89 REER, v. 12, n. 3, p. 89-99, 2025 Edição Regular DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17342718 CRIANÇAS EM CONTEXTO PANDÊMICO: UM OLHAR DA PSICOLOGIA SOBRE IMPLICAÇÕES DA TECNOLOGIA E REDE FAMILIAR Matheus Brochardt Cavalcanti
[email protected] RESUMO A pandemia causada pela COVID-19 trouxe várias mudanças no contexto social vivido em 2020. Dentre os novos desafios, estão o afastamento social, e a nova forma de se fazer educação, fazendo uso da modalidade remota. Considerando o campo das interações como uma área de estudo da Psicologia, este artigo se debruça sobre o estudo das relações sociais para verificar aspectos inerentes ao afastamento. Assim, buscou-se como objetivo geral verificar aspectos das relações infantis em contexto pandêmico, e como objetivos específicos pesquisar o espaço tomado pela tecnologia diante do ensino remoto, e observar as relações familiares com crianças em afastamento escolar. Através de uma pesquisa bibliográfica, e de uma investigação qualitativa, realizou-se pesquisas em bases de dados com materiais científicos que pudessem servir como constructo para a produção deste trabalho. Assim, foi possível observar estudos sobre as relações entre as crianças nas duas modalidades de ensino, bem como o papel dos cuidadores nesse processo. Dessa forma, considera-se os benefícios e limitações dos dois formatos, sempre observando o sujeito enquanto ser humano que se constitui a partir das relações sociais. Palavras-chave: Criança; Ensino; Interação; Psicologia. ABSTRACT The pandemic caused by COVID-19 brought several changes in the social context experienced in 2020. Among the new challenges are social distancing, and the new way of doing education, using the remote modality. Considering the field of interactions as an area of study of Psychology, this article focuses on the study of social relationships to verify aspects inherent to withdrawal. Thus, the general objective was to verify aspects of children's relationships in a pandemic context, and as specific objectives to research the space taken by technology in the face of remote teaching, and to observe family relationships with children on school leave. Through bibliographical research, and a qualitative investigation, research was carried out in databases with scientific materials that could serve as a construct to produce this work. Thus, it was possible to observe studies on the relationships between children in the two types of education, as well as the role of caregivers in this process. In this way, the benefits and limitations of both formats are considered, always observing the subject as a human being that is constituted from social relations. Keywords: Child; Teaching; Interaction; Psychology. 1 INTRODUÇÃO A Psicologia discute há muito sobre as interações humanas, e nessa perspectiva, Davis, Silva e Espósito (1989) pontuam que a abordagem escolar é de suma importância em termos de
90 REER, v. 12, n. 3, p. 89-99, 2025 Edição Regular DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17342718 interação social. O autor destaca ainda que as interações podem ser vividas em relação à cultura, e à parceiros que façam parte de determinado ciclo social, não podendo determinar a priori, mas sim, considerar que, é possível inferir, que tais construções contribuem para a formação de processos psicológicos superiores. Considera-se ainda que, tendo em vista que o papel social da escola é a promoção do conhecimento, é preciso que “os alunos participem ativamente de atividades específicas” (1989, p. 52). Tal compreensão do indivíduo como ser social torna-se relevante para formulação de estudos relacionados à fenômenos sociointeracionistas. Está assertiva se justifica diante do fato de que, conforme a criança vai avançando em suas relações e passando pelas fases do desenvolvimento, e ao observar como se dá esse processo, é possível encontrar possíveis desajustes e prováveis disfunções sociais e até comportamentais, podendo, com isso, buscar solucioná-los (LOPES; SILVA, 2020). Os autores consideram que o estudo do ser humano e das suas relações é a dedicação de esforço para conhecer não só o sujeito, mas, os vínculos que fazem parte de sua existência, os significados, e as questões subjetivas, que devem ser pensados como conteúdos múltiplos, e em constante transformação. É nessa perspectiva de ser social, apoiada pela Psicologia, que essa pesquisa buscou observar a criança: a criança é uma pessoa que se relaciona. Dentre as relações cotidianas da criança, pode-se destacar o espaço escolar. Dadas as necessidades de desenvolvimento em aspectos cognitivos e linguísticos, este espaço e a aprendizagem ali buscada são essenciais para a formação do sujeito (BARBOSA; ANJOS; AZONI, 2022). Deve-se considerar que as interações em sala de aula são de caráter essencial para a formação do aluno, pois tendem a promover significativa troca de conhecimento e experiências, influenciando no processo de maturação cognitiva (NASCIMENTO; AMARAL, 2012). No entanto, embora se conheça a necessidade da inserção da criança no âmbito escolar, vê-se, num cenário contemporâneo, a realidade de afastamento social, diante das restrições causadas pela pandemia da COVID-19. Em 18 de agosto de 2020 foi sancionada a Lei 14.040, que dispõe, em razão do alto risco de contaminação do vírus, que as atividades escolares poderão ser desenvolvidas em caráter não presencial. Embora essa nova norma educacional tenha sido adotada buscando servir o estado de calamidade pública (DECRETO LEGISLATIVO Nº 6, DE 2020), tem-se visto as consequências decorrentes do afastamento ocorrido. Ferraz, Ferraz e Ferreira (2021) apontam que dentre as consequências evidentes da pandemia, tem-se as que afetam diretamente o sistema educacional, destacando inicialmente a redução orçamentária. As autoras consideram ainda que, devido aos contínuos processos de desvalorização e às políticas de congelamento de investimentos, a educação brasileira trilhará
91 REER, v. 12, n. 3, p. 89-99, 2025 Edição Regular DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17342718 um trajeto ainda mais complexo e delicado para a superação dessas dificuldades. Tal realidade intensifica os marcos do afastamento social, dificultando a realização do ensino remoto com o mínimo de qualidade. Assim, a ruptura que a pandemia tem causado nas práticas sociais colocam em xeque as funções sociais exercidas pela escola, sendo evidenciado pela ausência das interações presenciais (CASTANHO; SOUZA; TINTI, 2021). Marin et.al, (2020), em uma pesquisa publicada pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), consideraram que não só o risco de mortalidade infantil na pandemia deve requerer o olhar da ciência, mas também a realidade que as crianças estão suscetíveis às repercussões psicossociais. O estudo mostra ainda, que o fechamento das escolas pôde interferir diretamente na rotina e nas relações interpessoais na infância, que podem ser passivas de adoecimento, hospitalização, ou morte de pessoas próximas. Destaca-se ainda, a junção do fechamento do espaço escolar, com as demandas específicas de cuidado, com as crianças com autismo, síndrome de Down, e as que experienciam sofrimento psíquico. Nestes casos, a atenção deve ser maior, pois, a interrupção da rotina é capaz de intensificar os impactos na saúde, como a desorganização sensorial, e psicológico, podendo até incorrer em perdas motoras. Assim, esta pesquisa traz o enfoque, não para resolver problemas causados pela pandemia, ou para responsabilizar alguma parte por possíveis desajustes observados nos comportamentos infantis. Antes, busca questionar: como a dinâmica do isolamento social afetou as crianças e quais as possíveis implicações? Considerando que desde o dia 22 de maio de 2022 foi reconhecido o fim do estado de emergência em saúde pública, e que, na data de escrita desta pesquisa, as escolas já retomaram suas atividades presenciais, não há o que se discutir acerca de ações para o momento presente. No entanto, a relevância desta pesquisa para a Psicologia e áreas afins se dá no contexto pós-pandêmico, ao produzir estudo que sirva de embasamento teórico para profissionais e estudantes da saúde para lidar com demandas que poderão surgir, dado o afastamento visto. Essa pesquisa traz como objetivo geral verificar aspectos das relações infantis em contexto pandêmico, e como objetivos específicos observar as relações familiares com crianças em afastamento escolar, e pesquisar o espaço tomado pela tecnologia diante do ensino remoto. 2 MÉTODO Considerando que o método científico é indicado para pesquisas no campo da Psicologia (RODRIGUES; ASSMAR; JABLONSKI, 2022), foram usadas para esta pesquisa, os recursos metodológicos que fazem parte desse tipo de investigação. Para construção deste artigo,
92 REER, v. 12, n. 3, p. 89-99, 2025 Edição Regular DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17342718 utilizou-se a pesquisa do tipo bibliográfica. De acordo com Souza, Oliveira e Alves (2021, p. 65) “a pesquisa bibliográfica está inserida principalmente no meio acadêmico e tem a finalidade de aprimoramento e atualização do conhecimento, através de uma investigação científica de obras já publicadas”. Buscando levantar fontes que possam fundamentar a pesquisa, foram feitas buscas nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (Scielo), Periódicos Eletrônicos em Psicologia (Pepsic) e Google Acadêmico. Utilizando as palavras-chave, foram selecionados materiais de acordo com critérios de seleção definidos previamente. Deu-se preferência a artigos publicados nos últimos 5 anos, pois, ao considerar o contexto pandêmico como recente, escolheu-se artigos que correlacionam o problema com referencial teórico. Além disso, verificou-se os títulos e resumos, sendo escolhidos aqueles que satisfaziam os objetivos da pesquisa. Também se deu preferência aos artigos escritos em língua portuguesa. Considerando os diversos aspectos que envolvem esta pesquisa, foi tomado como caminho para análise de dados o método qualitativo, pois, de acordo com Patias e Hohendorff (2019), na pesquisa qualitativa, a realidade é múltipla e subjetiva, sendo as experiências e aspectos do indivíduo elementos úteis para obtenção de informação. Minayo e Costa (2019) ainda consideram que, sob a práxis do método qualitativo, a pesquisa deve se sensibilizar diante de elementos que representam e modulam a humanidade. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Em 18 de agosto de 2020 foi decretada e sancionada a Lei 14.040, que visou estabelecer normas a serem adotadas no Brasil, enquanto durasse o período de calamidade pública. Dentre as diretrizes, encontra-se a facultatividade da realização de atividades pedagógicas presenciais, sendo condicionado que as instituições que optarem pela modalidade remota assegurem que professores e alunos tenham acesso aos meios de tecnologia para realização dessas atividades (BRASIL, [2020]). Góes e Cassiano (2020) consideram que esse afastamento social impôs às instituições de ensino, principalmente às privadas, que se encontrasse uma maneira de terminar o ano letivo de 2020 de modo que fossem minimizados os prejuízos no ensino. Apesar de o ensino híbrido e a educação a distância tomarem novas proporções, esta realidade desafia a prática docente, restando reflexões sobre suas implicações. Assim, o processo de ensino não é mais condicionado à junção de docente e discente num mesmo espaço físico (OLIVEIRA, et.al, 2020).
93 REER, v. 12, n. 3, p. 89-99, 2025 Edição Regular DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17342718 Essa destituição da figura do professor como ator principal no ensino evoca questionamentos acerca das relações sociais entre alunos, haja visto que, é evidente a diminuição da interação social. Para Rodrigues, Assmar e Jablonski (2022), a interação humana é essencial para construção de processos cognitivos, visto que eles ocorrem ao se procurar conhecer as pessoas com as quais se convive. Porém, ao mesmo tempo que se reconhece o papel das relações sociais para o desenvolvimento humano, vê-se a influência que as tecnologias têm gerado nas relações humanas, mantendo pessoas afastadas por mais tempo, tornando-se cada vez mais relevantes (RAMOS; KNAUL, 2020). Para as autoras, quando a tecnologia é utilizada de modo coletivo, ela pode gerar experiências que só são possíveis por meio da interação social. Destacam ainda que, quando a tecnologia é projetada para esse uso específico, pode-se observar algumas contribuições na qualidade das relações. O uso das tecnologias digitais teve constante participação nas práticas sociais, tornandose característica principal da sociedade contemporânea. Dada a necessidade de afastamento social pela pandemia causada pela COVID-19, as plataformas digitais ganharam destaque em contexto educacional, tanto no setor público quanto no privado. No entanto, por mais que tenha sido observável o benefício desse recurso, não se deve partir de um extremo para outro. De acordo com Góes e Cassiano (2020), isso seria um ato agressivo contra a educação do país. Os autores consideram ainda que as plataformas digitais podem ser potencializadoras de baixa interatividade; mas, é uma regra que pode ser modificada. O uso de tecnologias digitais como mecanismo de ensino exige que o estudante invista generoso tempo diante de equipamentos eletrônicos, visando o aproveitamento da aula, que outrora, era feito presencialmente. Nesse contexto, todo panorama social perpassa os equipamentos, afetando diretamente as relações sociais. Porsani (2020) considera a teoria do sociointeracionismo, para afirmar que é a forma com que o sujeito interage com o meio social que provoca a constituição do sujeito. Nessa perspectiva, o processo de aprendizagem é posto como fator importante para a formação do ser em seu meio social, fazendo com que a criança tenha acesso aos modos de pensar e agir correntes em seu meio. O autor ainda apresenta o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), definindo o termo como tudo que o aluno consegue fazer quando lhe é dado o suporte educacional devido. É a partir desse suporte, muitas vezes conduzido por profissionais em sala de aula, que as crianças escolarizadas conseguem ter um conceito de desenvolvimento científico superior ao de crianças não escolarizadas (PORSANI, 2020). Nessa perspectiva, Lopes e Silva consideram que o ser é essencialmente social, e sempre ligado a condições sociais (2020).
94 REER, v. 12, n. 3, p. 89-99, 2025 Edição Regular DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17342718 Tal suporte provoca o desenvolvimento cognitivo e fomenta as relações entre o alunado, considerando-os como seres sociais. Olhar para as relações permite que, num contexto escolar, sejam observados fenômenos como o brincar, a vivência cotidiana, e as diversas interações, sendo esses elementos essenciais para construção da identidade social e coletiva. Cabe destacar, que não são apenas relações que são participantes desse processo; mas relações sociais, que se relacionam entre mais de dois indivíduos. No caso da criança, isso se implica por meio das relações estabelecidas através das linguagens humanas, dos olhares, toques, gestos, expressões etc. (ANJOS; FRANCISCO, 2021). Anjos e Francisco (2021) consideram ainda alguns elementos na perspectiva de interação social no contexto educacional infantil. Para os autores, é importante que seja priorizado, independente da ação estar em contexto presencial ou remoto, a viabilização de experiências que sejam gratificantes para as crianças. Promover interação com outras pessoas de faixa etária aproximada, construir relações, provocar atenção e encorajar a participação, são algumas atividades que buscam o desenvolvimento infantil. No que tange ao ensino remoto, as práticas de dançar, desenhar e construir brinquedos, foram consideradas as mais relevantes, tendo em vista a interação promovida entre os alunos. Destaca-se o importante papel dos pais nesse processo, como mediadores do encontro virtual, ao dar suporte técnico aos equipamentos eletrônicos, e preparar os materiais de aula. Nesse dado contexto, considera-se que o desenvolvimento da criança baseado em relações sociais pode acontecer através do brincar. O contato social com outras crianças e consigo mesma, observando o outro e a si, contribui para a constituição da criança como ser social. Dessa forma, por mais que haja contribuições e mecanismos que facilitem o ensino remoto, Anjos e Francisco (2021) consideram que o ensino presencial precisa ser privilegiado, buscando “a corporização da aprendizagem por parte da criança” (p. 129). Uma pesquisa realizada por Santos e Silva (2021) apresentou considerações importantes acerca do isolamento social na educação infantil. Ao estar em casa, crianças passaram a voltar a atenção para as famílias, estando mais disponíveis para brincar, em detrimento do uso exagerado das redes sociais. Em contrapartida, a permanência por longo tempo dos filhos em casa, incorreu no aumento da demanda de trabalho e atenção dos pais, que precisaram lidar com a sobrecarga e estresse para dar conta das demandas com os filhos, sendo esse fenômeno, uma realidade que repercute diretamente nos relacionamentos entre pais-filhos. No que se refere à aula, foi observado que as crianças passavam no máximo trinta minutos atentas à apresentação de conteúdo, sendo, em seguida, distraídas por estímulos externos que lhes pareciam mais convidativos. Os autores ainda destacam que o afastamento social trouxe grande necessidade
95 REER, v. 12, n. 3, p. 89-99, 2025 Edição Regular DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17342718 de atenção por parte das crianças, tornandose mais dependentes dos pais, e de pessoas mais velhas. Isso pode correlacionar-se com o fato de as crianças sentirem o estresse dos pais, apresentando agitação, dificuldade de concentração, e agressividade nas brincadeiras, podendo até causar alteração no sono, e regressividade comportamental típica, como chupar o dedo, ou pedir mamadeira. Se contrapondo a isto, crianças que voltaram às atividades presenciais passaram a apresentar maior autonomia em suas atividades, principalmente quando em contato com outras crianças. Em outra perspectiva, este formato de parceria entre escola e família pode apresentar consequências bastante relevantes, de modo positivo para a aproximação familiar. O papel de mediador se descentralizou da figura do professor, e passou para os pais e cuidadores, permitindo o encontro das crianças com o conhecimento, e dando nova modelagem à forma de serem pais. Essa relação das crianças com a educação, permeada do afeto proveniente dos cuidadores, pode representar experiências significativas, trazendo às crianças a autonomia, e a busca pelo mundo social (CASTRO; ALVES; CASTRO, 2021). Oliveira, Neto e Oliveira (2020) destacam que quando a educação é bem-sucedida no ambiente familiar, ela servirá de apoio para o sujeito quando adulto, haja visto que a família pode ser considerada o centro da vida social. Sendo assim responsáveis pelo desenvolvimento social, as famílias devem buscar interação com a escola, fornecendo elementos que, quando discutidos, possam servir de material para busca de melhor qualidade no ensino. Monsores (2020) reforça a parceria que deve haver entre família e escola, pontuando que a educação familiar deve colaborar com o sistema escolar, não o substituir. Assim, cada parte assume sua função, sem que haja transferência total de funções, mas complementando-se entre si. No entanto, por mais que haja a necessidade de atenção da família no processo de cuidado e educação, Monsores (2020) reconhece que é necessário respeitar a organização de cada família, que, em contexto pandêmico, também passa por reorganizações. Acrescenta ainda que, em alguns contextos familiares, lidar com a facilitação de acesso aos conteúdos escolares pode ser exaustivo, dadas as condições sociais nas quais muitas famílias estão inseridas. Nesta perspectiva, Anjos e Pereira (2021) defendem que as famílias podem contar com as instituições de ensino, no processo de formação escolar. Muito além de uma instituição, as escolas são a atividade do estado servindo à família, presentes em seu cotidiano. Os autores afirmam que “as famílias que possuem crianças encontram profissionais que podem lhe orientar quase todos os dias, contribuindo (...) para que cheguem até os programas de assistência social, trabalho e renda” (p. 09-10).
96 REER, v. 12, n. 3, p. 89-99, 2025 Edição Regular DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17342718 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Observar o contexto pandêmico que cerceou o Brasil em 2020 provoca a curiosidade pela busca das consequências em diversas esferas. As especificidades das relações em contexto escolar apresentam singularidade, tendo visto a inclusão das tecnologias digitais como necessidade de estudo, e como elemento indispensável para realização dos contatos entre pessoas. Embora o virtual tenha influente participação e contribuição no processo educacional, as pesquisas não recomendam que seja esse o único meio de relação, principalmente em se tratando de contexto escolar. Diante da realidade educacional brasileira, o artigo apresentou elementos que corroboram a necessidade da interação social através do ensino presencial. O autor reconhece que o avanço tecnológico facilita que as relações se mantenham a partir de encontros virtuais, dada a necessidade de isolamento e o fator globalização. No entanto, cuidados devem ser tomados, através de ações em conjunto da família com a instituição de ensino. O brincar e o interagir são expressões humanas, e devem ser provocados por pais/professores, visando gerar gratificação na criança. Assim, seja em contexto presencial ou remoto, faz-se necessário que haja aproximação entre os cuidadores e educadores, buscando sempre, as melhores condições de ensino. Ainda não se sabe quais serão as consequências do ensino remoto em sua totalidade. E, em se tratando de relações humanas, não cabe buscar a completude dos resultados, visto que os seres sociais estão sempre em mudanças. Deve-se, antes, promover estudos e discussões que verifiquem cenários sociais e cognitivos, fazendo conexão entre as teorias aceitas na academia científica, a fim de promover saúde e acolhimento à sociedade. Não foram encontradas fontes que tivessem como delineamento de estudo o campo da interação social e crianças em tempos pandêmicos. Assim, sugere-se estudos futuros que busquem essa relação, observando o fator família e o brincar, considerando que a família é o elemento central da sociedade, e que o brincar é o modo de interação mais presente em crianças REFERÊNCIAS ANJOS, C. FRANCISCO, D. Educação infantil e tecnologias digitais: Reflexões em tempos de pandemia. Zero-a-seis. Florianópolis, v. 23, n. Especial, p. 125-146. 2021. Disponível em <https://doi.org/10.5007/1980-4512.2021.e79007>. Acesso em 27 out. 2022. ANJOS, Cleriston. PEREIRA, Fabio. Educação infantil em tempos de pandemia: outros desafios para os direitos, as políticas e as pedagogias das infâncias. Zero-a-seis. Florianópolis,
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