ENTRE REALIDADES: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO ENSINO FUNDAMENTAL PÚBLICO E PRIVADO
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Paula Aline Nobre da Silva, Graduada em ciências biológicas pela Universidade Estadual do Ceará. Email: Paula.nob[email protected] 1, Hamilton Mendes dos Santos, professor de ciências da escola localizada em Maracanaú 2, Jeanne Barros Leal de Pontes Medeiros, professora adjunta, Doutora pela UECE. Email: [email protected]3 ENTRE REALIDADES: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NO ENSINO FUNDAMENTAL PÚBLICO E PRIVADO Autor(a): Paula Aline Nobre da Silva1, Co Autor: Hamilton Mendes dos Santos2, Professora: Jeanne Barros Leal de Pontes Medeiros3 Resumo: O presente trabalho é um relato vivenciado durante o primeiro estágio supervisionado dentro do ensino fundamental, com turmas de 6º e 7º ano fazendo um comparativo com a breve experiência profissional dentro de uma escola de ensino particular, ambas localizada em Maracanaú, região metropolitana de Fortaleza. Esta pesquisa, portanto, busca citar de forma parcial os pontos importantes na visão de um professor em formação em ambos os ambientes e demonstrar isso através de suas experiências pessoais. O estágio ocorreu em oito semanas, no turno da manhã e da tarde, permitindo uma vivência significativa participando ativamente da rotina escolar, da interação com os estudantes e do papel como professor regente. A escola possui boa estrutura apesar da superlotação em sala de aula, mas a interação professor-aluno ocorre de forma bem mais leve e acolhedora apesar do maior número de estudantes. Trazendo uma breve reflexão sobre a experiência profissional anterior, em uma escola da mesma cidade. Nessa instituição com turmas reduzidas e melhores recursos localizados no mesmo município, a prática docente é mais direcionada ao conteúdo programático, mostrando a interação com os alunos de maneira mais formal e menos espontânea. No resultado geral de ambas as observações feitas, destacam-se o amadurecimento profissional, a ampliação das realidades vividas pelos estudantes e a confirmação da escuta ativa durante o processo de ensino-aprendizagem. Palavras-chave: Formação docente. Prática pedagógica. Ensino e Aprendizagem.
Autor(a): Paula Aline Nobre da Silva1, Co Autor: Hamilton Mendes dos Santos2, Professora: Jeanne Barros Leal de Pontes Medeiros3 1. INTRODUÇÃO Saviani (2009) faz um compilado histórico sobre a formação de professores e ressalta que que no Brasil a questão do preparo desses profissionais surge de forma explícita após a independência. O autor mencionado faz uma divisão ao decorrer desses dois séculos do que ele separou como principais períodos na história da formação de professores no Brasil. O estágio como parte do cenário de formação docente, torna-se um ambiente essencial no processo da formação desses professores, considerando que a parte prática pedagógica, a didática, as experiências e todos os processos fundamentais de reflexão constituem o ambiente profissional além de ser uma etapa prevista por lei. (Araújo; Martins, 2020). Desse modo, a definição de estágio que a lei n. 11.788/2008 apresenta no seu artigo 1º: “Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular [...]” (Brasil, 2008b). Junto a isso, estudos ressaltam: “cada professor possui seus conhecimentos e sua visão sobre a atuação profissional, os quais podem ser aprimorados em espaços de reflexão, a partir da pesquisa e da prática profissional” (Mora-Penagos; Parga-Lozano, 2015, p. 169). Portanto, o campo de estudo se mostra um ambiente bastante promissor na formação de indivíduos que desejam atuar em sala de aula. Para Fiorentini (2008) as pesquisas sobre o estágio indicam que, se o foco é formar professores capazes de produzir e avançar nos conhecimentos curriculares da educação e de transformar a prática e cultura escolar, então é necessário que obtenham uma formação inicial que lhes ofereça uma base sólida teórico-científica relacionada ao seu campo de atuação, que deve ser desenvolvida baseada na reflexão e na investigação sobre a prática. Este estudo busca entender o papel da escola para o estagiário e dos diferentes cenários qual ele estará sujeito a vivenciar ao longo de sua vida acadêmica trazendo a comparação do ambiente público e particular e as questões que envolvem esse assunto, considerando a comunidade que está inserida, ferramentas pedagógicas e questões familiares, sendo ponto de entendimento crucial para a formulação de políticas educacionais. Além disso, as primeiras experiências obtidas dentro do estágio são fundamentais para que o estudante de licenciatura se adeque ao ambiente de trabalho futuro, reforçando que sua formação vai além do que possuir domínio de assuntos de sua área e como ensinar (Albuquerque et al., 2020). 2.DESENVOLVIMENTO O presente estudo foi realizado por meio de uma pesquisa qualitativa, com enfoque descritivo, que buscou compreender as experiências vivenciadas durante o estágio supervisionado em duas instituições de ensino fundamental, uma pública e outra
Autor(a): Paula Aline Nobre da Silva1, Co Autor: Hamilton Mendes dos Santos2, Professora: Jeanne Barros Leal de Pontes Medeiros3 privada, ambas localizadas em Maracanaú, região metropolitana de Fortaleza. A pesquisa foi desenvolvida ao longo de oito semanas, com atividades realizadas nos turnos da manhã e da tarde. A metodologia adotada incluiu os seguintes procedimentos: 2.1 Tipologia da pesquisa: A pesquisa é classificada como qualitativa, pois busca compreender as experiências e percepções do estagiário associado às práticas pedagógicas observadas. O enfoque descritivo permite uma análise detalhada das interações e dinâmicas em sala de aula, isso faz com que possibilite uma reflexão crítica sobre as realidades educacionais (Creswell, 2018; Sampieri et al., 2013). O método escolhido para essa pesquisa qualitativa é particularmente adequado para explorar fenômenos complexos e contextuais, pois permite que o pesquisador obtenha uma compreensão mais profunda das experiências vividas (Minayo, 2014). 2.2 Observações: Durante as observações, tive a oportunidade de vivenciar a rotina escolar, o que incluiu a preparação de aulas, a aplicação de atividades e a gestão de sala. Essa experiência prática foi fundamental para compreender os detalhes do ambiente educacional, como a dinâmica de grupo, a motivação dos alunos e as estratégias de ensino utilizadas pelos professores. A observação das interações entre alunos e professores revelou a importância da comunicação e do relacionamento interpessoal dentro de sala para processo de ensino-aprendizagem. Em muitos momentos, tive a oportunidade de perceber como a empatia e a escuta ativa dos educadores contribuem para um ambiente de aprendizado mais acolhedor e produtivo. Além disso, a observação aprofundada permitiu identificar as diferentes metodologias de ensino empregadas nas duas instituições. Na escola pública, por exemplo, foi notado que, apesar da superlotação das salas de aula, os professores utilizavam estratégias diversificadas para engajar os alunos, como trabalhos em grupo e atividades lúdicas e atrativas. Essas abordagens, embora desafiadoras em um ambiente com muitos alunos, mostraram-se eficazes para promover a participação e o interesse dos estudantes. Por outro lado, dentro da escola privada, as turmas menores possibilitaram uma abordagem mais individualizada, onde os professores puderam dedicar mais atenção a cada aluno, o que é muito importante no ambiente de ensino. Foi observado também que essa dinâmica favoreceu um ambiente de aprendizado mais estruturado, mas, em contrapartida, também limitava a espontaneidade e a criatividade dos alunos, que muitas vezes se sentiam pressionados a seguir o currículo rígido. Através das observações também se revelou a importância da gestão de sala de aula. O estudante como estagiário nesses momentos pode perceber como a organização do espaço físico e a definição de regras claras contribuem para um ambiente de aprendizado mais harmonioso. Em ambas as instituições, a forma como os professores lidavam com comportamentos desafiadores dos alunos foi um aspecto crucial para manter a disciplina e o foco nas atividades. 2.3 Diários de campo: Os diários de campo foram uma ferramenta fundamental para a coleta de dados. Neles, foram feitos registros e reflexões diárias sobre as práticas observadas, as interações com os alunos e as dificuldades enfrentadas. Esses registros foram analisados posteriormente, permitindo identificar padrões e divergências nas abordagens pedagógicas entre as duas instituições. A utilização de diários de campo é uma prática
Autor(a): Paula Aline Nobre da Silva1, Co Autor: Hamilton Mendes dos Santos2, Professora: Jeanne Barros Leal de Pontes Medeiros3 comum em pesquisas qualitativas, pois permite que o pesquisador documente suas impressões e reflexões em tempo real, contribuindo para uma análise mais rica e contextualizada (Gil, 2008). 2.4 Planejamento de aulas: Os planejamentos de aula foram elaborados com base nas diretrizes curriculares e nas necessidades específicas dos alunos. Como estagiária tive a oportunidade de participar ativamente desse processo. Essa experiência foi enriquecedora, pois permitiu compreender a importância de um planejamento bem estruturado para o sucesso das atividades Um outro aspecto relevante observado nos planejamentos foi a flexibilidade necessária para adaptá-los às realidades do dia a dia escolar principalmente dentro das escolas públicas. Foi então possível perceber que, muitas vezes, era preciso ajustar as atividades propostas em função do tempo disponível, do nível de interesse dos alunos e das dinâmicas que surgiam durante as aulas. Essa adaptabilidade é uma habilidade crucial para os educadores, por permitir que eles respondam de maneira eficaz às necessidades dos alunos e às circunstâncias imprevistas que podem ocorrer em um ambiente escolar. 2.5 Análise de dados: A análise dos dados coletados foi realizada por meio da técnica de análise de conteúdo, conforme proposta por Bardin (2016). Essa técnica permitiu categorizar as informações obtidas nos diários de campo e nos planejamentos, facilitando a identificação de temas recorrentes e a construção de uma narrativa que sintetiza as experiências vivenciadas. A análise de conteúdo é uma abordagem sistemática que permite ao pesquisador interpretar e dar sentido aos dados qualitativos, identificando padrões e significados subjacentes (Flick, 2018). 2.6: Resultados e discussões: Os resultados obtidos a partir das observações e reflexões durante o estágio supervisionado revelaram diferenças significativas entre as duas realidades educacionais analisadas, no caso, uma escola pública e uma escola privada. A análise das práticas pedagógicas, das interações em sala de aula e das metodologias de ensino utilizadas permitiu uma compreensão mais profunda das dinâmicas que envolvem o ambiente escolar. Na escola pública, apesar da superlotação mencionada nas salas de aula, observou-se que a interação entre professores e alunos era mais leve e acolhedora. Os educadores utilizavam estratégias diversificadas para engajar os alunos, e essa aproximação trazia o aluno para mais próximo do interesse em sala de aula. Essa abordagem, embora desafiadora em um ambiente com muitos alunos, mostrou-se eficaz para promover a participação e o interesse dos estudantes. Segundo Lima et al. (2021), a qualidade das interações em sala de aula pode superar as limitações estruturais, e a empatia dos educadores é um fator crucial para a construção de um ambiente de aprendizado positivo. A pesquisa de Silva e Almeida (2020) também corrobora essa ideia, enfatizando que a educação deve ser um ato de diálogo, onde a escuta ativa e a comunicação são estratégias fundamentais para o desenvolvimento de relações significativas entre professores e alunos. Em contrapartida, na escola privada as turmas menores permitiram uma abordagem mais individualizada, onde o professor consegue dedicar mais atenção a cada aluno. No entanto, essa dinâmica também trouxe à tona uma formalidade nas
Autor(a): Paula Aline Nobre da Silva1, Co Autor: Hamilton Mendes dos Santos2, Professora: Jeanne Barros Leal de Pontes Medeiros3 interações que, em alguns momentos, limitou a característica espontânea vista principalmente nessas turmas iniciais e a criatividade dos alunos. Santos e Ferreira (2019) destacam que a rigidez nas abordagens pedagógicas pode restringir o desenvolvimento das habilidades socioemocionais dos estudantes, o que foi observado na prática. A experiência de elaborar e analisar planejamentos de aula foi um aspecto crucial para a formação do estudante. Os planejamentos, que incluíam estratégias de avaliação formativa e a utilização de recursos didáticos variados, mostraram-se fundamentais para promover um aprendizado mais significativo. A avaliação formativa, conforme discutido por Oliveira e Costa (2022), foca no processo de aprendizagem e no desenvolvimento contínuo dos alunos, permitindo que os educadores identifiquem dificuldades e promovam intervenções pedagógicas mais eficazes. Essa abordagem é essencial para a construção de um ambiente educacional inclusivo, onde as necessidades dos alunos devem ser atendidas de maneira adequada. Além disso, a prática de manter diários de campo permitiu ao estagiário desenvolver uma consciência crítica sobre suas práticas e reflexões. Essa autorreflexão é essencial na formação docente, pois possibilita que os educadores busquem constantemente melhorias em sua atuação, como afirmam Flick (2018) e Minayo (2014). As observações realizadas durante o estágio também foram de grande importância na gestão de sala de aula. O aluno como estagiário naquele momento consegue perceber como a organização do espaço físico e a definição de regras claras contribuem para um ambiente de aprendizado mais harmonioso. Em ambas as instituições, a forma como os professores lidavam com comportamentos desafiadores dos alunos foi um aspecto notável para manter a disciplina e o foco nas atividades. Corroborando com a pesquisa de Gil (2008) que enfatiza que a gestão eficaz da sala de aula é um dos pilares para o sucesso educacional, pois impacta diretamente na motivação e no engajamento dos alunos. Portanto, os resultados obtidos neste estudo evidenciam que a qualidade do ensino não está apenas nos recursos disponíveis, mas, principalmente, nas relações construídas dentro da sala de aula. A troca de experiências entre instituições públicas e privadas pode enriquecer a formação de professores e contribuir para a melhoria da qualidade do ensino. A continuidade de pesquisas nessa área é fundamental para aprofundar a compreensão das dinâmicas educacionais e para promover inovações que atendam às demandas contemporâneas da educação. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS. Este estudo foi uma experiência bastante enriquecedora, pois proporcionou uma visão ampla sobre as práticas pedagógicas em duas realidades educacionais distintas, mostrando a importância das interações entre educadores, alunos no processo de ensino-aprendizagem, e a observação feita por um estagiário. A experiência na escola pública destacou-se como a empatia dos professores pode criar um ambiente de aprendizado positivo, mesmo diante de desafios como a superlotação. Em contrapartida, a escola privada, com suas turmas menores, evidenciou a necessidade de equilibrar a formalidade com a criatividade, a fim de fomentar um ambiente mais dinâmico e engajador. De modo geral, as considerações finais deste trabalho enfatiza-se a relevância de uma formação docente que priorize a adaptação às realidades dos alunos e a promoção de um ambiente educacional inclusivo. A troca de experiências entre
Autor(a): Paula Aline Nobre da Silva1, Co Autor: Hamilton Mendes dos Santos2, Professora: Jeanne Barros Leal de Pontes Medeiros3 diferentes contextos escolares enriquece a prática docente e contribui para a melhoria da qualidade do ensino. 4.REFERÊNCIAS: ALBUQUERQUE, Andréa; GONÇALVES, Tadeu Oliver; DOS SANTOS BANDEIRA, Márcia Cristina. A formação inicial de professores: os impactos do ensino remoto em contexto de pandemia na região Amazônica. EmRede-Revista de Educação a Distância, v. 7, n. 2, p. 102-123, 2020. ARAÚJO, Osmar Hélio Alves; MARTINS, Elcimar Simão. Estágio curricular supervisionado como práxis: algumas perguntas e possíveis respostas. Reflexão e Ação, v. 28, n. 1, p. 191-203, 2020. BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. 4. ed. Lisboa: Edições 70, 2016. BRASIL. Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 26 set. 2008, p. 1. CRESWELL, John W. Research design: qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 5th ed. Thousand Oaks: SAGE Publications, 2018. FIORENTINI, Dario. A pesquisa e as práticas de formação de professores de matemática em face das políticas públicas no Brasil. Bolema: boletim de educação matemática, v. 21, n. 29, p. 43-70, 2008. FLICK, Uwe. An introduction to qualitative research. 5th ed. London: SAGE Publications, 2018. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008. LIMA, Ana; SOUZA, Pedro; MORAES, Carla. Desafios da superlotação nas salas de aula: um estudo em escolas públicas. Educação e Pesquisa, v. 47, n. 1, p. 123-140, 2021. MINAYO, Maria de Souza. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 30. ed. São Paulo: Hucitec, 2014. MORA-PENAGOS, WM; LOZANO, Diana Lineth Parga. Componentes do conhecimento didático de conteúdo em química. Conhecimento didático de conteúdo (CDC) em química. Bogotá: Universidade Pedagógica Nacional , pp. 55-79, 2015. OLIVEIRA, Fernanda; COSTA, Tiago. Formação docente e práticas pedagógicas: reflexões sobre a experiência em diferentes contextos. Cadernos de Pesquisa, v. 52, n. 1, p. 89-105, 2022. SAMPIERI, Roberto H.; COLLADO, Carlos F.; LUCIO, Pilar B. Metodologia de pesquisa. 6. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2013. SANTOS, Lucas; FERREIRA, Renata. Interação e aprendizagem: o papel das relações sociais no ambiente escolar. Revista de Estudos Educacionais, v. 30, n. 2, p. 201-215, 2019.
Autor(a): Paula Aline Nobre da Silva1, Co Autor: Hamilton Mendes dos Santos2, Professora: Jeanne Barros Leal de Pontes Medeiros3 SAVIANI, Dermeval. Formação de professores: aspectos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro. Revista brasileira de educação, v. 14, p. 143-155, 2009. SILVA, João; ALMEIDA, Maria. A importância do diálogo na educação: uma análise das interações em sala de aula. Revista Brasileira de Educação, v. 25, n. 3, p. 345-360, 2020.