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ARQUITETURA MODERNA NO ARQUIVO TEÓFILO REGO

AAVV

Abstract

Livro catálogo da exposição Arquitetura Moderna no Arquivo Teófilo Rego, com fotografias deste fotógrafo portuense, textos de Alexandra Trevisan, Inês Azevedo e Joana Mateus, César Machado Moreira, Miguel Moreira Pinto e Jorge Cunha Pimentel. Fotografias de António Alves da exposição organizada pelo projeto FAMEP, que esteve patente no Museu Casa da Imagem da Fundação Manuel Leão.

Full text

ARQUITECTURA MODERNA NO ARQUIVO TEÓFILO REGO Livro Catálogo da Exposição Título: Arquitectura Moderna no Arquivo Teófilo Rego Coordenação: Alexandra Trevisan, Inês Azevedo e Joana Mateus © os autores, CESAP/CEAA e FML/MCI, 2015 Textos: Alexandra Trevisan, César Machado Moreira, Inês Azevedo e Joana Mateus, Jorge Cunha Pimentel, Miguel Moreira Pinto Investigação e documentação: Alexandra Cardoso, Assunção Pestana, César Machado Moreira, Graça Barradas, Inês Azevedo, Joana Mateus, Jorge Cunha Pimentel, Josefina González Cubero, Maria Helena Maia, Miguel Moreira Pinto, Miguel Silva Graça. Fotografia: António Alves e Arquivo Teófilo Rego, Museu Casa da Imagem - Fundação Manuel Leão Design gráfico: Susana Lage Edição: CEAA | Centro de Estudos Arnaldo Araújo, ESAP-CESAP Impressão e acabamento: Penagráfica 1ª edição: Porto, Setembro 2015 Tiragem: 500 exemplares ISBN: 978-972-8784-71-3 Depósito legal: Este catálogo é co-financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia I.P. (PIDDAC) e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – FEDER, através do COMPETE – Programa Operacional Fatores de Competitividade (POFC), no âmbito do projecto “Fotografia, Arquitectura Moderna e a «Escola do Porto»: Interpretações em torno do Arquivo Teófilo Rego” (PTDC/ATP-AQI/4805/2012) Centro de Estudos Arnaldo Araújo Escola Superior Artística do Porto Largo de S.Domingos, 80 4050-545 PORTO PORTUGAL Telef.: +351 223392130 Fax.: +351 223392139 e-mail: [email protected] www.ceaa.pt Agradecimentos: Pedro Barreto Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto Nota Introdutória Alexandra Trevisan Expor-mediar: concepção da exposição “Arquitectura Moderna no Arquivo Teófilo Rego” Inês Azevedo & Joana Mateus Sinais de Luzes, o trabalho de Teófilo Rego para a Neolux. Miguel Moreira Pinto Uma ideia de paisagem na acção da HICA. Da transformação à percepção. César Machado Moreira Fotomontagens e Colagens Jorge Cunha Pimentel FOTOMONTAGENS BELAS ARTES GRANDES ESTRUTURAS HABITAÇÃO MAQUETAS NOCTURNOS Diorama 7 17 39 47 65 83 95 119 157 175 197 221 Nota Introdutória Alexandra Trevisan 9 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Não sabemos ainda com toda a segurança como, e quando, começou a relação entre o fotógrafo Teófilo Rego e os arquitectos do Porto. Pensamos, no entanto, que na origem deste encontro, pode ter estado Carlos Ramos enquanto director da ESBAP e promotor das Exposições Magnas que vieram a realizar-se nesta Escola a partir de 1952. Teófilo Rego que, desde de 1947, criara o seu estúdio fotográfico e actividade comercial ligada à fotografia, encontrou nos arquitectos formados na “Escola do Porto”, clientes especiais com os quais desenvolveu uma colaboração próxima de partilha de objectivos. Para estes, fotografou sobretudo as obras acabadas, menos vezes as que se encontravam em construção, mas também desenhos de projectos e maquetas. São as fotografias de maquetas que demonstram de um modo mais claro o desenvolvimento, daquilo a que podemos chamar, a prática plástica do fotógrafo. As imagens construídas a partir das fotografias das maquetas envolveram toda uma encenação, interpretação e depuramento, que não nos passou despercebida enquanto equipa de investigadores. Por isso, e como testemunham as imagens selecionadas, criaram uma linha de investigação e um tema da exposição. Muito próximo deste tema estão as imagens compostas a partir de fotomontagem e colagem, nas quais o diálogo com os clientes foi necessário para a obtenção de um resultado final que satisfizesse fotógrafo e arquitectos. As marcas deixadas nos negativos pelas linhas de corte ou pela máscara que esconde certos pormenores, revelam uma riqueza plástica que não pôde ser ignorada. Foi precisamente para deixar visível o trabalho de Teófilo Rego de composição e manipulação dos negativos que, neste catálogo, optamos por deixar as imagens tal como elas nos surgiram no arquivo. Por sua vez, as fotografias de habitação, individual ou colectiva, assumem um carácter mais documental, igualmente importante e necessário à inventariação que nos propusemos fazer sobre a arquitectura moderna no Porto. Em contraposição, as grandes estruturas – barragens, edifícios industriais, pavilhões – destacam-se quer pela sua escala monumental, quer pelo próprio contexto paisagístico no qual estão inseridas. Composição de negativos fotográficos de Teófilo Rego. Exposição “Arquitectura Moderna no Arquivo Teófilo Rego”, Casa da Imagem, Vila Nova de Gaia, 2015. Fotografia de António Alves. 10 11 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego De novo as exposições. Estas terão sido o grande ponto de encontro do fotógrafo com os arquitectos. Cronologicamente o Porto realizou primeiro, através da ODAM, a exposição dos arquitectos deste Grupo, em Junho de 1951. Só recentemente descobrimos imagens desta exposição numa unidade de instalação inesperada, tal como aconteceu noutras ocasiões ao longo dos dois anos em que realizamos o levantamento das fotografias do arquivo comercial. Quase simultaneamente à exposição da ODAM no Ateneu Comercial, começaram a realizar-se as Exposições Magnas que envolviam os docentes e os alunos de arquitectura, escultura e pintura e que Teófilo Rego fotografou, pelo menos até 1968, ano da última Magna e que foi, simultaneamente, de homenagem a Carlos Ramos. Mais tarde, alguns destes alunos que passaram a exercer a sua profissão tornaram-se clientes de Teófilo Rego. No seu arquivo existem ainda fotografias de outras exposições, ainda não identificadas, e de obras registadas individualmente que trarão novas pistas sobre os seus autores. No contexto do nosso processo de investigação uma outra exposição revelou-se também determinante, a que homenageou em 1953, o arquitecto Marques da Silva, na qual estiveram envolvidos Carlos Ramos e a ESBAP. Nesta exposição, de que existem fotografias da autoria de Teófilo Rego, foram apresentadas obras de arquitectos que tinham sido alunos ou que trabalharam com o Mestre. Existem claras afinidades entre os dispositivos que servem para apresentar as fotografias nestas duas exposições, bem como com alguns que foram usados nas Magnas. Aquelas que se realizaram a partir de 1954 contaram com os trabalhos dos alunos mas também com os dos professores. A organização do arquivo de Teófilo Rego em caixas ou envelopes com os nomes dos clientes, variando o seu número e tamanho em função da importância do cliente e da continuidade das encomendas, tornou mais complexa a identificação das imagens. A grande maioria das unidades de instalação (envelope, caixa, pacote) não tem data, algumas fotografias estão descontextualizadas em relação à identificação registada no seu exterior e, Exposição “Arquitectura Moderna no Arquivo Teófilo Rego”, Casa da Imagem, Vila Nova de Gaia, 2015. Fotografia de António Alves. 12 13 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego por vezes, as expectativas foram goradas e não encontramos o que se previa, noutros casos, pelo contrário, foram superadas e trouxeram importantes contributos. Este facto levou à opção de datação das imagens expostas a partir de duas datas que criam uma baliza temporal para a exposição: a primeira, 1947, referente ao início da actividade comercial de Teófilo Rego e, a segunda, 1980, pelo facto de algumas fotografias a cores pertencerem ao final dos anos 70. Desde o início do nosso trabalho pensamos que a relação da fotografia com a arquitectura moderna e a “Escola do Porto” iria gerar interpretações a partir, e em torno, do arquivo. São as interpretações traduzidas em imagens e suportadas por diferentes dispositivos que se apresentam agora na exposição e no seu catálogo. No catálogo optou-se ainda pela inclusão de uma selecção de textos e de excertos que acompanham algumas fotografias e que reflectem uma parte da da investigação produzida sobre os temas da exposição. Acresce dizer que as imagens selecionadas contextualizam o registo documental que suportou ou contribuiu para a produção científica e a construção teórica do Projecto e mostram, num registo mais livre, de curadoria e edição, os diferentes momentos de intervenção do fotógrafo no laboratório e no estúdio. Sem dúvida que é ainda a fotografia de Teófilo Rego que se encontra aqui presente, mas as interpretações trouxeram à luz um novo fotógrafo. Exposição “Arquitectura Moderna no Arquivo Teófilo Rego”, Casa da Imagem, Vila Nova de Gaia, 2015. Fotografia de António Alves. 14 15 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Expor-mediar: concepção da exposição “Arquitectura Moderna no Arquivo Teófilo Rego” Inês Azevedo & Joana Mateus 30 31 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego do trabalho de iluminação e encenação fotográficas com vista tornar visível uma imagem ainda em projecto; HABITAÇÃO – apresentando diversas obras edificada desenhadas pelos Arquitectos da chamada “Escola do Porto”; GRANDES ESTRUTURAS – dando destaque aos extenso registo fotográfico realizado para a HICA e para empresas que trabalham na construção das barragens do Cávado, como a SEOP; NOCTURNOS – apresentando uma visão sedutora da arquitectura e da cidade, bem como o registo dos néon aplicados nos edifícios da cidade para a empresa “Neolux”; BELAS ARTES – onde se apresentam obras de arquitectura fotografadas no âmbito das exposições Magnas dessa Escola. Estes grupos foram organizados pelo SE em articulação com os investigadores do projecto, com o intuito de apresentar um panorama da arquitectura moderna e da fotografia de arquitectura que evidenciasse a abrangência e a diversidade de vertentes trabalho de ambas as actividades. Exposição e mediação Simultaneamente à definição das temáticas, a exposição das imagens fotográficas foi pensada pelo SE no sentido de propor uma efectiva mediação entre o projecto de investigação científica e o público. Considera-se a palavra mediação enquanto uma relação que se estabelece entre duas partes e que, à partida, prescinde de um terceiro indivíduo que a faça acontecer: designa a vontade de fazer em conjunto, de criar valor e de realizar um trabalho de descoberta das potencialidades de cada sujeito e de afirmação do outro (Six, 2002, p. 115). É seguindo esta vontade que se orientou a ação do SE da Casa da Imagem: pretender reconfigurar, no espaço da vivência do museu, “os enquadramentos sensíveis no seio dos quais se definem objectos comuns” (Rancière, 2010, p. 90). Trata-se, portanto, de um trabalho sobre o espaço de comunicação, relação e vivência da exposição, um trabalho que chamamos de mediação. Partiu-se da consideração de que a imagem é, em si mesma, um lugar de mediação; consequentemente, o negativo fotográfico, a prova em positivo, a ampliação acondicionada no arquivo, são reconfiguradas em objeto expositivo como imagens contextualizadas: de um certo arquitecto, uma certa obra, numa cidade ou numa montanha. Porém, simultaneamente, são sempre mais que isso: são imagem abertas à relação do olhar do público. Consequentemente, desde o início do projeto de investigação que o SE considerou imprescindível trabalhar outras maneiras da imagem se dispor ao público, que acentuem a sua vertente sensível de coisa física, matéria plástica, sujeita ao tempo e à degradação (Azevedo, Mateus, Pestana, 2013, p.31). Tendo consciência da importância dos dispositivos de visualização como factores da observação e criação individual das imagens pelo público, o SE propõe o suporte expositivo como dispositivo de mediação. Estabelece-se, para o desenvolvimento da exposição, que o suporte expositivo realiza a função de configurar uma natureza artificial propícia ao encontro com a imagem e torná-la o lugar per si da mediação. Ao identificar inúmeras fotografias de Teófilo Rego referentes às Exposições Magnas (EM) nas caixas de acondicionamento das “Belas Artes” e, sendo este o contexto primordialmente identificado de relação entre o fotógrafo e os arquitectos, o SE investiga mais aprofundadamente sobre o contexto destas exposições. É conhecendo e estabelecendo um paralelismo entre as propostas pedagógicas defendidas e promovidas pelo Arquitecto Carlos Ramos - Professor e posteriormente Director da Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP) –, tornadas visíveis nas EM, e a exposição final do projecto de investigação FAMEP, também ele resultante de um contexto académico, que se recuperam alguns objectos de exposição originais visíveis em fotografia de arquitectura trabalhados no FAMEP. Nomeadamente, os suportes e mobiliário utilizados para sustentar e compor a EM com os trabalhos dos alunos e professores da ESBAP, sendo que alguns destes suportes também eram utilizados nas aulas e em atelier, como cavaletes de pintura e escultura e estiradores. Este ambiente de estaleiro/oficina, invocador de um contexto processual que decorre, foi incorporado no pensamento sobre a exposição. Assim, não só se utilizou material expositivo pertencente à actual Faculdade de Belas Artes da UP, anteriormente utilizado nas EM, como se recuperaram e readaptaram os aparelhos do laboratório e do estúdio do fotógrafo. Desta forma, o SE pretendeu criar uma proposta expositiva que formalmente invocasse a prática, isto é, o fazer dos arquitectos, do fotógrafo, dos investigadores do projecto e, também, o do público da exposição. Com o sentido de convocar a prática ao público, entendendo-a como processo de mediação, o SE realizou uma pesquisa sobre dispositivos de visualização e composição de imagens pela sua história, as suas características, a sua tecnologia e a forma específica como produzem um observador e interferem na construção da própria imagem fotográfica. O workshop “Diorama on Architecture Photography: Finding Punctumland”, apresentado na Fifth International Conference on the Image, estabeleceu-se como uma experiência de investigação e trabalho nesse sentido. O objectivo do workshop foi produzir práticas que acompanhassem o material teórico produzido pelas interpretações dos investigadores sobre a fotografia de arquitectura e, simultaneamente, problematizar o modo da sua exposição ao público. Resumia-se à montagem de uma fotografia de arquitectura em planos de cartolina com a transformação da bidimensionalidade da fotografia – os elementos figurativos e outros elementos, como os canais resultantes da deterioração do negativo fotográfico e as lacunas – numa imagem tridimensional composta por planos independentes, criando uma imagem com uma natureza plástica totalmente diferente da imagem original. 32 33 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Exposição “Arquitectura Moderna no Arquivo Teófilo Rego”, Casa da Imagem, Vila Nova de Gaia, 2015. Fotografias de António Alves. 34 35 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Esta proposta encontra-se reformulada num objeto expositivo da exposição final, um diorama de arquitectura, e é exemplar da dupla aproximação à imagem de arquitectura proposta pelo SE. Por um lado, o médium da fotografia presta-se de forma única à possibilidade de se documentar e, ao mesmo tempo, interpretar a realidade (Campany, 2014, p. 28). Por outro lado, sabemos que a imagem é uma estrutura aberta à interpretação complexa que o ”observador contemporâneo, que participa na constituição da obra de arte pelo desvio de ponto de vista e da distorção (…) é capaz de conceber relativamente ao contexto de produção, distribuição e consumo das imagens” (Azevedo, Mateus, Pestana, 2013, p.31). Finalmente, a imagem fotográfica, nos aspectos da sua degradação e sinais da sua perenidade, “implica o observador no jogo das formas que privilegia os processos e as relações tidas na experiência visual” (2013:32), num processo sensível que rompe com o campo representativo da imagem para introduzir o que DidiHuberman designa como duplo regime da imagem. Na exposição, o diorama de arquitectura ficou contido numa caixa negra, herdeira da câmara escura e das caixas ópticas onde se recolhem e revelam narrativas compostas pelo público através de figuras da fotografia de arquitectura do projecto. A boca de cena do diorama, bem como os movimentos de colocação das figuras no diorama pelo participante, projectam-se em tempo real, através de um circuito de video fechado, num ecrã na parede frontal5. Pretendeu-se uma alteração da posição do observador face à exposição que, mais do que perante uma apresentação de objectos, se vê no cerne de uma experiência de produção de imagens, transformando-se, ele próprio, em mediador da relação que estabelece com as imagens. Entendido como um projecto contemporâneo, a exposição concebida pelo SE pretendeu, não só aproximar-se às imagens como evidências do passado com um enquadramento histórico e disciplinar definido, mas também permitir que o material de arquivo – espécies fotográficas, suportes expositivos, materiais e dispositivos fotográficos – fosse reconfigurado no presente. Ao reputar os suportes expositivos e a participação do público como objectos e processos de mediação, o SE pretendeu apresentar uma exposição que promovesse uma relação mais comprometida e nivelada entre produtores e observadores. Exposição “Arquitectura Moderna no Arquivo Teófilo Rego”, Casa da Imagem, Vila Nova de Gaia, 2015. Fotografia de António Alves. 5 Ver pág. 37 36 37 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Referências Bibliográficas Azevedo, I. & Mateus, J. & Pestana, A. (2013) “Lacunas and their interpretations: a contemporary look at the photographic work of Teófilo Rego” in Contemphoto’13 - Contemporary Photography Conference — Visualisation & Urban History in Contemporary Photography, ed. Efe Duyan, Özgür Atak, 28-35. Istanbul: Dakam Publishing. Azevedo, I. & Mateus, J. (2015) “Em exposição: o Fundo Fotográgico Teófilo Rego e as Exposições Magnas” in Fotografia e Arquivo – Graça Barradas, Inês Azevedo, Joana Mateus (ed.). Porto: CEAA, 2015, 59 pág. 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Fotografia de António Alves. 39 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Sinais de Luzes, o trabalho de Teófilo Rego para a Neolux Miguel Moreira Pinto 40 41 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Ao longo de toda uma vida dedicada à fotografia, Teófilo Rego (1913/1993) vai manter duas linhas de trabalho em paralelo que não raras as vezes se cruzam. A primeira diz respeito à actividade comercial e ao exercício da profissão ao serviço do cliente privado ou institucional – pessoas singulares, empresas ou entidades públicas, exigindo dele a adaptação às mais diversas situações e géneros fotográficos que passam pelo retrato, reportagem, fotografia publicitária e de catálogo, ou ainda pela fotografia de arquitectura. Neste caso, em que é chamado a documentar a conclusão ou o início de uma obra ainda em maqueta, colabora nos anos 1940, 1950 e 1960 com vários arquitectos saídos da Escola de Belas Artes do Porto, como Marques da Silva, Rogério de Azevedo, Viana de Lima ou o grupo ARS. De todos, destaca-se a estreita relação que mantém com João Andresen (1920/1967), reflectida num lote de imagens que pela quantidade e diversidade de material fotográfico, pela quantidade e diversidade dos projectos que compreende, acusa uma colaboração regular e continuada, sem igual. Sem os constrangimentos da encomenda profissional, Teófilo Rego desenvolve paralelamente uma obra pessoal, livre e descomprometida, reveladora de um interesse particular pela etnografia, cultura e tradições rurais, mas também pela vida e paisagem urbana, em especial do Porto, a cidade onde viveu e trabalhou, e que fotografou exaustivamente retratando as suas gentes, os seus edifícios e monumentos mais emblemáticos, e os locais mais iconográficos – a Avenida dos Aliados, a Torre dos Clérigos ou a Ponte D. Luís I. Objecto de diferentes exposições, uma parte deste trabalho já se encontra reunida na colecção de livros de fotografia de que fazem parte os fascículos sobre O Douro, A Ribeira e A Arquitectura do Porto por Teófilo Rego, editados em 2005 e 2008 pela Fundação Manuel Leão. Algumas das fotografias e imagens que pretendemos destacar desafiam a separação entre a actividade comercial de Teófilo Rego e o mais “artístico” registo pessoal, e podem ser consideradas ao mesmo tempo fotografia de produto, postal e de arquitectura. Estas fotografias foram tiradas entre o final de 1940 e o início de 1970 para a empresa fabricante de reclamos luminosos Neolux, para quem Teófilo Rego foi o fotógrafo para todo o serviço e ocasiões, cabendo-lhe até fazer a reportagem das festas de natal da firma. Tendo em vista a criação de um registo e de um catálogo de exemplos que pudesse ser mostrado a potenciais clientes, a sua principal tarefa foi no entanto a documentar os vários reclamos em néon fabricados pela empresa que se encontravam espalhados por toda a cidade do Porto, onde a Neolux tinha a sua principal delegação. Como sabemos, a história do néon remonta ao início do século XX quando o engenheiro francês Georges Claude inventou e apresentou a iluminação tubular em néon, na forma como ainda hoje a conhecemos, no Paris Motor Show de 1910. Claude e um dos seus associados, Jacques Fonsèque, compreenderam desde o início o uso potencial desta tecnologia como sinalização e publicidade: os tubos em néon podiam ser fabricados em formas artísticas curvilíneas de maneira a criar desenhos e letras, podiam ser ainda fabricados numa ampla variedade de cores ao serem usados outros gases (árgon, xénon, hélio), e finalmente “the new tubes seemed much easier on the eye than the round and blinding incandescent light bulbs that earlier advertising had used” (Ribbat). Estas vantagens explicam a popularidade e a rápida proliferação da iluminação em néon que, a partir dos anos 1930, torna-se num fenómeno à escala global com epicentro nos Estados Unidos. Aqui, a invenção de Georges Claude torna-se numa parte integrante de uma cultura popular vibrante – os reclamos luminosos são então vistos como um sinal de sofisticação e glamour. Em Nova Iorque, Broadway e Times Square transformam-se numa das mais espectaculares e reconhecíveis paisagens em néon que ajudaram a promover internacionalmente esta tecnologia como um meio de informação e publicidade, e que, um pouco por todo o mundo, toma de assalto as cidades. Na Europa são famosos os casos do anúncio gigante da CITROEN que entre 1925 e 1934 ocupa a torre Eiffel em Paris, os reclamos luminosos da GUINESS, SCHWEPPES e BOVRIL que invadem Piccadilly Circus em Londres e em Madrid o anúncio de “TÍO PEPE, Sol de Andalucía embotellado”, instalado desde 1935 na Puerta del Sol, resiste à passagem dos anos até se converter num marco e num símbolo da cidade, declarado em 2009 património histórico municipal. Portugal não é excepção à adopção generalizada da publicidade em néon conhecendo aqui o seu período áureo mais tardiamente nos anos 1950 e 1960. Durante este tempo podemos identificar pelo menos três empresas que se especializaram no fabrico deste tipo de reclamos luminosos: a Electro Reclamo Limitada (de Lisboa), Ferma (do Porto) e Neolux (com escritórios nas duas cidades). A primeira, a mais antiga do género, fundada em 1926, será responsável por alguns dos mais elaborados e impressionantes anúncios que encontramos na capital do país, como os da VAQUEIRO, SINGER, TRIUNFO, OVOMALTINE, OMEGA, CONSTANTINO ou ainda os aparatosos reclamos da GAZCIDLA. Também em Lisboa, Teófilo Rego chega a fotografar para a Neolux um anúncio da HOOVER, instalado no Rossio. O trabalho da empresa parece no entanto concentrar-se sobretudo a norte onde mantém o quase monopólio da publicidade que vemos espalhada pelo Porto. Aqui os reclamos luminosos documentados por Teófilo Rego são genericamente de dois tipos. Os primeiros sinalizam e decoram a fachada de todo o tipo de comércio e negócios que encontramos pela cidade: cafés, restaurantes, lojas de roupa, ópticas, papelarias, cinemas, etc. Estes letreiros, 42 43 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego geralmente colocados nas fachadas das lojas, ou então em “bandeiras” e “faixas” projectadas sobre os passeios, procuram chamar a atenção de quem passa adoptando diferentes estilos, caligrafias e por vezes uma imagem simbólica dos serviços ou produtos comercializados. Nesta categoria, os reclamos mais espectaculares são sem dúvida aqueles (como os da loja de música VADECA e da Farmácia do Padrão) que cobrem e que à noite iluminam por completo o edifício em que estão instalados, alterando a percepção que temos da sua arquitectura. Um edifício de outra forma indistinto e vulgar, semelhante a tantos outros que encontramos na cidade, ganha desta maneira uma nova vida e uma outra visibilidade, à custa porém de se ver reduzido a um imenso outdoor. Arquitectura e publicidade são, neste caso, uma e a mesma coisa. Em sentido contrário, a iluminação do cinema Coliseu, no Porto, ou da estação de serviço da SACOR, na Figueira da Foz, enfatiza a arquitectura de cada um destes edifícios proporcionando algumas das mais interessantes fotografias tiradas por Teófilo Rego. No primeiro exemplo o néon produz um efeito dramático e teatral pondo em evidência o estilo em Art Déco da sala de espectáculos projectada por Cassiano Branco em 1939. No segundo as luzes produzem uma impressão de dinamismo e fluidez sublinhando a modernidade e a funcionalidade de uma construção desenhada em função do automóvel. Em ambos os casos a arquitectura é sublimada e elevada a uma condição iconográfica, reconhecível e memorável. O segundo tipo de reclamos fotografados por Teófilo Rego são aqueles que publicitam os mais diversos produtos e marcas de electrodomésticos (SIEMENS, BOSCH, HILL-MAN), marcas de pneus (MABOR, FIRESTONE), marcas de combustíveis (SACOR), marcas de vinhos e cervejas (SANDEMAN, DIEZ, CRISTAL), bancos (BPA, BNU), companhias de seguro (FIDELIDADE, MUTUALIDADE, OURIQUE), companhias de aviação comercial (AIR FRANCE, SWISSAIR, TAP), etc. Graficamente estes anúncios adoptam a imagem corporativa daquelas empresas e estão construídos a uma escala e em posição para serem vistos ao longe, de carro e a pé. Concentrada em locais centrais e estratégicos da cidade – sobretudo na Avenida dos Aliados e na Praça D. João I – esta publicidade parasita as fachadas e os telhados dos edifícios onde, adormecida durante o dia, ganha vida e cor ao anoitecer. Das fotografias destes reclamos, os da SACOR, da MUTUALIDADE e da MABOR GENERAL (instalado sobre o Teatro Rivoli) chamam a atenção por mostrarem o tamanho exagerado e desproporcionado que estes anúncios chegam por vezes a atingir. As fotografias mais fascinantes são no entanto aquelas que, à volta das duas principais praças da cidade, mostram como a iluminação em néon seduz e atrai o olhar provocando ao mesmo tempo a sensação de alguma desorientação. Não surpreende por isso a necessidade sentida por Teófilo Rego em encontrar na estátua de D. Pedro IV, quando fotografa a Praça da Liberdade, e nas esculturas dos corcéis da Praça D. João I um ponto de referência e de orientação que ajuda a enquadrar e contextualizar as imagens dos reclamos da BOSCH ou da DUPONT. No seu conjunto o trabalho de Teófilo Rego para a Neolux lembra um passado não muito distante em que as cidades, em maior ou menor escala, se viram transformadas numa “neonscape” hipnótica, confusa e caótica, saturada de mensagens e informação, de luz e cores vivas que só podemos perceber verdadeiramente por algumas, poucas, imagens coloridas da época. Uma “neonscape” como aquela de Nova Iorque fotografada em 1924 por Fritz Lang que vai inspirar os cenários de Metropolis (1927); que por sua vez vai influenciar a visão distópica de Los Angeles em Blade Runner (1982) realizado por Ridley Scott; que por sua vez remete-nos para imagens de Hong Kong dos anos 1980 e 1990, quando o néon conhece o seu apogeu; que por sua vez fazem-nos voltar a atrás a Learning From Las Vegas (1972) de Robert Venturi e Denise Scott Brown em que descrevem a vitória da arquitectura como “símbolo-no-espaço” na vez de “forma-no-espaço”. Embora, como mostram as fotografias de Teófilo Rego, o néon seja utilizado quase exclusivamente pela publicidade, a partir dos anos 1950 e 1960 assistimos à sua progressiva apropriação pelas artes plásticas e visuais, seja como tema – como podemos ver pelas pinturas hiper-realistas de Robert Cottingham ou pelo recente trabalho fotográfico de Martin Stavars (City of Neon Lights Studies, 2013) – seja como meio de expressão e comunicação. Neste campo, Lucio Fontana foi pioneiro no uso do néon como material de escultura na prática artística com Spatial Light, Structure in Neon (1951) para a IX Trienal de Milão – “The piece was a classic representation of what Fontana called a «spatial environment» and «spatial concept» – what he saw as overcoming the divisions in architecture, painting and sculpture to reach a synthesis in which colour, movement and space converged” (Pasini). Com esta obra – a propósito da qual não podemos deixar de regressar às imagens do Coliseu do Porto e em particular da estação de serviço da Figueira da Foz – Fontana abre o caminho à utilização artística do néon que vemos explorada no trabalho de Dan Flavin, Bruce Nauman, Keith Sonnier, Joseph Kosuth (todos eles artistas oriundos dos EUA, onde o néon conhece a sua máxima expressão) e, de uma geração mais nova, Tracey Emin e Massimo Uberti (cujas instalações simulam espaços e arquitectura a partir da luz). Depois de resgatarmos as fotografias tiradas para Neolux, fotografias que, por associação, sugerem e recordam outras imagens, outros tempos, outros lugares e outros assuntos que não apenas o da 44 45 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego publicidade, a sensação e a impressão que fica é a de alguma nostalgia por diferentes razões e motivos. A nostalgia de um tempo e de uma cidade, ou pelo menos uma faceta da cidade, de que se vai perdendo memória. A nostalgia pelo desaparecimento de uma tecnologia exigente do ponto de vista do trabalho manual e artesanal, e que foi sendo progressivamente substituída por caixas de luz fluorescente fabricadas industrialmente e, mais recentemente, por painéis LED. A nostalgia de uma idade (apesar de tudo) inocente da publicidade a que hoje já não podemos escapar como procura demonstrar o pequeno filme a preto e branco: KAPITAAL (Studio Smack, 2006), que nos dá uma ideia muito clara da quantidade de estímulo visual e da poluição audiovisual que inunda o nosso dia-adia – em certos casos, a publicidade que encontramos actualmente em Times Square, Piccadilly Circus (que já referimos) e em Shibuya, em Tóquio, permite-nos mesmo falar de uma “spectacular exhaustion of urban space” profetizada por Guy Debord e Paul Virilio, mas que só imaginávamos possível em filmes de ficção científica. Resta por fim a nostalgia suscitada pelas próprias imagens e pelo sujeito fotografado por Teófilo Rego, para quem o trabalho encomendado pela Neolux representou em grande medida uma oportunidade mais para fotografar o Porto e a sua arquitectura, vistas de um outro ângulo e perspectiva. No final as imagens que produz nada têm do brilho glamoroso do néon parecendo pelo contrário carregarem a mesma melancolia que podemos constatar nas fotografias que realiza por conta própria. Uma melancolia e nostalgia características da identidade da cidade e que mesmo as luzes da publicidade não puderam apagar. Referências Bibliográficas Berger, Tobias (2009) Off-On: Neon in Art, www. neonsigns.hk/neon-in-visual-culture/neon-in-art/ Mcquire, Scott; Martin, Meredith; Niederer. Sabine (Ed.), Urban Screens Reader. Amsterdam: Institute of Network Cultures. 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Cardoso de Azevedo, Teófilo Rego ou Mário Novais foram alguns dos fotógrafos que estiveram na região para registar as várias fases do processo: desde o levantamento topográfico à construção, até às obras construídas e à exploração hidroeléctrica. Não se trata de um simples inventário ou acervo documental, são imagens que retratam a obra e a vida dos agentes envolvidos na construção daqueles aproveitamentos. Como qualquer documentário, não é uma perspectiva neutra sobre o processo em curso. Essas imagens são a representação da transformação da paisagem idealizada pelos engenheiros, políticos e arquitectos envolvidos na operação. A realidade que as imagens representam nem sempre é comprovada nos documentos da empresa, onde são várias as descrições sobre as difíceis condições de habitabilidade dos trabalhadores, desde os processos de expropriação integral de aldeias, da inundação dos campos agrícolas, da transferência dos habitantes da região e das oportunidades económicas abertas com a construção da barragem. A transformação da paisagem acontece numa outra realidade que não está retratada nas imagens da Hica. A construção dos aproveitamentos hidroeléctricos estabeleceu lugares onde o olhar foi guiado por novas representações do espaço, assim como por novas práticas sociais e usos locais. O universo da Hica construiu-se em torno de uma rede de relações, de valores e de imagens: implicando directamente na materialidade do lugar, construindo os escalões e actuando sobre o olhar colectivo, proporcionando modelos de visão. 62 63 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Domingues, Álvaro, (2013) Vida no Campo. Porto: Dafne Editora. Donadieu, Pierre, (2013) “A construção de paisagens urbanas poderá criar bens comuns” in Paisagem Património. Porto: Dafne Editora. Fernandez, Sérgio, Januário Godinho, (2012) “Profissional controverso”, in Januário Godinho, Leituras do movimento moderno. Porto: CEAA. Fiz, Simón Marchán, (2006) “La experiencia estética de la naturaleza”, in Paisaje y pensamiento, Dir. Javier Maderuelo. Madrid: Abada editores. Maderuelo, Javier, (2006) “La actualidad del paisaje”, in Paisagem y pensamiento, dir. Javier Maderuelo. Madrid: Abada Editores. Novais, Mário, (1998) Exposição do Mundo Português 1940, Arquivo de Arte do Serviço de Belas Artes. Fundação Calouste Gulbenkian: Lisboa, catalogo . Pavia, Rosário, (2002) La citá della sipersione. Roma: Melteni. Raposo, Isabel, (2013) “A urbanização da paisagem rural e o papel das casas dos emigrantes”, in Paisagem Património. Porto: Dafne Editora. Roger, Alain (1997) Court Traité du paysage. Mayenne: Gallimard. Saraiva, Tiago, (2005) Ciência y Ciudad, 18511900, Madrid: Ayuntamiento de Madrid. Siza, Maria Tereza; Serén, Maria do Carmo, (2001) ripé da Imagem - O Porto e os seus fotógrafos. [org.] Porto 2001 Capital Europeia da Cultura: Porto Editora. Sena, António, (1998) História da imagem fotográfica em Portugal, 1839-1997. Porto: Porto Editora. Sontag, Susan, (2012) Ensaios sobre fotografia. Lisboa: Quetzal. Tavares, Emília, (2002) A fotografia ideológica de João Martins (1898-1972), Porto: Mimesis. Fotomontagens e Colagens Jorge Cunha Pimentel 66 67 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Quando encontrei negativos de fotomontagens arquitectónicas no Arquivo do fotógrafo Teófilo Rego, a minha única referência deste tipo de trabalho, realizado na primeira metade do século 20 em Portugal, era a de uma fotomontagem do arquitecto Viana de Lima.1 Tratava-se de, através da montagem de um desenho sobre uma fotografia realizado em 1943, apresentar a ideia da volumetria geral em perspectiva do projecto para um immeuble-villas na Rua Sá da Bandeira, no Porto, procurando o máximo de integração visual do projecto no seu contexto cénico e urbano, tal como já tinha podido observar nas fotomontagens de Mies van der Rohe relativas ao projecto de arranha-céus para Friedrichstrasse, Berlim, de 1921. A produção de tal fotomontagem ter-se-á devido, muito provavelmente, à vontade de apresentar o projecto ao cliente, dada a existência de uma espécie de concurso informal. Destinado a habitação, estabelecimentos comerciais e escritórios e “com grande divulgação mediática”, Viana de Lima apresentava o projecto de um “edifício de vanguarda, moderno, aberto ao exterior, de linguagem corbusiana: habitações em duplex com terraço, fenestração, piso térreo recuado, terraçojardim na cobertura, distribuição em galerias, leitura horizontal da fachada, ossatura metálica”, como refere Maria do Carmo Pires na página da Fundação Marques da Silva. Viana de Lima terá mesmo copiado alguns elementos do projecto de immeubles-villas de Le Corbusier, como seja a porta dupla com dossel e o mastro em balanço que enfatiza a composição axial do edifício. Desconheço outros traços tangíveis do projecto que foi preterido pelo cliente ou pela Comissão de Estética da cidade, tendo sido construído o dos arquitectos David Moreira da Silva e Maria José Marques da Silva Martins. Deste trabalho podemos deduzir que Viana de Lima conhecia os desenhos de immeubles-villas produzidos desde 1922 por Le Corbusier e por ele publicados em Vers une architecture ou em Urbanisme, ambos em 1925, ou mesmo em L’Almanach d’architecture moderne, já de 26. Uma estratégia de comunicação desenvolvida por Le Corbusier que ganha a sua autonarrativa com a publicação no livro Oeuvre Compléte 1910/1929 dos capítulos consagrados ao Salon d’automne de 1922 e ao Pavillon de L’Esprit Nouveau de 1925, em que o immeuble-villas se torna “uma espécie de motivo tipológico que permite detalhar um projecto de urbanismo radical e de responder a situações mais contextuais” (Nivet, 2011, p. 126), como na fotomontagem em que o Pavillon de L’Esprit Nouveau é incluído como uma célula habitacional num immeuble-villas. Nessa narrativa Le Corbusier nunca chega a definir a relação construtiva da villa com o immeuble que a contem e os elementos de que ela é feita, o que torna ainda mais estranha a proposta de Viana de Lima. A produção de significado visual através da justaposição de elementos “é geralmente associada com as fotomontagens Mies van der Rohe e ocorreu somente após os dadaístas terem desenvolvido a montagem como uma nova gramática visual que radicalmente rompeu com a ideia de espacialidade pré-moderna homogénea” (Stierli, 2012, pp. 35-36). A cultura visual dadaísta e as técnicas de fotomontagem e de manipulação da fotografia das vanguardas2 foram fundamentais para uma nova concepção do espaço, anunciada pelo trabalho de Mies3. Ele utilizou a fotomontagem tanto como um enquadramento para estudo como um meio de representação de uma ideia de arquitectura, partilhando com os dadaístas uma investigação fundamental sobre a metrópole moderna como uma forma simbólica de um novo paradigma cultural, relacionado com uma estética de contrastes, e acreditando profundamente numa alteração através do progresso tecnológico. Deve ter tido consciência do potencial das técnicas de colagem e montagem para o discurso, representação e produção de arquitectura. Estas técnicas serviram-lhe não só para visualizar as suas ideias sobre forma, luz e espaço de um modo mais preciso e próximo das suas ideias conceptuais do que um edifício alguma vez poderia fazer, mas também, para tornar essas ideias disponíveis a uma audiência mais alargada (Stierli, 2012, p. 32). À medida que Mies compreendia a modernidade como a idade dos meios de comunicação de massas, e a arquitectura moderna, por extensão, como uma questão de representação, as suas montagens foram sendo explicitamente produzidas com o propósito de difusão pública (Stierli, 2010, p. 67). Se o fotógrafo pode fotografar uma maqueta dando “a impressão de que o edifício está vivendo, removendo todos os vestígios de ser uma maqueta e dissolvendo 1 Arquitecto da segunda geração modernista portuguesa, a par de Keil do Amaral, Arménio Losa ou Januário Godinho. Estagiou na Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) sob a orientação do arquiteto Rogério de Azevedo (1938-1941) e, em 1947, foi um dos membros fundadores do grupo ODAM (Organização dos Arquitectos Modernos). 2 Colectivamente desenvolvida pelo grupo dadaísta de Berlim, a fotomontagem é uma variação da colagem em que os elementos utilizados são fotografias e reproduções fotográficas retiradas da imprensa. A apropriação dos meios de comunicação de massas forneceu material sem fim para a crítica dadaísta, e os recortes disjuntivos das fotomontagens efectivamente capturaram as fissuras e os choques da modernidade. Substituindo por tesoura e cola os instrumentos da pintura, e intitulando-se como monteurs (mecânicos) em vez de artistas, os dadaístas de Berlim utilizaram a fotomontagem no seu combate radical à tradição artística. 3 Mies mudou completamente o estilo dos seus projectos, passando do clássico da sua formação tradicional para uma fase experimental, reinventando-se quer como arquitecto quer como uma personalidade com outro paradigma cultural. 68 69 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Monumento ao Infante D. Henrique, Sagres. Arquitecto João Andresen. 1954-1956. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato. PT-FML-TR-COM-50-021 Monumento ao Infante D. Henrique, Sagres. Projecto de Fotomontagem Mar Novo. Perspectiva da maqueta. Arquitecto João Andresen. 1955. 13 x 18 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-50-122 70 71 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego cuidadosamente as linhas entre o objeto e seu fundo” (Colomina, 2010, p. 132), Mies fê-lo com as fotos do Glass Skyscraper Project e as fotomontagens do arranha-céus de Friedrichstrasse, procurando criar “uma espécie de ‘efeito de realidade’” (Stierli, 2010, p.65). Esses projetos demonstram “como Mies empregava a técnica não para fabricar uma ilusão de realidade, como a maioria dos arquitetos faria, mas para produzir imagens dramáticas, cada versão tornando-se progressivamente mais expressionista - auxiliado aqui pela grafite para escurecer detalhes fotográficos” (Elwall, 2004, p. 110). Mies produziu uma série de fotomontagens em que sobrepunha o edifício desenhado a uma fotografia da rua com cabos eléctricos e veículos. É importante referir “que essas imagens são grandes, tão grandes que nos encontramos na rua quando se olha para eles, atraídos para a imagem. O espectador da fotomontagem experimenta o espaço da rua e, em seguida, chega ao novo edifício no final” (Colomina, 2010, p. 132). Essas fotomontagens associadas a uma perspectiva ilusionista, não quebram a consistência do espaço na imagem. A sua recusa do uso de outras técnicas, como seja a axonometria – a fotomontagem torna-se uma forma popular de representação arquitectónica ao mesmo tempo que a axonometria4 –, persistindo no uso da perspectiva linear, deve-se ao seu entendimento da arquitectura, antes de mais, como um médium visual percepcionado pelos olhos. Fotografias manipuladas foram “frequentemente utilizadas para ilustrar o impacto de um edifício projectado sobre a paisagem urbana ou paisagem existente, em especial nos casos em que os projectos eram de uma escala monumental” (Stierli, 2012, p. 40) ou afectavam histórica ou artisticamente um lugar. A fotomontagem tornou-se um instrumento na promoção de projectos grandiosos, mesmo utópicos, não apenas nas propostas de artistas de vanguarda. No Arquivo Teófilo Rego encontramos duas espécies de documentos. Por um lado as colagens e fotomontagens realizadas por arquitectos e fotografadas por Teófilo; por outro encontramos colagens e fotomontagens realizadas por Teófilo por encomenda de arquitectos, num trabalho cuja profundidade me parece indiciar a colaboração, senão mesmo a cumplicidade, dos arquitectos e um espírito livre, curioso e imaginativo de procura e aprofundamento das hipóteses formais e expressivas que as encomendas proporcionavam. Entre a primeira categoria de documentos encontramse vários trabalhos que utilizam técnicas diversas. Um dos trabalhos refere-se ao projecto para os motivos escultóricos na Praça D. João I. Com a ideia de criar uma praça rectangular limitada por dois prédios de considerável altura – o Edifício Rialto virado a Norte, de Rogério de Azevedo, o Palácio Atlântico voltado a Sul –, o gabinete A.R.S. Arquitectos propõe a definição da praça, a primeira a ser projectada e edificada de raiz, em pleno Estado Novo, na cidade do Porto. Com a ideia de introduzir monumentalidade e sumptuária, e fazendo jus ao seu nome, consta no projecto a implantação das estátuas de D. João I e de D. Filipa de Lencastre sobre os dois elevados plintos nos flancos da praça (Abreu, 2006, p. 208). Mas o arranjo da praça por parte da iniciativa privada era demasiado liberal, rompia com os procedimentos formais administrativos e colidia com interesses em jogo, sendo delicadamente recusada pelo Conselho de Estética Urbana da cidade5. É então aprovado o arranjo da Praça D. João I, mas sem a inclusão das estátuas, ficando adiado o destino a dar aos dois plintos. Tal decisão procurava uma “maior monumentalidade” e uma solução que melhora-se “o partido estético do conjunto arquitectónico”6. O processo culminará com a abertura de um concurso público num Edital da Câmara Municipal do Porto, de 1954, aberto às Escolas de Belas Artes de Lisboa e do Porto7, no mesmo ano e mês em que era anunciada a abertura do Concurso Internacional para o Monumento ao Infante D. Henrique em Sagres. Com a atribuição do 1º prémio a uma solução com dois grupos escultóricos, apresentando cada um uma figura junto a um cavalo. Substituía-se uma temática nacional-historicista por uma temática simbólica. Ainda pertencentes à primeira categoria de trabalhos encontram-se dois projectos do arquitecto Fortunato Cabral8. Um refere-se ao projecto de renovação do pavilhão da doca no Porto de Leixões, encomendado pela A.P.D.L.. Trata-se de uma vista tirada sob o tabuleiro do viaduto de acesso à ponte levadiça do lado de Leça. No desenho montado sobre fotografia, provavelmente de 1955 – em 1957 o pavilhão já estava construído –, consta a ampliação do pavilhão da divisão de exploração e tesouraria das docas. O segundo piso nunca foi construído9. 4 Yve-Alain Bois deixa claro que axonometria e isometria foram ensinadas amplamente nas escolas de engenheiria a partir do final do século 19, de modo a que a «re-invenção» nos círculos de vanguarda por volta de 1920 pode ter de ser visto mais como uma re-interpretação de uma ferramenta criada para fins epistêmicos específicos. Arquivo Geral da Câmara Municipal do Porto, Actas do Conselho de Estética Urbana (9/2/1946 a 9/1/1951), 20/2/1950, ff. 78-79. 5 Boletim da Câmara Municipal do Porto, n.º 730, 8 de Abril de 1950, Despachos da Presidência, pp. 621-622. 6 Boletim da Câmara Municipal do Porto, n.º 954 de 24 de Julho de 1954, p. 556. 7 O arquitecto Fortunato Cabral foi um dos membros fundadores, conjuntamente com os arquitectos Morais Soares e Cunha Leão, do gabinete de arquitectura A.R.S. Arquitectos, formado em 1930. 8 Informação prestada pelo arquitecto Dúlio Silveira que entrou para a A.P.D.L. em 1957. 9 É o caso do projecto para um complexo de edifícios de escritórios e habitação na esquina da rua do Campo Alegre com a rua Gonçalo Sampaio, no Porto, do arquitecto 72 73 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego O outro projecto refere-se a um bloco residencial a ser construído em Espinho. Nele há claramente uma fotomontagem realizada com recorte de elementos fotográficos e a colocação intercalar de um desenho entre esses mesmos elementos, apresentando o todo um acabamento rude, opondo-se completamente neste aspecto à fotomontagem anterior. Pelo seu tratamento gráfico, ambos os trabalhos parecem destinados à reprodução ou publicitação. Há ainda as fotografias de duas fotomontagens e de um alçado relativos ao projecto de remodelação dos Pavilhões de Arquitectura e de Exposições da Escola de Belas Artes do Porto. Não me foi possível identificar nem o autor, nem a data – provavelmente dos anos 60 – nem o propósito da existência de tal projecto. Sabe-se que a Escola de Belas Artes ocupou o Palacete Braguinha, na Av. Rodrigues de Freitas, em 1928. Para a remodelação do edifício e construção de outras dependências foi elaborado um projecto sob orientação do arquitecto Manuel Lima Fernandes de Sá que foi rejeitado e, em 1949, Carlos Ramos apresenta o ante-projecto para a construção de pavilhões nos jardins do Palacete e remodelação do mesmo (Moniz, 2011). Em Abril de 1950 inaugura-se o primeiro de quatro novos pavilhões, provisoriamente destinado à Arquitectura, Desenho e Biblioteca. O Pavilhão de Pintura/Escultura, projectado pelo arquitecto Carlos Ramos, ficou pronto em 1951. Três anos depois, seguem-se os Pavilhões de Arquitectura e de Exposições projectados pelo arquitecto Manuel Lima Fernandes de Sá em 1951 (Fernandes, 2007, p. 125). Entre o edifício construído em 1954 e as fotomontagens a diferença está na proposta de elementos verticais adoçados às fachadas principal e lateral como separadores das janelas, e o acrescento de um novo espaço, muro e entrada reformulados. O plano base da fachada do Pavilhão de Arquitectura e suas janelas mantêm-se os mesmos. O projecto parece querer individualizar o edifício de arquitectura e o pavilhão de exposições do resto da escola, criando uma nova entrada distribuidora para os diferentes espaços do complexo escolar, independente ao edifício principal. Ao contrário dos dois projectos anteriormente referidos, aqui é completamente assumida a perspectiva ilusória, conforme à realidade fotografada. Por último, encontramos a fotomontagem, fotografada e retocada por Teófilo, de um projecto de urbanização – ou talvez um pólo universitário - desenhado junto à ponte da Arrábida pelo arquitecto Luís Leitão, provavelmente dos anos 60, hoje um dos pólos da Universidade do Porto. Monumento ao Infante D. Henrique, Sagres. Projecto de fotomontagem do projecto F.E. Arquitecto Manuel da Silva Passos Junior. 1954-1957. 13 x 18 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FMLTR-COM-524-006 Madureira, provavelmente dos anos 60 e onde hoje se situa o edifício da Companhia de Seguros Axa, projectado pelos arquitectos José Pulido Valente, Nicolau Brandão e Ricardo Figueiredo em 1970. 74 75 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego É de notar a aparente pequena escala de todos estas fotomontagens reproduzidas por Teófilo. Elas procuram antever, documentar ou informar quer os próprios arquitectos quer os seus clientes, sem no entanto envolverem espacialmente quem os olha. A segunda série de documentos encontrados no Arquivo diz respeito a colagens e fotomontagens realizadas pelo próprio Teófilo Rego. Reconhecendo em Teófilo uma especial capacidade para fotografar maquetas, encontram-se duas fotocolagens constituídas pela montagem, à escala, de uma fotografia de uma maqueta recortada e colada sobre uma foto prévia do local.10 Uma delas refere-se ao trabalho sobre o projecto de uma habitação unifamiliar do arquitecto Francisco Ferreira, sem data, em que a iluminação da maqueta se integra na perfeição na luz ambiente do território fotografado. É o único exemplar desta prática que se encontrou no Arquivo. Já quanto às outras imagens, as do Concurso Internacional para o monumento ao Infante D. Henrique em Sagres, de 1954-57, trata-se da realização não de colagens mas de fotomontagens, verdadeiras encenações das maquetas no local e respectiva envolvente ambiental. Realizadas nas duas fases do concurso, constituíram um momento de grande criatividade para Teófilo Rego. Importa aqui referir alguns aspectos relacionados com o concurso. O promontório de Sagres tem sido um local intimamente ligado à figura do Infante D. Henrique e tem tido um papel inegável no âmbito do património espiritual português, importância devidamente salientada na construção do discurso do Estado Novo. A realização de vários concursos para a construção de uma peça escultórica monumental ao longo do século XX, nunca executada, é bem demonstrativa da importância ideológica nacionalista que lhe era dada pelo regime. No Artigo 2 do Decreto-Lei que cria a Comissão Nacional responsável pelas comemorações henriquinas é referido que “fará parte das comemorações (…) a erecção, no promontório de Sagres, de um monumento que, além de constituir particular homenagem ao Infante, represente a consagração do primeiro ciclo dos descobrimentos dos Portugueses e do movimento que abriu o mar à civilização do Ocidente”.11 Sabe-se que dos quatro projectos trabalhados por Teófilo Rego, apenas Mar Novo, de Andresen, passou à segunda fase do concurso.12 Tal facto, a escala das maquetas fotografadas e a aparente utilização da mesma maqueta em barro do promontório de Sagres para a realização de todo as fotografias dos diversos projectos a concurso leva-me a concluir que as fotomontagens com o promontório de Sagres incluído deverão ter sido realizadas ainda na primeira fase. Nenhuma foi publicada como tal no catálogo do concurso – nele, salvo raras excepções, todas as maquetas são reproduzidas recortadas contra um fundo negro – nem terão sido utilizadas nos processos dos projectos. Nas três fotomontagens encontradas relativas ao projecto Cruz, do arquitecto Nadir Afonso, a abordagem que Teófilo desenvolve é um dos elementos centrais do trabalho. No sentido de demonstrar esse aspecto, as provas fotográficas na sua totalidade são exemplares quanto ao método de trabalho de Teófilo, mesmo sabendo que posteriormente as imagens finais eram objecto de um reenquadramento e de um profundo trabalho de retoque manual. À fotografia da maqueta era associada, num primeiro momento, uma imagem do mar. Posteriormente, a essa imagem composta, com um falso horizonte visual, era associada uma imagem de um céu com nuvens. A imagem final era então impressa e retocada. Nos três negativos existentes Teófilo explora diferentes pontos de vista aéreos (Sul, Norte e Sudeste), tendo finalmente optado por desenvolver e retocar aquele que melhor caracterizava a arquitectura do monumento e a sua inserção no promontório. Havia precedentes no anterior Concurso para o monumento ao Infante D. Henrique em Sagres, de 193335. Trata-se das fotomontagens de Mar, projecto dos arquitectos Pardal Monteiro e Leopoldo de Almeida, e de Padrão Das Cinco Quinas, do arquitecto José Cortez. No primeiro caso, uma fotografia recortada da maquete foi sobreposta a uma vista aérea do promontório de Sagres. No concurso de 195457 o mesmo é feito com a maqueta do projecto Caravela, do arquitecto Veloso Reis Camelo relativo à sua implantação. No segundo caso é a vista aérea da maqueta do próprio promontório com o monumento que é colada a uma vista do mar e céu. 10 Decreto-Lei nº 39.713, Diário do Governo I Série, n.º 142, 1 de Julho de 1954. 11 A concurso apresentaram-se à primeira fase 22 concorrentes nacionais e 23 estrangeiros, de nove países. Entraram 51 projectos concorrentes mas só 45 foram aceites por cumprirem o regulamento. Destes, 9 foram inicialmente seleccionados pelas 31 personalidades constituintes do Júri, representativas de variadas instituições culturais. Na reunião de 30 de Setembro de 1955, e por maioria, 5 passaram à segunda fase, ficando os seus autores obrigados à apresentação dos projectos do monumento à escala 1:100. O projecto MAR NOVO de João Andresen ganhou o concurso com catorze votos a favor. O arquitecto Raul Lino (DGEMN), um dos elementos do Júri, não votou na última reunião por considerar que nenhum dos projectos respondia ao tema proposto. Mais tarde, numa simples nota da Comissão Executiva do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, publicada nos jornais de 12 de Dezembro de 1956, dá-se conta de um despacho de Salazar de 6 de Dezembro que comunicava a decisão tomada em Conselho de Ministros, da não construção do monumento em Sagres. 12 São disso exemplo, entre outros, as fotografias de edifícios projectados pelo arquitecto Rogério de Azevedo, realizadas por Teófilo Rego para a exposição Marques da Silva. Exposição conjunta das principais obras do Mestre e de alguns dos seus discípulos. Homenagem promovida pela Escola Superior de Belas do Porto com a colaboração da Sociedade Nacional de Belas Artes e do Sindicato Nacional dos Arquitectos. Porto: Escola Superior de Belas Artes do Porto, Dezembro de 1953. 76 77 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Como podemos observar, a abordagem técnica e expressiva de Teófilo era completamente diversa. Numa das duas fotomontagens do projecto Fé, dos arquitectos Manuel da Silva Passos Júnior e Rafael de Oliveira, Teófilo ensaia um ponto de vista diferente. Nele enfatiza os elementos arquitectónicos, a sua verticalidade e a frontalidade da composição. A junção de todos os elementos fotográficos tem aparentemente como referência uma das imagens do simulacro que acompanhava o parecer do Laboratório Nacional de Engenharia Civil sobre a visibilidade de um monumento com 100 metros de altura, a partir do mar. Na outra fotomontagem praticamente repete a composição realizada para o projecto Rota do arquitecto Eduardo Raul da Silva Martins, onde sobrepõe as fotografias da maquete do promontório com a maquete do monumento a uma imagem aérea de Sagres idêntica à colagem precedente de 1933. No caso do projecto Mar Novo, do arquitecto João Andresen, a fotografia desempenha um papel importante quer no livro da memória descritiva, que acompanha as várias fases do concurso, quer no processo do projecto. Para além de uma relação profissional grande e prolongada no tempo entre o arquitecto e Teófilo Rego (Pinto, 2012), houve neste trabalho uma enorme cumplicidade, tendo sido largamente ultrapassando o número de imagens e de abordagens expressivas estritamente necessárias para a realização do trabalho. Há nele claramente um transbordar de imaginação. Tornou-se para Teofilo motivo, ou necessidade, de uma grande criatividade, como se o local e o projecto imperativamente assim o pedissem. Pode-se dizer que “qualquer representação de um lugar é uma representação do ponto de vista do fotógrafo - a sua (...) relação individual com um lugar ou sítio. A representação deve abordar este aspecto subjetivo, assim como as limitações do meio da própria fotografia” (Emerling, 2012, p. 50). Em Teófilo há a aproximação a um realismo que podemos designar de fantástico. O seu trabalho está para além da mera questão formal. Nele deixa-se contaminar pelo local e pela plasticidade nova do projecto de um monumento moderno e investe na atmosfera, na dramatização, no simbólico. Ao contrário das fotomontagens que realiza do projecto de Nadir Afonso, estas não são imagens que esclarecem a implantação no terreno. Tal como no projecto Fé, também aqui uma das fotomontagens parece ter sido influenciada por outra das imagens do simulacro que acompanhava o parecer do Laboratório Nacional de Engenharia Civil; desta vez sobre a visibilidade de um monumento com 100 metros de altura, a partir da linha de navegação (distância de 3 milhas náuticas). Monumento ao Infante D. Henrique Projecto de fotomontagem do projecto Cruz. Arquitecto Nadir Afonso. 1954-1957. 13 x 18 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-529-003 78 79 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Já sabíamos que Teófilo Rego manipulava o céu nas suas fotografias, usando-o como um elemento de dramatização das imagens.13 Nas fotomontagens que realiza para o projecto Mar Novo repete por mais de uma vez os céus por ele fotografados, utilizando-os tanto na realização das fotomontagens, em que cria a imagem de um ambiente natural, como nas fotografias da maqueta como um fundo contra o qual ela se recorta. Pretendendo deliberadamente que o monumento fosse a expressão de uma nova época, João Andresen pensa-o como “uma forma. É um gesto circular e ascensional que nascendo da Terra tão portuguesa de Sagres desaparece no Céu. Uma forma com o valor de uma síntese plástica das descobertas”.14 Para ele “a nossa época é uma época nova, que mercê das novas conquistas nos domínios da técnica, da arte e da ciência, se impõe fatalmente por um novo conceito do monumental que se situa sob o signo da Forma”.15 Para Andresen o projecto é um todo coerente e cumpre claramente uma intenção monumental. Mas sabemos que “uma das características do movimento moderno residiu num certo desdém pelo envolvimento local da arquitectura, envolvimento que surgia como preocupação tingida de romântico passadismo. A solução que Andresen apresenta, ainda que plasticamente notável, dizia isso precisamente. O trabalho que desenvolve (…) não interpretava, e nem verdadeiramente o poderia fazer, o significado do local. Entender Sagres era entender o mito, era entender o sagrado, e isso estava fora do âmbito da linguagem moderna. E não o poderia fazer, porque era esse mesmo um ponto preciso de afirmação modernista.” (Almeida, 2002, p. 132) Provavelmente João Andresen terá intuído esta realidade na sua tradução plástica nas imagens realizadas, já que nenhumas das fotomontagens com o promontório foram utilizadas na ilustração do projecto ou no livro da memória descritiva nas primeira e segunda fases do concurso. As fotomontagens que isolam a maqueta do território e a mostram implantada sobre uma base neutra, tendo como pano de fundo um céu com nuvens, foram incluídas nos painéis do processo como alçados à escala 1:200. No Arquivo Teófilo Rego encontram-se dois negativos destas imagens. Já as duas colagens, realizadas por Andresen e fotografadas por Teófilo, sobre dois dos espaços subterrâneos da intervenção, para que nenhum edifício entre “em flagrante conflito com o Monumento, que deve existir isolado sob o panorama de Sagres, em permanente parceria com o Mar e o Vento”,16 constam do livro memória. Ao contrário da colagem da foto de uma maqueta de uma habitação unifamiliar anteriormente referida, todas as fotomontagens de Teófilo Rego são imagens construídas, fruto de um método racional, mas também emotivo. À medida que o seu olhar se aproxima das maquetas, se fecha o campo visual, as imagens tornam-se mais escultóricas e abstractas, formas modeladas pela luz. Afastamse de uma possível efeito ilusório da realidade. Se nas composições sobre o território e o monumento Teófilo procura, mais do que o realismo, um certo naturalismo expressivo, ainda herança da sua formação17 e aqui reforçado, por exemplo, pelo texto da memória descritiva de Mar Novo que de algum modo o pede, nas fotos de grandes planos é a abstracção geométrica da forma arquitectónica que impera, levando o trabalho de Teófilo para um campo por ele ainda não anteriormente explorado. 13 Mar Novo, Concurso de Projectos para o Monumento ao Infante D. Henrique, 2ª Fase, Memória Descritiva e Justificativa, s/d, Porto. 14 Mar Novo, Concurso de Projectos para o Monumento ao Infante D. Henrique, 2ª Fase, Memória Descritiva e Justificativa, s/d, Porto. 15 Mar Novo, Concurso de Projectos para o Monumento ao Infante D. Henrique, 2ª Fase, Memória Descritiva e Justificativa, s/d, Porto. 16 Foi com Marques de Abreu (1879-1958), editor, gravador e fotógrafo especializado na fotografia de arquitectura, que Teófilo Rego iniciou a sua vida de trabalho. A obra de Marques Abreu representa uma das últimas manifestações da fotografia naturalista/pictoralista em Portugal. 17 Foi com Marques de Abreu (1879-1958), editor, gravador e fotógrafo especializado na fotografia de arquitectura, que Teófilo Rego iniciou a sua vida de trabalho. A obra de Marques Abreu representa uma das últimas manifestações da fotografia naturalista/pictoralista em Portugal. 80 81 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Referências Bibliográficas Abreu, José Guilherme Ribeiro Pinto de (2006). Escultura Pública e Monumentalidade em Portugal (1948-1998). Lisboa: FCSH-UNL. Ades, Dawn (1986). Photomontage. Londres: Thames and Hudson. Almeida, Pedro Vieira de (2002). A Arquitectura no Estado Novo, uma leitura crítica. Lisboa: Livros Horizonte. Bois, Yve-Alain (1981). Metamorphosis of Axonometry. Daidalos, 1, 47-50. Colomina, Beatriz (2010). Media as Modern Architecture. Exit, 37, 128-139. Cortez, José (1935). Memória descritiva e justificativa do projecto apresentado pelo arquitecto José Cortez, com a colaboração do escultor Francisco Franco, ao concurso para o monumento a erguer em Sagres ao Infante Dom Henrique. Lisboa: Imprensa Libanio da Silva. Elwall, Robert (2004). 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PT-FML-TR-COM-70-109 100 101 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego ESBAP – Exposição. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-71-032 ESBAP – Exposição de homenagem a Carlos Ramos. 1968. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-70-039 102 103 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego ESBAP – Inauguração de exposição de escultura. s.d. 6 x 6 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-69-061 ESBAP – Exposição Magna. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-69-115 104 105 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego ESBAP – Exposição com projectos de arquitectura e urbanismo. s.d. 6 x 6 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-69-036 ESBAP – Exposição Magna s.d. 13 x 18 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-69-006 106 107 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego ESBAP – Exposição Magna. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-69-007 ESBAP – Carlos Ramos apresentando um livro numa exposição. s.d. 6 x 6 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-69-023 108 109 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Arquitecto Carlos Ramos conduzindo uma visita à ESBAP. s.d. 6 x 6 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-70-121 ESBAP - Exposição Magna. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-69-125 110 111 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego ESBAP - Exposição. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-70-119 ESBAP - Exposição Magna. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-69-109 112 113 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego ESBAP – Exposição Magna 1961. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-69-020 ESBAP – Exposição s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-70-042 126 127 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Mercado do Bom Sucesso, Porto. Perspectiva do interior. ARS Arquitectos. 1952. 13 x 18 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-58-014 Edifício Industrial. Fotomontagem s.d. 13 x 18 cm, negativo de gelatina e prata em vidro. PT-FML-TR-COM-54-011 128 129 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego → Mercado do Bom Sucesso Perspectiva do exterior da construção. posterior a 1952. 13 x 18 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose PT-FML-TR-COM-58-016 Estádio das Antas, Porto. c. 1952. 9 x 12 cm, prova em papel de revelação plastificado. PT-FML-TR-PES-16-054 130 131 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Gamobar - Pavilhão industrial Peugeot. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-308-003 Circo no Pavilhão dos Desportos, Porto. 1952. 9 x 12 cm; negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-99-012 132 133 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Edifício de Comando de Salamonde. HICA. 1953. 6 x 6 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-204-003 Barragem de Paradela. HICA. 1955. 6 x 6 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-206-018 134 135 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Interior da central de Salamonde. HICA. 1952. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-204-037 Interior da central de Salamonde. HICA. 1952. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-204-037 136 137 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Central de Paradela. HICA. 1955. 6 x 6 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-206-019 Barragem da Paradela. HICA. 1956. 6 x 9 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-206-066 138 139 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Festa da HICA. 1958. 6 x 6 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-204-011 → Observatório Astronómico da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-555-008 140 141 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Faculdade de Economia da Universidade do Porto em construção. Arquitecto Viana de Lima. c. 1961. 9 x 12 cm, prova em papel de revelação plastificado. PT-FML-TR-COM-555-047 Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Arquitecto Viana de Lima. 1961. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-555-015 Ponte da Arrábida em construção, Porto. c. 1962. 9 x 9 cm, prova em papel de revelação plastificado. PT-FML-TR-PES-16-045 142 143 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Barragem do Alto Rabagão. HICA. 1962. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-206-026 Ponte da Arrábida, Porto. 1963. 9 x 12 cm, prova em papel de revelação plastificado. PT-FML-TR-PES-16-046 → Barragem de Salamonde. HICA. 1951. 6 x 6 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-206-020 144 145 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Pavilhão dos Desportos, Porto. Cobertura. Arquitecto José Carlos Loureiro. 1952. 12 x 16 cm, prova em papel de revelação plastificado. PT-FML-TR-COM-318-007 Exposição da HICA no Pavilhão dos Desportos, Porto. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-206-042 158 159 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Habitação, Vila Nova de Gaia. Arquitecto Arménio Losa & Arquitecto Cassiano Barbosa. c. 1950. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-99-005 ← Pormenor Casa Dr. Ribeiro da Silva, Ofir. Arquitecto Fernando Távora. 1956-1957. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-539-001 Casa Lino Gaspar, Figueira da Foz. Perspectiva do exterior. Arquitecto João Andresen. 1955-1957. 6 x 6 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-50-069 160 161 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Casa Dr. Ribeiro da Silva, Ofir Arquitecto Fernando Távora 1956-1957. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-539-001 Edifício de gaveto. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-450-004 Edifício de habitação, gaveto das Ruas António Enes e Rua 9 de Julho. 9x12cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-365-004 162 163 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Casa Lino Gaspar, Figueira da Foz. Arquitecto João Andresen. 1955-1957. 6 x 6 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-50-067 Bairro da FCP-HE, Vila Nova de Gaia. Perspectiva de conjunto. Arquitecto João Andresen. 1957-1960. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-50-062 164 165 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Bairro da FCP-HE, Vila Nova de Gaia. Perspectiva de conjunto. Arquitecto João Andresen. 1957-1960. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-50-060 Bairro da FCP-HE, Vila Nova de Gaia. Perspectiva de conjunto. Arquitecto João Andresen. 1957-1960. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-50-058 166 167 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Casa Richard Wall, Porto. Perspectiva do exterior. Arquitecto João Andresen. 1958-1960. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-50-108 Edifício de habitação unifamiliar, Porto. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-99-003 168 169 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Escada da Casa de Espinho. Arquitecto Fernando Lanhas. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-52-001 Prédio de rendimento s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-54-003 Parque Residencial da Boavista, Porto. Arquitecto Agostinho Ricca para a Sociedade de Construções William Graham. 1960-1973. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-64-003 170 171 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Casa Richard Wall, Porto. Perspectiva do exterior. Arquitecto João Andresen. 1958-1960. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-50-109 Habitação. Arquitecto Pádua Ramos. s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-308-007 172 173 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego “As paisagens do Cávado, criadas por vontade do Estado e impostas pela técnica dos engenheiros, foram o espaço de actuação de um arquitecto sensível à ruralidade do território. Januário Godinho, evidenciando um conhecimento histórico dos fenómenos modernos que existem em constante relação com os do passado, concebeu uma série de povoações e centrais que desenvolveram uma relação dialéctica com a paisagem, que a fotografia foi capaz de registar e revelar. Nas casas e pousadas, os fotógrafos realçaram o lado mais regional da arquitectura, os telhados em telha cerâmica, os beirais ou a rugosidade das paredes aparelhadas em granito à vista. Já nas centrais e nas barragens, foram as capacidades construtivas do betão e a sua plasticidade que importaram serem mostradas.” César Machado Moreira & Miguel Silva Graça Moreira, César Machado; Graça, Miguel Silva (2013) “Photography, landscape and modern architecture: Januário Godinho, Teófilo Rego and Álvaro Cardoso de Azevedo - the HICA connection”, in Comtemphoto ’13 Comtemporary Photography Conference, Visualisation & Urban History in “Comtemporary Photography”. Istambul: Dakam Publishing. Bairro de Pisões. HICA. 1965. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-205-007 175 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego MAQUETAS 176 177 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Arquitecto Pereira da Costa com maqueta do bloco da Praça D. Afonso V, Porto. 1953. 9 x 12 cm, prova em papel de revelação plastificado. PT-FML-TR-COM-456-006 ← Pormenor Pavilhão dos Desportos, Porto. Arquitecto José Carlos Loureiro. 1952. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-318-010 Monumento ao Infante D. Henrique, Sagres. Arquitecto João Andresen. 1954-1956. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato. PT-FML-TR-COM-50-021 190 191 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Maqueta de estudo do Parque Residencial da Boavista, Porto. Arquitecto Agostinho Ricca para a Sociedade de Construções William Graham. 1960-1973. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-381-093 Maqueta de fase intermédia do Clube Residencial da Boavista, Porto. Arquitecto Agostinho Ricca para a Sociedade de Construções William Graham. 1960-1973. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-381-121 192 193 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Maqueta de um conjunto residencial , Porto s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-98-007 Maqueta de habitação s.d. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-462-003 194 195 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Maqueta da Igreja Paroquial da Cedofeita, Porto. Arquitecto Alves de Sousa. c. 1979. 10,5 x 14,5 cm; postal. PT-FML-TR-COM-471-003 Maqueta da Igreja Paroquial da Cedofeita, Porto. Arquitecto Alves de Sousa. c. 1979. 10,5 x 14,5 cm; postal. PT-FML-TR-COM-471-004 196 197 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego NOCTURNOS 198 199 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego ← Pormenor Estação de serviços Sacor. 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-306-023 Edifício Belarte em construção. 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-68-002 Edifício da empresa de Publicidade Belarte 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-COM-68-001 200 201 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Palácio de Cristal do Porto. a. 1951. 9 x 12 cm, prova em papel de revelação plastificado. PT-FML-TR-PES-16-036 Fachada 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-206-091 202 203 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Venda Nova. HICA. 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-206-012 Venda Nova. HICA. 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-206-015 Estação de serviços Sacor. 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-306-022 204 205 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Estação de serviços Sacor. 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-306-023 Barragem da Venda Nova. HICA. 1950. 9 x 2 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-206-053 206 207 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Praça de D. João I e ruas Rodrigues Sampaio e Sá da Bandeira, Porto. 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-306-020 Palácio Atlântico, Praça de D. João I, Porto. 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-306-011 Edifício Armazéns dos Leões com reclame luminoso da Neolux, Porto. 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-306-016 208 209 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego Teatro Rivoli, Praça de D. João I, Porto. ARS Arquitectos. 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-306-015 Reclames luminosos na Praça da Liberdade, Porto. 1947-1970. 9 x 12 cm, negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. PT-FML-TR-COM-306-017 222 223 Arquitectura Moderna no arquivo Teófilo Rego DIORAMA DE FOTOGRAFIA DE ARQUITECTURA Teófilo Rego - HICA Nº1 O diorama teatral é um tipo de caixa óptica enquadrado no contexto histórico dos espectáculos ópticos do séc.XVIII e inícios de séc. XIX. Martin Engelbrecht foi um dos principais produtores dos dioramas, entre 1717 e 1756, tendo benificiado da evolução das técnicas da gravura e da impressão para a sua produção em série. Este diorama representa uma barragem inserida na paisagem montanhosa do norte de Portugal, pertencente à Hidroeléctrica do Cávado – HICA. Nos anos 50 e 60 a HICA construiu com o arquitecto Januário Godinho diversas instalações ao longo do rio Cávado e do afluente Rabagão. A fotografia é de Teófilo Rego – Foto Comercial, do início dos anos 60. É uma imagem que apresenta as marcas de deterioração do negativo original, assinalando a passagem do tempo e o processo de trabalho do fotógrafo. O diorama realiza a transformação de elementos bidimensionais da fotografia — os elementos figurativos e outros, como os canais resul-tantes da deterioração da película do negativo — numa imagem tridimensional composta por uma sequência de planos independentes. Produz-se, assim, uma imagem com um caráter plástico e um sentido representativo que convoca interpretações diversas, da história económica e social do país, da arquitectura, da fotografia, da comunicação e da imagem. A B 2 3 4 C DE ED INSTRUÇÕES DE MONTAGEM DO DIORAMA: 1º recortar cada peça. 2º dobrar as abas assinaladas com letras e números. 3º colar as abas às zonas com o mesmo número ou letra. 23 A B C Ficha Técnica da Exposição Organização: Projecto FAMEP (CEAA – Casa da Imagem) Coordenação Geral: Alexandra Trevisan, Inês Azevedo e Joana Mateus Comissariado Científico: Alexandra Cardoso, Alexandra Trevisan, César Machado Moreira, Graça Barradas, Inês Azevedo, Joana Mateus, Jorge Cunha Pimentel, Maria Helena Maia, Miguel Silva Graça, Miguel Moreira Pinto Concepção Expositiva: Graça Barradas, Inês Azevedo e Joana Mateus Fotografia: Teófilo Rego Tratamento e edição de imagem: Cláudia Gaspar e Joana Mateus Montagem: Alexandra Cardoso, Alexandra Trevisan, César Machado Moreira, Cláudia Gaspar, Emanuel Santos, Graça Barradas, Inês Azevedo, Joana Mateus, João Carvalho, Marta Ribeiro, Nuno Brandão, Nuno Guedes, Susana Lage e Tatiana Santos. Local e data: Museu Casa da Imagem, Vila Nova de Gaia, 9-29 e Julho de 2015 232