doi.org/10.35321/term31-08
MOVIMENTOS e DIREÇÕES, CONSTRUÇÕES e FORÇAS: domínios-fonte metafóricos prevalentes nos textos jurídicos húngaros
MOVIMENTOS e DIREÇÕES, CONSTRUÇÕES e FORÇAS: domínios-fonte metafóricos prevalentes nos textos jurídicos húngaros
RÉKA SÓLYOM
Departamento de Linguística Húngara
Universidade Károli Gáspár da Igreja Reformada da Hungria, TERMIK
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0620-9262
R E S U M O
Adotando um enquadramento cognitivo funcional, este artigo aborda a semântica dos termos técnicos metafóricos na linguagem jurídica húngara. Embora a importância de termos inequívocos nesse tipo de uso da linguagem seja frequentemente enfatizada, as metáforas conceptuais favorecem a compreensão de textos técnicos. Esta investigação concentra-se em três tipos de metáforas frequentes nos textos técnicos húngaros de gestão da qualidade e nas leis húngaras. Essas metáforas e expressões metafóricas abrangem os domínios-fonte MOVIMENTOS e DIREÇÕES, CONSTRUÇÕES e FORÇAS. A análise caracteriza essas metáforas prototípicas e suas funções em textos jurídicos, recorrendo a exemplos dos textos húngaros de duas leis importantes: a Lei Fundamental da Hungria e a Lei C de 2012, o Código Penal da Hungria.
PALAVRAS-CHAVE: metáfora conceptual, expressões metafóricas, textos jurídicos, leis húngaras, termos técnicos.
R E S U M O
O artigo centra-se na semântica dos termos técnicos metafóricos na linguagem jurídica húngara, adotando um enquadramento cognitivo funcional. Embora se enfatize frequentemente a importância da univocidade dos termos na linguagem jurídica, as metáforas conceptuais facilitam a compreensão de textos especializados. Este estudo concentra-se em três tipos de metáforas frequentes nos textos húngaros especializados de gestão da qualidade
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e nas leis da Hungria. Estas metáforas e expressões metafóricas caracterizam-se pelos seguintes domínios-fonte: MOVIMENTOS e DIREÇÕES, CONSTRUÇÕES e FORÇAS. Descrevem-se estas metáforas prototípicas e as suas funções em textos jurídicos, recorrendo a exemplos extraídos dos textos de duas leis húngaras importantes: a Lei Fundamental da Hungria e a Lei C de 2012, o Código Penal da Hungria.
PALAVRAS-CHAVE: metáfora conceptual, expressões metafóricas, textos jurídicos, direito húngaro, termos.
1. INTRODUÇÃO
Este artigo centra-se na semântica dos termos técnicos metafóricos em duas leis húngaras: na Lei Fundamental da Hungria e na Lei C de 2012, o Código Penal da Hungria. Adotando um enquadramento cognitivo funcional, baseado na teoria das metáforas conceptuais (Lakoff, Johnson 1980; Kövecses 2005, 2015), a análise centra-se em três tipos de expressão metafórica, nomeadamente as que contêm os domínios-fonte MOVIMENTOS & DIREÇÕES, CONSTRUÇÕES e FORÇAS. A razão para analisar estes tipos de metáforas é que, em investigação anterior sobre textos húngaros de gestão da qualidade e de direito, a autora constatou que estes tipos de metáforas são muito difundidos (cf. Sólyom 2020a, 2022). De facto, estes domínios-fonte revelaram ser os tipos mais comuns no texto húngaro da Lei Fundamental da Hungria (Sólyom 2023).
O objetivo da investigação é duplo. Em primeiro lugar, revela e apresenta expressões metafóricas relacionadas com os três domínios-fonte. Em segundo lugar, esta análise mostra exemplos prototípicos dessas expressões metafóricas, por exemplo, “promove a cooperação” (‘deverá promover a cooperação’, literalmente, ‘deverá avançar a cooperação’); “a base da existência humana” (‘a existência humana está fundamentada em <…>’, literalmente, ‘a base da existência humana’); “encontra um obstáculo intransponível” (‘impossível devido a obstáculos intransponíveis’, literalmente: ‘esbarra em obstáculos intransponíveis’), que pertencem às metáforas conceptuais com estes três tipos de domínio-fonte.
2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO, INVESTIGAÇÃO ANTERIOR E HIPÓTESE
Como salientou Rita Temmerman, os termos unívocos são importantes na comunicação científica ideal (Temmerman 2002: 211). É verdade que «Uma terminologia coerente e unificada é um componente fundamental da comunicação técnica eficiente» (Bölcskei 2021: 88). No entanto, tornou-se evidente que os processos de construção do significado, como a metáfora e
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a metonímia pode favorecer o processo de compreensão no caso das linguagens científicas (cf. Temmerman 2007, Ureña, Faber, Buendía 2013, nas áreas da linguagem médica e da biologia marinha). É evidente que os «percursos conceptuais» (Kövecses 2021), como a metáfora, na verdade nos ajudam a compreender os termos técnicos (cf. Fóris, Faludi 2021).
No caso de uma análise cognitiva funcional, é importante estudar o papel da cognição e a presença da criatividade linguística. Como salientam Temmerman e Van Campenhoudt: «O renovado interesse tanto pela dinâmica da cognição como pelo potencial criativo da linguagem alterou as perspetivas dos estudos terminológicos no que diz respeito à criação de neologismos em linguagens especializadas, ao debate entre monossemia e polissemia, à investigação sobre ambiguidade, sinonímia, metáfora, fraseologia, etc.» (Temmerman, Van Campenhoudt 2014: 1).
A investigação semântica e estilística dos termos técnicos húngaros da gestão da qualidade revelou a ocorrência de muitos tipos de metáforas, com diversos domínios-fonte. Por exemplo, nos textos técnicos húngaros de normas, nos regulamentos da União Europeia e nos manuais do utilizador (cf. Sólyom 2020a, 2022). Os estudos sobre os neologismos nestes textos revelaram que o significado metafórico pode influenciar significativamente o processo de compreensão; por isso, as metáforas desempenham um papel importante na difusão de um termo novo. A investigação demonstrou que os domínios-fonte comuns no uso quotidiano da língua e nos textos literários também são comuns na linguagem científica. Entre os domínios-fonte que ocorrem frequentemente nos textos húngaros sobre gestão da qualidade estão CONSTRUÇÕES (por exemplo, EDIFÍCIOS), JORNADA, FORÇAS, MOVIMENTOS, DIREÇÕES, MÚSICA e MERCADO, e muitos deles podem ser identificados no texto da Lei Fundamental da Hungria (Sólyom 2023).
O enquadramento da presente análise é (tal como na análise dos termos da gestão da qualidade) a teoria cognitiva clássica das metáforas conceptuais, baseada no livro de Lakoff e Johnson, Metaphors We Live By (1980). No livro, Lakoff e Johnson assinalaram que «a metáfora está presente em toda a vida quotidiana, não apenas na linguagem, mas também no pensamento e na ação. O nosso sistema conceptual comum, em termos do qual pensamos e agimos, é fundamentalmente metafórico por natureza» (Lakoff, Johnson 1980: 3).
Durante a análise, serão estudados, no caso dos dois textos jurídicos húngaros, três domínios-fonte metafóricos prevalentes, que se revelaram os mais frequentes em análises anteriores. Estes domínios-fonte são MOVIMENTOS e DIREÇÕES, CONSTRUÇÕES e FORÇAS. No caso de
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estes textos jurídicos, a hipótese do artigo é que estes domínios ocorrem tanto isoladamente como em combinação, constituindo tipos «claros» e «mistos» de domínios-fonte nessas expressões.
Desde a investigação de Lakoff e Johnson, sabemos que: «Os dois domínios que participam na metáfora conceptual têm designações específicas. O domínio conceptual de que extraímos expressões metafóricas para compreender outro domínio conceptual chama-se domínio-fonte, enquanto o domínio conceptual que é compreendido dessa forma se chama domínio-alvo. <...> O domínio-alvo é o domínio que tentamos compreender através do uso do domínio-fonte» (Kövecses 2010: 4).
As metáforas quotidianas desempenham um papel importante nos processos de construção do significado das pessoas «comuns». Usamo-las frequentemente nas conversas do dia a dia para ajudar a elaborar novos significados e neologismos. O mesmo se aplica às linguagens científicas e técnicas, pois as metáforas e expressões metafóricas contribuem para a compreensão precisa dos neologismos (cf. Sólyom 2020b).
No caso dos textos jurídicos, a análise dos domínios-fonte identificados nas expressões metafóricas permite apresentar exemplos de metáforas com os três domínios-fonte mais frequentes. Nesta análise, foram recolhidas 136 expressões metafóricas da Lei Fundamental da Hungria e 470 expressões metafóricas do Código Penal da Hungria. No total, foram recolhidas 606 expressões metafóricas e inseridas numa base de dados, mas o presente artigo centra-se apenas nos tipos mais frequentes. Ficou claro que havia sobreposições entre os três principais tipos de expressões metafóricas: tipos mistos, por exemplo, MOVIMENTOS e DIREÇÕES + FORÇAS, ou MOVIMENTOS e DIREÇÕES + CONSTRUÇÕES. Como estes tipos se sobrepõem frequentemente (ou, pelo menos, ocorrem em conjunto dentro do mesmo domínio-fonte), foram criadas categorias mistas de tipos de metáfora durante este processo.
3. TIPOS DE DOMÍNIOS-FONTE PREVALENTES DE METÁFORAS NOS DOIS TEXTOS JURÍDICOS ANALISADOS: AGRUPAMENTO, SOBREPOSIÇÕES, QUESTÕES DE CATEGORIZAÇÃO
Durante a análise, ficou claro que, nos textos das duas leis analisadas, não havia apenas tipos «claros» de domínio-fonte nas expressões metafóricas, mas também o domínio-fonte MOVIMENTOS e DIREÇÕES era frequentemente combinado com o domínio FORÇAS e, por vezes, com o domínio
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CONSTRUÇÕES. De modo semelhante, o domínio-fonte CONSTRUÇÕES ocorre frequentemente em conjunto com o domínio-fonte CONSTRUÇÕES ou com FORÇAS. Esse fenômeno deu origem a categorias sobrepostas, mas nem todas puderam ser identificadas nos textos de ambas as leis.
O número de expressões metafóricas nas duas leis pode ser observado nas Figuras 1 e 2.
Figura 1. Tipologia dos domínios-fonte metafóricos mais frequentes no texto húngaro da Lei Fundamental da Hungria
Figura 2. Tipologia dos domínios-fonte metafóricos mais frequentes no texto húngaro da Lei C de 2012, o Código Penal da Hungria
Como mostram as Figuras 1 e 2, no caso da Lei Fundamental da Hungria, o tipo mais comum de metáfora conceptual era aquele que combinava MOVIMENTOS e DIREÇÕES + CONSTRUÇÕES (um tipo misto com 61 expressões metafóricas), enquanto, no caso do Código Penal da Hungria, o tipo mais frequente era MOVIMENTOS e DIREÇÕES (com 143 exemplos). O domínio-fonte CONSTRUÇÕES desempenhou um papel importante em ambas as leis (com 36 exemplos na Lei Fundamental e 48 no Código Penal). O tipo MOVIMENTOS e DIREÇÕES era o terceiro maior
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grupo no caso da Lei Fundamental (29 exemplos), e o mesmo se verificou no Código Penal, mas, neste caso, esse domínio-fonte estava combinado com FORÇAS (123 exemplos). O domínio-fonte «puro» FORÇAS revelou-se mais importante no Código Penal: era o segundo maior grupo, com 124 expressões metafóricas, enquanto, na Lei Fundamental, foi a quarta maior categoria, com apenas 8 exemplos. CONSTRUÇÕES E FORÇAS estavam combinadas, contudo, em ambos os textos: houve 31 exemplos dessa combinação no Código Penal e apenas 8 na Lei Fundamental.
Vale a pena notar que, por um lado, no texto da Lei Fundamental, de acordo com seu nome e sua função, a proporção de expressões metafóricas com o domínio-fonte CONSTRUÇÕES foi maior (26,47%) do que no texto do Código Penal (10,21%). Por outro lado, em consonância com os temas e a função do texto, o tipo FORÇAS ocorreu em maior proporção no Código Penal (26,38%) do que na Lei Fundamental (5,88%). Esses resultados corroboram o fenômeno de que os temas dos textos técnicos podem influenciar os domínios-fonte das metáforas e das expressões metafóricas neles presentes. Desse modo, as metáforas podem contribuir para o processo de elaboração e compreensão dos significados dos termos técnicos.
4. ANÁLISE
Como há 606 expressões metafóricas em todo o corpus (nos textos das duas leis), não é possível enumerá-las e discuti-las todas. Portanto, este artigo discute os principais grupos de metáforas e, em seguida, apresenta exemplos prototípicos dos subgrupos do corpus. A análise começa com exemplos da Lei Fundamental da Hungria e, depois, discute detalhadamente exemplos do Código Penal da Hungria. No caso de ambas as leis, o artigo discute primeiro os grupos “claros” de expressões metafóricas (isto é, aqueles tipos em que não se observa contaminação dos domínios-fonte) e, em seguida, analisa os tipos “mistos” de expressões metafóricas (isto é, aqueles tipos em que ocorrem mais domínios-fonte). Após cada termo, são apresentados os significados em inglês da versão traduzida das leis; como as questões de tradução não são o tema deste artigo, apenas farei referência ao significado dos termos húngaros em inglês para destacar a linguagem metafórica dos textos jurídicos húngaros, sem, contudo, aprofundar as questões de
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tradução ou equivalência. No entanto, se forem encontradas metáforas semelhantes nas equivalências em inglês, mencioná-las-ei.
5. EXPRESSÕES METAFÓRICAS DA LEI FUNDAMENTAL DA HUNGRIA: SUBGRUPOS E EXEMPLOS
5.1. Tipos “claros” de expressões metafóricas
CONSTRUÇÕES (36 termos)
No texto da Lei Fundamental da Hungria, 36 termos pertencem a esta categoria. Nessas expressões metafóricas, o domínio-fonte da metáfora conceptual é o das CONSTRUÇÕES. Diferentes partes das construções são usadas nas expressões metafóricas para evidenciar os termos jurídicos. Como no título desta lei (fundamental), o texto húngaro costuma fazer referência à base (isto é, a uma fundação) de uma construção (por exemplo, um edifício ou uma casa). Na tradução para o inglês, normalmente se desenvolve o mesmo domínio-fonte. Por exemplo:
az emberi lét alapja (p. 2) – a existência humana tem por base (literalmente: ‘a base da existência humana’), alapvető értékei (p. 2) – os nossos valores fundamentais <...>, alapvető jogai (p. 7) – os seus direitos fundamentais.
MOVIMENTOS e DIREÇÕES (29 termos)
No caso deste domínio-fonte, as noções de movimento e direções ocorrem em conjunto, como se houvesse uma entidade em movimento, cuja direção está sempre incluída. O processo de movimento pode referir-se a uma ação ou ao resultado da ação de mover-se (isto é, o estado ou o lugar de uma entidade pode ser entendido como o resultado de um movimento na expressão metafórica). Por exemplo:
promove a cooperação entre si e com a Hungria (p. 3) – deverá promover a cooperação entre si e com a Hungria (em que o verbo promove significa literalmente ‘avança’), procurador-geral (p. 15) – o Procurador Geral (em que o adjetivo principal significa literalmente ‘o mais alto’), funções e competências (p. 24) – funções e poderes (em que o substantivo círculo significa literalmente ‘círculo’).
FORÇAS (8 termos)
No caso destas expressões metafóricas, há forças envolvidas nos termos húngaros. Os tipos de força podem referir-se tanto a esforços físicos (por exemplo, terhel «sobrecarregar») como a ações violentas (por exemplo, megdönt «demolir»). Por exemplo:
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terhelik aquelas obrigações (p. 7) – obrigações que <...> deverão ser garantidas (em que o verbo terhel significa literalmente «sobrecarregar»),
uma norma jurídica ütköző num tratado internacional (p. 20) – uma norma jurídica que entra em conflito com um tratado internacional (em que o particípio ütköző significa literalmente «colidindo»),
megdöntésére <...> destinado a derrubar a ordem constitucional (em que o substantivo megdöntés significa literalmente «derrubada, demolição»).
5.2. Tipos «mistos» de expressões metafóricas
MOVIMENTOS e DIREÇÕES + FORÇAS (61 termos)
Esta categoria contém o maior número de termos técnicos: 61 expressões no caso da lei analisada. Neste tipo de expressão metafórica, combinam-se dois grupos principais: MOVIMENTOS e DIREÇÕES e FORÇAS. A combinação desses domínios-fonte é lógica, pois as forças podem afetar direções distintas, fazendo com que objetos ou pessoas se movam ou mudem de lugar — no caso destas expressões, muitas vezes de forma dinâmica. Por exemplo:
felfüggesztheti (p. 28) – pode ser suspenso (em que o verbo felfüggeszt significa «pode ser pendurado»),
A entrada em vigor da Lei Fundamental hatálybalépése <...> (p. 30) – A entrada em vigor da Lei Fundamental
hatálybalépés (p. 6) – entrada em vigor.
CONSTRUÇÕES + FORÇAS (2 termos)
Apenas 2 exemplos se enquadram nesta categoria na Lei Fundamental da Hungria. Neste subgrupo, combinam-se os domínios-fonte CONSTRUÇÕES e FORÇAS. Os termos que podem ser considerados exemplos deste grupo estão ligados ao substantivo húngaro korlát, que significa «cerca, barreira» em português. Pode estar associado à noção de construção, ou sua função restritiva remete à força que impede que algo aconteça ou seja feito. Por exemplo:
exercício dos direitos <...> korlátozható (p. 30) – um <...> direito só pode ser restringido (em que korlátozható significa «bloqueado por uma barreira»),
o funcionamento do Tribunal Constitucional não pode ser restringido (p. 30) – o funcionamento do Tribunal Constitucional não pode ser restringido (nem korlátozható, que significa literalmente «não pode ser bloqueado por uma barreira»).
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6. EXPRESSÕES METAFÓRICAS DO CÓDIGO PENAL DA HUNGRIA: SUBGRUPOS E EXEMPLOS
6.1. Tipos «claros» de expressões metafóricas
MOVIMENTOS e DIREÇÕES (143 termos)
No Código Penal da Hungria, o grupo de termos metafóricos com o maior número de exemplos, ao todo 143 termos, é o tipo MOVIMENTOS e DIREÇÕES. Tal como no caso da Lei Fundamental da Hungria, um movimento e as suas direções combinam-se nas expressões metafóricas pertencentes a esta categoria. Por exemplo:
a végszükség (p. 4) – necessidade (em que o substantivo végszükség significa «necessidade extrema»)
az elkobzott dolog tulajdonjoga (...) az államra száll (p. 18) – A propriedade de um bem confiscado passa para o Estado (em que o verbo száll significa literalmente «voa»)
az engedély kereteit ultrapassando (p. 43) – excedendo os limites de uma licença (em que o verbo túllép significa literalmente «dar um passo para além de algo»)
FORÇAS (124 termos)
O segundo grupo em que se pode identificar um domínio-fonte metafórico é o tipo FORÇAS no Código Penal da Hungria. Aqui ocorrem 124 termos, por exemplo:
a büntetés korlátlanul pode ser atenuada (p. 4) – A pena pode ser reduzida sem limitação (em que o particípio enyhíthető significa literalmente «pode ser moderado»)
a szabadlábon lévő arguido (p. 6) – o arguido em liberdade (em que o particípio terhelt significa literalmente «carregado»)
a fizetési kötelezettség até ao limite (p. 18) – na medida de uma obrigação de pagamento (em que erejéig significa «até/no âmbito da força de algo» e contém a palavra erő, «força», como raiz da palavra húngara)
CONSTRUÇÕES (48 termos)
O terceiro tipo metafórico «claro» consiste em expressões metafóricas com o domínio-fonte CONSTRUÇÕES, ao qual pertencem 48 termos no Código Penal da Hungria. Esse subgrupo geralmente inclui partes de construções ou atividades relacionadas a construções no domínio-fonte das metáforas. Por exemplo:
erre a feltevésre alapos oka van (p. 4) – há um fundamento razoável para essa suposição (em que o adjetivo alapos significa «profundo»)
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kizáró ok (p. 22) – fundamento para a exclusão (em que o particípio kizáró significa «impedir a entrada»)
az alapügy befejezése előtt (p. 71) – antes da conclusão do processo principal (em que o substantivo alapügy significa literalmente «processo básico»)
6.2. Tipos «mistos» de expressões metafóricas
Tal como no caso da Lei Fundamental da Hungria, encontram-se tipos «mistos» de expressões metafóricas no texto do Código Penal. Nesses termos, os domínios-fonte combinados das metáforas ajudam a elaborar o significado.
MOVIMENTOS e DIREÇÕES + FORÇAS (123 termos)
O domínio-fonte MOVIMENTOS e DIREÇÕES, combinado com FORÇAS, reúne o maior número de exemplos neste texto, assim como na Lei Fundamental da Hungria. No corpus, 123 termos representam esse tipo. Os termos técnicos pertencentes a essa categoria no Código Penal da Hungria geralmente se referem a um processo que envolve movimento e direção (por exemplo, subida, descida), mas o significado também se refere a um processo causado por forças. Por exemplo:
többszörös visszaeső (p. 8) – reincidente múltiplo recidivista (em que o substantivo visszaeső significa literalmente «aquele que volta a cair»),
az ügydöntő határozat jogerőre emelkedése (p. 13) – a decisão definitiva tornou-se final e vinculativa (em que o substantivo emelkedés significa literalmente «ascensão»),
ha ennek feltételei <...> fennállnak (p. 21) – Se as condições para isso <...> estiverem satisfeitas quanto a <...> (em que o verbo fennáll significa literalmente «sobressair»).
CONSTRUÇÕES + FORÇAS (31 termos)
O outro grupo «misto» aqui, tal como no caso da Lei Fundamental da Hungria, é do tipo CONSTRUÇÕES + FORÇAS, ao qual pertencem 31 termos. Os termos desta categoria referem-se a algo relacionado com a construção ou com o processo de edificação, e esse significado combina-se com alguma força. Por exemplo:
az elkövető büntethetőségét <...> korlátozza (p. 3) – A responsabilidade penal do autor do delito ou a punibilidade de um ato deve ser <...> limitada (em que o verbo korlátoz significa «bloquear com uma barreira»),
a büntetés korlátlanul enyhíthető (p. 4) – pode ser reduzida sem limite (em que o advérbio korlátlanul significa literalmente «de uma forma que não pode ser bloqueada por uma barreira»).
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No caso do Código Penal da Hungria, foi possível identificar apenas um termo para esta combinação. Aqui, encontra-se o substantivo belépés (formado a partir do verbo belép «entrar» por sufixação):
az információs rendszerbe <...> való belépés (p. 118) – permitir acesso a um sistema de informação (em que o substantivo belépés significa literalmente «entrada»).
7. CONCLUSÃO
O artigo centrou-se nos tipos mais frequentes de termos metafóricos da Lei Fundamental da Hungria e da Lei C de 2012, o Código Penal da Hungria. Foi realizada uma análise semântica dos domínios-fonte dessas metáforas no âmbito de um quadro cognitivo funcional. A análise mostrou que os domínios-fonte metafóricos mais prevalentes nestas duas leis eram MOVIMENTOS E DIREÇÕES, CONSTRUÇÕES e FORÇAS, bem como as suas combinações.
Com base nestes domínios-fonte metafóricos, foram identificados diferentes tipos de subgrupos nos textos: havia tipos «claros» de expressões metafóricas, que continham um domínio-fonte típico na metáfora conceptual que lhes servia de base, e alguns tipos «mistos», nos quais uma combinação dos três domínios metafóricos contribuía para elaborar o significado dos termos metafóricos. Assim, a hipótese da investigação foi comprovada, e foram apresentados exemplos de cada tipo. No futuro, a recolha de termos jurídicos húngaros poderia ser ampliada e poderiam ser realizadas mais análises gramaticais e semânticas, a fim de identificar mais grupos prototípicos e exemplos, com especial atenção ao papel das metáforas nos processos de construção do significado.
Nota final: Este artigo contou com o apoio do projeto de investigação do Centro de Investigação em Direito Público Lőrincz Lajos da Universidade Károli Gáspár da Igreja Reformada da Hungria, intitulado «Há necessidade de uma reforma da linguagem jurídico-administrativa na Hungria? Desenvolvimento de uma estratégia para a terminologia jurídico-administrativa».
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SOURCES
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JUDĖJIMAS IR KRYPTYS, KONSTRUKCIJOS IR JĖGOS: VENGRIJOS TEISĖS TEKSTUOSE VYRAUJANČIOS METAFORINIŲ ŠALTINIŲ SRITYS
Santrauka
Taikant funkcinį kognityvinį freimą (plg. Lakoff, Johnson 1980, Kövecses 2015), šiame straipsnyje pagrindinis dėmesys skiriamas metaforinių terminų semantikai vengrų teisės kalbos vartosenoje. Jame analizuojami dviejų Vengrijos įstatymų tekstai – Pagrindinis Vengrijos įstatymas ir 2012 m. Vengrijos Baudžiamojo kodekso C aktas. Konceptualiosios metaforos ir metaforiniai posakiai gali padėti suprasti specialiuosius tekstus. Tyrimas parodė, kad šiuose tekstuose dažnai pasitaiko metaforų tipų,
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kurių šaltinio sritys yra JUDĖJIMAS ir KRYPTYS, KONSTRUKCIJOS ir JĖGOS. Straipsnyje keliama hipotezė, kad šios sritys ne tik atsiranda atskirai, bet ir yra derinamos tarpusavyje, o tekstyne jos gali sudaryti mišrius pogrupius. Siekiant įrodyti hipotezę pirmiausia apibūdinamos šios prototipinės metaforos pagal jų šaltinio sritis, o tada pateikiami dviejų įstatymų pavyzdžiai pagal jų metaforų šaltinių grupes.
Šio tyrimo tikslas yra dvejopas.1 Viena vertus, atskleisti ir pristatyti tuos vengriškus metaforinius posakius, kurie yra susiję su trimis šaltinio sritimis ir jų deriniais analizuojamuose vengrų teisiniuose tekstuose. Kita vertus, pateikti prototipinių metaforinių posakių pavyzdžių su analizuotomis šaltinio sritimis, suskirstyti tuos posakius į pogrupius (pvz.: JUDĖJIMAS ir KRYPTYS + JĖGOS, KONSTRUKCIJOS + JĖGOS, JUDĖJIMAS ir KRYPTYS + KONSTRUKCIJOS) ir išanalizuoti jų pasiskirstymą tekstyne, siekiant patvirtinti straipsnio hipotezę.
Gauta 2024-04-30
Réka Sólyom
Department of Hungarian Linguistics
Károli Gáspár University of the Reformed Church in Hungary, TERMIK
25–27 Dózsa György St.
H–1146 Budapest
Hungary
E-mail
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