobrir se é possível criar um produto contagiante, que faça com que o consumidor queira aquele produto por pura identificação direta. 64 BIBLIOGRAFIA Adams, K. (2005). The Sources of Innovation and Creativity. National Center on Education and the Economy (NJ1). Recuperado de: https://eric.ed.gov/?id=ED522111 Acesso em: 2018/01/08 Almeida, H., Jual, B. P. A. & Sílvia F. (2012). Determinants of Entrepreneurship in Small and Medium Companies/Enterprises of the Defense Sector. China-USA Business Review, 11(6). Recuperado de: https://sapientia.ualg.pt/handle/10400.1/1926 Acesso em: 2018/01/26 Barros, J. D. A. (2008). Arte é coisa mental: reflexões sobre o pensamento de Leonardo da Vinci sobre a arte. Revista Poiésis, (11), 71-82. 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Que sentido faz o relacionamento entre o momento da perceção de uma oportunidade de empreendedorismo com o momento de apreensão do artista? São etapas muito relacionas! Contudo o propósito do empreendedor é distinto do artista. São momentos com nomes diferentes, mas com essências totalmente iguais. No meu caso foi exatamente assim, achei uma boa ideia/oportunidade e decidi explorá-la, tendo em mente o valor que podia acrescentar. Faz todo o sentido. Este negócio foi feito a pensar em algo novo. Faz sentido na medida em que se tem de ir de encontro ao que o mercado procura, mas muitos marcam pela diferença. Sim, são ambas fases iniciais de um processo que ainda vai sofrer muitas alterações. São fases iguais, não há muito a acrescentar, basicamente só muda o nome. Aconteceu o mesmo comigo, avancei, pois, acreditava mesmo no valor que podia acrescentar no mercado. Em princípio sim. São fases completamente equiparáveis, estão sujeitas ao mesmo "é isto", ou seja, ao momento de inovar. Surge oportunidade e interligação de conceitos. A arte pode estar também interligada ao empreendedorismo. Quer um quer outro são iguais, aposto é que a visão do artista e do empreendedor são outras, mas ao comparar um processo com o outro vejo uma forte relação. Como artista e como empreendedor, compreendo esses dois momentos e como tal são momentos iguais. No fundo ambos estão presos a algo que achem "como nunca pensei nisto antes" que é a apreensão e a perceção da oportunidade, são as ideias a ferver. Penso que nenhum. São processos muito parecidos, o que pode ser previsível em todo o lado que precise de "inspiração". É muito relevante pois este momento catapulta o empreendedor, tendo em conta que ele procura o reconhecimento do produto dos clientes. Neste negócio não há muita criatividade, foi mais um caso de nicho de mercado. Contudo, entendo que sejam processos semelhantes. Faz todo o sentido. Esta empresa nasce com o intuito de fazer a diferença. Para além de inovar o produto queríamos marcar a diferença. 83 Sim de fase inicial, pois a ideia pode mudar com o tempo. Os negócios sofrem evoluções, por isso temos de mostrar porque estamos lá, o porquê de sermos melhores. A ideia é importante para arrancar. Nós percebíamos que havia a oportunidade de fazer algo mais, e sim há interligação de conceitos. Tem relação, quando tentamos criar um negócio nós queremos que os outros entendam e vejam como é útil. Há uma grande semelhança. O empreendedor tem um racional económico, já o artista quer fazer algo diferente. Sim à partida sim. Acho que são idênticos, tem tudo a ver com a perceção da oportunidade e consequentemente com a sua potencialização. 84 APÊNCICE C.6 – RESPOSTAS 06 06. Que sentido faz o relacionamento entre o momento da avaliação da oportunidade com o momento de preparação do artista? À priori são nomes que podem sugerir ideias não muito similares. No entanto uma vez a explicação, as etapas são idênticas e no meu entender fazem todo o sentido na sua relação e utilização. Outro momento equiparável. Não faz sentido criar algo sem antes estudar, verificar, fazer levantamentos de informação, etc... Tudo isto para que se tenha uma boa base para se começar a desenvolver o produto. Concordo! Todo o plano foi desenvolvido tendo em conta também o que já havia no mercado, como estava, e por aí… Sim, é preciso olhar em volta e ser competitivo, analisar as oportunidades. Ambos podem ser semelhantes, visto que funcionam como um teste. Todo. O empreendedor tem de olhar para o mercado e estudá-lo para fazer melhor. O mesmo acontece no caso do artista que de certeza não quer fazer uma obra de arte igual à dos outros e quer dar seu cunho pessoal. Faz todo o sentido, devemos de ver tudo o que há até ao momento, isto dá-nos uma bagagem de conhecimento extra. Sim, devemos de procurar soluções que acrescentem algo. Exato, não faz sentido criar algo novo se nem sequer soubermos se é realmente "novo" ou diferente... Concordo, tanto o empreendedor como o artista têm de avaliar a oportunidade e a concorrência. É uma etapa fulcral, ninguém se atreve a desenvolver algo sem primeiro estudar. Dado isto faz sentido o relacionamento. Correto. Esta avaliação e preparação servem também como inspiração. Penso que o estudo do estado da arte é comum. Sim, devemos julgar bem tudo e mais alguma coisa antes de avançarmos, por que depois vai existir aquela circunstância em que nos lembramos "devia ter pensado nisto". Por isso nunca é demais avaliar bem, verificar bem. Acho que para muitos empreendedores quando surgem oportunidades mesmo quando possuem opções de emprego, optam por iniciar um negócio novo pois só eles sabem onde querem chegar mesmo estando ou não preparados para o fazer. Sim, desde o momento com a indentação, prospeção de mercado. Estudo feito de par a par. Completamente de acordo. Foi feito um estudo de mercado para a perceção do que que há, como é o produto e para quem o é. Fomos "ver" o local onde queríamos estar no mercado. 85 O empreendedor tem de olhar para quem está no mercado, se não há concorrência direta temos de ver aqueles que estão mais próximos de serem futuros concorrentes. Faz sentido, tem sempre de haver o momento de avaliação da oportunidade de negócio tal como no artista. Faz sentido, o empreendedor difere mais, envolve mais influências. Vai criar uma diferenciação, vai visualizar como deve ser, criar um A+B. Quanto o artista não tem tanto a necessidade de agradar o "cliente". Há uma semelhança tremenda, no empreendedorismo há a necessidade de colocar o produto no mercado, por isso deve ser feito um estudo prévio. Sim, obviamente temos que procurar soluções que acrescentem valores. Há semelhanças do mesmo nível, tal como fazer o "estudo de caso". 86 APÊNCICE C.7 – RESPOSTAS 07 07. Que sentido faz o relacionamento entre o momento da criação do negócio com o momento de incubação e de iluminação do artista? A relação adequa-se, o processo da arte tem um maior foco na criação. São similares de facto, não há muito a acrescentar. É o momento em que começamos a desenvolver, a criar algo que queremos mostrar ao mundo. Sim, hoje em dia na criação do negócio tem de haver sempre mais alguma "inspiração", quero dizer com isto que não basta só criar algo, é necessário acrescentar aquelas pitadas de sal. É o momento de ambos procurarem soluções e pensarem nos prós e contras antes de arriscarem. São semelhantes. Todo. No meu caso faz todo o sentido estes momentos, mas acredito que existem vários tipos de empreendedores, uns mais criativos outros menos, sendo mais céticos quanto à criatividade, mas no fundo há aquele bichinho em fazer algo diferente. Mais uma vez faz todo o sentido, todo o empreendedor passa por este momento, o processo artístico detalha mais o processo de criação, o que é positivo. Sim, são parecidos. O momento do artista está mais "esmiuçado" acabado por pormenorizar melhor o que acontece. É o momento de colocar em prática e procurar soluções para possíveis problemas que possam surgir. No meu caso, embora não tenha me apercebido, acabei por fazer exatamente como o artista. Portanto sim, são processos bem comparados. Sim fazem sentido, embora o empreendedor não esteja tão preso ao momento de iluminação, contudo não deixa de ser relevante. Penso que não faz sentido. O momento artístico parece mais complexo, o do empreendedor é mais racional. Na maior parte dos empreendedores quando acabam a licenciatura optam por criar do seu próprio negócio, levando o tempo que for necessário para que o seu negócio seja rentável, mas é claro que sem uma boa gestão muitos acabam por fracassar por não terem feito bem o seu plano de negócio. Tem algumas semelhanças, é difícil de chegar à a iluminação. 87 Sim, no nosso caso fomos buscar inspiração num produto que já existente no mercado e adicionamos as caraterísticas do nosso. Há realmente o momento, a incubação com o brainstorming; entender as mais valias, vantagens, impacto, etc... tivemos um ano a desenvolver o projeto para por à prova, fizemos um teste com empresários para ver se tinham boas ou más espectativas. O momento eureca deu-se fundamentalmente com o design. É semelhante. A perspetiva de incubação podemos ter a figura do mentor, alguém que nos pode eliminar "dores" e criar novas perspetivas. Ter alguém que ajude, ter alguém que esteja disposto a ajudar. O dia-adia não permite o afastamento, mas faz tudo o sentido. Não vejo nenhuma relação. Faz sentido, o empreendedor tem o momento de aceleração, nos momentos de pressão, no momento do plano de negócios. É o momento de meter a mão na massa, e o facto de ter que resolver os "problemas" é que dita a capacidade de resiliência, de garantir e conseguir provar que aquilo que se quis fazer no momento inicial. Vejo a iluminação como o momento desbloqueador. Sim, sem dúvida. Sim, o empreendedor também tem o momento "eureca", surge quando converte a ideia em negócio. 94 APÊNCICE D.5 – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS 05 95 APÊNCICE D.6 – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS 06 96 APÊNCICE D.7 – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS 07 97 APÊNCICE D.8 – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS 08 98 APÊNCICE D.9 – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS 09 Descrição Quant. Perc. 1 Não 0 0% 2 Sim 23 100% APÊNCICE D.10 – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS 10 APÊNCICE D.11 – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS INCONSCIENTE Descrição Quant. Perc. 1 Parcial 3 50% 2 Total 3 50% 99 APÊNCICE D.12 – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS 10 + 01 Não Inconsciente Potencialização Diferenciação Quant. Perc. Quant. Perc. Quant. Perc. Quant. Perc. Feminino 4 27% 3 38% 3 38% 2 15% Masculino 11 73% 5 63% 5 63% 11 85% APÊNCICE D.13 – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS 10 + 02 Não Inconsciente Potencialização Diferenciação Quant. Perc. Quant. Perc. Quant. Perc. Quant. Perc. >=39 8 53% 4 50% 5 63% 6 46% <39 7 47% 4 50% 3 38% 7 54% APÊNCICE D.14 – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS 10 + 03 Não Inconsciente Potencialização Diferenciação Quant. Perc. Quant. Perc. Quant. Perc. Quant. Perc. Licenciatura 8 53% 3 38% 3 38% 8 62% Mestrado 7 47% 1 13% 3 38% 4 31% Doutoramento 0 0% 4 50% 2 25% 1 8% APÊNCICE D.15 – TRATAMENTO DAS RESPOSTAS 10 + 04 Não Inconsciente Potencialização Diferenciação Quant. Perc. Quant. Perc. Quant. Perc. Quant. Perc. Oportunidade 8 53% 6 75% 4 50% 9 69% Necessidade 6 40% 0 0% 3 38% 3 23% Sem resp. 1 7% 2 25% 1 13% 1 8%