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Pagada de Carbono associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão

Carlos Jorge Leal Alves

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MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA DO AMBIENTE Pegada de Carbono associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão Carlos Jorge Leal Alves Dissertação submetida para obtenção do grau de MESTRE EM ENGENHARIA DO AMBIENTE Orientador académico: Belmira de Almeida Ferreira Neto (Professora Auxiliar do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto) Orientador empresarial: Engª Teresa Maria Ferreira Santos (Responsável pela área de qualidade e ambiente na empresa Porto Estádio) Porto, fevereiro de 2013 Pegada de Carbono associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão Carlos Jorge Leal Alves Mestrado Integrado Engenharia do Ambiente Aprovado em provas públicas pelo Júri: Presidente: Fernando Gomes Martins Arguente: Carlos Albino Veiga da Costa Orientador Académico: Belmira de Almeida Ferreira Neto ________________________________ MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA DO AMBIENTE 2012/2013 Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440 Correio eletrónico: [email protected].pt Endereço eletrónico: http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente – 2012/2013 – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2013. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. "Nem sempre caminhe pelas estradas lisas, percorra caminhos por onde ninguém viajou antes, para que possa deixar para trás rastro e não apenas pó..." Antoine de Saint-Exupéry vii AGRADECIMENTOS No decurso do presente trabalho pude contar com a contribuição de diversas pessoas, de maneira que endosso de seguida os meus agradecimentos e reconhecimentos: À Eng.ª Teresa Santos pela oportunidade, recetividade e acompanhamento dado neste projeto. À Professora Belmira pela disponibilidade, esclarecimentos prestados e espírito crítico, sempre que foi necessário. À minha família pelo sacrifício, paciência e ajuda demonstrada, em alturas menos fáceis. A todos os amigos, que foram fulcrais em diversas fases do curso, em especial na elaboração da dissertação. A eles uma palavra de apreço. E a todos que, de alguma forma, contribuíram para este trabalho, e a quem não posso deixar de apresentar os meus sinceros agradecimentos. xiv 2.5.4.1 Transporte por metro......................................................................................61 2.5.4.2 Consumos associados ao transporte por carro próprio e autocarro turístico 63 3 Avaliação da Pegada de Carbono........................................................................................ 69 3.1 Metodologia usada......................................................................................................70 3.1.1 Cálculo das emissões diretas de GEE (Âmbito 1) ................................................73 3.1.1.1 Emissões associadas ao consumo de gasóleo no gerador..............................73 3.1.1.2 Emissões associadas ao consumo de gasóleo no empilhador ........................ 74 3.1.1.3 Emissões associadas ao consumo de gás na climatização, águas quentes sanitárias e nas cozinhas................................................................................................. 75 3.1.2 Cálculo das emissões indiretas de GEE (Âmbito 2) .............................................77 3.1.3 Cálculo das emissões indiretas de GEE (Âmbito 3) .............................................78 3.1.3.1 Emissões associadas ao transporte por metro ............................................... 78 3.1.3.2 Emissões associadas ao transporte por carro próprio.................................... 80 3.1.3.3 Emissões associadas ao transporte por autocarro turístico ........................... 83 3.2 Cálculo da Pegada de Carbono.................................................................................... 85 3.2.1 Resultados da PC para os âmbitos 1, 2 e 3.......................................................... 86 3.2.1.1 Análise comparativa e discussão da PC do âmbito 1 (emissões diretas)........ 88 3.2.1.2 Análise comparativa e discussão da PC do âmbito 2 (emissões indiretas)..... 89 3.2.1.3 Análise comparativa e discussão da PC do âmbito 3 (emissões indiretas não consideradas no âmbito 2).............................................................................................. 90 3.2.2 Resultados da PC para cada jogo ........................................................................ 93 3.2.2.1 Análise comparativa e discussão da PC por competição ................................ 94 4 Conclusões e recomendações para trabalhos futuros........................................................99 Referências Bibliográficas ......................................................................................................... 105 Anexos....................................................................................................................................... 109 Anexo A – Consumos do âmbito 1 ........................................................................................ 111 Anexo B – Cálculos e informações referentes ao transporte de adeptos por metro, em dias de jogo................................................................................................................................... 112 xv Anexo C – Caracterização dos carros próprios...................................................................... 114 Anexo D – Fatores de emissão do N2O e CH4, para cada tipo de veículo e combustível...... 116 Anexo E – Lotação distribuída por pertença associadas aos veículos estacionados no parque interno do Dragão, por dia de jogo.......................................................................................117 Anexo F – Lotação do Parque Interno do Estádio do Dragão, e estimativa de ocupação dos parques do Dolce Vita, Metro e STCP ................................................................................... 119 Anexo G – Distribuição da cilindrada e emissões de GEE associadas aos veículos estacionados no parque da Metro e do Dolce Vita, para cada jogo e cenário simulado ..... 120 Anexo H – Emissões de GEE por jogo, para os âmbitos 1, 2 e 3 ...........................................127 xvi xvii Índice de Figuras Figura 1. Tendências das emissões de GEE na Europa, para as emissões totais de gases com efeito de estufa, sem contabilizar uso da terra, mudança do uso da terra e o setor da silvicultura ................................................................................................................................... 29 Figura 2. Relação entre as diferentes categorias das emissões pertencentes, partilhadas e associadas, e respetivo grau de influência e controlo da Londres 2012 .................................... 39 Figura 3. Emissões divididas de acordo com as categorias de responsabilidade, para a pegada de referência e a pegada real dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 ........................................ 41 Figura 4. Organograma do Grupo F.C.Porto, cedido pela Porto Estádio ....................................46 Figura 5. Esquema do Estádio do Dragão.................................................................................... 47 xviii xix Índice de Tabelas Tabela 1. Resultados das reduções dos variados parâmetros ambientais, após o cumprimento do Memorando de Entendimento entre o MetLife e o USEPA................................................... 32 Tabela 2. Resultados apresentados no relatório semianual do estádio MetLife........................ 33 Tabela 3. Excerto da tabela de resultados das reduções referentes à Reciclagem de Resíduos Sólidos, após o cumprimento do Memorando de Entendimento entre o MetLife e a USEPA... 34 Tabela 4. Resultado da Pegada de Carbono do Grupo TRACAR, para 2010, utilizando a metodologia GHG Protocol .........................................................................................................36 Tabela 5. Resultado da Pegada de Carbono do Grupo TRACAR, no ano de 2010, utilizando a metodologia GHG Protocol e o Guia para inventariação nacional de gases com efeito de estufa do IPCC ........................................................................................................................................ 37 Tabela 6. Pegadas de referência e valores efetivos para as emissões controladas pelo Comité Organizador de Londres para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Londres ......................... 42 Tabela 7. Identificação do tipo de consumos (de água, gás natural, eletricidade e gasóleo) por área de atividade para cada uma das zonas do estádio do Dragão............................................ 50 Tabela 8. Detalhes dos eventos realizados no Estádio do Dragão entre Outubro e Dezembro, de 2012, por ordem cronológica do evento..................................................................................... 54 Tabela 9. Consumos de eletricidade do Dragão Caixa e do Estádio do Dragão para cada jogo realizado entre outubro e dezembro de 2012............................................................................ 57 Tabela 10. Consumos de eletricidade do Estádio do Dragão, para cada jogo em estudo..........58 Tabela 11. Consumos de gasóleo do gerador, valores mensais e por jogo ................................ 59 Tabela 12. Consumos de gás natural para a climatização e aquecimento de águas sanitárias (AQS), valor por jogo...................................................................................................................60 Tabela 13. Consumos de gás natural das cozinhas, valor por jogo............................................. 61 Tabela 14. Linhas de metro e respetivos trajetos considerados................................................. 62 Tabela 15. Linhas consideradas, respetivas distâncias ao estádio do Dragão e consumos por viagem......................................................................................................................................... 62 Tabela 16. Distribuição das respostas ao inquérito de “Avaliação de Satisfação” dos adeptos do F.C. Porto, consoante o seu distrito de residência. Distância entre as capitais de distrito e o Estádio do Dragão ....................................................................................................................... 64 Tabela 17. Consumos de automóveis a gasolina, organizados por cilindrada e média de consumos, por cada classe.......................................................................................................... 65 xx Tabela 18. Consumos de automóveis a gasóleo, organizados por cilindrada e média de consumos, por cada classe.......................................................................................................... 66 Tabela 19. Caraterísticas e consumos dos autocarros turísticos a gasóleo, e respetiva média de consumos .................................................................................................................................... 66 Tabela 20. Consumos de gasóleo de autocarros turísticos, para a deslocação entre as capitais de distrito e o Estádio do Dragão................................................................................................ 67 Tabela 21. Valores de PAG para um horizonte de 100 anos....................................................... 70 Tabela 22. Origem dos fatores de emissão utilizados.................................................................72 Tabela 23. Emissões de CO2provenientes da combustão de gasóleo, no gerador .................... 74 Tabela 24. Quantidade de emissões de cada GEE libertadas pelo empilhador, em dias de jogo ........................................................................................................................... 75 Tabela 25. Emissões de CO2associadas ao consumo de gás natural na climatização e águas quentes sanitárias (AQS), e dados relativos ao respetivo cálculo............................................... 76 Tabela 26. Emissões de CO2associadas ao consumo de gás natural nas cozinhas, e dados relativos ao respetivo cálculo...................................................................................................... 77 Tabela 27. Emissões de CO2associados ao consumo de eletricidade em cada jogo realizado no Estádio do Dragão, no período compreendido entre Outubro e Dezembro (2012)................... 78 Tabela 28. Emissão de CO2provenientes do transporte dos espetadores via metro (viagem de um sentido) ................................................................................................................................. 79 Tabela 29. Emissão de CO2provenientes do transporte de espetadores via metro, para cada jogo, para ida e volta................................................................................................................... 80 Tabela 30. Emissões de GEE provenientes do transporte de adeptos por carro próprio, por cada jogo, estacionados no parque da Metro, do Dolce Vita e do parque interno do Dragão........... 83 Tabela 31. Emissões de GEE associadas a cada autocarro turístico............................................84 Tabela 32. Fatores de emissão para os três âmbitos..................................................................85 Tabela 33. Distribuição da Pegada de Carbono do Estádio do Dragão por âmbito, de cada jogo em foco........................................................................................................................................ 87 Tabela 34. Distribuição de cada item no valor total da pegada do Âmbito 1 (emissões diretas)........................................................................................................ 88 Tabela 35. Distribuição de cada item no valor total da pegada do Âmbito 2 (emissões indiretas).....................................................................................................90 Tabela 36. Distribuição de cada item no valor total da pegada do Âmbito 3 (emissões indiretas não contempladas no âmbito 2) .................................................................................................92 xxi Tabela 37. Pegada de Carbono total para cada jogo e por adepto na assistência, para os diferentes cenários......................................................................................................................94 Tabela 38. Emissões de GEE por âmbito, para as diferentes competições................................. 96 Tabela 39. Emissões de GEE, para as diferentes competições. .................................................. 97 Anexos A Tabela A 1. Consumos de gasóleo no empilhador por jogo e o seu valor calorífico. ............... 111 Tabela A 2. Consumos de gás natural para cada jogo............................................................... 111 Anexos B Tabela B 1. Distribuição das respostas ao inquérito de “Avaliação de Satisfação” dos adeptos do F.C. Porto, consoante o seu destino e a paragem de metro mais próxima......................... 112 Tabela B 2. Previsão do número de adeptos que seguiram os respetivos destinos, com base no número de validações registadas na Estação do Estádio do Dragão em dias de jogo.............. 112 Tabela B 3. Número de viagens necessárias para dar resposta ao número de utentes que procuram o metro para se deslocar, em dias de jogo .............................................................. 113 Anexo C Tabela C 1. Automóveis movidos a gasolina, organizados por classes de cilindrada, fatores de emissão de CO2individuais e por classe de cilindrada..............................................................114 Tabela C 2. Automóveis movidos a gasóleo, organizados por classes de cilindrada, fatores de emissão de CO2individuais e por classe de cilindrada..............................................................115 Anexo D Tabela D 1. Fatores de emissão do N2O e CH4, para cada tipo de veículo e combustível.........116 Anexo E Tabela E 1. Lotação do Parque Interno, discriminado por pertença ........................................ 117 Tabela E 2. Emissões de GEE destacadas por cilindrada, associadas ao transporte de espetadores por viatura própria para se deslocar ao estádio em dias de jogo, com estacionamento no Parque Interno do Dragão ........................................................................ 118 xxii Anexo F Tabela F 1. Lotação do Parque Interno do Estádio do Dragão, e estimativa de ocupação dos parques do Dolce Vita, Metro e STCP ....................................................................................... 119 Anexo G Tabela G 1. Distribuição percentual das cilindradas, pelos diferentes cenários....................... 120 Tabela G 2. Emissões de GEE das pessoas que escolheram a viatura própria para se deslocar ao estádio, e deixaram o automóvel no Parque da Metro (Cenário 1) ......................................... 121 Tabela G 3. Emissões de GEE das pessoas que escolheram a viatura própria para se deslocar ao estádio, e deixaram o automóvel no Parque do Dolce Vita (Cenário 1)................................... 122 Tabela G 4. Emissões de GEE das pessoas que escolheram a viatura própria para se deslocar ao estádio, e deixaram o automóvel no Parque da Metro (Cenário 2) ......................................... 123 Tabela G 5. Emissões de GEE das pessoas que escolheram a viatura própria para se deslocar ao estádio, e deixaram o automóvel no Parque do Dolce Vita (Cenário 2)................................... 124 Tabela G 6. Emissões de GEE das pessoas que escolheram a viatura própria para se deslocar ao estádio, e deixaram o automóvel no Parque da Metro (Cenário 3) ......................................... 125 Tabela G 7. Emissões de GEE das pessoas que escolheram a viatura própria para se deslocar ao estádio, e deixaram o automóvel no Parque do Dolce Vita (Cenário 3)................................... 126 Anexo H Tabela H 1. Emissões discriminadas de CO2por jogo, para os âmbitos 1, 2 e 3.......................127 Tabela H 2. Emissões discriminadas de N2O por jogo, para os âmbitos 1 e 3........................... 128 Tabela H 3. Emissões discriminadas de CH4por jogo, para os âmbitos 1 e 3 ........................... 128 xxiii NOTAÇÃOEGLOSSÁRIO ADENE Agência para a Energia AQS Águas Quentes Sanitárias AVAC Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado CH4 Metano CO2 CO2e Dióxido de Carbono Dióxido de Carbono equivalente EMEP/EEA Guia para emissões de poluentes do ar EPA Environmental Protection Agency EU União Europeia GEE Gases do Efeito de Estufa GHG Greenhouse Gas GJ Giga Joule HFC’s Hidrofluorocarbonetos IMTT Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestes IPCC Intergovernmental Panel on Climate Change kWh Quilowatt-hora LULUCF Land Use, Land-Use Change and Forestry ODA Olympic Delivery Authority PAG Potencial de Aquecimento Global PC Pegada de Carbono PFC’s Perfluorocarbonetos PNAC Plano Nacional para as Alterações Climáticas SF6 Hexafluoreto de enxofre SPV Sociedade Ponto Verde USEPA United States Environmental Protection Agency WBCSD World Business Council for Sustainable Development WRI World Resources Institute PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 30 1.2.1 Revisão de estudos: Pegada de Carbono de eventos desportivos A Pegada de Carbono quantifica as emissões, registando os valores das fontes de emissão mais problemáticas, possibilitando posteriormente adotar políticas em prol da sustentabilidade ambiental. Medidas que podem inclusive levar à redução de custos da organização, onde a ferramenta é aplicada, sem comprometer o “capital natural” através de impactos ecológicos insustentáveis. Outro ponto positivo da ferramenta é a versatilidade na aplicação da mesma, podendo estender-se a vários estudos, incluindo uma avaliação individual de produtos, atividades, empresas, organizações ou até países [12]. Em seguida são identificados e caracterizados alguns estudos, resultado da revisão da bibliografia existente sobre a Pegada de Carbono aplicada ao âmbito desportivo e ainda um exemplo de aplicação a uma transportadora. Esta ferramenta, apesar de ter uma utilização disseminada pelo mundo, existem poucos conteúdos disponíveis no que diz respeito à sua aplicação a eventos ou instalações desportivas, pois a maior parte das vezes são feitos no âmbito privado e os seus relatórios mantidos confidenciais. Abaixo será feita menção a três estudos distintos, um diz respeito à redução das emissões de carbono associadas à atividade de um estádio de futebol americano, o outro à Pegada de Carbono de uma empresa de transportes e um último, corresponde à aplicação da Pegada de Carbono aos Jogos Olímpicos de 2012. Embora de âmbito distinto, o estudo da TRACAR é aqui apresentado pois torna-se importante pelo facto de utilizar e explicitar uma metodologia própria baseada no GHG Protocol (Greenhouse Gas Protocol) e nas normas do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), como é pretendido no caso desta dissertação. Além disso, transmite de forma clara a organização do inventário, assim como os resultados para cada emissão de GEE e respetiva pegada. O relatório do estádio do MetlLife também não segue exatamente a linha idealizada para esta dissertação, uma vez que apresenta valores de redução de emissões e não das emissões em si. Mas a necessidade de fazer referência ao mesmo, prende-se com a intenção de demonstrar que um inventário detalhado e explícito facilita a identificação dos focos de emissão mais importantes, aumentando as oportunidades de aplicação de ações em prol de um melhor desempenho ambiental. Já a avaliação dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, é um estudo mais aprofundado que o pretendido mas que dá noções orientadores de quais as áreas que podem ser abordadas. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 31 Definem também de forma explícita, um método de estabelecer os limites operacionais do objeto de estudo. Outra caraterística que sai fora do âmbito seguido para a presente dissertação é o facto de a avaliação a Londres 2012, considerar uma pegada referência numa fase pré-Jogos Olímpicos e estendendo as suas ações a uma fase pós-Jogos. Esta vai realizando quantificações frequentes às emissões, desde a construção da sua infraestrutura e locais do evento, até ao final dos Jogos, contemplando um período pós-Jogos dedicado à aplicação de medidas de redução. 1.2.1.1 Avaliação do estádio MetLife O estudo relativo ao MetLife Stadium Company [13] apresenta os resultados do Memorando de Entendimento estabelecido entre o estádio MetLife e a USEPA (United States Environmental Protection Agency) em Junho de 2009. O enfoque assenta na identificação de iniciativas “verdes” que promoviam a redução dos consumos de energia, água e resíduos sólidos produzidos, inerentes ao funcionamento da infraestrutura. O estádio é dividido por duas equipas de futebol americano, os New York Giants e os New York Jets, possuindo uma capacidade para 82 500 pessoas. No relatório são descritas as medidas ou áreas de aplicação, a redução das emissões de GEEe o valor das poupanças associadas às mesmas reduções. ATabela 1 permite constatar os parâmetros ambientais abordados no memorando, assim como as respetivas reduções de emissão e as poupanças associadas (Poupanças). Abrangendo parâmetros como a conservação de água, energia, reciclagem de resíduos sólidos e transporte, até Fevereiro de 2012, verificou-se que as medidas tomadas promoveram uma redução da Pegada de Carbono em 250 650 t CO2e, que em termos monetários significa uma poupança de cerca de 15,5 milhões de dólares. Da totalidade da redução de emissões pode-se destacar as medidas aplicadas no campo da “conservação de energia”, “reciclagem de resíduos sólidos” e “transportes coletivos”, que levaram a um decréscimo nas emissões de 250 488,1 t CO2e, e uma poupança de 15 405 185 de dólares americanos. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 32 Tabela 1. Resultados das reduções dos variados parâmetros ambientais, após o cumprimento do Memorando de Entendimento entre o MetLife e o USEPA [13] Parâmetros Ambientais Total por Setor (t CO2e) Poupanças (Est.) Conservação da Energia 5 842,3 $843 165 Conservação da Água 33,9 $24 781 Reciclagem de materiais de construção/resíduos sólidos 239 181,7 $7 701 320 Paisagismo Verde 31,0 $22 668 Reciclagem de equipamentos eletrónicos 1,0 $25 Transporte Coletivo 5 464,1 $6 860 700 Transporte 96,6 $60 000 Total (MTCO2e) 250 650,6 $15 512 659 Recorrendo a metodologias e folhas de cálculo como o GHG Protocol, eGRID Versão 1.1, EPA WARM Model e EPA Pollution Prevention (P2) Cost Calculator [13], foram calculados as reduções nas emissões de cada parâmetro em estudo e registadas as poupanças associadas a cada medida (Tabela 2). ATabela 2 demonstra parte dos resultados descritos no relatório, divididos por área de ação, nomeadamente, a conservação de energia, a conservação de água e a reciclagem de materiais de construção/resíduos sólidos. Na conservação de energia, políticas como a utilização de sistemas de controlo automatizado de iluminação para toda a iluminação desportiva, e equipamentos de aquecimento, refrigeração, sistemas de ventilação e iluminação, que usam 2550% menos de energia, permitem poupanças na ordem dos 4 500 000 kWh. Já para a Conservação da Água, as maiores poupanças registadas são nas sanitas de baixo fluxo, que atingem os 1 500 000 gal, traduzindo-se num decréscimo das emissões de 33,9 t CO2e. Ao aplicar-se estas sanitas de baixo fluxo de descarga, a taxa de descarga passou de 3,5 litros por descarga para 1,6 litros por descarga, o que explica a grandeza dos volumes registados. O campo dos resíduos sólidos destaca-se notoriamente pelo volume da sua redução e consequente poupança. As políticas levadas a cabo nesta área (até à data de Fevereiro de 2012) levaram a uma redução de 239 181,7 t CO2e, perfazendo uma poupança total de 7 701 320 dólares. Para auxiliar no cálculo das reduções de emissões de gases GEE de cada uma das medidas aplicadas, foi utilizado a calculadora EPA WARM Model que permite determinar as emissões de várias práticas de gestão de resíduos, incluindo reduções na fonte, reciclagem, combustão, compostagem e aterros sanitários [13]. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 33 Tabela 2. Resultados apresentados no relatório semianual do estádio MetLife [13] Parâmetros Ambientais Jun 2009 MOU Dez 2009 Jun 2010 Nov 2010 Jun 2011 Fev 2012 Total Convertido (t CO2e) Poupanças (Est.) Conservação de Energia / Energy Star Total Reduções (t CO2e) --- 212,3 212,3 108,9 1 896,0 3 412,8 5 842,3 $843 165 Conservação variada de energia --- 139 370kwh 139 370 kwh 3 033 kwh 2 500 000kwh 4 500 000kwh 5 522,4 $751 535 Motores e Transformadores --- --- --- --- --- --- --- --- Instalação Luminosa (lâmpadas e balastros) --- --- --- --- --- --- --- --- Conservação da Água / Water Sense Total Reduções (t CO2e) --- 0,4 8,6 8,6 8,2 8,2 33,9 $24 781 Conservação de variada de água --- 158 632 gal 158 632 gal 158 632 gal --- --- 1,2 $870 Baixo débito / torneiras mãos livres (956) --- --- 360 000 gal 360 000 gal 360 000 gal 360 000 gal 3,6 $2 632 Sanitas de baixo débito (956) --- --- 1 500 000gal 1 500 000gal 1 500 000gal 1 500 000gal 15,0 $10 968 Resíduos Sólidos / Reutilização de Materiais de Construção / Produtos Verdes Total Reduções (t CO2e) 224 060,4 2 135,1 9 229,7 2 411,5 518,1 826,9 239 181,7 $7 701 320 Recicláveis Mistos --- --- 40 t 69,5 t 69,5 t 123,54 t 868,3 $12 102 Reduções / Produtos Verdes --- --- --- --- --- --- --- --- ATabela 3 possibilita verificar alguns dos campos considerados no plano de redução na área da Reciclagem de Resíduos Sólidos. Entre as medidas adotadas, constata-se que as reduções mais significativas pertencem à utilização de betão e ferro reciclado durante a construção. Com recurso a 60 000 toneladas de ferro reciclado e 102 000 toneladas de betão reciclado, foi possível reduzir as emissões em 196 000 t CO2e, e poupar 6 800 000 milhões de dólares. Outras políticas que foram levadas a cabo e que não se encontram discriminadas na tabela são, por exemplo, a reciclagem de resíduos pertencentes aos concessionários por fluxos de material reciclável (óleos alimentares), compostagem (resíduos alimentares), e não-recicláveis. Foram também instalados recipientes para o lixo, divididos por categoria de resíduo, no estádio e no parque de estacionamento, entre outros [14]. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 34 Tabela 3. Excerto da tabela de resultados das reduções referentes à Reciclagem de Resíduos Sólidos, após o cumprimento do Memorando de Entendimento entre o MetLife e a USEPA [13] Parâmetros Ambientais Jun 2009 MOU Dez 2009 Jun 2010 Nov 2010 Jun 2011 Fev 2012 Total Convertido (t CO2e) Poupanças (Est.) Resíduos Sólidos/Reutizilação de Materiais de Construção/Produtos Verdes Total Reduções (t CO2e) 224 060,4 2 135,1 9 229,7 2 411,5 518,1 826,9 239 181,7 $7 701 320 Recicláveis Mistos --- --- 40 t 69,5 t 69,5 t 123,54 t 868,3 $12 102 Reduções / Produtos Verdes --- --- --- --- --- --- --- --- Reutilização / Compra de Materias com conteúdo reciclado 16 000 t pilares de aço --- --- 160 000 m2 madeira, 3 000 000 m2 painel, 250 000 m2 revestimento do teto 1 000 resmas papel (30% reciclado) --- 29 450.3 --- Resíduos de Paletes Evitados / Madeira Reciclada --- --- 30 t 25,5 t 25,5 t 31,19 t 278,5 $4 528 Uso de Aço Reciclado Durante a Construção 60 000 t --- --- --- --- --- 108 000,0 $2 400 000 Uso de Ferro Reciclado durante a Construção 560 t --- --- --- --- --- 3 024,0 $22 400 Uso de Plástico Reciclado durante a Construção 51 t --- --- --- --- --- 76,5 $2 040 Uso de Alumínio Reciclado durante a Construção 40 t --- --- --- --- --- 544,4 $1 600 Uso de Betão Reciclado 102 000 t --- 8 000 t --- --- --- 88 000,0 $4 400,00 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 35 1.2.1.2 Avaliação da Pegada de Carbono de uma empresa de transporte de mercadorias: Grupo TRACAR A dissertação sobre a Pegada de Carbono do Grupo TRACAR[15] oferece informações relevantes sobre a aplicação desta ferramenta. O trabalho teve o propósito de monitorizar e quantificar as emissões de GEE do Grupo TRACAR, utilizando a metodologia do GHG Protocol [11] e uma outra, que considera algumas linhas diretivas do Guia para inventariação nacional de gases com efeito de estufa do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) [16] . Num primeiro passo, foi realizado um inventário dos itens a considerar, considerando-se para o efeito a frota nacional, a frota internacional, os consumos dos reboques refrigerados, a frota de assistência, o consumo de eletricidade e os consumos de combustíveis associados às deslocações casa-trabalho-casa dos trabalhadores. Posteriormente foram definidos os limites operacionais do Grupo, estando limitado à totalidade das emissões de GEE das operações que controla (ficando excluídas as operações em que tem participação, mas não controla), sendo por último abordados pelas duas metodologias descritas acima. No cálculo efetuado através do GHG Protocol, foram divididos os itens do inventário por três âmbitos distintos: emissões diretas (trajetos nacionais e internacionais realizados pela frota do grupo TRACAR, e consumos dos reboques refrigerados), emissões indiretas provenientes do consumo de eletricidade (consumo de energia das instalações TRACAR) e outras emissões indiretas de GEE (consumos de combustível associados às deslocações casa-trabalho-casa dos trabalhadores e referentes à frota de assistência). Depois, através de folhas de cálculo, são convertidas as emissões dos GEE para CO2e, através da multiplicação pelos respetivos fatores de emissão e potenciais de aquecimento global [15]. A Tabela 4, representa os fatores de emissão utilizados para três situações diferentes, uma vez que o seu valor varia de país para país, permitindo avaliar a influência destes fatores no resultado final. Nesse aspeto, pode-se constatar que não existem grandes variações entre os três casos, mas que para o Reino Unido grande parte dos resultados são inferiores aos restantes, e os EUA possuem os valores mais elevados. Em relação aos resultados por âmbito, conclui-se que os resultados obtidos para o âmbito 1 são muito superiores aos restantes, assumindo a maior percentagem no valor total da pegada (99,1%), o âmbito 2 ocupa o 2º lugar na percentagem total e o terceiro o último. O valor total da pegada do grupo TRACAR em 2010 foi de cerca de 20 mil toneladas de CO2e. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 36 Tabela 4. Resultado da Pegada de Carbono do Grupo TRACAR, para 2010, utilizando a metodologia GHG Protocol [15] Pegada de Carbono País Âmbito 1 (emissões de duas frotas e reboques refrigerados) Âmbito 2 (emissões do consumo de eletricidade) Âmbito 3 (emissões dos veículos assistência e deslocações dos trabalhadores) EUA 19 930 (t CO2eq) 147 (t CO2eq) 36 (t CO2eq) Pegada de Carbono do Grupo TRACAR: 20113 t CO2eq Reino Unido 19 614 (t CO2eq) 147 (t CO2eq) 24 (t CO2eq) Pegada de Carbono do Grupo TRACAR: 19 785 t CO2eq Outro País 19 872 (t CO2eq) 147 (t CO2eq) 35 (t CO2eq) Pegada de Carbono do Grupo TRACAR: 20 054 t CO2eq O estudo apresenta os resultados por âmbitos, estando inclusive cada um discriminado por emissão. A informação usada nos cálculos utilizados foi retirada do GHG Protocol[17]e no Guia para inventariação nacional de gases com efeito de estufa do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) [16], e os fatores de emissão os presentes no EMEP/EEA (guia para emissões de poluentes do ar) [18]. A Tabela 5 faz uma discriminação por âmbito e por atividade considerada, sendo que identifica a percentagem de cada emissão de GEE incluída em cada âmbito, assim como a Pegada de Carbono por âmbito e a totalidade da mesma. Entre todas as emissões, as referentes às duas frotas são responsáveis por 98% da Pegada de Carbono do Grupo TRACAR (19 756 t CO2e), tornando o âmbito 1 o foco de emissão mais alto com 19 582 toneladas CO2e. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 37 Tabela 5. Resultado da Pegada de Carbono do Grupo TRACAR, no ano de 2010, utilizando a metodologia GHG Protocol e o Guia para inventariação nacional de gases com efeito de estufa do IPCC [15] Emissões de GEE incluídas em cada âmbito Pegada de Carbono (%) Pegada de Carbono (t CO2eq) Pegada de Carbono do Grupo TRACAR (t CO2eq) Âmbito 1 Emissões das duas frotas 98 19582 19756 Emissões associadas aos reboques refrigerados 1 Âmbito 2 Emissões associadas ao consumo de eletricidade <1 147 Âmbito 3 Emissões assistência <1 27 Emissões deslocações trabalhadores <1 Conclui-se pelo estudo que a metodologia desenvolvida será a que melhor se adequa aos objetivos do trabalho pois utiliza fatores de emissão mais específicos, como por exemplo, considera o fator de emissão de energia do mix energético português de 2006 [15]. 1.2.1.3 Avaliação dos Jogos Olímpicos: Londres 2012 A avaliação da Pegada de Carbono nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 está dividida em dois documentos. Um deles elaborado a Março de 2010 (pré-evento) [19] centra-se na metodologia e na quantificação de uma pegada de referência. O segundo elaborado em Dezembro de 2012 (pós-evento) [20], e é um suplemento que tem como objetivo evidenciar os resultados dos Jogos Olímpicos de Londres do programa de sustentabilidade aplicado. Como resultado é apresentada a Pegada de Carbono e a pegada de referência para os Jogos Olímpicos de Londres 2012 e Jogos Paraolímpicos [19]. Este estudo abrange ainda a estratégia para a gestão do carbono para os Jogos, situação prevista no Plano de Sustentabilidade Londres 2012 [19]. Como os Jogos Olímpicos são um evento de curta duração, a metodologia foi desenvolvida para contemplar a pegada para um período a ter início antes dos Jogos de Londres 2012, esta medida é designada “pegada de referência”. A pegada de referência, calculada em 2010, foi utilizada para direcionar o plano de sustentabilidade e a estratégia de gestão de carbono para os Jogos de 2012. A pegada efetiva avaliada após o evento foi comparada com a pegada de referência. Os períodos considerados no estudo foram o pré-Jogos, o durante e o pós-Jogos. As emissões estimadas para o pré-Jogos contemplam as emissões relacionadas com a construção e colocação em PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 38 funcionamento de espaços e infraestruturas. Durante os Jogos foram estimadas as emissões resultantes do período em que decorrem os Jogos. O pós-Jogos cobre as emissões de transição de locais e instalações para estruturas permanentes, no período pós-Jogos. Dos períodos considerados, é a fase de pré-Jogos que comporta a maioria das emissões de Londres 2012, associados à infraestrutura de transportes e espaços. Apesar de a organização não considerar que exista uma resposta certa quanto à melhor metodologia a aplicar no cálculo da pegada de um grande evento, tentou criar uma que estipulasse diretrizes e potenciais soluções para os problemas que surgem quando se tenta quantificar a pegada de um grande evento desportivo [19]. O facto de utilizarem uma pegada de referência oferece também a oportunidade de identificar previamente as oportunidades que podem reduzir a pegada, com uma boa relação custo-benefício. A metodologia utilizada baseiase no GHG Protocol [11] e o PAS 2050 [21]. Foram considerados os gases presentes no protocolo de Quioto (CO2, CH4, N2O, HFC’s, PFC’s, SF6), sempre que possível, e o resultado expresso em t CO2e. As emissões estão divididas em diretas e indiretas (âmbito 1, 2 e 3), sendo que as medidas de redução incidiram principalmente sobre as emissões diretas (as quais existia um total controlo). Foi realizado um estudo alargado das fronteiras operacionais, de acordo com a extensão da contribuição financeira dos dois corpos principais responsáveis por realizar o evento. As emissões foram então estruturadas como pertencentes, partilhadas e associadas (Figura 2). As emissões pertencentes (Owned) estão associadas a atividades centrais totalmente financiadas, onde toda a pegada de carbono associada é alocada a Londres 2012 (como por exemplo, as dos escritórios e construção). As emissões partilhadas (Shared) estão associadas às contribuições dos parceiros, para atividade cofinanciada (desenvolvimento da, cofinanciada, Vila Olímpica). As emissões associadas (Closely associated) resultam de atividades claramente associadas aos Jogos Olímpicos, que não foram criadas pela Londres 2012, mas sobre as quais podem exercer um certo poder. Não se contemplaram as emissões que não foram consideradas críticas, não levem a uma exposição de risco aumentada, ou não sejam capazes de ser influenciados pela organização responsável. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 39 Figura 2. Relação entre as diferentes categorias das emissões pertencentes, partilhadas e associadas, e respetivo grau de influência e controlo da Londres 2012 [19] Depois de consideradas e registadas todas as atividades englobadas nas fronteiras de estudo, elas foram agrupadas em quatro categorias, que cobrem a generalidade das atividades préJogos e Jogos. Locais, Infraestruturas de transporte, operações e espetadores. Durante os Jogos as áreas de maior impacto estarão relacionados com as categorias de “operações” (impactos operacionais relacionados com a família olímpica) e dos espetadores. Os cálculos para os espetadores, consideraram o merchandise, o catering e as viagens. Mais concretamente, o transporte, o tipo de acomodação, os consumos na restauração e o merchandise vendido. Para todos os casos foi feita uma estimativa dos consumos, nomeadamente a estimativa da origem do espetador, do peso das embalagens e da quantidade consumida, do tipo de acomodação e regimes de pensão e a estimativa do número de itens de merchandise, assim como o peso e o material em que é feito. Foram depois determinados quais os respetivos fatores de emissão standard, estando representados nas unidades mais adequadas (ex.: fator de emissão do transporte em kg CO2e/km e o fator de emissão da comida, bebida e empacotamento em kg CO2e/item servido). Este estudo recorre à identificação dos fatores de emissão disponíveis em bases de dados da Defra, BFF Indez e do Ecoinvent V2 [19]. As atividades consideradas no cálculo incluem a envolvência (esta é uma estimativa inicial associada às construções provisórias que foram agregadas a edifícios permanentes, para fins desportivos), média (estimativa de, principalmente, viagens de jornalistas e sua acomodação), PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 46 Figura 4. Organograma do Grupo F.C.Porto, cedido pela Porto Estádio A Porto Estádio articula diretamente as áreas de planeamento, operações e gestão da infraestrutura. O trabalho realizado pela empresa nestas áreas tem vindo a ser reconhecido a nível nacional, como a nível internacional. Por exemplo, em 2003, o Dragão foi distinguido pela Comissão Europeia, através da ADENE – Agência para a Energia, com a certificação “GreenLight”. Esta distinção é atribuída pelas práticas de funcionamento do estádio associadas ao uso racional de energia e qualidade de iluminação [27]. O Sistema de Gestão Integrada de Qualidade e Ambiente do clube é, também ele, certificado desde Novembro de 2007 [25]. Sendo que este foi o primeiro estádio 5 estrelas do mundo arreceber esta dupla certificação, segundo os requisitos da norma NP EN ISO 9001:2008 e NP EN ISO 14001:2004, para o âmbito de “Gestão e exploração de infraestruturas desportivas e de apoio; organização e desenvolvimento de eventos; gestão dos serviços de atendimentos” [26]. Em 2009, devido a alterações corporativas, como por exemplo a aquisição de novo património como o Dragão Caixa, o âmbito da certificação é alterado a “Gestão e exploração do Estádio do Dragão e do Dragão Caixa, gestão de infraestruturas desportivas e de apoio; organização e desenvolvimento de eventos”. Neste mesmo ano o estádio é reconhecido pela Sociedade Ponto Verde (SPV) como o primeiro espaço PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 47 desportivo certificado com uma "garantia ponto verde", em prol da sua Política 100R - tratamento de 100% dos resíduos com potencial de reciclagem [25]. A Porto Estádio, na época de 2011/2012, encaminhou para reciclagem 36 toneladas de papel e cartão [24]. Em 2010, o estádio e, mais especificamente, o clube foi também premiado pelas boas práticas ambientais implementadas com o prémio para o maior feito não desportivo do ano, atribuído pela ECA - European Club Association [28]. 2.2 Descrição da Infraestrutura O estádio é um dos maiores e mais emblemáticos do país. O relvado tem 105 metros de comprimento por 68 metros de largura e é iluminado por 198 projetores de 2000W. Com uma capacidade para 50 429 espectadores, os lugares dividem-se em bancada, lugares de empresa, camarotes de família, lugares de tribuna, camarotes de 3 a 6 estrelas, lugares de imprensa, camarote presidencial, lugares dedicados a deficientes e acompanhantes. AFigura 5 mostra um esquema do estádio [24], onde é possível distinguir algumas dessas zonas, nomeadamente as quatro bancadas, cada uma identificada pelo nome de um patrocinador, sendo estes a Super Bock (Sul), TMN (Leste), MEO (Oeste) e a Coca-Cola (Norte). Figura 5. Esquema do Estádio do Dragão [24] . PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 48 O estádio possui uma zona interior que se divide em zona administrativa, zona de circulação de adeptos e zona dedicada às equipas. Na zona administrativa está incluído o escritório, que funcionando durante a semana é também utilizado, em dias de eventos, sempre que surge a necessidade de tratar algum assunto relacionado com a logística dos eventos. Estão também incluídas as salas de reunião e um auditório. Na zona de circulação de adeptos (piso -1), é possível encontrar os serviços de apoio como as áreas de restauração, com pequenos bares e lavabos e várias zonas de exposição (áreas para apresentação de produtos ou a colocação de stands para os mais diversos eventos). Existem também áreas VIP, como é o caso dos camarotes, a sala VIP e correspondentes áreas de circulação, equipadas com bares. Divididos pelo Piso 1 e 2, estão disponíveis vários bares, duas cozinhas (Nascente e Poente), e instalações sanitárias. Os camarotes estão divididos por estrelas (3 a 6 estrelas), são constituídos por divisões, parte delas climatizadas, com acesso às bancadas, equipados com mobiliário e aparelhos multimédia. A Sala VIP é um espaço com serviço de catering e dois bares incluídos. Esta sala climatizada, possui acesso às bancadas e está equipada com aparelhos multimédia. E as cozinhas, estão equipadas com todo o material necessário à confeção de comida em grandes quantidades, fornecendo a nível alimentar a sala de buffet, os camarotes, e a sala VIP. A Nascente serve de apoio à sala de buffet pertencente aos camarotes de 3 a 4 estrelas (sempre que for requisitado), e a Poente fica ao cuidado da alimentação servida antes e durante o intervalo do jogo, na sala VIP e dentro dos camarotes de 5 e 6 estrelas. Na zona dedicada às equipas encontram-se os balneários dedicados à equipa da casa e à visitante. Por último, existe ainda uma sala técnica e uma reservada para as famílias dos jogadores que possui um pequeno bar. O estádio possui um parque de estacionamento de 1067 lugares, destinados aos funcionários, jogadores, comunicação social e adeptos com lugar VIP. Para além deste espaço, os adeptos podem estacionar num dos 898 lugares disponíveis no parque de estacionamento do Dolce Vita (shopping situado nas imediações do estádio) ou optar por estacionar no parque público de estacionamento da Metro do Porto (capacidade de 850 lugares). Os espetadores que escolherem viajar em grupo, através de camionetas, podem ainda estacionar no parque de estacionamento da STCP, com capacidade para 50 lugares, específico para autocarros. O F.C. Porto utiliza também uma estratégia de rentabilização da área que não é usada para fins desportivos, concessionando alguns dos espaços pertencentes ao estádio a lojas como a Rádio Popular, o ginásio Solinca – Health & Fitness, a agência de viagens COSMOS - Viagens e Turismo, S.A., entre outros. Em relação à envolvência do estádio, esta é composta por espaços verdes, PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 49 uma área residencial, uma área comercial (Shopping Dolce Vita), e um pavilhão multiusos. Este pavilhão é designado por Dragão Caixa, recebe os jogos do F.C. Porto para as modalidades de hóquei, andebol e basquetebol, podendo ainda ser alugado para outro tipo de eventos. 2.3 Descrição dos aspetos ambientais O funcionamento da infraestrutura comporta consumos de água, eletricidade, gás natural e combustível, distribuídos pelas várias áreas inseridas no funcionamento de um evento. Para melhor perceber de que maneira é que estes consumos são realizados, é importante constatar que estes não se limitam apenas às horas em que o evento decorre, tendo uma abrangência que vai desde a preparação do jogo, prolonga-se ao longo do evento e termina com a logística pósevento. As áreas de atividade do estádio são, em seguida, divididas em seis zonas, nomeadamente, a Zona adeptos (locais disponíveis aos adeptos, como por exemplo, a bancada geral ou a zona de restauração), a Zona adeptos extra (locais com acessos a zonas VIP, como por exemplo, camarotes e sala VIP), a Zona administrativa (locais de área administrativa), a Zona equipas (sendo estes locais destinados às equipas, como por exemplo balneários), os Serviços comuns (incluindo os serviços comuns a todas as zonas) e as Áreas técnicas (onde decorrem atividades associadas à logística dos eventos ou funcionamento do estádio). ATabela 7 apresenta os tipos de consumos associados a áreas de atividade, presentes nas seis zonas do estádio especificadas anteriormente. Está presente ainda, a designação com que os consumos nestas áreas são identificados na restante dissertação. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 50 Tabela 7. Identificação do tipo de consumos (de água, gás natural, eletricidade e gasóleo) por área de atividade para cada uma das zonas do estádio do Dragão Áreas de atividade Designação no estudo Consumos Água Gás natural Eletricidade Gasóleo Zona administrativa Escritórios Áreas administrativas X --- X --- Auditório Outros --- --- X --- Sala Nascente e Poente Outros --- --- X --- Sala Comunicação Social Outros --- --- X --- Hall de Receção Áreas Comuns --- --- X --- Zona adeptos Restauração Galerias X --- X --- Zona de Exposições Outros --- --- X --- Bancadas Outros --- --- X --- Zona adeptos (extra) Cozinhas Galerias X X X --- Piso 0 Áreas Comuns --- --- X --- Camarotes Galerias X --- X --- Sala VIP Áreas Comuns X --- X --- Bares Galerias X --- X --- Parque estacionamento a) --- --- X --- Hall de Receção Áreas Comuns --- --- X --- Zona equipas Balneários Outros X --- X --- Sala Técnica a) --- --- X --- Sala das Famílias Outros X --- X --- Áreas técnicas Vídeo Wall’s Video Wall --- --- X --- Iluminação relvado a) --- --- X --- Gerador a) --- --- --- X Empilhador a) --- --- --- X Serviços comuns Grupo de bombagem a) --- --- X --- Elevadores a) --- --- X --- Aquecimento, ventilação e ar condicionado a) --- --- X --- Climatização e Águas Quentes Sanitárias a) --- X --- --- a) Manteve-se neste estudo a mesma designação das áreas de atividade. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 51 Nas zonas administrativas do Estádio do Dragão ocorrem consumos de eletricidade (iluminação e aparelhos elétricos) e água (instalações sanitárias). Estes acontecem os durante a realização dos eventos, apesar de estarem reduzidos ao seu funcionamento mínimo. Nas zonas reservadas aos adeptos os consumos de eletricidade estão praticamente associados à iluminação, eletrodoméstico/aparelhos ligado na zona da restauração (refrigeração, fornos, estufas, entre outros), e consumo de água (nas instalações sanitárias e bancas dos bares). Nas zonas adeptos extra (convidados ou espetadores com acesso às zonas VIP), os consumos de eletricidade estão relacionados com a iluminação em todas as áreas, o uso de eletrodomésticos, como por exemplo, o uso de equipamentos de refrigeração e outros aparelhos ligados à área da restauração nas cozinhas, bares e restaurante. E também aparelhos multimédia nos camarotes e sala VIP. Todos os consumos de água nesta zona reportam às instalações sanitárias, ou às bancas e equipamentos das cozinhas, bares e restaurante. Na zona reservada às equipas a eletricidade consumida, para além da iluminação, poderá prender-se com aparelhos multimédia usados na sala técnica, eletrodomésticos e televisões na sala das famílias, e equipamentos de refrigeração de bebidas nos balneários. A iluminação do relvado faz-se pela rede de eletricidade pública, recorrendo-se aos geradores (alimentados a gasóleo) que, juntamente com um UPS (fonte de alimentação ininterrupta), colmatam eventuais falhas de corrente elétrica. O único empilhador existente move-se a gasóleo, que transporta grades que definem o perímetro de segurança durante a realização de eventos. Existem também dois vídeo wall’s, que consomem eletricidade e, que transmitem publicidade e mensagens promocionais do clube (durante e fora dos eventos). Os serviços comuns existentes em todo o estádio utilizam eletricidade e gás natural. A ventilação, os aparelhos de aquecimento, ventilação e ar condicionado (chillers) e os elevadores operam com energia elétrica. Os sistemas de climatização (aquecimento) e águas quentes sanitárias (AQS) funcionam com recurso a gás natural. As zonas técnicas são compostas por um grupo de bombagem também alimentado por energia elétrica, que distribui a água da rede pública por todo o Estádio, alimentando cozinhas, instalações sanitárias e áreas administrativas. O abastecimento de água para a rega, limpezas e rede de incêndio é efetuado recorrendo a um furo (águas subterrâneas) presente nas imediações do recinto. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 52 A maioria das atividades está devidamente identificada, caraterizada e os seus consumos documentados nas faturas de gastos diários. No entanto, existem outros consumos que, ou estão englobados num consumo total, ou existem apenas para valores mensais. Espaços como o auditório, sala Nascente e Poente, Zona de Exposições e balneários não estão discriminados na fatura da eletricidade, sendo que se englobam nos gastos totais diários de eletricidade do estádio. Por outro lado os consumos de gasóleo do empilhador e do gerador são quantificados mensalmente (através do volume de combustível abastecido). Os consumos médios por evento (altura em que o veículo é utilizado) são então identificados dividindo os consumos pelo número de eventos realizados nesse mês. Resta referir que o pavilhão multiusos situado nas imediações do recinto, o Dragão Caixa, é abastecido na íntegra a nível de energia (eletricidade e gás) e de água pelo Estádio do Dragão. Os valores relativos ao estádio do Dragão são obtidos por subtração ao total dos consumos registados para o pavilhão. Em relação à produção de resíduos sólidos, estes são produzidos em grandes quantidades nos dias de evento. Na época de 2011/2012 foram recolhidos 93 toneladas de resíduos sólidos urbanos, incluindo entre outros, 36 toneladas de papel/cartão, 12 toneladas de mistura de embalagens e 7 toneladas de vidro. Na época de 2012/2013, até setembro de 2012, foram já recolhidas 21 toneladas de resíduos, incluindo 8 toneladas papel/cartão, 3 toneladas de mistura de embalagens e 1,6 toneladas de vidro. Esta quantidade de resíduos é proveniente da zona de restauração, camarotes e áreas de confeção dos alimentos. Os resíduos são devidamente separados e encaminhados para um parque de resíduos. Aí permanecem até serem recolhidos por uma empresa subcontratada (a Hidurbe) que os direciona para o sistema LIPOR para valorização energética, valorização orgânica ou reciclagem, dependendo do tipo de resíduo. 2.4 Identificação dos eventos desportivos (realizados entre Outubro e Dezembro de 2012) A multifuncionalidade do estádio permite albergar uma enorme diversidade de eventos, que são maioritariamente desportivos. No entanto, têm lugar no estádio, entre outros, eventos culturais e de outro tipo, como por exemplo, concertos, provas de rally ou festas de empresas. Os eventos que decorrem nas instalações internas do estádio são geralmente de cariz não desportivo, como por exemplo, conferências, exposições, showrooms, seminários, colóquios, workshops, reuniões, ações de formação, refeição de negócios, sendo realizados em salas apropriadas. Os PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 53 eventos externos (jogos de futebol ou concertos) ocorrem geralmente no relvado do estádio e estendem o seu raio de ação às bancadas e praça, agregando também as zonas de restauração presentes no interior do espaço. Neste trabalho estão em foco os eventos desportivos realizados no estádio entre Outubro e Dezembro de 2012. Tal deve-se ao facto de, durante o período de realização deste trabalho, estarem apenas disponíveis as faturas discriminadas (programa informático) para os consumos de eletricidade do estádio com data a partir de Outubro de 2012. O Dragão recebe todos os jogos (em casa) da equipa do escalão principal do F.C. Porto (equipa A 1 ), sendo que em 2011/2012 recebeu 21 partidas caseiras. O Estádio do Dragão acolhe também jogos pontuais da equipa da Seleção Nacional, tendo recebido na época de 2011/2012 apenas uma partida. Os jogos realizados pela equipa A são condicionados em parte pela longevidade atingida na competição em questão, excluindo o campeonato nacional que implica obrigatoriamente a realização de 15 jogos caseiros. Os restantes jogos efetuados no recinto do F.C. Porto, referentes às restantes competições (Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga dos Campeões), estão dependentes da progressão nas respetivas provas. Neste caso, estão em análise quatro jogos do Campeonato Nacional, três da Liga dos Campeões Europeus e um referente ao apuramento da Seleção Nacional para o Mundial de 2014. Na Tabela 8 estão presentes os detalhes de cada evento, fazendo referência à prova, ao calendário e à assistência. Algumas das características como dia, hora, tipo de competição ou relevância da equipa adversária podem ser relevantes para a pegada, pois podem condicionar a maneira como se prepara um jogo em termos de catering ou até em termos de escolha de método de deslocação. Um exemplo disso são os jogos da Liga dos Campeões. Além de se realizar a uma hora que obriga uma preparação mais complexa a nível de catering (mais variedade de pratos quentes), pois raramente as pessoas têm oportunidade de jantar previamente, é também realizado a meio da semana, o que faz com que aumente o número de pessoas que viajam por transporte rodoviário para o estádio. 1 Equipa A – Plantel Sénior de um plantel de futebol. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 54 Tabela 8. Detalhes dos eventos realizados no Estádio do Dragão entre Outubro e Dezembro, de 2012, por ordem cronológica do evento Jogo Data, dia da semana e hora do evento Adeptos que assistiram ao jogo FCP – PSG a) 03/out Quarta-feira 19:45h 36509 FCP – Sporting b) 07/out Domingo 20.45h 38909 Portugal - Irl. Norte c) 16/out Terça-feira 20.45h 45505 FCP - Din. Kiev a) 24/out Quarta-feira 19.45h 29317 FCP – Marítimo b) 02/nov Sexta-feira 20.15h 27609 FCP – Académica b) 11/nov Domingo 18.00h 31910 FCP - Din. Zagreb a) 21/nov Quarta-feira 19.45h 27603 FCP – Moreirense b) 08/dez Sábado 20.30h 24610 a) Jogos da Liga de campeões. b) Jogos da Liga Portuguesa c) Jogos da Seleção Nacional 2.5 Inventário dos GEE No caso em estudo é utilizada a metodologia do “Protocolo De Gases De Efeito De Estufa: Normas Corporativas De Transparência e Contabilização” [29]. Este documento auxilia na definição dos limites organizacionais do inventário para as emissões de GEE. Foram recolhidos os consumos de eletricidade, de gás, gasóleo e de consumos de energia/ combustíveis associados à atividade do estádio e ao transporte de adeptos da residência até ao estádio, em dias de jogo. Os consumos de eletricidade associados aos aparelhos de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC’s), elevadores, grupo de bombagem, iluminação do relvado, sala técnica, áreas comuns, ventilação, vídeo Wall, áreas administrativas, galerias, parque de estacionamento e outros, foram obtidos a partir das faturas de eletricidade diárias. As faturas diárias possibilitam identificar os dias de jogos, e registar os valores de consumos por evento. Os consumos de gás natural estão associados à climatização, aquecimento de águas sanitárias (AQS) e ao funcionamento das cozinhas Poente e Nascente. Os consumos de gás natural na climatização e aquecimento de águas sanitárias (AQS) foram obtidos a partir da fatura de gás detalhada, onde foi isolada a informação relativa aos dias dos oito eventos desportivos. Já os consumos de gás natural nas cozinhas foram contabilizados através dos respetivos contadores, o que apenas acontece mensalmente. Os valores por jogo foram obtidos dividindo a totalidade do consumo mensal pelo número de jogos realizados nesse mês. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 55 Os consumos de gasóleo associados ao gerador e ao empilhador foram obtidos a partir de fontes distintas. O consumo de gasóleo pelo gerador é contabilizado mensalmente. Foi necessário converter esse valor para consumos por jogo. Em relação ao empilhador, os gastos foram contabilizados através do registo mensal dos consumos de gasóleo, por mês. Tal como para o gerador, foi necessário converter o valor para consumos por evento. Considerou-se que os adeptos se deslocam ao estádio em carro próprio, por metro ou por autocarro turístico. Os consumos associados à deslocação de espetadores através de transportes rodoviários foram calculados apenas para os autocarros, uma vez que os fatores de emissão para os carros próprios se encontram em kg de GEE por quilómetro (apenas necessário multiplicar pela distância). No entanto, foram estabelecidas classes de cilindrada para os carros próprios e registadas as suas médias de consumo para cada classe de veículos. Para o efeito, foram considerados cinco modelos por classe de cilindrada (como por exemplo, Porshe 911 GT3, Mercedes-Benz Classe C, Citroen C2 e Renault Clio). No caso dos autocarros, calculou-se a média de consumos a partir das médias individuais de consumo de dois exemplares destes veículos (nomeadamente, dois veículos da marca Setra, modelo ComfortClass). Definiu-se as distâncias realizadas na deslocação dos adeptos, por veículo, ao estádio e determinou-se o volume gasto em gasóleo. Os consumos associados à deslocação de espetadores através do Metro foram determinados considerando a distância entre estações das imediações da zona de residência dos adeptos e a estação do Estádio do Dragão. Esta distância é posteriormente multiplicada pelos consumos do metro, disponibilizados no relatório de sustentabilidade da empresa Metro do Porto [30]. As distâncias consideradas no cálculo dos consumos do metro e dos transportes rodoviários utilizados pelos espetadores basearam-se num inquérito realizado aos espetadores do Estádio do Dragão no âmbito da “Avaliação da Satisfação” dos adeptos, levado a cabo pelo F.C. Porto [31]. Esse estudo compila as respostas das 2561 entrevistas dadas pelos adeptos, em vários jogos realizados em 2011, nomeadamente: Outubro: F.C. Porto – APOEL (Liga dos Campeões); F.C. Porto – Nacional (Liga Portuguesa) e F.C. Porto – Paços de Ferreira (Liga Portuguesa). Novembro: F.C. Porto – S.C. Braga (Liga Portuguesa). Dezembro: F.C. Porto – Zenit (Liga dos Campeões) e F.C. Porto – Marítimo (Liga Portuguesa). Os jogos considerados nesta amostra, não contemplam nenhum jogo da Seleção e o número de jogos para a Liga dos Campeões é inferior (em um jogo) aos englobados nesta dissertação. No PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 62 adeptos nesta situação percorreriam um troço compreendido entre o Estádio do Dragão e a Trindade - linha “P”. A escolha da estação da Trindade prende-se com o facto de além desta ser a estação geograficamente mais centralizada, é a única que serve de ponto de convergência entre todas as linhas (maior afluência). Tabela 14. Linhas de metro e respetivos trajetos considerados Linha Trajetos Comum Estádio do Dragão - Trindade G St. Ovídio – Hospital de S. João F Fânzeres – Senhora da Hora A Estádio do Dragão – Senhor de Matosinhos C Estádio do Dragão - ISMAI B Estádio do Dragão - Póvoa de Varzim (Passa por Vila do Conde) Assumiu-se que o trajeto realizado pelos adeptos é entre o Estádio do Dragão e os vários destinos (nomeadamente, Trindade, Senhor de Matosinhos, St. Ovídio, Fânzeres, ISMAI, Póvoa do Varzim e Vila do Conde), e vice-versa. Os consumos foram estimados com base no consumo médio de um veículo (metro) multiplicado pela distância percorrida. De acordo com o “Relatório de Sustentabilidade” da Metro do Porto de 2010 [30], o consumo de energia de tração de um veículo é de 4,564 kWh/km. As distâncias das linhas referidas foram retiradas do site da Metro do Porto [32], e da ferramenta Google Maps [33]. Os resultados estão apenas contemplados para a viagem num dos sentidos e são apresentados na Tabela 15. Tabela 15. Linhas consideradas, respetivas distâncias ao estádio do Dragão e consumos por viagem Linha Destino Distância ao Estádio do Dragão (km) Consumos de Eletricidade do Metro por viagem (kWh) P Porto (Trindade) 4,2 19,2 G V. N. Gaia (St. Ovídio) 14,2 64,7 F Gondomar (Fânzeres) 7,6 34,7 A Matosinhos (Sr. De Matosinhos) 15,7 71,4 C Maia (ISMAI) 20,8 94,9 B Vila do Conde (Vila do Conde) 29,9 136,6 B Póvoa de Varzim (Póvoa de Varzim) 33,6 153,4 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 63 2.5.4.2 Consumos associados ao transporte por carro próprio e autocarro turístico Em 2009, um estudo da Futebol Finance [34], revelou que o clube tinha atingido os 115 000 sócios, e ainda esse ano outra publicação estimou que o número de adeptos ascendia aos 1,3 milhões de pessoas [35]. Com este número de adeptos, é de esperar que isso se repercuta na procura dos cerca de 50 mil lugares disponíveis no estádio, nos dias de jogo. A deslocação destes espetadores pode também ocorrer por carro próprio ou por autocarros contratados. O estádio possui parqueamento interno (com 1067 lugares), dedicado a todos os espetadores que possuem camarote, aos jogadores da equipa A, aos veículos da comunicação social e ainda aos funcionários do clube. Existem também os parques da Metro (850 lugares) e do Dolce Vita (898 lugares) disponíveis aos adeptos para dias de jogo. Os adeptos podem ainda deslocar-se em grupo, alugando ou contratando um autocarro de serviço especial, que poderá ficar estacionado num dos 50 lugares do parque da STCP, nas imediações do recinto. O número de adeptos que assistem aos jogos foi estimado com base nos resultados dos inquéritos de “Avaliação de Satisfação”. Das 2561 pessoas que responderam ao inquérito, 2479 identificaram a zona de residência – em Portugal Continental, perfazendo um total de 88 localidades distintas. Estas foram agrupadas por distrito e quantificadas percentualmente. Depois de identificados os distritos onde os inquiridos residiam, era necessário estabelecer um ponto de referência que fosse representativo de cada zona habitacional registada. De maneira a uniformizar esta situação, foram adotadas as capitais dos distritos em foco, como ponto de origem. A distância foi estimada com base no Google Maps [33]. As informações referentes aos distritos em foco neste estudo, assim como as correspondentes distâncias das capitais dos mesmos ao Dragão, são apresentadas na Tabela 16. Sendo que no caso do Porto, uma vez que a capital de distrito é precisamente a cidade do Porto e a distância seria reduzida, considerouse Paredes (cidade geograficamente mais centralizada) para envolver uma distância média que abrangesse um maior número de cidades. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 64 Tabela 16. Distribuição das respostas ao inquérito de “Avaliação de Satisfação” dos adeptos do F.C. Porto, consoante o seu distrito de residência. Distância entre as capitais de distrito e o Estádio do Dragão Distritos Nº Inquiridos % Distância da capital de Distrito ao estádio do Dragão (km) Porto 1939 78,22 31 Aveiro 232 9,36 72 Braga 188 7,58 54 Viseu 31 1,25 126 Viana do Castelo 22 0,89 78 Lisboa 15 0,61 313 Vila Real 13 0,52 95 Coimbra 10 0,40 123 Bragança 5 0,20 210 Guarda 5 0,20 198 Leiria 5 0,20 184 Portalegre 4 0,16 298 Faro 3 0,12 548 Setúbal 3 0,12 347 Évora 2 0,08 365 Santarém 2 0,08 245 Total 2479 100 3287 Tendo em conta a dimensão da realidade com que estamos a lidar, é impossível obter uma informação concreta e individual de cada veículo utilizado no transporte para o jogo, assim como o trajeto que realizou. Nesse sentido, assumiu-se a distância entre as capitais de distrito e o Dragão, estabeleceram-se quais os tipos de veículo a considerar e registaram-se os seus consumos. Para definir quais os transportes abrangidos pelo parâmetro “transporte de adeptos por veículos rodoviários” é necessário primeiro limitar a gama de veículos que se vai considerar. Recorrendo ao Código de Estrada art.106, estabeleceu-se que seriam englobados os veículos ligeiros de passageiros, com pelo menos quatro rodas, enquadrados nas classes M1e M3. A categoria M1 personifica os automóveis privados de cada adepto, mais especificamente, veículos destinados ao transporte de passageiros com oito lugares sentados no máximo (além do lugar do condutor). A categoria M3refere-se ao transporte de passageiros através de autocarros turísticos (“Coach”), concretamente a veículos com mais de oito lugares sentados (além do condutor) e uma carga máxima admissível superior a 5 toneladas. Enquadrados a nível de classe é necessário enquadra-los a nível de tipologia do motor, uma vez que os seus consumos estão relacionados com as suas caraterísticas. Como é impossível recolher individualmente estes dados, no caso dos carros próprios, optou-se por definir uma gama de cilindrada e determinar os consumos médios de cada classe. Para as viaturas próprias foram atribuídas quatro classes de cilindrada: abaixo dos 1300 cm3(baixa cilindrada), entre os 1301 e 2600 cm3(média cilindrada), entre os 2601 e os 3500 cm3(alta PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 65 cilindrada) e acima dos 3501 cm3(muito alta cilindrada). Estas classes foram estipuladas de maneira a poder corresponder a gamas de veículos com caraterísticas específicas e representativas, tentando abranger uma maior realidade. Associaram-se depois 20 veículos distintos consoante os cm3do motor (5 para cada classe). O critério de escolha dos cinco veículos de cada classe foi, tentar identificar caraterísticas diferentes entre os veículos da mesma classe, sem deixar de definir a mesma. Esses veículos foram escolhidos a partir do “Guia de Economia de Combustível” [23], presente na página do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT), que possui uma lista com informações detalhadas acerca da cilindrada, consumo de combustível e emissões de CO2, para veículos de várias marcas e modelos. A Tabela 17 eTabela 18 descrevem a Marca/Modelo/Versão dos automóveis selecionados, os consumos (combinados – urbano e extra urbano), e a média de consumos para cada classe de cilindrada. A distinção para veículos movidos a gasolina e para veículos movidos a gasóleo é feita de maneira separada. Na Tabela 18, para a classe de “Muito alta cilindrada” só foram encontrados três veículos que correspondessem às caraterísticas, por consequência, foram os utilizados para calcular a média de consumos para esta classe. Tabela 17. Consumos de automóveis a gasolina, organizados por cilindrada e média de consumos, por cada classe Marca/Modelo/Versão Cilindrada (cm3) Consumo (l / 100 km) Muito alta Cilindrada (>3501) Maserati Spyder F1 4244 18,6 14,8 Mercedes-Benz SLK 55AMG 5439 12 Porshe 911 GT3 (997) 3600 12,8 BMW M6 - M560 Coupé 4999 14,8 Lamborghini Murciélago 6.2 V12 6193 21,5 Alta Cilindrada (3500 > 2601) Jaguar S-Type 3,0 V6 2967 10,3 9,8 BMW Série 5 - E61 Touring 530i 2996 9,2 Audi A6 Allroad Quattro 3,2 FSI 3123 11 Mercedes-Benz Classe C Station 3498 9,8 Lexus GS300 GRS 190L 2995 9,8 Média Cilindrada (2600 > 1301) Honda Civic 1.4 LSX 1396 6,45 7,1 Alfa Romeo 156 2.4JTD 20V RST 2387 6,6 Chrysler Sebring 2.0 LX 1996 8,4 Citroen C4 1.6L 1587 7,1 Ford Focus ST VCT Turbo 325cv 2521 9,3 Baixa Cilindrada (< 1300 ) Peugeot 107 1.0 998 4,6 5,2 Renault Clio 1.2 1149 4,9 Fiat Punto 80 Emotion 1242 6 Kia Picanto 1.1 1086 6,1 Chevrolet Matiz 0,8 796 5,2 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 66 Tabela 18. Consumos de automóveis a gasóleo, organizados por cilindrada e média de consumos, por cada classe Marca/Modelo/Versão Cilindrada (cm3) Consumo (l / 100 km) Muito alta Cilindrada (>3501) BMW Série 7 E65 745d A 4423 9,5 9,5 Mercedes-Benz Classe E420 Cdi 3997 9,3 Volkswagen Phaeton 5.0 V10 Tdi 4921 11,4 Alta Cilindrada (3500 > 2601) Jaguar XJ272 VCD 2720 8,1 7,1 BMW Série 3 E90 Berlina 325d 2993 5,4 Mercedes-Benz Classe C 270 Cdi 2685 6,8 Audi A6 Avant 2.7 Tdi (FPD) 2698 7,1 Peugeot 407 2.7 HDI V6 AM6 2720 8,4 Média Cilindrada (2600 > 1301) Citroen C2 1.4 HDI 1398 4,3 5,8 Alfa-Romeo 156 SW 2.4 JTD 2387 6,8 Chrysler PT Cruiser 2.2 CRD Touring 2148 6,9 Fiat Grand Punto 1.9 Multijet Sport 130cv 1910 5,8 Hyundai Getz 1.5 Diesel 1493 4,4 Baixa Cilindrada (< 1300 ) Fiat Punto 70 JTD 1248 4,4 4,4 Opel Corsa 1.3 CTDI 1248 4,3 Opel Astra Caravan Cosmo 1.3 CTI 1248 4,8 Suzuki Ignis 1.3 DDIS 16V 6L 1248 5 Kia Picanto 1.1 CRDI 1120 4,2 Para os autocarros turísticos, determinou-se o volume de combustível (gasóleo) gasto através dos consumos médios dos veículos deste género. Um dos obstáculos encontrados é que apesar de as marcas disponibilizarem folhas técnicas referentes aos vários autocarros turísticos, elas não divulgam os consumos, nem existe uma base de dados com essas informações compiladas. A solução encontrada foi escolher dois exemplos de veículos com médias de consumo registadas [36] e consultar a suas caraterísticas através das correspondentes fichas técnicas. As informações recolhidas dizem respeito a dois autocarros da marca Setra (modelos ComfortClass 515 HD e ComfortClass 415 HD) de 51 lugares (Tabela 19). Tabela 19. Caraterísticas e consumos dos autocarros turísticos a gasóleo, e respetiva média de consumos Marca/Modelo/Versão Cilindrada (cm3) Consumo (l / 100 km) Setra ComfortClass 515 HD 10677 21 22 Setra ComfortClass 415 HD 11967 23 Os consumos por litro de combustível necessário para a viagem entre as capitais de distrito e o Dragão, em cada jogo, são apresentados na Tabela 20. As distâncias consideradas foram obtidas através da multiplicação das percentagens atribuídas a cada distrito (Tabela 16) pelo número de veículos registados no parque da STCP, para cada dia de jogo. Esta multiplicação permite identificar o número de veículos oriundo de cada capital de distrito, e respetiva distância PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 67 percorrida. Recorrendo aos consumos médios de um autocarro turístico (Tabela 19) foi então possível determinar o gasóleo gasto nas viagens realizadas por este meio, para cada um dos jogos. Tabela 20. Consumos de gasóleo de autocarros turísticos, para a deslocação entre as capitais de distrito e o Estádio do Dragão Jogos Nº veículos Distância (km) Consumos gasóleo por jogo (l) FCP - PSG 39 1695 373 FCP - Sporting 30 1304 287 Portugal - Irl. Norte 19 821 181 FCP - Din. Kiev 41 1776 391 FCP - Marítimo 33 1436 316 FCP - Académica 27 1185 261 FCP - Din. Zagreb 40 1721 379 FCP - Moreirense 24 1049 231 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 68 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 69 3 AvaliaçaodaPegadadeCarbono O cálculo da Pegada de Carbono associado a eventos desportivos que ocorrem durante outubro a dezembro de 2012 no Estádio do Dragão, segue a metodologia baseada no Protocolo de Gases do Efeito de Estufa [11] e recorre a algumas diretivas presentes no IPCC [37] para determinados cálculos não explícitos no Protocolo. As emissões de GEE (gases efeito de estufa) consideradas no estudo estão contempladas no Protocolo de Quioto, e são, o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Os restantes gases presentes neste mesmo protocolo não são considerados, uma vez que não são contemplados nos guias do GHG Protocol [11] e do IPCC [37]. Foram quantificadas as emissões de GEE provenientes de 8 eventos desportivos, realizados de outubro a dezembro de 2012. Um deles envolvendo a Seleção Nacional e os restantes envolvendo a equipa A do F.C. Porto. O cálculo da pegada considera os consumos de gás, eletricidade e combustíveis fósseis (gasolina e gasóleo) durante evento desportivo, como também o transporte dos seus adeptos por metro e carro próprio. Foram identificados os fatores de emissão para o âmbito 1 (emissões diretas), 2 (emissões indiretas) e 3 (outras emissões indiretas, não contempladas no âmbito 2), com base no guia do IPCC [37], nas informações providenciadas pela companhia de eletricidade [22]e no “Guia De Economia De Combustível” [23]. As emissões são geralmente calculadas através da multiplicação dos consumos registados durante a atividade, por um fator de emissão, que converte cada emissão de poluente numa unidade comum expressa em kg de GEE. São calculadas as emissões diretas de GEE (associadas aos consumos do empilhador, do gerador e de gás) e as indiretas (associadas ao consumo de eletricidade e ao transporte dos adeptos via metro, carro próprio e autocarro turístico - desde a zona residencial até ao estádio do dragão, e vice-versa). Finalmente as pegadas são calculadas para cada um dos eventos desportivos, sendo identificados os valores para cada um dos âmbitos (âmbito 1, 2 e 3). PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 70 3.1 Metodologia usada A metodologia utilizada neste estudo é baseada no Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol), uma ferramenta criada para monitorizar e administrar as emissões de gases com efeito de estufa. O GHG Protocol nasce de uma colaboração entre o World Resources Institute (WRI) e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). Esta ferramenta de contabilização é muito usada pelas organizações e líderes empresariais, na inventariação e controlo das emissões de GEE de modo a construir uma estratégia eficaz para controlar e reduzir as emissões de GEE, auxiliando no combate às alterações climáticas [11]. O GHG Protocol possui ferramentas de cálculo e guias, baseados em normas desenvolvidas pelo próprio GHG Protocol. As emissões consideradas são de seis gases contemplados no Protocolo de Quioto: o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), os hidrofluorcarbonetos (HFC’s), os perfluorcarbonetos (PFC’s) e o hexafluoreto de enxofre (SF6) [11]. O cálculo destas emissões padece da elaboração de um inventário organizado, que pode ser feito através do uso de abordagens padronizadas e princípios presentes no GHG Protocol’s Corporate Standard. No que diz respeito aos fatores de emissão, o GHG Protocol, utiliza os valores específicos para o Reino Unido e os Estados Unidos, possibilitando ainda a utilização de outros fatores de emissão relativos a outros países. Em termos de resultado do cálculo da Pegada de Carbono as ferramentas quantificam as emissões dos vários GEE e converterem-nos para CO2e, com base no seu potencial de aquecimento global. O conceito de Potencial de Aquecimento Global (PAG) é a medida de conversão que permite avaliar a capacidade de cada gás, enquanto GEE, comparando a uma unidade CO2. Na Tabela 21 estão registados os PAG para um horizonte de permanência na atmosfera de 100 anos para os gases considerados neste estudo [38]. Tabela 21. Valores de PAG para um horizonte de 100 anos [38] Nome da substância Fórmula Química Potencial de aquecimento global (kg CO2e/kg GEE) Dióxido de Carbono CO2 1 Metano CH4 25 Óxido Nitroso N2O 298 Assumindo que todos os consumos englobados neste estudo são provenientes da combustão de combustíveis fósseis e que a queima de combustíveis produz emissões de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) - embora em percentagens distintas, os gases considerados para a quantificação serão o CO2, CH4, N2O. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 71 No caso das emissões estacionárias, um maior esforço é necessário para estimar com precisão as emissões de CH4e N2O, do que o evidenciado para as emissões de dióxido de carbono. Esta limitação prende-se com o facto de estas emissões (CH4e N2O) dependerem de uma série de variáveis, como o tipo de tecnologia do motor, condições no interior da câmara de combustão, práticas de manutenção e operação, tamanho, eficiência e a época da tecnologia de combustão, entre outros [39]. A dificuldade em determinar a eficiência de combustão do gerador, dos aparelhos de climatização e águas quentes sanitárias levou a que apenas fossem considerados as emissões de CO2. No caso dos consumos de eletricidade, o GHG Protocol, apenas contempla as emissões de CO2na metodologia de cálculo. O facto de, nestes casos, não se calcular o CH4e N2O, pode levar a uma subvalorização do valor calculado. Pois apesar de estas duas emissões corresponderem a apenas 1% das emissões provenientes da combustão de combustíveis fósseis, quando multiplicados pelo respetivo potencial de aquecimento global, o valor ganha uma ordem de grandeza considerável. Considerando os consumos associados ao funcionamento do estádio e ao transporte dos adeptos (via metro e transporte privado) nos dias de jogo, foram definidas as fronteiras operacionais. Seguindo o especificado no GHG Protocol, os consumos foram divididos em três âmbitos. Constituindo estes um modo de organizar as fontes de emissão, ajudando a melhorar a transparência da análise do inventário. Cada emissão é alocada a um âmbito distinto, de maneira a evitar contagens duplas. No âmbito 1 são reportadas as emissões diretas de GEE do estádio, no âmbito 2 são reportadas as emissões indiretas provenientes do consumo de eletricidade do seu funcionamento e, finalmente, no âmbito 3 são imputados outras emissões indiretas diferentes das abrangidas no Âmbito 2 [11], como por exemplo, o transporte dos espetadores ao estádio via metro. Foram consideradas apenas as atividades para as quais era possível determinar os seus consumos. Em seguida são descritos de forma mais pormenorizada os âmbitos e a sua abrangência para o caso especifico em estudo. Âmbito 1 (emissões diretas): Resulta dos consumos de gasóleo no gerador e no empilhador, e consumos de gás natural usado para climatização, águas quentes sanitárias e nas cozinhas. Âmbito 2 (emissões indiretas): Resulta dos consumos de eletricidade. Âmbito 3 (outras emissões indiretas): Resulta do consumo proveniente do transporte de adeptos para o estádio em dias de jogos (via metro, por carro próprio ou por autocarro coletivo) Para o cálculo das emissões de cada âmbito foram usadas as fórmulas presentes nos guias de cálculo disponibilizados pelo GHG Protocol. De referir, que no caso das emissões associadas ao transporte ou fontes móveis não existem diretivas de cálculo disponíveis. Neste caso foi usada a PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 78 Tabela 27. Emissões de CO2associados ao consumo de eletricidade em cada jogo realizado no Estádio do Dragão, no período compreendido entre Outubro e Dezembro (2012) FCP - PSG FCP - SCP Port. – Irl. Norte FCP - D. Kiev FCP - Marit. FCP - Academ. FCP – D. Zagreb FCP - Morei. AVAC'S 513 426 342 321 328 270 405 299 Elevadores 16 10 13 15 13 10 14 8 Grupo de Bombagem 34 32 37 23 25 29 23 23 Ilumin. relvado 115 122 133 117 107 107 119 125 Sala Técnica 181 160 185 184 187 156 218 200 Áreas Comuns 81 118 143 125 123 111 129 109 Ventilação 18 73 17 19 19 76 20 77 Video Wall 103 34 129 108 30 191 180 183 Áreas Administrativas 60 33 63 60 57 23 61 28 Galerias 308 278 333 308 276 248 320 284 P. de Estacionamento 137 106 147 148 128 106 143 107 Outros 2772 2748 2531 2252 2232 2438 2590 2426 Total (kg CO2) 4339 4141 4074 3679 3525 3764 4222 3869 3.1.3 Cálculo das emissões indiretas de GEE (Âmbito 3) O âmbito 3 diz respeito às emissões relativas ao transporte dos adeptos, sendo consideradas três vias, deslocações por metro, por carro próprio e autocarro turístico. Neste caso, temos dois tipos de combustão móvel, um a combustíveis fósseis (gasolina e gasóleo) e o outro a eletricidade. Uma vez que é impossível determinar um valor exato de espetadores que se deslocam ao estádio de metro e o número de veículos presentes em dia de jogo, estes números serão baseados nas validações dos títulos de viagem e na ocupação dos vários parques de estacionamento disponíveis (no interior e no exterior do recinto), respetivamente. 3.1.3.1 Emissões associadas ao transporte por metro ATabela 28 regista os consumos do metro por destino e as respetivas emissões de CO2, correspondentes a uma viagem. O fator de emissão utilizado corresponde ao mix energético de 2012, foi recolhido através da página da Internet da companhia de eletricidade e diz respeito à eletricidade que alimenta os veículos (metro) [22]. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 79 Tabela 28. Emissão de CO2provenientes do transporte dos espetadores via metro (viagem de um sentido) Linha Destino Distância ao Estádio do Dragão (km) Consumos de Eletricidade do Metro por viagem (kWh) Emissões de CO2a) (kg CO2) B Póvoa de Varzim (Póvoa de Varzim) 34 153 42 B Vila do Conde (Vila do Conde) 30 137 37 C Maia (ISMAI) 21 95 26 A Matosinhos (Matosinhos Sul) 16 71 20 G V. N. Gaia (St. Ovídio) 14 65 18 F Gondomar (Fânzeres) 8 35 10 Comum Porto (Trindade) 4 19 5 Total 126 575 158 a) O Fator de emissão para o consumo de eletricidade utilizado no cálculo é de 0,274 kg CO2/kWh [22] Os dados acima calculados traduzem as emissões de uma única viagem. Com base no inquérito efetuado aos espetadores foram estimados o número de adeptos que utilizam o metro em dias de jogo. O cálculo do valor total de emissões associado ao transporte por metro foi estimado tendo por base o número de viagens necessárias para transportar a totalidade de adeptos ao seu destino, tendo em conta a capacidade de cada veículo. Atendendo às respostas registadas no inquérito de “Avaliação de Satisfação” dos adeptos, construiu-se a Tabela B 1 (Anexo B), onde se pode observar a linha correspondente ao destino, o respetivo número de respostas e a sua distribuição percentual, relativamente ao número total de adeptos que residem nas áreas descritas (1556 espetadores). Ao número de utilizadores do metro, até duas horas depois de cada evento terminar (que corresponde ao número de títulos validados), foram aplicadas estas percentagens sendo estimados o número de adeptos por destino (Tabela B 2, em Anexo B). A configuração de um veículo simples tem uma capacidade de 216 passageiros, mas os veículos podem ser acoplados em conjuntos de dois, aumentando a capacidade para 432 passageiros. Em dias de jogo, apesar de os veículos viajarem sempre com composições duplas, é frequente constatar-se que o metro abriga passageiros em excesso, mas para este estudo iremos assumir que as deslocações se fazem respeitando as normas de segurança. Determinou-se o número de viagens necessárias dividindo-se o número de validações alocadas a cada destino pela capacidade máxima dos veículos (Tabela B 3, em Anexo B). As emissões de CO2associadas às viagens (ida e volta) de todos os adeptos que escolhem o metro como meio para se deslocar ao estádio (Tabela 29) são dadas pela multiplicação das PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 80 emissões de CO2correspondentes a uma viagem (Tabela 28) pelo número de viagens necessárias evidenciadas na Tabela B 3. Tabela 29. Emissão de CO2provenientes do transporte de espetadores via metro, para cada jogo, para ida e volta Linha Destino FCP - PSG FCP - SCP Port. - Irl.Norte FCP - D.Kiev FCP - Marit. FCP - Academ. FCP - D.Zagreb FCP - Morei. P Trindade 43 40 103 31 28 31 31 23 G St. Ovídio 105 99 254 77 70 76 75 58 F Fânzeres 33 31 79 24 22 23 23 18 A Sr. De Matosinhos 63 59 151 46 42 45 45 34 C ISMAI 63 59 152 46 42 45 45 35 B Vila do Conde 25 23 60 18 17 18 18 14 B Póvoa de Varzim 12 11 28 9 8 8 8 6 Total (kg CO2) 342 322 826 252 229 246 246 187 3.1.3.2 Emissões associadas ao transporte por carro próprio No cálculo das emissões geradas pelo transporte de espetadores por carro próprio, face à inexistência de guias do GHG Protocol para combustões móveis, foram utilizadas as fórmulas presentes nas diretivas do IPCC para a energia, para esse tipo de combustão [40]. Em suma será utilizada a Equação 3, mas em vez de ser utilizado o consumo de combustível (em litros), multiplica-se a distância total pelo fator de emissão de GEE – em kg GEE/km, correspondentes aos automóveis definidos como carro próprio. A distribuição do número de carros que utilizam gasóleo ou gasolina será definida através dos consumos de combustível verificado no 1º trimestre de 2012 a nível nacional, publicados pela Autoridade da Concorrência [45]. Os valores totais registaram um consumo de 1.603 mil milhões de litros, entre os quais 368 mil milhões são gasolina (23%) e 1.235 mil milhões são gasóleo (77%). Estas percentagens são reflexo dos consumos nacionais, mas como os veículos pesados consomem grande parte deste valor, os valores base considerados serão 65% (veículos a gasóleo) e 35% (veículos a gasolina). Desta maneira, salvaguarda-se uma pequena margem de segurança para contemplar esta situação, diminuindo à percentagem de gasóleo e aumentando à de gasolina. Os fatores de emissão de CO2, para os valores típicos de consumo, de cada veículo considerado no inventário dos carros próprios, podem ser consultados no “Guia De Economia De Combustível” [23]. Para determinar os fatores por classe de cilindrada e por tipo de combustível usado, registaram-se os fatores de emissão para a lista de veículos em foco e adotaram-se os PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 81 valores mais elevados presentes em cada classe, para os carros movidos a gasolina e a gasóleo (Tabela C 1 eTabela C 2, em Anexo C). Esta opção acompanhará a linha de raciocínio seguida para os consumos, tentando encontrar um valor que represente um maior número de diferentes caraterísticas dos veículos passivos de transportar adeptos, já que ao considerar o fator mais elevado, englobam-se todos os fatores com valor inferior. Os fatores de emissão de N2O e CH4para veículos ligeiros a gasolina e gasóleo foram consultados no guia do IPCC para energia, no capítulo de transportes rodoviários (combustão móvel) [40]. Os valores registados ( Tabela D 1, Anexo D) dizem respeito aos fatores de emissão para veículos ligeiros, mais concretamente aos valores mais elevados presentes na coluna respeitante à condução urbana, para os dois tipos de arranque (frio e quente) e para os dois tipos de combustível (gasolina e gasóleo). No caso do N2O foi escolhido a tecnologia do motor Euro 1 para veículos movidos a gasolina e do tipo Euro 3 e 4, para os que são movidos a gasóleo. Já para o CH4, a tecnologia do motor considerado, para ambos os combustíveis, foi o pre-Euro. Os valores utilizados nos quatro tipos de cilindradas respeitam a distribuição de combustível referida acima, ou seja, os valores assumidos são constituídos por 35% dos dados referentes aos fatores de emissão da gasolina e 65% dos fatores de emissão do gasóleo. As emissões de GEE geradas por cada carro próprio foram determinadas multiplicando os respetivos fatores de emissão de GEE pela distância percorrida, entre cada capital de distrito considerada e o Dragão. Os dados cedidos pela Porto Estádio em relação ao Parque Interno, identificam qual o número de veículos pertencentes à Equipa do F.C. Porto, à Comunicação Social, aos funcionários do clube e aos adeptos com camarote. Para estas quatro partições foi associada uma classe de cilindrada, estando patente na Tabela E 1 (Anexo E) os valores para cada jogo. Os jogadores, proprietários de luxuosos carros desportivos, foram agregados a uma gama de carros com cilindrada muito alta. Os adeptos com camarote, pessoas com um elevado poder de compra, foram associados a carros de alta cilindrada. Os funcionários, que possuirão na grande maioria veículos familiares, foram alocados a veículos de cilindrada média. Por último, os veículos pertencentes à Comunicação Social, por norma veículos de empresa, foram considerados de cilindrada baixa. Ao número de tipo de veículos (diferente cilindrada) presentes no Parque Interno (Tabela E 1 - Anexo E), foi aplicada a percentagem de distribuição de distritos considerada (Tabela 16), obtendo-se o número de carros pertencentes a uma determinada gama de cilindrada, PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 82 provenientes de cada capital de distrito. Estes valores foram multiplicados pelos fatores de emissão da correspondente cilindrada, obtendo-se os valores de emissão por cada destino e classe de cilindrada. Para se obter as emissões dos veículos presentes no Parque Interno em cada jogo, agruparam-se os resultados por cilindrada e somaram-se as emissões para cada GEE (Tabela E 2, Anexo E). Por indicação da Porto Estádio, o número de veículos presentes nos parques exteriores (Metro e Dolce Vita), foram determinados assumindo a mesma percentagem de ocupação do parque interno do estádio para cada dia de jogo (Tabela F 1, Anexo F). A metodologia de cálculo das emissões de GEE utilizada nestes dois casos foi semelhante à utilizada para o Parque Interno, ou seja, foram multiplicados os fatores de emissão pelas distâncias percorridas por cada veículo proveniente das capitais de distrito consideradas. Como neste caso não existiam dados que permitissem estimar a distribuição de cilindrada dos carros presentes nestes dois parques, optou-se por simular três cenários, que estipulam a percentagem de cada classe nos parques da Metro e do Dolce Vita (Tabela G 1, em Anexo G). Todos os cenários basearam-se nas seguintes premissas: o parque da Metro é pago, como tal a sua afluência é maioritariamente representada por pessoas com um maior poder de compra (proprietários de carros de média/alta cilindrada); o parque do Dolce Vita é um parque de livre acesso e com menos segurança, logo evitado pelos proprietários de veículos mais dispendiosos (proprietários de carros de média/alta cilindrada), que optam por soluções que inspiram mais confiança; analisando os veículos que circulam nas estradas, os veículos de cilindrada média estão presentes em maior número; os proprietários de veículos de gama muito alta raramente são estacionados em parques deste género, mas será considerado um número residual para o parque da Metro (mais seguro). Em relação aos cenários, o cenário 1 (Tabela G 2 eTabela G 3, Anexo G) procura evidenciar a presença de um maior número de veículos de cilindrada média/alta nos dois parques, sendo que essa tendência se demonstrará de forma mais evidente no da Metro (pago). O cenário 2 (Tabela G 4 eTabela G 5, Anexo G) prevê a forte presença de veículos de cilindrada média/baixa, nos dois parques, fazendo-se notar mais no do Dolce Vita. O cenário 3 (Tabela G 6 eTabela G 7, Anexo G) simula uma maior predominância de veículos de cilindrada média/alta para o parque da Metro e uma situação de maior predominância de veículos de cilindrada média/baixa no parque do Dolce Vita. Na Tabela 30 são apresentadas as emissões provenientes da totalidade de viaturas próprias utilizadas pelos espetadores, derivadas do somatório das emissões de GEE emitidos por cada PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 83 veículo presente nos parques de estacionamento da Metro, do Dolce Vita e do parque interno do Dragão. As distâncias consideradas foram adotadas a partir da distribuição percentual dos distritos presentes na Tabela 16, e os resultados apresentados consoante o número de veículos de determinada cilindrada, verificados para cada dia de jogo e para cada cenário ( Tabela G 2 à Tabela G 7, Anexo G). Tabela 30. Emissões de GEE provenientes do transporte de adeptos por carro próprio, por cada jogo, estacionados no parque da Metro, do Dolce Vita e do parque interno do Dragão. Parque Metro Parque Dolce Vita Parque Interno kg CO2 kg N2O kg CH4 kg CO2 kg N2O kg CH4 kg CO2 kg N2O kg CH4 Cenário 1 FCP - PSG 3254 199 64 4196 210 68 7224 250 80 FCP - Sporting 3777 151 49 3668 159 51 5524 189 61 Port. - Irl. Norte 2404 96 31 2335 101 33 3496 120 39 FCP - Din. Kiev 5205 207 67 5052 219 71 7574 260 84 FCP – Marít. 4211 168 54 4085 177 57 6170 210 68 FCP – Académ. 3474 139 45 3372 146 47 5122 174 56 FCP - Din. Zagreb 5038 201 65 4896 212 68 7385 71 81 FCP – Morei. 3393 122 39 3851 129 42 3942 154 50 Cenário 2 FCP - PSG 3547 199 64 4806 210 68 FCP - Sporting 3512 151 49 3364 159 51 Port. - Irl. Norte 2236 96 31 2142 101 33 FCP - Din. Kiev 4838 207 67 4634 219 71 FCP – Marít. 3911 168 54 3747 177 57 FCP – Académ. 3229 138 45 3093 146 47 FCP - Din. Zagreb 4688 201 65 4490 212 68 FCP – Morei. 3577 122 39 4233 129 42 Cenário 3 FCP - PSG 3612 199 64 4445 210 68 FCP - Sporting 3686 151 49 3473 159 51 Port. - Irl. Norte 2347 96 31 2211 101 33 FCP - Din. Kiev 5078 207 67 4785 219 71 FCP – Marít. 4105 168 54 3868 177 57 FCP – Académ. 3389 138 45 3193 146 47 FCP - Din. Zagreb 4921 201 65 4637 212 68 FCP – Morei. 3171 122 39 4161 129 42 3.1.3.3 Emissões associadas ao transporte por autocarro turístico Tal como o cálculo dos carros próprios, as emissões geradas pelo transporte de espetadores por autocarro turístico foram determinadas com base nas fórmulas presentes nas diretivas do IPCC para a energia, para as combustões móveis [40]. Através da Equação 3, utilizaram-se os valores de consumos dos autocarros, distância percorrida e os fatores de emissão para cada GEE, para determinar as emissões emitidas. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 84 Os fatores de emissão de utilizados para este método de transporte estão representados nas tabelas dos guias do IPCC para a energia, no capítulo referente aos transportes rodoviários [40]. O fator de emissão do CO2, uma vez que não se conhecem os valores específicos, foi determinado utilizando o fator standard para veículos rodoviários movidos a gasóleo - 2,65 kg CO2/l 2 . Os fatores de emissão do N20 e CH4foram recolhidos através dos valores estipulados especificamente para os autocarros turísticos movidos a gasóleo [40] ( Tabela D 1, Anexo D). Para determinar as distâncias realizadas foram aplicadas as distribuições percentuais registadas para cada distrito, presentes no Inquérito de Satisfação (Tabela 16), ao número de autocarros presentes em cada jogo. Por sua vez, o número de autocarros turísticos presentes no estádio, em dias de jogo, foi dado pelo número deste tipo de veículos presentes no parque da STCP (exclusivo de autocarros). A lotação do parque STCP foi estipulada assumindo a mesma taxa de ocupação que o verificado para o parque interno do estádio, para os diferentes jogos. (Tabela F 1, Anexo F). As emissões de GEE geradas pela deslocação de adeptos via autocarro turístico estão descritas na Tabela 31. No caso do CO2utilizou-se o volume de gasóleo consumido nas deslocações para cada jogo (Tabela 20), e multiplicou-se pelo respetivo fator de emissão (representado em kg de CO2/l). Para as emissões de N2O e CH4foram multiplicados os respetivos fatores de emissão (em kg de GEE/km), pela distância registada nas deslocações entre as várias capitais de distrito e o Dragão. Tabela 31. Emissões de GEE associadas a cada autocarro turístico Consumos gasóleo por jogo (l) Distância (km) kg CO2 kg N2O kg CH4 FCP - PSG 373 1695 988 5,08E-02 2,97E-01 FCP - Sporting 287 1304 760 3,91E-02 2,28E-01 Portugal - Irl. Norte 181 821 478 2,46E-02 2,28E-01 FCP - Din. Kiev 391 1776 1035 5,33E-02 3,11E-01 FCP - Marítimo 316 1436 837 4,31E-02 2,51E-01 FCP - Académica 261 1185 691 3,56E-02 2,07E-01 FCP - Din. Zagreb 379 1721 1003 5,16E-02 3,01E-01 FCP - Moreirense 231 1049 611 3,15E-02 1,84E-01 2 O fator, presente na tabela do IPCC [40], referente aos veículos a gasóleo tem um valor de 0,0741 kg CO2/ MJ. Para facilitar o cálculo das emissões de CO2converteu-se o valor para kg CO2/l, multiplicando-o pelo potencial calorífico do gasóleo - 35,8 MJ/l [43]. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 85 3.2 Cálculo da Pegada de Carbono Os resultados da pegada de carbono serão apresentados para cada um dos âmbitos (1, 2 e 3) e para cada um dos eventos desportivos em foco. Em cada um dos âmbitos foram calculadas as emissões baseadas nos respetivos consumos e fatores de emissão associados. ATabela 32 faz um levantamento dos fatores envolvidos, discriminando onde foram aplicados e a fonte de onde foram retirados. Como se pode ver para os consumos de gás foram aplicados fatores de emissão de GEE provenientes dos guias do IPCC [42] e no caso da eletricidade em informações providenciadas pela companhia de eletricidade [22]. Os fatores de emissão utilizados no cálculo das emissões do gerador, do empilhador e dos autocarros turísticos foram consultados no IPCC [37]. No caso do transporte de espetadores via carro próprio os fatores foram recolhidos de diferentes locais consoante o GEE, para o CO2foi verificado o “Guia Económico dos Combustíveis” [23] e para os outros dois (N2O e CH4), os guias do IPCC [40]. A informação detalhada com as emissões de cada GEE calculado, em cada uma das áreas presentes nos âmbitos 1,2 e 3, é fornecida pela Tabela H 1, Tabela H 2 eTabela H 3 (Anexo H). Tabela 32. Fatores de emissão para os três âmbitos Fatores de Emissão CO2 N2O CH4 Âmbito 1 Gerador 74 a) kg CO2/GJ --- --- Empilhador 74,1 a) kg CO2/GJ 4,15E-03 a) kg N2O/GJ 2,86E-02 a) kg CH4/GJ Gás 56,3 a) kg CO2/GJ --- --- Âmbito 2 Eletricidade 0,274 b) kg CO2/kWh --- --- Âmbito 3 Autocarro 2,65 a) kg CO2/L 3,00E-05 a) kg N2O/km 1,75E-04 a) kg CH4/km Carro Próprio Gasolina Muito Alta cilindrada 0,500 b) kg CO2/km 1,00E-05 a) kg N2O/km 4,30E-05 a) kg CH4/km Alta cilindrada 0,262 b) Média cilindrada 0,224 b) Baixa cilindrada 0,145 b) Gasóleo Muito Alta cilindrada 0,308 b) kg CO2/km 1,92E-05 a) kg N2O/km 6,50E-06 a) kg CH4/km Alta cilindrada 0,223 b) Média cilindrada 0,185 b) Baixa cilindrada 0,133 b) a) Retirado do guia do IPCC, módulo 1 [42]; b) Informações providenciadas pela companhia de eletricidade [22]; c) Retirado do guia do IPCC para a Energia [37]; PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 86 d) Retirado do Guia de Economia de Combustíveis [23]. 3.2.1 Resultados da PC para os âmbitos 1, 2 e 3 Os três âmbitos analisados referem-se especificamente às emissões diretas (âmbito 1), às indiretas provenientes do consumo de eletricidade (âmbito 2) e as indiretas (âmbito 3) que não são consideradas no âmbito 2. Esta especificação também possibilita uma análise mais detalhada dos resultados. A Tabela 33 especifica a contribuição, de cada âmbito, em percentagem para o valor da Pegada de Carbono total, com o intuito de identificar qual a área com a maior contribuição para o valor total. No âmbito 1 os valores variam entre 0,9 e 4,1 t CO2e, com o jogo contra o D. Zagreb a registar o valor mais alto e a partida contra o Sporting o mais baixo. No âmbito 2 os valores já variam entre 3,5 e 4,3 t CO2e, verificando-se o valor mais elevado no jogo contra o Paris Saint Germain (PSG) e o mais baixo contra o Marítimo. O âmbito 3 varia entre os valores verificados para o jogo do Dínamo de Kiev (23 t CO2e, 22,1 t CO2e e 22,6 t CO2e, respetivamente para cada cenário) e o da Seleção (11,4 t CO2e, 10,9 t CO2e e 11,2 t CO2e, respetivamente para cada cenário). Relativamente ao âmbito 3, a pegada é calculada tendo em conta três cenários relativos a diferentes cilindradas dos veículos estacionados nos parques da Metro e do Dolce Vita. O Cenário 1 (C1) reflete a presença de um maior número de veículos de cilindrada média/alta nos dois parques, o Cenário 2 (C2) reflete a forte presença de veículos de cilindrada média/baixa nos dois parques e o Cenário 3 (C3) simula uma situação em que se note uma evidente predominância de veículos de cilindrada média/alta para o parque da Metro e uma situação de maior predominância de veículos de cilindrada média/baixa no parque do Dolce Vita. Como resultado final são obtidos três valores para a Pegada de Carbono por jogo, consoante a distribuição de veículos nos dois parques. Conclui-se que os valores obtidos para o Cenário 1 são ligeiramente mais elevados que os restantes, seguido pelo Cenário 3 e o Cenário 2. A maior variação verificada é de 0,95 t CO2e (jogo FCP – D.Kiev, variação entre Cenário 1 e 2). Tomando como exemplo, o jogo contra o PSG, a pegada associada ao Cenário 1 é de 27 t CO2e, o Cenário 2 registou um valor de 27 t CO2e e o Cenário 3 de 27 t CO2e. Esta situação expressa o que se passa para os outros jogos, onde a diferença entre os valores calculados é muito pequena. Em termos genéricos, as emissões registadas para o âmbito 3 registam valores de ordem de grandeza superior às outras duas, assumindo uma percentagem entre os 63 e os 81% do valor total da pegada, para os vários jogos. Sendo mais específico, a deslocação por carro próprio é o componente que mais contribui para o valor total da pegada. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 87 Tabela 33. Distribuição da Pegada de Carbono do Estádio do Dragão por âmbito, de cada jogo em foco. FCP - PSG FCP - Sporting Port. - Irl. Norte FCP - D.Kiev FCP - Marítimo FCP - Académica FCP - D.Zagreb FCP - Moreirense Âmbito t CO2e % t CO2e % t CO2e % t CO2e % t CO2e % t CO2e % t CO2e % t CO2e % 1 1,0 3 0,9 4,0 1,8 10,5 1,9 7 2,6 11 3,1 14 4,1 13 4,0 18 2 4,3 16 4,1 18,9 4,1 23,6 3,7 13 3,5 14 3,8 17 4,2 14 3,9 18 3 C1 22,2 81 16,9 77 11,4 66 23,0 80 18,7 75 15,6 69 22,2 73 13,7 64 C2 21,3 80 16,2 76 10,9 65 22,1 80 18,0 74 14,9 69 21,3 72 13,2 63 C3 21,8 80 16,6 77 11,2 65 22,6 80 18,4 75 15,3 69 21,8 72 13,5 63 a) C1, cenário que estima uma presença de um maior número de veículos de cilindrada média/alta nos dois parques b) C2, cenário que estima uma forte presença de veículos de cilindrada média/baixa nos dois parques. c) C3, cenário que estima a predominância de veículos de cilindrada média/alta para o parque da Metro e uma situação de maior predominância de veículos de cilindrada média/baixa no parque do Dolce Vita PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 94 que uma base de dados mais específica de cada parque poderia revelar mais quanto à evolução das emissões consoante os jogos. Tabela 37. Pegada de Carbono total para cada jogo e por adepto na assistência, para os diferentes cenários Assistência (nº de adeptos) Pegada de Carbono - C1 (t CO2e) Pegada de Carbono - C2 (t CO2e) Pegada de Carbono - C3 (t CO2e) Pegada de carbono por adepto (kg CO2e) FCP – PSG a) 36509 27 27 27 0,74 FCP - Sporting b) 38909 22 21 22 0,56 Portugal - Irl. Norte c) 45505 17 17 17 0,37 FCP - Din. Kiev a) 29317 29 28 28 0,96 FCP - Marítimo b) 27609 25 24 25 0,89 FCP - Académica b) 31910 22 22 22 0,69 FCP - Din. Zagreb a) 27603 31 30 30 1,09 FCP - Moreirense b) 24610 22 21 21 0,87 a) Jogos da Liga de campeões. b) Jogos da Liga Portuguesa c) Jogos da Seleção Nacional I. C1, cenário que estima uma presença de um maior número de veículos de cilindrada média/alta nos dois parques II. C2, cenário que estima uma forte presença de veículos de cilindrada média/baixa nos dois parques. III. C3, cenário que estima a predominância de veículos de cilindrada média/alta para o parque da Metro e uma situação de maior predominância de veículos de cilindrada média/baixa no parque do Dolce Vita 3.2.2.1 Análise comparativa e discussão da PC por competição Para observar a diferença de pegadas entre as várias competições foram calculadas as médias dos valores para os jogos da Liga dos Campeões e da Liga Portuguesa. O jogo de Portugal apresentado como partida singular. A Tabela 38 apresenta os GEE calculados para todos os itens do inventário e também por âmbito (incluindo todos os cenários simulados). Na análise, apenas serão tidas em conta as variações de valores atribuídas ao tipo de competição, estando excluídos dados que apenas variam mensalmente, como por exemplo o gerador, o empilhador e as cozinhas. A ordem de quantidade de emissões emitidas por competição para o âmbito 1 é liderada pelos jogos da Liga Portuguesa (2,6 t CO2e/jogo), seguido pelos jogos da Liga dos Campeões (2,3 t CO2e/jogo), terminando com o jogo da Seleção (1,8 t CO2e). A análise deste âmbito não é conclusiva visto que a maioria dos seus itens apresentam consumos mensais e os consumos de gás para climatização e águas quentes sanitárias são influenciados pela temperatura ambiente. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 95 As emissões do âmbito 2 apresentam valores semelhantes para os jogos da Liga dos Campeões (4,1 t CO2e/jogo), seguidos dos jogos para o campeonato (3,8 t CO2e/jogo). Os jogos da Liga dos Campeões e o jogo da Seleção têm normalmente mais espetadores que os jogos do campeonato nacional, e isso é notório na afluência às zonas VIP. Ainda que em pequenas variações, a superioridade dos valores observados neste tipo de jogos para as galerias (camarotes, bares, cozinhas), parque de estacionamento (exclusivo a adeptos com camarotes) e AVAC’s – piso 1 do estádio -, demarcam uma ligeira superioridade nos valores (valores mais elevados, significa maior atividade) em relação aos jogos da Liga Portuguesa. No jogo da Seleção, além deste aspeto relacionado com as áreas de acesso do piso 1, assiste-se também a um ligeiro aumento das emissões das áreas comuns – sala VIP, hall’s de receção e zona da restauração - que pode ser o resultado da grande lotação desta partida (perto de 45 mil pessoas). No âmbito 3 os cenários considerados não apresentaram diferenças relevantes para se concluir quanto às suas desigualdades, portanto para esta análise foram tidos em conta os dados para o cenário 1. Relativamente aos valores das emissões do âmbito 3, os jogos para a Liga dos Campeões (19,5 t CO2e/jogo) emitem claramente mais GEE que os da Liga Portuguesa (14,3 t CO2e/jogo), e o jogo da Seleção (10 t CO2e). A opção metro, no que diz respeito a deslocações, foi claramente superior no jogo da Seleção (0,83 t CO2e) onde registou o triplo dos valores para as outras duas competições. No caso da eleição dos transportes rodoviários (carros próprios e autocarros turísticos) como meio de deslocação para os jogos, é nos jogos da Liga dos Campeões que se observa a maior frequência de escolha, com emissões superiores aos jogos da Liga Portuguesa e da Seleção. Este facto converge com o que já foi dito anteriormente, relacionando o horário deste tipo de jogos com a necessidade do espetador ter de escolher este meio de transporte. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 96 Tabela 38. Emissões de GEE por âmbito, para as diferentes competições. Emissões (t CO2) Liga dos Campeões Liga Portuguesa Seleção Âmbito 1 Gerador 0,02 2,3 0,03 2,6 0,02 1,8 Empilhador 0,03 0,03 0,03 Climatização e AQS 2,24 2,55 1,71 Cozinhas 0,05 0,03 0,06 Âmbito 2 AVAC'S 0,41 4,08 0,33 3,8 0,34 4,07 Elevadores 0,02 0,01 0,01 Grupo de Bombagem 0,03 0,03 0,04 Ilumin. relvado 0,12 0,12 0,13 Sala Técnica 0,19 0,18 0,19 Áreas Comuns 0,11 0,12 0,14 Ventilação 0,02 0,06 0,02 Video Wall 0,13 0,11 0,13 Áreas Admin. 0,06 0,04 0,06 Foyers 0,31 0,27 0,33 P. de Estacionamento 0,14 0,11 0,15 Outros 2,54 2,46 2,53 Âmbito 3 Metro 0,28 22,5 0,25 16,2 0,83 11,4 Parque STCP 1,03 0,74 0,49 Parque Interno 8,82 6,43 4,20 Parque… Metro 1 6,27 4,49 2,97 Dolce Vita 1 6,06 4,34 2,87 Metro 2 5,84 21,5 4,18 15,6 2,77 10,9 Dolce Vita 2 5,57 3,98 2,64 Metro 3 6,20 22,1 4 15,9 2,94 11,2 Dolce Vita 3 5,72 4 2,71 Assistência média 31143 30760 45505 (nº de espetadores) a) C1, cenário que estima uma presença de um maior número de veículos de cilindrada média/alta nos dois parques b) C2, cenário que estima uma forte presença de veículos de cilindrada média/baixa nos dois parques. c) C3, cenário que estima a predominância de veículos de cilindrada média/alta para o parque da Metro e uma situação de maior predominância de veículos de cilindrada média/baixa no parque do Dolce Vita PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 97 Conclui-se que a Pegada de Carbono média para cada um dos jogos da Liga dos Campeões é maior, pois são jogos disputados à semana e ao final de tarde, o que obriga a que as pessoas saiam diretamente dos seus postos de trabalho e optem pelo uso do automóvel (Tabela 39). A Pegada de Carbono dos jogos da Liga Portuguesa aparece em segundo lugar pois têm mais jogos ao fim de semana e uma menor utilização de transportes rodoviários. A Pegada de Carbono do jogo da seleção tem um valor inferior ao esperado apesar de verificar a maior assistência de todos os jogos em foco (perto de 45 mil), mas em contrapartida também houveram bastantes pessoas (12515 pessoas) que optaram por se deslocar de metro, com consequente redução de emissões de GEE. Verificou-se também que em relação ao número de veículos presentes no parque interno, este foi menor que para os outros jogos – 403 lugares ocupados em 1067 disponíveis -, estando apenas disponíveis os lugares referentes aos funcionários e espetadores com camarote. Este fator condiciona o valor utilizado para determinar o número de veículos nos restantes parques, traduzindo-se numa diminuição do valor total de automóveis e consequentes emissões. Tabela 39. Emissões de GEE, para as diferentes competições. Liga dos Campeões Liga Portuguesa Seleção Cenário PC (t CO2e/jogo) PC (t CO2e/jogo) PC (t CO2e) 1 29 23 17 2 28 22 17 3 28 22 17 a) C1, cenário que estima uma presença de um maior número de veículos de cilindrada média/alta nos dois parques b) C2, cenário que estima uma forte presença de veículos de cilindrada média/baixa nos dois parques. c) C3, cenário que estima a predominância de veículos de cilindrada média/alta para o parque da Metro e uma situação de maior predominância de veículos de cilindrada média/baixa no parque do Dolce Vita PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 98 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 99 4 Conclusõeserecomendaçõesparatrabalhosfuturos Foram quantificadas as emissões associadas a atividades desportivas realizadas no Estádio do Dragão, no período compreendido entre Outubro e Dezembro de 2012. Em foco estão oito partidas de futebol, sete realizadas pela equipa A do F.C. Porto e uma pela Seleção Nacional. A metodologia adotada baseia-se no Protocolo de Gases de Efeito de Estufa (GHG Protocol) [11]e nas diretrizes do IPCC [16] para inventários de gases de estufa. O GHG Protocol considera para o cálculo da pegada as emissões de três gases do efeito de estufa, nomeadamente, o dióxido de carbono (CO2), o óxido nitroso (N2O) e o metano (CH4). O inventário desta dissertação foi dividido em três âmbitos, onde foram alocados todos os consumos que foram possíveis de determinar e que são contemplados pela metodologia adotada. O primeiro considera as emissões diretas, associadas aos consumos de gasóleo do gerador e do empilhador, e os consumos de gás dos equipamentos de climatização, águas quentes sanitárias e cozinhas. O segundo diz respeito às emissões indiretas derivadas dos consumos de eletricidade do estádio. O terceiro engloba as emissões indiretas não consideradas no âmbito 2, nomeadamente os consumos de eletricidade e combustíveis fósseis alocados ao transporte de adeptos via metro, carro próprio ou autocarro turístico. O levantamento dos consumos foi essencialmente feito através de registos ou faturas discriminadas facultadas pela Porto Estádio, à exceção dos consumos provenientes do transporte de adeptos ao estádio que foram estimados para os três meios de transporte considerados. Estas estimativas tiveram por base os resultados de um inquérito disponibilizado pela Porto Estádio onde também foi recolhida informação sobre a lotação do Parque Interno nos dias de jogo. Apesar de se ter simulado três cenários diferentes de ocupação dos parques de estacionamento da Metro e do Dolce Vita, as conclusões são apenas retiradas para o cenário 1. Esta situação deve-se ao facto de que as variações entre os vários cenários não serem significativas para o valor da pegada de cada evento e porque os valores do cenário 1 foram os mais elevados entre os três. Concluiu-se que a atividade que mais contribui para a pegada associada ao âmbito 1 é a climatização (87,9 a 98,7%). Para o do âmbito 2 são os consumos não discriminados de eletricidade (“Outros” – 61 a 66%) e para o âmbito 3 são as emissões provenientes das pessoas que se deslocam em carro próprio e estacionam no Parque Interno (cerca de 39%). Em relação ao peso dos três âmbitos na pegada total de cada evento, é inequívoco o contributo do âmbito 3 (contribuição de 63 a 81% para a pegada total). Esta contribuição é associada ao valor elevado das emissões relativas ao transporte de adeptos via carro próprio. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 100 Analisando os valores por evento, o jogo com a maior pegada foi o jogo da Liga dos Campeões contra o Dínamo de Zagreb com 31 t CO2e (assistência de 27603 pessoas). A pegada mais pequena pertenceu ao jogo da Seleção Nacional contra a Irlanda do Norte com 17 t CO2e (assistência de 45505 pessoas). O âmbito 1 registou o maior valor de emissões no jogo contra o Dínamo de Zagreb (4,1 t CO2e) e o menor no jogo contra o Sporting (0,9 t CO2e). Neste âmbito os valores são um pouco o reflexo da grande maioria dos seus consumos se basearem em valores mensais, não se conseguindo atribuir uma relação entre emissão e jogo, pois para jogos diferentes o valor é passivo de ser igual. A exceção acontece para o gás natural utilizado na climatização, onde é possível constatar um aumento gradual genérico nos consumos à medida que que se atravessa o Inverno, um indicador que o funcionamento do sistema faz a compensação da temperatura ambiente (tal como é esperado). As emissões do âmbito 2 registam o valor máximo para o jogo contra o PSG (4,3 t CO2e) e o seu mínimo no jogo contra o Marítimo (3,5 t CO2e). A maioria dos itens do inventário do âmbito 2 não sofre grandes variações e os seus consumos são pouco representativos quando comparados com o campo “Outros”, que contribui para cerca de 61 a 66% da pegada deste âmbito. A conclusão que se retira é que era interessante pormenorizar este foco de emissão nos vários elementos que o compõe, com o objetivo de identificar oportunidades de redução. As emissões do âmbito 3 são dominadas pelas emissões provenientes de transportes rodoviários, tanto que de uma média de adeptos de 35 mil pessoas (para os 8 jogos) apenas se assiste a uma média de 5000 validações de títulos de viagem do metro. A sua evolução regista o seu pico máximo contra o Dínamo de Kiev (23 t CO2e) e o mínimo para o jogo da Seleção (11,4 t CO2e). Analisando os valores para cada transporte é possível verificar a relação entre a cilindrada e as emissões (quanto mais alta, maior são as emissões), que por sua vez cruzada com o número de veículos (maioritariamente cilindrada média) explicam os valores registados. As diferenças da ordem de grandeza das emissões entre os autocarros e os automóveis ligeiros estão relacionadas com a diferença de número de veículos de cada um, que é menor nos autocarros. Na avaliação por competição, destacam-se a elevada emissão de GEE para os jogos da Liga dos Campeões (29 t CO2/jogo) em relação aos jogos da Liga Portuguesa (23 t CO2e) e da Seleção (17 t CO2e/jogo). Especificando por âmbito, no âmbito 1, a Liga Portuguesa possui a maior pegada (2,6 t CO2e). No âmbito 2, são os jogos da Liga dos Campeões e o da Seleção, que partilham o PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 101 mesmo valor (4,1 t CO2e). No âmbito 3, e considerando apenas o cenário 1 as emissões associadas aos jogos da Liga dos Campeões (22,5 t CO2) ultrapassam os valores para os outros dois casos (16,2 t CO2e 11,4 t CO2, respetivamente, para a Liga Portuguesa e jogo da seleção). O aspeto a realçar é a elevada taxa de utilização de carros próprios por parte dos espetadores. Que face aos jogos da Liga dos Campeões se realizarem quarta-feira às 19.45h. Estes adeptos optam por viatura própria para a deslocação ao estádio. De resto, as emissões provenientes da deslocação por transportes rodoviários (carro próprio ou autocarro turístico) são o reflexo da lotação do parque interno, uma vez que é esta lotação que serve de base para o cálculo do número de veículos presentes nos restantes, que no caso da Liga dos Campeões regista taxas de ocupação elevadas. O maior número de emissões na deslocação de adeptos por metro foi proveniente do jogo de Portugal (0,83 t CO2), também era o esperado visto ter registado o maior número de títulos de viagem validados, sendo que as emissões médias das outras duas competições apenas rondam as 0,3 t CO2por evento. Comparando com a revisão bibliográfica realizada, o único estudo passível de ser de algum modo comparado com o trabalho realizado é a avaliação feita para os Jogos Olímpicos de Londres 2012. No entanto, existem algumas limitações nesta comparação, nomeadamente, a assistência verificada (11 milhões de bilhetes vendidos), o facto de a assistência ser mundial e por ter em conta mais elementos na contabilização da pegada do que os da presente dissertação. De qualquer modo é possível isolar alguns dos valores e retirar algumas conclusões. A pegada registada para o decorrer dos Jogos Olímpicos foi de 3,3 Mt CO2e, mas se isolarmos para as mesmas áreas que esta dissertação, nomeadamente os valores relativos às “Operações” e “Espetadores”, esse valor desce para 1,1 Mt CO2e. Deste valor, se realizarmos um balanço apenas aos campos que estão relacionados com o transporte de adeptos/atletas e com os consumos energéticos, podemos constatar que os transportes atingem os 92% (654 kt CO2e), por comparação com os 8% dedicados aos consumos de energia (60 kt CO2e). Com isto, pretende-se mostrar que, tal como nos resultados obtidos para o Estádio do Dragão, as emissões associadas aos transportes são as grandes contribuidoras para os valores totais da pegada. Este estudo caso é especialmente bom para mostrar que, apesar dos resultados poderem comportar uma margem de erro associada, esta é uma ferramenta de aplicação dinâmica e que pode ser utilizada de forma contínua e com dados tão precisos quanto a disponibilidade de recolha os permita. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 102 Existiram algumas limitações ao trabalho que condicionaram a determinação de um resultado que possa expressar as condições mais próximas da realidade. O número de jogos em foco é reduzido, foram englobados três jogos da Liga dos Campeões (de treze possíveis), quatro da Liga Portuguesa (de 32 possíveis) e um da Seleção. Aos dados recolhidos poderão estar associadas incertezas que limitem a identificação das emissões representativas dos vários jogos. Neste estudo, não foram contabilizados as emissões de todos os GEE. O estudo focou-se em apenas três GEE (nomeadamente, o CO2, o N2O e o CH4), no entanto, estes correspondem aos mais representativos e aos únicos identificados na metodologia do GHG Protocol. Não foram estimadas as emissões de N2O e o CH4, porque o GHG Protocol não possui metodologia de cálculo para estes GEE associadas às emissões dos consumos elétricos. O mesmo se passa para o gerador e os equipamentos de climatização, águas quentes sanitárias e cozinhas, que por impossibilidade de determinar a eficiência de combustão também não foram determinados. Nem todos os fatores de emissão serão os mais específicos, optando-se por utilizar valores standard para o gerador e para o empilhador. As emissões associadas ao transporte de resíduos gerados no estádio, pela empresa Hidurbe, não foram também consideradas no âmbito 3. Realça-se a dificuldade em determinar a origem e método de transporte dos adeptos que assistem às partidas de futebol no Estádio do Dragão. A amostra usada com base no inquérito realizado pela Porto Estádio representa menos de 10% do universo efetivo dos adeptos. Os resultados da Pegada de Carbono para o jogo da Seleção foram baixos, por culpa da extrapolação dos valores do parque interno para os restantes parque, já que nesse dia apenas admitiu veículos de funcionários e de adeptos que alugaram ou foram convidados para um camarote. Alguns dos valores dos consumos apenas foram disponibilizados mensalmente, fazendo com que jogos com caraterísticas diferentes tivessem o mesmo valor, ou seja não são aqui registadas eventuais diferenças entre jogos. Para algumas áreas/atividades o programa da EDP, que realiza o registo de consumos do estádio, não consegue ainda discriminar. Este facto não permite identificar as oportunidades de redução de emissões no maior foco de emissão do âmbito 2 – os consumos não discriminados. Por fim realça-se que a não identificação de estudos semelhantes dificulta a análise comparativa dos resultados obtidos neste estudo. Todas estas limitações devem futuramente ser objeto de análise. Aqui são identificadas algumas das recomendações a tomar em estudos futuros. A começar pela extensão da cobertura do período em análise, este estudo, deveria ser aplicado ao longo de uma época inteira, de maneira a identificar de forma mais evidente os padrões de emissões e a poder atuar de forma mais eficientemente na sua redução. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 103 Para determinar as emissões provenientes do transporte de resíduos gerados no estádio, será necessário informação em relação ao trajeto realizado e as caraterísticas dos veículos de transporte. Seria importante elaborar um inquérito para sócios levantando questões quanto à zona de residência, a sua frequência nos jogos e que meio de transporte usa para lá chegar e qual a cilindrada do carro (alta, média ou baixa). Embora comporte um grande desafio, seria bom fazer o levantamento de uma certa percentagem dos veículos presentes nos respetivos parques, para um determinado número de jogos (em competições e dias diferentes). Desta forma, as estimativas seriam baseadas em médias de valores mais representativos da realidade. Algumas ações para reduzir a pegada associada à deslocação para os jogos serão preponderantes, face ao facto de que o transporte em carro próprio é o fator mais preponderante na Pegada de Carbono do Estádio do Dragão. Estas ações podem passar por utilizar o vídeo wall, as redes sociais, as instalações sanitárias e a zona da restauração para passar mensagens de incentivo ao carpooling (uso partilhado, em alternância, do carro particular por duas ou mais pessoas) – principalmente em dias de jogo da Liga dos Campeões (ou realizados a durante a semana). Outro exemplo seria a realização de promoções através de bilhetes de grupo. A parceria com a Metro e a Dolce Vita, de modo a reservar um determinado número de lugares no parque, de maneira a que as pessoas que viajem em grupo tenham acesso a um lugar mostrando os bilhetes de jogo (ex.: 4 bilhetes = 1 lugar). No caso do parque da Metro poderá passar por um eventual desconto no lugar de parque. Outra medida viável seria a promoção do metro como veículo de eleição para se dirigir ao estádio, considerando inclusive a realização de passatempos que envolvam as duas instituições (ex.: fotos, frases, …). Para obter dados mais concretos dever-se-ia quantificar o tempo de uso do gerador (na fase de teste), possibilitando determinar a razão dos consumos para determinado mês/jogo. Também para as cozinhas, poderá passa por registar os valores dos seus contadores, antes e depois de cada jogo. Aproveitar a ferramenta experimental da EDP (determina consumos de áreas específicas) e tentar abranger a mais zonas do estádio possíveis, melhor identificando os consumos designados por “outros”. Desta forma aumentaria as hipóteses de identificar áreas críticas de consumo e atuar em prol da sua redução e eficiência. O sistema de climatização poderia ser ajustando a temperatura ideal com intervalos de maior frequência, de maneira a não realizar gastos desnecessários. Diminuir o tempo de funcionamento dos aparelhos de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC’s), através de programas de funcionamento (programar para desligar depois do jogo terminar). Uma conscialização do pessoal administrativo, também poderia ser importante, através de e-mails dinâmicos para toda a empresa, identificar-se-ia as metas de redução de emissões atingidas, e promoviam-se as boas práticas. Como políticas de PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 110 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 111 Anexo A – Consumos do âmbito 1 Tabela A 1. Consumos de gasóleo no empilhador por jogo e o seu valor calorífico. Mês Consumo Jogo (l) Valor Calorífico (GJ/l) Consumo Jogo (GJ) Outubro 10 0,0359 0,359 Novembro Dezembro Tabela A 2. Consumos de gás natural para cada jogo Mês Jogos Climatização e AQS (kWh) Af,h Climatização e AQS (GJ) 3 Cozinhas (kWh) Af,h Cozinhas (GJ)3 Outubro FCP - PSG 4175 15 291,4 1,05 FCP - Sporting 3806 13,7 291,4 1,05 Portugal - Irl. Norte 8424 30,3 291,4 1,05 FCP - Din. Kiev 9093 32,7 291,4 1,05 Novembro FCP - Marítimo 12756 45,9 97,1 0,35 FCP - Académica 14867 53,5 97,1 0,35 FCP - Din. Zagreb 19903 71,7 97,1 0,35 Dezembro FCP - Moreirense 18881 68 144,5 0,52 3 Como 1 Quilowatt-hora é igual a 3 600 000 Joules, e um Gigajoule é igual 109Joules, os consumos de gás em kWh foram convertidos para GJ recorrendo apenas à multiplicação por 0,0036. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 112 Anexo B – Cálculos e informações referentes ao transporte de adeptos por metro, em dias de jogo Tabela B 1. Distribuição das respostas ao inquérito de “Avaliação de Satisfação” dos adeptos do F.C. Porto, consoante o seu destino e a paragem de metro mais próxima Linha Destino nº de Espetadores % P Porto (Trindade) 525 33,7 G V. N. Gaia (St. Ovidio) 384 24,7 F Gondomar (Fânzeres) 222 14,3 A Matosinhos (Sr. de Matosinhos) 207 13,3 C Maia (ISMAI) 157 10,1 B Vila do Conde (Vila do Conde) 43 2,8 B Póvoa de Varzim (Póvoa de Varzim) 18 1,2 Total 1556 100,0 Tabela B 2. Previsão do número de adeptos que seguiram os respetivos destinos, com base no número de validações registadas na Estação do Estádio do Dragão em dias de jogo Linha Destino FCP - PSG FCP - SCP Port. – Irl. Norte FCP - D.Kiev FCP - Marit. FCP - Academ. FCP - D.Zagreb FCP - Morei. Comum Trindade 1751 1647 4223 1286 1169 1260 1257 959 G St. Ovídio 1281 1205 3089 941 855 922 920 701 F Fânzeres 740 696 1786 544 495 533 532 405 A Sr. De Matosinhos 690 649 1665 507 461 497 496 378 C ISMAI 524 492 1263 385 350 377 376 287 B Vila do Conde 143 135 346 105 96 103 103 79 B Póvoa de Varzim 60 56 145 44 40 43 43 33 Total (adeptos) 5189 4881 12515 3812 3466 3735 3726 2841 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 113 Tabela B 3. Número de viagens necessárias para dar resposta ao número de utentes que procuram o metro para se deslocar, em dias de jogo Linha Destino FCP - PSG FCP - SCP Port. - Irl. Norte FCP - D.Kiev FCP - Marit. FCP - Academ. FCP - D.Zagreb FCP - Morei. P Trindade 4,1 3,8 9,8 3,0 2,7 2,9 2,9 2,2 G St. Ovídeo 3,0 2,8 7,1 2,2 2,0 2,1 2,1 1,6 F Fânzeres 1,7 1,6 4,1 1,3 1,1 1,2 1,2 0,9 A Sr. De Matosinhos 1,6 1,5 3,9 1,2 1,1 1,2 1,1 0,9 C ISMAI 1,2 1,1 2,9 0,9 0,8 0,9 0,9 0,7 B Vila do Conde 0,3 0,3 0,8 0,2 0,2 0,2 0,2 0,2 B Póvoa de Varzim 0,1 0,1 0,3 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 Total (viagens) 12,0 11,3 29,0 8,8 8,0 8,6 8,6 6,6 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 114 Anexo C – Caracterização dos carros próprios Tabela C 1. Automóveis movidos a gasolina, organizados por classes de cilindrada, fatores de emissão de CO2 individuais e por classe de cilindrada Marca/Modelo/Versão Cilindrada (cm3) Fator de Emissão (kg CO2/km) Muito alta Cilindrada (>3501) Maserati Spyder F1 4244 0,430 0,500 Mercedes-Benz SLK 55AMG 5439 0,288 Porshe 911 GT3 (997) 3600 0,307 BMW M6 - M560 Coupé 4999 0,357 Lamborghini Murciélago 6.2 V12 6193 0,500 Alta Cilindrada (3500 > 2601) Jaguar S-Type 3,0 V6 2967 0,249 0,262 BMW Série 5 - E61 Touring 530i 2996 0,222 Audi A6 Allroad Quattro 3,2 FSI 3123 0,262 Mercedes-Benz Classe C Station 3498 0,234 Lexus GS300 GRS 190L 2995 0,232 Média Cilindrada (2600 > 1301) Honda Civic 1.4 LSX 1396 0,153 0,224 Alfa Romeo 156 2.4JTD 20V RST 2387 0,175 Chrysler Sebring 2.0 LX 1996 0,196 Citroen C4 1.6L 1587 0,169 Ford Focus ST VCT Turbo 325cv 2521 0,224 Baixa Cilindrada (< 1300 ) Peugeot 107 1.0 998 0,109 0,145 Renault Clio 1.2 1149 0,139 Fiat Punto 80 Emotion 1242 0,142 Kia Picanto 1.1 1086 0,145 Chevrolet Matiz 0,8 796 0,123 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 115 Tabela C 2. Automóveis movidos a gasóleo, organizados por classes de cilindrada, fatores de emissão de CO2 individuais e por classe de cilindrada Marca/Modelo/Versão Cilindrada (cm3) Fator de Emissão (kg CO2/km) Muito alta Cilindrada (>3501) BMW Série 7 E65 745d A 4423 0,251 0,308 Mercedes-Benz Classe E420 Cdi 3997 0,246 Volkswagen Phaeton 5.0 V10 Tdi 4921 0,308 Alta Cilindrada (3500 > 2601) Jaguar XJ272 VCD 2720 0,214 0,223 BMW Série 3 E90 Berlina 325d 2993 0,171 Mercedes-Benz Classe C 270 Cdi 2685 0,181 Audi A6 Avant 2.7 Tdi (FPD) 2698 0,192 Peugeot 407 2.7 HDI V6 AM6 2720 0,223 Média Cilindrada (2600 > 1301) Citroen C2 1.4 HDI 1398 0,113 0,185 Alfa-Romeo 156 SW 2.4 JTD 2387 0,180 Chrysler PT Cruiser 2.2 CRD Touring 2148 0,185 Fiat Grand Punto 1.9 Multijet Sport 130cv 1910 0,154 Hyundai Getz 1.5 Diesel 1493 0,116 Baixa Cilindrada (< 1300 ) Fiat Punto 70 JTD 1248 0,117 0,133 Opel Corsa 1.3 CTDI 1248 0,115 Opel Astra Caravan Cosmo 1.3 CTI 1248 0,130 Suzuki Ignis 1.3 DDIS 16V 6L 1248 0,133 Kia Picanto 1.1 CRDI 1120 0,112 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 116 Anexo D – Fatores de emissão do N2O e CH4, para cada tipo de veículo e combustível Tabela D 1. Fatores de emissão do N2O e CH4, para cada tipo de veículo e combustível Fatores de Emissão CO2 N2O CH4 Gasolina (35%) Muito Alta cilindrada 0,500 kg CO2/km 3,80E-05 kg N2O/km 2,01E-04 kg CH4/km Alta cilindrada 0,262 Média cilindrada 0,224 Baixa cilindrada 0,145 Gasóleo (65%) Muito Alta cilindrada 0,308 kg CO2/km 1,50E-05 kg N2O/km 2,80E-05 kg CH4/km Alta cilindrada 0,223 Média cilindrada 0,185 Baixa cilindrada 0,133 Veículos ligeiros Muito Alta cilindrada 0,375 kg CO2/km 2,31E-05 kg N2O/km 8,86E-05 kg CH4/km Alta cilindrada 0,237 Média cilindrada 0,199 Baixa cilindrada 0,137 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 117 Anexo E – Lotação distribuída por pertença associadas aos veículos estacionados no parque interno do Dragão, por dia de jogo Tabela E 1. Lotação do Parque Interno, discriminado por pertença Cilindrada dos veículos FCP - PSG FCP - SCP Portugal - Irl. Norte FCP - D.Kiev FCP - Marit. FCP - Academ. FCP - D.Zagreb FCP - Morei. Funcionários Média 28 23 21 32 32 18 27 Comunicação Social Baixa 658 521 340 724 567 468 720 416 Equipa A Muito alta 94 46 63 75 64 46 70 39 Camarotes Alta 56 43 52 42 36 37 33 Lotação (nº automóveis) 836 633 403 872 705 582 845 515 a) Para o jogo da seleção os lotes destinados à comunicação social e aos jogadores do F.C. Porto não estavam acessíveis. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 118 Tabela E 2. Emissões de GEE destacadas por cilindrada, associadas ao transporte de espetadores por viatura própria para se deslocar ao estádio em dias de jogo, com estacionamento no Parque Interno do Dragão Nº automóveis Distância (km) CO2(kg CO2) N2O (kg N2O) CH4(kg CH4) FCP - PSG Total Total Total Cilindrada Muito alta 28 1217 457 8369 0,03 0,84 0,11 3,22 Alta 658 28596 6767 0,66 2,53 Média 94 4085 812 0,09 0,36 Baixa 56 2434 334 0,06 0,22 FCP - Sporting Cilindrada Muito alta 23 1000 375 6387 0,02 0,63 0,09 2,44 Alta 521 22642 5358 0,52 2,00 Média 46 1999 397 0,05 0,18 Baixa 43 1869 256 0,04 0,17 Portugal - Irl. Norte Cilindrada Muito alta 0 0 0 4041 0,00 0,40 0,00 1,55 Alta 340 14776 3497 0,34 1,31 Média 63 2738 544 0,06 0,24 Baixa 0 0 0 0,00 0,00 FCP - D.Kiev Cilindrada Muito alta 21 913 342 8746 0,02 0,87 0,08 3,36 Alta 724 31465 7446 0,73 2,79 Média 75 3259 647 0,08 0,29 Baixa 52 2260 310 0,05 0,20 FCP - Marítimo Cilindrada Muito alta 32 1391 522 7156 0,03 0,71 0,12 2,71 Alta 567 24641 5831 0,57 2,18 Média 64 2781 553 0,06 0,25 Baixa 42 1825 250 0,04 0,16 FCP - Académ. Cilindrada Muito alta 32 1391 522 5947 0,03 0,58 0,12 2,24 Alta 468 20339 4813 0,47 1,80 Média 46 1999 397 0,05 0,18 Baixa 36 1565 215 0,04 0,14 FCP - D.Zagreb Cilindrada Muito alta 18 782 294 8523 0,02 0,85 0,07 3,25 Alta 720 31291 7405 0,72 2,77 Média 70 3042 604 0,07 0,27 Baixa 37 1608 221 0,04 0,14 FCP - Morei. Cilindrada Muito alta 27 1173 440 5252 0,03 0,52 0,10 1,98 Alta 416 18079 4278 0,42 1,60 Média 39 1695 337 0,04 0,15 Baixa 33 1434 197 0,03 0,13 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 119 Anexo F – Lotação do Parque Interno do Estádio do Dragão, e estimativa de ocupação dos parques do Dolce Vita, Metro e STCP Tabela F 1. Lotação do Parque Interno do Estádio do Dragão, e estimativa de ocupação dos parques do Dolce Vita, Metro e STCP Parque Interno (Lotação real) % de Ocupação Parque Dolce Vita (Lotação estimada) Parque Metro (Lotação estimada) Parque STCP (Lotação estimada) FCP - PSG 836 78,4 704 666 39 FCP - Sporting 633 59,3 533 504 30 Portugal - Irl. Norte 403 37,8 339 321 19 FCP - Din. Kiev 872 81,7 734 695 41 FCP - Marítimo 705 66,1 593 562 33 FCP - Académica 582 54,5 490 464 27 FCP - Din. Zagreb 845 79,2 711 673 40 FCP - Moreirense 515 48,3 433 410 24 a) Valores de capacidade máxima para os parques: 1067 para o Parque Interno do Dragão, 898 para o do Dolce Vita, 850 para o do Metro. PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 126 Tabela G 7. Emissões de GEE das pessoas que escolheram a viatura própria para se deslocar ao estádio, e deixaram o automóvel no Parque do Dolce Vita (Cenário 3) Nº automóveis Distância (km) CO2(kg CO2) N2O (kg N2O) CH4(kg CH4) FCP - PSG Total Total Total Cilindrada Muito alta 0 0 0 5342 0 0,70 0 2,71 Alta 91 3975 941 0,09 0,35 Média 281 12231 2430 0,28 1,08 Baixa 331 14371 1972 0,33 1,27 FCP - Sporting Cilindrada Muito alta 0 0 0 4045 0 0,53 0 2,05 Alta 69 3010 712 0,07 0,27 Média 213 9261 1840 0,21 0,82 Baixa 250 10882 1493 0,25 0,96 Portugal - Irl. Norte Cilindrada Muito alta 0 0 0 1625 0 0,34 0 1,31 Alta 44 1916 453 0,04 0,17 Média 136 5896 1171 0,14 0,52 Baixa 159 6928 950 0,16 0,61 FCP - D.Kiev Cilindrada Muito alta 0 0 0 5572 0 0,74 0 2,82 Alta 95 4146 981 0,10 0,37 Média 294 12758 2534 0,29 1,13 Baixa 345 14990 2057 0,35 1,33 FCP - Marítimo Cilindrada Muito alta 0 0 0 4505 0 0,59 0 2,28 Alta 77 3352 793 0,08 0,30 Média 237 10314 2049 0,24 0,91 Baixa 279 12119 1663 0,28 1,07 FCP - Académ. Cilindrada Muito alta 0 0 0 3719 0 0,49 0 1,88 Alta 64 2767 655 0,06 0,25 Média 196 8515 1691 0,20 0,75 Baixa 230 10005 1373 0,23 0,89 FCP - D.Zagreb Cilindrada Muito alta 0 0 0 5400 0 0,71 0 2,74 Alta 92 4018 951 0,09 0,36 Média 284 12363 2456 0,28 1,09 Baixa 334 14526 1993 0,33 1,29 FCP - Morei. Cilindrada Muito alta 0 0 0 3291 0 0,43 0 1,67 Alta 56 2449 0 0,06 0,22 Média 173 7535 941 0,17 0,67 Baixa 204 8853 2430 0,20 0,78 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 127 Anexo H – Emissões de GEE por jogo, para os âmbitos 1, 2 e 3 Tabela H 1. Emissões discriminadas de CO2por jogo, para os âmbitos 1, 2 e 3 Emissões de CO2 (kg CO2e) FCP - PSG FCP - SCP Port. - Irl. Norte FCP - D.Kiev FCP - Marit. FCP - Academ. FCP - D.Zagreb FCP - Morei. Âmbito 1 Gerador 20 20 20 20 7 7 7 100 Empilhador 27 27 27 27 27 27 27 27 Climatização e AQS 847 772 1708 1844 2587 2587 4036 3829 Cozinhas 59 59 59 59 20 20 20 29 Âmbito 2 AVAC'S 513 426 342 321 328 270 405 299 Elevadores 16 10 13 15 13 10 14 8 Grupo de Bombagem 34 32 37 23 25 29 23 23 Ilumin. relvado 115 122 133 117 107 107 119 125 Sala Técnica 181 160 185 184 187 156 218 200 Áreas Comuns 81 118 143 125 123 111 129 109 Ventilação 18 73 17 19 19 76 20 77 Video Wall 103 34 129 108 30 191 180 183 Áreas Admin. 60 33 63 60 57 23 61 28 Galerias 308 278 333 308 276 248 320 284 P. de Estacionamento 137 106 147 148 128 106 143 107 Outros 2772 2748 2531 2252 2232 2438 2590 2426 Âmbito 3 Metro 342 322 826 252 229 246 246 187 Parque STCP 988 760 478 1035 837 691 1003 611 Parque Interno 8369 6387 4041 8746 7156 5947 8523 5252 Parque Metro 1 5899 4467 2844 6153 4975 4107 5963 3634 Dolce Vita 1 5679 4300 2738 5924 4789 3954 5740 3499 Metro 2 5476 4146 2640 5712 4618 3812 5535 3373 Dolce Vita 2 5193 3932 2503 5416 4379 3615 5249 3199 Metro 3 5829 4414 2810 6080 4916 4058 5892 3591 Dolce Vita 3 5342 4045 2575 5572 4505 3719 5400 3291 PC associada a eventos desportivos realizados no Estádio do Dragão 128 Tabela H 2. Emissões discriminadas de N2O por jogo, para os âmbitos 1 e 3 Emissões de N2O (kg CO2e) Âmbito FCP - PSG FCP - SCP Port. - Irl. Norte FCP - D.Kiev FCP - Marit. FCP - Academ. FCP - D.Zagreb FCP - Morei. 1 Empilhador 4,44E-01 4,44E-01 4,44E-01 4,44E-01 4,44E-01 4,44E-01 4,44E-01 4,44E-01 Parque STCP 15 12 7 16 13 11 15 9 Parque Interno 250 189 120 260 210 174 71 154 Parque Metro 1 199 151 96 207 168 139 201 122 Dolce Vita 1 210 159 101 219 177 146 212 129 Metro 2 199 151 96 207 168 138 201 122 Dolce Vita 2 210 159 101 219 177 146 212 129 Metro 3 199 151 96 207 168 138 201 122 Dolce Vita 3 210 159 101 219 177 146 212 129 Tabela H 3. Emissões discriminadas de CH4por jogo, para os âmbitos 1 e 3 Emissões de CH4 (kg CO2e) Âmbito FCP - PSG FCP - SCP Port. - Irl. Norte FCP - D.Kiev FCP - Marit. FCP - Academ. FCP - D.Zagreb FCP - Morei. 1 Empilhador 2,58E-01 2,58E-01 2,58E-01 2,58E-01 2,58E-01 2,58E-01 2,58E-01 2,58E-01 3 Parque STCP 7 6 6 8 6 5 8 5 Parque Interno 80 61 39 84 68 56 81 50 Parque Metro 1 64 49 31 67 54 45 65 39 Dolve Vita 1 68 51 33 71 57 47 68 42 Metro 2 64 49 31 67 54 45 65 39 Dolve Vita 2 68 51 33 71 57 47 68 42 Metro 3 64 49 31 67 54 45 65 39 Dolve Vita 3 68 51 33 71 57 47 68 42