Balsių kaitos aprašai nuo Augusto Schleicherio iki Kazimiero Jauniaus
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ACTA LINGUISTICA LITHUANICA
LIETUVIŲ KALBOTYROS KLAUSIMAI XLIII (2000)
Gražina AKELAITIENĖ Universidade Pedagógica de Vilnius
DESCRIÇÕES DA ALTERNÂNCIA VOCÁLICA DE AUGUSTAS SCHLEICHERIS A KAZIMIERAS JAUNIUS
§1. A alternância das formas da raiz tem atraído a atenção de muitos linguistas. Já se podem encontrar referências a esse fenômeno na primeira gramática impressa da língua lituana. No capítulo «Sobre as várias posições das letras, ou acidentes», Danielius Kleinas menciona três tipos de «acidentes das letras»: mudança, contração e queda. O capítulo trata mais amplamente das mudanças nos dialetos e afirma que outros tipos, isto é, as mudanças do ponto de vista da flexão, serão esclarecidos pelas declinações e conjugações (ver Kleinas 1957: 427). Nos capítulos sobre conjugações, D. Kleinas dedica atenção sobretudo às mudanças das letras assinaladas1, mas também menciona as vogais da penúltima sílaba. Por exemplo, ao tratar do pretérito dos verbos, observa-se que alguns verbos em –auju formam o pretérito «de maneira totalmente irregular», a saber: palowiau – a partir do presente palauju, e do futuro palausu2. Ao discutir exceções na formação de outros tempos, Kleinas menciona separadamente verbos do tipo sirgau, que mudam a vogal e da penúltima sílaba para i no futuro «para que soe melhor», vogal que se mantém no pretérito formado a partir dele (Kleinas 1957: 427).
No capítulo «Sobre o nome e seus acidentes» também se fala de «mudanças das letras». Além de observações sobre a alternância vocálica nas desinências de casos das formas simples, menciona-se um fenômeno semelhante nos adjetivos e particípios pronominais (chamados por D. Kleinas de enfáticos). D. Kleinas justifica a alternância formal do afixo pronominal, assim como as outras «mudanças das letras», por uma «sonoridade mais agradável» — em outras palavras, por razões eufônicas.
§2. Augustas Schleicheris ocupa um lugar especial na história do estudo das alternâncias vocálicas da língua lituana. Foi o primeiro pesquisador não apenas a abranger e descrever toda a diversidade das raízes lituanas, mas também a fundamentar cientificamente o lugar da mudança do vocalismo no sistema geral de evolução dos sons da proto-língua indo-europeia. Em 1856, o primeiro capítulo, dedicado à fonética, da Gramática da língua lituana (Litauische Grammatik) descreve detalhadamente as leis vocálicas. É significativo que esse estudioso, como
1 D. Kleinas chama de letras assinaladas as letras que vêm antes do u final.
2 D. Kleinas concebe de modo diferente do atual a relação entre as formas dos tempos verbais. Segundo ele, todos os tempos são derivados «direta» ou «indiretamente» do presente do indicativo (ver Kleinas 1957: 479).
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pats pabrėžia (žr. Schleicher 1856: 34), aiškiai skiria tuos dėsnius, pagal kuriuos balsiai keičiasi žodžių daryboje ir kaityboje, nuo garsų sandūros dėsnių. Pirmieji kitimai sudarą sistemą, kuri lyginamojoje indoeuropiečių kalbotyroje vadinama balsių kaitos laipsniais. Anot A. Schleicherio, lietuvių kalbos balsiai kitę silpnėjimo (vocalschwächung) ir stiprėjimo (vocalsteigerung) būdu. Pastarojo skiriamos dvi pakopos, atitinkančios iš indų kalbų gramatikų žinomus guṇo ir vṛddhio reiškinius. Kaip ir lyginamosiose germanų kalbų gramatikose, jis skiria tris balsių klases, arba eiles, kurių pagrindiniai balsiai esą a, i, u. Šie balsiai ir jų atbalsiai, anot jo, sudarą balsių kaitos sistemą (žr. Schleicher 1856: 62). Pavyzdžiui, a-eilės vokalizmo žodžiai susidarę, iš vienos pusės, pakitus pagrindiniam balsiui a į o („steigerung“), iš kitos pusės, susilpnėjus („schwachung“) pagrindiniam balsiui, atsiradę variantai su e (arba pailgintu ė), i (pailgintu ī): virti, svyruoti, sverti, svėriau, svarstyti. Atskirai minima, kad kartais šioje eilėje gali atsirasti u (tampyti, tempti – įtumpas).
Foram apresentados sobretudo vocábulos da série a (mais de 80); entre eles, distinguem-se ainda os vocábulos do tipo bredu: braid(y)ti, que revelam uma mistura com a série i. Os membros da alternância vocálica da série i estão dispostos nesta ordem: i(y), e (=ie), ai (dygti, diegas, daiginti); a alternância da série u é composta pelos seguintes membros: u(ū), u (=uo), au, às vezes av, ov (krūva³, krauti, kroviau).
A. Schleicheris baseia-se sobretudo nos escritos de Ferdinandas Nesselmannas e Konstantinas Sirvydas. Em alguns pontos, apresenta palavras dialetais ou de outras línguas indo-europeias. Às vezes, a posição da vogal principal é indicada não pela palavra inteira, mas apenas pela raiz. Isso permite inferir que, no passado, uma palavra com esse vocalismo deve ter existido; por exemplo, na série da palavra ėd-mi, na posição do vocalismo a, indica-se apenas a raiz ad-; para a palavra slėgti, a raiz slag-; para a palavra rėkti, a raiz rak-; e stogas é representada pela raiz stag-.
A lista bastante abrangente de palavras cognatas apresentada por A. Schleicheris é particularmente valiosa para os pesquisadores atuais sob vários aspectos. Ao agrupar palavras cognatas, ele cometeu apenas alguns erros pontuais; por exemplo, associa indevidamente ao vocábulo mirti o eslavismo morai «padiola funerária»; a dievas, o eslavismo dyvas; e associa gardus a gerti (ver Sabaliauskas 1979: 68).
A. Schleicheris concluiu que a grande diversidade de vogais da língua lituana, assim como a de outras línguas, não é primordial: características mais antigas teriam permanecido na série u, que também na língua lituana é apenas trissegmental; a novidade da série i seria indicada pela existência de ie e ei distintos, enquanto a série a seria a que mais se afastou da forma primordial (ver Schleicher 1856: 62).
Como mencionado, A. Schleicheris enfatizou claramente que as leis sonoras são de dois tipos. Segundo ele, de acordo com as leis discutidas acima, os sons alternam na formação de palavras e na flexão. Por isso, ele não deixou de considerar a variação do vocalismo da raiz e
3 Nos exemplos de A. Schleicheris, escreve-se u nas raízes com vogal longa das palavras krūva, šūvis, lūžti e de outras palavras. Ele escreveu ū apenas nas formas do presente que tinham o infixo n (grūvu, pražūvu, kliūvu).
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no capítulo seguinte, dedicado à formação de palavras. Aqui, as alternâncias vocálicas já não são examinadas em detalhe4, mas as raízes com vocalismo diferente, apresentadas ao lado dos derivados, mostram que o estudioso observou que a alternância vocálica participa da formação de palavras juntamente com os sufixos. Contudo, não fica inteiramente claro com base em que princípio A. Schleicher indica a vogal das raízes isoladas na lista de derivados que apresenta, por exemplo: žiema – Vžim⁵, Laima – Vlam, atlaida – Vlid, atviras – Vvar, senas – Vsan, kreivas – Vkriv, pilis – Vpal, kova – Vku. Ao que parece, na maioria das vezes é indicado o membro fundamental da alternância vocálica correspondente, que, para A. Schleicher, assim como para os gramáticos indianos, era o grau fraco.
Ao apresentar exemplos de derivados de determinado tipo, ele menciona as alternâncias vocálicas de forma fragmentária, por vezes em separado, como um fato já evidente no estudo dos sons. Por exemplo, observa-se que, na formação de substantivos com o sufixo -a, a vogal da raiz frequentemente se fortalece, em vez de enfraquecer: sargas, dagas, kvapas, takas, tvanas, maras, svaras etc. (Schleicher 1856: 102)
A classificação detalhada dos verbos primitivos da língua lituana apresentada na Gramática de A. Schleicher6 também se baseia nas diferenças de expressão da raiz (ou, de modo geral, do tema). A classificação em classes tem como fundamento as características do presente, por exemplo, uma vogal da raiz alongada ou alterada (classe II), uma consoante nasal no presente (classe I) etc. O verbo é descrito com atenção ao sistema de alternância do vocalismo: indica-se que grau de alternância é representado pelos verbos de cada classe (ver Schleicher 1856: 234-254). Em essência, as gramáticas atuais também se apoiam na classificação dos verbos de A. Schleicher.
§3. A classificação tipológica da estrutura da raiz das palavras da língua lituana, criada por A. Schleicher, ocupou, sem dúvida, um lugar significativo na linguística indo-europeia. Na história das gramáticas das línguas bálticas, essa questão foi examinada cientificamente pela primeira vez; por isso, os trabalhos posteriores dos baltistas já se baseiam na teoria de Schleicher.
A descrição da alternância vocálica apresentada na gramática de Friedrich Kurschat, publicada em 1876 (Grammatik der litauischen Sprache), quase não difere da teoria de A. Schleicher. F. Kurschat, porém, trata das alternâncias vocálicas não na fonética (onde apenas se mencionam os graus de alternância vocálica característicos do sânscrito), mas no capítulo introdutório sobre formação de palavras. Com isso, parece expressar a concepção de que a alternância vocálica deve ser considerada parte da formação de palavras. Que F. Kurschat se baseou na análise das alternâncias vocálicas feita por A. Schleicher é demonstrado pelos mesmos exemplos e, por vezes, por referências diretas à obra mencionada (cf. Kurschat 1876: 80–82).
§4. Em 1884 foi publicado o estudo de August Leskien Der Ablaut der Wurzelsilben im Litauischen (ver Leskien 1884). Como ele próprio afirma na introdução, sua descrição das séries de alternância vocálica não tinha o objetivo de apoiar nem de refutar as teorias indo-germânicas então existentes-
4 O próprio A. Schleicher ressaltou que, no capítulo sobre formação de palavras, o tema não foi apresentado exaustivamente, mas com «o que veio à mão» (Schleicher 1856: 102).
5 A. Schleicher usava esse símbolo matemático para representar a raiz na descrição dos derivados.
6 Lietuvių kalbos veiksmažodžių klasifikacija jau buvo pateikta ankstesniame, 1853m. išspausdintame, A. Schleicherio darbe Lituanica. Tačiau Gramatikoje ji išsamesnė.
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das teorias do vocalismo. Segundo A. Leskien, ele surgiu como um recurso auxiliar para analisar o vocalismo das línguas eslavas. A. Leskien afirma que os exemplos foram recolhidos do dicionário de F. Nesselmann, mas que, posteriormente, foram complementados com material coletado por ele próprio não só do lituano, mas também do letão.
Ao contrário dos pesquisadores anteriores, A. Leskien distingue cinco séries de alternância vocálica:
I. i y(ī) ē ei(ej) ej ai(aj)
II. u ū ū au ov
III. a) i y (=ī) e ē ą o (=ā)
b) e ē ą o (=ā)
IV. ė a o (=ā)
V. a o (=ā) (cf. Leskien 1884: 268–269).
A tradicional distinção de três séries de alternância vocálica não era arbitrária. Trata-se de um esquema abstrato da lei de alternância das vogais em palavras aparentadas. O sistema apresentado por A. Leskien não é mais perfeito — apenas constitui uma realização mais bem fundamentada. Essencialmente, as séries III, IV e V correspondem à série a do sistema de A. Schleicher. Elas são separadas com base no fato de que as possibilidades de alternância se realizam de modo desigual em raízes do tipo correspondente. Por exemplo, as séries quarta e quinta são representadas, em essência, por palavras com o mesmo vocalismo; contudo, as alternâncias da quinta série são ilustradas por raízes sem variante com ė (ariu: orė, blaškai: bloškiau, privalau: prievolė). A terceira série, segundo A. Leskien, é heterogênea: ele distingue as séries III a (bildu: beldžiu: baldas) e III b (degu: nuodegulis: dagas: ato-dogei), embora a própria introdução afirme que essas séries estão estreitamente relacionadas e podem ser reunidas numa só (cf. Leskien 1884: 268). Essa divisão das séries talvez seja apenas mais informativa: permite avaliar melhor a produtividade dos tipos de alternância.
De modo geral, observa-se claramente o desejo de A. Leskien de encontrar o maior número possível de alternantes para cada raiz, isto é, de mostrar todos os graus de alternância vocálica de cada raiz. Com muita frequência, quando não se encontra uma palavra lituana, a alternância é ilustrada com palavras letãs (às vezes, somente com elas); por exemplo, o vocalismo ie: ai, i: ī é ilustrado com as formas letãs kniebju: knaipīt, miju: miju (cf. Leskien 1884: 138).
Essa seleção de exemplos às vezes distorce um pouco o quadro real do funcionamento das alternâncias vocálicas no lituano. É duvidoso que, sincronicamente, se pudesse perceber a relação semântica entre algumas palavras consideradas aparentadas pela raiz (por exemplo: diržti: diržas: daržas (p. 324); galas: gelti (p. 325); tiltas: patalas: toli (p. 349)); portanto, seria mais preciso considerar diacrônico o estudo de A. Leskien7.
A segunda parte da obra apresenta a distribuição das alternâncias em diversos subsistemas da língua lituana. Ela também consiste, essencialmente, em índices de exemplos classificados de maneira muito detalhada, acompanhados de breves comentários.
7 A. Leskien publicou um número considerável de novas comparações etimológicas corretas (cf. Sabaliauskas 1979: 74), mas, devido à desconsideração da semântica (compare-se ainda o letão didels – la. didit (“canção”)), sua concepção de identificação de raízes não pode ser considerada sincrônica.
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A obra de A. Leskien, Der Ablaut der Wurzelsilben im Litauischen, foi durante muitos anos o único trabalho inteiramente dedicado a uma questão específica da gramática histórica do lituano — as alternâncias vocálicas — e foi muito importante para todos os pesquisadores, talvez não tanto pelos fundamentos teóricos do trabalho quanto pelo abundante material ilustrativo.
§5. As gramáticas de A. Schleicher e F. Kuršaitis sem dúvida lançaram as bases teóricas para os trabalhos de Antanas Baranauskas e Kazimieras Jaunius, escritos com fins didáticos. As aulas de A. Baranauskas, ministradas no seminário de sacerdotes, foram publicadas sem seu conhecimento sob o título Kalbomokslio lietuviškos kalbos. Na segunda parte de Kalbomokslio, intitulada «Žodžugis», há uma seção sobre as «alternâncias» vocálicas. A. Baranauskas distingue três vogais «fundamentais» a, i, u, das quais, em suas palavras, «derivam todas as outras». A. Baranauskas explica: «a a fundamental, ao enfraquecer, torna-se e e, enfraquecendo ainda mais, torna-se i; ao se fortalecer⁸, torna-se i a, o» (as outras «alternâncias» são explicadas de modo correspondente) (ver Baranauskas 1896: 9).
Ao generalizar a regularidade das alternâncias, ele também apresenta três séries de vogais. «Das três vogais fundamentais derivam três séries de vogais, ditongos e vogais nasais:
1.ª série a e, i, y, ė, ā, o — — — ia, io ę, į, — ą, ią
2.ª série i i, y, ė, ei, ai i, — — — — — — iai
3.ª série u u, ū, au, av, ov iu, iū, iau ų, ių» (ver Baranauskas 1896: 10–11).
Na explicação de A. Baranauskas, a influência de A. Schleicher é muito perceptível: não só o modelo das séries de alternâncias foi adotado, mas também o método de explicação. Ao apresentar exemplos que ilustram as séries, A. Baranauskas repete algumas associações de raízes imprecisas de A. Schleicher; por exemplo, o eslavismo morai é apresentado junto com palavras da raiz mirti.
Kitame A. Baranausko darbe Zamietki o litovskom jazyke i slovare (Baranovskij 1898) balsių kaita aiškinama daug plačiau. Jis kalba apie dvejopus, t. y. etimologinius ir fonetinius procesus, vykstančius žodžių sudedamosiose dalyse. Fonetiniais procesais vadina tarmių fonetikos skirtybes, o etimologiniais procesais – žodžių daryboje ir kaityboje atsirandančius skirtumus. Kaip A. Baranauskas pats nurodo, jis iš esmės pateikia A. Schleicherio teoriją. Terminai taip pat rodo sekimą A. Schleicheriu: vartojami vokiškų terminų rusiški
8 Nas citações, não se segue a ortografia de Kalbomokslio de A. Baranauskas (assim como, adiante, a das gramáticas de K. Jaunius); por exemplo, em Kalbomokslyje escrevia-se stėbjasi.
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pakaitalai: oslabenie, količestvennoe uveličenie, podjom (žr. Baranovskij 1898: 10 ir kt.).
A. Baranauskas também descreve as diferenças na expressão das terminações com base no modelo de três séries vocálicas. Mas, ao tratar da expressão das terminações, nem sempre concorda com A. Schleicher. Com base em seu próprio dialeto (de Anykščiai), distinguiu três durações vocálicas e criticou A. Schleicher por não fazer essa distinção (ver Baranovskij 1898: 18).
§6. Como se sabe, K. Jaunius também frequentou o curso de língua lituana ministrado por A. Baranauskas, tendo estudado no seminário entre 1871 e 1875. Mais tarde, na última década do século, quase ao mesmo tempo que os trabalhos de A. Baranauskas, veio a público o próprio Lietuviškas kalbomokslis de K. Jaunius (1897). Tratava-se de uma obra hectografada que, sem alterações substanciais, foi preparada por K. Būga e publicada em 1911 como Lietuvių kalbos gramatika. Sem dúvida, K. Jaunius baseou-se não apenas nas aulas de A. Baranauskas, mas também nas gramáticas publicadas. Na seção sobre dialetos de sua própria obra, ele afirma claramente que conserva as «coisas boas» de A. Schleicher e F. Kuršaitis, mas não aceita seus «enganos e erros» (ver Jaunius 1911: 27). Como um dos «erros» de A. Schleicher, K. Jaunius apontou a distinção entre vogais «semilongas» de entonação descendente e ascendente. Já a respeito de F. Kuršaitis, manifestou-se positivamente nesse aspecto: «Kuršaitis, verdadeiro lituano, compreendia melhor a entonação lituana e o modo de articulação lituano, por isso não há palavras mutiladas em seus escritos». No entanto, K. Jaunius censurou F. Kuršaitis por ter confundido uo com o, ie com ė (ver Jaunius 1911: 27, 28).
Na seção de morfologia das sílabas10, “Apofonia vocálica”, K. Jaunius descreve a “alternância” das vogais na formação das palavras. Os principais elementos das séries são a, ie e au. Estes últimos, ao que parece, pareciam mais informativos a K. Jaunius do que i e u, que se costumava usar para indicar a segunda e a terceira séries (i e u também podem ocorrer em raízes com vocalismo em a). Eis uma das “leis” da apofonia vocálica de K. Jaunius: “Se alguma palavra tem a vogal a em sua raiz, os demais vocábulos cognatos podem ter e, ē, i, y, o, u, uo, ū, mas não terão nem ie nem au” (Jaunius 1911: 38). Ele afirma que “na maioria das vezes só se podem encontrar dois ou três membros de toda a série, portanto é útil, sobretudo, a — dividir a série em quatro sub-séries” (Jaunius 1911: 39). (É possível que a descrição da alternância vocálica de A. Leskien tenha influenciado essa divisão, embora não haja referência ao estudo de A. Leskien11.) A série a foi subdividida por ele em “sub-séries” a, ē, o, uo. Entre os exemplos que ilustram essas “sub-séries”, em especial uo, há palavras cujas raízes dificilmente podem ser consideradas raízes com vocalismo em a, por exemplo: duoti, pulti, puoliau, gulėti, guolis, bem como juosti, juosta. Elas representam antes u, isto é, a série au do modelo de Jaunius, e não a série a.
9 Apie tai savo darbe yra užsiminęs ir A. Baranauskas (žr. Baranovskij 1898: 9).
10 Segundo Antanas Balašaitis, pesquisador da terminologia linguística, K. Jaunius foi o primeiro a dar aos primeiros assuntos de fonética o nome adequado, «tarsnymokslis», isto é, ciência dos sons articulados, embora no início de sua atividade K. Jaunius também tenha chamado o som de outro modo: «gaisinis» (ver Balašaitis 1961: 184, 186).
11 Que K. Jaunius havia lido as obras de A. Leskien é demonstrado por observações e referências bibliográficas em outros trabalhos seus (ver Drotvinas, Grinaveckis 1970: 99, 138 e seguintes).
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Também se pode questionar a validade de algumas outras palavras apresentadas para comprovar as sub-séries do vocalismo em questão; por exemplo, a sub-série o é ilustrada, entre outras, pelas palavras bažmas «multidão, grande quantidade», buožė, bužulas «protuberância», «grande nó», que são relacionadas a bokštas. Essa relação é duvidosa (cf. polonês baszta). Nem todas as palavras que K. Jaunius apresenta como exemplos de vocalismo de uma determinada série podem ser relacionadas sequer etimologicamente. Ele considerava palavras da mesma raiz (com vocalismo da série a) rimstu, rymai, remiu, rèmiau, ramus, ramentas, romus, romyti ir rūmai. Ao que parece, partindo do fato de que a palavra russa pokoi («tranquilidade, calma») também tivera o significado de «quarto», ele propõe comparar, quanto ao significado, rūmus12 (lat. palacium) com as palavras russas pokoi, počit «morrer, adormecer». Essa é uma das associações etimológicas infundadas de K. Jaunius. Ao avaliar tais associações, historiadores da linguística afirmaram que K. Jaunius, linguista autodidata, por vezes se perdia pelos descaminhos da linguística comparativa; a base dessa tendência era o esforço para derivar de uma única forma de base formas de palavras semanticamente aparentadas, mas diferentes em seu vocalismo e, por vezes, também em seu consonantismo, explicando-as por certas leis de evolução sonora que ele próprio havia imaginado (ver Zinkevičius, Kabelka 1958: 23).
K. Jaunius também fala da «passagem de uma série vocálica para outra», isto é, da confusão entre séries. Ele compara esse fenômeno à confusão na flexão das palavras («declinação») e o chama de «associação de palavras». Segundo ele, «de acordo com as leis da mente humana, duas séries se confundem quando, em uma delas, aparecem vários membros iguais aos da outra» (Jaunius 1911: 39). De acordo com K. Jaunius, as pessoas podem transferir as raízes das palavras de uma série para outra por meio dessa associação, e assim nasce uma palavra com tal raiz cuja forma «não se ajusta em absoluto» às demais palavras da mesma raiz (ver Jaunius 1911: 40).
K. Jaunius não dedicou atenção especial à formação de palavras, por isso é difícil dizer como avaliava o papel da alternância vocálica na derivação. No entanto, ainda se encontram numerosas alusões às alternâncias na seção «Flexão dos verbos» (isto é, conjugação). Ao comparar as vogais dos temas, ele designa suas diferenças com termos habituais nas descrições da alternância vocálica: «vogal de grau superior», «vogal mais fraca», «vogal mais forte».
§7. Comparando a descrição da alternância vocálica de K. Jaunius com os trabalhos de outros pesquisadores, percebe-se que K. Jaunius segue essencialmente a teoria da alternância vocálica de A. Schleicher, embora formule as leis de maneira própria. O modelo apresentado para o sistema de alternâncias vocálicas, mais complexo (com a divisão das séries em sub-séries), pode ser resultado de suas próprias reflexões, mas também pode ter sido influenciado pelos trabalhos de A. Leskien.
Por outro lado, também não é necessário buscar em que a descrição da alternância vocálica de K. Jaunius difere das anteriores, nem em que complementou ou corrigiu seus predecessores. Pode-se mencionar algo inteiramente diferente — aquilo que enfatiza Juozas Tumas-Vaižgan-
12 Os etimólogos afirmam que a palavra rūmas deve ser relacionada ao latim rūs, rūris «aldeia, propriedade rural» (ver Sabaliauskas 1990: 265).
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Assim, quando Jaunius os conduzia por algum tipo de «alternâncias, gradações, apócope ou mudanças», ficava-lhes claro como indivíduos que se apaixonam por alguma coisa podem, por meio dela, mover metade do mundo (cf. Tumas 1916: 3).
LITERATŪRA
Balašaitis A. 1961: Lietuvių kalbos fonetikos terminai. – LTSR MA darbai, serija A. 1, 183–206.
Baranauskas A. 1896: Kalbomokslis lietuviškos kalbos, išdūtas per LL, Tilžė.
Baranovskij A. 1898: Барановский А. Заметки о литовском языке и словаре, Санктпетербург.
Drotvinas V., Grinaveckis V. 1970: Kalbininkas Kazimieras Jaunius, Vilnius.
Jaunius K. 1911: Lietuvių kalbos gramatika, Peterburgas.
Kleinas D. 1957: Pirmoji lietuvių kalbos gramatika, ats red. J. Kruopas, Vilnius.
Kurschat F. 1876: Grammatik der litauischen Sprache, Halle.
Leskien A. 1884: Der Ablaut der Wurzelsilben im Litauischen, Leipzig.
Sabaliauskas A. 1979: Lietuvių kalbos tyrinėjimo istorija, iki 1940 m., Vilnius.
Sabaliauskas A. 1990: Lietuvių kalbos leksika, Vilnius.
Schleicher A. 1856: Lituaische Grammatik, Prag.
Tumas J. 1916: [K. Jauniaus lietuvių kalbos gramatikos rec.] – Lietuvių balsas 69(98), 3.
Zinkevičius Z., Kabelka J. 1958: Kazimieras Būga. – Rinktiniai raštai 1. Vilnius, 13–100.
THE DESCRIPTION OF VOWEL ALTERNATIONS FROM AUGUST SCHLEICHER TO KAZIMIERAS JAUNIUS
Summary
August Schleicher occupies an exceptional place in the history of the investigation of Lithuanian vowel alternations. The authors of subsequent grammars of Lithuanian who dealt with vowel alternations could be said to be his followers. Kazimieras Jaunius, for example, basically adhered to Schleicher’s theory though he formulated the rules of vowel alternation in an original way. Jaunius presented a complex model of the system of vowel alternations, with the series of alternating vowels further divided into subseries. This system could have been devised on the basis of some considerations of his own. On the other hand, it could also have been influenced by A. Leskien’s works, which were undoubtedly known to Jaunius.
Gražina AKELAITIENĖ Vilniaus pedagoginis universitetas Ševčenkos g. 31 LT-2009 Vilnius, Lietuva El. paštas [email protected]
Gauta 2000 02 07
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