An Attempt at an Etymological Analysis of Ptolemy ́s Hydronyms of Eastern Balticum
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VÁCLAV BLAŽEK
Universidade Masaryk
Áreas de pesquisa: estudos indo-europeus, especialmente das línguas eslavas, bálticas, célticas, anatólicas, tocarianas e indo-iranianas; fino-úgricas; afro-asiáticas; etimologia; classificação genética; modelos matemáticos em linguística histórica.
UMA TENTATIVA DE ANÁLISE ETIMOLÓGICA DOS HIDRÔNIMOS DA PTOLEMAICO NO BÁLTICO ORIENTAL
Tentativa de analisar etimologicamente os hidrônimos da região oriental do Báltico registrados por Ptolomeu
RESUMO
O artigo analisa quatro hidrônimos do Báltico oriental, registrados por Ptolomeu em meados do século II d.C., no contexto dos testemunhos de outros geógrafos antigos. Suas análises etimológicas revisadas levam à conclusão de que pelo menos três deles são de origem germânica, mas provavelmente decalques de seus prováveis equivalentes bálticos.
PALAVRAS-CHAVE: Geografia, hidrônimo, etimologia, decalque, germânico, báltico, balto-fínico.
RESUMO
Este trabalho analisa quatro hidrônimos da região oriental do Báltico, registrados por Ptolomeu em meados do século II d.C. e também atestados por outros geógrafos da Antiguidade. A análise etimológica desses hidrônimos mostrou que pelo menos três deles são de origem germânica, embora provavelmente sejam decalques de correspondentes bálticos.
PALAVRAS-CHAVE: geografia, hidrônimo, etimologia, decalque, germânico, báltico, origem balto-fínica.
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Os quatro nomes de rios situados por Ptolomeu a leste do estuário do rio Vístula, Χόνος, Ῥούβων, Τουούντος, Χε(θ)ίνος, têm sido habitualmente identificados de maneira mecânica com os maiores rios do Báltico oriental, de acordo com a sequência das coordenadas de Ptolomeu:
Χόνος ~ prussiano Pregora / alemão Pregel / russo Prególia / polonês Pregota / lituano Prelius; 123 km (Manner 180: 257; Tomaschek, RE III/2, 189, c. 284).
Ῥούβων ~ lituano Nẽmunas / polonês Niemen / bielorrusso Neman / alemão Memel; 937 km (Manner 180: 258; Rappaport, RE 48, 1914, c. 118);
Τουούντος ~ letão Venta / lituano Ventà / livônio Vänta jõg / polonês Windawa / alemão Windau; 346 km de extensão (Manner 180: 258);
Χε(θ)ίνος ~ letão Daugava / bielorrusso Zachodnaja Dvina / russo Zapadnaja Dviná / alemão Düna / estoniano Väinä; 1020 km (Manner 180: 2580; Tomaschek, RE II/2, 189, cc. 273–74 também considerou o rio Gauja).
1. EVIDÊNCIAS TEXTUAIS
1.1. Ptolomeu, c. 150 d.C. [3.5.]
Europa, livro 8.
A Sarmácia europeia é limitada ao norte pelo oceano Sarmático, junto ao golfo Venedicus, e por uma parte da terra desconhecida, conforme a seguinte descrição: depois da foz do rio Vístula
foz do rio Chronus 50°00 56°00
foz do rio Rubonis 53°00 57°00
foz do rio Turuntus 56°00 58°30
foz do rio Che(r)sinus 58°30 59°30
“A Sarmácia europeia é limitada ao norte pelo oceano Sarmático, adjacente à baía Venedicus, e por uma parte da terra desconhecida, cuja descrição é a seguinte. Depois da foz do rio Vístula:
foz do rio Chronus 50°00 56°00
foz do rio Rubonis 53°00 57°00
foz do rio Turuntus 56°00 58°30
foz do rio Che(r)sinus 58°30 59°30”
Para comparação, Ptolomeu [4.11.1 & 4] determinou as coordenadas das fozes dos rios Albis e Vístula da seguinte forma:
foz do rio Albis 31°00 56°
“As fozes do rio Albis 31°00 56°15”
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Fozes do rio Vístula 45*00 56*00
“As fozes do rio Vístula 45*00 56*00”
Translated by Edward L. Stevenson (1932)
http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Gazetteer/Pe-riods/Roman/_Texts/Ptolemy/3/5*.html
A Sarmácia europeia de Ptolomeu, por Sebasian Munster
https://en.wikipedia.org/wiki/Geography_(Ptolemy)#/media/File-Sebastian_Munster_-_Tabula_europae_VII_(Sarmatia).jpg
1.2. No thséculo IV d.C., Marciano de Heracleia Pôntica repetiu a sequência desses rios, mas com certas modificações em seus nomes:
[2.39] Depois das fozes do rio Vístula, seguem-se as fozes do rio Χρόνον. Depois do rio Crónon, vêm em seguida as fozes do rio Ρουθῶνος. Esses rios desembocam no golfo Vêndico, que começa no rio Vístula e se estende por uma grande distância. A partir de
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do rio Pudano, seguem-se as fozes do rio Τουρόντου; depois do rio Turonto, vem o rio Χέρωνος e suas fozes. “Depois das fozes do rio Vístula, seguem-se as fozes do rio Crónion; depois do rio Crónon, vêm em seguida as fozes do rio Rúdono. Esses rios desembocam no golfo Vêndico, que começa no rio Vístula e se estende por uma distância imensa. Depois do rio Rúdono, seguem-se as fozes do rio Turunta; depois do rio Turunta, vem o rio Quésino e suas fozes.”
Edion e tradução latina por Müller, 1882.
1.3. No final do século IVth d.C., Amiano Marcelino [22.8.38] registrou a forma Chronius do hidrônimo Χρόνος de Ptolomeu:
[38] Portanto, bem no início desta região, onde os montes Rifeus desaparecem, habitam os arifeus, homens conhecidos por sua mansidão, por cuja terra correm os rios Chronius e Vístula; nas proximidades estão os masságetas, alanos e sargetas, além de muitos outros povos obscuros, cujos nomes e costumes nos são desconhecidos.
[38] “Pois bem, no próprio início desta região, onde os montes Rifeus descem até a planície, habitam os arifeus, homens justos e conhecidos por sua brandura, por cujo território correm os rios Chronius e Vístula. Perto deles estão os masságetas, os alanos e os sargetas, bem como vários outros povos obscuros, cujos nomes e costumes nos são desconhecidos.”
Amiano Marcelino, Rerum Gestarum, com tradução para o inglês por John C. Rolfe.
Cambridge (Mass.): Harvard University Press—London: Heinemann 1935–1940.
http://data.perseus.org/citations/urn:cts:latinLit:stoa0023.sta001.perseus-lat1:22.8.38
http://data.perseus.org/citations/urn:cts:latinLit:stoa0023.sta001.perseus-eng1:22.8.38
1.4. Provavelmente o mesmo hidrônimo, mas aplicado a um mar, já era usado por Plínio em meados do século Ist d.C.:
[4.38/94–95] daí em diante, para sair da Europa exterior, deve-se atravessar os montes Rifeus e seguir pela margem esquerda do oceano Setentrional até chegar a Cádiz. Diz-se que há várias ilhas sem nome naquela região; entre elas, Timagenes relatou que, antes da Cítia, fica a ilha chamada Baunônia, a um dia de navegação, à qual o âmbar é lançado pelas ondas na primavera. As demais costas são incertas, marcadas apenas pela fama do oceano Setentrional. Hecateu chama-o de Amaco, por causa do rio Parapaniso, que banha a Cítia, nome que, na língua desse povo, significa “congelado”. Filêmon afirma que os morinos o chamam de mar Morto, desde os cimbros até o cabo Rúbeas; além deste, fica o mar Crônio. Xenofonte de Lâmpsaco relata, com base em navegadores da costa dos citas, que há uma ilha de tamanho imenso, Baltia; a mesma ilha Pitias chama de Basília.
http://data.perseus.org/citations/urn:cts:latinLit:phi0978.phi001.perseus-lat1:4.38
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“Devemos agora deixar o Euxino para descrever as regiões exteriores da Europa. Depois de atravessarmos os montes Rifeus, devemos seguir agora pela margem esquerda as costas do Oceano Setentrional, até chegarmos a Gades. Diz-se que, nessa direção, existe um grande número de ilhas sem nome; entre elas, há uma situada em frente à Cítia, mencionada pelo nome de Raunônia e que, segundo dizem, fica a um dia de navegação do continente; nela, de acordo com Timaeus, o âmbar é lançado pelas ondas durante a primavera. Quanto às demais partes dessas costas, só são conhecidas por relatos de credibilidade duvidosa. No que diz respeito ao Oceano Setentrional ou do Norte, Hecateu o chama, depois de passarmos a foz do rio Parapanis, onde banha as costas citas, de mar Amalquiano, sendo que a palavra ‘amalquiano’ significa, na língua desses povos, congelado. Filêmon, por sua vez, diz que os Cimbros o chamam Morimarusa, ou ‘Mar Morto’, até o promontório de Rubes, além do qual recebe o nome de mar Croniano. Xenofonte de Lâmpsaco conta que, a três dias de navegação das costas da Cítia, há uma ilha de imenso tamanho chamada Báltia, que Píteas chama de Basília.”
http://data.perseus.org/citations/urn:cts:latinLit:phi0978.phi001.perseus-eng1:4.27
[4.41/104] sunt qui et alias prodant, scandias, dunam, bergos maximaque om-
nium brien, ex qua in tylen navigetur. a tyle unius diei navigatione mare concretum a nonnullis cronium appellatur.
http://data.perseus.org/citations/urn:cts:latinLit:phi0978.phi001.perseus-lat1:4.41
“Há também escritores que mencionam algumas outras ilhas, a saber, Scandia, Dunna, Bergos e, maior que todas, Nerigos, de onde se embarca para Tule. A um dia de navegação de Tule fica o oceano congelado, que alguns chamam de Mar Croniano.”
http://data.perseus.org/citations/urn:cts:latinLit:phi0978.phi001.perseus-eng1:4.30
Plínio, o Velho: Naturalis Historia, ed. por Karl Friedrich Theodor Mayhoff. Leipzig: Teubner, 1906. Plínio, o Velho: The Natural History, traduzido por John Bostock & H. T. Riley. Londres: Taylor and Francis, 1855: 4.30.
1.5. Dionísio Periegeta, do século II (ou IIIrd) d.C., repetiu as informações de Plínio sobre o mar Croniano no norte, que devia estar congelado ou morto:
27 Πάντη δ’ ἀκαμάτου ῥόος Ὠκεανοῖο
28 εἰς μὲν ἕων, πολλῇσι δ’ ἐπωνυμίῃσι ἀρεσώς.
29 Ἥτοι ὁ μὲν Λοκροῖο παρ’ ἐσχατίην ζεφύροιο
30 Ἄτλας ἐσπέριος κυκλήσεται. αὐτὰρ ὑπέρθεν,
31 πρὸς βορέην, ἵνα παῖδες ἀειμακέων Ἀριμασπῶν,
32 πόντον μὲν καλέουσι πεπηγότα τε Κρόνιον τε.
33 ἄλλοι δ’ αὖ καὶ νεκρὸν ἐφήμισαν εἶναι ἄφαυρον
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34 ἠλίου.
Dionysius Pierēgetes: Graece et Latine cum vetustis commentariis et interpretationibus, ed. Gottfried Bernhard. Leipzig: Weidmann 1828, 10.
27 «Mas por todos os lados flui a força do Oceano sem árvores,28 que, embora uno, tem muitos nomes.29 Ora, junto ao mais remoto recanto do zéfiro locrense,30 é chamado Atlas Ocidental; mas, ao norte,31 onde habitam os filhos dos Arimaspos enlouquecidos pela guerra,32 chamam-no Mar Gelado e Croniano.33 Outros, por sua vez, chamaram-no também de Morto, por causa da fraqueza34 do sol.»
Dionysius Pierēgetes: Descrição do mundo conhecido Tradução: Ekaterina Ilyushchev http://wwwdh.informatik.uni-erlangen.de/IMMD8/staff/Goerz/Dionysius_Piergetes.html http://wwwdh.informatik.uni-erlangen.de/IMMD8/staff/Goerz/DP/DP.E5-ln.tx
1.6. Seguindo Plínio, Solino [19.2], no século IIIrd d.C., foi mais sucinto: Oceanum septentrionalem ex ea parte, qua a Propaniso amne Scythia adluitur, Hecataeus Amalcum appelat, quod gens illius lingua significat congelatum. Pileon a Cimbris ad promunturium Rubeas Morimarusam dicit vocari, hoc est mortuum mare: ultra Rubeas quicquid est Cronium nominat.
Gaius Julius Solinus: Sobre as maravilhas do mundo http://www.thelatinlibrary.com/solinus2a.html
«O Oceano Setentrional, na parte em que o rio Paropamisus da Cítia deságua nele, é chamado por Hecateu de Amalquium: na língua daquele povo, significa mar congelado. Filemão diz que, dos Címbrios ao promontório Rubeas, é chamado Morimarusa, o que equivale a dizer mar morto. Tudo o que fica além de Rubeas é chamado Cronium.»
Traduzido por Arthur Golding (século XVI) th http://quod.lib.umich.edu/e/eebo/A12581.0001.001/1:34?rgn=div1;view=fulltext
2. OBJETIVOS E DETERMINAÇÃO DA AFILIAÇÃO LINGUÍSTICA DOS HIDRÔNIMOS
Nesta contribuição, quatro hidrônimos situados por Plínio, Ptolomeu e seus seguidores na parte oriental do Balticum, a saber, Χρόνος/Chronius/Cronium, Ρούβων / Ῥούβων, Τονόντος, Χε(ρ)σίνος, são analisados sob uma perspectiva etimológica.
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A primeira tarefa é determinar a afiliação linguística desses hidrônimos. Dois deles, Χρόνος & Ξε(θ)οῖνος, caracterizam-se pela χ- inicial, isto é, [kʰ]. Nas línguas indo-europeias da Europa, esse som é típico do grego, do eslavo e do germânico. O grego e o eslavo são excluídos por razões geográficas (vale mencionar que, nas línguas eslavas, o *x- inicial geralmente tem origem germânica ou iraniana). Se o germânico continua sendo o candidato mais promissor, é natural perguntar se há outro argumento que sustente a afiliação germânica desses nomes de rios. A resposta pode ser positiva: em Τορούntos é possível identificar o reflexo zero germânico *-unþ-/*-unđ- do sufixo de particípio presente *-nt-, que é produtivo apenas de forma rudimentar nas antigas línguas germânicas literárias: alto-alemão antigo weisunt “veia” ~ inglês antigo wǣsend id., do IE *u̯ei̯s- “fluir” (Pokorny 1959: 1134), ou gótico hulundi “caverna” vs. nórdico antigo holr, inglês antigo, saxão antigo, alto-alemão antigo hol adj. “oco”, todos derivados do verbo atestado em gótico huljan “cobrir”, nórdico antigo hylja, inglês antigo be-hyllan, saxão antigo bi-hullean, alto-alemão antigo hullan id. (Brugmann 1906: 216, 461; Pokorny 1959: 553; Lehmann 1986: 193–94; Kroonen 2013: 253). Esse papel do sufixo *-unþ- é geralmente aceito na formação do gótico tunþus “dente” (Brugmann 1906: 460; Kroonen 2013: 509–10).
3. ANÁLISES ETIMOLÓGICAS
3.1. Χρόνος [Ptolomeu 3.5.2]; Chronius [Amiano Marcelino 22.8.38]; talvez também Mare Cronium [Plínio 4.38/94–95, 41/104].
Há pelo menos três etimologias germânicas possíveis:
a) Mühlenhoff (1887: 35) tried to explain the hydronym with the help of Old Norse hrynja “stürzen, fallen, strömen”, Icelandic hrynja id., hrun “Sturz”, Norwegian ryna “lärmen, poltern”, Old Swedish ryna “lärmen”; perhaps also Old High German hrono “gestürzter Baumstamm”, Middle Low German rone id. and Old English hruna in place-names (de Vries 1962: 263; Holthausen 1963: 176). Although this idea is followed by Scheungraber & Grünzweig (AgT 138–39), it seems weakest in semantic perspective.
b) Kuhn (1941: 113) thought about a connection of Mare Cronium and Old Norse hrǫn f. “wave; Ægir’s daughter”. Together with Icelandic hrön “wave” and Old English hrǣn ~ hærn f. “waves, tide, sea”, probably reflect Germanic
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*hrōnjo(n)-¹ (de Vries 1962: 264; Holthausen 1963: 146). Pode estar relacionado o alto-alemão médio (séc. XV) rünne f. “onda de tempestade”, caso derive de *hrōnjo(n)- (Falk & Torp 190: 104; Orel 2003: 185; Kroonen 2013: 418, porém, prefere a protoforma *runnjō(n)-). A própria protoforma reconstruída *hrōnjō(n)- f., apesar da diferença de gênero, é muito próxima de Mare Cronium, de Plínio, e Chronius, de Amiano Marcelino. O C- inicial talvez se deva à influência de Κρονία ἅλς, usado para designar o mar Adriático por Apolônio de Rodes [Argonautica 4.324, 509] no século III a.C. O nome do mar provavelmente é motivado pelo teônimo Κρόνος. Por outro lado, nos séculos I e II d.C., seria de esperar que, numa hipotética língua germânica do Balticum oriental, o grupo *-zn- ainda estivesse preservado, se o estava no gótico bíblico registrado por volta de 350 d.C., por exemplo, gótico razn “casa”, ga-razna “vizinho” (~ nórdico antigo granni) vs. nórdico antigo rann, inglês antigo ræn ~ ærn “casa, moradia”, frísio antigo fia-ern “estábulo”, < *razna-, além do inglês antigo ræsn n. “tábua” < *razna- (Lehmann 1986: 283; de Vries 1962: 433); em alemão > finlandês (arcaico e dialetal) rahna “pedaço de madeira do qual se arrancam lascas; tronco em chamas na soleira; rolo agrícola”, estoniano rahn, gen. rahnu & raha “bloco, cepo, pedaço grande, tronco não rachado”, livônio rō’n(əZ) “toco de árvore derrubada, tronco no fundo do mar” (LGL III 105). Cf. também o nome pessoal Rasne-hildi gen.sg. [CIL XIII 7660] (Schönfeld 1911: 185), datado do século VII d.C. Em suma, embora essa solução seja muito atraente do ponto de vista semântico, deve ser descartada por razões fonéticas.
c) Outra possibilidade é representada pelo nórdico antigo hraun n. “solo rochoso, lava”, islandês hraun “terreno pedregoso sem vegetação”, feroês reyn, dinamarquês røn “banco de pedra no fundo do mar” >, shetlandês røn(i) “fundo rochoso”, topônimo norueguês NL Røna, topônimos suecos NL Rönö, Röne (de Vries 1962: 252; Helquist 1957:
1 O grupo medial *-zn- é confirmado pela comparação externa com o grego *χράσνα > eólico χράνα, dórico e arcádio κράνα, ático κρήνη “fonte, nascente” [I.]; além de *χρονος > χρονος “primavera, cabeceira de poço, de onde brotam cursos d’água” [I. 22.147, 208], cf. a glosa de Hesíquio κρούνα· κρήνη τελεία (ver de Saussure 1881: 119; Frisk II 16, 27; Beekes 2010: 777). Mais tarde, acrescentaram-se também cognatos em outras línguas: albanês krua ~ krue m., pl. kronj, kroje “fonte, nascente” (Orel 1998: 198); céltico: irlandês antigo crond, córnico cronn ‘nome de um rio’ (Stokes 1907: 247). As protoformas *kṛsṇā e *krosno/-ā (Beekes, EIEC 539) são compatíveis com uma das designações indo-europeias de “cabeça”, atestada, por exemplo, no grego κρανίον “crânio, cabeça”, albanês krye n., pl. krerë ~ krenë “cabeça” (Orel 1998: 199); tocariano B krāni(ye) “(nuca)” (Adams 2013: 230), etc. Quanto à evolução semântica, cf. o latim caput fontis ou caput aquae e o grego κράνα· κεφαλή (Hesych.) – ver de Saussure 1881: 119 e Frisk II, 16. Esta conclusão implica a reconstrução de *ḱ-. O reflexo albanês k- antes de -r- é regular.
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874). Udolph (1994: 88–92) acrescenta o orônimo alemão Rhōn2. Alemão > finlandês runa “cascalho grosso, pedras pequenas no fundo de um lago”, finlandês, vótico e ingrico raunio, careliano raunio “monte de pedras”, estoniano raun, gen. rauna “monte de pedras ou granito” (LGLÖ III 136). Os autores antigos distinguiam duas variantes, Χόνος e Chronius, que podem ser projetadas no protogermânico como *rauna- e *raunija-/*raunijō(n)-3. Há um par correspondente sugestivo no balto-finlandês, *rauna e *raunio, respectivamente. Graças a essa correspondência, é possível determinar a filiação dialetal do dialeto germânico do hidrônimo: provavelmente era o mesmo dialeto germânico que legou os empréstimos germânicos mais antigos nas línguas balto-finlandesas. Resta discutir a motivação semântica desse hidrônimo. Rochas ou pedras grandes não são típicas das fozes e dos cursos inferiores dos rios do leste do Báltico. Por isso, “cascalho” parece ser uma motivação semântica mais promissora. Talvez pudesse tratar-se da Vistula Spit (polonês Mierzeja Wiślana; alemão Frische Nehrung; russo Balti-iskaja kosa) ou da Curonian Spit (Kuršių nerija), ambas constituídas por cascalho e areia que formam dunas4, o que levou à designação Mare Cronium da Lagoa do Vístula ou da Lagoa da Curlândia, respectivamente. Devido às suas águas doces ou salobras, as lagoas congelavam com maior ou menor regularidade, ao contrário do mar aberto, mais salgado. O mar congelado provavelmente era entendido como o mar morto pelos visitantes vindos do Mediterrâneo. O termo, originalmente reservado para uma das lagoas, pode ter sido posteriormente transmitido aos estreitos que ligam as lagoas ao mar Báltico, semelhantes às desembocaduras de rios vistas do mar, ou aos rios que desaguam nessas lagoas. Analisemos os nomes de rios compatíveis com o campo semântico do germânico *rauna- e *raunija- / *raunijō(n)-. O candidato mais frequentemente proposto para Χόνος e Chronius tem sido o rio Pregel / Pregla. Na realidade, a latitude da sua foz não difere muito da latitude da foz do rio Vístula (Ptolomeu determinou ambas em 56°00). A etimologia desse hidrônimo não é inequívoca. Gerullis (1922, 135), resumindo registros antigos, a saber Priga (1302), Pregor (1359), além das formas dissimiladas Pregell, Pregel (1331), Pregil (1460), buscou explicação no lituano prāgas “caminho sem fundo, abismo, inferno” (também “glutão”). Está relacionado a pragė “abismo, profundidade incomensurável”, e ambos foram derivados do
2 A cordilheira Rhōn situa-se na região fronteiriça dos estados da Baviera, Hese e Turíngia. Seu pico mais alto, Wasserkuppe, tem 950 m de altitude.
3 O ditongo protogermânico *au, confirmado nos empréstimos balto-finlandeses, pode ter sido alterado para o nas transcrições gregas e latinas; cf. Austroti vs. Ostroti (Schönfeld 1911: 38).
4 A maior duna da Vistula Spit, chamada Wielbłądzi Garb = Kamelhöcker, tem 48,50 m de altura. A maior duna da Curonian Spit, chamada Vecekrug, é mais alta: 67,20 m.
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Verbo lituano gerti “beber” (Fraenkel 1962–65: 148, 643). Tal motivação semântica é naturalmente aceitável para um nome de rio, se o rio corre por um cânion ou ao menos por um vale profundo. Esse aparentemente não é o caso da paisagem plana ao longo do rio Pregel / Pregolja. Mažiulis (2013) acrescentou o registro mais antigo P regora (1273), reconstruindo o ponto de partida báltico como *Prēgarā. Ele isolou aqui o sufixo *-arā (cf. lituano žiež-ara “pessoa rabugenta, mal-humorada; bruxa”, de žiežti “resmungar, murmurar, estar de mau humor” — ver Fraenkel 1962–65: 130). A raiz prep deve estar relacionada ao lituano spragėti “estalar, rachar com ruído, sibilar, cintilar (por causa do calor ou do frio)”, sprōgti “rachar, estourar, partir-se, abrir-se, voar pelos ares, explodir” etc. (Fraenkel 1962–65: 877, 882). Embora essa solução seja transparente do ponto de vista da formação de palavras, a motivação semântica continua pouco convincente. Mas a vogal o no hidrônimo prussiano Pregora, Prigra etc. também pode ser explicada a partir do báltico *au; cf. a alternância au/aw ~ o ~ u nos topônimos prussianos, como o lago Lauken (1306) vs. Locar (1308) = laucs “campo” + assan “lago”, ou o lago Daben (1346) vs. Duben / Douben (1340); cf. prussiano pa-dabis, lituano dubà “ravina” etc. (Gerullis 1922: 26, 83). Considerando essa possibilidade, a raiz *gor- do hidrônimo prussiano é compatível com o nome do lago prussiano Goryn, registrado pela primeira vez em 1293 e, em 1339, como Gureyn (Gerullis 1922: 44; Toporov 1979: 345), e também com o lituano gaurė “solo calcário”, gurus “solto, quebradiço, friável”, gū́lās “fragmentos” etc., todos derivados do verbo gerti “desmoronar, desintegrar-se, esfarelar-se, dissolver-se, fluir; ficar solto, amolecido, fraco”; letão gurt “estar cansado, fraco”, gaurs “solto” (Fraenkel 1962–65: 150, 179; Vanagas 1981: 109; Smoczyński 2007: 212–13). À luz da conexão etimológica entre gótico malma “areia”, sueco malm “planície arenosa, minério”, inglês antigo mealm “arenoso”, inglês malm “solo leve, argiloso”, saxão antigo, alto-alemão antigo melm, alemão mulm “poeira” e gótico malan “moer”, nórdico antigo mola, saxão antigo e alto-alemão antigo malan idem (Lehmann 1986: 242–43), é legítimo especular que em prussiano poderia ter existido uma palavra do tipo *gurᵃ / *gorᵃ / *gurᵒ, com o significado de “areia, cascalho, seixo” ou algo semelhante. Seus vestígios podem ser identificados tanto no nome do lago Goryn & Gureyn quanto no nome do rio Pregora, Prigra ‘Pre-gel’, talvez “junto a dunas arenosas” ou algo semelhante. Tal motivação semântica também estaria de acordo com o significado proposto para o rio Χρόνος e Chronius, à luz de sua etimologia germânica.
A variante “pedregosa” dessa etimologia parece menos provável. No estreito estuário da Lagoa da Curlândia encontra-se a foz do rio Dane-Akmena. Akmena significa “pedregoso”; cf. lituano akmuõ, gen. ãkmenas “pedra” (Vanagas 1981: 37).
3.2. Ῥύφων [Ptolemeu 3.5.2, na edição de Nobbe] / Ῥούδων [Marciano 2.39]
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3.2.1. Se a leitura de Marciano ‘Ρούβων estiver correta, o hidrônimo poderia refletir o germânico *ruð(n) «vermelhidão» > nórdico antigo roði, idem, inglês antigo rud, baixo-alemão médio rud, idem (Orel 2003: 307). O equivalente exato em báltico, do ponto de vista da formação de palavras, parece ser o lituano ruduo «outono», ao passo que o equivalente semântico exato raudōnas = raudas «vermelho» difere no ditongo.
3.2.2. Se a forma de Ptolemeu ‘Ρούβων estiver correta, ela poderia estar relacionada com o letão rubenis, rubins, f. rubene «Birkhuhn / Tetrao tetrix», baltais rubenis «Moorschneehuhn, Morashuhn / Lagopus albus» (ME III 552), além do lituano raũbas «graugesprenkel», relacionado com o nórdico antigo rjūpa «Schneehuhn» (de Vries 1962: 449). Mühlenbach (ME I 709) e Fraenkel (1962–65: 193) especularam sobre a reduplicação intensiva *rerub-/*rirub-/*rērub- da raiz *rub- nesse ornitônimo, que teria dado origem a formas como o lituano jerubė, jẽrūbė, dial. (j)ārubė «Haselhuhn», o letão īrbe, dial. irbe, i(e)rube «Feldhuhn, Ackerhuhn» (ME I 708–09); além disso, compare-se também o nórdico antigo jarpi «Haselhuhn» com jarpr «dunkelbraun», o baixo-alemão médio erpel «pato macho», o inglês antigo eorp, earp e o alto-alemão antigo erpf «dunkelfarbig» (de Vries 1962: 291). Essa solução permite identificar o hidrônimo com um rio concreto, a saber, o Irbe, no norte da Península da Curlândia (Kurzemes pussala), com 32 km de comprimento; com seu afluente mais longo, o Stende, tem ao todo 132 km.
É tentador pensar numa possível relação entre o hidrônimo ‘Ρούβων e o promontório Rusbeas registrado por Plínio, se a forma Rubeas de Solino for mais correta. Não muito longe da foz do rio Irbe, identificado aqui com ‘Ρούβων, fica Kolkarags, o ponto mais setentrional da Península da Curlândia. O mar além do Promontório Rubeas poderia ser o Golfo de Riga. Sua identificação com o Mar Croniano pode dever-se ao fato de que ele também congela, assim como as lagoas do Vístula e da Curlândia.
3.2.3. Mühlenhoff (1887: 351), seguido por Rappart (RE 48, 194, c. 1180) e outros, propôs a emenda ‘Ρούσων, buscando apoio no nome Rusnė de um dos braços do Nemunas/Nemen/Memel. Vale mencionar que, segundo o LKŽ, o lituano rùsnė significa 1. «vieta, kur pagonių žyniai kūrendavo amžiną ugnį: Visos kitos tokios vietos, kuriose amžina ugnis ir garbės Dievo rusinama buvo, vadinos rusnės, nuo žodžio rusėti, arba amžinai degti», isto é, «o lugar onde os sacerdotes pagãos mantinham aceso um fogo eterno; todos os outros lugares semelhantes, onde o fogo eterno era mantido em honra de Deus, eram chamados rusnės, da palavra rusėti, isto é, “arder eternamente”»; 2. rusnė (Digitalis).
3.3. Τανουόντος (Τανουόντος) [Ptolemeu 3.5.2].
É atraente derivar o hidrônimo, com o sufixo *-un-, da base atestada no nórdico antigo þori «Menge, Masse», talvez relacionada com þora «wagen», þoran «Mut, Tüchtigkeit», e ainda com o védico túrá- «forte, rico» etc. (de Vries 1962: 617; Pokorny 1959: 108).
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Do ponto de vista semântico, essa solução permite relacionar o hidrônimo de Ptolemeu com o nome do maior rio da Letônia, Daugava, com 102 km de extensão, cuja etimologia pode ser explicada com base no letão daũdz «muito», no lituano daũg, daug(i)a «muito», daug «abundância», e ainda no polonês duży «grande, forte», dużo «muito» etc. (Fraenkel 1962–65: 84).
Nota: O *b germânico transcrito por Ptolemeu como τ é uma forma usual de transcrição em sua obra; cf., por exemplo, o nome de lugar Τευδέου / Τουδέου / Τουτέου [2.11.27], entre os rios Reno e Ems, discutido em detalhe por Much (1897: 99, 115).
3.4. Χε(ε)σῖνος [Ptolemeu 3.5.2, na edição de Nobbe, p. 167] / Χέσνος [Marciano 2.39].
Poderia ser uma transcrição do germânico *herznan > nórdico antigo hjarn «neve dura congelada», norueguês hjarn idem, dial. jorn m. «camada de gelo» < *hor < *her(n)u-; alto-alemão antigo hornung «fevereiro» < *hurznungōn (de Vries 1962: 231; Orel 2003: 171; Kroonen 2013: 223), cf. letão sērsna «geada branca, geada noturna na primavera» (ME II 831), lituano šērkšnas & širkšnas «geada branca» (Fraenkel 1962–65: 973–74); russo-eslavo eclesiástico срѣнъ «branco», russo antigo сренъ «neve congelada», russo серёд idem, polonês antigo śrzon «orvalho congelado, geada» etc. (Falk & Torp 1909: 78).
É tentador chamar a atenção para o rio letão Salaca (95 km), que deságua no Golfo de Riga. Se sua etimologia puder ser explicada com base no letão sált «congelar», sals «geada» (ME III 675–76), no lituano šáltì «(con)gelar, esfriar, ficar frio», pãšalas «geada no solo, chão congelado; geada noturna» (Fraenkel 1962–65: 958–61), no prussiano passalis «geada» [EV 57], o hidrônimo de Ptolemeu parece ser um decalque germânico do nome báltico do rio, provavelmente com o significado de «congelamento».
4. CONCLUSÃO
Quatro hidrónimos do Báltico Oriental transmitidos por Ptolomeu em meados do século IInd d.C. e repetidos com certas modificações por Marciano no século IVth d.C. parecem ser decalques germânicos dos nomes bálticos originais dos rios, provavelmente com uma exceção, Πούβω, que permite uma etimologia báltica direta e a identificação com o rio Irbe. O rio Χῆνος & Chronius provavelmente recebeu o nome do Mare Cronium, talvez correspondente a uma das lagoas do Vístula ou da Curlândia, ou aos seus afluentes, o Pregel, 123 Pregora ou Akmena, respetivamente.
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Uma tentativa de análise etimológica dos hidrónimos do Báltico Oriental de Ptolomeu
Ptolemy
Marcian
Outros
Germânico
Báltico
Hidrónimo atual
Χόρος
Χόρος
ChroniusMarcamm Mare Cronium Pliny
*hrauna- “stony soil, gravel” & *hraunja- / *hraunjō(n)- “heap of stones”
Espeto do Vístula ou Espeto da Curlândia, ou estreitos neles, ou (1273) Pregora «junto a dunas arenosas» ou Aknēna «pedregoso»
Ῥούβων
Ῥούδων
*ruðō(n) “vermelhidão”
Letão rubenis “tetraz”
Irbe “tetraz”
Τουρούντος
Τουρούντος
*þurbn- “abundante”
Daugava “abundante”
Χε(ρ)σίνος
Χέσνος
*herzn-/*herzn- “congelado”
Salaca “formando gelo”
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An Attempt at an Etymological Analysis of Ptolemy’s Hydronyms of Eastern Balticum
Bandymas etimologiškai analizuoti Ptolemajo užfiksuotus rytinio Baltijos regiono hidronimus
S A N T R A U K A
Straipsnyje nagrinėjami keli Klaudijo Ptolemajo Geografijoje minimų rytinio Baltijos regiono, patenkančio į Europinės Sarmatijos erdvę, hidronimai. Kaip pažymi autorius, tai yra bandymas paaiškinti jų etimologiją. Geografija buvo paskelbta II a. viduryje. Straipsnyje cituojama Ptolemajo Europos Sarmatijos geografinė samprata, išvardijant upes: Chronus, Rudonis, Turuntus, Che(r)sinus, Albis, Visula. Žvilgsnis taip pat metamas į kitų autorių hidronimų interpretacijas ir komentarus, paminimi IV a. istorikai Marcianas iš Ponto Heraklėjos, kuris modifikuoja upių pavadinimus, ir Amianas Marcelinas. Šie vardai I a. tikriausiai buvo žinomi ir Plinijui. Plinijumi sekdamas, apie tai II a. rašė ir Gajus Julijus Solinas. Autorius išsamiai nagrinėja keturių hidronimų etimologiją, siekdamas paaiškinti, iš kurios kalbos jie kilo. Šie hidronimai – tai Chronas, Rudonas, Turuntas, Chesinas (vardai pateikiami pagal Eugenijaus Jovaišos monografiją Aisčiai. Raida. Vilnius: Lietuvos edukologijos universiteto leidykla, 2014, 121–162. Straipsnio autorius tik neseniai susipažino su E. Jovaišos Ptolemajo žemėlapio perskaitymu. – Red. kolegijos pastaba).
Ptolemas II a. po Kr. viduryje paminėjo keturis rytinio Baltijos regiono hidronimus, o Marcianas IV a. po Kr. juos pakartojo šiek tiek pakeitus. Šie hidronimai yra pirminiai baltų upių pavadinimų germaniški vertiniai, išimtis tik ‘Pōbōv, kuris leidžia nustatyti tiesioginę baltų hidronimo Irbė etimologiją. Tikėtina, kad hidronimas Chronus (gr. Χόνος) yra kilęs iš Mare Cronium, galimai atitinkantis Visula ar Kuršių marias bei jų įtakus Priegų, 173 Pregorą ar Akmenę.
Acknowledgement:
The present study was prepared thanks to the grant of the The Czech Science Foundation (GAČR) GA15-1221S. I am grateful to John D. Bengtson for correcting the English.
Įteikta 2017 m. gegužės 2 d.
VÁCLAV BLAŽEK
Ústav jazykovědy a baltistiky, Filozofická fakulta Masarykovy University, A. Nováka 1, CZ-60200 Brno, [email protected]
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