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LEITURA, REFLEXÃO E TECNOLOGIA: APRENDIZAGEM ATIVA NO CLUBE DO LIVRO IPÊ COMO PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA

Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ

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50 LEITURA, REFLEXÃO E TECNOLOGIA: APRENDIZAGEM ATIVA NO CLUBE DO LIVRO IPÊ COMO PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA Erika Aranha Fernandes Barbosa – Curso de Medicina – [email protected] DOI 10.5281/zenodo.17498742 Em um cenário em que a formação médica exige não apenas competências técnicas, mas também habilidades humanas, críticas e éticas, iniciativas que valorizem o pensamento reflexivo e a sensibilidade social tornam-se fundamentais. Foi com esse propósito que nasceu o projeto de extensão “Clube do Livro IPÊ”, no Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), com o objetivo de incentivar a leitura entre os estudantes a partir de obras nacionais e regionais, estimulando o pensamento crítico sobre temas que extrapolam os conteúdos técnicos da grade curricular. O projeto promove uma abordagem de aprendizagem ativa e engajadora, incentivando os estudantes a lerem obras que dialogam com a saúde, a condição humana, as realidades sociais brasileiras e as experiências médicas vividas. A proposta vai além da leitura passive, uma vez que, os alunos são convidados a elaborar resenhas críticas com base em um roteiro estruturado, refletindo sobre os conteúdos lidos de forma profunda e autoral. Essa produção escrita é fundamental para o desenvolvimento da autonomia intelectual, da empatia e da consciência cidadã, aspectos essenciais para a formação de profissionais da saúde comprometidos com o cuidado integral. A metodologia do projeto se baseia em encontros quinzenais, realizados em formato presencial na Biblioteca do Unipê, onde as obras previamente escolhidas são debatidas em grupo. Os primeiros livros trabalhados foram “O Paciente Silenciosa”, de Alex Michaelides, e “O 51 Santo e a Porca”, de Ariano Suassuna. Os livros selecionados priorizam autores brasileiros, sobretudo nordestinos, cujas narrativas abordam temas como desigualdade social, bioética, saúde pública, humanização da prática médica, narrativas de pacientes e dilemas contemporâneos da área da saúde. Após a leitura e discussão, os estudantes preenchem uma resenha crítica com itens definidos, incluindo identificação do aluno, dados da obra, referência bibliográfica, resumo da obra, análise crítica guiada por questões pré-estabelecidas, destaques e citações comentadas, conclusão e avaliação da obra em escala. Para garantir o uso ético do conteúdo, os alunos também assinam um termo de autorização permitindo o uso de suas resenhas no produto final do projeto. Um dos diferenciais inovadores da proposta é o uso da tecnologia como aliada do engajamento e da sistematização do conhecimento. As resenhas produzidas ao longo de um ano serão organizadas em um eBook digital, com apoio de inteligência artificial (IA). A IA será utilizada para reunir, compactar, revisar e padronizar os textos, mantendo a estrutura previamente definida. Esse processo permitirá a criação de uma obra coletiva, com qualidade editorial e acessível, valorizando a produção discente e incentivando a difusão do conhecimento construído pelos próprios alunos. O desenvolvimento do projeto tem mostrado resultados expressivos. A adesão dos estudantes tem sido crescente, evidenciando o interesse em atividades que promovem reflexão crítica e contato com diferentes linguagens. Muitos participantes relatam que o clube despertou um novo olhar sobre a prática médica, mais atento às dimensões subjetivas, sociais e culturais da saúde. Além disso, a escrita reflexiva contribui para o aprimoramento da comunicação e da argumentação, habilidades cada vez mais valorizadas na formação médica. O impacto do projeto se dá tanto na dimensão individual quanto coletiva. Os alunos desenvolvem autonomia 52 intelectual, ampliam seu repertório cultural e passam a compreender com mais profundidade as realidades sociais que atravessam o fazer médico. Do ponto de vista institucional, o Clube do Livro fortalece o papel da extensão universitária como espaço de formação humanística e inovadora, aproximando ensino, cultura e tecnologia. A criação do eBook representa não apenas a materialização desse percurso formativo, mas também uma forma de reconhecimento e valorização da produção discente, promovendo o protagonismo estudantil. Como considerações finais, destaca-se que o Clube do Livro IPÊ vem se consolidando como uma prática extensionista transformadora, ao unir leitura crítica, escrita reflexiva e uso de tecnologia de maneira articulada. A proposta demonstra que é possível ampliar a formação médica tradicional, integrando valores como empatia, escuta, responsabilidade social e compromisso com a realidade local. A inserção da inteligência artificial no processo de sistematização dos conteúdos representa um avanço importante, permitindo que o conhecimento gerado seja organizado e difundido com eficiência, sem perder sua essência humana e autoral. O sucesso do projeto reforça a importância de iniciativas interdisciplinares que valorizem o estudante como sujeito ativo na construção do saber, e aponta caminhos possíveis para a formação de médicos mais sensíveis, críticos e conectados com as demandas da sociedade. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. HumanizaSUS: documento base para gestores e trabalhadores do SUS. Brasília: MS, 2006. FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. 53 OPENAI. ChatGPT. Disponível em: https://chat.openai.com UNIPÊ – Centro Universitário de João Pessoa. Projeto Pedagógico do Curso de Medicina (2023).