Full text
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 1 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 Quantificação e neutralização de emissões de gases do efeito estufa em evento científico na Universidade Federal de Uberlândia como ferramenta de sensibilização climática Quantification and neutralization of greenhouse gas emissions at a scientific event at the Universidade Federal de Uberlândia as a climate awareness tool Vicente Toledo Machado de Morais Junior Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Campus Monte Carmelo. Líder do Núcleo de Planejamento e Manejo Florestal (NUPLAMFLOR) e do Centro de Formação em Educação Climática (CEFEC). Monte Carmelo, MG, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-5227-1951 [email protected] Pedro Emídio Gonçalvez Vaz Discente do curso de Engenharia Florestal, Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Campus Monte Carmelo. Membro do Núcleo de Planejamento e Manejo Florestal (NUPLAMFLOR) e do Centro de Formação em Educação Climática (CEFEC). Monte Carmelo, MG, Brasil. https://orcid.org/0009-0009-8055-0574 [email protected] Jacqueline Bonfim e Cândido Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Campus Monte Carmelo. Coordenação de Botânica e Biodiversidade no Núcleo de Planejamento e Manejo Florestal (NUPLAMFLOR) e do Centro de Formação em Educação Climática (CEFEC). Monte Carmelo, MG, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-1092-0444 [email protected] Rafael Maick dos Santos Discente do curso de Engenharia Florestal, Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Campus Monte Carmelo. Membro do Núcleo de Planejamento e Manejo Florestal (NUPLAMFLOR) e do Centro de Formação em Educação Climática (CEFEC). Monte Carmelo, MG, Brasil. https://orcid.org/0009-0008-0200-9902 [email protected] Maria Izabel Maciel da Silva Discente do curso de Engenharia Florestal, Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Campus Monte Carmelo. Membro do Núcleo de Planejamento e Manejo Florestal (NUPLAMFLOR) e do Centro de
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 2 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 Formação em Educação Climática (CEFEC). Monte Carmelo, MG, Brasil. https://orcid.org/0009-0004-4417-9476 [email protected] Daniel Paranaíba Gosuen Discente do curso de Engenharia Florestal, Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Campus Monte Carmelo. Membro do Núcleo de Planejamento e Manejo Florestal (NUPLAMFLOR) e do Centro de Formação em Educação Climática (CEFEC). Monte Carmelo, MG, Brasil. https://orcid.org/0009-0000-5826-9895 [email protected] Matheus Pedro da Silva Discente do curso de Engenharia Florestal, Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Campus Monte Carmelo. Membro do Núcleo de Planejamento e Manejo Florestal (NUPLAMFLOR) e do Centro de Formação em Educação Climática (CEFEC). Monte Carmelo, MG, Brasil. https://orcid.org/0009-0000-4044-2813 [email protected] Luciano Cavalcante de Jesus França Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Campus Monte Carmelo. Líder do Núcleo de Planejamento e Manejo Florestal (NUPLAMFLOR) e do Centro de Formação em Educação Climática (CEFEC). Monte Carmelo, MG, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-8885-972X luciano.fran[email protected] Resumo O aumento da emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) tem causado consequências significativas ao planeta. Nesse sentido, são primordiais as ações de redução desses gases com medidas de neutralização dessas emissões. Um dos mais importantes mecanismos são os inventários de GEE associados às compensações por meio de plantios florestais. Este estudo teve como objetivo quantificar e neutralizar as emissões de GEE geradas durante um evento técnico-científico da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), campus de Monte Carmelo. Como estudo de caso, foi utilizado o 11º Simpósio de Ciências Agrárias e Ambientais (SICAA) realizado em 2024 na referida universidade. O inventário foi elaborado seguindo a metodologia do GHG Protocol Brasil, abrangendo os escopos 1, 2 e 3. As principais fontes de emissão incluíram combustão móvel, geração de resíduos sólidos, consumo de energia elétrica e efluentes. O total de emissões foi de 3,89 tCO₂e, compensadas por meio do plantio de 99 mudas nativas em uma área antropizada do Parque da Matinha, em Monte Carmelo, com base em estimativas de sequestro de carbono do bioma Cerrado. Além disso, foram realizadas ações de sensibilização climática com o público envolvido, promovidas pela Sala Verde Centro de Formação em
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 3 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 Educação Climática (CEFEC UFU). O estudo propõe um protocolo metodológico de integração da gestão climática de eventos acadêmicos integrados com ações de educação para enfrentamento à mudança do clima com interface na pesquisa, ensino e extensão. Palavras-chave: Mudança climática, Inventário de Emissões, Neutralização, Educação Climática, Sustentabilidade. Abstract The increase in greenhouse gas (GHG) emissions has had significant consequences for the planet. In this sense, actions to reduce these gases with measures to neutralize these emissions are essential. One of the most important mechanisms is GHG inventories associated with offsets through forest plantations. This study aimed to quantify and neutralize GHG emissions generated during a technical-scientific event at the Federal University of Uberlândia (UFU), Monte Carmelo campus. The 11th Symposium on Agricultural and Environmental Sciences (SICAA) held in 2024 at the aforementioned university was used as a case study. The inventory was prepared following the GHG Protocol Brazil methodology, covering scopes 1, 2, and 3. The main emission sources included mobile combustion, solid waste generation, electricity consumption, and effluents. Total emissions were 3.89 tCO₂e, offset by planting 99 native seedlings in an anthropized area of Matinha Park, in Monte Carmelo, based on estimates of carbon sequestration in the Cerrado biome. In addition, climate awareness actions were carried out with the public involved, promoted by the Sala Verde Center for Training in Climate Education (CEFEC UFU). The study proposes a methodological protocol for integrating climate management of academic events integrated with educational actions to address climate change with an interface in research, teaching and extension. Keywords: Climate change, Emissions inventory, Neutralization, Climate education, Sustainability. 1. Introdução Alcançar metas climáticas ambiciosas requer a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), que são compostos químicos presentes na atmosfera que desempenham um papel essencial na regulação da temperatura global (Filonchyk et al., 2024). No entanto, desde a Revolução Industrial, atividades como a agropecuária, desmatamento e a queima de combustíveis fósseis intensificaram o efeito estufa. Isso tem aumentado a ocorrência de eventos climáticos extremos, como secas, inundações, ondas de calor e queimadas, gerando impactos socioambientais, como a perda de biodiversidade e riscos à segurança alimentar (NASA, 2021). Em 1992, foi criada a “United Nations Framework Convention on Climate Change” (UNFCC), com 196 países integrantes. Seus principais marcos foram a adoção do Protocolo de Kyoto em 1997, as negociações climáticas de Copenhagen em 2009 e o Acordo de Paris de 2015, visando estabilizar as concentrações de GEE aos níveis que não afetem perigosamente o sistema climático global. As metas de atingir emissões líquidas zero de carbono até o ano de 2050, como previsto no Acordo de Paris, dependem da implementação de diversas medidas sociais, econômicas, ambientais e tecnológicas (Chen et al., 2022).
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 4 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 Diante da busca das instituições por evidências de sua responsabilidade climática, ocorre o engajamento para formulação de iniciativas, diretrizes e cálculos para quantificar as emissões diretas e indiretas de GEE. A Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol) foi criada para fornecer diretrizes padronizadas na quantificação e compensação das emissões de GEE no mundo (Hickmann, 2017). O Programa Brasileiro foi desenvolvido em 2008, adaptado ao contexto nacional, a metodologia é compatível com as normas ISO 14064 e com as diretrizes do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), garantindo sua aplicabilidade e reconhecimento internacional (FGV EAESP). Dessa forma, o inventário de GEE é uma ferramenta essencial na quantificação das emissões, com base em ferramentas como a GHG Protocol Brasil. Além de gerar uma gama de benefícios à mudança do clima, a gestão de emissões das atividades de uma instituição, pode possibilitar a melhor performance econômica, a partir da otimização do uso de seus recursos. Além disso, o emprego de metodologias confiáveis de quantificação permite a implementação de ações eficazes para participação em relatórios públicos de emissões, mercado de carbono e educação ambiental (Yaman, 2024). A neutralização de emissões de GEE configura-se como uma estratégia essencial no contexto do desenvolvimento sustentável, ao viabilizar a compensação de emissões por meio de práticas de remoção de carbono atmosférico. A neutralização mediante ações como o plantio de espécies arbóreas nativas em áreas degradadas, contribuem simultaneamente para o estoque de carbono e para a restauração ecológica (Morais Junior et al., 2019). Além de mitigar os impactos climáticos, essas iniciativas promovem benefícios ecossistêmicos, como a conservação da biodiversidade e o fortalecimento da bioeconomia local, especialmente quando integradas a modelos de restauração com alta diversidade florística (Brancalion et al., 2012). A realização de inventários e a neutralização das emissões em eventos acadêmicos têm caráter educativo e operacional de adaptação à mudança do clima, como visto no trabalho de Morais Junior et al., (2020). As Instituições de Ensino Superior (IES), ao incorporarem tais atividades, consolidam-se como centros de educação climática para fomentar a capacitação institucional, apoiados por parcerias de financiamento de longo prazo (Khan et al., 2019). Essa atuação torna-se fundamental para atingir as metas estabelecidas no Acordo de Paris, em países em desenvolvimento, como modelos práticos de gestão sustentável para a sociedade (Tauchen e Brandli, 2006; Rohrich e Takahashi, 2019). A atuação das IES brasileiras frente à crise climática tem se consolidado por meio da incorporação de práticas de gestão ambiental, com a elaboração de inventários de GEE e ações de neutralização (UFABC, 2024; Castro, 2024). Além de cumprir um papel educativo, ações de gestão climática em universidades e eventos acadêmicos funcionam como ferramentas estratégicas de transformação institucional e instrumentos de enfrentamento à emergência climática (Silva, 2023). Ao integrar diagnóstico, monitoramento e ações efetivas de mitigação, IES cumprem o papel como catalisadoras de políticas públicas e da inovação voltada à ação climática (Brianezi, 2014). A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) tem se destacado no engajamento ao enfrentamento da mudança climática. Demonstrado, por exemplo, ao adotar as diretrizes da Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) que busca incorporar práticas de sustentabilidade ambiental na rotina da administração pública (UFU, 2018). Além da criação da Sala Verde CEFEC (Centro de Formação em Educação Climática) com finalidade de impulsionar ações educativas alinhadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), à Política Nacional de Educação Ambiental
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 5 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 (PNEA) e à Lei n° 14.926/2024, que estabelece a educação climática nas escolas brasileiras a partir de 2025 (GREEN ROOM – CEFEC, 2025). Portanto, objetivou-se com o presente estudo a realização do inventário e a neutralização de GEE do 11º SICAA – Simpósio de Ciências Agrárias Ambientais no campus de Monte Carmelo da UFU, considerando a sensibilização para o tema “Mudanças Climáticas” do público envolvido no evento e nas atividades de neutralização, posteriormente. 2. Material e métodos A quantificação de emissões de GEE aconteceu durante a realização do evento 11º SICAA – Simpósio de Ciências Agrárias Ambientais no campus da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em Monte Carmelo, entre os dias 4 e 7 de novembro de 2024. Além do campus houve atividades de responsabilidade direta do evento em outros locais na cidade, como “minicursos com experiências práticas de campo” e o “Boteco do SICAA”, portanto, a abrangência do Inventário de GEE considerou outros locais externos ao campus da UFU – Monte Carmelo (Figura 1). Figura 1 - Mapa de localização apresentando a abrangência do Inventário de GEE, notadamente a parte do evento realizado no campus da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em Monte Carmelo e ações paralelas nos espaços Pelicano Eventos, Fazenda Santa Bárbara Cafés Especiais, Viveiro de Mudas do IEF e Parque da Matinha.
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 6 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 A neutralização das emissões ocorreu no dia 22 de fevereiro de 2025 no Parque da Matinha, uma área florestal adjacente à zona urbana de Monte Carmelo - MG. A “Sala Verde” conhecida como Centro de Formação em Educação Climática (CEFEC), legalmente institucionalizada pela UFU frente ao Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima, promoveu diversas ações de sensibilização climática ao longo do evento e na neutralização das emissões (NUPLAMFLOR LAB UFU, 2025; MMAMC, 2025). Portanto, a ação abrangeu os participantes diretos do evento do SICAA e o público presente durante a neutralização das emissões. 2.1 Inventário de Emissões de GEE O procedimento de inventário de emissões dos GEE do 11º SICAA – UFU considerou a metodologia estabelecida pelo “Programa Brasileiro GHG Protocol”, Greenhouse Gas Protocol: a Corporate Accounting and Reporting Standard, desenvolvida pela FGVces e WRI, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), World Business Council for Sustainable Development (WBSCD), visando também ao atendimento, dos padrões estipulados pela norma ISO 14064-1 e as demais relacionadas no âmbito da 14064 (WBCSD; WRI, 2004; FGV EAESP, 2024). O procedimento para o inventário de emissões de GEE adotou a metodologia definida pelo Programa Brasileiro GHG Protocol. Essa metodologia foi desenvolvida pela FGVces e WRI, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). O procedimento também buscou atender aos padrões estabelecidos pela norma ISO 14064-1 (WBCSD; WRI, 2004; FGV EAESP, 2024). 2.1.1 Definição de limite organizacional e operacional do evento 2.1.1.1 Limites Organizacional O limite organizacional consiste nas unidades ou instalações contempladas pelo inventário. Para este caso, adotou-se o campus da UFU em Monte Carmelo, por ser local que sediou o 11º SICAA, sua infraestrutura e serviços associados, e o relacionamento dela com todas as partes envolvidas, além de um espaço de festas (nomeado como Pelicanos Evento), local onde aconteceu o “Boteco do SICAA”, uma festa de encerramento do evento. 2.1.1.2 Limite Operacional O Protocolo GHG distingue três escopos de emissões que podem ser atribuídos, usados para classificar as fontes emissoras para a contabilização e elaboração dos resultados. Essa distinção permite saber quais emissões serão de responsabilidade do evento, colaborando para qualidade do inventário (Kasperzak et al., 2023). De acordo com o Programa Brasileiro GHG Protocol e a ABNT NBR ISSO 14064, as emissões foram categorizadas e enquadradas nesses três escopos como forma de auxiliar na
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 7 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 determinação das fontes emissoras diretas e indiretas (ABNT, 2015), conforme a Tabela 1. Conforme preconizado pelo GHG Protocol, foram determinados os limites de abrangência no inventário, sendo eles os escopos 1, 2 e 3. O limite pelo controle operacional do inventário de GEE do evento foi definido a partir do mapeamento e quantificação das emissões de responsabilidade do evento. O mapeamento das fontes emissoras e a quantificação dos dados foi conduzida por equipe técnica devidamente treinada, composta por discentes e docentes do curso de Engenharia Florestal e Agronomia do campus UFU de Monte Carmelo. Posteriormente, foi realizado o cálculo das emissões de dióxido de carbono equivalente (CO2e) baseado no potencial de aquecimento global (Global Warming Factor) - GWF descrevendo o impacto da forçante radiativa de uma unidade de massa de um gás de efeito estufa (GEE) em relação a uma unidade de dióxido de carbono equivalente ao longo de um período determinado. Os valores de referência são: Dióxido de Carbono (PAG = 1), Metano (PAG = 25) e Óxido Nitroso (PAG = 298). Foi utilizada a ferramenta de cálculo disponibilizada pelo Programa Brasileiro GHG Protocol (GHG Protocol, 2025). Tabela 1. Escopos e descrições das fontes emissoras. Escopo Definição Escopo 1 Emissões diretas São as relativas a fontes que pertencem ou são de controle da organização, ou seja, emissões originadas dentro dos limites organizacionais. Escopo 2 Emissões indiretas Emissões provindas da geração de energia elétrica (rede) e do processo de tratamento de água e esgoto, essas emissões acontecem em outras áreas fora dos limites organizacionais do evento. Escopo 3 Outras emissões indiretas São outras emissões causadas por atividades que acontecem na cadeia de valor da organização do evento. São oriundas de fontes que não pertencem ou não são controladas pela organização do evento. 2.1.1.3 Coleta de Dados Após a definição dos limites do inventário, identificou-se as principais fontes emissoras, para estabelecimento das coletas dos dados (Figura 2). Posteriormente, esses dados foram utilizados para realização do cálculo das emissões de GEE seguindo as diretrizes do GHG Protocol Brasil, (2018) com suporte da Ferramenta do Programa Brasileiro GHG Protocol (GHG Protocol Brasil, 2025).
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 8 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 Figura 2 - Fontes emissoras de Gases de Efeito Estufa (GEE) mapeadas para coleta de dados durante o 11º Simpósio de Integração Acadêmica de Ciências Agrárias (SICAA) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). As fontes emissoras foram incorporadas dentro de cada escopo da análise do Inventário de GEE (Limite operacional), a seguir estão demonstradas as fontes emissoras e suas definições agrupadas em cada escopo considerado na análise. 2.1.1.4 Escopo 1: Combustão móvel São as emissões de GEE provenientes da queima de combustível, em que ocorre sua oxidação. A energia gerada pela combustão geralmente é utilizada para produzir movimento e percorrer um trajeto. A delimitação dessa fonte foi feita a partir dos dados de deslocamento dos palestrantes até o local do evento e o transporte de mudas para o plantio de neutralização, sendo assim os dados coletados foram: a distância percorrida pela frota de veículos e aviões no caso específico de alguns palestrantes para se determinar a quantidade de combustível consumido para deslocamento dos participantes e para transporte dos insumos do plantio de neutralização realizado posteriormente. Portanto, o consumo, em litros, dos combustíveis utilizados pela frota de veículos no evento foi utilizado com a base para conversão dos dados de emissões de GEE conforme está apresentado na Equação 1: As emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) consideradas nesta categoria são provenientes da queima e subsequente oxidação de combustíveis utilizados para o deslocamento de palestrantes até o local do evento e para o transporte das mudas destinadas ao plantio de neutralização. As informações detalhadas sobre os
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 9 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 deslocamentos, tais como trajeto percorrido, tipo de veículo e combustível utilizado, foram obtidas diretamente com os palestrantes do evento. Esses dados permitiram delimitar com precisão a fonte de emissões, incluindo as distâncias percorridas pela frota de veículos e, em casos específicos, pelos aviões utilizados por alguns palestrantes. Com base nessas informações, foi possível calcular a quantidade de combustível consumida durante o transporte dos participantes e dos insumos necessários para o plantio de neutralização realizado posteriormente. Assim, o consumo total de combustível, expresso em litros, foi utilizado como base para o cálculo e conversão das emissões de GEE, conforme apresentado na Equação 1: 𝐸 = 𝑄 ∗ 𝐹𝐸 Eq. 01 Em que: (E = Emissão de GEE, em toneladas; Q = Quantidade consumida de combustível, em litros; FE = Fator de emissão de GEE por tipo de combustível). 2.1.1.5 Escopo 1: Combustão Estacionária A combustão estacionária se refere às emissões de GEE provenientes da queima de combustível, a energia gerada é utilizada para produzir calor para preparação das refeições. Durante a realização do evento foram realizados ““Coffe Break”s” no período da manhã e à tarde, também houve a venda de refeições durante o almoço da Feira Tecnológica de Ciências Agrárias e Ambientais” (FEAGRO), além do jantar na festa de encerramento “Boteco do SICAA”. O preparo da comida para essas atividades gerou o consumo de Gás Liquefeito de Petróleo, definida pela Equação 02: 𝐸 = 𝑄 ∗ 𝐹𝐸 Eq. 02 Em que: (E = Emissão de GEE, em toneladas; Q = Quantidade consumida de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), m³; FE = Fator de emissão de GEE por consumo de GLP). 2.1.1.6 Escopo 1: Geração de resíduos sólidos e material gráfico Os resíduos inorgânicos e orgânicos gerados em função do SICAA também fizeram parte das emissões, foram realizadas pesagens diárias dos resíduos gerados nos locais onde aconteciam o evento no campus, utilizou-se balança digital de precisão. As principais coletas foram realizadas durante os intervalos dos“Coffee Break's”, com a geração de plástico (garrafas de refrigerante), papelão (embalagens de comida), além de resíduos orgânicos provenientes dos descartes. Além disso, os materiais produzidos visam a divulgação do evento como blocos de notas, crachá e pastas. No evento, os resíduos não foram separados por tipologia de materiais, foram dispostos de forma misturada e destinados para o aterro sanitário do município. Para o cálculo das emissões de metano (CH4) na disposição final de Resíduos Sólidos em aterros, em toneladas, utilizou-se a equação 03:
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 16 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 × 1%: 2,97 g. Como descrito na Tabela 3, a adubação nitrogenada das mudas gerou a emissão totais de 0,0085 tCO₂e. Tabela 3 - Análise Geral das Emissões do evento. Emissões Categoria (Fonte de emissão) Emissões totais (tCO₂e) Emissões biogênicas (tCO₂e) Escopo 1 Combustão Estacionária 0,437 - Combustão Móvel 1,43 0,213 Resíduos Sólidos 0,504 0,056 Adubação para plantio de Neutralização 0,0085 - Total 2,384 0,269 Escopo 2 Aquisição de energia elétrica 0,092 - Descarte de efluentes 0,064 - Total 0,156 - Escopo 3 Combustão Móvel (FEAGRO) 1,151 0,281 Resíduos Sólidos (FEAGRO) 0,14 - Total 1,291 0,281 Total Geral 3,89 0,55 3.2 Escopo 2: Energia elétrica O consumo de energia elétrica durante o evento foi de 1,315 MWh, resultando em uma estimativa de 0,092 tCO₂e emitidas. Efluentes O consumo de água e a geração de efluentes durante o evento foram estimados em 85,04 m³, resultando em emissões de 0,0645 tCO₂e. 3.3. Escopo 3: Combustão móvel (FEAGRO) O deslocamento de veículos vinculados à preparação da feira, incluindo empresas participantes e responsáveis pela montagem da estrutura, totalizou 9.144 km percorridos, resultando na emissão de 1,43 tCO₂e. Resíduos sólidos (FEAGRO) Durante a realização da feira, foram gerados 66,00 kg de resíduos sólidos, conforme pesagens realizadas pela manhã e à tarde, correspondendo a 0,14 tCO₂e em emissões.
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 17 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 3.4 Análise Geral das Emissões De acordo com o Inventário de GEE do 11º SICAA, o evento foi responsável por um total de emissões de 3,89 tCO₂e e 0,55 tCO₂e de emissões biogênicas. Como descrito na Tabela 2. O Escopo 1 foi a principal fonte de emissão do evento, influenciada principalmente pela combustão móvel com 1,43 tCO₂e. A geração de resíduos apresentou 0,504 tCO₂e, seguido da combustão estacionária com 0,437 tCO₂e. Com a adubação de nitrogênio representando somente 0,0085 tCO₂e. Para o escopo 2, a aquisição de energia elétrica foi o setor de maior emissão com 0,092 tCO₂e, enquanto consumo de água correspondeu a somente 0,064 tCO₂e. Já no Escopo 3, a principal fonte emissora foi a combustão móvel com 1,15 tCO₂e. e 0,14 tCO₂e no descarte de resíduos da FEAGRO. De acordo com os dados obtidos por meio da contagem de público, SICAA contou com a participação direta de 782 pessoas. Dentre os envolvidos, destacam-se: 190 inscritos no evento, 31 palestrantes, 41 membros da comissão organizadora, 20 avaliadores de trabalhos acadêmicos e aproximadamente 500 visitantes na FEAGRO. Considerando a emissão total de gases de efeito estufa associada ao evento e o número total de participantes, a pegada de carbono média foi estimada em 4,97 kg CO₂e por pessoa. 3.5 Medidas de redução das emissões do evento Resíduos sólidos A mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) associadas ao descarte de resíduos sólidos durante o evento pode ser promovida por meio de estratégias de gestão adequada. Entre elas, destaca-se a implementação da coleta seletiva, possibilitando a destinação correta e a reciclagem dos materiais descartados. A ampliação do número de recipientes para descarte, especialmente em pontos de grande circulação como a FEAGRO e sua disposição em locais de fácil acesso. Essas são medidas que favorecem o engajamento do público e incentivam o descarte consciente, uma vez que, a maior parte dos resíduos sólidos gerados durante o evento (Escopo 1) é proveniente do “Coffee Break”, com destaque para embalagens como caixas de papelão e garrafas PET. Na ausência de práticas de reciclagem, esses resíduos são considerados como destinados a aterros sanitários, contribuindo para emissões de CO₂ e CH₄. Como estratégia para diminuir o descarte de resíduos do evento pode acontecer a eliminação de brindes e impressos descartáveis (blocos de notas, folders, canetas de plástico, dentre outros), isto não só reduziria o consumo de papel e plástico, mas também incentivaria o uso de alternativas digitais — como QR codes para acesso a material de apoio e aplicativos de networking — diminuindo custos e o volume de resíduos gerados. A parceria com cooperativas de compostagem ou hortas comunitárias poderia ajudar na quantificação rigorosa dos resíduos gerados e sua destinação adequada (compostagem in loco ou envio para unidades de tratamento), permitindo recuperar matéria orgânica e evitar emissões de metano em aterros sanitários. Combustão móvel A combustão móvel, decorrente do deslocamento de palestrantes, transporte de mudas para o plantio e movimentação de empresas participantes da FEAGRO, foi
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 18 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 responsável por 64,4% das emissões totais de GEE do evento. Esse percentual corresponde a 1,43 tCO₂e no Escopo 1 e 1,15 tCO₂e no Escopo 3. A substituição do combustível utilizado nos veículos, a gasolina pelo etanol, poderia resultar em uma redução de aproximadamente 2,50 tCO₂e nas emissões. Essa substituição, entretanto, implicaria no aumento de 1,89 tCO₂e em emissões biogênicas. Por serem originadas da queima de biomassa, as emissões do etanol são consideradas climaticamente neutras, uma vez que o CO₂ liberado integra um ciclo biológico de curto prazo, diferentemente dos combustíveis fósseis que integram o ciclo geológico (Liu et al., 2023). Adicionalmente, a coleta de dados mais detalhados sobre a frota utilizada (tipo de veículo, combustível e ano de fabricação) pode proporcionar maior precisão nos cálculos e identificar oportunidades de mitigação. A priorização de convidados locais ou que possam participar de forma remota, reduziria significativamente a necessidade de viagens aéreas ou rodoviárias de longa distância, diminuindo a pegada de carbono associada ao transporte. Além disso, sessões híbridas – presenciais e virtuais – ampliam o alcance sem comprometer a sustentabilidade. Essa estratégia pode ajudar na diminuição de emissões provindas da combustão móvel do deslocamento dos palestrantes. 3.6 Neutralização das emissões de GEE O processo de neutralização acontece a partir dos dados da quantificação de emissões, que apontou 3,89 tCO₂e. O número de plantas necessárias é calculado pela reação entre as emissões totais e o estoque de carbono de cada árvore no cerrado 0,044 tCO₂e, totalizando 87 mudas. Foi feita a adição de 15% no número de indivíduos considerando eventuais perdas por mortalidade, uma vez que, o plantio foi realizado no final da estação chuvosa, totalizando 99 mudas. No desenho amostral para remoção de dióxido de carbono, foram estabelecidas 11 espécies nativas com 9 indivíduos aleatorizados em 3 blocos e 3 linhas (Tabela 3). O Material Suplementar 01 apresenta evidências do plantio das mudas realizado durante a ação. Tabela 3 - Lista de espécies nativas selecionadas para o plantio de neutralização do evento científico realizado na Universidade Federal de Uberlândia no campus de Monte Carmelo em 2024. Nome popular Nome científico Grupo funcional Status de ameaça Bioma de ocorrência jatobá Hymenaea courbaril L. Diversidade Pouco preocupante (LC) Cerrado, Mata Atlântica, Amazônia ipê-roxo Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos Recobrimento Quase ameaçada (NT) Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica pau-ferro Libidibia ferrea (Mart. ex Tul.) L.P.Queiroz Diversidade Pouco preocupante (LC) Cerrado, Caatinga
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 19 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 Nome popular Nome científico Grupo funcional Status de ameaça Bioma de ocorrência paineira Ceiba speciosa (A.St.-Hil.) Ravenna Recobrimento Pouco preocupante (LC) Cerrado, Mata Atlântica angicovermelho Anadenanthera peregrina (L.) Speg. Diversidade Pouco preocupante (LC) Cerrado, Caatinga ingá-demetro Inga edulis Mart. Recobrimento Não avaliada (NE) Amazônia, Cerrado baru Dipteryx alata Vogel Diversidade Quase ameaçada (NT) Cerrado pau-debálsamo Myrocarpus frondosus Allemão Diversidade Vulnerável (VU - ICMBio) Cerrado, Mata Atlântica ipê-branco Tabebuia roseoalba (Ridl.) Sandwith Recobrimento Pouco preocupante (LC) Cerrado, Pantanal ipê-amarelo Handroanthus albus (Cham.) Mattos Recobrimento Pouco preocupante (LC) Cerrado, Caatinga ipê-verde Cybistax antisyphilitica (Mart.) Mart. Recobrimento Pouco preocupante (LC) Cerrado, Caatinga A seleção de espécies foi feita com base em inventário florestal realizado no Parque Municipal da Matinha (Lopes et al., 2011) e na disponibilidade de mudas no Viveiro do Instituto Estadual de Florestas (IEF) local. O preparo da área foi executado na semana anterior ao plantio, adotando-se o espaçamento de 3 m × 2 m, o que resultou em uma área total de 594 m². A intervenção foi realizada de forma mecanizada, com o auxílio de trator, incluindo a remoção da camada superficial do solo para o controle de plantas invasoras, limpeza do terreno e abertura de covas com 30 cm de profundidade. Também foram aplicadas iscas formicidas visando ao manejo de formigas cortadeiras. A adubação ocorreu no momento do plantio, e garrafas PET foram adaptadas como barreiras físicas
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 20 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 para proteção das mudas. As irrigações seguiram uma frequência periódica, com a aplicação de 2 litros de água por unidade. 3.7 Ações de mitigação e sensibilização das mudanças climáticas atreladas a iniciativas de extensão ambiental e climática. Com a “Ação 1” foram desenvolvidas estratégias específicas de divulgação da importância das mudanças climáticas e dos eventos neutros em carbono, com o intuito de sensibilizar o público diretamente envolvido no evento (estudantes de graduação e pósgraduação, professores, técnicos-administrativos e palestrantes). Nesse contexto, nos intervalos das palestras os responsáveis pela Comissão apresentaram de forma sucinta, mas técnica, para cerca de 190 participantes, os procedimentos empregados na elaboração do inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE), enfatizando seu papel central na identificação das principais fontes de emissões associadas ao evento. Foi demonstrado como o inventário segue as diretrizes do IPCC e do GHG Protocol, adaptadas ao contexto institucional, para quantificar emissões de CO₂, CH₄ e N₂O em toneladas equivalentes de CO₂ (tCO₂e). Em seguida, os palestrantes elucidaram o conceito de neutralização de emissões, ilustrando a aplicação prática de mensuração e neutralização de carbono em atividades emissoras de GEE. A presença de técnicos-administrativos e docentes permitiu ainda uma interlocução direcionada sobre a adoção dessas práticas em estruturas institucionais, expandindo o potencial de replicação em outras IES. Dessa forma, as “Ações 1” funcionaram não apenas como meros momentos de informação, mas como catalisadores de uma cultura de sustentabilidade, reforçando a importância de eventos neutros em carbono como ferramenta de educação ambiental e responsabilidade social (Figura 5). Figura 5 - Atividade de sensibilização climática com palestras realizadas pelos integrantes da Comissão Carbono Neutro durante o evento SICAA.
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 21 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 A “Ação 2” foi realizada em 22 de fevereiro de 2025, com a participação de estudantes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), membros do Núcleo de Planejamento e Manejo Florestal (NUPLAMFLOR) e colaboradores da Prefeitura de Monte Carmelo. A atividade ocorreu paralelamente à primeira edição do projeto de extensão “Um Pé no Parque”, voltado à promoção de trilhas ecológicas e da Educação Ambiental. Durante a ação, a equipe da Sala Verde – CEFEC conduziu uma oficina formativa, enfatizando a importância do Projeto Salas Verdes, do Governo Federal, como ferramenta técnica e extensionista voltada à disseminação de informações sobre as mudanças climáticas (Brasil, 2023). O evento reuniu cerca de 30 participantes, que tiveram a oportunidade de aprender, de forma prática, técnicas de plantio e a relevância da restauração florestal como estratégia eficaz para a neutralização de Gases de Efeito Estufa (GEE) (Figura 6A). O projeto Sala Verde – CEFEC é a primeira iniciativa do estado de Minas Gerais com foco específico na formação e educação climática, e tem desempenhado um papel decisivo na difusão e capacitação sobre o tema. Atualmente, o Brasil conta com 283 Salas Verdes, das quais 34 estão localizadas em Minas Gerais, sendo apenas três na região do Triângulo Mineiro (Figura 6B). Figura 6A - O plantio de neutralização aconteceu em conjunto com a primeira edição do “Um Pé no Parque”, contendo diversos atores da sociedade que estão relacionados ao meio ambiente. 6B – Projeto Salas Verdes do Governo Federal do Brasil ao longo do país, com destaque para o Triângulo Mineiro. Por fim, a “Ação 3” consistiu na divulgação dos resultados consolidados em múltiplos meios de publicações no site do NUPLAMFLOR, com o intuito de estender o impacto da sensibilização para além do público interno do 11º SICAA. Nessa etapa, foram apresentados os valores totais das emissões calculadas no inventário de GEE e as estratégias de neutralização adotadas, de maneira clara e acessível, buscando engajar um (A) (B)
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 22 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 público mais amplo da sociedade — incluindo representantes de instituições parceiras, membros da comunidade local e demais interessados em ações climáticas No desenrolar da “Ação 3”, os resultados consolidados do inventário de emissões e das estratégias de neutralização foram divulgados por meio de nove publicações específicas que reuniram dados, infográficos e orientações para o público externo. Em cada publicação, foram apresentados: (a) os totais de emissões de GEE quantificados no 11º SICAA; (b) o detalhamento dos fatores de emissão e as metodologias adotadas (IPCC e GHG Protocol); (c) as ações de compensação mediante plantio de árvores nativas; e (d) convites para oficinas e atividades subsequentes da Sala Verde - CEFEC. O uso de carrosséis visuais e stories com chamadas para “swipe up” incrementou o alcance e permitiu engajamento direto com estudantes de graduação e pós-graduação, professores e a sociedade civil em geral, ampliando em média 35 % o fluxo de visualizações em relação às mídias tradicionais do site (Figura 7). Como estratégia de ampliação do alcance e continuidade das ações educativas promovidas pelo projeto Sala Verde – CEFEC, foram realizadas nove publicações em rede social institucional (Instagram), com foco na divulgação dos resultados do inventário de emissões e da neutralização de GEE, bem como na promoção da educação climática. A análise dos dados de engajamento revela um desempenho expressivo das postagens, totalizando 11.196 visualizações, 59 compartilhamentos e 421 curtidas. Figura 7 - Publicações realizadas na rede social, vinculada a ação 3 para demonstrar o engajamento do público sensibilizado nas ações de extensão relativas à neutralização de evento científico em Monte Carmelo-MG no ano de 2024 realizada pela Sala VerdeCEFEC. A média por publicação foi de aproximadamente 1.244 visualizações, 6,5 compartilhamentos e 46,7 curtidas, evidenciando a efetividade da comunicação digital como ferramenta de extensão científica. A publicação de maior destaque foi a de número 8, que alcançou 2.380 visualizações, seguida pela publicação número 6, com 1.518 visualizações. Esse desempenho indica que conteúdos visualmente atrativos e 702 1191 243 1460 1050 1518 1393 2380 1259 12 91584313 4 35 78 20 49 51 46 32 46 64 0 500 1000 1500 2000 2500 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Visualizações Compartilhamentos Curtidas
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 23 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 informativos são mais propensos a gerar engajamento orgânico e compartilhamento espontâneo. Do ponto de vista da comunicação científica e da extensão universitária, os dados confirmam o potencial das mídias sociais como vetores de popularização da ciência e da educação climática, especialmente entre públicos jovens e conectados. Os compartilhamentos, embora numericamente inferiores às curtidas, representam um engajamento qualitativo elevado, pois implicam adesão à mensagem e intenção de amplificação do conteúdo em outras redes. A adoção de métricas digitais nesse contexto contribui para a avaliação da eficácia das ações de sensibilização e amplia o entendimento sobre o papel das plataformas sociais no fortalecimento da cultura climática. Dessa forma, os resultados digitais reforçam a importância da integração entre ações presenciais, estratégias de comunicação e tecnologias digitais como ferramentas complementares para a educação ambiental e climática em instituições de ensino superior. Os links das publicações estão demonstrados a seguir. (https://www.instagram.com/p/DIPUNgfJhf7/); (1) (https://www.instagram.com/p/DGbkisvpibb/?img_index=1); (2) (https://www.instagram.com/p/DGaorPuOqb3/); (3) (https://www.instagram.com/p/DGeJi9FpyqS/)); (4) (https://www.instagram.com/p/DGgl_dapQPr/)); (5) (https://www.instagram.com/p/DGgmT3DJ-uN/)); (6) (https://www.instagram.com/p/DGisxrou8Nq/); (7) (https://www.instagram.com/p/DGitEXPuEJC/)); (8) (https://www.instagram.com/p/DGZDPXfumb3/). (9) 4. Conclusão O programa Carbono Neutro do 11° SICAA foi pioneiro na Universidade Federal de Uberlândia para consolidar o conhecimento técnico dos atores envolvidos e revelar um programa piloto na gestão de emissões de gases de efeito estufa. Essa abordagem integrada permitiu o engajamento das partes envolvidas em colaborar de maneira decisiva para o enfrentamento da mudança do clima, com a Universidade Federal de Uberlândia – campus Monte Carmelo cumprindo o papel na definição de estratégias e formação de líderes dessa temática. A neutralização gerou o primeiro plantio experimental de Restauração Florestal para neutralização de emissões de GEE em evento da Universidade Federal de Uberlândia. Podendo ser uma base para diversos estudos científicos futuros com a performance de aproximadamente de 11 espécies de mudas plantadas em área borda no Parque Municipal da Matinha. Como importância principal na necessidade de desenvolver uma base sólida com dados de performances de espécies do Cerrado, principalmente no crescimento de mudas. Com o estudo, foi possível demonstrar como acontece a implementação de práticas Net-zero em eventos dentro de instituições de ensino públicas. A jornada de descarbonização contribuiu para o engajamento e sensibilização dos participantes sobre a pauta da mudança do clima. O conhecimento técnico–científico apresentou benefícios
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 24 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 fornecidos tanto para a comunidade acadêmica quanto para a sociedade civil das ações envolvidas no âmbito do projeto gerando uma sinergia sobre a pauta climática entre os atores sociais envolvidos. Em síntese, o 11º SICAA não apenas consolidou um protocolo metodológico replicável para inventários e compensação de GEE em eventos, mas o entendimento do impacto do legado técnico-científico sobre a sensibilização climática fortalece a base de conhecimento para futuras iniciativas de mitigação e posiciona a UFU – campus Monte Carmelo como referência na interface entre educação, pesquisa e práticas de gestão climática. Agradecimentos Os autores agradecem: Aos membros do Núcleo de Pesquisa em Planejamento e Manejo Florestal – NUPLAMFLOR pela colaboração fundamental na implantação e no monitoramento do plantio; à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal de Uberlândia (PROPP/UFU) pelo apoio concedido no âmbito do Edital de Iniciação Científica – DIRPE 01/2024 (Proposta nº 6449239); à Sala Verde Centro de Formação em Educação Climática (CEFEC UFU) pelo suporte extensionista de campo e à Prefeitura Municipal de Monte Carmelo, Minas Gerais, pela doação das mudas utilizadas no experimento e pelo suporte na manutenção do plantio. Referências Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. NBR ISO 14.064. Guia de Implementação. Gestão de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (GEE). Rio de Janeiro, 2015. Brancalion, P. H. S. et al. (2012). Avaliação e monitoramento de áreas em processo de restauração. In: Restauração ecológica de ecossistemas degradados, 2, p. 262-293. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. (2023). Portaria GM/MMA nº 524, de 15 de junho de 2023. Institui o Projeto Salas Verdes e estabelece suas diretrizes. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 113, p. 87, 16 jun. Breznitz, S. M.; Feldman, M. P. (2012). The engaged university. The Journal of Technology Transfer, 37(2), 139-157. Brianezi, D. et al. (2014). Balanço de emissões e remoções de Gases de Efeito Estufa no campus da Universidade Federal de Viçosa. Floresta e Ambiente, 21, p. 182-191.
Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 25 https://doi.org/ 10.5281/zenodo.17380863 Bruhwiler, L. et al. (2021). Observations of greenhouse gases as climate indicators. Climatic Change, 165(1), p. 12. Buis, A. (2023). Extreme makeover: human activities are making some extreme events more frequent or intense. Climate change: vital signs of the planet. CASTRO, L. de O. (2024). Estudo da quantificação das emissões dos gases de efeito estufa na Semana Rural da UFRRJ nos anos de 2023 e 2024. 39 f. Monografia (Bacharelado em Engenharia Florestal) - Instituto de Florestas, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica. Chen, L. et al. (2022). Strategies to achieve a carbon neutral society: a review. Environmental Chemistry Letters, 20 (4), p. 2277-2310. Domingues, R. et al. (2020). Contemplative practices in higher education for sustainable development: an exploration of their role for moving society towards sustainability, 2020. Dyer, G.; Dyer, M. (2017). Strategic leadership for sustainability by higher education: the American College & University Presidents' Climate Commitment. Journal of Cleaner Production, 140, p. 111-116. Eggleston, H. S. et al. (2006). 2006 IPCC guidelines for national greenhouse gas inventories. Fundação Getulio Vargas. (2008). Programa Brasileiro GHG Protocol. São Paulo: FGV EAESP. Filonchyk, M. et al. (2024). Greenhouse gases emissions and global climate change: examining the influence of CO2, CH4 and N2O. Science of The Total Environment, 935, 173359. Grace, J. et al. (2006). Productivity and carbon fluxes of tropical savannas. Journal of Biogeography, 33(3), p. 387-400.