Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária
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Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Rua Dr. Roberto Frias, s/n 4200-465 Porto PORTUGAL VoIP/SIP: [email protected] ISN: 3599*654 Telefone: +351 22 508 14 00 Fax: +351 22 508 14 40 URL: http://www.fe.up.pt Correio Eletrónico: f[email protected] MESTRADO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E HIGIENE OCUPACIONAIS Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto EFEITOS DA ILUMINÂNCIA EM TRABALHO REALIZADO EM SECRETÁRIA Maria de Lurdes Gonçalves Couto Henriques Orientador: Professor Doutor João Manuel Abreu dos Santos Baptista Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Coorientador: Mestre Jacqueline Castelo Branco Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Arguente: Professor Doutor Paulo Antero Alves de Oliveira Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras IPP Presidente do Júri: Professor Doutor Alberto Sérgio de Sá Rodrigues Miguel Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto ___________________________________ 2014
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária I AGRADECIMENTOS Participar neste Mestrado obrigou a uma disponibilidade não só da minha parte mas também de todos os outros que participaram no meu quotidiano. Por este motivo sinto necessidade de expressar a minha gratidão a todos os que me rodeiam e em especial: Ao meu marido e às minhas filhas Mafalda e Beatriz, pela compreensão e apoio demonstrado durante o tempo em que estive no curso e durante o qual não pude dedicarlhes tempo e atenção. Aos meus pais que com amor, carinho e incentivo, me acompanharam ao longo da minha vida no crescimento pessoal e profissional. Ao meu orientador Professor Doutor João Manuel Abreu Santos Baptista e à minha coorientador Mestre Jacqueline Castelo Branco pelo incentivo, apoio, disponibilidade, paciência e contribuição para a realização deste trabalho. O vosso apoio foi incondicional. Ao Dr. Júlio Rendeiro e à Dr.ª Ysolda Vazquez pela compreensão, apoio e informação cedida. A todos os trabalhadores da Cliovar/Segursaude que acompanharam e colaboraram na realização deste trabalho. Um abraço para todos os meus colegas de curso, em especial aos que partilharam comigo trabalhos de grupo. A todos o meu Muito Obrigada.
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária III RESUMO No trabalho realizado em secretária é essencial ter iluminação adequada para que as tarefas a executar sejam desempenhadas sem esforço visual. Preferencialmente deve-se usar a iluminação natural, no entanto, uma vez que a iluminação natural varia com as condições atmosféricas, estações do ano, orientação dos edifícios, por si só, pode não garantir valores de iluminância suficientes, sendo necessário recorrer-se à iluminação artificial de forma a complementar a iluminação natural. Para a iluminação ser adequada deve-se ter em conta não só os aspetos quantitativos mas também os aspetos qualitativos de forma a garantir o conforto visual (sensação de bem estar) e o desempenho visual (conseguir executar as tarefas com precisão e rapidez mesmo durante longos períodos). Num ambiente de trabalho é importante, entre outros, que exista um equilíbrio entre a iluminação natural e a artificial. Este equilíbrio tem efeitos benéficos na manutenção do bemestar físico, mental e social dos trabalhadores contribuindo assim para elevar o nível de desempenho e produtividade. Com este estudo pretendeu-se avaliar a influência das condições atmosféricas e estações do ano nas condições da iluminância. O trabalho foi desenvolvido nas instalações de uma empresa prestadora de serviços externos de HSST. A amostra do estudo é constituída por 13 trabalhadores. Os instrumentos de trabalho usados para a recolha da informação foram uma checklist para caraterizar o ambiente de trabalho, um questionário para caraterizar a amostra, a atividade de trabalho e a perceção dos trabalhadores e uma máquina fotográfica. Recorreu-se também a um luxímetro para quantificar os valores de iluminância. Foi estudado a variação de iluminância nos diferentes postos de trabalho, durante três dias e ao longo do dia, nas épocas de inverno e primavera. Para cada espaço avaliado, efetuou-se a medição da iluminância de hora a hora (entre as oito horas e as dezoito horas) combinando as diferentes formas que cada utilizador possui para controlar a iluminação. Os resultados do estudo revelaram que existe forte influência das condições atmosféricas e das estações do ano nos resultados da iluminância, ou seja, na época de inverno como existe uma menor influência da iluminação natural no ambiente de trabalho interior, os valores de iluminância são mais baixos. Na primavera esta tendência inverte-se. No entanto, independentemente da época (inverno/primavera) a iluminação artificial não garantiu, em nenhum dos casos, a iluminância de 500 lux e 300 lux recomendada para atividades de escritórios/ gabinetes de atendimento médico e trabalhos de receção, respetivamente, conforme estipulado pela NORMA ISO 8995:2002. Por essa razão foi sugerido, entre outras medidas, o reforço da iluminação artificial. Os trabalhadores já apresentam sintomas de fadiga visual (cansaço nos olhos, olhos secos, visão nublada, entre outras). A maioria dos postos de trabalho encontram-se dispostos de forma incorreta em relação às fontes de luz (natural e artificial). Caso não sejam implementadas as medidas corretivas e preventivas sugeridas estes sintomas tenderão a agravar-se podendo vir originar doenças oftalmológicas, tais como miopia, astigmatismo. Palavras-chave: iluminação, iluminância, condições atmosféricas, estações do ano
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária V ABSTRACT It is essential to have the correct type and amount of lighting for work done on desktops so that the performed tasks are done without eyestrain. Preferably one should use natural lighting, however, since the natural light varies according to the weather conditions, seasons and the building orientation, this alone does not guarantee sufficient level of luminance, which means it is necessary to complement the natural lightning with artificial lighting. To have the correct levels of luminance, we have to take in account not only the aspects related to quantity but also the aspects related to quality to guarantee the visual comfort (sense of well being) and visual performance (able to perform tasks accurately and quickly even during long periods of time). It is important in a working environment, among others, that there exists a balance between the natural and artificial lighting. This balance has beneficial effects in maintaining the physical, mental and social well-being of workers which positively contributes to a higher level of performance and productivity. This study sought to assess the influence of weather conditions and seasons in terms of luminance. The study was conducted on the premises of a company providing external HSST services. This study sample consisted of 13 workers. The working instruments used for the collecting the information were checklists to characterize the work environment, a questionnaire to characterize the study sample, the work activity and the perception of workers and finally a camera. A light meter was also used to measure the levels of luminance. The variation of luminance in different jobs was measured and studied during three days and throughout the day in the winter and spring seasons. For each measured space, we performed the luminance measurements every hour (between eight hours, and eighteen hours) combining the different ways that each user has to control the lighting. The results of the study showed that there the weather and seasonal conditions has a strong influence on the results of luminance, ie, in the winter season as there is less influence of natural light in the interior work environment, luminance levels are lower . In spring this trend is reversed. However, regardless of the season (Winter / Spring) the artificial lighting did not ensure, in either case, the recommended luminance of 500 lux and 300 lux for office / offices used for medical care and receptionist work activities, respectively, as stipulated by STANDARD ISO 8995: 2002. For this reason it was suggested, among other measures, the increase in levels of artificial lighting. The workers have already shown symptoms of eyestrain (eye strain, dry eyes, blurred vision, etc.). The majority of the workplaces are incorrectly and ineffectively positioned in regard to the light sources (natural and artificial). If the suggested corrective and preventive measures are not implemented these symptoms tend to worsen and may eventually lead to eye diseases such as myopia, astigmatism. Keywords: lighting, luminance, weather, seasons
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária VII CONTEÚDO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 3 2 ESTADO DA ARTE ................................................................................................................ 5 2.1 Grandezas e Unidades Fotométricas................................................................................. 5 2.1.1 Fluxo Luminoso .......................................................................................................... 5 2.1.2 Intensidade Luminosa ................................................................................................. 5 2.1.3 Iluminância .................................................................................................................. 6 2.1.4 Luminância ou brilho .................................................................................................. 6 2.2 A Visão Humana .............................................................................................................. 7 2.3 Efeitos da iluminação no organismo humano ................................................................... 8 2.3.1 Problemas visuais: Fadiga visual ................................................................................ 8 2.3.2 Fadiga física ou muscular ............................................................................................ 8 2.3.3 Alterações psicossomáticas ......................................................................................... 9 2.3.4 Dano tecidual causado pela radiação ........................................................................ 10 2.3.5 Distúrbios no metabolismo humano .......................................................................... 11 2.4 Condições que afetam o desempenho no trabalho.......................................................... 12 2.4.1 Iluminação natural e artificial ................................................................................... 12 2.4.2 Nível de iluminância e temperatura de cor ................................................................ 14 2.4.3 Sistemas de iluminação ............................................................................................. 15 2.4.4 Iluminação dinâmica ................................................................................................. 16 2.5 Medidas gerais de prevenção .......................................................................................... 16 2.5.1 Medidas técnicas ............................................................................................................ 16 2.5.2 Medidas organizacionais ............................................................................................... 17 2.5.3 Medidas individuais .................................................................................................. 17 2.6 Enquadramento Legal e Normativo ................................................................................ 17 2.7 Apresentação da empresa ............................................................................................... 18 3 OBJETIVOS, MATERIAIS E MÉTODOS ........................................................................... 21 3.1 Objetivos ......................................................................................................................... 21 3.2 Materiais e Métodos ....................................................................................................... 21 3.2.1 Metodologia global adotada ...................................................................................... 22 3.2.2 Caraterização do ambiente de trabalho ..................................................................... 22 3.2.3 Equipamento de Medição .......................................................................................... 23 3.2.4 Local de medição ...................................................................................................... 23 3.2.5 Nº de amostras, tempo de ponderação e frequência de amostragem ......................... 24 3.2.6 Estratégia de Medição ............................................................................................... 25 3.2.7 Medição da iluminância ............................................................................................ 25 3.2.8 Técnica de medição ................................................................................................... 25
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária XV ÍNDICE DE EQUAÇÕES Equação 1 - Equação do fluxo luminoso ......................................................................................... 5 Equação 2 – Equação da intensidade luminosa ............................................................................... 5 Equação 3 – Equação da iluminância .............................................................................................. 6 Equação 4 – Equação da luminância ............................................................................................... 6
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária XVII
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária PARTE 1
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 3 1 INTRODUÇÃO Dada a atual conjuntura económica as empresas procuram constantemente formas de aumentar o seu desempenho e produtividade, garantindo a sua competitividade num mercado cada vez mais exigente. A produtividade depende entre outros fatores, do bem-estar do trabalhador no ambiente de trabalho. Num ambiente de trabalho, uma iluminação adequada é um dos fatores que permite ao trabalhador alcançar esse bem-estar (Kovalechen, 2012). Os efeitos benéficos da luz natural já são conhecidos desde a antiguidade e graças aos avanços na investigação médica e biológica o carater benéfico da luz (seja natural ou artificial) para a saúde e bem-estar das pessoas tornou-se fulcral. Encontra-se demonstrado que os trabalhadores saudáveis aumentam a produtividade e beneficiam as empresas e as economias nacionais, na medida em que contribuem para reduzir o número de acidentes e de doenças, diminuir as participações de sinistro e os pedidos de indemnização. As empresas têm vindo a aperceber-se dessa realidade e da importância de prover espaços de maior conforto aos seus funcionários (BIT, 2008). O trabalho realizado em secretária envolve uma grande variabilidade de tarefas, entre as quais, visualização de documentos, leitura de textos, comunicação com os colegas, trabalho em equipamentos dotados de visor (EDV), utilização de telefone, scanner, fotocopiadora e envio e receção de faxes. Para a realização das suas tarefas, o trabalhador tem de usar entre outros o sistema visual, um dos principais sistemas do nosso organismo (Cravo, 2013). Estudos realizados evidenciam que a presença de condições de conforto visual e psicológico asseguram o bem-estar e aumentam a motivação do trabalhador, o que conduz a um melhor desempenho e incremento na produtividade (Manav, 2007). Sendo assim, a iluminação no ambiente de trabalho não deve considerar apenas aspetos quantitativos, mas também promover os aspetos qualitativos que, ao longo do dia de trabalho, ajudem a criar estímulos e situações de descontração (Pais, 2011). Investigações médicas e biológicas mostram que a luz captada através dos olhos, para além de um efeito visual, também tem um importante efeito biológico não visual sobre o corpo humano, influenciando de forma positiva a saúde, bem-estar, estado de alerta, assim como a qualidade do sono (Bommel W. J., 2006). Caso a iluminação não seja a adequada (quer seja pelo seu excesso, quer pela sua carência), os efeitos da iluminação no organismo humano começam gradualmente a manifestar-se e se não forem tomadas medidas preventivas e corretivas pode dar origem a doenças (Crespo & Dapena, 2005). As doenças representam um custo que embora não seja fácil de apurar é, regra geral, significativo. Os principais impactos do seu surgimento geram-se sobre os trabalhadores, ao nível da dimensão das consequências sobre a sua saúde, temporárias ou permanentes e sobre a empresa, ao nível do absentismo gerado e do decréscimo da capacidade produtiva, entre outros (Freitas & Cordeiro, 2013). A iluminação é portanto um risco físico importante de avaliar e isso encontra-se bem patente nos principais diplomas legais sobre condições de HST (artigo 14.º do Decreto-lei nº 243/86 de 20 de Agosto e artigo 18.º da Portaria nº 53/71 de 03 de Fevereiro), onde refere que a iluminação nos locais de trabalho deve ser adequada aos requisitos da tarefa a executar, devendo ser iluminados preferencialmente com iluminação natural. No entanto, uma vez que a iluminação natural varia ao longo do dia e ao longo do ano, por si só, pode não proporcionar a iluminação suficiente às atividades a executar. Sendo assim, a iluminação artificial deve estar presente de forma a complementar a iluminação natural quando for necessário, de modo que o trabalho possa ser realizado de forma segura e eficiente (Santos,
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 4 Introdução 2000). A grande vantagem da iluminação artificial é permitir o desenvolvimento dos trabalhos sem limitações de horários, estendendo-se durante a noite. As condições de iluminação condicionam a perceção dos trabalhadores face ao conforto visual, que se traduz em fadiga visual, fadiga ocular, acidentes de trabalho e posturas incorretas (Pais, 2011). Uma iluminação adequada é portanto, uma condição imprescindível para a obtenção de um bom ambiente de trabalho. Consciente desse facto, surgiu a oportunidade de realizar este estudo na empresa de forma a avaliar se as condições de trabalho respondem às necessidades dos trabalhadores. Face ao exposto, a questão científica que se coloca é saber como variam as condições de iluminação ao longo do ano e como pode ser compensado com a iluminação artificial. Para isso foi sugerida a seguinte hipótese de trabalho: as condições de iluminação cumprem com os valores de iluminância definidos na norma ISO 8995:2002.
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 5 2 ESTADO DA ARTE Neste capítulo será efetuada a revisão bibliográfica, onde é feito o enquadramento teórico relativo ao tema, bem como conceitos científicos que fundamentam o seu desenvolvimento. 2.1 Grandezas e Unidades Fotométricas 2.1.1 Fluxo Luminoso O fluxo luminoso é a quantidade total de luz emitida por uma fonte luminosa em todas as direções durante um segundo. Figura 1 - Fluxo luminoso (Eurisko – Estudos, Projectos e Consultoria, S.A., 2011) Equação 1 - Equação do fluxo luminoso Onde: - Fluxo luminoso - Lúmen (lm) W rad – Energia radiante t - Tempo 2.1.2 Intensidade Luminosa A intensidade luminosa é uma medida do fluxo luminoso emitido numa determinada direção. Figura 2 – Intensidade Luminosa (Eurisko – Estudos, Projectos e Consultoria, S.A., 2011) Equação 2 – Equação da intensidade luminosa
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 12 Estado da arte 2.4 Condições que afetam o desempenho no trabalho Seguidamente apresenta-se algumas constatações de pesquisas realizadas sobre o desempenho e a produtividade das pessoas que trabalham sob diferentes condições de iluminação. 2.4.1 Iluminação natural e artificial Para detetar a influência da iluminação no comportamento das pessoas, num ambiente fechado, foi realizado um estudo em duas épocas do ano diferentes (inverno - janeiro e verão - maio), de forma a determinar os níveis de queixas em relação ao stresse. Um grupo de pessoas trabalhava unicamente com iluminação artificial e o outro grupo trabalhava com iluminação mista (natural e artificial). Este estudo permitiu concluir que em janeiro, não existe praticamente nenhuma diferença entre os resultados dos dois grupos uma vez a entrada da iluminação natural não é suficiente para causar uma contribuição substancial. No mês de maio, o grupo que beneficiou de iluminação natural obteve um menor número de queixas em relação ao stresse. Pode-se assumir, então, que a quantidade de iluminação natural no verão contribui para a redução do número de queixas por stresse (Wout & Bommel, 2006). Em ambientes interiores, os valores de iluminação artificial sem as contribuições da iluminação natural, variam entre 100 e 500 lux e são geralmente determinados pelas normas. Felizmente, em muitos casos, a iluminação natural consegue penetrar nos edifícios, pelo menos por algumas horas por dia, aumentando substancialmente os valores gerais de iluminação. Outra diferença entre a iluminação natural e iluminação artificial é a dinâmica na intensidade luminosa e na temperatura de cor que a iluminação natural apresenta. A iluminação natural tem uma influência positiva no humor e estimulação das pessoas e existe evidências que indicam que pode-se duplicar estas influências positivas com a iluminação artificial dinâmica (Bommel, Beld, & Ooyen, 2002). Um outro estudo sobre as condições de trabalho em escritórios mostrou que as pessoas preferem combinar a iluminação natural com a iluminação artificial (em média 800 lux acima da iluminação natural) (Bommel, Beld, & Ooyen, 2002) . As pessoas com os postos de trabalho perto da janela, ou seja, com influência da iluminação natural com valores de iluminância perto dos 2390 lux no plano de trabalho passam mais tempo a trabalhar ao computador e menos tempo a conversar ou ao telefone, quando comparado com as pessoas que trabalham em postos de trabalho sem janelas, com valores de iluminância a chegar aos 603lux no plano de trabalho. A causa dessas constatações eram desconhecidas mas os resultados foram e são consistentes com as hipóteses que a iluminação brilhante aumenta a produtividade durante os meses de inverno. Este estudo foi realizado no inverno em 81 escritórios, com 120 postos de trabalho, sendo 35 com janela, com dois postos de trabalho cada e 25 sem janela também com dois postos de trabalho cada, durante nove semanas. (Figueiro, Rea, Stevens, & Rea, 2002). Ter uma janela no posto de trabalho é melhor para a satisfação com a iluminação do que ter apenas acesso à iluminação natural. As janelas têm sido referidas como estimulantes pois proporcionam o contato visual com o exterior (Ribeiro, 2006) e permitem que os olhos relaxem especialmente se o trabalho envolver olhar para detalhes a curtas distâncias (Nicol, Wilson, & Chiancarella, 2006). Outros investigadores, descobriram que a presença de janelas tem sido um factor preferencial por parte dos trabalhadores e que as pessoas acreditam que trabalhar com iluminação natural é melhor para a saúde e o bem-estar do que trabalhar apenas com a iluminação artificial (Veitch, Geerts, Charles, Newsham, & Marquardt, 2005). As janelas têm também sido referidas como uma possível fonte de distração (Ribeiro, 2006).
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 13 Van Bommel & Van den Beld (2004) constataram que no inverno a exposição das pessoas a iluminação artificial brilhante (2500 lux e 6500K) em ambientes interiores tem um efeito positivo sobre o humor e vitalidade, reduzindo sintomas depressivos. A iluminação artificial brilhante pode provavelmente compensar a diferença da quantidade de iluminação natural num ambiente de trabalho interior. A exposição de meia hora à iluminação natural (entre 1000 lux e 4000 lux) é quase tão eficaz como uma sesta na redução da sonolência após as refeições em indivíduos saudáveis, aumentando assim estado de alerta e desempenho (Borisuit, Linhart, Scartezzini, & Munch, 2014). Em 2014, os mesmos investigadores mostraram uma forte associação para duração do sono (mais longo em média 46 minutos por noite) e padrões de qualidade de vida no escritório em trabalhadores que possuem janelas (iluminação natural) nos locais de trabalho quando comparado com os trabalhadores que não possuem sem janelas (Borisuit, Linhart, Scartezzini, & Munch, 2014). Pesquisas efetuadas constataram que a iluminação natural em ambientes fechados não está apenas associada a efeitos positivos. Quando indevidamente projetada, pode estar na origem de encandeamentos (desconforto ou alteração da visão que ocorre quando a zona a visualizar se encontra excessivamente iluminada relativamente à luminosidade ambiente para o qual o olho está adaptado), alterações do ambiente térmico, nomeadamente no aquecimento das zonas próximas das janelas (Nicol, Wilson, & Chiancarella, 2006) e em dias nublados em que há flutuações frequentes de luz, a iluminação natural pode ocasionar desconforto, devido ao sistema visual tentar de forma subconsciente e continuada adaptar-se às mudanças de iluminação (Kim & Kim, 2007). Sendo assim é importante que exista um equilíbrio entre a iluminação natural e a artificial, bem como uma adequada localização dos postos de trabalho em relação às fontes de iluminação, evitando as posições contra a luz, pois estas diminuem a visibilidade e aumentam o esforço visual (Ribeiro, 2006). Maria Kovalechen na sua revisão bibliográfica chegou à conclusão que as melhores condições de iluminação para se obter um maior desempenho na realização do trabalho em escritórios são valores de iluminância na ordem dos 1700 lux ou mais, temperatura de cor variável (iluminação dinâmica), de 2700K a 6000K e presença de iluminação natural (Kovalechen, 2012). A iluminação que tenha em consideração os critérios visuais e não visuais, sem causar desconforto visual é chamada de iluminação saudável (Aries, 2005). As recomendações atuais para a iluminação em escritórios são baseadas em critérios visuais. Aries (2005) na sua tese caraterizou as condições de iluminação com base nos critérios visuais e não visuais em 10 edifícios de escritório na Holanda. Para isso efetuou medições em 87 postos de trabalho e entregou 333 questionários aos trabalhadores de forma a caraterizar a amostra, a atividade de trabalho, a perceção visual e sensações individuais, tais como saúde, humor, atenção, entre outras. As questões incluíram itens visuais e não visuais. As medições mostraram que quase todos os escritórios visitados satisfaziam os critérios visuais. Cerca de 90% dos casos investigados apresentaram valores de iluminância horizontais superiores a 500 lux, sobre o plano de trabalho. Em geral, na maior parte dos escritórios os funcionários (85%) estão satisfeitos com a iluminação nos postos de trabalho. A iluminação nos escritórios não satisfaz os critérios não visuais, assumidos com um valor de iluminância de 1000 lux, no plano vertical. Valores de iluminância verticais superiores a 1000 lux foram medidos em apenas 20% dos casos. Na primavera (abril-maio) a contribuição natural foi consideravelmente maior do que no período mais escuro do ano (outubro-março). Especialmente nesse período é necessário complementar a iluminação natural com a iluminação artificial, de forma a atingir valores de iluminância vertical superior a 1000 lux. A iluminância vertical sobre a janela é determinada por parâmetros climáticos (exemplo tempo, hora, época do ano). O estudo mostrou também correlações significativas entre iluminância vertical ao nível dos
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 14 Estado da arte olhos e os parâmetros de fadiga e qualidade do sono. Altos valores de iluminância vertical, foram associados a menores níveis de fadiga, maior concentração e atenção e melhor qualidade do sono (Aries, 2005). Conforme constatado pela investigadora, a iluminação tem uma influência tanto visual como não visual sobre os seres humanos. Os resultados confirmaram que é possível projetar escritórios com uma iluminação que atenda tanto aos critérios visuais como não visuais. 2.4.2 Nível de iluminância e temperatura de cor Das pesquisas realizadas em ambiente industrial Van Bommel & Van den Beld (2004) concluiu que um melhoramento no nível de iluminância, de 300 para 2000 lux, aumenta a produtividade em 20% resultante da redução da rejeição, menores erros, melhor desempenho de trabalho e redução dos acidentes de trabalho. Com um melhoramento de 300 para 500 lux consegue-se um aumento de 8% na produtividade. Van Bommel acredita que para escritórios os valores obtidos de produtividade sejam semelhantes. Kuller e Wetterberg (1993) estudaram o padrão das ondas cerebrais (EEG) das pessoas num laboratório que foi transformado em ambiente de escritório, aplicando dois valores de iluminância: 1700 lux e 450 lux. Obtiveram como resultado um menor número de ondas delta (a atividade delta do EEG é um indicador de sonolência) com o valor de iluminância superior (1700lux) o que significa que a luz brilhante tem uma influência sobre o sistema nervoso central deixando as pessoas em estado de vigília (Van Bommel & Van den Beld, 2004). A substituição das lâmpadas incandescentes pelas de maior eficiência energética, lâmpadas fluorescentes compactas (LFC) e lâmpadas LED, de 2700 – 3000 K e com bom índice de reprodução de cor (80 ou mais) não apresenta efeitos de distúrbios extras no nosso ritmo corporal e, portanto, na nossa saúde. Já as lâmpadas branco-frias, de 4000 K, tanto LFC como LED, resultam numa maior dose biológica (efeito não visual total da luz) na ordem de 34%, o que provoca um envelhecimento mais acentuado nos olhos, uma diminuição do estado de alerta e do bem-estar do indivíduo. Isso também ocorre com as lâmpadas halógenas, mas da ordem de 30% (Van Bommel W. , 2010). Para investigar os efeitos nas pessoas expostas à luz branco-azulada durante o horário de trabalho diurno em escritórios, foi realizado um estudo onde participaram 104 pessoas que foram expostas a duas condições de iluminação, durante 4 semanas cada. Uma das condições consistia na exposição a luz branco-azulada (17000K) e a outra a luz branca (4000K). Foram utilizados questionários e escalas de classificação para avaliar estado de alerta, humor, qualidade do sono, desempenho, esforço mental, dor de cabeça e fadiga ocular durante as 8 semanas de intervenção. Os resultados obtidos mostraram que a iluminação com luz branco-azulada nos escritórios, quando comparadas com escritórios iluminados com luz branca, tem efeitos benéficos no estado de alerta diurno, desempenho, humor e fadiga ocular, bem como na qualidade e duração do sono (Viola, James, Schlangen, & Dijk, 2008). Expôs-se 16 pessoas a três diferentes configurações de iluminação (lâmpadas fluorescentes compactas com pacote de luz de 40 lux a 6500 e a 2500 K e lâmpadas incandescentes de 40 lux a 3000 K) durante duas horas à noite para investigar se as lâmpadas fluorescentes compactas disponíveis no mercado com diferentes temperaturas de cor têm impacto no estado de alerta e no desempenho cognitivo. Ficou demonstrado que a resposta de alerta à luz policromática à noite depende do comprimento de onda, sendo a luz a 6500 K mais eficaz que a luz a 2500 e 3000 K na redução do sono (maior supressão da melatonina) e no aumento do desempenho cognitivo, especialmente na realização de tarefas onde é exigido maior atenção. Neste estudo, a exposição à luz azulada aumentou o bem-estar, o qual já foi também descrito para exposição à luz natural azulada. Os resultados mostraram que o estado de alerta, bem-estar e desempenho cognitivo
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 15 podem ser aumentados enriquecendo-se a composição espectral da fonte de luz com baixos comprimentos de onda (azul), além de demonstrar que as lâmpadas fluorescentes compactas disponíveis no mercado causam impacto significativo na fisiologia circadiana e no desempenho cognitivo (Chellappa, et al., 2011). 2.4.3 Sistemas de iluminação Já em 1989 Wilkens, concluiu-se que algumas pessoas têm dores de cabeça devido à flutuação (piscar) da iluminação artificial. Esta flutuação é provocada pela alimentação de 50 Hz das lâmpadas fluorescentes acionadas por balastros magnéticos (efeito flicker). As lâmpadas fluorescentes que funcionam com balastros eletrónicos, de alta frequência, trabalham a uns 30 kHz e, portanto, não produzem essa flutuação (Van Bommel & Van den Beld, 2004). Conseguese assim reduzir o número de casos de dores de cabeça utilizando estes balastros eletrónicos. Kuller e Laike (1998) estudaram o padrão das ondas cerebrais (EEG) de pessoas que trabalham num escritório com lâmpadas fluorescentes acionadas por balastros magnéticos (50Hz) e com lâmpadas fluorescentes acionadas por balastros eletrónicos, de alta frequência. Ao mesmo tempo, mediram a velocidade e erros cometidos em tarefas de leitura. Com esta pesquisa constataram que trabalhar com uma iluminação de 50 Hz a excitação cerebral (stresse) é maior, a velocidade de trabalho é ligeiramente superior, mas os erros cometidos são drasticamente superiores (mais do dobro). Deve-se, portanto, utilizar lâmpadas fluorescentes acionadas por balastros eletrónicos, de alta frequência em vez de lâmpadas fluorescentes acionadas por balastros magnéticos (50Hz) para limitar a excitação cerebral (stresse) e promover o bem-estar e desempenho das pessoas (Van Bommel & Van den Beld, 2004). Na Finlândia, numa empresa que produz luminárias foi realizada uma pesquisa para investigar o que acontece à produtividade, caso seja permitido aos trabalhadores controlarem o sistema de iluminação da tarefa. Os valores de iluminâncias selecionadas pelos trabalhadores foram recomendados. Com esta pesquisa, constatou-se um aumento da produtividade na ordem de 4,5% (Juslén, Wouters, & Tenner, 2007). Em 2005, testou-se em laboratório três conceitos diferentes de iluminação artificial (Figura 7). Figura 7 – Distribuição espectral da emissão da energia Condição 1 – Sistema de iluminação com dois componentes, com uma combinação geral e uma local montada na parede; Condição 2 - Sistema de iluminação com dois componentes, com uma combinação geral e uma local pendurada na parede; Condição 3 - Sistema de iluminação com um componente, só iluminação geral.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 16 Estado da arte Os resultados mostraram que os três conceitos de iluminação satisfazem os critérios visuais e não visuais. Com as técnicas comuns, mas adaptadas é possível fornecer uma quantidade suficiente de iluminação vertical e criar soluções de iluminação saudáveis (Aries, 2005). 2.4.4 Iluminação dinâmica Segundo Van Bommel (2006), num ambiente de trabalho, é necessário promover ambientes de ação assim como de relaxamento. Isso consegue-se combinado a temperatura de cor e o nível de iluminação artificial. Pela manhã, em ambiente fechado a iluminação artificial inicia-se com um valor de iluminância relativamente alto e com estimulação – luz branca-fria (6000K). Esta luz ajuda a manter o ritmo circadiano de 24 horas, especialmente nas regiões onde, nos meses de inverno, as pessoas chegam ao trabalho ainda de noite/escuro. Na sequência, a luz gradualmente muda para branco-quente a um valor de iluminância mais baixo, o que acarreta economia de energia. Por volta do meio-dia, é proporcionado um valor mínimo de iluminância (500 lux) necessário para as atividades visuais, mas numa temperatura de cor branco-quente (3000 K) para criar um ambiente relaxante. É importante proporcionar este ambiente relaxante já que existem muitos resultados científicos que mostram claramente o efeito de recuperação na hora do almoço, com efeitos positivos e duradouros no estado de alerta e desempenho cognitivo no período da tarde. Após o almoço, é proporcionado um forte aumento no valor de iluminância e da temperatura de cor (para branco-frio) para reativar o corpo. Durante a tarde, quer o valor de iluminância quer a temperatura de cor, são gradualmente reduzidos. Novamente, a redução no valor de iluminância gera economia de energia. Logo antes do final do dia de trabalho, um leve impulso de luz branco-fria é dado, porém sem aumentar o valor de iluminância, para recarregar o trabalhador para retornar a casa. As temperaturas de cor de 3000 e 6000 K são facilmente obtidas com as lâmpadas fluorescentes, de índice de reprodução de cor 80. 2.5 Medidas gerais de prevenção Para reduzir os riscos ligados à exposição dos trabalhadores a iluminação inadequada durante o desempenho das suas funções, a legislação nacional vincula os empregadores a adotarem medidas preventivas (medidas técnicas de proteção coletiva, de organização do trabalho e de proteção individual) e de boas praticas, para prevenir os efeitos nocivos sobre a saúde (Freitas & Cordeiro, 2013). 2.5.1 Medidas técnicas As medidas técnicas visam envolver ou eliminar o risco, isso inclui, entre outras a aplicação das seguintes medidas: Níveis de iluminação nos postos e locais de trabalho de acordo com as tarefas/atividades a executar e as características das instalações (artigo 14.º do Decreto-lei nº 243/86 de 20 de Agosto); Implementação de um sistema de iluminação artificial que permita uma iluminação uniforme e constante, redução dos reflexos e do encandeamento (artigo 14.º do Decretolei nº 243/86 de 20 de Agosto); Iluminação adequada das zonas de circulação de pessoas, equipamentos de trabalho, escadas, corredores e zonas técnicas (artigos 14.º e 15.º do Decreto-lei nº 243/86 de 20 de Agosto);
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 17 Iluminação de emergência das instalações (artigos 14.º e 15.º do Decreto-lei nº 243/86 de 20 de Agosto e Capítulo II da Portaria 1532/2008 de 29 de Dezembro); Evitar reflexos, através de visor e superfícies do plano de trabalho com caraterísticas antireflexo (Portaria nº 989/93 de 6 de Outubro); Disposição espacial eficiente dos componentes do posto de trabalho (Portaria nº 989/93 de 6 de Outubro); Nos equipamentos dotados de visor (EDV) correta colocação do visor, teclado e rato sobre o plano de trabalho (Portaria nº 989/93 de 6 de Outubro); Superfícies envidraçadas com sistemas de regulação e controlo da entrada da luz natural (Portaria nº 989/93 de 6 de Outubro); Manutenção das instalações de iluminação (artigo 6.º Decreto-lei nº 50/2005 de 25 de Fevereiro). 2.5.2 Medidas organizacionais As medidas organizacionais visam afastar o Homem dos riscos, isso inclui: Efetuar à avaliação periódica dos riscos profissionais (artigo 15.º da Lei nº 102/2009 de 10 de Setembro); Avaliação periódica dos valores de iluminância (artigo 15.º da Lei nº 102/2009 de 10 de Setembro); Rotatividade dos trabalhadores nas tarefas que requeiram maior acuidade visual (artigo 15.º da Lei nº 102/2009 de 10 de Setembro e artigo 22.º do Decreto-lei nº 243/86 de 20 de Agosto); Introduzir pausas na realização do trabalho (artigo 15.º da Lei nº 102/2009 de 10 de Setembro e artigo 22.º do Decreto-lei nº 243/86 de 20 de Agosto). 2.5.3 Medidas individuais As medidas individuais, como o próprio nome indica visa proteger o Homem, isso inclui: Formar os trabalhadores sobre os procedimentos e boas pratica a adotar (artigos 15.º e 20.º da Lei nº 102/2009 de 10 de Setembro e artigo 8.º do Decreto-lei nº 349/93 de 1 de Outubro); Informar os trabalhadores dos riscos associados a valores de iluminação inadequados (insuficiente ou excessivo) (artigos 15.º e 19.º da Lei nº 102/2009 de 10 de Setembro e artigo 8.º do Decreto-lei nº 349/93 de 1 de Outubro); Vigilância médica e optométrica da acuidade visual dos trabalhadores (artigo 15.º da Lei nº 102/2009 de 10 de Setembro e artigo 7.º do Decreto-lei nº 349/93 de 1 de Outubro). 2.6 Enquadramento Legal e Normativo Não existe legislação portuguesa específica relativa à iluminação nos locais de trabalho, a qual se encontra dispersa e abordada em diversos diplomas. A Segurança e Saúde do Trabalho é regulamentada pela Lei n.º 3/2014 de 28 de Janeiro, procede à segunda alteração à Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro e pela Lei n.º 102/2009 de 10 de Setembro, que estabelece o Regime Jurídico da Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho (artigos 3.º e 15.º). Estas duas Leis têm como enfoque o trabalhador, encontrando-se bem visível no artigo 15.º - “O empregador deve assegurar ao trabalhador condições de segurança e de saúde em todos os
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 18 Estado da arte aspetos do seu trabalho”. Estes diplomas aplicam-se a todas as atividades, dos sectores privado ou cooperativo e social. Os diplomas acima mencionados devem ser complementados com o Decreto-lei nº 243/86 de 20 de Agosto, que estabelece o Regulamento Geral de Higiene e Segurança do Trabalho, nos estabelecimentos comerciais, escritórios e serviços (artigos 14.º, 15.º, 16º e 17.º) e com a Portaria nº 987/93 de 6 de Outubro de 20 Agosto, referente às prescrições mínimas de segurança e de saúde nos locais de trabalho (artigo 8.º). Estes artigos focam principalmente a necessidade de iluminação artificial (complementar ou exclusiva) quando iluminação natural não for suficiente. No trabalho realizado em secretária deve-se ainda considerar o Decreto-lei n.º 349/93, de 1 de Outubro e a Portaria nº 989/93, de 6 de Outubro, que estabelece as prescrições mínimas de segurança e saúde respeitantes ao trabalho com equipamentos dotados de visor. Eles definem uma série orientações com vista a prevenir os riscos profissionais e a garantir a proteção da saúde dos trabalhadores. Na ausência de legislação nacional específica, adota-se os valores indicados na norma ISO 8995:2002 – Iluminação no interior de locais de trabalho, que define os valores de iluminação recomendados para determinadas atividades/tarefas em função do tipo de tarefas desempenhadas nos diferentes locais de trabalho analisados, conforme tabela 2. Tabela 2 – Valores de iluminância definidos na norma ISO 8995:2002 Atividade/tarefas Em (lux) Escritórios Arquivo, fotocopias, circulação, etc. 300 Escrita, leitura e processamento de dados 500 Sala de conferências e de reunião 500 Desenho técnico 750 Receção 300 Áreas gerais do edifício Consultório de atendimento médico 500 Consultório de enfermagem 500 2.7 Apresentação da empresa A empresa em estudo presta serviços na área da Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho, encontra-se sediada no distrito de Aveiro. Os locais de trabalho que o estudo trata são consultórios médicos e gabinetes técnicos. Como recursos humanos, a empresa integra 13 funcionários. Em termos de recursos físicos, a empresa conta com uma área total de aproximadamente 171,4m2. Caraterização do espaço em estudo: A tipologia do espaço de trabalho na empresa é a seguinte gabinetes e um open-space. Para além dos espaços referidos, existem outros espaços comuns, como espaço de faxes, de impressão e de fotocópias, sala de reunião/sala de formação, espaço de refeição e lazer. Os postos de trabalho encontram-se dispostos de forma individual (Figuras 8, 11, 12 e 13) e de forma combinada (Figuras 9 e 10). A forma individual é um gabinete/consultório isolado. A forma combinada é o open-space, em que os postos de trabalho estão organizados em ilhas, com lotação de 2 postos de trabalho por ilha.
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 19 Os postos de trabalho (gabinetes técnicos) estão equipados com uma secretária (plano de trabalho), uma cadeira, um computador fixo ou móvel, um telefone, material diverso de papel e outros equipamentos que variam de acordo com as necessidades individuais por gabinete. Em redor desses postos de trabalho encontram-se outros postos de trabalho, no caso do open-space, superfícies de separação (biombos), superfícies laterais (paredes), janelas, móveis e mesas de apoio (Figuras 9 e 10). No teto, encontram-se as luminárias e as grelhas de ventilação. Figura 8 – Gabinete de contabilidade (P.T 10) Figura 9 – Open-space (inclui o P.T 1/2/3/4) Figura 10 – Open-space (inclui o P.T 5/6) Os postos de trabalho (consultórios médicos e gabinete de enfermagem) (Figuras 11, 12 e 13) estão equipados com uma secretária (plano de trabalho), uma cadeira, um computador fixo de secretária, um telefone, equipamento médico e uma marquesa por consultório. Em redor desses postos de trabalho encontram-se as superfícies laterais (paredes), lavatório de mãos, janelas, móveis e mesas de apoio. No teto, encontram-se as luminárias e as grelhas de ventilação.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 20 Estado da arte Figura 11 – Consultório Médico 1 (P.T 7) Figura 12 – Consultório Médico 2 (P.T 8) Figura 13 – Gabinete de enfermagem (P.T 11)
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 21 3 OBJETIVOS, MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Objetivos O objetivo desta dissertação é avaliar a influência das condições atmosféricas e estações do ano nas condições da iluminância. 3.2 Materiais e Métodos O estudo realizado está dividido em cinco componentes distintas: Componente prática da investigação realizada, que se concentra na aquisição e tratamento de dados; Apresentação de resultados; Discussão de resultados; Sugestões de melhoria; Conclusões do estudo e as perspetivas de desenvolvimento futuras. A Figura 14, esquematiza a sequência do desenvolvimento do trabalho. Figura 14 – Esquema da metodologia utilizada no desenvolvimento do trabalho Iniciou-se o presente trabalho com uma revisão bibliográfica no sentido de preparar uma metodologia adequada com o objetivo estabelecido. Em seguida, e de acordo com o estabelecido, realizaram-se as medições da iluminância para a obtenção de dados (cujo tratamento se deve à revisão bibliográfica realizada), bem como a interpretação dos seus resultados. Por fim, em conjunto com as últimas atualizações científicas e junto os resultados devidamente interpretados, apresentam-se sugestões de melhoria assim como as conclusões e perspetivas de desenvolvimento futuras.
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 29 4 RESULTADOS Neste capítulo serão apresentados os resultados obtidos por dia em cada um dos pontos de amostragem (figura 16). As medições foram realizadas durante três dias em cada época (inverno / primavera) e ao longo dos dias sob diferentes combinações, de forma a obter perfis comparáveis entre si, e no sentido de determinar a melhor alternativa, em relação a gabinetes semelhantes. Os resultados serão apresentados sob a forma de tabelas com uma escala colorimétrica (tabela 5) para facilitar as interpretações. Tabela 5 – Escala Colorimétrica utilizada nas tabelas dos pontos de amostragem Escala colorimétrica (lux) 100 [100; 200[ [200; 400[ [400; 500[ [500; 1000[ [1000; 2000[ >2000 A tabela 6 apresenta as condições atmosféricas do dia 24/01/2014 (época de inverno)3: Tabela 6 – Condições atmosféricas no dia 24/01/2014 Data da amostragem: 24/01/14 Hora Tempo T (ºC) Precipitação (%) Hr (%) Vento (km/h) 08:00 Muito nublado 11 40 95 6 09:00 Muito nublado 11 40 90 6 10:00 Muito nublado 11 30 85 3 11:00 Parcialmente nublado 12 20 70 2 12:00 Parcialmente nublado 12 20 70 2 13:00 Parcialmente nublado 12 20 70 2 14:00 Muito nublado 12 40 71 3 15:00 Muito nublado 13 30 72 3 16:00 Muito nublado 13 30 72 3 17:00 Muito nublado 13 30 72 3 As tabelas 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16 e 17 apresentam os resultados obtidos no dia 24/01/2014 em cada posto de trabalho. PT1 Tabela 7 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT1 ao longo do dia – 24/01/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:3 0 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 163 174 256 432 445 467 322 301 283 162 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 75 80 101 115 228 236 228 119 96 69 3 https://www.google.pt/#q=metereologia+ovar, acedido em 24/01/2014.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 30 Tratamento e Análise de Dados Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:3 0 16:30 17:30 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 132 133 150 149 149 148 148 148 143 128 PT2 Tabela 8 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT2 ao longo do dia – 24/01/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 173 184 266 444 455 477 332 299 293 172 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 66 83 111 125 239 246 238 129 102 89 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 142 143 161 158 159 158 158 158 154 137 PT3 Tabela 9 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT3 ao longo do dia – 24/01/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 161 170 246 413 422 451 314 299 273 159 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 65 78 99 110 218 227 218 111 86 68 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 130 130 148 138 138 137 137 136 132 120 PT4 Tabela 10 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT4 ao longo do dia – 24/01/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 172 195 256 333 475 487 342 300 283 162 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 67 80 101 115 221 229 220 118 88 78 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 133 133 150 154 154 153 154 152 134 121 Os postos de trabalho 1, 2, 3 e 4 apresentam valores de iluminância ao longo do dia muito semelhantes pois estão orientados a poente. Existe uma altura do dia, entre as 11:30 e as 13:30 que os postos de trabalho quase conseguem atingir os níveis recomendados pela norma. PT5 Tabela 11 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT5 ao longo do dia – 24/01/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 31 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 121 121 141 141 214 212 213 213 190 106 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 6 24 51 90 108 113 128 131 112 9 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 120 122 125 127 115 117 115 113 114 104 PT6 Tabela 12 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT6 ao longo do dia – 24/01/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 82 90 103 125 130 113 122 120 113 81 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 1 7 33 38 44 62 77 75 67 2 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 93 96 99 100 90 97 95 94 86 91 Os postos de trabalho 5 e 6 estão orientados a norte. Com qualquer uma das condições, ambos os postos de trabalho apresentam valores de iluminância muito baixos. PT7 Tabela 13 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT7 ao longo do dia – 24/01/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 151 156 165 172 184 191 202 214 199 140 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 8 23 64 70 65 119 124 85 51 7 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 146 150 180 164 174 180 183 182 177 137 PT8 Tabela 14 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT8 ao longo do dia – 24/01/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 143 149 151 162 172 161 191 203 184 123 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 0 1 2 3 3 3 2 1 1 0 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 139 147 149 153 164 157 180 115 172 120 A condição de lâmina aberta e luz desligada apresenta valores de iluminância ao longo do dia muito baixos (valores que variam entre o zero e o três) pois não tem praticamente nenhuma contribuição da iluminação natural.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 32 Tratamento e Análise de Dados PT9 Tabela 15 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT9 ao longo do dia – 24/01/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 148 155 154 156 178 187 175 142 159 126 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 0 1 2 3 3 3 2 2 1 0 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 140 150 152 149 176 184 171 142 159 125 Os valores de iluminância obtidos têm apenas a contribuição da iluminação artificial, daí os valores obtidos com as condições cortina de lâmina aberta e luz ligada e cortina de lâmina fechada e luz ligada serem muito semelhantes. PT10 Tabela 16 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT10 ao longo do dia – 24/01/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 143 144 174 187 169 179 180 193 145 122 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 2 10 41 51 36 37 39 5 3 0 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 137 138 141 145 138 151 159 165 145 125 Este posto de trabalho apesar de estar orientado a nascente não beneficia de iluminação natural direta. PT11 Tabela 17 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT11 ao longo do dia – 24/01/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 194 225 340 310 301 261 252 241 236 175 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 10 48 121 124 120 149 127 62 21 4 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 188 216 273 208 204 206 208 199 190 179 A tabela 18 apresenta as condições atmosféricas do dia 28/03/2014 (época de inverno)4: Tabela 18 – Condições atmosféricas no dia 28/03/2014 Data da amostragem: 28/ 03/14 4 https://www.google.pt/#q=metereologia+ovar, acedido em 28/03/2014.
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 33 Hora Tempo T (ºC) Precipitação (%) Hr (%) Vento (km/h) 08:00 Chuva fraca (céu encoberto) 10 30 90 0 09:00 Chuva fraca (céu encoberto) 10 30 90 0 10:00 Chuva fraca (céu encoberto) 11 30 88 2 11:00 Parcialmente nublado 11 30 85 2 12:00 Nublado 13 50 82 6 13:00 Nublado 14 50 69 8 14:00 Nublado 17 50 61 2 15:00 Nublado 17 40 57 5 16:00 Parcialmente nublado 18 40 48 3 17:00 Parcialmente nublado 13 40 69 10 As tabelas 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28 e 29 apresentam os resultados obtidos no dia 28/03/2014 em cada posto de trabalho. PT1 Tabela 19 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT1 ao longo do dia – 28/03/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 221 244 304 451 461 474 348 312 298 230 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 86 91 147 295 310 321 200 161 153 99 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 132 134 149 150 150 149 148 148 142 128 PT2 Tabela 20 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT2 ao longo do dia – 28/03/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 231 246 308 459 479 481 352 330 308 239 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 89 93 145 297 315 323 202 167 153 101 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 141 142 159 159 160 158 157 156 154 137 PT3 Tabela 21 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT3 ao longo do dia – 28/03/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 211 238 292 433 458 454 335 289 275 222 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 78 83 136 285 308 311 196 152 144 96 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 129 131 148 137 140 138 136 135 131 120
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 34 Tratamento e Análise de Dados PT4 Tabela 22 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT4 ao longo do dia – 28/03/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 233 252 311 461 481 483 358 334 310 241 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 90 94 148 299 318 326 206 171 156 103 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 133 134 151 153 154 153 153 152 133 121 PT5 Tabela 23 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT5 ao longo do dia – 28/03/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 135 162 193 239 257 246 232 216 214 133 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 12 35 65 111 138 119 106 102 98 18 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 115 116 117 120 124 122 121 114 113 104 PT6 Tabela 24 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT6 ao longo do dia – 28/03/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 102 118 156 162 180 160 159 155 137 102 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 5 12 47 58 76 62 59 56 45 9 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 95 98 99 100 102 98 96 95 88 91 PT7 Tabela 25 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT7 ao longo do dia – 28/03/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 160 187 268 273 311 300 292 284 266 159 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 13 31 68 92 120 117 104 95 71 17 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 145 152 182 169 181 175 187 185 184 140 PT8 Tabela 26 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT8 ao longo do dia – 28/03/2014 Hora
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 35 Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 142 151 153 156 171 161 148 137 125 120 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 1 1 2 3 4 3 2 1 1 0 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 140 148 150 152 165 157 144 136 123 120 PT9 Tabela 27 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT9 ao longo do dia – 28/03/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 142 147 151 157 180 187 173 145 131 124 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 1 1 2 3 4 3 2 2 1 0 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 140 145 148 152 175 183 170 142 130 124 PT10 Tabela 28 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT10 ao longo do dia – 28/03/2014 Hora Condições 08:3 0 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 144 154 187 193 198 197 190 159 153 127 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 3 12 44 46 48 46 41 13 8 1 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 139 140 142 146 150 151 149 146 144 126 PT11 Tabela 29 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT11 ao longo do dia – 28/03/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 210 256 349 374 414 365 314 277 228 188 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 12 52 124 127 130 129 125 76 37 10 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 197 204 224 247 283 237 216 200 191 178 A tabela 30 apresenta as condições atmosféricas do dia 01/04/2014 (época de inverno)5: Tabela 30 – Condições atmosféricas no dia 01/04/2014 Data da amostragem: 01/ 04/14 Hora Tempo T (ºC) Precipitação (%) Hr (%) Vento (km/h) 5 https://www.google.pt/#q=metereologia+ovar, acedido em 01/04/2014.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 36 Tratamento e Análise de Dados Data da amostragem: 01/ 04/14 Hora Tempo T (ºC) Precipitação (%) Hr (%) Vento (km/h) 08:00 Chuva fraca (céu encoberto) 13 60 91 18 09:00 Chuva fraca (céu encoberto) 13 60 93 6 10:00 Chuva fraca (céu encoberto) 12 60 95 5 11:00 Chuva fraca (céu encoberto) 13 60 90 5 12:00 Chuva fraca (céu encoberto) 14 60 89 5 13:00 Chuva fraca (céu encoberto) 14 60 88 6 14:00 Chuva fraca (céu encoberto) 15 60 88 6 15:00 Chuva fraca (céu encoberto 15 60 86 5 16:00 Chuva fraca (céu encoberto) 14 60 90 8 17:00 Chuva fraca (céu encoberto) 14 60 92 5 As tabelas 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40 e 41 apresentam os resultados obtidos no dia 01/04/2014 em cada posto de trabalho. PT1 Tabela 31 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT1 ao longo do dia – 01/04/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 221 244 304 451 474 461 348 312 298 230 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 88 92 144 291 311 309 187 156 150 97 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 133 134 149 149 150 148 148 147 142 128 PT2 Tabela 32 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT2 ao longo do dia – 01/04/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 232 246 309 459 482 480 365 330 309 241 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 90 95 147 298 325 316 203 168 155 103 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 141 143 158 159 160 158 157 156 153 137 PT3 Tabela 33 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT3 ao longo do dia – 01/04/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 211 238 292 433 458 455 331 291 274 240 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 79 86 137 286 310 313 196 152 140 96 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 129 130 148 137 140 138 137 135 132 120
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 37 PT4 Tabela 34 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT4 ao longo do dia – 01/04/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 235 253 310 463 486 481 367 333 313 244 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 89 94 150 302 328 319 205 170 157 105 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 134 135 151 154 155 153 152 151 134 121 PT5 Tabela 35 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT5 ao longo do dia – 01/04/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 135 160 188 236 277 260 233 219 215 136 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 22 37 65 114 147 135 109 105 102 26 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 114 115 118 120 125 122 121 113 112 104 PT6 Tabela 36 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT6 ao longo do dia – 01/04/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 102 118 156 162 180 160 159 155 137 102 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 6 14 50 61 78 64 59 58 46 8 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 94 99 100 101 103 97 96 95 87 90 PT7 Tabela 37 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT7 ao longo do dia – 01/04/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 164 207 269 277 319 304 299 285 267 169 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 15 48 80 102 131 122 111 99 77 28 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 147 153 184 170 182 176 188 185 183 141 PT8
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 44 Tratamento e Análise de Dados Tabela 61 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT7 ao longo do dia – 13/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 272 312 356 367 399 534 647 1162 1188 1103 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 126 163 175 202 228 354 465 980 1012 966 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 144 148 179 164 172 180 182 180 176 136 PT8 Tabela 62 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT8 ao longo do dia – 13/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 150 158 161 167 177 170 196 145 223 150 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 12 12 13 14 15 16 16 31 52 30 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 137 146 147 153 162 155 180 114 171 119 PT9 Tabela 63 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT9 ao longo do dia – 13/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 147 160 163 161 190 197 184 152 167 134 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 9 11 12 14 16 13 12 11 10 10 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 138 149 151 147 174 183 170 140 157 123 PT10 Tabela 64 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT10 ao longo do dia – 13/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 179 213 274 319 308 271 267 260 230 207 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 43 76 133 177 169 121 108 96 88 83 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 135 137 140 143 137 150 158 163 143 123 PT11 Tabela 65 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT11 ao longo do dia – 13/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 45 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 603 646 646 563 509 402 382 366 331 312 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 415 431 372 356 307 197 176 169 142 134 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 186 214 272 207 202 203 207 197 188 177 A tabela 66 apresenta as condições atmosféricas do dia 14/06/2014 (época de primavera)8: Tabela 66 – Condições atmosféricas no dia 14/06/2014 Data da amostragem: 14/ 06/14 Hora Tempo T (ºC) Precipitação (%) Hr (%) Vento (km/h) 08:00 Céu limpo 11 0 94 2 09:00 Céu limpo 14 0 85 4 10:00 Céu limpo 16 0 78 5 11:00 Céu limpo 18 0 77 8 12:00 Céu limpo 20 0 68 10 13:00 Céu limpo 21 0 64 13 14:00 Céu limpo 24 0 46 6 15:00 Céu limpo 26 0 47 10 16:00 Céu limpo 25 0 47 10 17:00 Céu limpo 25 0 46 11 As tabelas 67, 68, 69, 70, 71, 72, 73, 74, 75, 76 e 77 apresentam os resultados obtidos no dia 14/06/2014 em cada posto de trabalho. PT1 Tabela 67 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT1 ao longo do dia – 14/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 512 527 646 682 840 1116 1714 3987 4908 4768 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 382 394 496 533 691 969 1567 3842 4767 4641 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 130 131 148 147 148 147 146 145 141 125 PT2 Tabela 68 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT2 ao longo do dia – 14/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 502 588 723 728 951 1172 1767 4155 5380 4165 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 362 445 562 573 792 984 1610 3998 5228 4030 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 140 141 159 157 158 156 156 155 152 134 8 https://www.google.pt/#q=metereologia+ovar, acedido em 14/06/2014.
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 46 Tratamento e Análise de Dados PT3 Tabela 69 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT3 ao longo do dia – 14/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 430 543 712 724 813 1060 1783 4091 5400 4526 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 300 413 566 587 678 923 1649 3954 5268 4132 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 128 129 145 136 136 137 134 135 131 120 PT4 Tabela 70 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT4 ao longo do dia – 14/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 470 559 815 826 999 1383 2242 6424 7520 5365 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 338 426 664 672 846 1231 2087 6275 7386 5243 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 131 132 149 153 152 152 151 150 133 119 PT5 Tabela 71 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT5 ao longo do dia – 14/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 243 230 318 353 466 563 679 762 826 687 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 124 178 192 224 351 446 564 649 712 585 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 119 121 124 126 113 116 114 113 112 102 PT6 Tabela 72 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT6 ao longo do dia – 14/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 192 215 232 246 242 2734 304 361 402 339 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 100 118 133 146 152 177 205 268 316 249 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 91 96 97 100 88 96 95 92 85 90 PT7
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 47 Tabela 73 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT7 ao longo do dia – 14/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 292 336 383 385 419 569 678 1175 1303 1135 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 147 186 203 222 246 389 494 995 1126 997 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 143 148 179 163 171 181 182 180 175 135 PT8 Tabela 74 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT8 ao longo do dia – 14/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 152 160 161 170 179 175 199 211 229 160 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 13 14 15 17 17 19 20 36 56 41 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 137 145 146 152 162 155 179 174 171 119 PT9 Tabela 75 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT9 ao longo do dia – 14/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 148 162 165 162 190 196 182 150 167 132 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 10 12 13 14 15 12 11 10 10 9 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 138 149 151 147 174 183 170 140 156 123 PT10 Tabela 76 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT10 ao longo do dia – 14/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 194 227 286 334 333 277 258 260 233 209 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 56 88 144 188 195 129 99 96 89 86 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 136 137 140 144 137 148 157 164 142 123 PT11 Tabela 77 – Valores de iluminância na área da tarefa do PT11 ao longo do dia – 14/06/2014 Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 48 Tratamento e Análise de Dados Hora Condições 08:30 09:30 10:30 11:30 12:30 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 Cortina de lâmina aberta e luz ligada 625 679 658 528 514 407 392 365 341 324 Cortina de lâmina aberta e luz desligada 436 461 385 318 311 201 183 175 151 147 Cortina de lâmina fechada e luz ligada 186 215 272 207 202 203 206 187 189 177 Seguidamente apresenta-se as respostas principais ao questionário de avaliação das condições de trabalho e perceção dos trabalhadores. Optou-se pela apresentação das respostas em forma de tabelas (tabelas 78 e 79) porque o número de trabalhadores é muito reduzido. Tabela 78 – Respostas ao questionário Lateralidade Tempo de Trabalho ao computador Ao longo do dia trabalho realiza pausas de trabalho Duração pausa (min.) A linha de visão encontra-se… Utiliza óculos (lentes de contato) Trab. 1 Dextro 6h a 8h 2 em 2 horas 15 Coincide da parte superior do monitor Sim Trab. 2 Dextro 6h a 8h 2 em 2 horas 15 Abaixo da parte superior do monitor Não Trab. 3 Dextro 6h a 8h 3 em 3 horas 2 Coincide da parte superior do monitor Sim Trab. 4 Dextro 6h a 8h Nunca realiza 0 Acima da parte superior do monitor Não Trab. 5 Dextro 6h a 8h 2 em 2 horas 10 Coincide da parte superior do monitor Sim Trab. 6 Dextro 6h a 8h 2 em 2 horas 15 Coincide da parte superior do monitor Não Trab. 7 Dextro 6h a 8h 3 em 3 horas 10 Coincide da parte superior do monitor Não Tabela 79 – Respostas ao questionário (continuação) Durante/após o seu dia de trabalho sente… O seu posto de trabalho tem sombras, onde? O seu posto de trabalho tem reflexos, onde? Os reflexos são devido a… A iluminação no seu posto de trabalho é… Trab. 1 Cansaço nos olhos /Visão nublada/ Dificuldade em focar/ Dores musculares (pescoço) Monitor do computador Superfícies envidraçadas e superfícies brilhantes Suficiente Trab. 2 Cansaço nos olhos /Visão nublada/ Olhos secos / Dores musculares (coluna) Monitor do computador Suficiente Trab. 3 Cansaço nos olhos /Visão nublada/ Dificuldade em focar/ Distúrbios gastrointestinais/ Perturbações do sono/ Irritabilidade/ Alterações de humor/ Dores musculares (coluna) Secretária/monitor do computador/ teclado Superfícies brilhantes Suficiente Trab. 4 Perturbações do sono/ Irritabilidade/ Alterações de humor/ Dores musculares (pernas) Secretária/monitor do computador/ teclado Secretária Insuficiente Trab. 5 Suficiente Trab. 6 Cansaço nos olhos /Hipersensilidade à luz/ Dificuldade em focar/ Irritabilidade Secretária/monitor do computador/ teclado Secretária/monitor do computador/ teclado Superfícies envidraçadas Suficiente Trab. 7 Cansaço nos olhos Secretária Suficiente
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 49 Como se pode observar nas tabelas 78 e 79, alguns trabalhadores já utilizam óculos (lentes de contato) e a grande maioria dos trabalhadores já apresentam sintomas de fadiga visual. É necessário implementar rapidamente medidas corretivas de forma a não agravar esses sintomas.
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 51 5 DISCUSSÃO DE RESULTADOS Neste capítulo serão analisados e discutidos os resultados obtidos nos diferentes postos de trabalho. A discussão será feita agrupando os postos de trabalho com as mesmas características. PT1/ PT2/ PT3/ PT4 Estes postos de trabalho estão orientados a poente, as disposições das cadeiras é que são diferentes. A iluminação natural faz-se sentir com mais intensidade durante a tarde e menor durante a manhã (o que está perfeitamente de acordo com o movimento do sol, o período de insolação das fachadas e com os resultados obtidos). O PT1 possui três projetores embutidos no teto posicionados linearmente. Cada projetor é composto por duas lâmpadas (as características das lâmpadas encontram-se discriminadas no ponto 3.2.2) sendo que um dos projetores encontra-se com ambas as lâmpadas fundidas. Em relação à posição das luminárias/linha de visão, estas encontram-se atrás do plano de trabalho. Em relação à posição das janelas/linha de visão, estas encontram-se lateralmente ao plano de trabalho, à esquerda (figura 17) e à frente do plano de trabalho (aproximadamente a 5m) (figura 18). Figura 17 – Posição das janelas/linha de visão – lateral, à esquerda Figura 18 – Posição das janelas/linha de visão - frente O PT2 possui cinco projetores embutidos no teto posicionados, dois projetores à frente do plano de trabalho e três projetores atrás do plano de trabalho. Cada projetor é composto por duas lâmpadas sendo que um dos projetores posicionados atrás do plano de trabalho encontra-se com ambas as lâmpadas fundidas. Em relação à posição das janelas/linha de visão, estas encontram-se lateralmente ao plano de trabalho, à direita (figura 19) e atrás do plano de trabalho (aproximadamente a 4m) (figura 18).
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 52 Discussão dos Resultados Figura 19 – Posição das janelas/linha de visão – lateral, à direita O PT3 possui cinco projetores embutidos no teto posicionados dois projetores à frente do plano de trabalho e três projetores atrás do plano de trabalho. Cada projetor é composto por duas lâmpadas sendo que dois dos projetores posicionados atrás e o da frente do plano de trabalho encontram-se com ambas as lâmpadas fundidas. Em relação à posição das janelas/linha de visão, estas encontram-se lateralmente ao plano de trabalho, à esquerda e à frente do plano de trabalho (aproximadamente a 3m) (figura 20). Figura 20 – Posição das janelas/linha de visão – lateral, à esquerda e frente O PT4 possui três projetores embutidos no teto posicionados linearmente. Cada projetor é composto por duas lâmpadas sendo que um dos projetores encontra-se com ambas as lâmpadas fundidas. Em relação à posição das luminárias/linha de visão, um dos projetores encontra-se por cima do plano de trabalho e os outros dois lateralmente ao plano de trabalho. Em relação à posição das janelas/linha de visão, estas encontram-se lateralmente ao plano de trabalho, à direita e atrás do plano de trabalho (figura 21).
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 53 Figura 21 – Posição das janelas/linha de visão – lateral, à direita e atrás Estas informações foram recolhidas a partir da checklist de (Cravo, 2013). De acordo com o definido na ISO 8995:2002, o valor de iluminância recomendado para atividades de escritório é de 500 lux. Após a realização das medições durante os três dias na época de inverno ao longo do dia, constata-se que com qualquer uma das condições os valores obtidos encontram-se abaixo do valor recomendado na norma, não garantindo as condições de iluminação adequadas. Especialmente nesta época deve-se complementar a iluminação natural com a artificial de forma a atingir os valores de iluminância recomendados, conforme referido nos estudos desenvolvidos por Aries (2005). Pode-se verificar, no entanto, que com a condição cortina de lâmina aberta e luz ligada, entre as 11:30 e as 13:30, os valores obtidos aproximam-se muito dos recomendados, não sendo portanto muito crítico. A condição cortina fechada e luz ligada no período de inverno, raramente é usada pelos trabalhadores, segundo os funcionários é agradável olhar para o exterior ao longo do dia de trabalho permitindo-lhes assim realizarem pequenas pausas contribuindo positivamente para a saúde dos olhos. Perante a situação descrita pelos funcionários, pode-se aferir que vai de encontro aos estudos efetuados por Ribeiro (2006) e por Nicol, Wilson, & Chiancarella (2006), também eles constataram que a presença de janelas é um fator estimulante pois proporciona o contato visual com o exterior e permite aos olhos relaxarem. Na época de primavera, com a condição cortina de lâmina fechada e luz ligada, constata-se que a iluminação artificial não garante o mínimo necessário. No entanto, com as outras duas condições, verifica-se que em determinadas horas do dia os valores encontram-se acima dos recomendados pela norma, garantindo as condições de iluminação adequadas. É de esperar que na época de verão os valores de iluminação aumentem ainda mais. Valores de iluminação muito elevados (acima de 1000lux) são geralmente desaconselháveis porque aumentam o risco de reflexos prejudiciais, sombras muito carregadas e contratastes excessivos (Miguel, 2014). O risco de reflexo é sentido pela maioria dos trabalhadores no monitor do computador devido às superfícies envidraçadas. No entanto, de acordo com Aries (2005) para existir uma iluminação dita saudável (que tenha em atenção os critérios visuais e não visuais) é necessário atingir 500 lux de iluminância no plano de trabalho e valores superiores a 1000 lux no plano vertical. Estes altos valores de iluminância vertical, segundo a investigadora provocam menores níveis de fadiga, aumenta a concentração e atenção, consequentemente melhora o desempenho na execução do trabalho. Os sintomas mencionados pelos trabalhadores durante/após o dia de trabalho (cansaço nos olhos, visão nublada, dificuldade em focar, olhos secos, dores musculares (pescoço, coluna), irritabilidade, alterações de humor) refletem os efeitos de uma iluminação inadequada no plano de trabalho (Crespo & Dapena, 2005). Para o alívio destes sintomas os trabalhadores do PT1 e PT2 realizada pausas de 2 em 2 horas, com uma duração de 15 minutos e o trabalhador do PT3 realizada pausas de 3 em 3 horas, com uma duração de aproximadamente 2 minutos. PT5/ PT6 Estes postos de trabalho estão orientados a norte. O PT5 possui dois projetores embutido no teto posicionados linearmente. Cada projetor é composto por duas lâmpadas sendo que um dos projetores encontra-se com ambas as lâmpadas fundidas. Em relação à posição das luminárias/linha de visão, um dos projetores encontra-se por cima do plano de trabalho (corresponde ao projetor com as lâmpadas fundidas) e o outro lateralmente ao plano de trabalho. Em relação à posição das janelas/linha de visão, estas encontram-se em frente ao plano de trabalho e lateralmente ao plano de trabalho, à esquerda (aproximadamente a 3m) (figura 22).
Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 60 Discussão dos Resultados Os trabalhadores podem optar pela realização ou não de pausas no trabalho, sendo a duração à consideração de cada um, conforme se pode observar pelas respostas dadas no questionário. Pode-se concluir com este estudo que as condições atmosféricas e as estações do ano influenciam os resultados da iluminância, ou seja, na época de inverno como existe uma menor influência da iluminação natural no ambiente de trabalho interior os valores de iluminância são mais baixos o que resulta num esforço visual acrescido, na época de primavera esta tendência inverte-se. Outra conclusão a retirar é que existe uma relação entre a iluminação e a capacidade para o trabalho, ou seja, condições de iluminação adequadas conduzem ao incremento da capacidade de trabalho. Em suma, deve existir um equilíbrio entre os sistemas de iluminação (natural e artificial). Esse equilíbrio tem efeitos benéficos na manutenção do bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores contribuindo assim para elevar o nível de desempenho e produtividade. Este estudo pretende contribuir para melhoria das condições de iluminação nos locais de trabalho com atividade de escritório, bem como minimizar os efeitos provocados por uma iluminação inadequada.
Efeitos da iluminância em trabalho realizado em secretária Henriques, Maria 61 7.2 Limitações No desenvolvimento do presente trabalho foram encontradas algumas limitações, nomeadamente a dimensão da amostra (muito reduzida) e poucos estudos disponíveis de iluminação em escritórios que tenham em consideração os critérios visuais e não visuais. 7.3 Perspetivas futuras É sempre importante, após a realização de qualquer trabalho, considerar as propostas de melhoria apresentadas e, posteriormente, averiguar se a sua implementação produziu os efeitos desejados. Seria também interessante desenvolver um estudo sobre as condições ergonómicas em trabalho realizado em secretária e de que forma é que esta se relaciona com as condições de iluminação com base nos critérios visuais e não visuais (questionário de Aries (2005)).
Henriques, Maria 63 8 BIBLIOGRAFIA Aries, M. (2005). Human Lighting Demands - Healthy Lighting in an Office Environment. Eindhoven: Technische Universiteit Eindhoven. BIT. (2008). My life, my work, my safe work – Managing risk in the work environment. Genebra. Bommel, W. J. (Julho de 2006). Non-visual biological effect of lighting and the practical meaning for lighting for work. Applied Ergonomics, Elsevier, 37. Bommel, W. V. (2006). Dynamic Lighting at work - both in level and colour. (P. Lighting, Ed.) Ottawa. Bommel, W. V., & Beld, G. V. (2004). La iluminación en el trabajo: Efectos visuales y biológicos. Holanda: Philips Lighting. Bommel, W. V., Beld, G. V., & Ooyen, M. V. (Agosto de 2002). Industrial lighting and productivity. Holanda: Philips Lighting. Borisuit, A., Linhart, F., Scartezzini, J.-L., & Munch, M. (22 de Abril de 2014). Effects of realistic office daylighting and electric lighting conditions on visual comfort, alertness and mood. Boyce, P. R. (2010, Março 15). The Impact of Light in Buildings on Human Health. Indoor and Built Environment. Chellappa, S. L., Steiner, R., Blattner, P., Oelhafen, P., Götz, T., & Cajochen, C. (Janeiro de 2011). Non-Visual Effects of Light on Melatonin, Alertness and Cognitive Performance: Can Blue-Enriched Light Keep Us Alert? PLoS ONE, 6. Costa, E. Q. (2012). Textos de apoio à disciplina de Seminários de Higiene Ocupacional (Iluminação), Curso de Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Cravo, A. S. (2013). Análise do Ambiente luminoso em dois sectores de actividade: Trabalho administrativo e de manutenção de ascensores. Relatório de estágio elaborado com vista à obtenção do Grau de Mestre em Ergonomia, Universidade Técnica de Lisboa - Faculdade de Motricidade Humana, Lisboa. Crespo, M. T., & Dapena, C. (2005). Trastornos visuales del ordenador. Espanha: 3M. EU-OSHA. (2007). https://osha.europa.eu/en/publications/e-facts/efact13. Obtido de E-facts 13: Office Ergonomics. EU-OSHA. (2007). https://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/71. Obtido de Facts 71: Instrodução às lesões músculo-esqueléticas. Eurisko – Estudos, Projectos e Consultoria, S.A. (2011). Manual de Boas Práticas - Indústria da Borracha e das Matérias Plásticas. Porto: AEP – Associação Empresarial de Portugal. Figueiro, M. G., Rea, M., Stevens, R. G., & Rea, A. C. (2002). Daylight and productivity - a possible link to circadian regulation. 5th Lighting Research Office Liighting Research Symposium. Filho, J. d. (2005). Concepção psicossomática: Visão Atual (10ª Edição ed.). São Paulo: Casa do Psicologo Livraria e Editora. Ltda. Freitas, L., & Cordeiro, T. (2013). Segurança e Saúde do Trabalho - Guia micro, pequenas e médias empresas. Lisboa: ACT - Autoridade para as condições de trabalho. Juslén, H., Wouters, M., & Tenner, A. (Janeiro de 2007). The influence of controllable tasklighting on productivity: a field study in a factory. Applied Ergonomics, Elsevier, 38.
64 Bibliografia Kim, S.-Y., & Kim, J.-J. (Agosto de 2007). Influence of light fluctuation on occupant visual perception. Building and Environment, Elsevier, 42. Kovalechen, M. T. (Maio de 2012). A iluminação enquanto factor de alteração do desempenho no trabalho em ambientes corporativos. IPOG Especialize Revista Online. Lincoln, V. A. (2012). Avaliação da radiação UV na córnea humana em procedimentos oftalmológicos. Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo, Escola de Engenharia de São Carlos, São Paulo. Manav, B. (Fevereiro de 2007). An experimental study on the appraisal of the visual environment at offices in relation to colour temperature and illuminance. (Elsevier, Ed.) Building and Environment, 42. Miguel, A. S. (2014). Manual de Higiene e Segurança no Trabalho. Porto: Porto Editora. Nicol, F., Wilson, M., & Chiancarella, C. (Julho de 2006). Using field measurements of desktop illuminance in European offices to investigate its dependence on outdoor conditions and its effect on occupant satisfaction, and the use of lights and blinds. Energy and Buildings, Elsevier. NIMHANS. (1989). Possible health effects of working with VDUs. British Journal ofIndustrial Medicine, 217-221. Pais, A. (2011). Condições de iluminação em ambientes de escritório: Influência do conforto visual. Universidade Técnica de Lisboa: Faculdade de Motricidade Humana. Ribeiro, T. (2006). Ambientes laborais: Espaços de trabalho em contexto organizacional. (F. C. Gulbenkian, Ed.) Lisboa. Santos, A. J. (2000). A iluminação natural nos edíficios. Lisboa: Sector de Edições do CDIT. SPO. (2003). Problemas e doenças oculares. Obtido de https://www.spoftalmologia.pt/content/problemas-e-doencas-oculares Van Bommel, W. (Fevereiro de 2010). Incandescent replacement lamps and healt. Van Bommel Lighting Consultant. Van Bommel, W., & Van den Beld, G. (2004). Lighting for work: a review of visual and biological effects., (pp. 255–269). Londres. Veitch, J., Geerts, J., Charles, K., Newsham, G., & Marquardt, C. (2005). Satisfaction with lighting in open-plan offices: COPE field findings., (pp. pp. 414-417). Berlim. Vergaz, R. (2001). Efectos oculares de la radiación solar. Valladolid: Colegio Nacional de Opticos-Optometristas. Verlag Dashoffer. (2004). Higiene, Segurança, Saúde e Prevenção de Acidentes de Trabalho. Lisboa: Edições Profissionais, Unip., Lda. Viola, A. U., James, L. M., Schlangen, L. J., & Dijk, D. J. (2008). Blue-enriched white light in the workplace improves self-reported alertness, performance and sleep quality. Scand J Work Environ Health, 34. Wout, J., & Bommel, V. (Julho de 2006). Non-visual biological effect of lighting and the practical meaning for lighting for work. Applied Ergonomics, Elsevier, 37.
1 ANEXOS
2 Anexo 1Checklist
3
4
5 Anexo 2 – Questionário