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O FUTURO NA FARMÁCIA: UNIPÊ E A ODS 12 LIDERANDO O DESCARTE SUSTENTÁVEL DE MEDICAMENTOS

Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ

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162 O FUTURO NA FARMÁCIA: UNIPÊ E A ODS 12 LIDERANDO O DESCARTE SUSTENTÁVEL DE MEDICAMENTOS Antonilêni Freire Duarte Medeiros Melo – Curso de Farmácia - antonileni.m[email protected] Maria Clara de Lima Rodrigues – Curso de Farmácia - maria.cl[email protected] Elisana Afonso de Moura Pires – Curso de Farmácia - [email protected] Fernando José de Lima Ramos Júnior – Curso de Farmácia - [email protected] DOI O descarte adequado de medicamentos, tanto aqueles dentro do prazo de validade que não serão mais utilizados quanto os vencidos ou sobras de tratamentos, representa um desafio ambiental e de saúde pública de proporções globais, exigindo uma abordagem multifacetada que envolva a conscientização, a educação e a implementação de políticas eficazes. Nesse cenário, projetos acadêmicos com foco na sustentabilidade e na formação de profissionais engajados emergem como pilares fundamentais para a construção de um futuro mais consciente e responsável. É com esse propósito que o curso de Farmácia do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê) desenvolve um projeto permanente de Descarte Correto de Medicamentos, concebido com o objetivo de alinhar-se aos preceitos das Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e aos princípios de cuidado com o meio ambiente, visando a sustentabilidade e a formação educacional de futuros farmacêuticos compromissados e engajados com as questões ambientais. Este projeto, que atende não apenas à comunidade acadêmica do Unipê, mas 163 também à sociedade paraibana e, mais especificamente, à população da capital, João Pessoa, é executado desde a criação do curso de Farmácia em 2019. Sua abrangência inicial, focada no curso, expandiuse significativamente para o campus universitário no semestre de 2025.1, adentrando espaços comuns como a Reitoria, o Espaço de Vivência Acadêmica (EVA), e as clínicas de atendimento aos usuários. Essa expansão estratégica visa capilarizar os pontos de coleta e maximizar o alcance da iniciativa, facilitando o acesso da comunidade interna e externa aos locais de descarte seguro. A importância da adesão aos ODS, particularmente aqueles relacionados à saúde e bem-estar (ODS 3), água potável e saneamento (ODS 6), consumo e produção responsáveis (ODS 12) e vida na água (ODS 14) e terrestre (ODS 15), é intrínseca a este projeto. O descarte inadequado de medicamentos, seja em lixo comum, esgoto ou diretamente no solo, contribui para a contaminação do solo, da água e do ar, afetando ecossistemas e, consequentemente, a saúde humana e animal. Substâncias como antibióticos, hormônios e analgésicos podem gerar superbactérias, desequilíbrios hormonais em organismos aquáticos e terrestres, e outros impactos toxicológicos que comprometem a biodiversidade e a qualidade dos recursos naturais. A falta de informação sobre o manejo correto desses resíduos é uma barreira significativa para a mudança de comportamento, reforçando a necessidade de ações educativas contínuas e acessíveis. Nesse contexto, a participação ativa dos alunos do curso de Farmácia do Unipê tem sido um diferencial, especialmente por meio da inclusão do tema como ação do Estágio Curricular Supervisionado em Farmácia. Essa integração permite que os futuros farmacêuticos não apenas compreendam a teoria por trás da problemática do descarte, mas também atuem diretamente na conscientização e orientação da população do campus. Em suas atividades de estágio, os estudantes são 164 capacitados para esclarecer sobre os riscos do descarte incorreto, a importância da separação de medicamentos vencidos ou não utilizados, e os locais adequados para a coleta seletiva. Eles atuam como multiplicadores de informação, promovendo campanhas educativas dentro e fora do campus, explicando o ciclo de vida dos medicamentos e a responsabilidade de cada indivíduo nesse processo. Essa experiência prática é crucial para a formação de profissionais com uma visão holística da saúde, que transcende a dispensação de medicamentos para abranger a saúde ambiental e coletiva. A oportunidade de interagir com a comunidade, responder às dúvidas e desmistificar conceitos complexos sobre o uso e descarte correto de medicamentos, capacita os alunos para desenvolver habilidades de comunicação, empatia e liderança, tornando-os agentes de mudança. A atuação em campo também reforça o papel do farmacêutico como um educador em saúde, capaz de influenciar positivamente os hábitos da população. As perspectivas e subsídios gerados por um projeto dessa natureza são vastos e multifacetados. Do ponto de vista do desenvolvimento sustentável e social, a iniciativa contribui diretamente para a redução da contaminação ambiental, a preservação da biodiversidade e a promoção da saúde pública, alinhando-se diretamente às metas da Agenda 2030. A conscientização da sociedade sobre o descarte correto de medicamentos é um passo fundamental para a construção de uma cultura de consumo e descarte responsáveis, que se estenda para além dos fármacos, influenciando outras práticas sustentáveis no dia a dia. Socialmente, o projeto fortalece a relação da universidade com a comunidade, posicionando o Unipê como um polo de inovação e responsabilidade socioambiental, oferecendo um serviço essencial que beneficia diretamente a saúde e o bem-estar dos cidadãos de João Pessoa e da Paraíba. Além disso, a iniciativa pode servir como modelo 165 para outras instituições de ensino e órgãos públicos, incentivando a criação de programas semelhantes em outras localidades, multiplicando o impacto positivo em escala nacional. No âmbito acadêmicoformativo, o projeto de descarte de medicamentos enriquece a formação dos futuros farmacêuticos, oferecendo uma experiência prática que complementa o aprendizado teórico. Os alunos desenvolvem uma compreensão aprofundada dos desafios ambientais e das soluções possíveis, tornando-se profissionais mais completos, éticos e engajados com as demandas contemporâneas da saúde e da sustentabilidade. A participação em um projeto de longo prazo, com impacto real na sociedade, estimula o pensamento crítico, a capacidade de resolução de problemas e o senso de responsabilidade social, preparando-os para os múltiplos papéis que desempenharão em suas carreiras. Em suma, o projeto de Descarte Correto de Medicamentos do curso de Farmácia do Unipê não é apenas uma medida corretiva para um problema ambiental, mas uma plataforma educacional transformadora que molda profissionais conscientes e contribui ativamente para um futuro mais sustentável, saudável e alinhado aos princípios das ODS. REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto nº 10.388, de 5 de junho de 2020. Institui o sistema de logística reversa de medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso, de uso humano, industrializados e manipulados, e de suas embalagens após o descarte pelos consumidores. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2020. BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS); altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2010. 166 CFF. Resolução nº 658, de 22 de junho de 2018. 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