Parametrização Através da Matriz de Riscos Em Operações de Logística Internacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095784 ISSN 2965-9302 Mendes; Souza; Monteiro (2025) v. 2 | n. 6 | e26293 | Set-Out 2025 1 Parametrização Através da Matriz de Riscos Em Operações de Logística Internacional Parameterization Through the Risk Matrix in International Logistics Operations Parametrización a través de la Matriz de Riesgos en Operaciones de Logística Internacional Felipe Silva Mendes1
[email protected] Gabriel Carvalho Souza 1
[email protected] Rogério Monteiro1
[email protected] Palavras-chave: Cadeia de Suprimentos. Gestão de Riscos. Logística Internacional. Parametrização. Keywords: Supply Chain. Risk Management. International Logistics. Parameterization. Palabras clave: Cadena de Suministro. Gestión de Riesgos. Logística Internacional. Parametrización. Apresentado em: 05 dezembro, 2024 Evento: 7º EnGeTec Local do evento: Fatec Zona Leste Avaliadores: Alexandre Formigoni Luiz Carlos Terra dos Santos Resumo: O presente estudo teve como objetivo analisar a gestão de riscos na cadeia de suprimentos em operações de logística internacional, com ênfase em uma empresa multinacional de pneus localizada na região do Grande ABC Paulista. Aplicando uma abordagem quantitativa, foram coletados e analisados 1.340 dados de operações de importações realizadas entre dezembro de 2023 e outubro de 2024, assim, permitindo segmentar cada operação, avaliando seus impactos e probabilidades. Por meio de pesquisas ao decorrer do estudo, os resultados revelaram que muitas empresas ainda não dispõem de uma estrutura robusta para gestão de riscos, o que impacta a competitividade da organização. Assim, é de suma importância ter uma matriz de risco que seja adaptada periodicamente, conforme o histórico e as mudanças nas operações, a fim de garantir maior eficiência na cadeia de suprimentos e agilidade nas respostas aos riscos eminentes na logística internacional. Abstract: The present study aimed to analyze risk management in the supply chain for international logistics operations, with a focus on a multinational tire company located in the Greater ABC Paulista region. Using a quantitative approach, 1,340 data points from import operations carried out between December 2023 and October 2024 were collected and analyzed, allowing for the segmentation of each operation and assessment of its impacts and probabilities. Through research conducted during the study, the results revealed that many companies still lack a robust risk management structure, which impacts the competitiveness of the organization. Therefore, it is crucial to have a risk matrix that is periodically updated, based on historical data and operational changes, in order to ensure greater efficiency in the supply chain and agility in responding to imminent risks in international logistics. Resumen: El presente estudio tuvo como objetivo analizar la gestión de riesgos en la cadena de suministro en operaciones de logística internacional, con énfasis en una empresa multinacional de neumáticos ubicada en la región del Gran ABC Paulista. Aplicando un enfoque cuantitativo, se recopilaron y analizaron 1.340 datos de operaciones de importación realizadas entre diciembre de 2023 y octubre de 2024, lo que permitió segmentar cada operación, evaluando sus impactos y probabilidades. A través de investigaciones realizadas durante el estudio, los resultados revelaron que muchas empresas aún no disponen de una estructura robusta para la gestión de riesgos, lo que impacta la competitividad de la organización. Por lo tanto, es de suma importancia contar con una matriz de riesgos que se adapte periódicamente, según el historial y los cambios en las operaciones, con el fin de garantizar una mayor eficiencia en la cadena de suministro y agilidad en la respuesta a los riesgos inminentes en la logística internacional. 1 Faculdade de Tecnologia da Zona Leste | FATEC Zona Leste
Parametrização Através da Matriz de Riscos Em Operações de Logística Internacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095784 ISSN 2965-9302 Mendes; Souza; Monteiro (2025) v. 2 | n. 6 | e26293 | Set-Out 2025 2 1. Introdução A gestão eficiente da cadeia de suprimentos é crucial para empresas que dependem de operações internacionais, pois envolve uma rede complexa de atividades. A logística internacional, nesse contexto, não se limita apenas ao transporte de mercadorias. Ela também engloba o planejamento, a coordenação e o gerenciamento de todas as funções da cadeia de suprimentos. Segundo Ballou (2018), Mesmo que uma área funcional independente seja criada, é necessária responsabilidade e bom gerenciamento da cadeia de suprimentos para garantir eficiência logística. O contrário pode proporcionar à empresa perda de oportunidades, aumento de custo e insatisfação dos clientes. Este estudo tem como foco a parametrização utilizando a matriz de riscos, com dados obtidos de uma multinacional fabricante de pneus que realiza importações, atua no comércio exterior e utiliza logística internacional na produção de bens. O embasamento teórico do estudo foi baseado em autores que tratam de teorias gerais da gestão da cadeia de suprimentos, além de artigos que abordam estratégias e desafios nas operações de importação, com o objetivo de minimizar os riscos identificados. A empresa utilizada como base de dados para a produção da tabela de parametrização de riscos tem uma de suas plantas produtivas instalada na região do Grande ABC Paulista. “a Região do Grande ABC Paulista e formada por municípios de Santo André, São Bernado do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, sendo conhecida como o segundo maior polo industrial do País.” (YAMUCHI; TOURINHO,2021, p.2). Os históricos de pedidos realizados pela empresa possibilitaram a análise das probabilidades de ocorrência e dos níveis de impacto das operações escolhidas. 2. Fundamentação Teórica Segundo Bowersox et al. (2014), os riscos estão atrelados a imprevistos no processo, referindo-se à aquisição ou entrega, afetando negativamente as necessidades do cliente e atingindo a reputação da empresa. É imprescindível que as organizações que operam em mercados globais, especialmente no contexto da logística internacional, adotem estratégias eficientes para mitigar os riscos identificados. O comércio exterior, por sua natureza, envolve múltiplos riscos que afetam diretamente a cadeia de suprimentos, desde a produção até a entrega final. A ABNT NBR ISO 14971:2009 e AS/NZS 4369:2004 confirmam a ideia de que para gerenciar riscos eficientemente é necessário avaliar, documentar e analisar de forma crítica as informações obtidas e mantidas em histórico. De acordo com Funo (2009), Zsidisin et al. (2004) e Haywood e Peck (2003), é notável que existem poucas pesquisas sobre avaliação de risco nas cadeias de suprimentos globais. Contudo, a parametrização da matriz de risco — especialmente em contextos específicos como a logística internacional — também é um campo em evolução, com poucas aplicações práticas documentadas. A parametrização busca fornecer uma visão clara dos riscos mais recorrentes e críticos para facilitar a tomada de decisões mais ágeis e eficientes. 2.1 Gestão de Riscos nas Operações de Logística Internacional Para Kytle e Ruggie (2005) e Funo (2009), a organização que tem uma operação vulnerável potencializa a probabilidade de ocorrência de riscos. Para diminuí-la, são necessárias medidas preventivas e controle em sua gestão. A mitigação dos riscos objetiva mensurar as incertezas do mercado e é de suma importância a implementação de um sistema para gerenciar os riscos das operações. No contexto das operações de comércio exterior, a parametrização de riscos permite identificar de maneira estruturada os riscos mais recorrentes e impactantes. De acordo com Basso (2022), A matriz de risco e sua avaliação possibilitam a dedicação de esforços às atividades que mais trazem risco para a empresa.
Parametrização Através da Matriz de Riscos Em Operações de Logística Internacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095784 ISSN 2965-9302 Mendes; Souza; Monteiro (2025) v. 2 | n. 6 | e26293 | Set-Out 2025 3 2.2 Matriz de Risco A matriz de risco é uma das ferramentas mais comuns na gestão de riscos, e é amplamente utilizada para avaliar a probabilidade e o impacto de eventos adversos, conforme o Tribunal de Contas da União do Brasil: “A matriz define o nível de riscos a partir da combinação das escalas de probabilidade e de impacto”. A teoria central por trás dessa ferramenta é a ideia de que uma gestão eficaz de riscos começa com a identificação clara dos riscos de maior probabilidade, e maior impacto na empresa. Normalmente, essa matriz é estruturada com a probabilidade dos riscos listada verticalmente e o impacto, horizontalmente, permitindo que os gestores priorizem ações de mitigação com base na sua criticidade. A aplicação dessa matriz no contexto da logística internacional se mostra interessante para melhorar a eficiência das operações e reduzir implicações futuras. Figura 1 - Matriz de Risco Fonte: Tribunal de Contas da União (2020) 2.3 A Relevância da Parametrização da Matriz de Riscos para o Comércio Exterior A logística internacional envolve um aglomerado de operações complexas e desafiadoras, como o transporte de mercadorias por diferentes países, armazenagem, manuseio, e cumprimento de regulamentações aduaneiras. Os riscos operacionais que podem surgir durante essas operações incluem danos às mercadorias, atrasos nas entregas, perdas no trânsito, dificuldades com processos regulatórios, possíveis roubos e fraudes. Cada um desses riscos é preciso que o gerenciamento seja eficaz para garantir que as operações de comércio exterior sejam concluídas com total eficiência e sem quaisquer desvios. Segundo Mentzer et al. (2001), “a gestão eficaz da logística internacional requer uma abordagem proativa na identificação e mitigação de riscos operacionais.” As empresas precisam implementar estratégias robustas para minimizar esses riscos. É necessário incluir a análise de histórico de ocorrências para identificar padrões e antecipar falhas potenciais, além da implementação de planos que traçam ações a serem tomadas em caso de desvios nos procedimentos definidos como padrão. Como afirmam Christopher e Peck (2004), "a análise de dados históricos e o desenvolvimento de planos de contingência são essenciais para a resiliência das cadeias de suprimentos." Essas estratégias que as operações de comércio exterior sejam conduzidas de maneira segura e eficaz. Como indicam Tang e Musa (2011), "a identificação precisa e a parametrização dos riscos operacionais são fundamentais para o sucesso das operações logísticas globais." A parametrização da matriz de riscos oferece benefícios importantes, como uma melhor identificação e avaliação dos riscos, que seja possível proporcionar uma resposta mais rápida e eficiente a possíveis problemas, aumentando a eficiência na gestão dos riscos, garantindo que as operações de comércio exterior ocorram dentro de sua normalidade, com uma matriz de riscos bem parametrizada, as empresas podem minimizar as interrupções, evitar custos não programados e melhorar a satisfação dos clientes, fortalecendo sua posição competitiva no mercado, De acordo com Puppo (2018), " processo de monitoramento dos
Parametrização Através da Matriz de Riscos Em Operações de Logística Internacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095784 ISSN 2965-9302 Mendes; Souza; Monteiro (2025) v. 2 | n. 6 | e26293 | Set-Out 2025 4 riscos identificados, caso necessário, de implementação das respostas planejadas, acompanhamento dos riscos residuais, identificando novos riscos e avaliando a eficácia do gerenciamento de riscos." 2.4 Estratégias de Mitigação de Riscos em Cadeias de Suprimentos Globais Uma das estratégias mais eficazes é a diversificação das fontes de abastecimento. Segundo Chopra e Sodhi (2004), "a dependência excessiva de um único fornecedor pode aumentar a vulnerabilidade a interrupções, enquanto a diversificação pode reduzir esse risco." Isso pode envolver a busca por fornecedores alternativos de acordo com a posição geográfica em que está localizado, o que pode ser um fator que auxilie na mitigação dos riscos e garantir que a cadeia de suprimentos possa continuar operando mesmo que uma fonte seja interrompida. Uma alternativa que deve ser considerada, é a visibilidade e transparência ao longo da cadeia de suprimentos. A implementação de tecnologias de rastreamento e monitoramento e, tempo real permite que as empresas possam visualizar a movimentação das mercadorias e consigam identificar rapidamente quaisquer problemas. Como afirmam Christopher e Peck (2004), "a visibilidade é fundamental para a resiliência da cadeia de suprimentos, pois permite uma resposta rápida e eficaz a incidentes." Ferramentas como o uso de sistemas de gerenciamento de transporte proporcionam essa melhor visibilidade e coordenação entre os parceiros da cadeia de suprimentos. Outra estratégia importante é a análise de riscos e o planejamento de contingências, que são cruciais para antecipar e minimizar as possíveis falhas. A análise histórica dos eventos identificados como riscos permite que as empresas identifiquem padrões e desenvolvam estratégias proativas para lidar com essas ocorrências. "O planejamento de contingências deve incluir ações específicas para diferentes cenários de risco, garantindo que a empresa esteja preparada para responder de forma eficaz" (Sheffi, 2005). Para o gerenciamento de riscos, planos de contingência bem elaborados podem incluir a criação de inventários de segurança, contratos de transporte flexíveis e parcerias colaborativas com fornecedores e distribuidores. Em resumo, a implementação de estratégias de mitigação de riscos, como diversificação das fontes de abastecimento, a visibilidade ao longo da cadeia de suprimentos e o planejamento de contingências, são essenciais para aumentar a resiliência das cadeias de suprimento globais, essas práticas ajudam a minimizar interrupções, reduzir custos e melhorar a satisfação dos clientes, fortalecendo a posição competitiva das empresas no mercado global. 3. Método Os métodos utilizados para estruturação deste estudo foram sistematicamente planejados para garantir a obtenção de dados reais e relevantes. A coleta de dados foi realizada a partir de registros históricos obtidos do banco de dados de uma multinacional fabricante de pneus que realiza importações. Esses registros foram organizados em uma planilha que contém os pedidos realizados entre dezembro de 2023 e outubro de 2024. Durante esse período, foram analisados um total de 1340 importações, incluindo tantas importações diretas e indiretas. Com uma abordagem quantitativa, para classificação dos eventos analisados neste estudo. Isso envolveu a categorização dos dados coletados, diferenciando os principais eventos que ocorreu em cada um dos 1340 processos de importação. Para embasamento teórico, foi realizada uma pesquisa bibliográfica ampla, utilizando termos comuns ao comércio exterior e a logística internacional. Que forneceram uma compreensão das práticas e desafios na gestão de risco em cadeia de suprimentos globais. Essa base teórica é essencial para contextualizar os dados coletados e fornecer uma melhor compreensão para a análise realizada neste estudo. Considerações éticas foram observadas no estudo, uma vez que utilizadas informações internas da multinacional estudada, de natureza confidencial, todos os dados tratados são referentes a
Parametrização Através da Matriz de Riscos Em Operações de Logística Internacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095784 ISSN 2965-9302 Mendes; Souza; Monteiro (2025) v. 2 | n. 6 | e26293 | Set-Out 2025 5 multinacional que será mantida em anonimato, em conformidade comas as diretrizes éticas e legais aplicáveis, garantindo a proteção da privacidade e a integridade das informações fornecidas Com essa metodologia, buscar um entendimento detalhado dos riscos e das estratégias de mitigação em operações de logística internacional, contribuindo para melhoria contínua das práticas de gestão de riscos no comércio exterior. 4. Resultados e Discussões A matriz de risco gerada a partir da análise do histórico de processos da multinacional fabricante de pneus, localizada no Grande ABC Paulista, oferece uma visão detalhada dos principais riscos nas operações logísticas da empresa. Foram analisados 1.340 processos realizados entre dezembro de 2023 e outubro de 2024, com o objetivo de identificar e priorizar os eventos mais críticos para a eficiência operacional. A matriz divide os eventos em três categorias, de acordo com seu nível de risco: baixo (células verdes), médio (células amarelas) e alto (células vermelhas). Falta de Caminhões: Este evento, que ocorreu em 156 processos, apresenta uma probabilidade de 1,5 e impacto de 0,5, resultando em um risco total de 0,75, o que o classifica como de baixo risco. A principal consequência desse evento é o atraso na entrega final, ocorrido após a chegada da carga ao porto. De acordo com o histórico analisado, essa situação não é frequente e, quando ocorre, costuma ser resolvida rapidamente, geralmente no dia seguinte. Para mitigar esse risco, recomenda-se diversificar os fornecedores de transporte, o que permitiria a substituição ágil de transportadoras que apresentem dificuldades ou incapacidade de atender à demanda, garantindo maior flexibilidade e continuidade nas operações logísticas. Problema de Lacre: Esse evento, identificado em 26 processos, apresenta uma probabilidade de 1,5 e impacto de 1, resultando em um risco total de 1,5, classificando-o como de risco médio. O impacto desse evento é significativo, pois interfere nos processos de liberação para embarque ou desembarque, podendo causar atrasos na movimentação das mercadorias. Esse tipo de problema geralmente ocorre devido à falhas na qualidade do lacre utilizado nos processos logísticos. Para reduzir a ocorrência desse evento, sugere-se a realização de inspeções periódicas para verificar a qualidade dos lacres e garantir que estejam em conformidade com os padrões exigidos, minimizando, assim, qualquer potencial bloqueio nas operações. Container em Más Condições: Este evento foi identificado em 170 processos, com uma probabilidade de 3 e impacto de 0,5, resultando em um risco total de 1,5, o que o classifica como de risco médio. Quando ocorre, esse evento pode resultar em danos à mercadoria ou custos adicionais com a manutenção do container, afetando diretamente a operação logística. Para mitigar esse risco, a recomendação é realizar uma inspeção rigorosa dos containers antes do embarque, garantindo que estejam em boas condições. Além disso, é fundamental contar com parceiros logísticos de confiança, que ofereçam equipamentos de qualidade e bem conservados, evitando problemas que possam comprometer a segurança e a eficiência do transporte. Falta de Equipamento: Este evento ocorreu em 55 processos, com uma probabilidade de 1,5 e impacto de 1,5, resultando em um risco total de 2,25, o que o classifica como de risco médio. A falta de equipamentos adequados, especialmente durante períodos de alta demanda, pode dificultar o embarque e causar atrasos nas operações logísticas. Quando a disponibilidade de equipamento se torna limitada, as operações podem ser interrompidas, afetando o fluxo das entregas. Para mitigar esse risco, recomenda-se diversificar os fornecedores de equipamentos, de modo a aumentar a disponibilidade e reduzir a dependência de um único parceiro. Além disso, em períodos de alto volume de embarques, seria estratégico negociar contratos com cláusulas que garantam a disponibilização obrigatória de equipamentos pelo parceiro logístico, assegurando assim que os recursos necessários estarão sempre à disposição, independentemente da demanda. Atraso na Devolução do Vazio: Este evento foi identificado em 96 processos, com uma probabilidade de 3 e impacto de 1, resultando em um risco total de 3, o que o classifica como de risco médio. O atraso
Parametrização Através da Matriz de Riscos Em Operações de Logística Internacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095784 ISSN 2965-9302 Mendes; Souza; Monteiro (2025) v. 2 | n. 6 | e26293 | Set-Out 2025 6 na devolução do equipamento vazio ocorre quando o container ou outro equipamento utilizado não é devolvido no prazo estabelecido, o que pode resultar em multas e cobranças adicionais por atraso. Esse evento pode afetar a relação com os fornecedores de equipamentos e impactar os custos operacionais. Para evitar esse risco, recomenda-se a implementação de um controle rigoroso sobre o tempo livre disponibilizado para cada equipamento, monitorando de perto as devoluções e ajustando as operações conforme os prazos estabelecidos. Dessa forma, é possível garantir que a devolução ocorra dentro do período acordado, evitando custos adicionais e possíveis penalidades. Atraso no Desembaraço: Este evento foi identificado com uma probabilidade de 4,5 e impacto de 0,5, resultando em um risco total de 2,25, classificando-o como de risco médio. O atraso no desembaraço aduaneiro ocorre quando há demora na regularização da importação, incluindo o pagamento de tributos, a fiscalização e a liberação das mercadorias. Esse atraso pode acarretar cobranças adicionais, como taxas por demurrage, além de impactar no atraso da entrega final ao cliente. Para minimizar esse risco, sugere-se a implementação de alertas automáticos com base na previsão de chegada das mercadorias ao porto, de modo que os responsáveis possam ser acionados imediatamente para iniciar os processos de desembaraço aduaneiro assim que a carga chegar. Essa abordagem ajuda a agilizar a liberação da carga e evita taxas extras e atrasos na entrega. Falta de Booking: Este evento ocorreu em 499 processos, com uma probabilidade de 4,5 e impacto de 1, resultando em um risco total de 4,5, classificando-o como de alto risco. A falta de Booking ocorre quando há dificuldades na obtenção de reservas de transporte, geralmente devido a destinos sobrecarregados ou a alta demanda em períodos específicos. Isso pode comprometer o planejamento logístico, resultando em atrasos significativos nas entregas. Para mitigar esse risco, recomenda-se diversificar os fornecedores de serviços de transporte, garantindo maior flexibilidade na escolha de rotas e prestadores de serviços. Além disso, pode-se realizar uma análise contínua das rotas para identificar alternativas viáveis, possibilitando ajustes rápidos em caso de sobrecarga em destinos específicos e aumentando as chances de conseguir a reserva necessária. Alteração nos Dados do Booking: Este evento foi identificado em 144 processos, com uma probabilidade de 3 e impacto de 1,5, resultando em um risco total de 4,5, o que o classifica como de alto risco. A alteração nos dados do Booking ocorre quando, durante o processo logístico, há a necessidade de modificar informações previamente registradas, como, por exemplo, o porto de destino ou a mudança do armador responsável pelo embarque. Esse tipo de evento pode gerar confusão, atrasos e impactar o planejamento da cadeia de suprimentos. Para mitigar esse risco, recomenda-se que o monitoramento do Booking seja feito de forma constante e próxima até que o processo seja efetivamente concluído e o embarque realizado. Acompanhar as alterações de forma detalhada e em tempo real pode evitar surpresas e permitir ajustes rápidos, garantindo a continuidade das operações sem grandes prejuízos. Booking Transferido: Este evento foi identificado em 855 processos, com uma probabilidade de 4,5 e impacto de 1,5, resultando em um risco total de 6,75, o que o classifica como de alto risco. O booking transferido ocorre quando o embarque inicialmente agendado não é efetivado, e a reserva de transporte é transferida para outro momento ou outra rota. Isso gera um impacto significativo no fluxo logístico, pois o planejamento das atividades já começa com atrasos e divergências, afetando a entrega final e o cumprimento de prazos. Para minimizar os efeitos desse risco, recomenda-se que, ao ocorrer a transferência de booking, todas as partes envolvidas sejam imediatamente notificadas, e as projeções logísticas sejam reajustadas e recalculadas para refletir as novas condições de transporte. Isso permitirá uma resposta rápida e a realocação de recursos de maneira mais eficaz, minimizando o impacto nos prazos e custos. Observa-se que, para a empresa em questão, as dificuldades enfrentadas e os eventos de alta recorrência são tratados preventivamente por meio de comunicação eficaz, acompanhamento contínuo, revisão de processos e análise de históricos. Essas abordagens permitem uma gestão proativa dos riscos, mitigando possíveis impactos negativos nas operações.
Parametrização Através da Matriz de Riscos Em Operações de Logística Internacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095784 ISSN 2965-9302 Mendes; Souza; Monteiro (2025) v. 2 | n. 6 | e26293 | Set-Out 2025 7 Além disso, as pesquisas realizadas, com base em livros e artigos, demonstram que as cadeias globais de suprimentos estão em constante evolução, exigindo, portanto, novos estudos, projeções e ajustes nos fluxos logísticos. É fundamental destacar que, em um cenário econômico dinâmico e em constante mudança, a ausência de planos de prevenção para riscos potenciais é uma preocupação crescente. Empresas que adotam práticas de análise e prevenção de riscos conseguem se tornar mais competitivas, pois a previsibilidade e a capacidade de lidar com situações adversas garantem que o impacto de eventos indesejados seja minimizado, o que é extremamente benéfico para sua sustentabilidade e sucesso no mercado. e que para empresa em questão as dificuldades encontradas e eventos com alta recorrência são tratados preventivamente utilizando abordagens de comunicação, acompanhamento, revisão e análise de históricos. Tabela 1 – Matriz de Riscos MATRIZ DE RISCOS PROBABILIDADE / IMPACTO BAIXO IMPACTO (0,5) MÉDIO IMPACTO (1) ALTO IMPACTO (1,5) ALTA PROBABILIDADE (4,5) ATRASO NO DESEMBARAÇO FALTA DE BOOKING BOOKING TRANSFERIDO MÉDIA PROBABILIDADE (3) CONTAINER EM MÁS CONDIÇÕES ATRASO NA DEVOLUÇÃO DO VAZIO ALTERAÇÃO NOS DADOS DO BOOKING BAIXA PROBABILIDADE (1,5) FALTA DE CAMINHÕES PROBLEMA DE LACRE FALTA DE EQUIPAMENTO Fonte: Autores (2024). 5. Considerações Finais O propósito deste estudo foi examinar os eventos críticos que ocorrem nas operações de logística internacional de uma empresa do setor de pneus, com foco na criação e aplicação de uma matriz de risco. A análise dos procedimentos de importação revelou a ausência de normas ou sistemas robustos de gerenciamento de riscos nas operações logísticas internacionais da empresa. Apesar da importância crucial da gestão de riscos para a competitividade e eficácia das empresas, observou-se uma lacuna significativa tanto na prática quanto na pesquisa sobre o tema, especialmente no contexto da logística internacional. A matriz de risco proposta neste estudo foi elaborada com base nos dados históricos coletados, permitindo uma identificação clara dos riscos mais recorrentes e impactantes nas operações logísticas. Ela deve ser considerada uma ferramenta dinâmica e adaptável, que deve ser periodicamente atualizada para refletir as mudanças no ambiente de negócios e na logística internacional. Para garantir uma cadeia de suprimentos eficiente e resiliente, é fundamental que as empresas implementem estratégias de gerenciamento de riscos que permitam identificar, avaliar e mitigar as ameaças potenciais, minimizando seus impactos nas operações e garantindo maior previsibilidade no cumprimento dos prazos. Adotar uma abordagem proativa na gestão de riscos é essencial para aumentar a resiliência das operações logísticas. A utilização da matriz de risco como ferramenta central nesse processo permite que a empresa não apenas identifique, mas também monitore os riscos ao longo do tempo, ajustando os planos de ação conforme os dados históricos e as tendências emergentes. A implementação de ações preventivas e o uso de tecnologias de rastreamento e análise de dados podem fortalecer ainda mais a capacidade de resposta da empresa a eventos inesperados, como a falta de equipamentos, atrasos no desembaraço aduaneiro ou transferências de booking. Entretanto, o estudo também evidenciou a necessidade de mais investigações sobre a aplicação prática da matriz de risco, especialmente no que diz respeito à integração de novas tecnologias, como inteligência artificial e análise de big data, para aprimorar a gestão e monitoramento de riscos em
Parametrização Através da Matriz de Riscos Em Operações de Logística Internacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095784 ISSN 2965-9302 Mendes; Souza; Monteiro (2025) v. 2 | n. 6 | e26293 | Set-Out 2025 8 tempo real. A incorporação dessas ferramentas pode oferecer uma visão mais clara e detalhada dos riscos, permitindo respostas ainda mais rápidas e precisas. Em suma, este estudo destacou a importância de uma gestão de riscos eficaz na logística internacional e forneceu uma base sólida para futuras pesquisas e aprimoramento das práticas no setor. A adaptação contínua da matriz de risco e a implementação de tecnologias emergentes são caminhos essenciais para garantir que as empresas possam operar de maneira mais segura, eficiente e competitiva no cenário global dinâmico e desafiador. Com isso, espera-se que este estudo contribua para o avanço das práticas de gestão de riscos no comércio exterior, promovendo maior segurança operacional e sustentação das operações no longo prazo. Referências ABNT NBR ISO 14971:2009. Norma Brasileira. Produtos para a saúde — Aplicação de gerenciamento de risco a produtos para a saúde. Disponível em: https://www.zambini.org.br/pdfs/ABNT%20NBR%20ISO%20149712009%20%20Produtos%20para%20a%20sa%C3%BAde%20%E2%80%94%20Aplica%C3%A7%C3%A3o%20de%2 0gerenciamento%20de%20risco%20a%20produtos%20para%20a%20sa%C3%BAde.pdf. AS/NZS 4360:2004. Risk Management. Australian/New Zealand Standard. Disponível em: http://www.cqurire.com/htm/paper/risk/Aust_Standards_4360-2004.pdf. BALOU, R. H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos/Logística Empresarial. [s.l.] Bookman, Ed. 5, p. 42, 2006. BASSO, J. E. (2022). Avaliação de riscos nos processos logísticos: estudo de caso em um armazém logístico. Repositório UCS. BOWERSOX D. et al. Gestão Logística da Cadeia de Suprimentos. [s.I.] AMGH, Ed. 4, p.90, 2014. BRASIL, TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Manual de gestão de riscos do TCU / Tribunal de Contas da União. - Brasília : TCU, Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (Seplan), 2020. CHRISTOPHER, M., & Peck, H. (2004). Building the resilient supply chain. The International Journal of Logistics Management. CHOPRA, S., & Sodhi, M. S. (2004). Managing risk to avoid supply-chain breakdown. MIT Sloan Management Review. FUNO, K. A. (2009). Fatores para Gerenciamento de Riscos na Cadeia de Fornecedores de Fabricantes de Aeronaves. Repositório UNESP. JOHN, T. et al. Defining Supply Chain Management. Journal of Business Logistics. 2001. PUPPO, M. (2018). Gestão de Riscos nas Operações de Comércio Exterior. SHEFFI, Y. (2005). The Resilient Enterprise: Overcoming Vulnerability for Competitive Advantage. MIT Press. TANG, C. S., & Musa, S. (2011). Identifying risk issues and research advancements in supply chain risk management. International Journal of Production Economics. YAMAUCHI, G.; TOURINHO, A.de O. Industria e território na região do grande ABC nos últimos 70 anos: questões sobre a crise de um modelo. Brazilian Journal of Develoment,2023. "Os conteúdos expressos no trabalho, assim como os direitos autorais de figuras e dados, bem como sua revisão ortográfica e das normas são de inteira responsabilidade do(s) autor(es)." “Os autores do trabalho declaram que durante a preparação do manuscrito foi utilizada a ferramenta/serviço ChatGPT de Inteligência Artificial (IA) para correções gramaticais e tradução do resumo e título para língua inglesa e espanhola. Após utilizar esta ferramenta/serviço, os autores editaram e revisaram o conteúdo conforme necessário e assumem total responsabilidade pelo conteúdo da publicação.”
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