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NOTA TÉCNICA: Revisitando Langsdorffia Hypogaea (Balanophoraceae) sob perspectiva de fitossítios e conservação da biodiversidade

Junior, Vicente Toledo Machado de Morais

Abstract

Este estudo incrementa os registros da espécie Langsdorffia hypogaea Mart. (Balanophoraceae) na região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, nomeadamente no município de Monte Carmelo (MG), adicionando 48 novos pontos de ocorrência e descobertas sobre seu padrão de autocorrelação ao longo de um monitoramento de 2 anos. Relata-se, pela primeira vez, o registro fotográfico de visitante floral como formiga interagindo com L. hypogaea nesta ecorregião. Com base em observações de campo do período fenológico realizadas entre 2024 e 2025 e exame de banco de informações de registros públicos, foi possível delinear uma linha temporal da floração e senescência da espécie. Adicionalmente, propomos o desenvolvimento da ideia e conceito de “fitossítio” com base na recorrência ecológica e espacial da espécie, caracterizando uma unidade específica da paisagem nos limites do Parque da Matinha, com atributos edáficos, topográficos e de cobertura vegetal distintos que encontra-se a L. hypogaea.

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Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 1 https://doi.org/10.5281/zenodo.17397868 NOTA TÉCNICA: Revisitando Langsdorffia Hypogaea (Balanophoraceae) sob perspectiva de fitossítios e conservação da biodiversidade Revisiting Langsdorffia Hypogaea (Balanophoraceae) from the perspective of phytosite and biodiversity conservation Vicente Toledo Machado de Morais Junior Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Monte Carmelo – Brasil https://orcid.org/0000-0001-5227-1951 [email protected] Jacqueline Bonfim e Cândido Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Monte Carmelo – Brasil https://orcid.org/0000-0003-1092-0444 [email protected] Rafael Maick dos Santos Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Monte Carmelo – Brasil https://orcid.org/0009-0008-0200-9902 [email protected] Jardel Boscardin Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Monte Carmelo – Brasil https://orcid.org/0000-0001-6862-8345 [email protected] Maria Izabel Maciel da Silva Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Monte Carmelo – Brasil https://orcid.org/0009-0004-4417-9476 [email protected] Guilherme Wince de Moura Instituto de Biologia, Universidade Federal de Uberlândia (UFU) – Brasil https://orcid.org/0009-0002-0783-6620 guilherme[email protected] Danielle Piuzana Mucida Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal (PPGCF), Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 2 https://doi.org/10.5281/zenodo.17397868 Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) – Brasil https://orcid.org/0000-0002-5756-8081 [email protected] Luciano Cavalcante de Jesus França Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Campus Monte Carmelo – Brasil Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal (PPGCF) https://orcid.org/0000-0002-8885-972X luciano.fra[email protected] Resumo Este estudo incrementa os registros da espécie Langsdorffia hypogaea Mart. (Balanophoraceae) na região do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, nomeadamente no município de Monte Carmelo (MG), adicionando 48 novos pontos de ocorrência e descobertas sobre seu padrão de autocorrelação ao longo de um monitoramento de 2 anos. Relata-se, pela primeira vez, o registro fotográfico de visitante floral como formiga interagindo com L. hypogaea nesta ecorregião. Com base em observações de campo do período fenológico realizadas entre 2024 e 2025 e exame de banco de informações de registros públicos, foi possível delinear uma linha temporal da floração e senescência da espécie. Adicionalmente, propomos o desenvolvimento da ideia e conceito de “fitossítio” com base na recorrência ecológica e espacial da espécie, caracterizando uma unidade específica da paisagem nos limites do Parque da Matinha, com atributos edáficos, topográficos e de cobertura vegetal distintos que encontra-se a L. hypogaea. Palavras-chave: Rosa-de-caboclo; Holoparasita; Polinização; Manejo da Paisagem. Abstract This study expands the records of the species Langsdorffia hypogaea Mart. (Balanophoraceae) in the Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba region, specifically in the municipality of Monte Carmelo, Minas Gerais, adding 48 new occurrence points and discoveries about its autocorrelation pattern over a two-year monitoring period. For the first time, we report a photographic record of a floral visitor, such as an ant, interacting with L. hypogaea in this ecoregion. Based on field observations of the phenological period between 2024 and 2025 and an examination of public records, it was possible to outline a timeline of the species' flowering and senescence. Additionally, we propose the development of the idea and concept of a "phytosite" based on the ecological and spatial recurrence of the species, characterizing a specific landscape unit within the boundaries of Parque da Matinha, with distinct edaphic, topographic, and vegetation cover attributes. Keywords: Rosa-de-caboclo; Holoparasite; Pollination; Landscape Management. Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 3 https://doi.org/10.5281/zenodo.17397868 1. Introdução Langsdorffia hypogaea Mart., um gênero restrito da família Balanophoraceae, é uma planta holoparasita subterrânea com distribuição esparsa e de difícil detecção nos biomas brasileiros (Flora e Funga do Brasil, 2025). O registro pioneiro desta espécie para o município de Monte Carmelo (MG), no Parque da Matinha, não apenas amplia sua área de ocorrência, mas também ressalta a relevância deste fragmento florestal conservado como um significativo hotspot de biodiversidade (França et al., 2024). Apesar desses avanços, padrões de recorrência espacial de longo prazo, bem como as interações com potenciais polinizadores nesta ecorregião, permanecem pouco documentados, representando uma lacuna crítica para o planejamento de estratégias eficazes de conservação ambiental. Nesse contexto, este estudo teve como objetivos: (i) mapear novas ocorrências mapeadas e observação de autocorrelação espacial com registros monitorados ao longo de 2 (dois) anos, (ii) registrar interações ecológicas com possíveis polinizadores, e (iii) monitorar a fenologia da floração. Diferentemente de fitofisionomias convencionais, as ocorrências sucessivas e concentradas de L. hypogaea permitiram a delimitação de um fitossítio, conceito aqui desenvolvido e pela primeira vez apresentado para uma ecorregião no estado de Minas Gerais. A proposta conceitual de fitossítio concentra-se na ideia de contribuir para a valorização da biodiversidade do local, sendo ela insubstituível. Com esse conceito desenvolvido, também preconiza-se ampliar o conhecimento científico otimizando o comprometimento necessário para a conservação do biótopo local. Baseado no âmbito do estudo de Castro et al., (2024), esse conceito designa unidades funcionais da paisagem vegetal com identidade ecológica própria, associadas à presença exclusiva ou dominante de determinada espécie ou grupo funcional. Os ‘fitossítios’ podem ser mapeados em termos de espacialização a partir, inclusive, dos registros das coordenadas geográficas (latitude, longitude e altitude) de cada indivíduo biológico. 2. Materiais e métodos 2.1Caracterização da área de estudo As expedições ocorreram no Parque da Matinha, Monte Carmelo – MG, fragmento florestal de aproximadamente 130 ha (18°45'1.47"S, 47°30'32.71"W) (França et al., 2024). A vegetação local é composta por formações de Cerrado e transição com Floresta Estacional Semidecidual (Lopes et al., 2011). 2.2 Coleta e registro de dados Os registros foram realizados durante campanhas entre fevereiro, março, abril e maio de 2025. Utilizou-se GPS (Sistema de Posicionamento Global) para mapeamento dos novos pontos de ocorrência. Tais pontos de ocorrência são os locais onde foi possível visualizar a inflorescência da espécie L. hypogaea, em algum grau de desenvolvimento. Em 2025 foram realizadas cinco campanhas de campo (15/02; 15/03; 15/04 ; 19/05; e 29/05). Os registros coletados em campo foram disponibilizados para acesso livre em visualização junto ao Google My Maps. 2.3 Análise espacial Para análise de proximidade entre registros de 2024 (França et al., 2024) e 2025, utilizou-se o software ArcGIS 10.8, com auxílio da ferramenta ‘Near’. O algoritmo permitiu calcular a distância euclidiana entre os pontos de 2025 em relação aos de 2024. Com essa Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 4 https://doi.org/10.5281/zenodo.17397868 análise foi possível constatar os padrões de recorrência dos indivíduos entre os anos, considerando que seu ciclo de vida envolve a maior parte do tempo subterrâneo. Para o desenvolvimento do conceito e delimitação do ‘fitossítio de L. hypogaea’ no Parque da Matinha, foi necessário observar se havia distinção de locais entre rebrotamentos e novas colonizações. A proposição e delimitação espacial do fitossítio das L. hypogaea do Parque da Matinha, em Monte Carmelo (MG), foi realizada a partir do conhecimento e coleta de campo ao longo dos anos de avaliação, da localização georreferenciada (Coordenadas X, Y) e altitude média dos pontos de ocorrência dos indivíduos e/ou suas populações (França et al., 2024), além da fundamentação teórica preconizada em (Castro et al., 2024). Propõe-se neste estudo, que a delimitação tenha fundamentação técnica geoespacial, sendo aqui, portanto, considerada uma metodologia em ambiente de Sistemas de Informações Geográficas (SIG), especificamente a metodologia do estimador de densidade de Kernel (mapa de calor), um método de análise adaptado de forma satisfatória para compreender probabilidade de distribuição espacial da espécie de interesse. Esse método estima um raio de influência ao redor de cada ponto de amostra, a partir de uma função estatística (Silverman, 1986). Realizada a densidade de Kernel, o dado raster deve ser convertido para polígono e assim considera-se o limite final da densidade como perímetro do fitossítio. O raio de busca adotado foi de 50 metros, a fim de representar adequadamente a escala da área de estudo, no entanto a definição desse parâmetro de suavização é uma etapa importante e depende de cada caso. Esse parâmetro determina a área de influência ao redor de cada ponto de ocorrência da espécie, e afeta diretamente a suavização e interpretação dos resultados e, para os fitossítios, terá impacto direto no perímetro da área. Nossa recomendação é que se teste múltiplos valores de raios (em metros ou quilômetros) e compare-se os resultados visualmente, avaliando tecnicamente qual melhor representa o fenômeno estudado, uma vez que não existe um valor universal, mas sim métodos sistemáticos para testar e escolher o que melhor se adequou ao conjunto de dados. Nesta definição, o importante é considerar que raios muito pequenos podem resultar em limites não adequados ao conjunto de dados, ocultando padrões locais e, raios excessivamente grandes podem criar superfícies demasiadamente suaves, podendo extrapolar a zona de influência e probabilidade de ocorrência da espécie. 2.4 Observações sobre o período da floração Realizou-se o monitoramento da floração da espécie com as seguintes datas definidas como marcos importantes para as constatações sobre o período da floração e senescência da espécie L. hypogaea: (i) 17/03/2024 (Início da floração para o ano de 2024); (ii) 21/09/2024 – Senescência completa da floração no ano de 2024 e; (iii) 20/04/2025 – Nova floração. 2.5 Observações sobre visitantes florais Em 19/05/2025, foi realizado um registro fotográfico de visitante floral em L. hypogaea. Assim, em observações visuais realizadas no período da manhã do dia 29/05/2025, foram coletados espécimes de formigas visitantes florais de L. hypogaea, os quais foram separados em morfoespécies. Cada morfoespécie recebeu um código de identificação e foi adicionada em microtubos plásticos contendo álcool 70%. Posteriormente, os espécimes foram montados, secos e enviados ao Laboratório de Mirmecologia do Centro de Pesquisas do Cacau, Ilhéus, Bahia, para identificação em nível de espécie. O material encontra-se depositado na referida instituição, sob o número de tombamento #5885. Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 5 https://doi.org/10.5281/zenodo.17397868 3. Resultados e discussão 3.1 Novas ocorrências Foram registrados 48 novos pontos de ocorrência em 2025. As coordenadas variaram entre 881 e 929 metros de altitude, com latitude de -18.7504707 a -18.7519363 e longitude de -47.505954 a -47.5097636 (Tabela 1). Os registros concentraram-se em áreas com serrapilheira densa, latossolo profundo influenciado por topografia levemente ondulada, sob árvores de portes variados e próximos às trilhas. Tabela 1. Coordenadas GMS e Geográficas da ocorrência dos indivíduos de L. hypogaea em Monte Carmelo-MG (Parque da Matinha) para o ano de 2025. Fonte. Os autores (2025). Número do Registro Altitude (m) Longitude Latitude 1 892 -47.50976361111111 -18.7519363 2 892 -47.50976361111111 -18.7519363 3 892 -47.50976361111111 -18.7519363 4 893 -47.50974388888889 -18.751948 5 897 -47.50945611111111 -18.7518642 6 897 -47.50945611111111 -18.7518642 7 897 -47.50945611111111 -18.7518642 8 897 -47.50945611111111 -18.7518642 9 898 -47.5094485 -18.75186 10 898 -47.5094485 -18.75186 11 898 -47.5094465 -18.751859 12 898 -47.50944119444444 -18.751857 13 898 -47.50944119444444 -18.751857 14 897 -47.50930019444444 -18.7518008 15 897 -47.50930019444444 -18.7518008 16 899 -47.50931 -18.7518091 17 901 -47.509307194444446 -18.7518056 18 901 -47.509307194444446 -18.7518056 19 881 -47.508752694444446 -18.7516659 20 881 -47.508752694444446 -18.7516659 21 929 -47.5085435 -18.751693 22 929 -47.5085435 -18.751693 23 929 -47.5085435 -18.751693 24 929 -47.5085435 -18.751693 25 929 -47.5085435 -18.751693 26 903 -47.50858588888889 -18.7516985 27 903 -47.50858588888889 -18.7516985 28 884 -47.507910611111114 -18.7512738 29 891 -47.50787319444444 -18.7512748 Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 6 https://doi.org/10.5281/zenodo.17397868 Número do Registro Altitude (m) Longitude Latitude 30 881 -47.50787788888889 -18.7512071 31 881 -47.50787788888889 -18.7512071 32 881 -47.50787788888889 -18.7512071 33 881 -47.50787788888889 -18.7512071 34 893 -47.507829 -18.7512764 35 893 -47.507829 -18.7512764 36 894 -47.507370888888886 -18.7509717 37 895 -47.507374 -18.7509687 38 892 -47.507383 -18.7509782 39 891 -47.50733638888889 -18.7509535 40 886 -47.505960305555554 -18.7504707 41 886 -47.505960305555554 -18.7504707 42 889 -47.505954 -18.7504719 43 889 -47.505954 -18.7504719 44 889 -47.505954 -18.7504719 45 888 -47.507822 -18.751152 46 889 -47.507896 -18.751093 47 889 -47.507998 -18.751183 48 889 -47.508080 -18.751115 O mapa digital com os pontos georreferenciados da localização dos indivíduos da espécie no Parque da Matinha, em Monte Carmelo (MG), pode ser acessado online em: <https://www.google.com/maps/d/u/0/edit?mid=15TL1sNO960iIDQhgPzXpUGPGGH2bEz8 &usp=sharing> Quando comparado os registros 2025 com os observados no ano de 2024 foi possível constatar que a maioria dos pontos de ocorrência continuaram dispersos, mas em posições próximas entre si, indicando de certo modo que há uma autocorrelação espacial e sugerem ser rebrotamentos recorrentes a partir dos seus tubérculos subterrâneos, no entanto, com coordenadas distintas entre os anos avaliados (Figura 1). Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 7 https://doi.org/10.5281/zenodo.17397868 Figura 1. Mapa de distribuição espacial dos registros de ocorrências mapeados em campo de indivíduos/populações de Langsdorffia hypogaea em 2024 e 2025 em Monte Carmelo - MG. Fonte: Google, 2025. A distância mínima observada entre as inflorescências com relação aos diferentes anos foi de 1,3 m e a distância máxima de 16,58 m. A média de distância geral entre os indivíduos entre os anos avaliados foi de 5,11 m, confirmando assim, que essa área é considerada um fitossítio característico de ocorrência de L. hypogaea. Na literatura especializada ainda não foram realizados, até o momento, estudos que investigaram os distanciamentos entre as localidades das inflorescências em monitoramento de longo prazo, essa informação é importante para a compreensão de ações relacionadas à conservação da espécie, pois, é fundamental que as estratégias de conservação considere um raio de maior abrangência do que somente as áreas onde se visualiza o brotamento de novas inflorescências em um determinado momento, nesse estudo indica-se de maneira conservadora um raio mínimo de pelo menos 16 m no entorno de cada indivíduo, no entanto, novos estudos de longo prazo são necessários para avaliar melhor esse comportamento de ocorrência da espécie. A diferenciação entre os pontos de registros entre os anos confirma achados da literatura especializada de que essa espécie holoparasita apresenta distribuição agregada e generalista com múltiplos hospedeiros (Santos et al., 2017). Portanto, esses novos registros de L. hypogaea na área supracitada permite confirmar sobre a existência de um fitossítio específico dessa espécie na área de estudo, nomeadamente no Parque da Matinha. As condições edafoclimáticas locais permitem o mantimento das populações da espécie especificamente nesta área do fragmento estudado. Desta forma, baseado nas concepções de Castro el al., (2024) e nas Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 8 https://doi.org/10.5281/zenodo.17397868 observações/validações de campo das características de biótopos/unidades funcionais da paisagem no entorno dos pontos de registro de ocorrência da espécie, estabelecemos e delimitamos uma área conceitualmente denominada como “Fitossítio das Langsdorffia do Parque da Matinha, Monte Carmelo - MG” (Figura 2). 3.2 Delimitação do fitossítio de L. hypogaea O fitossítio das Langsdorffia do Parque da Matinha é formado pelo conjunto de indivíduos biológicos da espécie, a partir das suas coordenadas individuais e seus agrupamentos. Cada agrupamento de indivíduos observados com algumas distâncias entre si, podem formar fitossítios próprios, ou sub-fitossítios (Figura 2). No entanto, para efeitos mais práticos de planejamento de ações de conservação e garantia da função ecológica e das possibilidades de ocorrência da espécie próximo dos pontos observados, deve-se considerar que todo o conjunto desses agrupamentos formam um único fitossítio principal, em virtude da probabilidade futura de ocorrência da espécie dentre os espaços onde não houve registro durante o período de avaliação. Essa área torna-se um sítio de alto valor para a conservação biológica. Baseado na metodologia proposta neste estudo, obteve-se uma área equivalente à 12,03 hectares de fitossítios de L. hypogaea na área de estudo. Figura 2. Mapa de proposição do fitossítio de Langsdorffia hypogaea do Parque da Matinha, em Monte Carmelo - MG. Fonte: Google, 2025. Revista Espinhaço, 2025, 16 (1) ISSN 2317-0611 9 https://doi.org/10.5281/zenodo.17397868 3.3 Visitantes florais e interações ecológicas Foram registradas seis espécies de formigas (Hymenoptera: Formicidae) visitantes florais de L. hypogaea, pertencentes a três subfamílias: Myrmicinae, com quatro espécies e Formicinae e Ectatomminae, com uma espécie cada. O registro fotográfico (coordenadas - 18.75186; -47.5094485) capturado em 19/05/2025 apresentou o registro da espécie de formiga Ectatomma edentatum Roger, 1863 sobre a inflorescência de L. hypogaea, indicando uma interação ecológica entre as espécies (Figura 3.A). Quatro espécimes de E. edentatum foram registados visitando inflorescências masculinas em plena floração (coordenadas -18.751818; - 47.509570 e -18.751857; -47.509436) em 29/05/2025, em uma delas foi observada a alimentação de néctar pela formiga e pólen presente sobre seu corpo. A espécie Pheidole radoszkowskii Mayr, 1884 foi registrada visitando inflorescências masculinas em plena floração (coordenadas -18.751861; -47.509449) e femininas com néctar (coordenadas - 18.751800; -47.509295). Enquanto as espécies Pheidole jelskii Mayr, 1884 e Wasmannia auropunctata (Roger, 1863) (coordenadas -18.751667; -47.508745) foram observadas somente em inflorescências femininas e Atta sexdens (Linnaeus, 1758) (coordenadas -18.751667; - 47.508745) e Brachymyrmex aphidicola Forel, 1909 (coordenadas -18.751247; -47.507919) somente em inflorescências masculinas senescentes. A espécie B. aphidicola possuia nidificação na inflorescência senescente, onde foram coletados 21 espécimes adultos e cinco pupas. Fato que corrobora a informação de que formigas B. aphidicola nidificam no solo e na serapilheira (Wild, 2007). Estes são os primeiros registros de interação entre a planta e as formigas no Cerrado Mineiro no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, embora estudos em floresta estacional semidecidual já se observou a interação entre L. hypogaea e diferentes espécies de formigas (Freitas et al., 2017). 3.4 Observações sobre os padrões fenológicos Nessa mesma expedição foi possível visualizar inflorescências com produção abundante de néctar em estruturas extraflorais especializadas (Figura 3.B,C,D), indicando assim que visitantes atraídos por recompensas podem ser os principais polinizadores das espécies estudadas, como é o caso da espécie de formiga registrada. Portanto, esse estudo corrobora com Freitas et al., (2017) que concluiu que L. hypogaea possui relevante importância como recurso alimentar para espécies da fauna durante a estação seca.