Utilidade da Tomografia Computorizada em Oncologia: Estudo Clínico em Cães e Gatos
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Relatório Final de Estágio Mestrado Integrado em Medicina Veterinária UTILIDADE DA TOMOGRAFIA COMPUTORIZADA EM ONCOLOGIA: ESTUDO CLÍNICO EM CÃES E GATOS Inês Bernardo Solla Prata Orientador Professora Doutora Cláudia Sofia Narciso Fernandes Baptista Co-Orientadores Dra. Joana Cristina Macedo Torres dos Santos Dr. André Gomes Pereira Porto 2016
i RESUMO O presente trabalho foi realizado no âmbito do 11º semestre do Mestrado Integrado em Medicina Veterinária do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto. A componente prática do estágio curricular foi realizada no UPVet (Hospital Veterinário da Universidade do Porto) em parceria com o Centro Hospitalar Veterinário do Porto, que realiza os exames de tomografia computorizada nas mesmas instalações. Durante o período de estágio no UPVet pude desenvolver o meu conhecimento sobre os métodos de diagnóstico imagiológicos, observando e participando na realização de radiografias, ecografias e tomografias computorizadas, assim como na elaboração dos seus relatórios imagiológicos, compreendendo melhor a sua importância na prática clínica. A associação da componente clínica e um estudo mais aprofundado dos métodos de diagnóstico permitiu uma compreensão mais abrangente da utilização da imagiologia como método de diagnóstico, particularmente na seleção do exame imagiológico a realizar em cada caso, de acordo com os sinais clínicos do animal. A escolha do tema surgiu em seguimento do número de animais que apareciam com neoplasias para estudo tomográfico e devido ao número crescente de aquisição de equipamentos de tomografia computorizada em Portugal. Este trabalho pretende demonstrar a utilidade da tomografia computorizada (CT) no estadiamento clínico de cães e gatos com neoplasias, identificando quais as patologias mais frequentes, caracterizando a imagem tomográfica dessas mesmas neoplasias e respetivas metástases, quando encontradas, e evidenciando as suas vantagens no estadiamento clínico, planeamento cirúrgico e realização de biopsias guiadas por imagem no cão e no gato. Palavras-chave: tomografia computorizada, estadiamento tumoral, planeamento cirúrgico, metástases, cão, gato.
ii CASUÍSTICA NÚMERO DE EXAMES CÃES 150 Ecografia 35 Abdómen 32 Cardíaca 2 Tiroide 1 Endoscopia 3 Digestiva 3 RX 59 Abdómen 15 Coluna 4 Membros 8 Pélvis 5 Tórax 27 CT 56 Abdómen 2 Anca 1 Coluna 13 Crânio/Encéfalo 6 Crânio/Encéfalo e Coluna 4 Crânio/Encéfalo, Tórax e Abdómen 1 Estadiamento 18 Membros 4 Nasal 5 Nasal e Tórax 1 Tórax e Abdómen 1 COELHOS 1 RX 1 Crânio/Encéfalo 1 GATOS 40 Ecografia 15 Abdómen 13 Cardíaca 2 RX 19 Abdómen 4 Crânio/Encéfalo 1 Membros 9 Tórax 5 CT 6 Crânio/Encéfalo 3 Crânio/Encéfalo e Coluna 1 Estadiamento 1 Nasal 1 Total Geral 194 Tabela 1 - Casuística dos exames observados segundo espécie, exame realizado e região nas 16 semanas de estágio
iii Gráfico 1 – Estatística da casuística dos exames observados ao longo das 16 semanas de estágio Ecografia 26% Endoscopia 1% RX 41% TC 32% Total Ecografia Endoscopia RX TC
iv AGRADECIMENTOS Agradeço a todas as pessoas que contribuíram, direta ou indiretamente, para a minha educação e em todas as etapas do meu percurso académico, particularmente: À minha orientadora, Professora Doutora Cláudia Sofia Narciso Fernandes Baptista, pelo apoio, simpatia e motivação. À Dra. Joana Santos e ao Dr. André Pereira pelos conhecimentos transmitidos, simpatia e apoio durante o meu período de estágio. A toda a equipa do UP-VET, sem exceção, pelo acolhimento, amizade e ensinamentos durante todo o meu percurso. Aos meus amigos e família, pelas palavras de força e pelo apoio incondicional, durante todas as fases do meu percurso, e pela enorme ajuda principalmente nesta fase. Eles sabem quem são… À minha mãe, que sempre me apoiou em todos os momentos da minha vida, não me deixando desistir nunca dos meus sonhos, permitindo-me chegar até aqui. Ao Ricardo, pelo companheirismo, dedicação e paciência, principalmente nesta fase.
v ÍNDICE DE ABREVIATURAS CT Tomografia computorizada CAAF Citologia por aspiração por agulha fina CEUS Estudos ecográficos contrastados HU Hounsfield units im intramuscular iv intravenosa MTE Membro torácico esquerdo MPE Membro pélvico esquerdo MPD Membro pélvico direito MRI Imagem por ressonância magnética NM Medicina Nuclear PET Tomografia por emissão de positrões RX Radiologia SPECT Tomografia computorizada por emissão de fotão único US Ecografia
vi ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 – CT LigthSpeed™ Series da GE Healthcare utilizado no Hospital Veterinário da Universidade do Porto. ............................................................................................................. 10 Figura 2 – Posicionadores utilizados no Hospital Veterinário da Universidade do Porto. ......... 10 Figura 3 – Caso 1 – A – Imagem axial, em algoritmo tecidos moles do estudo contrastado. B – Imagem em reformatação dorsal, em algoritmo tecidos moles. Em A e em B verifica-se a presença de uma massa com captação heterogénea de contraste e limites mal definidos (Fibrossarcoma) na região direita da cabeça com osteólise severa do osso zigomático, maxila e palatino. C – Reformatação tridimensional onde é possível observar osteólise severa do osso zigomático, palatino e maxila. D e E – Imagem axial, em algoritmo tecidos moles onde se observa o aumento do gânglio submandibular direito e pré-escapular direito respetivamente (setas azuis). F – Imagem axial em algoritmo tecidos moles onde se observa uma possível lesão pulmonar (seta amarela). Imagens gentilmente cedidas pelo Centro Hospitalar Veterinário do Porto ...... 21 Figura 4 – Caso 12 – A reformatação tridimensional. Lesão osteoproliferativa e osteolítica na região frontal e temporal do calvário. B – Reformatação sagital, em janela de osso. C e D – Imagens axiais, em janela de osso, da região frontal e temporal respetivamente. Nas imagens é possível observar-se uma tumefação hiperdensa e lesão osteoproliferativa e osteolítica na região frontal e temporal do calvário. Verifica-se osteólise da placa cribiforme (seta azul) e extensão de lesão para o interior do calvário, havendo compressão dos hemisférios cerebrais (setas amarelas). Imagens gentilmente cedidas pelo UPVet. .............................................................. 25 Figura 5 – Caso 15 – A – Radiografia latero-lateral de tórax. B – Radiografia ventrodorsal do tórax. Nas radiografias é possível observar-se um padrão pulmonar broncointersticial difuso e uma massa pulmonar de grandes dimensões (6x6x10 cm), localizada no lobo médio, com limites bem definidos, densidade liquido/tecidos moles e que desloca ventralmente e para o lado esquerdo a silhueta cardíaca e a traqueia. Padrão pulmonar broncointersticial difuso. C – Imagem axial, em janela de pulmão. B – Reformatação dorsal, em janela de pulmão. Nas imagens de CT (C e D) é possível observar-se uma massa heterogénea no lobo cranial e médio direito com limites bem definidos e deslocação da silhueta cardíaca para a esquerda. Imagens gentilmente cedidas pelo UPVet. ................................................................................................................. 27 Figura 6 – Caso 21 – A – Imagem axial, em algoritmo tecidos moles. B – Reformatação dorsal, em janela de tecidos moles. C – Reformatação sagital, em janela de tecidos moles. Observa-se uma lesão ocupadora de espaço na região caudal da narina direita, com densidade de tecidos moles e limites mal definidos. Verifica-se e invasão dos tecidos contíguos e osteólise do osso frontal adjacente à órbita (seta azul), do osso frontal (seta amarela) e do osso nasal direito. Imagens gentilmente cedidas pelo UPVet. ................................................................................ 29
vii ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 - Casuística dos exames observados segundo espécie, exame realizado e região nas 16 semanas de estágio ............................................................................................................... ii Tabela 2 – Comparação dos métodos imagiológicos utilizados em medicina veterinária. Adaptado de Withrow et al. 2013. ............................................................................................... 2 Tabela 3 – Resumo dos protocolos de CT. Adaptada de Schwarz & Saunders, 2011 e Forrest, 2016. ........................................................................................................................................ 11 Tabela 4 – Caracterização dos motivos para a realização da CT. ............................................ 12 Tabela 5 – Distribuição e caracterização dos tumores presentes neste trabalho. ..................... 15 Tabela 6 – Caracterização dos motivos para a realização de ecografia abdominal .................. 16 Tabela 7 – Caracterização dos motivos para a realização de radiografia ................................. 16 Tabela 8 – Caracterização dos casos descritos neste trabalho ................................................ 20 ÍNDICE DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Estatística da casuística dos exames observados ao longo das 16 semanas de estágio ....................................................................................................................................... iii Gráfico 2 – Distribuição dos casos segundo a espécie, raça e sexo ........................................ 12
ÍNDICE RESUMO ..................................................................................................................................... i CASUÍSTICA .............................................................................................................................. ii AGRADECIMENTOS ................................................................................................................. iv ÍNDICE DE ABREVIATURAS ..................................................................................................... v ÍNDICE DE FIGURAS ................................................................................................................ vi ÍNDICE DE TABELAS ............................................................................................................... vii ÍNDICE DE GRÁFICOS ............................................................................................................ vii I. INTRODUÇÃO..................................................................................................................... 1 1. A IMPORTÂNCIA DO ESTADIAMENTO .......................................................................... 1 1.1. O sistema TNM ......................................................................................................... 1 1.2. Estadiamento e saúde ............................................................................................... 2 1.3. Reavaliação .............................................................................................................. 2 2. UTILIDADE DA IMAGIOLOGIA NA ONCOLOGIA ............................................................ 2 1.1. Radiologia (RX) ......................................................................................................... 3 1.2. Tomografia computorizada (CT) ................................................................................ 3 1.3. Ecografia (US)........................................................................................................... 5 1.4. Ressonância Magnética (MRI) .................................................................................. 6 1.5. Medicina nuclear (NM) .............................................................................................. 7 3. OBJETIVOS DO TRABALHO ........................................................................................... 8 II. MATERIAL E MÉTODOS .................................................................................................... 9 1. SELEÇÃO DOS CASOS CLÍNICOS ................................................................................ 9 2. DADOS CLÍNICOS........................................................................................................... 9 3. ANESTESIA ..................................................................................................................... 9 4. EQUIPAMENTO E TÉCNICA ........................................................................................... 9 III. RESULTADOS .................................................................................................................. 12 IV. DISCUSSÃO ..................................................................................................................... 32 V. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 36 VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................... 37
7 patologias baseando-se nas propriedades dos átomos de hidrogénio quando expostos a campos magnéticos e de radiofrequência. Na MRI, as imagens podem ser adquiridas diretamente em qualquer plano, ao contrário da CT, em que as imagens em planos sagitais e dorsais são resultado da reconstrução dos dados da imagem axial (Withrow et al., 2013). No entanto, o tempo de aquisição dos dados é superior à CT (Mattoon & Bryan, 2013), necessitando de uma anestesia geral mais prolongada, sendo o seu custo superior e a sua disponibilidade menor. A MRI proporciona um melhor detalhe anatómico e é mais sensível na deteção de neuropatologias do que a CT, mas é menos útil na avaliação do osso cortical. Contudo é excelente na deteção de doenças infiltrativas que afetem os tecidos moles do sistema músculoesquelético, incluindo articulações, ligamentos, tendões e medula óssea, sendo o método mais preciso para determinar a extensão do osteossarcoma canino (Withrow et al., 2013). O uso da MRI no diagnóstico e estadiamento de tumores tem vindo a aumentar devido ao seu valor na determinação da morfologia, margens, características e composição dos mesmos (Withrow et al., 2013). No entanto, é de realçar que, comparando com outros métodos imagiológicos, as lesões identificadas pela MRI parecem ser mais extensas, sendo que este facto pode ser o reflexo da deteção real da extensão da doença ou pode, por vezes, ser uma sobrestimação do tamanho da lesão (Mattoon & Bryan, 2013). Novas técnicas de MRI têm sido desenvolvidas permitindo o estudo da fisiologia e metabolismos dos tumores e a avaliação da resposta aos tratamentos. O uso dinâmico de contraste proporciona informação acerca da vascularidade, perfusão e angiogénese das neoplasias o que mostrou ter um valor preditivo na resposta e resultado ao tratamento. A MRI de difusão avalia a mobilidade das moléculas de água no tumor em função da densidade celular e arquitetura do tecido, sendo que um aumento na difusão do tumor indica uma resposta positiva ao tratamento e morte celular (Withrow et al., 2013). 1.5. Medicina nuclear (NM) A medicina nuclear usa a administração de substâncias radioativas para obter um diagnóstico funcional através de imagem. Quando combinadas com componentes específicos, as substâncias radioativas denominam-se de radiofármacos, que podem ser selecionados de acordo com o órgão a estudar. Os raios gamma emitidos pelo paciente são detetados pela câmara gamma, ou câmara de cintilação, e as lesões são identificadas pela alteração do metabolismo (Mattoon & Bryan, 2013). De uma forma geral, a medicina nuclear é sensível na deteção de lesões, mas não é específica quanto à etiologia da mesma, sendo que lesões malignas e benignas podem originar imagens semelhantes. As imagens obtidas não proporcionam detalhe anatómico como os métodos de diagnóstico descritos anteriormente, pelo que pode ser necessário recorrer a outro método
8 imagiológico (radiografia, ecografia, CT ou MRI) para avaliar a morfologia da lesão (Withrow et al., 2013). Existem três métodos fundamentais de diagnóstico com uso da medicina nuclear: a cintigrafia (bidimensional), a tomografia computorizada por emissão de fotão único (SPECT) e a tomografia por emissão de positrões (PET), ambas tridimensionais (Mattoon & Bryan, 2013). Em medicina humana já se utiliza a combinação da imagem da PET com a imagem da CT, para se obter uma informação funcional com uma exata localização anatómica. Em medicina veterinária existem poucos locais com capacidade para realizarem estes estudos, havendo poucas referências na literatura, assim como a PET/MRI (Mattoon & Bryan, 2013). 3. OBJETIVOS DO TRABALHO Como já mencionado previamente, a tomografia computorizada apresenta múltiplas vantagens relativamente a outras técnicas de diagnóstico por imagem, uma vez que se trata de uma técnica multiplanar, permitindo assim uma localização e caracterização mais precisa das lesões. Em medicina veterinária a CT é uma técnica de diagnóstico recente, não havendo, ainda, tantos estudos comparativamente à radiologia e ao uso de ecografia. A aquisição deste equipamento nos hospitais veterinários, em Portugal, tem vindo a aumentar nos últimos anos, e nas instalações onde decorreu é a técnica de diagnóstico por imagem mais recente e sofisticada. Tendo em mente as considerações anteriores este trabalho tem como principais objetivos: 1. Compreender qual a casuística e utilidade atual da utilização da CT em oncologia, no UPVet; 2. Identificar e caracterizar as neoplasias alvo de estudo por tomografia computorizada no UPVet, no cão e no gato; 3. Caracterizar a imagem tomográfica dessas mesmas neoplasias primárias e respetivas metástases, quando aplicável; 4. Evidenciar as vantagens da utilização da tomografia computorizada para o estadiamento clínico, planeamento cirúrgico e realização de biopsias nas diferentes neoplasias, no cão e no gato.
9 II. MATERIAL E MÉTODOS 1. SELEÇÃO DOS CASOS CLÍNICOS Para este trabalho, foram selecionados estudos de tomografia computorizada para estadiamento tumoral, caracterização do tumor primário para efeitos de planeamento cirúrgico e obtenção de biopsias assistidas por CT, em cães e gatos com diversos tipos de neoplasias. Os exames foram realizados entre fevereiro de 2014 e março de 2016, no UPVet, Hospital Veterinário da Universidade do Porto (casuística própria e proveniente do Centro Hospitalar Veterinário do Porto). Apenas foram utilizados casos clínicos com confirmação histopatológica ou citológica do diagnóstico. 2. DADOS CLÍNICOS Para cada animal, foram recolhidos os dados referentes ao diagnóstico histopatológico ou citológico e localização dos tumores, espécie, raça, sexo e idade em que foram diagnosticados, motivo da realização da CT, imagens da CT e respetivo relatório e informação relativa a ecografias ou radiografias realizadas pelos mesmos motivos da tomografia computorizada, no caso de existirem. 3. ANESTESIA Foi recomendado um jejum de 12 horas antes da realização da tomografia computorizada, uma vez que os animais são submetidos a anestesia geral. Nos cães, a indução da anestesia foi feita com propofol (iv, 4mg/kg, com pré-anestesia e 6 mg/kg sem pré-anestesia), e nos gatos com dexmedetomidina (im, 20 μg/kg), ou medetomidina (im, 40 μg/kg), associada com ketamina (im, 7,5 mg/kg), em que foi administrado metade do volume e, só caso necessário, administrado volume restante. Após a indução, os animais são entubados e a manutenção realizada com anestesia inalatória com isoflurano vaporizado com oxigénio num sistema fechado, em ambas as espécies. Em alguns cães, foi feita uma pré-anestesia com diazepam (iv, 0,2 mg/kg), ou acepromazina (iv, 0,025 mg/kg), associado ou não com metadona (iv, 0,5 mg/kg ou 0,2 mg/kg em animais geriátricos ou de raças grandes). 4. EQUIPAMENTO E TÉCNICA Os exames de CT foram realizados com um aparelho de 16 cortes, LightSpeed™ Series da GE Healthcare que permite a aquisição helicoidal de imagem (figura 1 – A). A gantry encontra-se numa sala com isolamento de chumbo, para proteger o operador da radiação emitida, sendo que
10 a consola do operador está numa sala ao lado, possuindo uma janela para controlo à distância do animal e monotorização da anestesia (figura 1 – B). Os animais, devidamente anestesiados e monitorizados foram posicionados, de acordo com a região a ser estudada, com a ajuda dos lasers de posicionamento e posicionadores (figura 2). Para um correto posicionamento é importante que o lazer longitudinal se encontre na linha média do animal, para se avaliar corretamente a simetria das estruturas, principalmente na avaliação crânio-encefálica. Após o posicionamento do animal, os tubos anestésicos são fixados, de preferências, de modo a não atravessarem a gantry. Figura 2 – Posicionadores utilizados no Hospital Veterinário da Universidade do Porto. Para cada animal são adquiridas múltiplas imagens axiais, antes e após a administração de contraste iodado (iv, 370 mg/ml, 2 ml/kg), em algoritmo de reconstrução para tecidos moles, osso e pulmão, de acordo com a região a ser estudada, com reformatações sagitais e dorsais (tabela 3), recorrendo-se em alguns casos a reformatações tridimensionais. A B Figura 1 – CT LigthSpeed™ Series da GE Healthcare utilizado no Hospital Veterinário da Universidade do Porto. A – Gantry; B – Consola do operador.
11 PROTOCOLOS ESPESSURA DOS CORTES JANELA (W) / NÍVEL (L) POSICIONAMENTO CT de tórax 1 120 kVp/150-250 mA 1.25-2.5 mm Mediastino: W = 400/L = 40 Decúbito esternal com os membros torácicos posicionados cranialmente, encostados à cabeça Pulmão: W = 1500/L = -700 CT de crânio 120 kVp/100-150 mA 0.625-1.25 mm Tecidos moles: W = 400/L = 40 Decúbito esternal com os membros torácicos posicionados caudalmente, encostados à região torácica Osso = W = 2000/L = 300 CT de pescoço 120 kVp/100-150 mA 1.25-2.5 mm Tecidos moles: W = 400/L = 40 Decúbito esternal com os membros torácicos posicionados caudalmente, encostados à região torácica CT de abdómen 120 kVp/100-150 mA 1.25-2.5 mm Tecidos moles: W = 400/L = 40 Decúbito esternal com os membros torácicos posicionados caudalmente, encostados à região torácica Tabela 3 – Resumo dos protocolos de CT. Adaptada de Schwarz & Saunders, 2011 e Forrest, 2016. 1 Para estudos pulmonares é necessário a realização de hiperventilações para provocar apneia do animal para melhor avaliação as lesões pulmonar Nos casos em que foi necessário a avaliação da cavidade oral o estudo tomográfico foi realizado de boca aberta. Para avaliação gástrica dilatou-se o estômago com água, através de intubação esofágica, após a indução da anestesia (cerca de 30 ml/kg). Quando aplicável, através do estudo das imagens adquiridas foi identificada a melhor localização para obtenção de amostras, medindo-se a profundidade da lesão de forma a selecionar o comprimento da agulha a utilizar. Com a ajuda dos lasers de posicionamento, o local exato da punção é identificado e preparado cirurgicamente. A agulha deve ser inserida no plano exato do laser para recolha da amostra, sendo possível fazer uma rápida aquisição de imagens na zona de interesse após a colocação da agulha, para garantir que esta está no local correto. As imagens tomográficas obtidas foram atentamente avaliadas quanto à localização e extensão dos tumores, os seus limites, a invasão de tecidos envolventes, vascularização (pela captação de contraste) e a presença ou ausência de metástases.
12 III. RESULTADOS Neste trabalho foram avaliados 30 casos: canídeos (n=24), com idades compreendidas entre os 2 e os 14 anos (média de 10 anos) e felídeos (n=6), com idades compreendidas entre os 7 e os 13 anos (média de 7 anos). A distribuição dos animais incluídos no estudo, segundo espécie, raça e sexo está representada no gráfico 1. Gráfico 2 – Distribuição dos casos segundo a espécie, raça e sexo Na tabela 4 estão caracterizados e contabilizados os motivos pelos quais foi indicada a realização de uma CT. É de realçar que 9 animais, para os quais foi proposto inicialmente fazer um planeamento cirúrgico, não chegaram a realizar a cirurgia, por decisão dos proprietários, ou porque, após o estudo das imagens adquiridas pela CT, se verificou que o tumor já se encontrava metastizado ou apresentava características (elevada agressividade ou grandes dimensões) que inviabilizavam a realização da mesma. MOTIVO DA REALIZAÇÃO DA CT CASOS Estadiamento e Planeamento cirúrgico 8 Caracterização da lesão e estadiamento no caso de estudo compatível com neoplasia e Planeamento cirúrgico 12 Caracterização da lesão e estadiamento no caso de estudo compatível com neoplasia 2 Estadiamento pós-cirúrgico, avaliação de nova lesão e Planeamento cirúrgico 5 Estadiamento pós-cirúrgico 3 Total Geral 30 Tabela 4 – Caracterização dos motivos para a realização da CT. 0 1 2 3 4 5 6 Akita American Staffordshire Terrier Boxer Dálnata Golden retriever Labrador Retrivier Pastor Alemão SRD x Caniche x Clollie Siamês Malamute do Alasca Distribuição de casos por Espécie, Raça e Sexo Canídeo - Feminino Canídeo - Masculino Felídeo - Feminino Felídeo - Masculino
13 Na tabela 5 estão representados um total de 54 tumores, apesar do número de animais incluídos neste trabalho ser de 30. Esta discrepância deve-se ao facto de vários animais possuírem mais que um tumor. Deste modo, foi feita a distribuição dos tumores segundo a sua localização e a sua caracterização segundo o diagnóstico histopatológico ou citológico, espécie, sexo, raça e idade. Foram assinalados na mesma tabela os tumores que só efetuaram um estadiamento póscirúrgico, aqueles que não realizaram cirurgia, assim como os tumores em que a biopsia ou CAAF foi assistida por CT. Verificou-se que os tumores de pele e tecido subcutâneo são os mais comuns, e dentro destes, destacam-se, nos cães, os mastocitomas e os melanomas malignos e nos gatos o fibrossarcoma. RAÇA SEXO IdM * TOTAL CÃES 10 48 Tumores da pele e tecido subcutâneo 10 20 Carcinoma das células escamosas bem diferenciado 1 9 1 Região infra-auricular ♦ Dálmata Masculino 9 1 Fibrossarcoma 1 3 2 Cabeça ♦ x Collie Masculino 5 1 Oral SRD Masculino 1 1 Hemangiopericitoma maligno 1 10 1 MTE (região do cotovelo) Boxer Masculino 10 1 Hemangiossarcoma 1 8 1 Região lombar esquerda ♦ ♦ Boxer Masculino 8 1 Lipossarcoma 1 12 1 Flanco direito ♦ Labrador Retrivier Masculino 12 1 Mastocitoma cutâneo grau I 1 13 1 Orelha direita ♦ Labrador Retrivier Feminino 13 1 Mastocitoma cutâneo grau II 1 9 5 MPD (região coxofemoral) ♦ Labrador Retrivier Feminino 11 1 MPD (região medial) ♦ Boxer Masculino 6 1 MPE (região coxofemoral) ♦ Labrador Retrivier Feminino 11 1 Labrador Retrivier Masculino 10 1 MPE (região dorso lateral) Labrador Retrivier Feminino 7 1 Mastocitoma cutâneo grau III 1 11 2 MPE (região coxofemoral) ♦ Labrador Retrivier Masculino 10 1 Prepúcio American Staffordshire Terrier Masculino 11 1 Mastocitoma subcutâneo grau III 1 14 2 Região cervical ventral Labrador Retrivier Feminino 14 2 Melanoma maligno 1 10 3 MPE (região subungueal do 4º dígito) Labrador Retrivier Masculino 11 2 Oral ♦ Golden retriever Masculino 8 1
14 Sarcoma dos tecidos moles 1 9 1 MPD (articulação do tarso) ♦ SRD Masculino 9 1 Tumores do globo ocular 8 1 Melanoma maligno 1 8 1 Globo ocular direito Golden Retriever Masculino 8 1 Tumores do sistema gastrointestinal 10 2 Adenocarcinoma gástrico do tipo mucinoso 1 9 1 Estômago Labrador Retrivier Masculino 9 1 Carcinoma 1 11 1 Sacos anais Akita Masculino 11 1 Tumores do sistema musculosquelético 8 4 Sarcoma sinovial 1 10 1 MPD (articulação do tarso) ♦ SRD Masculino 10 1 Sarcoma sinovial grau I 1 6 1 MPE (articulação do tarso) ♦ Labrador Retrivier Masculino 6 1 Tumor muiltilobular do osso 1 12 1 Osso frontal e temporal ♦ ♦ Labrador Retrivier Masculino 12 1 Osteossarcoma grau III 1 2 1 MPE (Fémur) ♦ Pastor Alemão Masculino 2 1 Tumores do sistema reprodutivo 11 8 Seminoma 1 10 4 Testículo direito Labrador Retrivier Masculino 10 1 Testículo esquerdo Akita Masculino 11 1 Labrador Retrivier Masculino 10 1 SRD Masculino 10 1 Tumor testicular intersticial 1 11 4 Testículo direito American Staffordshire Terrier Masculino 11 1 SRD Masculino 10 2 Testículo esquerdo American Staffordshire Terrier Masculino 11 1 Tumores do sistema respiratório 12 4 Adenocarcinoma dos seios nasais 1 12 1 Cavidade nasal e seios nasais ♦ ♦ Malamute do Alasca Masculino 12 1 Adenocarcinoma papilar pulmonar grau II 1 11 1 Lobo pulmonar direito e intermédio ♦ Boxer Masculino 11 1 Carcinoma neuroendócrino 1 11 1 Lobo pulmonar cranial direito ♦ American Staffordshire Terrier Masculino 11 1 Tumor espinocelular 2 ● 13 1 Pulmão ♦ ♦ Golden Retriever Masculino 13 1 Tumores do sistema urinário 6 1 Carcinoma de células de transição de alto grau 1 6 1 Rim ♦ SRD Feminino 6 1 Tumores endócrinos 11 1 Carcinoma sólido da tiróide com invasão vascular 1 11 1
15 Tabela 5 – Distribuição e caracterização dos tumores presentes neste trabalho. * Idade média em anos 1 Diagnóstico histopatológico; 2 Diagnóstico citológico ♦ CT pós cirurgia; ♦ Não foi realizada cirurgia; ♦ Biopsia ou CAAF assistida por CT ● Citologia compatível com neoplasia pulmonar. A diferenciação escamosa sugeriu a presença de tumor espinocelular. ● A citologia sugere a presença de neoplasia neuroendócrina, mas a origem não pôde ser definida. Quemodectoma do corpo da aorta ou outras neoplasias primárias ou metastáticas devem ser consideradas. ● Fibrossarcoma induzido por gossipiboma Além da CT foram realizados, em alguns casos, ecografias e radiografias. Nas tabelas 6 e 7 foram contabilizados os estudos efetuados e caracterizado o motivo para a realização dos mesmos. Tiróide American Staffordshire Terrier Masculino 11 1 Tumores mamários 11 6 Adenoma Simples da glândula mamária 1 11 5 M3 esquerda ♦ x Caniche Feminino 11 1 M4 direita ♦ x Caniche Feminino 11 1 M4 esquerda ♦ x Caniche Feminino 11 1 M5 direita ♦ x Caniche Feminino 11 1 M5 esquerda ♦ x Caniche Feminino 11 1 Carcinoma sólido da glândula mamária Grau III 1 13 1 M5 direita ♦ x Caniche Feminino 13 1 Tumores neuroendócrinos 8 1 Tumor neuroendócrino 2 ● 8 1 Bifurcação da aorta abdominal SRD Masculino 8 1 GATOS 10 6 Tumores da pele e tecido subcutâneo 11 3 Carcinoma das células escamosas 1 13 1 Região palpebral e peri-ocular direita SRD Feminino 13 1 Fibrossarcoma 1 10 2 Região escapular direita ♦ Siamês Masculino 7 1 Região interescapular Siamês Masculino 13 1 Tumores do sistema gastrointestinal 9 2 Adenocarcinoma 1 12 1 Região ileocecal SRD Masculino 12 1 Fibrossarcoma Grau I 1 ● 5 1 Intestino SRD Feminino 5 1 Tumores do sistema respiratório 8 1 8 1 Linfoma nasal 8 1 Cavidade nasal e nasofaringe ♦ SRD Feminino 8 1 TOTAL GERAL 10 54
16 INDICAÇÕES PARA REALIZAÇÃO DE ECOGRAFIAS CASOS Caracterização da lesão e estadiamento no caso de estudo compatível com neoplasia 4 Caracterização pré-cirúrgica da lesão e estadiamento pós-cirúrgico 1 Caracterização de lesão 1 Estadiamento pós-cirúrgico 4 Estadiamento pré-cirúrgico 1 Estadiamento pré cirúrgico e pós cirúrgico 1 Sem exame 18 Total Geral 30 Tabela 6 – Caracterização dos motivos para a realização de ecografia abdominal INDICAÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DE RADIOGRAFIAS CASOS Caracterização de lesão 6 Caracterização da lesão e acompanhamento pós-cirúrgico 1 Estadiamento torácico 3 Sem exame 20 Total Geral 30 Tabela 7 – Caracterização dos motivos para a realização de radiografia Na tabela 8 estão representados os casos presentes neste estudo, segundo o motivo da realização da CT, onde pode ser consultada a caracterização do animal, qual o diagnóstico histopatológico ou citológico definitivo, qual a região avaliada na CT, se foram detetadas evidências de metastização e se o animal realizou radiografias ou ecografias, como diagnóstico complementar, além da CT. Nº INFORMAÇÃO DO ANIMAL DIAGNÓSTICO DEFINITIVO REGIÃO AVALIADA NA CT METÁSTASES RX US Estadiamento e Planeamento cirúrgico Cães 1 x Collie, macho, 5 anos Fibrossarcoma na região lateral direita da cabeça com invasão da cavidade oral Cabeça Tórax Suspeita de metastização pulmonar Não Não 2 SRD, macho, 1 ano Fibrossarcoma oral caudal ao carniceiro do lado direito Cabeça Tórax Sem evidência Não Não
23 aparecimento de pequenos nódulos circulares (cerca de 5 mm) no estudo contrastado; testículo esquerdo heterogéneo com lesão hipodensa bem definida e delimitada, com cerca de 17,2x19,7 mm, no maior diâmetro, e com fraca captação de contraste; testículo direito heterogéneo, com nódulos com forte captação de contraste e presença de uma neoplasia pulmonar, no lobo cranial direito. O animal seguiu para cirurgia onde realizou a excisão do tumor da tiroide, lobectomia apical direita, excisão do mastocitoma e orquiectomia. O material recolhido na cirurgia foi enviado para análise histopatológica sendo possível o diagnóstico definitivo de mastocitoma de grau III com invasão vascular no prepúcio, tumor testicular intersticial bilateral, carcinoma sólido da tiroide com invasão vascular e carcinoma pulmonar neuroendócrino. No caso 7, o animal realizou uma radiografia abdominal ventro-dorsal e ecografia abdominal para caracterização de lesão abdominal. Na ecografia foi observado, no piloro, um espessamento da parede não uniforme. Posteriormente, foram realizadas biopsias intestinais, de fígado e de pâncreas por laparotomia exploratória, tendo sido feito o diagnóstico de adenocarcinoma papilar intestinal com invasão vascular e suspeita de metastização ganglionar, sendo que o fígado e o pâncreas não mostraram alterações neoplásicas. Foi realizada uma CT para estadiamento e planeamento cirúrgico, onde se observou mestastização pulmonar, que não foi confirmada por citologia ou lavagem traqueal. O animal foi para cirurgia, realizando uma enterectomia para remoção do tumor, com a perspetiva de lhe aumentar a esperança média de vida, após o mau prognóstico. A avaliação histopatológica do material enviado, após a cirurgia, confirmou a metastização ganglionar regional e mesentérica. No caso 8, foi diagnosticado um carcinoma das células escamosas na região palpebral e periocular, sendo realizada CT para avaliação das estruturas envolventes para planeamento cirúrgico. O estudo tomográfico permitiu verificar que o globo ocular não estava afetado, sendo que o animal foi remetido para cirurgia, realizando exérese cirúrgica do tumor palpebral com encerramento por FLAP. Nos casos 9 a 21, a tomografia computorizada foi realizada para caracterização da lesão, estadiamento clínico, embora ainda não houvesse confirmação do diagnóstico de neoplasia, e planeamento cirúrgico. Contudo os animais dos casos 9, 11, 12, 14, 17 e 18 não realizaram cirurgia. No caso 9, o animal foi presente a consulta com vómitos crónicos com três meses de evolução e caquexia, tendo sido realizadas ecografia e radiografia abdominal para caracterizar uma possível lesão nesta cavidade. A ecografia revelou um espessamento difuso severo da parede gástrica, pelo que foi realizada uma CT para avaliação da lesão e planeamento cirúrgico, sendo que esta revelou um espessamento severo e irregular da parede gástrica, limites mal definidos e captação de contraste de forma heterogénea. Posteriormente, foi realizada uma biopsia gástrica, por laparotomia exploratória, que demonstrou o caracter infiltrativo e maligno da lesão
24 (adenocarcinoma gástrico). O animal não foi submetido a cirurgia devido ao estado debilitado que já se encontrava e ao mau prognóstico. No caso 10, foi detetada uma massa perianal no exame físico, sendo o animal encaminhado para CT. O estudo tomográfico revelou uma massa perianal do lado direito com captação de contraste heterogénea e limites mal definidos, o testículo esquerdo estava aumentado e com captação homogénea de contraste e não foram observadas evidências de metastização. O animal foi referido para cirurgia, tendo realizado excisão cirúrgica do tumor perianal e orquiectomia. O material recolhido na cirurgia foi enviado para análise histopatológica, sendo feito o diagnóstico definitivo de carcinoma dos saco anal e seminoma no testículo esquerdo. Posteriormente, quatro meses depois, realizou uma ecografia abdominal para acompanhamento, continuando sem apresentar sinais de metastização. No caso 11, o animal foi encaminhado par CT para caracterização de uma massa infra-auricular direita, onde se observou uma massa bem encapsulada, com cerca de 5,5 cm de diâmetro, com captação heterogénea de contraste e mineralização do canal horizontal. Posteriormente, foi realizada biopsia da massa que permitiu o diagnóstico definitivo de carcinoma das células escamosas bem diferenciado. O animal não realizou cirurgia. No caso 12, o animal realizou a CT para avaliar uma tumefação do calvário e uma massa subcutânea no flanco direito, avaliada previamente por ecografia. Nesta, foi possível identificar uma massa abdominal de origem indeterminada com projeção muscular e limites mal definidos. Foram realizadas, posteriormente, citologias que não permitiram o diagnóstico. No estudo tomográfico, a nível do calvário, na região frontal e temporal, observou-se uma tumefação hiperdensa, com uma componente mista osteoproliferativa, apresentando reação perióstica que se estendia aos músculos temporais e esclerose exuberante do osso frontal, e osteolítica, observando-se osteólise da placa cribiforme e extensão de lesão para o interior do calvário, rostralmente pela placa cribiforme e também dorsalmente, havendo compressão dos hemisférios cerebrais (figura 4). A nível abdominal, observou-se uma massa extensa, com 182x159x166 mm (alt x esp x comp) nas maiores dimensões, que ocupava o abdómen cranial direito, com limites muito irregulares e localmente agressiva, atravessando a parede abdominal dorsal, aparecendo com uma componente subcutânea, adjacente à musculatura epaxial entre a T13 e L3. Adjacente a L3 os limites da massa e da musculatura epaxial eram indefinidos, podendo haver aderências/invasão muscular. A massa era heterogénea, com regiões hiperdensas e hipodensas, com alguma captação heterogénea de meio de contraste e forte captação periférica. A sua expressão intra-abdominal fez-se sentir como lesão ocupadora de espaço, havendo forte compressão da veia cava caudal, sem se observar, contudo, invasão dos grandes vasos, estando estes com preenchimento homogéneo do seu lúmen. A massa estava contígua ao rim direito, comprimindo-o e aparentemente invadindo-o, na região do córtex, caudo-lateral, verificando-se aqui estrias hiperdensas no peritoneu, o que sugere agressividade local nesta região. Não se
25 observaram alterações nos restantes órgãos, nem metastização ganglionar. Foi realizada biopsia assistida por TC da tumefação do calvário e biopsia da massa do flanco, que possibilitou o diagnóstico definitivo de lipossarcoma no flanco direito e tumor multilobular do osso frontal e temporal. No caso 13, o animal realizou uma CT devido a suspeita de neoplasia óssea no estudo radiográfico, tendo sido possível observar uma lesão do fémur distal com uma componente osteolítica e osteoproliferativa e presença de uma massa com densidade tecidos moles na mesma região e limites mal definidos, havendo captação de contraste na região intramedular e extracortical. A citologia assistida por CT permitiu o diagnóstico de osteossarcoma e a B A C D Figura 4 – Caso 12 – A reformatação tridimensional. Lesão osteoproliferativa e osteolítica na região frontal e temporal do calvário. B – Reformatação sagital, em janela de osso. C e D – Imagens axiais, em janela de osso, da região frontal e temporal respetivamente. Nas imagens é possível observar-se uma tumefação hiperdensa e lesão osteoproliferativa e osteolítica na região frontal e temporal do calvário. Verifica-se osteólise da placa cribiforme (seta azul) e extensão de lesão para o interior do calvário, havendo compressão dos hemisférios cerebrais (setas amarelas). Imagens gentilmente cedidas pelo UPVet.
26 histopatologia após a amputação do MPE confirmou o diagnóstico, sendo classificado como grau III e acrescentado a informação de ausência de metastização do gânglio poplíteo. No caso 14, o animal foi encaminhado para CT devido a uma massa na região lombar esquerda. O estudo da imagem tomográfica revelou uma massa subcutânea extensa, desde L1 a L7, hiperdensa com afeção do panículo adiposo e captação heterogénea de contraste. Foi realizada citologia assistida por CT, que não tinha material suficiente para diagnóstico. O animal não realizou cirurgia. Foram enviadas amostras, recolhidas durante a necrópsia, de pulmão, da massa cutânea e de gânglios regionais, que permitiram o diagnóstico de hemangiossarcoma e processo inflamatório piogranulomatoso sético cutâneo com possível embolização pulmonar e gânglios linfáticos reativos. No caso 15, o animal realizou a CT para caracterização de lesão pulmonar visualizada na radiografia torácica, que permitiu observar que a lesão apresentava limites bem definidos e se encontrava no lobo pulmonar cranial direito e médio, sendo possível planear a cirurgia de modo a realizar-se apenas lobectomias desses mesmos lobos (figura 5). Neste caso foi realizada citologia pulmonar assistida por CT. O animal realizou uma lobectomia do lobo pulmonar cranial direito e médio, assim como excisão do gânglio linfático traqueobrônquico que, após avaliação histopatológica do material enviado, permitiu o diagnóstico definitivo de adenocarcinoma papilar pulmonar de grau II sem sinais de metastização ganglionar. Posteriormente (um, três, quatro e cinco meses após a cirurgia), foram realizadas radiografias torácicas para acompanhamento, sendo que nas dos 5 meses apresentou um derrame pleural severo. Os casos 16 e 17 foram presentes ao estudo tomográfico devido a tumefação nas articulações da articulação do tarso do MPE e do MPD, respetivamente. Sendo que o primeiro tinha realizado radiografias do membro, onde se detetou a lesão. Em ambos na CT foi possível observar uma massa heterogénea lobular, com atenuação tecidos moles, na região do tarso com lesões osteolíticas e com captação heterogénea de contraste, sendo realizada biopsia assistida por CT, que permitiu o diagnóstico de sarcoma sinovial. No primeiro caso pode-se, ainda, observar captação heterogénea de contraste em ambos os testículos, assim como da próstata, que se encontrava aumentada. Foi realizada amputação do membro afetado e orquiectomia, no caso 16. No caso 18, o animal realizou uma CT para avaliação de uma massa na região escapular direita. Foi possível observar-se a presença de uma massa subcutânea infiltrativa irregular na região escapular direita e parte da axila do mesmo lado, afetando o músculo supra-escapular e trapézio. O pulmão não evidenciou sinais de metastização, no entanto, o baço encontrava-se heterogéneo e o gânglio ilíaco esquerdo aumentado, havendo suspeita de metastização. Foi recomendada excisão cirúrgica, sendo necessário, para tal, amputação do membro. O diagnóstico definitivo de fibrossarcoma foi realizado por biopsia posterior à CT. O animal não realizou cirurgia por opção dos proprietários.
27 No caso 19, foi realizada uma CT para avaliação de uma massa na região interescapular, onde foi possível observar a presença de uma massa com captação heterogénea de contraste e limites mal definidos. O animal efetuou cirurgia de excisão da massa, a qual foi enviada para a histopatologia, permitindo o diagnóstico definitivo fibrossarcoma. Relativamente ao caso 20 foram realizadas radiografias abdominais e ecografia abdominal para caracterizar a lesão, sendo que nas primeiras se observou a presença de uma massa abdominal heterogénea com focos radiopacos, e na ecografia abdominal uma massa abdominal de grandes Figura 5 – Caso 15 – A – Radiografia latero-lateral de tórax. B – Radiografia ventrodorsal do tórax. Nas radiografias é possível observar-se um padrão pulmonar broncointersticial difuso e uma massa pulmonar de grandes dimensões (6x6x10 cm), localizada no lobo médio, com limites bem definidos, densidade liquido/tecidos moles e que desloca ventralmente e para o lado esquerdo a silhueta cardíaca e a traqueia. Padrão pulmonar broncointersticial difuso. C – Imagem axial, em janela de pulmão. B – Reformatação dorsal, em janela de pulmão. Nas imagens de CT (C e D) é possível observar-se uma massa heterogénea no lobo cranial e médio direito com limites bem definidos e deslocação da silhueta cardíaca para a esquerda. Imagens gentilmente cedidas pelo UPVet. A B C D
28 dimensões. Posteriormente, foi realizada CT para melhor caracterização da lesão, visualizandose uma massa/divertículo no íleo/válvula ileocecal com retenção de conteúdo fecal e gânglios regionais normais. Foi realizada uma enterectomia para remoção da massa intestinal e verificouse a existência de uma compressa no seu interior. A análise histopatológica da lesão permitiu concluir que se tratava de um fibrossarcoma eventualmente induzido por um gossipiboma. Cerca de 2 meses depois foi realizada nova ecografia para estadiamento, que se mostrou negativa para a presença de metástases. Nos casos 21 e 22, a CT foi realizada para caracterização da lesão e estadiamento, no caso de estudo compatível com neoplasia. No caso 21, o animal foi encaminhado para CT devido a um edema da hemiface direita, com cerca de um mês e meio de evolução, com exoftalmia ligeira e glaucoma. A ecografia ocular foi sugestiva de neoplasia, granuloma ou inflamação da orbita direita. Na CT observou-se uma lesão ocupadora de espaço, hiperatenuante, na região caudal da narina direita, com densidade de tecidos moles e captação de contraste. Os limites eram pouco definidos com invasão dos tecidos contíguos, provocando osteólise desde o osso frontal adjacente à órbita e do processo zigomático do osso frontal até ao limite cranial na região do 3º dente pré-molar, onde se observava osteólise do osso nasal direito. Apesar de estar maioritariamente na cavidade nasal direita, a lesão estendia-se à órbita, contudo não invadia o globo ocular (figura 6). Deste modo, o estudo era sugestivo de uma lesão neoplásica. Não se observarm evidências de metastização dos gânglios regionais, nem do pulmão ou órgãos abdominais. Foi realizada citologia assistida por CT que permitiu o diagnóstico definitivo de adenocarcinoma dos seios nasais. Relativamente ao caso 22, na CT, observou-se uma opacificação moderada bilateral da região rostral das narinas, com densidade tecidos moles/fluido com captação de contraste. Verificou-se osteólise ligeira do osso palatino e vómer, com extensão da lesão para o meato nasofaríngeo. Os turbinados nasais, de ambos os lados, apresentavam moderada destruição, e os etmoturbinados esquerdos encontravam-se ligeiramente destruídos, na porção rostral, o que sugeria que o epicentro da lesão seria na região dos maxiloturbinados. O septo nasal encontravase ligeiramente deformado, com desvio discreto para a esquerda e, rostralmente, apresentava uma ligeira osteólise. Apenas uma pequena porção do seio frontal esquerdo estava opacificado por tecido mole/fluido. Ambas as bolhas timpânicas estavam ocupadas por material, com densidades de tecido mole/fluido, com pouca captação de contraste, sendo sugestivo de exsudado. Os gânglios retrofaríngeos captaram contraste de forma heterogénea e estavam aumentados, enquanto que os gânglios mandibulares estavam pequenos e captaram contraste de forma homogénea. Foram enviados para citologia esfregaços obtidos por raspagem e punção de agulha fina da lesão, que permitiram o diagnóstico de linfoma nasal, no entanto não foram retiradas amostras dos gânglios.
29 Nos casos 23 a 27, a CT foi realizada para estadiamento pós-cirúrgico, avaliação de nova lesão e planeamento cirúrgico. No caso 23, o animal tinha história anterior de mastocitomas, há dois anos, de grau II na região coxofemoral esquerda e direita, os quais foram removidos. Nessa altura realizou estadiamento com radiografias torácicas, ecografia abdominal e citologias de medula óssea, fígado, baço, gânglio poplíteo, e buffy coat, não havendo evidências de metastização, iniciando quimioterapia um mês e meio depois. As citologias foram repetidas aos quatro, oito e doze meses de tratamento, continuando sem haver sinais de metastização. sete meses, após o término do tratamento quimioterápico, apareceu novo mastocitoma de grau I, na cabeça, que foi removido. Um ano depois apareceram dois mastocitomas, previamente diagnosticados por citologia, na região cervical ventral, tendo sido pedida CT para estadiamento e planeamento cirúrgico. Relativamente ao caso 24, o animal tinha história de mastocitoma de grau II, há quatro anos, e realizou a CT para estadiamento de hemangiopericitoma na região do cotovelo do MTE. O C A B Figura 6 – Caso 21 – A – Imagem axial, em algoritmo tecidos moles. B – Reformatação dorsal, em janela de tecidos moles. C – Reformatação sagital, em janela de tecidos moles. Observa-se uma lesão ocupadora de espaço na região caudal da narina direita, com densidade de tecidos moles e limites mal definidos. Verifica-se e invasão dos tecidos contíguos e osteólise do osso frontal adjacente à órbita (seta azul), do osso frontal (seta amarela) e do osso nasal direito. Imagens gentilmente cedidas pelo UPVet.
30 nódulo, previamente identificado, era bem delimitado e regular, com exceção do seu limite mais profundo, onde tocava o músculo tricípe, com captação homogénea de contraste. A nível pulmonar não se verificou a evidência de metástases. O animal realizou cirurgia para excisão da neoplasia. Posteriormente, quatro meses depois, realizou ecografia abdominal onde se observou baço heterogéneo com massa no bordo cranial, com cerca de 3 cm de diâmetro, e ecogenecidade mista, e radiografias torácicas sem alterações. No caso 25, o animal foi referido para CT devido ao aparecimento de uma lesão subungueal do 4º dígito do MPE, tendo história anterior de mastocitoma grau I e II com estadiamento realizado por ecografia, onde não se visualizaram alterações. Na CT observou-se tumefação de tecidos moles da extremidade do 4º dígito do membro pélvico esquerdo, com envolvimento ósseo, osteólise do leito ungueal e terceira falange desse dígito, assim como na região da articulação da segunda falange com a terceira falange. Deste modo, a lesão do dígito foi compatível com neoplasia localmente agressiva. O gânglio poplíteo, do lado epsilateral, estava pequeno e apresentou captação homogénea de contraste, com características imagiológicas normais. No entanto, os gânglios ilíacos mediais, estavam aumentados, podendo ser reflexo de hiperplasia reativa ou estarem relacionados com neoplasia do dígito, assim como os nódulos esplénicos encontrados. A nível pulmonar, não se observaram alterações. A glândula adrenal esquerda estava aumentada, sendo as características imagiológicas compatíveis com um tumor benigno. Para esclarecimento da natureza das alterações dos gânglios ilíacos e esplénicos, foram realizadas citologias aspirativas, guiadas por ecografia, que não tinham evidências de metastização. Foi realizada cirurgia para amputação do digito, que após avaliação histopatológica permitiu o diagnóstico de melanoma subungueal maligno. No caso 26, há cerca de três anos e meio, foram diagnosticados adenomas simples da glândula mamária em M3, M4 e M5 esquerdas e M4 e M5 direitas, sendo que o animal realizou mastectomia radical esquerda e regional de M4 e M5 direita. Na ecografia realizada antes da cirurgia não se verificaram alterações. Passados dois anos, foi diagnosticado um carcinoma sólido da glândula mamária de grau III, que foi excisado cirurgicamente. Foram realizadas radiografias torácicas e ecografia abdominal, um mês depois, que não evidenciaram sinais de metástases. Cerca de quatro meses depois, foi realizada uma nova avaliação, e a ecografia abdominal permitiu identificar um aumento dos gânglios ilíacos mediais, sendo que o animal voltou quatro meses depois e se detetou, por palpação rectal, uma massa na parede lombar ventral. Seis meses depois, foi realizada uma CT para caracterização da massa. Assim, no estudo tomográfico foi possível observar-se uma massa de origem indeterminada no abdómen caudal dorsal, justaposta à musculatura abaxial lombar, podendo ter origem no gânglio ilíaco medial, com forte compressão da veia cava caudal. A massa era heterogénea, com captação de contraste e expansiva, com dimensões de 67,5x51,3x40,1 (comprimento x altura x espessura).
31 Foram detetadas também alterações vaginais e do corno uterino. Neste caso, foi realizada citologia da massa, assistida por CT, no entanto não foi possível obter um diagnóstico definitivo. O animal, apresentado no caso 27, tinha história anterior de melanoma ocular maligno no olho direito e foi encaminhado para CT por apresentar síndrome de Horner. Ao estudo tomográfico observou-se uma massa de densidades heterogéneas com limites bem definidos no lobo cranial esquerdo, e aparentemente limitada a este, com densidades heterogéneas. A massa, cranialmente, ocupava praticamente a totalidade do lobo, nomeadamente em altura, chegando até ao teto da cavidade torácica, na região de T1-T3, podendo, deste modo, ser responsável pela síndrome de Horner. Junto ao lobo caudal esquerdo, observou-se algum grau de atelectasia pulmonar, no entanto não parecia haver invasão do mesmo. Os gânglios linfáticos esternais e mediastínicos apresentaram-se normais, no entanto, seria necessário considerar o seu envolvimento. Foi realizada citologia aspirativa da lesão pulmonar, assistida por CT, o que permitiu o diagnóstico de tumor espinocelular pulmonar. O animal não realizou cirurgia por decisão dos proprietários. Nos casos 28 a 30, os animais foram presentes ao estudo tomográfico para estadiamento póscirúrgico. No caso 28, o animal realizou uma nefrotomia do rim direito, no qual, após avaliação histopatológica, foi diagnosticado um carcinoma de células de transição de alto grau. Antes da cirurgia foram realizadas radiografias torácicas e ecografia abdominal como exames complementares. A CT foi realizada cerca de um mês após a cirurgia, sendo possível observar evidências de metastização pulmonar, a qual não tinha sido detetada na radiografia torácica, e uma estrutura abdominal compatível com uma dilatação do ureter direito, devido a refluxo da urina; no entanto, não foi possível descartar que esta se tenha devido a uma lesão neoplásica. No caso 29, o animal tinha realizado uma cirurgia para excisão de um melanoma oral ao nível do 2º pré-molar mandibular direito. O estudo tomográfico foi realizado cerca de uma semana após o resultado histopatológico, e não evidenciou sinais de metastização. No caso 30, o animal foi referido para estudo tomográfico após amputação do MPD, devido a sarcoma dos tecidos moles na região do tarso. No estudo das imagens da CT observaram-se múltiplos nódulos hiperdensos ao longo dos lobos pulmonares, de limites irregulares, no interstício pulmonar e uma região compatível com atelectasia no lobo caudal direito. A nível abdominal verificou-se um aumento acentuado do gânglio ilíaco medial direito, apresentando-se hipodenso e com captação periférica de contraste. Na cavidade pélvica observou-se uma massa de limites pouco definidos, com reação peritoneal (estrias hipodensas), com cerca de 5 cm no corte longitudinal e 2 cm em corte transversal. Não foi possível obter informações sobre a recolha de amostras para confirmação de metastização por histopatologia ou citologia, uma vez que o animal apenas foi referido para realização da CT.
32 IV. DISCUSSÃO Neste trabalho foram descritos 30 casos, 12 dos quais foram selecionados dentro dos 19 observados nas 16 semanas de estágio. Assim, 6 não foram incluídos devido à dificuldade de recolha de informação da história clínica. Os restantes 18 casos aqui caracterizados foram recolhidos através do estudo dos processos clínicos dos animais entre fevereiro de 2014 e outubro de 2015, contudo é necessário ter em atenção que este número não é representativo do total de casos que foram presentes ao estudo tomográfico para estadiamento clinico, nesse período, uma vez que não foi possível identificar todos os animais. Deste modo, tendo em conta que em 16 semanas foram presentes ao estudo tomográfico 19 casos para estadiamento e planeamento cirúrgico, podemos verificar um aumento da utilização da CT em casos oncológicos. Com a elaboração deste trabalho pôde-se verificar algumas vantagens da utilização da CT nos casos oncológicos: 1. No diagnóstico e estadiamento – Com o estudo tomográfico, em alguns casos, foi possível fazer uma caracterização da lesão, avaliando se as alterações imagiológicas eram compatíveis com lesões neoplásicas e desta forma pôde-se realizar o estadiamento, durante o mesmo estudo, e aconselhar a colheita de amostras de determinada região ou órgão; foi possível avaliar a extensão dos tumores e as suas características, como vascularização e agressividade (através da avaliação da infiltração dos tecidos envolventes); pôde-se, ainda, verificar se havia evidências de metástases; 2. Planeamento cirúrgico – Com o estadiamento pré-cirúrgico foi possível planear o procedimento cirúrgico a realizar, como nos casos de tumores nos membros, em que permitiu optar-se por amputação total do membro ou apenas de um dígito, de acordo com a avaliação imagiológica da neoplasia; ou no caso de neoplasia pulmonar, permitindo verificar quais os lobos pulmonares afetados procedendo-se à lobectomia dos mesmos; noutros casos o estudo tomográfico inviabilizou a cirurgia devido à extensão dos tumores ou às características infiltrativas dos mesmos, não havendo margem cirúrgica para excisão, ou levando a um pós-operatório complicado, para os quais os proprietários não estavam preparados; 3. Recolha de amostras – A CT revelou-se de grande utilidade na realização de biopsias ou citologias aspirativas por agulha fina (em 11 casos foram recolhidas amostras assistidas por CT), principalmente na recolha de amostras de lesões pulmonares, que de outra forma seriam complicadas, e na recolha de lesões neoplásicas nos membros, ósseas e de articulações.