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Relato de Experiência: Desafios na Prática Pedagógica Inclusiva no Ensino Médio

Tamara Kelly da, Tamara; Oliveira Bernardo Fonseca, Laís

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Relato de Experiência: Desafios na Prática Pedagógica Inclusiva no Ensino Médio Tamara Kelly da Silva¹, Laís Oliveira Bernardo Fonseca² Resumo: Durante o estágio realizado no 3º ano do Ensino Médio em uma escola pública localizada na região central da cidade, tive a oportunidade de vivenciar a prática docente em uma turma heterogênea, composta por aproximadamente 30 alunos, com perfis variados, incluindo estudantes com deficiência visual. As turmas do ensino médio apresentam um nível crescente de complexidade nos conteúdos, exigindo do professor estratégias que garantam a compreensão e o interesse dos estudantes. Durante o estágio, participei do planejamento e da execução de um projeto didático voltado para o ensino dos ciclos biogeoquímicos, articulado à campanha ambiental Junho Verde. A principal metodologia utilizada foi o debate dialogado, que incentivou a participação oral, a escuta ativa e a construção coletiva do conhecimento. Para garantir a acessibilidade, foram utilizados recursos em áudio, atendendo especialmente a alunos com deficiência visual. As atividades realizadas incluíram exposições orais, discussões mediadas, e avaliações formativas contínuas, que consideraram a participação, o desenvolvimento do raciocínio crítico e a capacidade de argumentação dos alunos. A avaliação focou no processo de aprendizagem, valorizando a diversidade de modos de expressão e o engajamento de cada estudante. Como resultados, observou-se um aumento significativo na participação dos alunos durante as aulas, inclusive daqueles que apresentavam maior dificuldade em atividades tradicionais. O debate dialogado promoveu uma maior compreensão dos impactos ambientais relacionados aos ciclos naturais e despertou o interesse pela temática socioambiental. Em conclusão, o estágio proporcionou uma experiência rica de aprendizagem, evidenciando a importância da mediação docente, da flexibilidade metodológica e do compromisso com a inclusão. A prática do debate dialogado, aliada ao uso de recursos tecnológicos acessíveis, mostrou-se eficaz para atender às necessidades da turma, contribuindo para a formação crítica e cidadã dos alunos. Palavras-chave: Educação inclusiva. Ciclos biogeoquímicos. Debate dialogado. Acessibilidade. Avaliação formativa ¹Estudante de graduação em Ciências Biológicas, Centro de Ciências da Saúde, [email protected] ²Professora supervisora de estágio da escola, [email protected] 1 INTRODUÇÃO O estágio supervisionado constitui um espaço para a aprendizagem da profissão docente e para a construção da identidade profissional (Silva; Gaspar, 2018). E além disso, é um componente curricular fundamental na formação dos licenciados em Ciências Biológicas, pois, proporciona a vivência prática da profissão docente, permitindo a articulação entre teoria e prática. Durante o estágio, os estudantes conseguem observar, planejar e ministrar aulas, desenvolvendo um certo tipo de experiência essencial para sua formação profissional. O estágio foi realizado no município de Cascavel. A escolha da instituição se deu pela proximidade com a residência da estagiária, o que facilitou sua locomoção e participação nas atividades escolares. Durante o estágio, a atuação ocorreu nas turmas do 3º ano, na disciplina de biologia. Assim, o objetivo do atual relato de experiência é descrever e refletir sobre vivências do estagiário no ambiente escolar, destacando desafios, aprendizados e estratégias que podem ser adotadas durante a vida profissional. Além disso, serve como registro da trajetória do futuro professor, evidenciando sua evolução e adaptação a meio divergências na educação pública. 2 DESENVOLVIMENTO O estágio teve componentes obrigatórios a ser executados, tais como reconhecimento da escola, período de observação, planejamento de aulas referentes a regência, a regência em si, elaboração de projeto didático e aplicação do mesmo. 2.1 Reconhecimento e observação: desafios e sugestões Durante o estágio o primeiro passo foi realizar o reconhecimento onde seria realizado o estágio. Logo no início, o diretor e a coordenadora da escola juntamente com o supervisor, realizou-se uma reunião prévia, onde aconteceu o alinhamento de horários e turmas, e foi explicado também o funcionamento da escola. Essa parte foi bastante importante, pois, ajudou a entender o contexto em que a escola está inserida e como ela organiza suas atividades pedagógicas. Nos primeiros dias, a estagiária observou atentamente as aulas de Biologia. Esse processo de observação permitiu perceber como a professora da disciplina interagia com os alunos, como as estratégias de ensino são aplicadas e como os alunos respondem a diferentes abordagens pedagógicas. Notaram-se também as dificuldades de aprendizagem enfrentadas pelos alunos e a maneira como os professores lidavam com essas questões. Desde o início das observações, percebeu-se a necessidade de adaptar recursos e estratégias para atender às especificidades dos estudantes. Um aluno com deficiência visual, demonstrava grande interesse pelos conteúdos, mas encontrava dificuldades devido à falta de materiais adaptados e à ausência de recursos acessíveis durante as aulas regulares. Além disso, a sala contava com outros alunos atípicos, incluindo jovens com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e com características do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Foi necessário estabelecer uma escuta ativa e um olhar acolhedor para compreender suas formas de aprender, bem como propor atividades que respeitassem seus tempos e potencialidades. 2.2 Planejamento e período de regência Durante o período de regência, a estagiária teve a oportunidade de assumir a condução de aulas nas turmas do 3º ano do Ensino Médio, vivenciando na prática os desafios e responsabilidades do exercício docente. Essa etapa foi de grande importância para sua formação, pois permitiu colocar em prática os conhecimentos teóricos adquiridos ao longo do curso, especialmente no que diz respeito à gestão da sala de aula, ao planejamento de atividades e à condução de estratégias de ensino voltadas para estudantes em fase de conclusão da educação básica. Vale ressaltar os conteúdos que deveriam ser abordados seriam as relações ecológicas e ciclos biogeoquímicos, o que foi realmente um desafio, principalmente por se tratarem de temas que exigem abstração, articulação entre diferentes conceitos e a compreensão de processos naturais em larga escala. Muitos estudantes demonstraram dificuldades em compreender as interações ecológicas e os fluxos de matéria entre os compartimentos da biosfera. As aulas foram cuidadosamente planejadas com base no cronograma da escola e alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), considerando os conteúdos específicos da disciplina. Durante a regência, a estagiária buscou diversificar os métodos de ensino, utilizando desde aulas expositivas dialogadas até a aplicação de atividades em grupo, resolução de questões de vestibulares e simulações práticas, com o objetivo de estimular o pensamento crítico e preparar os alunos para exames como o ENEM e vestibulares regionais. O uso de recursos digitais, como apresentações em slides e vídeos, além de descrever verbalmente, com riqueza de detalhes, os elementos apresentados visualmente. Essa adaptação beneficiou não apenas o aluno com deficiência visual, mas também outros estudantes que apresentavam dificuldades de concentração e compreensão. 2.3 Projeto Didático: Debate Consciente: Junho Verde e os Ciclos Biogeoquímicos Diante do cenário observado nas observações e regência, foi pensado em algo inclusivo e acessível para tais alunos, que contemplasse suas diferentes necessidades e promovesse o protagonismo de cada um no processo de aprendizagem. E como o cronograma da disciplina era pouco flexível, por serem turmas de anos finais, a escola busca nessa etapa final preparar os alunos para o Enem e possíveis vestibulares, dificultando a aplicação de algo mais complexo. E, como a escola estava realizando um projeto junho verde, a supervisora juntamente com a estagiária, tentaram realizar uma aula relacionada à temática. Considerando a necessidade de promover práticas educativas que dialoguem com a realidade socioambiental dos estudantes e respeitem a diversidade presente em sala de aula, este projeto didático foi elaborado para uma turma do 3º ano do ensino médio, tendo como tema central a articulação entre os ciclos biogeoquímicos e a campanha Junho Verde, voltada à conscientização ambiental. A proposta utilizou como principal estratégia o debate dialogado. A escolha do debate dialogado visou proporcionar um espaço seguro para a escuta ativa, a expressão de ideias e a construção coletiva do conhecimento. A temática foi introduzida com uma breve exposição oral por parte da estagiária sobre os ciclos biogeoquímicos e sua relação direta com os desequilíbrios ambientais enfrentados atualmente, como o excesso de carbono na atmosfera, a poluição da água e a degradação do solo. Para favorecer o acesso à informação, os conteúdos algumas informações foram apresentadas em formato de vídeo áudio, garantindo a acessibilidade para estudante com deficiência visual. Ao longo das aulas, a professora, juntamente com a estagiária, atuaram como mediadores, incentivando o pensamento crítico e a participação ativa dos estudantes. O debate foi orientado por questões norteadoras, como: “Qual a importância do ciclo da água para a manutenção da vida e como o desperdício afeta esse ciclo?” ou “Como o excesso de carbono está relacionado às mudanças climáticas e o que podemos fazer para reverter esse cenário?” Essas perguntas buscaram provocar reflexões conectadas ao cotidiano dos alunos e ao papel da juventude na preservação ambiental. A avaliação foi formativa e contínua, considerando o envolvimento dos estudantes, sua capacidade de argumentar com clareza, de escutar os colegas e de relacionar os conteúdos ecológicos com práticas sustentáveis. O objetivo principal foi desenvolver uma consciência crítica e ambientalmente responsável, conectando os conceitos da Biologia à realidade e aos desafios atuais. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES A aplicação do projeto didático, baseado no debate dialogado sobre os ciclos biogeoquímicos e sua articulação com a campanha Junho Verde, demonstrou resultados positivos em relação ao engajamento dos estudantes, à construção do conhecimento e à promoção de uma aprendizagem significativa. Durante as aulas, observou-se um aumento na participação oral dos estudantes, inclusive daqueles que normalmente demonstram menos envolvimento nas atividades tradicionais. A estratégia do debate, conduzido com perguntas norteadoras e sistematização coletiva das ideias, favoreceu a compreensão crítica dos ciclos naturais e sua relação com o desequilíbrio ambiental atual. O ensino pautado no diálogo permite que o aluno deixe de ser apenas receptor de informações, tornando-se sujeito ativo no processo de aprendizagem, o que se confirmou durante os encontros (Libâneo, 2013). A abordagem interdisciplinar, que articula os conteúdos de Biologia à reflexão sobre práticas sustentáveis e políticas públicas ambientais, como a proposta do Junho Verde, também despertou o interesse dos alunos. Ao relacionar os ciclos do carbono e do nitrogênio, por exemplo, aos problemas das mudanças climáticas e do uso excessivo de fertilizantes, os estudantes puderam compreender de maneira concreta os impactos da ação humana sobre os ecossistemas. Essa relação entre ciência e realidade é essencial para a formação de uma consciência ambiental crítica, conforme defendido por Loureiro (2012), que destaca a importância da educação ambiental na construção da cidadania ecológica. Outro ponto relevante observado foi a efetividade da metodologia dialógica na promoção da inclusão de diferentes perfis de estudantes. O uso de recursos orais, vídeos com recursos acessíveis, possibilitou a participação de alunos com deficiência visual, garantindo acessibilidade ao conteúdo. Além disso, a escolha por um formato de avaliação formativa e contínua, baseada no engajamento e nas contribuições durante os debates, mostrou-se mais adequada do que avaliações tradicionais, especialmente em turmas heterogêneas. A avaliação formativa deve ser compreendida como um processo contínuo, voltado ao acompanhamento do desenvolvimento do aluno, valorizando seus avanços, dificuldades e formas de expressão (Hoffmann, 2012). 4 CONCLUSÃO A experiência de estágio realizada na turma do 3º ano do Ensino Médio permitiu a aplicação e o aprofundamento dos conhecimentos teóricos e práticos relacionados ao ensino inclusivo e à utilização de metodologias ativas voltadas para a participação de todos os estudantes. Por meio do desenvolvimento de um projeto didático centrado no debate dialogado sobre os ciclos biogeoquímicos, articulado à campanha Junho Verde, foi possível promover uma aprendizagem significativa, contextualizada e acessível. Durante o estágio, evidenciou-se a importância da mediação docente na condução de debates que valorizam a diversidade de opiniões e estimulam o pensamento crítico, favorecendo a construção coletiva do conhecimento. A adoção de recursos e estratégias inclusivas, como materiais em áudio, destacou-se como fundamental para garantir o direito à educação de qualidade para todos. Além disso, a avaliação formativa contínua demonstrou ser uma ferramenta eficaz para acompanhar o desenvolvimento dos alunos, possibilitando ajustes pedagógicos que atendam às necessidades específicas da turma. A interação entre teoria e prática durante o estágio reforçou a relevância do planejamento cuidadoso e da flexibilidade na atuação docente para lidar com a diversidade presente nas escolas contemporâneas. Por fim, a vivência do estágio contribuiu para a formação profissional do futuro educador, ampliando a consciência sobre a importância da inclusão, do respeito às diferenças e da promoção da sustentabilidade ambiental na educação. Assim, a prática docente, aliada a uma postura reflexiva e ética, mostra-se indispensável para a construção de ambientes escolares mais justos, democráticos e acolhedores. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. HOFFMANN, J.; Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. 32. ed. Porto Alegre: Mediação, 2012. LIBÂNEO, J. C.; Didática. São Paulo: Cortez, 2013. LOUREIRO, C.F.B.; Educação ambiental crítica: contribuições teóricas e metodológicas. In: GADOTTI, Moacir et al. Educação e sustentabilidade: um novo ritmo para a aprendizagem. São Paulo: UNESCO, 2012. MORAN, J.M.; A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. Campinas, SP: Papirus, 2015. SILVA, H. I.; GASPA, M. Estágio supervisionado: a relação teoria e prática reflexiva na formação de professores do curso de Licenciatura em Pedagogia. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, 2018.