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PREPARANDO PARA A VIDA CIENTÍFICA: BUSCA PELA ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA ATRAVÉS DO ENSINO POR INVESTIGAÇÃO EM UMA TURMA DE ENSINO MÉDIO

Almeida Morais Gomes, Luis de; Ponte, Maxwell Luiz da; Ramalho Barbosa, Victor

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PREPARANDO PARA A VIDA CIENTÍFICA: BUSCA PELA ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA ATRAVÉS DO ENSINO POR INVESTIGAÇÃO EM UMA TURMA DE ENSINO MÉDIO Luis de Almeida Morais Gomes1, Maxwell Luiz da Ponte2, Victor Ramalho Barbosa3. Resumo: O Estágio Supervisionado no Ensino Médio I foi realizado em uma escola estadual de tempo integral de Fortaleza/CE, em turmas de segunda e terceira séries, todas do turno da tarde. Foram realizadas observações tanto da escola quanto das aulas, além de regências em todas as séries citadas e a aplicação de um projeto didático. O trabalho possui como foco a aplicação do projeto didático, por meio da abordagem do Ensino por Investigação como promotor da alfabetização científica. Palavras-chave: Metodologia ativa. Experimentação. Pesquisa. 1. INTRODUÇÃO O estágio supervisionado nas escolas é uma disciplina obrigatória na formação inicial de profissionais, ele é uma oportunidade de realizar aplicações práticas daquilo que se aprende teoricamente nos cursos de graduação (Brasil, 2008). De acordo com a resolução nº 4441/2019 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da Universidade Estadual do Ceará (UECE), o estágio do tipo obrigatório é necessário para a formação inicial docente. No curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Ceará do campus Itaperi, há 4 estágios obrigatórios, dois nos anos finais do ensino fundamental (ESEF I e ESEF II) e dois no ensino médio (ESEM I e ESEM II). Considera-se que estes momentos formativos em situação real de trabalho podem possibilitar, além do desenvolvimento de habilidades profissionais e do reconhecimento de dificuldades do exercício profissional, a formação do professor como pesquisador da própria prática (Pimenta; Lima, 2018). Neste resumo expandido, será mostrada a visão de um aluno de graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas sobre o seu terceiro estágio supervisionado, sendo o primeiro no ensino médio. O foco do trabalho será para a aplicação do projeto 1 Estudante de graduação em Ciências Biológicas. Centro de Ciências da Saúde. Universidade Estadual do Ceará. [email protected] 2 Doutor em Ciências (UNICAMP). Professor adjunto da UECE. Professor permanente do Mestrado Profissional em Ensino de Biologia (PROFBIO). [email protected] 3 Mestre em Ensino de Biologia (UECE). Professor efetivo na rede estadual do Ceará (SEDUC). victor[email protected].br didático, realizado conforme preceitos teórico-metodológicos do Ensino por Investigação (EI) em uma turma de terceira série do ensino médio. Os estágios realizados pelo autor envolveram também turmas de segunda série do ensino médio, em uma escola estadual de Fortaleza/CE, ao longo dos meses de abril, maio e junho de 2025. Como parte das atividades previstas no programa do componente curricular, durante os estágios supervisionados faz-se necessário realizar ações de reconhecimento da escola e da comunidade escolar, observações e regências de aulas, bem como o planejamento e desenvolvimento de um projeto didático, que resulte em uma intervenção na realidade escolar. Foram observadas e ministradas aulas do componente curricular Biologia, envolvendo, para o terceiro ano, sobre biologia molecular, síntese proteica, genética mendeliana, melhoramento genético e engenharia genética. Para o segundo ano, foram abordados os sistemas digestivo, circulatório e respiratório. Não houve participação do estagiário nas atividades de professor diretor de turma (PDT) e nem nas atividades de laboratório do profissional supervisor do estágio 1.1 Caracterizando o local de atuação O estágio supervisionado foi realizado na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral João Nogueira Jucá (Figura 1), localizada no bairro Sapiranga em Fortaleza/Ceará. A escola possui um bom ambiente externo, arborizado e iluminado, possui uma quadra poliesportiva e uma mesa de tênis para a promoção da atividade física e um pátio amplo. Figura 1 – Entrada do EEMTI João Nogueira Jucá Fonte: Diário do Nordeste. Sobre os ambientes, todas as salas de aula dos segundos e terceiros anos possuem pelo menos um ar condicionado (podendo haver dois funcionais), promovendo a climatização do ambiente de ensino-aprendizagem, a sala dos professores, a coordenação, a secretaria, o laboratório de ciências e a sala de informática também são bem estruturados e climatizados, contendo ao menos um ar condicionado. O laboratório de Ciências é extenso em comprimento e possui três grandes bancadas, sendo espaçoso o suficiente para que uma turma inteira possa ocupar. O laboratório conta ainda com diversos modelos didáticos tridimensionais dos componentes curriculares Física, Química e Biologia, sete microscópios ópticos, uma lousa de laminado melamínico branco e dois armários com vidrarias e reagentes. Cada sala de aula possui mesas com cadeiras para cada aluno (e não uma carteira), um armário com todos os livros de todos os alunos, sobre todos os componentes curriculares, para que os discentes não precisem transportá-los da escola para casa e de casa para a escola. 2. O PROJETO DIDÁTICO E O ENSINO POR INVESTIGAÇÃO O EI é uma abordagem didática (Sasseron, 2015) que pode possibilitar um processo de aprendizado autodirigido, no sentido de que os próprios alunos conduzem o experimento como protagonistas, além de indutivo, pelo processo de aprendizagem ser baseado, principalmente, em evidências (Wilhelm; Beishuizen, 2003). Para além disso, considera-se que o EI é um modo apropriado para que a alfabetização científica ocorra desde a sala de aula, submetendo o aluno às práticas utilizadas por cientistas para a construção de um conhecimento que é novo para o aluno (Sasseron, 2018). O EI aplicado no estágio mobilizou conhecimentos construídos dentro do Objeto de Conhecimento Específico “Biotecnologia e Tecnologia do DNA Recombinante” e seus subtópicos a) “melhoramento genético” e b) “modificação genética em humanos”. A turma na qual ocorreu a aplicação do EI foi o terceiro ano C, uma turma participativa que costuma interagir muito bem com o conteúdo. A seguir é apresentada a sequência de fases do EI proposta por Pedaste et al. (2015), que foi adotada para a produção do roteiro do EI aplicado no estágio supervisionado. 2.1 As fases do EI Foram propostas, por Pedaste et al. (2015), 5 fases dentro do EI (Figura 2), que foram utilizadas na produção do roteiro para o projeto didático do estágio. A primeira fase é a “orientação”, na qual o professor introduz o assunto e gera uma situação problema. A segunda fase, chamada de “conceitualização”, é baseada na formulação de questionamentos e hipóteses, que podem partir do professor ou dos próprios alunos acerca da situação problema apresentada na fase anterior. A fase seguinte é a “investigativa”, na qual os discentes coletam os dados para realizar a solução da situação problema, a partir de respostas para o questionamento, ou de confirmações e negações para a hipótese proposta. É na fase investigativa que os novos conhecimentos são sintetizados, por meio da coleta de dados realizada pelos alunos. Ainda nesta fase, ocorre a interpretação dos dados pelos alunos. Após interpretar os dados, os alunos entram na fase de “conclusão”, na qual geram suas considerações finais acerca dos dados coletados, associando-os com os questionamentos e/ou hipóteses propostas. Há ainda a fase de “discussão”, que pode ocorrer ao longo de todo o processo, tanto ao final quanto entre as fases anteriores. Nesta fase, os alunos apresentam seus resultados acerca de fases específicas e refletem sobre suas opiniões e aprendizados, comunicando-se com os outros discentes. Cada uma das fases do EI possui possíveis subfases que não serão abordadas por não terem sido utilizadas de forma direta na aplicação do projeto didático, mas estão representadas na Figura 2, sendo conectadas pelas setas que transpassam ou não as fases do EI Figura 2 – Fases do EI por Pedaste et al. (2015) Fonte: Pedaste et al. (2015) adaptado e traduzido. 2.2 A escolha da estratégia para o projeto didático O EI foi escolhido por algumas motivações, relacionadas tanto à estrutura da escola quanto à formação do profissional supervisor. A escola conta com uma sala de informática ampla, confortável e muito bem equipada, com por volta de 20 computadores de rápido funcionamento e conectados à internet. para cada computador há mais de uma cadeira acolchoada com boa integridade, permitindo que os alunos formem duplas ou trios para a realização de atividade. A sala de informática conta ainda com um potente ar condicionado, um projetor multimídia e uma tela para projeção das instruções do EI. O professor supervisor passou pelo PROFBIO - Mestrado Profissional em Ensino de Biologia pela Universidade Estadual do Ceará. Em relato ao estagiário, o supervisor informou que realizou muitas atividades que envolviam o EI, logo, já possuía uma grande afinidade com a abordagem, causando uma maior motivação em aplicá-la. 2.3 A montagem do EI aplicado Foi escolhido o EI para abordar as problemáticas éticas envolvidas na edição gênica de embriões humanos, assunto que já havia sido abordado em sala de aula, mas não como o tópico principal, dentro do ensino de genética e de melhoramento genético. Desta forma, as fases do EI foram organizadas segundo o quadro 1 abaixo. Quadro 1 – Fases do EI aplicado. Orientação Neste momento, é apresentada a situação de manipulação gênica em embriões humanos, através de técnicas biotecnológicas como o CRISPR, relembrando aulas passadas nas quais o conteúdo já foi abordado. Conceitualização Nesta etapa, são apresentadas as perguntas norteadoras da pesquisa: 1) Quais métodos são utilizados na edição de materiais genéticos; 2) Quais as questões éticas e possíveis consequências que existem acerca da edição gênica em embriões humanos. Os 2 questionamentos foram propostos pelo estagiário; Não houveram hipóteses associadas ao EI. Investigação Neste momento, os alunos pesquisam na internet e registram num papel almaço suas respostas para as questões apresentadas; Para evitar a repetição de respostas, a busca no primeiro link disponível e estimular a pesquisa a fundo em diversas fontes, não foi permitida a pesquisa nas seguintes fontes: Wikipédia, Mundo Educação, Brasil Escola e Inteligência Artificial. Conclusão Comparação dos dados coletados com as perguntas propostas, gerando opiniões acerca do tema. Discussão Apresentação dos resultados e das opiniões por meio do diálogo entre as equipes/participantes e o professor, levantando discussões em todo o ciclo investigativo. Fonte: Elaborado pelo autor. Para escolha do tema e embasamento prévio do estagiário, foi lida a notícia “O dilema ético envolvendo a criação de bebês geneticamente editados” (BBC News Brasil, 2018). A notícia não foi repassada aos alunos para reduzir o enviesamento da fase de investigação do EI. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS A atividade possibilitou o EI vinculado ao objeto de conhecimento biotecnologia, promoveu a participação dos alunos em discussões sobre questões éticas da manipulação gênica em embriões humanos. No âmbito da formação do professor, a atividade oportunizou a experiência na análise de demandas e potencialidades da escola, além da própria elaboração da atividade. A aplicação não apresentou problemas acerca de logística ou da infraestrutura, pois a escola é muito bem equipada e os gestores são muito compreensivos quanto à aplicação de diversas metodologias e abordagens para além da aula teórico-expositiva. Compreendo que, caso algum dos fatores (sala de informática bem estruturada ou a boa relação com a gestão) não estivesse bem consolidado, a atividade enfrentaria problemas em sua aplicação. REFERÊNCIAS BBC News Brasil. O dilema ético envolvendo a criação de bebês geneticamente editados. G1: Ciência e Saúde, 30 nov. 2018, Disponível em: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/11/30/o-dilema-etico-envolvendo-a-c riacao-de-bebes-geneticamente-editados.ghtml. acesso em: 11 jun. 2025. BRASIL. Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 26 set. 2008 PEDASTE, Margus et al. Fases da aprendizagem baseada em investigação: Definições e o ciclo de investigação. 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