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A PRÁTICA VOCAL COMO VEÍCULO DE APRENDIZAGEM MUSICAL Maria João Gonçalves de Morais Setembro, 2021 Relatório de Estágio de Mestrado em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico
Relatório de Estágio apresentado para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Ensino da Educação Musical no Ensino Básico, realizado sob a orientação científica da Professora Isabel Maria Lopes Figueiredo, Professora Auxiliar convidada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e do Professor João Nogueira, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
DECLARAÇÃO Declaro que este Relatório de Estágio é o resultado da minha investigação pessoal e independente. O seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão devidamente mencionadas no texto, nas notas e na bibliografia. O candidato __________________________________ Lisboa, ..... de ......................... de 2021 Declaro que este Relatório de Estágio se encontra em condições de ser apreciado pelo júri a designar. O orientador __________________________________ Lisboa, ..... de ......................... de 2021 Assinado por : JOÃO MANUEL NUNES DA SILVA NOGUEIRA Num. de Identificação: 04318886 Data: 2021.09.30 13:26:15 +0100
i Agradecimentos À minha amiga Dra. Catarina Mendes Godinho pela amizade, orientação e inexcedível competência que me foram fundamentais no decurso deste ano. À minha mãe por ser uma referência, que me transmite força, energia e vontade de aprender e fazer sempre melhor. Aos meus alunos pela aprendizagem mútua e contínua. Aos meus colegas de mestrado pelas aprendizagens partilhadas. À Professora Cooperante um extenso obrigada pela sua generosidade, entrega e orientação no trabalho que desenvolvi com os seus alunos. Ao Professor João Nogueira o mais profundo muito obrigada pela sua disponibilidade e apoio em todos os momentos. À Professora Isabel Figueiredo um especial obrigada pelo questionamento constante das nossas observações levando-me a níveis mais profundos de reflexão e pelo apoio na elaboração, organização e revisão do presente relatório. À Professora Helena Rodrigues toda a gratidão pelos ensinamentos e orientação nas pedagogias de ensino, em especial a Teoria de Aprendizagem Musical, e pelo desenvolvimento de competências pessoais.
ii "A música dá alma ao universo, asas à mente, voo à imaginação e vida a tudo." Platão
iii RESUMO A PRÁTICA VOCAL COMO VEÍCULO DE APRENDIZAGEM MUSICAL Maria João Gonçalves de Morais O presente relatório foi elaborado no âmbito da unidade curricular de Prática de Ensino Supervisionada do Mestrado em Ensino da Educação Musical no Ensino Básico na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa realizada no ano letivo de 2018/2019. O principal objetivo deste relatório é a descrição de observações e práticas, e a reflexão crítica sobre o observado, lecionado e aprendido enquanto estagiária numa escola de Ensino Básico. O relatório é constituído por quatro capítulos: no primeiro expõe o enquadramento teórico da educação musical no ensino básico, apresentando a sua contextualização no sistema educativo português, uma síntese das orientações curriculares para o ensino básico e uma revisão pedagógica e científica dos benefícios da prática vocal no ensino musical. No segundo uma breve descrição do contexto em que decorreu o estágio com a caracterização do agrupamento escolar, da escola, dos alunos e das salas de educação musical. No terceiro uma descrição e reflexão sobre práticas observadas no local de estágio e fora deste, e a descrição e reflexão sobre a minha prática enquanto estagiária em aulas e no desenvolvimento do Projeto para o Dia do Agrupamento - Canções de Maio. No quarto capítulo uma reflexão sobre a proposta feita pelo Professor Doutor João Nogueira à participação dos alunos de Mestrado em Ensino de Educação Musical no projeto de investigação "Cantar Mais". PALAVRAS-CHAVE: Canto, Prática Vocal, Educação Musical.
iv ABSTRACT VOCAL PRACTICE AS A MUSICAL LEARNING TOOL Maria João Gonçalves de Morais The current report was elaborated within the scope of the course unit of Supervised Teaching Practice of the Master in Music Education Teaching in Faculdade de Ciências Sociais e Humanas of Universidade Nova de Lisboa in the school year of 2018/2019. The main purpose of this report is to describe observations and practices, and achieve a critical reflection on what was observed, taught and learned as an intern at a school of second and third cycles. The report has four chapters: the first presents the theoretical framework of music education in first, second and third teaching cycles, presenting its contextualization in the Portuguese educational system, a summary of curriculum guidelines for basic education and a pedagogical and scientific review of the benefits of vocal practice in music education. In the second chapter a brief description of the context in which the internship took place with the characterization of the school group, the school, the students and the music education rooms. In the third chapter a description and reflection on practices observed at and outside of the internship site, and the description and reflection on my practice as an intern in classes and in the development of the Project for the Day of the School Group - "Canções de Maio". Finally, in the fourth chapter, a reflection on the proposal made by the PhD Professor João Nogueira to the participation of Master students in Music Education Teaching in the research project "Cantar Mais". KEYWORDS: Singing, Vocal Practice, Musical Education.
v Índice Resumo ............................................................................................................................iii Abstract ............................................................................................................................iv Índice ................................................................................................................................v Índice de figuras ..............................................................................................................ix Índice de tabelas ...............................................................................................................x Lista de abreviaturas ........................................................................................................xi Introdução .........................................................................................................................1 1. A educação musical no ensino básico ..........................................................................3 1.1 Contextualização da Educação Musical no sistema educativo português ..................3 1.2 Orientações curriculares para o ensino básico ............................................................6 1.3 Prática Vocal na Educação Musical ...........................................................................9 1.3.1 Prática Vocal à luz da Pedagogia ............................................................................9 1.3.2 Etapas do desenvolvimento vocal nos jovens ........................................................10 1.3.2 Benefícios da Prática Vocal ...................................................................................14 2. Contextualização da Prática de Ensino Supervisionada (caracterização da EB 2/3) ..16 2.1 O Agrupamento escolar ............................................................................................16 2.2 A Escola ....................................................................................................................16 2.3 Os Alunos .................................................................................................................17 2.4 Os Professores de Educação Musical .......................................................................18 2.5 As salas de Educação Musical ..................................................................................19 3. Prática de Ensino Supervisionada ...............................................................................21
1 Introdução Este relatório de estágio versa sobre o trabalho desenvolvido enquanto professora estagiária de educação musical numa Escola Básica do 2.º e 3.º ciclos no ano letivo de 2018/2019. Ao longo do ano letivo frequentei as unidades curriculares de Prática de Ensino Supervisionada (PES) e Seminário de Orientação para a Prática de Ensino Supervisionada (SOPES) na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas juntamente com os colegas de mestrados. O estágio na Escola Básica de 2.º e 3.º ciclo foi partilhado com a professora estagiária Isabel Moreira, com a qual procedi à elaboração conjunta de um portefólio de materiais, muitas conversas sobre as observações, currículos, práticas, conversas sobre as aulas de PES e SOPES a que a colega não pode assistir devido à maternidade e de tudo um pouco. Houve um ambiente de cuidado mútuo, preocupação, entreajuda e amizade. A presença na escola enquanto professora estagiária permitiu observar professor e alunos, numa triangulação privilegiada, escrutinando ações, intenções e sentimentos de ambas as partes, encontrando diversas linhas de comunicação que não apenas a oral. As turmas têm um elevado número de alunos, o que apresenta desafios aos docentes sobretudo aos que apresentam níveis de tolerância ao ruído mais baixos. Ora as sociedades caminham cada vez mais no sentido do desconforto do silêncio, vive-se a era do ruído. Não há loja, restaurante, centro comercial, bar e tantos outros locais que não tenham música sempre em pano de fundo sonoro e tantas vezes em volumes tão elevados que convidam todos a comunicar em esforço vocal, ou mesmo a desistir de comunicar pelo esforço contínuo para o fazzer. Quero com isto dizer que os jovens na maioria das vezes não sentem o barulho que fazem nas salas de aula como algo incomodativo, porque se habituaram a níveis sonoros elevados na maioria dos locais que frequentam e esta é uma das maiores batalhas que encontramos nas salas de aula do país. Professores com baixa tolerância ao ruído e alunos dessensibilizados ao mesmo. Como fazê-los apreciar o silêncio é um grande desafio, posso afirmar que ao longo do ano houve vários momentos surpreendentes e mágicos em que, sem grande esforço ou intenção planeada, isso aconteceu quer sob a orientação da professora cooperante quer nas aulas que lecionei. Muitos destes momentos foram alavancados pela curiosidade de um aluno, que fez uma pergunta interessante, a propósito de uma atividade, e em que
2 muitas orelhas se focaram no professor com o maior dos interesses, mas também nos momentos em que aderiram a uma atividade proposta na sala com esmero e foco. E aqui residem muitos dos melhores momentos da atividade docente, quando sentimos que modificámos a forma como escutam, comunicam e se entregam ao professor e à arte musical. O trabalho de um professor é de pesquisa e busca constante por novos materiais, experiências e novas metodologias que possam enriquecer a sua síntese pessoal. Por essa razão procurei ao longo do ano letivo continuar a crescer e aprender realizando diversas formações: curso de pedagogia musical para a iniciação musical de Jos Wuytack; workshop de Teoria de Aprendizagem Musical para o Ensino Básico orientado pela professora Doutora Cynthia Taggart; ação de formação Educação Kodály: música no ensino geral e especializado sob orientação de Cristina Brito da Cruz e László Nemes; ação de formação Kodály: educação musical baseada no canto - nível I e II sob orientação de Lilla Gábor; ação de formação Princípios Willems na educação musical - ensino geral e especializado orientado por Christophe Lazerge; e o curso Música no 1.º Ciclo do Ensino Básico Aplicação da Teoria de Aprendizagem Musical de Edwin Gordon lecionado pela Professora Ana Isabel Pereira. O relatório tem no primeiro capítulo uma exposição do enquadramento teórico da educação musical no ensino básico contextualizando-a no sistema educativo português, apresenta uma síntese das orientações curriculares para o ensino básico e faz uma revisão pedagógica dos benefícios da prática vocal no ensino. No segundo capítulo apresenta uma descrição do contexto escolar em que decorreu o estágio, caracterizando o agrupamento escolar, a escola, os alunos e as salas de educação musical. No terceiro capítulo descrevo e reflito sobre práticas observadas no local de estágio e fora dele, e também sobre a minha prática nas aulas e no desenvolvimento do Projeto para o Dia do Agrupamento - Canções de Maio. O quarto, e último capítulo, apresenta uma reflexão sobre a proposta do orientador Professor Doutor João Nogueira à participação dos alunos de Mestrado em Ensino de Educação Musical no projeto de investigação "Cantar Mais".
3 1 A Educação Musical no Ensino Básico 1.1 Contextualização da Educação Musical no sistema educativo português O ensino de música em Portugal estava, até ao primeiro terço do século XIX, ligado à igreja fazendo-se nos seminários, conventos, algumas igrejas e capelas musicais das dioceses formando instrumentistas e cantores. Outra via de formação musical era a que acontecia dentro da família, por exemplo, João Domingos Bomtempo obteve formação com o seu pai, o oboísta da Real Câmara, Francesco Saverio Buontempo (Brito e Cymbron, 1992, p. 139). Corria o ano de 1835, quando o decreto de 5 de maio, criou em Lisboa o primeiro Conservatório de Música, mais tarde Conservatório Nacional, tendo como seu primeiro diretor João Domingos Bomtempo. O Conservatório será durante todo o século XIX a única escola oficial de música do país, concomitante com o ensino da música religiosa feita nos seminários, de acordo com Brito e Cymbron (1992). A partir 1844, com o decreto de António Costa Cabral, há um compromisso do reino para implementar um sistema nacional de ensino primário público obrigatório, sendo este um processo difícil, dada a utopia presente nos discursos liberais, as intenções políticas e a realidade do país eram divergentes. E porquê? Porque faltava uma rede escolar mais alargada e um plano de crescimento desta, escolas a funcionar em melhores condições e com estruturas próprias, um maior investimento, manuais adequados ao ensino, um sistema de pagamento a professores eficiente, adequação orçamental às leis promulgadas, uma política de formação efetiva de professores e mais descentralizada e uma verificação efetiva do cumprimento da obrigatoriedade escolar. Tudo isto foi amplamente debatido ao longo do século XIX, mas quer por força de contingências orçamentais, quer de capacidade organizativa e estrutural do estado, foram sendo desarticuladas com o discurso ilustre e visionário dos envolvidos, remetendo-nos a um atraso sistémico face à europa e américa do norte e do qual levaríamos quase outro século a recuperar, de acordo com Nóvoa (1987). Tendo presente que "O sistema educativo português passou por uma construção retórica da educação" (Martins, 2004, p. 31) então a introdução do Canto Coral pelo decreto de 16 de Agosto de 1870 no ensino primário revela-se como uma presença parca, e para "marcar a unidade de um povo" ajudando a disseminar a ideologia liberal.
4 Mota (2014) cita Real Costa (1923) que afirma que antes do Estado Novo a educação musical no ensino primário "existia apenas 'no papel'" revelando-se pouco importante tanto para as autoridades como para os alunos. Durante o período do Estado Novo, o canto coral assumiu a função de veicular a ideologia nacional e patriótica na escola, e também através da Mocidade Portuguesa, através do hino nacional e de canções populares. O canto coral era uma disciplina de estatuto secundarizado no currículo e tinha professores sem formação apropriada que deixaram memórias negativas em várias gerações de alunos (Boal-Palheiros, 2014). Em 5 de julho de 1973, com a reforma educativa promulgada pelo Ministro da Educação Veiga Simão surgem ventos de modernidade para a educação musical provocados pelo movimento internacional de educação pela arte, assim como, pelo contacto com educadores musicais que visitam o país trazendo influências de pedagogos como Orff, Willems, Dalcroze, Paynter e Schaefer, e que se deveu sobretudo à ação da Fundação Calouste Gulbenkian e da Associação Portuguesa de Educação Musical (APEM). O canto coral vê-se substituído por uma educação musical baseada em conceitos mais abrangentes de ensino e aprendizagem, que defendem que a prática musical deve sempre preceder a teoria. Será depois da revolução de 1974 que serão implementados os novos currículos e programas. A disciplina de Movimento, Música e Drama no ensino primário é reflexo das ideias do movimento internacional "Educação pela Arte" e no ensino preparatório o programa de 1978 de Educação Musical inclui novas áreas como a improvisação e a expressão corporal. Como aspeto negativo a música é retirada, do correspondente ao atual 3º ciclo, sendo apenas opcional no terceiro ano deste ciclo. Desde então, no 3º ciclo, a disciplina nunca mais perdeu o estatuto de opcional. Em 1986 será promulgada a Lei de Bases do Sistema Educativo definindo a escolaridade obrigatória em 9 anos, e organizando o ensino básico em três ciclos, e seus currículos. Esta lei previa uma coadjuvação aos professores titulares do 1º ciclo em áreas como a música, contudo esta proposta nunca avançou nas escolas primárias públicas. Na revisão curricular de 1989 para o ensino básico a música no 1º ciclo adota a designação de Expressão e Educação Musical e pertence à área de Expressão e Educação, o programa da disciplina não tem articulação com os demais ciclos de ensino
5 e mantém a dificuldade de ser o professor de formação generalista a ser o responsável por essa área. Em 2001, é publicado o Currículo Nacional do Ensino Básico - Competências Essenciais pelo Ministério de Educação, aquando da reorganização curricular do ensino básico, onde a música passa a fazer parte da área da Educação Artística, juntamente com a Educação Visual e a Expressão Dramática, e em que se torna clara a importância da música no currículo em paridade com as demais disciplinas. Pela primeira vez as orientações curriculares são articuladas entre os três ciclos do ensino básico, sendo confirmada a importância da Audição, Interpretação e Composição como atividades musicais principais (Swanwick, 1979) e as aprendizagens de músicas de culturas e géneros variados. No ano de 2006 o Ministério da Educação publica o despacho nº 12591/2006 que oferece no 1º ciclo a Educação Musical como atividade extracurricular, reconhecendo tacitamente que a música no 1º ciclo não era adotada como se esperava (Mota, 2007). A implementação não foi um processo linear, havendo problemática com a contratação de professores e com o programa. A expressão musical deveria ser trabalhada pelos professores generalistas, que de uma forma geral têm uma fraca formação nessa área e não estão preparados nem se sentem capazes de o fazer em condições, e o despacho transformou a música, a educação física e o inglês em atividades extracurriculares, de carácter opcional, lecionadas uma vez por semana após as aulas obrigatórias. A APEM (2016) defende o ensino de música no 1º ciclo não como uma "espécie de "suplemento recreativo" ao currículo", mas com a coadjuvação dos professores titulares na área da Expressão Musical por um professor especialista e a permanência do ensino de música nas atividades de enriquecimento curricular (APEM,2015, p.4). O Currículo Nacional do Ensino Básico - Competências Essenciais que definia as competências essenciais para todas as disciplinas é revogado dez anos depois pelo despacho nº 17169/2011 emitido pelo Ministério da Educação e Ciência alegando possuir ideias ambíguas; repetição de ideias; mistura de orientações gerais com determinações dispersas e a diminuição do papel do conhecimento e da sua transmissão, por causa da definição da categoria de "competências" como orientadora do ensino. Este despacho não quer as competências como aglutinadoras de todos os objetivos de aprendizagem, uma vez que estes devem ser decompostos em conhecimentos e capacidades. O documento revogado de acordo com o novo despacho desvalorizava a
6 aquisição de informação, o desenvolvimento de automatismos e a memorização, dificultando a avaliação com esta substituição de objetivos claros por menos claros. Apesar da sua revogação o Currículo Nacional do Ensino Básico - Competências Essenciais continua a ser uma referência para muitos professores de Educação Musical (Mota, 2014). Um ano mais tarde, 2012, o Ministério da Educação e Ciência lança o documento Revisão da Estrutura Curricular que pretende dar início a reformas curriculares mais profundas, almejando a melhoria do ensino (resultados) nas disciplinas fundamentais, reduzindo a dispersão curricular e concentrando mais o mesmo em torno dos conhecimentos fundamentais, reforçando essas disciplinas em tempos letivos. Esta foi a revisão que mais prejudicou a Educação Musical, segundo a APEM (2016), dado que a escola se centrou em conhecimentos, conteúdos programáticos, metas e resultados dos exames nas disciplinas nucleares que servem para as comparações internacionais de rankings. Este documento aumentou o número de alunos por turma, e reduziu de três para dois os tempos letivos na educação musical no 2º ciclo nas escolas, levando a uma redução de docentes nas escolas. Para o 3º ciclo, a disciplina pode ser ministrada semestralmente nos 7º e 8º anos, sendo uma opção das escolas e suas direções e no 9º ano deixou de ser uma opção. Resumindo, a educação musical apenas é obrigatória no 2º ciclo. 1.2 Orientações curriculares para o ensino básico Os princípios orientadores para o ensino da música no 1º ciclo estão reunidos num documento intitulado "Ensino da música, 1º ciclo do ensino básico - orientações programáticas" e pretende ser uma ajuda à prática docente podendo ser ajustado a diversos contextos, com mais ou menos recursos musicais. Define as competências a desenvolver, elenca princípios orientadores da prática letiva, avança com propostas de operacionalização curricular e orientações metodológicas e trás ainda uma lista de recursos, criteriosamente selecionada, para cada tipo de sugestão de atividade. A Direcção-Geral da Educação disponibiliza ainda os documentos Programa de Educação Musical do Ensino Básico do 1º ciclo, já na sua 4ª edição e as Aprendizagens essenciais para o 1º ciclo em Educação Artística - Música, em que se articulam estas com o perfil dos alunos.
7 Os princípios orientadores para o ensino da educação musical no 2º ciclo estão reunidos num documento intitulado "Programa de Educação Musical do ensino básico do 2º ciclo". Este documento foi inspirado no Manhattanville Music Curriculum Program que apresenta um currículo organizado em espiral, tal como na Teoria da Estrutura de Jerome Bruner, onde um mesmo conteúdo é abordado diversas vezes sempre com níveis de profundidade e dificuldade crescentes. Os princípios orientadores neste ciclo de ensino são o desenvolvimento da educação estética; tomar as vivências e pensamentos musicais dos alunos como ponto de partida da criação musical; a promoção do contacto com formas e estilos o mais diversos possível; dar prioridade ao fazer música, promovendo a relação dos alunos com a arte e o desenvolvimento do seu pensamento musical. As finalidades da educação musical enumeradas pelo programa são: a contribuição para a educação estética: o desenvolvimento de capacidades expressivas e de comunicação; a sensibilização para a preservação do património cultural; a contribuição para a socialização e maturação psicológica e o desenvolvimento do espírito crítico. Os objetivos gerais da disciplina são definidos em três domínios: atitudes e valores (com a valorização do património musical português, da sua expressão e a dos outros; definição do seu gosto musical o desenvolvimento do seu sentido crítico); capacidades (desenvolvimento no plano vocal, instrumental e tecnológico; desenvolvimento da memória auditiva e utilização correta de regras de comunicação oral e escrita) e conhecimentos (aquisição de conceitos musicais: timbre, dinâmica, ritmo, altura e forma; reconhecimento destes conceitos musicais em obras diversas; e reconhecimento de características da música portuguesa). Os conteúdos do ensino estão organizados em doze níveis em espiral que devem ser trabalhados durante o 2º ciclo, em cada nível os conteúdos estão definidos para os cinco conceitos musicais já enumerados. Como a aprendizagem é cumulativa e evolutiva todos os conteúdos já aprendidos são integrados nos níveis seguintes sequencialmente. Para as orientações metodológicas há três áreas em destaque: Composição, Audição e Interpretação; que devem ser acompanhadas da memória auditiva, do desenvolvimento da motricidade (vocal, instrumental e de movimento) e de processos de notação convencionais e não convencionais. O programa prevê que a avaliação deve servir para orientar o ensino, permitindo, ao professor uma reflexão sobre a sua prática, e ao aluno uma consciência do seu progresso. A avaliação deve
8 compor-se de uma observação sistemática do aluno face às atitudes e valores, capacidades e conhecimentos. Os princípios orientadores para o ensino da educação musical no 3º ciclo estão reunidos num documento intitulado "Programa de Educação Musical no ensino básico do 3º ciclo". Os princípios orientadores, as finalidades e objetivos gerais da educação musical neste ciclo de ensino são os mesmos do ciclo de ensino anterior, com um grau de profundidade superior, adequado ao grau de maturidade dos alunos. O programa deste ciclo de ensino está organizado em três anos tendo em conta três áreas: formação musical (teoria musical, leitura e escrita, história da música e acústica e eletroacústica); práticas vocais e instrumentais (aquisição de reportório e cultivo da prática musical de conjunto); e improvisação/composição. O programa de 3º ciclo pretende que os alunos passem a uma forma de conhecimento musical mais analítica que lhe advém de um conhecimento teórico-prático mais alargado e profundo. Importa referir um outro documento, da maior importância no que concerne a formação da autonomia, responsabilidade e cidadania ativa do aluno, o "Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória". Tendo presente que "a escola é...[o] lugar privilegiado para os jovens adquirirem as aprendizagens essenciais... [então] uma escolaridade obrigatória de doze anos constitui um desafio...". (p.7) A escola do século XXI deve preparar para a novidade, para o inesperado, para o problema, alimentando o gosto e a vontade por aprender ao longo da vida, ideia já presente no ensaio "Aprender 2020: uma agenda Internacional para a UNESCO" de Roberto Carneiro (2001). A área curricular da educação musical promove de forma mais direta o desenvolvimento das competências chave: aquisição de linguagens e textos; pensamento crítico e criativo; relacionamento interpessoal; sensibilidade estética e artística; e consciência e domínio do corpo. As competências são fundamentais para o perfil dos alunos na medida em que estão envolvidas na forma como estes se apropriam da vida em todas as suas dimensões. No documento "Aprendizagens Essenciais - 2.º Ciclo do Ensino Básico - Educação Musical" as aprendizagens essenciais são articuladas com o perfil dos alunos nos domínios da Experimentação e Criação, Interpretação e Comunicação e Apropriação e Reflexão sempre tendo presente que "a experiência musical é holística, total" (p.3).
9 1.3 Prática Vocal na Educação Musical 1.3.1 Prática vocal à luz da pedagogia Uma vez que, desde que nascemos a voz é o recurso de que dispomos para comunicar e expressar, então a prática vocal será fundamental na Educação Musical, como vetor de desenvolvimento da personalidade humana. Oliver Sacks (2008) cita Schopenhauer que afirma que " A inexprimível profundidade da música, [...] deve-se ao facto de reproduzir todas as nossas mais fundas emoções, mas desligadas da realidade e das suas dores. [... Ela] exprime [...] a quintessência da vida e dos seus acontecimentos." (p. 13). Zoltán Kodály propôs uma educação musical para todos, em que o canto é a sua atividade basilar, primeiro cantar e, depois, ler e escrever. O elemento importante da concepção de Kodály é a constatação de que o canto leva mais directamente à compreensão e à penetração da música. Dá uma vivência completa e nele todo o corpo participa. Do ponto de vista fisiológico, o canto exerce também um efeito benéfico através da respiração e das ressonâncias interiores. ... O canto é mais primário do que a linguagem (os primeiros sons de uma criança são mais próximos do canto do que de formas ulteriores de linguagem). É um utensílio apto a codificar e transmitir emoções, a criar relações emocionais. Facilita o desenvolvimento do ouvido interno, ou seja da imaginação interior das relações e da sequência dos sons, intervalos e melodias, do ponto de vista da altura (Kokas, 1982, p. 2 apud Cruz, C. B., 1995, p. 8). Para Edwin Gordon "a voz e o corpo são os primeiros e os mais importantes recursos na aprendizagem da música". (Rodrigues, Nogueira & Rodrigues, 2014, p. 35) Edgar Willems defende também a prática musical antes da tomada de consciência dos fatos musicais, sendo para ele a canção um ato sintético inconsciente, e o ponto de partida da evolução da vida natural/instintiva para a vida consciente. Segundo Willems "o canto, na criança, é mais que uma simples imitação, e desperta nela qualidades musicais congénitas ou hereditárias". (p. 21) Ao cantar o aluno descobre e desvela outros conhecimentos sobre a obra e desenvolve a sua musicalidade e expressividade. São vários os pedagogos que utilizam a canção como principal recurso nos seus métodos para a Educação Musical. (Sousa, 2015) Entre estes destacam-se Edgar
10 Willems, Carl Orff, Jos Wuytack, Pierre van Hauwe, Justine Ward, Edwin Gordon, Zoltán Kodály (p. 162). Willems (1970) cita R. Wagner que identifica a voz humana como "o órgão musical mais antigo, o mais verdadeiro, o mais belo [...] e é só a este órgão que a música deve a sua existência" (p. 28). Não há dúvidas que da exploração da voz humana e seu potencial pelo homem pré-histórico, tudo brotou e se desenvolveu. 1.3.2 Etapas do desenvolvimento vocal nos jovens Sendo a canção, e por conseguinte a voz, um recurso tão central nas metodologias de Educação Musical anteriormente referidas, então importa conhecer a voz dos nossos queridos alunos e como ela se irá desenvolver até estar completamente formada. Outrora, por desconhecimento, a dificuldade dos rapazes cantarem durante a adolescência era considerada normal e recomendava-se que os jovens parassem de cantar até à fase de jovem adulto (Welch, 2002,p.13). Contudo a voz pode e deve ser desenvolvida antes e durante a puberdade uma vez identificado o padrão existente na mudança de voz dos adolescentes, disso nos dão nota John Cooksey e Lynne Gackle, pedagogos que definiram, em investigação, etapas do desenvolvimento vocal para a voz masculina e feminina, respetivamente. A terminologia científica para a classificação vocal dos adolescentes de sexo masculino desenvolvida por John Cooksey em 1977, incluindo atualização posterior de nomenclatura dos dois últimos estágios pelo autor: Estágio de Maturação Vocal Classificação Vocal Pré-mutação Inalterada Estágio I: Mutação precoce Estágio II: Mutação alta Estágio III: Clímax da mutação Estágio IV: Estabilização pós-mutação Midvoice I (início da mudança) Midvoice II (meio da mudança) Midvoice IIA (clímax da mudança) Newvoice (período de afunilamento)
17 contacto dos jovens com a natureza e o ar livre. A escola é constituída por sete pavilhões de piso térreo: nos pavilhões 1, 2, 3 e 4 existem salas de aula, uma pequena sala de professores e uma casa de banho que é feminina nos pavilhões de número ímpar e masculina nos de número par; no pavilhão 5 existe uma sala de aulas, o bar dos alunos e a sala de professores também com bar (o mesmo bar abre para o lado dos alunos e o dos professores); noutro pavilhão funciona o ginásio que possui balneários femininos e masculinos; e junto à entrada da escola temos o pavilhão central com os serviços administrativos escolares, o gabinete da direção da escola, a reprografia/papelaria, a biblioteca, o refeitório e cozinha, duas salas de atendimento aos encarregados de educação, o gabinete de psicologia do agrupamento, a sala dos assistentes operacionais, a sala de informática, a sala de diretores de turma, a sala polivalente. Neste pavilhão central há duas salas que ficam num primeiro andar com acesso através de uma escada em caracol exígua dando acesso a uma sala de professores/diretores de turma e à sala de informática, ao longo do ano em conversa com a outra professora estagiária falámos diversas vezes da questão da acessibilidade que a localização destas salas colocava, sobretudo para pessoas que se vejam momentaneamente, ou devido à idade, com problemas mobilidade. As atividades letivas desenvolvem-se entre as 8h15 e as 16h35, havendo salas de estudo a funcionar entre as 13h30 e as 18h30 para os alunos cujos encarregados de educação assim o desejem. Na escola além do ensino básico regular, há uma turma de Programa Curricular Alternativo (PCA) no 3º ciclo, uma unidade de apoio especializado para a educação de alunos com multideficiência e surdocegueira congénita (UAEM) e um curso básico de música que funciona em protocolo com uma escola de ensino artístico especializado de música. As atividades letivas, para os alunos do curso básico de música, desenvolvem-se entre as 8h15 e as 19h, os alunos estão colocados numa turma para cada ano (5ºA, 6ºA, 7ºA, 8ºA e 9ºA) onde assistem às disciplinas comuns, a que acrescem coro/orquestra, formação musical e aula de instrumento. 2.3 Os Alunos Segundo o relatório de autoavaliação do agrupamento de 2018/2019, este ano número total de alunos da escola do meu estágio foi de 787, 369 no 2º ciclo e 418 no 3º ciclo. O percentual de alunos com idades superiores à média de cada ano não é muito significativo, estando a maioria destes integrada em percursos de ensino alternativos.
18 No que respeita a apoios socioeducativos, no ano letivo de 2018/2019 na escola do estágio foram apoiados pela Ação Social Escolar (ASE) um total de 244 alunos; e foram integrados no Decreto-lei nº 54/2018 54 alunos do 2º ciclo e 64 alunos do 3º ciclo, num total de 118 crianças. Estes apoios materializam-se em refeições subsidiadas, atribuição de manuais e material escolar, aplicação do projeto PERA ASE, e fornecimento de transporte adaptado a alunos que frequentem a unidade de apoio especializado a alunos com multideficiência. Relativamente ao número de retenções de alunos por ciclo de ensino, ficaram retidos 12 alunos no 2º ciclo e 19 no 3º ciclo este ano letivo. A escola tem uma série de medidas de promoção do sucesso escolar implementadas como: o ensino do Português Língua não materna; o apoio diário ao estudo; a coadjuvação; o estudo orientado; as tutorias; o apoio tutorial específico (para alunos com duas ou mais retenções); os Planos Individuais de Trabalho (PIT); as tutorias em contexto de sala de aula; e os apoios da psicóloga, técnicos especializados (no âmbito dos recursos TEIP) e de docentes de educação especial. Na área do apoio socioeducativo a escola conta também com o Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família (GAAF), que oferece apoio direto e/ou indireto a alunos e famílias com problemáticas identificadas, nomeadamente através do apoio individual às famílias, encontros periódicos com os pais e encarregados de educação e ações de sensibilização junto destas famílias. No que concerne às atividades extracurriculares disponibilizadas na escola temos o grupo de Percussão Tradicional Portuguesa, o clube de desporto escolar, o clube de teatro, o clube de línguas, o clube de programação e robótica a que acrescem algumas dinamizadas pela a associação de pais como o ateliê de guitarra e a escolinha de capoeira entre outras. 2.4 Os Professores de Educação Musical A Escola Básica 2/3 conta com 27 professores no 2.º ciclo e 31 no 3.º ciclo. O grupo de Educação Musical é constituído por dois professores que dão aulas no 2.º ciclo, no 1.º ciclo (nas três escolas do agrupamento), na UAEM da EB 2/3 e ao Grupo de Percussão Tradicional Portuguesa.
19 Os professores de Educação Musical estão colocados no quadro de nomeação definitiva do agrupamento, contando já com cerca de 30 anos de serviço. A professora realizou estudos de conservatório em piano e canto, é licenciada em Ciências Musicais e Mestre em Ensino de Educação Musical no Ensino Básico. O professor realizou estudos de piano em conservatório e desde cedo começou a tocar bateria, é licenciado e mestre em Ensino de Educação Musical. 2.5 As salas de Educação Musical Para o ensino da Educação Musical estão reservadas duas salas de aula, com utilização não exclusiva numa delas. Estas salas encontram-se no pavilhão 4 e têm a designação na planta da escola de M1 e M2. Na M1 são lecionadas as aulas dos 6.ºs anos e na M2 as de 5.º ano. A sala M1 é mais pequena, e termicamente mais agradável no inverno e bastante abafada na primavera e outono. A parede exterior da sala é completamente envidraçada, e com o sol a bater na janela toda a manhã dificulta a visibilidade para o quadro na sala, razão pela qual as telas pretas de impermeabilização luminosa se encontram sempre para baixo dificultando a circulação de ar realizada através das janelas ou da porta de entrada dos alunos. A sala encontra-se insonorizada e com alguns elementos decorativos nas paredes como CD, LP e cartazes de edições do Concurso de K... de anos anteriores. A sala está equipada com mesas duplas que no total perfazem trinta lugares e respetivas cadeiras, estando colocadas na sala em forma de U, com quatro mesas colocadas no centro deste U. No lado da parede em que se encontra o quadro branco está a secretária do professor, um piano elétrico, um projetor de vídeo no teto da sala, um sistema de som, um computador e dois armários. Um destes armários tem diversos instrumentos em miniatura e algumas lembranças de participação em eventos em exposição. O outro armário tem uma mesa de mistura de som, algumas flautas de bisel e manuais para emprestar a algum aluno que não traga os materiais. Nesta sala todo o equipamento tecnológico funciona muito bem e é muito adequado para o modelo de aulas que é utilizado pela professora cooperante, que compreende a utilização sistemática do manual digital projetado no quadro branco e a audição do material instrumental que acompanha as atividades do manual. Destaco também a dimensão reduzida da sala para a quantidade de equipamento escolar existente dentro da sala, que inviabiliza a
20 realização de qualquer atividade de movimento, e mesmo que se pensasse em arredar as mesas a uma parede o que seria de execução difícil, o chão tem umas barras de ferro fixas no chão para garantir a posição das mesas em U que poderiam servir de obstáculo a alguns tipos de movimento podendo provocar algum tipo de desequilíbrio ou potenciar quedas e lesões nos pés dos alunos. Por seu lado, a sala M2 é substancialmente maior que a anteriormente referida. A sala M2 é uma sala mais desagradável termicamente no inverno e mais agradável durante o tempo quente, está equipada com o mesmo tipo de material da sala M1, com a exceção de não ter secretárias para os alunos, possui apenas cadeiras dispostas em forma de U à roda da sala. Quanto ao número de cadeiras este oscilou bastante durante o ano, no início estava com o número máximo de cadeiras que a sala comportava e no decurso do ano foram desaparecendo de forma misteriosa diversas cadeiras, levando a que todas as vezes que se chegava à sala tivesse, eu e a professora cooperante, de arranjar as ditas cadeiras para os alunos se sentarem, e levando a bastante conversa dos alunos até se conseguir que todos estivessem nos lugares respetivos e com as cadeiras na posição certa. Esta sala reúne as condições para a realização de atividades de movimento. A sala M 2 possui uma pequena arrecadação onde estão guardados os instrumentos musicais e estantes utilizados nas aulas do Curso Básico de Música. Na antecâmara do acesso do professor às salas M1 e M2, existe uma arrecadação que é utilizada para guardar os instrumentos do grupo de Percussão Tradicional Portuguesa (atividade extracurricular) e instrumental Orff de altura definida e indefinida e uma guitarra. No Anexo F do relatório podem ser consultados a relação de instrumentos existente na escola e algumas imagens dos mesmos. No decurso do ano letivo, diversas vezes conversei com a professora cooperante sobre os lugares dos alunos na sala e de como seria muito mais versátil ter apenas cadeiras com braço que fossem fáceis de empilhar nas duas salas. Libertariam muito mais espaço dentro da sala de aula, permitiriam fazer atividades de caderno ou livro, escrever no caderno diário e realizar as fichas escritas em cada período sem ter o problema de estarem duas crianças em cada mesa, com a possibilidade de espreitar a ficha um do outro. Foi-me dito que os professores da escola também pensavam da mesma forma mas que não haveria recursos para equipar a sala dessa forma, pelo menos até à data e que continuariam a fazer esse pedido à direção.
21 3. Prática de Ensino Supervisionada Tendo em consideração o Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia que produz efeitos a partir de 25 de maio de 2018, com a Lei n.º 67/98 de 26 de outubro não se fará menção ao nome da escola em que foi realizada a Prática de Ensino Supervisionada, assim como a nomes de professores ou alunos, estes terão apenas uma letra (fictícia) para facilitar a redação e compreensão do documento. O registo das observações sofreu alterações ao longo do ano letivo. Eu e a minha colega professora estagiária começamos por utilizar uma grelha de observação construída a partir do modelo de P. Reis (Reis, P., 2011, referido em Gabinete de apoio ao professorado, 2014, p.11) cujo conteúdo pode ser analisado no início do Anexo G. Os registos da sessão foram cronológicos e posteriormente houve lugar à reflexão sobre a organização e gestão da sala de aula, a interação dos alunos na sala, o discurso do professor e dos alunos, o ambiente da sala de aula e sobre as atividades educativas (ver Anexo G relato de aula de 26 de setembro de 2018 da turma 5.ºC). Ao fim de algumas aulas verificámos que esta grelha iria tornar-se demasiado repetitiva, mantivemos os registos cronológicos das aulas e adicionamos outras ferramentas, como a grelha fornecida pelo Prof. Doutor João Nogueira para análise de situações mais concretas no decurso da aula (Anexo H para grelha e exemplo de registo). "Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio Sol". Pablo Picasso 3.1 Aulas observadas (5.º, 6.º e Musicoterapia) No decurso do estágio assisti de forma regular ao longo do ano às aulas do 5.º C, dos 6.º A, C, E e F e às sessões de Musicoterapia da UAEM. As observações aconteceram entre 25 de setembro e 12 de junho. Foi também com estas turmas de 5.º e 6.º ano que desenvolvi a minha prática letiva, tendo desenvolvido um projeto para o Dia do Agrupamento - Canções de Maio com as turmas de 6.º ano referidas.
22 3.1.1 Aulas do 5.º Ano O agrupamento adotou o manual 100% Música Educação Musical - 5.º ano de autoria de António Neves, David Amaral e Jorge Domingues. Este manual vem acompanhado de outros recursos, nomeadamente um caderno de atividades, o 100% Natal, o 100% Orff, Partituras - cifras & acordes, planificações e planos de aula, testes e guia de recursos multimédia, três cd áudio, dois cartazes, um jogo 100% bingo e o acesso à Aula Digital. Os alunos tinham o manual, o caderno de atividades, o livro 100% Orff e acesso na plataforma da editora aos karaokes, áudios e a uma App chamada Youtune. O manual e caderno de atividades foi distribuído aos alunos de forma gratuita, registando-se um atraso considerável na chegada destes recursos à escola e na sua distribuição pelos alunos (finais de outubro). Relativamente aos manuais, gostaria de referir que devido ao processo, demasiado moroso, de obtenção da declaração na secretaria escolar em como nos encontrávamos a realizar estágio em Educação Musical no 2.º Ciclo, eu e a minha colega de estágio, fomos privadas dos materiais de professor de que necessitávamos. Adquiri os manuais de aluno e cadernos de atividades de 5.º e 6.º ano numa plataforma de venda de livros escolares e, depois de falar com a professora cooperante explicandolhe o sucedido, pedi-lhe que me emprestasse os materiais que me faltavam para poder conhecer melhor a totalidade dos recursos escolhidos pelo agrupamento. Com a maior simpatia e compreensão a professora cedeu-me os materiais requisitados durante uns dias. A professora cooperante trabalhou este ano letivo com duas turmas do 5.º ano, das quais acompanhei o trabalho realizado com a turma do 5.ºC entre 26 de setembro e 12 de junho. A turma do 5.º C tem 22 alunos, 10 meninas e 12 meninos. Um dos alunos está a repetir o ano. O número reduzido de alunos deve-se ao facto de haver cinco alunos com necessidades educativas especiais (hiperatividade medicada, doença, entre outros). A turma tem alunos com origem em famílias carenciadas, pouco estruturadas e instáveis, o que é transversal a todas as turmas que conheci na escola. No geral esta turma deixou-me uma impressão bastante positiva ao longo do ano letivo, levando-me tal como as turmas de 6.º ano, a rever as minhas expectativas
23 iniciais relativamente ao trabalho numa escola TEIP. Os temores iniciais rapidamente se desvaneceram, tendo sido sempre bem recebida dentro da escola. Devo realçar, que ao longo do ano, dentro ou fora das instalações escolares, nunca assisti a nenhuma situação de abuso verbal ou de conflito entre alunos ou de alunos com funcionários ou professores. No início do ano letivo a professora cooperante, com muita calma e assertividade, expôs o compromisso pedagógico com os alunos, estabelecendo as regras de entrada e saída da sala de aula definidas pelo agrupamento e válidas em todas as disciplinas, definiu as obrigações do aluno em relação ao material escolar a trazer para a sala de aula, a pontualidade e o comportamento. A professora explicou também aos alunos como se processa a sua avaliação nas aulas e como a avaliação final apresenta várias componentes, evidenciando os pesos destas na nota final de período e de ano. A avaliação é definida em grupo de trabalho da disciplina (anexo C) sendo igual para os dois professores da escola. A avaliação tem duas grandes componentes: a avaliação das aprendizagens (80%) e a avaliação das atitudes e valores (20%). A avaliação das aprendizagens tem três componentes: 40% para o domínio da interpretação e comunicação, 25% para o domínio da apropriação e reflexão e 15% para o domínio da experimentação e criação. A avaliação das atitudes e valores apresenta também três componentes: 7% para o domínio do empenho e interesse, 7% para o domínio da autonomia e cumprimento de regras e 6% para o domínio da responsabilidade. A entrada na sala é realizada através de uma porta da sala aberta para o exterior do pavilhão, onde os alunos formam por número de pauta da turma entrando por essa ordem na sala com direção às suas cadeiras, nas cadeiras os alunos estão sentados pela ordem de pauta. Chegados ao seu lugar devem sentar-se e colocar os seus materiais debaixo da cadeira até que a professora dê alguma indicação diferente. Ao longo do ano a professora cooperante alterou a disposição na sala de diversos alunos devido ao seu comportamento, sendo esta uma estratégia que surtiu efeito. Durante o primeiro período letivo a professora cooperante dedicou algum tempo a fazer interiorizar as regras de entrada e o silêncio pretendido para o desenrolar das atividades planeadas para cada sessão. Havendo sempre um tempo considerável da sessão dedicada a atividades e exercícios inspirados na Teoria de Aprendizagen Musical de Edwin Gordon (exercícios de natureza melódica, rítmica e de movimento) e onde pudemos observar como a professora se sente à vontade a realizar este trabalho com os
24 alunos e como este trabalho é fundamental para o desenvolvimento musical destes. Os alunos, salvo raras exceções, demonstraram interesse e foco nas atividades propostas pela sua professora. Este trabalho pode ser consultado nos relatos de aula presentes no anexo G. Em relação à entrada em sala de aula, importa ainda referir um aspeto que teve impacto nas atividades. A sala de 5.º ano, a M2 ao longo do ano foi também utilizada pelos professores do regime articulado de música e outros professores da escola que ali lecionam outras disciplinas. Acontece que durante o segundo e terceiro períodos letivos o número de cadeiras na sala e a sua disposição foi sofrendo alterações, nomeadamente ao nível da disposição dos equipamentos que nunca era a devida e também ao nível de subtração de cadeiras que não voltavam à sala novamente, tudo isto perturbou o início de algumas aulas, sobretudo quando as alterações eram mais acentuadas, impedindo que os alunos encontrassem rapidamente o seu lugar e até levando a que houvesse mais conversas entre eles, havendo por vezes disputa oral sobre quem ficaria com uma determinada cadeira ou não. De facto tornou-se uma situação desagradável, sempre vi a professora com a preocupação de deixar as suas salas arrumadas e prontas para o próximo professor demonstrando atenção para quem vem a seguir a si. Outra situação com os equipamentos que aconteceu por duas vezes, foi a professora chegar à sala, ligar o seu computador e equipamento sonoro, dar entrada aos alunos e verificar logo de seguida ao iniciar uma atividade musical que alguém teria alterado o acesso às colunas sonoras deixando tudo desligado ou mal conectado para quem se segue, sendo que estes equipamentos são para uso dos professores de Educação Musical. Outra questão que importa referir é a organização e sistema de registos da professora cooperante. A professora tem uma pasta onde coloca os seus registos turma a turma. Para cada turma regista as avaliações, as faltas de material, atitudes e comportamentos. Quando regista comportamentos utiliza uma grelha com um sistema de cores: verde, azul, amarelo e vermelho. Para registo de avaliações, pontualidade/assiduidade e faltas de material utiliza uma outra grelha. Relativamente às faltas de material os alunos sabem que perdem um ponto por cada uma que tenham, e se tiverem sempre falta em todas as aulas sabem que não terão positiva no final do período. O sistema funciona, apesar de haver sempre alguém sem material a partir do momento em que se começou a trabalhar a flauta de bisel na sala de aula.
25 Os alunos de 5.º ano não escrevem nada nas aulas, nem mesmo o sumário o tempo é todo dedicado às atividades previstas para esse dia. A professora escreve os sumários no fim do seu período letivo já em casa na plataforma inovar. O grupo de educação musical definiu a planificação anual da disciplina (anexo A) fazendo corresponder as propostas do manual 100% Música - 5.º ano Educação Musical aos domínios de Experimentação/Criação, Apropriação/Reflexão e Interpretação/Comunicação definidos nas aprendizagens essenciais do 2.º ciclo e aos descritores do perfil dos alunos. Como já referido os manuais chegaram à escola com um atraso significativo face ao início do ano escolar, contudo com o 5.º ano esse atraso teve um impacto menor uma vez que a professora optou por fazer um trabalho envolvendo exercícios de natureza melódica, rítmica e de movimento com a turma e também a apresentação dos instrumentos de percussão de madeira, metal e pele dando oportunidade de experimentação aos alunos no final da aula o que gerou grande entusiasmo. As atividades a partir da chegada do livro envolveram sempre o proposto pelo manual registando-se um decréscimo progressivo dos exercícios melódicos, rítmicos e de movimento, o que foi uma pena. O manual organiza-se muito, eu diria até demasiado, em torno do trabalho com o instrumento flauta de bisel. O que se torna redutor, do tanto trabalho que poderia ser feito com estas crianças, também com a flauta mas não sempre e apenas com a flauta. Além do trabalho com a flauta, são propostas algumas atividades de canto e de percussão corporal, mas poucas. As atividades propostas pelo manual são acompanhadas de karaokes, e o estudo e preparação destas peças é feita quase sempre com este material a tocar e com a projeção da partitura no quadro. Nesta sala as colunas estão colocadas apenas à frente dos alunos o que permite que estes escutem melhor o instrumental enquanto executam as peças. O início das peças conta invariavelmente com contagens decrescentes de tempos para a entrada do que irão cantar e/ou tocar. Não seria melhor haver uma contagem que permitisse aos alunos contar os tempos ou compassos de uma forma musical? Onde os alunos discriminassem se a peça está escrita em compasso binário, ternário ou quaternário e porquê. Sente-se a falta de um trabalho mais a capella ou acústico por vezes, em que os alunos usem apenas "a voz e o corpo ..., bem como os objetos do seu quotidiano" (Direção-Geral da Educação, 2018, p. 3) e se consigam escutar, apurando o sentido crítico sobre o seu desempenho pessoal. E também faz falta uma abordagem que inclua um pouco de movimento nas atividades propostas no
26 manual. No trabalho que desenvolvi com esta turma procurei explorar um trabalho contando com a voz e corpo dos alunos, da flauta e movimento. Quando inicia o trabalho de uma nova peça a professora cooperante usa a partitura projetada para rever os conteúdos já aprendidos. Para o efeito coloca questões aos seus alunos e só posteriormente introduz o novo conteúdo, com uma explicação teórica. Nas peças para tocar flauta pede a um aluno que solfeje um ou dois compassos, e depois a outro e outro até chegar ao fim; no final todos recapitulam juntos e por fim tocam a peça frase a frase até estarem prontos para tocar tudo com o instrumental. Nas canções começam por ouvir uma vez e depois cantam já com o karaoke. Nas atividades que envolvem percussão corporal, é feita uma leitura e explicação da partitura, sendo praticada em frases junto com a professora. Quando as atividades usam material de algum cantor ou banda mais conhecido, e do gosto dos alunos, a professora faz uma contextualização da canção e biografia do cantor ou da banda em questão. Os alunos são fundamentalmente avaliados através da observação contínua, tendo sido realizados pequenos testes de leitura rítmica com percussão corporal, de leitura à primeira vista na flauta de uma pauta entregue aos alunos com as notas já aprendidas e de testes práticos de flauta após a aprendizagem de uma peça. Em relação à turma 5.ºG, consegui aproveitar uma ponte escolar na escola onde trabalho, no dia 2 de novembro, para assistir a uma aula durante o primeiro período letivo. Havia escutado diversas conversas sobre essa turma entre a professora cooperante e a minha colega estagiária, revelando ser uma turma particularmente desafiante no domínio dos comportamentos. A turma tem 28 alunos, 7 meninas e 21 meninos, contando com diversos alunos repetentes. Durante a observação da aula confirmei ser uma turma bastante complicada, podendo deduzir-se uma confluência de razões para a dificuldade que houve em dar a aula preparada pela professora, o que depois de várias tentativas acabou por não acontecer. Há vários alunos repetentes que procuram público e admiração entre os seus pares durante a aula (consistente com um nível de autoconfiança baixo na educação musical, possivelmente), existe um grupo de alunos que quer fazer a aula sem transtornos e que lançam olhares reprovadores sobre os que perturbam, e uns outros que já seguem os mais agitados achando muita graça ao que acontece. A professora vai terminando os focos de conversa, surgindo logo de seguida noutra localização um novo foco. É uma turma muito instável e surgem discussões sobre o comportamento entre os alunos por todo o lado, gerou-se uma espiral de
33 quantidade de rapazes, que é bastante superior nesta turma. A nível de resultados produzidos na aula não é a melhor das turmas, mas há aqui alunos interessados em aprender e fazer um bom trabalho. No geral a turma pauta-se por um trabalho na categoria do suficiente, ficando aquém do seu real potencial. 3.1.3 Aulas de Musicoterapia As aulas de Musicoterapia decorrem à quarta-feira das 10h05 às 11h35 na sala dos alunos da UAEM. A turma de Musicoterapia conta com 11 alunos. Registaram-se sempre faltas de alunos em todas as sessões dado que estes alunos contam com diversos problemas de saúde. As observações decorreram entre 26 de setembro e 5 de junho. Deu-me muito gosto assistir a estas aulas que os alunos apreciam. Na hora de chegar à sala a professora é sempre bem recebida. Na sala os alunos e professores já prepararam tudo colocando as cadeiras em forma de U no centro da sala. As aulas iniciam sempre com um pequeno momento de relaxamento e aquecimento corporal para preparar todos para a sessão. A partir daqui a aula adquire fluidez, não apresentando momentos de paragem. A professora vai sempre alternando atividades ou pequenos grupos de atividades de movimento, canto, padrões melódicos e padrões rítmicos. No geral há uma prevalência do modo maior e da métrica binária, mas são exploradas outros modos e métricas. O ambiente sentido durante a sessão é muito agradável e descontraído, os alunos aderem às atividades propostas, e todos procuram participar. Apesar das muitas dificuldades e limitações que os alunos apresentam, estes esforçam-se por dar sempre o seu melhor. Sempre que há voluntários para a execução de uma canção sozinhos a professora cooperante procura realizar um trabalho individual insistindo na melhor articulação do texto das canções, sobretudo com os alunos que apresentam maiores dificuldades ao nível da fala. O mesmo cuidado nos momentos de movimento, em que estimula as crianças que apresentam já uma postura reveladora da sua inação física ao longo do dia a contrariar a posição derivada do estarem demasiado tempo sentadas.
34 As aulas decorrem sempre na presença da educadora titular da turma e de uma auxiliar que ficam na sala e até participam por vezes nas atividades. Ao longo do ano contudo houve sempre uma outra educadora e terapeutas que entravam e saiam da sala durante o decorrer da sessão, e por vezes fazendo mini reuniões e conversas dentro da sala a um canto, causando sempre, como é de esperar, perturbações ao foco das crianças. Pergunto-me o porquê de não optarem pelas salas disponíveis na proximidade desta sala para estes encontros e o debate de algum assunto pertinente. Não seria no melhor interesse das crianças fazer uso dessas instalações e deixar decorrer as sessões de musicoterapia com a melhor concentração e foco possível para estas crianças? Por outro lado, uma nota ao sentido de missão da educadora titular que tendo obtido reforma a um mês do final das atividades letivas, optou por cumprir o compromisso assumido no início do ano letivo com os seus alunos e famílias. Os relatos das sessões de Musicoterapia encontram-se no anexo J para consulta. 3.2 Outras observações 3.2.1 Aulas do Grupo de Percussão Tradicional Portuguesa O Grupo de Percussão Tradicional Portuguesa é um clube de música organizado pelo outro professor do grupo de educação musical presente na escola onde decorreu o estágio. Este professor toca bateria desde os seus tempos de conservatório, tendo muita experiência com a percussão o que é notório no resultado sonoro que alcança com os seus alunos. Na escola o grupo é composto por alunos do 5.º ao 9.º ano. No início do ano letivo a atividade é divulgada junto dos novos alunos na escola, alunos do 5.º ano. Os interessados inscrevem-se e prestam provas junto do professor responsável para aferir se reúnem as competências para pertencer ao grupo. Uma vez entrando no grupo os alunos permanecem nele durante todo o 2.º e 3.º ciclo por gosto e opção. O professor divide os seus alunos por caixas, bombos e timbalões de acordo com o instrumental que tem disponível na escola.
35 Os novos alunos, do 5.º ano fazem o seu ensaio nas quartas e quintas-feiras das 14h15 às 15h45. Os alunos do 6.º ao 9.º ano ensaiam às quartas-feiras das 15h50 às 17h20. Numa das escolas básicas de 1.º ciclo com jardim infantil do agrupamento o professor dinamiza também um grupo de alunos de 4.º ano às quartas-feiras das 18h05 às 18h50. Todos os anos os alunos de 4.º e 5.º ano estão a iniciar-se na atividade, exceto os alunos que transitam do 1.º para o 2.º ciclo já pertencendo ao grupo e continuando a frequentar e os alunos mais velhos e mais experientes abandonam o grupo no ano em que transitam para o ensino secundário. O grupo tem uma renovação anual, o que é bom e mau, porque capta novos elementos mas perde também vários dos seus melhores e mais experientes elementos todos os anos. Isto traduz-se num início de ano de enorme investimento por parte do seu professor para que o grupo mantenha o seu nível de execução musical, uma vez que é uma classe que representa a escola dentro e fora de portas várias vezes durante o ano. O ambiente desde a entrada na sala, chamada para registo na caderneta, anotação de recados vários, distribuição de instrumentos a instrumentistas e formação no campo de treino é de enorme profissionalismo, rigor e de compreensão absoluta de que só se consegue trabalhar bem com o empenho de todos e cada um dos participantes. A alegria é contagiante durante o ensaio, com controle e autodomínio, não perturbando a performance. Há espírito de camaradagem e entreajuda entre todos, a diferença de anos letivos aqui não existe. Nota-se um enorme carinho dos alunos mais velhos para com os mais novos, orientando e apoiando os que precisam. Assisti aos ensaios de 29 de maio e de 5 de junho, onde pude assistir ao juntar do grupo de alunos do 5.º ano com o grupo geral e vê-los a fazer música juntos pois haviam trabalhado peças conjuntas para potenciar este momento mágico de junção ao grupo "profissional". As partes bem memorizadas, um conhecimento exímio da géstica do seu professor e as coreografias de movimentos na ponta dos pés. Aqui se consagra o grande momento de passagem do testemunho entre os alunos do 5.º ano e os que finalizam o 9.º ano. Foi um dia de grandes emoções para todos o que pude testemunhar.
36 3.2.2 Aulas de música para Bebés (Música de Colo) As sessões de música para bebés, foram observadas a 24 de novembro e 15 de dezembro, e destinam-se a crianças dos 2 aos 4 anos e dos 4 aos 6 anos. Acontecem aos sábados numa universidade em Lisboa. O trabalho feito segue os ensinamentos de Edwin Gordon. As sessões são dinamizadas pelo A. e pela F. que preparam a sala para receber os seus amigos, colocam os recursos ao seu alcance, e no centro da sala, em roda, estão colocados uns almofadões coloridos que irão receber as crianças e os seus educadores. Tudo está disposto à medida e escala das crianças para que tudo absorvam, observem, escutem e fluam no espaço com facilidade e liberdade. Os dois anfitriões têm tudo preparado tendo escolhidas uma canção de acolhimento e de despedida que imprimem alegria pura no ambiente. No acolhimento todos são recebidos musicalmente com individualidade, melodia, percussão e movimento. A partir deste momento desenrolam-se inúmeras atividades melódicas, rítmicas, canto de padrões melódicos e entoação de padrões rítmicos sempre com muito movimento adicionado nas diversas atividades. São exploradas métricas variadas e modos vários nas melodias e harmonizações das mesmas. A empatia entre os anfitriões é imensa, conseguindo-se uma fluidez muito harmoniosa entre as atividades, surgindo até de algumas intervenções das crianças momentos não programados mas que rapidamente são aproveitados de forma inteligente e extremamente musical. Nestes momentos as crianças tornam-se agentes de criação e criatividade, sendo valorizadas e integradas no trabalho geral as suas contribuições. O ambiente durante a sessão é muito descontraído, alegre e genuíno. Tudo acontece aos nossos olhos dando a sensação de espontaneidade musical continua dos nossos anfitriões interpretes. No anexo M encontram-se relatos das observações registadas a 24 de novembro. 3.2.3 Aulas de Educação Musical numa Escola particular do Distrito de Lisboa As aulas observadas foram duas de duas turmas de 2.º ano, uma de 5.º ano e outra de 6.º ano todas ministradas pela mesma professora numa escola particular do
37 distrito de Lisboa. A observação do 2.º ano foi realizada durante o primeiro período letivo e o 2.º ciclo foi observado no final do ano letivo. O carinho dos alunos para com a professora é notório dentro e fora das paredes da sala de aula. No 2.º ano as aulas começam sempre com um cumprimento aos seus músicos como lhes chama carinhosamente. A professora entra na sala com a sua pen drive onde tem todo o material alinhado num PowerPoint para a aula que planeou. As aulas são dadas na sala dos alunos caso esteja um dia com chuva, ou no salão do 1.º ciclo se estiver bom tempo (o salão funciona como recreio do 1.º ano nos dias de chuva). A aula começa sempre com a canção de acolhimento que todos cantam com, ao que se segue um momento de reprodução de padrões melódicos com associação verbal, percussão corporal ou recurso à manossolfa de Kodály. Nas canções executadas na aula recorre muito a gestos e pequenas coreografias corporais. Há vários exercícios de coordenação em espelho quando os alunos fazem a percussão corporal em pares, desenvolvendo a sua lateralidade. A professora estabeleceu gestos com os alunos que se destinam ao comportamento e capacidade de concentração nas atividades, e estes são muito eficazes, em poucos segundos o silêncio ou a concentração perdida regressam sem o uso da voz. Na parte final da aula há momento para atividades de registo escrito de atividades que envolvem a descriminação do som e a memória caso estejam na sua sala de aula, ou para jogos envolvendo instrumental Orff, ou movimento se estiverem no salão. No caso do 6.º ano observei a aula em que foi ministrado o teste final de ciclo destes alunos com o objetivo de avaliar as aprendizagens dos dois últimos anos na disciplina. A professora tem a prova elaborada, a sala está preparada desde cedo para um dia de provas, as cadeiras com um braço de apoio encontram-se bem espalhadas pela sala em ziguezague de filas e colunas, não é possível ver a prova de nenhum colega. Ao toque para a entrada os alunos estão todos junto à porta aguardando a chegada da professora que chega para dar início à entrada, após a entrada a professora faz mudanças
38 de lugares a alguns alunos. Já os conhece bem. A prova apresenta três grandes grupos de questões: o grupo A é o do Reconhecimento auditivo, onde quatro trechos musicais variados são ponto de partida para perguntas variadas; o grupo B pretende aferir a literacia musical, fazendo-os identificar erros em melodias, tonalidades escritas, compassos, ritmos e durações de figuras rítmicas; e o grupo C destinado à história da música. O ambiente durante o teste foi de bastante silêncio, os rostos dos alunos mostravam preocupação e alguma dúvida no preenchimento de algumas respostas. A professora fora das audições foi circulando pela sala e esclarecendo e tranquilizando na medida do possível, dizendo-lhes para avançarem e não ficarem presos a nenhuma questão que não soubessem, porque no final poderiam lá voltar. O teste na medida do possível procurou que aplicassem os conhecimentos adquiridos na prática e que não fosse uma memorização fora do contexto de vocabulário e conceitos. Procurei saber os resultados da turma neste teste de avaliação de ciclo. Os resultados foram bastante positivos, distribuindo-se entre o 51% e o 85%. 14 alunos entre o 51 e o 72% e 13 alunos entre o 76 e o 85%. Os gestos do silêncio usados pela professora sem grande recurso ao som funcionam bastante bem nas turmas da professora, e quando há alguma situação mais irregular a professora relata a situação ao coordenador de ano escolar, ou envia lá o aluno para lhe relatar o sucedido, podendo vir a receber um castigo ou apenas uma reprimenda. É notório o bom relacionamento emocional alcançado pela professora com os seus alunos apesar de haver sempre um ou outro aluno que abusam procurando protagonismo nas aulas. Na observação do 5.ºano assisti à entrega e correção da última prova escrita e em que iriam fazer apresentação de trabalhos de grupo a que já não consegui assistir. Foi um dia de grande agitação pois vinham da realização de um teste comum de final de ano feito por todas as turmas de 5.º ano em simultâneo de uma outra disciplina. Também no segundo ciclo a professora trata os seus alunos por "Músicos" e faz uso dos gestos do silêncio (e de voz para reforçar a ideia). Os testes foram distribuídos e as correções feitas a lápis no teste. Ao longo da correção foi havendo pequenos focos de conversa que prontamente se extinguiam com a géstica e/ou a voz da professora.
39 A prova tinha dois grandes grupos de perguntas, um de reconhecimento auditivo - de instrumentos; de melodias; ritmos; modo maior e menor; compassos; intervalos melódicos, harmónicos e acordes; andamentos e semelhança e contraste tímbrico e o outro grupo de literacia musical e teoria - escrita de notas na pauta por nome e cifra; linhas e espaços suplementares; figuras rítmicas e instrumentos tradicionais do mundo. Relativamente aos resultados obtidos nesta prova, estes foram mais abrangentes, distribuindo-se entre o 39% e o 91%. Houve 3 alunos entre o 39 e o 46%, 12 alunos entre o 51 e o 73%, 10 alunos entre o 77 e o 86% e 4 alunos entre o 90 e o 91%. Alguns alunos estão ansiosos pela segunda parte da aula, há adereços, instrumentos feitos usando materiais reciclados e alunos vestidos a rigor, é notório o empenho dos alunos no trabalho sobre música tradicional portuguesa, versando sobre bandas, intérpretes e instrumentos. Regista-se um ambiente de entusiasmo no trabalho desenvolvido com a professora, e pela música em todas as suas componentes. 3.2.4 Aula de Coro Infantil numa Escola particular do Distrito de Lisboa A aula do Coro Infantil decorre às quintas-feiras das 12h45 às 13h30, após o almoço das crianças e da professora por volta das 12h, esta observação aconteceu no dia 4 de abril. Um pouco antes da hora de início a professora passa no recreio a chamar os seus alunos, na sua maioria meninas. O coro tem elementos de todos os anos do 1.º Ciclo e ainda duas crianças vindas do pré-escolar a pedido expresso dos pais. Com boa disposição todos fazem o caminho até à sala da professora, descendo uma rampa e entrando nos pavilhões do 2.º e 3.º ciclo. Chegados à sala é preciso acalmar um pouco e fazer terminar as conversas do caminho. A professora inicia de imediato uma série de exercícios de respiração e pequenos vocalizos para preparar as vozes. O Coro Infantil participa sempre na Festa de Natal e no Concerto da Primavera da escola, fazendo ainda participações no cantar das janeiras na comunidade e outros eventos.
40 No dia em que fui observá-los estavam a preparar o Concerto da Primavera que iria decorrer no dia 10 de maio pelas 17 horas no auditório da escola, onde iriam cantar três temas tradicionais do mundo: "Akai Hana" (tradicional japonesa), "Jimba Papalujska" (tradicional russa) e "Mangwene mpulele" (tradicional africana). Após o aquecimento vocal a professora pediu que se colocassem na disposição de palco e sempre a olhar para ela, sentou-se ao piano e com harmonia numa mão e gestos na outra todos cantaram juntos o primeiro tema. As coreografias são simples e muito agradáveis de se ver enquanto cantam. As crianças respondem muito bem aos gestos da sua professora que puxa por eles. Quer som com dicção, mas não quer gritos. Pede que tomem atenção para quando pede mais forte e menos e exemplifica enquanto faz o gesto. Todos os temas são ensaiados diversas vezes, sempre com novidade e modificações para que não seja sempre igual e por isso sintam que é fundamental olhar para a professora. Por vezes há surpresas em lugares inusitados! Um pouco antes da hora e porque o toque de entrada do primeiro ciclo é às 13h30 a professora despede-se e fá-los sair para as suas próximas aulas. O ambiente desta aula é agradável para todos e bem dispõe os participantes. Todos estão ansiosos pelo dia de concerto que se aproxima. 3.2.5 Aula de Grupo Instrumental numa Escola particular do Distrito de Lisboa A aula de Grupo Instrumental do 2º Ciclo acontece às quartas-feiras das 14h às14h45 e foi observada no dia 3 de abril. À hora marcada as alunas juntam-se à porta da sala à espera da sua professora que vem do almoço. São alunas do 5.º ano quase todas da mesma turma. A professora chega e é necessário acalmar a agitação e alegria excessiva das meninas. O instrumental Orff usado já se encontra colocado ao fundo da sala sobre umas mesas para que o tempo seja todo usado para fazer música. O Grupo Instrumental de 2.º Ciclo participa nos Concertos de Natal e da Primavera da escola. Este ano no Concerto da Primavera, a realizar a 10 de maio, irão acompanhar o Coro Infantil tocando os instrumentais das canções "Akai Hana", "Jimba Papalujska" e "Mangwene mpulele".
41 Antes de iniciar o ensaio dos instrumentais que têm trabalhado a professora propõe um exercício de improvisação sobre a escala pentatónica de dó, dando algumas indicações aos diversos instrumentos, os alunos têm um instrumento atribuído para os temas e vão improvisar nesse instrumento. Além dos meninos no instrumental Orff, há uma aluna no violoncelo, um aluno em clarinete, uma no violino e outra no piano. Aos poucos a improvisação orientada vai surgindo, com uma ou outra hesitação de alguns e germina um pequeno momento de criação coletiva. A professora dedica-se ao ensaio dos instrumentais dos temas para o concerto da Primavera, vai cantando e dando as indicações e entradas aos diversos instrumentos. Ensaiam diversas vezes, pois aqui e ali há um aluno distraído que se atrapalha, ou uma nota menos conseguida no clarinete por exemplo. A professora fala a todos da importância de estarem sempre a olhar para ela para que tudo corra bem, mesmo que haja pequenas falhas é importante recuperar e seguir em frente sempre sem parar a música. O toque de entrada para a aula da tarde é às 14h45 e a essa hora todos arrumam as baquetas e os instrumentos para rapidamente seguirem para a próxima aula. O ambiente da aula é agradável e de muito amor à música, apesar de serem muitas vezes chamados à razão e à concentração. O bom trabalho de equipa exige concentração, esforço e respeito. Os alunos e a professora anseiam pela apresentação pública do seu trabalho.
42 "Cantar é próprio de quem ama". Santo Agostinho 3.3 Aulas Lecionadas 3.3.1 Aulas do Projeto para o Dia do Agrupamento - Canções de Maio No dia 18 de janeiro, em reunião de estágio com a professora cooperante, propus realizar uma atividade vocal para apresentar no dia do agrupamento com um grupo de alunos a selecionar entre os interessados. A professora gostou da ideia e sugeriu que seria melhor desenvolver a atividade em contexto de sala de aula com as turmas do 6.º ano. Como o dia do agrupamento iria decorrer no dia 3 de maio eu poderia preparar um programa de canções de abril. O projeto começou o levantamento de um conjunto de temas interessantes que considerei adequados ao trabalho vocal com os alunos. Este conjunto de temas foi filtrado até apurar sete tendo em conta a extensão vocal e a adaptabilidade às vozes dos alunos recorrendo à transposição e se a tonalidade escolhida era adequada à escrita de arranjo para flauta (numa fase inicial a ideia era escrever para voz e flauta de bisel). Numa segunda fase de trabalho procurei por partituras, letras, cifras, instrumentais, versões cantadas, história dos temas e dos autores e/ou cantores em livros e na internet. Para a organização e planeamento do evento foi fundamental indagar e perceber as possibilidades técnicas e logísticas da escola e do local de concerto e de que forma isso condiciona a preparação de materiais usados. Conclusões: não é possível usar um piano/teclado na sala polivalente do pavilhão central (há vários eventos consecutivos no mesmo espaço no dia da apresentação); colocar umas turmas a cantar e outras a tocar uma base harmónica não é viável pois não haverá o tempo de trabalho necessário para o trabalho com a flauta e não terei hipótese de ensaiar com os alunos no local do concerto uns dias antes. Além da questão logística e técnica foi também fundamental a informação da professora quanto à participação dos alunos nestas atividades, segundo
49 Rema para lá lanchinha. Com estas atividades foram consolidadas e assimiladas de forma prática as dinâmicas, o crescendo, o diminuendo; os andamentos lento, moderato e presto e as gradações accelerando e ritardando; a acentuação; o modo maior e menor; métrica binária e ternária; timbres dos instrumentos orquestrais; a forma musical cânone; e a riqueza do trabalho de equipa. Ao longo das sessões registaram-se melhorias consideráveis na qualidade do resultado vocal da turma, com melhorias no domínio da afinação, da colocação vocal, na descontração e envolvimento nas atividades. No domínio rítmico registaram-se melhorias graduais nos exercícios de reprodução de padrões rítmicos mais elaborados. No domínio do movimento, o movimento livre gerou um pouco de conversa e brincadeira excessiva em alguns rapazes, e nas atividades de movimento coreográfico registaram-se melhorias consideráveis durante o trabalho realizado conseguindo a turma realizar as propostas depois algum treino. Os alunos com dificuldade de lateralidade e de sentido de macro e microtempos de um tema musical provocam sempre alguma atrapalhação no movimento sendo os seus colegas a orientá-los durante as execuções, há um bom espírito de entreajuda nesta turma. Os planos de aula do 5.º ano estão disponíveis no anexo S. 3.3.3 Aulas lecionadas ao 6.º Ano Depois do Dia do Agrupamento, entre 7 de maio e 4 de junho, foram lecionadas 8 aulas de 45 minutos aos 6.ºs anos A e E. A planificação destas aulas envolveu a análise do programa de educação musical do 2.º ciclo e das planificações anuais da disciplina numa primeira fase. Discussão das planificações e materiais com a professora cooperante e agendamento das aulas a lecionar. Na elaboração dos planos presidiram os objetivos de fazer música com os alunos e a valorização, sempre que possível, do património artístico nacional. Todo o trabalho vocal executado com os alunos de 6.ºano teve sempre a preocupação de ajustar os temas escolhidos à extensão e tessitura vocal dos alunos previstos nos modelos de desenvolvimento vocal feminino e masculino de Lynne Gackle e John Cooksey, nunca forçando os seus registos extremos. Assim, com a exceção de uma menina que se queixou num dia em que estava com dor de garganta
50 sendo-lhe recomendado que não cantasse nesse dia excecionalmente, nenhum outro aluno manifestou dificuldades de execução vocal dos temas nas tonalidades propostas. Nestas quatro aulas foi proposto cantar, entoar cantos rítmicos, reproduzir padrões tonais e rítmicos, criação rítmica e tonal (usando a escala pentatónica), uma viagem pela razão de ser do nome das notas alimentando a curiosidade natural dos alunos, e executar instrumentalmente (com voz, flauta e percussão) dois temas em língua portuguesa (O pastor e Resineiro engraçado). Em matéria de movimento não consegui explorar essa dimensão com os alunos, uma vez que este não está previsto nas planificações anuais da disciplina e a sala não permite a sua exploração, dadas as suas dimensões exíguas e excesso de mobiliário. O trabalho com ambas as turmas A e E foi positivo, estando os alunos bastante confortáveis nas atividades e sem constrangimentos. Houve bons momentos proporcionados por perguntas de curiosidade genuína que proporcionaram aprofundamento de conhecimentos, por exemplo a propósito da história do nome das notas musicais. Um outro momento singular foi quando o aluno M. partilhou que tinha feito uso dos conhecimentos ali adquiridos sobre os temas musicais senha para a revolução de 74 num Quizz no peddypaper de H.G.P.. Na execução instrumental coletiva os alunos pertencentes ao grupo de percussão tradicional portuguesa da escola foram uma mais-valia, sendo parabenizados e reforçados pela sua colaboração. A forma como os alunos aderiram às propostas foi muito boa, apesar de haver sempre um ou outro rezingão que gostariam de outras escolhas musicais. Teria sido interessante trabalhar algum tema da escolha das turmas. Isso mesmo preconiza Swanwick (1993) quando afirma "A competência pode ser estimulada abrindo-se espaço para discussão, escutando-se música antes de falar sobre ela, envolvendo as pessoas na tomada de decisões sobre as músicas que elas executam, e através da atividade de compor ou improvisar" (p.27). As atividade escolhidas para estas aulas foram a exploração das canções Minha canção de Chico Buarque e Dó, ré, mi do filme The Sound of Music, do canto sem palavras Dorian Song de minha autoria, do canto rítmico Sê paciente sobre texto de Eugénio de Andrade, da criatividade rítmica sobre texto de Alexandre O'Neill, da criatividade tonal usando a escala pentatónica, e da orquestração dos temas O pastor do
51 grupo Madredeus e Resineiro engraçado melodia tradicional da beira-alta. Volto a referir que os objetivos que presidiram a escolha do trabalho a realizar foram o fazer música, cantar e a valorizar o património artístico português. Com estas escolhas procurei consolidar as aprendizagens realizadas pelos alunos ao longo deste 2.º ciclo de ensino na educação musical, sempre frisando a importância do trabalho em grupo, do respeito pelos outros e por si próprio, do entender e cumprir das regras que me permitem alcançar patamares de desempenho superior, e por último da satisfação pessoal que sei que a maioria dos alunos sentiu ao longo de todo o processo. Ao longo deste trabalho registei melhorias de desempenho nos alunos ao nível da afinação, da colocação vocal e do empenho nas atividades. Observei a enorme vontade de aprender que por vezes nem os alunos sabem que têm, e a capacidade de trabalho que possuem. No domínio rítmico as duas turmas apresentavam um bom desempenho geral, havendo alunos como a R. com um desempenho inferior devido a dificuldades de motricidade fina relacionada com questão de saúde. No arranjo sobre o tema O pastor e O resineiro engraçado os resultados alcançados em ambas as turmas foram positivos, o trabalho foi dividido em várias etapas, envolvendo algum trabalho autónomo dentro da sala de aula e trabalho de casa. Os planos de aula do 6.º ano estão disponíveis para consulta no anexo T.
52 3.4. Eu, professora me confesso Como ferramenta de autoavaliação irei usar o Framework for teaching, Danielson, 2013 adaptado por J. Nogueira em 2014. Esta ferramenta de avaliação de competências de ensino pretende aferir a preparação e planeamento das aulas, o ambiente de sala de aula, a instrução, a competência performativa/artística (adicionado J. Nogueira) e as responsabilidade profissionais. No que se relaciona com a preparação e planeamento das aulas estudei e analisei o programa da disciplina para o 2.º ciclo de ensino e as planificações anuais da disciplina. Selecionei materiais que gostaria de trabalhar com as turmas no sentido de alcançar determinados objetivos, e defini planos de aula que apresentei à professora cooperante. As aulas foram pensadas tendo em vista os alunos a que se destinavam, que foram observados desde o dia 25 de setembro de 2018. Além de aulas de trabalho alinhadas com os objetivos da planificação anual, foram planeadas e dadas 20 aulas de 45 minutos aos 6.ºs anos relacionadas com o projeto de apresentação dessas turmas no Dia do Agrupamento na escola no dia 3 de maio de 2019. O concerto no dia do agrupamento - Canções de maio envolveu também um enorme trabalho de preparação e planeamento e de adaptação minha às condicionantes da escola, uma vez que estou habituada a realizar sempre um ensaio geral com os alunos, o que aqui não me foi possível e a definir, assim como requisitar equipamentos necessários, neste caso não pude dispor de um piano no dia e tive que adaptar e concretizar bases instrumentais para o dia do espetáculo. No caso da criação das bases instrumentais, foi para mim uma oportunidade de aprendizagem, uma vez que nunca havia usado a aplicação Garage Band e num curto espaço de tempo explorei uma ferramenta de trabalho muito interessante para professores de educação musical. O ambiente de sala de aula foi sempre bastante agradável e produtivo, não havendo lugar a grandes momentos de indisciplina. Simples chamadas de atenção quanto ao volume sonoro, ou para parar as conversas paralelas e por vezes no final de uma execução vocal para estarem prontos para repetir rapidamente. A maioria dos alunos envolveu-se ativamente na aprendizagem e com gosto. A sala do 5.º ano permitiu atividades variadas e uma ocupação do espaço livre, o mesmo não aconteceu na sala do 6.º ano, que limitou o planeamento, não era possível modificar a disposição dos
53 equipamentos, muitas mesas duplas e cadeiras e pouco espaço livre. Senti com todos os alunos um ambiente de respeito e desenvolvi com eles um bom relacionamento. Nas aulas coloquei os alunos o mais possível a fazer música e a cantar, houve lugar a perguntas e respostas, a elogios quando merecidos, formas variadas de fazer os alunos repetir sem enfado, como em pequenos grupos, ou, rapazes e depois raparigas, e vamos ver quem realizou melhor trabalho, procurando aguçar o sentido crítico sobre as próprias execuções. Procurei envolver sempre todos os alunos no trabalho, e quando na interpretação dos arranjos orquestrados fazê-los variar de função, ora cantavam, ora tocavam flauta, ora faziam percussão. Tive pena de não se explorar o instrumental Orff no 2.º ciclo. A avaliação foi sempre contínua, estando sempre eu e a professora cooperante a observá-los, tendo os alunos consciência que todo o trabalho realizado contribuiu para a sua avaliação final de período e de ano. Penso ter demonstrado flexibilidade e recetividade durante as aulas, moldando sempre que necessário o curso da aula para um esclarecimento adicional, como quando o aluno R. do 6.º A colocou uma questão, muito pertinente, que implicou um desvio ao planeamento, passando por uma exposição sobre a história de música ocidental, ou recebendo as diversas intervenções dos alunos, usando-as depois na argumentação feita para moldar a sua recetividade às propostas em aula, como quando se ouviu "Cantar? Mas eu não quero ser cantor!" e logo pude dizer-lhes qual o objetivo da atividade e qual a serventia para o seu futuro. A voz é veículo de comunicação e todos num futuro próximo independentemente da profissão escolhida, serão melhores profissionais ao saberem fazer um melhor uso da sua voz. No decurso da minha prática letiva fiz uso da voz, do canto, da prática instrumental (flauta de bisel, percussão), gravei bases instrumentais para apresentações dos alunos, e para servir de exemplo em aula com qualidade (afinação, expressão, entre outros); corrigi os alunos durante a execução vocal (afinação e colocação vocal) e instrumental promovendo a melhoria de desempenho dos alunos; pesquisei, selecionei e produzi material para uso nas aulas e no Dia do agrupamento e dirigi nas aulas e no concerto as execuções coletivas dos alunos. A reflexão sobre o ensino foi uma constante durante o ano e mais intensa e profunda quando passei a lecionar na escola. É fundamental questionar sempre, não há
54 receitas certeiras, cada turma é uma turma, cada aluno é um aluno e o professor tem de estar sempre atento, moldando o seu ensino à realidade da turma, dos alunos, não perdendo de vista os seus objetivos mas torneando de forma a alcançá-los de forma harmoniosa para todos. Na minha prática letiva, a prática vocal esteve sempre presente e foi contributo para melhorias nas funções cardiorrespiratórias dos alunos, melhorias na motricidade envolvida no funcionamento do aparelho vocal dos alunos, promoveu a interação de diversas áreas cerebrais dos alunos. O canto nas aulas foi também vetor de melhorias na comunicação intra e interpessoal, providenciou aos alunos uma melhor catarse dos seus sentimentos e foi ferramenta de desenvolvimento de um autoconceito mais positivo e de uma identidade de grupo, sentido de pertença. Nas escolhas de repertório para os alunos procurei fazê-los conhecer a sua música, fazê-los músicos e desenvolver sentido crítico musical e artístico. A prática vocal foi ainda motor de aumento de conhecimento, de perceção do mundo e de melhorias com a sua língua materna como enunciado por Graham Welch (2012). O desenvolvimento profissional na atividade educativa passa pela aprendizagem ao longo da vida e como tal procurei reforçar as minhas competências ao longo do ano frequentando diversas ações de formação: curso de pedagogia musical para a iniciação musical de Jos Wuytack; workshop de Teoria de Aprendizagem Musical para o Ensino Básico orientado pela professora Doutora Cynthia Taggart; ação de formação Educação Kodály: música no ensino geral e especializado sob orientação de Cristina Brito da Cruz e László Nemes; ação de formação Kodály: educação musical baseada no canto - nível I e II sob orientação de Lilla Gábor; ação de formação Princípios Willems na educação musical - ensino geral e especializado orientado por Christophe Lazerge; e o curso Música no 1.º Ciclo do Ensino Básico Aplicação da Teoria de Aprendizagem Musical de Edwin Gordon lecionado pela Professora Ana Isabel Pereira.
55 4. SOPES - Investigação em Educação O que aprendemos, falámos e levamos deste seminário Nas aulas de SOPES, sob orientação do Professor Doutor João Nogueira, os alunos debateram vários assuntos relacionados com a investigação em educação depois de fazerem várias leituras sugeridas pelo orientador e fizeram a revisão do questionário preparado pelo grupo de alunos do ano anterior, a aplicar na plataforma da APEM Cantar Mais. O trabalho desenvolveu-se numa primeira etapa pela leitura de documentos relacionados com a investigação em educação, em especial a construção de um projeto de investigação (Pajares, 2007), o paradigma qualitativo (Aires, 2015), a elaboração de um questionário e sobre a recolha de dados descritiva (qualitativa), que tem que ser muito bem pensada a priori para que os dados recolhidos possam dar lugar de alguma forma a uma análise estatística que permita retirar as conclusões a que o estudo se propôs à partida. Hill & Hill (1998) bem avisam " Pense sempre adiante ao planear a sua investigação. Caso contrário, é provável que no fim não seja capaz de testar a Hipótese Operacional que quer, ou precisa de testar". O professor falou-nos também da importância da validação das conclusões dos estudos, onde se verifica a independência/dependência de algumas variáveis através de ferramentas da estatística das ciências sociais. Posteriormente fez-se uma reflexão coletiva sobre as leituras propostas na primeira fase, levando-nos à aquisição de um pensamento crítico em matéria de investigação educacional. Falámos nas dificuldades em recolher dados atualmente junto dos alunos devido à nova legislação de proteção de dados. Nesta fase o professor expôs-nos à sua versão portuguesa do questionário Barcelona Music Reward Questionnaire tendo recolhido os nossos dados e formulado resultados que passamos a analisar, depois do processamento estatístico do mesmo, para as cinco dimensões da satisfação (a evocação emocional, a regulação do humor, a procura musical, a recompensa social e a dimensão sensoriomotora). Depois da experiência com o nosso grupo o professor sumariou-nos a apresentação que havia feito a 10 de novembro no ENIM 2018 - VIII Encontro de Investigação em Música.
56 Seguiu-se o contacto com o questionário construído pelo grupo de trabalho do ano anterior. Este pretendia conhecer o impacto percebido pelos utilizadores da plataforma Cantar Mais, num período determinado, em relação ao envolvimento dos seus alunos na escola e como isto se articulava com as suas características pessoais, formativas e da sua autoimagem enquanto cantores e instrumentistas. A plataforma é uma iniciativa da APEM, e conta com o apoio da Direção Geral de Educação e da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentando como missão tornar o canto central na aprendizagem e vida musical de crianças e jovens, disponibilizar recursos a educadores e professores, promover e incentivar a realização de concertos e apresentações na escola e comunidade e promover e valorizar a língua e cultura portuguesas. O grupo de trabalho procedeu a uma revisão do questionário do grupo do ano anterior, refletindo sobre os seus objetivos, as variáveis em estudo (tipo de utilização, grau de satisfação, localização geográfica dos participantes no inquérito, perceção da qualidade do desempenho vocal e instrumental do questionado, entre outros), a formulação das perguntas e a compreensão destas pelos participantes no inquérito, o tipo de perguntas de escolha múltipla ou abertas, a aplicação do questionário na plataforma e a seleção da amostra em estudo. O inquérito foi aplicado durante todo o mês de maio de 2019, na plataforma Cantar Mais, tendo o professor apresentado os resultados do estudo no III Congresso Internacional Envolvimento dos Alunos na Escola, realizado entre 15 e 17 de julho desse ano e partilhado, em meados de setembro, alguns resultados da análise dos dados com o nosso grupo de trabalho. O estudo contou com 253 respostas válidas, sendo que dessas 81,8% eram de professores do ensino público e que 25% de docentes do 2.º ciclo. As respostas ao inquérito tiveram origem em portugal continental e ilhas, brasil, timor e espanha, tendo havido um número consideravelmente maior de respostas da zona norte, centro e área metropolitana de lisboa. A conclusão dos dados analisados, para este grupo de pessoas que decidiu dar resposta ao questionário, foi a de que o impacto percebido da plataforma Cantar Mais, e seus recursos, é maior nos utilizadores que têm menor formação musical (inferior a um 8.º grau de conservatório) e menos fluência musical.
57 Do trabalho realizado em SOPES sinto que me preparou para a possibilidade de estudos em educação no futuro, sendo que a nível da avaliação de dados e do entendimento da estatística aplicada às ciências sociais necessito de aprofundar conhecimentos.
58 5. Conclusões Durante o ano de estágio curricular pude contactar com diferentes realidades de prática profissional e verificar os três princípios do bom professor, enunciados por Swanwick (2008), na sua prática: o gosto e cuidado com a música, o reconhecimento do contributo do aluno para o discurso musical e a promoção da fluência musical. Todas as observações foram feitas tendo em conta o contexto social e educativo em que os professores trabalham. Tudo o que vi me enriqueceu enquanto profissional e influenciou a minha prática, conferindo-me uma maior segurança e o sentimento de que a minha formação enquanto professora é um trabalho iniciado e não terminado. A prática vocal esteve sempre presente na minha prática sendo pensada para os alunos e o seu contexto social e educativo, sempre integrada no espírito da planificação anual da escola e fazendo dos alunos criadores da sua música, não dependendo de bases instrumentais sempre que possível. Com tão pouco como a voz, o corpo e o instrumento musical adotado pela escola no 2.º ciclo pode fazer-se muita e boa música, sendo que no trabalho realizado a voz foi sem dúvida a grande protagonista. O projeto Canções de Maio desenvolvido com alunos do 6.º ano, e apresentado no Dia do Agrupamento na escola, deu muito trabalho desde a ideia inicial até à sua concretização, mas foi muito gratificante. Assistir à transição gradual do constrangimento em cantar até à disponibilidade e confiança em fazê-lo em grupo ou individualmente foi enternecedor. Todo o processo desde a incerteza inicial da adesão dos alunos até à surpresa de os receber a praticamente todos no concerto, para um dia que creio ter sido marcante nas suas vidas e das suas famílias, superou as minhas expectativas. Todo este processo de aprendizagem apenas foi possível porque pude contar no meu caminho com os ensinamentos, aconselhamento, comentários e generosidade imensa dos meus professores de mestrado, da professora cooperante, e dos alunos com que contactei e trabalhei. A todos o meu muito obrigada, pois levo um pouco de todos no meu coração e na minha prática futura.
1 Anexos
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3 Anexo A. Planificação Anual do 5º Ano
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9 Descritores do perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória (Ministério da Educação, 2017) A Linguagens e textos B Informação e comunicação C Raciocínio e resolução de problemas D Pensamento crítico e pensamento criativo E Relacionamento interpessoal F Desenvolvimento pessoal e autonomia G Bem-estar e saúde H Sensibilidade estética e artística I Saber técnico e tecnológico J Consciência e domínio do corpo
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19 Anexo D. Grelhas de avaliação da Turma 5º C
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23 Anexo E. Planta da escola e do pavilhão 4
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25 Anexo F. Equipamentos: Instrumentos musicais e acessórios LISTA DE INSTRUMENTOS MUSICAIS E ACESSÓRIOS NA ESCOLA Quantidade Local Metrónomo 1 M1 (arrecadação) Estantes 8 M1 Instrumentos de Tecla, Cordas e Bateria Piano elétrico Yamaha 1 M1 Piano elétrico Casio 1 M2 Órgão Yamaha (ensino articulado) 1 M2 Guitarra clássica com capa 1 M1 Guitarra elétrica Yamaha 1 M1 Guitarra baixo Ária 1 M1 Amplificador de guitarra Marshal 1 M1 Amplificador de guitarra Torque 1 M1 Bateria Tama com 5 peças, 2 rides e 1 Hit Hat 1 M2 Família de Percussão de Madeira Instrumentos de altura definida Baquetas de xilofone (madeira e feltro) 14 M1 Baquetas de xilofone baixo 4 pares M1 Xilofone Soprano 2 M1 Xilofone Soprano cromático com 2 baquetas 1 M1 Xilofone Contralto 5 M1 Xilofone Alto cromático com 2 baquetas 1 M1 Xilofone Baixo diatónico com 2 baquetas 2 M1 Xilofone Baixo 1 M2 Instrumentos de altura indefinida Clavas 15 pares M1 Castanholas 2 pares M1 Maracas 2 pares M1 Blocos de Som/Reco e 2 batentes 3 M1 Caixa Chinesa e 6 batentes 5 M1
26 Família de Percussão de Metal Instrumentos de altura definida Baquetas de Jogo de sinos (borracha) 6 pares M1 Jogo de Sinos em mau estado 1 M1 Jogo de Sinos soprano diatónico com 2 baquetas 1 M1 Jogo de Sinos contralto diatónico com 2 baquetas 1 M1 Jogo de Sinos Contralto cromático 1 M1 Baquetas de metalofone (feltro) 19 pares M1 Metalofone Contralto 3 M1 Metalofone Contralto cromático com baquetas 1 M1 Metalofone Baixo diatónico com baquetas 1 M1 Instrumentos de altura indefinida Triângulos com 5 batentes 6 M1 Pratos 2 M1 Pratos pequenos 3 pares M1 Guizeira 1 M1 Pandeireta 2 M1 Família de Percussão de Pele Instrumentos de altura indefinida Pandeireta com pele 2 M1 Tamborim 5 M1 Bongós 2 M1 Tambor artesanal 1 M1 Caixas tamanho 12 pol. com 2 baquetas(Paradiddle) 4 M1 Caixas tam. 14 com 2 baquetas (Paradidlle) 12 M1 Caixas tam. 15 com 2 baq. (Paradiddle) 7 M1 Timbalões tam. 15 com 2 baquetas (Paradiddle) 5 M1 Timbalões tam. 16 com 2 baquetas (Paradiddle) 4 M1 Bombos tam. 20 com 2 maços (Paradidlle) 6 M1 Bombos tam. 20 tradicionais 5 M1 Bombos tam. 22 com 2 maços (Paradiddle) 7 M1 Bombos artesanais de 22 polegadas com 2 maços 10 M1 Fonte: Inventário Geral de Material Audiovisual de 9 de Julho de 2019 da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos XX.
33 Regressa ao exercício, voltando ao início do mesmo. Sobre este ostinato rítmico corporal a professora começa a realizar padrões rítmicos e pede aos alunos que os repitam em sílaba neutra (pam). Alguns alunos conseguem outros nem por isso. A professora vai ao piano e destapa-o, os alunos têm inúmeras reações e voltam a ser repreendidos. De seguida dá o tom para a atividade que se segue e começa a cantar uma melodia em sílaba neutra em modo maior, por vezes vai parando deixando que a turma antecipe o tom de repouso. Logo à segunda vez já são os alunos a cantar a nota de repouso. O jogo continua e agora a professora pede a um aluno específico que lhe termine a melodia, cantando o tom de repouso. Logo depois, começa a cantar pequenas melodias, ainda na mesma tonalidade e pede-lhes que imitem o que acabaram de escutar (Jogo de Eco em sílaba neutra). De seguida, dá o contexto tonal e começa a realizar padrões tonais para que a turma repita. Volta a haver uma interrupção para uma repreensão. Voltando à atividade, a Professora canta as regras do jogo dos padrões tonais, definindo os gestos para: Eu - Todos - Um alunos específico. Os padrões usados são de Tónica e Dominante e têm três notas. Volta a interromper para repreender pela terceira e quarta vez o mesmo aluno. Enquanto isso outro aluno pede para ir à casa de banho. Explica que não pode acontecer que devem fazê-lo nos intervalos, mas desta vez vai deixar. A aula prossegue: “como se chamam palavras que tentam imitar sons?”, Onomatopeias, responde um aluno. A professora coloca em projeção no quadro uma página do manual do aluno com imagens de animais, máquinas e materiais diversos, e pergunta por sons da natureza sem intervenção do homem. As respostas vão surgindo: - Mar, rio, água, vento, chuva, vulcão, tornado, furacão, terremoto, trovoada, …, fogo,...
34 Fonte: Neves, A., Amaral, D., & Domingues, J. (2018). 100% Música Educação Musical - 5.º Ano. p.6 A professora sistematiza no quadro para que os alunos vejam: SONS NATURAIS - os produzidos pela natureza. Também aqui incluímos os animais. SONS HUMANIZADOS - Todos os que tenham intervenção humana, por exemplo: avião, motas, piano, portas, carros, enfim há imensos. Dentro dos sons humanizados temos duas subcategorias: SONS CORPORAIS - Sons produzidos pelo homem sozinho. Voz humana, percussão corporal, assobio. SONS MECANIZADOS - Som de tudo o que o homem construiu.2 A professora abre a página 7 do livro na projeção para o quadro e diz vamos agora fazer um jogo. 2 Apesar da professora ter sistematizado no quadro os alunos não escreveram nada nos seus cadernos e a maioria ainda não tem o manual da disciplina. Será que a terminologia vai permanecer nas suas cabeças.
35 Fonte: Neves, A., Amaral, D., & Domingues, J. (2018). 100% Música Educação Musical - 5.º Ano. p.7 Nova interrupção para repreender os mesmos alunos. Regressa ao jogo auditivo, irá colocar diversos sons à consideração e quer que eles os identifiquem dentro das categorias que sistematizou previamente. Recorda que devem ouvir as faixas até ao fim porque algumas de início podem enganar. Volta a repreender e ameaça com uma falta disciplinar. “Para que serviu tudo isto? Tudo o que são sons que nós já conhecemos, torna fácil o seu reconhecimento. São sons que já identificamos desde muito pequeninos. Existe uma palavra que define o que é que nos faz identificar os sons - TIMBRE do som.” A professora propõe um jogo à turma, quer todos de olhos fechados, enquanto a professora vai circulando entre eles e quando a professora tocar na cabeça de um aluno específico este dirá: “Hoje vim à escola e está muito calor!”. Todos, sem exceção, reconheceram de imediato o nome do colega que acabara de falar sem dificuldades. De seguida o mesmo jogo no piano, a professora vai escolhendo instrumentos diferentes no teclado e eles identificam-nos: Piano, Órgão, Xilofone. A professora reforça que apenas os identificam devido ao seu Timbre. A aula termina com uma avaliação caderneta da professora. Aluno a aluno vão fazendo a sua autoavaliação e a professora apenas comenta quando discorda e diz o porquê. Esta atividade já entra dentro do tempo de recreio dos alunos, um ou dois queixam-se. _____________________________________________________________________________
36 Tópicos a desenvolver: 1. Organização da sala de aula Os alunos entram na sala e sentam-se de acordo com o seu número de pauta. Isto poderá ser uma grande ajuda para a memorização dos nomes dos alunos por parte da professora. A sala está disposta em forma de U e os alunos apenas dispõem de uma cadeira para se sentarem, e sob esta devem colocar as suas mochilas. 2. Gestão da sala de aula A professora define o plano de aula. A primeira parte da aula segue uma abordagem metodológica próxima da preconizada por Edwin Gordon. Na segunda parte da aula a professora segue uma abordagem de conceitos e atividades propostos pelo manual adotado. 3. Interação na sala de aula A professora terá estabelecido as regras de sala de aula na primeira lição e age em conformidade à mínima questão comportamental, por forma a que interiorizem o comportamento a adotar na sua sala. São alunos novos no liceu e estão com esta professora pela primeira vez. 4. Discurso do professor À exceção das repreensões que são realizadas com enorme assertividade, a professora mantém um tom de voz doce e convidativo, invocando à participação dos alunos por diversas vezes ao longo da aula. 5. Discurso dos alunos Os alunos não fazem muitas perguntas. Responderam à professora quando interpelados de forma bastante ordeira mesmo quando as perguntas eram abertas a todos. Havia um pequeno foco de conversa e brincadeira que a professora foi repreendendo ao longo da aula.
37 6. Clima na sala de aula Professora e alunos interessados. 7. Atividades educativas Atividades adequadas aos objetivos letivos e com duração adequada à capacidade de concentração apresentada pelas crianças.
38 5.º C 10.Out.2018, 4ª feira 11h45-13h15 Sala2 Aula n.º 7 e 8 Sumário - Os instrumentos de sala de aula - Instrumentos Orff Experimentação de instrumentos de percussão de madeira. Descrição da aula: 11h53 Os alunos entram na sala de aula por ordem aleatória e começam a falar. A professora diz olhando para a turma: " Mochilas debaixo das cadeiras! Estão fartos de saber, mas continuam!" Após algumas repreensões a turma cala-se. 11h56 A professora faz a chamada. Nenhum aluno está a faltar. A professora senta-se então ao piano e toca esta progressão harmónica: I V I ii I V I Logo a seguir começa a cantar várias sequências melódicas interrompendo antes da nota de resolução, a tónica, neste caso dó. O grupo deverá cantar essa nota. Executou o seguinte: O grupo conseguiu fazer este exercício sem dificuldade embora haja um ou outro aluno que não consiga cantar afinado. A professora explica que vai propor exercícios ao grupo todo e às vezes só a um aluno. A professora canta sequências de duas e três notas com diferentes saltos e características. Por exemplo:
39 A professora tenta motivar os alunos e elogiá-los neste exercício. Só uma aluna não participa e três alunos não conseguem cantar afinado. 12:06 A professora senta-se numa cadeira e começa a marcar uma pulsação batendo as duas mãos nas pernas. Passa então a marcar com mão esquerda a figura de semínima e com a mão direita duas colcheias. Os alunos imitam-na em espelho. Nem todos os alunos conseguem. Mais tarde, a professora começa a entoar pequenas células rítmicas. Um a um os alunos tentam imitar a entoação da professora ao mesmo tempo que continuam a executar os mesmos movimentos com as mãos. 12:18 A turma começa a conversar a professora repreende-os. 12:22 - Vamos ver umas coisas que estão no livro. Aqui não é preciso abrir o livro. Devem abrir em casa e rever o que foi dado na aula.- A professora pergunta sobre o que foi feito na aula passada. Os alunos ainda se lembram que ouviram falar do compositor alemão Carl Orff. A professora começa então a falar do instrumental Orff, em particular dos instrumentos de percussão de madeira. Antes de trazer os instrumentos para dentro da sala de aula, a professora avisa que quem falar não irá tocar. Começa por falar sobre as lâminas dos xilofones. A maior das lâminas produz o som mais grave, a mais pequena o som mais agudo. Para exemplificar a diferença entre grave e agudo a professora toca também no piano. Para tocar xilofone são necessárias baquetas. Existem vários materiais possíveis para as pontas das baquetas: lã, feltro, madeira, madeira e feltro e borracha. Todos estes materiais têm sons diferentes, timbres diferentes.
40 Numa caixa mais pequena cinzenta estão instrumentos de percussão de madeira de altura indefinida: maracas, caixa chinesa, reco-reco, clavas, bloco de dois sons. Fala ainda das maracas. Sobre o primeiro instrumento, maracas a professora diz que no seu interior pode haver diferentes materiais, arroz, sementes, areia e é isso que dá timbres diferentes. Por outro lado, é possível mover o instrumento de diferentes maneiras e com isso obter diferentes sons. A caixa chinesa é um bloco de madeira compacto escavado nos lados. O reco-reco aparece normalmente na figura de um peixe. Agarra-se com dois dedos colocados nos dois buracos do instrumento. É um instrumento de raspagem. Este instrumento tradicional tem este nome devido a parecer imitar o som de um porco. As clavas são normalmente feitas de madeiras nobres. É suposto fazer uma concha com a mão para conseguir apoiar o instrumento e obter mais som. O bloco de dois sons, pode ser vertical ou horizontal. Chama-se assim porque tem dois cilindros, um maior e outro mais pequeno, que dão sons diferentes. Este instrumento também se pode raspar como o reco-reco. As matracas é um instrumento popular português e não faz parte do instrumental Orff. 12:40 A professora começando por um dos lados da turma começa por passar um a um os instrumentos de percussão de altura indefinida. No fim da aula os alunos experimentam o xilofone baixo, contralto e soprano. Todos os alunos experimentaram os diferentes instrumentos.
41 5.º C 17.Out.2018, 4ª feira 11h45-13h15 Sala2 Aula n.º 9 e 10 Sumário - Padrões tonais e rítmicos. Os instrumentos Orff - família dos metais. Descrição da aula: 11h50 Os alunos entram na sala de aula fazendo algum barulho. Ao fim de algumas repreensões da professora a turma fica em silêncio. 11h59 A professora diz: "Ora bem! Vamos começar então! Não quero nada ao pé dos pés, colocam as mochilas debaixo da cadeira! Antes que eu me esqueça vou só fazer uma pergunta que o outro professor me pediu para fazer: Porque é que ninguém desta turma se inscreveu no 'X' (grupo de percussão tradicional portuguesa)?" Uma aluna responde: "Nós não podemos porque temos TIC". Alguns alunos da turma confirmam o fato. Só saem da aula de Tecnologias de Informação e Comunicação 45 minutos depois da hora de início do Clube de Música. 12h01 A professora repete alguns exercícios que tinha feito na aula passada usando a mesmo tipo de sequência. Exercício 1. Objetivo cantar o tom de repouso da melodia, a tónica. Tal como na aula anterior a professora canta várias sequências melódicas em dó maior e interrompe-as antes da última nota, o tom de resolução. Como resposta o grupo deverá cantar esse tom à professora. Toda a turma fez este exercício sem problemas. Ao contrário da aula anterior, não se ouve quase nenhum aluno a desafinar. Os alunos estão em silêncio, descontraídos e concentrados. Em relação ao que tinha feito na aula anterior a professora improvisou outro tipo de melodias. Cantou por exemplo:
42 Exercício 2. Imitação de padrões Fase 1. A professora canta padrões de três sons utilizando notas de uma tríade maior. Pede aos alunos que imitem o que acabaram de escutar, cantando juntamente com eles a repetição. Fase 2. A professora canta um padrão de dois sons e pede para os alunos imitarem individualmente, fazendo o sinal a cada um. Ao contrário da aula anterior desta vez todos os alunos cantaram individualmente. É frequente a professora dizer: “Isso!”, “Boa”. Este exercício é feito num tempo muito rápido, não dando muito tempo para os alunos pensarem. Os alunos são escolhidos aleatoriamente. Exercício 3. A professora canta um padrão de três sons utilizando as notas dó, mi, fá e sol. A professora canta e todos repetem logo de seguida. Exercício 4. A professora canta melodias em modo menor e diz: "Ora bem! Vou cantar de outra maneira para ver se vocês sentem a diferença". Os alunos ouvem as melodias e no final cantam o tom de repouso. A professora pergunta: "O que mudou?" Os alunos dão várias respostas: “ É mais grave.”; “o timbre mudou um pouco.”; “mudou o som”, “Foi mais suave.”
49 pancada". "Agora vamos partir o tempo com as mãos, cada balanço tem duas pancadas iguais nas mãos". (Microtempos). Volta ao início com a marcação dos macrotempos. "Não acelerem, vão comigo, olhem para mim". Agora quem vai partir o tempo vai ser só a mão direita". Enquanto executam a professora começa a realizar padrões rítmicos. Depois mantendo o ostinato corporal passam a repetir os padrões feitos pela professora. A turma vai sendo repreendida. Há alunos que interrompem o trabalho com intervenções completamente deslocadas. A professora imita os alunos que fazem mal o exercício proposto e que não olham para ela. "O modelo é a professora, e não os colegas. Concentrem-se na professora". A professora faz macros mais lentos e passa à divisão ternária. Bate com as mãos nos joelhos direito e esquerdo. A professora pergunta aos alunos o que foi diferente? Depois de algum tempo uma aluna diz que a mão direita está a bater mais vezes no joelho. "Vamos então agora partir em dois o tempo", todos os alunos executam com a professora. "E agora em três, vejam se me conseguem acompanhar". "Vamos dar nome: quando parto em dois chamo DIVISÃO BINÁRIA. E quando parto em três chamo DIVISÃO TERNÁRIA".
50 (Na sequência de Aprendizagem de competências de Edwin Gordon - Aprendizagem por discriminação - Associação Verbal). "Então eu agora vou aqui tocar umas músicas ao piano e vocês vão adivinhar se está em divisão binária ou ternária". Exercícios: 1 - Ternária, respondem com facilidade. "Alguém discorda?" Ninguém. 2 - Ternária. O aluno responde "trinária" e a professora escreve no quadro para os ajudar a dizer a palavra corretamente. Diz que o início "ter" é como nas palavras terça-feira e terceira. 3 - Binária. Muitos dedos no ar. Escolhe um aluno que diz ternário, todos os outros dizem que é binário. Volta a tocar e pede que todos marquem nas pernas. 4 - Ternária. O aluno acerta logo e todos concordam. Agora sempre que houver uma música eu vou querer que me digam se está em divisão binária ou ternária. A professora chama uma fila de 6 alunos para irem ao centro da sala e diz-lhes: Quando sentirem que a divisão é binária vão marchar, mas sem sair do retângulo. Quando mudar para ternária vão balançar parados no lugar como um barco ao vento. O exercício começa. O primeiro grupo porta-se muito bem. Agora vem a outra fila e vamos fazer o mesmo exercício. Esta fila tem 11 alunos e o exercício não corre nada bem, os alunos não sentem as mudanças apesar de bastante acentuadas pela professora ao piano. O terceiro grupo tem 6 alunos e consegue executar e sentir as diferenças. A professora apenas chama a atenção para o facto da marcha estar "molengona" e sem seguir a música (as divisões do tempo). A professora pergunta sobre o que se lembram de aprender na aula passada. Vários alunos tentam responder. E um deles fala dos instrumentos de metal que estiveram a ver e ouvir. A professora relembra que estiveram a falar da família dos metais do
51 instrumental Orff e aproveita para fazer uma rápida revisão do que havia sido dado, após o que abre o manual virtual na projeção no quadro na página 13. Fonte: Neves, A., Amaral, D., & Domingues, J. (2018). 100% Música Educação Musical - 5.º Ano. p.13. A conversa começa a instalar-se e a turma ouve uma repreensão. Tal como na aula anterior, a professora começa a explicar os instrumentos de percussão da família das peles. Fala de cada instrumento individualmente e mostra os instrumentos à turma. No final da aula a professora explorou o material de apoio. O manual tem uma pequena aplicação sobre os instrumentos de percussão de pele. Os alunos puderam ouvir cada instrumento individualmente. Mais tarde a professora colocou sequencialmente os diferentes instrumentos a tocar.
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53 Anexo H. Grelha de observação de aulas e registo de uma observação
54 5.º C 28.Out.2018, 4ª feira 11h45-13h15 Sala2 0. Situação (contexto) Na escola os professores fazem o acesso às salas de aula por dentro dos pavilhões que apenas possuem um piso térreo. Chegados à sua sala abrem uma porta para o exterior por onde é feita a entrada e saída dos alunos nas salas de aula. O agrupamento definiu que os alunos devem formar uma fila por número de ordem na turma para que a entrada e chegada aos lugares definidos seja rápida e sem sobressaltos. Registam-se exceções a esta regra verificando-se comportamentos e atitudes de descontração total dos alunos com um registo sonoro elevado na aula. Sendo a turma do 5ºC nova na escola este ano letivo, ainda não absorveu bem esta diretriz e todas as semanas verifica-se uma grande confusão na entrada com os alunos sempre a falar. Os alunos conversam alto para se conseguirem ouvir uns por cima dos outros, não se dando conta que a aula começa desde que colocam os pés dentro da sala de aula. 1. O que queria a professora? Uma entrada na sala de aula o mais rápida e silenciosa possível, com os alunos a sentarem-se nas cadeiras dispostas em U. Enquanto a professora fecha a porta e se dirige à sua secretária para dar início às atividades os alunos devem colocar as mochilas e materiais debaixo das cadeiras. 2. O que fez a professora? Abriu a dita porta da rua, encontrou os alunos ainda em brincadeira junto à porta e longe da formação pretendida para a entrada na sala. Chamou-os à atenção, esperou um pouco para que se colocassem por ordem e deu início à entrada na sala. Quando terminou o ruído instalado, começou a repreender a turma. 3. O que pensou a professora? A professora terá pensado que o que se pede não é complicado de realizar sem sobressaltos e que os alunos já estão crescidos o suficiente para conseguirem fazê-lo sem ser preciso tanto tempo e aborrecimento. Em conversas tidas com a mesma professora, sabemos também que esta sabe que o primeiro período letivo é o tempo da aprendizagem comportamental espectável para estes alunos do 5ºano, que se encontram este ano numa escola nova e com regras novas, e por isso lhe dedica tanta atenção nas suas lições, podendo mesmo pensar-se que será demais, mas é pensado como um
55 investimento para que o ano corra o melhor possível com estes alunos no domínio dos comportamentos e atitudes a ter na sala de aula. 4. O que sentiu a professora? A professora sentiu cansaço por, com quase dois meses de aulas, ainda ter que dedicar tanto tempo da lição ao comportamento e logo no início da aula. Sentiu ainda algum aborrecimento por ter que se exaltar e exasperar o seu tom de voz. 5. O que queriam os alunos? Queriam entrar na sala de aula de forma informal e descontraída. 6. O que fizeram os alunos? Dentro da informalidade e descontração pretendida perdem a noção do nível sonoro e do tempo decorrido desde a entrada na sala de aula e terminam a ouvir uma enorme repreensão. 7. O que pensaram os alunos? Os alunos terão pensado que o que aconteceu até aí até nem será assim tão grave, ainda estão a começar a lição e reina a boa disposição. Sobretudo o que acontece é verificar-se que tomam atenção, começam a sentir o que se passa na sala de aula, por contrapartida à postura inicial de falta de foco e falta de consciência da presença da professora . 8. O que sentiram os alunos? Alguns alunos ficam bastante apreensivos com o que vão ouvindo da professora e outros permanecem relaxados mas agora em silêncio, numa postura de respeito pela sua professora. Aspetos essenciais: Na turma 5ºC é notório que este investimento inicial no comportamento dos alunos, permite tempo de qualidade e de atenção nas atividades desenvolvidas posteriormente, e que existe um bom ambiente entre professora e alunos, sobretudo propício à aprendizagem.
56 Alternativas: Possivelmente, daqui a uns tempos poderia ser implementada uma entrada na sala de aula que fosse já toda ela coreografada e musical, mas isso teria que ser criado nas aulas com os alunos, para que fosse um tema musical dos mesmos, ao mesmo tempo com a função de uma canção de acolhimento.
57 Anexo I. Aulas Observadas 6º Ano Aula n.º 3 e 4 Sumário - Revisões da matéria do ano anterior. Exercícios e leituras na flauta. Descrição da aula: 8h15 A professora chega à aula pela porta de entrada no pavilhão e posiciona o material que irá utilizar em cima da secretária. Desloca-se então, para a porta que dá acesso ao exterior e diz: "Vamos fazer uma fila pela ordem dos vossos números. Já sabem que têm de contornar a sala para chegarem ao vosso lugar. Quero que o façam sem barulho e de forma organizada." Os alunos devem manter-se de pé quando chegam ao seu lugar. Três alunos não cumprem as indicações da professora e são repreendidos. A professora olha atentamente para os alunos e num tom de voz baixo pede-lhes para saírem da sala e voltarem a entrar. Os alunos voltam a entrar e novamente não respeitam as indicações da professora. A professora volta a mandá-los sair. Os alunos entram então pela ordem correta. Os alunos sentam-se. A professora permanece de pé. A turma está em silêncio. A professora explica as regras de entrada a uma aluna, que entra um pouco atrasada. Passados alguns segundos, diz: “Bom dia a todos….” Escreve no quadro, no canto superior esquerdo, lição 3 e 4, do outro lado escreve a data. Um aluno pergunta “ Deixamos quantas linhas?”. A professora responde rapidamente, com o tom de voz calmo e descontraído: “ 2 ou 3”. A turma está em silêncio. A professora liga o computador e retroprojetor e pergunta “Quem tem flauta?” Um aluno diz “Esqueci-me”, o outro diz “Hoje não trouxe”. Ouvindo estas respostas a professora volta a perguntar: “Quem é que não trouxe flauta? Dedo no ar!”. Começando por um dos lados da sala, verifica um a um quem trouxe e quem não trouxe a flauta. Com todos os alunos que trouxeram flauta, a professora não demora muito tempo, observa que têm este instrumento e passa à frente. Aos alunos que não trouxeram 6.º E 25.Set.2018, 3ª feira 8h15-9h45 Sala 1
58 instrumento, a professora pergunta: “Porquê”. As respostas são variadas “Esqueci-me”, “Não consegui ver o horário no computador da minha mãe!”. Estes e outros argumentos foram facilmente rebatidos pela professora que destaca a importância de os alunos ganharem responsabilidade e autonomia nas suas tarefas. A professora desloca-se então para a sua secretária. Olhando para toda a turma, em tom de voz baixo, com os alunos em silêncio, pergunta: “O que escreveram no último sumário. “Não sei, não tenho folha” diz um aluno. A professora volta então a perguntar: “O que é que vos disse na última aula, deveriam guardar a folha onde escreveram. Enquanto não têm caderno é onde vão escrever. “Professora! Professora! Encontrei! Tenho aqui!” A professora continua: “Bem! Quem não tem flauta, tem falta de material! Não se esqueçam que hoje, quem não trouxe flauta, fica sem um ponto. Se em cada aula ficarem sem um ponto, não terão positiva. A professora abre então a pasta e retira a tabela de valores e atitudes. Nesta tabela está num eixo, o nome de todos os alunos da turma e no outro eixo, as datas das aulas. A todos os alunos que não trouxeram flauta, a professora marca uma bola vermelha na interseção entre o nome do aluno e a data da aula. 8h40 A turma está em silêncio. Em todas as paragens da professora, não se ouve alunos a conversar, nem se vê os alunos a virarem-se para o lado. A turma está calma, serena. A professora abre o manual do ano passado, no capítulo 2 na página que diz “recorda” e pergunta: “Quem é que se lembra do conceito de pulsação?” Quase não há reação. As respostas são difusas. A professora vai tentando guiar os alunos para as respostas certas. Uma aluna consegue responder com mais precisão a este conceito, a professora reformula a resposta. A professora clarifica então o conceito, explica-o de forma clara. Aproximando-se do piano, a professora toca uma sequência harmónica. Os alunos batem a pulsação com as mãos. Estão conscientes do significado de pulsação na prática. Fazem-no sem nenhuma dificuldade, exceto, por um ou outro aluno, que parecendo estar a pensar, não está a seguir o tempo de forma fluida. A turma permanece em silêncio quando o exercício acaba.3 3 Será que o silêncio acontece porque a professora foi, no início, tão consistente com as regras? Sempre que explicou uma regra, esteve muito alerta e averiguou se estava a ser cumprida por todos os alunos. Os alunos não parecem nada tensos, ou contraídos, estão simplesmente em silêncio, calmos e tranquilos.
65 Refira-se que esta turma recebeu três alunos que saíram este ano do regime articulado o que levanta possivelmente alguns problemas adicionais à professora que terá que os integrar e incluir nesta fase de trabalho de revisões da matéria do ano anterior de uma forma diferenciada e que os faça apanhar o comboio do que se passou no ano anterior. Com muita frequência, um aluno tende a comentar em voz alta o que a professora acaba de dizer mesmo quando a professora não está a fazer uma pergunta. A maior parte das observações deste aluno nada têm a ver com a aula. Surgem quase ao mesmo tempo outros comentários de um segundo aluno situado na fila detrás na sala. Este aluno tende a olhar para a fila do lado procurando perceber se alguns colegas estão a achar bem o seu comentário. A professora reage a estas observações, dizendo que não vêm a propósito e referindo ainda que, para falar, os alunos devem colocar o dedo no ar e esperar a sua vez. Ao mesmo tempo que isto está a acontecer também três alunos no canto direito ao fundo vão, de vez em quando conversando, sobre assuntos que nada têm a ver com a aula A professora segue os mesmos procedimentos da aula anterior. Escreve o número das aulas e a data. Pede aos alunos para deixarem espaço no caderno para escreverem o sumário. Depois liga o computador e retroprojetor e começa a trabalhar com o livro; alguns alunos fazem barulho e repreende os mais inquietos. Começa então a rever o conceito de timbre. Pergunta aos alunos o que é o timbre. Vários alunos tentam responder e a pouco e pouco vai surgindo a resposta certa. A professora passa então para a música “Tu vais conseguir” do capítulo 1 do manual do 5.º ano. Os alunos cantam a música do início ao fim: alguns alunos cantam de forma afinada, outros cantam com muitas notas desafinadas, outros estão a dizer a letra com o ritmo da música mas em voz falada, um ou dois estão em silêncio (os alunos saídos do regime articulado). A determinado momento a professora baixa o volume das colunas fazendo com que o grupo oiça melhor o que está a fazer, regista-se uma melhoria acentuada e logo após volta a subir o volume. Os alunos parecem motivados, desinibidos e alegres. A professora explica então de forma clara o conceito de pulsação, fazendo algumas comparações, por exemplo, com o batimento do coração. O conceito foi bem explicado e bem exemplificado pela professora
66 Os alunos passam então para a música “Don´t worry child”. Alguns alunos da turma trocam a mão direita com a esquerda. A professora destaca um dos grafismos, o sinal de acentuação e pergunta aos alunos o que este sinal? Após uma ou outra tentativa, um dos alunos responde à pergunta. Segue-se o tema “ Não faço questão” dos “D.A.M.A com a participação de Gabriel, o pensador. Também aqui executam a música do início ao fim com os batimentos corporais pedidos no tema. No tema “Lado a lado” os alunos tocam flauta. A professora pergunta quais são as notas que os alunos terão de tocar na pauta. Uma das alunas chama à nota lá, o nome dó. Um segundo aluno consegue responder. Os alunos começam a tocar: a massa sonora esconde alunos a tocar corretamente; outros a trocarem a posição do lá e do dó; outros a brincarem com o instrumento mexendo os dedos de forma quase aleatória, fazem-no baixinho para não se reparar. A um certo ponto a professora diz: "Está tudo a fazer uma grande burrada em relação ao que podem fazer. Vocês podem fazer as coisas muito bem.” Neste tema a professora está particularmente atenta aos meninos que não estiveram consigo no ano anterior dedicando-lhes uma explicação mais cuidada para que consigam acompanhar o trabalho. Os alunos parecem estar pouco interessados e mais interessados em brincar e dizer que não sabem. Na música “Manhattan Beach” a professora após passar o tema pede aos alunos para tocarem em pequenos grupos. Na turma, alguns apresentam uma sonoridade bonita na flauta, e uns dois ou três estão a soprar demasiado retirando um som feio e guinchado. A professora chama a atenção dos alunos que emitiram o som com mais força. Um dos alunos tem alguma vergonha. A professora ajuda-o a tocar o exercício dandolhe indicações precisas para que o faça melhor. Os alunos tocam ainda “Uptown funk” e “Se o tempo é dinheiro”. No primeiro tema a professora recapitula a estrutura do tema. No segundo os alunos não estão a tocar muito bem, nem tão pouco se lembram das notas que têm de executar quando leem a pauta. A professora faz alguns comentários em relação a isso, por exemplo: “Vocês ficaram esquecidos nas férias!”; “Como é que vocês que eram tão bons no ano passado estão
67 nesta miséria! Vamos lá ver se a coisa recupera!”; “Devo-me ter enganado na turma, isto não é a turma que eu conheço!” Quando a aula termina os alunos saem da sala de forma relativamente calma e sem atropelos. ______________________________________________________________________ Tópicos a desenvolver A organização da sala de aula (1), a gestão da sala de aula (2) o discurso do professor (4) e o clima da sala de aula (6) foram idênticos ao da aula anterior. A interação na sala de aula (3) também ocorreu da mesma forma excepto pelo facto de quase nunca ter havido silêncio na turma. 1. Discurso dos alunos Os alunos não fazem muitas perguntas. Perguntaram sobre o caderno e o livro de atividades e sobre as linhas que tinham de deixar para o sumário e pouco mais. Os alunos quase não responderam às perguntas do professor. Mas conversaram muito entre si. 2. Atividades educativas As atividades educativas adequam-se aos objetivos propostos e estão bem articuladas. A duração de atividades foi adequada ao tempo de concentração dos alunos. A aula teve a duração de 90 minutos e teve ritmo, uma boa cadência, não houve muitos momentos parados e os alunos tiveram em geral concentrados. As atividades foram diferenciadas e o tema e objetivos de cada atividade foi apresentado de forma adequada. As atividades estimulam a participação dos alunos, o professor soube dar explicações claras aos alunos.
68 Aula n.º 5 e 6 Sumário - Continuação de revisões da matéria do ano letivo anterior. Exercícios e leituras na flauta. Descrição da aula: A professora entra no pavilhão 4, pede as chaves da sala à auxiliar presente dentro do pavilhão e dirige-se à sua sala. Entra na sala e posiciona o material que irá utilizar em cima da secretária. Desloca-se então, para a porta que dá acesso ao exterior e diz aos alunos que a esperam: "Vamos fazer uma fila pela ordem dos vossos números. Quero que o façam a entrada sem barulho e de forma organizada." "Então bom dia!” diz a professora “...vamos começar a aula… quero silêncio…”. A professora faz a chamada e pergunta a todos os alunos se trouxeram flauta. Aponta os nomes dos alunos que não trouxeram material. A professora escreve no quadro o sumário: Lição nº 5 e 6… 2 de Outubro de 2018… Continuação de revisões da matéria do ano letivo anterior”. Dá mais recomendações aos alunos. Fala da importância dos alunos terem responsabilidade, de trazerem material, de estarem em silêncio e passa finalmente a falar da aula anterior: “... na última aula trabalhámos peças com as notas dó e lá”. A professora propõe hoje uma peça com 4 notas, mostra na flauta a dedilhação destas quatro notas e explica a importância destas 4 posições. Diz que se um aluno souber tocar sem dificuldade estas 4 notas facilmente consegue tocar as outras notas da escala. Tocando um acompanhamento harmónico no piano, a professora pede então aos alunos para tocarem as notas dó (agudo), lá, sol e mi. Os alunos tocam estas notas lentamente e apresentam muitas dificuldades. Por essa razão e por haver meninos que não estiveram consigo no ano anterior decide dar uma explicação técnica de como articular os sons na flauta: todos os alunos a fazer du-du-du em voz alta e agora diz a Professora façam 6.º A 2.Out.2018, 3ª feira 10h05-11h35 Sala 1
69 como se dissessem um segredo a um colega. Todos o realizam. Se não for assim sai um som horrível diz a professora. Mais uma coisa, não quero ninguém com cotovelos nas mesas! Repreensão à turma, está a apoiar um aluno que não estava na turma no ano passado e a conversa aumenta de tom. O aluno executa com exagero (vai do 8 ao 80), parece estar num modo de brincadeira, mesmo com a professora a dedicar-lhe tempo de aprendizagem individual. A professora apresenta uma paciência infinita e está decidida a conseguir cativar o aluno para a sua disciplina. (repreende alunos antigos por muito menos e este está a ter um tratamento diferenciado estratégico por parte da professora). A professora dirige-se ao piano (coloca som de orquestra) e vai pedindo que todos executem na flauta as notas que lhes vai indicando com a voz: dó agudo - lá - sol - mi e depois mi - sol - lá - dó agudo. De seguida divide a turma em dois grupos: um grupo toca e o outro comenta o resultado e depois trocam de funções. Por fim, todos voltam a tocar juntos. A professora volta a repreender a turma. Tocam agora com o karaoke sobre a música: “É melhor não duvidar” (página 41 do manual do 5.º ano). Depois a professora pede-lhes que executem sem o karaoke e vai marcando a pulsação. O aluno M. que vem do ensino articulado apresenta uma atitude menos boa. O problema não me parece ser que não saiba as notas, deseja estar em confronto e no gozo porque isso lhe confere protagonismo ante a turma, ou talvez o desagrado que teve no ensino articulado lhe traga mau estar com a disciplina de música. Afirma não saber as notas na pauta com um ar divertido e orgulhoso. Diz disparates uns atrás dos outros: chama figuras às notas e diz que a clave de sol é uma nota. A professora volta a repreender a turma e fala da injustiça que é uns prejudicarem os que querem aprender. Neste momento aproveita para desviar a atenção do grupo e pede ao aluno D. para tocar sozinho, uma vez que não estava a tocar com o grupo. Volta a repreender a turma e ameaça com recados no Inovar, ou com a marcação de um trabalho e diz que depois passa as próximas aulas em avaliação.
70 Como TPC vão treinar esta música em casa e vão ser avaliados (página 41 do livro). Começamos agora uma guerra. Vamos agora recordar mais coisas do ano passado: Os instrumentos musicais e as suas famílias. Conhecemos então as cordas, os sopros de madeira e de metal e a percussão. Escutamos a música do filme Regresso ao futuro. Os alunos pedem para voltar a ouvir, mas tal não acontece. A professora dá a escutar um excerto de cada um dos instrumentos de corda presentes na orquestra: Violino, viola d'arco, violoncelo, contrabaixo e harpa (essencialmente música do período barroco ). Passamos agora aos sopros de madeira, e madeira porque a vibração que se faz passa por uma madeira, ou melhor, por uma palheta com fibras de madeira. Como exceção temos a flauta que agora não é de madeira, mas durante alguns séculos foi de madeira, mas como a sua afinação oscilava muito e não era estável procurou-se outro material para a sua construção. São dados a escutar excertos em flauta transversal, oboé, clarinete e fagote. Os sopros de metal, os quatro T’s, vêm já de épocas muito antigas. Escutamos excertos com o trompete, trompa, trombone e a tuba.
71 6.º A 9.Out.2018, 3ª feira 10h05-11h35 Sala 1 Aula n.º 7 e 8 Sumário - Conclusão das revisões da matéria do ano anterior A escala pentatónica. Descrição da aula: Os alunos entram na sala pela ordem da pauta. A turma tem 20 alunos apenas porque há alunos que estão a fazer aula de Formação Musical na sala ao lado. Há agitação e a professora repreende a turma pelo barulho e perda de tempo no início das atividades. A professora pede aos alunos que escrevam o sumário no caderno, faz a chamada e verifica se todos trouxeram o material. Alguns não trazem o material e a professora repreende-os, falando sobre responsabilidade. A professora propõe a leitura da peça "Mikado" na flauta (manual do 5.º ano p. 32). Pergunta quantas notas diferentes tem esta peça? Os alunos dão várias respostas e brincam com o assunto. A professora vai puxando por eles perguntando quais são então, e por fim pede a um aluno que diga ao que ele responde dó, lá, sol e mi. Então são só quatro diz a professora finalizando. Os alunos ensaiam a música sem instrumental, frase a frase, duas vezes. Na terceira vez a professora acompanha-os ao piano. A última frase levanta mais desafios aos alunos, pois requer mudança de posição de nota mais acelerada e há alunos com muitas dificuldades, sobretudo os alunos que saíram do ensino articulado e não fizeram aprendizagem de flauta no ano anterior. Estes estiveram a brincar durante a atividade e em atitude gozona fazendo uns sons quaisquer. A professora interrompe e repreende os alunos mal comportados. A professora propõe uma nova experiência com as notas: Dó agudo - Lá - Sol - mi - ré - dó grave, a professora faz a posição na sua flauta para que todos vejam, diz o nome das notas e os alunos vão tocando para ela.
72 No quadro está agora o tema "Dominó" com quatro pautas (p. 43 do manual do 5.º ano) e os alunos vão melhorando e aprimorando linha a linha. Logo de seguida interpretam a peça mas agora com o instrumental. ESCALA PENTATÓNICA DE DÓ - A professora explica que é uma escala feita com 5 sons diferentes. O ambiente dado por estas notas reporta para sonoridades que uma aluna diz lembrar a china. Há 3 ou 4 alunos que estão sempre a intervir e a interromper e que brincam. As flautas sobre a mesa e nas mãos dos alunos são um elemento perturbador em termos de som. Um aluno intervém com uma pergunta que nada tem a ver com a aula: “Porque é que na China e Japão há tantos Jacarandás?”. Segue-se um momento de repreensão forte: “Porque é que vocês não pensam antes de falar? Meditem, respirem e pensem antes de falar!”. Vamos agora trabalhar o tema "Chinatown" (p.44 do manual). A parte da flauta está escrita em quatro frases, onde a terceira frase convida os alunos a improvisar com as notas da escala pentatónica de dó. A professora pergunta agora “Quem sabe o que é uma escala pentatónica?”, os alunos respondem e a professora volta a perguntar “E que notas tem esta escala pentatónica que estamos a tocar?”. Os alunos vão completando a sua resposta até chegarem à resposta completa final. Nova música “The river of dreams” de Billy Joel, uma música célebre nos anos 80 e 90. “Temos aqui uma nova nota. Qual é? -”É o si!”. (manual 5.º ano p.57) A professora vira costas para fazer uma pesquisa no Google e a turma começa quase toda a falar. Vira-se e em dez segundos tudo retorna ao normal. “Vamos ouvir o tema original no Youtube.” Refere-se ao rio Mississipi, rio que atravessava a zona da escravatura nos EUA. A professora contextualiza o tema e o compositor com umas notas bibliográficas. Os alunos estão super concentrados, atentos e em silêncio a apreciar o momento. No final da audição do tema começa a haver alguma desconcentração e alguns poucos começam a bater palmas inspirados pelo tema. “Rio da liberdade e rio da vida”, diz a professora ainda contextualizando. O rio é o elemento central do tema. A professora chama à atenção para que o tema começa em compasso quaternário e que muda para binário. Executam com flauta sobre o instrumental, a
73 professora canta os nomes das notas e marca a dedilhação na sua flauta. Imediatamente antes os alunos cantaram o tema com o nome das notas e o ritmo certo. A aula termina com os alunos a arrumar os seus materiais de forma ordeira e serena e a sair da sala.
74
177 Anexo Q. Dia do Agrupamento - Concerto Canções de Maio, 3 de Maio de 2019 13h45 - Os alunos dos 6.º anos A, C, E e F chegam ao átrio de entrada da escola conforme indicação das professoras. A sala está preparada com um palco e as cadeiras organizadas para que os encarregados de educação possam assistir. Na sala há um PA preparado, um portátil onde estão colocados os diversos instrumentais para o concerto e um microfone com tripé para ser feita a apresentação do concerto. A adesão dos alunos foi massiva e a sala começa a estar cheia de jovens artistas. O público começa a instalar-se nas cadeiras para garantir um bom lugar. Um pouco antes da hora fui com a professora cooperante buscar as folhas de palco dos alunos, chegando à sala vários alunos sorriem animados e conversam connosco, marcando de alguma forma a sua presença junto de nós. 13h55 - Com a professora cooperante dou indicação aos alunos para que façam uma fila para se prepararem para a entrada em palco. Como a quantidade de som na sala é grande a professora cooperante dirige-se ao microfone, dando indicação a todos de como se irá processar a entrada em palco. Uma a uma as turmas são chamadas a fazer a sua entrada. Claramente o palco é pequeno para tantos artistas e durante algum tempo procuro colocar os alunos de forma a que todos consigam ver-me e seguir as minhas indicações durante o concerto. Não é fácil, são muitos alunos e alguns dos mais empenhados fazem questão de estar à frente embora sejam muito mais altos. Decido colocar vários alunos fora do estrado ao lado organizados por alturas e fazer uma fila de alunos à frente do estrado com os pés no chão da sala. (Teria sido importante testar a colocação em palco noutro dia para tornar tudo mais célere e orgânico). Gostaria de ter garantido que todos me conseguiam ver, mas dada a quantidade de alunos e a dimensão do estrado não fiquei certa de ter conseguido acautelar todas as situações. Procurei dar o meu melhor. 14h06 - Dou início ao pequeno aquecimento vocal. Colocada de frente para os alunos coloco um dedo em frente aos lábios, e com a outra mão aponto para eles e para os meus olhos por forma a que percebam que vou dar início e deem indicação aos colegas para olharem para mim. Começo a realizar o exercício em que lhes disse sempre nas aulas que elevassem os ombros como se eles quisessem chegar às orelhas, espreguiçando-se, mantemos uns poucos segundos a posição e deixamos cair os ombros com o seu peso natural. Repetimos mais duas vezes. De seguida deixamos a cabeça tombar a um lado e ao outro sentindo os músculos laterais do pescoço a esticar mas sem forçar a dor.
178 Imaginamos agora que alguém nos puxa os ombros para trás e para baixo, encaixando as omoplatas e sentindo o peito à frente a abrir e esticar, uma vez mais tudo é feito em silêncio e os alunos seguem a través de imitação e comunicação não verbal o que lhes indico. Continuamos com o exercício do bocejo, com uma das mãos indico que queremos espreguiçar o fundo da garganta, aumentando a altura do céu da boca na zona do palato mole. Realizamos o exercício duas vezes. Passamos aos exercícios da respiração. Com um gesto de braço preciso dou sinal de três expirações rápidas, repetimos o exercício. De seguida e com o som "ss" com dois dedos sobre o indicador da outra mão realizo o ritmo que irão fazer com a sua expiração sonora, ativando a musculatura para o canto: Cada célula rítmica é realizada duas ou três vezes, com indicação de gesto de quando é para imitar e quando é para ouvirem porque será diferente. Por fim para finalizarem peço que usando as consoantes "br" façam uns sons mais contínuos. 14h14 - O tempo urge e é necessário distribuir as folhas com as letras das canções pelos alunos. A cada fila de alunos é entregue um conjunto para que retirem um e passem ao colega do lado. De um lado e doutro do palco isto é feito por mim e pela professora cooperante. Assim que todos os alunos têm a sua folha na mão vou buscar a minha pasta de concerto e dirijo-me para o centro da sala afastando-me no corredor central o suficiente para ter o contacto visual com a grande maioria dos alunos. 14h20 - Tudo alinhado, pede-se aos alunos que façam silêncio. Faço sinal à aluna responsável pelas boas vindas ao concerto para que se dirija ao microfone e leia o que lhe foi entregue. E depois desta aluna uma outra lê a apresentação da primeira canção. Durante a execução da primeira canção o outro professor de educação musical chegou à sala e começou a dar apoio ao concerto na mesa de som. Alguns pais gravam o concerto, certamente cheios de orgulho dos seus meninos.
179 Aos poucos vão-se ouvindo as apresentações dos temas lidos por alunos de todas as turmas participantes e as interpretações dos temas. Sempre com palmas efusivas no final. No final do concerto todos batem palmas, os convidados e também os alunos que agradecem à professora estagiária depois da professora cooperante ter referido que esta havia preparado o concerto para todos eles. ______________________________________________________________________ Após o concerto estiveram os dois professores de educação musical em conversa com as professoras estagiárias. O professor referiu que todos a cantar certo e direitinho que era bom, e admirouse pela adesão dos alunos ao concerto pois não estava à espera, sobretudo em comparação com anos anteriores. Referi que no início não tinha havido este entusiasmo, mas que aos poucos os fui sentindo a mudar de atitude. Seguramente que se lhes perguntasse talvez nem todos o afirmassem, mas em termos de linguagem corporal senti que gostam de cantar. Seguiu-se uma conversa sobre o equipamento disponível na escola, que não existe em muitas das escolas que as professoras estagiárias conhecem. O professor fala em precisar de substituir algum do equipamento, como a mesa de som e a esse propósito fala-se na importância da mesa PA na iniciativa do concurso do Karaoke que aconteceu antes das Canções de Maio. Falamos também dos instrumentais realizados para o concerto e das possibilidades e das limitações que o Garage Band me apresentou. Foto entrada da escola Dia do Agrupamento, 3 de maio de 2019.
180 Foto da lateral da sala de concerto. Foto junto ao portão de entrada na escola. Foto de colocação em palco das diversas turmas antes de reorganização de alguns alunos por alturas.
181 Anexo R. Planos de aula 6.º Ano - Dia do Agrupamento Aulas previstas: 6.º A e E - 6 aulas 6.º C e F - 5 aulas Aulas dadas: Data/Turma 6.º E 6.º A 6.º F 6.º C 12/3/2019, 3.ª f Aula 1 Aula 1 13/3/19, 4.ª f F (prof faltou) 14/3/19, 5.ª f Aula 1 19/3/19, 3.ª f Aula 2 Aula 2 20/3/19, 4,ª f Aula 1 21/3/19, 5.ª f F (greveescola) 26/3/19, 3.ª f Aula 3 Aula 3 27/3/19, 4.ª f Aula 2 28/3/19, 5.ª f Aula 2 2/4/19, 3.ª f Aula 4 Aula 4 3/4/19, 4.ª f Aula 3 4/4/19, 5.ª f Aula 3 23/4/19, 3.ª f Aula 5 Aula 5 24/4/19, 4.ª f Aula 4 25/5/19, 5.ª f Feriado 30/4/19, 3.ª f Aula 6 Aula 6 1/5/19, 4.ª f Feriado 2/5/19, 5.ª f Aula 4 No total foram dadas 20 aulas de 45 minutos para a preparação do concerto Canções de Maio.
182 PLANO DE AULA 1 Lição Data Turma 44 44 42 44 12/3/2019 12/3/2019 14/3/2019 20/3/2019 6.º E 6.º A 6.º C 6.º F Recursos Pautas dos arranjos das canções. Textos para projetar no quadro. Youtube do tema Grândola para dar a ouvir versão original: https://www.youtube.com/watch?v=gaLWqy4e7ls Instrumental no Garage Band do Ipad para ligar aos equipamentos na sala. Computador e sistema de audio da sala para reprodução dos instrumentais. Piano da sala de aula para a realização dos vocalizos e apoio na aprendizagem. Competências Interpretação Audição Composição Cantar em grupo. Escutar os exercícios de aquecimento vocal para reproduzir. Escutar a canção para reproduzir por secções. Objetivos/Estratégias Apresentação do projeto a Canções de Maio destinado aos alunos do 6.º ano. Realização de um aquecimento vocal explicando a sua importância, com analogia à prática desportiva e ao fundamental aquecimento físico para evitar lesões. Ensinar a canção Grândola , vila morena por secções expondo a estrutura da obra, ao piano com os alunos. Avaliação Observação direta do desempenho dos alunos. Avaliação do comportamento, empenho e interesse. Reflexão O projeto Canções de Maio procura valorizar o património artístico-musical nacional junto dos alunos, assim como desenvolver o seu sentido crítico. O planeamento previa que a primeira aula decorresse para todas as turmas na semana de 11 e 15 de março, porém por motivo de exame de saúde a turma 6.º F só realizou a primeira aula a 20 de março, uma semana depois. Em todas as turmas houve manifestações de desagrado de alguns alunos pelo projeto envolver o canto, sobretudo rapazes. E em todas as turmas realizei uma conversa franca sobre a presença do canto na disciplina de educação musical não pretender torná-los a todos cantores, mas também poder ser o caso, se eles assim o desejarem. O que mais interessava era que todos desenvolvessem, conhecessem e soubessem usar bem a sua voz, em qualquer das suas futuras utilizações. A voz é o nosso veículo primeiro enquanto comunicadores e ao longo da vida muito a usamos. Se pensarmos no futuro ainda não sabemos o que eles (alunos) virão a ser enquanto profissionais, mas sem dúvida que sendo médicos, engenheiros, vendedores, cozinheiros, diretores de empresa, informáticos, ou qualquer outra função não enumerada, em todas essas possíveis profissões futuras irão precisar de usar a sua voz e ela será determinante no percurso deles. Para os que gostam de cantar e que gostariam de vir a ser cantores, esta é também
183 uma boa oportunidade. Dirão alguns, mas estas não são as canções que eu gosto de cantar. Digo eu, o importante aqui não é estas serem agora as vossas canções favoritas, mas sim o que podem aprender ao cantá-las e levar para a interpretação das vossas canções. Os alunos que haviam demonstrado desagrado ouviram com atenção sem exceções e decidiram com alguns com abanos de ombros experimentar ainda pouco convencidos. Senti também alguns olhos muito abertos e interessados de alunos como a aluna C. do 6.º C, aluna muito complicada dentro da sala de aula. Senti que o que ouviu lhe agradou muito e desde então pouco saiu da linha procurando não perder a pose decidida de durona face aos colegas. Na turma do 6.º E quando começamos a cantar o tema Grândola, cantei para eles uma seção para que me repetissem em eco e logo uma menina pediu para intervir e dizer-me que eu tinha uma voz muito bonita. No 6.º A houve também algum desagrado inicial levando a uma longa conversa minha com os alunos, rebatendo os argumentos e falando da escolha do repertório uma vez que o aluno M. (aluno saido do ensino articulado de música) queria que fosse outro repertório, mais do agrado de todos. As turmas do 6.º A, C e E na primeira aula tiveram uma conversa inicial, aquecimento vocal adaptado ao possível, eliminando ou adaptando os exercícios que provocaram maiores risadas, e aprendizagem do tema Grândola, vila morena. A turma do 6.º F na sua primeira aula realizou tudo o já relatado para as turmas anteriores, e para compensar atraso de uma semana aprendeu também os temas Somos livres e O primeiro dia.
184 PLANO DE AULA 2 Lição Data Turma 46 46 46 44 19/3/2019 19/3/2019 27/3/2019 28/3/2019 6.º E 6.º A 6.º F 6.º C Recursos Pautas dos arranjos das canções. Texto das canções em folhas para distribuir pelos alunos (passaram a ficar guardadas no armário para todas as futuras aulas) Youtube dos novos temas para dar a ouvir versão original: Somos livres - https://www.youtube.com/watch?v=AZW7XqZvvvg Vejam bem - https://www.youtube.com/watch?v=Io_RidA1mlI O primeiro dia - https://www.youtube.com/watch?v=Aj7rPPMiDSo Instrumental no Garage Band do Ipad e Ipod para ligar aos equipamentos na sala. Computador e sistema de áudio da sala para reprodução dos instrumentais. Piano da sala de aula para a realização dos vocalizos. Competências Interpretação Audição Composição Cantar em grupo. Escutar os exercícios de aquecimento vocal para reproduzir. Escutar a canção para reproduzir por secções. Objetivos/Estratégias Realização de aquecimento vocal progressivamente mais completo. Rever a canção Grândola , vila morena. Aprendizagem de novos temas: Somos livres, Vejam bem e O primeiro dia. Aprendizagem por secções expondo a estrutura da obra, ao piano com os alunos. Depois de bem aprendidas fazê-los cantar com o instrumental. Avaliação Observação direta do desempenho dos alunos. Avaliação do comportamento, empenho e interesse. Reflexão Na turma 6.º A os alunos entram na sala agitados e com uma nova brincadeira, de cada canto se ouve "Tá maluco?" com uma entoação peculiar e todos riem muito. Assim que escuto a brincadeira reconheço uma expressão minha que devo ter soltado na aula anterior numa das intervenções do aluno N. (aluno saído do ensino articulado de música) que dizia vários disparates na conversa inicial e apresentação do projeto e alguns sem sentido nenhum. Este é o aluno que vai lançando mais expressões para o ar nesta aula. Interiormente tenho vontade de rir porque foi muito bem apanhado o sketch, e porque quando é justo é bom rir de nós próprios, porém juntamente com a professora cooperante peço-lhes que se comportem como deve ser. A minha parte da aula começa sempre na segunda parte dos 90 minutos. O aluno M. diz que esteve a ver em casa com a família a canção aprendida a semana passada. Em relação ao aquecimento vocal nesta segunda aula registo que já não estranham tanto os exercícios o que permite tornar esta parte mais célere e dedicar mais tempo à aprendizagem dos temas.
185 Logo no dia 19 de março, início da semana, descobri que não se consegue ligar o ipad ou ipod aos equipamentos na sala, os cabos não são compatíveis com as entradas. Dado o meu horário semanal de trabalho só na próxima semana conseguirei exportar os instrumentais, convertê-los em mp3 e colocá-los numa pen drive, terá que ser feito no fim-de-semana. A partir de 26 de março terei tudo operacional. A aprendizagem dos novos temas e as revisões foram todas feitas ao piano comigo, o que para ser sincera me deu mais gosto, prefiro o trabalho instrumental acústico ao vivo com os alunos. As turmas do 6.º A e E aprenderam os temas Somos livres, Vejam bem e O primeiro dia e fizeram revisões do Grândola. As turmas do 6.º C e F aprenderam os temas Somos livres, Vejam bem, O primeiro dia e Desfolhada e fizeram revisões do Grândola. Com estas turmas tive que trabalhar um pouco mais intensamente dado que levam já uma semana de trabalho desfasado e irão apanhar as duas um feriado mais perto da data de concerto. O 6.º C perdeu a aula de 21 de março devido a uma greve de funcionários na escola nesse dia. Assim que é feito o aquecimento vocal são distribuídas as folhas com os textos e o tempo tem sido bem aproveitado no sentido de repetirem um número suficiente de vezes os temas. Não se têm registado grandes problemas a nível de comportamento, mas por vezes há conversas na sala. Como não consigo puxar pela voz falando muito alto, devido a uma cirurgia que ainda me tem limitada nesse aspeto, sempre que preciso de os mandar calar a professora cooperante prontamente me auxilia. O que muito lhe agradeço. Assim o ambiente é assertivo quanto ao comportamento, e de alguma forma também de suavidade e grande conforto para todos. Esta semana aproveitei as situações de conversa e falta de foco para lhes falar, muito rapidamente, em bandas e grupos de música do gosto deles e de como o caminho para o sucesso se faz de muito trabalho, capacidade de concentração e determinação. Apesar de muitos cantores e bandas parecerem por vezes uns "grandes malucos" para os seus fãs e na hora de pisar o palco e deslumbrar, na hora de trabalhar ou o fazem como deve ser e com qualidade, ou por vezes, há bandas que convidam elementos não ajustados a sair do grupo. Quer falemos de uma orquestra de música clássica, de um grupo de música mais alternativa ou de pop ou rock existem regras muito importantes e bem definidas para o trabalho em grupo, para o fazer boa música. Também lhes falo de que a melhor equipa de futebol, não é aquela que é composta só pelos melhores jogadores a titulo individual, mas sim aquela em que os seus jogadores melhor trabalham em conjunto. Seja no desporto, na música ou outra atividade profissional, é importante saber as regras e trabalhar sob o seu cumprimento. Esse também é uma das melhores aprendizagens que os alunos irão tirar da disciplina de educação musical. Voltarei a repetir-lhes estas ideias que me parecem fundamentais para estes alunos.
186 PLANO DE AULA 3 Lição Data Turma 48 48 48 46 26/3/2019 26/3/2019 3/4/2019 4/4/2019 6.º E 6.º A 6.º F 6.º C Recursos Pautas dos arranjos das canções. Texto das canções em folhas para distribuir pelos alunos (passaram a ficar guardadas no armário para todas as futuras aulas) Youtube dos novos temas para dar a ouvir versão original: Desfolhada - https://www.youtube.com/watch?v=_XkGlejI98s E depois do adeus - https://www.youtube.com/watch?v=MrW6zP161QI Instrumentais em pen drive para ligar aos equipamentos na sala. Computador e sistema de áudio da sala para reprodução dos instrumentais. Piano da sala de aula para a realização dos vocalizos. Competências Interpretação Audição Composição Cantar em grupo. Escutar os exercícios de aquecimento vocal para reproduzir. Escutar a canção para reproduzir por secções. Objetivos/Estratégias Realização de aquecimento vocal progressivamente mais completo. Rever a canção Grândola, Somos livres, Vejam bem e O primeiro dia. Aprendizagem de novos temas: Desfolhada e E depois do adeus. Aprendizagem por secções expondo a estrutura da obra, ao piano com os alunos. Depois de bem aprendida fazê-los cantar com o instrumental. Avaliação Observação direta do desempenho dos alunos. Avaliação do comportamento, empenho e interesse. Reflexão Esta semana já consegui realizar vocalizos com exercícios melódicos, mascarando-os com textos retirados do repertório em estudo e usando pedaços de melodia de alguns temas. Os alunos não estranharam e realizaram as repetições subindo meio a meio tom. Vitória!!! Nem se deram conta que eram os mesmos exercícios que provocaram tanto riso na primeira semana. "Primeiro estranha-se depois entranha-se". Na turma do 6.º A o aluno M. assim que ouviu os instrumentais e me ouviu dizer que os tinha feito no Tablet ficou impactado, demonstrando um interesse muito intenso, querendo saber várias informações pois ele precisava mesmo de uma coisa assim para fazer umas coisas como ele queria. Aproveitando a ocasião disse-lhe e a todos que o ter acesso à aplicação podia ser importante mas que para a usarem mesmo bem era importante estarem sempre atentos às aulas e aprenderem tudo bem com a professora cooperante, pois deviam saber por exemplo sobre compassos, durações dos tempos, acordes, notas, etc. para depois conseguirem mandar o programa fazer o que eles queriam. E foi um momento delicioso em que senti todos os olhos muito abertos a absorver a informação que lhes acabara de prestar. Esta turma é deveras especial. Voltei a repetir o nome da aplicação Garage Band para que todos pudessem investigar em
193 " WE WILL, WE WILL ROCK YOU" - QUEEN 1. Todas as manhãs acordamos, rolamos da cama e vimos para a escola passamos o cartão, no portão e descemos o ladeirão. E vamos, vamos cantar (2x) 2. E nos intervalos muita brincadeira, sempre à porta da nossa sala. 'Speramos a 'stora, em fileira, e entramos p'r'a nossa cadeira. E vamos, vamos cantar (2x) 3. Já na sala muito concentrados, aceitamos os desafios entoamos e cantamos sempre e sempre afinados E vamos, vamos cantar (2x) Ostinato rímico: pé pé mão (palma)
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195 Fonte: www.harmonytalk.com
196 PLANO DE AULA 2 Lição Data Turma 39 20/2/2019 5.º C Recursos Pautas. Computador e sistema de áudio da sala para reprodução das versões da obra. Piano da sala de aula para a realização dos vocalizos. Competências Interpretação Audição Composição Cantar em grupo, com movimento. Entoar um canto rítmico. Escutar os exercícios de aquecimento vocal para reproduzir. Escutar a canção. Escutar o canto rítmico. Objetivos/Estratégias Fazer música. Fazer a entrada na sala usando a canção da semana passada. Realização de aquecimento vocal progressivamente mais completo. Projeção no quadro de uma Quadra de Fernando Pessoa. Audição de versões de vários grupos sobre este canto, procurar semelhanças e diferenças e quais as dinâmicas utilizadas. Falar das dinâmicas com os alunos - pp, p, mp/mf, F e FF. Identificar a dinâmica nas audições. Apresentar o accelerando e o ritardando e praticar depois com os alunos na entoação do canto rítmico proposto. Aprender o canto rítmico. Apresentar a acentuação e praticar. Avaliação Observação direta do desempenho dos alunos. Avaliação do comportamento, empenho e interesse. Reflexão A entrada em sala de aula foi já um pouco cantada, alguns alunos não recordavam bem o texto da canção em algumas passagens. Foi uma entrada engraçada e algo teatral, levando a alguma brincadeira dos alunos mais mal comportados que aproveitaram para criar confusão. Mas no geral foi muito interessante. Quanto mais praticarem melhor sairá e já entram na sala com espírito de músicos. Já no lugar fizeram revisões. Houve um pequeno aquecimento vocal para que não percam o hábito de o fazer nas minhas aulas. Passei em revisão as dinâmicas já abordadas pela colega estagiária no 1.º período, apresentei o acelerando, o ritardando e o acento fazendo exemplo com a canção de entrada na sala de aula. Todos os alunos entenderam os conceitos sem dificuldade. Projetei no quadro o texto de uma Quadra de Fernando Pessoa - No comboio descendente e pedi aos alunos que me dissessem a quadra na dinâmica que lhes pedia, correu bem. Disse-lhes que com a voz a ler um texto podemos ser muito expressivos fazendo uso das dinâmicas. A importância da expressão na fala e como isso desperta interesse no interlocutor. Proposta vamos escutar diferentes versões e vamos procurar identificar as diferentes dinâmicas, o acelerando, o ritardando e o acento. Coloquei algumas versões e o resultado foi muito divertido, parecia um concurso, todos a tentar descobrir antes dos
197 outros. Por vezes foi preciso pedir que estivessem em silêncio para escutarem melhor. Passei ao ensino do canto rítmico aos alunos que aprenderam rapidamente e explicandolhes o que os meus gestos mão a subir ou descer, mão a acelerar e a desacelerar, e um golpe com o braço significavam e quando todos já sabiam o entoar bem o canto exploramos a capacidade expressiva das suas vozes. Pedi também que entoassem o canto marcando macro e micro tempos, no lugar e com pequenos grupos selecionados a circular na sala para evitar desconcentrações e brincadeira dos alunos com essa tendência. No geral correu bem, há alguns alunos um pouco descoordenados e desconexos, pedi-lhes que olhassem bem para mim durante a execução, mas vai levar tempo a melhorarem. Devagar se vai ao longe!
198 No comboio descendente - Fernando Pessoa (Quadras ao gosto popular) Explorar as dinâmicas, a capacidade expressiva da voz e também diferentes velocidades, e o accelerando e o ritardando na execução deste canto rítmico. Marcar macro e microtempos e fazer acentuações de acordo com indicação da professora. Ouvir algumas versões sobre esta poesia de autores portugueses: Zeca Afonso - https://www.youtube.com/watch?v=Nklqhgi0cpk Cristina Branco - https://www.youtube.com/watch?v=dgcs9345u9k UHF - https://www.youtube.com/watch?v=oyGB0gk46AA oqueStrada - https://www.youtube.com/watch?v=ULeEh-jHYLg Couple Coffee Band - https://www.youtube.com/watch?v=zhQfeupo5D4 Rádio Macau - https://www.youtube.com/watch?v=Ke53DlPiHMQ Estudantina Universitária de Coimbra - https://www.youtube.com/watch?v=v8o2Dwdt1VY
199 PLANO DE AULA 3 Lição Data Turma 41 27/2/2019 5.º C Recursos Pautas canto rítmico e Musicograma. Computador e sistema de áudio da sala para reproduzir Na gruta do rei da montanha. Piano da sala de aula para a realização dos vocalizos. Competências Interpretação Audição Composição Cantar em grupo, com movimento. Escutar ativa e participada. Identificar timbres. Objetivos/Estratégias Fazer música. Entrada na sala musical com o tema: E vamos, vamos cantar. Realização de aquecimento vocal (hoje explorando padrões maiores e menores). Reprodução de padrões rítmicos em métrica binária em sílaba neutra. Contextualização da obra literária e da obra musical nela inspirada. Falar de como a música se liga muitas vezes a outras artes para criar coisas novas. Realização de audição musical ativa de excerto da obra Suite n.º 1 Peer Gynt - Na gruta do rei da montanha de Edward Grieg proposta por J. Wuytack. Aprendizagem do canto rítmico (derivado da melodia da peça) marcando macrotempos. Divisão em dois grupos (meninas e meninos). Projeção da pauta no quadro. Realização do canto rítmico com a estrutura AA-BB-AA-Coda. Audição da música seguindo o texto, baixinho. Tomada de atenção às mudanças de dinâmica (em crescendo) e de andamento (há um accelerando). Estudado e praticado na semana anterior. Ao piano tocar os temas das cores assinaladas na página 62 para os alunos descodificarem melhor o musicograma quando ouvirem o trecho musical. Voltar a escutar o tema: falar agora que as meninas que faziam o grupo 1, têm o tema em modo menor (retângulos vermelhos no musicograma); e o grupo dos meninos G2 no canto rítmico corresponde à seção em modo maior (assinalado em laranja). A estrutura AA-BB-AA repete-se três vezes mudando os timbres em cada repetição. Falar da coda: as barras negras verticais são o "Puxa", onde toda a orquestra toca em fortíssimo. Mostrar o trémulo dos timbales antes do último "Puxa". Referir as expressões em italiano junto da barra com a numeração dos compassos da obra. Por fim, voltar a ouvir e entoar o canto rítmico baixinho. Avaliação Observação direta do desempenho dos alunos. Avaliação do comportamento, empenho e interesse. Reflexão A entrada em sala de aula foi coreografada como planeada nas aulas anteriores. Já todos sabem bem a canção. No final houve alguma agitação pois as cadeiras não estavam nas posições certas e quebrou-se um pouco a magia da entrada musical. Hoje o dia foi dedicado a uma escuta especial de uma partitura sem notas mas com temas que vão reconhecer auditivamente enquanto apreciam boa música. O ambiente foi de muita curiosidade e de querer escutar o que se pretendia. Os alunos não conheciam a obra previamente e dizem ter gostado, "foi um bocado diferente, mas gosto".
200 Consultado em wikipédia: Peer Gynt é uma obra teatral escrita em verso pelo autor norueguês Henrik Ibsen e foi publicada em 14 de novembro de 1867 em Copenhaga, na Dinamarca. O excerto Na Gruta do Rei da Montanha, que hoje vamos ouvir e trabalhar, foi composta por Edvard Grieg inicialmente como musica incidental, Opus 23 para a obra de Ibsen que teve a sua estreia em Oslo a 24 de fevereiro de 1876. Por fim foi incluída no final da Suite Peer Gynt n.º 1, Op. 46 do mesmo autor. Aguarela do ilustrador Theodor Kittelsen, de 1913, retrata Peer Gynt na Gruta do Rei da Montanha A história de fantasia, escrita em verso, Peer Gynt conta as aventuras de Peer. Na Gruta do Rei da Montanha a música ilustra a tentativa de fuga às escondidas do castelo do rei da montanha. O excerto descreve a intenção de Peer de escapar do rei e dos seus trolls após ter insultado a sua filha. O que é um troll? Troll é uma criatura antropomórfica imaginária do foclore escandinavo. É descrito como um gigante horrível, como os ogres, ou como uma criatura pequena, semelhante aos goblins. Dizem que vive nas florestas e nas montanhas, em cavernas ou grutas subterrâneas. Têm cauda como os animais e são maldosos e estúpidos. Na literatura nórdica aparecem com várias formas, sendo uma das mais famosas a versão em que tem orelhas e nariz enorme. Nestes contos também se fala em como a exposição destas criaturas à luz solar os transforma em pedra e em como perdem os seus poderes ao ouvirem as badaladas dos sinos das igrejas.
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209 Fonte: Figueiredo, Isabel e Fernandes, Rui (2016). Nota a nota 5: educação musical, 5ºano. Lisboa: Raiz Editora, 31 ANDAMENTOS: Lento, moderato e presto e mudanças de andamento (accelerando e ritardando). Exemplifica com o tema a trabalhar. MOVIMENTO: O proposto pelo livro Nota a nota 5.
210 Fonte: Paz, Ermelinda Azevedo (?). 500 Canções Brasileiras. Brasília: Editora MusiMed, 2ª Edição revista. p. 137
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215 Anexo T. Planos de aula 6.º Ano Aulas dadas: Data/Turma 6.º E 6.º A 7/5/2019, 3.ª f Aula 7 Aula 7 21/5/2019 Aula 8 Aula 8 28/5/2019 Aula 9 Aula 9 4/6/2019 Aula 10 Aula 10 Posteriormente ao dia do agrupamento foram dadas 8 aulas de 45 minutos aos 6.ºs anos.
216 PLANO DE AULA 7 e 8 Lição Data Turma 56 56 58 58 7/5/2019 7/5/2019 21/5/2019 21/5/2019 6.º E 6.º A 6.º E 6.º A Recursos Pautas. Computador e sistema de áudio da sala. Piano da sala de aula para a realização dos vocalizos. Flautas. Folhas com partes de flauta 1 e 2 impressas. Competências Interpretação Audição Composição Cantar em grupo. Cantar e tocar flauta. Percussão. Escutar os exercícios de aquecimento vocal para reproduzir. Escutar novas canções e reproduzir. Escutar parte das flautas e percussão e tocar. Objetivos/Estratégias Fazer música. Valorizar o património artístico nacional. Realização pequeno aquecimento vocal. Realização de padrões tonais em sílaba neutra em modo maior. Audição de uma versão dos temas que vamos estudar: Minha canção - https://www.youtube.com/watch?v=BWLho1frFBI Instrumental - https://www.youtube.com/watch?v=qZ4pZjqL-mQ Dó, ré, mi - https://www.youtube.com/watch?v=drnBMAEA3AM Projetar pauta de Minha canção. Solfejar com ritmo o nome das notas. Tocar em flauta e cantar Minha canção. Falar do contexto do tema. Trabalhar o tema Dó, ré, mi (ouvir, projetar letra, cantar e falar do filme). Falar da escala diatónica maior e do nome das notas (hino Ut queant laxis) Ut queant laxis - https://www.youtube.com/watch?v=rDJH1WTs2-8 Apresentação de novo tema: O Pastor - https://www.youtube.com/watch?v=Dt1jMWVvcqg Projeção no quadro das partes individuais - Voz, Flauta 1 e 2 e percussão. Aprendizagem da melodia tradicional com todos os alunos. Aprendizagem da melodia a tocar em flauta (dois grupos de alunos). Aprendizagem do ostinato rítmico realizado com percussão corporal na 1.ª e 2.ª parte. Professora canta alunos fazem percussão consigo. Divisão dos alunos em dois grupos de trabalho autónomo para estudar as partes de flauta (com apoio das professoras). Reunião dos grupos e junção das partes. Avaliação Observação direta do desempenho dos alunos. Avaliação do comportamento, empenho e interesse. Reflexão
217 Os alunos estão entusiasmados com os resultados do Dia do agrupamento e comentam sobre o que aconteceu. Como estiveram e como poderiam ter estado melhor, contribuindo para que houvesse menos ruído na entrada em palco e alguns até nas pausas entre canções. Com o entusiasmo perderam a noção que o público vê tudo. Alguns disseram que os pais gostaram muito do trabalho deles e ficaram contentes. No estudo do tema minha canção na flauta o aluno M. do 6.º A deixou escapar "esta é a canção mais fácil de tocar". O aluno J. do 6.º E disse que a cantar fica mais interessante com o instrumental, porque há muitas notas repetidas. Houve entusiasmo com a canção Dó, ré, mi nas duas turmas, a melodia vocal é bonita e com apoio de harmonia ao piano funcionou muito bem. Alunos curiosos com a história no surgimento do nome das notas a partir do Hino gregoriano. Estranharam um pouco a peça por ser tão antiga. Foi um momento muito interessante com alunos muito atentos às explicações históricas da vários aspetos, tendo surgido várias perguntas sobretudo na turma A. Na primeira sessão ainda houve um tempinho para escutar O pastor e treinar um pouco na flauta as duas partes do arranjo projetadas no quadro. Distribuí as partes copiadas em papel dividindo a turma ao meio, metade levou a Flauta 1 para estudar e os outros a flauta 2. Disse-lhes que treinar um pouco em casa iria facilitar o trabalho deles na próxima aula. Alguns alunos estudaram na turma E, sendo maior o número de alunos aplicados na turma A. No início fizemos revisões rápidas aos temas Minha canção e Dó, ré, mí depois do aquecimento vocal. A aluna J. do 6.º A disse "a minha mãe conhecia esta canção". Fizemos revisões das duas partes de flauta todos juntos, depois dividi turma em dois grupos de estudo autónomo das partes de flauta, sempre com o apoio das professoras que monitorizaram os grupos para que houvesse pouca conversa. As partes estavam projetadas no quadro e os alunos tinham as cópias da sua parte com alguns poucos que não as tinham guardado bem. A quantidade de som na sala aumentou, um bocado de caos, mas por um bom motivo. Depois de algum tempo reuni os dois grupos, tocaram as duas partes de flauta juntos sob minha orientação. Repetimos e repetimos para apurar o som e sincronismo. Pedi a todos que cantassem o tema juntos, ensinei estrofe a estrofe, primeiro eu, depois eles, havendo erros voltava a pedir que escutassem e depois todos juntos novamente. Depois o mesmo trabalho com a segunda parte do tema. Retiro de cada grupo de flautas alguns alunos para que agora cantem enquanto os colegas tocam, no início há umas poucas atrapalhações de uns a correr a cantar, voltamos a repetir e a coisa vai melhorando, a professora cooperante entretanto juntouse ao grupo dos cantores (quer numa turma quer na outra). Por fim proponho eu canto e alunos vão bater o primeiro e depois segundo ostinato. No geral todos fazem bem (uns poucos alunos mais na turma E do que na A, têm dificuldades com o sentir da pulsação, olhando muito para os colegas e para mim para fazer igual, o que é bom, mas vai criando sons fora de sítio. Procurei dois voluntários em cada turma para fazer o ostinato, depois de ter visto quais os alunos mais seguros, o que foi fácil pois as duas turmas têm elementos que pertencem ao Grupo de percussão tradicional da escola. Depois de selecionados (e muito orgulhosos) juntaram-se às flautas e à voz. Foram seguríssimos fazendo a percussão agora não no corpo mas sobre a mesa de trabalho, com alguma suavidade como pedido por mim. A professora cooperante continua a ajudar os cantores, e um dos grupos de flauta, alunos
218 da percussão muito seguros e o resultado final foi bastante bom. Os alunos estão contentes com o resultado alcançado nestas duas sessões de trabalho. E eu também. Fonte: Figueiredo, Isabel e Fernandes, Rui (2016). Nota a nota 5: educação musical, 5ºano. Lisboa: Raiz Editora, 49
225 Avaliação Observação direta do desempenho dos alunos. Avaliação do comportamento, empenho e interesse. Reflexão Assim que entra na sala o aluno M. do 6.º A está extasiado e partilha com as professoras que estiveram a fazer uma atividade/concurso na aula de HGP (História e Geografia de Portugal) e que havia uma pergunta sobre as músicas que deram o arranque ao 25 de Abril e que ele deu logo a resposta surpreendendo a sua professora com o que havia aprendido nas aulas de educação musical. O aluno estava felicíssimo. Na atividade Sê paciente a aprendizagem correu bem, acompanhada com a marcação de macrotempos nas pernas pelos alunos. O Cânone começou bem mas como havia sempre um ou dois alunos atrapalhados a dizê-lo foi preciso repetir algumas vezes, para não complicar tanto, só se fazia o texto uma vez até ao fim ficando a segurar a última sílaba à espera do segundo grupo. A Dorian song os alunos estranharam um pouco o ser um canto sem palavras de início. A reprodução de padrões correu bem nas duas turmas. Foi mais fácil fazer o canto, melhorou o sincronismo, quando coordenaram o canto com o ostinato que evidenciava a métrica, ajudando. Claro que se por vezes falassem menos também ajudaria a melhorar o foco. No dia 28 de maio houve ainda lugar ao estudo de todos da parte do canto, da flauta e da percussão do tema Resineiro engraçado, depois de ouvir algumas versões. Houve alunos que gostaram logo do tema e para não variar uns que torceram o nariz, mas que depois aderiram bem à atividade. Na primeira sessão ainda houve um tempinho para escutar O pastor e treinar um pouco na flauta as duas partes do arranjo projetadas no quadro. Distribuí as partes copiadas em papel dividindo a turma ao meio, metade levou a Flauta 1 para estudar e os outros a flauta 2. Disse-lhes que treinar um pouco em casa iria facilitar o trabalho deles na próxima aula. Alguns alunos estudaram na turma E, sendo maior o número de alunos aplicados na turma A. No início fizemos revisões rápidas aos temas Minha canção e Dó, ré, mí depois do aquecimento vocal. A aluna J. do 6.º A disse "a minha mãe conhecia esta canção". No dia 4 de junho, fizemos revisões ao Resineiro e mudei as duas primeiras atividades, introduzindo atividades com componente de improvisação. Tanto na atividade Fala, como na da escala pentatónica no início a adesão foi um pouco envergonhada, sendo visível o constrangimento dos alunos, mas aos poucos libertaramse e fizeram um trabalho de qualidade, para uma primeira experiência.
226 Sê paciente; espera - Eugénio de Andrade Métrica Binária Experimentar fazer um cânone em métrica binária com um compasso de desfasamento. Convite à criação partindo destas versão e criando algo completamente novo.
227 Fala - Alexandre O'Neill Fala a sério e fala no gozo Fá-la p'la calada e fala claro Fala deveras saboroso Fala barato e fala caro Fala ao ouvido fala ao coração Falinhas mansas ou palavrão Fala à miúda mas fala bem (adaptação minha para tornar o texto apropriado) Fala ao teu pai mas ouve a tua mãe Fala Franciu fala béu-béu Fala fininho e fala grosso Desentulha a garganta e levanta o pescoço Fala como se falar fosse andar Fala com elegância muita e devagar. https://www.escritas.org/pt/alexandre-oneill Dar a ouvir uma leitura Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=k2ioht1R5ZQ Proposta criativa: Criar ritmos com a sílaba fa ou a palavra fala. Os alunos exploram. Posteriormente cada aluno escolhe uma ou duas linhas do poema que dirá de forma expressiva e na cadência que entender. De seguida sobrepõe-se as duas propostas com o grupo dividido em dois subgrupos. A ideia é começar muito piano e calmo sem pressas no dizer e gradualmente criar um acelerando e crescendo. A professora diz qual o gesto que fará para cada situação exemplificando. Acelerando com uma marcação de pulsação cada vez mais acelerada e no crescendo fazendo subir a sua mão indica a intensidade maior.
228 Escala Pentatónica Exercício semelhante a um realizado numa formação com Cristina Brito da Cruz e László Nemes. Alunos cantam em sílaba neutra a escala pentatónica de Dó diversas vezes em uníssono. Gradualmente divide-se o grupo em 2 grupos fazendo-os cantar a escala mas como se de um cânone se tratasse. Todos iniciam o canto com um tempo de desfasamento permanecendo na nota final até que todos cheguem à nota final. Depois experimentamos com dois tempos de desfasamento, três, quatro e cinco. Tentamos decidir de qual gostamos mais. Mostro no Tablet experiência gravada por mim com seis faixas sobrepostas cantando a mesma coisa mas com desfasamentos de 1 a 5 tempos. Os alunos constatam que as notas desta escala soam bem quando juntas. Ponto de partida bom para a proposta que se segue: "vamos agora improvisar todos juntos com estes sons (sílaba neutra), cada um faz o que entender a regra é que só usamos estes sons".
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