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www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 69 O Boletim de Conjuntura (BOCA) publica ensaios, artigos de revisão, artigos teóricos e empíricos, resenhas e vídeos relacionados às temáticas de políticas públicas. O periódico tem como escopo a publicação de trabalhos inéditos e originais, nacionais ou internacionais que versem sobre Políticas Públicas, resultantes de pesquisas científicas e reflexões teóricas e empíricas. Esta revista oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento. BOLETIM DE CONJUNTURA BOCA Ano VII | Volume 24 | Nº 70 | Boa Vista | 2025 http://www.ioles.com.br/boca ISSN: 2675-1488
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 70 A (IN)DEFINIÇÃO DA URGÊNCIA PSICOLÓGICA E SEUS DESDOBRAMENTOS CLÍNICOS: UMA REVISÃO DE ESCOPO (2016-2025) Francisco Luan de Souza Carvalho 1 David Lino Lobo Marques 2 Lucas Guimarães Bloc 3 Resumo Este artigo teve como objetivo mapear e analisar a (in)definição da urgência psicológica na literatura científica recente, identificando seus desdobramentos clínicos no campo da saúde mental. Trata-se de uma revisão de escopo conduzida segundo as diretrizes do Joanna Briggs Institute e a extensão PRISMA-ScR, com registro na plataforma Open Science Framework. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, PsycINFO, Embase e LILACS, considerando publicações entre 2016 e 2025 em quatro idiomas. A triagem e extração dos dados foram conduzidas via Rayyan e Covidence, resultando em 11 estudos incluídos. As análises textuais e lexicográficas foram realizadas no software IRAMUTEQ (nuvem de palavras e análise de similitude). Os resultados revelam que a literatura privilegia práticas clínicas e institucionais voltadas ao manejo da crise, com pouca precisão conceitual sobre a urgência psicológica. Identificaram-se pesquisas nacionais e internacionais que enfatizam modelos de cuidado comunitário, intervenções breves, ambiência terapêutica e escuta qualificada, além da influência da pandemia de COVID-19 nas dinâmicas de cuidado e sofrimento das equipes. Persistem lacunas conceituais e metodológicas, sobretudo em pesquisas qualitativas e comparativas que articulem dimensões subjetivas e indicadores institucionais. Conclui-se que a urgência psicológica configura-se como um campo em construção, atravessado por tensões éticas e organizacionais. Mais que uma categoria técnica, expressa uma necessidade de resposta sensível e situada ao sofrimento agudo, reafirmando-se como território de reinvenção do cuidado em saúde mental. Palavras-chave: Práticas Clínicas; Saúde Mental; Urgência. Abstract This article aimed to map and analyze the (in)definition of psychological urgency in recent scientific literature, identifying its clinical implications in the field of mental health. It is a scoping review conducted according to the Joanna Briggs Institute guidelines and the PRISMA-ScR extension, with registration on the Open Science Framework platform. Searches were carried out in the PubMed, PsycINFO, Embase, and LILACS databases, considering publications from 2016 to 2025 in four languages. Screening and data extraction were performed using Rayyan and Covidence, resulting in 11 included studies. Textual and lexicographic analyses were conducted using the IRAMUTEQ software (word cloud and similarity analysis). The results show that the literature prioritizes clinical and institutional practices focused on crisis management, with little conceptual precision regarding psychological urgency. National and international studies were identified emphasizing community-based care models, brief interventions, therapeutic settings, and qualified listening, as well as the influence of the COVID-19 pandemic on care dynamics and team distress. Conceptual and methodological gaps remain, particularly in qualitative and comparative research that integrates subjective dimensions and institutional indicators. It is concluded that psychological urgency constitutes a field in formation, marked by ethical and organizational tensions. More than a technical category, it expresses the need for a sensitive and situated response to acute suffering, reaffirming itself as a space for the reinvention of mental health care. Keywords: Clinical Practice; Mental Health; Urgency. 1 Doutorando em Psicologia pela Universidade de Fortaleza (Unifor). E-mail: [email protected] 2 Graduando em Psicologia pela Universidade de Fortaleza (Unifor). E-mail: [email protected] 3 Professor da Universidade de Fortaleza (Unifor). Doutor em Psicopatologia. E-mail: bloc[email protected]
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 71 INTRODUÇÃO A noção de urgência e emergência psicológica vem ganhando destaque nos debates sobre saúde mental, especialmente no contexto contemporâneo de intensificação do sofrimento psíquico e da precarização das redes de cuidado. Apesar de sua relevância para a prática clínica, o termo permanece envolto em ambiguidade conceitual, sendo pouco definido nos campos da Psicologia e da saúde pública. Diante disso, este estudo propõe uma revisão de escopo com o objetivo de mapear e analisar a (in)definição da urgência psicológica na literatura científica recente, identificando seus desdobramentos clínicos no campo da saúde mental. A justificativa para a realização desta revisão parte do pressuposto e reconhecimento de que a indefinição conceitual da urgência psicológica impacta diretamente a forma como profissionais abordam situações críticas em saúde mental. A ausência de um consenso sobre o tema pode gerar práticas clínicas desalinhadas entre si, ora marcadas por intervenções medicalizantes e centradas na contenção da crise, ora orientadas por uma escuta ética e por estratégias de acolhimento. Nesse cenário, torna-se fundamental compreender como o conceito tem sido construído, tensionado e mobilizado em diferentes contextos teóricos e práticos. O problema central que orienta esta investigação pode ser formulado nos seguintes termos: como a urgência psicológica tem sido definida e abordada na literatura científica recente, e quais são os desdobramentos clínicos decorrentes dessas diferentes concepções? A busca por respostas a essa questão se insere em um esforço mais amplo de qualificar a atuação em saúde mental, especialmente nos serviços que lidam com situações de crise e sofrimento agudo. Do ponto de vista do marco conceitual, esta revisão considera a urgência psicológica como um campo de disputa entre diferentes racionalidades clínicas e políticas. De um lado, estão as abordagens biomédicas, que tendem a tratar a urgência como emergência a ser rapidamente estabilizada; de outro, encontram-se perspectivas que veem a crise como uma experiência singular e relacional, capaz de abrir possibilidades de reorganização subjetiva. Essa tensão revela não apenas divergências teóricas, mas também posições ético-políticas distintas no modo de compreender o sofrimento psíquico e as formas de cuidado. Como marco metodológico, esta revisão de escopo seguiu as diretrizes do Joanna Briggs Institute (JBI), conforme Aromataris e Munn (2020) e Peters et al. (2020), e utilizou a extensão PRISMA-ScR. O protocolo foi registrado na plataforma Open Science Framework, garantindo transparência e rastreabilidade. Foram incluídos 11 estudos publicados entre 2016 e 2025, analisados com o apoio do software IRAMUTEQ através da nuvem de palavras e análise de similitude.
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 72 Ao reunir e analisar criticamente diferentes abordagens sobre a urgência psicológica, esta revisão busca promover maior clareza conceitual e oferecer subsídios para práticas clínicas mais éticas, sensíveis à singularidade e capazes de acolher a complexidade do cuidado. Longe de representar um obstáculo, a indefinição do conceito pode ser compreendida como uma abertura para deslocamentos ético-políticos, que desafiam modelos normativos e impulsionam a reinvenção das práticas em saúde mental. Nesse contexto, a pesquisa organiza-se em cinco partes: referencial teórico-conceitual, percurso metodológico, apresentação e análise dos resultados, concluindo com a discussão das principais implicações do estudo e considerações finais. REFERENCIAL TEÓRICO-CONCEITUAL Etimologicamente, “urgência” vem do latim urgentia, derivado de urgēre, que significa “pressionar” ou “instar”, remetendo à necessidade de ação imediata (HARPER, 2024). O termo expressa uma condição que exige resposta pronta e destaca a dimensão temporal da urgência, um acontecimento que “urge”, convocando à ação no aqui-agora, onde o presente se torna o espaço decisivo para enfrentar o que é inevitável. O conceito de urgência atravessa diferentes campos do saber, sendo interpretado a partir de múltiplas perspectivas teóricas e disciplinares. Nas últimas décadas, diversas áreas têm buscado compreender e delimitar esse fenômeno, reconhecendo sua complexidade e suas implicações práticas em contextos clínicos, institucionais e sociais. Na medicina somática e na psiquiatria, a urgência e emergência tendem a ser concebidas em termos de risco imediato à vida ou à integridade física, demandando respostas rápidas e protocolos de estabilização (GORETTI et al., 2023; NASCIMENTO et al., 2024), bem como a tomada rápida de decisões (BRYAN et al., 2017; BERGEN et al., 2023a). A enfermagem, por sua vez, contribui com uma abordagem voltada para o cuidado e acolhimento em situações críticas, considerando tanto os aspectos biológicos quanto os psicossociais envolvidos (PINHO et al., 2012; SOUZA et al., 2019; MCCABE et al., 2023; DATAS et al., 2025). Já a psicologia, a psicopatologia e a psicanálise oferecem interpretações que ampliam o entendimento da urgência para além do campo da emergência médica, abordando-a como uma experiência subjetiva marcada por sofrimento psíquico intenso, ruptura de sentido ou desorganização emocional, que convoca a presença de um outro que escute, acolha e intervenha de forma ética e sensível (SEN, 2020; DATTILIO; SHAPIRO; GREENAWAY, 2024; SOARES et al., 2024). Cada uma dessas abordagens e perspectivas teóricas, ao enfatizarem diferentes aspectos da urgência, sejam eles fisiológicos, emocionais, relacionais ou sociais, contribuem para compor um campo multifacetado de saberes e práticas. Assim,
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 73 compreender a urgência psicológica requer um olhar interdisciplinar e crítico, capaz de articular essas diferentes contribuições sem reduzir sua complexidade. Apesar de seu uso frequente nos contextos clínico, acadêmico e institucional, a noção de urgência psicológica ainda carece de uma definição clara, consolidada e consensual entre os diferentes campos do saber (DELL’ACQUA; MEZZINA, 2005; DEL-BEN; RUFINO, 2010). Essa indefinição conceitual revela a complexidade do fenômeno, que não se limita a um único tipo de manifestação, mas abrange uma ampla gama de experiências marcadas por sofrimento psíquico intenso. A literatura indica que a urgência psicológica pode se expressar tanto em crises subjetivas agudas, caracterizadas por forte impacto emocional e desorganização interna, quanto em quadros psicopatológicos graves ou situações de risco iminente, que exigem respostas éticas, técnicas e imediatas (SCORSOLINI-COMIN, 2015; CARVALHO et al., 2022; GORETTI et al., 2023; SILVA et al., 2025). Nesse cenário heterogêneo, a ausência de uma delimitação conceitual mais precisa não se configura apenas como uma questão terminológica, mas como um impasse com implicações concretas para os modelos de intervenção, a formação e a prática profissional em saúde mental, além da formulação de políticas públicas voltadas ao cuidado psicossocial (BERGEN et al., 2023; MCCABE et al., 2023). A indefinição conceitual da urgência psicológica repercute diretamente em diversos aspectos da prática clínica, afetando desde os modos de acolhimento e escuta inicial até os critérios de triagem, a priorização de casos e as estratégias de intervenção utilizadas pelos profissionais diante de situações emergenciais. Essa falta de clareza compromete não apenas a uniformidade das condutas, mas também a capacidade das equipes de saúde mental de reconhecer e responder de forma ética, qualificada e tempestiva às demandas que se apresentam nos contextos institucionais (SCHMIDT et al., 2020; HERMOSILLA et al., 2022; AUSTIN et al., 2024). Hermosilla et al. (2022) destacam que eventos potencialmente traumáticos, como desastres naturais, conflitos armados e pandemias, geram crises profundas e prolongadas na saúde mental de indivíduos e comunidades. Nessas situações, os Primeiros Socorros Psicológicos (Psychological First Aid - PFA) têm se consolidado como estratégia central de resposta imediata ao sofrimento psíquico intenso, recomendada por organismos como a OMS, a APA e o IASC. Baseado em princípios de escuta, acolhimento e estabilização emocional, o modelo busca oferecer suporte inicial em contextos de crise (SHULTZ; FORBES, 2014). Contudo, apesar de sua ampla adoção, os autores apontam a falta de evidências empíricas robustas que comprovem sua efetividade na promoção de bem-estar duradouro ou na prevenção de transtornos psíquicos pós-trauma. Reflete-se sobre como crise, emergência e urgência em saúde mental têm sido compreendidas e manejadas na atenção psicossocial. Muitas vezes, essas situações são abordadas por uma lógica de
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 74 contenção e normalização imediata, priorizando respostas padronizadas e técnicas de mitigação rápida (HERMOSILLA et al., 2022). Embora necessárias em certos contextos, tais práticas podem reduzir a complexidade do sofrimento subjetivo e negligenciar a singularidade das experiências vividas pelos sujeitos. Revelam também a tensão entre modelos biomédicos e práticas humanizadas, indicando a necessidade de repensar os dispositivos de atenção à urgência sob perspectiva ética, relacional e intersubjetiva. Além disso, a ausência de consenso conceitual pode gerar barreiras no acesso aos serviços, dificultando encaminhamentos adequados e enfraquecendo a articulação entre atenção básica e dispositivos especializados (DIAS; FERIGATO; FERNANDES, 2020; SCHMIDT et al., 2020; KINKER; MOREIRA, 2021; LAVERGNE et al., 2022). Compreender como urgência psicológica, crise e emergência psiquiátrica têm sido abordadas na literatura permite identificar convergências, divergências e lacunas, orientando o aperfeiçoamento das práticas clínicas, a formação de profissionais e o fortalecimento das políticas públicas. Trata-se, assim, de um esforço para clarificar um conceito em disputa e ampliar possibilidades de cuidado em contextos de sofrimento psíquico intenso. MÉTODO Este trabalho consiste em uma revisão de escopo fundamentada nas diretrizes do manual JBI (AROMATARIS; MUNN, 2020; PETERS et al., 2020). A metodologia foi ampliada com o uso da extensão PRISMA-ScR (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses Scoping Review). Além disso, esta revisão foi registrada na plataforma Open Science Framework. Estratégia de pesquisa A presente revisão de escopo foi guiada pela seguinte questão norteadora: “como a urgência psicológica tem sido definida e abordada na literatura científica recente, e quais são os desdobramentos clínicos decorrentes dessas diferentes concepções?”. O estudo seguiu as diretrizes metodológicas propostas por Arksey e O'Malley (2005), posteriormente refinadas por Levac et al. (2010) e pelo Joanna Briggs Institute - JBI (PETERS et al., 2020), além das recomendações do PRISMA-ScR (TRICCO et al., 2018). A construção da estratégia de busca foi orientada pelo mnemônico PCC (Problema, Conceito e Contexto), que permite delimitar os elementos-chave da investigação (GRANDY et al., 2022). A busca foi realizada nas bases PubMed, PsycINFO, Embase e LILACS, incluindo descritores controlados (MeSH/DeCS) e termos livres em português, inglês, espanhol e francês. Problema: crises e
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 75 emergências em saúde mental; Conceito: urgência psicológica e suas intervenções; Contexto: serviços de saúde mental e dispositivos clínicos. A estratégia foi adaptada a cada base de dados, e as listas de referências dos estudos incluídos também foram examinadas para identificar outras fontes relevantes. A triagem e a extração dos dados foram conduzidas por dois revisores com o apoio da plataforma Rayyan (OUZANNI et al., 2016). Inicialmente, foram removidas as duplicatas entre as bases de dados, e, em seguida, realizou-se a triagem dos títulos e resumos, prosseguindo com a leitura integral dos textos elegíveis. O processo de seleção está ilustrado na Figura 1. Foram incluídos estudos publicados entre janeiro de 2016 e julho de 2025, em quatro idiomas, conforme os critérios apresentados na Tabela 1, que contemplam pesquisas empíricas e teóricas sobre urgência psicológica, publicadas em periódicos revisados por pares e vinculadas ao campo da saúde mental. Critérios de inclusão e exclusão Foram incluídos no estudo pesquisas realizadas no campo da saúde mental, especialmente na rede de atenção psicossocial, com abordagens primárias e revisão por pares, abrangendo estudos qualitativos, quantitativos, quase-experimentais e experimentais, além de estudos de caso, artigos teóricos, narrativos, fenomenológicos e descritivos. Consideraram-se trabalhos que apresentassem conceituações sobre urgência psicológica ou temas relacionados, como urgência psiquiátrica, emergência psiquiátrica e crise. Foram excluídos comentários editoriais, revisões (sistemáticas, integrativas ou de escopo), protocolos de pesquisa, resumos de conferências, anais de congressos, literatura cinzenta, relatos de experiência, estudos inacabados, em elaboração ou sem resultados disponíveis, bem como pesquisas não vinculadas ao campo da saúde mental. Seleção de evidências A estratégia de busca foi desenvolvida a partir de testes preliminares com descritores como: intervenção em crise psicológica, primeiros socorros psicológicos, atendimento psicológico imediato, urgência psicológica e urgência psiquiátrica, refinados com operadores booleanos (AND/OR) e adaptados conforme a especificidade de cada base de dados. A busca foi realizada em duas rodadas por base, explorando os conceitos de urgência psicológica, urgência psiquiátrica, emergência psiquiátrica e crise, articulados ao campo da psicologia e da saúde mental, com atenção às possíveis lacunas e inconsistências conceituais.
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 76 Todas as citações identificadas foram carregadas na plataforma Covidence (VERITAS HEALTH INNOVATION, 2025), onde duplicatas foram removidas. Após um teste piloto, dois revisores independentes analisaram títulos e resumos com base nos critérios de inclusão. Os textos completos dos estudos potencialmente elegíveis foram importados para o sistema JBI SUMARI (PETERS et al., 2024), onde passaram por avaliação detalhada, também em duplas. Divergências foram solucionadas por discussão ou com a participação de um terceiro revisor. A seleção dos estudos ocorreu em três fases: leitura dos títulos, triagem dos resumos e análise dos textos completos, com desempate realizado por um terceiro revisor em casos de dúvida. Os resultados foram apresentados em fluxograma, detalhando as exclusões e justificativas, e o protocolo registrado na plataforma OSF (Open Science Framework). Foram coletadas informações sobre participantes, conceito, contexto, métodos e principais achados. Em seguida, realizou-se síntese descritiva organizada em quadros, fluxogramas e discussões narrativas, seguindo as diretrizes do PRISMA-ScR (TRICCO et al., 2018). Fluxograma A seleção dos estudos seguiu um processo sistemático, conforme representado no fluxograma abaixo. Inicialmente, foram identificados 79 registros provenientes de quatro bases de dados: EMBASE (n = 66), LILACS (n = 8), PsycINFO (n = 3) e PubMed (n = 2). Após a etapa de identificação, procedeuse à filtragem por status de publicação e eliminação de duplicatas, resultando na exclusão de 4 registros, totalizando 75 artigos únicos para a etapa de triagem. Na fase de triagem, realizou-se a leitura dos títulos e resumos dos artigos restantes, com base nos critérios previamente definidos para a elegibilidade, especialmente em relação à pertinência ao conceito de urgência psicológica em contextos clínicos. Após essa etapa, 17 artigos foram considerados elegíveis para compor a síntese da revisão. Por fim, dos 17 estudos selecionados, 11 foram incluídos na etapa de análise e síntese dos dados, compondo o corpus final da presente revisão de escopo. Esse processo visou garantir a rastreabilidade e a transparência da seleção, conforme as diretrizes metodológicas propostas por Arksey e O’Malley (2005) e aprimoradas por Levac et al. (2010) para revisões de escopo.
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 77 Figura 1 - Fluxograma da seleção dos estudos Fonte: Elaboração própria. Coleta e análise dos dados Após a seleção dos estudos elegíveis para análise, foram organizadas informações relacionadas à título e ano de publicação dos artigos, idioma, objetivos e conclusões. Em seguida, realizou-se uma síntese qualitativa dos dados, a partir da construção de um corpus textual dos resumos, sobre o qual foram aplicadas análises lexicográficas, como nuvem de palavras e análise de similitude. Essas técnicas possibilitaram a identificação de núcleos temáticos e das comunidades de sentido associadas ao material examinado. As análises foram conduzidas com o auxílio do software IRAMUTEQ (Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires) (CAMARGO; JUSTO, 2013). RESULTADOS Os dados referentes aos estudos selecionados foram registrados de forma individual, sendo caracterizados da seguinte forma: título do artigo, autor e ano da publicação, objetivo do estudo e conclusões, apresentados no Quadro 1.
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 84 ampliado, condicionado pela forma como é enquadrado socialmente. Essa perspectiva complementa o enfoque clínico de Pobelov et al. (2023), que analisam pacientes atendidos por duplas de profissionais em unidades de intervenção em crise na Suíça. Ambos os estudos concebem a urgência psicológica como fenômeno intersubjetivo, que exige escuta qualificada e contenção emocional. Pobelov et al. (2023) destacam que a presença de dois profissionais é percebida por muitos pacientes como fator estruturante, por garantir pluralidade de escuta, continuidade do cuidado e fortalecimento do vínculo terapêutico. Essa dupla é associada à função simbólica de um “casal parental”, capaz de sustentar a desorganização psíquica típica da crise. O estudo, contudo, aponta desafios, como o desconforto de alguns usuários, a confusão de papéis e a repetição de informações entre os profissionais. Tais aspectos evidenciam a complexidade da urgência psicológica e a importância de uma escuta sensível, formação adequada e atenção às singularidades de cada caso. Se em Roennfeldt et al. (2024) a crise é uma oportunidade de reorganização subjetiva ancorada em vínculos humanos e éticos, e em Rossi et al. (2019) um chamado por reconhecimento da linguagem e da cultura juvenil, Pobelov et al. (2023) apontam para a importância da estrutura do setting clínico como espaço de cuidado e suporte da experiência de caos. Já Bahl et al. (2023) ampliam o campo da urgência para as dimensões institucionais e sociais, ao mostrar que o colapso subjetivo também é produzido por sobrecargas estruturais, uma abordagem que tensiona, de modo profícuo, as compreensões mais clínicas da crise ou se situações que se aproximem dessa noção. A crise é tratada, em todos os casos, como um evento relacional e afetivo, enraizado na temporalidade existencial e marcado por um pedido de escuta e reorganização. Contudo, divergem nos dispositivos de cuidado que priorizam: seja na escuta singular e imediata (Rossi et al., 2019), na copresença de múltiplos profissionais (POBELOV et al., 2023), na análise contextual do sofrimento (Bahl et al., 2023), ou na construção ativa de segurança subjetiva (ROENNFELDT et al., 2024; (HERMOSILLA et al., 2023). Essa diversidade enriquece o entendimento da urgência psicológica como um fenômeno complexo, ético-político, que exige respostas plurais, sensíveis e comprometidas com a alteridade e com a experiência de cada um, seja profissional ou paciente. A operacionalização da urgência psicológica nos dispositivos clínicos revela uma multiplicidade de estratégias e posicionamentos teóricos que, embora distintos, compartilham o entendimento de que a crise não é apenas um risco a ser contido, mas uma oportunidade de cuidado, reorganização subjetiva e intervenção ética. Os estudos aqui analisados se debruçam sobre diferentes formas de responder à urgência psicológica, desde a criação de espaços seguros e a adoção de modelos de dupla profissional, até a implantação de intervenções breves estruturadas, apontando para a tensão entre práticas de contenção e
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 85 práticas de acolhimento (DEKEL et al., 2021; SOLIMAN et al., 2023; COUTINHO et al., 2024; ROENNFELDT et al., 2024). O estudo de Coutinho et al., (2024) situa a crise em saúde mental como uma experiência multidimensional e indissociável dos avanços da Reforma Psiquiátrica Brasileira (RPB), recusando compreensões restritas à sintomatologia ou ao modelo hospitalocêntrico. Assim como em Roennfeldt et al., (2024), a crise aqui é compreendida como ruptura radical na experiência cotidiana do sujeito, exigindo respostas imediatas, porém contextualizadas, que respeitem a singularidade e a complexidade do sofrimento. A aproximação com a noção de urgência psicológica se dá justamente pela recusa à resposta automática e pelo reconhecimento da crise como momento que convoca vínculo, acolhimento imediato, escuta qualificada e articulação em rede. Tal posição se distancia de intervenções coercitivas e aposta em uma ética do cuidado situada, alinhando-se à perspectiva psicossocial e à lógica da atenção territorial. Essa crítica à resposta padronizada e coercitiva também aparece no artigo de Soliman et al., (2023), que discute a construção de “safe spaces” em contextos de internação psiquiátrica aguda como forma de mitigar situações de violência. Embora o artigo tenha origem em um contexto clínico distinto, o ambiente hospitalar psiquiátrico de urgência compartilha com Coutinho et al. (2024) a preocupação com os efeitos nocivos da medicalização e das intervenções restritivas e tecnificadas. Soliman et al. (2023) argumentam que fatores estruturais como superlotação, escassez de profissionais e longos períodos de espera contribuem para a escalada da agressividade nos serviços. Nessa perspectiva, constata-se que a urgência psicológica não é apenas uma resposta clínica a um sintoma agudo, mas um fenômeno relacional e ambiental, atravessado por condições institucionais que muitas vezes agravam o sofrimento ao invés de aliviá-lo. Enquanto Coutinho et al. (2024) ancoram sua discussão na política pública e nas diretrizes da RPB, Soliman et al. (2023) propõem estratégias institucionais baseadas em evidências, como o modelo Safewards e as Six Core Strategies, que visam criar ambientes de cuidado menos coercitivos e mais colaborativos. Há, portanto, uma convergência na direção de práticas que não se restringem à neutralização do risco, mas que buscam sustentar o sujeito em crise com ética, escuta e presença clínica. Ainda que os referenciais teóricos sejam diferentes (um mais psicossocial, outro mais institucional e pragmático), ambos reconhecem que a resposta à urgência deve considerar a complexidade do ambiente e das relações que o constituem. Nesse panorama, o estudo de Dekel et al. (2021) amplia a discussão ao propor um modelo de intervenção breve estruturado para crianças e adolescentes em crise. Com base em abordagens e protocolos de prevenção ao suicídio, o artigo apresenta uma proposta pragmática de cuidado intensivo em curto prazo, com foco na redução do tempo de espera e na eficácia clínica. A concepção de urgência
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 86 psicológica como uma ideia mais ampla é operada por expressões como “psychiatric emergencies” ou “acute crisis”, reafirmando a necessidade de respostas imediatas diante de sofrimentos intensos que afetam o pensamento, o humor e o comportamento de jovens em vulnerabilidade (BRYAN et al., 2017; KIM et al., 2022). O modelo apresentado por Dekel et al. (2021) compartilha com outros estudos a compreensão de que o tempo de resposta é um fator decisivo na trajetória clínica de sujeitos em crise. A redução significativa no tempo de espera e o elevado índice de resolução sem necessidade de tratamento continuado indicam que intervenções rápidas, quando bem estruturadas, podem produzir efeitos terapêuticos relevantes (HERMOSILLA et al., 2023). Esses achados dialogam, ainda que indiretamente, com a proposta de Soliman et al. (2023), segundo a qual o ambiente e a disponibilidade clínica funcionam como fatores preventivos contra o agravamento das crises. Por outro lado, ao enfatizar, sobretudo, a eficácia e a funcionalidade da intervenção, o estudo de Dekel et al. (2021) tensiona as abordagens que buscam sustentar de alguma forma a experiência da crise (COUTINHO et al., 2024). Se, por um lado, intervenções mais rápidas são indispensáveis para evitar riscos imediatos, por outro, limitar a compreensão da crise a parâmetros de eficácia tende a invisibilizar sua dimensão subjetiva e relacional (HERMOSILLA et al., 2023). Ampliar essa discussão implica reconhecer que a urgência não se esgota no manejo técnico, mas envolve também o acolhimento das narrativas, dos significados e das condições sociais que estruturam a experiência de sofrimento, um aspecto que a literatura recente, especialmente após a pandemia de COVID-19, tem apontado como crucial para compreender a complexidade da urgência psicológica. A aproximação entre esses estudos permite observar que, apesar das diferenças nos modelos teóricos e nas populações atendidas, há um consenso emergente de que a urgência psicológica não pode ser reduzida à sua dimensão sintomática. Seja no CAPS, no hospital psiquiátrico, conforme comparamos com estudo de Kim et al. (2022) com pacientes com ideação suicida, a crise aparece como momento de instabilidade, mas também de abertura, um ponto de inflexão que pode tanto levar à ruptura institucional quanto à possibilidade de reinvenção subjetiva, dependendo da resposta que lhe é dada. As estratégias aqui discutidas, da escuta sensível ao manejo institucional, da articulação em rede à intervenção breve e psicossocial, apontam para um campo clínico em movimento, no qual o cuidado em urgência se desenha cada vez mais como prática ética, responsiva e situada (BERGEN et al., 2023; BERGEN et al., 2023a; MCCABE et al., 2023). Dalton-Locke et al. (2021) introduzem essa discussão com uma análise ampla do cenário inglês, revelando uma transformação nos modelos de cuidado em crise, com a proliferação de serviços como: crisis cafés, unidades de respiro e linhas de apoio 24h. A pesquisa sugere que esses novos formatos
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 87 respondem à complexidade da crise psíquica contemporânea e à limitação dos modelos convencionais de atendimentos a situações de urgência psicológica. No entanto, os autores expressam preocupação quanto à falta de evidências sobre a efetividade dessas iniciativas, destacando o risco de fragmentação da rede. A diversidade de experiências de crise exige respostas variadas, pontuam, embora reconheçam que a expansão dos serviços pode dificultar a navegabilidade do sistema para usuários e profissionais. Odejimi et al. (2020) propõem uma tipologia dos serviços emergenciais psiquiátricos no Reino Unido, evidenciando a predominância de respostas centradas em contenção e estabilização. O estudo aponta a lógica médico-clínica que orienta as práticas, baseadas em critérios objetivos de gravidade e risco, e critica a falta de padronização e de um olhar subjetivo sobre a crise, o que compromete a integralidade do cuidado. Segundo os autores, a ênfase exclusiva no risco pode desumanizar o atendimento se não houver escuta clínica qualificada e contextualizada. De modo semelhante, Mothibi et al. (2019) analisam o contexto sul-africano e mostram que profissionais de atendimento pré-hospitalar, geralmente os primeiros a acolher pacientes em crise, carecem de formação específica em saúde mental. Essa lacuna leva a condutas centradas na imobilização ou transferência imediata, com pouca escuta subjetiva. A ausência de preparo técnico reforça práticas focadas no risco e nos sintomas, e não na experiência do sujeito, gerando frustração nos profissionais e comprometendo o cuidado (REINFELD et al., 2023; NASCIMENTO et al., 2024). No contexto brasileiro, Souza et al. (2018) contribuem com uma análise da atuação do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) em situações de urgência e emergência psiquiátrica. O estudo revela que o atendimento, muitas vezes, se limita à contenção e ao encaminhamento hospitalar, com escassa escuta e articulação com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Para os autores, o despreparo técnico e a pressão por resolutividade imediata favorecem a manutenção de uma lógica hospitalocêntrica, que pouco reconhece a crise como expressão singular de sofrimento e articulação com a rede. A crítica central é clara: falta escuta e presença no cuidado prestado pelo SAMU às urgências psíquicas. Nesse ponto, Andrade et al. (2016) trazem uma contribuição importante ao enfatizar a potência do matriciamento e da corresponsabilização entre os serviços da RAPS como alternativas às práticas fragmentadas. A análise de portfólios de trabalhadores da rede evidencia a persistência de encaminhamentos verticais que desresponsabilizam os serviços locais. McCabe et al. (2023) também apresenta possibilidades de avaliações e perguntas importantes em contextos de urgência e emergência, a fim de favorecer um cuidado integral. Entretanto, tais estudos também revelam práticas emergentes de articulação, como reuniões intersetoriais e rodas de saúde mental, que buscam acolher o sujeito em crise de forma integral e compartilhada. É preciso reconfigurar a lógica da urgência psicológica como espaço
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 88 de cuidado, não apenas de remoção ou encaminhamentos, afirmam os autores, apontando caminhos que desafiam o modelo biomédico hegemônico e colocam em evidência suas fragilidades. Nos estudos analisados, a urgência psicológica, ainda que raramente nomeada, atravessa as práticas como um campo de sentidos em construção: ora entendida como risco iminente à ordem ou à integridade física, ora como expressão de um sofrimento que demanda escuta e cuidado relacional. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta revisão mapeou e analisou criticamente como a urgência psicológica vem sendo abordada nas práticas clínicas e nos estudos em saúde mental na última década. Constatou-se que, embora o termo ainda não esteja consolidado como categoria técnica ou teórica, ele atravessa diferentes experiências e estratégias de cuidado, configurando-se como um conceito em trânsito, mais vivido do que nomeado, mais intuído do que formalizado. Isso ainda tem implicações no campo da clínica ampliada, sendo um tema importante a ser desenvolvido com profundidade a fim de um cuidado mais integralizado, e menos tecnificado. Os resultados indicam que, no campo da saúde mental, a urgência não se define apenas pela temporalidade do sofrimento, mas pela necessidade de uma resposta ética, situada e relacional. As práticas analisadas revelam o desafio de equilibrar rapidez e cuidado, reafirmando a urgência psicológica como espaço de reinvenção do cuidado em saúde mental. Apesar dos avanços, persistem lacunas significativas: há escassez de estudos qualitativos sobre desfechos subjetivos, como sensação de segurança, autonomia e vínculo, e de pesquisas que articulem indicadores clínicos e institucionais, como redução de internações, uso de medidas restritivas e reincidência de crises. Pouco se investiga também o impacto das condições de trabalho e da saúde mental das equipes, e a ausência de estudos comparativos, longitudinais e multicêntricos limita a consolidação de práticas baseadas em evidências. Recomenda-se o desenvolvimento de pesquisas que aliem rigor metodológico e sensibilidade clínica, valorizando a experiência de usuários, profissionais e redes territoriais. Estudos futuros devem priorizar abordagens mistas que integrem indicadores subjetivos e objetivos, avaliando efetividade, custoefetividade e impacto organizacional dos modelos de atendimento em urgência psicológica. Também são necessárias investigações que analisem como contextos sociopolíticos e institucionais modulam respostas clínicas e éticas ao sofrimento agudo. Conclui-se que a urgência psicológica constitui um campo em construção, ao mesmo tempo em que evidencia os limites do modelo biomédico centrado na emergência psiquiátrica, convoca novas formas
www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 89 de cuidado pautadas pela singularidade, pela escuta e pela presença. A consolidação de práticas éticoterapêuticas requer políticas públicas que fortaleçam as redes de atenção psicossocial, garantam espaços seguros, recursos adequados e formação continuada, assegurando também o cuidado aos profissionais. Assim, a urgência psicológica deve ser compreendida não apenas como fenômeno clínico, mas como desafio ético, organizacional e político, um território de resistência e criação no campo da saúde mental. REFERÊNCIAS ANDRADE, K. et al. “Articulação da Rede de Atenção Psicossocial para cuidado às crises”. Psicologia em Estudo, vol. 21, n. 4, 2016. ARKSEY, H.; O’MALLEY, L. “Scoping studies: towards a methodological framework”. International Journal of Social Research Methodology, vol. 8, n. 1, 2005. AROMATARIS, E.; MUNN, Z. (eds.). JBI Manual for Evidence Synthesis. Washington: Joanna Briggs Institute, 2020. AUSTIN, E. E. et al. “Improving emergency department care for adults presenting with mental illness: a systematic review of strategies and their impact on outcomes, experience, and performance”. Frontiers in Psychiatry, vol. 15, 2024. BAHL, A. et al. “Impact of COVID-19 on Mental Health: A Qualitative Enquiry”. Journal of the Indian Medical Sciences Academy, vol. 35, n. 1, 2023. BERGEN, C. et al. “Gatekeeping and factors underlying decisions not to refer to mental health services after self-harm: triangulating video-recordings of consultations, interviews, medical records and discharge letters”. SSM-Qualitative Research in Health, vol. 4, 2023a. BERGEN, C. et al. “Implying implausibility and undermining versus accepting peoples’ experiences of suicidal ideation and self-harm in Emergency Department psychosocial assessments”. Frontiers in Psychiatry, vol. 14, 2023. BRYAN, C. J. et al. “Effect of crisis response planning on patient mood and clinician decision making: A clinical trial with suicidal US soldiers”. Psychiatric Services, vol. 69, n. 1, 2018. CAMARGO, B. V.; JUSTO, A. M. “IRAMUTEQ: um software gratuito para análise de dados textuais”. Temas em Psicologia, vol. 21, n. 2, 2013. CARVALHO, F. L et al. “Plantão psicológico em contexto hospitalar: compartilhando saberes, desmistificando práticas”. Pensar Acadêmico, vol. 20, n. 1, 2022. COUTINHO, M. F. C. et al. “O percurso pela atenção à crise em saúde mental na cidade do Rio de Janeiro”. Saúde e Sociedade, vol. 33, 2024. DALTON-LOCKE, C. et al. “Emerging models and trends in mental health crisis care in England: A national investigation of crisis care systems”. BMC Health Services Research, vol. 21, n. 1, 2021.
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www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 24, n. 70, Boa Vista, 2025 92 BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) Ano VII | Volume 24 | Nº 70 | Boa Vista|2025 http://www.ioles.com.br/boca Editor chefe: Elói Martins Senhoras Conselho Editorial Antonio Ozai da Silva, Universidade Estadual de Maringá Vitor Stuart Gabriel de Pieri, Universidade do Estado do Rio de Janeiro Charles Pennaforte, Universidade Federal de Pelotas Elói Martins Senhoras, Universidade Federal de Roraima Julio Burdman, Universidad de Buenos Aires, Argentina Patrícia Nasser de Carvalho, Universidade Federal de Minas Gerais Conselho Científico Claudete de Castro Silva Vitte, Universidade Estadual de Campinas Fabiano de Araújo Moreira, Universidade de São Paulo Flávia Carolina de Resende Fagundes, Universidade Feevale Hudson do Vale de Oliveira, Instituto Federal de Roraima Laodicéia Amorim Weersma, Universidade de Fortaleza Marcos Antônio Fávaro Martins, Universidade Paulista Marcos Leandro Mondardo, Universidade Federal da Grande Dourados Reinaldo Miranda de Sá Teles, Universidade de São Paulo Rozane Pereira Ignácio, Universidade Estadual de Roraima Caixa postal 253. Praça do Centro Cívico. Boa Vista, RR, Brasil. CEP 69601-970.