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Eletrificação da frota de ônibus, tendências para uma nova sustentabilidade

Ciccone, Claudinei Souza; Silva, Fábio Barbosa da; Santos, Kallil Gomes dos; Borges, Rafael Muller; Silva, William Ferreira da

Abstract

O presente artigo tem por finalidade explorar a eletrificação da frota pública de ônibus municipais e sua cadeia de suprimentos. Para entender a complexidade do assunto, foram utilizadas diversas pesquisas em monografias e fontes confiáveis. Sendo assim, foi possível nortear os estudos e abordar com propriedade o tema proposto. As maiores recorrências observadas, foram as iniciativas de ações globais contra as mudanças climáticas por meio da implantação de um transporte público eficiente. Portanto o Brasil está adotando gradativamente a substituição de combustível fóssil por uma energia limpa e sustentável.

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Eletrificação da frota de ônibus, tendências para uma nova sustentabilidade em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095022 ISSN 2965-9302 Ciccone; Silva; Santos; Borges; Silva (2025) v. 2 | n. 6 | e26171 | Set-Out 2025 1 Eletrificação da frota de ônibus, tendências para uma nova sustentabilidade Electrification of the bus fleet, trends towards a new sustainability Electrificación de la flota de autobuses, tendencias hacia una nueva sostenibilidad Claudinei Souza Ciccone 1 [email protected] Fábio Barbosa da Silva1 [email protected] Kallil Gomes dos Santos1 [email protected] Rafael Muller Borges1 rafa[email protected].br William Ferreira da Silva1 [email protected] Palavras-chave: Políticas públicas. Sustentabilidade. Eletrificação. Cadeia de Suprimentos. Keywords: Public policies. Sustainability. Electrification. Supply Chain Palabras clave: Políticas públicas. Sostenibilidad. Electrificación. Cadena de suministro Apresentado em: 05 dezembro, 2024 Evento: 7º EnGeTec Local do evento: Fatec Zona Leste Avaliadores: Ligia Duarte Guerra Luiz Carlos Terra dos Santos Resumo: O presente artigo tem por finalidade explorar a eletrificação da frota pública de ônibus municipais e sua cadeia de suprimentos. Para entender a complexidade do assunto, foram utilizadas diversas pesquisas em monografias e fontes confiáveis. Sendo assim, foi possível nortear os estudos e abordar com propriedade o tema proposto. As maiores recorrências observadas, foram as iniciativas de ações globais contra as mudanças climáticas por meio da implantação de um transporte público eficiente. Portanto o Brasil está adotando gradativamente a substituição de combustível fóssil por uma energia limpa e sustentável. Abstract: The purpose of this article is to explore the electrification of the public municipal bus fleet and its supply chain. To understand the complexity of the subject, several research were used in monographs and reliable sources. Therefore, it was possible to guide the studies and properly address the proposed topic. The biggest recurrences observed were global action initiatives against climate change through the implementation of efficient public transport. Therefore, Brazil is gradually adopting the replacement of fossil fuels with clean and sustainable energy. Resumen: El propósito de este artículo es explorar la electrificación de la flota pública de autobuses municipales y su cadena de suministro. Para comprender la complejidad del tema, se utilizaron diversas investigaciones en monografías y fuentes confiables. Por lo tanto, fue posible orientar los estudios y abordar adecuadamente el tema propuesto. Las mayores recurrencias observadas fueron iniciativas de acción global contra el cambio climático a través de la implementación de transporte público eficiente. Por lo tanto, Brasil está adoptando gradualmente la sustitución de combustibles fósiles por energías limpias y sostenibles. 1 Fatec Zona Leste Eletrificação da frota de ônibus, tendências para uma nova sustentabilidade em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095022 ISSN 2965-9302 Ciccone; Silva; Santos; Borges; Silva (2025) v. 2 | n. 6 | e26171 | Set-Out 2025 2 1.Introdução A eletrificação da frota de ônibus municipais e as tendências dessa transição constitui o objetivo deste artigo. Explorar a cadeia de suprimentos desse tema e entender a complexidade da produção de uma frota ecologicamente correta pode proporcionar um olhar para o futuro da mobilidade urbana. De posse desse conhecimento será possível perceber se o município está alinhado com objetivos para uma sociedade melhor e mais justa, notadamente quanto aos objetivos do Protocolo de Kyoto, cuja meta principal é a estabilização da emissão de gases de efeito estufa na atmosfera; e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis – ODS, da Organização das Nações Unidas – ONU, notadamente os objetivos 3 – Saúde e Bem-estar, Objetivo 7 – Energia Limpa e Sustentável, Objetivo 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura, Objetivo 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, e Objetivo 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima. Atualmente sabe-se que a oferta de ônibus elétrico é insuficiente, tratando-se da preservação do meio ambiente e redução da poluição sonora. Haja vista que estão cada vez mais disponíveis no mercado. De acordo com Dullius et al (2017), os veículos movidos à eletricidade e biodiesel podem reduzir em até 90% a emissão de poluentes, na comparação com os ônibus que circulam atualmente”. Assim, uma frota urbana de ônibus movida à eletricidade tem sido um caminho adotado por várias cidades brasileiras. Cidades inteligentes promovem o bem-estar de seus munícipes investindo em transporte público de qualidade, por isso há uma nova tendência na produção. Ao compararmos a cadeia de suprimentos de ônibus movidos à combustão (diesel) com a movidos a eletricidade, percebe-se que o custo de fabricação é desfavorável ao ônibus elétrico no início da implementação e que, a longo prazo, esse custo passa a favorecer o ônibus elétrico, principalmente pelo baixo custo de abastecimento e manutenção. O quadro 1 mostra essa comparação. Quadro 1 – Comparação entre a Cadeia de Suprimentos Modelo Diesel Elétrico Compra R$ 800 mil a 1 milhão R$ 2,5 milhões a 3 milhões Manutenção mensal R$ R$ 100,000 a 300,000. Sendo que neste modelo, há vários componentes que precisam de uma verificação constante R$ 17,000 Fonte: (PMSP, 2024) Não obstante aos benefícios da eletrificação da frota, os municípios enfrentam dificuldade de implantação, que requer modificação de infraestrutura, troca onerosa dos ônibus que serão substituídos, descarte de baterias e adequação às novas tecnologias, entre outros desafios. Sendo assim, o presente estudo se propõe a entender esse contexto tanto do ponto de vista do município quanto da população, disponibilizando o resultado às partes interessadas. 2.Fundamentação Teórica De acordo com o site www.eletrabus.com.br, o primeiro ônibus elétrico foi fabricado em abril de 1882, na Alemanha por Werner von Siemens, da Cia. Siemens & Halske. Siemens, foi um engenheiro alemão responsável por diversas pesquisas e invenções, dentre elas o telégrafo submarino. No entanto, sua invenção parecia simples por ser apenas uma carruagem composta por duas hastes as quais conduziam a eletricidade até o motor de propulsão, sua invenção ficou conhecida como Elektromote. No ano de 1949, período pós-guerra, o Brasil adotou o sistema trólebus por meio da CMTC (Companhia municipal de transporte coletivo) -atual SPTrans, sendo o estado de São Paulo o pioneiro nesse tipo de transporte. Eletrificação da frota de ônibus, tendências para uma nova sustentabilidade em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095022 ISSN 2965-9302 Ciccone; Silva; Santos; Borges; Silva (2025) v. 2 | n. 6 | e26171 | Set-Out 2025 3 Portanto, ao abolir os antigos bondes, a companhia colocou à disposição dos munícipes os ônibus elétricos, permitindo maior rotatividade, energia limpa e disponibilidade para a população. Até o ano de 1999, a cidade de São Paulo permaneceu com a frota de trólebus, quando a Eletra (principal fábrica de ônibus elétrico do Brasil) desenvolveu o primeiro protótipo híbrido; que funcionava com dois motores, sendo um gerador movido a diesel, responsável pela propulsão quando em estado de inércia e outro para conduzir eletricidade para tracionar o trem de força. Havia nesse veículo um conjunto de baterias às quais permitiam que ambos os motores fossem independentes e funcionassem em harmonia. Nos anos 2000, apesar do pleno desenvolvimento desses modelos, a falta de manutenção da rede elétrica e corredores específicos para circulação, fizeram com que a prefeitura de São Paulo não investisse mais na eletrificação da frota. Mesmo com a implantação de ônibus 100% elétricos implantados durante esse processo, a falta de pontos de reabastecimento e pouca duração da carga não conseguiram viabilizar a operação (Transporte Mundial, 2024). De acordo com Lobo (2024), a operação deste meio de transporte declinou até ser totalmente desativada. Sob uma nova perspectiva para atender a essa demanda, no ano de 2020 a empresa BYD aperfeiçoou as baterias de fosfato de ferro-Lítio as quais permitiriam maior eficiência e desempenho por parte dos ônibus. Para promover a continuidade do projeto, o programa Mover (Mobilidade verde e inovação) do governo federal, está incentivando a compra e fabricação de novos modelos por meio do BNDES (Banco nacional de desenvolvimento social) e consolidando parcerias público privadas para a construção de novas fábricas. 2.1. Diferença entre a produção de um ônibus movido a diesel em relação a outro movido a energia elétrica contextualizando a cadeia de suprimentos. A produção de um ônibus a Diesel custa em torno de R$ 700 mil e um elétrico em torno de 2,5 milhões a 3 milhões, de acordo com a PMSP. Sendo que o ônibus elétrico, ganha na questão ambiental e no custo mensal, tendo como base em valores o ônibus elétrico custara R$ 5.000,00 por mês e um a diesel custará R$ 25 mil por mês. Tendo com base nas despesas, de um ônibus a diesel como por exemplo: Despesas com pessoal da manutenção, combustíveis, lubrificantes, rodagem, peças e acessórios, custos capital e de um modo geral custos operacionais. Sendo demonstrado o valor mensal de R$ 17.832,67 e um anual de R$ 213.992,05. Sendo que ao realizar, cada vez mais pesquisa sobre este assunto, todos os artigos e informações diz que a diferença entre as modalidades, do transporte público é extraordinária. Além do que as empresas de transporte público, vão receber uma subvenção entre 21% e 32% maior para cada ônibus elétrico em comparação com os veículos movidos a diesel. Tabela 1 - comparativa entre custo benefício Modelo do ônibus R$ Diesel R$ Elétrico Comparativo Midi R$ 496.672, 78 R$1.335.444,10 21% mais caro que o diesel Básico R$ 513.281,08 R$2.535,33 20% mais caro que o diesel Padron R$ 513.281,08 R$2.707.079 45% mais caro que o diesel Padron 15 mt R$ 878. 227,79 R$ 3.057.222,93 29% mais caro que o diesel Articulado 18 mt R$1.299.496,38 R$ 4.113. 767,82 32% mais caro que o diesel Articulado 21 mt R$1.335.444,10 R$ 4.170.365, 64 32% mais caro que o diesel Fonte: (PNCP,2024) Eletrificação da frota de ônibus, tendências para uma nova sustentabilidade em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095022 ISSN 2965-9302 Ciccone; Silva; Santos; Borges; Silva (2025) v. 2 | n. 6 | e26171 | Set-Out 2025 4 Um fator a ser considerado é que cada necessidade de transporte público há um tipo específico de ônibus a ser comprado pela prefeitura. Tamanhos e capacidade de passageiros são fatores importantes que fazem os preços variarem de modo significativo no momento de abertura de licitações públicas e ajustes nos orçamentos municipais. A tabela a seguir mostra esse comparativo. 2.2. Produção de uma frota ecologicamente correta para a sustentabilidade no transporte por ônibus As ações para a redução da poluição causada pelo sistema de transportes, independentemente do país onde ela ocorra, passa por diversas ações como a articulação do planejamento de uso e ocupação do solo e melhoria do sistema viário; a melhoria do sistema de transportes; a redução das emissões de veículos automotores; a melhoria dos sistemas de circulação e fiscalização do tráfego; a melhoria da qualidade dos combustíveis e alternativas energéticas de baixo potencial poluidor; o desenvolvimento de instrumentos econômicos e fiscais; educação e o desenvolvimento social. A tecnologia do material rodante, a organização do tráfego urbano, o ordenamento do uso do solo e a política de transportes são os fatores mais determinantes da qualidade do ar nas grandes cidades. O transporte coletivo, por exemplo, produz emissões muito menores do que os automóveis, quando essas são calculadas por passageiro/quilômetro. Além disso, o congestionamento ou a redução da velocidade média aumentam muito a emissão de cada veículo, especialmente as emissões de monóxido carbono, hidrocarbonetos e material particulado. A experiência tem demonstrado que não existem fórmulas para a solução desses problemas de grande complexidade, que variam em perfil e severidade, conforme o caso e a região. As soluções podem ser muito dispendiosas para a sociedade se as medidas não forem examinadas multidisciplinarmente. Por isso, recomenda-se a integração dos órgãos de planejamento da cidade, do trânsito, do meio ambiente, de saúde etc., que deve ser articulada nos níveis nacional, regional e municipal. A integração entre as instituições que organizam o fluxo de trânsito nas cidades deve ser encarada como o ponto de partida para qualquer planejamento que vise a otimização do sistema, encurtando distâncias, reduzindo o número de viagens, aumentando a velocidade média e, com isto, reduzindo o consumo de energia, a poluição ambiental e melhorando a qualidade de vida na cidade. A concretização dessas metas depende, essencialmente, da conscientização da população para exigir e optar pelo transporte coletivo. Nesse sentido, a Companha Ambiental do Estado de São Paulo - CETESB e a Secretaria do Meio Ambiente - SMA vêm desenvolvendo, em conjunto com instituições como a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), entre outras, um Projeto de Transporte Sustentável. As seguintes diretrizes de Transporte Sustentável são recomendadas pela Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos - ANTP – na qual a SMA e a CETESB são membros integrantes – para orientar as políticas públicas relacionadas com o sistema de transportes e o uso do solo, de modo a racionalizar os deslocamentos, ampliar a mobilidade urbana e reduzir os impactos sobre o meio ambiente e a qualidade de vida. 3. Objetivos de desenvolvimento sustentáveis para a eletrificação da frota Embora a substituição da frota movida por combustíveis fósseis pela movida a eletricidade seja uma realidade em vários países, inclusive no Brasil, esta está em processo de consolidação e requer o enfrentamento de alguns desafios. Segundo Mantovani (2023) o custo inicial da compra de um ônibus elétrico é elevado comparado ao movido a diesel. Um dos problemas é o peso das baterias que requer um reforço na estrutura, encarecendo o conjunto. Em contrapartida, os baixos custos de manutenção e a economia de combustível tornam o ônibus elétrico uma alternativa viável a longo prazo. Eletrificação da frota de ônibus, tendências para uma nova sustentabilidade em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095022 ISSN 2965-9302 Ciccone; Silva; Santos; Borges; Silva (2025) v. 2 | n. 6 | e26171 | Set-Out 2025 5 Mesmo assim, há a incerteza em relação à autonomia das baterias nesse contexto, ainda baixa dentro de uma metrópole como São Paulo, variando entre 180 Km e 250 Km. Essa performance requer paradas para recarga, o que pode gerar problemas para manter o nível de serviço. Outro desafio é a vida útil das baterias, hoje estimado em 8 anos. Vale lembrar que vários países, principalmente a China estão avançando em tecnologia e, paulatinamente, têm conseguido avanços nesse contexto. A eletrificação da frota de transporte público é um elemento fundamental para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em particular no que tange à promoção de cidades sustentáveis e à mitigação das mudanças climáticas. A adoção de ônibus elétricos, em um contexto brasileiro de recuperação econômica de baixo carbono, destaca-se como uma solução eficaz para reduzir as emissões de poluentes e melhorar a qualidade do ar nas áreas urbanas. De acordo com Lima et al. (2019), “a mobilidade elétrica representa uma alternativa viável para a modernização do transporte público, especialmente em contextos urbanos onde a poluição do ar é uma preocupação crescente” (p. 2º). Este cenário está alinhado com o ODS 11, que visa tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. A transição para uma frota elétrica pode reduzir significativamente a dependência de combustíveis fósseis, contribuindo assim para o ODS 13, que se concentra na ação contra a mudança global do clima. Bermúdez Rodríguez et al. (2022) ressaltam que “a oferta de ônibus elétricos no Brasil pode ser um catalisador para uma transição mais sustentável no setor de transportes, especialmente em um cenário que prioriza a economia de baixo carbono” (p. 11). Essa transição está em linha com o ODS 11, que busca tornar as cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Adicionalmente, a eletrificação da frota também se relaciona com o ODS 9, que visa promover a inovação e a infraestrutura. Segundo Gramkow e Oliveira (2023), “impulsionar investimentos em ônibus elétricos no Brasil requer uma agenda de trabalho que integre políticas públicas, incentivos fiscais e parcerias entre setores” (p. 20). Essas iniciativas não apenas promovem a modernização do transporte público, mas também estimulam o desenvolvimento tecnológico e a geração de empregos. A eficiência dos sistemas de carregamento de ônibus elétricos também é uma questão crucial para essa transição. Damas et al. (2024) discutem que “um modelo eficiente de carregamento, conectado à rede de distribuição, é essencial para garantir a viabilidade operacional e econômica dos ônibus elétricos” (p. 5). Isso destaca a necessidade de investimentos em infraestrutura de energia, alinhandose ao ODS 7, que visa garantir o acesso à energia confiável, sustentável e moderna para todos. Portanto, a eletrificação da frota de transporte público não é apenas uma inovação tecnológica, mas um imperativo social e ambiental que contribui para o cumprimento dos ODS. As políticas públicas e os investimentos direcionados a essa transição são essenciais para promover um futuro mais sustentável e inclusivo, beneficiando a sociedade como um todo. 4. Tendências para a eletrificação da frota de ônibus A eletrificação da frota pública de ônibus representa um grande potencial para o governo em redução de custos e responsabilidade ambiental em uma era onde a administração pública é mais e mais cobrada quanto as ações mitigadoras das mudanças climáticas em relação a melhoria da saúde pública já que veículos elétricos não são emissores de dióxido de carbono e outros poluentes que veículos a diesel produzem. O que aguarda o Brasil no setor de eletrificação das frotas públicas de ônibus ainda é uma questão amplamente debatida devido a seu interesse geral e suas consequências na vida diária de milhares de pessoas. Embora o Brasil caminhe a passos esperançosos para uma descarbonização da frota elétrica de ônibus, ainda perde em quantidade para o México com 694 ônibus elétricos e para o Chile com 2659 segundo dados da E-BUS RADAR, uma plataforma monitora do avanço da expansão da eletrificação da frota pública na América Latina. Comparada a maioria dos países latino-americanos, o Brasil se destaca como Eletrificação da frota de ônibus, tendências para uma nova sustentabilidade em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095022 ISSN 2965-9302 Ciccone; Silva; Santos; Borges; Silva (2025) v. 2 | n. 6 | e26171 | Set-Out 2025 6 um dos maiores usuários da nova tendencia de transporte público, porém ainda corre o risco de ser deixado para trás por seus vizinhos devido à falta de políticas públicas e de mobilização pró-ônibus elétricos, o que seria uma perda a curto, médio e longo prazo com mais poluentes sendo emitidos, a insistência em modelos mais antigos de geração de energia e impediria o país de obter mais experiencia na construção de veículos elétricos. Um bom exemplo de iniciativa para a eletrificação da frota de ônibus vem da empresa brasileira Marcopolo que recentemente produziu o primeiro ônibus elétrico 100% nacional, o Attivi Integral, que conta com capacidade de transporte de 90 passageiros entre sentados e a pé e tempo de recarga de até 4 horas. Esse acontecimento representa uma grande oportunidade para a descarbonização no transporte urbano com a produção de veículos públicos elétricos nacionalmente, impulsionando a economia brasileira e empregando parte da mão de obra altamente qualificada, resultando em uma série de vantagens tanto ambientais como econômicas. A eletrificação da frota pública de ônibus não está sendo realizada exclusivamente pela Marcopolo, mas também pela BYD, Ankai Brasil, Eletra e Volvo, conforme o Plano de Mobilidade Limpa em Belo Horizonte onde essas empresas possuem ônibus elétricos transitando pela capital mineira desde setembro de 2023 como parte do novo PAC (Projeto de Aceleração de Crescimento) com a disponibilização de R$317 milhões de reais para compra de por volta de 100 ônibus elétricos para a frota pública de Belo Horizonte. Um grande facilitador de todas essas tendencias é que em geral o brasileiro nas grandes cidades mora longe do trabalho, como apontou a pesquisa Viver em São Paulo: Mobilidade, na qual em 2024, a pesquisa revelou que 39% das pessoas entrevistadas demoravam até 1 hora para chegar ao trabalho,, 22% de meia hora levavam de trinta minutos a 1 hora e 21% leva entre 1 hora e 1 hora e meia para comutarem até seus locais de trabalho com o modal de maior uso sendo os ônibus municipais com 38% de uso, o que demonstra o cotidiano do cidadão paulistano em um grande uso de ônibus, levando a grandes oportunidades para empresas e montadoras dos mesmos já que já existe um grande mercado e uma demanda incessante para seus mais novos produtos, nesse caso, os ônibus elétricos. Sendo assim, as tendências para a eletrificação da frota pública de ônibus está se tornando uma realidade presente nas grandes metrópoles e percebida como um benefício por seus usuários devido ao alto valor agregado. 5. Método Os métodos científicos podem contribuir com conhecimento e nortear as pesquisas em prol da sociedade. Portanto, de acordo com Piovesan (1995), “a aprendizagem melhor se realiza quando parte do conhecido”. Ao pesquisar em diversas fontes confiáveis de artigos e revistas eletrônicas, notou-se que uma grande parcela da sociedade demonstra preocupação em relação ao meio ambiente, isso denota uma mudança expressiva de comportamento. No entanto, se faz necessário observar esse fenômeno para argumentar a possibilidade de explicá-lo e trazer à tona uma resposta plausível. Nesse contexto, o presente artigo abordou o método de pesquisa exploratória, o qual seus autores apropriando-se do conhecimento, integraram-se da importância de uma energia limpa e sustentável a qual está sendo aplicada para prestar um serviço de transporte público feito por ônibus com excelência e qualidade. Em decorrência desse processo, uma breve amostra descrita na introdução desse artigo deixa explicito que os comparativos mensuram o alto custo para produção e implementação do modelo elétrico. Eletrificação da frota de ônibus, tendências para uma nova sustentabilidade em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095022 ISSN 2965-9302 Ciccone; Silva; Santos; Borges; Silva (2025) v. 2 | n. 6 | e26171 | Set-Out 2025 7 Porém, determinados fenômenos não devem ser analisados isoladamente ao serem comparados, pois a ciência em seu método dialético busca sempre novas soluções em relação às novas contradições. De acordo com Fernandes (2000), “ o modo de produção do homem muda ao correr dos séculos e seu tipo de trabalho vai se modificando e, como ele, a sua visão do mundo e o mundo propriamente dito” (p.124). Sendo assim, o objetivo proposto para o grupo foi alcançado com êxito, pois trata-se de um tema inovador que abrirá precedentes para novas pesquisas. 6. Resultados e Discussões O grande desafio com a implantação de frota de ônibus elétrico na cidade de São Paulo é garantir uma melhoria na emissão de poluentes diminuindo a longo prazo a frota de veículos a combustão para veículos elétricos. Para que esse projeto tenha sucesso e garantia os esforços não podem ser em vão, por isso leis e políticas públicas são elaboradas gradativamente em prol do benefício coletivo. Um exemplo de lei criada no município de são Paulo é a lei 16802/18 lei de política de mudança de clima, foi aprovada pela câmara municipal de São Paulo instituindo a mudança de clima do município com foco na questão da poluição ambiental, emanada dos ônibus urbanos a diesel. Conforme o artigo 50 parágrafo sexto: As escolhas das alternativas de combustíveis e tecnologia serão realizadas no âmbito do programa de acompanhamento da substituição de frota por alternativa mais limpa, instituindo pela presente lei no momento de sua promulgação, a qualquer tempo, desde que observado o equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos formados pela administração pública (SÃO PAULO, 2018.p 2) Conforme Sergio Tadeu (2023) “As metas intermediárias e finais de redução de emissões estabelecidas nesta lei serão fixas e inadiáveis, entretanto, havendo conjuntura favorável, poderão ser ajustadas para patamares mais rigorosos, em termos de quantidade de emissões reduzidas e prazos, mediante avaliações objetivas e transparentes a serem realizadas a cada 5 (cinco) anos, por um Comitê Gestor do Programa de Acompanhamento de Substituição de Frota por Alternativas Mais Limpas. Os lotes de veículos substitutos de cada operadora devem ser compostos, obrigatoriamente, por unidades novas, dotadas de propulsores e/ou combustíveis de menor impacto poluidor do que os veículos convencionais substituídos, de modo a garantir reduções na emissão de poluentes; VIII - As empresas operadoras de transporte coletivo e coleta de lixo deverão apresentar, até 31 (trinta e um) de março de cada ano de exercício, um relatório anual de emissões da frota sob sua responsabilidade, relativo ao ano anterior, detalhando as quantidades de quilômetros rodados por cada veículo cadastrado no sistema, consumos de combustíveis, o total anual das emissões de cada poluente e gases do efeito estufa, bem como apresentar as medidas de controle já existentes e a serem implantadas, no sentido da redução adicional do consumo de combustível e das emissões” Conforme Sergio Tadeu (2023) “A figura 1 aponta com mais detalhes as metas de redução de emissões estabelecidas na Lei 16.802/18, ao longo dos próximos 20 anos, e exemplifica as reduções esperadas segundo uma estratégia de aquisição de ônibus compatível com os requisitos da emenda à Lei do Clima, com destaque as expectativas do advento da tecnologia Euro VI, com equivalência ao P-8 no Brasil, ainda não implantada. Nota-se uma mudança significativa ao longo dos anos, sobretudo para a questão do CO2, que colabora para a produção do GEE, que ao final de 20 anos deverá estar 100% eliminado, em face do aquecimento global que tende a aumentar a temperatura do planeta e gerar consequências graves, decorrentes desse aquecimento. Nessa questão dos avanços tecnológicos, atualmente o destaque para o Brasil, ainda se encontra com predominância ao Euro III, sendo o nosso P-5.” Eletrificação da frota de ônibus, tendências para uma nova sustentabilidade em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095022 ISSN 2965-9302 Ciccone; Silva; Santos; Borges; Silva (2025) v. 2 | n. 6 | e26171 | Set-Out 2025 8 Figura 1-Meta de redução de CO2 Fonte: (Dallmann,2019). Figura 2Mudanças projetadas na composição da frota x Emissões (MP, Nox e CO2) Município de São Paulo-Lei 16.802/18 Fonte: (Dallmann,2019). Eletrificação da frota de ônibus, tendências para uma nova sustentabilidade em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17095022 ISSN 2965-9302 Ciccone; Silva; Santos; Borges; Silva (2025) v. 2 | n. 6 | e26171 | Set-Out 2025 9 Conforme Sergio Tadeu (2023) “Contudo ressaltam-se, na figura 2, a citação às normas europeias de emissão, que definem os limites aceitáveis para as emissões de escape de veículos novos vendidos nos estados membros da UE e da EEE e ainda a previsão de mudança da frota dos ônibus do município de São Paulo, adotando as tecnologias menos poluentes ao longo dos 10 anos, com destaque na tecnologia elétrico a bateria, que prevê cerca de 6000 veículos até o ano de 2028. A questão da redução significativa, Emissões x Ano, da poluição ambiental, no uso da tecnologia Elétrica a bateria, encontra-se bem acentuada, sobretudo quanto aos poluentes: MP e NOx, que provocam enormes distúrbios à saúde pública. No caso do CO2, importante na questão da produção do GEE, a redução está bem aquém do desejável.” 7.Considerações Finais Ao explorar as tendências para eletrificação da frota pública de ônibus, o grupo notou que o avanço em busca de novas tecnologias e a participação de novas empresas abriram o mercado produtivo e trouxeram para o Brasil uma possibilidade imensurável para criar campos de pesquisa. Com isso, os autores também perceberam que haverá a necessidade de qualificar novos profissionais, engajados e que se preocupem com a sustentabilidade do planeta. Quando se pensa em sustentabilidade, imaginamos qual mundo deixaremos para as gerações futuras, e isso é o que realmente importa para que haja qualidade de vida, respeito ao meio ambiente e propósito para desenvolver um ônibus elétrico. Com a análise feita a partir de dados e pesquisas, pode-se considerar que o futuro da eletrificação da frota de ônibus público possui fortes tendencias a expansão devido ao interesse econômico e ambiental por parte das montadoras nacionais e estrangeiras, assim como os governos Federal e Estadual. Ao explorar a implantação desses modelos como meio de descarbonização, pode-se observar que para diminuir a emissão de poluentes deve-se implantar às grandes cidades esse tipo de tecnologia que representará custo-benefício a longo prazo, tendo em vista que as regiões urbanas que mais receberam a nova frota foram: São Paulo e Belo Horizonte. Atualmente essas cidades contam com milhares de usuários, portanto, os ônibus elétricos terão maior adesão durante a operação. Um dos desafios a serem superados com a renovação da frota de ônibus na cidade de São Paulo será implantar e manter uma infraestrutura adequada para o carregamento das baterias, isso requer grandes investimentos públicos com incentivos na redução de impostos para manutenção e operação da infraestrutura. Outra questão é o tamanho dos ônibus que são menores que os movidos a combustão devido as baterias ocuparem muito espaço, deixando-os menores e com pouca disponibilidade de acentos. A durabilidade das baterias e a manutenção a curto prazo geram grandes despesas, porém a longo prazo os custos serão reduzidos conforme melhorias feitas na infraestrutura. Eletrificar a frota de ônibus é uma ótima solução para diminuir os níveis de poluição, isso é um projeto a longo prazo e os resultados serão vistos pela população havendo engajamento no projeto por parte do governo. Pelo fato, muitas nações estão preocupadas com o aquecimento global devido aos altos níveis de monóxido de carbono(Co2) que representam um risco eminente a saúde, para amenizar esse problema nas grandes metrópoles o Brasil participa ativamente de alguns acordos e está empenhado em relação ao tema. Sendo assim, o presente artigo mostra de uma forma didática os prós e contras da utilização, implementação e implantação de uma frota com “emissão zero” de poluentes. Espera-se que essa contribuição enriqueça o tema e ajude novos estudiosos a darem continuidade à novas pesquisas.