CONECTANDO SABERES: A TECNOLOGIA COMO PONTE NO ENSINO DE BROMATOLOGIA
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54 CONECTANDO SABERES: A TECNOLOGIA COMO PONTE NO ENSINO DE BROMATOLOGIA Maria Clara Rodrigues de Lima Pessoa – Curso de Farmácia – [email protected] Antonileni Medeiros – Curso de Farmácia – [email protected] DOI 10.5281/zenodo.17498755 Introdução: A disciplina de Bromatologia e Tecnologia de Alimentos Aplicada à Farmácia, obrigatória para o curso de Farmácia, e eletiva para os demais cursos da área da saúde, como Enfermagem, Biomedicina, Nutrição e Fisioterapia, tem se reinventado em sua abordagem pedagógica para acompanhar as transformações do cenário educacional contemporâneo. Com base em princípios das metodologias ativas, a disciplina tem investido em estratégias que priorizam o protagonismo do estudante, promovem a aprendizagem significativa e incorporam ferramentas tecnológicas como aliadas no processo de ensino-aprendizagem. Metodologia: Durante o semestre letivo de 2025.1, uma experiência inovadora se destacou: a implementação do uso de um aplicativo educacional desenvolvido por um discente da disciplina, com a proposta de ser um recurso complementar ao aprendizado em sala. A ferramenta foi criada com uma interface amigável e intuitiva, reunindo diversas funcionalidades: módulo de estudos com conteúdo organizado, simulados e quizzes interativos, fórum de discussão com sistema de moderação, notificações via Firebase Cloud Messaging, comparador de medicamentos, integração com vídeos e aulas online, inteligência artificial para sugestões de medicamentos e atendimentos simulados, biblioteca com
55 artigos científicos, chat em tempo real entre usuários e sistema de acompanhamento do progresso individual de cada aluno. Desenvolvimento: O uso do aplicativo foi incentivado desde o início do semestre como suporte adicional ao conteúdo teórico, visando tanto a fixação dos assuntos quanto a revisão em momentos de avaliação. As atividades propostas na disciplina envolviam desde análise de rótulos nutricionais até a compreensão das legislações aplicadas aos alimentos e medicamentos, exigindo dos alunos uma leitura crítica e multidisciplinar — desafio que foi, em parte, suavizado pelo apoio da plataforma. A adesão ao aplicativo, especialmente em períodos próximos às avaliações, foi notável. Os estudantes demonstraram maior engajamento com os conteúdos, além de relatarem que o uso da ferramenta os ajudou a estudar de forma mais estruturada. Impactos: Os resultados observados reforçam essa percepção: nas turmas que aderiram ao uso do aplicativo, a taxa de aprovação ultrapassou os 91,7%, um indicativo claro do potencial pedagógico de ferramentas tecnológicas quando bem direcionadas. Apesar disso, não foi possível isolar o impacto exclusivo do aplicativo nesse desempenho, visto que, por questões logísticas, a primeira unidade avaliativa foi realizada de forma online — o que comprometeu parte das métricas previamente estabelecidas para mensuração dos resultados. É importante salientar que a disciplina de Bromatologia, por sua complexidade e amplitude de conteúdos — que incluem bioquímica dos alimentos, aditivos, contaminantes, legislações sanitárias e processos industriais —, exige estratégias pedagógicas que despertem o interesse do estudante e possibilitem o entendimento dos temas de forma integrada. A tecnologia, nesse cenário, se apresenta não apenas como um recurso complementar, mas como uma ferramenta transformadora, capaz de dinamizar o processo de ensino, facilitar a compreensão de conteúdos
56 técnicos e aproximar os estudantes da realidade prática de suas futuras profissões. O uso de tecnologias móveis no ensino superior, como aplicativos educacionais, tem ganhado destaque nas últimas décadas, especialmente por favorecerem o estudo autônomo, a flexibilidade e a personalização da aprendizagem. Ferramentas com recursos de gamificação e interatividade tendem a aumentar o engajamento, reforçando a retenção do conteúdo e despertando o interesse mesmo em disciplinas de alta carga teórica, como a Bromatologia. Entretanto, alguns desafios também foram identificados. O aplicativo estava disponível apenas para o sistema Android, o que limitou sua adoção por parte dos alunos usuários de iOS. Além disso, o desenvolvimento e manutenção de uma plataforma educacional robusta requerem suporte técnico contínuo, o que demanda recursos humanos e estruturais específicos. Apesar das limitações, a experiência foi altamente positiva e aponta caminhos promissores para o uso de ferramentas digitais no ensino das Ciências da Saúde. A participação ativa de um discente no desenvolvimento do aplicativo também representa um exemplo de protagonismo estudantil, mostrando que o ambiente universitário pode — e deve — fomentar iniciativas criativas e inovadoras. Considerações finais: Com base no êxito obtido, a expectativa é que o projeto seja ampliado e aperfeiçoado para semestres futuros, incluindo versões multiplataforma e integração com novos módulos de conteúdo. A incorporação da tecnologia, nesse cenário, não substitui o papel do professor, mas amplia suas possibilidades de atuação, promovendo uma educação mais alinhada às demandas do século XXI. Em especial, em disciplinas como a Bromatologia, que exigem o domínio de conceitos técnicos e legislação vigente, o uso de recursos digitais pode ser o elo entre teoria e prática, facilitando a formação de profissionais mais preparados, críticos e conscientes do seu papel na promoção da saúde,
57 além de impulsionar um processo ensino-aprendizagem de forma interdisciplinar, unindo competências e habilidades que ultrapassam as barreiras da matriz formativa focada em uma única área. REFERÊNCIAS MOREIRA, V. A. da S.; BALBINOT, V. C. da S.; SANTOS, C. A. S.; BOLSONI, M. V. S. Tecnologias digitais: inovações pedagógicas contemporâneas. Revista Educação Pública, v. 22, n. 26, 19 de julho de 2022. MARTINS, E. R. et al. "Tecnologias Móveis em Contexto Educativo: uma Revisão Sistemática da Literatura", publicado na RENOTE, v. 16, n. 1, 2018. DOI 10.22456/1679-1916.85926. FONSECA, F. K. M.; SILVA, B. S. da. "Uso de aplicativos móveis nas práticas pedagógicas de Biologia no contexto brasileiro", na Revista Espaço Pedagógico, v. 32, 2025. SOUZA, Lana P.; JUCÁ, Sandro C. S. Gamificação e realidade aumentada como ferramentas pedagógicas para o ensino: uma agenda de pesquisa. Educação Temática Digital (UNICAMP), v. 27, 2025. NOGUCHI, S. K. DA T. ET AL. A utilização de recursos tecnológicos educacionais no ensino em saúde: uma revisão integrativa. Peer Review, v. 5, n. 26, p. 31–47, 2023. DOI: 10.53660/1547.prw3055