Full text
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA Panorama das Bibliotecas Universitárias Públicas Estaduais Brasileiras
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA Campina Grande 2025
Depósito legal na Câmara Brasileira do Livro - CDL S586a Silva, Fernanda Mirelle de Almeida. Agir bibliotecário na ciência aberta [recurso eletrônico] : panorama das bibliotecas universitárias públicas estaduais brasileiras / Fernanda Mirelle de Almeida Silva ; prefácio de Ismaelly Batista dos Santos Silva. – Campina Grande : EDUEPB, 2025. 202 p. : il. color. ; 15 x 21 cm . Obra defendida como Tese de Doutorado junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI/UFPB). ISBN: 978-65-5221-163-7 (Impresso) ISBN: 978-65-5221-168-2 (11.468 KB - PDF) ISBN: 978-65-5221-167-5 (8.198 KB - Epub) 1. Bibliotecas Universitárias. 2. Ciência Aberta. 3. Atuação Profissional. 4. Prática Bibliotecária. 5. Ciência da Informação. I. Título. 21. ed. CDD 027.7 Ficha catalográfica elaborada por Taciany Kariny dos Santos Almeida – CRB-15/789
Ao amor da minha vida, minha filha, Anna Isabelle!
Mulher, maranhense de nascimento, paraibana de coração, mãe de Anna Isabelle, já passei por muitas coisas e já chorei de montão. Mas o título de doutora não foi dado, foi conquistado... como prêmio! Não para ser mostrado, mas para provar que não sou fraca não! Que sirva de exemplo e motivação para todas as mulheres que já passaram pela triste situação de serem desrespeitadas (mesmo sendo ousadas) por não se calarem diante da falta de admiração (e educação), daqueles que não conseguem trilhar seu próprio chão!
AGRADECIMENTOS Ao meu Deus e aos seus anjos guardadores e protetores, sempre presentes em todos os lugares e momentos, iluminando os desassossegos pelo atrevimento de sempre buscar e nunca permanecer inerte. Estes anjos – família e amigos – são responsáveis pelas alegrias, aprendizados e calmarias, mostrando, por vezes, o que realmente importa. Desafios se apresentam de todos os lados, mas, profissionalmente, como bibliotecária e pesquisadora da informação e da ciência, compreendo que precisamos ter compromisso e responsabilidade para construir uma sociedade mais informada, plural, empática, unida e inclusiva. Como disse Sócrates: “O segredo da mudança é não focar toda sua energia em lutar com o passado, mas em construir o novo.” À Universidade Estadual da Paraíba, em nome das magníficas Célia Regina e Ivonildes Fonseca, agradeço à EDUEPB, especialmente a Cidoval Morais de Sousa e Jéfferson Ricardo, pela atenção e competência que tornaram este sonho possível. Ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, em especial a Henry, Gracy, Izabel e Gisele, pelo apoio e força. À banca avaliadora, personalidades científicas que admiro – Marynice, Edivaldo, Nancy, Adriana, Eliane e Ivonildes – obrigada pela partilha e generosidade no direcionamento de
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 16 | É neste ponto imprescindível ao “fazer ciência” que o presente livro e sua autora atuam de modo assertivo, discutindo o agir do profissional Bibliotecário na conjuntura da Ciência Aberta, tema instigante ao amplo debate acadêmico e atuação profissional, sobretudo ao pensarmos a área de Biblioteconomia e de modo aplicado no papel das Bibliotecas em Universitárias Públicas no Brasil. De modo singular, faz-se um destaque especial a uma das várias facetas apresentadas na obra como, por exemplo, a brilhante triangulação entre Ciência Aberta, Bibliotecas e Bibliotecários no recorte das Universidades Estaduais Brasileiras. Tal tópico transcende o diálogo fundamental da investigação nas áreas de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação, tornando-se um material estratégico e essencial à compreensão de recursos científicos e informacionais a quem se propõe a atuar no contexto de cientificidade e preze pela ampliação e melhoria dos canais de curadoria e acesso a dados científicos. Universidades Públicas Brasileiras consomem e promovem informações científicas de modo singular, pois são impulsionadas pelo ensino, pesquisa e extensão. Contexto ao qual as Bibliotecas Universitárias também atuam como manifesto pela ciência pública, equitativa e de qualidade. A autora gabarita em seu texto, fruto de uma pesquisa muito bem instrumentalizada e presenteia as pessoas leitoras com um panorama crítico e revelador sobre ausências e oportunidades envolvendo a Ciência Aberta e Bibliotecas em Universidades Estaduais Brasileiras. Na obra, em seu capítulo introdutório, a autora estabelece de forma clara e contextual o tema de Ciência Aberta em diálogo lúcido com autorias de fontes seminais, fixando elementos
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 17 | basilares a compreensão de sua abordagem internacional e nacional, ainda com propriedade é possível enxergar tanto a pesquisa quanto a pesquisadora sob o delineamento das escolhas epistemológicas, estruturação estratégica e influências de atuação profissional que transpassaram a investigação. Em outras palavras, contamos com uma práxis investigativa desvelada logo nas páginas iniciais. A leitura certamente seguirá fluída e esclarecedora no segundo capítulo. Dedicado aos processos metodológicos mediante o método “quadripolar”, amplamente descrito e ilustrado pela autora a partir dos polos: epistemológico, teórico, técnico e morfológico. No presente capítulo a pessoa leitora também irá se deparar com esquemas visuais autorais que amparam a apresentação discursiva sobre o agir do profissional Bibliotecário em Ciência Aberta ante cada um dos polos no método “quadripolar”. Em seu terceiro capítulo a obra promove de modo categórico a articulação de aspectos fundamentais em Ciência Aberta, o contexto de Bibliotecas e o profissional Bibliotecário. Panorama que ilustra com lucidez o papel da Biblioteconomia (ciência e ofício) na articulação de ferramentas e recursos operacionais em Ciência Aberta como parte de um processo transformador e oportuno no campo de pesquisa-ação. O quarto e penúltimo capítulo é dedicado a um panorama exaustivo e completo sobre Bibliotecas Universitárias Públicas Estaduais, em que é situado um mapeamento criterioso a nível nacional acerca de dispositivos aliados a Ciência Aberta, em que os dados coletados foram sistematizados em ilustrações gráficas que exploram desde a segmentação cartográfica por
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 18 | regiões, elementos especificados para coleta de dados (perfis profissionais e institucionais, visibilidade e competências em Ciência Aberta), discutidos e observados em confluência da análise científica com o método investigativo e a teoria que os subsidia. Uma contribuição que merece a atenção da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, e, para além disso é um conhecimento estratégico a diferentes setores políticos e sociais no país. Fechando a obra, em seu capítulo de considerações finais, a autora retoma aspectos centrais de sua estratégia de pesquisa e promove de maneira sagaz a escalada de expectativas iniciais, a própria teoria e o confronto ao cenário posto ao fim de todo processo de investigação que vai da apropriação da Ciência Aberta ao próprio agir por parte de profissionais Bibliotecários e Instituições. O panorama de saberes mediados nesta obra é um tratado à ciência e de modo revelador se torna um convite aos gestores públicos e pesquisadores brasileiros a imergir em uma abordagem consolidada, e, aqui, ganha uma nova perspectiva: a biblioteca como organismo vivo de fomento social e edificação da ciência (aberta). Em que o “hábitos” do profissional Bibliotecário o torna protagonista durante todo ciclo da investigação científica, principalmente como mediador de fontes e tecnologias aplicadas à pesquisa. Esta obra científica, sem sombra de dúvidas, não apenas se coloca como contribuição de alto valor científico, acaba por suprir uma lacuna de conhecimento a profissionais e estudantes da Biblioteconomia brasileira. A pesquisadora e bibliotecária ao reunir seus dados de pesquisa neste produto singular, oferece
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 19 | aos seus leitores um material entre teorias e práticas com amplo potencial de subjetivação em instituições de pesquisa e centros de documentação. Campina Grande, PB, 09 de setembro de 2025. Profa Dra Ismaelly Batista dos Santos Silva Universidade Estadual da Paraíba
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 21 | CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO A ciência origina, dinamiza e transforma cenários, impulsiona a humanidade em diversos e inúmeros aspectos, contribui com o surgimento de novos ambientes que exigem readequações no fazer e no agir. Em tempos de mudanças - causados por necessidades, incertezas, senso crítico -, a busca por conhecimento contribui com a evolução humana ao instigar questionamentos, buscas por respostas e compreensões da realidade a partir de estudos, observações e experimentos, com uso de métodos e técnicas. Em escala global, inéditas perspectivas ocorrem no âmbito científico, modificando e oportunizando práticas ao pesquisador e à ciência, atingem diversas esferas da sociedade, ao desenvolver, disponibilizar e inovar produtos, serviços e atuações. Uma nova ordem informacional-tecnológica se instaura, novas práticas e metodologias revelam conceitos voltados para abertura e acesso aos dados científicos, ao processo de produção e criação do conhecimento, que perpassam desde a formulação do projeto, metodologia, avaliação até sua comunicação entre os pares e a sociedade. Inúmeras vantagens são visualizadas com o panorama que se descortina: maior proficuidade da pesquisa, promoção de amplo
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 22 | rigor, qualidade de investigação, inovação, promovendo expressivo impacto não apenas em âmbito científico, mas econômico e produtivo, atingindo a sociedade - muitas vezes financiadora principal das pesquisas -, que participa e se insere no processo investigativo ao contribuir, receber e usufruir das ações decorridas dessa mudança de paradigma. Anglada e Abadal (2018, p. 239) afirmam que a mudança de paradigma no fazer científico transforma a prática, na forma de executar, de operacionalizar: “Ésta no cambia sustancialmente con respecto a sus motivaciones y objetivos, pero sí lo hace (sustancialmente) en cuanto a sus métodos. El cambio no está en lo que se hace, sino en cómo se hace1”. Os autores abordam a Ciência Aberta a partir da concepção de nova forma científica: acessível, colaborativa com e para a sociedade. Inovar na pesquisa acelera o desenvolvimento econômico e social e, consequentemente, oportuniza, cria e/ou aperfeiçoa cenários e práticas mais competitivas, beneficiando empresas e nações. Descortina-se, então, espaços e formas de atuação redesenhados ou reconstruídos com os direcionamentos originados com a abertura acessível e conjunta da ciência. Desses estímulos no plano científico em favor de colaborações entre pesquisadores e grupos de pesquisa, a abertura, compartilhamento e acesso livre a dados permitem maior celeridade no alcance de resultados e ocasionam avanços, consolidando a evolução da ciência. Este patamar científico 1 “Não muda substancialmente com respeito às suas motivações e objetivos, mas muda (substancialmente) em termos de seus métodos. A mudança não está no que é feito, mas em como é feito”.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 23 | se desenvolve em diversas vertentes de atuação, Silva, Garcia e Araújo (2019) apontam oito pilares que promovem ações e atuações de livre abertura ao acesso a informações científicas (open access), ao uso de dados, sem restrições de direitos autorais ou patentes (open data), ao manuseio de códigos fontes computacionais (open source), a exposição da pesquisa, parte dela, bem como metodologia empregada (open research), a divulgação dos nomes dos revisores e das revisões resultantes da avaliação científica (open peer review), a disponibilização do registro primário do projeto de pesquisa (open notebook science), a liberação de recursos educacionais para ensino e aprendizagem (open educational resources) e, ainda, a coleta e uso de dados produzidos por cidadãos pela ciência cidadã (citizen science), propiciando ampla visibilidade e contribuição à ciência, com e para sociedade. Guiadas pelos contextos dinâmicos da abertura científica, ações são implementadas, gerando produtos, tecnologias, espaços de atuação, estabelecendo uma realidade (aos que fazem ciência ou não) de grandes proporções, em que não se questiona sobre qual setor ou área do conhecimento É influenciado pela Ciência Aberta, mas qual setor ou área do conhecimento que NÃO É influenciado. Organizações e indivíduos, o fazer ciência e o fazer profissional, são impactados, em pequena ou ampla escala. Atenta-se que a ciência brasileira se estabelece por financiamento público e a produção científica do Brasil se origina, principalmente, nas universidades públicas, que assume o papel de formar pesquisadores e fomentar pesquisas, em relevante missão na construção e desenvolvimento científico como base científica-tecnológica do país.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 24 | No perfil de análise da ciência brasileira, em 2021, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE2) publica mapeamento que apresenta estudos de pesquisadores para atuar frente à pandemia causada pelo coronavírus e Covid-19, bem como, o envolvimento da produção brasileira na ciência mundial. Desse mapeamento, tendências mais gerais são identificadas na ciência brasileira, com destaque ao agrupamento Educação, Saúde Pública e Biodiversidade (Brasil Jr, Carvalho, 2021) e, a partir daí, observações são apresentadas: 1) As filiações institucionais dos autores dos artigos científicos analisados são originárias de universidades públicas brasileiras: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); 2) As principais revistas científicas, do segmento estudado, com maior número de publicações: Revista IberoAmericana de Estudos em Educação (Unesp) em primeiro lugar, seguido da Revista Humanidades & Inovação (Unitins), Revista Práxis Educacional (UESB), Revista Holos (IFRN) e Revista On Line de Política e Gestão Educacional (UNESP). 2 A CGEE é uma organização social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) que tem como missão subsidiar processos de tomada de decisão em temas relacionados à ciência, tecnologia e inovação, por meio de estudos em prospecção e avaliação estratégica baseados em ampla articulação com especialistas e instituições do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovações (SNCTI).
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 25 | A Clarivate Analytics3 (2019, 2020) publica relatórios sobre a Pesquisa Científica no Brasil direcionado à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Os diagnósticos fornecem dados sobre a performance, desempenho, tendências e pontos relevantes da ciência brasileira, em um panorama global amplo e de alto nível. Da análise publicada em 2017, ressaltam-se informações, julgadas importantes: Produtividade - o Brasil apresenta-se como o 13º país em quantidade de publicação, com crescimento nos últimos seis anos de artigos, resultantes de pesquisas realizadas nas universidades públicas, indicando aumento produtivo no setor acadêmico; Impacto – historicamente abaixo da média mundial, apresenta ampliação de 15% no impacto das citações no período avaliado no parecer. Destaca-se que tais citações são qualificadas como “muito bem citadas” na análise do percentual de títulos brasileiros no topo do mundo e dos artigos mais altamente citados, apresentando bons índices mundialmente. As informações se harmonizam e são impulsionadas pelo crescente número de revistas brasileiras incluídas na base de dados Web of Science 4 , 3 Clarivate Analytics é uma empresa especializada em serviços de análises informacionais que incluem pesquisa científica e acadêmica, análises de patentes, padrões regulatórios, proteção de marcas comerciais, inteligência farmacêutica e de biotecnologia, proteção de marcas de domínio e gerenciamento de propriedade intelectual. Os serviços incluem Web of Science, Cortellis, Derwent Innovation, Derwent World Patents Index, CompuMark, MarkMonitor, Techstreet, Publons, EndNote, Kopernio e ScholarOne. 4 Web of Science é uma base dados que fornece acesso, por assinatura, para um conjunto de bases de dados também conhecidas como Science Citation Indexes (Science Citation Index, Social Science Citation Index, Arts
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 32 | 2. Tópicos Especiais, lecionada pelo Prof. Dr. Guilherme Ataíde, com foco em metadados, e-Science, gestão de dados de pesquisa, competências de bibliotecários para atuação; 3. Comunicação Científica, ministrada pela Profa. Dra. Marynice Autran, que aborda a evolução da comunicação científica, dados abertos e acesso aberto, colégios invisíveis, práticas informacionais, ciência cidadã, envoltos pelos cenários propiciados pela Ciência Aberta. As disciplinas foram pontos decisivos que trouxeram reflexões ao fazer laboral, importância da formação continuada para atuar no mercado de trabalho e, especialmente, o papel do bibliotecário no fazer ciência. Evidencio ainda que a escolha pelo universo de estudo se centrar nas universidades públicas estaduais brasileiras se dá pelo meu campo de atuação profissional e, também, pelas universidades federais brasileiras serem objeto de pesquisa da tese de Nivaldo Calixto Ribeiro, do Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento (PPG-GOC) da Escola de Ciência da Informação (ECI) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que trata de ações e estratégias de desenvolvimento do conhecimento científico aberto em universidades federais brasileiras (Ribeiro, 2022). Este estudo divide-se em cinco partes - introdução, metodologia, parte teórica, pesquisa de campo e discussão dos capítulos teóricos com os dados obtidos, para, em seguida, finalizar com as considerações gerais, conforme apresentado no desenho das seções:
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 33 | 1. Seção introdutória, com apresentação da problemática, justificativa, questões que originam e norteiam a investigação, objetivos formulados alcançados com a pesquisa teórica e de campo, bem como a estrutura dos capítulos do livro; 2. Parte metodológica “Delineamento metodológico através do método quadripolar” que apresenta a estrutura e procedimentos do método, que propicia uma visualização mais profunda das fases da investigação a partir dos polos (epistemológico, teórico, técnico e morfológico); Intitulada “Aberturas no fazer ciência e no fazer profissional”, a seção teórica versa duas questões convergentes: 1) sobre a Ciência Aberta, identificando conceitos, identificando, por um percurso científico-literário, relações profissionais da abertura científica com bibliotecas e bibliotecários, para explorar o papel e as ações das BUs; 2) Na visão do fazer profissional, o agir bibliotecário, conceito estruturado a partir de Arendt (2011) e Gomes (2017) e da competência crítica de Bezerra (2019), que possa envolver o estabelecimento e necessidade de assumir uma atuação mais crítica, estratégica e protagonista do bibliotecários para atender contextos diferenciados que, por hora, representados pelos produtos e ambientes originados da Ciência Aberta; Em “Bibliotecas universitárias públicas estaduais (BUPEs) brasileiras”, apresenta a conjuntura situacional das bibliotecas: 1) perfil de atuação virtual; 2) perfil de atuação institucional, identificando relação de setores com as ações universitárias; 3) formação complementar e/ou continuada do bibliotecário; 4) agir profissional na Ciência Aberta; como também analisa os
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 34 | resultados em pontos: 1) visibilidade da atuação do bibliotecário no desenvolvimento científico ação bibliotecária; 2) apoio institucional à prática bibliotecária; 3) competências para atuar, em linhas de surgimento de contextos, como a Ciência Aberta; 3. Por fim, nas “Considerações Finais”, são evidenciadas as nuances da investigação realizada, com maior atenção às expectativas iniciais da pesquisa em confronto com a realidade encontrada.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 35 | CAPÍTULO 2 DELINEAMENTO METODOLÓGICO PELO MÉTODO QUADRIPOLAR Inicialmente, torna-se relevante a concepção do fazer científico como um ambiente que envolve o rigor em diversos aspectos e processos metodológicos diante da necessidade de comprovar pressuposições levantadas sob a problematização, resultando em informações que permitam a criação e/ou ampliação de conhecimento. Dentre as ações envolvidas, é primordial uma profícua intimidade com o objeto de estudo e os objetivos que se espera alcançar, pois propiciam a escolha do método científico adequado, construção de escopo teórico articulado e a utilização de aplicações técnicas pertinentes, incorporando, assim, a cientificidade inerente. O conhecimento científico resulta de investigação metódica e sistemática da realidade, transcende os fatos e os fenômenos em si mesmos, analisa-os para descobrir suas causas e concluir sobre leis gerais que regem e é delimitado pela necessidade de comprovação concreta. [...] surge aplicações de métodos, faz análises, classificações e comparações. [...] O ser humano, fazendo uso de seu intelecto, deve desenvolver forma sistemática, metódica, analítica e crítica da missão de inventar e comprovar as novas explicações
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 36 | e descobertas científicas (Martins; Theóphilo, 2018, p. 1). O plano investigativo permite “maior gama possível de procedimentos epistemológicos, teóricos, morfológicos e técnicos, para colocá-lo à disposição dos pesquisadores [...] em uma ambição por uma metodologia geral” (Bruyne; Herman; Schoutheete, 1991, p. 28). Portanto, o método quadripolar delineia a pesquisa em um singular vigor científico ao precisar a prática científica a partir da interligação dos polos, epistemológico, teórico, morfológico e técnico. Para Martins e Theóphilo (2018, p. 4), esta metodologia consiste em uma [...] noção mais flexível dos elementos que influenciam a prática científica. Uma peculiaridade do modelo é a noção topológica e não cronológica da pesquisa. Os polos são concebidos como aspectos particulares do processo de produção de conhecimentos, e não como momentos separados da pesquisa. O espaço científico é, assim, considerado como um campo dinâmico, sujeito à articulação de diferentes polos ou instâncias. Apoiando-se na afirmativa de Bruyne, Herman e Schoutheete (1991, p. 29-30) em que “os princípios na pesquisa científica não devem derivar fora da prática metodológica, sendo ela própria concebida em sentido amplo como reflexão crítica entre as dimensões concretas da pesquisa”, cada polo corresponde aos distintos estágios da pesquisa que, definidos e sintonizados, viabilizam um (re)pensar flexível, criativo, dinâmico e evolutivo sobre e durante o processo do conhecimento. As diretrizes metodológicas, em seus diferentes espaços, proporcionam à pesquisa, fluxos, diálogos e práticas, em um engajamento sincrônico, como também distinguem particularida-
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 37 | des que cada momento do estudo possui, em uma visualização profunda das etapas da pesquisa. A Figura 1 apresenta essas singularidades, ao demonstrar o caminhar do estudo, que se inicia com as questões e concepções iniciais, seguido do alicerce teórico, as técnicas utilizadas para obtenção e tratamento dos dados e as aplicações dos resultados alcançados, pós pesquisa. Figura 1 - Polos do método quadripolar Fonte: Bruyne, Herman e Schoutheete (1991) Assim sendo, um breve esboço sobre a metodologia quadripolar faz-se necessário para, em seguida, serem apresentadas as nuances da pesquisa pela aplicação de tais diretrizes: a. Polo epistemológico – é o momento inicial basilar ao processo investigativo. Insere-se uma necessária vigilância reflexiva à construção da prática científica relacionada com a formulação dos questionamentos iniciais e fundamentais à pesquisa. Envolve o objeto e problemática, a definição do método científico e regras para construção dos fatos para compreensão e legitimação do estudo. Favorece maior familiaridade com o esboço científico
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 38 | que será desenvolvido, bem como o encaminhamento crítico que envolve a elaboração dos outros polos; b. Polo teórico - consiste no alicerce literário na construção de conceitos e ideias, em uma fecunda teorização do processo investigativo sintonizado desde o início - plano da descoberta. Cabe ao pesquisador alinhar seu posicionamento ao vigor literário para conduzir e embasar o estudo, apoiando-se na literatura a discussão, a interpretação e a explicação dos fatos aos estágios da pesquisa; c. Polo técnico - envolve estratégias de pesquisa, critérios e técnicas de coleta, tratamento e seleção de dados, contribuindo para condução sistemática da pesquisa e garantindo sua cientificidade. Discorre das tomadas de decisão dos polos anteriores (epistemológico e teórico), que alinham o processo investigativo e conduzem, tecnicamente, a investigação do objeto e o alcance dos objetivos, pela escolha de procedimentos metodológicos mais apropriados; d. Polo morfológico - objetiva a organização, estruturação, elaboração, representação e exposição dos fatos decorridos durante a trajetória científica. Relaciona-se à construção de modelos, sistematização e apresentação dos dados finais, estruturando a aplicação dos resultados da pesquisa em harmonia com os objetivos delimitados inicialmente. O delineamento quadripolar possibilita visibilidade científica ao estudo indagativo pelo exercício reflexivo proveniente de cada
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 39 | orientação que conecta as etapas da investigação. Enquadramento mais firme e seguro se obtém, ao tempo que propicia flexibilidade benéfica ao processo de construção do conhecimento. Amparado por essas diretrizes, este estudo recebe um olhar mais aguçado das suas particularidades, que se converge em um empreendimento metodológico ao apresentar cada uma das suas fases, especificadas até o presente momento. 2.1 POLO EPISTEMOLÓGICO A pesquisa representa o espaço possível para criação de conhecimento, provocada por questões, delimitada por objetivos e com determinados ordenamentos em uma construção sistemática em que se pretende conhecer, compreender, contribuir e/ou interagir na interpretação de fenômenos. “Somente com esta condição a integralidade das exigências metodológicas será respeitada e a integralidade dos pesquisadores protegida das determinações e coerções exteriores à prática científica” (Bruyne; Herman; Schoutheete, 1991, p. 28). Com anseios de contribuição profissional e, consequentemente, científica, há o discernimento que a prática necessita do alicerce da teoria para evoluir em afirmações e/ou reafirmações dadas ao ato do fazer. Diversas competências são necessárias e desenvolvidas para formação do indivíduo, conferindo autoridade a quem as possui. O contexto transformador, favorecido pela Ciência Aberta, move, influencia, provoca e modifica a forma de fazer ciência nas universidades estaduais brasileiras. Tal panorama científico, dinâmico e em ascensão, exige atuação profissional proativa,
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 40 | originando a problemática desta investigação, ao se ponde - rar sobre ações profissionais que promovam e impulsionem o desenvolvimento científico-tecnológico do Brasil. Refletir o comportamento de atores em suas profissões enquanto agentes mediadores da informação, científica e tecnológica, basicamente se liga à essência da dimensão informacional que envolve estudos da Ciência da Informação. A informação imerge e emerge nas formas de vida, estabelece relações e estruturas sociais, induz, conduz e produz práticas, instiga ocupação de espaços e manuseio de recursos tecnológicos específicos. Figura 2 – Polo epistemológico da pesquisa Fonte: Dados da pesquisa (2020) A vigilância epistemológica, pertinente ao primeiro polo, expõe os pontos geradores do estudo ao demonstrar a questão
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 41 | que abre o caminho da pesquisa, o objeto de estudo em que se orbita, o objetivo geral que a direciona e o método científico que a investiga. Para se validar a compreensão, conclusões se originam da ciência que, a partir de evidências causais, interpreta o comportamento humano ante uma situação. Amparo que condiciona o caminhar científico, o método refere-se ao “conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos para se chegar ao conhecimento” (Gil, 2012, p. 8), ou seja, o raciocínio que circunda toda a pesquisa e sua finalidade de resolução da problemática exposta. 2.2 POLO TEÓRICO O aporte teórico circunda todo o caminhar científico, sintoniza com a literatura e desvenda a realidade ao embasar a problematização da pesquisa. Guia e sustento para o pesquisador na busca por respostas, formula arcabouço literário que contribui na consolidação da cientificidade concernente, dando-lhe a devida validade. A teoria é uma orientação à prática investigativa que se descortina, ao tempo que transcende o senso comum e contribui para construção de conceitos e ordenamentos científicos. O objetivo da teoria é o da reconstrução conceitual das estruturas objetivas dos fenômenos, a fim de compreendê-los e explicá-los. Dentro do contexto da pesquisa, as teorias orientam a busca dos fatos, estabelecem critérios para a observação (Martins; Theóphilo, 2018, p. 25). Atenta-se que a pesquisa se entrelaça e se alicerça com a assertiva de Bruyne, Herman e Schoutheete (1991, p. 102) quando
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 48 | universidade (ensino, pesquisa e extensão) e identificar a práxis profissional para compreender o agir bibliotecário, perante a Ciência Aberta. Dos 26 estados brasileiros foram elencadas as academias, totalizando 39 universidades estaduais públicas brasileiras iniciando a busca pelos ambientes institucionais virtuais. Fundamental atentar que: 1) as instituições virtuais, que inexistem fisicamente não constituem elemento deste estudo; 2) a compreensão conceitual de site se estabelece como espaço virtual para disponibilização de informações, produtos e serviços da e sobre a biblioteca, dentro do domínio da universidade. O questionário, elaborado como formulário google, divide- -se em 5 seções: 1) Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE); 2) Dados institucionais; 3) Comunicações, sistemas, serviços e produtos das bibliotecas públicas estaduais brasileiras; 4) Atuação institucional das bibliotecas, ações de suporte informacional e práxis bibliotecária; 5) O agir bibliotecário perante produtos oriundos dos ambientes da Ciência Aberta. Embora a Ciência Aberta esteja em fase embrionária em muitos estudos, a pandemia vivenciada pelo Covid-19, influenciou e acelerou planos científicos colaborativos em todo o mundo. A necessária visibilidade no fazer ciência impulsiona a comunicação, produção e avaliação em formas e práticas abertas em moldes inéditos, demonstrando um avanço no conhecimento que beneficia democraticamente todos os níveis e estruturas sociais.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 49 | 2.4 POLO MORFOLÓGICO O polo morfológico pronuncia o discurso e coordena os resultados da pesquisa, articulando e estruturando-os em modelos e teorias. Possibilita a “organização dos fenômenos, os modos de articulação da expressão teórica objetivada da problemática da pesquisa. [...] é o quadro operatório, prático, da representação, da elaboração, da estruturação dos objetos científicos” (Bruyne; Herman; Schoutheete, 1991, p. 159). É a instância que enuncia as regras de estruturação, de formação do objeto científico, impõe-lhe uma certa figura, uma certa ordem entre seus elementos. Permite colocar um espaço de causação em rede onde se constroem os objetos científicos, seja como modelos/cópias, seja como simulacros de problemáticas reais. Assim como os outros polos circundam os ciclos da pesquisa, o morfológico promove o pensar sobre a formulação, execução e fins do estudo em vigor. Para os autores, o polo possui quatro pontos de análise (tipologias, tipos ideais, sistemas e estruturas-modelos) que realizam funções metodológicas e apresenta sua missão em três características fundamentais, complementares e indissociáveis na economia geral da investigação: exposição, causação e objetivação. O polo morfológico suscita diversas modalidades de quadros de análise, diversos métodos de ordenação dos elementos constitutivos dos objetos científicos: a tipologia, o tipo ideal, o sistema, os modelos estruturais. Essas diversas
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 50 | formas de configuração na maioria dos casos, engajam a pesquisa em escolhas mutuamente exclusivas. A causalidade é pensada de maneira particular em cada um desses quadros de análise. A diretriz pertinente da morfologia representa o momento em que “os resultados são formalizados e representam o objeto científico estudado e explica todo o processo de pesquisa e análise científica ao redor do estudo” (Oliveira, 2019, p. 15). Da construção conduzida pelo polo, a Figura 6 expõe a sistematização dos dados esperados e resultados almejados, em uma visualização decorrente da pesquisa. Fi gura 6 – Polo morfológico da pesquisa Fonte: Dados da pesquisa (2020)
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 51 | Os resultados da pesquisa respondem aos objetivos traçados, como também condiciona um olhar sobre as contribuições provenientes da pesquisa. Em consonância com as metas determinadas, faz-se a sistematização dos dados para identificar que competências bibliotecárias são necessárias para atuação nos ambientes envolvidos pela abertura da ciência, bem como a identificação de competências devem ser adquiridas para agir com proatividade, responsabilidade e presteza de forma que promova o desenvolvimento científico brasileiro. Quanto às contribuições dos resultados: Divulgação das competências exigidas dos bibliotecários para atuar na Ciência Aberta – ao contribuir com o profissional e a ciência ao habilitar atuações em cenário científico emergente, além de projetar competências específicas que aperfeiçoam o agir bibliotecário; Motivação para que a biblioteca universitária cumpra com sua missão junto à comunidade a que se vincula – ao desenvolver e/ou fornecer produtos e serviços que visam efetivo e amplo suporte informacional ao ensino, pesquisa e extensão; Apoio institucional à prática bibliotecária – ao viabilizar participações mais ativas em espaços que objetivam discutir e planejar ações para o desenvolvimento educacional-científico da universidade; Criação de políticas informacionais públicas que envolvam a ação bibliotecária - ao resultar a criação/aperfeiçoamento de instrumentos democráticos de acesso à informação e ao conhecimento que motivam relevante aprimoramento educacional no espaço público, para beneficiar trabalhadores e a coletividade que atende e que também usufrui do exercício profissional;
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 52 | Visibilidade à atuação bibliotecária para o desenvolvimento científico brasileiro - ao promover ações laborais que fomentem interações da Ciência Aberta com ações pela e na universidade.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 53 | CAPÍTULO 3 CIÊNCIA ABERTA, BIBLIOTECAS E BIBLIOTECÁRIOS Vivencia-se mudanças no fazer e no agir, resultantes de avanços tecnológicos, em contínuo aperfeiçoamento, em sintonia com (ou a partir de) avanços do campo científico. Infinidades de informações e recursos surgem e se tornam parte do cotidiano com rapidez, exigindo aceitação, expertise, modificando e inserindo atitudes e comportamentos para viver e conviver, impulsionados por um imediatismo vigente na sociedade. Por meio dos seus métodos e instrumentos, a ciência nos permite analisar o mundo ao redor e ver além do que os olhos podem enxergar. O empreendimento científico e tecnológico do ser humano ao longo de sua história é, sem dúvida alguma, o principal responsável por tudo que a humanidade construiu até aqui. Suas realizações estão presentes desde o domínio do fogo até às imensas potencialidades derivadas da moderna ciência da informação, passando pela domesticação dos animais, pelo surgimento da agricultura e indústria modernas e, é claro, pela espetacular melhora da qualidade de vida de toda a humanidade no último século (IPEIA, 2023, online). Dessa perspectiva, afirma-se que as tecnologias estruturam espaços de atuação, impactam ambientes científicos,
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 54 | profissionais, sociais, econômicos, permitem que indivíduos dinamizem a forma de se comunicar, oportunizam criação de sistemas, plataformas, ferramentas e recursos, quebrando inúmeras barreiras e abrindo caminhos para imensuráveis direções. E, alinhadas com o campo científico, impulsionam mudanças de paradigmas, provocam surgimento de sociedades (em rede, da informação, do conhecimento) e maiores perícias aos processos e etapas da investigação, ampliando a atuação da ciência em larga escala. A evolução das tecnologias de informação, comunicação e tecnologias digitais da informação (TICs/TDICs) constituíram grandes mudanças no fazer científico, dando amplas e inovadoras possibilidades no desenvolvimento, procedimentos, produção e divulgação da Ciência, propiciando o surgimento de termos como Big Science, Big Data e Open Access que representam a atual era científica (Silva; Ramalho, Garcia, 2019, p. 3). A quantidade de informações produzidas dispara, desde dados de pesquisa coletados até a literatura resultante de pesquisas. A comunidade científica produz exponencialmente e espaços de interação e comunicação se proliferam, provocando significativas dificuldades de uso e comunicação, como restrições geográficas, linguísticas, restritivas a determinados grupos ou área, exigências de recursos financeiros, entre outras. No entanto, observa-se que os recursos disponíveis instigam o indivíduo a atuar como sujeito informacional proativo, com capacidade de produzir conteúdo, inferindo maiores possibilidades de ação. As consolidações das declarações de Acesso Aberto de Budapeste, Bethesda e Berlim (3Bs), retratadas em diversos
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 55 | estudos (Autran, 2014; Andrade; Muriel-Torrado, 2017, Ribeiro, 2022), registram manifestações e estratégias de incentivo para acesso e uso aberto às produções científicas que, respeitando os direitos autorais, promove ações e delineia novos caminhos em prol da ciência. O movimento de Acesso Aberto ou Open Access (OA) é definido como um movimento que está ligado à disponibilização aberta da informação, sem restrição de acesso, seja via meio eletrônico ou pela concessão de cópias impressas para qualquer finalidade. Trata-se da liberação da divulgação de resultados científicos em espaços abertos, em contraposição com o modelo restrito de comunicação científica, representado entre outros, pelas grandes bases de dados que impõem um pagamento para acessar às obras (Andrade; Muriel-Torrado, 2017, p. 2). O acesso aberto a dados e informações científicas originam um desafiador patamar científico que atualmente se estabelece: Ciência Aberta. García-Peñalvo, Figuerola e Merlo (2010) exploram os desafios e fatos do conhecimento aberto, com foco no ensino superior, revisando o conceito e a extensão do movimento. O conhecimento aberto é uma abordagem que, embora tenha controversa, cresce incessantemente à medida em que a divulgação cultural e científica predomina ante quaisquer outros interesses ou modelos econômicos. O estudo indica que organizações internacionais e governos estão gradualmente adotando a abertura do conhecimento para compartilhar avanços científicos com a sociedade e como medida de cooperação internacional para favorecer o desenvolvimento em países do terceiro mundo.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 56 | Envolve, para tanto, o software livre, conteúdos educacionais abertos, pesquisa aberta e inovação aberta. It is possible to state that open access to scientific production is multiplying the volume of available documentation and is reducing the temporal and economic obstacles to access scientific articles and other research results. When research is publicly funded, its results should also be public, which is why initiatives leading to open the access to scientific production are becoming very important5 (García-Peñalvo; Figuerola; Merlo, 2010, p. 532). Giglia (2015) aponta o acesso aberto aos dados de pesquisa como motivador para Ciência Aberta, explicitando ainda dois pontos de vista: técnico e político. Tecnicamente, torna-se primordial que a gestão de dados envolva profissionais para atuar com metadados e conservação, e na área administrativa, com aspectos legais e financeiros. Do ponto de vista político, organismos de fomento à investigação e comissões científicas de revistas, desempenham papel decisivo ao solicitar publicação de artigos científicos e, também, publicação dos dados de pesquisa (Giglia, 2015, p. 226-227). 5 “É possível afirmar que o acesso aberto à produção científica está multiplicando o volume de documentação disponível e reduzindo os obstáculos temporais e econômicos ao acesso a artigos científicos e outros resultados de pesquisas. Quando a pesquisa é financiada com recursos públicos, seus resultados também devem ser públicos, por isso iniciativas que levem à abertura de acesso à produção científica se tornam muito importantes”.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 57 | 3.1 CONCEPÇÕES DA CIÊNCIA ABERTA Observa-se dificuldades relacionadas aos impactos da transição da pesquisa mais tradicional para um fazer científico mais aberto: benefícios e dificuldades quanto aos custos, infraestrutura tecnológica, políticas nacionais, institucionais e/ ou informacionais, fluxos das investigações e comportamentos de pesquisadores e atuações de países. As transformações estruturais no ambiente acadêmico e científico são exigidas, reconfigurando a comunicação e o compartilhamento de dados, constituído por inéditas plataformas e infraestruturas de publicação. Aspectos operacionais e tecnológicos modificam as práticas em que novas competências são necessárias para interagir no cenário desafiador oportunizado por uma ciência mais acessível e colaborativa. Especificamente, evidencia-se sobre condutas de países perante a abertura da ciência, em linhas de formulação de políticas, desenvolvimento, gerenciamento e compartilhamento de dados oriundos de pesquisas e comportamento de pesquisadores com as mudanças no fazer científico. Para Costa (2019, p. 3), políticas de Ciência Aberta são “documentos normativos de países, instituições de pesquisa e agências de fomento que promovem as práticas da Ciência Aberta”, envolvendo ações, infraestruturas e diretrizes em qualquer ponto da investigação. Foster (2020) apresenta a necessidade de conhecer as políticas existentes antes de propô-las à Ciência Aberta, evitando sobreposições ou contradições que interfiram na adoção e/ou práticas no fazer científico aberto. Políticas institucionais que envolvem a formação do pesquisador - direitos do autor, proprie-
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 64 | also cultural and attitudinal and require a clear effort to engage and develop the necessary skills and knowledge involved in this Open Science environment11 (FOSTER, 2023). Na literatura, oportunidades de colaborações das bibliotecas são apontadas. Dallmeier-Tiessen e Mele (2014) apresentam integração, em ampla escala, de dados científicos em plataformas digitais; compartilhamento de dados; promoção da Ciência Aberta na comunidade; colaboração junto a pesquisadores para projetar novos serviços, além de integração técnica de dados em repositório para permitir que dados abertos se tornem uma parte central da comunicação acadêmica no campo, em linhas de detectáveis, reutilizáveis e citáveis. Schöpfel (2016) afirma que a Ciência Aberta não favorece bibliotecas por não envolver documentos, mas oportuniza o desenvolvimento de serviços inovadores com novas formas de acesso em moldes de inclusão digital. Zemskov (2016) analisa principais impactos do acesso aberto nas tecnologias de biblioteca que envolve: a) métodos mais modernos no gerenciamento 11 As bibliotecas percorreram um longo caminho para facilitar os fluxos de trabalho de pesquisa e, mais recentemente, para promover o acesso aberto à ciência e a abertura em um sentido mais amplo. A ciência está evoluindo: práticas, recursos e ferramentas de pesquisa estão se abrindo e indo além de um modelo baseado em publicação, para um novo ambiente aberto de dados de pesquisa e ferramentas de pesquisa digital, mídias sociais e plataformas colaborativas. Há uma necessidade premente de que as bibliotecas abranjam essas mudanças. Os desafios não são apenas tecnológicos, mas também culturais e atitudinais e exigem um esforço claro para engajar e desenvolver as habilidades e conhecimentos necessários envolvidos neste ambiente de Ciência Aberta.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 65 | de informações e dados; b) materiais não textuais, como vídeo, imagens, dados de pesquisa etc.; c) hardware inovador, a exemplo de dispositivos móveis, impressoras 3D etc.; d) redes sociais como ferramentas de engajamento do usuário; d) novas abordagens para estruturar espaço de biblioteca. A construção de rede de serviços para acessar publicações e dados, ferramentas para processamento e armazenamento, combinados com serviços de bibliotecas, serviços de TI e TI científica para formar uma base para ciência 2.0 e Ciência Aberta são abordagens tratadas por Schneider (2016). Nesse caminho, são citadas possibilidades de operação e integração às infraestruturas nacionais existentes com sistemas de bibliotecas, promovendo serviços da Ciência Aberta, metadados abertos e APIs 12 de código aberto e interoperabilidade técnica e semântica (Hormia-Poutanen; Kivinen; Hyvönen; Virtanen; Suominen, 2016). O papel das bibliotecas na promoção da Ciência Aberta é realçado no estudo de Siyao, Whong, Martin-Yeboah e Namamonde (2017), além de citar o papel dos repositórios institucionais de acesso aberto para preservar e divulgar conteúdos digitais. Nicholas, Watkinson, Boukacem-Zeghmouri, Rodríguez-Bravo, Xu, Abrizah, Świgoń e Herman (2017) apontam atitudes e comportamentos dos pesquisadores mais jovens com a divulgação da pesquisa, adoção de novas tecnologias e perspectiva de mudança, destacando a consolidação de publicação em periódicos de alto fator de impacto e comunidades acadêmicas (ResearchGate), enquanto atividades das bibliotecas perdem visibilidade. 12 “Application Programming Interface” que significa em tradução para o português “Interface de Programação de Aplicativos”.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 66 | Outros serviços são apontados por Hunt e Bakker (2018) para bibliotecas da universidade que empregam um modelo especialista funcional: apoia o trabalho de usuários especializados e aperfeiçoa os serviços que realiza; estabelece atividades do bibliotecário na área de instrução, referência e desenvolvimento de coleção; e disponibiliza suporte informacional para serviços direcionados à pesquisa. O estudo informa serviços de apoio no gerenciamento de dados de pesquisa por meio de workshops, consultas e um repositório de dados institucionais, além de promover o movimento de acesso aberto. Os resultados ainda revelam que os pesquisadores possuem habilidades em pesquisa de literatura, mas pouca informação sobre o quadro atual de publicação e opções de acesso aberto. Em relação ao gerenciamento de dados, evidenciaram desconhecimento com a organização, manuseio e preservação dos dados e suas ferramentas e recursos tecnológicos. Relatam que a ampla expertise do bibliotecário no apoio à pesquisa foi perceptível por poucos pesquisadores, embora almejassem maior desenvolvimento de competências em ciência da informação. Por fim, diversas conclusões são apresentadas: as bibliotecas podem envolver mais pesquisadores por meio de marketing direcionado e individualizado referente ao apoio especializado e os serviços à pesquisa; a promoção da Ciência Aberta, educação dos pesquisadores sobre formas atuais de publicação e aprimoramento das competências de visualização de dados são algumas formas de atuação das unidades de informação; as bibliotecas necessitam ocupar um papel de liderança na instituição relacionadas às questões de gerenciamento de dados em acordo com as políticas de dados e; os serviços de apoio especializado são fundamentais
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 67 | e contribuem para minimizar inquietações de pesquisadores com o cenário científico em vigor. Importa ressaltar que a adoção da Ciência Aberta revela diversos obstáculos que afetam diretamente a sociedade, comunidade científica e profissionais, em modificações decorrentes da abertura da ciência que perpassam diversos fatores em diferentes esferas do espaço investigativo. Essas implicações atingem a atuação do pesquisador através de exigências das agências financiadoras, necessidade de termos de acesso aberto a publicações e/ou dados, modificações nas formas de publicar e garantias que os resultados sejam reproduzíveis. 3.2.1 Atuação do bibliotecário na Ciência Aberta Fazer ciência é importante insumo para a humanidade, que analisa a realidade passada, presente e futura para encontrar respostas às questões formuladas, embora, por diversas vezes não tão claras. Esse fazer envolve ações do pesquisador, sujeito que se ocupa, através de métodos e procedimentos, a produzir e materializar conhecimento pela fala e escrita. Com os avanços tecnológicos, registros estão disponíveis em amplas e diversas plataformas digitais, acessíveis por links e cliques. A informação encontra infinitas formas para se expandir, se comunicar, em diferentes formatos e suportes, em quantidade cada vez mais impressionante. É notável que a evolução do quadro científico potencializa o valor e a produção de informação, diversifica formas de disseminação, modifica o acesso e, consequentemente, sua organização. Fases e processos complexos envolvem a produção
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 68 | da ciência, que necessita se comunicar e divulgar seus resultados para validar estudos, prestigiar pesquisadores e contribuir com outras pesquisas em prol do progresso científico. Ressalta-se, também, que as etapas do processo investigativo precisam ser amparadas, analisadas e decididas, desde a seleção de recursos informacionais, tecnológicos e humanos; sistematização do método, coleta de dados, até a gestão da informação materializada, tornando-a disponível para uso. No promissor panorama informacional-científico, torna-se emergente assumir condutas vigilantes para acompanhar o ciclo investigativo, oportunizando e motivando a inserção do bibliotecário para redefinir sua atuação. Dos aspectos não tradicionais decorrentes de setores emergentes e inéditos, a atuação bibliotecária se integra à gestão da informação para “evidenciar a ampliação do escopo do desempenho de suas atividades e de sua formação, não o limitando aos processos tradicionalmente executadas em bibliotecas, nem tampouco às suas barreiras físicas” (Souto, 2014, p. 3). [...] a ideia de que o bibliotecário é o profissional que trabalha somente na biblioteca, com documentos físicos, sobretudo, com livros, não mais se sustenta, sendo mais corretamente considerá-lo como o profissional que exerce atividades relacionadas a processos de gestão da informação [...], gerindo documentos e/ou informações, em suporte físico ou digital, podendo estar vinculado a uma biblioteca (pública, escolar, universitária ou especializada), centros de informação, de documentação ou de pesquisa, ou diretamente integrado a equipes e processos multidisciplinares (Souto, 2014, p. 6).
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 69 | Modificações no modo de fazer ciência oportunizam múltiplas inovações e desenvolvimento de serviços, produtos, atuações e competências profissionais, delineiam práticas, descortinam metodologias, formas de acesso e uso de dados, estimulando o surgimento e/ou redefinições de inúmeras posturas e atitudes, do pesquisador e da comunidade científica. O bibliotecário, pela expertise com acesso, uso, organização e preservação da informação, é identificado como um dos profissionais que deve colaborar diretamente com o pesquisador nas fases de acesso, uso, reuso, gerenciamento, compartilhamento, recuperação e preservação dos dados científicos, de treinamentos com ferramentas e recursos, da promoção e divulgação da ciência. Open Science, eScience, Big Data, Open Access constituem espaços de mudanças e reinvenção de saberes, produtos, serviços e atuações, implicam tendências e abordagens no fazer científico com novos e dinâmicos cenários. Salienta-se que acesso aos dados representam base da Ciência Aberta e abrem caminhos para facetas, pilares e dimensões, significando e ressignificando competências identificadas. Com respaldo em Souza (2015, p. 46), assegura-se que, especificamente, “competência da informação e conhecimento, e inteligentes coletivos são dois elementos fundamentais em direção a construções teóricas e à realização de práticas na área de gestão da informação e do conhecimento”, em vantagens estratégicas no contexto informacional-tecnológico-científico. Pelo plano tecnológico, as formas de pesquisa em diversas áreas da ciência promovem novas metodologias de pesquisa, dados coletados são processados por softwares complexos, em
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 70 | transformação significativa. Segundo Jim Gray, pioneiro na prática científica intensiva de dados, a ciência surgiu há milhares de anos de forma empírica, descrevendo eventos naturais a partir de observações, depois formulando teorias para explicação de fenômenos, perpassando e utilizando modelos universais, torna-se mais teórica. Numa sequência, complexa em trajetória, a ciência percorre uma fase computacional, a partir do uso de tecnologias como ferramentas para gerar novos conhecimentos. Surgimento de um quarto paradigma, pela exploração grandes volumes de dados, muitas vezes chamado de eScience (e-ciência), que associa teoria, experimentos e simulação, e lida com uma quantidade exorbitante de informação (Hey; Tansley; TOLLE, 2009). O termo ‘eScience’ surgiu a partir de estudos do Conselho Nacional de Pesquisa do Reino Unido, com o intuito de nomear as novas formas de produção do conhecimento científico, alicerçado no uso compartilhado de recursos e tecnologias da informação e da comunicação, que transpassaria diferentes áreas do conhecimento e campos científicos (Research Councils Uk, 2010). Entende-se como uma “ciência orientada para dados científicos que envolve três atividades básicas: a coleta de dados científicos, o seu tratamento que é a curadoria e sua disponibilização para comunidade cientifica” (Basilio; Basilio, 2016, p. 02, grifo nosso). Nesse sentido, uma das principais características corresponde ao envolvimento e uso de ferramentas computacionais que promovem acesso e compartilhamento de dados e demais informações geradas nas atividades de pesquisa. Este panorama requisita dedicação coletiva e interdisciplinar de profissionais envolvidos direta ou indiretamente na pesquisa e, segundo Bertin, Visoli e Drucker (2017, p. 44), “faz-se necessário que
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 71 | a gestão de dados de pesquisa seja incorporada à estratégia organizacional”, para dispor instrumentos essenciais para uma boa gestão de dados aos pesquisadores. Cada vez mais, a gestão de dados de pesquisa tem sido reconhecida como uma atividade importante no panorama científico, diversos estudos têm demonstrado as inúmeras vantagens a ela associadas, como por exemplo, economia de tempo, recursos financeiros, com destaque para crescimento de citações e reutilização de dados de estudos diversos que vem gerando novos estudos e contribuindo para o desenvolvimento científico. Considerando que grande parte das pesquisas científicas é financiada pelo poder público, as instâncias governamentais e as agências de incentivo à pesquisa cobram ações que viabilizem a gestão e a disponibilização desses dados ao público (Sayão; Sales, 2016). Ademais, periódicos científicos exigem os dados de pesquisa como pré-condição para publicação do artigo. A gestão eficiente de dados reduz a quantidade de trabalho necessária para a interpretação e compilação de informações obtidas no final de um projeto de pesquisa quando suas fases de construção estão estruturadas, resultando na diminuição de risco do estudo em curso não ser reconstruída em uma data posterior. As ações que coletivamente permeiam o ciclo de vida dos dados de pesquisa vêm sendo chamadas de gestão de dados de pesquisa, e se consolidam, de maneira ideal, em consonância com padrões de ampla aceitação, condicionantes de domínios disciplinares, requisitos estabelecidos pelos pesquisadores e, quando existentes, políticas institucionais e diretrizes de alcance nacional e internacional (Sayão; Sales, 2016, p. 92).
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 72 | A gestão de dados compreende planejamento, aquisição, organização, estruturação e ferramentas tecnológicas (hardware e software) adequadas para depositar os dados. Abrange ainda questões relativas à preservação, à organização, ao compartilhamento, à proteção e à confidencialidade destes dados para a instituição que possui direitos sobre tais dados, assim como o acesso e disponibilização para a sociedade. 3.2.2 Competências do bibliotecário: um percurso na literatura Historicamente, a profissionalização na área de informação surgiu em meados de 1800, sendo a Biblioteconomia um dos campos especializados nessa atividade. Inicialmente, as bibliotecas auxiliavam os pesquisadores, sobretudo os historiadores, na identificação das fontes de pesquisas necessárias aos estudos (Boeres, 2018), e afirma-se que, desde o seu surgimento, a Biblioteconomia sempre esteve ligada às atividades de pesquisa. Antes os materiais informacionais dependiam essencialmente de suportes analógicos para o seu registro. Hoje, metadados, dados e documentos possuem formatos e suportes variados, nascem digitais ou são convertidos, dependendo de máquinas e programas que permitam o acesso. A incorporação de tecnologias digitais e a ciência baseada em dados trouxeram novos desafios quanto ao papel das bibliotecas e dos bibliotecários na produção de conhecimento científico, posto que, a gestão e a curadoria de dados de pesquisa passam a ser atribuições intrínsecas às bibliotecas. E, nesse mote, a influência destes elementos reconfigura os ambientes e atuações das bibliotecas
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 73 | ao alterar formas de coleta, organização, preservação e acesso ao conhecimento científico (Sales; Sayão, 2015). [...] new areas of activity are emerging that reflect changes in the research environment or expectations of the kind support library professionals should ofter. These are not necessarily new in themselves – and may have been undertaken by other sections of na instituition’s infraestructure to some extent. Issues to do with licensing of research materials are common example. Another is giving advices on sources of funding applications, reference management software, statistical analysis software and Computer Assisted Qualitative Data Analysis Software packages. Working with readers to access, manipulate or share research data is a way to demonstrate libraries responsiveness to academic needs13 (Rice; Southall, 2016. p. 2). Tendo em vista que, tanto a preservação quanto a troca de dados científicos, transformaram-se em temas de interesse geral no meio científico, esse cenário necessita e requer geração e/ou 13 [...] estão surgindo novas áreas de atuação que refletem mudanças no ambiente de pesquisa ou expectativas do tipo de suporte que os profissionais da biblio - teca devem oferecer. Estes não são necessariamente novos em si mesmos – e podem ter sido empreendidos por outros setores da infraestrutura de uma instituição em certa medida. Questões relacionadas ao licenciamento de materiais de pesquisa são exemplos comuns. Outra é dar conselhos sobre fontes de aplicações de financiamento, software de gerenciamento de referência, software de análise estatística e pacotes de software de análise de dados qualitativos assistidos por computador. Trabalhar com leitores para acessar, manipular ou compartilhar dados de pesquisa é uma forma de demonstrar a capacidade de resposta das bibliotecas às necessidades acadêmicas.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 80 | de repositórios de dados científicos, dentro de perspectivas de autoarquivamento de dados científicos, preservação digital de dados científicos e gestão de ciclo de vida de dados. Poole (2016) trata a curadoria digital como estratégia vital para lidar com o dilúvio de dados, um campo emergente de teoria e prática nas profissões da informação que abrange a preservação digital, a curadoria de dados e o gerenciamento de ativos de informação ao longo de seu ciclo de vida. A curadoria digital em museu demonstra uma tendência que pode contribuir com o avanço e integração da educação, prática e curadoria digital. Koltay (2017) apresenta uma visão geral baseada na literatura de insights reais sobre tarefas e papéis que as bibliotecas acadêmicas e de pesquisa têm que cumprir, a fim de reagir aos desenvolvimentos gerados pela aparência e importância crescente da Pesquisa 2.0 é fornecida. A alfabetização de dados, princípios e práticas de coleta, manipulação e gerenciamento de dados, é inserido em programas de mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação na Universidade de Londres. As publicações em 2018 - até o momento - abordam discussões sobre benefícios às bibliotecas públicas na era do Big Data (Zhan; Widén, 2018). Tratam ainda da necessidade que os bibliotecários universitários aprendem a usar APIs de serviços da Web com o propósito de ajudar os usuários a encontrar informações relevantes dentro de um mundo de fontes de informação em proliferação (Adams Jr, 2018). O conceito de competência profissional a partir da literatura de curadoria possibilitando articular e ampliar essas competências em futuras atuações, além de analisar a educação profissional (Feng; Richards, 2018). Necessidade de bibliotecários e pesquisadores se voltam para avaliar modelos
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 81 | de ciclo de vida de dados no processo e gerenciamento de dados e desenvolver formas alternativas de representar a pesquisa (Cox; Tam, 2018). O bibliotecário apresenta diversas e ricas possibilidades de atuação profissional a partir da literatura e contextos internacionais, que proporcionam uma visão ampla pelas especialidades, diversificando e desenvolvendo novos papéis, devido sua proximidade colaborativa com pesquisa, com a informação e o conhecimento. Torna-se possível, portanto, citar alguns papéis baseados em desempenhos diferenciados (bibliotecário de referência, bibliotecário de dados, bibliotecários jurídicos, bibliotecários da saúde etc.) que buscam, a partir das suas atividades tradicionais, uma adequação aos contextos que se apresentam e, também, ao desenvolvimento de novas competências (Garritano; Carlson, 2009; Bracke, 2017). A literatura evidencia e nomeia bibliotecários de dados, especificando habilidades e competências, no entanto, desta performance inúmeras outras se sobressaem e desempenham ações que se conectam, se ampliam e se reinventam em outras direções, em possibilidades ainda não delimitadas. Competências e cenários científicos abrem espaços e requerem atuações e ações bibliotecárias, visualizados através de alguns termos, temáticas, competências e serviços consolidados, entre outros em desenvolvimento. Atualização teórica e aperfeiçoamento profissional alinhado com a vivência profissional para acompanhar a inovação e transformações no ambiente científico-educacional torna-se ponto fundamental ao bibliotecário para acompanhar tantas transformações que envolvem sua área de trabalho.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 82 | Figura 8 – Competências e cenários da Ciência Aberta Fonte: Autoria própria (2023) 3.3 AGIR BIBLIOTECÁRIO O bibliotecário é um profissional que vem se reinventando, instigado pelo campo que “escolhe” atuar (escola, universidade), pelo ambiente que se insere (processo técnico, de referência e/ou de pesquisa, da saúde, jurídica), com habilidades natas (da graduação), habilidades aperfeiçoadas e/ou desenvolvidas pelo exercício laboral, habilidades adquiridas pela experiência, pelas capacitações, treinamentos, como também, pela formação continuada (especialização, mestrado, doutorado). Cada direção profissional, fluxos de informação se apresentam em diferentes tipos e níveis. Atualmente, a abertura científica modifica a sociedade em diversas instâncias, influenciando condutas e inserindo novos e
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 83 | inéditos fluxos. Com um foco específico na prática bibliotecária, destaca-se que o profissional da informação e da ciência, pela sua responsabilidade social e ética, deve assumir como competência principal a análise crítica proativa. Importante aptidão, a capacidade de análise crítica proativa é utilizada em inúmeras situações no fazer laboral e, também, se apresenta como estratégia de atenção e identificação de variantes que podem interferir no desempenho profissional (advindas da Ciência Aberta ou não). Com propostas de se manter atualizado e realizar adequações ou readequações na sua prática, o desenvolvimento e/ou aquisição de competências é essencial para atuar nos ambientes inéditos e promissores que se apresentam. Para Fleury e Fleury (2001, p. 188), a competência pode ser definida como “um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e competências, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”. Tem-se o entendimento que competências para atuação são adquiridas, aprendidas e, muitas vezes experenciadas, porém, a capacidade de entender o contexto que se encontra, as demandas do usuário e, até mesmo, quais buscar para melhor exercer suas atividades com maestria se torna possível por um pensar crítico. O agir guia a prática bibliotecária em um fazer mais assertivo, produtivo, dinâmico e estratégico, qualificando as atividades e contribuindo no desenvolvimento de outras competências. O conceito de agir deriva da visão de Arendt (2001), quando retrata o termo sob atuação na tomada de decisão, do ato de começar, de ser o primeiro, de iniciar, envolvendo o inesperado e a capacidade de realizar o improvável. Para Perroti (2017), o
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 84 | protagonismo retrata não apenas quem sabe fazer, mas também quem sabe agir com eficácia diante de uma situação, relacionando o conhecimento com iniciativas, aplicando habilidades de forma consciente. A competência crítica em informação, temática em desenvolvimento na literatura brasileira (Bezerra; Beloni, 2019; Bezerra; Schneider; Pimenta; Saldanha, 2019), contribui com essa perspectiva ao reconhecer “necessidades de práticas menos mecânicas e entendimentos mais centrados nos indivíduos [...] e pela adoção de uma perspectiva mais ‘crítica’ às atuais práticas” de competência em informação (Bezerra, 2019, p. 57). A palavra crítica inserida na competência em informação (CoInfo)14 é estudada no artigo de Bezerra e Beloni (2019, p. 209) que pretende “qualificar as habilidades relacionadas à competência em informação, ou mesmo de propor uma reflexão sobre os construtos teóricos desta”. Brisola e Romeiro (2018) afirmam que o pensamento crítico se apresenta na CoInfo. [...] a Competência Crítica em Informação, prepara o usuário para olhar criticamente a informação e se capacitar para distinguir entre o que é relevante e/ou irrelevante, buscar fontes seguras de informação, hierarquizar as informações, utilizá-las, produzir novas informações, ser criativo, contextualizar etc. (Brisola; Romeiro, 2018, p. 75). 14 “competência em informação acha-se apoiada em princípios que envolvem, em sua grande maioria, a aplicação de técnicas e procedimentos ligados ao processamento e distribuição de informações, com base também no desenvolvimento de habilidades no uso de ferramentas e suportes tecnológicos” (Belluzzo; Feres, 2015, p. 10).
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 85 | As autoras afirmam que a formação do bibliotecário pautada em teorias e pedagogias críticas contribuiriam no exercício profissional, na vivência de mundo e na atuação social junto as comunidades que atende, por acreditarem que estes sejam agentes de transformação. Gomes (2017) discute a mediação da informação no desenvolvimento do protagonismo social, subsidiando o bibliotecário em atitudes mais humanistas e éticas nas relações sociais e profissionais. E afirma ainda que “o protagonismo social representa o caminho humanizador do mundo e, portanto, promissor da construção ética de relações sociais capazes de assegurar o espaço crítico, de dialogia, criatividade e alteridade” (2017, p. 27). Atuação da biblioteca e do bibliotecário no ambiente universitário é demonstrada na tese de Gomes (2006). Atenta-se para discussão teórica pautada na mediação da informação centralizada no setor de referência, mas na prática identifica-se limitação na atuação por ausência de recursos humanos nas bibliotecas; e os resultados evidenciam que a formação continuada tem resultados mínimos que “pode representar uma dificuldade, frente o baixo investimento institucional na formação permanente do seu corpo técnico” (Gomes, 2006, p. 141). Embora a pesquisa tenha sido realizada em 2006, os resultados direcionam para algumas conclusões que sintonizam com a experiência profissional desta autora e com as lacunas apontadas inicialmente nesta investigação: centralidade do espaço crítico na sala de aula (ensino) e na figura docente, com ausência de interação com outros ambientes e agentes ativos na construção do conhecimento.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 86 | Resgata-se, de forma ampla, a missão da BU e se observa que as atividades das bibliotecas se concentram no fornecimento de produtos e serviços informacionais que atendam necessidades relacionadas ao ensino, com lacunas expressivas nos eixos da pesquisa e extensão. Nessa perspectiva conceitual, o termo agir bibliotecário enlaça-se com uma conduta ativa, crítica e protagonista, alicerçada no pensar que cada conjuntura ou usuário informacional são únicos e, embora posicionados em grupos ou áreas específicas, as necessidades são singulares e inerentes. Assim, modificações precisam ser diagramadas, envolvendo a aquisição de competências profissionais, compromisso das unidades de informação e, principalmente, incentivo institucional, para atendimento significativo e amplo das necessidades informacionais da comunidade universitária, com atenção a científica e extensionista.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 87 | CAPÍTULO 4 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA PÚBLICA ESTADUAL BRASILEIRA: PERFIL, ATUAÇÃO E CIÊNCIA ABERTA Com as tecnologias, novos espaços e atuações são cada vez mais possíveis e exigidos, condicionando uma vigilante e necessária atualização para se adequar, ocupar e interagir, sejam por pessoas ou por organizações. 4.1 PERFIL INSTITUCIONAL VIRTUAL As tecnologias são apresentadas por Miranda, Leite e Suaiden (2008), como recursos reais para transformar a maneira que a informação é organizada, dinamizada e acessada, de modelos e práticas tradicionais para redes complexas em que o uso e o domínio da informação rompem os conceitos proprietários e de controle institucionalizados, para a pregação de novos formas de criação, arquitetura, representação e apropriação do conhecimento. [...] A possibilidade da criação de uma monumental biblioteca universal em formato digital e da constituição de redes de comunicação interpessoais ilimitadas são possibilidades reais que vão, uma
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 88 | vez mais, exigir o requestionamento de crenças e práticas ainda em voga na organização de acervos, na definição da tipologia convencional dos documentos e na “reengenharia” (palavra fora de uso...) de instituições tradicionais como bibliotecas especializadas, sociedades científicas e até no desenho e funcionamento de centros de ensino e pesquisa (Miranda; Leite; Suaiden, 2008, p. 18). Isto não restringe a biblioteca ao espaço físico que ocupa, como uma caixa que abriga livros, mas a apresenta como ambiente que provoca e oportuniza múltiplos formatos de informação, em livre circulação e uso. A biblioteca híbrida promove a integração do espaço físico com o espaço virtual, transcende limites e expõe conteúdo, em amplas diversidades de acesso e utilização, por qualquer pessoa. [...] o conceito de biblioteca híbrida parece ser o mais adequado para satisfazer as atuais necessidades informacionais de transição pelas quais as bibliotecas convencionais vêm passando, e ela vem conciliar os tipos de atividades desenvolvidas pelos cursos a distância. Os usuários, na lógica do desenvolvimento atual, precisam do tipo de integração de serviços que as bibliotecas híbridas proporcionam [...] O nome ‘biblioteca híbrida’ deve refletir o estado transacional da biblioteca, que ho je não pode ser completamente impressa nem completamente digital (Garcez; Rados, 2002, p. 45). Há 21 anos, Garcez e Rados (2002, p. 44) alertaram que “as bibliotecas brasileiras devem ser parte do universo globalizado à medida que o desenvolvimento se agiganta pela internet”. E
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 89 | nessa conjectura, conhecer a atuação das bibliotecas nos espaços virtuais é a perspectiva inicial, como também, fornecer respostas aos autores: as bibliotecas fazem parte do universo globalizado propiciado pela internet? Diversos obstáculos se apresentaram durante a busca pelos sites culminando em informações confusas, que requisitaram disposição e maestria para encontrar os pontos de acesso das bibliotecas e seus conteúdos. Após diagramar 39 instituições, com apoio de anotações e observações, destaca-se: dificuldades relacionadas às divergências nos termos de designação de abas, ausência de padrão de contexto e conteúdos, diferentes links para acessos no site da universidade, ausência de informações sobre a organização e a estrutura administrativa das bibliotecas, dentre outras. Essas dificuldades ocasionaram buscas demoradas, ambíguas, não eficientes, bem diversa da proposta básica e fundamental para um site: proporcionar acesso à informação de qualidade, de maneira rápida ao usuário. Torna-se relevante informar que o levantamento não compreendeu um período determinado pelas necessidades de refazer as consultas diversas com o objetivo de identificar e construir uma categorização de dados, resultando, assim, em tentativas de compreender estruturas e formas dos sites, entre outros. Perfazendo, os ambientes virtuais de 39 (trinta e nove) instituições públicas estaduais de ensino superior do Brasil, distribuídas nas 5 (cinco) regiões brasileiras são demonstradas na Figura 9. Primando pelo entendimento geral, bem como orientar o levantamento dos dados, elaborou-se checklist estruturado por informações consideradas elementares e/ou esperadas para quem busca o site de uma biblioteca universitária: a forma de
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 96 | diferentes locais para viabilizar o produto, com foco no cliente, já que cada pessoa ou grupo tem uma diferente necessidade de informação (Garcez; Rados, 2002, p. 46). Com a busca efetivada em todos os estados da federação, identifica-se gestão integrada em 18 BUPEs e evidencia que 21 unidades, a maioria, não possuem ou não apresentam informações sobre atuação conjunta. Figura 13 – Formas de atuação das BUPEs Fonte: Dados da Pesquisa de Campo (2022) Com critérios estabelecidos e baseados em preceitos da Ciência Aberta, que incentivam atuações colaborativas, transparentes, abertas e acessíveis, os sujeitos desta pesquisa são identificados na 2ª zona de observação. Importa destacar que os dados foram analisados pelas informações disponíveis no site, único ponto de coleta da 1ª parte da investigação de campo. A dispersão de informações foi percebida no início da busca, quando busquei redes sociais e
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 97 | averiguei que alguns perfis tinham informações e notícias mais atuais que nos sites institucionais. No entanto, pela transparência da informação, pela relação da BU com a instituição ser um ponto de análise desta pesquisa e, especialmente, pela inviabilidade de realizar a busca (identificando ou, até mesmo adivinhando, qual o nome, espaço, plataforma as BUs poderiam ter perfis e/ ou atuação), a pesquisa se concentrou nos sites nos domínios da universidade, o que também acarretou diversos obstáculos. Figura 14 – Identificação dos sujeitos da pesquisa15 Fonte: Dados da Pesquisa (2022) 15 Relevante destacar que o Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Estadual da Paraíba (SIB/UEPB) é gerenciado atualmente pela autora desta tese e, por isso, participará apenas da coleta de dados da primeira etapa disponibilizada.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 98 | De um universo de 39 instituições analisadas apenas 13 BUPEs apresentam os 4 critérios definidos para serem identificadas como sujeitos da pesquisa: possuem site no domínio da universidade, tem no seu organograma a unidade Biblioteca Central, possuem gestão administrativa geral e atuam de forma integrada. Das 13 unidades, 6 na região Nordeste, 2 no Sudeste e 5 no Sul. As demais BUPEs não apresentaram todos os cri - térios estabelecidos, com destaque para as regiões Norte e Centro-Oeste, que não apresentaram unidades com os aspectos elencados. As bibliotecas universitárias são fontes de informação que atendem necessidades acadêmicas e científicas dos usuários, contribuindo com o desenvolvimento da universidade em âmbitos de ensino, pesquisa e extensão. Com as inovações tecnológicas são disponibilizados acervos em diversos suportes e várias formas de acesso, estimulando a criação do conhecimento. Dinamizar as fontes de informação com os recursos tecnológicos disponíveis, promove acesso ao conteúdo dos acervos e corresponde em um dos principais compromissos da biblioteca com sua comunidade. Dentre os tipos de fontes de informação disponíveis, se destacam os Trabalhos de Conclusão de Curso, em nível de graduação e pós-graduação, periódicos científicos, anais de congresso e livros. Em perspectiva de acesso aberto aos dados científicos, bem como demandas de usuários da informação cada vez mais ativos e conhecedores dos recursos tecnológicos, é primordial ofertar a consulta e dispor o conteúdo para uso, tanto presencial quanto virtualmente, nos inúmeros formatos que se apresentam. O 3º quesito de observação analisa os sites para identificar que acervos estão disponíveis pelo site da BUPE.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 99 | Figura 15 – 3º campo: Acervos disponíveis das BUPEs Fonte: Dados da Pesquisa de Campo (2022) Por meio dos dados expostos na Figura, visualiza-se que o acesso aberto ao acervo físico, por meio de software de automação, ocorre em 33 instituições: 1) as bibliotecas da UERR e UNEAL não disponibilizam consulta e não há informações sobre o software de automação dos seus acervos; 2) as bibliotecas da UEAP, URCA, UPE e USP, possuem informações ou formas de acesso aberto para consultar o acervo físico, e quaisquer informações sobre softwares de gerenciamento de acervo físico. Pertinente revelar que 34 instituições gerenciam seus acervos físicos com software de automação (ilustração 15), apresentados por regiões e tipos de softwares (ilustração 16).
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 100 | Destaca-se, inicialmente, que há diversas diferenças entre cada termo ou tipo de software, no entanto, serão mencionados de forma geral e somente as vantagens e desvantagens serão apresentadas, englobando-os em grupos. Os softwares de automação de bibliotecas, identificados como proprietário, comerciais ou pagos apresentam como vantagens: fornecimento de assistência técnica que facilita os processos de catalogação, indexação e recuperação dos acervos inseridos. Enquanto, as principais desvantagens referem-se à possíveis restrições ou controle de módulos ou recursos que ocasionam custos, não permite modificações/acesso na estrutura, código fechado, dependências técnicas e tecnológicas que também interferem ou podem dificultar mudanças futuras de sistemas. Figura 16 – Softwares de automação das BUPEs Fonte: Dados da Pesquisa de Campo (2022)
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 101 | Os softwares livres, gratuitos ou abertos possuem como principais vantagens serem gratuitos, código-fonte aberto, sem custos para uso, licença livre, com possibilidades de modificação, customização e adequação com o perfil da unidade. As desvantagens relacionam-se à exigência por conhecimento especializado, pois não possui assistência e necessita de manutenção e suporte especializado e atualizado, o que dificulta e onera a contratação de especialistas. Os dados da Figura 16 demonstram que, dentre as 34 instituições identificadas com software de automação, 20 utilizam softwares proprietários, pagos ou comercias e se concentram na região do Nordeste, seguido da região Sul e depois Sudeste, com nenhum registro na região Centro-Oeste. O Sistema Pergamum é o software proprietário mais recorrente dentre as instituições, 13 adoções, acompanhado pelo Sophia (4), Siabi (2) e Athena (1). Dentre os softwares livres, gratuitos ou abertos, 13 instituições utilizam, apontando, com maior quantitativo, para o programa próprio (5), desenvolvido pela universidade para este fim, seguido pelo Gnuteca (4), BibLivre (2) e Sigaa (2). A região Norte não apresentou nenhuma instituição gerenciada por software de automação livre, gratuito ou aberto. Repositórios institucionais (RI) são espaços virtuais abertos com o propósito de reunir, organizar, preservar e promover o acesso ao conteúdo científico produzido pela universidade, que vão desde trabalhos de conclusão de cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado, produção intelectual de docentes da instituição, até livros, periódicos e demais conteúdos publicados pela editora universitária.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 102 | Foram identificadas 23 instituições com repositórios institucionais, enquanto 5 não possuem e 11 não apresentam informações sobre ou são confusas. A maior recorrência foi o software livre Dspace, com 12 adoções, seguido da BDTD (Biblioteca Digital de Teses e Dissertações), com 08. A UEPG e a UEPB adotam o DSPACE e a BDTD. O Siabi, software pago, gerencia o RI da UERN e a UEMS divulga sua produção intelectual por um sistema próprio. Atenta-se que 16 instituições de ensino superior estaduais não apresentam informações sobre seus repositórios. Destaca-se que a criação e implementação de RI recebem apoio do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e estas instituições não usufruem destas vantagens. Dentre os benefícios deste apoio, alguns são apresentados a seguir (Leite, 2009, p. 23-25): a. Benefícios aos pesquisadores: aumento de visibilidade as descobertas científicas, facilidade na gestão da produção científica, ambiente seguro de armazenamento do trabalho científico, identificação do trabalho por endereço simples e persistente, facilidade de acesso aos conteúdos, diminuição de plágios, disseminação, inclusão em fatores de impacto, incentivo para adoção por outros pesquisadores, dinâmica no fluxo entre os pares e aceleração dos resultados, trabalhos sempre disponíveis e com maior alcance, direitos autorais assegurados, atendimento às demandas de disseminação dos trabalhos pelas agências de fomento; b. Benefícios aos administradores acadêmicos: oportunidades de arquivamento e preservação dos trabalhos
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 103 | em formato digital, relatórios científicos para identificar tendências e contribuir para planejamentos estratégicos, facilidade na recuperação da informação por diversos domínios de pesquisa, redução na duplicidade de registros e inconsistências, automação de tarefas e coleta de metadados por outras fontes; c. Benefícios às universidades: uso e reuso de informações, interoperabilidade com outros sistemas para maior eficiência e compartilhamento de informações, ampla visibilidade, promoção e notoriedade da instituição, melhor gestão dos direitos de propriedade intelectual, redução de gastos no gerenciamento da informação científica, contribuição no processo de avaliação da pes - quisa, integração com outros sistemas da universidade, apoio a missão institucional: transparência, igualdade e liberdade de discurso; d. Benefícios à comunidade acadêmica: compartilhamento de informações que favorecem pesquisas, visibilidade de ações científicas, redução de custos na aquisição de informação, colaboração em ampla escala evidenciando estudos e pesquisadores. Para desenvolver pesquisas, o acesso às informações científicas confiáveis, reconhecidas por pares é basilar, que confere qualidade e credibilidade a estudos e pesquisadores. Plataformas, bases e portais reúnem conteúdo amplo e relevante, provenientes de vários países, com recursos e ferramentas que dinamizam a recuperação da informação e inserem maior precisão nos resultados, contribuindo na construção de novos saberes.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 104 | Acervos de periódicos e revistas nacionais e internacionais, livros, legislações, patentes, evidências clínicas, dentre outros, com conteúdo na íntegra, reunidos por áreas do conhecimento, tais como bases de dados multidisciplinares, específicas e temáticas. Destaca-se que as bases de dados podem ser pagas e/ou com acesso por vínculo institucional, como Minha Biblioteca, Biblioteca Pearson, EBSCOhost, ProQuest, Portal de Periódicos Capes, entre outras. Os dados coletados demonstram que 29 instituições disponibilizam acesso às bases de dados nos sites das bibliotecas que, dentre os resultados, destaca-se maior recorrência para as instituições com várias bases disponibilizadas, por assinatura e/ou livre acesso. Observa-se ainda que 30 unidades informacionais oferecem o conteúdo do Portal de Periódicos Capes (Figura 17) em seus sites. Para subsidiar pesquisas nas instituições de ensino superior do Brasil com conhecimento científico atualizado, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) constituiu importante acervo digital através da criação do Portal de Periódicos Capes, em novembro de 2000. O acesso online beneficia instituições que se adequam em um dos seguintes critérios (CAPES, 2023, p. 3): • Instituições federais de ensino superior; • Institutos com programas de pós-graduação e centros de pesquisa (avaliados com nota igual ou superior a quatro); • Instituições públicas de ensino superior estaduais e municipais com programas de pós-graduação (avaliados com nota igual ou superior a quatro);
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 105 | • Instituições privadas de ensino superior, com doutorado avaliado pela Capes (nota superior ou igual a cinco); • Instituições com programas de pós-graduação recomendados pela Capes; • Órgãos e entidades da administração pública federal com atuações científicas e educacionais, a partir de contribuição financeira. Figura 17 – Bases científicas e Portal Capes nas BUPEs Fonte: Dados da Pesquisa de Campo (2022) Os resultados apresentam as bases de dados por assinatura, com destaque para Minha Biblioteca, seguida da Biblioteca Virtual Pearson, a Plataforma ProQuest e a Plataforma de Pesquisa EBSCOhost, com conteúdo multidisciplinar dentre livros, revistas, dissertações, teses e outros.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 112 | bem como auxiliar no uso de sistemas e serviços disponibilizados e documentos administrativos e legislativos sobre a biblioteca universitária. Representam recursos norteadores que permitem divulgação, direção e clareza, por oferecer base de conteúdo aos primeiros acessos e sanar dúvidas iniciais. Figura 22 – 6º campo: Conteúdos informacionais e administrativos Fonte: Dados da Pesquisa de Campo (2022) Conteúdos com o propósito de amparar a comunidade universitária em suas necessidades informacionais foram identificados em 25 instituições. Manuais, tutoriais e orientações, quando bem elaborados e disponibilizados, tornam-se estratégias que auxiliam a comunidade a conhecer serviços e produtos informacionais, facilitando uso efetivo e correto, agilizando no atendimento das demandas universitárias, contribuindo para minimizar as solicitações direcionadas para equipes de trabalho dos setores da BU. As normas administrativas identificadas referem-se a regimentos, portarias e resoluções e 30 instituições disponibilizam algum desses documentos em seus sites. Diretrizes sobre atuações e
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 113 | espaços são fundamentais para especificar responsabilidades e direcionar ações, definindo atribuições e competências de setores, estruturas organizacionais e formas de atuação das unidades informacionais. A investigação de campo inicial apresenta as BUPEs a partir do espaço virtual, organização administrativa, canais de comunicação, disposição de serviços, disponibilização de documentos, recursos, sistemas e produtos, destacando pelas regiões brasileiras. A formação de um perfil institucional virtual (Figura 23) e identificação dos sujeitos da pesquisa, sintonizam-se com o método adotado, que enquadra as pretensões da análise na aproximação do universo das bibliotecas visando conhecer seu cotidiano e compreender as ações tomadas. Figura 23 – Perfil institucional virtual das BUPEs Fonte: Dados da Pesquisa de Campo (2022)
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 114 | O mapeamento, a contextualização, a disponibilização e a atuação das unidades compõem um perfil institucional virtual, porém, a materialização de um perfil implica em partida para aprofundar e entender aspectos externados e, principalmente, não externados. As oportunidades de estudos se apresentaram, com perspectivas científicas e/ou profissionais. 4.2 PERFIL INSTITUCIONAL DE ATUAÇÃO NA CIÊNCIA ABERTA Esta seção trata dos dados da 2ª etapa da pesquisa in loco, coletados por questionário (Apêndice A), entre 2 a 10 de janeiro de 2023, para coletar informações sobre: 1) atuação institucional de setores e equipes das bibliotecas; 2) ações de suporte informacional direcionadas atividades desenvolvidas pela universidade (ensino, pesquisa e extensão); 3) práxis profissional para compreender o agir de bibliotecários e setores das unidades, diante dos espaços envolvidos pela Ciência Aberta. Os resultados da 1ª etapa identificam as instituições, porquanto as informações estão publicizadas pelos sites, apenas organizadas por interesse desta pesquisa. Na segunda etapa da investigação adota-se códigos para identificar os sujeitos, além de utilizar a média dos resultados para embasar análises e correlações. Os códigos são aplicados a partir da ordem de recebimento das respostas ao questionário. São identificadas 13 instituições como sujeitos de pesquisa (Figura 24).
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 115 | Figura 24 – BUPEs, sujeitos da pesquisa Fonte: Dados da Pesquisa de Campo (2023) O questionário, enviado por e-mail, foi direcionado aos 13 sujeitos da pesquisa e obteve 10 respostas de 06 diretores, 02 diretores adjuntos e 02 bibliotecários (indicados pela gestão, do setor de referência e do processamento técnico). De acordo com as respostas, os gestores estão há mais de 4 anos gerindo os sistemas, com destaque para relatos de ocupação do cargo há 15 anos, 9 anos e 8 anos, referendado com os seguintes comentários: “Fui reconduzida pelo Reitor eleito nas duas últimas eleições” (BUPE-2), como também: “Fui diretora em 2 gestão de reitores e assumi faz 1 ano pela 3 vez” (BUPE-3).
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 116 | Quanto a forma de atuação das BUs, os dados do questionário corroboram com resultados observados: as unidades atuam em rede, com sistemas, produtos e serviços compartilhados, com gestão administrativa ou unidade gestora (Biblioteca Central): “Procuramos trabalhar como uma unidade. O que a BC faz todas procuram seguir com o mesmo padrão, com o mesmo objetivo” (BUPE-4). As perspectivas de atuação em rede são muitas e acarretam vantagens para o usuário que recebe auxílio informacional mais qualificado de uma equipe engajada e vantagens para as equipes de trabalho que usufruem de articulações conjuntas como parcerias nas atividades, divisão de tarefas, abordagens elaboradas em colaboração, compartilhamento de experiências, revezamento na execução ou disponibilização de serviços e atendimentos, ampliação nas ações. Em relação aos espaços e canais de comunicação com/para a comunidade universitária, os gestores forneceram respostas que são demonstradas na Figura 25. As respostas revelam que 100% das bibliotecas possuem e-mails para comunicação e perfis em redes sociais “Nosso Instagram foi acionado recentemente. Os outros perfis já a algum tempo que não utilizamos” (BUPE-4). A BUPE-2 acrescenta que utiliza os “Veículos de comunicação como Radio, Notícias (jornal institucional), Portais do estudante, do Docente [...] Utilizamos todos os veículos de comunicação da Biblioteca e da instituição”.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 117 | Figura 25 – Canais de comunicação dos sujeitos da pesquisa (BUPEs) Fonte: Dados da Pesquisa de Campo (2023) Quanto ao site próprio, 20% informaram que não possuem site: a BUPE-5 acrescenta que possui “página no site da universidade” e a BUPE-7 nada informa. Importante destacar que o primeiro estágio da pesquisa apresentou diversas dificuldades com a identificação e definição de sites, websites, páginas, hospedagem, domínio, mas considerando o interesse da pesquisa, adotou-se como critério inicial o entendimento que qualquer “espaço virtual que disponibilize informações, produtos e serviços da e sobre a biblioteca, dentro do domínio da universidade” considera-se como site/website/página e, dessa forma, torna-se correto alterar o resultado para 100%. Percebe-se que iniciativas para adentrar e estar nas plataformas virtuais são observadas. No entanto, dados da Figura 25, confrontados com os dados Figura 21, evidenciam que nem
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 118 | todos os meios de comunicação informados são disponibilizados nos sites das universidades, que podem, inclusive, provocar dispersões originar demoras e outras dificuldades no alcance da informação desejada. Nessa perspectiva, destaca-se que mediar a informação, agilizar e poupar o tempo do usuário (4ª lei da biblioteconomia), centralizando informações básicas a partir da instituição que se vincula, com perspectivas de direcionar a demanda, orientar o acesso, divulgar os recursos, proporcionando visibilidade às ações é, ou DEVE ser, estratégia para estabelecer o espaço virtual institucional como ponto de partida ao usuário na busca e acesso à informação. Alguns direcionamentos que favorecem o fortalecimento e dinamização da comunicação com a comunidade universitária, para reconhecer, efetivamente, a BU como significativa fonte informacional, são elencados: atualização dos canais de informação, aquisição de competências, disponibilidade de recursos tecnológicos, variedade dos meios informacionais disponíveis, adaptação de setores, apoio institucional, parceria com assessorias de comunicação. Reconhece-se os bibliotecários como profissionais prestadores de serviços informacionais especializados, possuidores de habilidades específicas que devem ser adquiridas, ampliadas e/ou atualizadas constantemente, em consonância com a função que desenvolve no seu espaço laboral. Na biblioteca universitária, os ambientes de desempenho profissional são mais dinâmicos e foram impulsionados com o período pandêmico, favorecendo desde os produtos e serviços essenciais quanto aqueles mais
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 119 | específicos, cada vez mais atualizados acompanhando o avanço tecnológico. A utilização do espaço virtual da biblioteca como uma amplia - ção mais dinâmica e estratégica de espaço deve ser refletida e adotada como essencial serviço da biblioteca, que estabe - lece também um marketing bibliotecário digital ao apresentar a biblioteca física, os serviços, as equipes de trabalho, divulga e promove as ações, entre muitas capacidades. Os produtos e serviços informacionais oferecidos virtualmente, foram assinalados no questionário e estão evidenciados na Figura 26. Figura 26 – Produtos e Serviços informacionais (BUPEs) Fonte: Dados da Pesquisa de Campo (2023)
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 120 | Grande parte dos serviços são oferecidos pelas BUPEs, conforme Figura 26, e duas instituições acrescentam que “Utilizamos o serviço ‘Bibliotecário responde’ a partir da pandemia, via Google meet [...]” (BUPE-7) e ainda que “Repositório de Dados de Pesquisa; Portal de Periódico; Biblioteca Comunitária; Indicadores Bibliométricos” (BUPE-9). Vinculando os dados do levantamento destas BUPEs com os obtidos com o questionário, percebe-se que alguns resultados estão dessintonizados, representando formulação de algumas incongruências: a. Elaboração de ficha catalográfica: o levantamento identificou 3 BUPEs, mas apenas 1 BUPE não dispõe deste serviço de forma on-line, segundo resposta ao questionário; b. Catálogo aberto: o levantamento identificou 9 BUPEs com esse serviço, sintonizado com o resultado da Figura 26, mas a instituição que informa não é a identificada na pesquisa pelo site; c. Repositório institucional: identificou apenas 1 BUPE que não dispõe de repositório, porém 3 BUPEs informam que não possuem base para a produção científica da instituição; Na 1ª etapa da pesquisa, a navegação apresentou-se confusa em vários aspectos, impondo a opção “sem informações” como identificador de questões incertas ou não encontradas. Atenta-se para a necessidade de estabelecer o espaço virtual central, projetando o espaço físico e divulgando as potencialidades
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 121 | dos recursos disponíveis, numa integração coesa e eficiente. A biblioteca híbrida deve ser reconhecida e adotada, com eficácia. Uma biblioteca híbrida integra tanto funções das bibliotecas tradicionais, quanto das bibliotecas digitais. Ao contrário de bibliotecas totalmente digitais, uma biblioteca híbrida aumenta as funções de uma biblioteca tradicional, em vez de substituí-las (Silva; Mello; Formentini; Valentim, 2018, p. 2040). O gerenciamento da biblioteca universitária requer ferramentas tecnológicas para auxiliar a execução de processos administrativos e técnicos, que estão cada vez mais complexos pela ampla gama de recursos necessários e possíveis. Há opções pagas e gratuitas que integram e facilitam o cumprimento de atividades, organização de acervos e disponibilização de serviços de informação. Os resultados expostos na Figura 27, em primeiro, evidenciam as porcentagens de respondentes – gestores das redes/ sistemas de bibliotecas – que revelam não saber que softwares gerenciam as atividades administrativas e de serviços. Relaciona-se aos comentários que indicam iniciativas de desenvolvimento de softwares pelas universidades, pela integração com demais sistemas administrativos institucionais, como pela expectativa de minimizar impactos financeiros pela aquisição de softwares pagos e acompanhar a dependência de suporte técnico externo e exigência de base tecnológica: “o nosso sistema [...] foi criado e desenvolvido pela própria instituição” (BUPE-10) e “baseado no que tínhamos e acompanhado pelo NTI da Universidade” (BUPE-7).
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 128 | BUPE-9, em que sua instituição disponibiliza escola para formação continuada, e em no quadro, inclusive, há profissional com Pós-Doutorado. Muitos aspectos envolvem a qualificação profissional, tanto ao indivíduo quanto à empresa, pois ambos podem se aperfeiçoar, se atualizar, ampliar seus conhecimentos, adquirir mais competências, renovar a motivação com o desempenho laboral, envolvidos em um aprendizado mútuo. Oportunidades de ação, reconhecimentos e valorização do servidor devem fazer parte das estratégias organizacionais de incentivo para que a expertise adquirida seja aplicada na própria instituição, absorvendo com maestria um profissional de alto nível que contribui diretamente no crescimento da empresa. Através dos comentários visualiza-se a forma que os apoios institucionais são percebidos/recebidos: “Existe algumas ações de incentivo”, a BUPE-4 diz que há “Pagamento de um percentual mínimo para cursar o mestrado” (BUPE-4); “A partir desde ano está sendo divulgado incentivo para Especialização e Mestrado, porém com poucas vagas” (BUPE-7). O caminho para compreender como ocorre o agir bibliotecário na Ciência Aberta se mostrou mais longo e desafiador que o cogitado inicialmente. Isto reforça o pensamento que deve haver mais estudos para conhecer e fortalecer as ações dos profissionais da informação, reconhecendo e valorizando sua prática em favor do desenvolvimento científico, também exigir proação dos bibliotecários, que devem possuir performance crítica e criativa, em condutas inovadoras para enfrentar os desafios que se apresentam cotidianamente no contexto técnico-informacional-científico-tecnológico.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 129 | Torna-se evidente a necessidade do envolvimento de todos para tornar a Ciência Aberta realidade, especialmente, das universidades para que oportunizem um agir bibliotecário eficiente, atuante e planejado, através de estabelecimentos de espaços e atuações regimentados para que estes não surjam a partir de uma vontade ou habilidade individual, com o risco de não possuir constância ou compromisso a longo prazo. A regulamentação permite a projeção de atividades, metas, atribuições e organização de recursos de forma planejada. As tecnologias permitem abertura de inúmeros caminhos para direções inimagináveis, tornando “natural” horizontes inéditos. A abertura da ciência é uma consequência da evolução tecnológica, ressignificando cenários, desafiando formas de agir e exigindo proatividade e inovação, em condutas contributivas ao desenvolvimento científico. Originada na necessidade de acessar livremente dados científicos, a Ciência Aberta vem proliferando infinitas abordagens e métodos, renovando procedimentos, modificando e moldando realidades em um leque interminável de dimensões que se constituem em bases e pilares. A estrutura da taxonomia da Ciência Aberta, “representação visual do domínio do ecossistema da Ciência Aberta”, foi atualizada por especialistas da Ciência da Informação do Brasil (Silveira, Ribeiro, Santos, Silva, Silva, Caregnato, Oliveira, Oliveira, Garcia e Araújo, 2021) com o objetivo de readequar e incluir os desdobramentos que surgiram a partir da prática de processos investigativos em aberto e evidenciados através de estudos e avanços nas pesquisas (Figura 31). Observa-se, pela taxonomia, relação de rótulos, elos, conceitos, evidenciando termos, abordagens e dimensões, ressignificando contextos,
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 130 | dobraduras que organizam hierarquias conceituais, mas, principalmente, pode-se vislumbrar amplo e significativo desenvolvimento da Ciência Aberta no cenário científico em múltiplas escalas. Figura 31 – Taxonomia da Ciência Aberta pelos especialistas brasileiros Fonte: Silveira; Ribeiro; Santos; Silva; Silva; Caregnato; Oliveira; Oliveira; Garcia; Araújo (2021, p. 14) Na concepção que a Ciência Aberta é estudada por diferentes vertentes e visões, que a pluralidade é uma constância natural e singular, em desprendidas ramificações, apresentá-la em forma de árvore liberta esta pesquisa de se adequar às estruturas de guarda-chuva, ecossistema, escolas, taxonomia dentre outras, ou ainda limitá-la diante das infinitas formas de agir e se desenvolver, por entender que deve-se adotar “uma atitude de permanente vigília contra a tentação da certeza, a reconhecer que nossas certezas não são provas da verdade, como se o mundo
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 131 | que cada um vê fosse o mundo e não um mundo” (Maturama; Varela, 2005, p. 267). Apresentar a Ciência Aberta na perspectiva de uma árvore (Figura 32) consiste na visão que o livre acesso aos dados científicos representa as raízes da abertura científica, em que os troncos tem a função de interligar e sustentar facetas, dimensões e pilares, se fortalecendo (folhas) e se desenvolvendo (fruto) em grande escala, originando outras ramificações (flores), se proliferando cada vez mais, originando florestas. Figura 32 – Árvore da Ciência Aberta Fonte: Autoria própria (2023)
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 132 | Organismo vivo, a árvore da Ciência Aberta está fincada no princípio do livre acesso aos dados científicos, fundamento essencial para a construção de um ecossistema de conhecimento mais justo, colaborativo e transparente. Esses dados se interligarem de forma aberta e interoperável, como o acesso aberto a publicações, os dados abertos, a ciência cidadã e a governança participativa. Dos troncos, a árvore fortalece suas folhas, simbolizando os agentes, práticas e tecnologias que mantêm o sistema em constante nutrição e expansão. O desenvolvimento da árvore culmina na produção de frutos — resultados científicos mais acessíveis, úteis e socialmente relevantes —, enquanto suas flores representam novas ramificações e inovações que brotam desse processo vivo e dinâmico. Assim, a Ciência Aberta se prolifera em diferentes contextos, reafirmando-se como um modelo sustentável e transformador de fazer ciência no século XXI. No segmento dinâmico de inúmeras inciativas que envolve acesso aberto aos dados de pesquisa, interessa conhecer quais práticas e/ou atividades relacionadas com a Ciência Aberta são desenvolvidas na Universidade com participação e/ou envolvimento de bibliotecários e setores da biblioteca. As respostas obtidas estão apresentadas na figura 33. Observa-se, inicialmente, que o percentual de participação e/ou envolvimento das BUPEs é apenas 50% e se concentra em Políticas de Dados Abertos, seguido de Repositório de Dados e Ferramentas de Organização Bibliográfica, tais como Medeley, EdNote e Zotero, que somam 40% dos respondentes. Atenta-se que a BUPE-9 é a instituição com maior envolvimento nas atividades, 17 das 25 práticas elencadas. A BUPE-2, segundo lugar,
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 133 | se envolve em 11 atividades e, em terceiro, a BUPE-7, envolvidas em 8 práticas. Duas instituições, BUPE-4 (“Nenhuma”) e BUPE-10 (“A biblioteca não tem participação direta em nenhuma dessas atividades”), não participam ou não se envolvem em nenhuma das atividades. A opção Relações Públicas em Ciência não tem envolvimento ou participação de nenhuma BUPE. Figura 33 – Práticas bibliotecárias versus Ciência Aberta Fonte: Dados da Pesquisa de Campo (2023)
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 134 | Destes resultados, reflete-se sobre que aspectos ocorrem a participação nas atividades, que fatores impedem o envolvimento, se os bibliotecários possuem as habilidades necessárias e/ou se houve necessidade de aquisição para atuar nos inéditos ambientes científicos que se formaram e vem se formando continuamente. Figura 34 – Habilidades e práticas bibliotecárias Fonte: Dados da Pesquisa de Campo (2023) Questionados sobre o envolvimento nas atividades da universidade provenientes da abertura científica, 60% dos respondentes informaram que os professores solicitam atendimento e, também, bibliotecários e setores principiam ações interligadas. Complementam os resultados da Figura 34 outras respostas: 40% disseram que as demandas vêm de Pró-Reitorias e setores institucionais, além da participação de bibliotecários em projetos de pesquisa e extensão. 20% reforçam que não há envolvimento bibliotecário nas atividades (BUPE-4 e BUPE-10).
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 135 | Para não participação várias alternativas são apontadas pelos respondentes: 80% informam que não há bibliotecários para atender a demanda; 40% revelam que não há apoio institucional para interagir com setores de pesquisa. Há outras respostas relevadas: 30% responderam que não há solicitações de suporte informacional para tais atividades; 20% desconhecem o desenvolvimento dessas atividades pela universidade, como também a ausência de habilidades/competências do bibliotecário para atuar; e, por fim, 10% dizem que os bibliotecários desconhecem dessas atividades. Sobre as habilidades de bibliotecários, 40% informam que houve necessidade de aquisição por aptidões específicas e 30% respondem que houve necessidade parcial e 30% revelam que não há envolvimento com as atividades elencadas. Quanto à aquisição de habilidades, as respostas evidenciam que o profissional se mantém atualizado por recursos disponíveis gratuitamente (100%), enquanto 70% informam que o interesse parte do profissional que utiliza financiamento próprio para cursos, treinamentos, congressos, dentre outros. 50% respondem que o profissional usa/solicita financiamento institucional para se aperfeiçoar e, ainda, 20% informam que a instituição promove e/ou incentiva os profissionais a buscar competências. A participação efetiva da instituição na aquisição de conhecimento é primordial e de forma assertiva, acompanhada, por atribuição, por competência e sintonizada com os objetivos da instituição. Programar cursos, palestras e treinamentos internos para dialogar e capacitar se apresenta como importante estratagema que motiva e envolve a equipe, como unidade, além de incentivar o debate e reflexões das práticas desenvolvidas.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 136 | Salienta-se que as práticas científicas tradicionais sofrem mudanças, ressignificam condutas e instalam novas culturas, a necessidade de inovar se apresenta e a cooperação deve superar incapacidades com o novo. Os bibliotecários, profissionais da informação e da ciência, devem ter postura vigilante, engajados com o compromisso deontológico para corresponder e ser parte confiável de relações científicas. Um profissional é sempre incompleto, não conhece ou aprende tudo, mas o bibliotecário entende que a biblioteca é um organismo vivo, e a informação é fluidez, é mudança, é novo e o “novo sempre vem”. Reconhecer que barreiras dificultam a adoção e, consequente, a ação na Ciência Aberta é o início de um processo de superação. Ignat (2022), em palestra, afirma que a missão da Ciência Aberta é dar autonomia para a ciência e a ciência deve ser de todos: Sem uma mudança na cultura vamos continuar a aperfeiçoar máquinas de pesquisa bem calibradas em vez de construir comunidades de pesquisa. Esses elementos culturais pouco debatidos podem influenciar a implementação da Ciência Aberta em instituições de pesquisa. Ignorá-los significa não responder às pesquisas que os tomadores de decisão estão fazendo. Iniciativas necessárias como discussões teóricas, atualização da prática, capacitações, fóruns em diversos segmentos, vem ocorrendo, ainda em velocidade e abrangência paulatinas. A pandemia acelerou processos e fomentou muitas abordagens e ações. Em formato online, durante o 29º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, ocorreu o evento paralelo, II
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 137 | Fórum de Bibliotecas Universitárias, sob o tema “Ciência: Aberta e Cidadã”, com significativas palestras e discussões sobre a abertura científica, provocando reflexões no papel do bibliotecário em sua conduta profissional nas bibliotecas universitárias. Dentre a programação do fórum, destacam-se palestras: Conversando sobre Ciência Aberta: confiança, tradições e inovações (Tiberius Ignat), Ciência Aberta e cidadã (Sarita Albagli), Engajamento das bibliotecas no movimento da Ciência Aberta (Elizabete Monteiro), Ciência para quem? a biblioteca universitária a serviço da ciência cidadã (Paula Carina de Araújo), Ciência cidadã: aproximando ciência e sociedade (Sheina Koffler). No fórum, a apresentação da consulta “Como você entende a Ciência Aberta?” 16 , foi divulgada por Sigrid Karin Weiss e Anderson Santana e as respostas obtidas com a pesquisa in loco, representam importantes contribuições à discussão (prática bibliotecária na Ciência Aberta). Dados revelaram informações desde o conhecimento sobre o tema, familiaridade com os termos, conceitos que mais necessitam conhecer, até ações da BU na Ciência Aberta, com destaque para dois quesitos, que complementam e expandem resultados apresentados até o momento, em linhas de uso e reuso de informações e dados de pesquisa: 1) fatores que dificultam a promoção da Ciência 16 Em e-mail enviado aos participantes do grupo do Google, no dia 9 de junho de 2022, a Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU) e a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (FEBAB), solicitaram participação em enquete para auxiliar planejamentos de futuros eventos e capacitações. A consulta objetiva conhecer a percepção dos profissionais das BU possuem sobre a Ciência Aberta que contribua com as atuais necessidades e demandas de projetos e desafios institucionais (Formulário e transcrição completa dos resultados estão como anexo).
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 144 | O acesso ao espaço virtual das bibliotecas deve se posicionar na página principal da universidade, além de outros pontos de acesso, dando visibilidade como espaço de informação e dinamizando-o como relevante amparo informacional para usuários em demandas técnicas, acadêmicas, científicas, extensionais, administrativas, institucionais; d. Os espaços virtuais precisam: 1) apresentar a biblioteca, com descrições, informes, fotos, canais de comunicação, em moldes de apresentação do espaço físico; 2) ampliar acesso aos acervos e serviços, com perspectivas de agilizar as necessidades e facilitar usos - necessária reorganização do conteúdo; Regimentar o site institucional como primeira e principal fonte de informação, um ponto central para acesso às informações relacionadas a biblioteca: serviços, produtos, sistemas, bases de dados, plataformas de conteúdo, canais de comunicação, redes sociais, dentre outros; Atualização do espaço virtual como meta estratégica de atuação, com o compromisso de dispor informação pertinente e de interesse à comunidade universitária, modificando a percepção da biblioteca, de lugar silencioso, calmo, estático para um ambiente atrativo, de energia, de movimento, de fluxo; Apresentação, através de mapas e organogramas, da estrutura organizacional do sistema de bibliotecas e da organização do site, localizando/posicionando o usuário em “onde estou” e direcionando-o para “onde quero ir” ou “aonde preciso ir”, tanto geograficamente, quanto na sua questão de informação.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 145 | A estrutura organizacional da biblioteca necessita ser estratégica, identificando unidades, setores, serviços, competências e atribuições, em sintonia com usuários e objetivos institucionais. Possuir um núcleo administrativo para gerenciar o conjunto de bibliotecas insere capacidade de visão tática, na definição de metas e objetivos para todo sistema, em moldes integrados e colaborativos. Torna-se primordial incentivos para implementações de modelos de atuação em cooperação e com integração de todos que convergem na ampliação de desempenho organizacional do sistema. Para essa finalidade e com o amparo tecnológico na realização de reuniões, encontros e fóruns internos, planos com expectativas de aproximar equipes podem ser aplicados para mediar e facilitar processos que envolvem estabelecimento de metas conjuntas e visibilidade às competências e atribuições de setores e unidades, em vias de elaborar objetivos organizacionais, planejamento de ações, atualização de políticas informacionais e institucionais, entre outros. Acervo, serviços de informação, espaços para estudo são - de maneira geral, simples e tradicional -, aparatos que sustentam a biblioteca universitária perante os diversos tipos de usuário. Os acervos são formados por conteúdos impressos e digitais, em variedade de suportes, formatos e acesso permitidos e potencializados pelas tecnologias. O acervo físico, através da automação de softwares livres e proprietários, oportuniza consulta ao catálogo, in loco e/ou online. O catálogo online é um dos serviços requisitados pelos usuários, que precisa ser adotado pelas bibliotecas.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 146 | Pesquisa científica, base da universidade que provoca e movimenta toda a comunidade universitária, requer disposição de informações relevantes, conteúdos de diferentes áreas e instituições, literatura científica de outros países, em contribuição com pesquisadores e com aumento da qualidade dos estudos desenvolvidos. Conhecer fontes de informação confiáveis, filtragem e precisão nos termos de busca, especificação de resultados faz parte do leque de expertises bibliotecárias que beneficiam o usuário em sua necessidade informacional, diante de volume inimaginável de informações com tantas possibilidades de acesso, disponíveis por assinatura e por livre acesso. Caminho liberado à conteúdos, dados e recursos informacionais de qualidade, resultantes de investimentos públicos, ampla visibilidade, maiores oportunidades para contribuir com estudos, formações de profissionais, de cientistas, são premissas que cercam a abertura científica. Usufruir de acervos com conteúdo científico próprio, de outras universidades, editoras, instituições acadêmicas, científicas etc., para livre acesso online são incentivados e configuram práticas de universidades, com recorrência constante e cada vez maior. Evidencia-se que a organização e disponibilização da produção intelectual universitária (de alunos, de professores, dos periódicos, da editora) deve envolver ou fazer parte das atribuições da biblioteca. Os repositórios institucionais vêm viabilizando a gestão e integração de acervos, de dados, disseminando acessos, agilizando buscas, preservando conteúdos e dando visibilidade em grande escala, sustentados por políticas informacionais. A partir da vivência profissional como bibliotecária de universidade há 15 anos, com função laboral envolvida nos serviços
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 147 | informacionais online, além de estudar essa temática a nível de mestrado, afirma-se que as bibliotecas podem oferecer inúmeros, alguns retratados na apresentação dos dados da pesquisa de campo e, com pesar, são encontrados com mais maestria na literatura que exercidos na prática. Importa destacar que os serviços de informação são, muitas vezes, invisíveis, que se relacionam ao processamento técnico, classificação, catalogação na fonte, indexação; ao espaço físico, como guarda-volumes, cabines de estudo individual, áreas para estudo, Wifi, entre outros. Serviços mais rotineiros se ligam à circulação do acervo, como cadastro de usuários, empréstimo domiciliar e entre bibliotecas, devolução, renovação e reserva de materiais informacionais, consulta in loco de dicionários, periódicos impressos, Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) impressos (monografias, dissertações e teses) etc. A disponibilização de acervos no espaço virtual, desde consulta ao catálogo do acervo físico até repositório institucional (com monografias, dissertações e teses), bases de livros, bibliotecas digitais e portais de periódicos se fortalece como serviço dinâmico. Elaboração de fichas catalográficas de livros e TCCs, normalização segundo ABNT, Vancouver, Chicago, levantamento bibliográfico especializado, serviços de referência, visitas guiadas, treinamentos e orientações são alguns dos serviços informacionais específicos disponibilizados por bibliotecários e/ou setores especializados. Espaços de interação informacionais com usuários, em linha assíncrona, através de FAQ, tutoriais, templates, manuais e guias sobre usos de serviços e sistemas, como também, interação síncrona, por meio de aplicativos de conversa, bate-papo, redes sociais, entre outras diversas opções de diálogo.
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 148 | Serviços inovadores são reivindicados para um cenário de possibilidades, proporcionado por avanços tecnológicos que estão em constante evolução, expondo quantidades imensuráveis de informações, que vem exigindo competências específicas de atuação, em decorrência dos âmbitos inéditos que vem surgindo da abertura da ciência e seus pilares: acesso aberto, dados abertos, códigos abertos, avaliação aberta, recursos educacionais abertos, redes científicas abertas, metodologias em aberto, ciência cidadã, pesquisa aberta e outros pilares, dimensões e facetas. Os sites das universidades necessitam descrever e disponibilizar informações sobre os ambientes e os serviços que prestam, no presencial e online, conectando-se com o usuário e tornando o acesso ao espaço físico para demandas muito específicas; dando visibilidade a atuação de profissionais e setores; descarregando demandas das equipes da biblioteca; agilizando o uso efetivo da estrutura da biblioteca, em necessária integração. Promissores e necessários cenários se apresentam ao longo deste estudo, todavia, concretizar práticas, ações e atuações não são provenientes de um segmento e seu processo anseia efetivas participações, integrações protagonistas de atores principais, que devem adotar comportamentos convergentes ao avanço do campo científico. A pesquisa revela diversos aspectos que podem ser abordados, porém discussões em torno de apoio institucional, competências, práticas bibliotecárias em contexto da Ciência Aberta são esperadas neste livro. Percebe-se a instauração de um manto de invisibilidade na biblioteca decorrendo de ações e reações nos diversos segmentos e possibilidades de atuação bibliotecária, ocasionadas, principalmente, de um não buscar do usuário, um não esperar
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 149 | da instituição e um não agir de setores e unidades bibliotecárias, elementos interdependentes e envoltos em um ciclo que precisa e pode ser interrompido pelo fortalecimento da ciência. A ausência do agir bibliotecário instiga o usuário a não buscar apoio com suas demandas. No campo científico, o usuário pesquisador, por exemplo, recorre a meios alternativos para conseguir a ajuda que precisa, tornando-se independente na resolução de demandas, nos meios para adquirir informações, no uso de bases e recursos científicos. A autonomia do usuário provoca maior desenvoltura com os processos de construção do conhecimento, levando ao entendimento que, quanto maior o período que realiza as atividades de forma independente, mais ágil e assertivo se torna. Salienta-se, ainda, que os sistemas de informação estão cada vez mais amigáveis e intuitivos, dispensando o suporte de especialistas e com acesso online em inúmeros dispositivos disponíveis, que representa estações de trabalho e de pesquisa em qualquer lugar, a qualquer hora. A instituição, como organização a qual se vincula a biblioteca, assume uma postura de não esperar ações mais efetivas e contributivas da unidade, ao não incluir a unidade em espaços institucionais (Consuni, Consepe, COC), em eventos (recepção de novos alunos, congressos internos), em planejamento de atividades de setores, coordenações, dentre outras. A participação torna-se necessária para acompanhar e entender atividades e processos que fazem parte da vivência universitária, instigam e direcionam o agir, com antecipada busca por habilidades e reorganizações de setores para a realidade da universidade. Assim, adentrar nesses espaços depende, por vezes, da instituição, mas evidencia-se que o engajamento e permanência neles depende
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 150 | da performance da biblioteca que deve ativar outras facetas de atuação, pautada em diálogos, práticas e ações como parceira confiável no desenvolvimento de atividades. O não envolvimento em demandas do usuário e não inclusão em ações institucionais, provocam um não agir da biblioteca que assume uma postura mais passiva, com atuação limitada ao atendimento de demandas básicas, envolta com processamentos técnicos, empréstimo de materiais informacionais, manutenção de acervos físicos organizados, espaços de estudos abertos, com internet, estruturada para atividades costumeiras e de rotina. Bibliotecas requisitadas, provocadas, proativas se mantém atualizadas e bem mais preparadas para atender demandas, articuladas nas atividades dos setores institucionais, ressignificando ações e atuações. Ainda exemplificando a partir do campo científico, torna-se imprescindível estabelecer a percepção que possuir apoio de setor ou profissional com expertise informacional representa: 1) ampliação e precisão no alcance de resultados esperados; 2) uso de fontes de informação relevantes e confiáveis; 3) utilização eficaz dos recursos de apoio à pesquisa; 4) contribuição no aumento da qualidade de estudos e pesquisas; 5) liberação dos processos informacionais; 6) concentração na construção científica com excelência. Um desenho do ciclo de ações e reações que, quando se modificam, reconfigura a situação da biblioteca no meio que se encontra, tornando-a visível ou invisível, dependendo da forma de agir dos atores.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 151 | Figura 38 - Ciclo da (in)visibilidade da biblioteca Fonte: Autoria própria (2023) No panorama revelado pelos sujeitos da pesquisa, é possível destacar e afirmar que as limitações de atuação ocorrem pela quantidade insuficiente de bibliotecários para atendimento de demandas, ausência de habilidades informacionais para atuar e não envolvimento com a vivência universitária. Na rotina laboral do bibliotecário de uma BUPE, atuar na Ciência Aberta parece
FERNANDA MIRELLE DE ALMEIDA SILVA 152 | complexo ou até utópico, se não houver resiliência, formações continuadas e apoio institucional. Os cenários transformadores convocam atuações diferenciadas, inovadoras, proativas, protagonistas e os profissionais que atendem tal convocação possuem formação continuada, quadro de bibliotecários com quantitativo suficiente e apoio institucional (BUPE-2, BUPE-9 e Figura 30). Articular a prática científica com a profissional é benéfico em várias instâncias, pois ciência não se faz apenas no campo teórico, mas também no campo prático. A formação continuada aperfeiçoa e atualiza o profissional, dinamiza o setor e propicia um acompanhamento “natural” do âmbito institucional. Destarte, motivações são necessárias e gerenciá-las junto às equipes de trabalho condizem com alinhamento estratégico necessário que define práticas e restaura valores e clima organizacional. O questionário desta pesquisa, encaminhado aos gestores dos sistemas de bibliotecas, por entender que, pelo cargo que ocupam, saberiam responder aos questionamentos, considerados básicos para quem gerencia um sistema. No entanto, as respostas indicaram desconhecimento de nomes dos softwares utilizados pela biblioteca, desconhecimento de atividades relacionadas à Ciência Aberta desenvolvidas pela universidade, além de fornecer respostas conflitantes com os dados coletados pelos sites (1ª etapa). Evidencia-se que as habilidades de gestão devem ser fortalecidas e cultivadas para exercício valoroso, principalmente, para liderar servidores públicos, assumir a importante missão de dialogar com a gestão universitária, planejar ações e atuações, tomar decisão, determinar objetivos, motivar equipes, com auxílio de plano gerencial de ação claro, articulado e estratégico.
AGIR BIBLIOTECÁRIO NA CIÊNCIA ABERTA: PANORAMA DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS ESTADUAIS BRASILEIRAS 153 | O papel de um gestor lhe exige ser dinâmico, gostar de desafios, estar disposto e aprender sempre, ter visão de futuro, ser um bom líder, íntegro e ético. Para obter este perfil, o gerente precisa saber ser, saber agir e desenvolver suas competências por meio da aprendizagem na organização (Oderich, 2005). Para tanto, é necessário entender como ocorre o processo de desenvolvimento de competências gerenciais e qual é o papel da aprendizagem neste processo (Lima; Villardi, 2015, p. 239). A Figura 29 que, de acordo com a CBO (BRASIL, 2010), descreve o bibliotecário como gerente de informação e gestor de informação e, uma vez ativado seu perfil de atuação profissional, define o tipo de gestão que aplicará e liderará sua equipe. Há vários tipos de gestão que a literatura e a prática revelam: gestão de pessoas com foco em processos, com foco em resultados, competência, democrática, por desempenho etc. A gestão de pessoas por competência, permite a coerência com “a missão, a estratégia e o planejamento organizacional, capazes de oferecer aos servidores referenciais de desempenho adequados” (Silva; Honório, 2021, p. 230). Logo, definir o modelo de gestão torna-se importante ferramenta ao contexto organizacional, pois vai além de uma simples escolha administrativa; trata-se de uma decisão estratégica fundamental que orienta a forma como a organização interage com seu ambiente interno e externo. Em um cenário marcado por constantes transformações, competitividade crescente e desafios socioeconômicos e ambientais complexos, um modelo de gestão bem estruturado permite alinhar recursos, processos e pessoas de maneira integrada e consciente. Assim, torna-se uma ferra-