Full text
Rev. Tempos Espaços Educ. | São Cristóvão, Sergipe, Brasil, v. 12, n. 31, p. 165-186, out./dez. 2019 Esta obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. https://doi.org/10.20952/revtee.v12i31.11685 Recebido em 22.07.2019 | Aceito em 27.09.2019 | Publicado em 11.11.2019. Fotografi as de Angola do Século XIX: o ‘Álbum Fotográfi co–Literário’ de Cunha Moraes Liliana Oliveira da Rocha*1 Patrícia Ferraz de Matos**2 Resumo Este artigo pretende refl etir sobre a visualidade do chamado império português, nos fi nais do século XIX, através do trabalho fotográfi co de Cunha Moraes, principalmente a partir da sua obra Africa Occidental: Album Photographico-Litterario, publicada em fascículos, entre 1882 e 1883, e com a coautoria de Francisco de Salles Ferreira. No entanto, irão tomar-se em consideração outras obras do fotógrafo, nomeadamente o Album Photographico e Descriptivo publicado por David Corazzi, entre 1885 e 1888. Com esta análise pretende-se indagar sobre a importância da fotografi a e da imagem na construção e disseminação de um imaginário ligado ao império, bem como sobre a infl uência dos propósitos políticos e “científi cos” na confi guração da representação visual da África colonizada. Palavras-chave: Fotografi a, Angola, império colonial português, Cunha Moraes. * Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Lisboa, Portugal. E-mail: lilianao[email protected]m. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0799-8355. ** Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Lisboa, Portugal. E-mail: patricia_ma[email protected]. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-7322-3756.
166 | Liliana Oliveira da Rocha; Patrícia Ferraz de Matos Rev. Tempos Espaços Educ. Photographs of Angola from the 19th century: the ‘Photographic– Literary Album’ of Cunha Moraes Abstract Th is article intends to refl ect on the visuality of the so-called Portuguese empire, at the end of the 19th century, through Cunha Moraes’ photographic work, mainly through his Africa Occidental: Album Photographico-Litterario, published in fascicles between 1882 and 1883 with co-authoring of Francisco de Salles Ferreira. However, other works will also be taken into account, in particular his Album Photographico e Descriptivo published by David Corazzi between 1885 and 1888. From this analysis we intend to inquire about the importance of photography and image in the construction and dissemination of an imagery linked to the Portuguese empire, as well as on the infl uence of political and “scientifi c” purposes in the confi guration of a visual representation of colonized Africa. Keywords: Photography, Angola, Portuguese colonial empire, Cunha Moraes. Fotos de Angola del siglo XIX: el ‘Álbum Fotográfi co-Literario’ de Cunha Moraes Resumen Este artículo tiene como objetivo refl exionar sobre la visualidad del llamado imperio portugués a fi nales del siglo XIX a través de la obra fotográfi ca de Cunha Moraes, especialmente desde su álbum Africa Occidental: Album Photographico-Litterario, publicado por entregas entre 1882 y 1883, con la co-autoría de Francisco de Salles Ferreira. Sin embargo, otras obras del fotógrafo se toman en consideración, en particular el Album Photographico e Descriptivo publicado por David Corazzi, entre 1885 y 1888. A partir de este análisis se pretende indagar sobre la importancia de la fotografía y de la imagen en la construcción y diseminación de un imaginario ligado al imperio, así como sobre la infl uencia de los propósitos políticos y “científi cos” en la confi guración de la representación visual de África colonizada. Palabras clave: Fotografía, Angola, imperio colonial portugués, Cunha Moraes.
Fotografi as de Angola do século XIX | 167 Rev. Tempos Espaços Educ. Introdução O presente artigo debruça-se sobre um dos espólios com registos fotográfi cos não tratados arquivisticamente. Trata-se do Album Photographico-Litterario do fotógrafo Cunha Moraes e do major Francisco de Salles Ferreira, onde a imagem fotográfi ca é coadjuvada por textos descritivos. Sendo este, efetivamente, o primeiro álbum publicado de um dos fotógrafos mais importantes do século XIX, de acordo com vários historiadores e críticos de arte, o seu conteúdo é merecedor de uma refl exão. José Augusto Cunha Moraes (Coimbra, 1855-Porto, 1933) dedicou-se durante mais de três décadas a uma intensa atividade fotográfi ca em Luanda. Percorreu diversas regiões de Angola e territórios vizinhos, como o antigo Zaire (atual República Democrática do Congo), e protagonizou várias expedições fotográfi cas, deixando um signifi cativo legado alusivo à África colonizada do último quartel do século XIX. Nas palavras de António Sena, autor de História da Imagem Fotográfi ca em Portugal, Cunha Moraes é “um dos primeiros fotógrafos de África e, sem dúvida, um dos grandes nomes da fotografi a do século XIX” (SENA, 1998, p. 107). De forma a melhor compreender o trabalho de Cunha Moraes serão estabelecidas homologias entre as fotografi as e os textos do referido álbum, escritos por Francisco de Salles Ferreira, ao mesmo tempo que se procederá à contextualização da obra fotográfi ca. Assim, através da análise desta complementaridade entre texto e fotografi a, procurar-se- -á perceber que imagem de África, no século XIX, foi perpassada e sob que afi liações e ideologias Cunha Moraes operava. Neste sentido, serão tidos em conta: o contexto político e histórico de Portugal nos fi nais do século XIX, assim como as “missões científi cas” a África; a necessidade da promoção de uma colonização baseada num conhecimento científi co e “efetivo” de África, bem como as preocupações antropológicas e etnográfi cas no registo dessa “África Portuguesa”; o papel da fotografi a e dos álbuns fotográfi cos na edifi cação do projeto colonial; o percurso biográfi co de Cunha Moraes e a sua ligação à Sociedade de Geografi a de Lisboa (SGL); a “missão” de Moraes, o emparelhamento da máquina fotográfi ca com o suposto conhecimento científi co e a categorização dos indivíduos a partir de distintos “typos” humanos. Como veremos, além de um bem cultural que reúne em si tanto materialidades como imaterialidades identitárias (ROCHA; MATOS 2018a), a fotografi a é um elemento importante para o estudo do conhecimento científi co produzido no fi nal do século XIX e do seu papel no projeto colonial português. Fotografia e império colonial português nos finais do século XIX Nos fi nais do século XIX multiplicaram-se as missões científi cas a África, num esforço de transformar “um antigo reservatório de escravos”, quase limitado à orla marítima e com fronteiras por defi nir, numa “vasta colónia moderna” (GUIMARÃES, 1984, p. 226). Mas já anteriormente, a produção de conhecimento científi co através de missões tinha sido amiúde um modo de Portugal se afi rmar como potência colonial no contexto europeu (MATOS, 2018).
168 | Liliana Oliveira da Rocha; Patrícia Ferraz de Matos Rev. Tempos Espaços Educ. Neste contexto, a fotografi a, pela presumível capacidade de representar “realisticamente”1 as colónias, desempenhou um papel fundamental, contribuindo para a fabricação de um imaginário coletivo, coincidente com a hegemonia almejada, e ajudando a edifi car o projeto colonialista. Apesar de os fotógrafos profi ssionais serem ainda raros, vários álbuns fotográfi cos foram obtidos a partir das diferentes expedições portuguesas a África. Um deles, e “o mais antigo”, será o de Cunha Moraes, produzido em Angola entre as décadas de 70 e 80 (CASTRO, 2014, p. 298). A historiadora Teresa Castro, no artigo “O esplendor dos atlas”, ao refl etir sobre a função destes álbuns e a sua capacidade de criar representações simbólicas, preenchendo espaços vazios de signifi cação e gerando paisagens geográfi cas e etnográfi cas intelectualizadas, alude que: “tanto as raras fotografi as de paisagem, como os numerosos retratos de ‘typos africanos’, pretendem dar a ver o que para a esmagadora maioria dos portugueses da metrópole é ainda um espaço em branco (ou cor-de-rosa2) num mapa” (CASTRO, 2014, p. 298). Não obstante, a fotografi a não serviu apenas para representar as colónias e para as mostrar aos que não as conheciam. O seu propósito era, também, o de fazer com que os habitantes das metrópoles europeias se sentissem parte integrante de uma nação imperial e hegemónica. Na verdade, não raras vezes, “a fotografi a constituiu e criou a experiência colonial” (RYAN, 2014, p. 39). A publicação de imagens desta temática tinha uma intenção ideológica, ou seja, procuravam-se criar “laços entre a população metropolitana” e “os territórios ultramarinos” e suscitar o sentimento de que “apesar da enorme distância física que os separava, aqueles (…) faziam parte da nação portuguesa” (MARTINS, 2014, p. 289). O império era construído e sonhado, assim, através de imagens, política e ideologicamente, selecionadas. Baseadas numa relação de dominação e tentativa de conquista de uma África desconhecida, estas imagens retratavam, maioritariamente, paisagens “maravilhosas”, aspetos de vida das populações autóctones, mas também elementos denunciadores da presença portuguesa nas colónias. De facto, a fotografi a colonial não surgiu unicamente para fazer ver “‘lá em casa’ como seria ‘o Outro’”; adicionalmente, procurou mostrar e reproduzir a suposta “superioridade do colonizador sobre o colonizado em vários referentes” (BARRADAS, 2009, p. 59). Deste modo, durante o regime colonial, as imagens estereotipadas serviram para erigir uma identidade colonialista baseada numa relação de desigualdade e de afi rmação da hegemonia da Europa, “civilizada” e “cristianizada”, por oposição à África “selvagem” e “inculta”, assinalando as diferenças que separavam uma da outra. A fotografi a ao serviço de órgãos estatais foi, assim, um instrumento de controlo, real e simbólico, de populações e lugares colonizados (BARRADAS, 2009, p. 59). A atividade de Cunha Moraes desenvolveu-se neste contexto, numa época de colonialismo “agressivo” e “ocupação efetiva” (SANTOS, 1998, p. 353). E é assim que a “cor1 Sobre os poderes da fotografi a no sentido de manipular, encenar e dar a ver o “real”, veja-se ROCHA; MATOS 2018b. 2 Alusão ao “Mapa Cor-de-Rosa” – documento representativo da pretensão de Portugal em reclamar uma faixa de território de Angola à contracosta, ou seja, a Moçambique (assinalada a rosa). Foi ofi cialmente tornado público em 1886 (no Tratado com a França) e teve como desfecho o ultimato britânico de 1890.
Fotografi as de Angola do século XIX | 169 Rev. Tempos Espaços Educ. rida a África3” e a sua “partilha”, as expedições científi cas e os levantamentos geográfi cos vêm a defi nir, efetivamente, a África do fotógrafo. A Sociedade de Geografi a de Lisboa (SGL)4 e alguns dos seus primeiros protagonistas, como Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, preconizaram um conjunto de missões ao interior de África, com o objetivo de obter um conhecimento científi co e minucioso das regiões da “África Portuguesa”5. Um dos objetivos nacionais de Portugal era mostrar à Europa os resultados destas expedições levadas a cabo pelos “exploradores” portugueses. Neste sentido, produziram-se várias iniciativas de caráter informativo com revelações sobre as colónias portuguesas: boletins relativos às explorações; relatórios das obras públicas em África, álbuns fotográfi cos, etc. A obra de Cunha Moraes veio a ser contemporânea deste espírito, que acompanhou o fotógrafo e se manifestou nas imagens que captou. Na verdade, no seu trabalho existe uma relação direta com a promoção de uma colonização baseada num conhecimento científi co e “efetivo” de África. Contudo, é também percetível uma preocupação etnográfi ca e sociológica nos seus registos. Percurso biográfico de Cunha Moraes Cunha Moraes nasceu em 1855 em Coimbra. Em 1863 vai, com a mãe e os seus irmãos, ter com o pai a Luanda, mas regressa à metrópole para continuar os estudos. Por volta de 1868 o seu pai cria o estúdio “Loanda – Photographia de Abílio S. C. Moraes” e em 1874 pai e fi lho já trabalhavam efetivamente em conjunto. Segundo António Sena, Cunha Moraes começou a fotografar em 1877 “com um método invulgar e pioneiro no rigor científi co, etnográfi co, antropológico, corográfi co e topográfi co” (SENA, 1991, p. 33). A primeira expedição científi ca portuguesa a África, dirigida por Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens foi contemporânea da sua obra. Esta expedição, promovida pela SGL, dividiu-se, resultando da sua cisão duas publicações: Como Eu Atravessei África, de Serpa Pinto (1881), e De Benguela às Terras de Iaca, de Capelo e Ivens (1881), ilustrada com fotografi as de Cunha Moraes. Em 1883, Cunha Moraes, já conhecedor de África, tornou-se sócio da SGL, aderindo ideologicamente aos seus propósitos. Aquando da sua afi liação, realizou uma viagem pela África Ocidental, com o objetivo de fotografar os principais aspetos etnográfi cos e 3 Na segunda metade do século XIX teve lugar um movimento denominado “corrida a África”, que envolveu as principais potências industrializadas da Europa e deu origem a uma série de reivindicações e confl itos provocados pelas pretensões de domínio do território africano. Os portugueses estiveram presentes no litoral do continente africano desde o século XV, reclamando, por isso, vastas áreas do continente africano baseando-se no seu “direito histórico”. Contudo, viria a confi rmar-se que o século XIX não era um século de “direito histórico”, mas sim de “ocupação efetiva” (GUIMARÃES, 1984, p. 190). 4 A SGL foi fundada em 1875 por um grupo de intelectuais portugueses, entre eles, Luciano Cordeiro, primeiro-ofi cial do Ministério do Reino, com o objetivo de encetar explorações científi cas na área da geografi a, de forma a dar um novo impulso ao movimento expansionista português e encontrar uma posição benéfi ca para Portugal na “partilha de África”. Com pleno apoio ofi cial, e no âmbito de uma política expansionista, as expedições científi cas promovidas pela SGL tinham por objetivo não só conhecer e explorar “cientifi camente” os domínios portugueses em África (através de levantamentos cartográfi cos, hidrográfi cos, etnográfi cos, etc.), como também estabelecer rotas comerciais e incentivar o seu povoamento. 5 Sobre esta geração dos chamados exploradores de África, veja-se ROSA; VERDE 2013.
170 | Liliana Oliveira da Rocha; Patrícia Ferraz de Matos Rev. Tempos Espaços Educ. paisagísticos, bem como as construções coloniais portuguesas consideradas mais imponentes. Segundo a antropóloga Jill R. Dias: Moraes evidently sympathized with the minority of colonial enthusiasts who, in 1876, founded the Sociedade de Geografi a in Lisbon under the presidency of Luciano Cordeiro in order to promote Portugal’s expansion in Africa. Not only was he a member of the Sociedade but also of the recently founded Sociedade de Geografi a Comercial in Porto. Additionally he helped to found the Society for Propagation of African Geographical Knowledge in Luanda (DIAS, 1991, p. 70). Cunha Moraes publicou Africa Occidental: Album Photographico-Litterario em fascículos, com textos de Francisco de Salles Ferreira6, entre 1882 e 1883; e Africa Occidental: Album Photographico e Descriptivo, em quatro volumes, entre 1885 e 1888, com um prefácio de Luciano Cordeiro7, um dos mentores iniciais da SGL. Organizado por zonas geográfi cas, este segundo álbum começa com uma dedicatória do autor “Aos Exploradores Portuguezes” que, como ele, atravessaram o continente africano. Em 1885, esta obra foi premiada na Exposição Universal de Antuérpia, onde foram expostas algumas das albuminas que faziam parte da primeira versão de 1882. A sua participação em grandes exposições estendeu-se à I Exposição Insular e Colonial Portugueza, realizada no Palácio de Cristal no Porto, em 1894, onde apresentou uma “Collecção de photographias de assumptos coloniais africanos”8. A missão de Cunha Moraes na África Ocidental Segundo o historiador James R. Ryan, Cunha Moraes encarava a sua câmara “como um instrumento de conquista” e as suas fotografi as como “registos objetivos da topografi a, geografi a e antropologia, a ser usados na cartografi a e levantamento de territórios coloniais futuros” (RYAN, 2014, p. 34). Apesar do fotógrafo não ser um cientista ou um académico, a sua preparação foi patrocinada por Luciano Cordeiro e pela própria SGL e foi daí que surgiu a orientação para as suas expedições aos confi ns de África. Aquando da publicação do álbum África Occidental, resultante dessas expedições, Luciano Cordeiro escreve o seu prefácio, intitulado “O Nosso Album”, onde faz a apologia da necessidade da máquina fotográfi ca “emparceirar” com a ciência para que se alcance uma reprodução fi dedigna, ou “cópia impessoal”, do continente africano. Numa completa anulação do papel do fotógrafo e da intervenção humana e “pessoal”, a máquina fotográfi ca é valorizada enquanto agente “passivo” que fi xa o que vê e transmite a verdade objetiva (CORDEIRO, 1885, s.p.). O clichê fotográfi co é, assim, entendido como um meio verosímil de representação do real. Ao descrever o álbum como um “verdadeiro livro de exploração africana”, e o trabalho de Moraes como o mais importante do século XIX, Luciano Cordeiro compara-o às 6 Considerado um “explorador” português, em 1850 comandou uma expedição a Angola, da qual resultou a publicação Memória da expedição à Cassange commandada pelo Major Graduado F. Salles Ferreira. 7 Notabilizou-se pela acérrima defesa dos interesses de Portugal em África, tendo participado na Conferência de Berlim em 1884. 8 Sobre a participação de Portugal em grandes exposições, veja-se MATOS, 2014a.
Fotografi as de Angola do século XIX | 171 Rev. Tempos Espaços Educ. atividades dos “exploradores” e aproxima a máquina fotográfi ca de outros instrumentos científi cos, como o termómetro ou o sextante, ressaltando, uma vez mais, a precisão e a objetividade das imagens por ela conseguidas (CORDEIRO, 1885, s.p.). Apesar das muitas difi culdades inerentes a um empreendimento desta envergadura (relativas tanto ao transporte como à conservação de químicos e material fotográfi co), as “belas estampas inalteráveis” de Moraes vêm a ser construídas de acordo com os objetivos da SGL (CORDEIRO, 1885, s.p.). Por conseguinte, e relativamente à “objetividade” fotográfi ca na sua obra, Jill R. Dias argumenta: About half of photographs included in Moraes’ albums represent views of natural scenery, colonial towns, monuments, and European trading posts, which are, indeed, captured untransformed, providing a valuable source of visual information about colonial trade and urban development in Angola by the early 1880s. However, the majority of Moraes’ photographic images of Africans were inevitably interpretations of the human and social reality, imbued with European cultural and intellectual meanings (DIAS, 1991, p. 69). Deste modo, ainda que a fotografi a fosse passível de ser captada de forma “objetiva”, a temática e os motivos fotográfi cos eram sempre subjetivos, o mesmo acontecendo com as imagens selecionadas para integrar os álbuns; todos parecem, de facto, ir ao encontro das demandas da SGL. Não obstante, apesar da obra de Cunha Moraes refl etir o pensamento dos intelectuais da época e os propósitos da SGL, António Sena defi ne-a como “surpreendente”; tal refl exão deve, contudo, ser contextualizada, uma vez que o autor está também a ter em consideração “o meio mesquinho e politiqueiro de troca de infl uências e favores” da altura (SENA, 1998, p. 98). No referido prefácio, o secretário-geral da SGL aborda ainda a questão premente que inquietava Portugal (a cobiça de outros países pelos territórios africanos) e defende que, numa época em que o comércio e a civilização europeia pensam ter aberto “uma brecha para o coração de África”, as fotografi as de Moraes constituem, de facto, documentos valiosos de uma “propaganda generosa e prática”, que procura fazer entrar o continente africano “nas simpatias” dos europeus (CORDEIRO, 1885, s.p.), reforçando assim o carácter de disseminação de ideias que a obra continha. A Visão de Cunha Moraes No âmbito de uma expedição estatal, com fi ns políticos e diplomáticos determinados, o álbum de Moraes parece constituir “uma versão metonímica duma parte do império português” (CASTRO, 2014, p. 304). Atente-se na forma como o fotógrafo resume a obra: Damos por terminado o nosso trabalho, onde, ainda que muito resumidamente, fi - zemos por tornar conhecidas do leitor as bellezas naturaes existentes nos dominios portuguezes da Africa Occidental, os usos e costumes indigenas, os progressos realisados, os benefi cios da colonisação e os serviços dos missionarios entre selvagens que tanto carecem de luz e de instrucção. O nosso estylo foi sempre despretensioso e sem colorido, porque tivemos de nos limitar constantemente à indispensável medida que nos marcamos e não tinhamos em vista senão dar uma noticia da nossa exploração artistica por aquellas possessões (MORAES, 1888, s.p.).
172 | Liliana Oliveira da Rocha; Patrícia Ferraz de Matos Rev. Tempos Espaços Educ. Jill R. Dias alerta também para esta vertente “educacional” e “propagandística” visível no trabalho do artista: Moraes’ main concern as a photographer seems to have been educational and propagandist rather than artistic, although evidently the two dimensions were not always mutually exclusive. In particular he seems to have been concerned with producing visual information about European trade, the way of life, and kinds of people inhabiting Angola as a means of promoting public interest in the colonies and attracting more settlers from Portugal. Both the character and content of Moraes’ work refl ect the general intellectual and political preoccupations of nineteenth-century Europe (DIAS, 1991, p. 69). De facto, além da pretensão artística, e de nos enquadramentos procurar captar o “instante” mais belo, a obra de Moraes, pela informação que revela, constitui um importante registo documental da época. As suas imagens fi xam elementos ilustrativos das colónias: “belezas naturais”, “usos e costumes indígenas”, bem como “progressos realizados” (MORAES, 1888, s.p.). Neste sentido, e ao ser nomeado “explorador” por Luciano Cordeiro, Moraes imprime ao seu trabalho fotográfi co um caráter “científi co”, associando-o a uma instituição (SGL) intrinsecamente ligada a objetivos nacionais e colonialistas. As palavras de Moraes referentes aos “benefícios da colonização” e aos “serviços dos missionários” vêm comprovar a sua afi nidade com os propósitos colonizadores; no entanto, a beleza das suas imagens parece ter, por vezes, o poder de camufl ar tais propósitos. Apenas neste sentido se pode perceber, em última análise, as conclusões da historiadora Maria de Fátima Marques Pereira, em “A Modernidade Fotográfi ca na obra dos Cunha Moraes”, que defende o seguinte: “as suas imagens não declaram obviamente, e muitas delas encontram-se perfeitamente distantes da necessidade de propagandear o homem ocidental, como sendo o civilizado e acima de tudo como sendo o colonizador. [Elas] respeitam a dimensão cultural própria daquela civilização” (PEREIRA, 2001, p. 177). Porém, ainda que as fotografi as de Moraes “não envergonhem o homem europeu contemporâneo” (SERÉN, 1997, p. 26), pela forma habilidosa e inteligente como são enquadradas, e que o autor encene muitas das suas imagens com o intuito de captar culturas e tradições desconhecidas do mundo ocidental – indo amiúde contra as convicções dos seus colaboradores, nomeadamente F. de Salles Ferreira, por se “atrever” a fotografar “espectros pretos”, “que não merecem a luz que queima as suas chapas” (FERREIRA, 1882-1883b, s.p.) –, ele encontra-se ofi cialmente vinculado a uma instituição (SGL), a um pensamento ideológico e a uma propaganda. Disso são prova, não só as suas palavras como a escolha dos seus motivos fotográfi cos. São, efetivamente, as imagens de uma África “portuguesa” e “moderna” que fi guram na obra de Moraes e nos álbuns da “África Occidental”, nomeadamente de: regiões como Benguela, Mossâmedes e Luanda; missões e recursos hidrográfi cos (lagoas e rios); belas paisagens; fl ora e fauna locais; fazendas agrícolas e grandes plantações (de cana); trocas comerciais (de panos e fazendas por produtos locais); comércio de longa distância e caravanas; indivíduos (captados individual e coletivamente) e seus “costumes”; pequenos colonatos e “sanzalas” (povoações); vistas panorâmicas dos principais centros urbanos e uma série de infraestruturas e edifícios
Fotografi as de Angola do século XIX | 173 Rev. Tempos Espaços Educ. feitos em nome do “progresso” e da “modernidade” (pontes, ferrovias, hospitais, portos, igrejas, quartéis militares, palácios do governo, etc.). Na secção seguinte iremos expor uma análise mais detalhada das imagens que compõem os álbuns fotográfi cos, bem como dos textos que as acompanham – que pela sua importância, e por constituírem o foco deste artigo, serão incluídos através da transcrição das palavras de F. de Salles Ferreira. Assim, após uma seleção de acordo com a sua temática, ou propósito propagandístico, a nossa apreciação das imagens, que procuraram captar aspetos etnográfi cos de Angola, contemplará os elementos, que eram então privilegiados, sobretudo os grupos, designados amiúde por “tribos”, e os indivíduos, nomeados por “typos”. A invenção de “typos” e de “tribos”: retratos e suas descrições Os retratos de nativos africanos, individuais ou de grupo, estão presentes na obra de Moraes de forma a dar conta da paisagem humana e social da África colonizada. Contudo, Teresa Castro alega que: “se quase todas as imagens deste álbum constituem uma forma de ‘primeiro contacto’ dos homens – e mulheres – ocidentais com o Outro ‘exótico’ e/ou ‘primitivo’, elas contribuem também de forma mais ou menos explícita para a criação de taxinomias humanas” (CASTRO, 2014, p. 300). A preocupação em registar os diversos “typos” humanos, no sentido de inventariar as etnias existentes e compilar um suposto conhecimento antropológico de África, é evidente na obra do fotógrafo. O historiador António Pedro Vicente vai mais longe e afi rma ter sido com Moraes que surgiu a fotografi a etnográfi ca em Angola: A primeira experiência que, ao que nos é dado a conhecer, transcende esse vulgar documento e se pode apresentar como fonte etno-geográfi ca do território angolano, deve-se a Cunha Moraes. Surge com ele a imagem etnográfi ca e a preocupação, bem objectivada, de fazer transparecer as características antropológicas dos povos, de acordo com as modas científi cas correntes. É facilmente detectável a intenção por parte de Cunha Moraes de classifi car tipologicamente as etnias que ia conhecendo, as suas características raciais e fi sionómicas, a fotografi a subordinada à elaboração científi ca, tendo em vista situar um tipo rácico determinado (VICENTE, 1993, p. 229). Cunha Moraes parece, assim, ter-se regido pelas “modas” científi cas da época. Os trabalhos de cariz antropológico estão, desde os seus primórdios, intimamente relacionados com os retratos de “typos”. Mesmo quando não se tratava de retratos antropométricos, os registos fotográfi cos procuravam, na sua maioria, “denunciar aspectos considerados pertinentes para o domínio da antropologia física, que buscava nos caracteres físicos fi xos os elementos para a categorização e análise antropológica” (MATOS, 2014b, p. 62). Paul Broca (1824-1880), fundador da Escola de Antropologia de Paris, é um dos pioneiros a propor a utilização da fotografi a nas investigações antropológicas, bem como a sugerir a aplicação do método de registo criminal, segundo o qual o modelo devia ser fotografado com a cara de frente e de perfi l e com os braços estendidos para baixo. Nesta modalidade, amplamente adotada pelos antropólogos europeus, é notória “a rigidez da
180 | Liliana Oliveira da Rocha; Patrícia Ferraz de Matos Rev. Tempos Espaços Educ. Todos estes retratos encenados reforçam o facto de a fotografi a ser sobretudo uma construção do seu autor e não uma cópia impessoal da realidade. Todavia, tal encenação, segundo Jill R. Dias (1991), não invalida o seu valor histórico. Por exemplo, num período em que os documentos escritos são raros, muitas das fotografi as de Moraes acabam por ser reveladoras da estratifi cação social e política e da elite que vivia no distrito do Zaire, como é o caso dos sobas (Figura 6): While it is evident that the majority of Moraes’ images of African society represent posed fi gures bearing appropriate accessories rather than people engaged in daily activities, they still have historical value. Moraes’ fi ne portrait of the King of Kongo included in fi rst volume of his Album Photographico e Descriptivo, together with his images of African “princes” Quimbandas (“with doctors”), Soba (Chief) Manputo and his Cabinda “types” reproduced elsewhere, all taken in the Zaire district around 1880, are not only interesting from an ethnographic point of view, but reveal the continuing existence of a sharply diff erentiated social and political elite in this region, providing important visual information (DIAS, 1991, p. 72). Figura 6. “Margens do Rio Zaire: Soba Mnenláu; Soba Natombe; Quimbandas; Soba Manputo” (MORAES & FERREIRA, Africa Occidental: Album Photographico-Litterario, 1882-1883). Por oposição à maioria dos seus clichés encenados, Moraes faz-nos chegar um instantâneo intitulado “O Carro dos Boers” (Figura 7).
Fotografi as de Angola do século XIX | 181 Rev. Tempos Espaços Educ. Figura 7. “O Carro dos Boers” (MORAES & FERREIRA, Africa Occidental: Album photographico-litterario, 1882-1883). Os bóeres são descendentes de colonos de origem holandesa e francesa, entre outras, que entre o fi m do século XIX e o início do século XX, fugidos dos confl itos na África do Sul, se fi xaram em regiões portuguesas de África e especifi camente na Huíla (pertencente ao distrito de Mossâmedes). Segundo Salles Ferreira, foi como forma de gratidão pelo seu acolhimento que “pediram (…) para ser portugueses” e, talvez por essa razão, considera-os a “antítese” dos muhumbes (FERREIRA, 1882-1883d, s.p.): [...] Quem são os boers – essa raça valente, corajosa, frugal, - perseverante no trabalho, paciente na adversidade, de uma actividade caracteristica, que transforma com o braço robusto e aff eito ao lidar rude uma charneca em uma aldeia, que solvem os pousios em searas, o areial em jardim e pomar; - os boers, predurantes meses foragidos nos mattos, abandonando descontentes, tristes, o seu paiz em grupos de numerosas familias, se teem refugiado desde ha pouco em algumas regiões portuguezas da Africa; e ainda ha poucos meses chegados á Huilla (districto de Mossamedes), fundaram alli a fl orescente colonia, que o governo intitulou “S. Januario”, e unanimes pediram desde logo para ser portugueses, gratos ao extrangeiro que os acolheu hospitaleiro e protector? [...] a proposito da photographia de um d’esses carros possantes, tirados a oito e mais juntas de bois, que são o seu vehiculo, o seu meio de transporte, e que em toda a enormidade do seu volume elles fazem trilhar as planicies como os alcantilados montes nos sertões. E fi que este numero do “album” assignalado pela antithese: - os Muhumbes e os Boers! (FERREIRA, 1882-1883d, s.p.). Ao mesmo tempo que tece vários elogios aos bóeres, uma “raça valente, corajosa, frugal” e grata a quem os acolheu, Salles Ferreira não perde a oportunidade para inferiorizar os muhumbes, sublinhando o quanto estes se distanciam dos habitantes da Huíla. Ao contrário do que acontece com os clichés anteriores, Ferreira parece admirar os indivíduos aqui retratados, não se insurgindo contra a fotografi a que os documenta. Pela primeira vez, imagem e texto parecem estar de mãos dadas e o autor destas narrativas não se condena por ter de escrever sobre uma dada fotografi a. O major aproveita para fazer uma pequena descrição sobre os bóeres, salientando a sua perseverança em desenvolver a agricultura na Huíla e aí criar uma “fl orescente colónia”, assim como a sua vontade em se tornar portugueses, por serem gratos ao estrangeiro “hospitaleiro e pro-
182 | Liliana Oliveira da Rocha; Patrícia Ferraz de Matos Rev. Tempos Espaços Educ. tector” (FERREIRA, 1882-1883d, s.p.). Porém, essa sua tolerância será devida sobretudo ao facto de os bóeres terem uma origem europeia e de, por isso, reunirem características que lhe são familiares, ao contrário das particularidades dos muhumbes, por exemplo, em termos do seu fenótipo, das suas crenças e da sua postura em geral. Por outras palavras, a existência de uma antítese, marcadamente assinalável, é inculcada na narrativa de Salles Ferreira por este repudiar o que lhe é desconhecido ou menos familiar, mas não decorre necessariamente da visualização das fotografi as de Cunha Moraes. Conc lusão A obra de Cunha Moraes é contemporânea da “corrida a África” e do movimento das grandes expedições científi cas. Filiado na SGL, o fotógrafo partilha com a instituição e com o governo português os objetivos científi cos, socioculturais e políticos preconizados para a então “África ocidental portuguesa”. Cunha Moraes procurou dar a conhecer à metrópole um “mundo desconhecido” e “exóticas civilizações”, trazendo até Portugal fragmentos de um império longínquo. Cumprindo os objetivos nacionais e da SGL, captou imagens, pretensamente “reais” e “científi cas”, e procurou transpor para o mundo a mensagem de que a soberania portuguesa estava presente em África. Neste contexto, a sua visão do império refl ete a economia portuguesa fl orescente (através de plantações, criação de gado, praças de comércio, caravanas ou embarcações), valoriza edifícios, infraestruturas e benfeitorias coloniais nas terras africanas, assim como a beleza natural das paisagens e o “exotismo” dos povos autóctones, categorizando-os e representando-os em “typos”. Trata-se, assim, não de uma África espelhada, mas meticulosamente construída, com propósitos políticos e propagandísticos defi nidos (DIAS, 1991, p. 69). Assim, embora a sua obra repercuta a ideologia colonial dos fi nais do século XIX, algumas das imagens que captou denotam beleza, um carácter romântico e, de certa forma, ingénuo, o que terá estado na origem das críticas do seu amigo e coautor de Africa Occidental: Album Photographico-Litterario. De facto, ao contrário dos textos de Salles Ferreira, que declaradamente espelham um pensamento racista e preconceituoso, as fotografi as de Cunha Moraes, apesar de denunciadoras de uma ideologia e de um propósito, e das convenções da antropologia física da altura, podem, pela sua beleza e aura nostálgica, iludir o espectador. Aqui reside, simultaneamente, um dos grandes poderes e um dos grandes perigos da fotografi a. Se por um lado não há dúvida que, de acordo com os objetivos económicos e políticos da época, este meio foi instrumentalizado e utilizado em proveito da propaganda do Estado e da hegemonia nacional em terras de África, servindo para categorizar, estereotipar e inferiorizar alguns seres humanos, por outro, o seu caráter estético é inegável. Esta dimensão que exalta a beleza da imagem pode tornar-se, contudo, arriscada: ao ser capaz de seduzir o espectador, pode impedi-lo de ver outras mensagens nela contidas. Importa, por isso, apelar a um olhar atento sobre estas e outras fotografi as do século XIX, produzidas em contexto colonial, de forma a analisar os seus diferentes enquadramentos e os vários layers12 que nelas se escondem. 12 Termo usado em fotografi a para fazer referência às várias camadas da imagem.
Fotografi as de Angola do século XIX | 183 Rev. Tempos Espaços Educ. No caso específi co da obra de Cunha Moraes, as fotografi as conseguem expor o pensamento colonialista, visível, por exemplo, nos retratos do “Typo do Celles”, inspirado nas fotografi as “científi cas” que expunham corpos de frente e de perfi l. No entanto, outros retratos menos evidentes, como o dos “mondombes” ou o dos “muhumbes” podem camufl ar os propósitos com que foram realizados e talvez por isso tenham irritado Salles Ferreira, coautor do álbum em estudo. A nossa análise permite assim concluir que a fotografi a, e o contexto em que foi produzida, é um meio privilegiado para produzir diferenças e estudar algumas das ações mais determinantes do colonialismo português. Refe rências bibliográficas BARRADAS, Carlos. Poder ver, poder saber: A fotografi a nos meandros do colonialismo e pós-colonialismo. Arquivos da Memória: Antropologia, Arte e Imagem, v. 5-6, p. 72-92, 2009. BARROCAS, António. Sais de sangue – O corpo Fotografado: Teoria e Prática da Fotografi a em Portugal (1839-1930). Tese de doutoramento em Ciências da Arte, Universidade de Lisboa, 2014. http://bit.do/eN5y3 CASTRO, Teresa. O esplendor dos atlas: fotografi a e cartografi a visual do Império no limiar do século XX. In: VICENTE, Filipa Lowndes (ed.). O Império da Visão: Fotografi a no Contexto Colonial Português (18601960). Lisboa: Edições 70, 2014, p. 289-302. CORDEIRO, Luciano. Prefácio. In: MORAES, J. A. da Cunha. Africa Occidental: Album Photographico e Descriptivo. Lisboa: Edição David Corazzi, 1885-1888. DIAS, Jill R. Photographic Sources for the History of Portuguese-Speaking Africa, 1870-1914. History in Africa, v. 18, n. 18, p. 67-82, 1991. https://doi.org/10.2307/3172054 FERREIRA, Francisco de Salles. Typos e Costumes. In: Africa Occidental: Album Photographico-Litterario. Porto: Typographia Occidental, 1882-1883a. FERREIRA, Francisco de Salles. Mondombes. In: Africa Occidental: Album Photographico-Litterario. Porto: Typographia Occidental, 1882-1883b. FERREIRA, Francisco de Salles. Os Muhumbes. In: Africa Occidental: Album Photographico-Litterario. Porto: Typographia Occidental, 1882-1883c. FERREIRA, Francisco de Salles. O carro dos Boers. In: Africa Occidental: Album Photographico-Litterario. Porto: Typographia Occidental, 1882-1883d. GUIMARÃES, Ângela. Uma Corrente do Colonialismo Português: A Sociedade de Geografi a de Lisboa (1875-1895). Lisboa: Livros Horizonte, 1984. MARTINS, Leonor. Imaginar o império através da revista ilustrada O Occidente (1878-1915). In: VICENTE, Filipa Lowndes (ed.). O Império da Visão: Fotografi a no Contexto Colonial Português (1860-1960). Lisboa: Edições 70, 2014, p. 277-289. MATOS, Patrícia Ferraz de. As “Côres” do Império: Representações Raciais no “Império Colonial Português”. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2006. http://hdl.handle.net/10451/22688 MATOS, Patrícia Ferraz de. Power and Identity: Th e Exhibition of Human Beings in the Portuguese Great Exhibitions. Identities: Global Studies in Culture and Power, v. 21, n. 2, p. 202-218, 2014a. DOI: http://dx.doi. org/10.1080/1070289X.2013.832679 MATOS, Patrícia Ferraz de. A fotografi a na obra de Mendes Correia (1888-1960): Modos de representar, diferenciar e classifi car da “antropologia colonial”. In: VICENTE, Filipa Lowndes (ed.). O Império da Visão: fotografi a no contexto colonial português (1860-1960). Lisboa: Edições 70, 2014b, p. 45-66.
184 | Liliana Oliveira da Rocha; Patrícia Ferraz de Matos Rev. Tempos Espaços Educ. MATOS, Patrícia Ferraz de. Conhecimento científi co como promotor de potência colonial: O caso das missões científi cas de foro antropológico. In: MARÍN-AGUILERA, BEATRIZ (ED.). Repensar el colonialismo: Iberia, de colonia a potencia colonial. Madrid: JAS Arqueología, 2018, p. 371-400. MORAES, J. A. da Cunha. Aff rica Occidental: Album Photographico e Descriptivo. Lisboa: Edição David Corazzi, 1885-1888. MORAES, José A. da Cunha. Posfácio. In: MORAES, José A. da Cunha. Aff rica Occidental: Album Photographico e Descriptivo. Lisboa: Edição David Corazzi, 1888. MORAES, José A. da Cunha; FERREIRA, Francisco de Salles. Aff rica Occidental: Album Photographico- -Litterario. Porto: Typographia Occidental, 1882-1883. Pereira, Maria de Fátima Marques. Casa Fotografi a Moraes: A Modernidade Fotográfi ca na Obra dos Cunha Moraes. Porto: Universidade do Porto, 2001. ROCHA, Liliana Oliveira da; MATOS, Patrícia Ferraz de. Fotografi a Colonial: materialidades e imaterialidades identitárias no contexto português. Criar Educação, v. 7, n. 2, p. 1-23, 2018a. http://periodicos.unesc. net/criaredu/article/view/4608 ROCHA, Liliana Oliveira da; MATOS, Patrícia Ferraz de. Ver para Crer? Desafi os Educacionais sobre o Poder da Fotografi a. Práxis Educacional, v. 14, n. 29, p. 177-197, 2018b. https://doi.org/10.22481/praxis. v14i29.4105 ROSA, Frederico Delgado; VERDE, Filipe. Exploradores portugueses e reis africanos: viagens ao coração de África no século XIX. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2013. RYAN, James. Introdução: Fotografi a colonial. In: VICENTE, Filipa Lowndes (ed.). O Império da Visão: Fotografi a no Contexto Colonial Português (1860-1960). Lisboa: Edições 70, 2014, p. 31-42. SANTOS, Maria Emília Madeira. Nos caminhos de África: Serventia e posse (Angola – século XIX). Lisboa: Instituto de Investigação Científi ca Tropical, 1998. SENA, António. Uma História de Fotografi a: Portugal 1839 a 1991. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1991. SENA, António. História da Imagem Fotográfi ca em Portugal – 1839-1997. Porto: Porto Editora, 1998. SERÉN, Maria do Carmo. Livro de viagens: Um discurso ou uma memória. In: SIZA, Maria Tereza; WEIEMAIR, Peter (eds). Livro de Viagens: Fotografi a Portuguesa (1854-1997). Zurique: Stemmle, 1997, pp. 13-31. VICENTE, António. Os primeiros 75 anos da fotografi a em Portugal. In: MEDINA, João (ed.). História de Portugal: Dos tempos pré-históricos aos nossos dias. Amadora: Ediclube, 1993, p. 203-220. WHITE, Hayden. O tema do nobre selvagem como fetiche. In: WHITE, Hayden. Trópicos do Discurso: Ensaios sobre a crítica da cultura, 2.ª edição. São Paulo: EDUSP, 2001 (1994), p. 203-217. Sobre as autoras Liliana Oliveira da Rocha Licenciada em Jornalismo e Ciências da Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2006). Mestre em Ciências da Cultura pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro (2017). Doutoranda do curso de Doutoramento em Antropologia do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa (UL), com a tese “Clichés Identitários em Mindelo: estudo antropológico sobre a fotografi a em Cabo Verde a partir da Foto Melo (1890-1975)”, apoiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia com uma bolsa de doutoramento (SFRH/BD/140562/2018).
Fotografi as de Angola do século XIX | 185 Rev. Tempos Espaços Educ. Patrícia Ferraz de Matos Investigadora Auxiliar no Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa (UL), onde colabora no Curso de Doutoramento em Antropologia. Licenciou-se em Antropologia na Universidade de Coimbra (1997). A sua tese de mestrado sobre representações raciais - “As ‘Côres’ do Império” (2004) - foi laureada com o Prémio Victor de Sá de História Contemporânea 2005 e publicada pela Imprensa de Ciências Sociais (Lisboa, 2006 [1.ª edição], 2012 [2.ª edição]) e pela Berghahn Books (Oxford & Nova Iorque, 2013). Doutorou-se em Antropologia Social e Cultural, no ICS-UL, com uma tese sobre Mendes Correia e a Escola de Antropologia do Porto (2012). Foi distinguida com o Prémio ERICS (ICS/ CGD) na categoria de artigo científi co (2014).