scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

ENXERTOS AUTÓGENOS, HETERÓGENOS E SINTÉTICOS NA IMPLANTODONTIA – REVISÃO DE LITERATURA

Jonanthan Keruak Andrade Holanda; Chiesa, Camilla; Anderson de Oliveira, Christopher; Junji Tanaka, Caio; Bruno Ventre, Ricardo; Barbosa Silva Holanda, Ivanda; Dias, Rafael

Abstract

A perda de dentes impacta diretamente a qualidade de vida, tornando a reabilitação por implantes dentários um procedimento altamente dependente da quantidade e da qualidade do tecido ósseo disponível. Em casos em que essas condições são insuficientes, a utilização de técnicas de enxertia óssea se torna essencial, permitindo aumentar o volume e melhorar a qualidade do osso para a instalação segura dos implantes. Este estudo realizou uma revisão bibliográfica sobre os principais tipos de enxertos na implantodontia, analisando suas características, aplicações e protocolos, com levantamento realizado nos bancos de dados PubMed, SciELO, Bireme e Google Acadêmico, incluindo enxertos autógenos, heterógenos, homógenos e sintéticos. A análise mostrou que a regeneração óssea é uma etapa fundamental para o sucesso das reabilitações por implantes, sendo o enxerto autógeno considerado o padrão-ouro. Substitutos heterógenos, homógenos e sintéticos apresentam diferentes mecanismos de ação, como osteogênese, osteoindução e osteocondução, podendo atuar isoladamente ou combinados, ampliando sua aplicabilidade em técnicas cirúrgicas variadas. A escolha do biomaterial mais adequado deve levar em consideração suas propriedades, vantagens, limitações e a evidência científica disponível, garantindo previsibilidade e eficácia do tratamento. Conclui-se que os enxertos ósseos oferecem ampla versatilidade clínica, com diversos biomateriais e protocolos de regeneração. Na implantodontia, eles surgem como alternativas seguras ao enxerto autógeno, reduzindo procedimentos adicionais e permitindo reabilitações mais eficientes, seguras e confortáveis para os pacientes. Palavras-chaves: Enxerto em implantodontia, Autógenos, Heterógenos, Sintético.

Full text

BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI 10.5281/zenodo.17305913 http://bjoshealth.com.br ISSN 3085-8097 ENXERTOS AUTÓGENOS, HETERÓGENOS E SINTÉTICOS NA IMPLANTODONTIA – REVISÃO DE LITERATURA Autogenous, Heterogenous And Synthetic Grafts in Implantodontics – Literature Review Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 REVISÃO DE LITERATURA Jonanthan Keruak Andrade Holanda1 ; Camilla Chiesa1 ; Christopher Anderson de Oliveira1 ; Caio Junji Tanaka1 ; Ricardo Bruno Ventre1 ; Ivanda Barbosa Silva Holanda1 ; Rafael de Oliveira Dias1 ; RESUMO A perda de dentes impacta diretamente a qualidade de vida, tornando a reabilitação por implantes dentários um procedimento altamente dependente da quantidade e da qualidade do tecido ósseo disponível. Em casos em que essas condições são insuficientes, a utilização de técnicas de enxertia óssea se torna essencial, permitindo aumentar o volume e melhorar a qualidade do osso para a instalação segura dos implantes. Este estudo realizou uma revisão bibliográfica sobre os principais tipos de enxertos na implantodontia, analisando suas características, aplicações e protocolos, com levantamento realizado nos bancos de dados PubMed, SciELO, Bireme e Google Acadêmico, incluindo enxertos autógenos, heterógenos, homógenos e sintéticos. A análise mostrou que a regeneração óssea é uma etapa fundamental para o sucesso das reabilitações por implantes, sendo o enxerto autógeno considerado o padrão-ouro. Substitutos heterógenos, homógenos e sintéticos apresentam diferentes mecanismos de ação, como osteogênese, osteoindução e osteocondução, podendo atuar isoladamente ou combinados, ampliando sua aplicabilidade em técnicas cirúrgicas variadas. A escolha do biomaterial mais adequado deve levar em consideração suas propriedades, vantagens, limitações e a evidência científica disponível, garantindo previsibilidade e eficácia do tratamento. Conclui-se que os enxertos ósseos oferecem ampla versatilidade clínica, com diversos biomateriais e protocolos de regeneração. Na implantodontia, eles surgem como alternativas seguras ao enxerto autógeno, reduzindo procedimentos adicionais e permitindo reabilitações mais eficientes, seguras e confortáveis para os pacientes. 1 – Universidade de Mogi das Cruzes – UMC – Mogi das Cruzes, São Paulo, Brazil. Autor de Correspondência: Jonanthan Keruak Andrade Holanda email: [email protected] Palavras-chave: Enxerto em implantodontia, Autógenos, Heterógenos, Sintético. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 09, 2025 ISSN 3085-8097 Enxertos autógenos, heterógenos e sintéticos na implantodontia – Revisão de literatura Holanda JKA; Chiela C; Oliveira CA; Tanaka CJ; Ventre RB; Holanda IBS; Dias RO 407 ABSTRACT Tooth loss directly impacts quality of life, making dental implant rehabilitation highly dependent on the quantity and quality of available bone tissue. In cases where these conditions are insufficient, bone grafting techniques become essential, allowing for increased bone volume and improved bone quality for safe implant placement. This study conducted a literature review on the main types of grafts in implantology, analyzing their characteristics, applications, and protocols. A survey of the PubMed, SciELO, Bireme, and Google Scholar databases included autogenous, heterogenous, homogeneous, and synthetic grafts. The analysis showed that bone regeneration is a fundamental step for successful implant rehabilitation, with autogenous grafts considered the gold standard. Heterogenous, homogeneous, and synthetic substitutes have different mechanisms of action, such as osteogenesis, osteoinduction, and osteoconduction, and can act alone or in combination, expanding their applicability in various surgical techniques. The choice of the most appropriate biomaterial must consider its properties, advantages, limitations, and available scientific evidence, ensuring predictability and treatment efficacy. It can be concluded that bone grafts offer broad clinical versatility, with a variety of biomaterials and regeneration protocols. In implantology, they emerge as safe alternatives to autogenous grafts, reducing additional procedures and enabling more efficient, safe, and comfortable rehabilitation for patients. Keywords: Graft in implantology, Autogenous, Heterogenous, Synthetic. INTRODUÇÃO A perda de um ou múltiplos dentes tem impacto direto na qualidade de vida dos pacientes, no entanto, sob algumas circunstâncias a extração dentária se torna inevitável e tão logo realizada se inicia um processo de remodelamento que resulta numa pronunciada reabsorção de diversos componentes do rebordo alveolar (ALVARENGA, 2020). O sucesso da reabilitação com implantes dentários são a quantidade e qualidade do tecido ósseo presente, favorecendo ou não o tratamento. Em situações em que as condições ósseas não são favoráveis, o cirurgião dentista pode utilizar técnicas de enxertia visando aumentar o volume e a qualidade óssea do espaço protético, para posterior instalação dos implantes. (LOUREIRO, 2010) Cirurgiões dentistas na última década vêm procurando cada vez mais alternativas para atrofias ósseas com as limitações ósseas tanto em altura como espessura. Autores vêm buscando novas técnicas assim como novos materiais que possam recompor estrutura óssea, para futura fixação de implantes, sejam estes materiais Autógenos, Homogêneos, Heterógenos e aloplásticos. (MALLMANN, 2013) As características ideais de um material substituto ósseo incluem a forma anatômica desejada préespecificada, suporte ao periósteo, aceleração da remodelação óssea, osteocondução. Quanto à origem, existem 4 divisões básicas para a classificação dos enxertos ósseos: autógeno (obtidos do próprio paciente), Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 09, 2025 ISSN 3085-8097 Enxertos autógenos, heterógenos e sintéticos na implantodontia – Revisão de literatura Holanda JKA; Chiela C; Oliveira CA; Tanaka CJ; Ventre RB; Holanda IBS; Dias RO 408 alógeno/homógeno (obtido de seres da mesma espécie) xenógeno/heterógeno (obtidos de seres de espécies diferentes) ou sintético/aloplástico (obtidos sinteticamente ou de origem mineral). (HOEXTER, 2002) Dos diversos tipos de enxertos, os autógenos são referência, onde é retirado fragmento do próprio paciente, apresentando os melhores resultados de compatibilidade, ósseo integração e tempo de recuperação da área afetada. Apesar da alta eficiência, apresenta limitações, pois se faz necessário outro sítio cirúrgico para retirada de osso que será utilizado, depende do volume a ser utilizado, apresenta sequelas no sítio doador, acarretando assim a sua impossibilidade de uso em determinadas situações. Assim, os biomateriais para enxertia apresentam caraterísticas na qual vem suprir esta necessidade. Tendo assim a necessidade do uso de biomateriais que apresentem caraterísticas na qual venha suprir esta necessidade. (STEIN, 2009). Um substituto ósseo com características ideais deveria ter propriedades físico-químicas parecidas com as do osso, para facilitar a regeneração óssea; ter a capacidade de associar propriedades osteoindutoras e osteocondutoras; ser biocompatível e reabsorvível, sendo completamente substituído por osso. (STEIN, 2009). MATERIAIS E MÉTODOS Neste estudo caracteriza-se como uma revisão da literatura sobre os enxertos ósseos usados na implantodontia, pautada pela seguinte questão de pesquisa: Quais são as características, indicações clínicas, benefícios e limitações dos enxertos? Com ênfase nos autógenos, heterógenos e sintéticos, buscando suas caraterísticas e aplicações. Para a elaboração do questionamento, foi empregada a estratégia CoCoPoP, sendo definidos como conceito os enxertos ósseos (autógenos, heterógenos e sintéticos), empregados no contexto da aplicação em procedimentos cirúrgicos na implantodontia, e submetidos como população os pacientes submetidos à reabilitação com implantes dentários envolvendo enxertia óssea. Os artigos para a elaboração desta pesquisa foram conduzidos nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO, Bireme (LILACS) e Google Acadêmico. Além das bases eletrônicas, as referências bibliográficas dos artigos selecionados foram analisadas, a fim de ampliar o alcance da revisão. Foram utilizados como descritores (DeCS/MeSH): “Enxerto em implantodontia”, “Bone graft”, “Autógeno”, “Autogenous”, “Heterógeno”, “Xenograft”, “Synthetic bone graft”. As combinações foram realizadas por meio dos operadores booleanos AND/OR, ajustados conforme a base de dados. Foram selecionados aqueles que se enquadraram nos seguintes critérios de inclusão: artigos abordando o tema acima, relatos de caso, artigos disponíveis na íntegra, publicados em português ou inglês e revisões que abordassem enxertos ósseos autógenos, heterógenos ou sintéticos aplicados à implantodontia. Critérios Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 09, 2025 ISSN 3085-8097 Enxertos autógenos, heterógenos e sintéticos na implantodontia – Revisão de literatura Holanda JKA; Chiela C; Oliveira CA; Tanaka CJ; Ventre RB; Holanda IBS; Dias RO 409 de exclusão foram os artigos sem acesso ao texto completo; publicações em línguas diferentes de português ou inglês, pareceres de especialistas e estudos cujo foco não fosse a implantodontia. A condução da revisão seguiu o protocolo PRISMA (Principais Itens para Relatar Revisões Sistemáticas e Meta-análises), visando garantir transparência e rigor metodológico. A busca inicial identificou 176 artigos. Após a remoção de duplicados (n = 36), restaram 140 registros para a triagem. Destes, 100 foram excluídos após leitura de títulos e resumos por não atenderem aos critérios de inclusão. Assim, 40 artigos foram avaliados em texto completo, dos quais 15 foram excluídos por falta de relação direta com o tema ou ausência de dados relevantes. Dessa forma, 25 estudos foram incluídos na revisão final, conforme demostrado na Figura 1. Figura 1 – Fluxograma da seleção dos artigos. Fonte: Autores (2025) Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 09, 2025 ISSN 3085-8097 Enxertos autógenos, heterógenos e sintéticos na implantodontia – Revisão de literatura Holanda JKA; Chiela C; Oliveira CA; Tanaka CJ; Ventre RB; Holanda IBS; Dias RO 410 RESULTADOS 1. Tecido ósseo O tecido ósseo é a estrutura que compõe o esqueleto, mineralizado, vascularizado, especializado e complexa arquitetura tecidual. Suas funções é promover o suporte para os tecidos moles, proteção dos órgãos vitais e da medula óssea, onde está é responsável pela formação das células do sangue, além de funcionar como depósito de cálcio, fosfato e outros íons, armazenando-os ou liberando-os de maneira controlada (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 2013). O osso é um tipo de tecido conjuntivo tipo I, formado por células e material extracelular calcificado, compondo a estrutura denominada de matriz óssea, onde estão presentes as células dos osteócitos, osteoblastos e osteoclasto. As células osteócitos são responsáveis pela manutenção da matriz óssea, já os osteoblastos são responsáveis pela síntese da matéria orgânica, principalmente colágeno tipo I, porém a remodelação óssea e realizada pelos osteoclastos. Toda matriz óssea é revestida pelo periósteo e endósteo. As principais funções do endósteo e do periósteo são a nutrição do tecido ósseo e o fornecimento de novos osteoblastos para o crescimento e a recuperação do osso (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 2013). 2. Regeneração óssea A reparação do tecido ósseo, podemos dividir em duas formas, primário e secundário. A primária é o que aparece primeiro, tanto no desenvolvimento como na reparação das fraturas, apresenta fibras colágenas sem organização definida, tem baixa mineralização, sendo temporário e substituído por tecido secundário. A etapa secundária está presente em adultos. Suas características é conter fibras colágenas organizadas, que ficam paralelas umas às outras (JUNQUEIRA & CARNEIRO, 2013). A cicatrização óssea normal passa pelas quatro fases da cicatrização: inflamação, proliferação, calcificação e remodelação. O estágio inflamatório na cicatrização óssea inicia-se imediatamente após a lesão e dura até cinco dias. A inflamação é estimulada pela lesão do vaso nos canais haversianos e no periósteo, e pela presença de restos ósseos ou material necrótico no local da fratura. A vasoconstrição permite que ocorra a formação de um coágulo de sangue e que as células inflamatórias fagocitem os debris e as bactérias. O estágio proliferativo fibroblástico se sucede. Células mesenquimais pluripotentes e fibroblastos entram no local da lesão e fabricam tecido fibroso, cartilagem e fibras ósseas imaturas, formando o calo de cartilagem (FONSECA, 2015). O calo de cartilagem mole calcifica no tecido ósseo desorganizado à medida que a concentração dos osteoblastos e osteoclastos aumenta no local da fratura. Osteoblastos continuam a depositar osteóide nas espículas de cartilagem calcificada e este osteóide posteriormente é calcificado para osso imaturo. O estágio Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 09, 2025 ISSN 3085-8097 Enxertos autógenos, heterógenos e sintéticos na implantodontia – Revisão de literatura Holanda JKA; Chiela C; Oliveira CA; Tanaka CJ; Ventre RB; Holanda IBS; Dias RO 411 de remodelação completará o processo de regeneração da fratura. O calo ossifica completamente à medida que os osteoclastos gradualmente reabsorvem o osso primário que se remodela para osso secundário do tipo lamelar (FONSECA, 2015). 3. Tipos de enxertos A necessidade de reconstruções dos tecidos ósseos perdidos levou ao aprimoramento técnico e ao avanço do estudo de biomateriais que pudessem substituir ou aperfeiçoar os procedimentos de enxertia. (SOARES, 2015; CLAUDINO 2019). O enxerto ósseo é um procedimento cirúrgico que substitui o osso perdido por material do próprio corpo do paciente, um substituto artificial, sintético ou natural. O enxerto ósseo é possível porque o tecido ósseo tem a capacidade de se regenerar completamente, desde que haja espaço para se desenvolver. À medida que o osso natural cresce, ele geralmente substitui o material do enxerto completamente, resultando em uma região totalmente integrada de novo osso. (ROCHA, 2019). A enxertia óssea é um procedimento cirúrgico com o objetivo de preencher áreas de tecido ósseo perdido. São utilizados como substitutos ósseos biomateriais autógenos, alógenos, xenógenos e sintéticos (SILVA, 2020), e podem atuar por três diferentes mecanismos para o processo de formação óssea: osteogênese, osteoindução ou osteocondução, ou por meio de uma combinação desses mecanismos. (SERRA, 2019). 4. Classificação Os materiais para enxerto ósseo são classificados como osteogênicos, osteoindutores e osteocondutores. Os osteogênicos referem-se a materiais orgânicos capazes de estimular a formação de osso diretamente a partir de osteoblastos. Os osteoindutores são aqueles capazes de induzir a diferenciação de células mesenquimais indiferenciadas em osteoblastos ou condroblastos, aumentando a formação óssea no local ou mesmo estimular a formação de osso em um sítio heterotópico. Os materiais osteocondutores (geralmente inorgânicos) permitem a aposição de um novo tecido ósseo na sua superfície, requerendo a presença de tecido ósseo pré-existente como fonte de células osteoprogenitoras (FARDIN, 2010). Os biomateriais podem ser diferenciados a partir do modo de aplicação do material utilizado em sua fabricação e o tempo que permanecem em contato com os tecidos para que sua utilização alcance o sucesso esperado, é necessário que seja observado algumas condições como a sua biocompatibilidade, além disso, o material não deve ser tóxico, carcinogênico e radioativo para que não haja reações adversas e doenças indesejáveis nos pacientes que receberam a substância em seus corpos. (MARCONE, 2020). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 09, 2025 ISSN 3085-8097 Enxertos autógenos, heterógenos e sintéticos na implantodontia – Revisão de literatura Holanda JKA; Chiela C; Oliveira CA; Tanaka CJ; Ventre RB; Holanda IBS; Dias RO 412 5. Características Os enxertos autógenos, extraído do próprio indivíduo, possuem propriedades osteoindutoras, osteocondutoras e osteogênicas, promovem a sua excelência, podendo ser combinadas com outros materiais de enxertos. Os homógenos, extraídos de outro individuo da mesma espécie, apresentam propriedades osteocondutoras e osteoindutoras. Já os heterógenos são coletados de outra espécie, onde são removidos os componentes orgânicos, criando uma estrutura mineral com propriedades osteocondutora. E por último temos os enxertos sintéticos ou biomateriais, que podem ser divididos de acordo com sua porosidade, densidade e estrutura, onde apresentam propriedades osteocondutoras (CORREIA, 2012). 6. Enxertos autógenos O enxerto autógeno é considerado como o substituto ósseo mais eficaz no processo de regeneração óssea por conter células do próprio indivíduo, não transmitir doenças infeciosas ou desencadear reações imunológicas, além de 13 apresentar uma rápida incorporação e consolidação com o leito receptor. (RODOLFO 2017) Devido a todas as suas propriedades biológicas, o enxerto autógeno apresentasse eficaz no processo de regeneração óssea, com elevado poder de incorporação ao leito receptor e consolidação com o mesmo. (RODOLFO, 2017) Os enxertos autógenos são os únicos entre os tipos de enxerto ósseo a fornecer células ósseas vivas imunocompatíveis, essenciais à osteogênese, que é responsável pela proliferação das células ósseas; assim, quanto mais células vivas forem transplantadas, mais tecido ósseo será formado, acelerando a regeneração óssea, constituindo-se no material ideal para estes tipos de situações. (PINTO et al., 2007) Os enxertos ósseos autógenos são considerados como o padrão ouro (CLAUDINO, 2019; RODOLFO, 2017), e podem ser obtidos de diferentes regiões do corpo, sendo a crista do osso ilíaco (enxertos ósseos esponjoso-medulares), a calota craniana, a tíbia, as costelas e a mandíbula (especialmente para enxertos de menores proporções). (RODOLFO, 2017) Contudo apresenta desvantagens, não em sua ósseo integração, e sim por ser citadas sua difícil aceitação por parte dos pacientes, por ser preciso remover osso de outra área, o volume e a forma limitadas das áreas doadoras, bem como defeito gerado na extração do enxerto e o pós-operatório desta área, que normalmente apresenta mais complicações do que na área receptora, acarretando no aumento do tempo cirúrgico e o volume de osso a ser utilizado é limitado, até mesmo a falta de disponibilidade ou incapacidade de remoção. (STEIN, 2009) Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 09, 2025 ISSN 3085-8097 Enxertos autógenos, heterógenos e sintéticos na implantodontia – Revisão de literatura Holanda JKA; Chiela C; Oliveira CA; Tanaka CJ; Ventre RB; Holanda IBS; Dias RO 413 Devido a tais limitações, existe a busca constante por um material para enxertia que possa substituir o osso autógeno com a mesma qualidade do tratamento, porém, com menos inconvenientes. (STEIN, 2009). 7. Enxertos heterógenos Os heterógenos são enxertos ósseos de uma espécie doadora diferente da humana, são aqueles retirados de uma espécie e transplantados para outra, como os bovinos, caprinos e suínos, e são utilizados como matriz calcificada. As diferenças antigênicas desses enxertos são mais pronunciadas do que no osso homógenos. Exigem um tratamento mais vigoroso do enxerto, para prevenir rápida rejeição, contraindicando seu uso, (PINTO, 2007) Recentemente, novos métodos de processamento e purificação têm sido utilizados, possibilitando a remoção de todos os componentes orgânicos do osso bovino utilizado como matéria prima, deixando uma matriz óssea não orgânica em forma inorgânica inalterada. No entanto, existem diferenças nos métodos de purificação e manipulação do osso bovino, resultando em produtos comerciais com diferentes propriedades químicas e possivelmente, diferentes comportamentos biológicos. Esses materiais estão disponíveis em partículas de tamanhos diferentes ou em blocos. (ROCHA, 2019). Exigem um tratamento mais vigoroso do enxerto, para prevenir rápida rejeição, além de também não fornecerem células viáveis para a formação da fase I da osteogênese. O exemplo mais comum empregado na odontologia é o enxerto ósseo bovino liofilizado. (SERRA, 2019; CLAUDINO, 2019). Uma vez estes biomateriais mineralizados industrializados, serão completamente isentos de matriz orgânica, deixando assim de ser osso em essência, passando a ser exclusivamente um biomaterial com biocompatibilidade para humanos. (ROCHA, 2019). O osso heterógeno não contém células vivas, mas podem apresentar características ostecondutoras ou osteoindutoras na sua integração aos sítios receptores. Não precisa de um segundo sítio cirúrgico (doador) e, assim, necessitam de menor tempo cirúrgico para realização de reconstruções (GAETTI JARDIM, 2009). 8. Enxerto sintético Biomateriais são novos materiais projetados para substituir partes do corpo e permitir a recuperação de funções biológicas afetadas por doenças ou acidentes (COSTA, A. C. F. M, 2009). Os enxertos aloplásticos são essencialmente sintéticos e biocompatíveis, podemos ter as cerâmicas, polímeros e combinações. O aumento do material no mercado vem ganhando cada vez mais aceitação em Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 09, 2025 ISSN 3085-8097 Enxertos autógenos, heterógenos e sintéticos na implantodontia – Revisão de literatura Holanda JKA; Chiela C; Oliveira CA; Tanaka CJ; Ventre RB; Holanda IBS; Dias RO 414 razão do fácil uso e manipulação, além de diminuir a morbidade do sítio doador do enxerto. (SERRA, 2019; SOARES, 2015). Como desvantagens, esses tipos de materiais correm o risco de rejeição seguida de infecção, levando a que uma nova intervenção cirúrgica seja necessária. Nesses casos, materiais reabsorvíveis são preferidos, pois estudos mostram que alguns materiais não reabsorvíveis podem causar reações em longo prazo. (SOARES, 2015). A principal função desses enxertos é ajudar na regeneração de tecido ósseo e preservação do volume local (CLAUDINO, 2019), devem se degradar à medida que o osso se recompõe, além de poderem ser produzidos em escala suficiente para permitir a estabilidade primária do implante, descreve como sendo hidroxiapatitas, derivadas de algas e corais, fosfato de cálcio, sulfato de cálcio, colágeno e polímeros. Podem ser absorvíveis ou não absorvíveis, são fabricados em diversos tamanhos de partículas e poros e são usados combinados com proteínas bioativas para fornecer osteoindução. (SOARES, 2015). Substitutos ósseos aloplásticos de fosfato de cálcio, como hidroxiapatita (HA) e fosfato tricálcico (TCP) têm sido estudados devido às semelhanças da sua composição com a fase inorgânica do osso. (BEDOYA, 2017). A Hidroxiapatita de cálcio sintética, consiste em um material inorgânico comumente usados em falhas ósseas e constituinte da fase mineral dos tecidos calcificados (HAMERSCHMIDT, 2011). Suas principais características consistem na biocompatibilidade, osteocondução e bioatividade. Esta última ocorre devido às similaridades químicas da hidroxiapatita em relação à parte mineral óssea, permitindo diversas ligações químicas. A osteocondutividade, por sua vez, representa a capacidade do enxerto de direcionar a neoformação óssea, por ser um leito favorável para esse processo (SOUZA. G 2016). Na odontologia é bastante utilizada visando evitar a perda óssea em casos cirúrgicos por via alveolar ou não-alveolar, bem como na reabilitação protética e implantodontia, devolvendo parte do volume ósseo perdido do rebordo alveolar. DISCUSSÃO Para o sucesso na terapia com implantes, a preservação ou reconstrução do rebordo alveolar é essencial e depende do desempenho biológico dos materiais de enxerto ósseo. A capacidade e limitações inerentes aos substitutos ósseos disponíveis atualmente devem ser identificadas a fim de melhorar as possibilidades terapêuticas de aumento do rebordo alveolar (YAMADA, 2018)