scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

ASSESSMENT OF SLEEP QUALITY AND QUALITY OF LIFE AMONG WOMEN AGED 45 YEARS AND OLDER

PEIXOTO, Maristela Cassia de Oliveira; CLEMENS, Betina Juchem; SOUTO, Anna Luiza Utzig Barbosa; PULS, Jéssica Collet; SPANIOL, Marcelli Bilhar Almeida

Abstract

The objective of the present study is to analyze the quality of life and sleep among women aged 45 to 59, aiming to understand the challenges faced by this age group. The specific objective is to characterize the participants. This is a quantitative, cross-sectional study, based on a theoretical-deductive method. Data was collected between December 2024 and March 2025 through an electronic questionnaire. Participants were selected intentionally, using a non-probabilistic sampling method, and responded to questions on sociodemographic characteristics, the Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI), and the EUROHIS-QOL 8-Item Index. Data was analyzed statistically and descriptively. The sample consisted of 49 women aged 45 to 59, most of whom were married (79.6%), had a postgraduate degree (49%), had children (89.9%), and were already in menopause (63.3%). Overall quality of life levels were high (55.1%), except for income, which remained at unsatisfactory levels (53.1%). According to the PSQI, 36.7% of participants were classified as having poor sleep quality, and 24.5% presented sleep disorders. It can be concluded that middle-aged women face multiple social, psychological, and hormonal challenges, with sleep quality being particularly affected by these factors. Quality of life levels remain generally high, except for income, which participants perceive as insufficient to meet their personal needs. The present research highlights the need for multiprofessional health support for this age group to address adverse symptoms related to menopause and sleep.

Full text

www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 217 O Boletim de Conjuntura (BOCA) publica ensaios, artigos de revisão, artigos teóricos e empíricos, resenhas e vídeos relacionados às temáticas de políticas públicas. O periódico tem como escopo a publicação de trabalhos inéditos e originais, nacionais ou internacionais que versem sobre Políticas Públicas, resultantes de pesquisas científicas e reflexões teóricas e empíricas. Esta revista oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização mundial do conhecimento. BOLETIM DE CONJUNTURA BOCA Ano VII | Volume 23 | Nº 69 | Boa Vista | 2025 http://www.ioles.com.br/boca ISSN: 2675-1488 www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 218 ANÁLISE DA QUALIDADE DO SONO E DA QUALIDADE DE VIDA EM MULHERES COM 45 ANOS OU MAIS Maristela Cassia de Oliveira Peixoto 1 Betina Juchem Clemens 2 Anna Luiza Utzig Barbosa Souto 3 Jéssica Collet Puls 4 Marcelli Bilhar Almeida Spaniol 5 Resumo O objetivo do presente estudo é analisar a qualidade de vida e de sono de mulheres acima de 45 até 59 anos de idade, buscando compreender quais são os desafios encontrados por esse grupo etário. O objetivo específico é caracterizar as participantes. Este é um estudo quantitativo, delinear e transversal, de acordo com o método teórico-dedutivo. Os dados foram coletados durante os meses de dezembro de 2024 e março de 2025, via formulário eletrônico. As participantes foram selecionadas de forma intencional não-probabilística, respondendo a questões sobre caracterização, a Escala de Sono de Pittsburgh (PSQI) e o questionário EUROHIS-QOL 8 Item. Os dados foram analisados de maneira estatística e descritiva. A amostra é composta por 49 mulheres entre 45 e 59 anos, em sua maioria casadas (79,6%), com pós-graduação (49%), filhos (89,9%) e já na menopausa (63,3%). Os níveis de qualidade de vida são altos (55,1%), com exceção da renda que se mantém em níveis não satisfatórios (53,1%). A qualidade do sono das participantes que é classificada como ruim é de 36,7% de acordo com o PSQI, e foi encontrada a presença de distúrbios do sono (24,5%). É possível concluir que a mulher de meia idade enfrenta diversos desafios de ordem social, psicológica e hormonal, e que a qualidade do sono é especialmente afetada por esses fatores. Os níveis de qualidade de vida mantem-se altos, com exceção do fator renda, que é percebido pelas participantes como insuficiente para suas necessidades pessoais. A presente pesquisa aponta a necessidade de apoio multiprofissional de saúde para a referida faixa etária, para que os sintomas adversos relacionados à menopausa e ao sono possam ser sanados. Palavras-chave: Qualidade de Vida; Qualidade do Sono; Saúde da Mulher. Abstract The objective of the present study is to analyze the quality of life and sleep among women aged 45 to 59, aiming to understand the challenges faced by this age group. The specific objective is to characterize the participants. This is a quantitative, crosssectional study, based on a theoretical-deductive method. Data was collected between December 2024 and March 2025 through an electronic questionnaire. Participants were selected intentionally, using a non-probabilistic sampling method, and responded to questions on sociodemographic characteristics, the Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI), and the EUROHIS-QOL 8-Item Index. Data was analyzed statistically and descriptively. The sample consisted of 49 women aged 45 to 59, most of whom were married (79.6%), had a postgraduate degree (49%), had children (89.9%), and were already in menopause (63.3%). Overall quality of life levels were high (55.1%), except for income, which remained at unsatisfactory levels (53.1%). According to the PSQI, 36.7% of participants were classified as having poor sleep quality, and 24.5% presented sleep disorders. It can be concluded that middle-aged women face multiple social, psychological, and hormonal challenges, with sleep quality being particularly affected by these factors. Quality of life levels remain generally high, except for income, which participants perceive as insufficient to meet their personal needs. The present research highlights the need for multiprofessional health support for this age group to address adverse symptoms related to menopause and sleep. Keywords: Quality of Life; Quality of Sleep; Women’s Health. 1 Docente da Universidade Feevale. Doutora em Diversidade Cultural e Inclusão Social. E-mail: [email protected] 2 Graduanda em Enfermagem pela Universidade Feevale. E-mail: [email protected] 3 Graduanda em Enfermagem pela Universidade Feevale. E-mail: [email protected] 4 Graduanda em Enfermagem pela Universidade Feevale. E-mail: [email protected] 5 Graduanda em Enfermagem pela Universidade Feevale. E-mail: [email protected] www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 219 INTRODUÇÃO O período da meia-idade, situado entre os 45 e 59 anos, representa uma fase crítica e dinâmica no desenvolvimento humano feminino, caracterizada por uma confluência de transformações biológicas, psicológicas e sociais. Esta etapa coincide frequentemente com o climatério, uma transição marcada por significativas flutuações hormonais que podem reconfigurar o bem-estar integral da mulher. Alterações nos padrões de sono e uma percepção diminuída da qualidade de vida emergem como desafios centrais neste período, com potencial para comprometer a saúde física, mental e o potencial de desenvolvimento pleno. A investigação sistemática desta problemática justifica-se pela crescente expectativa de vida da população feminina e pela necessidade imperativa de gerar evidências científicas que fundamentem políticas públicas e práticas clínicas direcionadas à promoção de um envelhecimento saudável e ativo. Diante deste contexto, o presente estudo orienta-se pela seguinte questão de pesquisa: Qual é a relação entre a qualidade do sono e a qualidade de vida de mulheres na faixa etária de 45 a 59 anos? Para responder a este questionamento, define-se como objetivo geral analisar a qualidade de vida e a qualidade do sono de mulheres nessa faixa etária. Como objetivos específicos, o estudo busca: Caracterizar o perfil sociodemográfico e de saúde das participantes. Quantificar os níveis de qualidade de vida utilizando o instrumento EUROHIS-QOL e Avaliar a qualidade do sono por meio do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI). O marco conceitual que fundamenta esta pesquisa apoia-se em uma visão multidimensional da saúde. A qualidade de vida é entendida como a percepção individual sobre a sua posição na vida, no contexto dos sistemas de cultura e valores nos quais está inserida e em relação aos seus objetivos, expectativas e preocupações. A qualidade do sono é tratada como um pilar da saúde, definida por parâmetros de eficiência, duração, latência e ausência de distúrbios, reconhecida como um preditor crucial para o funcionamento físico e psicológico. Metodologicamente, este trabalho adota uma abordagem quantitativa, com um delineamento do tipo descritivo e transversal. A coleta de dados primários será realizada mediante a aplicação de instrumentos validados em formato eletrônico, assegurando a padronização e confiabilidade das informações. A análise dos dados será conduzida através de métodos de estatística descritiva, permitindo uma caracterização precisa do perfil da amostra e dos desfechos investigados. Este artigo organiza-se em cinco seções principais. Após esta Introdução, a secção de Referencial Teórico aprofundará os conceitos centrais que alicerçam a investigação. A Metodologia detalhará o desenho de estudo, os procedimentos de www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 220 recrutamento e os instrumentos de coleta e análise de dados. Na sequência, Resultados e Discussão apresentarão os achados empíricos, confrontando-os com a literatura científica pertinente. Por fim, as Considerações Finais sintetizarão as conclusões, limitações do estudo e implicações para práticas futuras. SONO O sono é um processo fisiológico indispensável para a homeostase corporal, e diversos sistemas do corpo necessitam de um ciclo sono-vigília equilibrado para seu funcionamento otimizado. O mecanismo desse processo é dividido em cinco estágios, chamados de vigília, N1, N2, N3 e REM. O estado de vigília precede o adormecer, e é marcado por ondas beta, que denotam um cérebro ativo. O estágio N1 é um sono leve, que dura de 1 a 5 minutos. No N1, mantemos nosso tônus muscular e a respiração é controlada de maneira ordenada. No estágio N2, entramos em um sono com mais profundidade, nossa frequência cardíaca e a temperatura corporal caem. É um estágio importante para a plasticidade neuronal, e dura cerca de 25 minutos. O estágio N3 é o sono realmente profundo. Esse é o estágio de reparação corporal – crescimento muscular e ósseo, assim como o fortalecimento do sistema imunológico ocorrem aqui. Também é o estágio onde ocorrem os pesadelos e terrores noturnos. O estágio REM (rapid eye movement) é onde sonhamos, nossa musculatura está relaxada e nossa respiração errática. O REM permite o acordar espontâneo, sem necessidade de barulhos ou estímulos externos, e é quando o cérebro está em seu período mais ativo (PATEL et al., 2024). Os estágios N1, N2 e N3 são considerados NREM (non rapid eye movement). Passamos a maior parte do sono, 75%, nesse estágio – especialmente N2. Para que o organismo possa se recuperar da fadiga do dia, o sono ideal teria de quatro a cinco ciclos – a progressão seria do estágio N1, N2, N3, N2 e REM. Esse ciclo, idealmente, deve durar de 90 a 110 minutos para pessoas adultas (PATEL et al., 2024). Para o envelhecimento, o sono de boa qualidade é um protetor contra doenças cardiovasculares, neurológicas, crônicas, psicológicas e dores. Em um estudo realizado por Ravyts e Dzierzewski (2024), o sono de curta duração e/ou de má qualidade são preditores de um envelhecimento mal-sucedido, com maiores taxas de comorbidades. Além disso, adultos mais velhos que relataram sono de boa qualidade também tem escores maiores de qualidade de vida, indicando que o bom sono traz benefícios que englobam não só a saúde física, como a mental (RAVYTS; DZIERZEWSKI, 2024). No Brasil, os níveis de qualidade de sono autorreferidos são preocupantes. Nos brasileiros acima dos 50 anos, 15,6% referem má qualidade do sono; além disso, o sexo biológico trouxe disparidades: mulheres são maioria com um sono de má qualidade. Adultos que referem sua saúde como ruim tendem www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 221 a ter sono de má qualidade e/ou maiores índices de distúrbios do sono (PEREIRA; SAMPAIO; PESSOA, 2025). É importante salientar que dentro da pesquisa clínica sobre o sono, dados sobre mulheres são minoria. O sexo biológico traz grandes impactos hormonais e fisiológicos; o sono é um aspecto especialmente afetado por essas diferenças (SPITSCHAN et al., 2022). Nosso relógio biológico, o ritmo circadiano, encontra-se no hipotálamo. É através dele que diversas funções do nosso organismo se organizam e funcionam de maneira correta; o sono é uma delas. O ritmo circadiano feminino é distinto do masculino; o ritmo de secreção da melatonina, o hormônio do sono, é mais amplo nas mulheres (especialmente durante o período da noite). Isso significa que mulheres dormem mais cedo e por mais tempo (SPITSCHAN et al., 2022). Devido as diferenças existentes no ritmo circadiano de homens e mulheres, elas são mais suscetíveis a sofrerem de vigília estendida – dificuldades em adormecer e manter-se adormecida. Com isso, o ritmo circadiano é desregulado devido a falta de sono, e diversos problemas de origem metabólica podem ocorrer (LOK; QIAN; CHELLAPA, 2024). A saúde do sono é um conceito importante para a compreensão do que seria um sono de qualidade. Ele é composto por duração do sono (que muda de acordo com o sexo biológico; mulheres precisam de mais horas de sono do que homens, em torno de 8 horas ao total); regularidade (dormir no mesmo horário); satisfação (estar satisfeito com a quantidade e qualidade do sono); eficiência (não levar mais de 30 minutos para adormecer); nível de alerta durante o dia (não sentir-se sonolento durante as horas em que passa acordado) e a timing do sono (estar totalmente adormecido durante as horas da madrugada) (BAKER, 2023). Em estudo realizado por Wendt (2019) utilizando dados coletados através do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que mulheres mais velhas, com menor escolaridade, fumantes, sedentárias e de menor nível socioeconômico autorrelatam um sono de pior qualidade e distúrbios do sono, o que por sua vez, aumenta a fadiga sentida durante o dia (WENDT et al., 2019). A mulher mais velha que está no período do climatério já possui sua produção endógena de melatonina diminuída; isso sinaliza obstáculos para o adormecimento e manter-se adormecida, fazendo com que a qualidade do sono caia de maneira drástica (TANDON et al., 2021). A correlação entre sono e menopausa é extremamente significativa; mulheres que já sofriam de distúrbios do sono como a insônia durante sua vida fértil costumam entrar na menopausa em idades mais precoces (GAN et al., 2024). O sono pode transformar-se em um problema durante qualquer estágio do climatério. Em estudo realizado na América do Norte, mulheres que iniciaram a menopausa tardiamente e mulheres já na pós menopausa possuem queixas sobre a qualidade do sono. Surpreendentemente, mulheres na pós menopausa www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 222 que fazem uso de terapia de reposição hormonal também possuíam queixas sobre o sono em porcentagens similares a mulheres ainda na pré-menopausa (KHOUDARY et al., 2019). Tanto na pré-menopausa como no período da pós menopausa, a principal queixa é a de distúrbios do sono. Desses distúrbios, o principal é o acordar durante a noite – e isso pode ser ligado diretamente com os sintomas vasomotores (fogachos) que são comuns no período de transição menopausal (BAKER, 2023). Mulheres que apresentam mais sintomas na menopausa como fogachos, depressão e/ou ansiedade, esgotamento físico/mental, cefaleias e problemas urogenitais relacionados a sexualidade tendem a ser classificadas como más dormidoras pelo Índice da Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI), um instrumento internacional e validado para uso no Brasil, que utiliza escalas autorreferidas sobre a qualidade e duração do sono, tempo para adormecer, presença de parassonias, entre outros (SANTOS et al., 2021). É importante ressaltar a correlação entre má qualidade do sono e saúde mental. Um dos distúrbios do sono mais comuns, a insônia, é preditor de depressão e ansiedade; pessoas com sono de má qualidade tendem a ter uma percepção global negativa de suas emoções, o que demonstra que o sono é um processo fisiológico imprescindível para os nossos processos emocionais (RIEMANN et al., 2024). Outro fator importante na qualidade do sono da mulher climatérica é o peso. Mulheres obesas na menopausa tem maior predisposição para desenvolver apneia obstrutiva do sono (AOS), levando a uma piora significativa da qualidade do sono devido às frequentes interrupções e parassonias, como pesadelos, que ocorrem devido a hipóxia causada pela condição (BONSIGNORE et al., 2019). Em suma, o sono é ponto chave para a qualidade de vida da mulher na menopausa, e pode ser influenciado por diversos fatores, sejam eles físicos ou psicológicos (BAKER, 2023). QUALIDADE DE VIDA A qualidade de vida (QV) é um conceito amplo, e cada área de conhecimento a define de maneira diferente. Quando englobamos bem-estar físico, mental e social, estamos nos referindo a qualidade de vida relacionada a saúde (QVRS), que leva em conta não somente a funcionalidade do corpo e um organismo sem enfermidades, mas também as percepções psicoemocionais e culturais da vida cotidiana (PALMEIRA et al., 2023). A longevidade das mulheres é um fenômeno associado ao envelhecimento populacional. Dados apontam que, em média, as mulheres costumam viver sete anos a mais do que homens, porém, elas tendem a apresentar um percentual mais alto de comorbidades e doenças crônicas, mais prováveis de apresentar www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 223 condições incapacitantes, mais suscetíveis a doenças como depressão e ansiedade, além de desenvolverem riscos de suicídio e mais prevalência de demências (BARROSO et al., 2023) Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nove aspectos são considerados quando se fala de QV no país. Entre eles, estão: renda, moradia, acesso aos serviços de utilidade pública, saúde, educação, acesso aos serviços financeiros e padrão de vida, alimentação, transporte, lazer e viagens. É então importante considerar que a QV trata de todos os diferentes aspectos da vida, considerando o ser humano como uma entidade complexa (IBGE, 2023). Existem diferentes abordagens para entender a QV. Dentre as quatro principais, estão: econômicas, psicológicas, biomédicas e geral (holística). Na abordagem socioeconômica, os indicadores sociais falam sobre instrução, renda e moradia. Psicologicamente falando, a QV é relacionada com a percepção da pessoa sobre suas vivências; quais tipos de reações subjetivas o indivíduo tem em seu cotidiano. Já a QVRS engloba: percepções do paciente em relação a sua própria saúde, o impacto da saúde no cotidiano dessa pessoa, e se ela tem acesso aos serviços médicos de qualidade. Na QV holística, indicadores como bem-estar, felicidade, amor, prazer e realizações pessoais são utilizados para compreender se as necessidades básicas e a satisfação de uma determinada população são sanadas (PEREIRA et al., 2012). Há diversas variáveis que podem influenciar no bem-estar, como o gênero, a idade, a cultura e o nível socioeconômico; segundo Diener (1984), há três aspectos diferentes do bem-estar subjetivo que podem ter destaque: a subjetividade é como cada indivíduo possui uma maneira de compreender e sentir a vida, diversos fatores como situação econômica, cultura e escolaridade são vitais nesse processo; o entendimento de que não necessariamente precise existir a falta de aspectos negativos, mas sim a existência de aspectos positivos; e também ressalta que o bem-estar deve abranger uma medida global (GIACOMONI, 2004). Uma pesquisa de 2017 observou que, pelo fato de o climatério afetar cada mulher de maneira diferente, suas repercussões acabam sendo variadas, podendo manifestar-se distintamente em aspectos físicos, sociais e emocionais; de acordo com a pesquisa, constatou-se uma possível relação entre o estado civil e a falência ovariana, onde foi possível observar uma frequência maior de sintomas entre as mulheres que não possuíam um parceiro fixo (ASSUNÇÃO, 2017). Estudos apontam uma estabilidade a experimentar emoções fortes ou leves ao longo do tempo, onde as pessoas possuem coerência em seus padrões de reação. De acordo com Diener e Lucas (1999), a intensidade do afeto está muito mais ligada à qualidade do que ao seu nível, sem estar relacionada com os indicadores do bem-estar (GIANCOMONI, 2004). Levar uma vida saudável também pode afetar a qualidade de vida do ser humano, ajudando a evitar ou adiar certos tipos de doenças, como câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias, e diabetes tipo II. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 224 Porém, há alguns comportamentos que podem contribuir significativamente com a QV, sendo o uso de tabaco, álcool, sedentarismo e hábitos alimentares. A maioria dos adultos informa que possui dois ou mais destes riscos comportamentais, além de serem, geralmente, grupos de baixa renda (THOMAS et al., 2020). Características que influenciam um indivíduo socialmente ou psicologicamente são chamados de fatores psicossociais, tais fatores são capazes de descrever como a relação com o ambiente social pode afetar a saúde física e mental das pessoas (THOMAS et al., 2020). Pesquisas demonstram que mulheres com baixa escolaridade possuem uma autopercepção de saúde ruim, enquanto mulheres que tem o ensino superior completo percebem sua saúde de maneira positiva. Isso é ainda mais importante quando falamos da menopausa, onde a autopercepção é chave para o enfrentamento dos sintomas (SANTOS et al., 2021). Uma análise de 2023 apontou que cerca de 50% das mulheres sofrem de incontinência urinária na meia-idade e que isto reduz a qualidade de vida das mesmas, assim como sintomas da menopausa diminuem em cerca de 80% a qualidade de vida das mulheres que os possuem (RINDNER et al, 2023). O sobrepeso e a obesidade são alguns dos maiores problemas de saúde pública na atualidade. No país, no ano de 2019, acima de 55% da população estava com sobrepeso ou obesidade. O excesso de peso pode levar à uma quena na QV, podendo ocasionar, na maioria das vezes, danos à saúde, pois é uma condição associada à doenças crônicas. Em diversos casos pode acarretar incapacidades funcionais, a expectativa de vida diminuída e risco de morte aumentado – além de afetar a autoestima e a insatisfação corporal (PALMEIRA et al., 2023). Ainda é importante citar que para a mulher, a percepção sobre seu próprio corpo é parte importante da qualidade de vida de maneira global. Quando trazemos à tona a mulher de meia idade para esse debate, a autoimagem torna-se ainda mais importante, visto as pressões estéticas vividas nas últimas décadas. O envelhecimento é mal visto e com isso, a ideia de rejuvenescimento é fixa; processos que serão discutidos neste estudo, como o climatério e a menopausa, possuem em si mesmos uma carga negativa que interfere na autopercepção de saúde e autoestima desse grupo etário. (OLIVEIRA et al., 2021). Um estudo realizado pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica estética (ISAPS) observou que, no ano de 2018, um aumento de 5,4% em procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos ocorreu. As mulheres que estão na meia-idade, diferentemente das mais jovens, recebem estas cirurgias e procedimentos como uma forma de retardar o envelhecimento, tornando o corpo um objeto operacionalizável (OLIVEIRA et al., 2021). www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 225 CLIMATÉRIO O climatério é um fenômeno biológico que acompanha o envelhecimento feminino, sendo desencadeado pela redução dos níveis dos hormônios estrogênio e progesterona, que culminam na atresia folicular a partir da menopausa. Geralmente, esse período inicia aos 40 anos e finaliza próximo aos 65 anos de idade, marcando assim o fim da fase reprodutiva feminina. O climatério pode desencadear diversas alterações biológicas, metabólicas, psicológicas e de estilo de vida nas mulheres (BOTELHO et al., 2022). O período climatérico, compreendido entre a fase reprodutiva e a não-reprodutiva da vida da mulher, pode ser subdividido em pré-menopausa, perimenopausa e pós-menopausa. A pré-menopausa marca o início das alterações hormonais, com redução da fertilidade feminina. A seguir ocorre a perimenopausa, que ocasiona mudanças nos ciclos menstruais, tornando-os irregulares, esse período costuma apresentar-se nos dois anos anteriores e posteriores a menopausa. Por fim, tem-se a pósmenopausa, que compreende o período posterior a menopausa. Tais fases podem interferir diretamente na qualidade de vida das mulheres, uma vez que, além dos sinais e sintomas físicos, as manifestações psicossociais, como angústia, irritabilidade, desânimo, cansaço e dificuldade de concentração também estão presentes e podem prejudicar as relações interpessoais, a autopercepção e a autoestima dessas mulheres (BRASIL, 2008; CURTA; WEISSHEIMER, 2020). As transformações fisiológicas que as mulheres vivenciam durante o climatério, impactam no seu bem-estar geral, ainda que os sintomas possam aparecer com diferentes intensidades em cada indivíduo. As manifestações do climatério são afetadas por diversos fatores, como biológicos (alterações hormonais ou relativos a senescência), psicológicos (associados a autopercepção e ao modo de vivenciar essa fase da vida) e sociais (relativos às relações familiares, amizades e com a comunidade). Os aspectos socioculturais se mostram os mais impactantes, uma vez que está relacionado a crenças, preconceitos e mitos que a sociedade dissemina, podendo interferir negativamente no climatério (ALVES et al., 2015). Ademais, existem diversos tipos de barreiras sociais com que as mulheres precisam lidar, podendo até mesmo ser encontradas dentro da própria família e do trabalho. Isso porque a sociedade desconhece os impactos físicos e psicológicos que o climatério tem nessas pessoas, ocasionando assim a falta de compreensão e empatia diante das novas necessidades dessas mulheres (CARDOSO; CAMARGO, 2017). O climatério por ser um período canônico para todas as mulheres, é um momento de transição que sinaliza mudanças físicas e emocionais. É interessante observar esse fenômeno fisiológico pela lente social, indo além das implicações de saúde. Em países como Índia, China, Coréia e Japão, a menopausa traz importância a existência da mulher. Ela passa a ser vista com respeito e veneração, visto sua passagem www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 232 menos” energia para enfrentar o dia, dado corroborado por outros estudos na área (GUIMARÃES, 2019; LEÃO et al., 2018). Conforme mencionado anteriormente, 63,3% das mulheres participantes deste estudo encontramse na menopausa, fase caracterizada por mudanças fisiológicas que podem impactar significativamente a saúde. Sintomas como distúrbios geniturinários, mal-estar, alterações no sono, dores musculares e articulares, além de quadros depressivos, são frequentemente observados nesse grupo e contribuem para uma piora na qualidade de vida (SILVA et al., 2022). Tais sintomas elevam a percepção de cansaço e reduzem o desempenho nas atividades diárias, afetando negativamente o bem-estar geral (SANTOS et al., 2024). Ressalta-se ainda que mulheres que apresentam sintomas climatéricos — especialmente distúrbios do sono — e praticam atividade física demonstram melhora significativa na qualidade do sono, quando comparadas àquelas com estilo de vida sedentário (SILVA et al., 2021). Em relação à satisfação pessoal, a maioria das participantes relatou avaliações positivas: 46,9% disseram sentir-se satisfeitas consigo mesmas e 20,4% muito satisfeitas. Esse resultado pode estar relacionado a sentimentos de superação e realização pessoal, frequentemente relatados por mulheres nessa faixa etária. A satisfação pessoal pode abranger diferentes dimensões, como autoimagem, aparência, autoestima, bem como aspectos cognitivos, incluindo memória e raciocínio (GUIMARÃES, 2019). As relações interpessoais — com amigos, familiares e cônjuges — também exercem influência significativa sobre a percepção da qualidade de vida. A literatura aponta esse domínio como um dos que apresentam maiores índices de satisfação entre mulheres de meia-idade (SILVA et al., 2021; LEÃO et al., 2018). Contudo, é importante destacar que a presença de um cônjuge não garante, por si só, uma melhor qualidade de vida nesse grupo (SANTOS et al., 2024). No presente estudo, 57,1% das participantes referiram estar satisfeitas com suas relações sociais. A renda é outro fator de grande relevância, influenciando não apenas o poder aquisitivo, mas também a capacidade de enfrentamento de problemas de saúde, acesso ao lazer, segurança e estabilidade. No presente estudo, a maioria das mulheres (53,1%) declarou ter “mais ou menos” renda para suprir suas necessidades, enquanto 30,6% afirmaram ter “bastante”. Contudo, observa-se um dado preocupante: 4,1% relataram não ter “nada” e 8,2% afirmaram ter “muito pouco”, o que certamente repercute negativamente sobre a qualidade de vida. Além disso, o poder de compra pode exercer função simbólica na regulação emocional, visto que, em contextos capitalistas, o consumo pode se confundir com a percepção de felicidade (PINTO et al., 2025; CAZELLA et al., 2019; BUSS et al., 2020; SOUSA et al., 2021). A moradia também representa um componente essencial na avaliação da qualidade de vida. Segundo diretrizes da OMS, um ambiente domiciliar adequado contribui significativamente para a saúde www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 233 física e mental, oferecendo conforto emocional e segurança (OMS, 2018). Neste estudo, 46,9% das participantes relataram estar satisfeitas com sua moradia, e 30,6% afirmaram estar muito satisfeitas. Esses dados contrastam com os de outras pesquisas realizadas com o mesmo perfil populacional, nas quais predominava a percepção de inadequação ou insatisfação com o ambiente domiciliar (CAZELLA et al., 2019; PINTO et al., 2020; LEÃO et al., 2018). Nesse contexto, é importante destacar que fatores ambientais, como a qualidade da moradia, também podem influenciar diretamente o sono, uma vez que ambientes inadequados ou inseguros tendem a comprometer a higiene do sono e dificultar o repouso adequado. Diante dos dados do estudo, evidenciou-se que 36,7% das participantes apresentaram um score de sono de má qualidade e 24,5% presença de distúrbios do sono. À medida que o corpo envelhece, queixas de piora da qualidade de sono ou de insônia aumentam. Iniciar o sono e manter-se adormecido são queixas comuns (PAPPAS; MILNER, 2024). Múltiplos fatores podem desencadear problemas relacionados ao sono. No presente estudo, 41% das participantes citam adormecer entre 5 e 35 minutos. O tempo que as pessoas levam para adormecer pode ser preditor de diversos problemas de saúde, como risco de problemas cardiovasculares, saúde mental e declínio cognitivo (CHAPUT et al., 2020). A tabela 3, apresenta o resultado das variáveis da qualidade do sono das participantes. O despertar está intimamente relacionado ao ritmo circadiano, que varia de indivíduo para indivíduo. A duração do sono e a regularidade dos horários de dormir e acordar são elementos fundamentais para a manutenção da qualidade do sono. Quando esses fatores se encontram desregulados, há uma desorganização do ritmo circadiano, o que pode comprometer significativamente a qualidade do sono (SWANSON et al., 2022). Além disso, mulheres apresentam maior propensão a distúrbios do sono em comparação aos homens da mesma faixa etária, sendo mais afetadas por condições como insônia, cefaleia relacionada ao sono, síndrome das pernas inquietas, paralisia do sono, pesadelos e distúrbios dolorosos, como a fibromialgia (WASLEBEN, 2011). No presente estudo, 16,3% das participantes relataram levar mais de 30 minutos para adormecer ao menos duas vezes por semana, e 20,4% afirmaram vivenciar essa dificuldade três ou mais vezes na semana. Outros problemas frequentemente mencionados incluem: despertares noturnos ou muito precoces (26,5%, três vezes ou mais por semana); dificuldades respiratórias durante o sono (10,2%, uma ou duas vezes por semana); roncos intensos ou tosse (8,2%, uma ou duas vezes por semana); sensação de frio (8,2%, uma ou duas vezes por semana); sonhos ruins (6,1%, três vezes ou mais por semana); e presença de dor (10,2%, três vezes ou mais por semana). www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 234 Tabela 3 - Dados sobre a qualidade do sono das participantes da pesquisa (n=49) Variável n(%) Qualidade do sono Boa qualidade do sono 19(38,8) Má qualidade do sono 18(36,7) Presença de distúrbio do sono 12(24,5) Horário que vai para cama Das 19h30 às 21h30 09(18,4) Das 22h às 23h30 31(63,2) Da 00h até 02h 09(18,4) Quantidade de tempo (minutos) que leva para adormecer 0 (adormecem imediatamente) 02(4,0) De 5 a 35 min 41(83,7) 60 min 04(8,2) 120 min 01(2,0) 180 min 01(2,0) Horário em que levanta de manhã Das 4h40 às 05h45 09(18,4) Das 6h às 06h45 25(51,1) Das 7h às 07h59 07(14,3) Das 8h às 08h59 05(10,2) Das 9h às 09h59 02(4,0) Após 10h 01(2,0) Horas de sono Até 5h 09(18,4) De 6h a 7h30 25(51,1) 8h 13(26,5) 9h 02(4,0) Levaram mais que 30 minutos para adormecer Nenhuma no último mês 16(32,7) Menos de uma vez por semana 15(30,6) Uma ou duas vezes por semana 08(16,3) Três ou mais vezes na semana 10(20,4) Acordou no meio da noite ou de manhã cedo Nenhuma no último mês 14(28,6) Menos de uma vez por semana 10(20,4) Uma ou duas vezes por semana 12(24,5) Três ou mais vezes na semana 13(26,5) Não conseguiu respirar confortavelmente Nenhuma no último mês 36(73,5) Menos de uma vez por semana 08(16,3) Uma ou duas vezes por semana 05(10,2) Três ou mais vezes na semana 0(0,0) Tossiu ou roncou forte Nenhuma no último mês 37(75,5) Menos de uma vez por semana 08(16,3) Uma ou duas vezes por semana 04(8,2) Três ou mais vezes na semana 0(0,0) Sentiu muito frio Nenhuma no último mês 38(77,6) Menos de uma vez por semana 07(14,3) Uma ou duas vezes por semana 04(8,2) Três ou mais vezes na semana 0(0,0) Sentiu muito calor Nenhuma no último mês 29(59,2) Menos de uma vez por semana 10(20,4) Uma ou duas vezes por semana 04(8,2) Três ou mais vezes na semana 06(12,2) Teve sonhos ruins Nenhuma no último mês 35(71,4) Menos de uma vez por semana 10(20,4) Uma ou duas vezes por semana 01(2,0) Três ou mais vezes na semana 03(6,1) Teve dor Nenhuma no último mês 31(63,3) Menos de uma vez por semana 09(18,4) Uma ou duas vezes por semana 04(8,2) Três ou mais vezes na semana 05(10,2) Outras razões Nenhuma no último mês 28(57,1) Menos de uma vez por semana 05(10,2) Uma ou duas vezes por semana 05(10,2) Três ou mais vezes na semana 11(22,4) Durante o último mês, como você classificaria a qualidade do seu sono? Muito boa 16(32,7) Boa 18(36,7) Ruim 11(22,4) Muito ruim 04(8,2) Durante o último mês, com que frequência você tomou medicamentos para dormir? Nenhuma no último mês 34(69,4) Menos de uma vez por semana 05(10,2) Uma ou duas vezes por semana 04(8,2) Três ou mais vezes na semana 06(12,2) No último mês, com que frequência você tinha dificuldade para ficar acordada durante atividades sociais? Nenhuma no último mês 32(65,3) Menos de uma vez por semana 13(26,5) Uma ou duas vezes por semana 02(4,1) Três ou mais vezes na semana 02(4,1) Durante o último mês, quão problemático foi para manter o entusiasmo (ânimo) para fazer suas atividades habituais? Nenhuma dificuldade 15(30,6) Um problema leve 22(44,9) Um problema razoável 10(20,4) Um grande problema 02(4,1) Você tem um parceiro ou colega de quarto? Não 09(18,4) Parceiro/colega mas em outro quarto 04(8,2) Parceiro/colega mas em outra cama 02(4,1) Parceiro na mesma cama 35(71,4) Fonte: Elaboração própria. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 235 Entre os sintomas avaliados, destaca-se ainda o relato de sensação de calor noturno, geralmente relacionado aos fogachos — sintomas vasomotores típicos do período menopausal, reconhecidamente disruptores do sono. Mulheres que enfrentam esses episódios tendem a relatar pior qualidade de sono, segundo o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI) (PENGO et al., 2018). No presente levantamento, 20,4% das participantes mencionaram sentir muito calor menos de uma vez por semana; 8,2%, uma ou duas vezes por semana; e 12,2%, três vezes ou mais por semana. As alterações fisiológicas e emocionais vivenciadas no climatério e na menopausa aumentam a vulnerabilidade ao surgimento de distúrbios do sono entre mulheres de meia-idade (LEE; RYU, 2023). No Brasil, estima-se que aproximadamente 7,6% da população utiliza medicamentos para dormir. No entanto, os dados deste estudo revelam uma prevalência mais elevada: 30,6% das mulheres relataram fazer uso de medicamentos para induzir o sono. Dentre elas, 10,2% utilizam esses fármacos menos de uma vez por semana; 8,2%, uma ou duas vezes por semana; e 12,2%, três vezes ou mais por semana. A literatura mostra que mulheres de meia-idade, especialmente aquelas com alto nível educacional e em relacionamentos estáveis, representam um grupo com maior tendência ao uso de medicamentos hipnóticos (KODAIRA et al., 2017; LEITE et al., 2022). Apesar da elevada prevalência de distúrbios do sono, 65,3% das participantes afirmaram não apresentar dificuldades para manter-se acordadas ao longo do dia. Esse achado é consistente com estudos anteriores, que indicam que, embora mulheres de meia-idade relatem problemas para iniciar e manter o sono, elas geralmente não expressam níveis elevados de sonolência diurna (AKERSTEDT et al., 2022). Adicionalmente, a maior parte das participantes declarou estar em um relacionamento conjugal ou união estável, sendo que 71,4% dormem com o parceiro na mesma cama. Embora a qualidade da relação afetiva possa impactar positivamente a saúde mental, não há evidências de que a convivência noturna com o parceiro prejudique a qualidade do sono. Pelo contrário, estudos sugerem que casais que compartilham o leito tendem a apresentar maior duração de sono REM, fator associado a um sono mais restaurador (DREWS et al., 2020). CONCLUSÃO A mulher de meia-idade enfrenta desafios complexos que entrelaçam dimensões biológicas, psicológicas e sociais. Nesta fase, marcada pelo climatério e pela menopausa, a qualidade do sono e da vida emerge como indicador sensível de bem-estar global. Os resultados deste estudo evidenciam que, embora a maioria das participantes mantenha níveis satisfatórios de qualidade de vida, a renda e a qualidade do sono se destacam como fragilidades que impactam o equilíbrio físico e emocional. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 236 A má qualidade do sono, presente em parte expressiva da amostra, reflete as repercussões hormonais e psicossociais próprias desse período da vida, demandando intervenções que ultrapassem o enfoque biomédico. Assim, torna-se imprescindível que as políticas públicas e os serviços de saúde incorporem estratégias de cuidado integradas, com enfoque multiprofissional, que contemplem o manejo dos sintomas climatéricos, a promoção do sono saudável e o apoio psicológico. Por fim, recomenda-se que futuras pesquisas aprofundem a relação entre renda, sono e qualidade de vida, considerando determinantes sociais e culturais da saúde feminina. O fortalecimento das ações intersetoriais e de educação em saúde voltadas às mulheres de meia-idade representa um caminho promissor para garantir envelhecimento mais ativo, digno e saudável. REFERÊNCIAS AKERSTEDT, T. et al. “Total sleep time, sleep eficiency and next day subjective sleepiness in a large group of women”. Sleep Advances, vol. 7, n. 3, 2022. ALLAGBÉ, I. et al. “Cardiovascular Risk Among Patients Who Smoke: Risk Profiles and Differences by Sex”. American Journal of Preventive Medicine, vol. 65, n. 5, 2022. ALSUGEIR, D. et al. “Common mental health diagnoses arising from or coinciding with menopausal transition and prescribing of SSRIs/SNRIs medications and other psychotropic medications”. Journal of Affective Disorders, vol. 364, n. 364, 2024. ALVES, E. R. P. et al. “Climatério: a intensidade dos sintomas e o desempenho sexual”. Texto & Contexto-Enfermagem, vol. 24, n. 1, 2015. ASSUNÇÃO, D. F. S. et al. “Qualidade de vida de mulheres climatéricas”. Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, vol. 9, 2017. BAKER, F. C. “Optimizing sleep across the menopausal transition”. Climacteric, vol. 26, n. 3, 2023. BAKER, F. C. et al. “Sleep and Sleep Disorders in the Menopausal Transition”. Sleep Medicine Clinics, vol. 13, n. 3, 2018. BARROSO, B. M. A. et al. “Fatores associados à autoavaliação da saúde negativa de mulheres de meiaidade”. Texto e Contexto Enfermagem, vol. 32, 2023. BERTOLAZI, A. N. et al. “Validation of the Brazilian Portuguese Version of the Pittsburgh Sleep Quality Index”. Sleep Medicine, vol. 12, n.1, 2011. BONSIGNORE, M. R. et al. “Sex differences in obstructive sleep apnoea”. European Respiratory Review, vol. 28, n. 164, 2019. BOTELHO, T. A. et al. “Saúde da mulher no climatério, aspectos biológicos e psicológicos: uma revisão integrativa”. Revista Eletrônica Acervo Saúde, vol. 15, n. 4, 2022. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 237 BRASIL. Manual de Atenção à Mulher no Climatério: Menopausa. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. Disponível em: <www.saude.gov.br>. Acesso em: 28/05/2025. BRAZ, N. M. Fisiopatologia da menopausa e o manejo terapêutico dos seus sintomas associados. (Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Farmácia). Diadema: UNIFESP, 2023. BUSS, P. M. et al. “Promoção de saúde e qualidade de vida: uma perspectiva histórica ao longo dos últimos 40 anos (1980-2020)”. Ciência e Saúde Coletiva, vol. 25, n. 12, 2020. BUYSSE, D. J. et al. “The Pittsburgh Sleep Quality Index: A New Instrument for Psychiatric Practice and Research”. Psychiatry Research, vol. 28, n. 2, 1989. CARDOSO, E. C.; CAMARGO, M. J. G. D. “Terapia Ocupacional em Saúde da Mulher: Impacto dos sintomas do climatério na atividade profissional”. Tempus Actas de Saúde Coletiva, vol. 11, n. 1, 2017. CAZELLA, L. G. et al. “Qualidade de Vida de Mulheres e as Características Sociodemográficas Associadas”. Enfermagem em Foco, vol. 10, n. 3, 2017. CHAPUT, J. P. et al. “Sleep duration and health in adults: An overview of systematic reviews”. Applied Physiology, Nutrition and Metabolism, vol. 45, n. 10, 2020. CURTA, J. C.; WEISSHEIMER, A. M. “Percepções e sentimentos sobre as mudanças físicas em mulheres no climatério”. Revista Gaúcha de Enfermagem, vol. 41, 2020. DEPREE, B. et al. “Association of menopausal vasomotor symptom severity with sleep and work impairments: a US survey”. Menopause, vol. 30, n. 9, 2023. DREWS, H. J. et al. “Bed-Sharing in Couples Is Associated With Increased and Stabilized REM Sleep and Sleep-Stage Synchronization”. Frontiers in Psychiatry, vol. 11, 2020. FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Propedêutica Mínima no Climatério. São Paulo: Febrasgo, 2022. Disponível em: <www.febrasgo.org.br>. Acesso em: 28/05/2025. FERREIRA, A. F. et al. “Musculoeskeletal pain, multimorbidity and associated factors in individuals followed at a physiotherapy servisse: cross-sectional observational study”. Brazilian Journal of Physiotherapy, vol. 5, n. 3, 2024. FREEDMAN, R. R. “Menopausal hot flashes: Mechanisms, endocrinology, treatment”. The Journal of Steroid Biochemistry and Molecular Biology, vol. 142, n. 142, 2014. GAN, X. et al. “Causal associations between sleep traits and age at natural menopause: A Mendelian randomization study”. Medicine, vol. 103, n. 24, 2024. GIACOMONI, C. H. “Bem-estar subjetivo: em busca da qualidade de vida”. Temas em Psicologia, vol. 12, n. 1, 2024. GRACIA, C. R.; FREEMAN, E. W. “Onset of the Menopause Transition: The Earliest Signs and Symptoms”. Obstetrics and Gynecology Clinics of North America, vol. 45, n. 4, 2018. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 238 GUIMARÃES, D. “The Women’s Quality of Life on the Triple Journey: Mother’s, Students and Professionals”. Pretextos, vol. 4, n. 8, 2019. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Evolução dos indicadores de qualidade de vida no Brasil com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 28/05/2025. KHAKKAR, S. R. et al. “Relationship between mental health and climacteric adjustment in middle aged women: a confirmatory analisys”. BMC Women’s Health, vol. 23, n.1, 2023. KHOUDARY, S. R. et al. “Menopause Transition and Cardiovascular Disease Risk: Implications for Timing of Early Prevention: A Scietific Statement From the American Heart Association”. American Heart Association Journals, vol. 142, n. 25, 2020. KODAIRA, K. et al. “Sleeping pill use in Brazil: a population-based, cross-sectional study”. BMJ Open, vol. 7, n. 7, 2017. KUCK, M. J.; HOGERVORST, E. “A consideration of the potential benefits and harms of menopausal hormone treatment”. PLoS Medicine, vol. 22, n. 4, 2025. LEÃO, A. R. et al. “Evaluation of the quality of life of climate women at a specialized ambulatory”. Brazilian Journal of Health Review, vol. 2, n. 1, 2019. LEE, Y.; RYU, M. “Sleep-related problems as a mediator in the association between depression and work Family conflict in the middle-aged female workers: A population-based study”. Nursing Open, vol. 10, n. 8, 2023. LEITE, F. M. C. et al. “Prevalência e fatores associados ao uso de medicamento indutor do sono entre mulheres assistidas na Atenção Primária em Saúde: estudo transversal em Vitória, Espírito Santo, 2014”. Epidemiologia e Serviços de Saúde, vol. 31, n. 1, 2022. LI, M. “The Positive Influence of British Industrial Revolutions on Women’s Life”. Journal of Sociology and Ethnology, vol. 5, n. 2, 2023. LOK, R.; QIAN, J.; CHELLAPA, S. L. “Sex differences in sleep, circadian rhythms, and metabolism: Implications for precision medicine”, Sleep Medicine Reviews, vol. 75, 2024. LUZ, M. M. F.; FRUTUOSO, M. F. P. “O olhar do profissional da Atenção Primária sobre o cuidado à mulher climatérica”. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, vol. 25, 2021. MARLATT, K. L. et al. “Body composition and cardiometabolic health across the menopause transition”. Obesity, vol. 30, n. 1, 2021. MARTHO, R. G.; CASELLI, C. “Sentidos do Trabalho para Brasileiros de Meia-Idade: Um Estudo Fenomenológico”. Estudos e Pesquisas em Psicologia, vol. 23, n. 1, 2023. MCBRIDE, R. B. et al. “Alcohol and Tobacco Use in Relation to Mammographic Density in 23,456 Women”. Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention, vol. 29, n. 5, 2020. MEZZOIUSO, A. G. et al. “Association Between Smoking and Cancers Among Women: Results from the FRiCaM Mulsitite Cohort Study”. Journal of Cancer, vol. 12, n. 11, 2021. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 239 NEMOTO, Y. et al. “Trajectories of physical activity from mid to older age in women: 21 years of data from the Australian Longitudinal Study on Women’s Health”. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, vol. 21, n. 1, 2024. O’NEILL, S.; EDEN, J. “The pathophysiology of menopausal symptoms”. Obstetrics, Gynaecology and Reproductive Medicine, vol. 27, n. 10, 2017. OLIVEIRA, A. M. M. et al. “A mulher de meia-idade e as imposições sobre os seus corpos”. Anais da VIII Semana de Psicologia da Faculdade Luciano Feijão. Fortaleza: UFC, 2021. OLIVEIRA, G. M. M. “Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa” Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 121, n. 7, 2024. OMS - Organização Mundial da Saúde. “WHOQOL – Measuring Quality of Life”. World Health Organization [2012]. Disponível em: <www.who.int>. Acesso em: 29/05/2025. OMS - Organização Mundial da Saúde. Who Housing and Health Guidelines. Geneva: OMS, 2018. Disponível em: <www.who.int>. Acesso em: 29/05/2025. PALMEIRA, C. S. et al. “Qualidade de Vida em Mulheres com Excesso de Peso”. Revista Baiana de Enfermagem, vol. 37, 2023. PAPPAS, J. A.; MINER, B. “Sleep Deficiency in the Elderly”. Sleep Medicine Clinics, vol. 19, 2024. PATEL, A. K. et al. “Physiology, Sleep Stages”. StatPearls [2024]. Disponível em: <www.thiemeconnect.com>. Acesso em: 12/05/2025. PEACOCK, K.; KETVERTIS, K. M. “Menopause”. StatPearls [2022]. Disponível em: <www.thiemeconnect.com>. Acesso em: 12/05/2025. PENGO, M. F. et al. “Sleep in Women Across the Life Span”. Chest Journal, vol. 154, n. 1, 2018. PEREIRA, C. L.; ASSUNÇÃO, F. M. “The (in)visibility of fibromyalgia through its symptoms and the challenges of its diagnosis and therapy”. Revista Brasileira de Enfermagem, vol. 77, n. 2, 2024. PEREIRA, É. F. et al. “Qualidade de vida: abordagens, conceitos e avaliação”. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, vol. 26, n. 2, 2012. PEREIRA, R. R. et al. “Fatores associados à má qualidade do sono em brasileiros mais velhos: uma análise transversal do do ELSI-Brasil”. Ciência e Saúde Coletiva, vol. 30, n. 8, 2023. PERRY-JENKINS, M. et al. “Work and Family in the second decade of the 21st century”. Journal of Marriage and Family, vol. 82, n. 1, 2020. PINTO, J. M. et al. “Socioeconomic characteristics, health and quality of life self-evaluation in women”. Revista Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto Social, vol. 8, n. 2, 2020. RAGLAN, G. B.; SCHULKIN, J.; MICKS E. “Depression during perimenopause: the role of the obstetrician-gynecologist”. Arch Womens Ment Health, vol. 23, n. 1, 2020. RAVYTS, S. G.; DZIERZEWSKI, J. M. “Sleep and Healthy Aging: A Systematic Review and Path Forward”. Clinical Gerontologist, vol. 47, n. 3, 2024. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 240 RIEMANN, D. et al. “Chronic insomnia, REM sleep instability and emotional dysregulation: A pathway to anxiety and depression?” Journal of Sleep Research, vol. 34, 2025. RINDNER, L. et al. “Effect of group education and person-centered support in primary health care on mental health and quality of life in women aged 45-60 years with symptoms commonly associated with stress: a randomized controlled trial”. BMC Women’ Health, vol. 23, 2023. ROMERO, S., S. et al. “Validade e confiabilidade do EUROHIS-QOL 8-item para avaliar a qualidade de vida em adultos brasileiros”. Cadernos de Saúde Pública, vol. 38, n. 11, 2022. SALIS, I. et al. “Experiencing menopause in the UK: The interrelated narratives of normality, distress, and transformation.” Journal of Women and Aging, vol. 30, n. 6, 2018. SAMPAIO, J. V. et al. “Hormônios e Mulheres na Menopausa”. Psicologia: Ciência e Profissão, vol. 41, n. 41, 2021. SANTORO, N. et al. “The Menopause Transition: Signs, Symptoms, and Management Options”. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, vol. 106, n. 1, 2020. SANTOS M. A. D. et al. “Sleep quality and it’s associtation with menopausal and climacteric symptoms”. Revista Brasileira de Enfermagem, vol. 74, n. 2, 2022. SANTOS, L. et al. “Percepção das mulheres sobre o climatério e menopausa”. Research, Society and Development, vol.13, n. 3, 2024. SCAVELLO, I. et al. “Sexual Health in Menopause”. Medicina, vol. 55, n. 9, 2019. SEEDAT, S.; RONDON, M. “Women’s wellbeing and the burden of unpaid work”. BMJ, vol. 374, 2021. SILVA SOBRINHO, A. C. et al. “Associação de dor crônica com força, níveis de estresse, sono e qualidade de vida em mulheres acima de 50 anos.”. Fisioterapia e Pesquisa, vol. 26, n. 2, 2019. SILVA, C. L. et al. “Análise da sintomatologia de mulheres climatéricas ativas e sedentárias”. Research, Society and Development, vol. 10, n. 8, 2021. SILVA, I. M. et al. “A percepção de mulheres a respeito dos sinais e sintomas do climatério/menopausa e a sua relação com a qualidade de vida”. Research, Society and Development, vol. 11, n. 4, 2022. SILVA, M. et al. “O padrão de consumo de álcool entre as usuárias das Unidades de Saúde da Família no município do Recife (PE)”. Saúde em Debate, vol. 43, n. 122, 2019. SPITSCHAN, M. et al. “Sex differences and sex bias in human circadian and sleep physiology research”. eLife, vol. 11, 2022. SWANSON, L. M. et al. “Sleep timing, sleep regularity, and psychological health in early late life women: Findings from the Study of Women’s Health Across the Nation (SWAN)”. Sleep Health, vol. 9, 2022. TANDON, V.R. et al. “Menopause and Sleep Disorders”. Journal of Midlife Health, vol. 13, n. 1, 2022. THOMAS, K. et al. “Associations of psychosocial factors with multiple health behaviors: a populationbased study of middle-aged men and women”. International Journal of Environmental Research and Public Health, vol. 17, 2020. www.ioles.com.br/boca BOLETIM DE CONJUNTURA (BOCA) ano VII, vol. 23, n. 69, Boa Vista, 2025 241 VAZ, M., Z.; BESSA, S. “Propósito de vida, significado e futuro: uma análise de objetivos e bem-estar em estudantes do ensino médio”. Boletim de Conjuntura (BOCA), vol. 22, n. 65, 2025. WASLEBEN, J. “Women and Sleep”. Handbook of Clinical Neurology, vol. 98, 2011. WENDT, A. et al. “Sleep disturbances and daytime fatigue: data from the Brazilian National Data Survey, 2013”. Cadernos de Saúde Pública, vol. 35, n. 3, 2019. WIGG, C. M. A relação entre depressão, ansiedade, ideação suicida, estresse e sono em mulheres na pós-menopausa (Tese de Doutorado em Saúde da Criança e da Mulher). Rio de Janeiro: IFF, 2020. ZHI, W. N. et al. “Increasing Rigor in Online Health Surveys Through the Reduction of Fraudulent Data”. JMIR Publications, vol. 27, 2025.