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Espaços da Morte na Historiografia de Tácito

Pimentel, Maria Cristina, 1954-

Abstract

Tacite est, en général, peu prolixe dans la description des espaces physiques où se déroulent les événements évoqués dans son histoire. Il est donc très significatif d’observer les passages où une spéciale attention est accordée aux espaces servant de décor à la tragédie de ceux qui tombent en disgrâce. L’évocation de ces espaces souligne le réalisme et le pathétique de la scène et conduit le lecteur à une réflexion sur les mécanismes de la tyrannie et, en dernier ressort, sur la condition humaine. Une analyse centrée sur les six premiers livres des Annales, met en évidence le fait que les crimes de Tibère semblent se concentrer dans un nombre restreint de lieux (îles, prisons, rues et places de Rome, la curie, l’intérieur des maisons), auxquels Tacite attribue non seulement une valeur descriptive mais aussi une dimension symbolique que le lecteur est à même de déchiffrer.

Full text

F ancisco de Oli ei a, Cláudia Teixei a, Paula Ba a a Dias (coo ds.) Espaços e Paisagens An iguidade Clássica e He anças Con empo âneas Vol. I Línguas e Li e a u as. G écia e Roma IMPRENSA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA COIMBRA UNIVERSITY PRESS ANNABLUME 255 255 ESPAçOS DA MORTE NA HISTORIOGRAFIA DE TÁCITO Ma ia C is ina Pimen el Faculdade de Le as da uni e sidade de Lisboa [email p o ec ed] Résumé Taci e es , en géné al, peu p olixe dans la desc ip ion des espaces physiques où se dé oulen les é énemen s é oqués dans son his oi e. Il es donc ès signi ica i d’obse e les passages où une spéciale a en ion es acco dée aux espaces se an de déco à la agédie de ceux qui omben en disg âce. L’é oca ion de ces espaces souligne le éalisme e le pa hé ique de la scène e condui le lec eu à une é lexion su les mécanismes de la y annie e , en de nie esso , su la condi ion humaine. Une analyse cen ée su les six p emie s li es des Annales, me en é idence le ai que les c imes de Tibè e semblen se concen e dans un nomb e es ein de lieux (îles, p isons, ues e places de Rome, la cu ie, l’in é ieu des maisons), auxquels Taci e a ibue non seulemen une aleu desc ip i e mais aussi une dimension symbolique que le lec eu es à même de déchi e . Pala as-cha e: Annales, espaços da mo e, his o iog a ia ágica, Táci o, Tibé io, i ania. Um homem es á na ma gem de uma ilha e ixa os olhos na imensidão do ma . Ele sabe que hão-de i pa a i a -lhe a ida. Es á há ca o ze anos exilado, mas al ez enha sabido ou p essin a que a mo e de Augus o da á en im a Tibé io o pode de sol a a i a e sacia o seu anco . O homem que Táci o assim nos ap esen a é Semp ónio G aco, implicado em p ocesso po adul é io com a ilha de Augus o e exilado numa ilha jun o à cos a da A ica. Ele é uma das p imei as í imas de Tibé io, uma en e mui as de uma longa lis a de assassínios, execuções e suicídios com que Táci o le a o lei o a e lec i sob e os mecanismos da i ania e, em úl ima ins ância, sob e a p óp ia condição humana. G aco não é, nem Táci o que que pensemos que e a, alguém cuja condu a e ca ác e me ecessem lou o . Bem pelo con á io: o his o iado não deixa de egis a a indignidade que lhe aleu o exílio. Mas o que p e ende ao mos á- -lo, só, longe de udo e de odos, à bei a do ma e à espe a do im, nihil lae um oppe ien em (Ann. 1.53.5), é dá-lo como exemplo de alguém cuja a i ude pe an e a mo e como que edimiu a ida pau ada pela dissolução. E é ambém esc e e mais um apon amen o que, somado a mui os ou os dos seis p imei os li os dos Annales, se aduzi á no balanço unes o de um p incipado ma cado 256 256 pelo e o e pela a bi a iedade, ema que a a essa oda a ob a, sus en ando a e lexão sob e o egime polí ico ins i uído po Augus o. E a imagem que gua damos – a que Táci o sem dú ida quis que gua dássemos – é essa: um homem es á sozinho e sem de esa pe an e a mo e. Sob e ele aba e- se a o ça cega da p epo ência impe ial. Numa ilha, como se esse espaço echado, essas ma gens que o ce cam, simbolizassem a impossibilidade de escapa à iolência e à o una ad e sa. G aco, po ém, não se deixa e ga pelo medo, nem abdica de se homem e olha a mo e com se enidade e co agem, com a cons an ia desejada pelos es óicos. Não é como bicho acossado ou conduzido ao aba e que ele que sai da ida. Po isso, aos soldados que êm pa a o ma a e que sem dú ida iu ap oxima em-se da ímb ia da ilha onde Táci o o oca, pede apenas um b eue empus pa a esc e e à mulhe as de adei as on ades. Depois, sem acila , ce uicem... pe cusso ibus ob uli . G aco não é a p imei a í ima de Tibé io após a sua ascensão ao pode . Táci o e oca a já o p imum acinus (1.6.1) desse p incipado, o assassínio de Ag ipa Pós umo, úl imo ne o de Augus o. Exilado na ilha de Planásia, ambém ele es á sem a mas e inde eso quando o ibuno que o igia, em cump imen o de o dens indas de Roma, o su p eende e ma a. Ag ipa, po ém, esis iu à mo e, deu lu a, o que é coe en e com a in o mação an e io de que e a ux, es upidamen e o gulhoso da sua o ça ísica, e desp o ido de qualque cul u a (1.3.4; 4.3). Isso não impede, oda ia, que no momen o da mo e Táci o o ixe numa a i ude não isen a de dignidade, ecusando-se a mo e sem ao menos opo a esis ência de quem nada em de que se acusa . O a, se obse a mos que o im de G aco é e ocado no mesmo capí ulo em que se egis a a mo e de Júlia, ou o a sua aman e e ilha de Augus o, epudiada mulhe de Tibé io e mãe de Ag ipa, e emos que a associação en e es as ês igu as não pode se in olun á ia po pa e do his o iado e suge e mui o mais do que uma lei u a imedia a que a jus i ique pelos laços a ec i os e de sangue que os unem. Táci o deixa-nos en e e , associando-os na mo e, a unes a coe ência de Tibé io ao conce a uma ingança ansiada du an e anos: Ag ipa, úl imo ilho de Júlia e sua de adei a espe ança, oi o p imei o a se mo o, po medo de que cons i uísse ameaça polí ica. Depois eio a ingança con a a mulhe que a en ou con a a sua hon a, que o pôs a idículo com sucessi os e públicos adul é ios. Pa a ela ese ou uma mo e len a, à míngua de udo, con encido de que passa ia desape cebido o seu desapa ecimen o após an os anos longe de Roma. Na mesma al u a, az execu a G aco, que o a on a a, que inci a a Júlia a des espei á-lo e o a um dos mui os aman es dela: po isso é como se Tibé io nele quisesse aniquila odos aqueles com quem Júlia se cob i a e o cob i a a ele de op ób io. Des e modo, Táci o mos a-nos Tibé io como alguém que, gua dando den o de si um ódio anco oso que só se sacia a com sangue, há mui os anos espe a a o momen o em que pudesse ace a as con as com os que o ha iam insul ado, em que i esse as mãos li es pa a a as a do caminho odos os que lhe pa eciam ep esen a uma ameaça ao seu pode . A uni as ês í imas es á ambém um espaço echado, de ce co: Júlia mo e Ma ia C is ina Pimen el 257 257 no oppidum de Rhegium, gua dada à is a; Ag ipa e G aco cada um em sua ilha, aquele mo o pela gua da des acada pa a o igia , es e po soldados en iados pa a o assassina em. O im des as pe sonagens, sepa adas no espaço mas unidas no ano da mo e e na his ó ia comum, o na-se assim o p imei o andamen o de uma composição de ons dissonan es que incomoda a alma de quem lê e nos põe de imedia o na expec a i a de uma sequência a oz de massac es no p incipado de Tibé io. A a enção aos espaços em que se desen ola a agédia daqueles que caem em desg aça, como o ma de da mais ealismo ou sublinha o pa é ico de um quad o, é ambém exp essi a no caso de Libão D uso. Acusado de conspi a con a Tibé io, Táci o en ende que o p ocesso de que oi al o me ece um ela o especialmen e cuidado, já que oi o p imei o de mui os que du an e an os anos mina am o Es ado. Saímos, pois, de uma es e a pessoal, a dos a ec os e desa ec os de Tibé io, pa a passa mos a um mal mais pe sis en e e de as ado : aquele que a ingi á os melho es de Roma, quase semp e inocen es dos c imes de que os acusam. Libão em con a si quem lhe é p óximo. O p imei o a p o oca -lhe a uína é um amigo ín imo, que ap o ei a a sua ju en ude, inexpe iência e i e lexão pa a o incen i a à consul a dos as ólogos e o le a a anglo ia -se da sua es i pe e da jus eza da p e ensão a um des ino mais al o. Apanhado numa cilada de que não consegui á sai , D uso ape cebe-se da desg aça iminen e e en a encon a quem, no senado onde se á julgado, o de enda. Táci o e a a- lhe a a lição (2.29), indo de casa em casa (ci cumi e domos) a suplica aos que lhe e am p óximos que alguém acei e apoiá-lo. Mas, desse mo imen o que se adi inha em c escen e desespe o, apenas esul a a ex ema aqueza que o le a a, no dia do p ocesso, e de se anspo ado de li ei a a é às po as da cú ia, de o ado de medo e de inquie ação. À sua ol a ize a-se um dese o, pois odos lhe inham negado ajuda, in ocando di e sos p e ex os que, segundo Táci o, inham no en an o a mesma causa: o e o (eadem o midine) pe an e o isco de ambém eles se em acusados. O his o iado não censu a os que assim agi am. Di -se-á que os comp eende. Mas as mui as ezes em que acusa os g andes de Roma, pa icula men e os senado es, de segni ia, de pa ien ia se uilis, de al a de solida iedade en e si, de coba dia e gonhosa que a nada conduz pois os o na cada ez mais desp o egidos pe an e a iolência do p inceps, sem dú ida es ão na men e do lei o . E D uso, com oda a inconsciência da sua ju en ude, a sua hyb is que o ai pe de , o na-se, no momen o da queda, uma í ima que, aos nossos olhos, despe a ão-só comise ação e simpa ia. Táci o de ém-se en ão nos úl imos momen os de D uso. Ou indo as acusações e pe cebendo que nada o pode ia sal a , ele pede que a sessão do senado seja suspensa a é ao dia seguin e. Da cú ia, Táci o conduz-nos a é casa de D uso, onde o úl imo ac o des a agédia e á luga . Toda a casa es á ce cada e in adida po soldados, que os ensi a e uidosamen e se mani es am no es íbulo pa a que os ouçam e ejam. A manob a de in imidação é e iden e, al como é cla o, pelo e bo que Táci o escolhe e usa na oz passi a (2.31.1: cingeba u ), que D uso es á no cen o de um cí culo que se ape a em o no Espaços da mo e na his o iog a ia de Táci o 258 258 dele. Pensa a que um es im lhe adoça ia as de adei as ho as, em ez disso é o men o o que sen e, a pon o de que e pô e mo à ida sem mais espe a . Implo a aos esc a os que o ma em, mas odos ecusam e o deixam, omados pela o ça cen í uga que é o medo: uma ez mais, D uso é abandonado po odos. Na a lição com que dele ogem, omba a candeia colocada sob e a mesa e a sala me gulha na escu idão, numas e as unes as que p enunciam as da mo e. É nessa noi e neg a, nessa sala ce cada de soldados ameaçado es e azia de mãos que o ajudem, que D uso se e e no en e. Táci o az-nos escu a o gemido, o som do co po que cai pesadamen e, ou ido pelos libe os que só en ão aco em, num mo imen o con á io ao de pouco an es ( e ugiun ... adcu e e), logo seguidos dos soldados que, endo-o mo o, inalmen e se e i am da casa, espaço p i ado que a sua b u eza iola a. A mo e de D uso é o malmen e um suicídio. Mas Táci o, com o po meno dado ao episódio, mos a que oi como um assassínio p og amado e execu ado, com ia lucidez, pelos pa es de D uso e, em úl ima ins ância, po Tibé io. O quad o des e p ocesso ap oxima-se, em signi ica i os aspec os, do de Pisão, o alegado assassino de Ge mânico. Também aqui há dois espaços que se sucedem, co espondendo a dois momen os di e en es, mas igualmen e ágicos, do episódio: a cú ia, onde Pisão é julgado; a sua p óp ia casa, onde se suicida, an ecipando-se à condenação ine i á el. Na cú ia, enquan o se esmiúçam os ag a os, ou e-se a populaça ameaça que in adi á a sala se o éu não o condenado. Em o no de Pisão, como acon ece a com D uso, ape a-se um duplo laço: um p imei o nó, o dos senado es eunidos pa a o pe de ; um segundo, o da mul idão que agua da, incon ida e minaz. Quando a sessão é suspensa, Pisão é le ado numa li ei a, acompanhado pelo ibuno da gua da p e o iana. Como Libão, ambém ele eg essa a casa sob cus ódia. Em no a sessão do senado, Pisão en a ainda de ende -se, mas pe cebe que não em sal ação. De no o Táci o nos mos a um homem ao lado de quem ninguém icou, abandonado a é pela mulhe , Plancina, inicialmen e implicada com ele mas que, ga an ido o apoio de Lí ia, se a as a do ma ido deixando-o à me cê da sua so e. É essa commu a io o unae que o his o iado ealça, azendo o lei o esquece que sob e Pisão pesa a acusação g a íssima, não de odo in undada, de e en enenado Ge mânico, o amado gene al que quase odos que iam e sucede a Tibé io. O a, o p óp io p inceps, que e ia sido o mandan e do c ime, ia-o ago a Pisão num mu ismo sine mise a ione, sine i a, obs ina um clausumque (3.15.2), dominando e escondendo qualque sinal de sen imen o ou emoção. É isso que o decide a mo e e, assim, Táci o le a uma ez mais o lei o a a ibui a Tibé io a esponsabilidade dessa mo e. Pisão eg essa a casa: aí, sob p e ex o de p epa a a de esa pa a o dia seguin e, esc e e uma ca a ao p inceps, cump e os habi uais p ecei os de higiene e, noi e den o, depois de a mulhe e saído do qua o, mandou que ancassem a po a. Ao ompe do dia, encon a am-no caído, a ga gan a co ada com a p óp ia espada. Se o p ocesso, a pa e pública des e d ama, se desen olou na cú ia, é em casa, com a se enidade e a i meza que os i os quo idianos e elam, com o Ma ia C is ina Pimen el 259 259 ânimo co ajoso com que, po esc i o, a i ma a Tibé io a sua inocência e a sua nunca queb ada lealdade pa a com ele, que Pisão nos su ge, pela a e de Táci o, mais p o undamen e humano no desejo de p i acidade na mo e. Sozinho – como sozinho es a a en e às o ças que o esmaga am – no silêncio da noi e e na es ei eza de um cubiculum, Pisão é mais uma igu a que Táci o nos mos a na complexidade do se humano que e a, mas nem po isso deixa de me ece a nossa admi ação quando acei a a mo e, não com o os o cabisbaixo dos encidos, mas com a cabeça e guida de quem a i a sem émi o da consciência. Na sua escalada con a a amília de Ge mânico e odos os que conse assem amizade ou lealdade pa a com ela, Tibé io decide, no ano 28, aniquila Tício Sabino. Táci o mos a udo o que, nes e caso, oi ignominioso: an es do mais egis a o ac o de a p isão e uína de Sabino e ido luga no início do ano, o que, a endendo à sac alidade da época, con igu a um oedum p incipium (4.68.1). É nesse momen o em que se omam auspícios inaugu ais que ele é a as ado pa a a p isão. A indignidade do que em de supo a é depois ealçada pela e e ência ao seu es a o social (inlus i equi e Romano). Só en ão Táci o e ela as causas da sua pe dição: ob amici iam Ge manici; e po que não inha desampa ado a iú a, Ag ipina, e os ilhos, que con inua a a isi a e a acompanha publicamen e. Táci o ela a em analepse os po meno es da a madilha que lhe p epa a am, enume ando, em jei o de denúncia, o nome dos qua o an igos p e o es que, pa a ag ada em a Sejano e, assim, pode em aspi a ao consulado, se uni am pa a o inc imina em. Sabino não se ape cebeu do dolo, con iou em quem julga a se since o na sua comise ação po Ag ipina e os ilhos, no ódio exp esso po Sejano e po Tibé io. O his o iado des enda, como az em mui as ou as ocasiões, uma allax amici ia que se empenha em pe de alguém de ca ác e impolu o. Sabino deixa-se iludi po essa species a ae amici iae (68.4) e é como que apanhado numa a oei a. O espaço escolhido pa a que ele se inc imine pe an e es emunhas é a p óp ia casa de Lacia , o che e de ila dos pe seguido es, que Táci o az ques ão de e e i po sena o es pa a acen ua a ileza de memb os da p imei a o dem do Es ado. É na casa dele que os ou os ês se escondem, pa a su p eende o que Sabino disse . Mas, po eceio de que um uído ou mo imen o inad e ido os denuncie, não o azem colocando-se a ás de uma po a: escondem-se an es num espaço en e o elhado e o ec o da casa ( ec um in e e laquea ia). Táci o, que eg a ge al é escasso na desc ição dos espaços ísicos em que deco em os acon ecimen os eco dados na sua his ó ia, indica aqui com p ecisão o local onde eles se dissimulam. E á-lo po que p e ende denuncia a o peza do expedien e e a in âmia dos senado es, que nos az e como a os no o o de uma casa, imó eis e à esp ei a, o ou ido colado a odas as endas e o i ícios. Lacia , en e an o, a aiu Sabino à cilada: encon ou-o in publico e depois le ou-o domum e in cubiculum. A sequência é eloquen e: de um local abe o, uma ua onde Sabino sem dú ida es a ia de sob ea iso con a os ou idos de odos os que passassem, Lacia le a-o pa a sua casa, espaço echado onde Sabino se julga á Espaços da mo e na his o iog a ia de Táci o 260 260 segu o. Mas o lei o , a quem Táci o já des endou o a dil e gonhoso, sob e o qual exp essou juízo de alo pe emp ó io – haud minus u pi la eb a quam de es anda aude (69.1) – o lei o sabe que Sabino, na con iada inconsciência das í imas que não p essen em o seu des ino, en a no local da sua pe dição. Em casa de Lacia , é pa a o qua o des e que Sabino é le ado. O espaço mais ín imo do supos o amigo, aquele onde julga que a con idencialidade é absolu a, é a inal o espaço mais es ei o em que o nó se ape a: e ele ala, ala abundan e e abe amen e da sua do e dos ag a os impe iais. Julga que ninguém o ou e, mas ele, que se acau ela a das uas de assadas, não sabe que ou os ou idos – esses sim, aiçoei os – o escu am e ixam odas as pala as sob e as quais logo da ão es emunho em ca a ao impe ado , na qual, além das acusações, expõem despudo adamen e e sem pejo a aus a que eco e am. Táci o e mina o capí ulo com uma desencan ada e ominosa e ocação do e ei o que a no ícia dos meand os da maquinação e e em Roma. Em hipé bole ca egada de signi icado, pelo que anuncia de um empo em que não mais ha e ia quem se sen isse segu o, onde que que es i esse ou com quem que que alasse, acen ua os dois sen imen os que domina am a cidade, a inquie ação e o medo, numa pe soni icação (anxia e pauens) que dá ele o ao compo amen o que a pa i daí se impôs a odos: a necessidade de dissimula opiniões e sen imen os, po descon iança mesmo dos mais p óximos, e de e i a qualque eunião ou con e sa (a ali e ação cong essus conloquia isa a eg a absolu a em que essa a i ude se ans o ma), po medo de quem pudesse ou i o que se dissesse; a sinédoque au es, eme endo pa a os ou idos que egis a am as pala as de Sabino, aduz, ampliando, o ambien e de pe manen e pe igo e descon iança que os dela o es c ia am, como se em oda a pa e só hou esse ou idos pé idos à escu a; do mesmo modo, a an í ese no ae igno aeque, quali ica i os de au es, apon a pa a a u gência de, pa a sal agua da a ida, não se con ia em ninguém. A ase que echa o capí ulo, úl imo memb o de uma g adação ascenden e que suge e a escalada do clima de e o , mos a que a necessidade de ica de sob ea iso e de absolu a p ecaução se ala gou inclusi e aos objec os mudos e inanimados e que, po isso, odos examina am, espiando os mais ín imos ecan os, a é o ec o e as pa edes das casas ( ec um e pa ie as), exp essão que es abelece um nexo di ec o de causalidade en e a a madilha o jada con a Sabino e a pesada nu em de insegu ança e pa o que esmagou a cidade. Táci o, que no início do episódio nos mos a a Sabino ac o in ca ce em, suspendendo depois a sequência da na a i a pa a nos da a conhece como se amou a sua desg aça, ol a no cap. 70 à o dem c onológica in e ompida pa a ixa nele o olha no dia da execução. A cena es á ca egada de d ama ismo e o es ilo de Táci o é de e as sublime nes e passo: o condenado é a as ado pa a o suplício, não é, pois, uma daquelas í imas que so em em silêncio a desg aça, sem ao menos eagi em denunciando a p epo ência que os de uba. É isso que aduz aheba u , o ma do mesmo e bo que liga ambos os momen os da acção, passi a que no-lo mos a le ado pelas uas como se in enso, uma co da a ape a -lhe o pescoço e as es es a cob i em-lhe o os o, g i ando sem cessa (clami ans), na medida em que o conseguia aze sob os cons angimen os Ma ia C is ina Pimen el 261 261 a que o sujei a am, a denúncia das ci cuns âncias o pes em que o inham inc iminado e o le a am a mo e : num es e o úl imo de quem conhece e acusa os seus e dadei os inimigos, e ela que é imolado como í ima a Sejano, somb a unes a po ás de odos os mal ados, e clama con a o ac o sac ílego de uma execução no início do ano. Os g i os de Sabino pa eciam, oda ia, não encon a eco em ninguém. Táci o acen ua, com o quiasmo in endisse oculos... ue ba accide en e o assínde o de uga, uas i as... i ine a, o a, o dese o que, pelas uas e p aças, se ia azendo em o no dele. Todos ogem po medo, sabe-o o lei o sem que Táci o enha de o dize . Mas a esse mo imen o cen í ugo que deixa o condenado a sós com os seus e dugos sucede-se um mo imen o cen ípe o que az de ol a ( eg edieban u ) uns quan os dos que ha iam ugido e os az mos a em-se de no o (os en aban que se u sus), a e o izados pelo p óp io pa o que sen em. Obse ando aqueles cuja consciência lhes e ela uma e í el hie a quia de medos, o medo de mo e e o medo de se capaz de udo pa a não mo e , Táci o en a no mais ín imo e sec e o dos luga es, onde se pesa e decide a dignidade ou a in âmia de um se humano. E, pa a mos a que nem odos echa am os ou idos e a consciência às pala as de adei as de Sabino, que nem odos se deixa am domina pelo medo e se e ugia am na ágil segu ança da indi e ença à desg aça alheia, Táci o ep oduz o que pensa am, a assus ada indignação pe an e a impiedade de Tibé io ao mancha aquele dia com a aplicação da pena capi al, e que a compa ação quomodo delub a e al a ia, sic ca ce em ecludan (70.3) põe a nu. Também o episódio de Consídio P óculo, acusado de maies as (6.18), sublinha a desumanidade quase sac ílega com que Tibé io a ingia as suas í imas. O his o iado inicia o capí ulo com a a i mação de que uma no a aga de pe seguições e p ocessos se e i icou nesse ano de 33, azendo ec udesce o medo, sen imen o que, po isso, o ien a e de e mina oda a lei u a do ex o subsequen e: p ocesso sabiamen e usado po Táci o, que só a as ezes e po pouco empo deixa ao lei o espaço pa a se deb uça sob e ou os acon ecimen os sem que a somb a da ep essão e da i ania pai e sob e o ela o e se ma e ialize numa sé ie de assassínios, execuções sumá ias, suicídios e exílios, num acumula de episódios sang en os que acabam po nos da a sensação, sem dú ida desejada po Táci o, de que o p incipado de Tibé io – e, depois, o de Ne o – oi uma espi al de iolência sem eio nem emissão. P óculo é su p eendido po essa iolência sem que nada o izesse suspei a do que o agua da a, sem que nada emesse quan o ao seu des ino. Focando-o nullo pauo e enquan o celeb a a o seu ani e sá io, Táci o suge e ao lei o a anquilidade que só as consciências inocen es expe imen am, enquan o acen ua o abuso da c ueldade que des echa o golpe num dia de es a amilia , dia de aleg ia em que o p óp io cul o aos deuses p oibia os sac i ícios sang en os. P óculo é a ancado à amília, à sua casa, le ado de imedia o pa a a cú ia, condenado em p ocesso sumá io e execu ado no ins an e seguin e. Toda es a p essa que o le a, num ápice, do espaço da ida e do júbilo, ao abismo da desg aça e da mo e, é sublinhado pelo eco e da ase: em ap us in cu iam pa i e que damna us Espaços da mo e na his o iog a ia de Táci o 262 262 in e ec usque, ao homeo eleu o dos pa icípios e ao polissínde o que os une em jun a -se a ca ga semân ica da censu a que o ad é bio pa i e az pesa sob e aqueles pa a quem a e e ência espacial in cu iam apon a: os senado es, coni en es, na sua subse iência e po medo, com a i ania de Tibé io. Já pe o do im da ida, po ém, Tibé io não saciou ainda o seu essen imen o con a odos os descenden es de Ge mânico. Às ci cuns âncias da mo e de um dos seus ilhos, ne o po adopção do p óp io impe ado , dedica Táci o os capí ulos 23-24 do Li o 6, e elando-nos que D uso mo eu ex inguindo-se numa agonia len a de no e dias, depois de, pelo desespe o da ome a que o ob iga am, e comido o enchimen o do colchão em que do mia no ca i ei o. É a desumanidade desse des ino que o his o iado nos az olha an es de mais, p o ocando no lei o um sob essal o de e o e piedade que o le a a compadece -se da desg aça de alguém que, nascido na amília impe ial e po isso na u almen e sob signo auspicioso, acaba enca ce ado pelo seu p óp io a ô, lu ando pa a sob e i e e enlouquecido de ome, nas masmo as sub e âneas do Pala ium. A e e ência explíci a ao local do calabouço suge e ao lei o a impassí el c ueza de Tibé io, imune ao pode de qualque a ec o, capaz de man e o ne o, anos a io, nas mais abjec as condições, ão pe o do local onde ou o a o a um dos possí eis he dei os do impé io. Pa a que o lei o se compadeça de mais es a í ima de Tibé io, Táci o não e oma nes e passo nenhuma das in o mações nega i as que de a sob e D uso em 4.60, quando o mos ou colabo ando com Sejano pa a a pe dição do i mão mais elho e elencou as azões dessa a i ude aiçoei a. Em sábia dis ibuição do ma e ial de que az a sua his ó ia, a Táci o in e essa oca aqui apenas a e ol an e condição a que, no empo de Tibé io, e a possí el eduzi um se humano, pa a nos mos a que ninguém, nem mesmo um colabo ado de Sejano, nem mesmo um se iolen o e aido dos mais sag ados laços amilia es, me ece mo e daquela o ma. Todos os c imes de Tibé io pa ecem, assim, nos di e en es ac os de que se compõe es a his ó ia ágica, concen a -se num núme o es i o de espaços aos quais Táci o a ibui não um alo desc i i o mas um signi icado simbólico que cabe ao lei o comp eende . São os espaços echados das p isões onde são lançados se es inocen es e sem de esa, pa a apod ece em anos a io a é ao momen o da mo e, pa a se em man idos na maio ignomínia a é à execução ou a é ao desespe o com que buscam o im. São as uas e as p aças po onde as í imas da i ania ou da ileza de ou os homens são a as adas pa a o suplício, e que se azem dese o à sua passagem. É a cú ia pa a onde an os e an os são le ados, pa a se em julgados em p ocesso sumá io ou iciado, numa a sa de aplicação da jus iça, a cú ia que é luga da in âmia dos senado es capazes de abdica da hon a pa a man e em a ida, ainda que al ez não po mui o empo, e seja qual o o p eço que enham de paga po esse adiamen o da desg aça. São as casas, luga da in imidade, dos a ec os, da segu ança e da ida, de assadas pelos soldados sinis os, espaço onde se a oi am os p edado es, segu os de que nada lhes a a á o passo ou lhes censu a á a delação, as casas donde, sem azão nem a iso, é possí el a anca Ma ia C is ina Pimen el