Terapia de Ressincronização Cardíaca em Doentes com Insuficiência Cardíaca
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! ! ! ! Artigo!de!Revisão!Bibliográfica! Dissertação+de+Mestrado+Integrado+em+Medicina+ Ano+lectivo+2012/2013+ ! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA! EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA! CARDÍACA! ! Carla+Filipa+Cruz+Moreira+ ! ! Orientador:!!Prof.!Dr.!Severo!Barreiros!Torres! Professor!Auxiliar!Convidado!do!ICBAS! Chefe!de!Serviço!de!Cardiologia!do!CHP! ! ! ! Porto,!2013!!!!!! 08! Fall!
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 2! ÍNDICE § Abstract/Key words .................................................................................. 3 § Resumo/Palavras-chave ............................................................................ 4 § Introdução ................................................................................................ 5 § Conceito de Terapia de Ressincronização Cardíaca e Bases Mecanoenergéticas da dessincronização e ressincronização – Fundamentação fisiopatológica ................................................................................................ 7 § Técnicas de Implantação dos dispositivos e seus Riscos ......................... 10 § Dispositivos Electrónicos Implantáveis na Terapia de Ressincronização Cardíaca – diferentes modalidades ......................................................... 11 § Avaliação dos resultados – Principais estudos clínicos que suportam a evidência científica ................................................................................. 13 § Indicações para Terapia de Ressincronização Cardíaca na Insuficiência Cardíaca – Recomendações atuais (Sociedade Europeia de Cardiologia, 2012) ..................................................................................................... 17 § Avaliação da dessincronização eléctrica e mecânica – como selecionar os doentes? ................................................................................................. 20 § Gestão dos não-respondedores – maximização da resposta .................... 22 § Seguimento e Prognóstico ...................................................................... 24 § Custo-efetividade ................................................................................... 26 § Controvérsias e Perspectivas Futuras ...................................................... 27 § Conclusão .............................................................................................. 30 § Anexos o Anexo I - Classes de Recomendação e Níveis de Evidência ............31 o Anexo II – Classificação funcional da New York Heart Association baseada na gravidade dos sintomas e grau de atividade física ..... 32 § Referências Bibliográficas ....................................................................... 33
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 3! ABSTRACT Background Heart failure represents a public health problem with great impact worldwide. Due to its high incidence and prevalence is responsible for increasing hospitalization causing high costs in health care. Advances in medical therapy become insufficient nowadays. The Cardiac Resynchronization Therapy takes the aim to restore mechanical synchrony by cardiac electrical activation in a coordinated way. The scientific evidence is now substantial to show that this approach is beneficial for patients with heart failure refractory to medical treatment. Goals The aim of this review is to provide a comprehensive survey of the latest developments in this area (physio-pathological bases, indications, methodologies, current recommendations, limitations, benefits and future prospects). Methods The methodology used was based on a literature search of recent articles, published and "in press" through the database of the Medical Literature Analysis and Retrieval System Online, with a time limit from 2000 to 2012. Conclusions The Cardiac Resynchronization Therapy is a safe and effective therapeutic strategy for the treatment of patients with medically refractory heart failure. The implantation of these devices alter the natural history of this disease through the synchronized pacing of the right and left ventricles, allowing hemodynamic improvement by increasing cardiac output, acting at the level of mitral regurgitation, promote coordinated systolic contraction and acting on diastolic ventricular activity too. While Cardiac Ressincronization Therapy has had great impact in the field of heart failure, its full potential has not been fully understood, remaining issues for debate and future analysis, being the most current the high percentage of non-responders. Key words: Heart Failure, Synchrony, Cardiac Resynchronization Therapy, Pacing, Non-responders.
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 4! RESUMO Introdução A insuficiência cardíaca representa um problema de saúde pública com grande impacto a nível mundial. Devido à sua elevada incidência e prevalência é responsável por hospitalizações crescentes acarretando elevados custos em saúde. Os avanços na terapêutica médica tornam-se nos dias de hoje insuficientes. A Terapia de Ressincronização Cardíaca assume o objectivo de restaurar a sincronia mecânica pela ativação elétrica cardíaca de uma forma coordenada. A evidência científica é atualmente significativa para comprovar esta modalidade terapêutica válida para doentes com insuficiência cardíaca refratária ao tratamento médico. Objectivos O objectivo desta revisão é fornecer um levantamento abrangente dos desenvolvimentos mais recentes nesta área (bases fisio-patológicas, indicações, metodologias, recomendações atuais, limitações, benefícios e perspectivas futuras). Métodos A metodologia utilizada baseou-se na pesquisa bibliográfica de artigos recentes, publicados e “in press” através da base de dados da Medical Literature Analysis and Retrieval System Online, com um limite temporal de 2000 a 2012. Conclusões A Terapia de Ressincronização Cardíaca é uma estratégia terapêutica segura e eficaz para o tratamento de doentes com insuficiência cardíaca medicamente refratária. A implantação destes dispositivos alteram a história natural da doença através do pacing sincronizado dos ventrículos direito e esquerdo, permitindo melhoria hemodinâmica por aumento do débito cardíaco, atuação ao nível da regurgitação mitral, da contração sistólica coordenada e da atividade ventricular diastólica. Embora este tratamento tenha tido grande impacto na área da insuficiência cardíaca, o seu completo potencial ainda não foi totalmente compreendido, permanecendo questões de debate e controvérsias futuras, sendo a mais atual a elevada percentagem de não-respondedores. Palavras-chave: Insuficiência Cardíaca; Sincronia; Terapia de Ressincronização Cardíaca; Pacing; Não-respondedores.
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 5! INTRODUÇÃO A insuficiência cardíaca (IC), definida clinicamente como uma síndrome na qual os doentes apresentam sintomas típicos como dispneia e fadiga e sinais como turgescência venosa jugular a 45°, resulta de anormalidades da função ou estrutura cardíaca. Apesar de todos os avanços no tratamento médico continua a representar um problema de saúde pública com grande impacto a nível mundial1. Devido à sua elevada incidência e prevalência, esta síndrome é responsável por hospitalizações crescentes especialmente na população mais envelhecida2, acarretando elevados custos em saúde. Aproximadamente 1 a 2% da população adulta nos países desenvolvidos sofre desta síndrome, sendo a prevalência entre pessoas com mais de 70 anos de mais de 10%. Pelo menos metade dos doentes com IC têm diminuição da fracção de ejecção (FE)1. Segundo dados do estudo EPICA3, em Portugal estima-se que a prevalência da IC cro!nica seja de 4,36% na população adulta. A prevalência aumenta com a idade, atingindo os 16,14% nos doentes com mais de 80 anos. Esta prevalência vai aumentar em 50 a 75% até 2030, tendo a síndrome pior prognóstico que o conjunto das neoplasias malignas. Ainda segundo este estudo, as admisso!es hospitalares irão sofrer um aumento de 50% nos pro!ximos 25 anos, sendo que dois terços dos doentes com IC sa!o internados em me!dia duas vezes ao ano e a taxa de re-internamento aos 3 meses por IC é de 20 a 30%3. Existem várias causas de IC sistólica, todavia a doença arterial coronária é atualmente a responsável por cerca de dois terços dos casos, embora a hipertensão e a diabetes mellitus sejam provavelmente factores contribuintes1. Os avanços referidos anteriormente na terapêutica médica, nomeadamente com o uso dos inibidores da enzima de conversão da angiotensina, os betabloqueadores e os antagonistas da aldosterona, que provaram diminuir a mortalidade e a morbilidade nos doentes com IC, tornam-se nos dias de hoje insuficientes no tratamento destes doentes, com as causas de morte maioritariamente ligadas a insuficiência cardíaca progressiva ou a morte súbita por arritmias2. Até aproximadamente uma década atrás, os efeitos mecânicos da ativação eléctrica assíncrona na IC eram completamente negligenciados, apesar da
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 6! primeira evidência neste sentido ter sido publicada há 80 anos atrás por Wigers4. A aplicação clínica das técnicas de estimulação conhecidas como Terapia de Ressincronização Cardíaca (TRC) tiveram, no entanto, início em 1994, quando Cazeau et al. em França, e Baker et al. nos Países Baixos, descreveram os primeiros casos de pacemakers aurículo-ventriculares implantados em doentes com insuficiência cardíaca congestiva (ICC), sem indicação convencional para pacing cardíaco. Este conceito baseou-se principalmente na observação frequente das perturbações da condução intraventricular em doentes com ICC crónica devido a disfunção sistólica ventricular. Nestes doentes, uma duração do QRS ≥ 120 milisegundos (ms) surge em 25 a 50% dos doentes e o bloqueio completo de ramo esquerdo (BCRE) em 15 a 27% destes. Para além disso, a dissincronia aurículo-ventricular (AV) indicada pelo intervalo PR prolongado no ECG de superfície, encontra-se presente até 35% dos doentes com ICC grave5 . A TRC que assume o objectivo de restaurar a sincronia mecânica pela ativação elétrica cardíaca de uma forma coordenada, sem aumento consequente da frequência cardíaca e do consumo de oxigénio pelo miocárdio, revolucionou a terapêutica para muitos doentes com sintomas persistentes de insuficiência cardíaca sistólica6. Atualmente, o interesse neste tópico tem aumentado devido ao acumular de evidência científica no que respeita à comprovação da eficácia deste tratamento. Ao longo da última década, alguns estudos estabeleceram uma base teórica para esta nova modalidade terapêutica e tiraram conclusões relativamente à importância da ressincronização, em relação à melhoria dos sintomas, à morbilidade e à mortalidade nestes doentes5. Neste momento existe evidência significativa, através de estudos clínicos randomizados e controlados, de que a TRC, também designada de pacing biventricular, é uma modalidade terapêutica válida para pacientes com ICC refratária ao tratamento médico, que consiste em melhorar a função de bomba cardíaca através da sincronização da contração ventricular, o que resulta consequentemente em aumento da eficiência de bomba, aumento do tempo de enchimento do ventrículo esquerdo e redução da severidade da regurgitação mitral. Isto traduz-se em melhorias na qualidade de vida e capacidade funcional dos doentes com IC, com concomitante redução nas hospitalizações e
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 7! mortalidade global. Os critérios clássicos de utilização da TRC apenas na IC avançada (New York Heart Association (NYHA) classes III e IV) com evidência de disfunção sistólica (FE ≤35%) e doença do tecido de condução foram alargados para incluir até doentes moderadamente sintomáticos (classes I e II da NYHA). Apesar de todo este sucesso alcançado pela TRC, permanecem tópicos de debate e incerteza. O grupo de doentes denominados de não respondedores (aproximadamente 30% dos doentes) constitui, entre outras, uma limitação desta modalidade terapêutica7. Esta técnica apresenta também os seus riscos e custos, justificando uma análise custo-efetividade, através da optimização dos critérios de escolha dos doentes e da gestão pós-implante destes dispositivos electrónicos implantáveis. O objectivo deste trabalho é fornecer um levantamento abrangente dos desenvolvimentos mais recentes nesta área, explorando as bases fisiopatológicas desta terapêutica, as suas indicações, metodologias, recomendações atuais, limitações e benefícios assim como perspectivas futuras. Como metodologia recorri a uma pesquisa bibliográfica estratégica, que consistiu na recolha de artigos publicados e “in press” através da base de dados da Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MedLine), com um limite temporal de 2000 a 2012, no sentido de recolher os dados mais recentes, sem limitação em termos de linguagem ou outras possíveis restrições. As seguintes palavras-chave foram utilizadas na pesquisa: insuficiência cardíaca, terapia de ressincronização cardíaca, pacing biventricular, insuficiência cardíaca congestiva. CONCEITO DE TERAPIA DE RESSINCRONIZAÇÃO CARDÍACA E BASES MECANOENERGÉTICAS DA DESSINCRONIZAÇÃO E RESSINCRONIZAÇÃO – FUNDAMENTAÇÃO FISIO-PATOLÓGICA A TRC como conceito refere-se a um pacemaker de múltiplos locais, que oferece pacing simultâneo na aurícula direita, ventrículo direito e ventrículo esquerdo, tornando-se um dispositivo electrónico implantável capaz de corrigir a dissincronia mecânica presente. A sequência de ativação eléctrica do coração é um determinante
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 8! importante da coordenação da contração e relaxamento cardíacos e da função cardíaca global. Anormalidades na ativação eléctrica, como o BCRE, podem causar na maioria dos casos, contração assíncrona e retardada da parede lateral, diminuindo portanto a eficiência mecano-energética do coração, resultando em IC. Esta situação funciona muitas vezes como um ciclo, onde os defeitos da condução podem conduzir diretamente a IC ou serem parte integral do processo de remodelagem que acompanha as cardiopatias avançadas. A remodelagem ventricular na IC é um processo progressivo que envolve alterações degenerativas e alterações adaptativas ao nível tecidular. Estas alterações incluem a hipertrofia dos miócitos, inflamação, necrose e fibrose, que afectam a geração, propagação e o sistema de condução ventricular dos impulsos7. Num coração saudável, a ativação da parede ventricular ocorre pelo impulso de condução, onde durante um ritmo sinusal (RS) e na ausência de anormalidades da condução, a ativação elétrica é relativamente síncrona (ocorrendo a ativação dos ventrículos em aproximadamente 70 ms). Existe uma ativação precoce no endocárdio septal do ventrículo esquerdo (VE) e uma ativação tardia no epicárdio da parede lateral do VE. A sequência normal de ativação elétrica é perturbada em doenças que afectam o sistema de condução ventricular, como o BCRE. É de notar que aproximadamente um terço dos doentes com insuficiência cardíaca sistólica apresenta um complexo QRS com uma duração superior a 120 ms, o que habitualmente se manifesta como um BCRE. Este último altera a sequência de contração do VE, provocando a contração precoce ou tardia de segmentos das paredes, originando redistribuição do fluxo sanguíneo miocárdico, metabolismo miocárdico regional não uniforme e alterações nos processos moleculares regionais, tais como no processamento do cálcio e nas proteínas de stress. Nestas circunstâncias, regiões com ativação elétrica precoce contraem primeiro, o que não torna surpreendente que devido a esta alteração no acoplamento excitação-contração, uma ativação elétrica assíncrona conduza a uma contração assíncrona4. Estas perturbações eléctricas resultam em dissincronia ventricular esquerda, observada como um movimento paradoxal da parede septal, o que conduz a alterações na função de bomba cardíaca, uma vez que os atrasos da
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 9! condução intraventricular e AV agravam a disfunção do VE em doentes com cardiopatias subjacentes. A extensão desta assincronia pode ser influenciada por alterações nas características do miocárdio, como a presença de isquemia, fibrose e cicatrizes, que acrescentam complexidade ao padrão de condução cardíaco. Os efeitos deletérios desta dissicronia electro-mecânica consistem no movimento paradoxal da parede septal, enchimento ventricular sub-óptimo, diminuição da contractilidade do VE e aumento da regurgitação mitral. De modo global, a dissincronia parece representar um processo fisiopatológico que deprime de forma direta a função ventricular, provoca remodelagem do VE, conduz a ICC e aumenta o risco de morbilidade e mortalidade6. Esta dissincronia pode existir a nível inter-auricular, aurículo-ventricular, interventricular e intraventricular. A maioria dos estudos têm enfatizado a importância da dissincronia intraventricular como o maior contribuinte para a progressão da IC assim como um preditor de resposta à TRC7. Durante a TRC, o pacing do ventrículo direito (VD) e do ventrículo esquerdo geram duas ondas de ativação ventricular, que se iniciam nos locais de pacing de ambos os ventrículos e que se movem em direções opostas no sentido de se encontrarem. O benefício da TRC baseia-se na fusão eficiente destas duas ondas de despolarização, que sincronizam as paredes do VE. A restante ativação elétrica pode ser posteriormente modulada pelo ajuste dos tempos de impulsos do pacing a nível aurículo-ventricular e interventricular7, pois para além da condução intraventricular, os atrasos no tempo AV também influenciam a função mecânica das quatro câmaras cardíacas. O tempo óptimo da sístole auricular encontra-se relacionado com o aumento do desempenho cardíaco e da duração do enchimento diastólico, bem como da diminuição da regurgitação mitral présistólica5. Deste modo, a TRC melhora a mecano-energética de um coração previamente assíncrono, tendo como benefícios a melhoria da eficiência de bomba cardíaca, a melhoria de enchimento do VE e a redução da severidade da regurgitação mitral.
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 16! Patients with Left Ventricular Systolic Dysfunction) a par com um sub-estudo do CARE-HF. Estes revelaram evidência favorável na remodelagem reversa que foi observada em ambos os estudos no grupo de doentes com sintomas de IC de classe II da NYHA15,16,17,18,19. Esta hipótese foi criando bases para o surgimento dos estudos REVERSE-HF, MADIT-CRT e RAFT. O estudo REVERSE-HF (Resynchronization Reverses Remodeling in Systolic Left Ventricular Disfunction) randomizou 610 doentes com IC de classes I e II da NYHA com duração do QRS≥120ms e FEVE≤40% (valor médio 27%) que receberam TRC vs. controlo por 12 meses. Este estudo demonstrou que a TRC pode atrasar a progressão da IC neste grupo através da remodelagem reversa, verificada através de alterações ecocardiográficas nos doentes submetidos a TRC20. Por sua vez, o estudo MADIT-CRT (Multicenter Automatic Defibrillator Implantation Trial – Cardiac Resynchronization Therapy)20, envolveu 1820 doentes que foram seguidos por 2,4 anos. Os critérios incluíram FEVE<30%, duração do QRS>130ms e doentes com IC de classe I ou II da NYHA. Os doentes foram randomizados, sendo um grupo submetido a CDI vs. outro a CRT-D. Aproximadamente dois terços da população tinha um QRS>150 ms e 80% tinham IC de classe II da NYHA. Neste estudo, a probabilidade de sobrevivência livre de IC mostrou-se muito maior no grupo submetido a CTR-D que no grupo sujeito apenas a CDI21. A superioridade da TRC verificou-se também pela redução de 41% no risco de hospitalização por IC e pelo resultado relativamente à remodelagem reversa, com uma diminuição do volume telesistólico do VE de 57 mL no grupo CRT-D vs. 18 mL no grupo de doentes apenas com CDI20. O mais recente estudo RAFT (The Canadian Study of Survival Benefit Resynchronization-Defibrillation for Ambulatory Heart Failure Trial) estudou 1798 doentes com IC de classes II e III da NYHA por um período de 40 meses. O endpoint primário de morte e/ou hospitalização por IC ocorreu em 33,2% dos doentes do sub-grupo CRT-D vs. 40,3% no sub-grupo sujeito a CDI. Quando estratificados por severidade da IC, a redução de 27% do risco relativo no endpoint primário foi observada no grupo de doentes com IC de classe II da NYHA21. É interessante notar que a resposta ao pacing biventricular nos três estudos anteriormente mencionados foi melhor em doentes com QRS mais largo
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 17! (QRS>150 ms) e naqueles com morfologia de BCRE7. É com base nesta evidência científica que hoje as recomendações acerca do uso da TRC na IC se expandiram deixando de serem apenas classicamente aplicadas a doentes com IC severa. INDICAÇÕES PARA TERAPIA DE RESSINCRONIZAÇÃO CARDÍACA NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA – RECOMENDAÇÕES ATUAIS (SOCIEDADE EUROPEIA DE CARDIOLOGIA, 2012)1 Segundo as mais recentes diretivas da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), ‘ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure 2012’1, podemos dividir as recomendações para a TRC, em doentes com fracção de ejecção persistentemente reduzida e terapêutica farmacológica óptima, num sub-grupo de doentes em que a evidência é forte (RS, classe funcional de IC da NYHA II, III e IV) e noutro sub-grupo em que a evidência é incerta (doentes com IC sintomática – classes de NYHA de II a IV , em fibrilação auricular (FA) ou com uma indicação convencional para pacing). Com base na evidência dos dois ensaios chave, COMPANION e CARE-HF, para a IC mais severamente sintomática, e nos dois ensaios chave para a IC leve a moderada, MADIT-CRT e RAFT, a ESC afirma que já não existe dúvida que os doentes em que se espera que irão sobreviver com bom estado funcional por mais de 1 ano devem receber TRC se estão em RS, se a sua FEVE é baixa (≤30%), se a duração do seu QRS é marcadamente prolongada (≥150ms) e se o ECG evidencia morfologia de BCRE, independentemente da severidade dos sintomas. Neste domínio, as recomendações da ESC resumem-se ao apresentado nos quadros 2 e 3 (classes de recomendação e níveis de evidência explanados no Anexo I).
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 18! Quadro 2: Recomendações para o uso da TRC onde a evidência é forte. (retirado de: ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure 2012, European Heart Journal 33, pág. 1814) Quadro 3: Recomendações para o uso da TRC onde a evidência é forte. (retirado de: ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure 2012, European Heart Journal 33, pág. 1814) Ainda de acordo com estas diretrizes, existem duas situações clínicas mencionadas onde a evidência para o uso da TRC é pouca (ou até contrária), nomeadamente na FA e quando um paciente com redução da fracção de ejecção tem indicação para pacing convencional sem outra indicação para TRC. No caso da FA, o pequeno estudo cego MUSTIC (Multisite Stimulation in †ICD therapy is not indicated in patients in NYHA class IV with severe, drug-refractory, symptoms who are not candidates for CRT, a ventricular assist device, or cardiac transplantation (because such patients have a very limited life expectancy and are more likely to die from pump failure). †Patients should be counselled as to the purpose of an ICD and the complications related to its use (predominantly inappropriate shocks). 153 †If HF deteriorates, deactivation of a patient’s ICD may be considered after appropriate discussion with the patient and caregiver(s). 9.2 Cardiac resynchronization therapy Two large RCTs have shown that CRT is of benefit in patients with mild (NYHA class II) symptoms 154,155 as well as in those who are more severely symptomatic. 156,157 There is little doubt that patients expected to survive with good functional status for .1 year should receive CRT if they are in sinus rhythm, their LVEF is low (≤30%), QRS duration is markedly prolonged (≥150 ms), and an ECG shows a left bundle branch morphology, irrespective of symptom severity. There is less consensus about patients with right bundle branch block or interventricular conduction delay (based on subgroup analyses) and those in AF (because most trials excluded these patients and because a high ventricular rate will prevent resychronization). Another area of debate is what to do in an HF-REF patient without an indication for CRT who needs a conventional pacemaker. 158 The possibility that patients with a QRS duration of ,120 ms may have ‘mechanical dyssynchrony’ (detectable by imaging) and might benefit from CRT is another area of research interest but remains to be proven. 159,160 Recommendations for the use of CRT where the evidence is strong—patients in sinus rhythm with NYHA functional class III and ambulatory class IV heart failure and a persistently reduced ejection fraction, despite optimal pharmacological therapy Recommendations Class a Level b Ref C LBBB QRS morphology CRT-P/CRT-D is recommended in patients in sinus rhythm with a QRS duration of ≥120 ms, LBBB QRS morphology, and an EF ≤35%, who are expected to survive with good functional status for >1 year, to reduce the risk of HF hospitalization and the risk of premature death. IA156, 157 Non-LBBB QRS morphology CRT-P/CRT-D should be considered in patients in sinus rhythm with a QRS duration of ≥150 ms, irrespective of QRS morphology, and an EF ≤35%, who are expected to survive with good functional status for >1 year, to reduce the risk of HF hospitalization and the risk of premature death. IIa A156, 157 CRT-D ¼cardiac resynchronization therapy defibrillator; CRT-P ¼cardiac resynchronization therapy pacemaker; EF ¼ejection fraction; HF ¼heart failure; LBBB ¼left bundle branch block; NYHA ¼New York Heart Association. a Class of recommendation. b Level of evidence. c References. Recommendations for the use of CRT where the evidence is strong—patients in sinus rhythm with NYHA functional class II heart failure and a persistently reduced ejection fraction, despite optimal pharmacological therapy Recommendations ClassaLevelbRef C LBBB QRS morphology CRT, preferably CRT-D is recommended in patients in sinus rhythm with a QRS duration of ≥130 ms, LBBB QRS morphology, and an EF ≤30%, who are expected to survive for >1 year with good functional status, to reduce the risk of HF hospitalization and the risk of premature death. IA154, 155 Non-LBBB QRS morphology CRT, preferably CRT-D should be considered in patients in sinus rhythm with a QRS duration of ≥150 ms, irrespective of QRS morphology, and an EF ≤30%, who are expected to survive for >1 year with good functional status, to reduce the risk of HF hospitalization and the risk of premature death. IIa A154, 155 CRT-D ¼cardiac resynchronization therapy defibrillator; EF ¼ejection fraction; HF ¼heart failure; LBBB ¼left bundle branch block; NYHA ¼New York Heart Association. a Class of recommendation. b Level of evidence. c References. ESC Guidelines1814 †ICD therapy is not indicated in patients in NYHA class IV with severe, drug-refractory, symptoms who are not candidates for CRT, a ventricular assist device, or cardiac transplantation (because such patients have a very limited life expectancy and are more likely to die from pump failure). †Patients should be counselled as to the purpose of an ICD and the complications related to its use (predominantly inappropriate shocks). 153 †If HF deteriorates, deactivation of a patient’s ICD may be considered after appropriate discussion with the patient and caregiver(s). 9.2 Cardiac resynchronization therapy Two large RCTs have shown that CRT is of benefit in patients with mild (NYHA class II) symptoms 154,155 as well as in those who are more severely symptomatic. 156,157 There is little doubt that patients expected to survive with good functional status for .1 year should receive CRT if they are in sinus rhythm, their LVEF is low (≤30%), QRS duration is markedly prolonged (≥150 ms), and an ECG shows a left bundle branch morphology, irrespective of symptom severity. There is less consensus about patients with right bundle branch block or interventricular conduction delay (based on subgroup analyses) and those in AF (because most trials excluded these patients and because a high ventricular rate will prevent resychronization). Another area of debate is what to do in an HF-REF patient without an indication for CRT who needs a conventional pacemaker. 158 The possibility that patients with a QRS duration of ,120 ms may have ‘mechanical dyssynchrony’ (detectable by imaging) and might benefit from CRT is another area of research interest but remains to be proven. 159,160 Recommendations for the use of CRT where the evidence is strong—patients in sinus rhythm with NYHA functional class III and ambulatory class IV heart failure and a persistently reduced ejection fraction, despite optimal pharmacological therapy Recommendations Class a Level b Ref C LBBB QRS morphology CRT-P/CRT-D is recommended in patients in sinus rhythm with a QRS duration of ≥120 ms, LBBB QRS morphology, and an EF ≤35%, who are expected to survive with good functional status for >1 year, to reduce the risk of HF hospitalization and the risk of premature death. IA156, 157 Non-LBBB QRS morphology CRT-P/CRT-D should be considered in patients in sinus rhythm with a QRS duration of ≥150 ms, irrespective of QRS morphology, and an EF ≤35%, who are expected to survive with good functional status for >1 year, to reduce the risk of HF hospitalization and the risk of premature death. IIa A156, 157 CRT-D ¼cardiac resynchronization therapy defibrillator; CRT-P ¼cardiac resynchronization therapy pacemaker; EF ¼ejection fraction; HF ¼heart failure; LBBB ¼left bundle branch block; NYHA ¼New York Heart Association. a Class of recommendation. b Level of evidence. c References. Recommendations for the use of CRT where the evidence is strong—patients in sinus rhythm with NYHA functional class II heart failure and a persistently reduced ejection fraction, despite optimal pharmacological therapy Recommendations ClassaLevelbRef C LBBB QRS morphology CRT, preferably CRT-D is recommended in patients in sinus rhythm with a QRS duration of ≥130 ms, LBBB QRS morphology, and an EF ≤30%, who are expected to survive for >1 year with good functional status, to reduce the risk of HF hospitalization and the risk of premature death. IA154, 155 Non-LBBB QRS morphology CRT, preferably CRT-D should be considered in patients in sinus rhythm with a QRS duration of ≥150 ms, irrespective of QRS morphology, and an EF ≤30%, who are expected to survive for >1 year with good functional status, to reduce the risk of HF hospitalization and the risk of premature death. IIa A154, 155 CRT-D ¼cardiac resynchronization therapy defibrillator; EF ¼ejection fraction; HF ¼heart failure; LBBB ¼left bundle branch block; NYHA ¼New York Heart Association. a Class of recommendation. b Level of evidence. c References. ESC Guidelines1814
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 19! Cardiomyopathies), incluiu 59 doentes com IC com FE reduzida e FA persistente/permanente, uma frequência ventricular baixa necessitando de pacing ventricular permanente e uma duração do QRS de pacing ≥ 200ms. O estudo teve um desenho de 3 meses de pacing convencional vs. 3 meses de TRC. Neste estudo houve uma taxa de desistências de 42% e não houve diferença no endpoint primário de distância percorrida no teste da caminhada de 6 minutos. A questão que transforma este assunto num problema em debate é o facto da maioria dos ensaios randomizados e controlados excluírem os doentes em FA. O estudo RAFT incluiu 229 doentes com FA permanente ou flutter e com uma frequência ventricular controlada (≤60 b.p.m. em repouso e ≤90 b.p.m. durante o teste da caminhada de 6 minutos) ou com ablação da junção AV planeada. As análises obtidas não revelaram diferenças em relação ao efeito do tratamento relacionadas com o ritmo de base, porém este sub-grupo de doentes incluídos representa apenas uma pequena parte da população global. Relativamente aos doentes com indicação convencional para pacing o problema é o mesmo verificado com os doentes com FA, uma vez que excepto o estudo RAFT, nenhum outro grande estudo randomizado e controlado englobou este grupo de doentes. No estudo RAFT, 135 doentes com duração de QRS de pacing ≥ 200ms foram incluídos, o que resulta numa pequena amostra para que se possa obter uma análise significativa. Contudo, o pacing ventricular direito convencional altera a normal sequencia de ativação cardíaca de forma semelhante ao BCRE, e dados experimentais e observacionais sugerem que isto pode conduzir a deterioração da função sistólica do VE, portanto nesta base, a TRC é recomendada pela ESC como uma alternativa ao pacing ventricular direito convencional em doentes com IC com baixa fracção de ejecção que têm uma indicação padrão para pacing ou naqueles que requerem uma mudança no gerador ou revisão do pacemaker convencional.
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 20! Neste seguimento, a ESC faz recomendações no que diz respeito a estas duas condições, segundo o apresentado no quadro 4. Quadro 4: Recomendações para o uso da TRC onde a evidência é incerta. (retirado de: ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure 2012, European Heart Journal 33, pág. 1816) AVALIAÇÃO DA DESSINCRONIZAÇÃO ELÉCTRICA E MECÂNICA - COMO SELECIONAR OS DOENTES? Os doentes candidatos a TRC são primariamente doentes com insuficiência cardíaca com função ventricular esquerda reduzida, e portanto a avaliação das funções sistólica e diastólica é necessária, assim como a avaliação das pressões de enchimento do VE. A informação acerca da FEVE é de importância crucial, uma vez que as recomendações indicam a FEVE como um critério principal de seleção para a TRC. Posteriormente, informação acerca da dissincronia cardíaca é necessária. Embora atualmente as recomendações não incluam a dissincronia cardíaca como critério de seleção, a probabilidade de resposta à TRC é maior na presença de dissincronia do VE. Para além disso, o conhecimento acerca do local de ativação mecânica mais tardia é importante para o melhor posicionamento do eléctrodo de pacing no VE. A informação acerca da presença e extensão do tecido cicatricial também é relevante, uma vez que doentes com extensa cicatriz tecidular têm uma baixa probabilidade de resposta à TRC e se essa cicatriz se localiza no local de implantação do eléctrodo no VE, a probabilidade de falha da 135 patients with a paced QRS duration ≥200 ms, a subgroup too small for meaningful analysis. 155 Conventional right ventricular pacing, however, alters the normal sequence of cardiac activation in a similar way to LBBB, and experimental and observational data suggest that this may lead to deterioration in LV systolic function. 164,165 It is on this basis that CRT is recommended as an alternative to conventional right ventricular pacing in patients with HF-REF who have a standard indication for pacing or who require a generator change or revision of a conventional pacemaker. 10. Arrhythmias, bradycardia, and atrioventricular block in patients with heart failure with reduced ejection fraction and heart failure with preserved ejection fraction The management of arrhythmias is discussed in other ESC guidelines, 143,166 and this section focuses only on aspects that are particularly relevant to patients with HF. 10.1 Atrial fibrillation AF is the most common arrhythmia in HF; it increases the risk of thrombo-embolic complications (particularly stroke) and may lead to worsening of symptoms. Whether AF is an independent predictor of mortality is less certain, as is whether it can cause systolic HF (‘tachycardiomyopathy’). AF should be classified and managed according to the current AF guidelines (i.e. first episode, paroxysmal, persistent, longstanding persistent, or permanent), recognizing the uncertainty about the actual duration of the episode and about previous undetected episodes. 166 The following issues need to be considered in patients with HF and AF, especially a first episode of AF or paroxysmal AF: †Identification of correctable causes (e.g. hyperthyroidism, electrolyte disorders, uncontrolled hypertension, mitral valve disease). †Identification of potential precipitating factors (e.g. recent surgery, chest infection or exacerbation of chronic pulmonary disease/asthma, acute myocardial ischaemia, alcohol binge) as this may determine whether a rhythm-control strategy is preferred to a rate-control strategy. †Assessment for thromboembolism prophylaxis. 10.1.1 Rate control An approach to controlling the ventricular rate in patients with HF and AF is shown in Figure 3. Recommendations for stepwise use of individual treatments in patients with HF-REF are given below. For rate control in patients with HF-REF, a beta-blocker is preferred over digoxin as the latter does not provide rate control during exercise. 167 Furthermore, beta-blockers have favourable effects on mortality and morbidity in systolic HF per se (see above). The combination of digoxin and a beta-blocker is more effective than a beta-blocker alone in controlling the ventricular rate at rest. 168 In patients with HF-PEF, rate-limiting CCBs (verapamil and diltiazem) are an effective alternative to a beta-blocker (but their use is not recommended in patients with HF-REF as their negative inotropic action may further depresses LV systolic function). 134,167 Recommendations for the use of CRT where the evidence is uncertain—patients with symptomatic HF (NYHA functional class II–IV) and a persistently reduced EF despite optimal pharmacological therapy and in AF or with a conventional pacing indication Recommendations Class a Level b Ref C Patients in permanent AF CRT-P/CRT-D may be considered in patients in NYHA functional class III or ambulatory class IV with a QRS duration ≥120 ms and an EF ≤35%, who are expected to survive with good functional status for >1 year, to reduce the risk of HF worsening if: • The patient requires pacing because of an intrinsically slow ventricular rate • The patient is pacemaker dependent as a result of AV nodal ablation • The patient’s ventricular rate is ≤60 b.p.m. at rest and ≤90 b.p.m. on exercise. IIb IIa IIb C C – 163a – Patients with an indication for conventional pacing and no other indication for CRT In patients who are expected to survive with good functional status for >1 year: • CRT should be considered in those in NYHA functional class III or IV with an EF ≤35%, irrespective of QRS duration, to reduce the risk of worsening of HF • CRT may be considered in those in NYHA functional class II with an EF ≤35%, irrespective of QRS duration, to reduce the risk of worsening of HF. IIa IIb C C – – B CRT-D ¼cardiac resynchronization therapy defibrillator; CRT-P ¼cardiac resynchronization therapy pacemaker; EF ¼ejection fraction; HF ¼heart failure; NYHA ¼New York Heart Association. a Class of recommendation. b Level of evidence. c References. ESC Guidelines1816
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 21! terapêutica é elevada. Todos os aspectos acima apresentados são de considerar na seleção dos doentes sujeitos a TRC. Os marcadores de dissincronia correntemente utilizados baseiam-se nos dados do ECG de superfície de 12 derivações. O racional para o uso da largura do QRS como uma indicação da dissincronia ventricular é o facto das anormalidades na condução eléctrica contribuírem para a dissincronia mecânica, tendo sido este o parâmetro mais consistentemente usado em ensaios clínicos e considerado um marcador simples e conveniente na seleção destes doentes6. Apesar do referido, este critério é imperfeito, pois é impreciso na predição da resposta à TRC, devido à complexidade e aos múltiplos níveis de dissincronia eléctrica e mecânica no coração disfuncionante. A ecografia tem sido usada para a seleção destes doentes. Técnicas de ecocardiografia como o Mmode, a ecocardiografia bi e tridimensional e a imagem de Doppler tecidular (TDI) têm sido estudadas no sentido de identificarem critérios para uma melhor seleção dos doentes, contudo estes não têm sido convincentes para predizer a resposta à TRC. A TDI facilita a medição da dissincronia através da avaliação da direção e velocidade do movimento longitudinal da parede do miocárdio, sendo que a diferença nas velocidades dos vários segmentos pode ser observada. Contudo, com a TDI, a movimentação miocárdica passiva não pode ser distinguida das contrações ativas, o que acontece quando avaliamos um doente com cardiopatia isquémica que pode ter segmentos com cicatriz7,22. O estudo PROSPECT (Results of the Predictors of Response to CRT) e o RethinQ (Cardiac-resynchronization therapy in heart failure with narrow QRS complexes) são estudos multicêntricos desenhados para avaliar a utilidade dos parâmetros de dissincronia e preverem a resposta à TRC. O estudo PROSPECT é um estudo não randomizado, observacional e prospectivo, que envolveu 426 doentes sujeitos a colocação do dispositivo de acordo com os atuais critérios electrocardiográficos. Antes da colocação dos dispositivos, os doentes foram submetidos a avaliações da dissincronia através de vários métodos para avaliar a dissincronia intra e interventricular, incluindo o M-mode e o TDI. Neste estudo, nenhum critério ecográfico foi capaz de predizer a resposta à TRC7,23. O estudo RethinQ por sua vez envolveu 215 doentes com IC de classe funcional da NYHA III ou IV, FEVE ≤ 35% e duração do QRS < 130ms. A
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 22! dissincronia foi avaliada pelos métodos M-mode e parâmetros do TDI, sendo que também este não revelou nenhum critério ecocardiográfico que pudesse predizer a resposta a esta terapêutica7. Novas técnicas ecocardiográficas estão a ser desenvolvidas como o speckle tracking, modalidade que mede os atrasos nas taxas de deformação radial e longitudinal entre diferentes paredes e a ecocardiografia tridimensional, que permite obter as alterações regionais do volume em cada momento do ciclo cardíaco. A ressonância magnética cardíaca (RMC) poderá também vir a ser útil ao permitir a obtenção do nível de fibrose e movimento das paredes para que se possa determinar o índice de sincronização tecidular (RMC-IST). O estudo tomográfico de perfusão e função ventricular (GATEDSPECT), técnica de medicina nuclear, tem sido também utilizada permitindo não só a determinação indireta do fluxo sanguíneo, como a contractilidade regional e o espessamento sistólico24,25,26,27,28,29. Nenhum estudo randomizado e controlado demonstrou até ao momento, que estes novos avanços sejam superiores aos atuais critérios de seleção dos doentes. GESTÃO DOS NÃO-RESPONDEDORES – MAXIMIZAÇÃO DA RESPOSTA Apesar do claros benefícios apresentados pela TRC, existem questões que ainda permanecem em aberto, sendo atualmente a mais significativa, o facto de mais de um terço do doentes tratados com TRC não obtêm nenhum benefício. Tendo em conta os consideráveis custos que advêm tanto da IC, como da TRC como opção terapêutica, não podemos subestimar a importância de maximizar a resposta em todos os doentes. A heterogeneidade na definição de resposta à TRC é em si uma barreira potencial ao progresso nesta área dos não-respondedores30. Existem diferentes motivos apresentados na literatura para explicar os não respondedores: primeiro, a seleção dos doentes baseada na duração do QRS não é óptima, dado que existem na literatura muitas referências ao facto de que a duração do QRS não prediz resposta à TRC e acredita-se que a dissincronia mecânica (avaliada por técnicas ecocardiográficas) e não a elétrica seja um importante factor de resposta à terapia, sendo a dissincronia intraventricular
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 23! sugerida como o factor mais importante desta resposta31. Em oposição, existem estudos que revelam que a decisão deve ser baseada nas recomendações atuais e não em índices de dissincronia ecocardiográfica32, que até hoje não se revelaram melhores preditores de resposta à TRC que os critérios electrocardiográficos atuais. O grande problema na avaliação da dissincronia ventricular reside também no facto da avaliação ser feita por diferentes técnicas ecocardiográficas, bem como com o recurso à utilização de cut-offs diversos. O grande estudo multicêntrico PROSPECT revelou que a estes métodos lhes faltava sensibilidade e especificidade para que pudessem afectar a tomada de decisões clinicas23. O posicionamento do eléctrodo de pacing no local que não o ideal, também tem sido sugerido como um factor que pode contribuir para uma pior resposta à TRC31. Outro dos motivos apresentados é a presença de extenso tecido cicatricial no VE, uma vez o eléctrodo implantado neste local impossibilita uma resposta máxima à TRC33,34. Esta informação poderá ser obtida futuramente por várias técnicas de imagem como a ecocardiografia, a RMC e a medicina nuclear. A presença de disfunção ventricular direita severa e hipertensão pulmonar também foram demonstradas como sendo associadas a não resposta e até a mau prognóstico em doentes tratados com TRC35. Em alguns doentes, informação acerca da presença e localização das veias cardíacas previamente à implantação pode ser importante, uma vez que, se estas estão ausentes na região de ativação mecânica mais tardia, a abordagem transvenosa para o pacing do VE pode não ser a mais vantajosa, prejudicando a resposta. Um motivo também apontado para este problema, é a adequada programação do dispositivo, sendo muito importante a optimização dos atrasos aurículo-ventricular e interventricular, de modo a encontrar o intervalo óptimo para que haja um maior tempo de enchimento diastólico, e assim, um maior volume ejectado, diminuindo a probabilidade de regurgitação mitral présistólica36. De um modo geral, os estudos indicam que alguns doentes com doença cardíaca isquémica (DCI), os doentes com bloqueio completo de ramo direito (BCRD), as IC em classe IV da NYHA, a insuficiência renal crónica, a diabetes
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 24! mellitus, o aumento dos níveis de péptido natriurético cerebral, a regurgitação mitral grave e a idade avançada têm má resposta à TRC e estão associados a um pior prognóstico. Pelo oposto, os doentes com cardiopatia não isquémica, BCRE, QRS largo e dimensões pequenas do VE apresentam melhor resposta à TRC37. Sendo vários os factores que podem ser responsáveis pela resposta à TRC, faz sentido avaliar parâmetros para além da largura do QRS de modo a tentar diminuir esta alta taxa de não-respondedores6. SEGUIMENTO E PROGNÓSTICO O cuidado pós-implantação não deve ser esquecido, uma vez que o correto seguimento melhora os resultados finais, após os benefícios hemodinâmicos da implantação. O seguimento destes doentes deve englobar a optimização dos intervalos AV e interventriculares, a informação dada pelo dispositivo para estratificar os doentes quanto ao seu risco e titular as suas medicações, e a identificação precoce e tratamento dos não-respondedores7. Existem atualmente dados consideráveis que sugerem que o ajuste e optimização do intervalo AV pode resultar em benefícios hemodinâmicos. O melhor benefício resulta de intervalos AV mais curtos que aqueles para doentes com QRS estreitos, pois permitem uma completa captura dos ventrículos pelas duas frentes de onda de ativação do pacing. O valor exacto deste intervalo AV é específico para cada doente, porém no estudo PATH-CHF (The Pacing Therapies for Congestive Heart Failure), o atraso AV óptimo médio para doentes com QRS≥ 150ms foi de 43% do seu intervalo AV intracardíaco intrínseco e para doentes com QRS estreitos foi de 80% do seu intervalo AV intracardíaco intrínseco38. Recentemente, Mullens et. al. mostrou que uma percentagem substancial dos não-respondedores podem beneficiar de optimização do intervalo AV7. Isto não significa que todos os doentes durante o seguimento necessitam de optimização do intervalo AV, porém devido a fatores individuais, presença de cicatrizes ou até de diferenças no posicionamento do eléctrodo, a avaliação deste parâmetro deverá estar sempre presente. O intervalo interventricular (VV) também é um factor de importância. Os novos dispositivos têm a opção de optimizar o intervalo VV, permitindo que o VE
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 25! e o VD sejam estimulados simultaneamente ou de modo sequencial. Embora na maioria dos casos, a contração simultânea do VE e do VD produza os melhores resultados hemodinâmicos, em alguns, a pré-excitação do VE antes do VD parece optimizar a sincronização e aumentar a função sistólica do VE. Isto permite aos doentes que anteriormente tinham uma dissincronia ventricular ajustar os seus padrões de despolarização optimizando a sua função cardíaca global. É de ressalvar que o seguimento destes doentes deve ser feito por uma equipa multi-disciplinar de profissionais de saúde (cardiologistas, enfermeiros, técnicos de cardiopneumologia, entre outros), no sentido da optimização dos dispositivos e do cuidado contínuo do doente com IC que per se não implica só a monitorização técnica do aparelho. Em relação ao prognóstico destes doentes, os dados recentes do estudo ‘The European CRT Survey’39 que envolveram o follow-up por 1 ano de doentes de 141 centros e 13 países entre Novembro de 2008 e Junho de 2009, mostraram uma sobrevivência global superior a 90%. Este estudo, que engloba doentes representativos daqueles encontrados na prática clínica diária, sustenta os benefícios da TRC em relação à melhoria de sintomas e à redução da mortalidade e do número de hospitalizações, observados nos outros estudos randomizados e controlados até ao momento, como analisado no quadro 5.
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 32! Anexo II – Classificação funcional da New York Heart Association baseada na gravidade dos sintomas e grau de atividade física (quadro retirado de: ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure 2012, European Heart Journal 33, pág. 1794) 3.5 Epidemiology, aetiology, pathophysiology, and natural history of heart failure Approximately 1–2% of the adult population in developed countries has HF, with the prevalence rising to ≥10% among persons 70 years of age or older. 15 There are many causes of HF, and these vary in different parts of the world (Web Table 3). At least half of patients with HF have a low EF (i.e. HF-REF). HF-REF is the best understood type of HF in terms of pathophysiology and treatment, and is the focus of these guidelines. Coronary artery disease (CAD) is the cause of approximately two-thirds of cases of systolic HF, although hypertension and diabetes are probable contributing factors in many cases. There are many other causes of systolic HF (Web Table 3), which include previous viral infection (recognized or unrecognized), alcohol abuse, chemotherapy (e.g. doxorubicin or trastuzumab), and ‘idiopathic’ dilated cardiomyopathy (although the cause is thought to be unknown, some of these cases may have a genetic basis). 16 HF-PEF seems to have a different epidemiological and aetiological profile from HF-REF. 17,18 Patients with HF-PEF are older and more often female and obese than those with HF-REF. They are less likely to have coronary heart disease and more likely to have hypertension and atrial fibrillation (AF). Patients with HF-PEF have a better prognosis than those with HF-REF (see below). 19 In patients with LV systolic dysfunction, the maladaptive changes occurring in surviving myocytes and extracellular matrix after myocardial injury (e.g. myocardial infarction) lead to pathological ‘remodelling’ of the ventricle with dilatation and impaired contractility, one measure of which is a reduced EF. 11,20 What characterizes untreated systolic dysfunction is progressive worsening of these changes over time, with increasing enlargement of the left ventricle and decline in EF, even though the patient may be symptomless initially. Two mechanisms are thought to account for this progression. The first is occurrence of further events leading to additional myocyte death (e.g. recurrent myocardial infarction). The other is the systemic responses induced by the decline in systolic function, particularly neurohumoral activation. Two key neurohumoral systems activated in HF are the renin– angiotensin–aldosterone system and sympathetic nervous system. In addition to causing further myocardial injury, these systemic responses have detrimental effects on the blood vessels, kidneys, muscles, bone marrow, lungs, and liver, and create a pathophysiological ‘vicious cycle’, accounting for many of the clinical features of the HF syndrome, including myocardial electrical instability. Interruption of these two key processes is the basis of much of the effective treatment of HF. 11,20 Clinically, the aforementioned changes are associated with the development of symptoms and worsening of these over time, leading to diminished quality of life, declining functional capacity, episodes of frank decompensation leading to hospital admission (which is often recurrent and costly to health services), and premature death, usually due to pump failure or a ventricular arrhythmia. The limited cardiac reserve of such patients is also dependent on atrial contraction, synchronized contraction of the left ventricle, and a normal interaction between the right and left ventricles. Intercurrent events affecting any of these [e.g. the development of AF or conduction abnormalities, such as left bundle branch block (LBBB)] or imposing an additional haemodynamic load on the failing heart (e.g. anaemia) can lead to acute decompensation. Before 1990, the modern era of treatment, 60–70% of patients died within 5 years of diagnosis, and admission to hospital with worsening symptoms was frequent and recurrent, leading to an epidemic of hospitalization for HF in many countries. 21–23 Effective treatment has improved both of these outcomes, with a relative reduction in hospitalization in recent years of 30–50% and smaller but significant decreases in mortality. 21–23 3.6 Diagnosis of heart failure 3.6.1 Symptoms and signs The diagnosis of HF can be difficult, especially in the early stages. Although symptoms bring patients to medical attention, many of the symptoms of HF (Table 4) are non-specific and do not, therefore, help discriminate between HF and other problems. Symptoms that are more specific (i.e. orthopnoea and paroxysmal nocturnal dyspnoea) are less common, especially in patients with milder symptoms, and are, therefore, insensitive. 2–6 Many of the signs of HF result from sodium and water retention, and are, therefore, also not specific. Peripheral oedema has other causes as well, and is particularly non-specific. Signs resulting from sodium and water retention (e.g. peripheral oedema) resolve quickly with diuretic therapy (i.e. may be absent in patients receiving such treatment, making it more difficult to assess patients already treated in this way). More specific signs, such as elevated jugular venous pressure and displacement of the apical impulse, are harder to detect and, therefore, less reproducible (i.e. agreement between different doctors examining the same patient may be poor). 2–6 Symptoms and signs may be particularly difficult to identify and interpret in obese individuals, in the elderly, and in patients with chronic lung disease. 24–26 The patient’s medical history is also important. HF is unusual in an individual with no relevant medical history (e.g. a potential cause of cardiac damage), whereas certain features, particularly previous myocardial infarction, greatly increase the likelihood of HF in a Table 2 New York Heart Association functional classification based on severity of symptoms and physical activity Class I No limitation of physical activity. Ordinary physical activity does not cause undue breathlessness, fatigue, or palpitations. Class II Slight limitation of physical activity. Comfortable at rest, but ordinary physical activity results in undue breathlessness, fatigue, or palpitations. Class III Marked limitation of physical activity. Comfortable at rest, but less than ordinary physical activity results in undue breathlessness, fatigue, or palpitations. Class IV Unable to carry on any physical activity without discomfort. Symptoms at rest can be present. If any physical activity is undertaken, discomfort is increased. ESC Guidelines1794
! ! ! TERAPIA!DE!RESSINCRONIZAÇÃO!CARDÍACA!EM!DOENTES!COM!INSUFICIÊNCIA!CARDÍACA! ! ! ! 33! REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. McMurray V, et. al. (2012) ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure 2012. European Heart Journal 33: 1787 - 1847. 2. Jeevanantham V, et. al. (2009) Cardiac resynchronization therapy in heart failure patients: An update. Cardiology Journal 16: 197-209. 3. Ceia F, et.al. (2002) Prevalence of chronic heart failure in Southwestern Europe: the EPICA study. The European Journal of Heart Failure 4: 531-539. 4. Prinzen W, et.al. (2011) Mechano-energetics of the asynchronous and resynchronized heart. Heart Failure Reviews 16: 215-224. 5. Vardas E, et. al. (2007) Orientações para pacing cardíaco e terapia de ressincronização cardíaca. European Heart Journal 28: 2256-2295. 6. Owen S, et.al. (2009) Cardiac Resynchronization Therapy. The Ochsner Journal 9:248-256. 7. Singh P, Gras D (2011) Biventricular pacing: current trends and future strategies. European Heart Journal doi:10.1093/eurheartj/ehr366. 8. Donegan E, et. al. (2010) Cardiac resynchronisation therapy for the treatment of heart failure. National Institute for Health and Clinical Excellence, guidance 120. 9. Yu C, et. al. (2008) Cardiac Resynchronization Therapy. Blackwell Futura. 10. Mc Alister F, et. al. (2004) Systematic Review: Cardiac Resynchronization in Patients with Symptomatic Heart Failure. Ann Intern Med 141:381-390. 11. Mihalcz A, et. al. (2012) Comparison of the Efficacy of Two Surgical Alternatives for Cardiac Resynchronization Therapy: Trans-Apical versus Epicardial Left Ventricular Pacing. PACE 35. 12. Bogale N, for The CRT Survey Scientific Committee (2009) European cardiac resynchronization therapy survey: rationale and design. European Journal of Heart Failure 11:326-330. 13. Zipes D, et. al. (2006) ACC/AHA/ESC 2006 guidelines for managment of patients with ventricular arrythmias and the prevention of sudden cardiac death. Europace 8:746-837.
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