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Atitude dos profissionais face à sexualidade nos idosos: estudo exploratório realizado no concelho de Cabeceiras de Basto

Daniela Filipa Costa Semanas

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Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação ATITUDE DOS PROFISSIONAIS FACE À SEXUALIDADE NOS IDOSOS: ESTUDO EXPLORATÓRIO REALIZADO NO CONCELHO DE CABECEIRAS DE BASTO Daniela Filipa Costa Semanas Outubro, 2014 Dissertação apresentada no Mestrado Integrado e Psicologia, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, orientada pelo Professor Doutor Miguel Cameira (F.P.C.E.U.P.) ii AVISOS LEGAIS O conteúdo desta dissertação reflete as perspetivas, o trabalho e as interpretações do autor no momento da sua entrega. Esta dissertação pode conter incorreções, tanto conceptuais como metodológicas, que podem ter sido identificadas em momento posterior ao da sua entrega. Por conseguinte, qualquer utilização dos seus conteúdos deve ser exercida com cautela. Ao entregar esta dissertação, o autor declara que a mesma é resultante do seu próprio trabalho, contém contributos originais e são reconhecidas todas as fontes utilizadas, encontrando-se tais fontes devidamente citadas no corpo do texto e identificadas na secção de referências. O autor declara, ainda, que não divulga na presente dissertação quaisquer conteúdos cuja reprodução esteja vedada por direitos de autor ou de propriedade industrial. iii Agradecimentos Ao meu orientador, o Professor Doutor Miguel Cameira por toda a disponibilidade, compreensão, ajuda e orientação ao longo deste percurso. Aos meus pais, por todo o apoio e incentivo que me forneceram para que eu conseguisse finalizar este curso. A ambos agradeço o esforço que fizeram para que fosse possível continuar a estudar, apesar de todas as dificuldades. À minha querida irmã Beatriz, sem dúvida a pessoa mais importante da minha vida, por todo o carinho e força que me dá, por vezes num simples sorriso. À Andreia Semanas, irmã de coração e a prova viva de que verdadeira amizade existe, mesmo a imensos quilómetros de distância! À Andreia Nunes, pois a ela devo grande parte de tudo que consegui nestes últimos cinco anos académicos. Se cheguei até aqui, também o devo a ela. Partilhei alegrias e tristezas, dúvidas e medos, e esteve sempre ali, no momento certo à hora certa. Uma amiga que pretendo manter para a vida! À Ana Camacho e à Mafalda Figueiredo, amigas de curso, que me apoiaram nas horas mais difíceis, sempre com um ombro amigo e muito carinho. Amigas que guardo no coração! Aos meus queridos avós, Maria Oliveira e Francisco Costa que, embora ausentes fisicamente, estiveram sempre presentes, a dar-me força, coragem e sabedoria para enfrentar os desafios e dificuldades que surgiram no meu caminho. Por eles possuo um eterno amor, uma eterna saudade e a eles dedico todo o meu percurso académico. Por fim, aos directores das instituições onde efectuei a recolha de dados, por toda a compreensão e disponibilidade; bem como aos respectivos profissionais que de livre e espontânea vontade aceitaram participar neste estudo tornando-o possível. A todos, muito obrigada por me ajudarem a concretizar este sonho! iv Resumo Compreender o idoso na sua globalidade deve constituir a preocupação daqueles que com ele contactam quotidianamente, quer em contexto de trabalho quer no âmbito pessoal. Conhecer as atitudes dos profissionais, que lidam diariamente com esta população, face à sexualidade nesta faixa etária é fundamental para que possamos intervir e, assim, contribuir para a diminuição dos estereótipos, preconceitos e crenças erróneas, principalmente no que toca à sexualidade nos idosos. Este estudo tem como principais objectivos perceber quais as atitudes destes profissionais face à sexualidade nos idosos; conhecer a existência (ou não) do apoio e organização das instituições relativamente a este tema, através da percepção dos respectivos participantes e, comparar os resultados obtidos neste estudo exploratório com um outro, realizado recentemente (2007) pelos autores Bouman, Arcelus e Benbow. Assim, a nossa amostra de conveniência é composta por 65 profissionais, residentes no concelho de Cabeceiras de Basto que, trabalham em várias instituições (e.g. lares) desta localidade. Para a recolha de dados foi utilizado um questionário sociodemográfico, composto por uma escala feita por nós com base nas referências bibliográficas e a escala Askas (White, 1982). Os resultados revelam que, embora sem relações significativas, existem várias diferenças entre as variáveis que caracterizam a amostra sendo que, no geral estes profissionais possuem atitudes ligeiramente negativas face à sexualidade nos idosos. Contudo, na comparação dos estudos foi possível verificar que estes profissionais têm, significativamente, atitudes mais positivas face à sexualidade nesta faixa etária, do que os profissionais ingleses. Palavras-chave: Idoso, Sexualidade, Atitudes, Profissionais v Abstract Understanding the elderly as a whole should be the concern of those who contact him daily, either in the workplace or on a personal level. Knowing the attitudes of professionals who deal daily with this population, towards them and the sexuality in this age group is critical for us to intervene and thus contribute to the reduction of stereotypes, prejudices and erroneous beliefs, particularly with regard to sexuality in the elderly. This study's main objectives are to understand which are the attitudes of these professional towards the sexuality in the elderly; know the existence (or not) of support and the organization of the institutions on this issue, through the perception of its participants and to compare the results of this exploratory study with another, recently conducted (2007) by the authors Bouman, Arcelus and Benbow. Thus, our convenience sample consists of 65 professionals, residents in the municipality of Cabeceiras de Basto and working in various institutions (e.g. nursing homes) of this locality. For data collection a sociodemographic questionnaire, consisting of a scale made by us based on references and Askas scale (White, 1982) was used. The results reveal that although no significant relationships, there are several differences between the variables that characterize the sample and, in general, these professionals have negative attitudes towards slightly negative sexuality. However, in comparing the studies we found that these professionals, significantly, have more positive attitudes towards the sexuality in the elderly, than British professionals. Key-words: Elderly, Sexuality, Attitudes, Professionals vi Resumé Comprendre les personnes âgées dans son ensemble devrait être la préoccupation de ceux qui communiquent avec lui tous les jours, que ce soit au travail ou à un niveau personnel. Connaître les attitudes des professionnels qui traitent quotidiennement avec cette population, et ils font face à la sexualité dans ce groupe d'âge est essentiel pour nous d'intervenir et contribuer ainsi à la réduction des stéréotypes, des préjugés et des croyances erronées, en particulier en matière de sexualité chez les personnes âgées. Les principaux objectifs de cette étude est de comprendre lequel de ces attitudes professionnelles envers la sexualité chez les personnes âgées; connaître l'existence (ou non) le soutien et l'organisation des institutions sur cette question, à travers la perception de ses participants et de comparer les résultats de cette étude exploratoire avec un autre, a récemment (2007) réalisée par les auteurs Bouman, Arcelus et Benbow. Ainsi, notre échantillon de convenance est composé de 65 professionnels, les résidents de la municipalité de Cabeceiras de Basto et travaillant dans diverses institutions (par exemple, maisons de soins infirmiers) de cet endroit. Pour la collecte des données d'un questionnaire sociodémographique, constitué d'une échelle faite par nous sur la base de références et de l'échelle Askas (White, 1982) a été utilisé. Les résultats révèlent que, même si aucune relation significative, il existe plusieurs différences entre les variables qui caractérisent l'échantillon et, en général, ces professionnels ont des attitudes négatives à l'égard de la sexualité légèrement négative. Cependant, en comparant les études que nous avons constaté que ces professionnels, de manière significative, ont des attitudes plus positives envers la sexualité chez les personnes âgées, que les professionnels anglais. Most-Clés: Sexualité, personnes âgées, les attitudes, les professionnels vii Índice Introdução ............................................................................................................................ 1 Enquadramento Teórico ..................................................................................................... 3 1.Envelhecimento ............................................................................................................ 3 1.1. Envelhecimento, o que é? .................................................................................... 3 1.2.Idosos e o envelhecimento: mudar a mentalidade ................................................ 4 1.3. Envelhecimento físico e sexual ............................................................................. 5 1.4.Influência da actividade física ............................................................................... 7 2.Sexualidade .................................................................................................................. 8 2.1.Sexualidade na terceira idade ................................................................................ 9 2.2.Factores que interferem na vida sexual dos idosos ............................................. 10 2.3.Mitos, preconceitos e realidades ......................................................................... 12 2.4.Factores que contribuem para uma visão positiva da sexualidade ...................... 14 2.5.Sexualidade no entardecer da vida: “Olhar, mudar e agir” ................................. 15 3.Atitudes ...................................................................................................................... 17 3.1.Atitudes face ao idoso ......................................................................................... 18 3.2.Atitudes sexuais .................................................................................................. 19 3.3.Atitudes dos futuros profissionais face à sexualidade nos idosos ....................... 21 Estudo Empírico ............................................................................................................... 23 1.Metodologia de Investigação ..................................................................................... 23 1.1.Objectivos e hipóteses de estudo ......................................................................... 23 1.2.Amostra ............................................................................................................... 24 1.3.Instrumentos ........................................................................................................ 25 1.4.Procedimentos ..................................................................................................... 27 2.Resultados ................................................................................................................... 28 viii 2.1.Percepções dos participantes relativamente à instituição .................................... 28 2.2.Atitudes face ao idoso ......................................................................................... 28 2.3.Atitudes face à sexualidade nos idosos ............................................................... 30 2.4.Atitude face à sexualidade nos idosos VS. Atitude face aos idosos ................... 31 3.Discussão e Conclusões .............................................................................................. 32 4.Referências Bibliográficas ......................................................................................... 36 Anexos ............................................................................................................................ 40 6 sequência de modificações que interferem, de uma forma mais ou menos significativa, na anatomia e fisiologia do aparelho sexual. Relativamente às alterações fisiológicas, que condicionam a sexualidade na velhice, López e Fuertes (1999 cit. in Fávero & Barbosa, 2011) relembram-nos que, estas transformações verificam-se de forma distinta, em tempos diferentes e não devem ser classificadas como fraco desempenho sexual, uma vez que, segundo eles, a sexualidade é uma área que não se restringe meramente à vertente genital, coital ou reprodutiva. Na visão de Lopes (1994 cit. in Buchele, Oliveira, & Pereira, 2006), apesar do envelhecimento estar significativamente vinculado com a diminuição da actividade sexual masculina, a satisfação pessoal com o relacionamento e a satisfação com o desempenho sexual, não diminuem com a idade. No entanto, segundo estes autores, as principais alterações biofisiológicas que ocorrem nos homens são: decréscimo da produção de esperma (por volta dos 40 anos) e a redução progressiva da produção de testosterona (por volta dos 55 anos). Estas alterações dão origem a outras transformações, designadas como “climatério masculino”, tais como: a irritabilidade, o cansaço, a diminuição do apetite sexual, dificuldades na concentração, entre outras. Do mesmo modo, segundo Fávero e Barbosa (2011) a capacidade de erecção é mais demorada requerendo mais estimulação; a quantidade de sémen ejaculado é menor e a sensação de orgasmo é menos intensa e de menor duração. Segundo as autoras verificase, também, uma menor e mais lenta elevação dos testículos, assim como a redução da tensão muscular durante a relação sexual; e, ainda, um aumento do período refractário (tempo decorrido entre uma ejaculação e a seguinte). Belsky (1999, cit. in Fávero & Barbosa, 2011), acrescenta que, para além de todas estas alterações físicas, podemos ainda apurar uma série de situações relacionadas com a idade que, consequentemente, contribuem para a dificuldade do desempenho sexual masculino, como é o caso de certas doenças (hipertensão arterial, diabetes, arteriosclerose), intervenções cirúrgicas à bexiga, à próstata e à espinal medula. Relativamente às alterações que ocorrem na mulher, López e Fuertes, (1999, cit. in Fávero & Barbosa, 2011), apontam como mais frequentes: perda de elasticidade da vagina, que se torna mais estreita e reduzida no seu tamanho; seios mais flácidos e menos volumosos e uma lubrificação vaginal mais lenta e menos acentuada, devido às alterações de estrogénio. Por sua vez, de acordo com os autores, as mamas, embora mantenham o seu carácter de zona erógena de eleição, praticamente não aumentam de tamanho e verifica-se menos vasocongestão ao nível dos genitais e uma menor capacidade, intensidade e 7 frequência de contracções. Estes autores referem ainda que, as modificações da estrutura vaginal, bem como as relacionadas com a lubrificação podem tornar o coito doloroso e desagradável (dispareunia). Para estes autores, tal como no homem, acontece nas mulheres situações muitas vezes associadas à idade que comprometem o seu desempenho sexual. A par da dispareunia, as autoras referem ainda a incontinência urinária e a necessidade de uma histerectomia (frequente em mulheres com mais de 50 anos) que, para além de uma componente patológica assumem uma interpretação psicológica que indica a perda de feminilidade e/ou um quadro depressivo. Na generalidade, segundo Maldonado (1994), as mulheres aceitam melhor do que os homens as modificações que ocorrem ao nível estritamente sexual; contudo, segundo o autor, encaram mais negativamente todo o processo de envelhecimento, particularmente no que se refere à imagem corporal: “as mulheres que constituíram a sua auto-estima com base na beleza do corpo jovem vivem o climatério com ansiedade” (p. 188). Contudo, apesar de todas as dificuldades, perdas e/ou transformações, para Buchele, Oliveira, e Pereira (2006) no ciclo sexual do idoso, o desejo contínua presente e pode mesmo apresentar um aumento, devido à diminuição das preocupações familiares e sociais. No homem, a excitação e a erecção podem demorar, tornando o tempo da troca amorosa maior. Na mulher, a fase de excitação pode ser mais rápida, devido à maturidade sexual que, por sua vez, facilita a sua excitação. O orgasmo, no homem, manifesta-se normalmente; contudo, a possibilidade de mais do que um orgasmo, numa única relação, é mais remota. A mulher mantém a capacidade de ter vários orgasmos em uma única relação e a resolução, tanto no homem como na mulher, é mais relaxante. 1.4. Influência da actividade física Conhecemos os inúmeros benefícios do exercício físico para a saúde física e psicológica dos indivíduos de maneira geral mas, veremos que a actividade física influência, de igual modo, a saúde sexual, principalmente das pessoas idosas. De acordo com Iwanowicz (1989, cit. in Viana & Madruga, 2008, p. 228), “cuidar do corpo em termos da nossa cultura significa tratar da nossa saúde e do nosso prazer” e, por sua vez questiona: “estamos a procurar prazer com os nossos corpos ou evitamos viver esse prazer, envergonhando-nos dele?”. Perante isto, refere que, uma pessoa que vive com uma imagem corporal desfigurada do próprio corpo perde o contacto objectivo com o seu 8 meio e cria focos de conflitos internos. De igual modo, afirma, que é importante descobrir o nosso corpo, senti-lo, conhecê-lo em seu poder para que, através desse corpo conhecido, consciente, possamos ter um contacto verdadeiro com a realidade. Freedman (1994, cit. in Viana & Madruga, 2008) afirma que, a forma como o idoso se sente em relação à sua imagem envelhecida, certamente influência o seu comportamento e a auto-estima. Do mesmo modo refere que a ansiedade, juntamente com o processo de envelhecimento, pode destruir os relacionamentos e inibir a expressão sexual. No mesmo sentido, estes autores referem que o amor ao próprio corpo tem de crescer, por forma a sobreviver a todo o processo de envelhecimento. Quanto à prática de actividade física, ambos os autores defendem que não melhora apenas a saúde mas, também, a aparência pessoal sendo que, para Viana e Madruga (2008) a falta deste, contribui para intensificar a letargia, a falta de flexibilidade e a fraqueza muscular. Assim, podemos concluir que, além de todos os benefícios mencionados, a actividade física pode combater um dos maiores problemas da velhice, como a autonomia e independência, sendo ambas essenciais para o bem-estar físico e psíquico do idoso, devido ao seu benéfico papel nos aparelhos cardiovascular, respiratório, locomotor e neurológico. 2. Sexualidade De acordo com Negreiros (2004), o que a psicanálise chama de sexualidade não é, em absoluto, idêntica à união sexual entre homem e mulher ou tem o sentido exclusivo de sensações prazerosas através dos órgãos genitais. Neste sentido, a autora caracteriza a sexualidade como uma capacidade de se ligar a pessoas, objectos, ideias, ideais e à vida, incluindo a actividade sexual mas, não se resumindo somente ao sexo. Por sua vez, Oliveira (2008) refere que a sexualidade é a forma como a pessoa expressa a sua dimensão humana enquanto homem ou mulher, não apenas na relação sexual, mas em todo o ser (gestos, voz, andar, maneira de vestir, de pensar, de viver). Em suma, afirma que a sexualidade não se limita à genitalidade abrangendo, também, os afectos e sentimentos assim como muitos aspectos biopsíquicos e culturais. Do mesmo modo, Negreiros (2004), refere que todos nós procuramos o nosso complemento e, a este desejo, dá-se o nome de amor, que se caracteriza pela busca de prazer sexual, pelo preenchimento de diversas necessidades emocionais (admiração, companheirismo, amizade, etc.). Conclui a autora que, “sexo não é sexualidade, embora represente uma de suas importantes dimensões e muitas vezes ainda se use, na linguagem 9 corrente, os dois termos como sinónimos” (p.77). De igual forma, diz-nos que, numa atitude de conservadorismo, o sexo foi sempre entendido como uma forma de procriação, sendo qualquer forma de prazer e erotismo condenada. 2.1. Sexualidade na terceira idade “Foi o tempo que perdes-te com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.” (Saint Exupéry, n.d) De acordo com Almeida e Lourenço (2008), a sexualidade na terceira idade é frequentemente vista com base em velhos estereótipos privados de significados, assim como é associada à disfunção ou a alguma insatisfação. Segundo as autoras, pensa-se que envelhecer é incompatível com uma boa qualidade de vida. No entanto, referem que uma velhice satisfatória não precisa ser um privilégio, ou um atributo biológico, psicológico, ou social; pode decorrer da qualidade da interacção entre pessoas e do meio que as circunda. Estas autoras afirmam, que os estereótipos de que as pessoas idosas não são fisicamente atraentes, não têm interesse por sexo, ou são incapazes de sentir algum estímulo sexual, ainda estão presentes na nossa sociedade e, em conjunto com a falta de informação, induzem as pessoas a assumirem uma atitude pessimista em tudo o que se refere ao sexo na velhice. No mesmo sentido, Oliveira (2012, p. 13) diz-nos que “o grande problema é que a sociedade tende a ver a velhice como um período assexuado.” Segundo esta autora, a falácia de que a velhice é assexuada, acarreta implicações negativas para a auto-estima, autoconfiança, rendimento físico e social dos idosos. Consequentemente, refere que a negação da sexualidade, a infantilização do idoso e a negação das manifestações amorosas fazem com que os idosos tenham dificuldades para se tornarem mais independentes e, assim, desenvolverem a sua sexualidade de uma forma plenamente natural e satisfatória. Na realidade, de acordo com Oliveira (2008) o idoso, para além da relação sexual, pode sentir prazer noutras expressões e fantasias eróticas. Assim, este autor refere que o desejo sexual ou a libido, embora de reacção mais lenta, funcionam no ancião se a saúde for normal e não existirem óbices psicológicos (como recalcamentos). De igual forma diznos, que os factores socioculturais e psicológicos contribuem em grande parte para um bom ou mau funcionamento da sexualidade na terceira idade. 10 Continuamente, Almeida e Lourenço (2008) afirmam que, a maioria das pessoas idosas está apta para usufruir de uma vida sexual satisfatória. Estes autores defendem que os idosos devem ter mente a importância de se manterem sexualmente activos, pois, fazer sexo com regularidade ajuda a manter os órgãos sexuais saudáveis. Por sua vez, Oliveira (2012, p. 14) refere que “as expectativas do próprio idoso têm uma influência decisiva na prática de relações sexuais.” Desta forma, se o idoso se convencer que, após uma certa idade, não está apto a ter relações sexuais, tal fato poderá contribuir para a negação do desejo afectivo-sexual. Como verificámos anteriormente, no capítulo referente ao envelhecimento, os problemas decorrentes do próprio desgaste do organismo, as doenças, os problemas familiares, financeiros, entre outros, podem originar problemas sexuais na velhice. Neste sentido, de acordo com Oliveira (2012), é importante que o idoso esteja ciente das modificações orgânicas que o seu organismo irá sofrer mas, é mais importante ainda, que o mesmo não se preocupe obsessivamente ao ponto de se autocaracterizar como um ser incapaz de realizar actividades sexuais. Para os autores Almeida e Lourenço (2008), a vida sexual de um casal na terceira idade pode ser feliz, se eles encararem a velhice e o acto sexual com a mesma tranquilidade com que, certamente a viveram na juventude, bem como mantendo vivo o desejo. Concluindo, verificamos que a sexualidade na velhice é simples mas, também complexa, pois o corpo envelhece e modifica-se, mas a capacidade de amar, beijar e abraçar contínua intacta até ao final da vida. É, portanto fundamental, acabar com as atitudes pessimistas no que se refere ao amor e sexo na velhice. De acordo com Almeida e Lourenço (2008), as modificações e alterações que acontecem no organismo com o envelhecimento não devem ser empecilhos para que se tenho uma relação sexual de forma prazerosa e, neste sentido, afirmam que “os momentos íntimos devem ser de prazer e relaxamento” (p. 139). Assim, podemos dizer que o amor e a sexualidade podem e devem fazer parte da vida produtiva do idoso contribuindo para a qualidade de vida do mesmo. 2.2. Factores que interferem na vida sexual dos idosos É importante destacar alguns factores que interferem na vida sexual do idoso e diferenciá-los entre o homem e a mulher. De acordo com Buchele, Oliveira, e Pereira (2006), na mulher, existe a ausência de libido (não exclusiva da terceira idade) que pode estar associada a diversos factores como: doenças endócrinas, doenças pélvicas 11 infecciosas, diabetes, doença renal crónica, doenças hepáticas, alcoolismo e o uso de drogas. Por sua vez, referem que a dispareunia é a relação difícil ou dolorosa, tendo como principais causas: a psicogénica, deficiência hormonal, distrofia da vulva e vagina, traumas obstétricos e cirúrgicos, doenças genitais e extragenitais; e, por último, fazem referência às disfunções orgásticas da mulher, entre outros problemas, que possam ter sido arrastados desde os primeiros anos de vida sexual. Almeida e Lourenço (2008) relembram-nos que no passado, a mulher foi recriminada pela sociedade, onde não lhe eram conferidos direitos, nem tão pouco aceitavam que esta amasse ou tivesse desejo sexual. O sexo feminino devia submeter-se às ordens do homem e não devia mostrar qualquer desejo sexual; tendo a religião, segundo os autores, grande influência sobre estes aspectos. No mesmo sentido, Catusso (2005) refere que a mulher devia ser submissa à sociedade, ao companheiro e ao sexo, existindo em volta da mulher, muitos mitos e tabus. Por sua vez, segundo Master e Johnson (1978, cit. in Dias, 2009), as mulheres que vivenciaram um casamento feliz, que se sentiram realizadas quer a nível emocional quer a nível sexual, tendem a manter a sua actividade sexual, existindo poucas ou nenhumas interrupções. De acordo com Dias (2009), existem estudos que demonstram que as mulheres com mais de 60 anos, que mantêm uma actividade sexual regular, conseguem manter a sua capacidade de atracção sexual, reagindo de forma rápida à estimulação do coito. Relativamente ao homem e, de acordo com Buchele, Oliveira, e Pereira (2006), há uma diminuição da resposta sexual masculina à medida que o indivíduo envelhece; no entanto, segundo os autores, devemos ter em atenção que esta resposta diverge de indivíduo para indivíduo. Para estes autores, a capacidade de actuação do homem idoso é influenciada por factores psicossociais, por problemas físicos e pelo processo de envelhecimento. De acordo com Master e Johnson (1978 cit. in Dias, 2009), a monotonia nas relações sexuais, a preocupação com o trabalho e problemas económicos, a fadiga, o stress, os excessos de comida e bebida, são alguns dos factores que podem contribuir para a regressão sexual do homem. No mesmo sentido, Dias (2009) refere que uma das inadequações que afecta a sexualidade no homem é a incapacidade deste em obter uma erecção adequada que permita a penetração vaginal, destacando-se ainda a ejaculação precoce, a inibição do desejo sexual ou perda da libido. De igual forma, Cavalcanti (1990, cit. in Dias, 2009) afirma que o homem, entre os 50 e os 70 anos, na fase de excitação 12 demora três vezes mais para obter uma erecção completa, necessitando de um maior estímulo físico. Segundo o autor, a erecção, nesta fase da vida, é menos rígida e o tempo para se manter é mais lento; após o orgasmo, o homem muito dificilmente conseguirá uma nova erecção. Perante isto, Buchele, Oliveira, e Pereira (2006) afirmam, que tais factores, juntamente com a dificuldade em encara-los com maturidade, faz com o que o individuo desenvolva o “fantasma da impotência”. Comfort (1979 cit. in Buchele, Oliveira, & Pereira, 2006) fez uma reflexão onde dizia: Provavelmente a próxima geração de idosos portar-se-á de maneira bem diferente, pois terá uma vida familiarizada com uma visão mais positiva do sexo, não se deixando levar pela angustiante expectativa de uma velhice impotente, mas sim pela determinação de prolongar ao máximo o tipo de vida que sempre conheceram. (p.139) 2.3. Mitos, preconceitos e realidades De acordo com Fávero e Barbosa (2011), o desconhecimento do processo biológico do envelhecimento e os tabus que cercam a sexualidade na velhice precipitam o fim de uma vida sexual que poderia ser gratificante até aos últimos dias. Parece que o preconceito vivido pelo idoso faz parte da nossa sociedade e, de certa forma, ajuda a criar e a manter algumas representações nesse sentido. Os autores referem ainda que, este peso social e cultural, culpabiliza o idoso e, muitas vezes impede-o de se relacionar afectivamente com outros companheiros da sua idade, inibindo qualquer tipo de manifestação sexual. De igual forma, segundo Buchele, Oliveira, e Pereira (2006), o idoso aumenta as suas inibições e qualquer expressão sexual, num processo cultural que limita o sexo como “coisa para jovem.” Ribeiro (1997 cit. in Buchele, Oliveira, & Pereira, 2006) fala do interesse sexual do idoso num sentido amplo, no entanto, salienta que existe o mito da velhice assexuada que, por sua vez, reforça a imagem de que o homem idoso que expressa a sexualidade com naturalidade é “tarado” e a mulher idosa que demonstra abertamente interesse sexual é “assanhada”. Segundo o autor, é conhecido que a sociedade tem uma postura negativa em relação ao sexo na terceira idade. E o que é chamado de sensualidade no jovem é perversão num idoso. No entanto, Buchele, Oliveira, e Pereira (2006) referem que a sexualidade é uma forma de expressão e, expressão não tem idade. Dizem, portanto, que o idoso não tem interesse sexual, que não precisa de sexo, que é feio pensar e/ou fazer sexo quando se está numa idade mais avançada. Aumentam as 13 falsas ideias sobre a sexualidade. De igual forma dizem, que o idoso que tem uma actividade sexual crescente, reduz a potência e deixam de sentir prazer. Segundo a bibliografia consultada, apenas o oposto é verdadeiro. De acordo com Fávero e Barbosa (2011), uma actividade sexual regular funciona como estímulo a novas relações sexuais. Dessa forma, os autores referem que a sexualidade (não apenas a genitalidade) desenvolvese à medida que o sujeito a vivência. No mesmo sentido, Negreiros (2004, p. 84) afirma que “a melhor forma de assegurar o funcionamento dos órgãos é deixá-los trabalhar contínua e sistematicamente”. Por sua vez, Fávero e Barbosa (2011) defendem que o processo de envelhecimento não conduz a uma fase assexuada do individuo, mas sim a outra etapa no percurso da sexualidade humana, que deve ser merecidamente vivida e apreciada. Apesar de, sob o ponto de vista físico, o vigor da juventude não ser o mesmo e, como tal, surgirem mais dificuldades de desempenho em ambos os sexos, nomeadamente maior dificuldade dos homens em manterem a erecção e alterações da lubrificação nas mulheres, para Lopes (1993 cit. in Fávero & Barbosa, 2011, p. 20) “o homem, em qualquer idade, tem capacidade de erecção peniana como a mulher tem para atingir uma lubrificação vaginal adequada e o orgasmo.” Seguidamente, os mesmos autores referem que as actividades sexuais dos idosos contêm várias manifestações autoeróticas e não coitais: o prazer das carícias, a masturbação, as fantasias sexuais, entre outras. Da mesma forma, relatam alguns aspectos substanciais da sexualidade, nomeadamente: a capacidade de enamoramento, o interesse sexual, a comunicação e afecto, a sensibilidade, a empatia, a importância atribuída às carícias corporais, entre outras que, segundo estas autoras, não diminuem com a idade. De acordo com López e Fuertes (1999 cit. in Fávero & Barbosa, 2011, p. 21) os mitos mais comuns, relativamente à sexualidade no idoso, são: o coito e a emissão de sémen como debilitantes precipitando o envelhecimento e a morte; a vida que pode ser prolongada pela abstinência sexual na juventude; a masturbação que só é praticada por idosos perturbados, sendo uma característica infantil; depois da menopausa, a satisfação sexual diminui; os idosos são particularmente vulneráveis a desvios sexuais como o exibicionismo e as parafilias; as mulheres idosas que apreciam sexo foram ninfomaníacas; a maioria dos idosos perde o desejo e a capacidade de ter relações sexuais; as pessoas doentes não devem ter relações sexuais; a execução sexual mantém-se igual ao longo da vida; quem deixa de ter capacidade sexual nunca mais poderá voltar a ter. 14 Face a tais mitos, preconceitos e à forte pressão sociocultural, os idosos experienciam sentimentos de culpa/vergonha e considerarem-se pessoas fora da normalidade, por sentirem prazer e vontade de manifestar a sua sexualidade, chegando mesmo a renunciar e ocultar a sua sexualidade para não se sentirem discriminados. Sabemos, ainda, que vivemos numa sociedade que supervaloriza a actividade sexual e os padrões de beleza associados à juventude e, geralmente, a velhice é vista como uma etapa de perdas e fragilidades, dando margens aos mitos e preconceitos relacionados com este tema. De acordo com López e Olazábal (1998 cit. in Fávero & Barbosa, 2011), é importante desmistificar, os aspectos relacionados com a sexualidade do idoso, para que este não se desacredite dos seus potenciais e capacidades, adoptando uma vida assexuada. Segundo os autores, uma sexualidade bem vivida facilita a resolução da problemática existencial, relativa à convivência com a idade avançada, à medida que aumenta o prazer de viver, bem como a auto-estima, tanto para o homem como para a mulher. 2.4. Factores que contribuem para uma vivência positiva da sexualidade Para Fávero e Barbosa (2011) a sexualidade é parte integrante da personalidade de todos nós. Como temos referido, a sexualidade humana não se limita ao ato sexual, engloba emoções, afectos, sensações, etc. Dessa forma, sentimentos e pensamentos influenciam o exercício da sexualidade. Por sua vez, o contrário também pode acontecer, ou seja, a vivência da sexualidade pode influenciar sentimentos e pensamentos, inclusive a respeito de nós próprios. É consensual que a sexualidade humana sofre forte influência de alguns factores como: auto-estima, auto-imagem e autoconceito. A forma como nos valorizamos interfere, sem dúvida, na forma como exercemos a nossa sexualidade. No entanto, segundo os autores, existem outros factores que contribuem para uma vivência positiva da sexualidade, como por exemplo: ter parceiro sexual; ter relações estáveis e satisfatórias; existir comunicação dentro do casal ou entre parceiros sexuais; uma história onde as relações sexuais sejam mantidas de forma regular; a estabilidade económica e social; atitudes positivas da sociedade relativamente à sexualidade e à actividade sexual; e, atitudes sexuais do tipo liberal. Autores como Gavião (2000), citados por Fávero e Barbosa (2011), interessam-se pela temática da sexualidade na terceira idade e referem as seguintes vantagens (desta fase 15 da vida) para a satisfação da sexualidade dos idosos: maior disponibilidade e menos stress; maior flexibilidade de papéis (interesses comuns); momento histórico mais favorável; menos necessidade de ejacular e mais controlo sobre a ejaculação; excitação lenta (mais tempo para o “jogo” amoroso); menos interesse pelo coito (mais possibilidades sensuais/sexuais) e, uma maior satisfação conjugal sem medo de uma possível gravidez. Segundo o autor, a vida sexual na velhice pode ser mais satisfatória do que até então, desde que haja uma adaptação às alterações próprias desta etapa, em conjunto com a manutenção da auto-estima e de uma vida afectiva gratificante. De acordo com Costa (2009) a idade traz aspectos positivos que beneficiam bastante a actividade sexual. Segundo a autora, os aspectos emocionais associados á maturidade, são um dos pontos que mais contribuem para uma vivência sexual mais rica e sofisticada, e em vários casos, mais satisfatória, uma vez que, segundo a autora, existe um aumento de confiança, uma melhor capacidade de comunicação e resolução de problemas e, uma menor inibição perante o companheiro(a). 2.5. Sexualidade no entardecer da vida: “Olhar, mudar e agir” Para Serrão (2007), entender a sexualidade é um processo complexo, ingreme e inacabado e isto deve-se, entre outros factores, às representações enraizadas na sociedade do conceito de sexualidade como sinónimo de sexo, utilizadas como sinónimos. Sabemos que uma das grandezas da sexualidade é a relação sexual; contudo, esta não se reduz simplesmente a este acto. Segundo a autora, compreende a necessidade de contacto, ternura, intimidade, conjunto de sentimentos, comportamentos e afectos. De acordo com Capodieci (2000 cit. in Serrão, 2007, p. 71) “na idade avançada ama-se de maneira mais profunda, consegue-se purificar o amor da paixão que é mais sensual do que genital. Assim, para eles, um olhar ou uma carícia podem valer mais do que muitas declarações de amor.” Através da bibliografia consultada tenho verificado que, na velhice, a vivência da sexualidade ocorre de uma maneira mais profunda, pois os conceitos e valores defendidos nesse momento são outros, o indivíduo norteado de experiências antepassadas envolve-se num relacionamento com maior maturidade, responsabilidade e, os desejos, que o mesmo possui pelo parceiro, são sentimentos mais verdadeiros e puros. Neste sentido, Vasconcelos (1994, cit. in Serrão, 2007, p. 70) afirma que a sexualidade “é uma forma das pessoas perceberem a sua identidade, uma vez que a intimidade e a 22 Por sua vez, Taylor e Gosney (2011), sugerem que, apesar das dificuldades físicas, sociais e psicológicas, uma parte considerável dos idosos, goza de uma vida sexual. No entanto, os mesmos autores referem que, embora os profissionais de saúde reconheçam que o seu papel é central na saúde sexual, consideram que não foram devidamente treinados durante a sua formação, sentindo-se despreparados para discutir activamente os assuntos sexuais com os seus pacientes. Deste modo, de acordo com os autores, se durante a actuação profissional, não houver a aceitação de que o idoso possa manter a sua vida sexual, é improvável que os problemas dessa ordem sejam explorados, diagnosticados e tratados. Perante isto, Rebelo e Lima (2011) referem que os futuros profissionais de saúde terão o papel de desenvolver práticas que envolvam acções educativas, com enfoque em medidas preventivas na prática sexual; trabalhar directamente com o idoso estimulando o interesse de viver a sexualidade; pesquisar estratégias para minimizar as dificuldades de ordem psicológica e social, bem como actuar no aconselhamento sexual capaz de tornar o idoso consciente das suas capacidades e, consequentemente, à emancipação da saúde sobre o exercício da sexualidade na velhice. Taylor e Gosney (2011) referem que, a visão que os futuros profissionais têm sobre o envelhecimento, pode interferir na forma como irão trabalhar com os idosos podendo contribuir para a eternização de preconceitos e estereótipos, ou para a promoção de estratégias que apontem para o desenvolvimento humano, considerando as diferentes dimensões da saúde. Por sua vez, Bassoli & Portella (2004) afirmam que o papel dos futuros profissionais de saúde prende-se, através das necessidades actuais de estrutura social, com o desenvolvimento de uma assistência integral e de uma prestação de serviços qualificada. Concluindo, é importante analisar os conhecimentos e as atitudes dos estudantes em relação àqueles que envelhecem e à sua sexualidade, pois influenciarão na sua futura actuação profissional. Segundo Rebelo e Lima (2011), cada vez mais é necessário o planeamento e a realização de programas onde seja proposto trabalhar os estereótipos e preconceitos em relação à velhice, promovendo o desenvolvimento profissional na área da Gerontologia. 23 Estudo Empírico 1. Metodologia de Investigação 1.1. Objectivos e Hipóteses de investigação O presente estudo empírico procura compreender e analisar as atitudes dos profissionais, que lidam diariamente com os idosos, face à sexualidade na terceira idade. Neste capítulo, apresentar-se-á uma definição dos objectivos e hipóteses de investigação, uma descrição da amostra do estudo apresentado, as características dos instrumentos utilizados e a descrição do processo de recolha de dados. A parte final do capítulo é dedicada à apresentação e interpretação dos resultados obtidos, seguida da discussão dos mesmos, procurando justificar as conclusões obtidas. O capítulo termina com a apresentação de uma conclusão onde se pretende salientar os principais contributos do estudo empírico realizado. Neste sentido, este estudo tem como principais objectivos perceber quais as atitudes destes profissionais face à sexualidade nos idosos; conhecer a existência (ou não) do apoio e organização das instituições relativamente a este tema, através da percepção dos respectivos participantes e, comparar os resultados obtidos neste estudo exploratório com um outro, realizado recentemente (2007) pelos autores Bouman, Arcelus e Benbow. Estes autores pretendiam avaliar a atitude de uma equipa de profissionais, que trabalhavam em lares, face à sexualidade nos idosos, sendo que um dos instrumentos utilizados foi a escala Askas que será apresentada no subcapítulo dos instrumentos (p. 24). Perante este cenário, foram formuladas as seguintes hipóteses de investigação: i) Espera-se encontrar diferenças nas atitudes face à sexualidade nos idosos entre os participantes mais jovens e os mais velhos. ii) Espera-se que os profissionais com mais habilitações académicas possuam atitudes mais liberais face à sexualidade nos idosos do que os profissionais com poucas habilitações. iii) Espera-se encontrar diferenças nas atitudes face à sexualidade nos idosos, entre os participantes casados e os participantes solteiros. 24 iv) Espera-se que os participantes que consideram importante a existência de apoio e condições adequadas, para que os idosos possam viver a sua sexualidade, tenham atitudes positivas face à sexualidade no idoso. v) Espera-se encontrar diferenças significativas nas atitudes face aos idosos entre os participantes mais novos e os mais velhos. vi) Espera-se que os profissionais com mais habilitações académicas possuam atitudes mais positivas face aos idosos do que os profissionais com poucas habilitações. 1.2. Amostra A amostra é constituída por 65 profissionais, residentes no concelho de Cabeceiras de Basto, que lidam diariamente com os idosos, sendo estes os únicos critérios de inclusão na amostra; caracterizando-a, assim, como amostra por conveniência. Esta é composta por 9 indivíduos do sexo masculino (13.8%) e 59 do sexo feminino (86.2%) com idades compreendidas entre os 22 e os 59 anos, tendo uma média de idades de 39.05 (M= 39.05; DP= 8.7). Relativamente ao estado civil, 44 participantes são casados (67.7%), 13 são solteiros (20%), 4 vivem em união de facto (6.2%), 2 são viúvos (3.1%), 1 é divorciado (1.5%) e 1 está separado (1.5%). Por sua vez, 49 participantes têm filhos (75.4%) sendo que, 30 participantes têm 2 filhos (46.2%), 12 têm 1 filho (18.5%), 6 têm 3 filhos (9.2%) e 1 tem 4 filhos (1.5%). Em relação à escolaridade, verificamos que, 26 participantes possuem o 12º ano (40%), 17 possuem o 9º ano (26.2%), 15 a Licenciatura (23.1%); 4 possuem o 6º ano (6.2%), 1 a 4ª classe (1.5%), 1 possui Mestrado/Doutoramento (1.5%) e 1 frequentou um curso profissional (1.5%). Em conjunto com as habilitações, questionamos os participantes relativamente à sua área de formação e verificamos que 8 participantes formaram-se em educação social (12.3%), 3 em reabilitação psicomotora (4.6%), 2 em geriatria, psicologia, fisioterapia e sociologia correspondendo, cada um, a 3.1% da amostra; e 1 em ajudante de lar, esteticista, animador-sociocultural, enfermagem, humanidades e contabilidade, correspondendo cada um a 1.5% da amostra. Os restantes participantes (61.5%) não se formaram em nenhuma área específica. Na dimensão da religiosidade, 60 participantes professam alguma religião (92.3%) e os 5 restantes não professam nenhuma religião (7.7%). Dos crentes, verificamos que 56 são católicos (86.2%) e 4 são cristãos (6.2%). No mesmo sentido, verificamos ainda que 38 25 frequentam ocasionalmente actividades religiosas (58.5%) e 21 participam frequentemente (32.3%). Por fim, questionamos os participantes acerca da tarefa que desempenhavam na instituição onde trabalhavam e, salientamos as seguintes: 21 participantes são ajudantes de lar (32.3%), 11 desempenham tarefas de limpeza e cuidados primários aos idosos (16.9%), 7 são chefes de serviço (10,8%) e 4 são animadores socio-culturais (6.2%). 1.3. Instrumentos Para a análise das hipóteses formuladas utilizamos um questionário sociodemográfico, uma escala de 38 itens, efectuada por nós com base em toda a bibliografia consultada bem como a adaptação para português da escala Aging Sexual Knowledge and Attitudes Scale - ASKAS (White, 1982). O questionário socio-demográfico (Anexo 1) é constituído por três partes: (1) caracterização sócio-demográfica composta por questões que pretendiam caracterizar a amostra, tais como: sexo, idade, estado civil, número de filhos, com quem vive, habilitações, nacionalidade, zona de residência e religião; (2) caracterização profissional com o intuito de saber em que tipo de instituição o participante trabalhava (ex. centro de saúde, lar, etc.), as tarefas que desempenhava, número de idosos que usufruem da instituição, entre outras questões referentes ao apoio e existência de condições adequadas à sexualidade no idoso, referidas anteriormente; e, (3) uma escala elaborada por nós, com base em toda a bibliografia consultada para este efeito, composta por 38 itens avaliados numa escala tipo Likert de 1 (Discordo totalmente) a 6 (Concordo totalmente). Todo o questionário, incluindo a nossa escala de 38 items, foi estudado e avaliado através da estratégia de reflexão falada com 5 sujeitos da população de onde foi retirada a amostra do estudo, para que esta estivesse devidamente perceptível e adequada a essa mesma população. Os inquiridos partilharam da opinião da escala ser um pouco longa, com muitos itens mas, ao mesmo tempo, referiram estar “bem composta”, constituída por “itens diversificados” e perceberam a sua importância para a aquisição dos dados pretendidos para este estudo exploratório. Os itens desta escala vão de encontro com dois tipos de variáveis dependentes, que achámos necessário avaliar, por forma a completar o nosso estudo, sendo elas: atitude face aos idosos, e atitude face à sexualidade nos idosos (com itens diferentes do da Askas). 26 Relativamente à ASKAS (White, 1982), na sua versão original, é composta por 61 itens e está dividida em duas partes: a primeira avalia o conhecimento sobre a sexualidade do idoso, constituída por 35 itens cujas alternativas de resposta são: verdadeiro (1 ponto), falso (2 pontos) e não sei (3 pontos). Por sua vez, a segunda parte avalia a atitude em relação à sexualidade do idoso, constituída por 26 itens avaliados numa escala tipo Likert de 7 pontos onde 1= Discordo totalmente e 7= Concordo totalmente. Na primeira parte da escala, que avalia os conhecimentos, uma pontuação baixa significa um alto conhecimento sobre a sexualidade na velhice e, na segunda parte que avalia as atitudes, uma baixa pontuação significa uma atitude conservadora ou menos favorável perante a sexualidade na pessoa idosa. Segundo Viana, Guirardello, e Madruga (2010), trata-se de uma escala que tem sido muito utilizada em estudos internacionais e já foi validada para os idiomas chinês, coreano, francês e turco, cujos valores de confiabilidade têm sido satisfatórios. Por estar directamente ligada ao tema em estudo e, dada a inexistência da adaptação desta escala para português, traduzimo-la e adaptámo-la para a população que pretendíamos estudar. Neste sentido, utilizamos apenas a segunda parte da escala relativamente às atitudes face à sexualidade nos idosos e traduzimo-la para português (Anexo 2). Posteriormente, efectuamos um estudo de reflexão falada com 5 participantes constituintes da população em estudo que referiram compreender muito bem todos os itens da escala bem como o português utilizado. Por forma a verificar a consistência interna da escala, foi calculado o alfa de Cronbach sendo este de .82, o que indica uma boa consistência interna. Tendo surgido, mais tarde, a ideia de comparar o meu estudo com o estudo efectuado por Bouman, Arcelus e Benbow (2007), intitulado: “Nottingham Study of Sexuality and Ageing (NoSSA II). Attitudes of care staff regarding sexuality and residents: A study in residential and nursing homes.”, e tendo, estes autores, avaliado a escala de 1 (Discordo totalmente) a 6 (Concordo totalmente), optámos por recodificar as nossas respostas para a escala de 1 a 6, por forma a comparar resultados. Relativamente à escala de 38 itens, verificamos que, alguns dos itens, correspondentes a cada sub-escala, diminuíam o valor do respectivo alfa de Cronbach e, consequentemente, a sua consistência interna. Neste sentido, resolvemos retirar esses mesmos itens por forma a obter uma boa confiança para as medidas bem como dos respectivos resultados. 27 Assim, os itens sujeitos a análise estatística foram: “Os idosos são doentes e dependentes dos outros”, “Os idosos são senis (memória deficiente, são desorientados ou dementes)”, “Cada vez mais, os idosos vivem sozinhos e na infelicidade”, “Os idosos são conservadores e, para a maioria deles, é impossível aprender algo novo”, “Os idosos não iam aceitar ter educação sexual nas instituições” e “A velhice é como uma segunda infância”, constituindo a sub-escala“Atitude face aos idosos” com um alfa de Cronbach de .72. Por sua vez, os itens: “A aproximação afectivo-sexual entre as pessoas idosas pode ser ricamente saudável”, “A história sexual de cada individuo influência a vivência da sexualidade na terceira idade”, “Os idosos sem parceiro sexual, (solteiros, divorciados ou viúvos), devem retomar a sua actividade sexual”; “A sexualidade nos idosos contribui para uma melhor qualidade de vida”, “Devemos contribuir para corrigir as falsas esperanças com informações correctas aos idosos, aos filhos, aos profissionais e à sociedade em geral”, “É importante diminuir as dificuldades que limitam a sexualidade nesta fase da vida”, “É crucial educar os futuros idosos (durante as etapas anteriores da vida), para uma sexualidade liberal, positiva e criativa, ou seja, ensiná-los a viver a sexualidade como algo positivo e saudável de modo a que possam desfrutar dela e sentirem-se bem” e “As manifestações de condutas sexuais dentro das instituições para idosos, devem ser permitidas e aceites por todos os profissionais”, constituem a medida “Atitude face à sexualidade nos idosos”, com um alfa de Cronbach de .85. 1.4. Procedimento A recolha dos dados efectuou-se entre Junho de 2014 e Setembro de 2014, junto de quatro lares e uma fundação. O contacto foi feito previamente por telefone e presencialmente, tendo sido dada a autorização para a recolha de dados junto dos respectivos profissionais bem como feita a marcação da hora e data mais convenientes. No momento da chegada à instituição, os técnicos ou chefes de serviço reuniam os profissionais disponíveis no momento para que lhes fosse explicado o objectivo do estudo e, que a sua participação era voluntária e ao abrigo do anonimato e sigilo profissional. Após o consentimento dos mesmos para a participação no estudo foi-lhes distribuído cada instrumento e completados no momento para que, caso surgisse alguma dúvida, pudessem ser esclarecidos. No final agradecia-se aos profissionais a sua colaboração. 28 2. Resultados 2.1. Percepções dos participantes relativamente à instituição No questionário sociodemográfico foram elaboradas algumas questões fechadas aos participantes, relativamente às instituições, com o intuito de perceber se estes achavam que o apoio à sexualidade no idoso estava presente na instituição onde trabalhavam e, se achavam esse apoio importante. Assim, verificamos que 51 participantes referiram que, o apoio à sexualidade no idoso não está presente na instituição onde trabalham (78.5%) e 13 participantes afirmam que existe apoio à sexualidade no idoso na instituição onde trabalham (20%). No mesmo sentido, 38 participantes referiram que, a instituição onde trabalham, fornecem condições adequadas para que o idoso possa viver a sua sexualidade (58.5%) e 25 participantes referiram que não existem condições adequadas para o efeito (38.5%). Por sua vez, dos participantes que referiram existir condições adequadas, 10 mencionaram quartos individuais (15.4%), 9 mencionaram quartos para casais (13.8%) e 1 mencionou privacidade (1.5%). Continuamente, questionados sobre a importância do apoio e da existência de condições adequadas nas instituições para que os idosos pudessem viver a sua sexualidade, 41 participantes acham ser importante (63.1%) e 12 não consideram que seja importante (18.5%). Mais à frente, na apresentação dos resultados, esta afirmação será mais explorada uma vez que se relaciona com uma das nossas hipóteses de investigação. De seguida, questionamos se na instituição onde trabalhavam existiam cursos de educação sexual para os funcionários, pelo que, 59 participantes referiram que não existem cursos de educação sexual na instituição onde trabalham (90.8%) e 5 participantes referiram que existem os respectivos cursos (7.7%). Para finalizar, pedimos aos participantes para, numa escala tipo Likert de 1 (Nada satisfeita) a 9 (Muito satisfeita), indicarem o grau de satisfação pelas tarefas que desempenham na instituição e, obtivemos uma média de 8.20 (M=8.20; DP=1,086), sendo este valor indicador de um nível de satisfação elevado entre os profissionais. 2.2. Atitudes face ao idoso No que concerne à variável sexo, verificamos que os homens (M=3.26; DP=.834) possuem atitudes ligeiramente mais negativas face aos idoso, do que as mulheres (M=3.16; 29 DP=.979); no entanto, como vemos nos resultados descritivos, esta diferença não é significativa (t (63) =.277, p =.783). Relativamente à idade e, devido à diversidade de idades da nossa amostra, decidimos dividir entre os “mais novos”, que compreende os participantes com idade igual ou inferior a 38 anos e os “mais velhos” ao qual pertencem os participantes com idade igual ou superior a 39 anos, sendo a idade mínima de 22 e a máxima 59 anos. Assim, verificamos que o grupo dos mais velhos (M=3.46; DP=.902) possui atitudes mais negativas do que o grupo dos mais novos (M=2.90; DP=.938), confirmando a nossa quinta hipótese. Contudo, não é uma diferença significativa (t (63) = -2.427, p =.08). Por sua vez, no que toca ao estado civil de cada participante, encontramos diferenças entre os casados (M=3.28; DP=.886) e os solteiros (M=2.64; DP=1.04) onde verificamos que os participantes casados têm atitudes mais negativas face aos idosos do que os participantes solteiros; no entanto não é uma diferença significativa (t (55) = -2.203, p =.032). De seguida, tentámos perceber se existiam diferenças entre os participantes, tendo em conta as suas habilitações literárias. Tal como na variável idade, devido à diversidade das mesmas, decidimos dividir entre menor ou igual a quatro onde pertencem os participantes com a 4ª classe, 6º ano, 9º e/ou 12º, num total de 48 participantes e, maior ou igual a 5 que corresponde aos participantes com curso profissional, Licenciatura e/ou Mestrado/Doutoramento, num total de 17 participantes. Assim, verificamos que os participantes com menos habilitações (M=3.42; DP=.820) têm atitudes mais negativas face aos idosos do que os participantes com mais habilitações (M=2.48; DP=.986). Por sua vez, contrariamente ao que nos temos deparado, esta é uma diferença significativa (t (63) =3.86, p =.000) confirmando a nossa hipótese onde esperávamos que os profissionais com mais habilitações académicas tivessem atitudes mais positivas face aos idosos do que os profissionais com poucas habilitações. No que concerne à religião verificamos que os participantes que professam alguma religião (M=3.16; DP=.972) têm atitudes ligeiramente mais positivas, face aos idosos, do que os participantes que não professam nenhuma religião (M=3.37; DP=.785); no entanto, não é uma diferença significativa (t (63) = -.460, p =.647). Por fim, relativamente à questão: “Acha importante a existência de apoio e condições necessárias, nas instituições de terceira idade, para que os idosos possam viver a sua sexualidade”, verificamos que, os participantes que consideram importante (41 participantes), a existência das respectivas condições, possuem atitudes ligeiramente mais 30 positivas face aos idosos (M= 3.27; DP=.904) do que os participantes que consideram não ser importante (12 participantes) (M=3.32; DP=1.03); contudo, não é uma diferença significativa (t (51) = -.167, p =.868). 2.3. Atitude face à sexualidade nos idosos Como dissemos atrás, a atitude face à sexualidade nos idosos foi medida através de duas escalas, a Askas e a nossa escala. Nesta secção, apresentamos os resultados das duas análises efectuadas em paralelo. De notar que na nossa escala, quanto mais baixa for a média, mais negativa é a atitude ao contrário da Askas onde quanto mais baixa for a média, mais positiva é a atitude. Relativamente à variável sexo, apuramos que existem diferenças entre as escalas embora não significativas. Na Askas, os homens têm atitudes ligeiramente mais negativas (M=45.4; DP=16.7) do que as mulheres (M=41.4; DP=11.8). Por sua vez, na variável “atitude face à sexualidade nos idosos”, composta por alguns itens da escala do questionário, as mulheres revelaram ter atitudes ligeiramente mais negativas (M=5.17, DP=.582) do que os homens (M=5.23; DP=.291). No entanto, em ambas as escalas, a diferença não é significativa (t (63) =.897, p =.373) e (t (63) =.266, p =.791), respectivamente. No que concerne à idade dos participantes, verificamos que em ambas as escalas, o grupo dos “mais jovens” têm atitudes ligeiramente mais negativas (M=42.4; DP=12.7) e (M=5.08; DP=.700) do que o grupo dos “mais velhos” (M=41.4; DP=12.5) / (M=5.29; DP=.518), confirmando a nossa primeira hipótese. Contudo, não é uma diferença significativa (t (63) =.313, p =.755) / (t (63) = -1.393, p =.168). Continuamente, através da característica do estado civil, apuramos que existem diferenças entre os participantes casados e os solteiros em ambas as escalas, confirmando a nossa terceira hipótese uma vez que, os casados têm atitudes ligeiramente mais negativas (M=42.6; DP=13.7) / (M=5.09; DP=.692) do que os solteiros (M=41.5; DP=10.07) / (M=5.4; DP=.310). No entanto, as diferenças não são significativas (t (55) = -2.65, p =.792) / (t (55) =1.44, p =.154). Relativamente às habilitações literárias, foi possível confirmar a nossa segunda hipótese, uma vez que, os participantes com menos habilitações (M=41.99; DP=12.65) / (M=5.12; DP=.680) têm atitudes ligeiramente mais negativas do que os participantes com mais habilitações (M=41, 79; DP=12.69) / (M=5.36; DP=.377); no entanto, não é uma diferença significativa (t (63) =.054, p =.957) / (t (63) = -1.364, p =.177). 31 No que concerne à religiosidade, verificamos que os participantes que professam alguma religião apresentam atitudes mais negativas face à sexualidade no idoso (M=42.1; DP=12.6) / (M=5.15; DP=.628) do que os participantes que não professam nenhuma religião (M=40.3; DP=13.4) / (M=5.55; DP=.438); contudo, não é uma diferença significativa (t (63) =.296, p =.769) / (t (63) = -1.377, p =.173). Por fim, relativamente à questão: “Acha importante a existência de apoio e condições necessárias, nas instituições de terceira idade, para que os idosos possam viver a sua sexualidade”, verificamos que os participantes que consideram importante a existência de tais condições são os que têm atitudes ligeiramente mais negativas face à sexualidade no idoso (M=42.08; DP=13.45) / (M=5.21; DP=.572). No entanto, esta diferença não é significativa (t (51) =.683, p =.498) / (t (51) = -.249, p =.804) e não foi possível confirmar a nossa quarta hipótese onde esperávamos que os participantes, que consideram importante a existência das respectivas condições, tivessem atitudes mais positivas face à sexualidade no idoso do que os participantes que não consideram importante. 2.4. Atitudes face à sexualidade no idoso VS. Atitude face ao idoso Por forma a analisar a relação entre as duas variáveis, calculámos coeficientes de correlação de Pearson. Como esperado, entre a Askas e a nossa sub-escala da Atitude face à sexualidade nos idosos, existe uma relação positiva significativa (r =.287, n =65, p =.020). Contudo, entre a Askas e a nossa sub-escala da Atitude face aos idosos, existe uma relação negativa não significativa (r = -.112, n =65, p =.373). Finalmente, entre as nossas duas sub-escalas que medem respectivamente a Atitude face a sexualidade nos idosos e a Atitude face aos idosos, existe relação positiva não significativa (r =.074, n =65, p =.558). 38 Oliveira, L. (2012). Atitudes sexuais e idadismo na terceira idade. Tese de Mestrado Integrado em Psicologia. Universidade do Porto: Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Porto, Portugal. Pinto, A. (2012). A sexualidade nos idosos. Contributo para a avaliação das atitudes face à sexualidade nos idosos e a sua relação com a religião e nível cognitivo. Tese de Mestrado em Psicologia. Instituto Superior Miguel Torga: Escola Superior de Altos Estudos, Coimbra, Portugal. Rabelo, D., & Lima, C. F. (2011). Conhecimento e atitude de futuros profissionais de saúde em relação à sexualidade na velhice. Revista Temática Kairós Gerontologia, 14 (5), pp. 163-180. Ribeiro, J. (2010). Uma abordagem sobre a sexualidade na terceira idade. Projecto de graduação em Licenciatura de Enfermagem. Universidade Fernando Pessoa: Faculdade Ciências da Saúde, Porto, Portugal. Santos, R., Nascimento, C.P., Biscoli, M., & Labadessa, V. (2010). Sexualidade na terceita idade: pense um pouco no próprio preconceito. Revista Olhar Cientifico, 1 (2), pp. 111. Serrão, C. (2008). A sexualidade na terceira idade: olhar, mudar e agir. Revista Transdisciplinar de Gerontologia, 1 (2), pp. 70-72. Silva, A. (2011). Representações Sociais da Velhice. Tese de Doutoramento em Psicologia. Universidade do Porto: Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Porto, Portugal. Silva, I., & Gunther, I. (2000). Papéis sociais e envelhecimento em uma perspectiva de curso de vida. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 16 (1), pp. 31-40. Steinke, E. (1994). Knowledge and attitudes of older adults about sexuality in ageing: a comparison of two studies. Journal of Advanced Nursing, 19, pp. 477-485. 39 Taylor, A., & Gosney, M. (2011).Sexuality in older age: essential considerations for healthcare professionals. Age and Ageing, 40, pp. 538-543. Veloz, M., & Camargo, B. V. (1999). Representações sociais do envelhecimento. Psicologia: Reflexão e Crítica, 12 (2). Viana, H. B., & Madruga, V. A. (2008). Sexualidade, qualidade de vida e actividade física no envelhecimento. Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, 6, pp. 222-233. White, C. (1982). A scale the assessment of attitudes and knowledge regarding sexuality in the aged. Archives of Sexual Behavior, 11 (6), pp. 491-502. 40 Anexos 41 Anexo 1: Questionário Sociodemográfico Questionário nº ___ (A preencher pelo investigador) Este questionário foi desenvolvido para uma investigação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto no âmbito de um projeto de Mestrado Integrado em Psicologia na área de Clínica e Saúde da aluna Daniela Filipa Costa Semanas. O objetivo é perceber quais as atitudes dos profissionais, que lidam diariamente com a terceira idade, sobre a sexualidade nos idosos, tendo em conta o concelho de Cabeceiras de Basto e o elevado número da população idosa aí residente. Para o efeito, peço-lhe que responda com sinceridade às questões que se seguem. As suas respostas são totalmente confidenciais e anónimas, sendo usadas apenas para a presente investigação. Certifique-se que lê com muita atenção, cada uma das questões. Este questionário não é um teste, pelo que não existem respostas certas ou erradas – queremos apenas a sua opinião sobre o assunto. A sua participação é voluntária e é livre de desistir a qualquer momento, caso seja esse o seu desejo. Na maior parte das questões deve assinalar com um X a sua resposta. Nas questões de resposta aberta (ex: Qual a sua função nessa instituição?”), escreva a sua resposta nas linhas correspondentes. Para o caso de não ter uma resposta que corresponda exatamente à sua opinião, assinale a alternativa que mais se assemelha. Para esclarecimento adicional ou para conhecer os resultados da investigação, deverá enviar um e-mail para o seguinte contacto: [email protected]. O preenchimento do questionário demora apenas alguns minutos. Sim, confirmo a informação declarada anteriormente e pretendo prosseguir e participar no estudo. Não pretendo participar neste estudo. 42 v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) Caracterização Sócio-Demográfica 1. Sexo: M__ F__ 2. Idade: ____ 3. Data de Nascimento: _____/_____/______ 4. Estado Civil: Solteiro(a) Casado(a) Divorciado(a) União de facto Viúvo(a) Separado(a) 5. Tem filhos? Sim, quantos? _____ Não 6. Com quem vive? Mãe Pai Sozinha Irmão/Irmã/ Irmãos Marido/Esposa Filho/Filha/Filhos Outra pessoa: _______________________ 7. Habilitações Literárias: 4ª classe 6º ano 9º ano 12º ano Licenciatura Qual a área? ____________ Mestrado/Doutoramento Qual a área? ____________ Curso Profissional Qual?_________________ 8. Nacionalidade: Portuguesa Outra:__________________ v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d a v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u v c c D e v e a s s i n a l a r c o v c c D e v e a s s i n a l a r v c c D e v e a s s i n a l v c c D e v e a s s i n a l a r v c c D e v e a s s i n a v c c D e v e a s s i n v c c D e v e a s s v c c D e v e a s 43 9. Zona de Residência: Rural Urbana 10. Professa alguma religião? Sim, qual? __________________ Não 11. Em caso de resposta afirmativa à questão anterior, com que frequência está presente em cerimónias ou outras actividades religiosas? Nunca Ocasionalmente Frequentemente Caracterização Profissional 1. Em que tipo de instituição trabalha? Centro de Saúde Unidade de cuidados continuados Centro de dia Lar Outro. Qual? ______________________________ 2. Que tarefa (s) desempenha nessa instituição? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ __________________________________________________________ 3. Aproximadamente, quantos idosos usufruem/vivem nessa instituição? ________________________________________________________________ 4. O apoio à sexualidade no idoso está presente na instituição onde trabalha? Sim, qual?__________________________________ Não v c c D e v e a s v c c D e v e a v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d a e s c a l a q v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d a e s c a l a v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d a e s c v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d a e s c v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d a v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d 44 5. A instituição onde trabalha fornece condições adequadas para que os idosos possam viver a sua sexualidade (ex. quartos privados e/ou individuais)? Sim, quais? _________________________________ Não 6. Se na instituição onde trabalha, não existe qualquer tipo de apoio nem condições adequadas à sexualidade nos idosos, acha que era importante a existência desse apoio e das respectivas condições? Sim Não 7. Na instituição onde trabalha existem cursos de educação sexual para os funcionários? Sim Não 8. Na escala em baixo, indique o seu grau de satisfação pelas tarefas que desempenha na instituição onde trabalha. Sexualidade 1. De acordo com a escala apresentada em baixo, assinale com um círculo (O) o valor que mais corresponde à sua opinião. Discordo Totalmente 1 Discordo 2 Discordo Moderadamente 3 Concordo Moderadamente 4 Concordo 5 Concordo Totalmente 6 1. A sexualidade não é só o comportamento erótico mas também a expressão de afecto 1 2 3 4 5 6 2. Conceitos como: beleza, atração, potência sexual e orgasmos, não são próprios para os idosos. 1 2 3 4 5 6 Nada Satisfeita 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Muito Satisfeita v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d a e s c a l v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d a e s c a l v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p o n t o d v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p v c c D e v e a s s i n a l a r c o m u m a c r u z ( x ) n o p 45 3. Os idosos que mantêm comportamentos sexuais expressam comportamentos inapropriados. 1 2 3 4 5 6 4. Os idosos que mantêm comportamentos sexuais devem ser julgados pela sociedade. 1 2 3 4 5 6 5. As manifestações sexuais manifestadas pelos idosos são indecentes. 1 2 3 4 5 6 6. O idoso é um ser humano plenamente capaz de exercer a sua sexualidade. 1 2 3 4 5 6 7. A nossa cultura é contra a sexualidade nos idosos. 1 2 3 4 5 6 8. Os idosos, à medida que envelhecem, esquecem-se do seu corpo. 1 2 3 4 5 6 9. A aproximação afectivo-sexual entre as pessoas idosas pode ser ricamente saudável. 1 2 3 4 5 6 10. A história sexual de cada individuo influencia a vivência da sexualidade na terceira idade. 1 2 3 4 5 6 11. Os idosos sem parceiro sexual, (solteiros divorciados ou viúvos), devem retomar a sua actividade sexual. 1 2 3 4 5 6 12. Os idosos que apreciam a sexualidade são perversos. 1 2 3 4 5 6 13. Os idosos não possuem capacidades fisiológicas que lhes permita ter uma vida sexual activa. 1 2 3 4 5 6 14. Os idosos não têm interesses sexuais. 1 2 3 4 5 6 46 15. A actividade sexual é má para a saúde, principalmente na velhice. 1 2 3 4 5 6 16. A reprodução é o único fim da sexualidade e, portanto, não faz sentido que os idosos desfrutem da actividade sexual. 1 2 3 4 5 6 17. É indecente e de mau gosto que os idosos manifestem interesses sexuais. 1 2 3 4 5 6 18. A sexualidade só acontece em idosos com perturbações psíquicas. 1 2 3 4 5 6 19. A sexualidade nos idosos contribui para uma melhor qualidade de vida. 1 2 3 4 5 6 20. Os idosos institucionalizados deixam de ter actividade sexual. 1 2 3 4 5 6 21. A sexualidade faz parte da vida do idoso e este deve decidir, por si próprio, vivenciá-la ou não. 1 2 3 4 5 6 22. A pessoa idosa perde a capacidade de amar, sentir e desejar com o envelhecimento. 1 2 3 4 5 6 23. Devemos assumir uma nova visão integral da sexualidade que não se limite apenas à procriação, ao matrimónio, às manifestações heterossexuais e aos homens. 1 2 3 4 5 6 24. Devemos contribuir para corrigir as falsas crenças através da partilha de informações corretas aos idosos, aos filhos, aos profissionais e à sociedade em geral. 1 2 3 4 5 6 25. É importante diminuir as dificuldades que limitam a sexualidade nesta fase da vida. 1 2 3 4 5 6 26. Sem desrespeitar os restantes idosos, as manifestações de comportamentos sexuais dentro das instituições, devem ser permitidas e aceites por todos os profissionais. 1 2 3 4 5 6 47 27. As instituições devem ajudar a criar vínculos afectivos estáveis e seguros ao invés de impor um modelo errado da sexualidade. 1 2 3 4 5 6 28. Os idosos são doentes e dependentes dos outros. 1 2 3 4 5 6 29. Os idosos são senis (memória deficiente, são desorientados ou dementes). 1 2 3 4 5 6 30. Cada vez mais, os idosos vivem sozinhos e na infelicidade. 1 2 3 4 5 6 31. Os idosos são inúteis para a sociedade e incapazes no trabalho. 1 2 3 4 5 6 32. Os idosos são conservadores e, para a maioria deles, é impossível aprender algo novo. 1 2 3 4 5 6 33. Os idosos não iam aceitar ter educação sexual nas instituições. 1 2 3 4 5 6 34. A velhice é como uma “segunda infância”. 1 2 3 4 5 6 35. Os idosos não têm interesses sexuais. 1 2 3 4 5 6 Obrigada pela sua colaboração!