Os impactos da extinção da escala 6x1 no clima e na motivação organizacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17094862 ISSN 2965-9302 Silva; Mariano; Teixeira; Dourado (2025) v. 2 | n. 6 | e26087 | Set-Out 2025 1 Os impactos da extinção da escala 6x1 no clima e na motivação organizacional The Impacts of the Extinction of the 6x1 Work Schedule on Organizational Climate and Motivation Los Impactos de la Extinción del Horario 6x1 en el Clima y la Motivación Organizacional Bruna Paz da Silva 1 [email protected].br Samuel dos Santos Mariano
[email protected] Yona Ramos Teixeira
[email protected] Janaína Rute da Silva Dourado janaina[email protected].br Palavras-chave: Escala. Clima. Motivação. Qualidade. Keywords: Schedule. Climate. Motivation. Quality. Palabras clave: Esquema. Clima. Motivación. Calidad. Apresentado em: 05 dezembro, 2024 Evento: 7º EnGeTec Local do evento: Fatec Zona Leste Avaliadores: José Abel de Andrade Baptista Valéria Rufino Maiellaro Resumo: O artigo tem por objetivo esclarecer quais impactos a extinção da escala de trabalho 6x1 pode ter sobre o clima e a motivação organizacional. A metodologia empregada estipula a combinação de pesquisas teóricas com um questionário quantitativo semi-estruturado, que foi aplicado a 103 pessoas, buscando compreender não somente os possíveis efeitos das mudanças nas escalas de trabalho, mas também detectar as características demográficas dos participantes. A discussão aponta que a maioria dos brasileiros entrevistados atua ou já atuou sob a escala 6x1. Além disso, foi possível detectar o impacto desta escala no clima organizacional e avaliar as mudanças que podem ocorrer com sua extinção. Os resultados sugerem que os trabalhadores validam e expõem apoio à alteração da escala 6x1 como uma alternativa para o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e melhora da qualidade de vida. Entretanto, fica evidente que as organizações ainda não estão preparadas para lidar com a extinção deste tipo de escala, evidenciando a necessidade de implementar esta realização de maneira sustentável e estruturada. Abstract: The article aims to clarify the potential impacts that the extinction of the 6x1 work schedule may have on organizational climate and motivation. The employed methodology involves a combination of theoretical research and a semi-structured quantitative questionnaire, applied to 103 people, seeking to understand not only the possible effects of changes in work schedules but also to identify the demographic characteristics of the participants. The discussion indicates that most of the Brazilian workers interviewed currently work or have worked under the 6x1 schedule. Additionally, it was possible to detect the impact of this schedule on organizational climate and assess the changes that may arise from its extinction. The results suggest that workers endorse and express support for changing the 6x1 schedule as an alternative to balancing personal and professional life and improving quality of life. However, it is evident that organizations are not yet prepared to manage the extinction of this type of schedule, highlighting the need to implement this change in a sustainable and structured way. Resumen: El artículo tiene como objetivo aclarar los posibles impactos que la extinción del esquema de trabajo 6x1 puede tener en el clima y la motivación organizacional. La metodología empleada combina investigaciones teóricas con un cuestionario cuantitativo semi-estructurado, aplicado a 103 personas, buscando comprender no solo los efectos potenciales de los cambios en los esquemas de trabajo, sino también identificar las características demográficas de los participantes. La discusión señala que la mayoría de los trabajadores brasileños entrevistados trabaja o ha trabajado bajo el esquema 6x1. Además, fue posible identificar el impacto de este esquema en el clima organizacional y evaluar los cambios que podrían surgir con su extinción. Los resultados sugieren que los trabajadores validan y apoyan la modificación del esquema 6x1 como una alternativa para equilibrar la vida personal y profesional, mejorando así su calidad de vida. Sin embargo, es evidente que las organizaciones aún no están preparadas para gestionar la extinción de este tipo de esquema, lo que resalta la necesidad de implementar este cambio de manera sostenible y estructurada. 1 Fatec Zona Leste
Os impactos da extinção da escala 6x1 no clima e na motivação organizacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17094862 ISSN 2965-9302 Silva; Mariano; Teixeira; Dourado (2025) v. 2 | n. 6 | e26087 | Set-Out 2025 2 1. Introdução A escala de trabalho 6x1 é um regime de jornada no qual o colaborador cumpre seis dias consecutivos de trabalho e tem direito a um dia de descanso, sendo adotada em setores como comércio, indústria e serviços essenciais, que exigem operações incessantes (como hospitais e farmácias, por exemplo). Esse formato vem sendo utilizado como forma de atender à demanda de produtividade e continuidade nos negócios, principalmente em empresas que precisam manter sua força de trabalho ativa em boa parte do tempo. No entanto, este modelo de trabalho apresenta desafios que afetam tanto o bemestar dos colaboradores quanto a eficiência organizacional. A jornada de trabalho 6x1 tem impactos significativos na rotina dos colaboradores, afetando não apenas sua saúde física e mental, mas também sua motivação e engajamento no ambiente organizacional. Com apenas um dia de descanso semanal, muitos trabalhadores enfrentam dificuldades para equilibrar as responsabilidades profissionais com o tempo necessário para recuperação física, atividades pessoais e interação social. Esse cenário pode causar um efeito negativo sobre a produtividade, levando ao aumento do índice de rotatividade e ao risco de esgotamento profissional, problemas que, no fim, comprometem tanto o desempenho do indivíduo quanto o resultado da organização. A relevância desse tema está na crescente busca das empresas por políticas de trabalho que tenham como prioridade o bem-estar e a qualidade de vida dos colaboradores. Ao entender os impactos da escala 6x1, torna-se possível avaliar alternativas e buscar estratégias de gestão que promovam um ambiente de trabalho mais saudável e motivador. Assim, este artigo tem como objetivo analisar a escala 6x1, explorando seus impactos na motivação e saúde dos trabalhadores com base nas teorias de Maslow e Herzberg, ofertando uma base para o desenvolvimento de políticas organizacionais que busquem reduzir os desafios associados a esse tipo de jornada. 2. Fundamentação Teórica 2.1. Definição de Trabalho e Jornada de Trabalho Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho e normas correlatas (Decreto-Lei 5.452, p. 18, Art. 3º), pode-se definir o trabalhador como "toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”. Desta forma, o trabalho pode ser considerado um conjunto de serviços e atividades prestadas para atingir determinado fim, seja ele de realização intelectual ou econômica. Já a jornada de trabalho pode ser considerada como o tempo em que o empregado está à disposição do empregador para realização dos serviços para que foi contratado, essa jornada deve estar descrita no contrato de trabalho e pode utilizar-se das escalas de trabalho previstas na CLT ou acordadas em sindicatos da categoria. 2.2. Escalas de Trabalho As mudanças na jornada de trabalho não são novidade para aqueles que são considerados ocupados brasileiros. Desde sua criação em 1943, a Consolidação das Leis do Trabalho já foi alvo de diversas propostas e sofreu inúmeros ajustes. Como uma das principais mudanças motivadas pela definição da Constituição Federal de 1988, temos a implantação oficial da jornada de trabalho que anteriormente era de 48 horas para 44 horas semanais somadas. A CLT determina que o horário normal de trabalho, em geral, é de 8 horas máximas por dia, salvo casos em que uma regra específica determine outro limite. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA, neste cenário é possível considerar que “Por ter sido um ato legislativo generalizado para o país como um todo, o horário médio de trabalho foi acompanhado para praticamente todas as
Os impactos da extinção da escala 6x1 no clima e na motivação organizacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17094862 ISSN 2965-9302 Silva; Mariano; Teixeira; Dourado (2025) v. 2 | n. 6 | e26087 | Set-Out 2025 3 ocupações, indiferentemente de ser formal ou informal, (...), empresa moderna ou atrasada”(IPEA, 2009, p. 11). A partir disso, é possível definir uma escala de trabalho que considere as necessidades pessoais e profissionais dos colaboradores e o bom funcionamento das organizações. Sendo assim, podemos citar alguns tipos de escala de trabalho existentes no Brasil, tais como: • Escala 5x2: Composta por 5 (cinco) dias trabalhados e 2 (dois) dias de folga, essa escala é normalmente utilizada por organizações que operam em horário comercial. As horas semanais podem ser distribuídas, desde que não ultrapassem as 8 horas máximas diárias (Art. 58, CLT) • Escala 12x36: A escala 12x36 é ordenada de maneira em que o empregado cumpre 12 (doze) horas de trabalho e tem direita a 36 (trinta e seis) horas de descanso seguidas, essa escala deve ser acordada em convenção coletiva ou por acordo, nela o excesso de horas de um dia trabalhado é compensado pela correspondente diminuição de outro dia de jornada. (CLT; Art. 59, § 2o) • Escala 6x1: A escala 6x1 é definida por 6 (seis) dias trabalhados e 1 (um) dia de folga, sendo que, salvo casos de necessidade, deverá coincidir com o domingo. (CLT; Art. 67) • Turno Ininterrupto de Revezamento: É utilizado em caso de escalas que necessitam cobrir 24 horas de funcionamento, neste caso são estipuladas jornadas de trabalho em turnos revezados que não ultrapassam 6 (seis) horas, salvo em caso de acordos. (Constituição Federal, Cap. 2º, Art. 7º, XIV) 2.3. Clima Organizacional: Influências e Métodos de Avaliação O clima organizacional é o principal fator que influencia diretamente a satisfação, a motivação e o desempenho dos colaboradores (GIL, 2010). Muitos fatores influenciam o estilo organizacional, como liderança, comunicação e relacionamentos interpessoais (ROBBINS; JUDGE, 2017). 2.4. Fatores que Influenciam a Natureza da Organização Um dos principais fatores que influenciam a natureza da organização é a estratégia organizacional. "Os líderes se tornam grandes não porque têm poder, mas porque sabem servir" (Maxwell, 2010). Líderes que promovem um ambiente de honestidade e transparência mantêm uma atitude positiva. Segundo Chiavenato (2004), “a forma como os líderes comunicam com as suas equipes e a forma como se relacionam com elas influencia a forma como os colaboradores veem a organização” (p. 89). Um líder comprometido com o desenvolvimento dos funcionários cria um clima melhor. A comunicação eficaz não apenas incentiva a troca de informações, mas também fortalece o relacionamento entre os membros da equipe. Segundo Robbins e Judge (2017), “a comunicação aberta e honesta é um dos pilares do bom estilo de gestão” (p. 150). A falta de comunicação pode gerar malentendidos e desconfiança, o que pode levar a atitudes negativas. Finalmente, os relacionamentos também são importantes. Um ambiente que incentiva o trabalho em equipe e o respeito mútuo cria um clima organizacional saudável. Schein (2010) observou que “as interações sociais nas organizações criam cultura e clima, que influenciam diretamente a motivação e o desempenho dos funcionários” (p. 102). 2.5. Ferramentas e Métodos de Avaliação Existem ferramentas que podem ser usadas para avaliar a estrutura da organização. A pesquisa de clima organizacional, é uma ferramenta que coleta Feedback dos colaboradores sobre diversos aspectos do ambiente de trabalho. De acordo com Zohar e Luria (2005), “os estudos climáticos permitem que as organizações identifiquem áreas para melhoria e desenvolvam intervenções direcionadas” (p. 30).
Os impactos da extinção da escala 6x1 no clima e na motivação organizacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17094862 ISSN 2965-9302 Silva; Mariano; Teixeira; Dourado (2025) v. 2 | n. 6 | e26087 | Set-Out 2025 4 Outros métodos incluem grupos focais e entrevistas individuais para verificar melhor as perspectivas dos funcionários. Esta abordagem qualitativa ajuda com as informações quantitativas obtidas na pesquisa. 2.6. A Influência da escala de Trabalho no Clima Organizacional Os horários de trabalho têm grande influência no clima organizacional as escalas que apoiam a flexibilidade e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional aumentam a satisfação e a motivação dos funcionários. Segundo Greenhaus e Allen (2011), “o equilíbrio trabalho/ família está diretamente relacionado ao bem-estar e à lealdade dos funcionários” (p. 68). Por outro lado, escalas inflexíveis e com carga horária prolongada geram estresse e insatisfação, o que pode afetar negativamente a forma como a organização está pré-estabelecida. Kahn et al. (2008) afirmam que “as más condições de trabalho estão associadas a um mau ambiente de gestão e, como tal, resultam em elevada rotatividade de funcionários e baixa produtividade” (p. 123). 2.7. Impactos Potenciais da Extinção da Escala 6x1 na Motivação A extinção da escala 6x1 pode ocasionar uma transformação relevante na vida dos colaboradores, em sua maioria, positiva ao que se refere à motivação, saúde mental, e satisfação pessoal (Loureiro, et al,. (2008). Entretanto, é necessário um planejamento adequado para lidar com os desafios operacionais dentro do ambiente organizacional e, também, para garantir que os colaboradores não sintam impactos negativos na remuneração ou na produtividade (Herzberg, (1975). 2.8. Avaliação das condições de trabalho e sua influência sobre a motivação Seguindo a Teoria das Necessidades de Maslow, existe uma hierarquia de necessidades humanas, que se organizam em níveis: fisiológicas, segurança, sociais, estima e autorrealização (de Oliveira, Barbosa, Hegedus, (2017). A escala 6x1 pode afetar diretamente a satisfação dessas necessidades. A necessidade de segurança, por exemplo, pode ser impactada pela possibilidade de desgaste físico e psicológico, enquanto a necessidade social pode ser prejudicada pela menor frequência de interação com colegas (Gouveia, (2003). As necessidades de estima e autorrealização podem ser influenciadas pela percepção de reconhecimento e oportunidades de crescimento profissional. 2.9. Exemplos práticos de mudanças na escala de trabalho e seus efeitos na motivação. Quando há a flexibilização da jornada de trabalho, como na redução de 40 para 35 horas semanais, os colaboradores ganham mais tempo para atividades pessoais, o que melhora seu bem-estar geral. Esse equilíbrio entre trabalho e vida pessoal aumenta a motivação, levando a um aproveitamento mais eficiente do tempo no ambiente de trabalho e, também, a produtividade pode crescer, pois trabalhadores mais descansados tendem a ser mais focados e criativos, resultando em um maior número de resultados alcançados (Abdeen, 2002). 2.10. Possíveis impactos na motivação dos colaboradores decorrentes da mudança de escala de trabalho. O foco em dias de trabalho seguidos pode gerar cansaço físico e mental, impactando a saúde e o bemestar, além de dificultar a conciliação com a vida pessoal e familiar. No entanto, parte dos benefícios na redução da jornada de trabalho, incluem a possibilidade de ter um dia livre a cada semana, oferecendo maior flexibilidade e tempo livre para atividades pessoais (Carneiro, Ferreira, (2007). Os impactos sobre a vida profissional e familiar podem variar conforme o gênero, ocupação (cargos técnicos ou gerenciais) e a margem de manobra para lidar com a intensificação do trabalho. Em organizações onde foram feitos ajustes mais flexíveis, colaboradores em cargos gerenciais, com maior
Os impactos da extinção da escala 6x1 no clima e na motivação organizacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17094862 ISSN 2965-9302 Silva; Mariano; Teixeira; Dourado (2025) v. 2 | n. 6 | e26087 | Set-Out 2025 5 autonomia, por exemplo, relataram uma melhor adaptação e impacto positivo sobre o equilíbrio trabalho-vida pessoal (Carneiro, Ferreira, (2007). Além da melhora na qualidade de vida dos colaboradores, a redução na jornada de trabalho pode originar novas oportunidades e, com isso, diminuir a taxa de desemprego (da Silva Calvete, (2006). 3. Método A pesquisa se baseou em uma abordagem metodológica que combinou fontes teóricas e dados para explorar os impactos da extinção da escala 6x1. Para embasar teoricamente, foram utilizados artigos acadêmicos, livros especializados e publicações de revistas relevantes, como os trabalhos de Creswell (2010) sobre métodos de pesquisa, além de autores como Twenge e Campbell (2008), Almeida (2018), Carneiro e Ferreira (2008), Klein (2014), Tobias e Kawamoto Júnior (2015) e Serrano (2024). No levantamento de dados, optou-se por um questionário quantitativo, aplicado a 103 respondentes e durante a análise dos resultados, todos os dados foram tratados por quantidade de respostas ao invés de porcentagem. A pesquisa buscou não apenas medir os impactos da mudança na escala de trabalho, mas também identificar o perfil demográfico dos participantes. Nesse sentido, foram coletados dados sobre gênero, geração (com base na classificação de Twenge e Campbell, 2008) e etnia, seguindo diretrizes para assegurar a diversidade e representatividade dos respondentes. Além disso, a coleta e o tratamento dos dados seguiram rigorosamente os princípios metodológicos descritos por Creswell (2010), garantindo validade e confiabilidade nos resultados. 4. Resultados e Discussão A amostra foi composta por 103 respondentes, entre os quais 31 se identificaram como homens cisgênero, 71 como mulheres cisgênero e 1 como não binário. No que diz respeito à geração, a maioria dos participantes pertence à Geração Z, com 66 respondentes, seguida pela Geração Y, com 27, e pela Geração X, que conta com 10 respostas. Cada geração traz consigo uma bagagem de experiências e expectativas que influenciam suas interações no ambiente de trabalho (TWENGE; CAMPBELL, 2008). A análise revelou que 41 participantes se identificaram como brancos, 22 como pretos, 36 como pardos, 3 como amarelos e 1 como indígena. O perfil étnico diversificado é essencial para entender as complexas relações sociais dentro das organizações e seus impactos no clima organizacional (ALMEIDA, 2018). Figura 1 - Com qual gênero você se identifica? Fonte: Elaborado pelos autores (2024)
Os impactos da extinção da escala 6x1 no clima e na motivação organizacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17094862 ISSN 2965-9302 Silva; Mariano; Teixeira; Dourado (2025) v. 2 | n. 6 | e26087 | Set-Out 2025 6 Figura 2 - De qual geração você faz parte? Fonte: Elaborado pelos autores (2024). Figura 3 - Qual é a sua etnia? Fonte: Elaborado pelos autores (2024). Foi investigado a experiência dos participantes da pesquisa, em relação ao sistema de escala 6x1. Das 103 respostas, 49 indicaram que atualmente trabalham sob essa escala, enquanto 41 afirmaram já ter trabalhado com o sistema no passado. Apenas 13 participantes relataram nunca ter trabalhado com a escala 6x1, e nenhum respondente declarou que a questão não se aplica devido à falta de experiência com sistemas de escala de trabalho. A predominância de participantes que atualmente estão inseridos nesse modelo de trabalho é relevante, pois sugere uma familiaridade com as dinâmicas e desafios associados à rotina de trabalho sob a escala 6x1, o que pode impactar diretamente a percepção sobre o clima organizacional e a motivação dos colaboradores (Carneiro; Ferreira, 2008). Figura 4 - Você atualmente trabalha, ou já trabalhou, em um sistema de escala 6x1? Fonte: Elaborado pelos autores (2024).
Os impactos da extinção da escala 6x1 no clima e na motivação organizacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17094862 ISSN 2965-9302 Silva; Mariano; Teixeira; Dourado (2025) v. 2 | n. 6 | e26087 | Set-Out 2025 7 Compreender como os participantes percebem o impacto da escala 6x1 no clima organizacional e sua importância para a motivação dos colaboradores. 44 avaliaram essa escala como tendo um impacto muito negativo no ambiente de trabalho, enquanto 45 a consideraram negativa. Apenas 9 a classificaram como neutra, e um grupo pequeno, de 5 pessoas, a viu de maneira positiva ou muito positiva. Esses resultados apontam para uma visão crítica em relação a essa forma de organização, o que nos leva às preocupações de Carneiro e Ferreira (2008) sobre como as condições de trabalho afetam a qualidade de vida e o clima nas organizações. Além disso, quando perguntados sobre a importância da manutenção da escala 6x1 para a motivação dos colaboradores, 55 participantes a consideraram muito importante, o que destaca a conexão entre a estrutura de trabalho e a motivação, alinhando-se com os pontos de Klein (2014) sobre como ajustes nas jornadas podem criar um ambiente mais motivador e satisfatório. Figura 5 - Como você avalia o impacto da escala 6x1 no clima organizacional? Fonte: Elaborado pelos autores (2024). Figura 6 - Quão importante é para você a manutenção da escala 6x1 para a motivação dos colaboradores? Fonte: Elaborado pelos autores (2024). A pesquisa investigou como os participantes veem a extinção da escala 6x1 em termos de motivação e comunicação entre os pares. Quando questionados sobre o impacto na motivação, 75 pessoas acharam que a mudança seria muito positiva, enquanto apenas 6 a consideraram negativa. Em relação à comunicação, 38 responderam que acreditam que o fim da escala 6x1 melhoraria significativamente as interações, ao passo que 10 a veem como uma piora. Por fim, ao questionar sobre a preparação das empresas para essa transição, 53 participantes disseram que as organizações estão pouco preparadas e 27 nada preparadas, o que reflete em um cenário desafiador para as adaptações necessárias. Como apontam Tobias e Kawamoto Júnior (2015), “o trabalho em regime de escala pode afetar a dinâmica profissional e pessoal, e é essencial que as empresas desenvolvam uma cultura organizacional que favoreça a comunicação e a flexibilidade”.
Os impactos da extinção da escala 6x1 no clima e na motivação organizacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17094862 ISSN 2965-9302 Silva; Mariano; Teixeira; Dourado (2025) v. 2 | n. 6 | e26087 | Set-Out 2025 8 Figura 7 - Qual seria o impacto da extinção da escala 6x1 na sua motivação como colaborador? Fonte: Elaborado pelos autores (2024). Figura 8 - Como você acredita que a extinção da escala 6x1 afetaria a comunicação entre os colaboradores? Fonte: Elaborado pelos autores (2024). Figura 9 - Quão preparado você acha que as empresas estão para lidar com os impactos da extinção da escala 6x1? Fonte: Elaborado pelos autores (2024). Apresenta-se as quais medidas pelos quais os participantes compreendem sobre o que as organizações poderiam adotar para viabilizar o impacto da extinção da escala 6x1. As respostas revelaram solicitações por melhorias práticas. A sugestão mais votada foi “Melhoria nos Benefícios e Reconhecimentos” com 45 votos, o que indica que um reconhecimento mais justo pode fazer a diferença. Ajustes nas Políticas de Trabalho vieram logo atrás, com 26 votos, destacando à importância de repensar o que já está na mesa. Alguns entrevistados realizaram sugestões específicas. Um deles sugeriu que as empresas “contratem mais funcionários para montar uma escala que abuse menos do
Os impactos da extinção da escala 6x1 no clima e na motivação organizacional em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17094862 ISSN 2965-9302 Silva; Mariano; Teixeira; Dourado (2025) v. 2 | n. 6 | e26087 | Set-Out 2025 9 trabalhador e possibilite que ele tenha uma vida pessoal mais saudável”. Outro mencionou a ideia de contratar freelancers para finais de semana, evitando sobrecarregar os colaboradores fixos. Isso tem relação com as observações de Azevedo (2023), defensor do movimento VAT (Vida Além do Trabalho) e ex-balconista de farmácia. que destacam como a falta de flexibilidade pode prejudicar tanto a saúde física quanto mental dos colaboradores (Exame, 2023). Figura 10 - Que tipo de medidas você sugere que as empresas adotem para mitigar os impactos negativos da extinção da escala 6x1? Fonte: Elaborado pelos autores (2024). Em relação a questão de como à extinção da escala 6x1 poderia afetar a satisfação geral dos colaboradores, os dados mostram que a maioria (52 respostas) acredita que é "Muito Improvável" que a satisfação caia, enquanto apenas 10 participantes a consideram provável ou muito provável. Esse resultado indica uma preocupação sobre como uma queda na satisfação não assombra tanto quanto o surgimento de uma nova dinâmica. A matéria da Exame também reforça que à insatisfação e o estresse são frequentes em regimes com longas jornadas, indicando que uma mudança de escala poderia trazer melhorias na qualidade de vida dos colaboradores (2023). Figura 11 - Qual a probabilidade de que a extinção da escala 6x1 leve a uma diminuição na satisfação geral dos colaboradores? Fonte: Elaborado pelos autores (2024). Para o clima organizacional, os possíveis benefícios, as respostas foram de grande variabilidade, mas algumas palavras-chave se destacaram, como “flexibilidade” (45 respostas) e “equidade” (22 respostas). Para um dos participantes apresenta um ponto de vista único ao afirmar: "As pessoas poderão organizar sua vida, descansar mais, se preparar para a jornada, ter tempo pra família...". O que reflete na necessidade por uma cultura corporativa que valorize o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, um ponto crucial enfatizado por especialistas em gestão de pessoas, segundo a Exame (2023).