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SABOR E CONHECIMENTO: A APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS COMO ESTRATÉGIA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE COMPOSIÇÃO DOS ALIMENTOS

Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ

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207 SABOR E CONHECIMENTO: A APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS COMO ESTRATÉGIA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE COMPOSIÇÃO DOS ALIMENTOS Maria Clara Rodrigues de Lima Pessoa – Curso de Farmácia – [email protected] Antonilêni F. D. Medeiros Melo – Curso de Farmácia – [email protected] Keyth Sulamitta Guimarães de Albuquerque – Curso de Nutrição – [email protected] DOI 10.5281/zenodo.17499008 Introdução: A disciplina Composição dos Alimentos e Regionalidades, obrigatória para o curso de Nutrição e oferecida como eletiva para os demais cursos da área da saúde, como Enfermagem, Biomedicina, Farmácia e Fisioterapia, tem se destacado pela adoção de metodologias ativas que buscam fortalecer o protagonismo discente e a formação integral dos futuros profissionais. Dentre essas metodologias, a Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) foi implementada com o objetivo de integrar conhecimentos teóricos e práticos, ao mesmo tempo em que estimula habilidades como pensamento crítico, criatividade, colaboração e resolução de problemas. Metodologia: A metodologia adotada para o desenvolvimento desta boa prática consistiu na criação de um produto alimentício fictício, acompanhado de seu respectivo rótulo nutricional, elaborado com base nas diretrizes da RDC nº 727, de 2022, que regulamenta a rotulagem de alimentos no Brasil. A atividade desafiou os estudantes a aplicarem os conceitos técnicos trabalhados em sala de aula ao longo do semestre, tais como composição centesimal dos alimentos, valor nutricional, biodisponibilidade de nutrientes, funções fisiológicas dos macros e micronutrientes, além de aspectos regulatórios 208 e socioculturais da alimentação. Para além da técnica, o projeto também promoveu a valorização das identidades culturais regionais, ao incentivar que os grupos escolhessem ingredientes, práticas alimentares e elementos simbólicos característicos de sua localidade ou origem. Essa abordagem enriqueceu o processo criativo e permitiu que o conteúdo técnico dialogasse diretamente com a realidade dos estudantes, ampliando a noção de alimentação como expressão cultural e social. Desenvolvimento: Cada grupo deveria assegurar que essa regionalidade estivesse refletida não apenas na escolha dos ingredientes e no perfil nutricional do produto, mas também no design e nos elementos do rótulo, promovendo assim um resultado coerente e contextualizado. A atividade foi norteada por critérios avaliativos previamente definidos: criatividade na concepção do produto, cumprimento técnico das exigências da RDC 727/2022, relevância nutricional e/ou cultural, bem como a capacidade de expressar a regionalidade nos elementos visuais e informativos do rótulo. A aplicação desses critérios garantiu um processo avaliativo justo e formativo, que valorizou não apenas o resultado final, mas também o percurso de aprendizagem dos alunos. Impactos: Os resultados obtidos foram expressivos. Foram desenvolvidos projetos ricos em conteúdo, alinhados à proposta da disciplina e com forte apelo técnico e cultural. Entre os produtos criados, destacaram-se opções como snacks de macaxeira com ervas do cerrado, iogurtes funcionais com frutas da Caatinga, barras nutritivas com castanha-do-pará e açaí, entre outros exemplos. As propostas demonstraram um compromisso dos estudantes com a promoção da saúde, o respeito à diversidade alimentar e a capacidade de articular saberes técnicos com práticas alimentares regionais. A experiência com a ABP revelou-se uma estratégia altamente eficaz para potencializar o aprendizado de conteúdos mais técnicos e complexos, como é o caso da composição dos alimentos e da legislação 209 aplicada. Por meio do projeto, os alunos tiveram a oportunidade de aprofundar sua compreensão sobre temas muitas vezes abordados de forma fragmentada ou excessivamente teórica. A construção coletiva do produto e do rótulo permitiu que os conceitos ganhassem significado prático e aplicabilidade, tornando o aprendizado mais robusto, contextualizado e duradouro. Além disso, trabalhar com projetos despertou nos estudantes um senso de responsabilidade e pertencimento ao próprio processo de aprendizagem. A necessidade de buscar soluções alimentares adequadas, atender às exigências da legislação vigente e respeitar a cultura alimentar local os desafiou a pensar como futuros nutricionistas e profissionais da saúde comprometidos com a realidade brasileira. Esse tipo de abordagem prepara o estudante não apenas para provas acadêmicas, mas para situações reais de tomada de decisão, planejamento alimentar e intervenções nutricionais em contextos diversos. A prática também evidenciou o quanto as atividades interdisciplinares e contextualizadas podem funcionar como pontes entre o conhecimento científico e as demandas da sociedade. Considerações finais: Ao propor soluções alimentares criativas, tecnicamente embasadas e culturalmente relevantes, os alunos exercitaram competências essenciais para sua futura atuação profissional, seja na área clínica, hospitalar, saúde pública, educação nutricional ou indústria de alimentos. Ainda, coloca o discente durante o seu processo formativo como agente ativo na construção do saber e incluído nos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS 4, ODS 12). Por fim, o uso da ABP em disciplinas da área da saúde, como Composição dos Alimentos e Regionalidades, demonstra o potencial transformador dessa metodologia, especialmente quando aliada a objetivos pedagógicos claros, conteúdos relevantes e mediação docente comprometida. Trata-se de um caminho promissor 210 para formar profissionais mais preparados, críticos e sensíveis às realidades alimentares do país. REFERÊNCIAS BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). RDC nº 727, de 1º de julho de 2022. Dispõe sobre os requisitos para rotulagem nutricional de alimentos embalados. Diário Oficial da União, Brasília, 2022. Disponível em: <https://www.in.gov.br/>. Acesso em: 22 jul. 2025. DOS SANTOS, S. S. R. F.; MATOS, E. M. Possibilidades e desafios da Aprendizagem Baseada em Projetos na Educação Profissional e Tecnológica. Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica, v. 2, n. 19, p. e6717, 2020. DOI: 10.15628/rbept.2020.6717. SANTOS, S. S. R.; CARNEIRO LEÃO, A. M. dos Ação pedagógica pautada numa abordagem híbrida à luz da Aprendizagem Baseada em Projetos. Revista Docência do Ensino Superior, Belo Horizonte, v. 11, p. 1–21, 2021. DOI: 10.35699/2237-5864.2021.24721. SCHLICHTING, T. S.; HEINZLE, M. S. Metodologias Ativas de Aprendizagem na Educação Superior: aspectos históricos, princípios e propostas de implementação. Revista e-Curriculum, São Paulo, v. 18, n. 1, p. 10–39, jan./mar. 2020. DOI: 10.23925/1809-3876.2020v18i1p10-39.