Estudo sobre o processo de descarte e a Logística Reversa de Cargas Radioativas em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095743 ISSN 2965-9302 Amorim; Oliveira; Teixeira; Bizerra (2025) v. 2 | n. 6 | e26217 | Set-Out 2025 1 Estudo sobre o processo de descarte e a Logística Reversa de Cargas Radioativas Study on disposal and Reverse Logistics for Radioactive Cargo Estudio sobre disposición y Logística Inversa de Carga Radiactiva Emerson Alves Amorim 1
[email protected] Michael Douglas Targino De Oliveira1
[email protected] Thiago Othero Tiossi Teixeira1
[email protected] Rafael Cavalcanti Bizerra1
[email protected] Palavras-chave: Cargas Radioativas. Logística Reversa. Sustentabilidade. Descarte. Keywords: Radioactive Loads. Reverse Logistics. Sustainability. Discard. Palabras clave: Cargas radiactivas. Logística inversa. Sostenibilidad. Desechar. Apresentado em: 05 dezembro, 2024 Evento: 7º EnGeTec Local do evento: Fatec Zona Leste Avaliadores: Luciano Francisco de Oliveira Paulo Cristiano de Oliveira Resumo: O ciclo do combustível começa pela mineração do urânio e segue até a geração de energia nos reatores nucleares. Após gerar energia, os materiais tornam-se resíduos radioativos, o que estabelece desafios para a saúde pública e segurança ambiental. O objetivo do trabalho é compreender o ciclo do combustível nuclear e analisar a próxima etapa na gestão de resíduos radioativos, conforme normativas brasileiras e segurança. A pesquisa é de natureza exploratória e qualitativa, focada na análise e compreensão do descarte e procedimentos de logística reversa aplicados a cargas radioativas. Com soluções mais robustas e eficiência na implementação das políticas vigentes, será possível minimizar os riscos e assegurar sustentabilidade na destinação desses resíduos. Embora o Brasil tenha progredido em relação às normas regulatórias, é fundamental acompanhar as revisões a nível internacional e adotar medidas sustentáveis para o tratamento dos resíduos radioativos. Esse estudo permite concluir que por meio de uma gestão eficiente que integra esforços será possível reduzir os riscos envolvidos garantindo uma operação segura, conforme os melhores padrões mundiais em consonância com os interesses da sociedade. Abstract: The fuel cycle begins with uranium mining and continues to power generation in nuclear reactors. After generating energy, the materials become radioactive waste, which poses challenges for public health and environmental safety. The objective of the work is to understand the nuclear fuel cycle and analyze the next stage in radioactive waste management, in accordance with Brazilian regulations and safety. The research is exploratory and qualitative in nature, focused on the analysis and understanding of disposal and reverse logistics procedures applied to radioactive cargo. With more robust solutions and efficiency in the implementation of current policies, it will be possible to minimize risks and ensure sustainability in the disposal of this waste. Although Brazil has made progress in relation to regulatory standards, it is essential to follow international reviews and adopt sustainable measures for the treatment of radioactive waste. This study allows us to conclude that through efficient management that integrates efforts, it will be possible to reduce the risks involved, guaranteeing a safe operation, in accordance with the best global standards in line with the interests of society. Resumen: El ciclo del combustible comienza con la extracción de uranio y continúa hasta la generación de energía en reactores nucleares. Al finalizar el proceso de generación, los materiales se convierten en residuos radiactivos, lo cual plantea desafíos para la salud pública y la seguridad ambiental. Este trabajo tiene como objetivo comprender el ciclo del combustible nuclear y analizar la siguiente etapa en la gestión de residuos radiactivos, de acuerdo con las normativas de Brasil. La investigación es de naturaleza exploratoria y cualitativa, enfocada en el análisis y comprensión de los procedimientos de disposición y logística inversa aplicados a cargas radiactivas. Con soluciones más eficientes y robustas en la implementación de políticas, será posible minimizar los riesgos y asegurar la sostenibilidad en la disposición de estos residuos. Aunque Brasil ha progresado en cuanto a normas regulatorias, es esencial seguir las revisiones internacionales y adoptar medidas sostenibles para el tratamiento de residuos radiactivos. Este estudio concluye que una gestión eficiente y el esfuerzo conjunto permiten reducir riesgos, garantizando una operación segura conforme a los mejores estándares internacionales. 1 Fatec Zona Leste
Estudo sobre o processo de descarte e a Logística Reversa de Cargas Radioativas em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095743 ISSN 2965-9302 Amorim; Oliveira; Teixeira; Bizerra (2025) v. 2 | n. 6 | e26217 | Set-Out 2025 2 1. Introdução A energia nuclear é essencial para a eletricidade em diversos lugares ao redor do mundo. O processo de utilização da energia nuclear envolve várias etapas detalhadas, desde a obtenção do urânio até o manuseio dos resíduos. O ciclo do material nuclear consiste nas etapas necessárias para processar o material que serve de combustível nuclear para as usinas nucleares em seu processo de geração energética. Após esse ciclo, os mesmos se transformam em resíduos radioativos, que devem ser tratados de forma cuidadosa. Essas substancias radioativas são definidas de acordo com os critérios estabelecidos pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) apresentam um severo risco a saúde pública e ao meio ambiente, devido a sua alta composição de radionuclídeos. Com isso, é necessário um sistema severo para a gestão de logística reversa na etapa de descarte, tendo no Brasil a CNEN como a principal regulamentadora e fiscalizadora do tratamento, armazenamento, e descarte desse material (MOREIRA et al., 2006). O gerenciamento de resíduos envolve diversas etapas, como a segregação, acondicionar, identificação do transporte seguro e identificação correta dos materiais. Esses processos devem ser conduzidos com precisão para garantir o cumprimento das normas e evitar acidentes (Butantan, 2014). O transporte de material radioativo é de suma importância para as atividades médicas, industriais e pesquisas. Para que o transporte do material radioativo chegue aos hospitais e clinicas, existem algumas condições, fatores e restrições para que o material seja transportado corretamente, com isso é necessário leis e normas para o transporte ser realizado de forma segura, seguindo um modelo padrão de diminuição de riscos de acidentes, para assim, reduzir o risco ao meio ambiente e a população (FERREIRA FILHO; AQUINO; RODRIGUES, 2015). Existem desafios que vão além dos operacionais, o armazenamento e transporte de cargas radioativas necessitam de um cuidado especial, pois tem como características perigosas. O transporte dessas matérias existe a necessidade de veículos adaptados, conforme a Agência Nacional de Transportes Terrestres e pelo conselho nacional de trânsito. Sendo assim, o seguinte artigo aponta a precisão de aprimoramento nas práticas da gestão para garantir a segurança da sociedade. 2. Fundamentação Teórica 2.1. Logística Reversa Logística é um processo operacional que tem o complemento de algumas etapas: planejamento, organização, controle, armazenamento e movimentação da matéria prima. Essas etapas podem ocorrer dentro de uma companhia ou fora, com a intenção de chegar ao consumidor final (BERTAGLIA, 2016). Segundo Garcia (2006), a logística reversa tem a finalidade de ser uma etapa que acrescenta valor a logística convencional. A logística tradicional que tem como aplicabilidade a movimentação de uma mercadoria da expedição do fornecedor, até o consumidor mediador ou até o comprador final. Em contrapartida, a logística reversa faz a trajetória inversa na cadeia produtiva. A etapa da logística reversa é concentrada na etapa do consumidor final ao setor inicial, com isso poderá ser realizado o reaproveitamento da matéria prima, depois de sua aplicação pelo cliente final que pode ser o material pós-venda e pós-consumo. Realizado uma logística reversa eficaz, como consequência a possiblidade de redução de descarte e reduzir desperdícios de materiais (MIGUEZ, 2010). 2.2. Cargas Especiais Cargas especiais tem o significado de ser um produto que necessita de cuidados especiais ao serem movimentados, para assim, evitar danos no decorrer do percurso, devido ao seu peso, tamanho ou
Estudo sobre o processo de descarte e a Logística Reversa de Cargas Radioativas em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095743 ISSN 2965-9302 Amorim; Oliveira; Teixeira; Bizerra (2025) v. 2 | n. 6 | e26217 | Set-Out 2025 3 natureza delicada, com isso, surge a exigência de uma logística de tratamento diferente durante o trajeto. Cargas especiais requerem uma gestão de estoque mais cuidadosa, o que pode resultar em um aumento nos custos logísticos. (TOTVS,2024). A locomoção de produtos perigosos tem a necessidade de cuidados e regras, pois há uma alta diversificação de mercadoria, esse tópico há uma variedade de características diferentes e únicas. Entre a enorme gama de produtos com cargas especiais, podemos apresentar equipamentos industriais, produtos químicos, veículos, cargas com grande proporção, material pesado, material inflamável (PROSEGUR, 2024). 2.3. Cargas perigosas. Segundo o Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina – CEPED UFSC (2012, p.6), a mercadoria perigosa é qualquer elemento material com chance de acontecer acidentes. A carga considerada perigosa compõe elementos físicos e químicos, que se não for bem gerenciada, pode incorrer prejuízos a saúde e prejuízos ambientais. De acordo com a Organização Das Nações Unidas (ONU), a carga perigosa é classificada pela divisão em nove de classes de riscos e por seguintes subclasses, de acordo com a Tabela 1. Figura 1 – Classificação de Cargas Perigosas Fonte: Adaptado de Manual do transporte (2016). Segundo o Manual de Identificação de produtos Perigosos (2022), resíduos devem ser movimentados seguindo as diretrizes e exigências da classe aplicada, levando em consideração seus critérios e riscos ao meio ambiente e a sociedade. A classificação de uma mercadoria para fins de transporte, deve ser realizada pelo expedidor ou fabricante, com as instruções do fabricante, ou pela autoridade competente. 2.4. Ciclo do combustível Nuclear O ciclo do combustível nuclear é composto pelas etapas necessárias para processar o material que serve de combustível do nuclear para as usinas nucleares em seu processo de geração energética (Rocha, 2021). Além da mineração de urânio e utilização do material nos reatores nucleares, o ciclo possui outras quatro etapas segundo a Indústrias Nucleares do Brasil: Mineração e Produção de Concentrado; Conversão; Enriquecimento de Isótopo principal composto do material que é feito para alimentar os reatores; Reconversão; Fabricação de Pastilhas de UO2; Fabricação de Elemento Combustível, Gera Energia. Na Figura 2, observam-se os principais elementos envolvidos no processo citado: Classe 1 Classe 2 Subclasse 2.1 Gases Inflamáveis Subclasse 2.2 Gases não inflamáveis, não tóxicos Subclasse 2.3 Gases tóxicos Classe 3 Classe 4 Subclasse 4.1 Sólidos inflamáveis Subclasse 4.2 Substâncias sujeitas à combustão espontânea; Subclasse 4.3 Substâncias que, em contato com a água, emitem gases inflamáveis Classe 5 Subclasse 5.1 Substâncias oxidantes Subclasse 5.2 Peróxidos orgânicos Classe 6 Subclasse 6.1 Substâncias tóxicas venenosas Subclasse 6.2 Substâncias infectantes Classe 7 MATERIAS RADIOATIVOS Classe 8 CORROSIVOS Classe 9 SUBSTÂNCIAS PERIGOSAS DIVERSAS LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS EXPLOSIVOS
Estudo sobre o processo de descarte e a Logística Reversa de Cargas Radioativas em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095743 ISSN 2965-9302 Amorim; Oliveira; Teixeira; Bizerra (2025) v. 2 | n. 6 | e26217 | Set-Out 2025 4 Figura 2 - Ciclo de combustível nuclear Fonte: COSTA (2018). Após o final deste ciclo, os materiais utilizados passam a ser considerados resíduos, sendo necessário medidas rigorosas para que não haja perigos para a segurança ambiental e a saúde pública, portanto, a gestão de resíduos nucleares necessita de uma enorme responsabilidade, exigindo uma severa segurança para o descarte destes rejeitos. 2.5. Gestão de resíduos nucleares Rejeitos radioativos são considerados quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de isenção especificados na Norma CNEN-NE6.05 e Resolução CNEN n.112/2011: “Licenciamento de Instalações Radiativas” da Comissão Nacional de Energia Nuclear – e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista. (Butantan, 2014). No Brasil foi concedida à Comissão Nacional de Energia Nuclear a missão de cumprir os requisitos referentes à gestão de resíduos radioativos. Essa entidade é encarregada de todas as fases do procedimento – incluindo o planejamento, fiscalização dos resíduos – bem como da aplicação das normas delineadas há regulamentos específicos ligados ao mencionado trabalho: tais normas são cruciais não apenas por assegurar uma gestão adequada dos resíduos, mas também pela proteção dos cidadãos. Além disso é fundamental que todos os resíduos sejam descartados de acordo com as normas e diretrizes do estado em vigor. Estas medidas são amplamente adequadas (MOREIRA et al., 2006). A administração dessas sobras é conduzida seguindo diversas normas que envolvem a aplicação de diferentes procedimentos como a análise dos materiais resultantes das sobras e a seleção do local apropriado para o descarte. Essas diretrizes de administração estabelecem que a entidade responsável tem autoridade sobre todos os materiais radioativos criados através de métodos específicos para coletar essas substâncias até sua disposição final (ROCHA, 2021). 2.6. Processo de descarte de cargas radioativas O manejo dos resíduos sólidos é fundamental para as áreas urbanas em termos ambientais e da saúde pública, em especial quando falamos sobre resíduos radioativos, sendo uma grande preocupação nesse sentido também da sustentabilidade urbana segundo Wanda M. Risso Günther (2014), professora na
Estudo sobre o processo de descarte e a Logística Reversa de Cargas Radioativas em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095743 ISSN 2965-9302 Amorim; Oliveira; Teixeira; Bizerra (2025) v. 2 | n. 6 | e26217 | Set-Out 2025 5 Universidade de São Paulo (USP) , menciona que tanto organizações públicas quanto privadas têm adotado medidas mais rígidas para minimizar os impactos no meio ambiente seja por regulamentações ou por uma conscientização crescente em relação ao meio ambiente. O Instituto Butantan foi um dos destaques com o seu Programa de Gerenciamento Integrado dos Resíduos Biológicos (PGIR), que padroniza o descarte e o tratamento adequado de diferentes tipos de resíduos, incluindo rejeitos radioativos, contribuindo para a sustentabilidade institucional. Como citado anteriormente, para a gestão de cargas radioativas são necessários processos rígidos para que não haja algum acidente com o material. Dentro disto, as normativas e diretrizes estabelecidas, envolvem procedimentos para segregar, acondicionar, identificar e transportar esses resíduos. O Instituto Butantan (2014), junto a sua Comissão de resíduos e o Departamento de Gestão Ambiental (DGA) descreve as seguintes etapas como de suma importância para reduzir os riscos de contaminação e preservar tanto o meio ambiente quanto a saúde pública, a seguir, serão detalhadas as etapas de descarte de materiais radioativos, as quais envolvem os processos de segregação, acondicionamento, identificação e descarte dos rejeitos. Segregação: Os resíduos radioativos precisam ser separados de outros materiais, de maneira que evite contaminações desnecessárias, a fim de reduzir o volume de resíduos gerados. Essa segregação deve ocorrer com base em três critérios principais: 1. O tipo de radiação emitida (alfa, beta ou gama); 2. O tempo de meia-vida do material radioativo (curta – inferior a 60 dias ou longa – superior a 60 dias); 3. O estado físico do material (sólido ou líquido). Acondicionamento: Alguns dos resíduos radioativos precisam de um tempo para decaimento e, por isso, devem ser armazenados separados de outros materiais radioativos. Após o término, devem ser descartados de acordo com sua natureza. Os recipientes utilizados no armazenamento temporário são feitos sob medida para as características dos materiais a serem descartados. Deve ser garantida uma vedação segura e uma identificação clara, para que não haja possibilidade de contaminação externa. Identificação: Todos os recipientes utilizados para a segregação, transporte e armazenamento de resíduos radioativos devem ser sinalizados com o símbolo internacional de radiação de uma forma bem clara. Para os recipientes de armazenamento, sinalizas específicos preenchidas com o DGA devem ser utilizados. Transporte Interno: Sempre que necessário existe o deslocamento de resíduos radioativos para o local de armazenamento temporário agente via e-mail ou telefone informando ao DGA. Armazenamento Temporário: Resíduos radioativos os quais emitem radiação beta, como ³H e 14C devem ser descartados no abrigo temporário no laboratório de farmacologia I, sendo necessário um formulário de preenchimento: quantidade, tipo de radiação, atividade residual, data do descarte e identificação do laboratório e responsável. Descarte: O descarte de resíduos líquidos na rede de esgoto deve respeitar os limites definidos pela norma CNEN-NE-6.05, sendo necessário calcular a licença da instalação radioativa. O descarte de resíduos sólidos no sistema de coleta de lixo urbano também deve seguir as normas, com a atividade específica limitada a 7,5 x 10⁴ Bq/kg (2mCi/kg), conforme a CNEN-NE-6.05. A Figura 3 apresenta os processos de segregação, acondicionamento, identificação e descarte de rejeitos radioativos, destacando as etapas essenciais para o correto manejo desses materiais, onde cada fase é representada de forma a ilustrar o fluxo adequado para garantir a segurança e o cumprimento das normativas vigentes.
Estudo sobre o processo de descarte e a Logística Reversa de Cargas Radioativas em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095743 ISSN 2965-9302 Amorim; Oliveira; Teixeira; Bizerra (2025) v. 2 | n. 6 | e26217 | Set-Out 2025 6 Figura 3 - Descarte de rejeitos radioativos Fonte: Adaptado de Butantan (2014). 2.7. Legislação e Normas Regulatórias para Cargas Radioativas O transporte de cargas radioativas no Brasil vem acompanhado de uma série de normas e leis que visam garantir a segurança e a redução de riscos no transporte e manuseio desses materiais, em conjunto com a lei, existem órgãos reguladores que definem os requisitos necessários para um transporte seguro de cargas perigosas, dentre eles temos a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), dentre alguns requisitos necessários para o transporte temos a rotulagem padronizada e a identificação obrigatória dos veículos que carregam esse tipo de carga (Fernandes et al 2020). Os materiais radioativos apresentados no artigo fazem parte da classe 7 da classificação da ANTT, existem outras classes e subclasses referentes a diferentes cargas, que são identificados por cores, símbolos e números padronizados que para que sejam de fácil identificação para os motoristas e autoridades competentes, todos os motoristas que têm autorização para transportar cargas perigosas devem ser obrigatoriamente treinados e certificados com o curso de Manuseio Operacional de Mercadorias Perigosas (MOPP), o curso deixa os motoristas capacitados para identificar cargas perigosas, além de adotar medidas de segurança em casos emergenciais. A fiscalização de cargas perigosas no Brasil é de responsabilidade de diversos órgãos reguladores como por exemplo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e também o Departamento Nacional
Estudo sobre o processo de descarte e a Logística Reversa de Cargas Radioativas em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095743 ISSN 2965-9302 Amorim; Oliveira; Teixeira; Bizerra (2025) v. 2 | n. 6 | e26217 | Set-Out 2025 7 de Infraestrutura de Transportes (DNIT), atuando de maneira rigorosa, para que os motoristas e veículos estejam conforme as normas e legislação, além também de certificar que os equipamentos de proteção individual (EPIs) e painéis de segurança apropriados (Fernandes et al, 2020). 2.8. Desafios e Riscos Cargas Radioativas apresentam desafios e riscos devido a sua natureza perigosa e seu potencial impacto que pode trazer ao meio ambiente e a saúde humana no momento em que existe o vazamento de sua radiação, o seu transporte e armazenamento destas cargas exigem medidas de segurança para evitar acidentes que possam liberar radiação, contaminando assim o solo, água e ar, Regulamentações e Normas são essenciais para garantir que as operações no transporte e armazenamento ocorram dentro dos padrões, protegendo tanto os trabalhadores quanto às comunidades próximas. Os riscos associados ao transporte de cargas radioativas incluem a possibilidade de vazamentos durante o percurso, resultando em exposição à radiação para os motoristas e para as pessoas próxima ao veículo, durante o transporte podemos ter acidentes de trânsito que pode causar rupturas no recipiente de contenção durante o transporte, causando danos ambientais e afetar a fauna e flora local, é crucial que os recipientes utilizados sejam projetados para suportar impactos e manter a integridade das cargas em qualquer circunstância, além também da necessidade de sinalização de que o mesmo está transportando uma carga radioativa, alertando sobre a existência de risco em potencial (Alves et al, 2023). O armazenamento desta cargas também é um desafio, materiais radioativos necessitam de instalações seguras, uma armazenagem que seja capaz de conter a radiação emitida por esses materiais e ao mesmo tempo, possuir um sistema que possa monitorar constantemente estes materiais para detectar qualquer anomalia, estes materiais também precisam ser monitorados por órgãos reguladores para manter a conformidade com as normas e minimizar qualquer impacto em caso de falha e vazamento da radiação (Alves et al, 2023). 2.9. Falhas no Descarte de Resíduos Radioativos: O Caso do Acidente com Césio-137 em Goiânia O descarte de resíduos radioativos é um procedimento extremamente delicado, o qual necessita que materiais perigosos sigam adequadamente cada etapa do processo. Contudo, há casos onde as falhas nos processos de descarte podem gerar acidentes de alto risco, como ocorreu em Goiânia, no ano de 1987. Este caso evidencia falhas significativas nas fases de segregação, acondicionamento, identificação, transporte interno, armazenamento temporário e descarte, culminando em enorme desastre radiológico. A primeira falha ocorreu no processo segregação do material, com uma antiga clínica de radioterapia, onde o equipamento contendo o Césio-137 foi descartado sem ser separado dos demais resíduos comuns, descumprindo a necessidade de separação de materiais radioativos com base na natureza da radiação. Como resultado, o dispositivo foi encontrado por catadores de sucata, que o desmontaram sem conhecimento dos riscos, resultando no acidente. Na etapa de acondicionamento, a cápsula radioativa também não recebeu a blindagem adequada para impedir a exposição direta à radiação. A falta de contenção segura facilitou o contato físico com o material e sua manipulação imprópria. O descumprimento das normativas de acondicionamento contribuiu para a dispersão da radiação, resultando em danos tanto para o ambiente quanto para a saúde da população local. Além deste, houve outro erro crítico na ausência de identificação adequada, visto que o aparelho não exibia o símbolo internacional de radiação, nem etiquetas de advertência, contrariando as exigências de que qualquer recipiente com rejeito radioativo deve ser claramente sinalizado para evitar manipulação indevida. Na fase de transporte interno, o equipamento foi movimentado sem o devido controle. A cápsula foi levada para diversos locais, como um ferro-velho e residências, expondo inúmeras pessoas à radiação.
Estudo sobre o processo de descarte e a Logística Reversa de Cargas Radioativas em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095743 ISSN 2965-9302 Amorim; Oliveira; Teixeira; Bizerra (2025) v. 2 | n. 6 | e26217 | Set-Out 2025 8 A falta de planejamento e agendamento para o transporte permitiu a circulação descontrolada do material radioativo por Goiânia. A ausência de armazenamento temporário seguro foi outro ponto falho. O equipamento foi abandonado em uma instalação desativada, fora de qualquer sistema formal de controle e monitoramento de resíduos radioativos. Portanto, o descarte nunca foi realizado conforme as normativas estabelecidas. Como o material permaneceu sem ser tratado ou controlado, ele se tornou uma fonte de radiação livre na comunidade, culminando na tragédia que contaminou mais de 250 pessoas e causando quatro mortes. Em Goiânia, os terrenos seguem isolados por conta do acidente, sendo proibido qualquer tipo de intervenção no local devido a contaminação radioativa, visto que as 19,26g de césio foi o suficiente para gerar mais de 6 mil toneladas de rejeitos contaminados, evidenciando o perigo do descarte indevido de materiais radioativos, gerando impactos sociais, econômicos e ambientais que permanecem até os dias atuais. 2.10. Alternativas sustentáveis para o descarte de materiais radioativos Segundo Moreira (2019), o transporte de material radioativo exige atenção especial devido às suas características específicas. Caso não seja realizado corretamente, o risco de reações em indesejadas, os quais podem ocorrer de danos provocados por altas temperaturas ou grandes impactos. Isso pode levar à dispersão do conteúdo, comprometendo a segurança do público e do meio ambiente em relação à radiação. Devido a essa natureza peculiar, o transporte de materiais radioativos exige não apenas meios de transporte e embalagens resistentes, mas também o cumprimento rigoroso de diversas exigências, com a segurança sendo um fator fundamental, diretamente relacionado à qualidade das embalagens. Moreira (2019) também afirma que existem distinções importantes entre a Logística Convencional e a Logística Reversa. Na logística tradicional, os produtos são puxados pela demanda do sistema, enquanto na Logística Reversa ocorre uma combinação entre empurrar e puxar os produtos ao longo da cadeia de suprimentos, influenciada, em muitos casos, por legislações que ampliam a responsabilidade do produtor. Além disso, os fluxos logísticos reversos podem ser tanto divergentes quanto convergentes, diferentemente dos fluxos convencionais que são exclusivamente divergentes. Outro aspecto destacado é que o processo produtivo na Logística Reversa vai além das unidades de produção, onde os fluxos de retorno seguem um diagrama pré-definido, transformando os produtos descartados em novos materiais, componentes ou produtos secundários. Por fim, ao contrário da logística convencional, a reversa enfrenta maior nível de incerteza, especialmente em relação à qualidade e à demanda, que são mais difíceis de controlar. Segundo Moro (2006), valores de radioatividade inferiores a 74 Bq/g (2 nCi/g) foram estabelecidos para isentar materiais radioativos do cumprimento das exigências previstas na Norma CNEN-NE.5.01, que inicialmente regulamenta o transporte desses materiais. Moro destaca que os limites de isenção, tanto para a eliminação de resíduos sólidos quanto para o transporte, estão passando por revisões em âmbito internacional. A tendência global aponta para uma redução significativa desses níveis de radioatividade. Além disso, a disposição de resíduos líquidos na rede de esgotos sanitários fundamenta-se na regra principal de que todo resíduo líquido deve ser prontamente solúvel ou de fácil dispersão em água. 3. Método A pesquisa apresentada é de natureza exploratória e qualitativa, focando na análise e compreensão do descarte e os procedimentos de logística reversa aplicado em cargas radioativas, foram utilizados como fonte artigos científicos, documentos técnicos emitidos por órgãos reguladores (CNEN e ANTT), além de normas nacionais e internacionais relacionados ao transporte e descarte de cargas radioativas. Foram analisados também estudos de caso como os do Instituto Butantan, para exemplos de práticas e procedimentos de gestão.
Estudo sobre o processo de descarte e a Logística Reversa de Cargas Radioativas em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095743 ISSN 2965-9302 Amorim; Oliveira; Teixeira; Bizerra (2025) v. 2 | n. 6 | e26217 | Set-Out 2025 9 As coletas dessas informações foram feitas através de uma revisão bibliográfica em bases de dados científicos, como por exemplo Google Scholar e SciELO, além de fontes especializadas em logística e gestão de resíduos perigosos. As informações obtidas foram analisadas de forma descritiva, buscando identificar os desafios, as regulamentações e as práticas de logística reversa associadas ao transporte e descarte de material radioativo. A pesquisa se restringe às informações coletadas nas fontes citadas acima e a normas vigentes até o momento de sua realização, não incluindo visitas técnicas. A validação das técnicas foi baseada na conformidade com a regulamentação brasileira e internacional, assegurando que as recomendações estejam de acordo com os padrões exigidos para transporte e descarte de resíduos radioativos. 4. Resultados e Discussões Neste estudo, foi analisado o processo de descarte de cargas radioativas no Brasil. Para mapear procedimentos realizados, tipos de resíduos gerados e soluções adaptadas. Os procedimentos garantem a realização de acordo com as regulamentações promulgadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear. O ciclo de descarte começa com a separação dos resíduos de acordo com o tipo de radiação e características físicas. A partir disso, são definidas metodologias de recolhimento que variam entre armazenamento temporário, para materiais com baixa meia-vida, repositórios subterrâneos que acolheriam resíduos mais perigosos, em regra geral, fontes encapsuladas que, na prática, são descritos não ocorrendo em escala definitiva, levando à criação de repositórios sobre a superfície. Como essas instalações não possuíam prazo para encerrar suas atividades, o país viu o acúmulo de resíduos nessas instalações elevar os níveis operacionais e custos para manter um monitoramento constante. Em síntese, os desafios enfrentados no gerenciamento dos resíduos radioativos no Brasil evidenciam a necessidade de um cumprimento rigoroso dos processos regulatórios. A criação de repositórios subterrâneos permanentes é essencial para evitar a sobrecarga de depósitos temporários e garantir a segurança a longo prazo. O aprimoramento da gestão dos resíduos líquidos, por meio de padrões mais eficientes para sua liberação, também se mostra indispensável. Com a adoção de soluções mais robustas e maior eficiência na implementação das políticas vigentes, será possível minimizar os riscos e assegurar a sustentabilidade na destinação final desses resíduos. 5. Considerações Finais O estudo evidencia a complexidade envolvida no descarte e na logística reversa das cargas radioativas enfatizando as rigorosas exigências necessárias para proteger a saúde pública e o meio ambiente. Apesar da existência de órgãos reguladores em atuação no Brasil como o caso da CNEN e a ANTT ainda existe certa dificuldade relacionada ao cumprimento das normas e processos regulatórios para estes materiais, possibilitando diversos acidentes devido seu alto grau de periculosidade. A pesquisa também apresenta o processo de descarte dos materiais radioativos, baseado pelo guia do Instituto Butantan, o qual demonstra que a implementação de métodos eficientes requer aprimoramentos contínuos nas operações, demonstrando que a gestão unificada e padronizada dos resíduos se mostra fundamental para mitigar os riscos envolvidos, junto a um processo altamente rigoroso para que não haja algum acidente com o material, considerando que o tipo de carga investigado representa um alto perigo para o meio ambiente, para a saúde pública além da segurança. Por fim, embora o Brasil tenha progredido em relação às normas regulatórias, é fundamental acompanhar as revisões a nível internacional e adotar medidas sustentáveis para o tratamento dos resíduos radioativos. Apenas por meio de uma gestão eficiente que integre esforços será possível reduzir os riscos envolvidos garantindo uma operação segura, conforme os melhores padrões mundiais em consonância com os interesses da sociedade.