Avaliação do impacto dos núcleos de investigação e desenvolvimento tecnológico (I&DT) na competitividade das organizações. Os projetos aprovados pelo QREN.
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MIETE MESTRADO EM INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO TECNOLÓGICO Avaliação do impacto dos Núcleos de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT) na competitividade das organizações Os projetos aprovados pelo QREN António Luís Correia Costa [email protected] Dissertação Orientador: Prof. Dr. Pedro Cosme Vieira Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Julho 2015
ii Dedico este trabalho às pessoas que sempre acreditaram em mim e me ajudaram a alcançar os meus sonhos
iii Resumo É reconhecido na literatura que as atividades de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, I&DT, são o principal motor do crescimento da produtividade principalmente, nas economias mais desenvolvidas o que justifica que existam ao nível da União Europeia programas vocacionados para a sua promoção junto das empresas usando incentivos financeiros. Esta dissertação consiste na avaliação dos núcleos de I&DT financiados pelo QREN e no impacto da sua criação na dinamização empresarial de forma a identificar os resultados originados pelo investimento público, quer ao nível económico, quer ao nível de competências de forma a compreender a sua importância para o melhoramento da performance das empresas. O nosso estudo usa como população de investigação as noventa e duas empresas nacionais cujos projetos foram eleitos pelo QREN para receber financiamento enquadrado no instrumento intitulado "Criação e Reforço de Competências Internas de I&DT/Núcleos de I&DT". Na nossa população de estudo, todos os projetos financiados já se encontram finalizados (em execução), no mínimo, há um ano, o que permite a realização de uma análise criteriosa no que concerne aos resultados e aos impactos dos mesmos. Neste sentido, estas empresas contêm informação de extrema importância para que se possa compreender de que forma se poderão melhorar os programas em questão, construindo-se ao nível dos decisores públicos e das empresas ferramentas que possam servir de apoio ao processo de tomada de decisão aquando da ponderação de implementação/não implementação de núcleos de I&DT nas Pequenas e Médias Empresas (PME). Em termos metodológicos, o nosso estudo está dividido em duas partes. Na primeira parte desenhamos um questionário direcionado a todas as 92 empresas cujas candidaturas foram aprovadas e ainda a uma população de controlo formada por 100 empresas semelhantes às empresas financiadas mas que não se candidataram ao programa. Assim, foi realizado um diferente questionário de forma a conhecer as diferenças entre as empresas que se candidataram e foram aceites no programa e PME que não o fizeram, de forma a perspetivar o tema de diferentes formas. Na segunda parte, depois de tratarmos em termos estatísticos as respostas obtidas, escolhemos duas empresas financiadas, uma empresa representativa das empresas que apresentaram resultados positivos decorrentes da implementação do projeto e uma empresa representativa das empresas que apresentaram resultados negativos decorrentes da implementação do mesmo. Desta forma, procuramos uma análise mais detalhada do que distingue os casos de sucesso dos casos de insucesso. Em termos de conclusão, os agentes financiados no âmbito do programa de incentivo à I&DT do QREN em estudo sofreram um impacto maioritariamente positivo tendo levado ao aumento do emprego na ordem dos 10% e da produtividade por trabalhador na ordem de 1%. Códigos-JEL: O31, O32 Palavras-chave: Inovação, I&D, I&DT, PME, Politicas públicas
iv Abstract Evaluation of the Impact of Research and Technological Development Centers (R&TD) on the competitiveness of organizations – The projects approved by QREN It is well known by the literature that Research and Technological Development Centers R&TD are the main boost of productivity growth mainly in the most developed economies which is a reason to justify that there are European Union programs focused on promoting R&TD in enterprises by financial fundings. This dissertation consists in the evaluation of R&TD centers funded by the QREN and the impact of establishing it in business promotion in order to identify the effects of the public investment, both in economic and in terms of abilities so as to understand the importance of it for the improvement of the companies’ performance. This investigation has as research population for the study the ninety two national companies whose projects were selected by the QREN for receiving a fund by the program entitled as "Creation and Internal Skills Enhancement R & D / Core R & D". In our study population, every project that was funded is already completed (in execution) at least one year ago, allowing a better and deeper analysis regarding the results and impacts of them. In this sense, these companies have information which is truly important to understand in which way we can improve these programs, creating at the level of the public decision-makers and the companies tools that can be used to support the decision-making process when wondering about implementation/non I implementation cores of R&TD in the Small and Medium Enterprises (SMEs). In methodological terms, our study is divided in two parts. In the first part, we draft a questionnaire aimed to ninety two enterprises which their appliances were approved and also a control population of one hundred enterprises similar to the ones which were funded but did not apply for it. So, we did a different questionnaire in order to understand what distinguish the ones who applied and got approval and the ones who did not apply in order to have different points of view about this subject. In the second part, after we analyzed in a statistical way the results we got, we picked up two companies where one shows the case where we have positive results and another one where we have a company that shows negative results both after the implementation of the program. In this regard, we seek a deeper evaluation in order to comprehend what differentiates the successful and unsuccessful cases. Finally, those who were funded in the QREN’s program which incentives R&TD in the study have suffered mainly a positive impact which has increased the employment in 10% and the productivity by worker in 1%. JEL-Codes: O31, O32 Keywords: Innovation, R&TD, R&D, SME, Innovation Public Policy
v Agradecimentos Ao meu orientador Prof. Pedro Cosme, por ter aparecido no momento certo, pelas suas sugestões tão assertivas quanto construtivas e pela sábia orientação prestada, que sempre disponibilizou. A todos os professores, em especial à Profª. Aurora Teixeira pela motivação e recomendações importantes concedidas as quais permitiram enriquecer este trabalho. Aos meus colegas de mestrado, em especial ao meu grupo, pelo trabalho desenvolvido juntos e os bons momentos partilhados. Às empresas que através da sua colaboração tornaram possível realizar este estudo. À minha família, pelo esforço e dedicação para me proporcionarem este desenvolvimento tanto a nível pessoal quer profissional e pelo seu apoio incondicional. Aos meus amigos, pela partilha de experiências e por estarem ao meu lado ao longo deste percurso de aprendizagem, reflexão e concretização deste propósito investigativo.
vi Siglas ANI – Agência Nacional de Inovação CAE – Código de atividades económicas EIS – European Innovation Scoreboard FEADER – Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional FEOGA – Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícola FEP – Faculdade de Economia do Porto FEUP – Faculdade de Engenharia de Universidade do Porto FSE – Fundo Social Europeu IAPMEI – Instituto de Apoio às Pequenas e Medias Empresas e à Inovação I&D – Investigação e Desenvolvimento I&DT – Investigação e Desenvolvimento Tecnológico INE – Instituto Nacional de Estatística MIETE – Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico PME – Pequenas e Médias Empresas PO – Programa Operacional POFC – Programa Operacional Factores de Competitividade QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional SI I&DT – Sistemas de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico UE - União Europeia
vii Índice Resumo .................................................................................................................................................. iii! Abstract .................................................................................................................................................. iv! Agradecimentos ...................................................................................................................................... v! Siglas ...................................................................................................................................................... vi! Índice ..................................................................................................................................................... vii! 1!Enquadramento do trabalho ............................................................................................................... 1! 1.1!Motivação .............................................................................................................................................. 1! 1.2!Organização do trabalho ....................................................................................................................... 1! 2!Revisão Bibliográfica .......................................................................................................................... 3! 2.1!A importância da Inovação no contexto empresarial das PME ............................................................. 4! 2.2!Inovação nas Organizações .................................................................................................................. 5! 2.3!Gestão da Inovação nas organizações ................................................................................................. 5! 2.4!Fundos Estruturais: Perspetiva Histórica ............................................................................................... 7! 2.5!Sistema de Incentivos à investigação e Desenvolvimento Tecnológico nas Empresas ........................ 8! 2.6!Avaliação das Políticas Públicas para as empresas ............................................................................. 9! 3!Metodologia de Investigação ........................................................................................................... 11! 3.1!Metodologia ......................................................................................................................................... 11! 4!Investigação Empírica ...................................................................................................................... 13! 4.1!Caracterização das empresas que obtiveram financiamento através do QREN ................................. 13! 4.1.1. Questionário direcionado às empresas que obtiveram financiamento através do QREN ................. 14! 4.1.2. Questionário direcionado às PME ...................................................................................................... 16! 4.2!Análise às entrevistas .......................................................................................................................... 21! 4.3!Resumo dos resultados do estudo ...................................................................................................... 24! 5!Conclusão ........................................................................................................................................ 26! 5.1.!Conclusões Gerais .............................................................................................................................. 26! 5.2. Limitações e proposta para investigação futura .................................................................................... 27! Referências e Bibliografia ..................................................................................................................... 29! ANEXO A:!Figura 1 - Projetos aprovados pelo QREN ...................................................................... 32! ANEXO B: Figura 2 - Divisão percentual do investimento por temática em Portugal para o seu programa operacional ...................................................................................................................... 33! ANEXO C:!Questionário 1 dirigido às empresas que se candidataram ao programa do QREN – Avaliação do Impacto dos Núcleos de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico ...................................................................................................................................... 34! Questionário - Avaliação do impacto dos Núcleos de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT) na competitividade das organizações ........................................................................................ 34! ANEXO D:!Questionário 2 dirigido às PME no geral – Avaliação do Impacto dos Núcleos de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico ................................................................................. 36! Questionário - Avaliação do impacto dos Núcleos de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT) na competitividade das organizações ........................................................................................ 36!
viii ANEXO F:!Questionário Complementar – Caso Sucesso ................................................................. 39! ANEXO G:!Questionário Complementar – Caso não sucesso .......................................................... 40!
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 1 1 Enquadramento do trabalho Esta dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico (MIETE), curso ministrado nas Faculdades de Engenharia e de Economia da Universidade do Porto, tem como objetivo a avaliação dos núcleos de I&DT e o impacto da sua criação na dinamização empresarial. Assim, pretende identificar o impacto que o instrumento intitulado "Criação e Reforço de Competências Internas de I&DT/Núcleos de I&DT" do QREN teve ao nível económico e ao nível de competências nas empresas apoiadas. Também procuramos identificar as principais razões que levaram outras empresas semelhantes a não se terem candidatado ao programa de apoio. 1.1 Motivação A escolha deste tema tem por base uma oportunidade detetada durante a minha atividade profissional quando juntamente com o Diretor Comercial de uma média empresa comentamos a oportunidade da criação de um núcleo I&DT para a empresa em questão. Nesse processo, verifiquei a eventual utilidade para outras empresas potencialmente interessadas no mesmo, de forma que decidi explorar mais o assunto, pela importância crescente do papel da investigação e inovação nas empresas e pela necessidade de pretenderem tomar decisões ponderadas e acertadas, fulcrais, aliás, tendo em conta o presente período económico instável e, ao mesmo tempo desafiante, em que vivemos atualmente. 1.2 Organização do trabalho Nesta secção apresentamos, para além do presente capítulo, a forma como está organizada a dissertação e os vários capítulos que compõe a sua estrutura, os quais estão divididos em secções. Em cada capítulo a primeira secção é uma introdução para o mesmo. No capítulo 1 no qual nos encontramos é a introdução ao trabalho e tem como objetivo esclarecer qual a motivação para o tema do estudo, o seu enquadramento geral e a respetiva estrutura. No capítulo 2 passamos para a revisão da literatura sobre o tema de estudo, com a apresentação dos conceitos fundamentais quer teóricos quer científicos que suportam a dissertação. Com a referente apresentação dos conceitos de inovação nas empresas e a sua importância, a gestão de inovação nas organizações, os fundos estruturais, os sistemas de incentivo à I&DT e ainda a importância e respetiva avaliação das políticas públicas para as empresas. O capítulo 3 contextualiza a metodologia de investigação, descrevendo detalhadamente as metodologias aplicadas à investigação e ao caso de estudo em concreto. O capítulo 4 apresenta o caso de estudo e a respetiva análise. Neste capítulo são descritos detalhadamente os processos utilizados tanto nos questionários como nas entrevistas, estando dividido pela caracterização das empresas que obtiveram financiamento através do QREN para o instrumento avaliado e às quais se dirigiu posteriormente um questionário, depois apresenta-se um questionário direcionado apenas às PME no geral, existindo uma comparação
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 8 A concretização do Quadro é feita através de programas cofinanciados pelo Fundo Social Europeu (FSE), pelo Fundo de Desenvolvimento Regional (FEDER) e pelo Fundo de Coesão. No entanto, o presente estudo focar-se-á nos dados referentes ao domínio dos Fatores de Competitividade, mais especificamente, no programa de Apoio à Criação e Reforço de Competências Internas de I&DT/Núcleos de I&DT, ou seja, o Sistema de Investimento e Desenvolvimento nas empresas (SI I&DT). De acordo com a informação disponibilizada online no sítio do QREN, o Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico nas empresas pretende auxiliar e promover o investimento na Investigação e Desenvolvimento com vista à obtenção de novos produtos, serviços ou processos que sejam economicamente variados e que permitam responder aos desafios que se coloquem num futuro próximo. Neste sentido, o SI&DT, no geral, tem como objetivos "intensificar o reforço empresarial nacional de I&DT; criar novos conhecimentos com vista ao aumento da competitividade das empresas; promover a inserção das empresas em redes internacionais de conhecimento, estimulando a criação e endogeneização de novos conhecimentos indutores de novas oportunidades económicas; promover a cooperação e o desenvolvimento de projetos de I&DT entre as empresas e as entidades do SCT e estimular a demonstração, experimentação tecnológica, a disseminação e a transferência de tecnologia para o setor empresarial". 2.5 Sistema de Incentivos à investigação e Desenvolvimento Tecnológico nas Empresas O processo de Investigação e Desenvolvimento (I&D) assume-se como uma atividade distintiva que pode ocorrer em empresas díspares, tanto em empresas de alta tecnologia como também nos setores mais tradicionais, contribuindo para o sucesso económico global (Kirner et al., 2009). O Sistema de Incentivos à Investigação e Desenvolvimento Tecnológico nas Empresas é um Sistema de Incentivos essencialmente direcionado para a aposta em projetos de I&DT e de demonstração tecnológica, individuais ou em co promoção, liderados por empresas ou, no caso de projetos de I&DT Coletiva, promovidos por associações empresariais. Intervém ainda ao nível da capacitação e reforço de competências internas de I&DT e da valorização de resultados de I&DT. Este Sistema de Incentivos apresenta como objetivos: (1) Intensificar o esforço empresarial nacional de I&DT; (2) Criar novos conhecimentos com vista ao aumento da competitividade das empresas; (3) Promover a inserção das empresas em redes internacionais de conhecimento estimulando a criação e endogeneização de novos conhecimentos indutores de novas oportunidades económicas; (4) Promover a cooperação e o desenvolvimento de projetos de I&DT entre as empresas e as entidades do SC;
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 9 (5) Estimular a demonstração, experimentação tecnológica, a disseminação e a transferência de tecnologia para o sector empresarial. Quanto à pertinência da aposta em projetos de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico empresarial, um estudo desenvolvido por Harris e Trainor (2009) pretendeu pesquisar um conjunto de empresas que operavam na Irlanda do Norte a fim de proporcionar uma análise mais detalhada de atitudes para a realização de apostas em I&D numa região periférica. A amostra deste estudo foi constituída por 250 PME a fim de compreender as atividades de inovação e desenvolvimento na região. Numa análise inicial da informação os autores identificaram algumas informações preponderantes: as empresas que se haviam envolvido em projetos de inovação e desenvolvimento foram significativamente mais propensas a mercados externos e a se concentrarem de forma mais minuciosa no design de produto (e, em certa medida de marketing) - ou seja, em aspetos relacionados com a qualidade (ou de valor agregado) e aspetos da produção. Em contrapartida, as empresas que não fizeram nenhuma aposta em Inovação e Desenvolvimento eram muito mais propensas a vender apenas para o mercado local e a olhar para reduzir os custos (e melhorias em sua tecnologia de processo) como forma de adquirir uma vantagem competitiva. De salientar, ainda, que a subamostra de empresas pesquisadas que não haviam apostado em nenhum investimento de Inovação e Desenvolvimento 70% referiu a pretensão de o fazer dentro em breve. No entanto, no contexto dos projetos de Capacitação e Reforço de Competências Internas de I&DT importa distinguir os Núcleos de I&DT dos Centros I&DT. Os Núcleos de I&DT correspondem a projetos promovidos pelas Pequenas e Médias Empresas (PME), visando desenvolver na empresa de forma sustentada competências internas de I&DT e de gestão da inovação através da criação de unidades estruturadas com características de permanência e dedicadas exclusivamente a atividades de I&DT. Por sua vez, os Centros de I&DT são promovidos por empresas que já desenvolvem de forma contínua e estruturada atividades de I&DT, visando o aumento do esforço de I&DT para além das linhas de investigação quotidianas normais da empresa conforme o FCT (2011). À luz da importância do investimento em I&DT no crescimento da competitividade das empresas e de forma a incentivar o crescimento económico nas empresas através da I&D, existem cada vez mais apoios por parte de políticas de investimento o que reconhece a importância neste tipo de programas, Arrow (1962b). 2.6 Avaliação das Políticas Públicas para as empresas Conforme Passos (2005) é imprescindível um relacionamento entre as empresas e as Políticas Públicas, para que aconteça uma melhoria ao nível da “saúde das empresas” e um crescimento efetivo. Sendo que muitos dos incentivos a I&DT têm origem nos recursos públicos que são cada vez mais escassos tem que colocar-se a seguinte questão: Será este tipo de intervenção eficaz? Segundo Storey (2003), a maior dificuldade de avaliação dos incentivos público em I&DT decorre da definição pouco clara dos objetivos das políticas públicas destinadas às
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 10 PME. Mesmo que as políticas públicas se encontrem claramente identificadas, estas possuem objetivos múltiplos e, muitas vezes, não identificados em documentos oficiais. Mosselman e Prince (2004), afirmam que todas as avaliações devem focar a implementação e a realização do programa em questão. Storey (2003) reforça a importância de todos os itens serem avaliados num período de 3 anos. Assim sendo, identifica que existem 6 passos que devem ser contemplados aquando da avaliação de um instrumento de incentivo público: (1) Fornecer dados mensuráveis, número de empresas que participam no programa e todas as despesas inerentes; (2) Opinião dos beneficiários dos apoios (opinião das empresas sobre as ajudas concedidas, sobre os cursos, os financiamentos); (3) Questionar as empresas e os responsáveis dos projetos na tentativa de perceber se houve melhor desempenho decorrente do apoio em questão; (4) Comparar empresas que receberam apoios com as que não receberam; (5) Comparar as empresas que receberam apoios com as que não têm assistência; (6) Ter em conta a seleção enviesada. Em Portugal, é evidente o gradual reconhecimento da importância da função da avaliação ao longo dos vários quadros comunitários assumindo progressivamente uma função estratégica. Ao evidenciar os resultados positivos e negativos, ao indicar as medidas de melhoria na tentativa de ultrapassar dificuldades e sugerir reformulações pertinentes aos programas em funcionamento. Contudo, recorrendo ao sítio do Observatório onde se encontram os relatórios das avaliações supracitadas, na tentativa de promover a transparência e a prestação de contas das políticas públicas cofinanciadas, não se verifica informação disponível sobre o impacto da criação de núcleos de I&DT nas PME, o que fundamenta a escolha do tema do presente estudo. No entanto, dada a entrada do novo Programa Quadro Portugal 2020 que tem como uma das metas a “aposta de forma muito significativa no crescimento inteligente e no desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento e na inovação, designadamente nos domínios da Estratégia de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente” (ver, Portugal 2020) é importante avaliar as políticas públicas e os próprios instrumentos de apoio do programa quadro anterior. Tanto a Comissão Europeia como os Estados-membros tendem cada vez mais a necessitar de prestação de contas e de fazer uma avaliação dos resultados de uma forma cada vez mais rigorosa. Esta avaliação tem pecado por não avaliar os resultados antes de os projetos terem a possibilidade de entrar em fase de exploração. Com este estudo pretendemos assim evidenciar os resultados positivos e negativos de forma a poderem ser indicadas medidas de melhoria para o instrumento da Capacitação e Reforço de Competências Internas de I&DT e para as PME contribuindo como uma análise deste programa quanto ao custo e ao impacto económico.
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 11 3 Metodologia de Investigação Neste capítulo são apresentadas todas as considerações relativas à metodologia adotada para o desenvolvimento deste trabalho, bem como os métodos de recolha e tratamento de dados, no sentido de responder à questão de fundo da pesquisa e para avaliação do caso de estudo. 3.1 Metodologia Vamos usar uma metodologia quantitativa no sentido do que procuramos avaliar – o impacto dos Núcleos de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico nas organizações – avaliação que vai ser dividida em duas sub-questões específicas. Primeiro, o de avaliar qual o impacto originado pelo investimento ao nível económico (em termos de emprego e de produtividade) e, segundo, avaliar qual o impacto originado pelo investimento ao nível das competências em termos de I&DT. Partindo da base de dados disponibilizada no site do QREN – Programa Operacional Fatores de Competitividade e verificando os projetos aprovados através do instrumento Criação e Reforço de Competências internas de I&DT/Núcleos de I&DT, obtivemos uma lista das 92 empresas. Depois, realizamos um questionário estruturado dirigido a essas empresas cujas candidaturas ao Programa foram aprovadas (figura 1) e que constituem a nossa amostra de estudo (obtive 32 respostas, 35% da população). Posteriormente adicionamos ainda um segundo questionário de controlo elaborado para PME que não realizaram investimento na implementação e criação do instrumento anteriormente mencionado (obtive 11 respostas). Apesar do Questionário ser considerado uma “arte imperfeita”, segundo Aaker et al. (2001) consideramos esta ferramenta uma via válida para este estudo, tendo presente a finalidade do mesmo. O questionário foi administrado através do envio por correio electrónico numa primeira fase, seguido de entrevista individual por telefone de todas as empresas que não responderam por correio electrónico (a maior parte das 32 respostas obtidas). Quanto ao tipo de questionário foi utilizado um segmento de questões específicas, classificadas através de uma “Escala de Likert”, habitualmente utlizada neste tipo de inquérito, de forma a compreender a concordância de determinadas afirmações. Foi considerada a estrutura lógica deste recurso com a finalidade de recolher ilações tendo em perspetiva o objetivo do estudo. Para tal foram estruturadas questões de resposta fechada com evidentes benefícios: rapidez e facilidade de resposta, o que permite a categorização das respostas para uma posterior análise. A descodificação das respostas e seu processamento permite uma análise muito clara do mesmo. Este recurso, o questionário dirigido via correio electrónico às empresas é deveras vantajoso na medida em que permite eliminar custos, constitui também, per si , uma ferramenta válida, conforme foi afirmado por Schaefer e Dillman (1998). Acrescento ainda o seu carácter eminentemente ecológico, aspeto relevante na economia atual.
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 12 Numa segunda fase optou-se por realizar uma metodologia qualitativa após a seleção de duas empresas, uma representativa dos casos de sucesso e outra representativa dos casos de insucesso. Nesta fase realizei 2 entrevistas. Vários estudos, neste domínio, recorreram à entrevista como instrumento de recolha de dados, como é o exemplo do estudo desenvolvido por Berends et al., (2014) que apresenta como objetivo o estudo de inovação de produto em pequenas empresas industriais. Para analisar a forma como a inovação de produtos se desdobra em pequenas empresas foi adotada uma abordagem de “pesquisa processo”, investigando a inovação nas pequenas empresas como “uma sequência de eventos ou atividades que descrevem como as coisas mudam ao longo do tempo” Van de Ven (2007). Este estudo acolheu vários métodos de recolha de dados na tentativa de obter uma análise teórica saturada. Cinco pequenas empresas foram selecionadas e concentradas na averiguação e comparação de projetos de inovação. De destacar que, nesse estudo foram tidos em conta três aspetos: em primeiro lugar, os indivíduos são pequenas empresas estabelecidas, para quem o “projeto de inovação de produtos” já é subsequente. Em segundo lugar, e de acordo com as definições da IFDR (2013), as empresas são classificadas como “pequenas” baseando-se no número de funcionários e receitas (menos de 50 pessoas e 10€ milhões em receitas). Em terceiro lugar, para fins de comparabilidade, todas as empresas analisadas estavam na indústria da fabricação. A entrevista estruturada foi um dos principais instrumentos de recolha de dados utilizados, este tipo de entrevista segue um guião rígido que estabelece antecipadamente as questões a serem formuladas. De salientar ainda, que a ordem das questões deve respeitar uma lógica pré-estabelecida. Neste sentido, a entrevista estruturada facilita a obtenção de respostas e a análise dos dados e, como tal, facilita a replicação do estudo em fases posteriores. No entanto, para além das vantagens enumeradas, podem salientar-se algumas limitações, as quais foram já previamente refletidas antes das opções metodológicas do presente estudo. Algumas das desvantagens dizem respeito ao facto de não permitir flexibilidade e espontaneidade das respostas. A utilização deste instrumento de recolha de informação pressupõe um trabalho faseado em três momentos: i) Planificação, ii) Execução e iii) Tratamento de Informação. Em relação à primeira fase existem alguns aspetos fundamentais como selecionar a população de referência, a qual irá constituir a amostra, conhecer os entrevistados, especificar as variáveis a estudar, definir as questões que irão ser colocadas. Antes da realização da entrevista, os participantes serão informados acerca da duração da mesma, o motivo pelo qual foram selecionados, o objetivo da entrevista e o seu contributo futuro. As questões da confidencialidade deverão também ser abordadas antes da realização da mesma. Depois da administração da entrevista, os dados deverão ser transcritos na íntegra. Deverão também ser efetuadas várias leituras para conferir e certificar o rigor da transcrição.
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 13 4 Investigação Empírica O presente capítulo divide-se em três subcapítulos. No primeiro subcapítulo será feita a apresentação dos questionários a todas as empresas cujas candidaturas foram aprovadas ao abrigo do instrumento "Criação e Reforço de Competências Internas de I&DT/Núcleos de I&DT". No segundo subcapítulo será apresentado o questionário realizado a algumas PME com características semelhantes às anteriores mas que não realizaram investimento na implementação e criação do instrumento anteriormente mencionado (população de controlo), e por último, no terceiro subcapítulo, iremos apresentar informação relativa a 2 entrevistas realizadas a empresas em situações dispares, numa em que o resultado da implementação do projeto foi bastante positivo e noutra em que os resultados foram negativos após a implementação do mesmo de forma a compreender melhor as causas do sucesso e do insucesso. Ambos os questionários foram submetidos a uma validação de forma a compreender erros, dúvidas e até permitir algumas sugestões por parte de um pequeno número de empresas para, caso pudessem existir correções, fossem realizados adequações numa fase prévia. 4.1 Caracterização das empresas que obtiveram financiamento através do QREN Fundamental para o enquadramento e respetiva segmentação das empresas analisadas, no site do programa foram analisadas todas as informações relevantes enquadradas no âmbito da própria candidatura ao programa. Foram recolhidas informações da CAE (Classificação Portuguesa de Atividades Económicas), Regiões, Sectores, Datas de aprovação dos projetos, Investimentos e incentivos obtidos. Dentre as 92 empresas incluídas no programa do QREN e que foram analisadas e são parte integrante deste estudo a sua grande maioria pertence à região norte e centro, com 40 e 39 empresas representadas, respetivamente, de seguida segue-se Lisboa, com 8, Alentejo com 3 e, por fim, Algarve com 2. Destas 92 empresas, 60 fazem parte do sector de serviços, seguindo-se a Indústria com 25 empresas, Comércio com 5 e Construção com 2 empresas. Por regiões é possível verificar que na Região Centro existiram 18 empresas de Serviços, 16 ligadas a Industria, 2 de construção e 2 de comércio. Na Região Norte 31 empresas de serviços, 8 de Industria e 1 de comércio. Na Região de Lisboa e Vale do Tejo todas as empresas participantes têm como setor base os serviços. Na Região do Alentejo 1 empresa de Industria, 1 de comércio e 1 de serviços. Por fim na Região do Algarve, 1 empresa de serviços e outra de comércio. Relativamente Investimento Elegível existiu um investimento de mais de 24 milhões de euros repartidos pelo total das empresas o que originou uma média de investimento por empresa na ordem dos 269 mil euros. No quadro deste valor, o incentivo público foi superior a 11 Milhões no total (cerca de 46%), dando uma média de incentivo por empresa de 125 mil euros, aproximadamente.
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 14 4.1.1. Questionário direcionado às empresas que obtiveram financiamento através do QREN Após terem sido identificadas todas as empresas que recorreram ao financiamento do QREN no âmbito do instrumento "Criação e Reforço de Competências Internas de I&DT/Núcleos de I&DT", no total 92 empresas, foi realizado um questionário que foi encaminhado para todas estas empresas através de correio electrónico. Após este primeiro envio foram recebidas apenas 5 respostas, após aproximadamente 7 dias úteis foi reencaminhado novo correio electrónico a solicitar de novo a colaboração apenas para as empresas que não responderam e obtiveram-se mais 3 respostas. Após este período partiu-se para o contacto telefónico de forma a obter o maior número de respostas possível, contabilizando um total de 32 respostas (24 respostas por telefone). Os resultados obtidos são apresentados em seguida após a sua análise e em conformidade com as respetivas questões observadas no questionário. ! Média! Máximo! Mínimo! Como!avalia!o!impacto!do! investimento?! 4,3! 5! 2! De forma a compreender a satisfação por parte das empresas verificou-se através da utilização de uma escala de Likert (de 1 a 5) que a maioria das empresas se mostrou bastante satisfeita com a opção tomada, havendo uma média de 4,3 pontos, e existindo apenas uma resposta que classificou como 2 pontos, ou seja, considerando negativo este investimento, sendo este o valor mais baixo. ! Média! Máximo! Mínimo! Com!a!informação!que!tem!hoje! repetiria!a!decisão?! 4,3! 5! 1! Verifica-se que a maioria das empresas apostava de novo neste programa de investimento, idêntico ao impacto do investimento referido anteriormente, existindo uma média no total das empresas de 4,3 pontos. ! Média! Máximo! Mínimo! Sentiu!melhorias!em!alguns!destes! componentes:!G!Processo! 3,8! 5! 2! Sentiu!melhorias!em!alguns!destes! componentes:!G!Produto/Serviço! 4,0! 5! 1!
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 15 Sentiu!melhorias!em!alguns!destes! componentes:!G!Mercados! 3,8! 5! 1! Estes representam alguns dos componentes que o programa procurava melhorar, ou seja, ao nível do processo através da conceção ou melhorias ao nível do “produto/serviço”, sendo estes benefícios principalmente através do “processo produtivo”, geralmente representando aumentos de produtividade e/ou redução de custos. Também ao nível dos “produtos/serviços” com modificações compreendidas pelos consumidores no geral. E por fim, ao nível de mercados com o reforço de competências para novos mercados. Verificamos que em todos eles a maioria das empresas verificou melhorias após o financiamento, no caso das componentes “processo” e “mercados” com uma média de 3,8 pontos em 5 e na componente “produto/serviço” as empresas sentiram ainda mais melhorias perfazendo uma média de 4,0 pontos em 5. ! Média! Total! Máximo! Mínimo! Qual!o!número!atual!de! trabalhadores?! 68! 2187! 250! 3! Relativamente ao número de trabalhadores, as empresas são muito heterogéneas, em média cada empresa tem 68 colaboradores, sendo que a empresa que tem mais trabalhadores foi uma com 250 trabalhadores e no campo inverso outra com 3 trabalhadores. No total das 32 empresas que responderam ao questionário, existem 2.187 trabalhadores. Algumas das empresas que implementaram este projeto preferiram durante ou posteriormente criar uma joint venture ou uma empresa específica e dedicada à Inovação daí, por exemplo, fazerem parte de alguns grupos de maior dimensão mas a empresa que gere e se dedica à exploração da atividade do núcleo ter um menor número de trabalhadores. Comparando)o)período)antes) com)o)período)depois:) Diminuiu! +10%! Diminui! até!10%! ManteveG se! Aumentou! até!10%! Aumentou! +10%! Média! aumento! A!faturação!variou?! 0! 1! 7! 12! 12! ±7,3%! O!número!de!trabalhadores! variou?! 1! 0! 12! 7! 12! ±6,3%! Quando analisada a faturação comparando o período antes do investimento realizado com o período depois a faturação na maioria aumentou, em 24 empresas (75% do total), correspondendo a uma média de aumento de 7,3%. Apenas uma empresa referiu que a sua faturação diminui, o que traduz um efeito significativamente positivo ao nível da faturação. A questão da variação do número de trabalhadores, comparando o período anterior com o período após a criação do programa, é claro, 12 empresas referiram que aumentou +10%, 7 empresas em que aumentou mas até 10% do seu número total, em 12 empresas o número manteve-se e apenas numa este valor diminui, o que permite quantificar um aumento de 6,3% no número total de trabalhadores.
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 16 Produtividade!por!trabalhador! 1,1%! Cruzando os resultados anteriormente anunciados, verifica-se um aumento da produtividade por trabalhador de 1,1% o que transmite bons resultados dos programa não só ao nível do emprego e da faturação como também da produtividade (faturação por trabalhador). 4.1.2. Questionário direcionado às PME De forma a compreender melhor a diferença entre as empresas que se candidataram ao programa com as restantes empresas, decidimos selecionar uma amostra de controlo de forma a podermos tirar algumas conclusões. Para isso, observamos as características das empresas existentes no instrumento do QREN e tentamos estudar a evolução de empresas semelhantes, quer ao nível de poder financeiro (PME Líder ou Excelência) e quer ao nível de colaboradores (PME) que não se candidataram ao programa de incentivo às atividades de I&DT. Este segundo questionário foi específico para o caso, e foram enviados 100 e-mails, onde apenas obtivemos 2 respostas; após aproximadamente 7 dias úteis foi reencaminhado novo email a pedir de novo a colaboração para as empresas que não responderam e obtiveram-se mais 2 respostas. Após este período optou-se por realizar o contacto telefónico de forma a obter o maior número de respostas possível, contabilizando 11 respostas no total (7 por telefone). ! Sim! Não! Teve!conhecimento!do!instrumento!QREN! intitulado!"Criação!e!reforço!de! competências!internas!I&DT/Núcleos! I&DT"?! 36%! 64%! Podemos constatar que mais de 64% das empresas não tinha conhecimento do programa em causa, neste caso não foi sugerido mais nenhum critério para complementar os propostos. ! Média! Máximo! Mínimo! Com!a!informação!que!tem!hoje!repetiria!a! decisão!de!não!se!candidatar?! 3,5! 5! 2! De acordo com a classificação obtida observamos que mesmo após obterem algum conhecimento sobre o programa, mais de metade manteria a opção de não se candidatar.
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 17 ! Média! Máximo! Mínimo! Sente!necessidade!de!melhoria!no! Processo?! 4,3! 5! 2! Sente!necessidade!de!melhoria!no! Produto/Serviço?! 3,3! 5! 1! Sente!necessidade!de!melhoria!nos! Mercados?! 3,6! 5! 3! De forma a criar uma correlação com o inquérito 1, fomos procurar compreender ao nível das componentes (ou varáveis) “processo, produto/serviço e mercados” e durante o mesmo período de tempo que decorreu o programa do QREN (2007-2013). Enquanto na primeira componente, no processo, existe uma média ponderada de 4,3 pontos num total de 5, a componente “produto/serviço” apresenta uma média de 3,5 pontos e em relação aos “mercados”, que surgem com 3,8 pontos. Conseguimos observar que a média preponderada dos componentes produto/serviço e dos mercados é inferior ao inquérito 1, ainda que na componente processo este valor seja superior 4,3 pontos para 3,8 pontos em 5. ! Média! Total! Máximo! Mínimo! Qual!o!número!atual!de!trabalhadores?!! 112! 1233! 270! 17! O número de trabalhadores das empresas de controlo tem grande heterogeneidade, em média cada empresa tem 112 colaboradores, sendo que a empresa que tem mais trabalhadores foi a F.Ramada S.A. com 270 trabalhadores e, no campo inverso, com 17 trabalhadores temos a Fábrica de Calçado Mestra, no total das 11 empresas existem cerca de 1233 trabalhadores. Comparando)o)período)de)2007)com) 2014:) Diminuiu! +10%! Diminui! até! 10%! ManteveG se! Aumentou! até!10%! Aumentou! +10%! Média! aumento! A!faturação!variou?! 2! 0! 2! 1! 6! ±5,9%! O!número!de!trabalhadores!variou?! 2! 0! 2! 2! 5! ±5,0%! Quando analisada a variação da faturação com o período de duração do programa de forma a obter uma base de comparação (2007 até 2013) mais de 80% manteve-se pelo menos ou até aumentou.
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 24 4.3 Resumo dos resultados do estudo Este estudo está estruturado em três vertentes, a primeira fase é composta por um questionário direcionado às empresas que obtiveram financiamento do instrumento do QREN onde demonstraram que o programa revelou-se um sucesso tendo existido mais de 93% das respostas sido avaliadas de forma positiva ou muito positiva. Constatei nas respostas aos questionários que os resultados indicam que, de uma maneira geral e maioritária, o projeto foi considerado pelas empresas como positivo. O impacto foi indiscutivelmente favorável na faturação (±7,3%), no emprego (±6,3%) e na produtividade das empresas (+1,1%), existindo um aumento substancial em todos estes parâmetros relativamente à amostra de controlo. Assim, partindo da análise às respostas dos segundos questionários de controlo, feitos às PME, que não se candidataram ao programa, mas que têm características comparáveis (nº de trabalhadores/ colaboradores e ao nível económico) verifiquei que, apesar de terem também existido níveis positivos, quer ao nível económico quer no melhor desempenho das empresas, houve uma melhoria na faturação (±5,9%), no emprego (±5,0%) e na produtividade das empresas (+0,9%), estes valores não atingiram os dados alcançados pelas empresas em análise no primeiro questionário, de realçar que apenas três delas não investem em I&D. Ao analisar as entrevistas a duas empresas selecionadas como representativas dos casos de sucesso e dos casos de insucesso, vimos que, ambas as empresas consideram importante e crucial a aposta em I&DT e que os núcleos têm no desenvolvimento económico e no melhor desempenho das empresas um papel fulcral para o seu crescimento e afirmação no mercado. Ambas as empresas estudadas afirmaram interesse em colaborar após o conhecimento do tema e em acompanhar a investigação na área pedindo uma cópia/exemplar do trabalho final o que demonstra a importância deste tema para as mesmas. Uma parte importante do caso da empresa que avaliou como negativo o investimento, demonstrou através da entrevista que ao nível da aposta na criação/desenvolvimento de produtos, o objetivo foi concretizado, para além disso, obteve uma melhoria ao nível dos novos paradigmas de trabalho. De forma menos positiva foi a receção dos consumidores nacionais, o que obrigou a empresa a virar-se para novos mercados revelando uma grande adaptabilidade devido ao fator surpresa que pode surgir na conceção deste tipo de projetos. Portanto, posso concluir que a aposta em vários projetos de inovação, de diferentes vertentes, permitem uma maior permeabilidade ao risco, consentindo assim uma alternativa de investimento, visto que é possível obter lucro mesmo que nalguns casos não atinjam os objetivos inicialmente propostos. No entanto, a principal limitação encontrada baseia-se na burocracia e custos associados, o que implica um tremendo esforço do tecido empresarial. Apurei através da entrevista à empresa do caso de sucesso que o investimento realizado teve um feedback totalmente positivo. Este retorno não foi só a nível económico como foi também ao nível das competências da empresa e dos trabalhadores, criação de novos produtos e serviços e ainda a melhoria do seu posicionamento no mercado. Outro aspeto a salientar é que, tal como na empresa representativa do caso de não sucesso, também se verificou um aumento na adaptabilidade da empresa ao mercado, tendo havido um aumento da competitividade. No que concerne às competências dos trabalhadores há que ressalvar a
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 25 importância do perfil indicado para integrar estes núcleos de I&DT visto que este é fundamental para atingir o sucesso da organização, a integração de colaboradores com as qualificações pretendidas, pois é cada vez um dos fatores diferenciadores para a afirmação do tecido empresarial.
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 26 5 Conclusão Este capítulo, sendo o último, pretende resumir o contributo dado pelo estudo realizado, indicando ainda quais as principais conclusões e sugerindo ainda o sentido em que poderão seguir as pesquisas para uma investigação futura. Adicionalmente pretende-se tirar ilações quanto aos obstáculos sentidos por todos os intervenientes deste programa de incentivo ao desenvolvimento das atividades de I&DT nas PME portuguesas. 5.1. Conclusões Gerais Inicialmente, o principal objetivo desta dissertação consistiu em investigar o impacto do programa do QREN de apoio financeiro aos núcleos de I&DT, a sua relação no tecido empresarial, compreender os processos de atuação e o seu impacto. Deste modo, procurei encontrar dados sobre as empresas que foram financiadas no quadro do programa de forma a ser possível tirar as melhores conclusões de uma forma heterogénea e credível, através de uma grande diversidade sectorial, como por exemplo serviços, comércio, transportes e indústria. Para tal, apoiei-me em conceitos teóricos, questionários e entrevistas, de forma a efetuar uma análise criteriosa e por conseguinte, acrescentar uma visão diferente com o objetivo de ajudar empresas e potenciais interessados na área de I&DT nas organizações. Adicionalmente, convém referir que a minha posição regeu-se sempre pela imparcialidade e procura pela melhor análise possível dos dados e resultados obtidos. Para elaboração deste estudo utilizei dois questionários, o primeiro realizado às 92 empresas que formam a população intervencionada e ao qual responderam 32 empresas que recorreram ao financiamento "Criação e Reforço de Competências Internas de I&DT/Núcleos de I&DT" e o segundo questionário, realizado a uma +população de controlo formado por 100 empresas e ao qual responderam 11 PME, as quais não se candidataram a este programa. Portanto, no primeiro questionário pretendi obter uma visão global de organizações referentes ao caso em investigação e, no segundo, efetuei um questionário com o intuito de compreender quais os obstáculos encontrados para que não tivessem apostado neste programa. Outro intuito do estudo foi de também poder comparar o desempenho tanto a nível económico como de crescimento, das empresas do primeiro questionário (intervencionadas), no sentido de obter informação mais detalhada, numa segunda fase realizei duas entrevistas, uma delas a uma empresa representativa dos casos de sucesso e outra representativa dos casos de menos sucesso. Após a análise das respostas obtidas é possível tirar as seguintes conclusões: a) As empresas que foram intervencionadas pelo programa conseguiram, de uma forma geral e maioritariamente, melhorar a sua performance; b) A inovação foi fundamental em todas as empresas para a obtenção de sucesso; c) O impacto do financiamento foi favorável e repercutiu melhoramentos na faturação, no emprego e na produtividade por trabalhador; d) As empresas consideram que a inovação e o carácter empreendedor melhoraram e são atualmente pilares essenciais para o seu crescimento e competitividade;
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 27 e) Os casos de insucesso devem-se principalmente a burocracia e custos associados; f) Comparando com a população de controlo, as empresas intervencionadas tiveram melhor performance. De acordo com um estudo recente as empresas inovadoras crescem 15 por cento mais rápido em vendas e 8 por cento em termos de produtividade de trabalho do que as empresas que não investiram em inovação. Outro ponto fulcral é a aposta em I&D que contribui significativamente para as vendas (14 por cento) e de crescimento da produtividade do trabalho (7 por cento). (World Bank, 2013). Ao analisar duas diferentes perspetivas, opostas no seu grau de satisfação com o objetivo de trazer para o estudo uma visão real e mais completa do tema em causa permitiu concluir que a aposta em diferentes projetos no âmbito na inovação promovem uma maior diversificação do risco, fazendo com que no caso de um projeto não correr tão bem possam existir outros que o compensem. Ainda assim uma limitação existente nos programas prendese com a burocracia e custos associados, o que implica um tremendo esforço ao nível empresarial o que vai requerer por parte de todas as entidades envolvidas procura de novas soluções. Conforme o IAPMEI (2002) Portugal registou a mais elevada taxa de evolução em termos de inovação no espaço comunitário, o que demonstra uma grande aposta por parte das empresas portuguesas apesar de ainda estar abaixo da média europeia. As nossas conclusões estão de acordo com o relatório que conclui que na generalidade, os indicadores que mais cresceram, obtiveram investimento público e assim aproximaram a UE dos países que mais de destacaram Estados Unidos e Japão. Estes países destacam-se por serem as economias mais inovadoras que em concordância com uma das entrevistas demonstra que este investimento comunitário é dinamizador tanto ao nível económico, como ao nível das competências e qualificações dos seus colaboradores, o que permite que as empresas possam desta forma obter um retorno e assim potenciar o crescimento da organização e o respetivo aumento da sua competitividade. 5.2. Limitações e proposta para investigação futura Ao longo da investigação foram sendo encontradas algumas limitações. A primeira prende-se com o facto de atualmente já existir um novo programa quadro em curso que veio substituir o QREN, o qual se designa por PORTUGAL 2020, apesar deste novo programa também investir em I&DT, mas em diferentes moldes. A segunda limitação é o facto de ter experienciado constrangimentos ao nível da cooperação de outras entidades, nomeadamente empresas que não se mostraram dispostas a participar no estudo, o que dificultou bastante a recolha de informação, neste que é um trabalho de teor académico que parte da informação fornecida pelas empresas intervencionadas e que pretende tirar conclusões sobre o efeito de um incentivo financeiro ao nível da performance das empresas de modo a auxiliar e melhorar as empresas que investem e/ou pretendem investir em inovação. Castro Almeida atual secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, afirmou que existe uma necessidade de se medir resultados e que existe um grande trabalho a fazer, pois até agora “a maior parte das vezes mede-se o sucesso das políticas públicas pelo dinheiro que
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 28 lá se mete”, (Silvares, 2015). Devido à maior exigência por parte dos cidadãos e ainda às melhorias dos programas por parte de quem deles usufrui é importante poderem-se tirar as devidas consequências, por outras palavras, é fulcral uma análise mais consistente das candidaturas e dos resultados obtidos, visto que não se deve avaliar um projeto apenas pelo valor absoluto do investimento público em termos monetários, o que demonstra a relevância deste estudo. Uma sugestão para uma possível investigação futura é a análise dos núcleos de I&DT em mercados externos como, por exemplo, em Espanha, de modo a compreender e comparar os métodos e técnicas utilizados de forma a melhorar o processo de investimento em inovação e com isto tentar alcançar um patamar de excelência no que toca às candidaturas, atribuição e desenvolvimentos dos projetos. Seria interessante a aplicação deste estudo como ponto de partida para as empresas que estivessem interessadas em desenvolver e investir nas competências ao nível da I&DT e/ou da criação do núcleo I&DT.
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 29 Referências e Bibliografia Aaker, D.A.; Kumar, V. e Day, G.S., (2001). Marketing Research, 7, John Wiley & Sons, Inc., New York. Arrow, K. J., (1962b). “Economic Welfare and the Allocation of Resources for Invention”, In the Rate and Direction of Inventive Activity: Economic and social factors, Princeton University Press, 609-626. Berends, H.; Jelinek, M.; Reymen, I., e Stultiëns, R., (2014). “Product innovation processes in small firms: combining entrepreneurial effectuation and managerial causation”, Journal of Product Innovation Management, 31(3), 616–635. Bianchi, M.; Campodall´Orto, S,; Frattini, F. e Vercesi, P., (2010). “Enabling open innovation in small and medium sized enterprises: how to find alternative applications for your technologies”, R&D Management, 40(4), 414-431. Correia, L. M. C. S. B., (2010). A implementação do Sistema de Normalização Contabilística numa PME do Sector de Construção, Tese de mestrado não publicada, Instituto Universitário de Lisboa, ISCTE Business School. De Toni, A. e Nassimbeni, G., (2003). “Small and medium district enterprises and the new product development challenge: Evidence from Italian eyewear district”, International Journal of Operations & Production, 23 (5/6), 678-698. Drucker, P.F., (1985). “The Practice of Entrepreneurship”, Innovation and Entrepreneurship Practice and Principles, Harper & Row, New York, 141-188. Eveleens, C., (2010). “Innovation management; a literature review of innovation process models and their implications”, Science 800, 900. European Comission., (2005). Oslo manual: Guidelines for collecting and interpreting innovation data, 3rd Edition. Organisation for Economic Co-operation and Development. OECD publishing. European Comission., (2007a). “Observatory of European SMEs”. Analytical Report, DG Enterprise and Industry, Flash EB Series 196, Brussels: European Comission. European Comission., (2014). SBA Fact Sheet, Portugal. European Union., (2007). National Strategic Reference Frameworks. Cohesion Policy, 200713 European Union., (2012). Innovation Union Scoreboard 2011. Freel, M. S., (1999). Entrepreneurial and Growth Firms. In: D. Deakins (Ed.), Entrepreneurship and small firms 2, Glasgow: McGraw-Hill. FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia., (2011). Relatório de actividades. Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior. Gamal D., Salah T. e Elrayyes N., (2011). How to measure Organization Innovativeness? An Overview of innovation measurement trameworks and Innovation Audit/ Management tools, Technology innovation and entrepreneurship center, 1-35.
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Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 32 ANEXO A: Figura 1 - Projetos aprovados pelo QREN Fonte: Projectos aprovados pelo QREN - Instrumento Criação e Reforço de Competências Internas de I&DT/Núcleos I&DT
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 33 ANEXO B: Figura 2 - Divisão percentual do investimento por temática em Portugal para o seu programa operacional Fonte: European Union (2007). National Strategic Reference Frameworks. Cohesion Policy, 2007-13
Avaliação do impacto dos Núcleos de I&DT na competitividade das organizações 40 ANEXO G: Questionário Complementar – Caso não sucesso Questionário Complementar Este questionário no âmbito da realização da Dissertação de Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico integrará uma investigação sobre "Avaliação do impacto dos Núcleos I&DT na competitividade das organizações" tendo como base o instrumento QREN intitulado "Criação e reforço de competências internas I&DT/Núcleos I&DT" e procura compreender qual o impacto destes investimentos para as organizações. Após a análise das respostas obtidas através dos questionários, a vossa empresa foi uma das escolhidas devido ao facto do pouco sucesso do programa e este vai servir como base para uma análise de estudo e pretendo com o mesmo aprofundar e tirar novas conclusões. Identificação do entrevistado Instituição: Nome: Função: Questões Q1: Quais as razões que levaram a que o programa não tenha alcançado o retorno esperado? (Dificuldades financeiras? Desenho do projeto? O que faltou?) Q2: Tem alguma proposta/sugestão para melhoria do programa? Q3: Qual a percentagem da faturação que tencionam investir em I&D? Caso não haja apoios nacionais e/ou europeus tencionam investir nesta área? No fim da realização do estudo iremos partilhar com a vossa empresa as conclusões e análise do mesmo. Obrigado, uma vez mais pela vossa colaboração. António Luís Correia Costa Fonte: Elaborado pelo Autor