LIUDMYLA NAUMENKO
Instituto de Filologia, Universidade Nacional Taras Shevchenko de Kyiv
Áreas de investigação: conceptualização linguística, análise do discurso, semântica lexical, comunicação empresarial, teoria da tradução, linguodidática. orcid.org/0000–0002–4325–1673
LILIIA BILAS
Instituto de Filologia, Universidade Nacional Taras Shevchenko de Kyiv
Áreas de investigação: estudos das áreas americana e britânica, comunicação intercultural, metodologia do ensino de inglês. orcid.org/0000–0002–5514–9799
VIRA PONOMAROVA
Instituto de Filologia, Universidade Nacional Taras Shevchenko de Kyiv
Áreas de investigação: fonética teórica, metodologia do ensino de línguas estrangeiras, TAC no ensino de inglês. orcid.org/0000–0003–1880–4691
DOI: https://doi.org/10.35321/al182–03
O GRUPO LEXICAL-SEMÂNTICO ‘AUSSIE’ NO SLANG AUSTRALIANO CONTEMPORÂNEO
O grupo lexical-semântico „Aussie“ no slang australiano contemporâneo
52
Acta Linguistica Lithuanica LXXXII
The Lexical–Semantic Group ‘Aussie’ in Contemporary Australian Slang
RESUMO
O objetivo do artigo é estudar o grupo léxico-semântico ‘Aussie’ na gíria australiana contemporânea (também strine). Os objetivos do artigo são determinar a estrutura semântica do lexema Aussie e as relações entre suas VSL, reconstruir o GLS ‘Aussie’ e suas séries sinonímicas, explorar sua representação em fontes lexicográficas e da Internet, bem como realizar análises léxico-semânticas e estilísticas dos membros das séries sinonímicas de suas VSL. A pesquisa realizada constatou que o lexema Aussie possui quatro significados na gíria australiana: o principal – ‘Austrália’ (o sema básico ‘país’), e os derivados – ‘um australiano’ / ‘povo australiano’ (o sema básico ‘habitante(s)’), ‘inglês australiano’ (o sema básico ‘língua’), ‘dólar australiano’ (o sema básico ‘dinheiro’). Os significados principal e derivados estão em relações léxico-semânticas de ‘o todo – a parte’. Cada significado (VSL) forma uma série sinonímica de denominações da gíria – palavras e combinações de palavras – com a seguinte representação numérica: ‘Austrália’ – 13, ‘um australiano’ – 170, ‘inglês australiano’ – 4, ‘dólar australiano’ – 45 unidades lexicais. As análises léxico-semânticas e estilísticas dos sinônimos revelaram: a) os modos de sua formação – por afixação, composição ou ambas, truncamento, abreviação, redução hipocorística, composição por fusão, iteração; b) os processos de nomeação – por perífrase, transferência metafórica ou metonímica, antonomásia, aliteração, assonância, onomatopeia, rima, ablaut / gradação, alusão; c) os traços semânticos que facilitam sua criação – cor, tamanho, material, função, aparência, status social, localização, clima, passatempo, sentimento.
PALAVRAS-CHAVE: Aussie, gíria australiana, grupo léxico-semântico (GLS), variante léxico-semântica (VSL), série sinonímica.
ANOTAÇÃO
O objetivo do artigo é estudar o grupo léxico-semântico «Aussie» no calão australiano contemporâneo (também conhecido como «strine», isto é, a variante australiana da língua inglesa). O objetivo do artigo é determinar a estrutura semântica do lexema «Aussie» e as relações entre os seus VLS (variantes léxico-semânticas), reconstruir o grupo léxico-semântico (GLS) «Aussie» e as suas séries sinonímicas, investigar a sua representação em fontes lexicográficas e na Internet, bem como realizar uma análise léxico-semântica e estilística dos membros das séries sinonímicas dos seus VLS. A investigação realizada demonstrou que o lexema «Aussie» possui quatro significados no calão australiano: o significado principal – «Austrália» (sema básica «país»), e os derivados – «australiano» / «australianos» (sema básica «habitante(s)»), «inglês australiano» (sema básica «língua») e «dólar australiano» (sema básica «dinheiro»). Os significados principal e derivados refletem-se nas relações léxico-semânticas «o todo – a parte». Cada significado (VLS) forma uma série sinonímica de denominações do calão – palavras e combinações de palavras, apresentadas na seguinte forma numérica: «Austrália» – 13, «australiano» – 170, «inglês australiano» – 3, «dólar australiano» – 45. A análise léxico-semântica e estilística dos sinónimos revelou: a) os seus modos de formação – afixação, composição, truncamento, abreviação, encurtamento hipocorístico, amálgama (palavras fundidas), (re)duplicação;
Straipsniai / Articles
53
LIUDMYLA NAUMENKO, LILIIA BILAS, VIRA PONOMAROVA
b) os processos de nomeação – perífrase, transferências metafóricas ou metonímicas, antonomásia, aliteração, assonância, onomatopeia, rima, ablaut / gradação, alusão; c) os traços semânticos que facilitam a sua criação – cor, tamanho, material, função, aparência, estatuto social, localização, clima, passatempo, sentimento.
PALAVRAS-CHAVE: Aussie, calão australiano, grupo léxico-semântico, variante léxico-semântica, série sinonímica.
1. INTRODUÇÃO
Durante muito tempo, o inglês foi estudado em sua única forma – o inglês da BBC ou a Pronúncia Recebida britânica (RP); o outro nome é o ‘inglês da Rainha’. Quando os contatos se tornaram mais pessoais no final do século 20th – início do século 21st, devido à Internet, aos telefones celulares, à comunicação por satélite e a outros dispositivos eletrônicos, as variedades sociais do inglês atraíram a atenção tanto das pessoas comuns quanto dos estudiosos. Os contatos mencionados acima são, em muitos casos, determinados, por um lado, pela tendência geral à globalização do mundo e, por outro, pelo interesse genuíno nas peculiaridades locais da fala regional.
Entre os estudiosos que se dedicaram ao inglês australiano, podem ser mencionados os trabalhos de J. R. L. Bernard (1969), K. Burridge e J. G. Mulder (1999), P. Collins (2012), F. Cox (2006), D. Moore (2008), entre outros. Entre os estudiosos ucranianos, vale mencionar a contribuição de L. Bilas (2017) e V. Parashchuk (2014). Embora os autores considerem o inglês australiano de diferentes pontos de vista – fonológico, estilístico, sociolinguístico, histórico etc. –, nossa atenção principal é dedicada às publicações que elucidam suas camadas não padrão, cotidianas, coloquiais e de gíria.
O objetivo do artigo é estudar o grupo léxico-semântico ‘Aussie’ na gíria australiana contemporânea. Os objetivos da pesquisa são determinar a estrutura semântica do lexema Aussie e as relações entre seus LSVs, reconstruir o LSG ‘Aussie’ e suas séries sinonímicas, investigar sua representação em fontes lexicográficas e da Internet, bem como realizar análises léxico-semânticas e estilísticas dos membros das séries sinonímicas de seus LSVs.
2. CORPO
2.1. Observações preliminares
O inglês australiano (AuE, AusE, AusEng, en-AU) é uma versão relativamente nova da língua (a primeira colônia britânica foi estabelecida em 1788 na Nova
54
Acta Linguistica Lithuanica LXXXII
The Lexical–Semantic Group ‘Aussie’ in Contemporary Australian Slang
província de South Wales, na Austrália) que se originou do inglês, dos dialetos escocês e irlandês já desaparecidos, do slang cockney, das línguas aborígenes e de outras línguas trazidas ao continente pelos seus habitantes (Moore, 2008). O inglês australiano começou como koine da segunda geração de colonos brancos. J. Bernard refere-se a ele como «proto-broad», que, devido ao grande fluxo de imigração da Grã-Bretanha entre as décadas de 1850 e 1880, se diferenciou em três sotaques identificáveis: Broad, General e Cultivated (Bernard 1969). Conforme declarado no ATMC Social Portal, o sotaque geral representa o tipo mais comum de inglês falado na Austrália; o sotaque broad é geralmente descrito como mais extremo (e associado à fala da classe trabalhadora); o sotaque cultivado é uma variedade de prestígio, um pouco mais próxima do RP britânico (embora os falantes efetivos deste último sejam uma minoria) (3TAA 2018).
A foneticista australiana Felicity Cox considera que, atualmente, o AusE abrange três grupos segundo a maneira de pronunciar as palavras: AusE padrão, variedades do inglês aborígene, dialetos AusE etnoculturais (Cox 2006: 10). A posição do inglês australiano costumava ser ainda definida de acordo com três categorias: dialeto regional australiano, variante do inglês padrão, língua nacional independente do continente australiano (3TAADB 2011).
Atualmente, os australianos utilizam o seu próprio amplo conjunto vocabular, que se diferencia em certas sublínguas ou camadas linguísticas. Esse vocabulário incorporou muitas palavras usadas por condenados britânicos e irlandeses que atualmente apresentam variações de significado: bush – «um território rural», mate – «um amigo» (BrE «um cônjuge»), paddock – «um campo» (BrE «um pequeno cercado para gado»), station – «uma fazenda de gado bovino ou ovino», to tie up – «atar ao poste», etc. Algumas outras palavras emprestadas são consideradas únicas: bluey, dinkum, brumby, damper, sheila, swagman, koori, jackaroo, alcheringa, bunyip, yowie, bind-eya, coolibah, joey, jumbuck, kangaroo, quokka, wallaby, yabby, billabong, bombora, gilgai, boomerang, didgeridoo, yidaki, cooee, yakka, bogey, boots n’all – com as definições e expressões tal como impressas.
Além disso, os australianos têm o seu próprio vernáculo colorido, chamado strine, que se originou do slang cockney e do dialeto irlandês dos primeiros condenados e
Straipsniai / Articles
55
LIUDMYLA NAUMENKO, LILIIA BILAS, VIRA PONOMAROVA
adquiriu o nome de flash language. É uma sublinguagem informal, humorística e metafórica da subcultura rebelde que reflete a originalidade do país. É o maior produto criativo da Austrália, que pode ser irônico e autodepreciativo, mas também rude, grosseiro e cruel (Hampshire 2010). A gíria australiana, definida como “linguagem informal ou palavras específicas usadas principalmente na linguagem falada” (100ASWP 2020), é repleta de abreviações, palavrões e vulgarismos, por exemplo: arvo (para afternoon), Aussie (para Australia or an Australian), ABC (para an Australian born Chinese), barbie (para a barbecue), doco (para um documento), footy, footie (para football), smoko (para smoking), telly (para a television), G’day, gidday (para Good day), BYO (para bring your own), significando ‘as pessoas devem trazer suas próprias bebidas, comida ou sobremesa’ (AS); white maggot (para an Australian football player, depreciativo), wog (para a person of Mediteranean or Middle Eastern descent, atualmente menos depreciativo, mas ainda ofensivo) (TBGAS 2004: 120); prawn (para a fool person, abusive) (MOAWI); piss (para beer), piss up (para a party), pissed as a newt (para drunk), a piece of piss (para an easy talk) (UASD 2011: 46). As últimas denominações carregam conotações vulgares e rudes.
Na Encyclopedia Britannica, a noção de ‘gíria’ é definida por D. W. Maurer como “palavras ou frases não convencionais que expressam algo novo ou algo antigo de uma maneira nova. Suas metáforas coloridas geralmente são dirigidas à respeitabilidade, e é essa crítica social sucinta, às vezes espirituosa e frequentemente impertinente, que confere à gíria seu sabor característico” (Maurer 2020). Essas palavras correspondem à definição de gíria da estudiosa ucraniana Lesia Stavyts’ka: “A gíria é um ambiente linguístico de comunicação de um grande número de pessoas que é avaliado pela sociedade como expressivamente não oficial, cotidiano e familiar” (Stavyts’ka 2005: 24). J. Hunter, editor de The True Blue Guide to Australian Slang, observa: “Os australianos são conhecidos por sua informalidade e natureza descontraída, e isso se reflete em seu uso liberal de gírias coloridas e divertidas” (TBGAS 2004). Os Aussies são bastante liberais em seu comportamento linguístico; usam piadas e metáforas, rimas, xingamentos, disfemismos, insinuações sexuais e palavras que expressam idiossincrasias. A gíria Aussie tornou-se uma fala casual, informal e comum em um país que valoriza a sagacidade irrelevante, o humor, a ironia e a autodepreciação. Expressões como budgie smugglers (‘traje de banho masculino’), dingo’s breakfast (‘nenhum café da manhã’), ducks on the pond (‘as mulheres estão chegando’) (ASDKN 2018) tornaram-se típicas da comunicação cotidiana dos australianos nativos.
2.2. Metodologia
A metodologia da pesquisa baseia-se nos trabalhos do lexicólogo australiano J. R. L. Bernard (1969) e da foneticista Felicity Cox (2006), dedicados
56
Acta Linguistica Lithuanica LXXXII
The Lexical–Semantic Group ‘Aussie’ in Contemporary Australian Slang
às variedades regionais e locais do AusE, isto é, às suas variantes de pronúncia e diferenciação léxico-semântica. Assim, a pesquisa concentra-se na gíria australiana como fenômeno sociolinguístico. A metodologia aplicada inclui os métodos de definição de palavras e de comparação dos significados de palavras da gíria em diferentes fontes lexicográficas e da Internet, a análise componencial do lexema Aussie, bem como análises léxico-semântica e estilística dos membros das séries sinonímicas dos LSVs. A fundamentação teórica da pesquisa apoia-se na ideia geralmente aceita da organização sistêmica de uma língua ou sublíngua, em particular da gíria australiana. O pressuposto desse ponto de vista baseia-se, por um lado, na teoria de Ferdinand de Saussure da língua como sistema hierárquico de relações: “Em uma língua, tudo se baseia em relações” (Saussure 1916: 122) – lineares / sintagmáticas, paradigmáticas, associativas, opositivas, idênticas, equivalentes, semelhantes, complementares, contrastivas, de inclusão / exclusão, de causa–resultado, hipônimo–hiperônimo etc.; por outro lado, na organização sistêmico-estrutural do vocabulário da língua em campos léxico-semânticos (LSF), grupos léxico-semânticos (LSG), séries sinonímicas (SR), grupos temáticos (TG) etc. (Levytskiy 2012: 271).
Um grupo léxico-semântico de palavras é entendido como “um conjunto de unidades de estrutura diversa formado com base em um núcleo semântico comum que determina a dependência e as relações de seus elementos como unidades do sistema linguístico” (Krekhno 2005: 25). Segundo L. M. Vasiliev, um grupo léxico-semântico é considerado “uma classe de palavras (lexemas) unidas por pelo menos um sema paradigmático lexical” (Vasiliev 1971: 109).
O proeminente estudioso ucraniano V. V. Levytskiy propõe sete critérios diferenciais para distinguir um LSG de outros microssistemas lexicais, a saber: 1) a determinação linguística / extralinguística dos vínculos lexicais; 2) o tipo de relações estruturais (comutação / substituição) no âmbito de um microssistema; 3) o tipo e o lugar do nome do grupo; 4) o denotatum material / ideal; 5) a discretude / não discretude dos objetos nomeados da realidade; 6) o volume do grupo; 7) a configuração do grupo (unidimensional, bidimensional ou tridimensional) (Levytskiy 2012: 269–283).
De acordo com os dois primeiros critérios, um LSG é um microssistema com relações não relevantes com os objetos da realidade e, portanto, a organização de seu léxico ocorre com base em relações interlinguísticas – tanto sinonímicas quanto antonímicas. Segundo os demais critérios, um LSG inclui palavras que nomeiam tanto objetos materiais quanto ideais, bem como palavras com significados abstratos e concretos; o dominante lexical é uma palavra-membro do grupo; os elementos do grupo encontram-se em relações de comutação e substituição; o volume do grupo compreende pelo menos vários membros, e ele possui uma configuração bidimensional.
Straipsniai / Articles
57
LIUDMYLA NAUMENKO, LILIIA BILAS, VIRA PONOMAROVA
Como afirma o lexicólogo russo A. A. Ufimtseva, “a base de um LSG é uma palavra <...> nas suas relações variáveis e complexas com outras unidades lexicográficas” (Ufimtseva 2002: 4). Essa palavra básica (também nome ou dominante semântica) é um lexema polissêmico. Cada uma das suas variantes léxico-semânticas forma uma série sinonímica com outras palavras que pertencem a este LSG. Assim, a estrutura léxico-semântica de uma dominante semântica de um LSG, de acordo com V. V. Levitskiy (2012: 280), pode ser ilustrada pelo seguinte esquema:
Esquema 1. Estrutura léxico-semântica da dominante semântica de um LSG
De acordo com o Esquema 1, o símbolo A representa uma palavra básica polissêmica de um LSG; o LSV principal é representado pelos símbolos a¹ – a² – a³, etc.; os LSVs restantes, pelos símbolos b¹ – b² – b³, etc., e c¹ – c² – c³, etc., respetivamente.
O passo seguinte no estudo de um LSG consiste em reconstruir a estrutura semântica da palavra básica, traçar as relações entre os seus LSVs, compor séries sinonímicas para cada LSV e realizar análises léxico-semânticas e estilísticas dos sinônimos.
2.3. Dados do corpus
Os dados do corpus reunidos compreendem dicionários, vocabulários e léxicos autênticos do calão australiano, a saber: Australian Guide to Language (AGL), Australian Slang (AS), Aussie Slang Dictionary (ASD 2004), Aussie Slang Dictionary. Koala.net (ASDKN 2018), Australian Slang and Other Local Lingo (ASOLL 2017), Dictionary of Australian Slang (DAS), Concise New Partridge Dictionary of Slang and Unconventional English (CNPDSUE 2008), A Dictionary of Australian Words and Terms by G. W. Lawson (DAWT 1997), Meanings and Origins of Australian Words and Idioms (MOAWI), The True Blue Guide to Australian Slang by J. Hunter (TBGAS 2004), The Ultimate Aussie Slang Dictionary (UASD 2011), Word up. A Lexicon and Guide to Communication in the 21st Century by M. McCrindle and E. Wolfinger (WLGC21C 2011), 100 Australian Slang Words and Phrases (100ASWP 2020), 125 Australian Slang Words and Phrases. A Guide to Aussie Slang (125ASWP 2015); recursos da Internet relacionados com o tema em análise: Crow-eaters, Sandgropers, Banana benders, Cornstalks and More (CSBBCM 2016), Ever Colourful Australian Currency Slang Nicknames (ECACSN), Holey Dollars to Grey Nurses by M. Gwynn (Gwynn 2014), Slang:
58
Acta Linguistica Lithuanica LXXXII
The Lexical-Semantic Group ‘Aussie’ in Contemporary Australian Slang
What Aussies call other Aussies, by F. Povah and A. Middleton (Povah 2013), Slang Terms for Money. Current Denominations (STMCD), and the online platform for clarifying the meaning of particular slang words: Browse the Aussie Slang Dictionary (BASD 2020).
2.4. Reconstrução do LSG ‘Aussie’
O LSG ‘Aussie’ foi selecionado para a análise com base nas seguintes considerações: é nomeado por uma palavra polissêmica (com pelo menos quatro significados) e possui o maior número de sinônimos (231 unidades lexicais) em comparação com outras nomeações (esportes e jogos – 50, nomes de lugares – 40, política – 24, assuntos militares – 19), de acordo com nossos cálculos das unidades de gíria no material pesquisado.
As etapas seguintes, com referência à metodologia exposta acima, consistem em elucidar os significados / LSVs da palavra Aussie, reconstruir sua estrutura semântica (determinar os semas principais e derivados e as relações entre eles) e construir séries sinonímicas para cada LSV de acordo com as fontes lexicográficas exploradas e outras fontes pertinentes.
Assim, o lexema Aussie é registrado lexicograficamente com os seguintes significados: 1) ‘Austrália’ (MOAWI); 2) ‘australiano’ (AS; ASDKN 2018; MOAWI; UASD 2011: 15), ‘um australiano’ (DAS), ‘povo australiano’ (TBGAS 2004:10); 3) ‘inglês australiano’ (MOAWI); 4) ‘dólar australiano’ (MOAWI).
O significado principal da palavra Aussie é ‘Austrália’, sendo os demais — ‘um australiano / o povo australiano’, ‘inglês australiano’, ‘dólar australiano’ — seus derivados. Eles se originaram com base no significado principal por transferência metonímica e correspondem a ele como ‘a parte’ corresponde ‘ao todo’, formando assim as relações léxico-semânticas ‘o todo — a parte’.
O primeiro significado / LSV ‘Austrália’ (o sema básico ‘país’) forma a seguinte série de sinônimos, representada por 13 unidades lexicais: Bazzaland — ‘Austrália’ (UASD 2011: 17); Down Under — ‘Austrália e Nova Zelândia’ (ASDKN 2018); The Great Southern Land; The Land of the Long Weekend (TBGAS 2004: 65); The Lucky Country — ‘um termo sinônimo de Austrália’ (ASDKN, 2018); Never Never — ‘o centro da Austrália’ (ASDKN 2018); Outback — ‘o interior da Austrália’ (ASDKN 2018); Oz — ‘Austrália’ (ASD 2004; ASDKN 2018; DAS; UASD 2011: 45); RARA — ‘Austrália rural e regional’ (TBGAS 2004: 86); Straya — ‘Austrália’ (125ASWP 2015), ‘forma abreviada de Australia’ (100ASWP 2020); Top End — ‘o extremo norte da Austrália’ (ASDKN 2018); the wide brown land / the sunburnt country — ‘refere-se à Austrália’ (MOAWI).
Straipsniai / Articles
59
LIUDMYLA NAUMENKO, LILIIA BILAS, VIRA PONOMAROVA
A primeira série de sinônimos é representada por unidades de gíria formadas por: truncamento da palavra já existente sob a forma de síncope – Straya (Austrália); abreviação sob a forma de acrônimo – RARA (Austrália rural e regional); composição – Bazzaland; iteração – Never Never; renomeação. A renomeação produz perífrases com base nos seguintes traços semânticos: ‘localização’: Down Under – Outback – Top End, The Great Southern Land; ‘clima’: the sunburnt country; ‘cor’: the wide brown land; ‘passatempo’: The Land of the Long Weekend; ‘sentimento’: The Lucky Country, ou alusão: Oz.
É interessante observar que o apelido Bazzaland foi formado sob a influência do personagem de desenho animado Barry (Bazza) McKenzie, criado por Barry Humphries em 1973 (CNPDSUE 2008: 39). O topônimo Oz reproduz por escrito a pronúncia do topônimo Australia. Seu primeiro registro como Oss apareceu em 1908; ocasionalmente, a palavra era escrita como Aus, mas pronunciada da mesma maneira. Presumivelmente, a forma foi influenciada por ‘The Wizard of Oz’ (filmado com base no enredo do conto de fadas de L. Frank Baum), um filme que alcançou popularidade mundial em 1939. O primeiro registro da palavra Oz com o significado de ‘Austrália’ foi identificado em um boletim informativo de guerra de 1944 (MOAWI). A perífrase The Great Southern Land apareceu pela primeira vez no título de um single lançado pela banda australiana de rock Icehouse em 1982; the wide brown land e the sunburnt country originaram-se no poema ‘My Country’, de Dorothea Mackellar, em 1908.
O segundo significado / LSV ‘um australiano’ / ‘povo australiano’ (o sema básico ‘habitante(s)’) forma a seguinte série de sinônimos, representada por 170 unidades lexicais: ABC – ‘um chinês nascido na Austrália’ (AS); abo / boong – ‘um aborígene’ (AS); apple eater – ‘alguém da Tasmânia’ (UASD 2011: 14); banana bender – ‘uma pessoa de Queensland’ (ASDKN 2018; UASD 2011: 16); bruce – ‘um sujeito australiano’ (125ASWP 2015), bushie – ‘um homem do sertão’ (ASDKN 2018; DAS; TBGAS 2004: 27; UASD 2011: 21); cabbage patcher – ‘um residente do estado de Victoria’ (AS; UASD 2011: 21); cane toad – ‘alguém do estado de Queensland’ (AS); cockroach – ‘uma pessoa de Nova Gales do Sul’ (ASDKN 2018); crow eater / pie eater – ‘um residente da Austrália Meridional’ (AS; ASDKN 2018; UASD 2011: 44); dinky di / dink / dinkum / ridgy didge – ‘um australiano genuíno’ (AS; ASOLL 2017; DAS; TBGAS 2004: 36; UASD 2011: 55); Easterner – ‘uma pessoa dos estados do leste’ (UASD 2011: 28); gebung – ‘um australiano nativo que vive em uma área remota’ (UASD 2011: 32); gumsucker – ‘um residente do estado de Victoria’ (ASDKN 2018: 33); Joe Bloggs, Joe Blow – ‘um australiano comum’ (DAS; TBGAS 2004: 60); magpie – ‘um sul-australiano’ (UASD 2018: 41); mainlander – ‘uma pessoa do continente australiano’ (UASD 2011: 42); Mexican – ‘uma pessoa do sul da fronteira entre Queensland e Nova Gales do Sul’ (ASDKN 2018); norm – ‘um sujeito mediano’ (TBGAS 2004: 74); Oz – ‘um australiano’ (ASD 2004); sandgroper – ‘uma pessoa da Austrália Ocidental’ (AS; ASDKN 2018; UASD 2011: 50); swaggie
60
Acta Linguistica Lithuanica LXXXII
The Lexical–Semantic Group ‘Aussie’ in Contemporary Australian Slang
/ swagman – ‘um trabalhador do sertão’ (UASD 2011: 53); Sydneysider – ‘um cidadão de Sydney’ (DAS); tassie tiger – ‘um residente da Tasmânia’ (UASD 2011: 54); Taswegian – ‘uma pessoa da Tasmânia’ (ASDKN 2018; UASD 2011: 54); top ender – ‘uma pessoa do Território do Norte’ (UASD 2011: 55); true blue – ‘um australiano muito autêntico e leal, que expressa valores nativos’ (MOAWI); westie – ‘uma pessoa dos subúrbios ocidentais de Sydney’ (TBGAS 2004: 118; DAS); whitefella – ‘uma pessoa não aborígene de ascendência europeia’ (TBGAS 2004: 119); wog – ‘uma pessoa de ascendência mediterrânea ou do Oriente Médio’ (ASDKN 2018; TBGAS 2004: 120; UASD 2011: 58), ‘um migrante do sul da Europa’ (MOAWI); Zorba – ‘um apelido carinhoso para uma pessoa de ascendência grega’ (TBGAS 2004: 125).
Esta série sinonímica também inclui palavras da gíria australiana que contêm certos semas adicionais, a saber: ‘gênero’: bint – ‘uma mulher’ (DAWT 1997: 8); bit of muslin – ‘uma mulher’ (DAWT 1997: 26); bloke – ‘um homem australiano’ (TBGAS 2004: 17); blokette – ‘uma mulher australiana’ (TBGAS 2004: 17); bodgie – ‘um jovem arruaceiro’ (MOAWI); fluff – ‘uma mulher’ (DAWT 1997: 16); gin – ‘uma mulher aborígene’ (DAWT 1997: 18); Jane – ‘uma mulher’ (DAWT 1997: 18); jackaroo – ‘um trabalhador masculino de uma fazenda de gado’ (UASD 2011: 37); jillaroo – ‘uma trabalhadora feminina de uma fazenda de gado’ (UASD 2011: 37); lubra – ‘uma mulher adulta aborígene australiana’ (DAWT 1997: 24); mate – ‘uma forma de tratamento dirigida a homens’ (TBGAS 2004: 70); ocker, ockerdom – ‘um homem australiano típico’ (ASD 2004; DAS; MOAWI; TBGAS 2004: 75); ockerette, ockerina – ‘a contraparte feminina de um ocker’ (MOAWI; TBGAS 2004: 75); sheila – ‘uma australiana, uma garota ou mulher’ (UASD 2011: 51); skirt – ‘uma garota’ (DAWT 1997: 35); tabby – ‘uma garota’ (DAWT 1997: 37); tin plate – ‘um companheiro’ (DAWT 1997: 37); twist and twirl – ‘uma garota’ (DAWT 1997: 38); widgie – ‘a contraparte feminina de um bodgie’ (MOAWI);
‘idade’: ankle biter – ‘uma criança pequena’ (UASD 2001: 14); billy lids – ‘crianças’ (ASOLL 2017; UASD 2011: 18); cornstalk – ‘um jovem australiano’ (DAWT 1997: 9); crumblies – ‘pessoas idosas frágeis’ (AS); grumblebum – ‘uma pessoa idosa que reclama habitualmente’ (UASD 2011: 33); kiddiewink – ‘uma criança’ (UASD 2011: 39); mark foy – ‘um menino’ (UASD 2011: 42); nipper – ‘uma criança pequena’ (AS; UASD 2011: 43); rug rats – ‘crianças’ (AS); tacker – ‘uma criança pequena’ (TBGAS 2004: 107); tin lid – ‘uma criança’ (UASD 2011: 55); whipper-snapper – ‘uma pessoa jovem’ (AS); wrinkie – ‘uma pessoa idosa’ (TBGAS 2004: 121);
‘relações’: ball and chain – ‘a própria esposa’ (AS); battleaxe – ‘uma esposa ou sogra’ (UASD 2011: 17); cheese & kisses – ‘a patroa, uma esposa’ (UASD 2011: 22); cobber – ‘um amigo’ (DAWT 1997: 13), ‘um companheiro ou amigo’ (ASOLL 2017), ‘um companheiro, um amigo’ (TBGAS 2004: 29); cook – ‘a própria esposa’ (UASD 2011: 24); folks – ‘os próprios pais’ (ASD 2004); mate – ‘um amigo próximo ou conhecido’ (MOAWI); missus – ‘uma esposa’ (TBGAS 2004: 70); ol’ cheese – ‘uma mãe’ (UASD 2011: 44); old Dutch – ‘uma esposa’ (DAWT 1997: 29); oldies / olds – ‘pais’ (TBGAS 2004:
Straipsniai / Articles
61
LIUDMYLA NAUMENKO, LILIIA BILAS, VIRA PONOMAROVA
76; UASD 2011: 44); ol’ man / old man – ‘um pai’ (UASD 2011: 44); old pot – ‘um pai’ (DAWT 1997: 31); pard – ‘um amigo’ (DAWT 1997: 30); rellie / rello / rels – ‘um parente da família’ (ASOLL 2017; UASD 2011: 49); tart – ‘uma namorada ou querida’ (MOAWI); trouble and strife – ‘uma esposa’ (WLGC21C 2011: 81);
‘status social’: battler – ‘uma pessoa que luta para ganhar a vida’ (CNRDSUE 2008: 38; UASD 2011: 15); bunyip aristocracy – ‘australianos que ostentam ares e maneiras aristocráticos’ (TBGAS 2004: 23); feral – ‘uma pessoa que vive fora dos limites convencionais da sociedade’ (MOAWI); silvertail – ‘um membro da classe alta’ (TBGAS 2004: 97); squatter – ‘uma pessoa de elevado estatuto socioeconómico’ (MOAWI); squattocracy – ‘a primeira elite fundiária no povoamento branco da Austrália’ (TBGAS 2004: 101); tall poppy – ‘uma pessoa de grande riqueza ou estatuto’ (ASD 2004; DAS; UASD 2011: 54), ‘pessoas bem-sucedidas ou celebridades’ (ASOLL 2017);
‘aparência’: arse wipe – ‘uma pessoa muito desagradável’ (AS); beanpole – ‘uma pessoa alta e magra’ (TBGAS 2004: 14); bluey – ‘uma pessoa ruiva’ (MOAWI), bush pig – ‘uma pessoa feia’ (AS); curly – ‘uma pessoa ousada’ (AS); eggshell blonde – ‘uma pessoa ousada’ (ASD 2004); half pinter – ‘uma pessoa baixa’ (UASD 2011: 34); head-turner – ‘uma pessoa atraente’ (ASD 2004); keg-on-legs – ‘uma pessoa baixa e obesa’ (ASD 2004; TBGAS 2004: 62); looker / good-looker – ‘uma pessoa bonita’ (ASD 2004); nasty piece of work – ‘uma pessoa desagradável’ (UASD 2011: 43); scunge – ‘uma pessoa desleixada’ (UASD 2011: 51); spunk – ‘uma pessoa bonita (de qualquer sexo)’ (ASDKN 2018); stickybeak – ‘uma pessoa intrometida’ (ASDKN 2018);
‘capacidades mentais’: boob – ‘uma pessoa tola’ (AS); boofhead – ‘um tolo ou simplório, uma pessoa estúpida e grosseira’ (MOAWI; TBGAS 2004: 19); dickhead – ‘um idiota’ (ASDKN 2018; UASD 2011: 26); dill – ‘alguém que não é muito inteligente’ (UASD 2011: 26); dingaling – ‘uma pessoa tola’ (UASD 2011: 26); dingbat – ‘um tolo’ (UASD 2011: 26); dingdong – ‘uma pessoa tola’ (UASD 2011: 26); dipshit – ‘uma pessoa estúpida’ (ASD 2004); drongo – ‘uma pessoa estúpida’ (TBGAS 2004: 39), ‘um idiota’ (ASOLL 2017), ‘um tolo, um simplório, um idiota’ (MOAWI); duffer – ‘um tolo’ (DAWT 1997: 9); fruit loop – ‘um tolo’ (UASD 2011: 31); galoot – ‘um sujeito tolo’ (TBGAS 2004: 48); gink – ‘uma pessoa tola’ (UASD 2011: 32); goose – ‘alguém que não é muito inteligente, tolo’ (UASD 2011: 33); grommet – ‘um idiota’ (ASD 2004; DAS; UASD 2011: 33); mullet – ‘uma pessoa estúpida’ (ASD 2004); ningnong – ‘um tolo, um idiota’ (UASD 2011: 43); nong – ‘um tolo, um idiota’ (DAS); prawn – ‘um tolo’, abus. (MOAWI); schmick – ‘uma pessoa muito inteligente e elegante’ (TBGAS 2004: 94); schmuck – ‘uma pessoa estúpida, um idiota, um tolo’ (ASD 2004); smart arse – ‘um espertalhão, um sabe-tudo’ (ASD 2004); smeg-head – ‘um idiota’ (ASD, 2004); tosser – ‘uma pessoa estúpida ou irritante’ (ASD, 2004); wacka / whacka / whacker – ‘um tolo, um drongo, um idiota’ (UASD 2011: 57-58); wacker – ‘uma pessoa louca’ (UASD 2011: 57); wad – ‘uma pessoa estúpida ou irritante’ (ASD 2004); zonk – ‘um tolo’ (UASD 2011: 59);
62
Acta Linguistica Lithuanica LXXXII
The Lexical–Semantic Group ‘Aussie’ in Contemporary Australian Slang
‘comportamento’: arse-licker / boot-licker – ‘um bajulador’ (UASD 2011: 15); bad lot – ‘uma pessoa desonesta e de má reputação’ (ASD 2004); bogan – ‘uma pessoa inculta, grosseira ou sem modos’ (MOAWI), ‘uma pessoa rude e incivilizada’ (UASD 2011: 19); brick – ‘uma pessoa boa e confiável’ (TBGAS 2004: 21); dag – ‘uma pessoa excêntrica e desleixada’ (UASD 2011: 25); deadshit – ‘uma pessoa irritante’ (TBGAS 2004: 35); flake – ‘uma pessoa excêntrica’ (TBGAS 2004: 45); galah – ‘uma pessoa barulhenta e mal-educada’ (TBGAS 2004: 48); gutless wonder – ‘uma pessoa covarde’ (TBGAS 2004: 53); hoon – ‘alguém que exibe comportamento antissocial’ (TBGAS 2004: 57); larrikin – ‘uma pessoa de espírito indomável, que pouco respeita a autoridade’ (TBGAS 2004: 65), mongrel – ‘uma pessoa terrível’ (TBGAS 2004: 70); ripsnorter – ‘uma pessoa extraordinária’ (TBGAS 2004: 89); shonk / shonky – ‘uma pessoa desonesta’ (TBGAS 2004: 96); weirdo – ‘alguém que se comporta de maneira excêntrica’ (TBGAS 2004: 118); wowser – ‘uma pessoa cujo comportamento é puritano ou pudico, uma estraga-prazeres’ (MOAWI); yahoo – ‘uma pessoa grosseira, bruta e inculta’ (TBGAS 2004: 122); yawn – ‘uma pessoa enfadonha’ (TBGAS 2004: 123); yob / yobbo – ‘um desleixado, um hooligan, um arruaceiro’ (TBGAS 2004: 123).
Alguns sinônimos deste LSV, além do sema básico ‘habitante(s)’, também possuem vários semas adicionais, a saber: ‘idade’ + ‘gênero’ – boiler – ‘uma mulher idosa’ (AS), codger – ‘um homem idoso’ (AS), fowl – ‘uma mulher idosa’ (DAWT 1997: 16); ‘aparência’ + ‘gênero’ – bat – ‘uma mulher feia’ (AS), nugget – ‘um homem baixo e musculoso’ (ASD 2004), slapper – ‘uma garota ou mulher feia ou sem refinamento’ (ASD 2004), wing-nut – ‘um homem com orelhas salientes’ (TBGAS 2004: 120); ‘comportamento’ + ‘gênero’ – lair / mug lair / two-bob lair / lairize – ‘um jovem de modos arrogantes e vulgares’ (TBGAS 2004: 65).
O segundo grupo de sinônimos é representado por gírias formadas por meio de: afixação – Easterner, looker, good-looker, top ender; truncamento – abo, boong, hoon, rel; truncamento + afixação (o chamado encurtamento hipocorístico), mediante a adição dos sufixos –a, –o, –ie – rello, bushie, rellie, swaggie, westie, wrinkie; composição – battleaxe, cockroach, dingbat, magpie, swagman; composição + afixação – mainlander, Sydneysider; composição + truncamento + afixação – whitefella; cruzamento vocabular – squattocracy (squatter + aristocracy). Algumas gírias surgiram por transferência de significado sob a forma de: perífrase baseada em uma característica particular de um objeto – ankle biter, apple eater, banana bender, bit of muslin, cabbage patcher, cane toad, crow eater / pie eater, gumsucker, kiddiewink, old pot, rug rats; antonomásia – bruce, Jane, Joe Bloggs, Joe Blow, Mexican, rocker, sheila, Zorba; metonímia – skirt; metáfora – bat, battleaxe, beanpole, brick, boiler, curly, eggshell blonde, fowl, galah, half pinter, head-turner, keg-on-legs, nipper, sandgroper, stickybeak, wing-nut. Os traços semânticos que facilitam o processo de metaforização são os seguintes: ‘cor’ – bluey, eggshell blonde; ‘aparência’ – bat, boofhead, bush pig, stickybeak; ‘status social’ – battler; ‘tamanho’ – half
Straipsniai / Articles
63
LIUDMYLA NAUMENKO, LILIIA BILAS, VIRA PONOMAROVA
pinter, keg-on-legs; ‘idade’ – ol’ cheese, oldies, olds, ol’ man; ‘material’ – brick; ‘função’ – boiler, cook, nipper. As demais foram formadas por aliteração: ridgy didge, whipper-snapper; assonância: true blue; rima (a chamada gíria rimada): ball and chain (Jane), billy lid / tin lid (kid), cheese & kisses (misses), mark foy (boy), tin plate (mate), trouble and strife (wife), twist and twirl (girl); apofonia / gradação (formas gêmeas com variação fonética): dingdong, ningnong; onomatopeia: dingaling, dingbat, geebung, wowser; alusão: yahoo (uma raça imaginária de brutos criada por J. Swift em Gulliver’s Travels, 1726).
Certas palavras comuns de gíria que se originaram de nomes próprios têm seu contexto histórico: bruce – ‘um homem’, como no esquete de Monty Python em que todos os australianos se chamavam Bruce (UASD 2011: 19); ocker era inicialmente aplicado apenas a homens chamados Oscar (década de 1920), mas seu significado se ampliou para todos os homens durante o século 20th (MOAWI); sheila deriva do nome próprio Sheila; inicialmente referia-se a uma mulher de origem irlandesa, mas, a partir do século 19th, passou a designar qualquer mulher ou garota (MOAWI).
As palavras de gíria que nomeiam cidadãos de determinadas partes da Austrália têm as seguintes explicações para sua origem: apple eater é “alguém da Tasmânia, onde as maçãs são o primeiro dos produtos primários” (AS); banana bender baseia-se na associação com a indústria do cultivo de bananas em Queensland tropical (‘Banana land’) (MOAWI); cabbage patcher é “um cidadão do estado de Victoria, chamado de Garden state ou Cabbage Patch por causa de seu pequeno tamanho” (Povah 2013); crow eaters são os colonos que, por necessidade, comiam alguns corvos disfarçados de ‘faisões de montaria’ (Povah 2013); cane toad é “um habitante de Queensland, nomeado em referência ao influxo das enormes quantidades de sapos-cururus que apareceram nesse estado de 1940 a 1980, em intervalos de cinco anos” (AS); gumsucker era aplicado a todos os coloniais por seu passatempo de sugar a seiva doce de algumas espécies de acácia; atualmente, refere-se exclusivamente aos habitantes de Victoria (Povah 2013); sandgroper refere-se aos habitantes da Austrália Ocidental, “um apelido possivelmente recebido em razão do inseto escavador encontrado na terra rica em areia” (CSBBCM 2016).
Apenas cerca de quatro sinônimos foram encontrados para o terceiro significado / LSV ‘Australian English’ (o sema básico ‘language’). São eles: Ozspeak – ‘variedade linguística australiana’ (AGL); Ozwords – ‘variedade linguística australiana’ (Gwynn 2014); strine – ‘inglês australiano’ (DAS), ‘inglês aussie’ (AS), ‘sotaque australiano estereotípico’ (WLGC21C 2011: 79), ‘gíria e pronúncia australianas’ (ASDKN 2018; UASD 2011: 53), ‘variedade linguística australiana’ (AGL).
As principais formas de formação de sinônimos neste grupo são a abreviação (sob a forma de síncope) – strine (de Australian) e a composição – Ozspeak, Ozwords. A palavra strine foi popularizada pelo livro do professor Afferbeck Lauder, Let Stalk Strine, publicado em Sydney em 1966.
64
Acta Linguistica Lithuanica LXXXII
The Lexical–Semantic Group ‘Aussie’ in Contemporary Australian Slang
O quarto significado / LSV ‘dólar australiano’ (o sema básico ‘dinheiro’) forma uma série de sinônimos representada por 45 unidades lexicais: graxa de eixo – ‘dinheiro’ (UASD 2011: 15); bickies, bikkies / big bickies – ‘muito dinheiro’ (AS; ASD 2004; TBGAS 2004: 15; UASD 2011: 17); grandes notas – ‘grandes somas de dinheiro’ (MOAWI); grana alta – ‘muito dinheiro’ (DAWT 1997: 8); (blue) bond – ‘um depósito’ (ASOLL 2017); blue swimmer / crab – ‘uma $10 note’ (CNRDSUE 2008: 46); boodle – ‘money’ (DAWT 1997: 8); brass – ‘a coin’ (DAWT 1997: 9); bread and honey – ‘money’ (WLGC21C 2011: 81); dosh – ‘money’ (AS); dough – ‘money’ (ASD 2004; DAWT 1997: 14); fiver, deep sea diver, sky diver – ‘a $5 nota⟧ (ECACSN; STMCD); dinheiro dobrável – ‘dinheiro (notas e moedas)’ (AS); grey nurse – ‘uma $100 note’ (TBGAS 2004: 53); lobster / red lobster, redback & rusky – ‘a $20 nota⟧ (ECACSN; STMCD); moola, moolah – ‘dinheiro’ (ASD 2004); motza, motsa, motser, motzer – ‘uma grande quantia de dinheiro’ (TBGAS 2004: 71), ‘uma grande soma de dinheiro; uma fortuna’ (MOAWI); estudiosos de Oxford – ‘dólares’ (ASOLL 2017); abacaxi / abacaxi grande – ‘uma $50 note’ (ECACSN; STMCD); pony – ‘25 pounds’ (DAWT 1997: 30); pot – ‘a sum of money’ (DAWT 1997: 31); prawn – ‘a $5 nota⟧ (ECACSN); quid, quid fiddly, saucepan – ‘originalmente uma libra esterlina, agora um dólar’ (AS; STMCD); razoo / arse razoo / brass razoo – ‘uma moeda inexistente de valor insignificante’ (AS; MOAWI); redback – ‘um $20 note’ (BASD 2020; TBGAS 2004: 88); rhodes scholar – ‘a dollar’ (UASD 2011: 49); score – ‘a sum of 20 dollars’ (ASD 2004); slab – ‘a thousand dollars, $1000 australiano’ (ASD 2004); coisa – ‘uma moeda’ (DAWT 1997: 36); açúcar – ‘dinheiro’ (DAWT 1997: 36); as agulhas – ‘dinheiro’ (DAWT 1997: 28); lata – ‘dinheiro’ (DAWT 1997: 37); zac, zack – ‘um sixpence’ (ASDKN 2008; DAWT 1997: 43).
As principais formas de formação das palavras de gíria no quarto grupo de sinônimos são a perífrase – axle grease, folding stuff; a metáfora baseada no traço semântico ‘cor’ – (blue) crab / blue swimmer (‘azul’), grey nurse (‘entre 1984 e 1994, uma nota de 100 dólares tinha cor cinza’), lobster (‘vermelho’), pineapple (‘amarelo’), prawn (‘rosa’) – e no traço ‘material’ – brass, tin; a aliteração – redback & rusky – e a rima: bread and honey (money), fiver, deep sea diver, sky diver (diver), Oxford scholars (dollars), rhodes scholar (dollar), saucepan lid / quid (quid).
2.5. Resultados
A pesquisa realizada permite formular as seguintes afirmações: a) o inglês australiano é representado pelo Standard AusE, pelas variedades do inglês aborígene e pelos dialetos etnoculturais do AusE; b) o Standard Australian apresenta certas peculiaridades, como variações no significado das palavras inglesas, palavras singulares e empréstimos aborígenes; c) o slang australiano (também strine) é a linguagem informal
Straipsniai / Articles
65
LIUDMYLA NAUMENKO, LILIIA BILAS, VIRA PONOMAROVA
da subcultura rebelde, repleta de abreviações específicas, palavrões e vulgarismos; d) o slang Aussie é formado com base em conceitos específicos que organizam seus campos léxico-semânticos, e estes se subdividem em unidades menores – grupos temáticos e léxico-semânticos; e) os grupos léxico-semânticos são organizados com base em palavras polissêmicas cujos LSVs formam determinadas séries sinonímicas.
3. CONCLUSÃO E PERSPECTIVA
O inglês australiano é um dialeto regional independente, cujas características específicas são determinadas por vários fatores: a localização distante do país de origem, o desenvolvimento histórico específico da sociedade, o afluxo de imigrantes de diferentes partes do mundo, a cultura aborígene local, o sistema de educação e a vida cultural, o desenvolvimento de uma tradição literária própria, o interesse pelas línguas, costumes e tradições aborígenes da população indígena e a autoconsciência como uma verdadeira nação independente. O vernáculo australiano strine, originado do slang cockney, do dialeto irlandês e das línguas aborígenes locais, é uma sublíngua informal, humorística e metafórica que reflete a originalidade do país.
No processo da pesquisa, constatou-se que o lexema Aussie tem quatro significados na gíria australiana: o principal — ‘Austrália’ (o sema básico ‘país’), e os derivados — ‘um australiano’ / ‘povo australiano’ (o sema básico ‘habitante(s)’), ‘inglês australiano’ (o sema básico ‘língua’), ‘dólar australiano’ (o sema básico ‘dinheiro’). Os significados principal e derivados encontram-se em relações léxico-semânticas de ‘o todo — a parte’. Cada significado forma uma série sinonímica representada por diferentes denominações da gíria na seguinte representação numérica: ‘Austrália’ — 13, ‘um australiano’ — 170, ‘inglês australiano’ — 4, ‘dólar australiano’ — 45 unidades lexicais.
Os sinônimos, sob a forma de palavras e combinações de palavras, apresentam diferentes modos de formação — por afixação, composição ou ambas, truncamento, abreviação, encurtamento hipocorístico, amalgamação e iteração. Eles passaram por diversos processos de nomeação, a saber: perífrase, transferência metafórica ou metonímica, antonomásia, aliteração, assonância, onomatopeia, rima, ablaut / gradação, alusão. Certos sinônimos também incluem determinados traços semânticos que facilitam o processo de sua criação — cor, tamanho, material, função, aparência, status social, localização, clima, passatempo, sentimento.
O artigo abre uma perspectiva para o estudo futuro da gíria australiana sob diferentes pontos de vista: a) histórico — transformações durante os seguintes períodos: a colonização do continente nos 18º — 19º séculos, a Corrida do Ouro (década de 1850), a Primeira Guerra Mundial, a imigração do pós-guerra (1945-década de 1960), a
66
Acta Linguistica Lithuanica LXXXII
The Lexical–Semantic Group ‘Aussie’ in Contemporary Australian Slang
final do século XXth – início do século XXIst; b) linguístico-cultural – fontes de empréstimo de palavras de gíria provenientes de diferentes dialetos do inglês, de línguas aborígenes e de outras línguas; c) sociocultural – origem de palavras de gíria em diferentes esferas sociais e subculturas: política, negócios, exército, esporte, comunicação na Internet, a fala de condenados, adolescentes, bushrangers e beachcombers.
R E F E R Ê N C I A S
AGL – Australian Guide to Language. Disponível em: https://www.justlanded.com [Acesso em 5 de março de 2020].
AS – Australian Slang. Western Australia Now and Then. Disponível em: www.wano.wandthen.com [Acesso em 7 de março de 2020].
ASD – Aussie Slang Dictionary, 2004. Available at: www.modernisms.tripod.com/group/id15.html [Accessed 3 March 2020].
ASDKN – Australian Slang [Dictionary]. Koala Net. Updated 2018. Available at: www.koalanet.com.au/australian-slang.html [Accessed 9 March 2020].
ASOLL – Australian Slang and Other Local Lingo. Sydney Concierge. 14 de março de 2017. Disponível em: https://www.sydney.concierge.com.au/australian-slang-dictionary [Acesso em 2 de março de 2020].
BASD – Browse the Aussie Slang Dictionary. Australia Day, 2020 [Online]. Disponível em: www.australiaday.com.au [Acesso em 10 de março de 2020].
Bernard J. R. L. 1969: On the Uniformity of Australian English. – Orbis 18, 62–73.
Bilas Liliia 2017: Some Peculiarities of Australian English in the Frame of Lingua-Cultural Studies. Scientific Research Priorities – 2017: theoretical and practical value: Proceedings of International Scientific Conference, 22–23 June, Nowy Sącz, Poland: Nowy Sącz: National–Lois University, 37–38.
Burridge Kate, Mulder Jean Gail 1999: English in Australia and New Zealand: an introduction to its history, structure and use, Oxford: Oxford University Press.
CNRDSUE – Concise New Partridge Dictionary of Slang and Unconventional English, T. Dalzell, T. Victor (eds.), Londres, N. Y.: Routledge, 2008.
Collins Peter 2012: Australian English: Its Evolution and Current State: University of New South Wales. Available at: https://ejournals.epublishing.ekt.gr/article.pdf [Accessed 3 Febr. 2020].
Cox Felicity 2006: Australian English Pronunciation into the 21st Century. – Prospect 21. 1, 3–21.
Straipsniai / Articles
67
LIUDMYLA NAUMENKO, LILIIA BILAS, VIRA PONOMAROVA
CSBBCM – Crow-eaters, Sandgropers, Banana benders, Cornstalks and More. Publicado em 16 de fev. de 2016. Disponível em: https://www.lonestester.com/2016/02/crow-eater [Acesso em 3 de março de 2020].
DAS – Dictionary of Australian Slang. Disponível em: www.australiatravelsearch.com.au/trc/slang.html [Acesso em 5 de março de 2020].
DAWT – A Dictionary of Australian Words and Terms, de G. W. Lawson, Sydney: University of Sydney Library, 1997.
ECACSN – Ever Colourful Australian Currency Slang Nicknames. Disponível em: https://www.noteworthy-collectibles.com [Acesso em 7 de março de 2020].
Gwynn Mark 2014: Holey Dollars to Grey Nurses. – Ozw ords, Newsletter: Oxford University Press Australia. Available at: https://www.Ozwords.org [Accessed 5 Febr. 2020].
Hampshire David 2010: Living and working in Australia, 8th ed., Sydney: International Press Softcom.
Krekhno Tetiana 2005: Istoriya leksyko-semantychnogo polia “platy-podatky-povynnosti” v ukrainskiy movi XY–XYIII stolit (na materialakh ukrainskikh pamiatok): thesis synopsis. 10.02.01 – Ukrainska mova, Kharkiv: KNU imeni V. N. Karazina.
Levitskiy Viktor 2012: Semaseologiya: A monograph for young researchers, 2nd ed, Vinnytsa: Nova Knyha.
Maurer David 2020: Slang. Encyclopedia Britannica. Updated 20 Febr. 2020. Available at: https://www.britannica.com/topic/slang [Accessed 7 Febr. 2020].
MOAWI – Significados e origens de palavras e expressões idiomáticas australianas. Disponível em: https://slll.cass.anu.edu.ua/centres/and/ meanings-origins [Acessado em 9 de março de 2020].
Moore Bruce 2008: Speaking our Language: The Story of Australian English, Melbourne: Oxford University Press.
Parashchuk Valentyyna 2014: Leksychni zasoby verbalizatsiyi etnolingvoculturnogo typazhu Australian Person / Australivets. – Naukovi zapysky KDPU. Seriya. Filolohichni nauky (movoznavstvo) 129, 81–86.
Povah Frank, Middleton Amy 2013: Slang: What Aussies call other Aussies, May 16, 2013. Available at: https://www.australiangeographic.com.au [Accessed 3 Febr. 2020].
Saussure Ferdinand de 1916: Curso de Linguística Geral, Ch. Bally, A. Sechehaye (eds.), Traduzido por W. Baskin, N.Y., Toronto, London: McGraw-Hill.
68
Acta Linguistica Lithuanica LXXXII
The Lexical–Semantic Group ‘Aussie’ in Contemporary Australian Slang
Stavyts’ka Lesia 2005: Argo, jargão, slengue: Diferenciação social da língua ucraniana: Uma monografia, Kyiv: Krytyka.
STMCD – Termos de slengue para dinheiro. Denominações atuais. Disponível em: https://en.wikipedia.org [Acessado em 10 de março de 2020].
TBGAS – O verdadeiro guia do slengue australiano, Ed. por J. Hunter, Sydney: New Holland Publishing, 2004.
UASD – O dicionário definitivo do slengue australiano, 2011. Disponível em: www.bunburybackpackers.com.au [Acessado em 11 de março de 2020].
Ufimtseva Anna 2002: O significado lexical: Princípio da descrição semiológica, Moscou: Nauka.
Vasiliev Leonid 1971: Teoria dos campos semânticos. – Questões de linguística 5, 105–113.
WLGC21C – Word up. A Lexicon and Guide to Communication in the 21st Century, By M. McCrindle, E. Wolfinger, Canberra: Halstead Press, 2011.
3TAA – Os 3 tipos de sotaques australianos. Publicado em: 18 de abr. de 2018. Disponível em: https://www.atmc.social/posts/the-3-types-of-australian-accents [Acessado em 13 de março de 2020].
3TAADB – Os 3 tipos de sotaques australianos. Blog de dialetos, publicado em: 10 de junho de 2011. Disponível em: www.dialectblog.com/2011/07/10/type-of-australian-accents [Acessado em 13 de março de 2020].
100ASWP – 100 palavras e expressões de slengue australiano, Atualizado em 2020. Disponível em: https://ielts.com.ua [Acessado em 12 de março de 2020].
125ASWP – 125 palavras e expressões de slengue australiano. Um guia para iniciantes do slengue Aussie, Por A. Jones, 2015. Disponível em: https://nomadsworld.com/aussie-slang [Acessado em 15 de março de 2020].
O grupo léxico-semântico „Aussie“ no slengue australiano contemporâneo
RESUMO
O artigo examina o problema de um fenômeno linguístico injustamente negligenciado, isto é, o slengue australiano, que caracteriza a comunicação cotidiana na Austrália contemporânea. O objetivo do artigo é estudar o grupo léxico-semântico „Aussie“ no slengue australiano contemporâneo. Os objetivos do artigo são determinar a estrutura semântica do lexema „Aussie“ e as relações entre suas variantes léxico-semânticas
Straipsniai / Articles
69
LIUDMYLA NAUMENKO, LILIA BILAS, VIRA PONOMAROVA
(LSV), reconstruir o grupo léxico-semântico (LSG) „Aussie“ e suas séries de sinônimos, investigar sua representação em fontes lexicográficas e na Internet, bem como realizar uma análise léxico-semântica e estilística dos membros das séries de sinônimos de suas LSVs.
A pesquisa preliminar inclui o estudo do slengue australiano nos trabalhos de pesquisadores estrangeiros e ucranianos; a análise léxico-semântica e comparativa de palavras de slengue em dicionários contemporâneos relevantes, tesauros, sites e fontes da Internet dedicados a esse fenômeno linguístico, com base em várias fontes, a fim de esclarecer seus significados e sua origem. A base metodológica da pesquisa fundamenta-se nos estudos semasiológicos e lexicológicos mais recentes e pressupõe métodos correspondentes: análise de definições de palavras, análise comparativa, composta, léxico-semântica e estilística.
A pesquisa estabeleceu que o lexema „Aussie“ tem quatro significados principais no slengue australiano contemporâneo: o significado principal – „Austrália“ (sema básico „país“); os derivados – „um australiano“ / „australianos“ (sema básico „habitante(s)“), „inglês australiano“ (sema básico „língua“) e „dólar australiano“ (sema básico „dinheiro“). Os significados principais e derivados refletem-se nas relações léxico-semânticas „o todo – a parte“. Cada significado (LSV) forma uma série de denominações de slengue sinônimas – palavras e combinações de palavras, apresentadas na seguinte forma numérica: „Austrália“ – 13, „um australiano“ – 170, „inglês australiano“ – 3, „dólar australiano“ – 45.
A análise léxico-semântica e estilística dos sinônimos revelou: a) seus modos de formação – afixação, composição, abreviação, siglas, encurtamentos hipocorísticos, combinações (palavras fundidas), (re)duplicação; b) processos de denominação – perífrase, transferências metafóricas ou metonímicas, antonomásia, aliteração, assonância, onomatopeia, rima, ablaut / gradação, alusão; c) traços semânticos que facilitam sua criação – cor, tamanho, material, função, aparência, posição social, localização, clima, passatempo, sentimento.
O artigo abre perspectivas para pesquisas futuras sobre o slengue australiano sob diferentes enfoques: a) histórico – transformações nos seguintes períodos: colonização do continente nos séculos XVIII–XIX, Corrida do Ouro (1850), Primeira Guerra Mundial, imigração do pós-guerra (1945–1960), final do século XX–início do século XXI; b) linguístico-cultural – fontes das quais palavras de slengue podem ser tomadas de empréstimo, provenientes de dialetos ingleses, línguas aborígenes e outras línguas; c) sociocultural – origem das palavras de slengue em diferentes esferas sociais e subculturas: política, negócios, forças armadas, esporte, comunicação na Internet, conversas de condenados, adolescentes, praticantes de bushido e jogadores de praia.
Recebido em 2 de abril de 2020.
LIUDMYLA NAUMENKO
Instituto de Filologia, Universidade Nacional Taras Shevchenko de Kyiv Avenida T. Shevchenko, 14, Kyiv 01060 Ucrânia v–
[email protected]
70
Acta Linguistica Lithuanica LXXXII