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A ROSÁCEA FACIAL E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE E NA QUALIDADE DE VIDA

KARASZOUSKI, Ellen Crystina

Abstract

A rosácea é uma doença crônica dermatológica comum, caracterizada por inflamação facial, acomete os vasos sanguíneos e glândulas sebáceas. O indivíduo com rosácea apresenta maior sensibilidade na pele e na barreira cutânea fragilizada. O diagnóstico para pacientes com rosácea de pele escura tende a ser desafiador, uma vez que sinais como o eritema e as telangiectasias não são visíveis, para conclusão do diagnóstico, é observado hiperpigmentação e sintomas como ardor e formigamento, caso haja necessidade é realizado uma biópsia da cutânea. Apesar de pacientes com pele clara de fototipo I e II apresentarem maior porcentagem dos casos de rosácea. Além de estudos indicarem uma prevalência na faixa etária de 30 a 60 anos e mais presente em mulheres. Pacientes diagnosticados com rosácea apresentam maior risco de comorbidade significativas, como doenças autoimunes, doenças inflamatórias intestinais e até mesmo doenças cardiovasculares.

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PA GE 10 A ROSÁCEA FACIAL E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE E NA QUALIDADE DE VIDA. AUTOR(A): KARASZOUSKI, ELLEN CRYSTINA, COAUTOR: WRUCA, FERNANDA. Página 1 de 15 A ROSÁCEA FACIAL E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE E NA QUALIDADE DE VIDA FACIAL ROSACEA AND ITS IMPACTS ON HEALTH AND QUALITY OF LIFE KARASZOUSKI, Ellen Crystina 1 WRUCA, Fernanda 2 RESUMO A rosácea é uma doença crônica dermatológica comum, caracterizada por inflamação facial, acomete os vasos sanguíneos e glândulas sebáceas. O indivíduo com rosácea apresenta maior sensibilidade na pele e na barreira cutânea fragilizada. O diagnóstico para pacientes com rosácea de pele escura tende a ser desafiador, uma vez que sinais como o eritema e as telangiectasias não são visíveis, para conclusão do diagnóstico, é observado hiperpigmentação e sintomas como ardor e formigamento, caso haja necessidade é realizado uma biópsia da cutânea. Apesar de pacientes com pele clara de fototipo I e II apresentarem maior porcentagem dos casos de rosácea. Além de estudos indicarem uma prevalência na faixa etária de 30 a 60 anos e mais presente em mulheres. Pacientes diagnosticados com rosácea apresentam maior risco de comorbidade significativas, como doenças autoimunes, doenças inflamatórias intestinais e até mesmo doenças cardiovasculares. Palavras-chave: Rosácea. Autoestima. Manifestação Clínica. Subtipos. ABSTRACT Rosacea is a common chronic dermatological disease characterized by facial inflammation, affecting blood vessels and sebaceous glands. Individuals with rosacea experience increased skin sensitivity and a weakened skin barrier. Diagnosis for darkskinned rosacea patients tends to be challenging, as signs such as erythema and telangiectasias are not visible. A definitive diagnosis requires observation of hyperpigmentation and symptoms such as burning and tingling. If necessary, a skin biopsy is performed. However, patients with fair skin phototypes I and II have a higher percentage of rosacea cases. Studies indicate a prevalence in the 30-60 age group, with a higher incidence in women. Patients diagnosed with rosacea have a higher risk of significant comorbidities, such as autoimmune diseases, inflammatory bowel diseases, and even cardiovascular disease. KEYWORDS: Rosacea. Self-Esteem. Clinical Manifestation. Subtypes. INTRODUÇÃO Segundo estudos, a rosácea apresenta uma grande variação sobre seu 1 Discente do curso de Biomedicina do Centro Universitário Campos de Andrade-Uniandrade, Curitiba, Brasil. 2 Docente do curso de Biomedicina do Centro Universitário Campos de Andrade-Uniandrade, Curitiba, Brasil - [email protected] PA GE 10 A ROSÁCEA FACIAL E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE E NA QUALIDADE DE VIDA. AUTOR(A): KARASZOUSKI, ELLEN CRYSTINA, COAUTOR: WRUCA, FERNANDA. Página 2 de 15 surgimento, sendo mais presente em mulheres do que em homens, e apresenta grande predisposição em pele clara, com fototipos I e II (BONAMIGO et al., 2008). A orientação para o paciente diagnosticado com rosácea é crucial, pois proporciona um controle da doença, a fim de identificar fatores que atuam como gatilhos, sendo provocado de banhos quentes, estresse emocional, ingestão de bebidas alcoólicas e a prática de atividade física intensa. Esses fatores causam a dilatação dos vasos sanguíneos e a resposta inflamatória, resultando no aumento de vermelhidão, sensação de calor, telangiectasias (pequenos vasos sanguíneos dilatados), surgimento de pápulas e pústulas. O paciente além de evitar tais estímulos, pode adotar rotina de cuidados específicos com a pele (BONAMIGO et al., 2008). A rosácea é uma patologia inflamatória crônica que se manifesta de forma progressiva, ou seja, tende ao longo do tempo se agravar, especialmente na ausência de um controle terapêutico adequado. É considerada como síndrome dermatológica, engloba uma variedade de sinais e sintomas, cuja intensidade e apresentação clínica é diferente para cada indivíduo (VAN ZUUREN, 2017). A rosácea é classificada clinicamente em duas formas distintas. Segundo Plewing e Kligman, sendo dividida em estádio I (vascular), estádio II e III (inflamatórios), e também variantes como fimas, oftálmica, granulomatosa, edematosa persistente, conglobata e fulminans. A National Rosacea Society (NRS) propõe a classificação em subtipos: subtipo I (eritêmatotelangiectásico), subtipo II (papulopustuloso), subtipo III (fimatosa) e subtipo IV (ocular), além de incluir a forma granulomatosa como variante (BONAMIGO et al., 2008). A rosácea ainda não possui cura definitiva, apesar de grandes avanços ao longo do tempo, seu tratamento é voltado para o controle dos sintomas e evitar a progressão da doença. Para o tratamento a disponível, antibióticos de uso tópico ou oral, corticoides em alguns casos, além dos procedimentos como luz pulsada intensa (IPL), laser vascular e cuidados tópicos. O cuidado tópico pode ser feito por meio da manipulação, que permite uma abordagem individualizada e única, assim atende as necessidades específicas de cada pele. Os efeitos calmantes são uma excelente opção em caso de peles sensibilizadas. Todos os métodos citados vão agir na redução da inflamação, atuando no controle de crises e sintomas como vermelhidão e queimação, melhorando a aparência (VAN ZUUREN, 2017). PA GE 10 A ROSÁCEA FACIAL E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE E NA QUALIDADE DE VIDA. AUTOR(A): KARASZOUSKI, ELLEN CRYSTINA, COAUTOR: WRUCA, FERNANDA. Página 3 de 15 Estudos estimam que 10% da população são afetadas pela rosácea, mais comum em mulheres de pele clara, com predomínio na faixa etária de 30 a 60 anos. As áreas mais comuns a serem afetadas são as convexas da face, como testa, nariz e bochechas, que podem levar ao impacto na autoestima do paciente (GUPTA, CHAUDHRY, 2005). O objetivo deste trabalho é avaliar a qualidade de vida, a influência em pessoas diagnosticadas com rosácea, considerar aspectos físicos, emocionais, psicológicos e sociais. Identificar as principais insatisfações estéticas e assim verificar possíveis tratamentos. 1. CONCEITUALIZAÇÃO DA ROSÁCEA A rosácea é uma doença crônica dermatológica comum, caracterizada por inflamação facial, acomete os vasos sanguíneos e glândulas sebáceas. O indivíduo com rosácea apresenta maior sensibilidade na pele e na barreira cutânea fragilizada. O diagnóstico para pacientes com rosácea de pele escura tende a ser desafiador, uma vez que sinais como o eritema e as telangiectasias não são visíveis, para conclusão do diagnóstico, é observado hiperpigmentação e sintomas como ardor e formigamento, caso haja necessidade é realizado uma biópsia da cutânea. Apesar de pacientes com pele clara de fototipo I e II apresentarem maior porcentagem dos casos de rosácea. Além de estudos indicarem uma prevalência na faixa etária de 30 a 60 anos e mais presente em mulheres. Pacientes diagnosticados com rosácea apresentam maior risco de comorbidade significativas, como doenças autoimunes, doenças inflamatórias intestinais e até mesmo doenças cardiovasculares (PEREIRA, PEREIRA, 2020). O Demodex folliculorum e o Staphylococcus epidermidis, microrganismos presentes na pele, têm papel crucial na fisiopatologia da rosácea através da ativação dos receptores TLRS (BONAMIGO et al., 2008; CARVALHO, 2021). Estudos revelam a diferença da microbiota entre a uma pele saudável e a acometida pela rosácea, a presença da bactéria Helicobacter pylori e Bacillus oleronius, que geralmente não são encontrados na superfície da pele (BONAMIGO et al., 2008; CARVALHO, 2021). O D. folliculorum reside na glândula sebácea da pele adulta normal, já em PA GE 10 A ROSÁCEA FACIAL E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE E NA QUALIDADE DE VIDA. AUTOR(A): KARASZOUSKI, ELLEN CRYSTINA, COAUTOR: WRUCA, FERNANDA. Página 4 de 15 indivíduos com rosácea apresenta concentrações mais elevadas, a redução da mesma está associada com a melhora clínica (BONAMIGO et al., 2008; CARVALHO, 2021). 1.1 MANIFESTAÇÃO CLÍNICA E SUBTIPOS De acordo com a classificação estabelecida pelo Comitê de Especialistas da National Rosacea Society em 2002, os métodos de diagnóstico da rosácea são divididos em duas partes primárias e secundárias, observando sinais e sintomas mais frequentes (CARVALHO, 2021). Para confirmar o diagnóstico de rosácea primária é necessário que o paciente apresente pelo menos uma das manifestações iniciais, isto é flushing (rubor facial), eritema persistente (vermelhidão continua na face), telangiectasias (vasinhos aparentes na pele), pústulas e pápulas (lesões elevadas ou com presença de pus) (PEREIRA, PEREIRA, 2020). No diagnóstico da rosácea secundária, pode ser apresentada associada às primárias ou sozinhas. Geralmente são localizadas na região central da face (testa, nariz, bochechas e queixo). Os sintomas são com edema (inchaço), sensação de queimação ou ardor, secura cutânea, manifestações oculares (como irritação, vermelhidão e sensação de areia) e alterações fimatosas (espessamento da pele) (PEREIRA, PEREIRA, 2020). A rosácea também é classificada através de quatro subtipos clínicos de acordo com sinais: (CARVALHO, 2021). ·Substituto I: Eritema Telangiectásico; Subtipo II: Papulopustular; ·Subtipo III: Fimatoso; Subtipo IV: Ocular; Eritema Telangiectásico (RET): Apresenta-se com máculas eritematosa localizadas na região centro facial, as quais são frequentemente agravadas por episódios de flushing (CARVALHO, 2021). Rosácea Papulopustulosa (RPP): Está presente em pústulas eritematosas e/ou pústulas na região centro facial, em casos isolados a presença de módulos (CARVALHO, 2021). Rosácea fimatosa (RF): Pode ser observado o espessamento cutâneo com nódulos irregulares e fibrose, pode ser localizada em toda fase com maior predomínio PA GE 10 A ROSÁCEA FACIAL E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE E NA QUALIDADE DE VIDA. AUTOR(A): KARASZOUSKI, ELLEN CRYSTINA, COAUTOR: WRUCA, FERNANDA. Página 5 de 15 na área nasal (CARVALHO, 2021). Rosácea ocular: Os principais sinais incluem sensação de corpo estranho, conjuntivite, olho seco, sensibilidade à luz, vermelhidão ocular e visão turva (CARVALHO, 2021). Apesar das características apresentadas, pode haver variações incluindo: Rosácea fulminante e conglobata; Glanunatosa; e a Doença de Mornibhan. Podem ocorrer também sinais de manifestações raras como eritema persistente em couro cabeludo ou escroto (CARVALHO, 2021). Para as variações clínicas: Rosácea Granulomatosa também conhecida como Rosácea Lupóide é caracterizada pela presença de pápulas ou nódulos eritemato-acastanhados (CARVALHO, 2021). Rosácea Fulminante também conhecida como Pioderma Facial ou Rosácea Conglobata, é início súbito de eritema intenso, pápulas, pústulas estéreis, mais frequentes em mulheres de 20 ou 30 anos (CARVALHO, 2021). Doença de Morbihan é a presença de linfedema e eritema persistente, localizado geralmente na parte superior da face (CARVALHO, 2021). Figura 1Subtipo clínico da rosácea, A) Eritema, (B) Rosácea pápulo-pustulosa. PA GE 10 A ROSÁCEA FACIAL E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE E NA QUALIDADE DE VIDA. AUTOR(A): KARASZOUSKI, ELLEN CRYSTINA, COAUTOR: WRUCA, FERNANDA. Página 6 de 15 Fonte: Asai et al. (2016). Figura 2 - Subtipo clínico da rosácea, (C) Rosácea fimatosa grave e (D) Rosácea ocular com infiltração de lipídios das glândulas de meibomianas que revestem a margem da pálpebra. Fonte: Asai et al. (2016). PA GE 10 A ROSÁCEA FACIAL E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE E NA QUALIDADE DE VIDA. AUTOR(A): KARASZOUSKI, ELLEN CRYSTINA, COAUTOR: WRUCA, FERNANDA. Página 7 de 15 1.2 FATORES DESENCADEANTES Os fatores genéticos, ambientais, desregulação do sistema imunitário inato e adaptativo, podem estar associados ao surgimento da rosácea (CARVALHO,2021). Os fatores mais comuns são exposição a temperaturas altas, banhos quentes, radiação ultravioleta (UV), exercício físico, ciclo menstrual, bebidas e alimentos quentes ou picantes, algumas frutas e vegetais citrinos como tomate, banana, abacate, morango, também alimentos lácteos, cafeína, consumo de tabaco e álcool, estresse emocional, uso de fármacos vasodilatadores e corticoides tópicos, determinados cosméticos que possuem em sua composição álcool ou fragrância (CARVALHO,2021). Sob condições normais, o sistema inato é ativado gerando um aumento controlado de citocinas e peptídeos antimicrobianos (AMPs), na pele, na rosácea essas vias são alteradas, elevando a produção de AMPs, como as defensinas e as catelicidinas (CARVALHO, 2021). Quadro 1: Fatores desencadeadores da rosácea. Exposição solar 81% Estresse emocional 79% Clima quente 75% Exercícios físicos intensos 56% Consumo de álcool 52% Cosméticos 27% Produtos para o cuidado da pele 41% Clima frio 46% Fonte: ROCHA et al. (2024) A diversos gatilhos que podem desencadear ou agravar crises de rosácea, a exposição solar é um dos mais comuns 81%. A radiação ultravioleta provoca inflamação e dilatação dos vasos sanguíneos. O estresse também apresenta alta porcentagem (79%), desencadeando resposta inflamatória no organismo. Clima quente com (75%), promove a vasodilatação e flushing, aumentando a vermelhidão e rubor. A prática de exercícios físicos intensos (56%), podem agravar sintomas devido ao aumento da temperatura corporal. O clima frio (46%) pode gerar desconforto além de agredir a pele. O consumo de álcool (52%) principalmente o vinho tinto atua como vasodilatador. Os cosméticos com (27%) se possuírem fragrância ou álcool em sua PA GE 10 A ROSÁCEA FACIAL E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE E NA QUALIDADE DE VIDA. AUTOR(A): KARASZOUSKI, ELLEN CRYSTINA, COAUTOR: WRUCA, FERNANDA. Página 8 de 15 composição, podem irritar a pele sensível. O mesmo ocorre com produtos utilizados para skincare (41%) se não forem adequados podem causar irritação e reação (ROCHA et al., 2024). Figura 3Gatilho de altas temperaturas. Fonte: Arquivo pessoal. A Figura acima mostra a região facial avermelhada, após exposição de banho em altas temperaturas. 1.3 ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DA ROSÁCEA A rosácea não está associada a índices de mortalidades, mas pode resultar de forma negativa na vida do paciente, levando a fobia social e baixa autoestima, impactando na sua vida social e profissional, podendo desencadear crises de ansiedade e até depressão (PEREIRA, PEREIRA, 2020). A depressão de pacientes com rosácea está relacionada com a intensidade do quadro da doença. Por não apresentar um tratamento completamente eficaz para a vermelhidão, é possível observar de forma significativa a redução na qualidade de vida (QV) dos pacientes. Contudo, estudos realizados mostram que indivíduos com rosácea grave obtiveram escores médios no Índice de Qualidade de Vida em Dermatologia (DLQI) comparado com pacientes com manifestações da doença mais leves. Um efeito presente durante o período ativo dos sintomas é a tendência ao isolamento social, podendo gerar sentimento de vergonha e constrangimento. O paciente pode evitar a socialização, com receio de perguntas sobre sua condição, e assim pode se tornar um ciclo, onde isolamento afeta o emocional, que em alguns casos pode se tornar novas crises (PEREIRA, PEREIRA, 2020). PA GE 10 A ROSÁCEA FACIAL E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE E NA QUALIDADE DE VIDA. AUTOR(A): KARASZOUSKI, ELLEN CRYSTINA, COAUTOR: WRUCA, FERNANDA. Página 15 de 15 Americana de Humanidades, Ciências e Educação – REASE, p. 1973–0984, 2024.