Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas
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Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Tânia Catarina da Silva Moreira Mestrado em Ciências e Tecnologia do Ambiente Faculdade de Ciências, Universidade do Porto 2015 Orientador interno: Professor António Guerner Dias – Professor auxiliar da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Orientador externo: Dra. Marta Silva – Técnica superior da Divisão Municipal de Gestão Ambiental da Câmara Municipal do Porto
I FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Todas as correções determinadas pelo júri, e só essas, foram efetuadas. O Presidente do Júri, Porto, ______/______/_________
II FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Agradecimentos Ao meu orientador, Professor António Guerner Dias, pela orientação, por me aceitar independentemente de todas as dificuldades, incentivo e apoio durante a realização deste estudo. À Câmara Municipal do Porto, pessoalmente à Dra. Marta Silva (técnica superior da Divisão Municipal de Gestão Ambiental) por estar recetiva à elaboração deste trabalho e pela informação disponibilizada durante o estágio. Aos funcionários do Departamento Municipal de Ambiente e Serviços Urbanos, por todo o apoio, principalmente à Dra. Vera Bastos, ao Licínio Diegues e ao Hélder Claro por toda a ajuda nos problemas que surgiram ao longo do estágio. Às minhas colegas de estágio, Joana Campos, Flávia Ferreira, Diana Silva, Isa Espinheira, Francisca Santos e Carla Frias, pela amizade e incentivo durante a realização deste trabalho. A cada um dos meus amigos, por entenderem os meus momentos de ausência e pelas conversas que sempre me fizeram bem e, por me ensinarem a rir dos meus próprios erros. Sem eles não teria forças nem vontade para continuar. Aos meus pais, irmã, cunhado e namorado pelo apoio e incentivo desde o início, por respeitaram a minhas escolhas e estarem sempre presentes prontos para aplaudir ou amparar durante todo o meu percurso académico.
III FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Resumo O presente relatório foi efetuado no âmbito da disciplina Dissertação/Estágio do Mestrado em Ciências e Tecnologia do Ambiente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em parceria com a Câmara Municipal do Porto, mais precisamente, com a Divisão Municipal de Gestão Ambiental. Este trabalho incide sobre a problemática das pragas urbanas (gaivotas, pombas e Vespa velutina) no município do Porto e, da necessidade de desenvolver respostas proativas, preventivas e planeadas aos acontecimentos que possam interferir na saúde pública e bem-estar animal. O presente trabalho desenvolveu-se com o objetivo de elaborar cartografia de risco ambiental, em formato digital, de forma a ser um instrumento útil nos planos de gestão e controlo de populações de animais do município do Porto. A primeira fase do trabalho passou por analisar os pedidos de intervenção efetuados pelos cidadãos para a Câmara Municipal do Porto. Como pedidos de intervenção consideram-se todos os pedidos efetuados pelos cidadãos para recolha dos animais, vivos, feridos ou mortos, entre outros, prevenindo assim, situações que causam algum transtorno no ambiente, no bem-estar animal e nos cidadãos, como por exemplo, animais que se tornam agressivos, que causam ruído, que sujam os edifícios e a via pública e, consequentemente, danos nas estruturas da cidade, entre outros. A segunda fase consistiu na elaboração de cartografia recorrendo a plataformas de SIG, mais precisamente ao software ARCGIS10 e, aos dados cedidos pela Câmara Municipal do Porto, referente aos animais em estudo. Posteriormente, foi efetuada uma análise temporal e espacial da informação recolhida, com o intuito de desenvolver uma gestão das populações de animais na cidade do Porto. Relativamente à distribuição temporal foi possível observar que as ocorrências são mais frequentes durante a época de reprodução e nidificação (primavera e verão), dos animais em estudo e, em relação à distribuição espacial constatou-se que a maioria dos pedidos de intervenção ocorrem nas freguesias próximas do Rio Douro e no centro histórico da cidade. Assim, de forma a gerir e controlar os animais estudados, em meio urbano, propôs-se a implementação contínua de medidas de controlo eficientes, com o intuito de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e promover o desenvolvimento sustentável nas cidades e o bem-estar animal. Palavras-chave: Câmara Municipal do Porto, Pragas urbanas, Risco Ambiental, Pedidos de Intervenção, SIG
IV FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Abstract This report is the result of the work developed in the discipline Dissertation/Internship of the Mestrado em Ciências e Tecnologia do Ambiente of the Faculdade de Ciências of Universidade do Porto, in partnership with the Câmara Municipal do Porto, more precisely with the Municipal Department of Environment Management. This work focuses on the problems of urban pests (seagulls, doves and Vespa velutina) in Porto and in the need to develop proactive responses and preventive and planned events that might interfere with public health and animal welfare. This work was developed with the purpose of preparing environmental risk mapping, in digital format, in order to be a useful tool in management and population control plans Porto. The first phase of the work began by examining the intervention requests made by the citizens of Porto. As intervention requests are considered all orders placed by the citizens for animal collection, alive, injured or killed, among others, thus preventing situations that may disturb the environment, animal welfare and the citizens -, examples of these are animals becoming aggressive, making loud noises, fouling buildings and public roads and, consequently, damaging the city structures. The second phase was to draw maps using GIS platforms, specifically the ARCGIS 10 software, with the data transferred by the city, referring to the animals under study. It was later performed a temporal and spatial analysis of the information collected, in order to develop a management plan of these populations in Porto. With regard on temporal distribution it was observed that the occurrences are more frequent during the breeding and nesting seasons (spring and summer) of the animals in study. In relation to the spatial distribution it was found that most of the intervention requests occur in locations nearby the Douro River and nearby the historic city center. Hereupon, in order to manage and control the animals studied in urban areas, was proposed the continued implementation of effective control measures, to improve the quality of life and promote sustainable development in cities, as well as animal’s welfare. Keywords: Porto, Urban Pests, Environmental Risk, Intervention Orders, GIS
V FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Índice Agradecimentos……………………………………………………………………………....II Resumo………………………………………………………………………………………...III Abstract………………………………………………………………………………………..IV Índice……………………………………………………………………………………………V Índice de figuras………………………………………………………………………………VII Índice de tabelas………………………………………………………………………………XII Acrónimos…………………………………………………………………………………….XIV 1. Introdução ................................................................................................................. 2 1.1. Apresentação do local de estágio……………………………………………….2 1.2. Relevância do tema……………………………………………………………….3 1.3. Objetivos…………………………………………………………………………...6 1.4. Organização do relatório…………………………………………………………7 2. Enquadramento………………………………………………………………….…..……...9 2.1. Enquadramento teórico…………………………………………………………..9 2.1.1. Gaivotas…………………………………………………………………9 2.1.2. Pombas………………………………………………………………..15 2.1.3. Vespa velutina………………………………………………………...17 2.2. Enquadramento ambiental……………………………………………………..21 2.2.1. Gaivotas……………………………………………………………….22 2.2.2. Pombas………………………………………………………………..24 2.2.3. Vespa velutina………………………………………………………...25 2.3. Enquadramento legal……………………………………………………………27 3. Metodologia………………………………………………………….……………..………31 3.1. Conceitos base………………………………………….………………………31 3.2. Área de estudo……….………………………………………………………….33 3.2.1. Caracterização climática………………………………………..…...34 3.3. Sistemas de informação geográfica como ferramenta de avaliação de risco ambiental……………………………………………………………………………...37 3.4. Software utilizado………………………………………………………………..39 3.5. Aquisição de dados e metodologia adotada………………………………….40 4. Resultados e Discussão dos dados…….…………….………………………………….44 4.1. Gaivotas e Pombas……………………………………………………………...44
VI FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas 4.2. Vespa velutina..………………………………………………………………….76 5. Considerações finais……………………………………………………………………….79 5.1. Síntese do estudo…………………………………………………………………..79 5.2. Perspetivas futuras…………………………………………………………………81 6. Bibliografia e webgrafia ........................................................................................... 84 7. Anexos…………………………………………………….………………………...……...91
VII FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Índice de figuras Figura 1: Representação esquemática da organização da CMP. ................................. 3 Figura 2: Ninho de gaivotas com três ovos ................................................................ 10 Figura 3: Diferentes espécies de gaivotas identificadas na costa portuguesa ............ 12 Figura 4: Pomba (Columba livia) ................................................................................ 15 Figura 5: Representação de métodos usados para impedir o abrigo de pombas, em telhados e beirais, nas cidades.. ................................................................................. 16 Figura 6: Distribuição da Vespa velutina no mundo ................................................. 177 Figura 7: Evolução espacial da distribuição da Vespa velutina na França, desde o início de 2004 até o final de 2013....................................................................................... 188 Figura 8: Vespa asiática .......................................................................................... 188 Figura 9: Ninho de Vespa asiática ............................................................................. 19 Figura 10: Ciclo biológico da Vespa velutina ............................................................ 200 Figura 11: Localização do conselho do Porto ........................................................... 333 Figura 12: Limite das freguesias do conselho Porto, após a reorganização administrativa em 2013 ............................................................................................. 344 Figura 13: Distribuição dos valores médios anuais da temperatura do ar, registados na estação climatológica Porto/Serra do Pilar, desde o início de 1981 até 2010 ........... 366 Figura 14: Distribuição dos valores médios anuais da precipitação registados na estação climatológica Porto/Serra do Pilar, desde o início de 1981 até 2010 ........... 366 Figura 15: Representação do ambiente de trabalho do sotfware ArcGIS ............... 3939 Figura 16: Representação do esquema metodológico utilizado neste estudo .......... 422 Figura 17: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2004 até maio de 2015, relativos a gaivotas ............................................... 466 Figura 18: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, durante cada mês, desde o início de 2004 até maio de 2015, relativos a gaivotas ................ 477 Figura 19: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municpal do Porto, no ano 2009, relativos a gaivotas (vivas e mortas)…………………………………………………47 Figura 20: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2010, relativos a gaivotas (vivas e mortas)…………………………………………………48 Figura 21: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2011, relativos a gaivotas (vivas e mortas)……………………………….………………..48 Figura 22: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2012, relativos a gaivotas (vivas e mortas)…………………………………………………49
VIII FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Figura 23: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2013, relativos a gaivotas (vivas e mortas)…………………………………………………49 Figura 24: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2014, relativos a gaivotas (vivas e mortas)…………………………………………………50 Figura 25: Carta municipal do Porto, relativa aos pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, referentes a situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, desde o início de 2005 até maio de 2015 .................................................. 511 Figura 26: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, referentes a situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, desde o início de 2005 até maio de 2015 (Polígonos de Thiessen) ........... 533 Figura 27: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, referentes a situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, desde o início de 2005 até o final de 2006 ................................................. 544 Figura 28: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, referentes a situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, no ano 2007 ............................................................................................... 555 Figura 29: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, referentes a situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, no ano 2009 ............................................................................................... 566 Figura 30: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, referentes a situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, no ano 2010 ............................................................................................... 588 Figura 31: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, referentes a situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, no ano 2011 ................................................................................................. 59 Figura 32: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, referentes a situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, no ano 2012 ............................................................................................... 600 Figura 33: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, referentes a situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, no ano 2013 ............................................................................................... 611 Figura 34: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, referentes a situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, no ano 2014 ............................................................................................... 633
1 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Introdução
2 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas 1. Introdução 1.1. Apresentação do local de estágio O presente relatório foi efetuado no âmbito da disciplina Dissertação/Estágio do Mestrado em Ciências e Tecnologia do Ambiente – Especialização em Riscos: Avaliação e Gestão Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, em parceria com a Câmara Municipal do Porto (CMP). O estágio foi realizado na Divisão Municipal de Gestão Ambiental (DMGA), que pertence à Direção Municipal da Proteção Civil, Ambiente e Serviços Urbanos (DMPCASU), que tem como objetivo garantir a prestação de serviços de qualidade em domínio de ambiente e serviços urbanos. A duração do mesmo foi de 9 meses, com início a 15 de setembro de 2014 e término a 15 de junho de 2015. O trabalho desenvolvido centrou-se na monitorização e georreferenciação de pedidos de intervenção relacionados com pragas urbanas e, na sua gestão em meio urbano, mais concretamente, na cidade do Porto. Este tem como objetivo minimizar os impactes negativos da proliferação descontrolada destas populações nas cidades e, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e o ambiente em meio urbano. A Câmara Municipal do Porto apresenta quinze Direções Municipais, sendo uma delas a Direção Municipal da Proteção Civil, Ambiente e Serviços Urbanos. Integrado nesta Direção encontra-se o Departamento Municipal de Ambiente e Serviços Urbanos (DMASU), que engloba quatro Divisões: a Divisão Municipal de Parques Urbanos (DMPU), a Divisão Municipal de Jardins (DMJ), a Divisão Municipal de Limpeza Urbana e Transportes (DMLUT) e a Divisão Municipal de Gestão Ambiental (DMGA). A DMPU encarrega-se da manutenção de parques urbanos e da gestão dos cemitérios municipais; a DMJ presta serviços na gestão de espaços verdes e viveiro municipal; a DMLUT encarrega-se da limpeza urbana da recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos e manutenção de viaturas (municipais) da Câmara Municipal do Porto; a DMGA, que corresponde à divisão na qual estive inserida, presta serviços na promoção de saúde pública e bem-estar animal, na gestão do ruído urbano, na educação para o desenvolvimento sustentável e na metrologia (CMP, 2015).
3 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas 1.2. Relevância do Tema A cooperação entre os países da União Europeia (UE), entre a política e o resto do mundo, é imprescindível para alcançar determinados desafios que têm um impacte no ser humano, como também nos ecossistemas (Conselho Europeu, 2013). Uma estratégia ambiental, a nível europeu, cria sinergias e garante a coerência entre as políticas europeias. Para além disso, a importância da legislação ambiental, em muitos setores empresariais, permite obter condições para as respetivas atividades. Estas políticas ambientais permitem atingir um equilíbrio entre a necessidade de nos desenvolvermos e, a obrigação de deixar um legado sustentável para as gerações futuras. Para tal, é necessário adotar medidas imprescindíveis para proteger a natureza e para garantir a qualidade ambiental, de forma a fornecer bens que são essenciais para a subsistência do Homem (Conselho Europeu, 2013). A UE desempenha um papel essencial nas negociações internacionais referentes ao ambiente, de forma a garantir e proteger a biodiversidade e promover o desenvolvimento sustentável do planeta. Em 2010, a UE propôs estratégias no sentido de combater a perda da biodiversidade e, assegurar que os ecossistemas continuem a garantir o bemestar do ser humano (Conselho Europeu, 2013). CMP ... DMPCASU DMASU DMPU DMJ DMLUT DMGA ... Figura 1: Representação esquemática da organização da Câmara Municipal do Porto, assinalado a laranja a DMGA, divisão na qual estive inserida (CMP, 2015).
4 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas A industrialização do século XIX provocou um crescimento populacional acentuado nas áreas costeiras, resultando numa mudança física, química e biológica, tendo impactes diretos e indiretos nas espécies que ocupam esses locais, entre as quais uma ampla diversidade de aves marinhas. Para além destas espécies, a ação antrópica pode proporcionar o aumento da mortalidade de outras espécies mais vulneráveis, a redução do sucesso reprodutivo no seu habitat natural e a degradação das áreas de nidificação. Como tal, é possível afirmar que, a destruição dos habitats, a exploração excessiva dos recursos naturais, a introdução de novas espécies e, o turismo desordenado propiciam o desequilíbrio das populações de animais (Santos, 2011). As cidades, normalmente, desenvolvem-se a partir de um núcleo que forma o centro da cidade e, além do centro surge também a construção de bairros residenciais, áreas industriais, entre outros. Ou seja, uma cidade consiste num núcleo populacional caracterizado por um espaço amplo onde ocorrem relações e fenómenos sociais, culturais e económicos. A zona urbana não é toda igual, sendo que cada cidade tem a sua aparência própria e difere das outras pelo tamanho, relevo, ruas, atividades que desempenham, progresso alcançado, densidade populacional, entre outras características. Uma cidade caracteriza-se, assim, pelo estilo de vida particular dos seus habitantes, pela urbanização (infraestruturas, organização, serviços de transporte, por exemplo), pela concentração de atividades económicas dos setores secundários e terciários, entre outros. Segundo diversos autores, o nascimento das cidades ocorreu quando o Homem deixou de ser caçador-recoletor e descobriu a agricultura. A prática agrícola permitiu que o Homem obtivesse uma maior quantidade de recursos alimentares, o que contribuiu para o progresso da civilização e da tecnologia e, consequentemente, o desenvolvimento de cidades, como é o caso da cidade do Porto (Natal, 2015). A estratégia para a sustentabilidade do Porto constitui um desafio para o Município do Porto, porque trata-se de opções essenciais a que deverá remeter todo o planeamento e ação futura, promovendo a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e, o desenvolvimento sustentável da cidade (CMP, 2015). O Porto ambiciona, em paralelo com as metas da Comissão Europeia, ser uma cidade “mais sustentável” no horizonte de 2020. Esta estratégia adotada aponta para a criação de riqueza e de emprego, melhoria nas condições de bem-estar, boa gestão de recursos e respeito pelos valores sociais e ambientais. Para tal, procede-se à implementação de políticas e de planos de ação para a cidade, perspetivando interligação coerente dos três níveis de atuação do desenvolvimento sustentável: ambiental, social e económico (CMP, 2015).
5 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Os objetivos globais apontam para a promoção de uma cidade que privilegia os valores ambientais, que promove o desenvolvimento social e que cria condições de atratividade para a fixação de empresas (CMP, 2015). A cidade do Porto, atualmente, vive tempos de recuperação económica e de reabilitação, sendo que, se verifica um enorme esforço de reabilitação do Centro Histórico da mesma, local onde se concentram os edifícios e monumentos mais antigos da cidade e também dos bairros municipais. A CMP tem, assim, proposto, ao longo destes últimos anos, diversos planos estratégicos no sentido de conceber e desenvolver soluções para a gestão e proteção do ambiente urbano e, para promover o aumento da consciência ambiental coletiva, tendo como uma das responsabilidades funcionais promover a saúde e o bem-estar animal, o que pressupõe o acompanhamento e o controlo de populações de animais, execução de ações de recolha de animais sem vigilância, realização de campanhas de profilaxia antirrábica, identificação eletrónica, intervenção em situações onde esteja em causa a saúde e/ou segurança pública, bem como quando se identificam irregularidades na preservação da saúde e/ou bem-estar animal (DMGA, 2015). A cidade, sob o ponto de vista ecológico, é um ambiente bastante complexo que serve de habitat para inúmeras espécies de plantas e animais, uma vez que os diversos espaços verdes, como os jardins e as ruas arborizadas, as praças e os parques urbanos, são lugares ideais para albergar uma elevada diversidade vegetal que, por sua vez, atraem insetos fitófagos, polinizadores e predadores, como também diversas aves. Relativamente a animais domésticos, como cães e gatos, estes podem atingir números elevados nas áreas urbanas, caso não se adotem medidas de controlo adequadas (Natal, 2015). Entre os diversos problemas que surgem nas áreas urbanas da cidade do Porto e, que podem interferir no bem-estar animal e na saúde pública dos cidadãos, podemos citar aqueles decorrentes de organismos invasores, como pombas e gaivotas, entre outros, os principais a combater, uma vez que propiciam, atualmente, diversos impactes negativos na cidade (Natal, 2015). O aumento dos pedidos de intervenção por parte dos cidadãos para recolha de animais ou de outras situações, que possam suceder riscos para a saúde pública e bem-estar animal, tem-se tornado, desde há algum tempo, uma realidade bastante preocupante. Assim sendo, é preciso ter uma atenção cuidada sobre este problema, com a finalidade de promover e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, o bem-estar animal e o desenvolvimento sustentável da cidade do Porto, através de métodos de controlo com
6 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas o intuito de reduzir ou eliminar os impactes negativos que propiciam as diferentes populações de animais em estudo. 1.3. Objetivos O trabalho enquadra-se na área de Gestão Ambiental, na medida em que a monitorização é uma ferramenta importante para uma implementação eficiente de um plano de controlo de populações na cidade, como forma de diminuir os impactes negativos no ambiente e na saúde pública na cidade do Porto e, assim, diminuir os eventuais riscos e, reduzir os custos de determinados danos que possam vir a ser causados. Os incómodos causados pelas diversas populações de animais, que habitam a cidade do Porto, que se traduzem em riscos para a saúde pública, destruição do património edificado, dos monumentos e dos pavimentos, bem como a identificação de agentes patogénicos nas aves e os impactes negativos para o ambiente, levaram a Câmara Municipal do Porto a efetuar o controlo destas população na cidade. Sendo assim, a elaboração deste relatório de estágio teve como principais objetivos: Analisar e caraterizar as ocorrências efetuadas para o Canil Municipal do Porto, referentes a gaivotas e pombas e, identificar os principais impactes negativos causados; Proceder à georreferenciação de pedidos de intervenção relacionados com gaivotas e pombas, de forma a ser um instrumento útil nos planos de gestão de pragas urbanas na cidade do Porto, com o intuito de mitigar os problemas que afetam a qualidade ambiental e a saúde pública dos cidadãos e, minimizar os seus impactes negativos nas atividades humanas e bem-estar animal; Como objetivos secundários teve: Implementar medidas de vigilância e controlo para prevenir a proliferação da Vespa velutina na cidade, com destaque para a colocação de armadilhas entomológicas artesanais em locais estratégicos, de forma a atuar face ao estabelecimento e disseminação da Vespa asiática em Portugal Continental; Analisar e caraterizar os pedidos de intervenção referentes aos animais domésticos, nomeadamente cães e gatos;
7 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas 1.4. Organização do relatório A estrutura deste trabalho consistirá, primeiramente, numa apresentação do local de estágio, bem como os motivos e, objetivos que suscitaram interesse em realizar este trabalho. Em seguida, apresentamos um enquadramento teórico, ambiental e legal das diversas populações de animais em estudo, sobre o meio ambiente e a saúde pública nas cidades, mais precisamente, na cidade do Porto. No enquadramento teórico será abordado para cada espécie o seu ciclo de vida, a alimentação, a distribuição geográfica e a morfologia, dando destaque à população das gaivotas, das pombas e da Vespa velutina. Neste mesmo subcapítulo damos atenção também às medidas que atualmente são implementadas, de forma a contribuir para a mitigação das populações de animais nas cidades. No enquadramento ambiental fazemos uma breve introdução ambiental e, abordamos sobre os diversos impactes que as populações em estudo provocam no ambiente urbano. No enquadramento legal faremos uma breve referência da legislação em vigor, que tem a finalidade de preservar e conservar a biodiversidade e o meio ambiente. De seguida, abordamos a metodologia adotada para a aquisição e o tratamento de dados e, por último, apresentamos as análises e considerações finais acerca dos efeitos que as diversas populações em estudo têm sobre a qualidade ambiental e a saúde pública em ambiente urbano e, propõem-se soluções eficazes para a gestão das populações de gaivotas e pombas na cidade do Porto. Termina-se com a bibliografia e webgrafia consultada ao longo do desenvolvimento do trabalho.
8 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Enquadramento
9 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas 2. Enquadramento 2.1. Enquadramento teórico As cidades são invadidas por inúmeras espécies que procuram novas fontes de alimento e, locais adequados para abrigo e reprodução, tendo, na maioria dos casos, um caráter invasivo no ambiente urbano, causando diversos problemas ambientais, na saúde pública e no bem-estar animal (Simões, 2009; Natal, 2015). Atualmente, na cidade do Porto tem-se verificado, ao longo destes últimos anos, diversos pedidos de intervenção por parte dos cidadãos, nomeadamente, contra as populações de gaivotas e pombas. Mais recentemente, também tem ocorrido pedidos de intervenção para a Vespa velutina. 2.1.1. Gaivotas Na segunda metade do século XX verificou-se um aumento acentuado nos efetivos de várias espécies de gaivotas, da Família Laridae e Género Larus, na Europa, tendo-se tornado um problema comum à maioria das cidades costeiras. Este aumento teve origem em diversos fatores, incluindo a diminuição da captura de adultos e da recolha de ovos para consumo humano, o estabelecimento de medidas de proteção em habitats tradicionalmente usados pelas gaivotas para a sua reprodução e alimentação e, o aumento da disponibilidade de alimentos provenientes da má gestão das atividades humanas (Molina, B. (Ed.), 2009). O aumento da quantidade dos recursos alimentares disponíveis para as gaivotas devese, por um lado, ao aumento da dimensão da frota pesqueira na Europa Ocidental e, consequentemente, ao aumento dos desperdícios desta atividade, que são lançados ao mar e aí consumidos pelas aves, das quais, maioritariamente, são constituídas pelas gaivotas. Por outro lado, as várias espécies de gaivotas têm a capacidade de se acomodarem em ambientes urbanos, o que lhes permitiu explorar uma nova fonte de alimento, sob a forma de resíduos urbanos, que são depositados em lixeiras e aterros sanitários ou de forma incorreta na via pública, como também através da alimentação disponibilizada diretamente pelos cidadãos (Molina, B. (Ed.), 2009). Mais recentemente, os aterros sanitários a céu aberto diminuíram e, então, verificou-se a estabilização e diminuição dos efetivos de algumas espécies de Larídeos nesses locais (Arizaga, et al., 2009).
10 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas As gaivotas são aves marinhas, que habitam preferencialmente nas zonas costeiras e, apresentam elevadas taxas de reprodução, devido à capacidade de eclodirem um grande número de ovos. São animais extremamente inteligentes, resistentes e adaptáveis, pelo que são capazes de aproveitar da melhor forma o que as cidades oferecem, como alimento em abundância e locais de abrigo e reprodução (nos telhados e beirais, por exemplo) (Molina, B. (Ed.), 2009) (Parque Biológico, 2004). A época de reprodução das gaivotas ocorre no mês de março até o mês de julho, pelo que durante as épocas primavera, verão e outono estas aves procuram novos locais para nidificação e, muitas vezes, esses locais em ambiente urbano são as chaminés e os telhados, porque propiciam melhores condições de vida, dado que são locais protegidos do vento, quentes e, como tal, estas conseguem reproduzir-se mais cedo e, a taxa de sobrevivência dos juvenis é mais elevada (No more Birds, 2013). Os casais reprodutores iniciam a sua construção do ninho no início de maio e, colocam dois ou três ovos nesse mesmo mês (Figura 2). Os ovos demoram cerca de três a quatro semanas para eclodir e, no início de junho surgem os primeiros pintos. As crias crescem rapidamente, mas permanecem no ninho durante as primeiras cinco a seis semanas e, geralmente, começam a voar no final de julho ou início de agosto, levando cerca de três a quatro anos para atingirem a maturidade e reproduzirem-se (The Highland Council, 2006). Figura 2: Ninho de gaivotas com três ovos (Moreira, Ninho de gaivotas com três ovos, 2015)
17 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas 2.1.3. Vespa velutina A Vespa velutina ou vespa asiática, da Família Vespidae e Género Vespa, é uma espécie de vespa não-indígena, predadora da abelha europeia, com um comprimento médio de, aproximadamente, 2,5cm. Esta espécie é originária do sudoeste da Ásia, mais precisamente da China, Afeganistão, Indochina e Indonésia e, foi introduzida na Europa através do porto de Bordéus (França), em 2004. Desde então, a Vespa asiática já conquistou cerca de 1/3 do território francês e colonizou o Norte da Península Ibérica, em 2010 e, tem sido reportada, desde 2011, na Região Norte de Portugal, pela Associação Apícola Entre Minho e Lima (APIMIL) (Figura 6 e 7) (A Vespa velutina em Portugal, 2012; Direção Geral de Alimentação e Veterinária, 2015). Figura 6: Distribuição da Vespa velutina no mundo. A – Esta espécie foi introduzida na Europa (França); B – Espécie originária do sudoeste da Ásia. (Direção Geral de Alimentação e Veterinária, 2015)
18 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Como referido, a Vespa velutina é uma espécie de grandes dimensões e, possui a cabeça preta com a face laranja/amarelada. O seu corpo é castanho-escuro ou preto, aveludado, delimitado por uma faixa fina amarela e com um único segmento abdominal amarelado-alaranjado, sendo uma das características mais visíveis que permite distingui-las das restantes espécies. As asas são escuras e as patas castanhas com as extremidades amarelas, sendo comumente designada como “vespa das patas amarelas” (Figura 8) (Direção Geral de Alimentação e Veterinária, 2015). Podem ser observadas, tanto em zonas rurais e urbanas, a partir de maio, em grandes ninhos que têm a capacidade de albergar centenas de vespas, localizadas em árvores Figura 7: Evolução espacial da distribuição da Vespa velutina na França, desde o início de 2004 até o final de 2013. O verde-escuro representa os locais onde se detetaram a presença da vespa asiática, em cada ano e, o verde-claro representa os locais colonizados pela espécie (Direção Geral de Alimentação e Veterinária, 2015). Figura 8: Vespa asiática (http://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bf812b314/14234646_Vveyd.jpeg)
19 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas e estruturas construídas. Os ninhos são constituídos por fibras de celulose mastigadas, têm uma forma redonda ou em formato de pera, com uma abertura semelhante a uma saída lateral, podendo atingir um metro de altura e, aproximadamente, 50-80cm de diâmetro (Figura 9) (Direção Geral de Alimentação e Veterinária, 2015). A Vespa velutina é uma espécie diurna, com um ciclo biológico anual, apresentando no mês de junho até o mês setembro (verão) uma maior predação, altura em que as vespas atacam em massa as colmeias, à procura de alimento. Durante o inverno, as rainhas fundadoras hibernam fora do ninho, sendo os locais habitualmente escolhidos as árvores, rochas ou solo. No mês de fevereiro e março, as rainhas abandonam esses locais para fundar a sua colónia e, inicia-se a postura, a fecundação dos ovos e nascem as obreiras. Após o nascimento das primeiras vespas obreiras, o ninho primário é abandonado e, constroem um segundo ninho, que se designa por ninho secundário, ficando responsáveis por alimentar a rainha e as novas larvas. No princípio do outono ocorre a fecundação das futuras rainhas e, quando as temperaturas começam a diminuir, estas iniciam a sua hibernação e, todas as obreiras morrem e, o ninho secundário fica vazio (Figura 10) (A Vespa velutina em Portugal, 2012; Direção Geral de Alimentação e Veterinária, 2015). Figura 9: Ninho de Vespa asiática (http://www.jornaldamadeira.pt/sites/default/files/imagecache/400xY/vespa_asia tica_0.jpg)
20 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas A localização e a identificação dos ninhos é uma etapa imprescindível para perceber a sua distribuição espacial no país, com a finalidade de monitorizar a sua progressão no território nacional. Após a deteção do ninho, deve-se proceder à sua destruição para mitigar os impactes negativos causados pela espécie e, tentar controlar de forma eficaz a invasão da vespa asiática em Portugal (A Vespa velutina em Portugal, 2012). Figura 10: Ciclo biológico da Vespa velutina (Direção Geral de Alimentação e Veterinária, 2015)
21 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas 2.2. Enquadramento Ambiental A maioria das pessoas encara o ambiente como um dado adquirido, mas a pressão exercida sobre os recursos limitados da Terra tem vindo a aumentar a um ritmo bastante acelerado. Se isto continuar a verificar-se, as gerações futuras ficarão privadas de um legado a que têm direito. Para atuar sobre isto, é necessário uma ação coletiva por parte da UE, dos governos nacionais, regionais e locais, das empresas, das organizações não-governamentais (ONG) e dos cidadãos, que inclua uma colaboração com os parceiros internacionais, para assegurar as estratégias adotadas à escala mundial (Conselho Europeu, 2013; Comissão das Comunidades Europeias, 2006). Nos anos 70 e 80, as questões ambientais foram tidas bastante em conta, como a proteção da biodiversidade e a melhoria da qualidade do ar e da água, através da redução das emissões poluentes. Recentemente, o Homem adotou uma atitude bastante diferente, tendo em conta as relações entre as diversas questões e a sua dimensão ambiental e, como tal, assiste-se a uma mudança de atitude, isto é, ao invés de agir para remediar os problemas, passa a agir de forma a prevenir a degradação ambiental (Conselho Europeu, 2013). Atualmente, a legislação europeia cobre a maior parte das questões ambientais. No entanto, a aplicação das políticas continua a levantar problemas, consistindo num desafio essencial para assegurar os benefícios das medidas legislativas de que todos devem usufruir (Conselho Europeu, 2013). Os diversos problemas ambientais que surgem não conhecem limites, pelo que quanto mais a UE incentivar os países vizinhos a adotarem normas elevadas sobre o desenvolvimento sustentável, a biodiversidade e as alterações climáticas, melhor será para proteger e tornar o ambiente com qualidade e garantir a sustentabilidade ambiental, aliviando assim, a pressão sobre os escassos recursos naturais (Conselho Europeu, 2013). As medidas adotadas pela UE contam com o apoio dos cidadãos e, segundo um estudo realizado em 2011, cerca de 90% dos inquiridos afirmam que o ambiente deve ser uma preocupação pessoal. Para além disso, a maioria considera que o apoio financeiro provido pela UE para as atividades referentes ao ambiente e, que a legislação europeia, são necessários para proteger e tornar o ambiente sustentável (Conselho Europeu, 2013; Comissão das Comunidades Europeias, 2006). A UE, para apoiar a política europeia do ambiente, incide-se no programa LIFE (L’instrument financer pour l’environnement), criado em 1992, com o intuito de financiar
22 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas as políticas destinadas a combater o declínio da biodiversidade, a perda de habitats, a eficiência dos recursos e a ação climática. Para além disso, através do programa LIFE, tornou possível alterar as atitudes dos responsáveis políticos e das partes interessadas, de forma a agir no sentido de proteger e melhorar a qualidade do ambiente (Conselho Europeu, 2013). A política ambiental europeia tem como um dos principais objetivos proteger a biodiversidade. O ambiente, atualmente, enfrenta diversas ameaças e, a biodiversidade encontra-se em declínio em todo o mundo. O primeiro plano de ação para a biodiversidade adotado pela UE foi em 2006 (Comissão das Comunidades Europeias, 2006). Mais recentemente, em 2011, a UE apresentou uma estratégia com o intuito de diminuir a perda da biodiversidade, a degradação dos ecossistemas, promover a prosperidade económica, a segurança, a saúde e a qualidade de vida na Europa, até 2020 (Conselho Europeu, 2013). Para além disso, a Comissão Europeia promove a sensibilização da população para a importância do ambiente, destacando-se a realização anual da Semana Verde, que tem por objetivos debater temas alusivos ao ambiente, como, por exemplo, a biodiversidade. Os concursos abertos pela UE são outra forma de sensibilizar a opinião pública e dar a conhecer os esforços ambientais e as iniciativas exercidas pelas cidades da Europa, para aumentar a sustentabilidade das mesmas, rumo a uma economia mais verde, que protege os recursos naturais e garante um ambiente mais saudável e seguro para as gerações futuras (Comissão Europeia, 2013; Comissão das Comunidades Europeias, 2003). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) os conceitos “ambiente” e “saúde” definem os “efeitos patogénicos diretos das substâncias químicas, das radiações e de alguns agentes biológicos como os efeitos na saúde e no bem-estar do ambiente físico, psicológico, social e estético, que engloba a habitação, o desenvolvimento urbano, o uso dos solos e os transportes” (Comissão das Comunidades Europeias, 2003). 2.2.1. Gaivotas As cidades são zonas que oferecem alimento em abundância, como também, diversos locais de abrigo e reprodução para as espécies que têm a capacidade de se adaptarem em locais urbanizados. Entre estas espécies encontram-se algumas espécies de gaivotas, que colonizaram com sucesso diversas cidades, durante o século XX. As gaivotas adquiriram, ao longo do tempo, a flexibilidade de explorar nos meios
23 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas humanizados uma das fontes de alimento imprescindíveis para a sua sobrevivência, que consiste no alimento que as pessoas fornecem às aves urbanas, sendo já identificadas algumas espécies de gaivotas que nascem, vivem, reproduzem-se e morrem nas cidades, sem nunca terem contacto com o seu habitat natural, ou seja, algumas destas espécies já se encontram inseridas na fauna urbana (Aldalur, et al., 2009; Veterinária Atual, 2009; CIIMAR, 2011). O hábito alimentar desta espécie permite que esta beneficie das fontes de alimento que as cidades disponibilizam, tendo como consequência um aumento demográfico, como referido anteriormente. Este crescimento populacional significativo nas cidades levanta questões de saúde pública e ambiental, originando cada vez mais pedidos de intervenção provocados pelos impactes negativos associados às populações de gaivotas (Veterinária Atual, 2009; Santos, 2011). Entre os impactes negativos, mais significativos, encontram-se as colisões com aeronaves, que ocorrem, maioritariamente, durante a descolagem e aterragem de aeronaves. Este problema afeta, principalmente, os aeroportos que se localizam nas zonas costeiras, ocorrendo com mais intensidade durante os períodos de migração (de salientar que este impacte não se deve exclusivamente às gaivotas) (CIIMAR, 2011). É de referir também, os danos patrimoniais e, o impacte estético causados pelos excrementos depositados, que devido à sua acidez têm uma importante ação corrosiva sobre os materiais onde são depositados. Este problema afeta, significativamente, o património imóvel (edifícios, mobiliário urbano, estátuas, entre outros) como também pode afetar, viaturas automóveis (CIIMAR, 2011). O entupimento de canos e caleiras é outro impacte negativo associado, uma vez que as gaivotas pousam ou nidificam com frequência nos telhados e, consequentemente, levam à acumulação de excrementos, restos de alimentos e materiais utilizados na construção de ninhos (CIIMAR, 2011). A predação sobre outras espécies de animais também é considerado um impacte negativo, ou seja, as gaivotas provocam o declínio de outras aves marinhas, em vista de competição interespecífica e, da predação de juvenis, adultos e ovos de outras espécies de vertebrados, podendo afetar negativamente essas populações. Para além disso, é de considerar que as gaivotas perturbam as áreas de lazer ao competirem com os animais existentes nesses locais, tanto pelo alimento como pelo espaço. Como as gaivotas são bastante agressivas, durante a época de reprodução e, ágeis, permite-lhes sobreporem sobre as outras espécies locais e, adicionalmente podem predar ovos, juvenis e adultos desses animais. Nestes locais, estas espécies habituam-se facilmente à presença humana, sendo frequente o roubo de comida das mesas de esplanadas.
24 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Contudo, em algumas situações, este impacte é considerado favorável porque as potenciais espécies presa encontram-se em número abundante nas cidades, como é o caso da pomba, pardal, rato, ratazana, entre outras (CIIMAR, 2011). A poluição sonora é outro impacte negativo que se pode referir, dado que as gaivotas emitem com bastante frequência vocalizações, principalmente, durante a época de reprodução, nos locais onde existe um grande número de casais a nidificar, podendo causar incomodidade nos cidadãos (CIIMAR, 2011). Estudos efetuados, em 2007, por investigadores do ICBAS, detetaram, após a análise de amostras de fezes de gaivotas, que esta espécie era portadora de bactérias multirresistentes a antibióticos. Isto porque as gaivotas alimentam-se, muitas vezes, de desperdícios humanos e das águas tratadas, consumindo, assim, essas bactérias patogénicas, tanto para os restantes animais como também para o Homem, sendo assim, considerado também um impacte negativo (CIIMAR, 2011). É de referir também, que as grandes concentrações desta espécie em determinados locais, como nos aterros e pontos de pesca, podem provocar impactes negativos nas atividades humanas que aí decorrem. (Veterinária, 2009; CIIMAR, 2011). 2.2.2. Pombas O aumento do número de pombas e, consequentemente, os pedidos de intervenção nas cidades por parte dos cidadãos é um facto, uma vez, que estas espécies fizeram um habitat de eleição por terem fácil acesso a recursos alimentares e a refúgio, aliada à presença de poucos predadores. O crescimento exponencial da população de pombas, no ambiente urbano, torna a competição, entre esta espécie com as outras aves nativas, vantajosa para as pombas. Para além disso, esta espécie torna-se bastante independente e, tende a aproximar-se mais do Homem, proporcionando diversos problemas na saúde pública como também no ambiente, devido às penas e fezes e, ao maior risco de transmissão de doenças para o Homem, destruição do património edificado, dos monumentos e dos pavimentos (Prefeitura de Florianópolis, 2015). Com isto, algumas cidades, nomeadamente, a Câmara Municipal do Porto, começaram por adquirir meios de captura e, a atuar face aos pedidos de intervenção sempre que solicitado. Para além disso, começou por promover ações de sensibilização junto dos cidadãos, tendo por objetivo atingir o equilíbrio da população de pombas na cidade.
25 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas O principal problema associado a esta espécie é a disponibilidade de alimento permanente, que tende a prejudicar a população de pombas e a enfraquecer a espécie, porque permite a convivência de animais saudáveis com animais doentes. Os recursos financeiros, necessários para a limpeza das fezes, que são depositadas nos edifícios, monumentos e pavimentos, tornam este problema muito dispendioso para qualquer autarquia. Para além disso, as fezes são constituídas por elementos químicos, que corroem as superfícies e promovem o apodrecimento de madeiras, podendo provocar problemas de saúde no ser humano, como por exemplo, problemas respiratórios. Outro impacte negativo das pombas nas cidades consiste no entupimento de calhas porque os restos de ninhos e excrementos entopem as mesmas e as sarjetas das ruas, podendo causar inundações em dias de chuva. 2.2.3. Vespa velutina Em Portugal Continental, nomeadamente, na Região Norte do país, tem-se verificado a presença da Vespa velutina em grande número em algumas cidades, como o caso da cidade do Porto, por apresentarem condições favoráveis para o seu desenvolvimento e reprodução. Algumas dessas condições favoráveis consistem na presença de camélias, na presença de Callistemon e, nas linhas de água e locais onde foram detetados ninhos secundários no ano anterior (num raio de 500m), proporcionando diversos riscos para a qualidade ambiental, mais precisamente, para a diversidade biológica urbana. Devido ao seu sucesso reprodutor, comparativamente com outras espécies semelhantes e, à sua elevada capacidade de disseminação, a presença desta espécie representa um risco elevado para a apicultura, para a produção agrícola, para a segurança dos cidadãos e para a biodiversidade. Os efeitos da Vespa velutina sobre a população de abelhas propícia um impacte negativo direto, devido às baixas produzidas pela predação direta da Vespa velutina e, um impacte negativo indireto, pela diminuição das atividades das abelhas quando se encontra presente a Vespa velutina, promovendo o enfraquecimento e a morte da colmeia. Estes impactes irão ter consequências diretas, uma vez que, a produção de mel e produtos relacionados tende a diminuir e, para além disso, verifica-se a diminuição da polinização da vegetação natural ou cultivada, dado que, as abelhas desempenham um papel extremamente importante nesta função biológica (Direção Geral de Alimentação e Veterinária, 2015).
26 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Em relação aos impactes negativos na produção agrícola, verifica-se, indiretamente, pela diminuição da atividade polinizadora das abelhas. Para além disso, também pode ser afetada a produção frutícola, dado que estas espécies vegetais são ricas em hidratos de carbono, elementos essenciais para a Vespa velutina durante a sua reprodução (Direção Geral de Alimentação e Veterinária, 2015). Apesar de esta espécie não ser mais agressiva para o ser humano do que a vespa autóctone, esta reage, agressivamente, às ameaças do seu ninho, pelo que perante isso produzem uma resposta em grupo, podendo perseguir a fonte da ameaça, durante cerca de 500m. Além disso, o tamanho que os ninhos podem atingir e, a sua localização em determinadas zonas urbanas, podem provocar um risco mais elevado para os cidadãos (Direção Geral de Alimentação e Veterinária, 2015). Em relação ao ambiente, esta espécie sendo predadora natural das abelhas e outros insetos, pode originar, a médio prazo, impactes negativos na biodiversidade, principalmente, nas espécies de vespas nativas e nas populações de outros insetos (Direção Geral de Alimentação e Veterinária, 2015). Face às situações irregulares identificadas pelos serviços competentes da cidade ou decorrentes de pedidos de intervenção, são realizadas ações de esclarecimento e sensibilização aos cidadãos. A título de exemplo, é possível referir a formação que se concretizou em março de 2015, sob a coordenação da Direção de Serviços de Proteção Animal e Direção de Serviços de Gestão e Administração, tendo como objetivo adquirir conhecimentos sobre o Plano de ação para a vigilância e controlo da Vespa velutina em Portugal. Posto isto, compete a cada autarquia, em parceria com autarquias vizinhas e entidades competentes, implementar medidas adequadas e hábitos exemplares, de forma a promover a biodiversidade nas cidades e, a torná-la mais limpa e amiga do ambiente.
33 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas 3.2. Área de estudo Este trabalho desenvolveu-se no conselho do Porto (Figura 11). A informação recolhida para a realização deste trabalho abrange a área integral do conselho, num total de 41,42 km2, representado, atualmente, por sete freguesias e, é habitado por 237 591 habitantes (valor contabilizado até o ano de 2011) (INE, 2015). O Porto localiza-se no Noroeste da Península Ibérica e de Portugal, na região do Douro Litoral, está rodeado pelas sub-regiões do Cávado e Ave a Norte, a Este pelo Tâmega, a Sul por Entre Douro e Vouga e a Oeste pelo Oceânio Atlântico, onde desagua o Rio Douro na foz entre o Porto e Vila Nova de Gaia. A cidade do Porto é conhecida como a Cidade Invicta. É a cidade que deu o nome a Portugal no ano 200 a.C. quando se designava de Portus Cale, vindo mais tarde a tornar-se a capital do Condado Portucalense. É, ainda, uma cidade conhecida, mundialmente, pelas suas pontes e arquitetura contemporânea e antiga e, pelo seu centro histórico, classificado como Património Mundial pela UNESCO (Porto Património Mundial, 2015). Figura 11: Localização do conselho do Porto (Fonte: Google Maps e http://www.doc-dmc.com/Porto em 11/05/2015)
34 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Como referi anteriormente, o conselho do Porto é constituído por sete freguesias, sendo três delas “Uniões” de freguesias, resultantes da reforma administrativa concretizada em 2013, com as eleições autárquicas desse ano. No Porto existem três uniões e quatro freguesias que mantiveram a sua configuração: União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde; União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória; União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos; Bonfim; Campanhã; Paranhos e Ramalde (Figura 12). 3.2.1. Caracterização Climática O clima de uma região é determinado por vários fatores resultantes da circulação atmosférica superior à latitude da região, sendo estes condicionados por fatores locais, como a altitude, a orientação de vertentes, a proximidade ao mar, entre outros. Segundo a “classificação de Thornthwaite, o clima do Porto é do tipo C (sub-húmido) com tendência para o tipo B (húmido ou muito húmido), sendo classificado como clima atlântico, através da classificação de Koppen, integrando a Província Atlântica do Norte” (Instituto Geográfico Português, 2007). Com o presente estudo, pretende-se analisar as principais características climáticas que influenciam o município do Porto, individualizando-se a Temperatura e a Precipitação. Para tal, foram analisados os registos disponibilizados pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) das estações presentes na região do Porto, nomeadamente, a Figura 12: Limite das freguesias do conselho Porto, após a reorganização administrativa, em 2013 (Fonte: Google Maps em 11/05/2015)
35 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Estação da Serra do Pilar, durante o ano 1981 até 2010. No entanto, analisamos com mais detalhe estes dados a partir do ano de 2009. Os espaços urbanos propiciam a origem de diversos problemas ambientais, nos quais a componente climática é uma relevância acentuada e, o Porto não é exceção. O clima urbano está associado ao fenómeno que se designa por efeito de ilha de calor urbano, que resulta de modificações na temperatura do ar nas áreas urbanas em comparação com as áreas rurais. Estas alterações terão implicações no conforto e na saúde do Homem, no consumo de energia e de água e, na qualidade do ar (Instituto Português do Mar e da Atmosfera, 2015; Câmara Municipal de Lisboa, 2009). A temperatura do ar nas cidades é bastante superior, comparativamente com as zonas rurais, cujas principais causas derivam de diversos fatores, como a “geometria urbana, a poluição do ar, a emissão de calor a partir dos edifícios, o tráfego, a cobertura do solo e os materiais de construção utilizados” (Instituto Português do Mar e da Atmosfera, 2015; Câmara Municipal de Lisboa, 2009). Segundo algumas pesquisas efetuadas, referente à análise da evolução climática em Portugal Continental, durante o século XXI, é possível inferir algumas tendências no clima nacional. O clima português sofreu, nestes últimos anos, diferentes períodos de mudança na temperatura média, tendo-se registado um aumento significativo das temperaturas máximas e mínimas médias e, consequentemente, provocando a frequência e a intensidade de ondas de calor (Agência Portuguesa do Ambiente, 2015). É possível classificar, de forma generalizada, o conselho do Porto, tendo um clima fortemente marcado pela proximidade do Oceano Atlântico, com um verão moderado e um inverno temperado (Monteiro, 2012). De acordo com os dados disponíveis na estação climatológica Porto/Serra do Pilar, no ano 1981 até 2010, constata-se a ocorrência de temperaturas médias compreendidas, entre os 9,5ºC e os 20,8ºC (Figura 13), sendo que estes valores são atingidos nos meses de janeiro e agosto, respetivamente.
36 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas De acordo com a figura 14, a precipitação média anual no Porto oscila, principalmente, entre o valor máximo mensal de 181mm e o valor mínimo mensal de 20,4mm, no período entre 1981-2010, sendo que, os meses de verão são os mais secos e os meses de inverno os que apresentam uma precipitação mais abundante. Como referido anteriormente, neste trabalho iremos analisar, mais detalhadamente, as mudanças climáticas que ocorreram em Portugal Continental, a partir do ano 2009. 9,5 20,8 0 5 10 15 20 25 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Temperatura (ºC) Mês Temperatura do ar Figura 13: Distribuição dos valores médios anuais da temperatura do ar registados na estação climatológica Porto/Serra do Pilar, desde o início de 1981 até 2010. A temperatura média mínima é 9,5º e corresponde ao mês de janeiro e, a temperatura média máxima é 20,8º e corresponde ao mês de agosto. Fonte: Instituto Português do Mar e da Atmosfera 20,4 181 0 50 100 150 200 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Precipitação (mm) Mês Precipitação Figura 14: Distribuição dos valores médios anuais da precipitação registados na estação climatológica Porto/Serra do Pilar, desde o início de 1981 até 2010. A precipitação média mínima é 20,4mm e corresponde ao mês de julho e, a precipitação média máxima é 181mm e corresponde ao mês de dezembro. Fonte: Instituto Português do Mar e da Atmosfera
37 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o ano 2009 foi caracterizado por apresentar valores médios da temperatura média anual do ar superiores aos registados, nas últimas décadas, principalmente, entre o início do mês de março até o final do mês maio, pelo que a primavera deste ano foi considerada a mais seca, desde 1931. Para além disso, esse mesmo ano, foi marcado pela ocorrência de sete ondas de calor, sendo que duas ocorreram na primavera, três no verão e duas no outono (Instituto Português do Mar e da Atmosfera, 2009). O ano 2010 foi considerado um ano com diversos eventos extremos. Este ano, desde 2001, foi marcado por apresentar valores de precipitação bastante elevados. No entanto, entre o início do mês de julho até o final do mês de setembro, detetou-se alguns períodos com influência de massas de ar quente, sendo caracterizado por quatro ondas de calor, uma em maio, duas em julho e uma em agosto (Instituto Português do Mar e da Atmosfera, 2010). Ao longo do ano de 2011, ocorreram cinco fenómenos classificados como ondas de calor, nomeadamente, uma em abril, duas em maio e duas em outubro (Instituto Português do Mar e da Atmosfera, 2011). No ano 2012, verificou-se um período de seca no final do inverno, início da primavera. Para além disso, este ano foi marcado por quatro ondas de calor, nos meses de março, abril, maio e setembro (Instituto Português do Mar e da Atmosfera, 2012). Em 2013 verificaram-se três ondas de calor, nos meses de junho, julho e agosto, ou seja, no verão e, no ano 2014, foi possível constatar com os dados recolhidos, que a temperatura média do ar foi superior aos valores normais em quase todo o território nacional, tendo sido mais acentuada essas anomalias no litoral Norte e Centro do País (Instituto Português do Mar e da Atmosfera, 2013; Instituto Português do Mar e da Atmosfera, 2014). 3.3. Sistemas de informação geográfica como ferramenta de avaliação de risco ambiental Com o objetivo de monitorizar e planear os meios e recursos necessários para atuar no sentido de controlar as populações na cidade do Porto, é necessário identificar os locais onde ocorrem os pedidos de intervenção, determinar a sua evolução no espaço e no tempo e, avaliar as consequências das ocorrências no ambiente natural e social. Neste sentido, as técnicas cartográficas, através da análise das relações espaciais, são
38 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas imprescindíveis para a prevenção e controlo dos riscos associados às diferentes ocorrências, dado que permitem localizar as zonas de risco e as zonas mais vulneráveis. As metodologias de análise de risco são suportadas por Sistemas de Informação Geográfica (SIG), visto que a utilização de ferramentas de análise espacial permite determinar relações espaciais e áreas potencialmente afetadas pelas diferentes populações em estudo. Como resultado, obtêm-se mapas de risco que podem ser definidos como um conjunto de dados organizados de modo a apresentar, de forma digital, os riscos associados às populações em estudo, numa determinada área (Pires, 2005). A cartografia de risco ambiental desempenha um papel fundamental no aperfeiçoamento do ordenamento do território, na prevenção de acidentes e na eficácia de resposta a uma situação de perigo, uma vez que serve de base para desenvolver medidas de controlo e mitigação dos impactes negativos de determinada ocorrência, em áreas vulneráveis (Pires, 2005). De acordo com o Despacho nº27660/2008 de 29 de Outubro, do Ministério da Administração Interna e do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, define a cartografia de risco como “uma peça fundamental da elaboração do plano diretor municipal, condicionando de prevenção e gestão de riscos em estreita articulação com os planos municipais de emergência”, considerando, assim, os sistemas de informação geográfica indispensáveis para “o desenvolvimento de cartas de risco temáticas vem dar resposta a importantes medidas assumidas no Programa do XVII Governo, quer no âmbito da proteção civil, quer no âmbito do ordenamento do território” (Despacho nº 27660/2008, 2008).
39 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas 3.4. Software utilizado Para a realização deste trabalho foi utilizado o sotfware ArcGIS versão 10.2.2, produzido pela ESRI (Figura 15) e, ao qual tinha acesso para utilizá-lo durante o estágio curricular. Para além disso, o uso deste software tornou-se vantajoso porque a CMP trabalhava com o mesmo programa, facilitando assim a transferência e o acesso dos dados recolhidos e manipulados. O ArcGIS é um dos principais programas utilizados por profissionais de Sistemas de Informação Geográfica (SIG), usado para várias áreas onde existe a necessidade de manipular, recolher e gerir dados geográficos. Este programa inclui diversas aplicações que permitem apoiar uma série de tarefas de SIG, tais como o mapeamento, a análise, a gestão de geodatabases e a partilha de informações geográficas. Esta plataforma baseia-se na estrutura de três aplicativos, sendo eles o ArcMap, ArcCatalog e ArcToolbox, permitindo o funcionamento de diversas tarefas, incluindo a gestão de dados geográficos, a análise espacial dos dados, a construção de cartografia, entre outros (Monteiro, 2012). Figura 15: Representação do ambiente de trabalho do sotfware ArcGIS versão 10.2.2 (Moreira, 2015)
40 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas 3.5. Aquisição de dados e metodologia adotada A metodologia adotada (Figura 16), para a realização deste trabalho, consistiu, numa primeira fase, na pesquisa bibliográfica sobre o tema referente às diferentes espécies e, à gestão das pragas urbanas, mais precisamente, na cidade do Porto. Após esta primeira fase, procedeu-se à recolha e análise de dados referentes aos pedidos de intervenção efetuados pelos cidadãos para o Canil Municipal do Porto (Anexo I). Inicialmente, recorrendo às funcionalidades do programa Excel, foram inseridos e analisados os dados recolhidos e, posteriormente, determinou-se a sua evolução temporal e, foi avaliado em que época os impactes negativos das populações de gaivotas e pombas, referidos no capitulo do enquadramento ambiental, são mais acentuados na cidade do Porto. Relativamente à população de gaivotas, primeiramente, foram informatizados os pedidos de intervenção, desde o início de 2004 até maio de 2015 e, em relação à população de pombas os dados informatizados foram desde o início de 2006 até maio de 2015 (Anexo II). Em ambiente ArcGIS, foi criada uma nova shapefile da área do conselho do Porto, que serviu de base para a elaboração da cartografia de risco ambiental, tendo como suporte as layers (números de policia, eixos de via, freguesias, quarteirões e cartografia de base - planimetria) fornecidas pela CMP. Os pedidos de intervenção, relativos a gaivotas, foram georreferenciados, desde o início de 2004 até maio de 2015. No entanto, estes dados referem-se apenas a gaivotas vivas, com a exceção de um pedido de intervenção, que ocorreu em 2014, de uma gaivota morta que se encontrava junto ao ninho. Para além disso, referiu-se também a existência de ninho, a presença de juvenis, casos de alimentação a gaivotas e casos de gaivotas agressivas. Ou seja, esta informação serviu, no fim, para caraterizar os locais mais suscetíveis de nidificação, contabilizando os juvenis e, se possível os ninhos e os ovos. Os pedidos de intervenção referentes às pombas foram georreferenciados, desde o início de 2014 até maio de 2015, de forma a determinar a sua evolução espacial nesse período de tempo e, a identificar os locais mais suscetíveis a problemas de saúde pública e ambientais provocados pela espécie (Anexo III). De forma a observar, com mais detalhe, os resultados obtidos, referentes a pedidos de intervenção de gaivotas, foi utilizado, neste estudo, um método de interpolação, nomeadamente, o método de Polígonos de Thiessen, permitindo transformar os valores pontuais em áreas. Nestes casos, a fronteira do polígono é equidistante em todos os pontos e, toda a área do polígono tem o mesmo valor.
41 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Após a análise temporal e espacial da área de estudo foi efetuado uma análise SWOT. Com isto, pretendemos complementar a análise efetuada de forma a compreender os aspetos positivos e os aspetos negativos das medidas implementadas para a gestão destas populações de animais, com impacte significativo na cidade do Porto. Para além disso, este tipo de ferramenta também nos permite definir as relações existentes entre os pontos fracos e os pontos fortes que as medidas proporcionam nas cidades, com o intuito de mitigar os impactes negativos provocados pelas diferentes espécies e, melhorar o estado de conservação das mesmas e dos seus habitats. Isto proporciona, assim, melhor qualidade de vida para os cidadãos, melhor qualidade ambiental e o bemestar animal. No que respeita à população da Vespa asiática, inicialmente, foram identificados 31 locais com potencial para a colocação das armadilhas seletivas porque apresentavam as condições favoráveis, mencionadas no capítulo enquadramento ambiental, para a disseminação da espécie. Numa primeira fase do programa, foram selecionados, apenas, locais municipais para facilitar o acesso e a monitorização (Anexo IV) e, foram colocados nesses locais armadilhas seletivas artesanais, propostas pela Associação dos Apicultores do Norte de Portugal, porque ainda não existe no mercado modelos disponíveis. No interior de cada armadilha continha um preparado que servia de isco para atrair os insetos, nomeadamente, a Vespa velutina. Esse isco era constituído à base de vinho verde branco (60%), cerveja branca (30%) e groselha (10%) e, foi proposto pelo apicultor João Valente. Posteriormente, com o auxílio do software ArcGIS, foram mapeados geograficamente os locais onde se colocaram as armadilhas seletivas artesanais para, no futuro, efetuar uma monitorização e controlo desta espécie (Anexo V). Ao longo do estágio foi produzido material informativo, como a criação de panfletos, relativos às populações de gaivotas na cidade do Porto (Anexo VI). Para além disso, também foi atualizada a informação relativa ao controlo populacional (gaivotas/pombas/vespa asiática) no site da CMP (Anexo VII). Em paralelo, procedeu-se à informatização dos pedidos de intervenção relacionados com os animais domésticos, nomeadamente, cães e gatos, desde o início de 2006 até maio de 2015. Além disso, também se georreferenciou os pedidos de intervenção rececionados no canil, referentes a estes animais domésticos, desde o início de 2014 até maio de 2015 (Anexo XXII).
42 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Considerações finais 7. Propor métodos de ação eficientes para a gestão de populações de gaivotas e pombas na cidade do Porto 6. Identificar a época do ano mais problemática para cada população em estudo 5. Identificar os locais mais suscetíveis a problemas ambientais e de saúde pública 4. Determinar a sua evolução no tempo e no espaço 3. Avaliar os impactes negativos da presença das populações em estudo na cidade do Porto 2. Recolha e análise dos dados referentes aos pedidos de intervenção efetuados pelos cidadãos disponiveis no canil da Câmara Municipal do Porto 1. Recolha de informação bibliográfica Figura 16: Representação do esquema metodológico utilizado neste estudo
49 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Na figura 22, é possível analisar que os pedidos de intervenção rececionados, relativos a diversas situações de incomodidade provocadas por gaivotas na cidade do Porto, no ano 2012, ocorreu, na sua maioria, em junho e julho. Podemos inferir, assim, que estes dados poderão estar relacionados com o período de seca e com a época de reprodução das gaivotas. De acordo com a figura 23, podemos verificar que, no ano 2013, o maior número de ocorrências rececionadas foi durante a época do verão, mais precisamente, no mês de julho e agosto, inferindo, assim, que estes resultados poderão estar correlacionados com as ondas de calor que ocorreram nesse mesmo ano e, com a época de reprodução da espécie. 5 8 6 6 2 11 17 9 5 10 5 7 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Meses Nº pedidos de intervenção Figura 22: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2012, relativos a populações de gaivotas (vivas e mortas). Número total corresponde a 91 dados (CMP, 2015) 4 1 6 4 8 23 14 4 2 2 0 5 10 15 20 25 123567810 11 12 Meses Nº pedidos de intervenção Figura 23: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2013, relativos a populações de gaivotas (vivas e mortas). Número total corresponde a 68 dados (CMP, 2015)
50 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas E, por fim, 2014 foi o ano onde se registaram mais pedidos de intervenção, sendo rececionados com mais frequência nos meses de junho e julho, deduzindo que estes resultados poderão estar relacionados com as ondas de calor e, com a época de reprodução da espécie, como podemos constatar através de figura 24. Face ao exposto, através da informação apresentada, é possível inferir a existência de um aumento tendencial da população de gaivotas na cidade do Porto, principalmente, durante os meses de junho até o final do mês de setembro, correspondentes à época de reprodução da espécie, uma vez que estas espécies se adaptam facilmente a diversos locais da cidade, como telhados de edifícios, com o intuito de construírem os seus ninhos e de protegerem as suas crias. Podemos também constatar, através das informações rececionadas, que as gaivotas na cidade, principalmente, durante a época de reprodução, tornam-se mais agressivas para protegerem os seus ninhos e crias, procuram alimento com mais abundância e são alimentadas pelos cidadãos, fatores esses que promovem o aumento dos pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto. De forma a complementar este estudo sobre a evolução das gaivotas na cidade do Porto, nomeadamente, sobre a evolução espacial destas diversas populações de gaivotas, construíram-se várias cartas, sendo uma delas a representada na figura 25. Através deste estudo mais detalhado, foi possível fazer um levantamento dos locais com um risco elevado para o aparecimento de problemas, tanto a nível de saúde pública, como também a nível ambiental. 63 8 12 10 29 43 14 19 15 8 15 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 12345678910 11 12 Meses Nº pedidos de intervenção Figura 24: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2014, relativos a populações de gaivotas (vivas e mortas). Número total corresponde a 182 dados (CMP, 2015).
51 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Como podemos observar ao longo dos anos, nomeadamente, desde o início de 2005 até maio de 2015, o número de pedidos de intervenção tem ocorrido com uma maior frequência em algumas freguesias, especialmente, na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória (centro histórico). Nesta união de freguesias, o número de pedidos de intervenção corresponde a, aproximadamente, 44% dos dados analisados enquanto que, nas restantes freguesias da cidade do Porto, a percentagem destas ocorrências tem sido semelhante, apesar de, nestes últimos anos, ter-se verificado um grande aumento de pedidos de intervenção nesses locais (Tabela 5) (Anexo VIII). Figura 25: Carta municipal do Porto, relativa aos pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, referentes a situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, desde o início de 2005 até maio de 2015, dando destaque às freguesias do centro histórico. Número total corresponde a 474 dados (CMP, 2015)
52 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Freguesias Pedidos de intervenção Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde 54 Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória 207 Lordelo do Ouro e Massarelos 63 Bonfim 50 Campanhã 21 Paranhos 38 Ramalde 35 x 6 Total 474 Sendo assim, podemos verificar que a zona com um número maior de pedidos de intervenção corresponde ao centro histórico da cidade, uma zona com lugares propícios e adequados para esta espécie pousar e construir os seus ninhos com maior segurança e, que apresenta grande disponibilidade de alimentos, por ser uma zona em ascensão a nível da restauração. De forma a analisar, com mais destaque, estas observações, retiradas dos pedidos de intervenção relacionados com gaivotas e, efetuadas desde o início de 2005 até maio de 2015, construiu-se uma carta com o auxílio do método de interpolação que se designa por Polígono de Thiessen, como é possível conferir na figura 26. Tabela 5: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, rececionados no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2005 até maio de 2015, relativos às populações de gaivotas. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; x – corresponde a pedidos de intervenção com local indefinido. Número total de 474 pedidos de intervenção (CMP, 2015)
53 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Através da figura 26, podemos observar que a área dos polígonos, construídos para cada ponto georreferenciado, é mais pequena, se a distância entre o ponto e o ponto vizinho for menor e, se a distância do ponto e do ponto vizinho for maior, a área dos polígonos formados será também maior. Com isto, podemos verificar que no centro histórico da cidade do Porto, os pedidos de intervenção sobre os incómodos provocados pelas gaivotas ocorrem com maior frequência, dado que os polígonos construídos nessa zona possuem uma área mais pequena, comparativamente com os polígonos construídos nas restantes freguesias que apresentam áreas superiores. Para além disso, sabendo a área envolvente para cada ponto, neste caso, cada local onde ocorreu o pedido de intervenção, conseguimos analisar com mais precisão a área que foi afetada e a distância entre as ocorrências georreferenciadas e, assim, atuar de forma mais eficiente na gestão destas espécies na cidade do Porto. Para proceder a uma análise mais detalhada, de forma a compreender a evolução espacial das diferentes populações de gaivotas ao longo dos anos, foram construídas cartas municipais relativas às diversas situações de incomodidade, para cada ano analisado. Figura 26: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados sobre as situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, desde o início de 2005 até maio de 2015, com o auxílio do método Polígonos de Thiessen. Número total corresponde a 474 dados (CMP, 2015)
54 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Na figura 27, é possível observar a evolução espacial das populações de gaivotas, ao longo dos anos de 2005 e 2006. Nestes anos, os pedidos de intervenção ocorreram, com maior destaque, nas freguesias próximas ao rio Douro, nomeadamente, na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória (37%), na União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde (23%) e na União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos (20%). Nas freguesias de Paranhos e Ramalde os pedidos de intervenção, que ocorreram durante o período de tempo em análise, foram menos significativos (Tabela 6) (Anexo IX). Figura 27: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados sobre as situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, desde o início de 2005 até o final de 2006. Número total corresponde a 30 dados (CMP, 2015)
55 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas No ano 2007, como podemos observar pela figura 28, os pedidos de intervenção que ocorreram foram pouco significativos. Neste ano, as ocorrências destacaram-se na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória (62%). Para além disso, também se Freguesias Pedidos de intervenção Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde 7 Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória 11 Lordelo do Ouro e Massarelos 6 Paranhos 4 Ramalde 1 x 1 Total 30 Tabela 6: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, rececionados no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2005 até o final de 2006, relativos às populações de gaivotas. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; x – corresponde a pedidos de intervenção com freguesia indefinida. Número total de 30 pedidos de intervenção (CMP, 2015) Figura 28: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados sobre as situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, no ano 2007. Número total corresponde a 16 dados (CMP, 2015)
56 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas registaram pedidos de intervenção na União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos (19%) e na freguesia de Ramalde (13%) (Tabela 7) (Anexo X). Na figura 29, está representada a carta municipal referente a pedidos de intervenção, rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2009, sendo possível constatar que o número de ocorrências foi mais significativo na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória (30%) e na freguesia do Bonfim (30%) e, menos significativo na freguesia de Campanhã (4%), na União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos (4%), na União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde (6%) e na freguesia de Paranhos (9%) (Tabela 8) (Anexo XI). Freguesias Pedidos de intervenção Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória 10 Lordelo do Ouro e Massarelos 3 Ramalde 2 x 1 Total 16 Tabela 7: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2007, relativos às populações de gaivotas. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se forma apresentada; x – corresponde a pedidos de intervenção com freguesia indefinida. Número total de 16 pedidos de intervenção (CMP, 2015) Figura 29: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção, rececionados sobre as situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, no ano 2009. Número total corresponde a 47 dados (CMP, 2015)
57 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Freguesias Pedidos de intervenção Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde 3 Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória 14 Lordelo do Ouro e Massarelos 2 Bonfim 14 Campanhã 2 Paranhos 4 Ramalde 7 x 1 Total 47 No ano 2010, o número de ocorrências efetuadas para o Canil Municipal, relativamente aos incómodos provocados pelas diversas populações de gaivotas, nesse mesmo ano, ocorreram, na sua maioria, na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória (39%), na freguesia de Paranhos (23%) e na freguesia de Bonfim (16%), como é possível observar através da figura 30. Nas restantes freguesias, nomeadamente, na União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, na União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos, na freguesia de Campanhã e na freguesia de Ramalde foram rececionadas ocorrências pouco significativas (Tabela 9) (Anexo XII). Tabela 8: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2009, relativos às populações de gaivotas. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se forma apresentada; x – corresponde a pedidos de intervenção com freguesia indefinida. Número total de 47 pedidos de intervenção (CMP, 2015)
58 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Freguesias Pedidos de intervenção Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde 4 Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória 17 Lordelo do Ouro e Massarelos 2 Bonfim 7 Campanhã 3 Paranhos 10 Ramalde 1 Total 44 Tabela 9: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, rececionados no Canil Municipal do Porto, no ano 2010, relativos às populações de gaivotas. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se forma apresentada; Número total de 44 pedidos de intervenção (CMP, 2015) Figura 30: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção, rececionados sobre as situações de incomodidade provocadas pelas gaivotas, no ano 2010. Número total corresponde a 44 dados (CMP, 2015)
65 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Relativamente às ocorrências rececionadas, devido a casos de alimentação a gaivotas por parte dos cidadãos, é possível analisar, espacialmente, desde o início de 2005 até maio de 2015, que estes pedidos de intervenção ocorreram, na sua maioria, na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória (28%), na freguesia de Bonfim (23%), na freguesia de Paranhos (18%) e na freguesia de Ramalde (18%). Nas restantes freguesias as ocorrências monitorizadas foram pouco significativas, conforme podemos observar através da figura 36 (Anexo XVIII). Na figura 37, está representada a carta municipal do Porto relativa a ocorrências, rececionadas pela presença de juvenis de gaivotas, por parte dos cidadãos, na cidade. Estes pedidos de intervenção foram monitorizados, desde o início de 2005 até maio de 2015 e, ocorreram, maioritariamente, na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória (47%), na freguesia de Paranhos (19%) e na União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos (14%). Com menos frequência, este tipo de pedidos de intervenção, ocorreram na freguesia de Bonfim Figura 36: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção rececionados por casos de alimentação a gaivotas, por parte dos cidadãos, na cidade, desde o início de 2005 até maio de 2015. Número total corresponde a 39 dados (CMP, 2015)
66 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas (10%) e na freguesia de Ramalde (7%). Em relação às restantes freguesias as ocorrências monitorizadas foram pouco significativas (Anexo XIX). Outra das situações bastante incomodativa para os cidadãos da cidade do Porto é a presença de ninhos, nos telhados e beirais dos edifícios, pelo que tem sido monitorizados, desde o início de 2006 até maio de 2015, os pedidos de intervenção referentes a ninhos construídos pelas populações de gaivotas. Este tipo de ocorrência tem sido verificado com grande frequência na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória (46%). Nas restantes freguesias também se detetaram a construção de ninhos, mas as ocorrências monitorizadas foram menos significativas, ou seja, na freguesia de Paranhos os pedidos de intervenção registados correspondem a 15%, na União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos correspondem a 12%, na freguesia de Bonfim as ocorrências monitorizadas abrangem os 12%, na freguesia de Ramalde correspondem a 12% de pedidos de intervenção rececionados e, na União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde registouFigura 37: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção provocados pela presença de juvenis de gaivotas na cidade, desde o início do ano de 2005 até maio de 2015. Número total corresponde a 70 dados (CMP, 2015)
67 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas se, aproximadamente, 3% dos pedidos de intervenção rececionados, conforme é possível observar através da figura 38 (Anexo XX). Através da análise temporal e espacial foi possível determinar, de uma forma geral, a evolução das gaivotas, ao longo dos últimos anos. Ou seja, com os dados analisados verificamos que a época do ano mais propícia a um número maior de ocorrências, nomeadamente, de pedidos de intervenção referentes a gaivotas, ocorre na época de reprodução da espécie, ou seja, na primavera e no verão, aumentando, assim, o número de efetivos na cidade. Para além disso, as gaivotas adultas para proteger as suas crias, por vezes, tornam-se mais agressivas o que, por conseguinte, promove o aumento de pedidos de intervenção por parte dos cidadãos. Outro grande motivo que leva a pedidos de intervenção, corresponde à presença de ninhos, em telhados e beirais de edifícios, na cidade, o que promove diversos impactes negativos, já mencionados no capítulo enquadramento ambiental. No entanto verificamos, através dos dados analisados, que nestes últimos anos, as gaivotas têm-se tornado espécies bem adaptadas ao clima que se tem vivenciado, ao Figura 38: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção provocados pela presença de ninhos de gaivotas, em telhados e beirais dos edifícios, na cidade, desde o início de 2006 até maio de 2015.. Número total corresponde a 82 dados (CMP, 2015)
68 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas longo dos meses, nas cidades, nomeadamente, na cidade do Porto e, um dos grandes motivos desta adaptação deve-se ao facto de encontrarem recursos alimentares com bastante facilidade. Com tal, outro tipo de pedido de intervenção, rececionado no Canil Municipal do Porto com frequência, corresponde às atitudes dos cidadãos que têm tendência em alimentar as gaivotas, tornando o local, sujo com resíduos alimentares, o que poderá potenciar o aparecimento de problemas, tanto na saúde pública como também no ambiente. Relativamente aos dados utilizados, para proceder à análise espacial ao longo dos últimos anos, verificamos que a maioria dos pedidos de intervenção ocorreram nas freguesias próximas do Rio Douro e no centro histórico da cidade do Porto, ou seja, na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, na freguesia de Bonfim e na União das freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos. Estes locais são mais apreciados por esta espécie porque situam-se perto da marginal do Rio Douro, facilitando, assim, a aquisição de recursos alimentares. Para além disso, o centro histórico da cidade contém ótimos locais de repouso e abrigo para as gaivotas, tornando-se áreas muito procuradas por esta espécie. No entanto, verificamos também que as gaivotas foram-se adaptando cada vez mais à cidade do Porto e aos recursos que ela fornece, tornando-se problemática nas freguesias mais afastadas do rio, nomeadamente, na freguesia de Paranhos. Na cidade do Porto, as gaivotas propiciam diversos impactes negativos, já supramencionados no capítulo enquadramento ambiental. Assim sendo, de forma a ter um controlo mais ativo por parte da CMP, de acordo com as suas funções e faculdades, tem-se atuado nos locais onde se verifica um número maior de pedidos de intervenção rececionados, de forma a promover a existência de um equilíbrio do número das espécies de gaivotas, que permita a coabitação com os cidadãos da cidade e, consequentemente, melhorar a saúde pública e o bem-estar animal. De forma a atuar eficientemente existem, já no mercado, algumas empresas aptas e especializadas para a implementação de medidas a combater os problemas causados pelas espécies e, em parceria com essas entidades especializadas e com autarquias vizinhas, a CMP tem em vigor estratégias de controlo de Larídeos, nomeadamente, a alteração das práticas humanas, de forma a eliminar ou minimizar, acentuadamente, a disponibilidade de recursos alimentares para as gaivotas. Estas ações de sensibilização se forem implementadas adequadamente e, se os cidadãos colaborarem de forma ativa e tomarem consciência das informações fornecidas, é considerada a medida mais eficaz na redução das populações de Larídeos na cidade do Porto, a longo prazo. Os serviços
69 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas municipais de limpeza têm um papel de extrema importância a desempenhar, devendo estes ter especial atenção nos locais onde se receciona um maior número de pedidos de intervenção, apontados anteriormente. Outra estratégia adotada pela CMP é a colocação de dispositivos físicos de proteção, como por exemplo, a utilização de redes, cabos e espigões, de forma a impedir o poiso das gaivotas nos edifícios e no mobiliário urbano público. Esta solução é eficaz e, com resultados a curto prazo, na proteção do património da cidade. Em caso de edifícios privados, as autarquias poderão divulgar informações aos cidadãos, de forma a esclarecer como devem atuar e a quem devem alertar, face aos problemas provocados pelas gaivotas. Outro método que poderá ser utilizado são os métodos sonoros, sendo estes eficazes, a curto prazo, para afugentar as espécies de Larídeos, através da emissão de sons de alarme e stress de gaivotas, sons dos seus predadores naturais e sons artificiais. No entanto, em zonas onde a disponibilidade de recursos alimentares é elevada, com o tempo, este método deixa de ser eficaz (CIIMAR, 2011). Por fim, outra medida que pode ser aplicada consiste na redução dos efetivos da(s) espécie(s) alvo, através do abate e/ou remoção e esterilização dos seus ovos e dos seus ninhos. No entanto, esta ação, apesar de reduzir o número de crias em potencial, nos próximos anos, não remove a espécie Larideae na cidade e, terá de ser aplicada, todos os anos, para que se torne eficaz. Além disso, esta medida fará com que esta espécie procure novos abrigos em outros locais, pelo que é imprescindível aplicar precauções adequadas. Para complementar a análise efetuada pretendemos compreender os aspetos positivos e negativos que a implementação dos métodos de gestão têm nesta espécie e, definir os pontos fortes e pontos fracos que estes proporcionam nas cidades, bem-estar animal e na saúde pública. Para tal foi efetuada uma análise SWOT: Pontos Fortes (Strenghts): Controla a distribuição espacial das gaivotas, tornando-as mais próximas do seu habitat natural (zona costeira); Reduz o número de ninhos de gaivotas nas cidades; Diminui o número de gaivotas nas cidades; Reduz o número de pedidos de intervenção para o Canil Municipal; Melhora a qualidade ambiental, a saúde pública e o bem-estar animal nas cidades.
70 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Pontos Fracos (Weaknesses): Recursos financeiros escassos para implementar métodos de controlo eficientes, em locais privados; Dificuldade em eliminar e/ou reduzir os recursos alimentares disponíveis; Reduzida colaboração dos cidadãos no controlo das gaivotas nas cidades. Oportunidades (Opportunities): Desenvolvimento de uma estratégia de base que permite a implementação no controlo de outras espécies; Criação de condições para o desenvolvimento sustentável de espécies nativas; Desenvolvimento de ações de sensibilização para a sociedade em geral, de forma a melhorar a qualidade de vida nas cidades e o efeito dos programas de gestão das gaivotas. Ameaças (Threats): Necessidade de implementação periódica dos métodos de controlo; Dificuldade em assegurar a eficácia dos métodos a longo prazo.
71 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Pombas Para compreender a evolução temporal da população de pombas na cidade do Porto, foram inseridos 404 dados relativos a pedidos de intervenção, por diversas situações de incómodo, como referidas no capítulo enquadramento ambiental. Estes dados, desde o início de 2004 até maio de 2015, abrangem animais vivos, como também animais mortos, encontrados na via publica ou em locais particulares (Tabela 14). Para além de fazer uma análise temporal, também procedemos a uma análise espacial, ou seja, com os dados obtidos tentamos caraterizar a evolução espacial das populações de pombas na cidade do Porto, durante o período compreendido desde o início de 2014 até maio de 2015, através do software ArcGIS, como referido no capítulo metodologia. Foram inseridos 37 dados referentes a pedidos de intervenção por diversas situações de incómodos provocados por esta espécie. Face ao exposto, existem diversos indicadores disponíveis que permitem compreender a evolução temporal das populações de pombas na cidade do Porto. Este tipo de informação foi recolhida através dos pedidos de intervenção rececionados, desde o início de 2004 até maio de 2015, por situações de incomodidade que propiciam diversos impactes negativos na saúde pública e bem-estar animal (figura 39). Pombas Pedidos de intervenção Animal morto 214 Animal vivo 190 Total 404 Tabela 14: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2004 até maio de 2015, relativos a populações de pombas (vivas e mortas) (CMP, 2015) 1 1 129 59 64 9 38 17 23 41 22 0 20 40 60 80 100 120 140 2004 2005 2006 2007 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Ano Nº pedidos de intervenção Figura 39: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2004 até maio de 2015, relativos a populações de pombas (vivas e mortas). Número total corresponde a 404 dados (CMP, 2015)
72 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Através da figura 39, podemos analisar que, ao longo dos anos, houve diversos pedidos de intervenção para a recolha de pombas vivas e mortas, na via pública ou noutros locais, que constituem risco para a saúde pública e bem-estar animal. Nos anos 2004, 2005 e 2008 não se registaram dados conclusivos, no entanto, os anos 2006, 2007 e 2009, foram os anos onde se registaram mais pedidos de intervenção. A partir de 2009 até à data atual, os pedidos de intervenção referentes a populações de pombas foram diminuindo significativamente. No entanto, estas espécies, atualmente, ainda são consideradas problemáticas para as cidades, nomeadamente, para a cidade do Porto. De acordo com a figura 40, que representa o número total de pedidos de intervenção, ao longo dos meses, desde o início de 2004 até maio de 2015, podemos verificar que os meses com um número maior de ocorrências ocorre desde o início do mês de março até ao fim do mês de julho, ou seja, na primavera e no verão, época do ano onde a reprodução é mais intensa. Face ao exposto, os resultados dos indicadores apresentados permitem deduzir a existência de um aumento tendencial da população de pombas na cidade do Porto, desde o início de 2006 até ao final de 2009. No entanto, após esse ano até à data atual, verificou-se uma diminuição das ocorrências, referentes a esta espécie e, um dos motivos que poderá ter provocado esta diminuição foi o aparecimento das populações de gaivotas na cidade e, que se tornaram numa espécie mais dominante e problemática em relação às pombas. Contudo, como referi anteriormente, as pombas ainda são consideradas problemáticas nas cidades, principalmente, na primavera e no verão, porque conseguem adaptar-se facilmente a diversos locais da cidade, como beirais e chaminés, com o intuito de construírem os seus ninhos e reproduzirem-se. 17 35 57 40 49 47 47 32 31 24 11 14 0 10 20 30 40 50 60 12345678910 11 12 Mês Nº pedidos de intervenção Figura 40: Pedidos de intervenção rececionados no Canil Municipal do Porto, durante cada mês, desde o início de 2004 até maio de 2015, relativos a populações de pombas (vivas e mortas). Número total corresponde a 404 dados (CMP, 2015)
73 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Para complementar o estudo sobre a evolução das pombas na cidade do Porto, nomeadamente, com a evolução espacial desta espécie, construiu-se uma carta municipal onde foi possível analisar, detalhadamente, os locais com um risco mais elevado para o aparecimento de problemas a nível de saúde pública, como também a nível ambiental, desde o início de 2014 até maio de 2015 (figura 41). Como podemos observar na figura 41, entre o início de 2014 até maio de 2015, o número de pedidos de intervenção ocorreram com uma maior frequência na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória. Nesta união de freguesias o número de pedidos de intervenção corresponde a, aproximadamente, 35% dos dados analisados enquanto que, nas restantes freguesias da cidade do Porto a percentagem destas ocorrências tem sido pouco significativa (Tabela 15) (Anexo XXI). Figura 41: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, por situações de incomodidade provocadas pelas pombas, desde o início de 2014 até maio de 2015. Número total corresponde a 37 dados. (CMP, 2015)
74 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Através da análise temporal e espacial, foi possível determinar, de uma forma geral, a evolução das pombas, ao longo dos últimos anos. Ou seja, com os dados analisados verificamos que a época do ano mais propícia a um número maior de ocorrências, nomeadamente, de pedidos de intervenção referentes a pombas, corresponde à época da primavera, ou seja, altura do ano em que o número de reprodução das pombas é mais elevado. No entanto, verificamos através dos dados analisados que, nestes últimos anos, o número de pedidos de intervenção relativos a pombas têm diminuído significativamente, comparativamente com as populações de gaivotas na cidade do Porto. Ou seja, esta diminuição pode ser explicada através da competição entre espécies, tanto por alimento como também por locais de repouso e refúgio e, como as pombas são espécies menos aptas, quando comparadas com as gaivotas, tem-se verificado que o número de pedidos de intervenção tem vindo a diminuir, ao longo destes últimos anos. Em relação aos dados utilizados para efetuar a análise espacial, ao longo dos anos, verificamos que os pedidos de intervenção ocorreram, maioritariamente, nas freguesias do centro histórico da cidade, ou seja, na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, por conter locais adequados para repouso e abrigo para estas aves. Freguesias Pedidos de intervenção Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde 2 Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória 13 Lordelo do Ouro e Massarelos 4 Bonfim 3 Campanhã 3 Paranhos 6 Ramalde 6 Total 37 Tabela 15: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, rececionados no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2014 até maio de 2015, relativos a populações de pombas. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada. Número total de 37 pedidos de intervenção (CMP, 2015)
81 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas do centro histórico da cidade, dado que contêm condições favoráveis para o repouso e abrigo desta espécie. 5.2. Perspetivas futuras De forma a gerir e controlar estas populações em meio urbano, nomeadamente, na cidade do Porto, sugere-se a implementação contínua de medidas eficientes. Como estratégias eficazes, a médio e longo prazo, poderemos referir a promoção de ações de sensibilização e esclarecimento, com o intuito de alterar as práticas humanas, de forma a eliminar ou minimizar a disponibilidade de recursos alimentares para as pragas urbanas. Os serviços municipais de limpeza também são fundamentais para uma boa gestão destas pragas urbanas, porque se tiverem especial atenção nos locais onde se regista um maior número de pedidos de intervenção, o controlo destas espécies torna-se mais eficiente. Outra solução, apontada como eficaz na gestão das pragas urbanas, é a colocação de dispositivos físicos de proteção, antes da época de reprodução e nidificação das espécies, uma vez que estes impedem o poiso das aves, consideradas pragas urbanas, nos edifícios e no mobiliário urbano público. Outro método, que poderá ser utilizado, mas que apenas se torna eficaz a curto prazo, são os métodos sonoros, que permitem afugentar as espécies de aves, consideradas pragas urbanas, através da emissão de sons de alarme e stress, sons dos seus predadores naturais e sons artificiais. Por fim, outra estratégia que pode ser aplicada consiste na redução dos efetivos da(s) espécie(s) alvo, através do abate e/ou remoção e, esterilização dos seus ovos e dos seus ninhos. Contudo, esta ação, apesar de reduzir o número de crias em potencial, nos próximos anos, não remove a espécie na cidade e, terá de ser aplicada todos os anos para que se torne eficaz. Além disso, esta medida fará com que as espécies procurem novos abrigos em outros locais, pelo que é imprescindível aplicar precauções adequadas. Relativamente à Vespa velutina, o projeto que foi iniciado na CMP ainda necessita de sofrer alguns ajustes para que a vigilância e o controlo desta praga urbana seja eficiente. Posto isto, em parceria com as autarquias vizinhas e entidades competentes, as medidas implementadas e os hábitos adotados permitirão mitigar os impactes negativos causados pela espécie e prevenir a sua disseminação na cidade.
82 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Em suma, é imprescindível efetuar mais pesquisas, perceber o comportamento das pragas urbanas, de forma mais detalhada e, obter o máximo de conhecimento sobre a sua reprodução em ambiente urbano. Com tal, no futuro, será possível propor e implementar estratégias adequadas para a mitigação e o controlo das pragas urbanas nas cidades, com o intuito de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, promover um desenvolvimento sustentável do meio ambiente e o bem-estar animal.
83 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Bibliografia e webgrafia
84 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas 6. Bibliografia e webgrafia A Vespa velutina em Portugal. (16 de Novembro de 2012). Obtido de Nuceartes: http://nuceartes.blogs.sapo.pt/11446.html APA. (2015). O clima em Portugal. Ministério do Ambiente, Ordenamento do território e Energia. Angus Council. (2014). The control roof-nesting gulls. An advisory blooklet producted by Angus Council Environmental & Cosumer protection. Obtido em Novembro de 2014 Arizaga, et al. (2009). Distribución y tamaño de la población de la Gaviota Patiamarilla Larus michahellis lusitanius en el País Vasco: tres décadas de estudio. Revista Catalana d'Ornitologia 25: 32-42. Obtido em Novembro de 2014 BBC News. (10 de Setembro de 2012). Why are these so many seagulls in cities? BBC News. Obtido em 2015, de http://www.bbc.com/news/magazine-19490866 CML (2009). Ambiente - Caracterização Climática. Lisboa. Carvalho, P., & Calado, V. (2007). Estatística Ambiental e Técnicas de Informação Geográfica. Universidade Nova de Lisboa: Faculdade de Ciências e Tecnologia. CIIMAR. (2011). Controlo da População de Gaivotas na Área Metropolitana do Porto. Porto. Obtido em Novembro de 2014 CMP. (10 de Abril de 2015). Direções Municipais. Obtido em 10 de Abril de 2015, de http://www.cm-porto.pt/direccoes-municipais CMP. (2015). Armadilhas entomológicas seletivas artesanais. Porto CMP. (2015). Estratégia para a Sustentabilidade da Cidade do Porto. CMP. (2015). Gaivotas. Obtido de Controlo Populações Animais: http://www.cmporto.pt/controlo-de-populacoes-animais/teste_89 CMP. (2015). IMP-20 - Registo de Alertas do Canil Municipal do Porto. CMP. (2015). Locais a monitorizar na Cidade do Porto para o controlo da Vespa velutina. Porto.
85 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas CMP. (2015). Pombas. Obtido de Controlo Populações Animais: http://www.cmporto.pt/controlo-de-populacoes-animais/pombas CMP. (2015). Reclamações e pedidos de intervenção efetuados para o Canil Municipal do Porto. Porto. CMP. (2015). Vespa velutina. Obtido de Controlo Populações Animais: http://www.cmporto.pt/controlo-de-populacoes-animais/roedores Código Regulamentar do Porto nº275/2008. (19 de Março de 2008). Diário da República nº56 - 2ºsérie. Câmara Municipal do Porto. Edital nº275/2008. Obtido em Janeiro de 2015 Comissão das Comunidades Europeias. (11 de Junho de 2003). Uma estratégia europeia de ambiente e saúde. Bruxelas. Comissão das Comunidades Europeias. (22 de Maio de 2006). Travar a perda de biodiversidade até 2010 - e mais além. Preservar os serviços ecossistémicos para o bem-estar humano. Bruxelas. Comissão Europeia. (3 de Maio de 2011). Our life insurance, our natural capital: an EU biodiversity strategy to 2020. Bruxelas. Conselho das Comunidades Europeias. (21 de Maio de 1992). Diretiva 92/43/CEE do Conselho. Preservação dos habitats naturais e da fauna e da flora selvagens. Obtido em Fevereiro de 2015 Conselho Europeu. (2013). Um ambiente saudável e sustentável para as futuras gerações. Compreender as políticas da União Europeia (p. 16). Bruxelas: União Europeia. Decreto-Lei nº140/99. (24 de Abril de 1999). Diário da República nº96/99 - I - Série - A. Ministério do Ambiente. Lisboa. Obtido em Novembro de 2014 Decreto-Lei nº565/99. (21 de Dezembro de 1999). Ministério do Ambiente. Obtido em Março de 2015 Decreto-Lei nº254/2007. (12 de Julho de 2007). Diário da República nº133 - 1º série. Ministério do Ambiente, do Ordenamento do território e do desenvolvimento regional. Obtido em Janeiro de 2015
86 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Despacho nº 27660/2008. (29 de Outubro de 2008). Ministério da Administração Interna e do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional. Diário da República, 2º série - Nº 210. Direção Geral de Alimentação e Veterinária. (2015). Plano de ação para a vigilância e controlo da Vespa velutina em Portugal. Diretiva 92/43/CEE. (21 de Maio de 1992). Jornal Oficial das Comunidades Europeias nº L 206/7. Relativa à preservação dos habitats naturais e da fauna e da flora selvagem. Obtido em Fevereiro de 2015 Diretiva 2009/147/CEE. (30 de Novembro de 2009). Parlamento Europeu e do Conselho. Jornal Oficial da União Europeia L.20/7. Relativa à conservação das aves selvagens. Obtido em Fevereiro de 2015 DMGA. (2015). Divisão Municipal de Gestão Ambiental. Gonçalves. F. (2015). Competição. Obtido em 2015, de InfoEscola - Navegando e Aprendendo: http://www.infoescola.com/ecologia/competicao/ Gaivotas na cidade. (2015). Espécies de Gaivotas mais problemáticas. (CIIMAR - amporto) Obtido de Gaivotas na cidade: http://www.cgmdesign.net/gaivotas/especies.htm Get tough on gulls! (23 de Fevereiro de 2013). The Gazette. Obtido em 2015, de http://www.blackpoolgazette.co.uk/news/community/community-news/gettough-on-gulls-1-5439835 IAPMEI. (2015). Gerir - Guias práticos de suporte à gestão. Obtido de http://www.iapmei.pt/iapmei-art-03p.php?id=2344 INE. (2015). Instituto Nacional de Estatística. Portugal. Obtido de Portal do Instituto Nacional de Estatística: https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_base_dados Instituto Geográfico Português. (2007). Cartografia de Risco de Incêndio Florestal. Porto. Instituto Português do Mar e da Atmosfera. (2009). Boletim Climatológico Anual. Ministério de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Instituto de Meteorologia, I.P.
87 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Instituto Português do Mar e da Atmosfera. (2010). Boletim Climatológico Anual. Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Instituto de Meteorologia, I.P. Instituto Português do Mar e da Atmosfera. (2011). Boletim Climatológico Anual. Ministério de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Instituto de Meteorologia, I.P. Instituto Português do Mar e da Atmosfera. (2012). Boletim Climatológico Anual. Ministério de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Instituto de Meteorologia, I.P. Instituto Português do Mar e da Atmosfera. (2013). Boletim Climatológico Anual. Ministério de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Instituto de Meteorologia, I.P. Instituto Português do Mar e da Atmosfera. (2014). Boletim Climatológico Anual. Ministério de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Instituto de Meterologia, I.P. Instituto Português do Mar e da Atmosfera. (2015). Clima Urbano. Porto: Ministério do Ambiente, Ordenamento do território e Energia. Laó, C. (2008). La problemática de las gaviotas en Asturias - El caso del Vertedero Central de COGERSA. Asturias. Lei nº69/2014. (29 de agosto de 2014). Diário da República. 1º. série - Nº166. Molina, B. (Ed.). (2009). Gaviota reidora, sombría y patiamarilla en España. Población en 2007-2009 y método de censo. Madrid: SEO/BirdLife. Monteiro, T. (2012). Mapeamento de Riscos Ambientais no Município de Vila Nova de Gaia. Faculdade de Ciência, Universidade do Porto. Moreira, T. (2015). Gaivotas na Cidade: Controlo da População. Porto. Moreira, T. (2015). Ninho de gaivotas com três ovos. Porto. Moreira, T. (2015). Placa de identificação para o "Plano de Monitorização de Vespa velutina". Porto. Natal, D. (2015). Pragas Urbanas (Diptera: Culicidae): Impactos das atividades de controle na saúde pública. São Paulo.
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89 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Veterinária Atual. (2009). Gaivotas "urbanas": uma praga (im)possivel de controlar? Obtido em Novembro de 2014, de http://www.veterinariaatual.pt/content.aspx?menuid=56&eid=6602&bl=1
90 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de pragas urbanas Anexos
97 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Anexo VII Figura 50: Notícias disponíveis no site da Câmara Municipal do Porto (CMP, 2015)
98 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Anexo VIII 11% 44% 13% 11% 5% 8% 7% 1% Pedidos de intervenção (Gaivotas) Freguesia I Freguesia II Freguesia III Freguesia IV Freguesia V Freguesia VI Freguesia VII Freguesia x Figura 51: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, rececionados no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2005 até maio de 2015, relativos a populações de gaivotas. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; Ald – Aldoar; FD - Foz do Douro; Nev – Nevogilde; LdO – Lordelo do Ouro; Masl - Massarelos ; x – corresponde a pedidos de intervenção com local indefinido (CMP, 2015) Ald; FD; Nev Centro histórico LdO; Masl Bonfim Campanhã Paranhos Ramalde x
99 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Anexo IX 23% 37% 20% 14% 3% 3% Pedidos de intervenção - Gaivotas (2005/2006) Freguesia I Freguesia II Freguesia III Freguesia VI Freguesia VII Freguesia x Figura 52: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto rececionados, no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2005 até o final de 2006, relativos a populações de gaivotas. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; Ald – Aldoar; FD - Foz do Douro; Nev – Nevogilde; LdO – Lordelo do Ouro; Masl - Massarelos ; x – corresponde a pedidos de intervenção com local indefinido (CMP, 2015) Ald; FD; Nev Centro histórico LdO; Masl Paranhos Ramalde x
100 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Anexo X 62% 19% 13% 6% Pedidos de intervenção - Gaivotas (2007) Freguesia II Freguesia III Freguesia VII Freguesia x Figura 53: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto rececionados, no Canil Municipal do Porto, no ano 2007, relativos a populações de gaivotas. As freguesias pósreforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; LdO – Lordelo do Ouro; Masl – Massarelos; x – corresponde a pedidos de intervenção com local indefinido (CMP, 2015) Centro histórico LdO; Masl Ramalde x
101 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Anexo XI 6% 30% 4% 30% 4% 9% 15% 2% Pedidos de intervenção - Gaivotas (2009) Freguesia I Freguesia II Freguesia III Freguesia IV Freguesia V Freguesia VI Freguesia VII Freguesia x Figura 54: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto rececionados, no Canil Municipal do Porto, no ano 2009, relativos a populações de gaivotas. As freguesias pósreforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; Ald – Adoar; FD – Foz do Douro; Nev – Nevogilde; LdO – Lordelo do Ouro; Masl – Massarelos; x – corresponde a pedidos de intervenção com local indefinido (CMP, 2015) Ald; FD; Nev Centro histórico LdO; Masl Bonfim Campanhã Paranhos Ramalde x
102 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Anexo XII 9% 39% 4% 16% 7% 23% 2% Pedidos de intervenção - Gaivotas (2010) Freguesia I Freguesia II Freguesia III Freguesia IV Freguesia V Freguesia VI Freguesia VII Figura 55: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto rececionados, no Canil Municipal do Porto, no ano 2010, relativos a populações de gaivotas. As freguesias pósreforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; Ald – Adoar; FD – Foz do Douro; Nev – Nevogilde; LdO – Lordelo do Ouro; Masl – Massarelos (CMP, 2015) Ald; FD; Nev Centro histórico LdO; Masl Bonfim Campanhã Paranhos Ramalde
103 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Anexo XIII 11% 57% 4% 2% 9% 2% 15% Pedidos de intervenção - Gaivotas (2011) Freguesia I Freguesia II Freguesia III Freguesia IV Freguesia V Freguesia VI Freguesia VII Figura 56: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto rececionados, no Canil Municipal do Porto, no ano 2011, relativos a populações de gaivotas. As freguesias pósreforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; Ald – Adoar; FD – Foz do Douro; Nev – Nevogilde; LdO – Lordelo do Ouro; Masl – Massarelos (CMP, 2015) Ald; FD; Nev Centro histórico LdO; Masl Bonfim Campanhã Paranhos Ramalde
104 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Anexo XIV 16% 34% 15% 11% 5% 13% 6% Pedidos de intervenção - Gaivotas (2012) Freguesia I Freguesia II Freguesia III Freguesia IV Freguesia V Freguesia VI Freguesia VII Figura 57: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto rececionados, no Canil Municipal do Porto, no ano 2012, relativos a populações de gaivotas. As freguesias pósreforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; Ald – Adoar; FD – Foz do Douro; Nev – Nevogilde; LdO – Lordelo do Ouro; Masl – Massarelos (CMP, 2015) Ald; FD; Nev Centro histórico LdO; Masl Bonfim Campanhã Paranhos Ramalde
105 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Anexo XV 11% 40% 25% 7% 2% 4% 6% 5% Pedidos de intervenção - Gaivotas (2013) Freguesia I Freguesia II Freguesia III Freguesia IV Freguesia V Freguesia VI Freguesia VII Freguesia x Figura 58: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto rececionados, no Canil Municipal do Porto, no ano 2013, relativos a populações de gaivotas. As freguesias pósreforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; Ald – Adoar; FD – Foz do Douro; Nev – Nevogilde; LdO – Lordelo do Ouro; Masl – Massarelos; x – corresponde a pedidos de intervenção com local indefinido (CMP, 2015) Ald; FD; Nev Centro histórico LdO; Masl Bonfim Campanhã Paranhos Ramalde x
106 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Anexo XVI 11% 54% 15% 7% 4% 3% 6% Pedidos de intervenção - Gaivotas (2014) Freguesia I Freguesia II Freguesia III Freguesia IV Freguesia V Freguesia VI Freguesia VII Figura 59: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto rececionados, no Canil Municipal do Porto, no ano 2014, relativos a populações de gaivotas. As freguesias pósreforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; Ald – Adoar; FD – Foz do Douro; Nev – Nevogilde; LdO – Lordelo do Ouro; Masl – Massarelos (CMP, 2015) Ald; FD; Nev Centro histórico LdO; Masl Bonfim Campanhã Paranhos Ramalde
113 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Além disso, também foi explorada uma vertente espacial e foram inseridos, no software AcrGIS, 478 pedidos de intervenção referentes a cães, desde o início de 2014 até maio de 2015 (Figura 65). Relativamente aos pedidos de intervenção referentes a gatos, foram inseridos no software 529 dados, desde o início de 2014 até maio de 2015 (Figura 67). Na figura 65, podemos observar que, desde o início de 2014 até maio de 2015, o número de pedidos de intervenção, referentes a cães, ocorreram com bastante frequência em todas as freguesias da cidade do Porto. No entanto, após uma análise, mais detalhada, percebemos que a freguesia de Campanhã e que a freguesia de Paranhos correspondem aos locais onde se detetaram um maior número de ocorrências, correspondendo a uma percentagem da ordem de 23% e 19% de pedidos de intervenção, respetivamente (Tabela 18) (Figura 66). Figura 65: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, por situações de incomodidade provocadas pelos cães, desde o início de 2014 até maio de 2015. Número total corresponde a 478 dados (CMP, 2015)
114 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Freguesias Pedidos de intervenção Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde 65 Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória 70 Lordelo do Ouro e Massarelos 46 Bonfim 42 Campanhã 112 Paranhos 90 Ramalde 46 x 7 Total 478 Tabela 18: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, rececionados no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2014 até maio de 2015, relativos a cães. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; x – corresponde a pedidos de intervenção com freguesia indefinida. Número total de 478 pedidos de intervenção (CMP, 2015) 13% 15% 10% 9% 23% 19% 10% 1% Pedidos de intervenção - Cães Freguesias I Freguesias II Freguesias III Freguesias IV Freguesias V Freguesias VI Freguesias x Figura 66: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto rececionados, no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2014 até maio de 2015, relativos a cães. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada: Ald – Adoar; FD – Foz do Douro; Nev – Nevogilde; LdO – Lordelo do Ouro; Masl – Massarelos; x – corresponde a pedidos de intervenção com freguesia indefinida (CMP, 2015) Ald; FD; Nev Centro histórico LdO; Masl Bonfim Campanhã Paranhos x
115 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Na figura 67, é possível observar que o número de pedidos de intervenção, referentes a gatos, ocorreram com bastante frequência em todas as freguesias da cidade do Porto. No entanto, após uma análise, detalhada, é possível inferir que na União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória correspondem aos locais onde o número de ocorrências mais se destaca (32%). Para além destes locais, as freguesias de Bonfim e de Paranhos também obtiveram, no período analisado, muitos pedidos de intervenção, tendo como percentagem 18% e 14%, respetivamente (Tabela 19) (Figura 68). Figura 67: Carta municipal do Porto relativa aos pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade por situações de incomodidade provocadas pelos gatos, desde o início de 2014 até maio de 2015. Número total corresponde a 529 dados (CMP, 2015)
116 FCUP Monitorização, georreferenciação e gestão de populações Freguesias Pedidos de intervenção Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde 60 Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória 167 Lordelo do Ouro e Massarelos 40 Bonfim 96 Campanhã 45 Paranhos 72 Ramalde 45 x 4 Total 529 Tabela 19: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto, rececionados no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2014 até maio de 2015, relativos a gatos. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; x – corresponde a pedidos de intervenção com freguesia indefinida (1%). Número total de 529 pedidos de intervenção (CMP, 2015) 11% 32% 8% 18% 8% 14% 8% 1% Pedidos de intervenção - Gatos Freguesia I Freguesia II Freguesia III Freguesia IV Freguesia V Freguesia VI Freguesia x Figura 68: Pedidos de intervenção que ocorreram nas freguesias da cidade do Porto rececionados, no Canil Municipal do Porto, desde o início de 2014 até maio de 2015, relativos a gatos. As freguesias pós-reforma da Lei nº11 – A/2013 começaram a designar-se da forma apresentada; Ald – Adoar; FD – Foz do Douro; Nev – Nevogilde; LdO – Lordelo do Ouro; Masl – Massarelos; x – corresponde a pedidos de intervenção com freguesia indefinida (CMP, 2015) Ald; FD; Nev Centro histórico LdO; Masl Bonfim Campanhã Paranhos x