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Perspectivas em relação aos fatores que influenciam no processo da regência durante o estágio supervisionado curricular.

Pereira de Oliveira, Vládia

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Perspectivas em relação aos fatores que influenciam no processo da regência durante o estágio supervisionado curricular. Vládia Pereira de Oliveira¹ Resumo: O estágio curricular supervisionado é um momento crucial para a formação dos licenciados em ciências biológicas Esse momento se deu em três etapas que são a observação onde os estagiários vão para dentro da sala para observar a dinâmica da turma e identificar pontos interessantes relacionados ao processo de ensino, regência quando os estagiários preparam e ministram aulas e o projeto didático desenvolvido a partir de uma demanda da turma ou escola. O estágio foi realizado em uma escola de ensino médio, localizada no bairro Maraponga. A escola tinha uma estrutura boa em alguns pontos e precária em outros, em sua maioria as turmas eram de alunos situados no bairro. Os possuíam interesse na disciplina e geralmente tinham muitas perguntas e observações. A escola possui quadra de esportes, laboratório, refeitório, sala dos professores, biblioteca, auditório e jardim. O laboratório de ciências é bem completo. Durante o período do estágio houve um avanço na regência, onde a estagiária percebeu que ao sair da zona de conforto desenvolveu novas habilidades e percebeu como os fatores que permeiam o processo de ensino influenciam na prática na sala de aula. No final desse processo esses fatores influenciaram de maneira positiva e ajudaram a construir uma experiência docente única. Palavras-chave: Ensino médio. Aspectos interpessoais. Aspectos interpessoais. 1. INTRODUÇÃO. O estágio é um momento indispensável na formação inicial de qualquer profissional, por ser um processo de aprendizagem que alinham as teorias vistas em sala de aula com a prática da profissão. O estágio curricular supervisionado é considerado uma etapa crucial dentro dos cursos de licenciatura, porque através do exercício das funções do docente permite a inserção do estagiário na realidade da sala de aula, além de criar um ambiente seguro para que o estagiário desenvolva as habilidades necessárias à prática da profissão (Scalabrin; Molinari, 2013). No âmbito profissional, Tardif (2012) afirma que o saber é algo condicionado também pelo contexto do trabalho, ou seja, o saber docente é influenciado pela experiência pessoal e pelas relações dos outros sujeitos participantes do processo de ensino. Dentro dessa perspectiva nota-se que muitos fatores externos e internos estão envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, portanto são fatores que influenciam a prática docente no âmbito dos estágios (Tardif, 2012). O processo de ensino e aprendizagem é complexo porque nele lida-se com pessoas e os relacionamentos entre essas pessoas permeiam todo esse processo. A prática de ensino é altamente influenciada pela relação aluno professor, essa que tem muitas dimensões além da pedagógica e geram impactos na saúde psicoemocional de ambos os sujeitos (Boutin, 2017) Existem muitos fatores que podem influenciar a prática docente, portanto influenciam também o andamento do estágio, entendendo o estagiário no papel do professor. Os fatores intrínsecos ao sujeito no âmbito do estágio, como o nervosismo e ansiedade, os fatores operacionais da prática docente como o planejamento das aulas, ou fatores interpessoais como os relacionamentos que permeiam o processo de ensino e aprendizagem, podem impulsionar ou minar o processo do estágio, influenciando o desenvolvimento das habilidades do estagiário (Boutin, 2017; Da Rosa Maziero; De Carvalho, 2012; Andrade, 2008). Como parte da carga horária do estágio curricular supervisionado, tem certas atividades a serem cumpridas como a observação, regência e projeto didático. De todas as etapas que existem no estágio, a regência é o momento onde o estagiário de licenciatura vai preparar e dar uma aula ou sequência de aulas para as turmas que observou, essa será a etapa relatada neste trabalho. O principal objetivo deste trabalho é entender na perspectiva do estágio curricular supervisionado como os fatores externos e internos podem influenciar a regência, sua prática de ensino e o desenvolvimento das habilidades do estagiário. 2. DESENVOLVIMENTO. A etapa da regência ocorreu ao longo de quatro semanas, onde a primeira semana e a segunda tiveram apenas um dia de aula e as demais tiveram dois. Todo esse processo foi difícil mas ao mesmo tempo enriquecedor porque pude colocar alguns conhecimentos teóricos em prática e através dessa experiência pude evoluir como profissional. Figura 1 – Registro das regências Fonte: acervo da autora (2025). Durante a regência a primeira experiência não foi satisfatória, devido a ansiedade de ministrar uma aula para o ensino médio pela primeira vez, o andamento dessa aula foi difícil, fiquei muito nervosa e com o discurso muito corrido e confuso, além de não conseguir utilizar bem os recursos ao meu dispor. A ansiedade é uma reação natural e normal do ser em resposta a ameaças e perigos, mas muitas vezes ela pode ser incapacitante, é um sentimento que gera repercussões no cotidiano das pessoas, influenciando também o desempenho profissional (Moraes; Silva2015). Na primeira aula que ministrei estava com pensamentos pessimistas e insegura do conteúdo, isso afetou o meu planejamento. O planejamento é uma parte crucial do percurso da aula é mais do que um documento, pode ser entendido como a organização da prática docente (Andrade, 2008). O planejamento da regência de estágio deve ser para além de copiar a prática do supervisor deve ser um processo reflexivo que deve fazer parte do cotidiano, nesse momento o estagiário deve planejar a sequência dos conteúdos, os objetivos propostos, os recursos utilizados. Considerando a importância desse momento para o andamento da aula, a organização é um fator que influencia a prática do ensino (Santos; Freire, 2017) O nervosismo é uma sensação natural, especialmente para apresentar algo para um público mas ele pode crescer gradativamente, afetando a prática docente. Ao iniciar uma carreira temos essa sensação de ansiedade e na docência podemos ter inseguranças quanto ao conteúdo, ou na dinâmica da sala de aula, uma série de pensamentos que podem afetar a aula que será ministrada. Contudo após a experiência dessa aula tive uma devolutiva do professor, que percebeu o nervosismo que apresentei e sugeriu que eu não ministrasse as próximas aulas daquele dia e tentasse me recompor. Durante a conversa com o professor ele tocou em pontos como nervosismo mas também sobre a dificuldade que tive em usar os recursos ao meu dispor, que eram o quadro e o projetor, quando eu usei os dois sem muita necessidade e acabei atrapalhando a continuidade da aula. Dentro do campo de estágio a relação professor - supervisor e estagiário é algo importante a ser pontuado, o supervisor tem o papel de através do diálogo trabalhar as inseguranças a fim de que o estagiário possa construir sua identidade docente ( Maziero; Carvalho, 2012) Em seu feedback, o professor apresentou alguns erros que cometi e deu algumas sugestões para as próximas aulas. Pela experiência que tive percebi que se o professor não tivesse dialogado sobre a aula talvez eu ficasse com a sensação de que foi uma aula ruim mas sem saber exatamente o que poderia mudar. O supervisor tem um papel muito importante na formação inicial dos profissionais docentes, na condição de aprendiz o estagiário pode entender o supervisor como um tipo de modelo, não para ser copiado mas para que através dele possa moldar sua própria forma de ensinar é evidente a influência do supervisor na percepção do estagiário sobre a profissão. (Braga; Mar ques; Peres, 2015). Depois da primeira semana, quando ministrei a aula da outra semana percebi uma evolução mesmo que pequena nesse momento da regência. Já tive a primeira experiência no ensino médio então estava bem menos nervosa e mais familiarizada com a sensação de dar aula naquela posição. Entendi que estar mais familiarizada à escola e aos alunos me ajudou a ficar menos nervosa, o que facilitou o andamento da aula. Entendi também que ao passar mais tempo com os alunos havia a necessidade de me correlacionar mais com eles. Outro fator importante que influencia a prática é a criação de um repertório de conhecimentos profissionais, algo que acho que pode ter influenciado nas minhas primeiras aulas. Esse repertório se constrói através da prática da profissão, é normal que pela falta de experiência os licenciandos não tenham plena condição de lançar mão de estratégias diferentes das previstas inicialmente, o que pode ser necessário a depender do perfil de cada turma. Frente a isto, a estratégia pode não ser eficaz no despertar da atenção dos estudantes e no ensino e aprendizagem. As relações interpessoais são fatores que afetam a prática da docência percebendo a figura do estagiário na posição de docente também, a relação estagiário aluno também pode influenciar a dinâmica da aula. É importante que o ambiente de estágio e da escola seja saudável, no intuito de garantir o bem estar de todos, considerando que todos devam se sentir seguros e confortáveis no processo de ensino-aprendizagem (Lopes, 2011). O ambiente da escola era bem confortável e os professores que lá atuavam, eram muito educados e gentis, isso incluía o professor supervisor, mesmo assim ainda me sentia muito nervosa e ansiosa. Com o passar do tempo esse ambiente foi me acalmando e permitindo um crescimento. A partir de uma reflexão da experiência como um todo, elaborei uma linha do tempo que registra aspectos intrapessoais e interpessoais e ações realizadas no decorrer do estágio que influenciaram na minha formação profissional (Figura 2). Figura 2 – Linha do tempo com aspectos intrapessoais e interpessoais do estágio. Fonte: Elaborado pela autora (2025). 3. REFLEXÕES FINAIS O estágio curricular supervisionado foi uma etapa crucial para a minha formação enquanto discente em licenciatura em ciências biológicas, foi um momento onde eu coloquei em prática o que foi aprendido durante o curso e através desse momento o consegui desenvolver algumas habilidades necessárias da profissão docente, foi quando pude entrar em contato com a realidade da sala de aula, pela primeira vez no ensino médio. Essa experiência foi influenciada pelos fatores que permeiam a prática docente, como os relacionamentos entre aluno e professor e estagiário e supervisor, ou o ambiente onde ocorre esse estágio ou até mesmo os meus próprios sentimentos enquanto estagiária em relação a esse momento, todos esses são fatores que dependendo da situação impulsionam ou minam a experiência do estágio. A minha experiência na regência no ensino médio não foi um momento linear, tive meus altos e baixos. Pela falta de prática essa etapa foi primeiramente difícil, a ansiedade de ter uma nova experiência em um nível de ensino diferente influenciou negativamente a primeira aula. Contudo acredito que a devolutiva, o apoio e dicas do supervisor me ajudaram a melhorar a dinâmica da aula. Com o passar do tempo e o aumento da familiaridade com os alunos e demais profissionais, fui me sentindo mais confortável o que se refletia na hora da aula. No meio desse processo também cometi alguns erros, ao utilizar também recursos diferentes dos das outras aulas, como o quadro e precisei de mais orientação, mas isso também foi superado. No final a evolução nos momentos de regência foi clara, isso deve-se ao fato do ambiente ter sido confortável, aos apontamentos do professor que me ajudaram a melhorar o planejamento, a relação com os alunos que foi ficando mais confortável. Nenhuma experiência na docência é linear, apenas de evolução, todos os dias aprendemos coisas novas e experimentamos e a partir dos resultados implementamos as mesmas ou novas ações. Contudo todos esses fatores influenciam a prática docente seja de maneira positiva ou negativa, mas acredito que nessa experiência eles foram necessários para essa evolução. REFERÊNCIAS SCALABRIN, Izabel Cristina; MOLINARI, Adriana Maria Corder. A importância da prática do estágio supervisionado nas licenciaturas. Revista Unar, v. 7, n. 1, p. 1-12, 2013. BOUTIN, Gérald. A relação entre professor-aluno no centro do processo educativo. Currículo sem fronteiras, v. 17, n. 2, p. 343-358, 2017. MAZIERO, Andreza Rosa; CARVALHO, Dalmo Gomes. A contribuição do supervisor de estágio na formação dos estagiários/Internship Program Counseling to Form New Interns. Acta scientiae, v. 14, n. 1, p. 63-75, 2012. MORAES, Maria Camila Ferreira; SILVA, Niedja Pereira da. Saúde mental e as relações de trabalho: como a ansiedade influencia o comportamento humano no ambiente de trabalho. Interfaces de Saberes, v. 14, n. 1, p. 1-16, 2015. LOPES, Rita de Cássia Soares. A relação professor aluno e o processo ensino aprendizagem. Dia a Dia e Educação, v. 9, n. 1, p. 1-28, 2011. TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Editora Vozes Limitada, 2012. SANTOS, Eliane Aparecida; FREIRE, Leila Inês Follmann. Planejamento e aprendizagem docente durante o estágio curricular supervisionado. ACTIO: Docência em Ciências, v. 2, n. 1, p. 263-281, 2017. ANDRADE, Marcela Gaeta. Planejamento e Plano de Ensino de Química para o Ensino Médio: concepções e práticas de professores em formação contínua. 2008. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências) - Universidade de São Paulo. São Paulo, 2008. 276p. BRAGA, Cleisa Maria Coelho; MARQUES, Marlucia; DE CARVALHO PERES, Thalitta Fernandes. Professor Supervisor e Estagiário: uma relação motivadora. In: FIGUEIRA-BORGES, G.; JUNQUEIRA, P.; PERES, T. F. C. Novos Paradigmas de Ensino: adaptações curriculares e o direito ao saber, Goiânia: Ed. da PUC Goiás, 2015. p. 141.