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UMA PROJETO DIDÁTICO BASEADO EM PINTURAS ANATÔMICAS PARA ENSINO DE CLASSIFICAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DOS SERES VIVOS

Santos Castro, Josiel dos; Higino Santana, Isabel Cristina; Barros Leal de Pontes Medeiros, Jeanne

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UMA PROJETO DIDÁTICO BASEADO EM PINTURAS ANATÔMICAS PARA ENSINO DE CLASSIFICAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DOS SERES VIVOS Josiel dos Santos Castro 1 , Isabel Cristina Higino Santana 2, Jeanne Barros Leal De Pontes Medeiros 3 Resumo: O presente resumo refere-se à experiência de estágio supervisionado em Ciências Naturais, realizado no Ensino Fundamental II em uma Escola Municipal de Tempo Integral, localizada no bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza-CE. A escola possui boa infraestrutura, incluindo salas climatizadas, laboratório de Ciências, laboratório de Informática, quadra esportiva, pátio e refeitório. O estágio foi dividido em quatro etapas: reconhecimento, observação, regência e aplicação de projeto didático. No período de observação, foram acompanhadas nove turmas, do 6º ao 9º ano. Os conteúdos abordados variaram conforme a série: classificação biológica e vírus (7º ano), sistemas anatômicos (8º ano) e Tabela Periódica e tipos de movimento (9º ano). Foi constatado o uso predominante de aulas expositivas e pouca exploração de práticas experimentais. Durante a regência, buscou-se diversificar as metodologias de ensino, com a introdução de atividades com desenhos científicos, utilizando pranchas ilustrativas (Bobbie Goods), materiais gráficos e microscópios disponíveis na escola. Essas atividades foram aplicadas especialmente em conteúdos de anatomia, microbiologia e classificação dos seres vivos, associando observação microscópica à produção de desenhos. Paralelamente, foi desenvolvido um projeto didático sobre a organização dos seres vivos e os cinco reinos, incluindo a questão dos vírus. Foram utilizados modelos didáticos do Laboratório de Microbiologia da UECE (LAMIC), fichas de apoio e material de observação. Os alunos participaram ativamente, realizando desenhos científicos com base nas observações feitas em grupo. Como resultado, observou-se maior envolvimento dos alunos, melhora na compreensão dos conteúdos e valorização da aprendizagem visual. Para o estagiário, a experiência contribuiu para o desenvolvimento de habilidades docentes, como planejamento, adaptação de recursos e mediação. Conclui-se que o uso de desenhos é uma estratégia eficaz no ensino de Ciências, promovendo práticas mais significativas e participativas. Palavras-chave: Desenhos científicos. Ensino de biologia.Estágio supervisionado. 1 Josiel dos Santos Castro, Universidade Estadual do Ceará, [email protected] 2 Isabel Cristina Higino Santana, Universidade Estadual do Ceará, [email protected] 3 Jeanne Barros Leal De Pontes Medeiros, Universidade Estadual do Ceará, [email protected] 1. INTRODUÇÃO O processo de ensino-aprendizagem configura-se como uma dinâmica complexa e multifatorial, que envolve a articulação entre aspectos cognitivos, afetivos, sociais e metodológicos, os quais, em interação, promovem condições favoráveis ao desenvolvimento integral dos educandos (Santos, 2023). Dentre os elementos que compõem esse processo, destaca-se a escolha de estratégias pedagógicas que favoreçam a construção ativa do conhecimento e a mediação significativa dos conteúdos científicos. No âmbito do ensino de Ciências, observa-se um desafio recorrente: tornar acessíveis e compreensíveis aos estudantes conceitos abstratos e fenômenos não visíveis a olho nu, como aqueles relacionados à biologia celular, à microbiologia e à histologia, que demandam a utilização de instrumentos específicos, como o microscópio óptico. Nesse contexto, a utilização do desenho como recurso didático tem demonstrado potencial significativo para o favorecimento da aprendizagem. Estudos apontam que a representação gráfica, quando integrada ao processo de observação e análise de estruturas microscópicas, contribui não apenas para o desenvolvimento do raciocínio espacial e da atenção visual, mas também para a consolidação de habilidades cognitivas superiores, como a análise, a síntese e a retenção de informações (Milach, 2015). Assim, o ato de desenhar configura-se como uma prática científica e pedagógica que auxilia na tradução visual de conceitos e fenômenos observados, aproximando o estudante da linguagem e do pensamento científico. No contexto da formação inicial de professores, especialmente durante o Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental II, a aplicação dessa estratégia metodológica mostrou-se relevante tanto para a aprendizagem dos alunos quanto para o desenvolvimento das competências docentes. A experiência prática em sala de aula permitiu a aplicação de abordagens interativas e centradas no aluno, contribuindo para uma compreensão mais profunda dos conteúdos e favorecendo a reflexão crítica sobre a prática pedagógica. Diante disso, este resumo expandido tem como objetivo discutir a contribuição do uso de desenhos no ensino de Ciências, com ênfase na microscopia, a partir das experiências vivenciadas no estágio supervisionado, destacando sua relevância na formação docente, conforme os pressupostos teórico-metodológicos propostos por Scalabrin (2013). 2. DESENVOLVIMENTO 2.1 Período de reconhecimento No momento inicial de reconhecimento observou-se que a escola estagiada é uma Escola Municipal de Tempo Integral na localidade do bairro Antônio Bezerra, possuindo doze salas de aula climatizadas, laboratório de informática e laboratório de ciências, quadra poliesportiva, pátio, auditório, refeitório, salas da coordenação e recepção distribuídas ao longo de três andares. 2.2 Período de observação Após a realização do processo inicial de inserção no ambiente escolar, foi conduzido um reconhecimento sistemático da dinâmica institucional, envolvendo tanto aspectos organizacionais quanto às metodologias pedagógicas predominantes no ensino de Ciências. A partir dessa familiarização, avançou-se para a etapa de observação direta em sala de aula, abrangendo um total de nove turmas do Ensino Fundamental II, compreendendo turmas do 6º ao 9º ano. Durante esse período, foram acompanhadas aulas que abordaram diferentes conteúdos programáticos, distribuídos conforme o nível de ensino: para o 7º ano, os temas trabalhados foram classificação biológica, organização dos seres vivos e introdução ao estudo dos vírus; no 8º ano, os conteúdos giraram em torno dos sistemas anatômicos e de seus principais componentes estruturais e funcionais; por fim, nas turmas do 9º ano, o foco das aulas recaiu sobre temas da Química e da Física, incluindo a Tabela Periódica, propriedades e classificação dos elementos químicos, bem como os tipos de movimento no estudo da cinemática. Ao longo da fase de observação, tornou-se evidente uma significativa subutilização dos espaços e recursos laboratoriais disponíveis na escola. Em diálogo com a professora supervisora, foi possível compreender que essa limitação se deve, em grande parte, à escassez de práticas previamente planejadas para os conteúdos programáticos, à ausência de materiais adequados e à falta de um manual de orientação para experimentos. Consequentemente, a abordagem metodológica predominante observada nas aulas foi de natureza expositiva, com forte dependência do livro didático como principal – e, por vezes, único – recurso de mediação pedagógica. Essa limitação metodológica, associada à ausência de práticas mais dinâmicas ou experimentais, frequentemente resultava em dispersão e desmotivação por parte dos alunos, especialmente em turmas mais numerosas. Além disso, identificou-se a realização de uma Feira de Ciências promovida pela escola, que envolvia a participação de todas as séries do Ensino Fundamental II. O evento era organizado em torno de uma temática central, subdividida entre as turmas, e contava com professores representantes responsáveis pelo acompanhamento das atividades. Para a elaboração dos projetos, os alunos dispunham do tempo das aulas regulares e de alguns recursos materiais fornecidos pela própria instituição. No entanto, observou-se que a maior parte das apresentações realizadas pelos discentes durante a feira teve caráter expositivo, limitando-se à construção de cartazes, maquetes e painéis, com poucos exemplos de experimentos ou propostas interativas, como jogos e dinâmicas científicas. Essa constatação reforça a importância de promover práticas mais ativas, investigativas e participativas, que ampliem o protagonismo discente e estimulem o interesse pelos conteúdos científicos de forma mais significativa e contextualizada. 2.3 Período de Regência Encerrada a etapa de observação, teve início o período de regência, momento no qual foi possível aplicar práticas pedagógicas planejadas, com base nas reflexões críticas realizadas anteriormente. Nesta fase, buscou-se intencionalmente a diversificação metodológica, com o objetivo de promover maior engajamento dos discentes e favorecer a construção ativa do conhecimento científico. Dentre as estratégias adotadas, destacou-se a introdução de atividades didáticas que envolviam o uso de desenhos, pinturas e representações visuais, alinhadas ao conteúdo curricular de Ciências, especialmente nos temas relacionados à biologia celular, anatomia e microbiologia. As atividades foram conduzidas com o apoio de materiais previamente preparados, incluindo impressões de pranchas ilustrativas conhecidas como Bobbie Goods — amplamente utilizadas em ambientes escolares para fins artísticos e educativos — e com a disponibilização de lápis de cor, canetas hidrográficas e demais materiais gráficos fornecidos pela própria instituição de ensino. A escolha por essas práticas visou explorar o potencial do desenho como ferramenta cognitiva, favorecendo a observação, a memorização e a expressão criativa dos conceitos científicos, além de proporcionar uma alternativa metodológica mais lúdica e significativa em comparação às abordagens tradicionalmente utilizadas. No que diz respeito às metodologias expositivas adotadas paralelamente, observou-se uma resposta menos satisfatória por parte dos estudantes. Em turmas onde predominou a exposição oral dos conteúdos, acompanhada apenas da leitura do livro didático, identificou-se uma redução expressiva no nível de participação discente e indícios de dificuldade de compreensão dos conceitos abordados. Essa limitação tornou-se ainda mais evidente nas atividades avaliativas e nos momentos de socialização do conteúdo, revelando a importância da adoção de metodologias ativas e interativas, capazes de dialogar com a realidade dos alunos e promover um ambiente de aprendizagem mais dinâmico e inclusivo. 2.4 Período de Montagem e aplicação de Projeto Didático Em simultâneo ao período de regência, analisou-se as possibilidades de temas que se poderia trabalhar desenhos científicos com um maior domínio, e dentre os temas lecionados por uma maior facilidade de recursos e materiais, além do maior domínio dessa temática por mim estagiário, optou-se abordar a temática de organização e classificação dos seres vivos, incluindo a questão dos reinos e a questão do vírus (levantando a questão de ele não se encaixar nas classificações por não ser um ser vivo). Com isso, foram elaboradas fichas de suporte, trazendo informações sobre as características do espécime, indicado na figura 1 e 2, apresentado em conjunto de telas e modelos didáticos emprestados pelo Laboratório de Microbiologia da Uece - LAMIC, apresentados na figura 3. Esses recursos foram utilizados juntamente com os materiais de desenho, lâminas e microscópio óptico disponíveis na escola sobre cortes e estruturas microscópicas de diversos seres vivos (incluindo insetos, fungos e plantas), com o intuito de realizar desenhos científicos indicando os reinos a qual pertencem os organismos. Figura 1 e 2 – Exemplo de ficha suporte. Fonte: Elaborado pelo autor (2025). Figura 3 – Fotografia dos modelos e telas didáticas utilizadas. Fonte: Elaborado pelo autor (2025). A aplicação do projeto, houve um desafio inicial sobre a organização de alunos para resolução da atividades, sendo divididos em 5 grupos e levados e 1 em 1 para observação microscópica e só após a produção de desenho, o que demandou um tempo mais extenso, porém cedido por uma outra professora de eletiva. Contudo, atestou-se que a atividade atraiu a atenção dos alunos que se mostraram bem participativos e tiraram dúvidas acerca do tema e posteriormente com organização da professora supervisora fizeram a apresentação das melhores produções como resultados final de eletivas, o material produzido foi disponibilizado pela professora para ser escaneado e registrado (FIGURA 4), além do material fotográfico gerado durante a aplicação (FIGURA 5 e 6). Figura 4 – Exemplo de escaneamento de material produzido. Fonte: Elaborado pelo autor (2025). Figura 5 e 6 – Fotografia da aplicação do Projeto Didático. Fonte: Elaborado pelo autor (2025). 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS A experiência de estágio supervisionado no Ensino Fundamental II proporcionou uma vivência significativa tanto do ponto de vista pedagógico quanto formativo, permitindo a análise crítica do cotidiano escolar e a experimentação de práticas didáticas inovadoras. A utilização do desenho como recurso metodológico demonstrou-se uma estratégia eficaz para o ensino de Ciências, especialmente em conteúdos que envolvem a microscopia e a classificação dos seres vivos, contribuindo para a construção de um conhecimento mais concreto, visual e significativo. A integração entre observação microscópica e representação gráfica favoreceu o engajamento dos estudantes, estimulando a curiosidade, a atenção aos detalhes e a apropriação do vocabulário científico. As limitações observadas durante a fase inicial, como a escassez de atividades práticas e a dependência quase exclusiva do livro didático, evidenciaram a necessidade de diversificação metodológica e de uma maior valorização das metodologias ativas no ensino de Ciências. Nesse sentido, o projeto didático desenvolvido buscou justamente responder a essas lacunas, ao propor uma abordagem interdisciplinar, prática e centrada no aluno, que promovesse uma aprendizagem mais dinâmica e contextualizada. Além disso, a experiência contribuiu para o fortalecimento das competências docentes em formação, como o planejamento pedagógico, a gestão de sala de aula, a adaptação de recursos e a mediação ativa do conhecimento. O envolvimento dos discentes durante a execução do projeto e a valorização das produções apresentadas ao final do processo reforçam a importância de práticas pedagógicas que dialoguem com os interesses dos alunos e favoreçam o protagonismo estudantil. Assim, conclui-se que o uso do desenho como ferramenta pedagógica no ensino de Ciências, especialmente associado à microscopia, constitui uma abordagem promissora, que merece ser explorada e incorporada de forma sistemática nos contextos escolares e na formação inicial de professores. REFERÊNCIAS MILACH, E. M.; LOUZADA, M. C.; ABÃO, R. K.; DORNELLES; J. E. F. A ilustração científica como uma ferramenta didática no ensino de botânica. Acta Scientiae, v. 17, n. 3, 2015. SANTOS, J.; VASCONCELOS, T. C. Capítulo 1 PSICOLOGIA, PSICOPEDAGOGIA E NEUROPSICOPEDAGOGIA: contribuições para os processos de ensino-aprendizagem. ESTUDOS E PRÁTICAS EM PSICOLOGIA, PSICOPEDAGOGIA E NEUROPSICOPEDAGOGIA–UMA INTERFACE COM A EDUCAÇÃO, p. 13, 2023. SCALABRIN, I. C.; MOLINARI, A. M. C. A importância da prática do estágio supervisionado nas licenciaturas. Revista unar, v. 7, n. 1, p. 1-12, 2013.