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DISCUSSÃO EM GRUPO SOBRE ÉTICA PROFISSIONA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA ARQUITETURA

Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ

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89 DISCUSSÃO EM GRUPO SOBRE ÉTICA PROFISSIONA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA ARQUITETURA Kelly Christine Silva de Lima – Curso de Arquitetura e Urbanismo – [email protected] DOI 10.5281/zenodo.17498807 Atualmente, discutir a Ética e sua relação com o Exercício Profissional nos cursos de ensino superior é indissociável da necessidade de falar sobre o avanço das tecnologias digitais na vida da sociedade, em especial, a Inteligência Artificial (IA). É essencial desmistificar aspectos erroneamente divulgados como a extinção dos mercados de trabalho, a completa substituição do ser humano no processo de produção e em diversos serviços essenciais à sociedade, como é o caso da Arquitetura e Urbanismo. Esta área, tem seu crescimento impulsionado pelo uso crescente da tecnologia, nos softwares de desenho e simulação que com o uso das IAs podem se tornar cada vez mais realísticos e precisos. Sendo importante sua inclusão nos currículos, a IA regenerativa com a capacidade de fornecer esboços e ideias, também pode ser representar um ótimo suporte nas atividades criativas em Arquitetura e Urbanismo. Entretanto, deve-se lembrar que nenhum destes avanços tecnológicos substitui o poder criativo particular e a técnica individual indissolúvel na garantia da qualidade do exercício profissional em Arquitetura e Urbanismo, garantidas pelo ensino presencial em ateliês de projeto arquitetônico. Sendo importante a inclusão e o constante debate sobre sua aplicação na área profissional. Além disso, também é preciso ensinar apropriadamente em como no âmbito acadêmico, a IA pode ajudar na produção da pesquisa, como uma ferramenta de insights, mecanismo inteligente de busca de informações ou ainda um assistente em revisão de textos, considerando sempre o teor ético necessário à construção do 90 conhecimento científico. Considerando este contexto, este relato descreve uma experiência docente que teve como objetivo discutir a relação entre a Ética e Inteligência Artificial entre os estudantes de Ética e Legislação Profissional de um curso de Arquitetura e Urbanismo, destacando os principais impactos percebidos e resultados do grupo focal utilizado. Para realizar a discussão entre os temas e estabelecer sua relação conceitual, adotei dois procedimentos metodológicos: a sala de aula invertida e a discussão em grupos focais. Ao utilizar a metodologia ativa da Sala de Aula Invertida (conforme Bergmann e Sams, 2016), compartilhei previamente entre grupos de estudantes textos com os conteúdos a serem abordados sobre Ética, Inteligência Artificial, Moral e costumes, exercício profissional em Arquitetura e Urbanismo; para que eles realizassem a leitura individual e em grupo, bem como um fichamento com resumo a ser entregue após a discussão em sala. E a discussão em grupos focais, que consiste em uma junção de grupos com diferentes características e opiniões para discutir um assunto em conjunto, foi organizada conforme os textos e seus conteúdos. Cada equipe teve cerca de quinze dias para preparar o material para discussão. Assim, em sala de aula, no momento da discussão em grupos, cada um foi convidado a expor seus apontamentos sobre os conceitos abordados e manifestar uma opinião do grupo sobre o que havia sido estudado. A discussão durou cerca de três horas aula e os principais resultados observados foram: as equipes conseguiram formar uma definição de Ética, Moral e Inteligência Artificial (IA) em separado; as equipes conseguiram comentar sobre a relação existente entre os conceitos, mesmo que de forma inicial; e poucas equipes conseguiram associar os conceitos e sua relação com o futuro exercício profissional. Em resumo, a discussão realizada chegou a uma conclusão sobre a importância de refletir constantemente e formar uma opinião crítica 91 sobre o uso das IAs no exercício profissional, considerando que estes recursos devem contribuir para facilitar os procedimentos no ato de projetação em Arquitetura e Urbanismo. Alguns achados mostraramse interessantes após a atividade: os estudantes não conheciam as possibilidades do uso da IA em Arquitetura e Urbanismo e mostraram-se surpresos; alguns estudantes já conheciam, mas demonstram preconceito ao profissional que fizer uso de uma IA para auxiliar no processo criativo; e outros mostraram interesse em compreender mais sobre o uso da IA para o seu futuro escritório de Arquitetura. Em suma, para uma disciplina de Ética e Legislação Profissional, tocar no assunto do uso da IA no campo de trabalho e na vida em sociedade é essencial para formar melhores futuros profissionais, mais preparados para as modernidades cada vez mais líquidas no mercado de trabalho ou simplesmente na sociedade. REFERÊNCIAS ALMEIDA FILHO, Carlito Lins de. et al. Desafios éticos para o uso de inteligência artificial na educação e pesquisa. Revista Latino-americana de Relações Internacionais, v.6, n.3, setdez. 2024. BERGMANN, Jonathan; SAMS, Aaron. Sala de aula invert!da. Uma metodologia ativa de aprendizagem. Rio de Janeiro: Editora LTC, 2016. ISBN: 978-85-216-3045-6. 104p. FRÓIS, Katja Plotz. Mais ética, menos estética. Cadernos de Arquitetura e Urbanismo, v.10, n.11, p.79-94. dez. 2003. GARCIA, Ana Cristina Bicharra. Ética e Inteligência Artificial. Computação Brasil, novembro, 2020. SILVA NETO, Napoleão Ferreira da. Ética profissional e Cidadania. Brasília: Conselho de Arquitetura e Urbanismo, 2014. Disponível em: <https://www.caubr.gov.br/wp- 92 content/uploads/2014/04/CON_ETICA_CIDADANIA1.pdf> Acesso em 08 jul. 2025.