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Obesidade, actividade física e percepção da imagem corporal na adolescência

Tânia Oliveira

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! Oliveira, T. (2008). Obesidade, Actividade Física e Percepção da Imagem Corporal na Adolescência. Porto: T. Oliveira. Dissertação de Licenciatura apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Palavras-chave: OBESIDADE, CORPO, PERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL, ACTIVIDADE FÍSICA ! III AGRADECIMENTOS À minha orientadora, Professora Doutora Maria Paula Santos pela ajuda, paciência e disponibilidade demonstrada. À Professora Doutora Maria Olga Vasconcelos, que mesmo não sendo minha orientadora, demonstrou disponibilidade e auxílio, sendo essencial no esclarecimento de dúvidas. À Rosinha, que demonstrou grande disponibilidade, auxílio esse imprescindível para a realização deste estudo. Aos adolescentes inquiridos, pois sem eles este estudo não teria sido possível. Às minhas amigas por estes 5 anos de profundo companheirismo, amizade, compreensão e boa disposição. Sobretudo por todos os bons momentos passados neste percurso académico, os quais nunca esquecerei e recordarei com imensa saudade. Aos meus pais, com especial carinho, pelo apoio transmitido ao longo de toda a minha vida, pelo amor e afecto, e por todos os valores que me transmitiram, os quais me permitiram ser quem sou. À minha irmã, pelo acompanhamento permanente e por estar presente em todos os momentos da minha vida. Ao meu avô pelos bons momentos passados... Ao Nuno por ter estado sempre ao meu lado, nos bons e maus momentos, sem nunca me ter deixado desistir. Por todo o seu amor, paciência e compreensão,..., simplesmente por existir. ! "#! ! V ÍNDICE GERAL AGRADECIMENTOS III ÍNDICE DE GERAL V ÍNDICE DE FIGURAS VII ÍNDICE DE QUADROS IX RESUMO XI ABSTRACT XIII LISTA DE ABREVIATURAS XV 1. INTRODUÇÃO 1 2. REVISÃO LITERATURA 7 2.1 Obesidade 9 2.1.1 Definição e caracterização 9 2.1.2 Prevalência da Obesidade 12 2.1.3 Etiologia da Obesidade 13 2.1.4 Consequências da Obesidade 17 2.1.5 Estratégias de Prevenção e Tratamento da Obesidade 18 2.2 Educação para a Saúde na Escola 22 2.3 O Corpo 26 2.3.1 O Corpo na sociedade actual 26 2.4 Imagem Corporal 28 2.4.1 Percepção da Imagem Corporal 28 2.5 Actividade Física 34 2.5.1 Relação entre Actividade e IMC 35 2.5.2 Benefícios da Actividade Física 36 2.5.3 Recomendações para a prescrição de Actividade Física 37 ! #"! 2.5.4 Recomendações para a promoção de Actividade Física 42 3. OBJECTIVOS E HIPÓTESES 47 3.1 Objectivo Geral 49 3.1.1 Objectivos Específicos 49 3.2 Hipóteses 49 4. MATERIAL E MÉTODOS 51 4.1 Descrição e Caracterização da Amostra 53 4.2 Procedimentos Metodológicos 53 4.2.1 Avaliação por questionário, das Modalidades Preferidas 53 4.2.2 Avaliação do Índice de Massa Corporal 54 4.2.3 Avaliação, por questionário, da Percepção da Imagem Corporal 54 4.3 Procedimentos Estatísticos 56 4.3.1 Estatística Descritiva 56 4.3.2 Estatística Inferencial 56 5. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 57 5.1 Modalidades Desportivas Preferidas 59 5.2 Percepção da Imagem Corporal 70 6. CONCLUSÕES 77 7. BIBLIOGRAFIA 81 8. ANEXOS 99 8.1 Anexo 1 101 8.2 Anexo 2 103 ! VII ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1. Tríade epidemiológica aplicada à obesidade. Traduzido de Swinburn e Egger (2002). 15 Figura 2 – Frequências das Modalidades seleccionadas, por sexo. 59 Figura 3 – Frequências das Modalidades seleccionadas, segundo o IMC. 62 Figura 4 – Opções dos adolescentes quanto à preferência por desporto competitivo ou não competitivo, em função do sexo. 65 Figura 5 – Local de prática eleito pelos adolescentes, em função do sexo. 67 ! $"#! ! XV LISTA DE ABREVIATURAS OMS – Organização Mundial de Saúde ACSM – American College of Sports Medicine BIQ - Body-Image Questionnaire INTRODUÇÃO ! INTRODUÇÃO ! 3 1. INTRODUÇÃO A obesidade tem-se traduzido num problema de saúde pública e um dos infortúnios da nossa civilização, sendo definida como uma condição anormal de excesso de gordura acumulada no tecido adiposo, que coloca em perigo a saúde (Organização Mundial da Saúde [OMS], 2000). A prevalência da obesidade em todas as faixas etárias é entendida, pela OMS, como um problema sério, descrevendo-a como uma “epidemia global” (British Medical Association, 2005). A etiologia da obesidade é multifactorial, pois envolve agentes como o comportamento alimentar, mecanismos de armazenamento de gordura, balanço de energia, assim como influências genéticas, fisiológicas, ambientais e medicamentosas (Baranowski et al., 2000). O excesso de massa gorda está associado a múltiplos factores, como a má nutrição, ausência de actividade física, factores genéticos e metabólicos, e pelo desequilíbrio do balanço energético (Hill & Melanson, 1999). A obesidade deve ser por si só encarada como uma doença, que predispõe outras doenças (Barata, 1997). A obesidade é um factor de risco para doenças crónicas como a hipertensão, dislipidemia, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipercolesterolemia, apneia de sono, cálculos biliares e desordens musculo-esqueléticas (Rossner, 2002). Na obesidade infantil e na adolescência, as principais sequelas são a hipertensão, a dislipidemia, dores nas costas e problemas psicossociais (Kiess et al., 2001). É necessário identificar os factores de risco, para que se actue na prevenção da obesidade (Dietz, 1995), devendo posteriormente subsistir uma abordagem integrada, que envolva acções em todos os sectores da sociedade, uma vez que este deve ser encarado como um problema da população (OMS, 2000). A adolescência representa uma etapa importante para o controlo e para a prevenção da acumulação excessiva de gordura corporal, impedindo o surgimento e desenvolvimento da obesidade através do controlo alimentar e do comportamento físico activo (Dietz, 1994). A prevenção da obesidade deve iniciar-se em idades jovens, focalizando-se no encorajamento para a INTRODUÇÃO ! 4 adopção de dietas saudáveis, e na promoção de um estilo de vida não sedentário, encorajando a actividade física nas escolas e em ambientes extra-escolares (Rossner, 2002). Devem ser organizados programas dirigidos aos jovens, em locais como as salas de aula, que visem a educação sobre o controlo de peso (Rees, 1991). A escola é assim o local ideal para a Educação para a saúde, pelo ambiente pedagógico que contempla e pelos prestígios dos professores. Estes são trunfos importantes nesta acção educativa. Não podemos esquecer que é na infância e na adolescência que se desenvolvem com mais facilidade todas as capacidades (Santos, 1989). Além de todos os problemas de saúde física associados à obesidade, é ainda importante referir os diversos problemas sociais e psicológicos que desta advêm. Deve também existir uma preocupação pela discriminação e vitimização, a que estão sujeitas as crianças obesas (Must & Strauss, 1999). Os adolescentes são dos que mais sofrem com as pressões exercidas pela sociedade para a aquisição de um corpo socialmente aceitável. Ao longo dos tempos, o corpo tem vindo a ser entendido de forma diferenciada, sendo valorizado de acordo com os códigos culturais vigentes. Enquanto produto da biologia e da cultura, o corpo retrata com fidelidade a sociedade em que se insere (Garcia, 1997). Pertencemos a uma sociedade onde a imagem e a aparência, a beleza, a juventude e perfeição física, são fundamentais. A obesidade é uma condição que não tem lugar na actual época, podendo esta alterar a imagem dos indivíduos (Bento, 2004). O conceito de imagem corporal foi definido por Schilder (1935, cit. por Vasconcelos, 1995), que o considera como sendo a representação que formamos mentalmente do nosso próprio corpo, a forma como o vemos, podendo esta imagem ser alterada com o tempo e segundo as situações. É frequente os obesos possuírem um imagem corporal distorcida, uma depreciação da própria imagem, que resulta do facto de se sentirem inseguros em relação aos outros, imaginando que estes o vêem com hostilidade e desprezo (Correia, 2003). A actividade física deve fazer parte de um plano de prevenção e tratamento da obesidade. Sallis e Patrick (1994), sugeriram que deveria INTRODUÇÃO ! 5 haver um aumento da promoção da actividade física nas idades pediátricas de forma a prevenir os riscos de mortalidade, bem como contributo para um estilo de vida saudável, aumentando assim a probabilidade de se tornarem adultos activos. Deste modo, com o desenvolvimento de um estilo de vida activo nas crianças obesas, é possível alcançar múltiplos benefícios, actuando nos problemas físicos e psicológicos (Bouchard & Blair, 1999). A escola e os clubes são fundamentais para promoção da prática desportiva em todos os jovens (Mesquita, 2004). Para o encaminhamento dos jovens para a prática desportiva extra-escolar, devem ser tidos em consideração os gostos e motivações dos alunos (Telama & Yang, 2000). Vários estudos demonstraram que é o prazer, o bem-estar e o divertimento, mais que a melhoria da aptidão física, ou mesmo os factores estéticos, que condicionam a prática e as escolhas de participação nas actividades físicas desportivas (Mota & Sallis, 2002). A escola deve assim assumir um papel fundamental junto dos adolescentes, proporcionando oportunidade para a prática desportiva. Com este trabalho, pretende-se conhecer quais as modalidades preferidas dum grupo de adolescentes com excesso de peso e obesos, na Escola EB 2,3 de Olival. Tendo em consideração a realidade da actual sociedade, será importante perceber quais as percepções, os sentimentos e as atitudes que estes possuem do próprio corpo. Conhecidos os gostos e motivações dos alunos, bem como os sentimentos em relação ao próprio corpo, talvez seja mais acessível consciencializar os adolescentes, acerca da importância da adopção de um estilo de vida activo. ! ! ! ! REVISÃO DA LITERATURA REVISÃO DA LITERATURA ! 14 comportamento alimentar, mecanismos de armazenamento de gordura, influências genéticas, fisiológicas, ambientais e medicamentosas, sendo ainda reforçada a importância dos factores sociais por Rossner (2002). De acordo com Hill e Melanson (1999), a explicação provável para a alta prevalência de obesidade é um envolvimento que produz uma pressão constante sobre o balanço energético e que desencoraja a actividade física, referindo também que os factores ambientais serão os principais responsáveis pela doença. A obesidade é uma condição que tem complexos factores que actuam em vários níveis. Para compreender o impacto desses factores, é importante identificar níveis próximos a cada cidadão, sendo eles: factores individuais (por exemplo, consumo alimentar), interpessoal (crenças parentais e/ou conhecimentos), de organização (menus escola/almoço), e do governo/política (rotulagem dos alimentos orientações). Embora nem todos os factores possam estar relacionados com os níveis mencionados, este é um instrumento útil para o entendimento deste complexo síndrome. Este modelo implica que as intervenções deverão resultar da interacção de pelo menos dois níveis (British Medical Association, 2005). Pode ser errado atribuir como única causa da obesidade a inactividade física, uma vez que esta pode ser resultado da inapropriada energia ingerida. Assim, a obesidade resulta não apenas da inactividade física, mas também da falta de correspondência entre a energia ingerida e a dispendida (Bouchard, Shephard & Stephens, 1993). Sabe-se que o acúmulo de gordura se dá pelo balanço energético positivo, ou seja, mais energia ingerida do que gasta. Contudo existe um conjunto de razões individuais – fisiológicas, psicológicos, hormonais, sociais e ambientais (Nahas, 1999). O balanço energético que explica a obesidade tem sido incluído no “Modelo Ecológico”, explicado por Swinburn e Egger (2002). Este modelo permite identificar o papel das influências do envolvimento no balanço energético. Neste modelo o agente simboliza a via final, definida como equilíbrio de energia positiva, que leva ao ganho de peso. Os elementos deste modelo ecológico podem ser convertidos na tríada epidemiológica clássica – hospedeiro, vector e envolvimento. Esta tríada epidemiológica REVISÃO DA LITERATURA ! 15 (conforme demonstra a figura 1) é considerada como norteadora no controlo desta epidemia e nas estratégias contra o aumento do peso. Nesta tríada podemos observar (i) os vectores, que representam o gasto de energia, aparecendo como mediadora a inactividade física e todas as máquinas que diminuem o trabalho físico, bem como os alimentos e bebidas de elevado teor calórico; (ii) o hospedeiro, que inclui todos os factores relacionados com os indivíduos, incluindo os factores biológicos e metabólicos, conhecimentos, comportamentos e atitudes; por último (iii) o envolvimento que incorpora os aspectos económicos, políticos e socioculturais. Embora esta tríada englobe diferentes estratégias de intervenção, todas elas estão interligadas, sendo necessário tratar de todas em conjunto para que seja alcançado o sucesso (Swinburn & Egger, 2002). Figura 1. Tríade epidemiológica aplicada à obesidade. Traduzido de Swinburn e Egger (2002) Alguns estudos têm demonstrado que os factores genéticos desempenham um papel importante no desenvolvimento da obesidade. No entanto, a interacção da genética com factores ambientais é igualmente importante, ou seja, a susceptibilidade à obesidade é em parte determinada pelos factores genéticos, mas é necessário um ambiente obesogénico para a sua expressão fenotípica (Loos & Bouchard, 2003). Egger e Swinburn (1997), salientam a importância das influências ambientais para o desenvolvimento da obesidade. Os autores classificam o Hospedeiro Vectores Envolvimento Educação, Intervenção médica e comportamental Tecnologia ! Mudanças ao nível político e social REVISÃO DA LITERATURA ! 16 ambiente em macro, que determina a prevalência da obesidade numa população, e em micro, que aliado ao comportamento biológico e às influências comportamentais, irá determinar se um indivíduo é ou não obeso. Este ambiente influencia na quantidade e no tipo de alimentos ingeridos e na quantidade e tipo de actividade física adoptados. As influências ambientais representam o braço da saúde pública do problema da obesidade, isto é, se o macro ambiente for obsogénico então a obesidade torna-se mais prevalente e os programas, com objectivo de influenciar o comportamento individual, podem vir a ter um efeito limitado. Tem-se verificado que o problema da obesidade apenas é controlado apôs terem sido modificados os factores ambientais. O aumento da obesidade tem sido demasiado rápido para indicar os factores genéticos como causa primária. Assim, a epidemia deve reflectir sobretudo nas mudanças dos padrões alimentares e nos níveis de actividade física. Vivemos num ambiente que incentiva e promove a alta ingestão calórica (Egger & Swinburn, 1997), o que muitas vezes pode condicionar os pais de darem aos seus filhos uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável (British Medical Association, 2005). Dietz (1998), afirma que a maturação na puberdade, por si só, pode representar uma determinante biológica adicional. O estilo de vida actual, sedentário, parece ser tão importante como a dieta no desenvolvimento da obesidade (Rossner, 2002), sendo esta condição um factor de risco para o ganho de peso com a idade (Bouchard, 2000). O aumento do excesso de peso e da obesidade entre os jovens pode estar associado à diminuição da actividade física (Hill e Melanson, 1999). Um estudo de Epstein et al. (1991), revelou que crianças obesas escolheram actividades sedentárias independentemente do custo. Crianças magras e moderadamente obesas substituíram a actividade vigorosa, aumentando o sedentarismo. São vários os autores que referem a influência dos meios de comunicação social, mais concretamente da televisão, como causa da obesidade. Existe uma forte relação entre ver televisão e o índice de massa corporal, convidando esta a um estilo de vida sedentário. O aumento da REVISÃO DA LITERATURA ! 17 adiposidade tem sido em grande parte atribuído ao elevado número de horas a ver televisão e a um estilo de vida sedentário. A exposição à publicidade com comida, em especial sobre fast-food, pode influenciar as escolhas dos espectadores para comidas ricas em energia e gordura (Rossner, 2003; Treuth et al., 2001). A televisão está directamente relacionada com a obesidade infantil, não só pela inactividade física mas também pela energia consumida (Lumeng, Appugliese et al. 2006, cit. Malecka-Tendera & Mazur, 2006). Esta afirmação é reforçada pelos números que nos são apresentados em alguns estudos, que demonstram que a preferência por determinadas comidas é influenciada em 30% pela exposição aos anúncios da televisão (Wilson; Quigley; Mansoor, 1999, cit. Malecka-Tendera & Mazur, 2006). A fast-food é exposta às crianças através dos brinquedos e eventos sociais. É importante estimular hábitos alimentares saudáveis e a prática de actividade física, bem como limitar a exposição à televisão (Malecka-Tendera & Mazur, 2006). 2.1.4 Consequências da Obesidade A obesidade infantil era apenas contemplada como um problema cosmético, uma vez que os problemas de saúde apenas surgiam se esta permanece-se na idade adulta (Dietz, 2002). Contudo, entende-se que a obesidade e o estilo de vida sedentário, são dois factores de maior risco de doenças no mundo ocidental, suportando enormes custos económicos e de saúde. Ambos são reconhecidos como importantes factores de risco para doenças cardiovasculares, hipertensão e outras condições debilitadoras (Bouchard, 2000). A obesidade é um factor de risco variável das doenças cardiovasculares (Bar-Or & Barnowski, 1994), sendo que muitas das consequências cardiovasculares que caracterizam a obesidade adulta, são precedidas de anormalidades que começam na infância, como hiperlipidemia, hipertensão e tolerância anormal à glicose, que ocorre com maior frequência em crianças e adolescentes obesos (Dietz, 1998). Dietz (1995), enumera algumas das sequelas provenientes da obesidade: mudanças no crescimento, consequências psicossociais, REVISÃO DA LITERATURA ! 18 problemas ortopédicos, dificuldades respiratórias, metabolismo de glicose anormal, hipertensão, hiperlipidemia e persistência da obesidade em adulto. Outros riscos para a saúde provenientes da obesidade são, a hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, osteoartrites, cancro (útero, próstata, mama, cólon) e doenças da vesícula (Dishman, Washburn & Heath, 2004). Segundo Barata (1997), é possível classificar os inconvenientes associados à obesidade, em três grupos: malefícios clínicos, diminuição da capacidade desportiva e problemas estéticos e psíquicos. Nas consequências clínicas, são descritas variadas patologias agregadas à obesidade, entre as quais podemos destacar o maior risco à hipertensão arterial, hiperinsulinismo, insulino-resistência, diabetes tipo 2, perturbações ortopédicas, entre outras. As doenças metabólicas e as cardiovasculares estão normalmente associadas à obesidade andróide, enquanto que as ortopédicas e reumatismais são causadas pelo excesso de massa corporal total (Barata, 1997). O mesmo autor refere ainda consequências em termos estéticos e psíquicos, tendo em consideração que os ideais de beleza são sinónimo de magreza, estando associados a formas de sucesso, definidos por tendências que não se enquadram com a natureza e com os genes da grande parte dos indivíduos. Este conceito e contexto “estético”, proporciona nos jovens saudáveis um sentimento de infelicidade em relação à sua auto-imagem, conduzindo à adopção de práticas prejudiciais, sejam elas alimentares ou medicamentosas (Barata, 1997). A discriminação para com as crianças obesas começa na infância. Estas por serem mais altas que os seus pares tendem a ser vistas como mais maduras, levando à criação de expectativas inadequadas que podem ter um efeito adverso sobre a socialização (Dietz, 1998). 2.1.5 Estratégias de Prevenção e Tratamento da Obesidade A obesidade não é apenas um problema individual, trata-se de um problema da população, devendo por isso ser abordada como tal. Eficazes estratégias de prevenção e de gestão da obesidade exigem uma abordagem REVISÃO DA LITERATURA ! 19 integrada, envolvendo acções em todos os sectores da sociedade (OMS, 2000). Assim, o primeiro passo para a prevenção da obesidade deve incidir na identificação dos factores de alto risco (Dietz, 1995). Os casos de excesso de peso e de obesidade moderada, devem ser tratados com terapias comportamentais, ou seja, com a alimentação e actividade física. Em casos graves, deve haver um acompanhamento médico, de forma a serem utilizados outros recursos, como medicamentos ou até cirurgias, sendo fundamental o acompanhamento psicológico. A maioria dos casos de sobrepeso e obesidade moderada pode ser tratada com terapias comportamentais, nomeadamente, alimentação e exercício físico (Nahas, 1999). Uma estratégia eficaz para a prevenção de excesso de peso, será a promoção e incremento dos índices de actividade física diária, através de programas estruturados (Rego et al., 2004). A actividade física contribui para a perda de peso e ajuda a minimizar o ganho do mesmo, que ocorre comummente com o avanço da idade (Dishman, Washburn & Heath, 2004). É importante a actividade física regular, uma vez que a obesidade infantil, tem maior correlação com a pouca actividade física, do que com a ingestão calórica (Dubois, Hill & Beaton, 1979). A abordagem preventiva e terapêutica da obesidade, passa por múltiplas intervenções, que vai desde a família à escola, e pela acção de múltiplos profissionais, como o agente de saúde e o professor de educação física. É fundamental estimular mudanças de atitudes e proporcionar condições, sociais e materiais, para que as intervenções ao nível dos hábitos alimentares e da actividade física envolvam mudanças de comportamentos, sendo assim realizadas transformações nos estilos de vida (Sallis & Owen, 1999). Dietz (1995), salienta a importância das crianças serem acompanhadas pelos seus pediatras desde muito cedo, para que mantenham o peso certo. O aconselhamento preventivo deve incidir nos comportamentos que reduzem o gasto energético, podendo a redução de cerca de 1 a 2 horas diárias, do tempo a ver a televisão, ser uma medida de prevenção. Pretendese com esta medida, ampliar o tempo disponível em actividades que aumentem o gasto energético. REVISÃO DA LITERATURA ! 20 O exercício por si só pode ser ineficaz no tratamento da obesidade, da mesma forma que a perda de peso conseguida através do exercício não produz um declínio do gasto energético, se não for acompanhado por uma restrição alimentar (Bouchard, Shephard & Stephens, 1993). Steinbeck (2001), propõe um conjunto de estratégias que devem ser impostas para a prevenção da obesidade: (1) deve ser promovida na infância uma redução de actividades sedentárias, com especial atenção para a televisão. Para a aplicação desta estratégia devem estar envolvidos os pais assim como a escola; (2) as escolas devem promover actividades físicas e a aprendizagem de competências que permitam a sua manutenção ao longo da vida, sendo novamente crucial o apoio na escola e dos pais para a conservação de qualquer alteração; (3) é necessário ocorrer uma revisão e mudança de todo o envolvimento, de modo a permitir a que as crianças e família sejam mais activas fisicamente fora do horário escolar; (4) devem ser implementadas estratégias para aumentar a actividade física e diminuir comportamentos sedentários, quer em famílias com crianças obesas como para pais de crianças obesas. Tal aproximação requer um aumento de competências nos profissionais de saúde; (5) as estratégias deverão incluir sempre uma avaliação das ferramentas utilizadas para a avaliação da actividade física, e uma apreciação de diferenças potenciais do género. Qualquer que seja a actividade física empregue, deve ter como alicerce o divertimento, a aptidão e o bem-estar. O divertimento é um factor essencial, como ambiente, que necessita de ser alterado para as crianças, ambiente esse que deve ser divertido, emocionante e interactivo. Sallis e Patrick (1994), sugeriram que deveria haver um aumento da promoção da actividade física nas idades pediátricas de forma a prevenir os riscos de mortalidade, bem como contributo para um estilo de vida saudável, aumentando assim a probabilidade de se tornarem adultos activos. Um dos locais mais privilegiados para atingir este objectivo são as aulas de Educação Física, uma vez que são a única experiência de actividades física regular e organizada para muitas crianças (Mckenzie et al., 2004). REVISÃO DA LITERATURA ! 21 Carmo (2001, cit. por Gonçalves, 2007), afirma que a escola deve assumir a responsabilidade de levar a todos os jovens vivências de lazer. Em todos os espaços disponíveis pela escola, deverão acontecer actividades dinamizadas com o intuito de contribuir para o desenvolvimento humano. As características dos espaços de lazer, disponibilizados pelas escolas, assumem-se como uma variável estruturante no acesso ao lazer activo (Gonçalves, 2007). Embora se assista à democratização da prática desportiva, que permite que um maior número de jovens participe no desporto, observamos também a influência da televisão e do computador, que têm marcado negativamente a participação desportiva dos jovens, devendo por isso serem tomadas medidas para que se previna a proliferação desta tendência no futuro (De Knop et al., 1999). É fundamental que as instituições responsáveis pelo desenvolvimento desportivo, como a escola e os clubes, promovam a prática desportiva, e actividades que correspondam às necessidades e motivações de todos os jovens (Mesquita, 2004). Em muitas escolas está implantando o desporto escolar, que possui objectivos específicos relativos à organização, sendo um deles “Promover o combate à inactividade física e a luta contra a obesidade” (Ministério da Educação, 2007). A educação física e o desporto escolar não devem ter apenas como objectivos o desenvolvimento das competências motoras, de valores e atitudes, devem ainda assumir a função de fomentar nas crianças o gosto e o entusiasmo pela prática desportiva, assumindo-a como actividade integrante dum estilo de vida activo (Jones & Cheetham, 2001). Na opinião de Marques (1999), a escola deve ser parceira do clube, no sentido de proporcionar a formação desportiva pedagógica e motora dos jovens, conseguida através da formação pedagógica do professor de educação física. Assim sendo, segundo Mota e Sallis (2002), a actividade física em colaboração com uma dieta alimentar, são fundamentais para a manutenção de um peso corporal equilibrado. REVISÃO DA LITERATURA ! 22 2.2 Educação para a Saúde na Escola Segundo a OMS (1993), a saúde é um estado completo de bem estar físico, social e mental, e não apenas a ausência de doença ou a enfermidade. Esta definição constitui uma declaração de princípios que aporta uma concepção integral de saúde, sobre a qual se compreendem a dimensão psicológica e social. Assim, o conceito de saúde extravasa os processos de enfermidade e vincula-se a processos individuais, de grupo e culturais da pessoa (Bañuelos, 1996). A saúde concebe-se como uma dimensão física, social e psicológica, cada uma delas situada num continuum com um pólo positivo e outro negativo (Sánchez, 2001). Os comportamentos positivos de saúde devem ser promovidos cada vez mais cedo, de forma a consolidá-los e torná-los imunes às pressões do contexto social (Hamburg, 1999). Bento (1991a, p. 25), define saúde como “consequência de uma relação, flexível, situativamente ajustada e ordenada, entre sujeito e envolvimento; traduz um equilíbrio dinâmico entre as exigências do envolvimento e as possibilidades da pessoa”. Guedes (2004), identifica o conceito de saúde com uma multiplicidade de aspectos do comportamento humano voltados para o bem-estar físico, mental, social e espiritual, sendo fundamental apresentar evidências ou atitudes que procurem afastar ao máximo os comportamentos de risco. A mesma autora associa o conceito de saúde ao conceito de bem-estar, definindo que bem-estar implica a capacidade individual em viver com alegria e satisfação e poder oferecer significativos contributos à sociedade, logo representa também uma importante componente associada à qualidade de vida, sendo essencial para a manutenção da saúde positiva. A saúde positiva deve ser enquadrada quer em termos individuais como interpessoais e ambientais, pois o significado de saúde/bem-estar varia acordo com o grupo e com a cultura (Matos et al., 2006). Na educação para a saúde não devem estar implicados apenas os critérios médicos, uma vez que não será suficiente para a obtenção do objectivo. A intervenção médica aumentará o conhecimento racional dos REVISÃO DA LITERATURA ! 23 destinatários (o conhecimento dos factores de risco), no entanto, não permitirá obter uma mudança duradoira do seu comportamento. Para tornar possível a alteração dos comportamentos devem ser utilizadas estratégias de acção, de comportamento, que permitam motivar as pessoas para uma mudança da sua vida (Bento, 1991a). O mesmo autor afirma que a saúde deixou de ser um problema exclusivamente médico, para ser um problema cultural, mais do que um objecto da medicina é um aspecto de educação. A promoção da saúde não deve estar dependente do sector de saúde, devendo ter uma participação activa de outras estruturas da comunidade. Esta é uma tarefa para qual todos devemos contribuir, através da acção de cada um de nós, nos diferentes contextos ambientais. Este processo que se desenvolve com as pessoas, visa contribuir para a capacitação e desenvolvimento de recursos individuais e colectivos, no sentido da obtenção de melhores níveis de bem-estar e qualidade de vida (Matos et al., 2006). Ter saúde é um objectivo de cada comunidade, não só saúde física, mas também mental e interpessoal. Esta característica não está apenas subordinada à escolha individual de comportamentos de saúde ou de risco, mas também do meio ambiente no qual estão inseridos os intervenientes e da capacidade deste possibilitar escolhas saudáveis. Por este motivo, é essencial que haja neste processo um papel participativo e capacitivo de todos os intervenientes (Matos et al., 2006). Deve-se ter em consideração que as ameaças à saúde dos adolescentes são consequência de factores sociais, ambientais e comportamentais (DiClemente, Hansen & Ponton, 1996). De acordo com o Ministério da Educação (s.d.), Educar para a saúde, no contexto escolar, “consiste em dotar as crianças e os jovens de conhecimentos, atitudes e valores, que os ajudem a fazer opções e a tomar decisões adequadas à sua saúde e ao tal bem-estar físico, social e mental”. A abordagem da Educação para a saúde em meio escolar é de extrema importância, uma vez que a ausência de informação pode incapacitar e/ou dificultar a tomada de decisão. A promoção da educação para a saúde em meio escolar, é um procedimento em constante desenvolvimento, estando envolvidos os sectores da Educação e da Saúde. Este processo “contribui para a aquisição REVISÃO DA LITERATURA ! 30 (pensamentos, sentimentos e atitudes sobre o corpo - aparência geral, partes corporais, peso, idade, força e sexualidade) (Cash, Wood, Phelps & Boyd, 1991), sendo esta última a referenciada no nosso estudo. Tendo em consideração as duas componentes, podem ser estudados dois aspectos da imagem corporal. O aspecto perceptivo, a percepção do tamanho corporal, e o aspecto subjectivo, que inclui as atitudes acerca do tamanho, peso, partes corporais e aparência física geral (Cash e Brown, 1987, cit. por Cash & Pruzinsky, 1990). Podemos considerar que a imagem corporal possui uma componente subjectiva, pelo facto se ser construída através de cognições afectivas, baseadas na comparação com os outros (McPherson & Turnbull, 2005). Os media têm um papel considerável neste sentido, pela exaltação de corpos atraentes (Cameron & Ferraro, 2004). As imagens difundidas pelos media, do corpo magro, como sendo o ideal, influenciam os comportamentos alimentares e as atitudes dos jovens, para com os seus corpos (Harrison, 1997). O esquema corporal, é formado tendo como base o modelo que é reproduzido na sociedade em que estamos inseridos, onde os homens e as mulheres, tentam incessantemente alcançar corpos jovens e atractivos (Becker, 1999). Bruchon-Schweitzer (1990), referiu que aspectos referentes às atitudes, sentimentos e experiências que o indivíduo acumulou a propósito do seu corpo, são integrados numa percepção global da imagem corporal. Para a autora, a imagem corporal desenvolve-se e altera-se pela percepção que o indivíduo tem de si próprio, e pelo “feedback” que retém do contexto social. Podemos considerar a percepção da imagem corporal, como a pintura mental que o sujeito tem do seu corpo, produto de percepções conscientes e inconscientes, atitudes e sentimentos (Fowler, 1989, cit. por Batista, 1995). Segundo a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (2001), a obesidade pode causar problemas a nível psicológico, nos quais pode estar incluída a alteração da imagem corporal. Alguns estudos acerca da percepção da dimensão corporal, demonstram que as pessoas obesas sobrestimam o seu tamanho corporal (Schwartz & Brownell, 2003). REVISÃO DA LITERATURA ! 31 É frequente os obesos possuírem um imagem corporal distorcida, uma depreciação da própria imagem, que resulta do facto de se sentirem inseguros em relação aos outros, imaginando que estes o vêem com hostilidade e desprezo (Correia, 2003). Na imagem corporal, o peso é, talvez, o aspecto predominante (Hesse-Biber, Clayton-Mathews & Downey, 1988, cit. por Vasconcelos, 1995). As crianças e os adolescentes obesos são submetidos a rejeição social, descriminação e estereótipos negativos. Estas experiências podem conduzir a consequências negativas em termos de auto-imagem, auto-estima e do humor, existindo um pressuposto generalizado de que a obesidade tem custos psicológicos profundos (Wardle & Cooke, 2005). Após a revisão de estudos efectuados nesta área, as autoras concluíram que os níveis de insatisfação corporal, são superiores nas amostras de crianças com excesso de peso e obesas. Galindo e colaboradores (2002, cit. Cataneo, Carvalho & Galindo, 2005) analisaram as respostas de um grupo de crianças obesas e verificaram que nem sempre predominou uma imagem negativa dos seus corpos e nem todos se achavam obesos, embora a maioria expressasse sinais de descontentamento com a própria aparência física. As crianças e adolescentes obesos são normalmente estereotipados como preguiçosos, não proficientes, pouco asseados e com elevado grau de insucesso (Staffieri, 1967; Tiggemann & Anesbury, 2000; Hill & Silver, 1995). Outra consequência negativa própria da obesidade é a fraca auto-imagem (Davison & Birch, 2001),e níveis baixos de auto-estima, os quais se associam à tristeza, solidão, nervosismo e elevados comportamentos de risco (Strauss, 2000). Num estudo sobre o peso corporal e a imagem corporal, realizado por Cash e Green (1986), com adolescentes do sexo feminino (com excesso de peso, obesas e com peso normal), foi demonstrado pelos resultados que a componente perceptual, afectiva e cognitiva da imagem corporal, difere em função do peso corporal. REVISÃO DA LITERATURA ! 32 Para os jovens, é o aspecto corporal que mais sofre alterações, a vários níveis, durante a adolescência, sendo ao mesmo tempo um aspecto fundamental para este e para os que o rodeiam (Jacob, 1994). Estão por vezes associadas às mudanças corporais, problemas e complexos, que alteram muitas vezes a imagem corporal do adolescente (Jacob, 1994). De acordo com Vasconcelos (1995), as alterações corporais mais relevantes, durante o processo de maturação, enraízam numa imagem diferente do seu corpo. Ou seja, a dificuldade de adaptação à mudança, a incapacidade de produzir uma nova imagem de si, pode induzir um sentimento negativo ou inadequado entre o corpo imaginário (ideal) e o corpo real. Segundo Williams (1983), a percepção da imagem do corpo como uma entidade pequena ou grande, gorda ou magra, forte ou fraca, calma ou nervosa, é resultado das interacções sociais que a criança experimenta e estabelece à medida que se desenvolve. Para considerar o seu corpo como “atractivo” ou “não atractivo”, “coisa que se olha”, ou “que não se olha”, “socialmente desejável” ou “não desejável”, a adolescente tem de se comparar com os outros ou com um determinado padrão de referência. As adolescentes têm como referência padrões morfológicos e de beleza, de grupos maioritários, e quando dessa comparação resulta uma grande diferença, surge um sentimento de desadaptação que se associa a uma distorção na percepção da imagem corporal. Foi realizado um estudo por Vasconcelos (1995), com 1194 adolescentes do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 11 e os 17 anos, de grupos étnicos diferentes (caucasóides, negróides portuguesas e negróides cabo-verdianas). A autora, verificou que as caucasóides apresentaram valores superiores na percepção do corpo como algo que se pode tocar, do corpo como veículo de ternura, de expressividade e de fonte de energia; as negróides portuguesas destacaram apenas a percepção do corpo como elemento de coragem ou audácia e por último entre as negróides cabo-verdianas os restantes itens tiveram maior destaque. Podemos também referir a satisfação com a imagem corporal, como a avaliação subjectiva predominante, espécie de “gestalt” percebido de um corpo globalmente amado ou não, globalmente conformado ou não às REVISÃO DA LITERATURA ! 33 normas ideais, de onde se tira maior ou menor prazer ou sofrimento (Bruchon-Schweitzer, 1990). A insatisfação corporal surge aliada à comparação social e às expectativas culturais de possuir um corpo segundo o que é idealizado (Shih & Kubo, 2005). Outros factores relacionados com a satisfação com a imagem corporal, são o índice de massa corporal e o sexo (Markey & Markey, 2005). Em alguns estudos efectuados foi verificado que à medida que aumentava o IMC, diminuía o nível de satisfação com a imagem corporal, sendo os homens os que apresentavam maior satisfação comparativamente com as mulheres (Markey & Markey, 2005; Killion, Rodriguez, Rawlins, Miguez & Soledad, 2003). No entanto, Bearman, Presnell, Martinez e Stice (2006) observaram que o IMC não predizia insatisfação corporal para adolescentes de ambos os sexos. Smolak (2003), refere que a imagem corporal é um fenómeno fortemente ligado ao género. Assim, a natureza, os factores de risco, os resultados e os cursos de desenvolvimento da insatisfação, diferem do género. Num estudo realizado com 63 adolescentes do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 11 e os 15 anos, verificou-se que as adolescentes tinham como referencial estético as mulheres que estavam em evidência nos meios de comunicação social. Grande parte das adolescentes sentia vontade de alterar algo no seu corpo, insatisfação essa que pode ser explicada pelos apelos exercidos, pelos meios de comunicação social, para a aquisição de um corpo “perfeito” (Sanches, Costa & Gomes, 2006). A insatisfação corporal perante o sexo feminino, reflecte as preocupações, inquietações e as pressões dos padrões de beleza feminino da nossa cultura (Bruchon-Schweitzer, 1990). Bruchon-Schweitzer (1990), desenvolveu e aplicou o questionário “Body-Image Questionnaire”, em 619 indivíduos, com a finalidade de explorar as dimensionalidades das percepções, sentimentos, e atitudes expressas em relação ao próprio corpo, questionário esse que será utilizado no presente estudo. REVISÃO DA LITERATURA ! 34 Num estudo realizado em 2002, por Koleck, Bruchon-Schweitzer, Cousson-Gélie, Gilliard e Quintard, em 1222 indivíduos, foi verificado que a satisfação corporal estava directamente relacionada com a afectividade positiva, e inversamente com a afectividade negativa. Uma favorável imagem do corpo, está associada à adaptação emocional do sujeito, estando a satisfação corporal aliada à boa saúde. Os nossos corpos são vitimizados por políticas de saberes, que nos identifica, classificam, recalcam, estigmatizam, formando e deformando as imagens que temos nós e dos outros. O Homem está constantemente a experienciar momentos de aprovação social, o que leva a que viva o seu corpo não à sua maneira, mas sim conforme as regras estabelecidas pela sociedade, e pelo modelo estético padronizado comercialmente (Russo, 2005). Devido à pressão exercida pela sociedade nos adolescentes, na obtenção de corpos socialmente aceitáveis, pretendemos verificar neste estudo, qual a influência da percepção da imagem corporal, na escolha de um desporto para praticar. 2.5 Actividade Física A actividade física é entendida como qualquer movimento produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em dispêndio energético para além do metabolismo de repouso (Caspersen, Powell & Christenson, 1985; Bouchard & Shephard, 1993). Assim, qualquer movimento realizado em actividades de trabalho, lazer e desporto contribuem para gasto energético diário total (Caspersen, Powell & Christenson, 1985). No entanto, os mesmos autores distinguem o conceito de actividade física do conceito de exercício físico. Segundo Casperson et al. (1985), exercício é entendido como uma subcategoria de actividade física que é planeada, estruturada e repetitiva, tendo como objectivo final ou intermédio a melhoria ou manutenção da aptidão física. Bento (2004), refere ainda o conceito de prática desportiva, como sendo o bastião na formação pedagógica e cultural. É nela que se revêem REVISÃO DA LITERATURA ! 35 aspectos relevantes da formação da pessoa, da construção de relações interpessoais gratificantes da afirmação pessoal e conhecimento social do desportista. A Actividade Física é um comportamento de natureza complexa e, por esse motivo, difícil de medir. É caracterizada por quatro dimensões básicas: frequência, intensidade, duração e tipo, (Bouchard, Shephard & Stephens, 1993). 2.5.1 Relação entre Actividade Física e IMC Não é ainda conhecida a relação de causalidade, entre actividade física e obesidade, uma vez que ainda não foi determinada se é a obesidade que provoca a falta de actividade física ou se é esta que conduz à obesidade (Bar-Or & Baranowski, 1994). No entanto, alguns estudos demonstram uma relação de causalidade entre os dois agentes. Um estilo de vida sedentário é considerado um factor de risco para o ganho de peso com a idade. Os indivíduos obesos são, na generalidade, muito sedentários, sendo o excesso de peso o maior obstáculo para a adopção de um estilo de vida activo (Cole, Bellizzi, Flegal & Dietz, 2000). Acredita-se que as pessoas com IMC elevado, têm mais barreiras na realização de exercício físico como consequência da obesidade (MartinezGonzalez et al., 2001), estando mais pessoas obesas envolvidas em baixos níveis de actividade física habitual, comparativamente às pessoas não obesas (Bouchard, Shephard & Stephens, 1993). Segundo Dishman e seus colaboradores (2004), uma das barreiras físicas para a realização de exercício físico é o próprio excesso de peso. Num estudo realizado por Grundy et al (1999), com 700 crianças, confirmou-se que baixos níveis de actividade física estão associados a elevados níveis de gordura corporal. Mota et al. (2002), efectuaram um estudo em 157 crianças, com idades compreendidas entre os 8 e os 15 anos, no qual apenas verificaram diferenças significativas na actividade física diária entre raparigas obesas e não obesas. REVISÃO DA LITERATURA ! 36 2.5.2 Benefícios da Actividade Física O desenvolvimento de um estilo de vida activo nas crianças obesas tem potencial para múltiplos benefícios na obesidade, como problemas físicos e psicológicos e na aquisição de um estilo de vida activo que pode produzir benefícios para a saúde ao longo da vida (Bouchard & Blair, 1999) Os jovens deveriam realizar pelo menos 60 minutos de actividade física de intensidade moderada a vigorosa, para que fosse garantido um desenvolvimento saudável, obtendo benefícios quer a nível físico, mental como social. Uma adequada prática de actividade física auxilia os jovens a um desenvolvimento saudável dos tecidos, ossos e músculos, do sistema cardiovascular, ajuda a desenvolver consciência neuromuscular e a manter um peso saudável. Outros indícios demonstram que a actividade física pode contribuir para efeitos positivos na saúde, por exemplo sobre a hipertensão arterial, o peso e a composição corporal, na saúde mental, entre outros (OMS, 2008). A actividade física também tem sido associada a benefícios psicológicos nos jovens. A participação na actividade física pode ajudar no desenvolvimento social dos jovens, proporcionando oportunidades para a auto-expressão, a busca da auto-confiança, interacção social e de integração. Também foi sugerido que os jovens fisicamente activos mais facilmente adoptam outros comportamentos saudáveis (OMS, 2008a). O exercício físico é um agente fundamental no processo de redução do peso, pelas razões apresentadas no quadro a seguir: Quadro 4 – Actuação da actividade Física na redução do peso (Barata, 1997, p.274). - Pelo dispêndio energético durante a sua correcção; - Porque pode aumentar a termogénese alimentar; - Porque aumenta o metabolismo de repouso após o final do exercício; - Porque potencializa a acção da restrição calórica; - Porque pode aumentar a aderência à correcção alimentar, na medida que esta poderá ser menos restritiva; - Porque faz que uma dada perda ponderal seja menos à custa da massa magra e mais á custa de massa gorda; - Porque pode ser benéfico sobre situações e combater factores de risco frequentemente associados à obesidade e que a modificação alimentar isolada, só por si, não consegue modificar. REVISÃO DA LITERATURA ! 37 O aumento da actividade física provoca efeitos benéficos e importantes na redução da gordura corporal. A actividade física combinada com uma modificação dietética adequada, possui um papel efectivo no tratamento da obesidade nos jovens (Bar-Or & Baranowski, 1994). 2.5.3 Recomendações para a prescrição de Actividade Física As recomendações devem ter em conta os padrões de actividade física e os estilos de vida dos jovens, de modo a que não representem metas inatingíveis a serem alcançadas pelos mesmos (Cavill, Biddle, & Sallis, 2001). Os profissionais do exercício devem ter em consideração que os indivíduos obesos são na generalidade sedentários, sendo que grande parte dos mesmos já tiveram experiências desagradáveis com o exercício. Deste modo, antes de iniciar qualquer actividade devem conhecer o indivíduo, de forma a perceber qual a sua relação com o exercício, as suas dificuldades, bem como os locais de prática eleitos (p. ex. clube desportivo, casa, rua, ginásio da escola ou pista). Esta atitude poderá aumentar a adesão e a concordância com o programa de exercícios (ACSM, 2003). O objectivo primário do exercício no tratamento da obesidade, deve ser o gasto de calorias, devendo a sua prescrição optimizar o aumento do dispêndio energético e ainda minimizar as lesões. Contudo, o exercício físico deve ser agradável e prático, devendo encaixar-se facilmente na vida do indivíduo (Wallace, 1997). Para que o objectivo, perder peso, seja obtido, devem ser eleitos exercícios lipolíticos, como a marcha, a corrida, o ciclismo, a dança, entre outros. O importante, nesta população, é o trabalho realizado na sua totalidade, e não a intensidade do esforço. Alguns indivíduos apenas conseguem realizar exercícios de baixa intensidade, como caminhar, o que é já um excelente exercício, desde que seja realizado de forma prolongada e com regularidade (Barata, 1997). As alterações da composição corporal estão um pouco dependentes do grau de obesidade, assim como do modo do exercício, o tipo, a intensidade, a frequência e a duração do exercício, uma vez que todas estas REVISÃO DA LITERATURA ! 38 variáveis afectam o perda de peso. A diminuição da gordura corporal ocorre simultaneamente com exercício aeróbio e treino de resistência (Bouchard, Shephard & Stephens, 1993). A prescrição de exercício deverá progredir de forma gradual e com base na resposta de cada pessoa. Assim, inicialmente deve-se utilizar exercício de baixa intensidade e longa duração, podendo aumentar a intensidade, diminuindo a duração das sessões ou o número de sessões por semana. Para alguns indivíduos obesos pode não se justificar a adopção de um programa intenso, podendo pretender apenas actividades de intensidade moderada (ACSM,2003). (Cavill, Biddle, & Sallis, 2001), realçam duas recomendações relativas à prática de actividade física para jovens. A primeira afirma que as crianças e os jovens devem participar em actividades físicas moderadas e intensas pelo menos uma hora por dia. A segunda explica que as crianças mais sedentárias devem participar em actividades físicas moderadas a intensas, pelo menos 30 minutos por dia. Para além destas recomendações é ainda apresentada uma subsidiária, que refere que em pelo menos duas vezes por semana, algumas actividades devem servir para apoiar o reforço e/ou manutenção da força muscular e da flexibilidade e promover o desenvolvimento da densidade mineral óssea. De seguida, serão apresentadas algumas recomendações para a prescrição de exercícios em indivíduos obesos (Quadro 4). REVISÃO DA LITERATURA ! 39 Quadro 5 – Recomendações para a prescrição de exercício (ACSM, 2003, p.139; Wallace, 1997, p. 111). Modo Objectivo Frequência/Intensidade e Duração Frequência: 5 dia/sem. ou diariamente Aeróbio Actividades com grandes grupos musculares - Reduzir o peso - Aumento da performance funcional - Redução do risco de doença arterial coronária Duração: 40-60 min/sessão (ou 2 sessões/dia de 20-30 min) Intensidade: 40/50-70% do VO2máx Flexibilidade Stretching - Aumentar a amplitude do movimento Diariamente ou 5 sessões por semana. Funcional Actividades, exercícios específicos - Aumentar a facilidade de realizar actividade na vida diária. - Aumento do potencial profissional - Aumento da autoconfiança física Precauções para com o exercício Inicialmente enfatizar o aumento de duração e não de intensidade com o objectivo de optimizar o dispêndio calórico Uso de modalidades de actividades de baixo impacto O treino de força pode funcionar como um coadjuvante valioso para o treino aeróbio Maior risco de lesão ortopédica, de doença cardiovascular e de hipertermia; adoptar as precauções apropriadas. Poderá ser necessária a modificação do equipamento, p. ex., assentos largos nas bicicletas ergométricas e nas máquinas de remo. Um programa destinado à perda de peso deve ter em consideração o equilíbrio entre intensidade e duração do exercício, de modo a que este promova um alto dispêndio energético. Contudo, pode ser necessário ter algumas precauções, como exigir que a intensidade do exercício seja mantida ao nível ou abaixo do que é recomendada para conseguir uma melhoria na resistência cardio-respiratória. Devido ao risco aumentado de lesões ortopédicas, poderão ter que ser restringidas actividades com sustentação do peso corporal, tal como alterações na frequência e duração das mesmas (ACSM, 2003), devendo para as últimas haver uma progressão gradual (Wallace, 1997). É sempre aconselhado conhecer o historial das lesões (Wallace, 1997). REVISÃO DA LITERATURA ! 46 actividades) do que as raparigas (Janz, Witt & Mahoney, 1995; Raudsepp e Pall, 2000, cit. por Mota & Sallis, 2002), praticando mais actividades de grupo/equipa, enquanto que as raparigas praticam actividades menos intensas e individualmente ou em pares (Faucette, Sallis, McKenzie, Alcaraz, Kolody & Nugent, 1995; cit. por Mota & Sallis, 2002). A intensidade da actividade física, é uma característica que surge habitualmente relacionada com o género e a idade dos jovens. É comum surgir em literatura sobre a matéria, a conclusão de que os rapazes se envolvem mais significativamente em actividades intensas/vigorosas do que as raparigas (Janz et al., 1995 cit. por Mota & Sallis, 2002). A partir de uma perspectiva de saúde, existem três principais razões para incentivar os jovens a participar na actividade física regular. Primeiro porque optimiza a aptidão física, a saúde e o bem-estar, o crescimento e desenvolvimento; e porque permite desenvolver um estilo de vida activo, que poder ser mantido durante toda a vida adulta. Segundo porque reduz o risco de doenças crónicas na vida adulta (Cavill, Biddle, & Sallis, 2001). Está comprovado que o mais problemático não é perder peso, mas sim manter essa perda, principalmente nas obesidades iniciadas na infância. Após obtida a melhoria do peso e da composição corporal, o argumento principal para uma recaída, é a não aderência, a longo prazo, ao novo estilo de vida, às mudanças alimentares e ao exercício. Logo, todo este processo deve representar uma mudança de comportamentos e de novos hábitos, devendo para isso ser dado tempo para a aquisição de um novo estilo de vida (Barata, 1997). ! OBJECTIVOS E HIPÓTESES ! OBJECTIVOS E HIPÓTESES ! 49 3. OBJECTIVOS E HIPÓTESES 3.1 Objectivo Geral: O objectivo do trabalho é estudar as modalidades desportivas preferidas, assim como a percepção da imagem corporal, num grupo de adolescentes obesos. 3.1.1 Objectivos Específicos ! Verificar se existem diferenças nas opções dos adolescentes, em função do sexo; ! Verificar se existem diferenças nas opções dos adolescentes, em função do IMC; ! Verificar a percepção da Imagem Corporal em função do sexo; ! Verificar a percepção da Imagem Corporal em função do IMC; 3.2 Hipóteses As hipóteses levantadas para este estudo são: H1. Os adolescentes do sexo masculino seleccionam mais desportos colectivos e de competição, enquanto as raparigas elegem actividades individuais ou a pares, menos intensas. H2. As raparigas têm uma percepção da imagem corporal mais negativa, quando comparada à imagem corporal dos rapazes. H3. Quanto maior o valor de IMC, mais negativa será a percepção da sua imagem corporal. ! ! 50 MATERIAL E MÉTODOS MATERIAL E MÉTODOS ! 53 4. MATERIAL E MÉTODOS 4.1 Descrição e Caracterização da Amostra O presente estudo realizou-se com uma amostra de 45 adolescentes, com excesso de peso e obesos, sedentários. A amostra é constituída por alunos da Escola EB 2,3 de Olival, pertencente ao conselho de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto. Os adolescentes têm idades compreendidas entre os 10 e os 15 anos, sendo a média de idades de 11,89± 1,09 anos. Quadro 6 – Caracterização da amostra relativamente ao sexo, IMC e à idade. n Excesso de Peso Obesos Idade (M±SD) Sexo Feminino 18 10 8 11,78 ± 1,10 Sexo Masculino 27 8 19 11,96 ± 1,10 Total 45 18 27 11,89 ± 1,09 4.2 Procedimentos Metodológicos 4.2.1 Avaliação, por questionários, das Modalidades Preferidas Foi elaborado um questionário (Anexo 1), para se conhecerem as modalidades que os adolescentes seleccionariam se iniciassem a prática desportiva. Para facilitar uma posterior análise, as modalidades foram divididas em diferentes categorias (desportos colectivos, desportos individuais, actividades de exploração à natureza, actividades rítmicas expressivas, jogos tradicionais, actividades aquáticas e desportos de luta / combate). As modalidades incluídas no questionário, foram as seguintes: andebol, futebol, voleibol, basquetebol, hóquei em patins, râguebi, natação, hidroginástica, dança moderna, desportos luta / combate, hipismo, orientação, canoagem, escalada, ginástica de solo, ginástica de aparelhos, ginástica acrobática, ginástica rítmica, atletismo, patinagem, badminton, ténis, MATERIAL E MÉTODOS ! 54 danças de salão, remo, surf, jogos tradicionais, montanhismo e vela. Para além destas modalidades, tinham a possibilidade de referir mais dois desportos, nas opções outros. Cada indivíduo teria que escolher cinco modalidades numerando-as de 1 a 5, ou seja, colocando as diferentes modalidades por ordem de preferência. A modalidade preferida deveria assim corresponder ao 1, e a que escolheria como última opção teria que corresponder ao 5. 4.2.2 Avaliação do Índice de Massa Corporal Para a avaliação do índice de massa corporal, foi realizada uma relação entre o peso e o quadrado da altura (peso-Kg/altura!-m!). Conhecido o IMC, foi estabelecida a classificação de excesso de peso ou obesidade, de acordo com os valores obtidos. Esta classificação seguiu uma definição standard, determinada por Cole, Bellizzi, Flegal e Dietz (2000), que possui pontos de corte específicos para idades compreendidas ente os 2 e os 18 anos, baseada nos valores de IMC de 25 e 30 kg/m2, para excesso de peso e obesidade respectivamente. 4.2.3 Avaliação, por Questionário, da Percepção da Imagem Corporal (BIQ) Body-Image Questionnaire – Bruchon-Shweitzer (1987) (Adaptado e traduzido por Vasconcelos, 1995) (Anexo 2) Bruchon-Schweitzer (1990), desenvolveu um questionário, validado com indivíduos dos 10 aos 40 anos, que consiste em 19 pares de itens antónimos, e pretende avaliar as percepções, os sentimentos e as atitudes induzidas pelo próprio corpo. O indivíduo deve, perante a lista que lhe é apresentada, situar-se entre duas afirmações, sendo estas contraditórias entre si. Ele deverá colocar uma cruz na coluna escolhida, como demonstra o exemplo: MATERIAL E MÉTODOS ! 55 Quadro 7 – Exemplo se resposta no BIQ. Consideras o teu corpo como: Muito Frequentemente Com alguma frequência Nem um, nem outro Com alguma frequência Muito Frequentemente Em má saúde x Em boa saúde Alegre x Triste Foi considerada uma escala de Likert variando de 1 a 5 pontos, atribuindo-se o 1 ao elemento "negativo" do par (em má saúde; fisicamente não atractivo; fonte de desprazer; triste;...) quando a escolha era Muito frequentemente e o 5 ao elemento "positivo" do par (em boa saúde; fisicamente atractivo; fonte de prazer; alegre;...) quando a escolha era Muito frequentemente. Este questionário contém 4 factores significativos: acessibilidade/isolamento, satisfação/insatisfação, actividade/inactividade, relaxação/tensão (Bruchon-Schweitzer, 1990). Quadro 8 – Itens do BIQ. Factor Itens Mostrar / Não mostrar Olhar / Não prestar atenção Erótico / Não erótico Tocar / Não tocar Atraente / Não atraente Prazer / Desagrado Expressivo / Não expressivo Acessibilidade / Isolamento Terno, caloroso / Frio, indiferente Puro, limpo / Impuro, sujo Alegre / Triste Terno, caloroso / Frio, indiferente Jovem / Velho Prazer / Desagrado Expressivo / Não expressivo Enérgico / Não enérgico Feminino / Masculino Satisfação / Insatisfação Atraente / Não atraente Resistente, forte / Frágil, fraco Enérgico / Não enérgico Boa saúde / Má saúde Audacioso / Medroso Masculino / Feminino Actividade / Inactividade Alegre / Triste Exprimindo calma / Exprimindo cólera Relaxação / Tensão Calmo, sereno / Nervoso, inquieto APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ! 62 ! Figura 3 – Frequências das Modalidades seleccionadas, segundo o IMC. Pela análise da figura 3, podemos constatar que os adolescentes com excesso de peso seleccionam em maior número natação (61,1%), seguido de futebol (55,6%), canoagem (50,0%) e basquetebol (33,3%). Relativamente às escolhas dos adolescentes obesos, podemos verificar que grande parte escolheu futebol (66,7%), canoagem (44,4%), basquetebol (44,4%) e natação (40,7%). À semelhança do que sucedeu entre os grupos sexo feminino e sexo masculino, as modalidades mais escolhidas por mais adolescentes foram natação e futebol, pelos adolescentes com excesso de peso e obesos respectivamente. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ! 63 Para verificarmos se a escolha do desporto está relacionado com o grupo de IMC, procede-se à aplicação do teste qui-quadrado, valores que são apresentados nos quadros a seguir. Quadro 13 – Frequências por IMC, de natação. Futebol Excesso de peso Obeso Total Sim 11 61,1% 11 40,7% 22 Não 7 38,9% 16 59,3% 23 Total 18 100% 27 100% 45 Quadro 14 – Valor do teste qui-quadrado, em função do IMC, para a modalidade de natação. valor do teste p Pearson Chi-Square 1,793 0,181 Natação foi o desporto mais escolhido pelos adolescentes com excesso de peso, contudo como podemos verificar não existem diferenças significativas relativamente à preferência pela natação De seguida são apresentadas as frequências, por IMC, para a modalidade de futebol, seguido do valor do teste do qui-quadrado e o valor de p. Quadro 15 – Frequências por IMC, de futebol. Futebol Excesso de peso Obeso Total Sim 10 56,6% 18 66,7% 28 Não 8 44,4% 9 33,3% 17 Total 18 100% 27 100% 45 Quadro 16 – Valor do teste qui-quadrado, em função do IMC, para a modalidade de futebol. valor do teste p Pearson Chi-Square 0,567 0,451 Como podemos verificar pelos resultados, não existem diferenças significativas quanto à preferência de futebol em função do IMC. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ! 64 Alguns autores referem que os rapazes estão mais envolvidos em actividades moderadas a vigorosas (Janz, Witt & Mahoney, 1995; Raudsepp e Pall, 2000, cit. por Mota & Sallis, 2002), praticando mais actividades de grupo/equipa, enquanto que as raparigas participam em actividades menos intensas e normalmente, individualmente ou em pares. Os nossos resultados reflectem um pouco esta tendência para a prática desportiva, pois os rapazes escolhem maioritariamente desportos colectivos, enquanto que as opções das raparigas são mais variadas. Estas seleccionam quer actividades realizadas em grupo (dança), quer actividades que podem ser realizadas em pares ou individualmente. Num estudo realizado por Matos, Simões, Carvalhosa e Canha (1998), em relação às modalidades praticadas de forma regular durante seis meses, foi verificado que as raparigas referem mais frequentemente ter praticado ginástica, voleibol e patinagem. Os rapazes referem ter praticado futebol, ténis, râguebi, karaté, judo, vela, ciclismo, B.T.T., canoagem, surf, golfe, remo, boxe, hóquei e culturismo. Como podemos verificar, os adolescentes da nossa amostra, seguem uma tendência habitual dos congéneres da sua idade, pois na escolha das modalidades preferidas, tendem a referir os desportos que são habitualmente mais praticados. Obviamente não é objectivo do trabalho explicar as escolhas dos jovens, contudo estas opções parecem ir de encontro às modalidades de maior destaque para os adolescentes. As ofertas de actividades desportiva disponibilizadas pelos clubes da região, podem também ser um factor de influência na decisão dos adolescentes. Esta afirmação ganha evidência se pensarmos na localização da Escola EB 2,3 de Olival. Para a hegemonia da escolha de canoagem, em ambos os sexos, podemos considerar que pode ser influenciada pela tradição desta prática desportiva, pois desde cedo ficaram familiarizados com esta modalidade na sua região. É importante identificar estratégias sobre como ampliar a prática desportiva na adolescência. Uma possibilidade seria focar as iniciativas nas actividades que, no momento, despertam o interesse e a curiosidade do público jovem (Júnior, Araújo & Pereira, 2006). APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ! 65 A escola de onde provem a nossa amostra deve conhecer os seus alunos, as suas motivações e gostos, de modo a conseguir uma maior adesão à prática desportiva por parte destes, ambicionando que esta seja duradoira. De acordo com Sallis e Owen (1999), muitas crianças e adolescentes têm uma visão negativa e pejorativa da actividade física. Logo, devem-lhes ser proporcionadas às crianças actividades agradáveis, coincidentes com os seus gostos e motivações (Pate, 1995a; Telama & Yang, 2000). É fundamental conhecer a população alvo, pois a não aderência pode ser explicada pelo facto das actividades não corresponderam aos interesses dos indivíduos (Mooper & Leoni, 1996). Como menciona Mota (2004), a actividade física deve ser encarada pelos jovens como uma experiência positiva e divertida, permitindo que sejam valorizadas as suas percepções. A criança deve entender a actividade como uma forma de prazer, sendo fundamental a adesão que esta promove (Alves, 2003). Conhecidos os desportos, pretendemos saber qual a escolha dos adolescentes, quanto à possibilidade destes serem de competição ou não. Figura 4 – Opções dos adolescentes quanto à preferência por desporto competitivo ou não competitivo, em função do sexo. Pela análise da figura 4, podemos constatar que grande maioria dos adolescentes do sexo masculino (81,5%), prefere que o desporto seja de competição. Contrariamente, das adolescentes do sexo feminino apenas 6 (33,3%) optam por desporto competitivo. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ! 66 Facilmente depreendemos que a competição pode ser entendidas pelos adolescentes de duas formas diferentes. Se por um lado pode causar frustração na derrota, por outro pode significar sucesso na actividade. De acordo com Pate (1995a), num programa de actividade física deve ser fornecido um ambiente seguro e favorável, que recompense a participação e o esforço, sem enfatizar demasiadamente a competição e a vitória. Contudo, Marques (2004) advoga que a criança entende do significado da prática, o jogo e a competição. Esta dá a possibilidade da criança avaliar as suas próprias capacidades, permite-lhe mostrar aos outros do que é capaz e faculta a obtenção de sucesso. O autor afirma mesmo que quando assim é a criança tem a oportunidade de criar uma boa imagem social perante os outros. Tendo em consideração estas afirmações, seria de esperar que as opções, quanto ao facto de a modalidade ser ou não de competição, fossem repartidas em cada grupo, o que se veio a comprovar com os resultados. A maioria dos jovens, do sexo masculino, demonstra que a competição é um factor importante na prática desportiva, devendo esta estar presente nas actividades propostas. No grupo das adolescentes do sexo feminino, verifica-se o oposto. Neste grupo, estas escolhas podem estar relacionadas com o receio de sucesso, ou da falta de capacidades. No momento de criar oportunidades de prática desportiva, será fundamental reflectir nos interesses, expectativas e necessidades da criança, devendo a competição ser compatível com as suas aptidões e competências (Marques, 2004). Verificamos que o local de prática eleito pelos adolescentes, variou em função do sexo. A figura 5 demonstra essas diferenças nas opções, em função do sexo. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ! 67 Figura 5 – Local de prática eleito pelos adolescentes, em função do sexo. Após a análise dos dados, verificamos que a maior parte dos adolescentes do sexo masculino elegeram como local de prática o clube desportivo (51,9%), seguido da escola (22,2%), da natureza (22,2%) e por último o ginásio (3,5%). As raparigas elegeram em maior número a natureza (44,4%), seguido de ginásio (22,2%), da escola (16,7%) e do clube desportivo (16,7%). Segundo a ACSM (2003), antes de iniciar a actividade, é importante conhecer o indivíduo, a sua relação com o exercício, quais os seus obstáculos, assim como os locais de prática eleitos. Esta preocupação deverá ter sempre como finalidade a adesão ao programa de exercícios. São vários os autores que salientam a importância do papel da escola, num plano de intervenção e prevenção da obesidade. Marques e Gaya (1999), reforçam mesmo que a escola deve situar-se no centro das preocupações com a educação para a saúde. O facto de o indivíduo ter ou não saúde, não é só um objectivo individual mas um objectivo da comunidade, quer saúde mental como interpessoal. A adopção de comportamentos de saúde ou de risco, estão dependentes não só da escolha individual, mas também do meio ambiente no qual os indivíduos estão envolvidos, assim como das capacidades desse meio permitir escolhas saudáveis. Desta forma, um programa de educação para a saúde deve visar quer as acções dos indivíduos, como as acções do ambiente e do sistema social e politico (Matos, Simões, Carvalhosa & Canha, 1998). APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ! 68 Os autores supracitados realizaram um estudo, em adolescentes entre os 11 e os 16 anos, sendo um dos objectivos conhecer quais as percepções destes em relação ao ambiente da escola. Neste parâmetro, foi avaliado o item “sentimento pela escola”, no qual se verificou que cerca de 84,9% da amostra referiu gostar da escola, sendo as raparigas e os mais novos os que o referem mais frequentemente. Num outro item, “a escola é um bom lugar para se estar”, averigua-se que apesar de $ dos jovens achar que a escola não é um bom lugar para se estar, a maioria acha o contrário. As raparigas são as que mais frequentemente referem que a escola é um bom lugar para se estar. Estes dados reflectem a influência que a escola pode ter na educação para a saúde dos adolescentes. É na escola que estes passam a maior parte do seu tempo, sem esquecer que esta instituição deve assumir responsabilidade na acção educativa dos seus alunos. Esta deve, como afirma Mota (1999), ser uma fonte de informação e possuir bases de apoio que conceba meios que suportem a manutenção da saúde no futuro. Tendo em consideração a realidade da prevalência da obesidade, devem ser tomadas medidas, quer pela escola como por outras entidades, que possibilitem aos jovens a formação de competências, que permitam a aquisição de hábitos (neste caso em particular, hábitos alimentares e de actividade física) desde a infância, sustentando na vida adulta. Contudo, pela análise dos dados, observamos que os adolescentes do sexo masculino escolhem maioritariamente os clubes desportivos como local de prática. Não só a escola, mas também os clubes desportivos, devem assumirse como instituições responsáveis pelo desenvolvimento desportivo. Estas entidades devem promover a prática desportiva, devendo esta corresponder às necessidades e motivações dos jovens (Mesquita, 2004). Marques (1999), alude que a escola deve ser parceira do clube, no sentido de proporcionar a formação desportiva pedagógica e motora dos adolescentes. Nesta amostra em particular, poderia ser benéfico a escola possuir actividades direccionadas para estes adolescentes, sendo também importante estabelecer ligações com os clubes desportivos, ou outras APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ! 69 entidades. Assim, a escola poderá encaminhar os alunos para os clubes, para estes praticarem uma actividades desportiva, que se enquadre com a sua preferência pessoal. Pela análise da figura 5 podemos verificar que as raparigas elegem, maioritariamente, como local de prática a natureza (44,4%). Este grupo aparenta preferir espaços no exterior, em detrimento dos espaços interiores. Assim, no momento da escola proporcionar actividades para este grupo, seria mais adequado propor modalidades que fossem praticada na natureza. Após uma apreciação das primazias dos alunos, podemos concluir que talvez fosse apropriado a escola possuir actividades variadas. Como afirma Pate (1995a), um programa de actividade física deve ser suficientemente variado, sendo transmitidas experiências agradáveis e recreativas. Quer sejam actividades realizadas na escola como em outras instituições, o fundamental será incidir na promoção de um estilo de vida activo, que se mantenha na vida adulta. Deve-se promover a actividade física em colaboração com uma dieta alimentar, de modo a se ser capaz de manter um peso corporal equilibrado (Mota & Sallis, 2002). A actividade física poderá causar nos jovens múltiplos benefícios, quer a nível físico como psicológico. Esta assume um papel determinante no tratamento e prevenção da obesidade, possibilitando a redução dos riscos a ela associados, assim como poderá possibilitar um incremento da autoconfiança e consequentemente uma melhor integração na sociedade. A escola à qual pertence a nossa amostra caminha no bom sentido, na medida em que assume a responsabilidade de possibilitar que estes adolescentes obtenham acompanhamento com um especialista (nutricionista). Esta intervenção representa o início de um trajecto longo a percorrer, no sentido de contribuir para um conjunto de modificações de comportamentos e atitudes. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ! 70 5.2 Percepção da Imagem Corporal Foi aplicado o teste Shapiro-Wilk para analisar se os dados tinham ou não uma distribuição normal, verificando-se que nenhuma das distribuições obtidas, para cada item, era descrita como normal. Devido a este facto, procedeu-se à aplicação do teste não paramétrico Mann Whitney, que permite comparar as distribuições obtidas para cada grupo estudado. No quadro...., são apresentadas as medidas descritivas média e desvio padrão, assim como a estatística z do teste e o valor de prova p, relativos à percepção da imagem corporal nas adolescentes do sexo feminino e no grupo dos adolescentes do sexo masculino. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ! 71 Quadro 17 – Percepção da Imagem Corporal em função do sexo. Média e desvio padrão, valores de z e de p. Sexo Feminino Sexo Masculino Itens Média ± SD Média ± SD z p Em má saúde / Em boa saúde 3,50 ± 1,38 3,63 ± 1,39 -0,413 0,680 Fisicamente atractivo / Fisicamente não atractivo 2,67 ± 1,28 2,89 ± 1,19 -0,488 0,625 Fonte de prazer / Fonte de desprazer 3,06 ± 1,21 3,33 ± 1,21 -0,679 0,497 Feminino / Masculino 4,78 ± 0,43 4,48 ± 1,01 -0,585 0,558 Puro, limpo / Impuro, sujo 4,50 ± 0,86 4,48 ± 1,01 -0,199 0,842 Medroso / Audacioso 3,11 ± 1,08 3,70 ± 1,24 -1,669 0,095 Vazio / Cheio 2,22 ± 1,35 2,26 ± 0,98 -0,409 0,683 Coisa que se pode tocar / Coisa em que não se pode tocar 3,44 ± 1,25 3,63 ± 1,12 -0,420 0,674 Indiferente, frio / Terno, caloroso 3,67 ± 1,33 4,37 ± 0,97 -1,873 0,061 Exprimindo cólera / Exprimindo calma 3,50 ± 1,51 3,41 ± 1,31 -0,393 0,694 Expressivo / Inexpressivo 3,78 ± 1,00 3,59 ± 1,31 -0,253 0,800 Coisa que se mostra / Coisa que não se mostra 3,00 ± 1,41 3,04 ± 1,40 -0,071 0,943 Calmo, sereno / Nervoso, inquieto 3,61 ± 1,34 3,26 ± 1,40 -0,798 0,425 Velho / Jovem 4,61 ± 0,70 4,59 ± 0,80 -0,216 0,829 Erótico / Não erótico 2,22 ± 1,06 2,78 ± 1,37 -1,312 0,190 Frágil, fraco / Resistente, forte 3,22 ± 1,26 4,22 ± 1,09 -2,764 0,006 Alegre / Triste 4,00 ± 1,41 4,11 ± 1,12 -0,077 0,939 Coisa para que se olha / Coisa para que não se olha 3,06 ± 1,21 3,67 ± 0,92 -1,530 0,126 Enérgico / Não enérgico 3,83 ± 1,43 3,89 ± 1,28 -0,172 0,864 Socialmente desejável / Socialmente não desejável 3,06 ± 1,31 3,85 ± 0,95 -2,041 0,041 Valor médio da percepção da Imagem Corporal 3,44 ± 0,67 3,67 ± 0,53 Pela análise do quadro..., observamos que apenas existem diferenças estatisticamente significativas para o item “frágil, fraco / resistente, forte”, havendo também no item “socialmente desejável / socialmente não desejável”. Para os restantes itens não existem diferenças estatisticamente ! ! 60 CONCLUSÕES ! 79 6. CONCLUSÕES Serão apresentadas as conclusões do trabalho relativas às modalidades seleccionadas, assim como dos resultados obtidos no BIQ tendo por base as hipóteses formuladas inicialmente. H1. Os adolescentes do sexo masculino seleccionam mais desportos colectivos e de competição, enquanto as raparigas elegem actividades individuais ou a pares, menos intensas. A hipótese foi confirmada. A escolha das modalidades variou de acordo com o sexo, uma vez que os adolescentes do sexo masculino escolheram maioritariamente desportos colectivos, enquanto que as escolhas das adolescentes do sexo feminino apresentaram uma maior variedade. Contudo, para as modalidades mais escolhidas pelos adolescentes, em função do sexo, apenas existem diferenças significativas na escolha de futebol. As preferências dos adolescentes do sexo masculino recaem maioritariamente em desporto de competição, enquanto que nas adolescentes do sexo feminino são poucas as respostas positivas nesta opção. H2. As raparigas têm uma percepção da imagem corporal mais negativa, quando comparada à imagem corporal dos rapazes. A hipótese foi refutada. Entre as adolescentes do sexo feminino e os adolescentes dos sexo masculino não se verificaram diferenças significativas na percepção da imagem corporal, à excepção dos itens “frágil, fraco / resistente, forte” e “socialmente desejável / socialmente não desejável”. BIBLIOGRAFIA ! 80 H3. Quanto maior o valor de IMC, mais negativa será a percepção da sua imagem corporal. A hipótese foi refutada. A percepção da imagem corporal não variou em função do IMC, uma vez que entre o grupo de adolescentes com excesso de peso e o grupo de obesos, não existiram diferenças significativas. Neste grupo, apenas se verificaram diferenças estatisticamente significativas no item “vazio / cheio”. De uma forma geral, podemos concluir que embora os adolescentes apresentem uma percepção da imagem corporal não muito positiva, não existem diferenças significativas entre os grupo definidos. No seguimento deste estudo, deixamos algumas sugestões para futuros estudos: - Estudar as mesmas variáveis utilizando uma amostra maior; - Estudar as mesmas variáveis, realizando comparação entre adolescentes com excesso de peso e obesos, com adolescentes com o peso ideal para as suas idades. - Realizar o estudo da relação das preferências das modalidades desportivas com a percepção da imagem corporal. ! BIBLIOGRAFIA ! BIBLIOGRAFIA ! 83 7. BIBLIOGRAFIA Alves, J. (2003). Atividade física em crianças: promovendo a saúde do adulto. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil., 3(1), 5-6. American College of Sports Medicine. (2003). 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Lê atentamente as questões, procurando ser sincero(a) nas tuas respostas. Desde já agradeço a tua colaboração. 1. Data de nascimento: ____/____/______ 2. Sexo: Feminino! Masculino! 3. Naturalidade: _____________________ 4. Peso:_______ Altura:______ 5. Coloca por ordem de preferência, de 1 (a que prefiro mais) a 5 os desportos que preferias praticar. Caso prefiras algum desporto que não esteja nesta lista, refere-a na opção “Outro”. Andebol !"""""Ginástica de solo ! Futebol !"""""Ginástica de aparelhos ! Voleibol !"""""Ginástica acrobática ! Basquetebol ! Ginástica Rítmica ! Hóquei em patins !"""""Atletismo ! Râguebi !"""""Patinagem ! Natação !"""""Badminton !" Hidroginástica !"""""Ténis ! Dança Moderna !"""""Danças de Salão ! Desportos de Luta / Combate !" " " Remo !" Hipismo !"""""Surf ! Orientação ! Jogos Tradicionais ! Canoagem ! Montanhismo ! Escalada !""""""Vela ! Outro__________! Outro_________! 6. Preferias que a modalidade fosse de competição? Sim ! Não ! 7. Qual o local de prática que preferias? Escola ! Clube Desportivo ! Ginásio ! Natureza ! Outro___________! ! ANEXO 2 Questionário: “A IMAGEM DO CORPO” de Bruchon-Schweitzer (Adaptado e traduzido por Vasconcelos, 1995) Na lista abaixo, seguem-se várias afirmações opostas. Para cada par de afirmações opostas, coloca uma cruz na coluna que te convém. Tenta responder de forma a traduzir como sentes realmente o teu corpo e não segundo a imagem que gostarias que os outros tivessem dele. Consideras o teu corpo como: Muito Frequentemente Com alguma frequência Nem um, nem outro Com alguma frequência Muito Frequentemente Em má saúde Em boa saúde Fisicamente atractivo Fisicamente não atractivo Fonte de prazer Fonte de desprazer Feminino Masculino Puro, limpo Impuro, sujo Medroso Audacioso Vazio Cheio Coisa que se pode tocar Coisa em que não se pode tocar Indiferente, frio Terno, caloroso Exprimindo cólera Exprimindo calma Expressivo Inexpressivo Coisa que se mostra Coisa que não se mostra Calmo, sereno Nervoso, inquieto Velho Jovem Erótico Não erótico Frágil, fraco Resistente, forte Alegre Triste Coisa para que não se olha Coisa para que se olha Enérgico Não enérgico Socialmente desejável Socialmente não desejável Obrigada pela colaboração!