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Empreendedorismo por Necessidade: Superando Desafios e Criando Oportunidades

Rocha, Renata Ito; Durval, Thayná Almeida; Mangaba, Luana Dos Santos; Marçal, Larissa da Rocha; Abrão Junior, Ali Antonio

Abstract

O aumento significativo de microempreendedores individuas (MEIs) ao passar dos anos é perceptível. Em meio as motivações que levam um indivíduo a empreender, destaca-se o empreendedor por necessidade, que transforma suas dificuldades, como a falta de empego, em uma oportunidade de inserção no mercado. Portanto, esse estudo teve como objetivo entender como a necessidade pode levar ao empreendedorismo, assim como os conceitos que abrangem o empreendedor por necessidade, motivações que o levam a empreender e as possibilidades de maximização das chances de sucesso do empreendedor por necessidade. Trata-se de uma pesquisa com fundamentação teórica, baseada em autores especialistas, além da utilização de entrevista com um empreendedor que teve a necessidade como start para seu negócio no ramo de serralheria. Com este estudo, pôde ser concluído que as dificuldades enfrentadas ao longo da jornada empresarial e as necessidades de vida a serem supridas, podem impulsionar a busca de conhecimento, aprimorando habilidades que são necessárias ao empreender no mercado e levando muitos trabalhadores a alcançarem o sucesso autônomo em um cenário diferente do regime CLT.

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Empreendedorismo por Necessidade: Superando Desafios e Criando Oportunidades em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.16782193 ISSN 2965-9302 Rocha; Durval; Mangaba; Marçal; Abrão Jr. (2025) v. 2 | n. 6 | e26043 | Set-Out 2025 1 Empreendedorismo por Necessidade: Superando Desafios e Criando Oportunidades Entrepreneurship by Necessity: Overcoming Challenges and Creating Opportunities Emprendimiento por Necesidad: superando desafíos y creando oportunidades Renata Ito Rocha 1 [email protected] Thayná Almeida Durval1 thaynaalmeida.tn[email protected] Luana Dos Santos Mangaba1 luana.ma[email protected].br Larissa da Rocha Marçal1 [email protected] Ali Antonio Abrão Junior1 [email protected].br Palavras-chave: Empreendedor por necessidade. Empreendedorismo. Autonomia. Keywords: Entrepreneur by necessity. Entrepreneurship. Autonomy. Palabras clave: Emprendedor por necesidad. Emprendimiento. Autonomía. Apresentado em: 05 dezembro, 2024 Evento: 7º EnGeTec Local do evento: Fatec Zona Leste Avaliadores: Janaína Rute da Silva Dourado Luciano Francisco de Oliveira Resumo: O aumento significativo de microempreendedores individuas (MEIs) ao passar dos anos é perceptível. Em meio as motivações que levam um indivíduo a empreender, destaca-se o empreendedor por necessidade, que transforma suas dificuldades, como a falta de empego, em uma oportunidade de inserção no mercado. Portanto, esse estudo teve como objetivo entender como a necessidade pode levar ao empreendedorismo, assim como os conceitos que abrangem o empreendedor por necessidade, motivações que o levam a empreender e as possibilidades de maximização das chances de sucesso do empreendedor por necessidade. Trata-se de uma pesquisa com fundamentação teórica, baseada em autores especialistas, além da utilização de entrevista com um empreendedor que teve a necessidade como start para seu negócio no ramo de serralheria. Com este estudo, pôde ser concluído que as dificuldades enfrentadas ao longo da jornada empresarial e as necessidades de vida a serem supridas, podem impulsionar a busca de conhecimento, aprimorando habilidades que são necessárias ao empreender no mercado e levando muitos trabalhadores a alcançarem o sucesso autônomo em um cenário diferente do regime CLT. Abstract: The significant increase in individual microentrepreneurs (MEIs) over the years is noticeable. Among the motivations that lead an individual to undertake, the entrepreneur by necessity stands out, who transforms their difficulties, such as lack of employment, into an opportunity to enter the market. Therefore, this study aimed to understand how necessity can lead to entrepreneurship, as well as the concepts that encompass the entrepreneur by necessity, motivations that lead them to undertake and the possibilities of maximizing the chances of success of the entrepreneur by necessity. This is a theoretically based research, based on expert authors, in addition to the use of an interview with an entrepreneur who had necessity as a start for his business in the metalworking sector. With this study, it was possible to conclude that the difficulties faced throughout the entrepreneurial journey and the life needs to be met, can drive the search for knowledge, improving skills that are necessary for entrepreneurship in the market and leading many workers to achieve independent success in a scenario different from the CLT regime. Resumen: Es notable el aumento significativo de microempresarios individuales (MEI) a lo largo de los años. Entre las motivaciones que llevan a un individuo a emprender destaca el emprendedor por necesidad, quien transforma sus dificultades, como la falta de empleo, en una oportunidad de ingreso al mercado. Por lo tanto, este estudio tuvo como objetivo comprender cómo la necesidad puede llevar al emprendimiento, así como los conceptos que engloban al emprendedor por necesidad, las motivaciones que lo llevan a emprender y las posibilidades de maximizar las posibilidades de éxito del emprendedor por necesidad. Se trata de una investigación con fundamento teórico, basada en autores especialistas, además de utilizar una entrevista a un emprendedor que tuvo la necesidad de iniciar su negocio en el sector de la cerrajería. Con este estudio se podría concluir que las dificultades que se enfrentan a lo largo del recorrido empresarial y las necesidades vitales a afrontar, pueden impulsar la búsqueda de conocimiento, mejorando las habilidades necesarias a la hora de emprender en el mercado y llevando a muchos trabajadores a alcanzar el éxito autónomo. en un escenario diferente al del régimen CLT. 1 Fatec Itaquaquecetuba Empreendedorismo por Necessidade: Superando Desafios e Criando Oportunidades em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.16782193 ISSN 2965-9302 Rocha; Durval; Mangaba; Marçal; Abrão Jr. (2025) v. 2 | n. 6 | e26043 | Set-Out 2025 2 1. Introdução O número de micro-empreendedores individuais (MEIs) tem aumentado significativamente a cada ano, proporcionando independência financeira e autonomia profissional para inúmeros trabalhadores que escolhem assumir o risco de criar um negócio do zero e gerenciar sua empresa de forma a gerar retorno positivo. Destaca-se, dentre os motivos que levam uma pessoa a optar pelo trabalho autônomo, o empreendedor por necessidade, que será a categoria pesquisada neste trabalho. Este campo é composto por trabalhadores que são demitidos e se deparam com uma grande dificuldade de encontrar um novo emprego que atenda as demandas da sua atual qualidade de vida familiar e pelas instabilidades do mercado de trabalho, que se tornam empecilhos para esses trabalhadores obterem seu sustento devido a baixos salários. Diante de situações adversas de desemprego ou falta de renda, muitos trabalhadores tornam-se empreendedores e abrem seus próprios negócios buscando sua independência financeira, com propósito de transformar suas dificuldades em uma oportunidade de inserção no mercado. Nesse caso levanta-se a problemática de como a necessidade pode transformar o desemprego em um novo empreendimento? Assim, como objetivo geral o trabalho pretende entender como a necessidade pode levar ao empreendedorismo por necessidade. Para isso, os seguintes objetivos específicos foram propostos: definir o conceito de empreendedor por necessidade; compreender como a necessidade de renda motiva o empreendedorismo; estudar como maximizar as chances de sucesso do empreendedor por necessidade. Tendo em vista, essa pesquisa justifica-se pela situação de desemprego que é um desafio significativo, podendo proporcionar a descoberta de novas habilidades individuais, gerando uma oportunidade para o crescimento pessoal e profissional. Soma-se a isso o fato de que as necessidades diante de uma situação de desemprego podem transformar habilidades e conhecimento em uma fonte de renda. Além disso, o estudo ajuda a compreender a adaptação às mudanças no mercado de trabalho. A metodologia utilizada neste estudo será a pesquisa bibliográfica, fundamentada em uma análise de informações teóricas, por meio de livros e pesquisas em artigos científicos disponíveis na Internet, coletados e selecionados para o desenvolvimento do referencial teórico. Será empregado também o método de coleta de dados por meio de entrevista para contribuir com a pesquisa. 2. Fundamentação Teórica 2.1. Conceito de empreendedor Empreendedorismo é o processo de identificar oportunidades e criar negócios ou projetos para gerar valor, inovação e empregabilidade, assumindo riscos, para transformar ideias em realidade. A palavra "empreendedor" vem do francês e designa uma pessoa que assume riscos e inicia novos projetos ou negócios (Dornelas, 2017). De acordo com Dornelas (2007), não existe apenas um único tipo de empreendedor, ou um único modelo-padrão que possa ser identificado. Na obra intitulada Empreendedorismo na prática, o autor apresenta oito tipos de empreendedores: o empreendedor nato; o empreendedor que aprende; o empreendedor serial; o empreendedor corporativo; o empreendedor social; o empreendedor por necessidade; o empreendedor herdeiro; o "normal". Assim, o empregador é alguém que se reinventa para alcançar seus objetivos profissionais, dedicandose ao sucesso de seu empreendimento. Ele investe em oportunidades que promovem o progresso e oferece vagas para aqueles que desejam trabalhar em tarefas específicas ou que buscam se inserir no mercado de trabalho como colaboradores (Degen, 2009). Empreendedorismo por Necessidade: Superando Desafios e Criando Oportunidades em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.16782193 ISSN 2965-9302 Rocha; Durval; Mangaba; Marçal; Abrão Jr. (2025) v. 2 | n. 6 | e26043 | Set-Out 2025 3 Além de tudo, os empreendedores promovem crescimento econômico, e buscam se adaptar ao mercado de trabalho em prol de atender as necessidades emergentes aproveitando as oportunidades que surge no mercado já que segundo Lenzi (2009, p.6): O fator é que o empreendedorismo configura-se como o principal fator de desenvolvimento econômico e social de um país. É através desse fenômeno que iniciativas isoladas ou conjugadas poderão reverter em crescimento ao país e, consequentemente, á população de forma geral. Esse conceito envolve várias características e habilidades além de criatividade e resiliência. “O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais” (Joseph Schumpeter, 1949 apud Dornelas, 2017, p. 29). Essa capacidade de romper barreiras, criando oportunidades e inovação faz com que o empreendedor obtenha um progresso contínuo para a economia. 2.1.1. Desemprego O desemprego é um problema social e econômico que afeta a vida de milhares de pessoas e que motiva a muitos empreendedores iniciarem seus próprios negócios para suprirem suas necessidades básicas e de realização. Assim, para Moura (1998, p. 93), “o desemprego pode ter causas de ordem pessoal ou social; estrutural ou conjuntural; atual ou com efeitos cumulativos do passado; organizacional, individual ou econômica; local ou universal; temporária ou permanente; e assim por diante”. Segundo informações coletadas no portal de desemprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o desemprego trata-se das pessoas que tem idade para trabalhar, com mais de 14 anos e que não estão trabalhando, porém apresentam disponibilidade para trabalhar e procuram por emprego. Desta forma, para um indivíduo ser considerado desempregado não é suficiente apenas não ter um emprego, um empreendedor por exemplo embora não possua um emprego, não pode ser considerado desempregado, mas sim ocupado (IBGE, 2024). Conforme a metodologia PNAD Contínua - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, utilizada pelo IBGE (2024) para levantar a quantidade de desempregados no Brasil, pode-se perceber que no 2º trimestre de 2024 o maior número de pessoas são de “ocupados”, onde pessoas que trabalham por conta própria entram nesta classificação, os empreendedores, por exemplo. O resultado em números desta pesquisa realizada mostra que 101.830 mil são de pessoas ocupadas; 7.541 pessoas desocupadas; 66.709 estão fora da força de trabalho e; 40.744 são classificados como abaixo da idade de trabalhar. Contudo, Moura (1998, p. 93), diz que “como todo fenômeno social, o desemprego tem causas múltiplas, interligadas e interdependentes entre si”. Trata-se de algo complexo e que envolve diversos fatores, sendo impossível atribuir a uma causa apenas, onde muitos empreendedores enxergam oportunidades de inovar entre estas condições ou situações que em sua maioria são momentâneas, para suprirem suas necessidades e abrirem seus próprios negócios. 2.1.2. Empreendedorismo por necessidade O empreendedorismo por necessidade surge de forma repentina, quando uma pessoa enfrenta uma instabilidade financeira, como uma demissão, e recorre ao empreendedorismo como uma nova fonte de renda para garantir seu próprio sustento e, muitas vezes, o sustento de sua família (SEBRAE, 2023). De acordo com o portal Sebrae (2023), assim como em qualquer outro empreendimento, não há garantia de que alguém alcançará o sucesso ao empreender. No caso do empreendedor por necessidade, o risco é ainda maior devido à falta de organização prévia. Tendo isso em vista, Lenzi (2009, p. 9) relata: Empreendedorismo por Necessidade: Superando Desafios e Criando Oportunidades em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.16782193 ISSN 2965-9302 Rocha; Durval; Mangaba; Marçal; Abrão Jr. (2025) v. 2 | n. 6 | e26043 | Set-Out 2025 4 O empreendedorismo por necessidade é considerado, em regra geral, como negativo, pois demonstra que muitos empreendimentos são criados apenas por necessidades pessoais do proprietário, sem considerar as necessidades do mercado. Entre os principais fatores que causam o fechamento dos negócios antes dos cinco anos de atividade estão o pouco preparo pessoal e a falta de planejamento do negócio que são características comuns no empreendimento por necessidade (SEBRAE, 2023). No entanto, apesar do alto risco, ainda é possível alcançar o sucesso. Há exemplos de grandes empresas que surgiram de empreendimentos por necessidade e conseguiram prosperar, especialmente quando esses negócios se baseavam em habilidades que a pessoa já possuía e decidiu utilizar em resposta à necessidade (Bernardi, 2017). Junto ao desemprego, há pessoas que veem na rotina metódica e na falta de oportunidades de crescimento como colaborador um motivo para iniciar um negócio. Esses fatores geram a necessidade de empreender, seja pela perspectiva concreta de avanço profissional ou pelo desejo pessoal de ter independência e controle sobre sua própria trajetória no mercado (Degen, 2009). 2.2. Desemprego como impulso para novos negócios A realidade de muitas pessoas as pressiona a empreender e buscar soluções instantâneas para impedir um possível problema financeiro que o desemprego consequentemente traz. Mediante a existência de um único responsável pelas finanças do lar e em meio ao desemprego o indivíduo visualiza a oportunidade de empreender para suprir com o dever de prover o sustento da família (Nassif et al.,2011). Num cenário econômico como o do Brasil, cheio de adversidades e descontinuidades nos parece que grande parte do apelo à atitude empreendedora vem da necessidade, do instinto de sobrevivência do brasileiro que precisam adaptar-se as situações adversas de uma economia instável, de mudanças rápidas e intensas num ambiente com níveis oscilatórios de desemprego (Nassif et al.,2011, p. 146). Não obstante, a necessidade é vista como uma fonte importante de oportunidades inovadoras. O desemprego pode ser um catalisador para a criação de novos negócios que podem surgir por diferentes motivações que sucedem as demissões (Drucker, 2005). O empreendedor por necessidade é aquele que cria um equilíbrio em um ambiente de caos e turbulência, encontrando uma posição clara e positiva ao identificar oportunidades em uma situação de desemprego (Kirzner,1973 apud. Nassif, et al. 2011). Considerando a necessidade de empreender, a Pirâmide de Maslow é uma teoria psicológica que organiza as necessidades humanas em níveis de importância e de influência, começando das necessidades mais básicas até as necessidades de níveis mais altos (Chiavenato, 2014). Essa hierarquia pode ajudar na compreensão de como o empreendedorismo por necessidade se conecta com as diferentes camadas das necessidades humanas apresentadas no modelo desenvolvido por Abraham Maslow na figura 1 (Chiavenato, 2014). Na base da pirâmide estão as necessidades fisiológicas, o nível mais básico e ao mesmo tempo de vital importância. Nesse nível, estão as necessidades relacionadas com a sobrevivência do indivíduo, como por exemplo, alimentação, água e abrigo. Relacionando com o empreendedorismo por necessidade, quando alguém enfrenta o desemprego e passa a ter urgência em atender a essas necessidades pode recorrer ao empreendedorismo para garantir sua sobrevivência (Chiavenato, 2014). No segundo nível das necessidades humanas está a necessidade de segurança, estabilidade, busca de proteção contra ameaça ou privação e fuga do perigo. O desemprego pode ameaçar essa segurança fazendo com que a pessoa busque no empreendedorismo uma maneira de reconquistar sua estabilidade financeira para garantir maior segurança (Chiavenato, 2014). Empreendedorismo por Necessidade: Superando Desafios e Criando Oportunidades em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.16782193 ISSN 2965-9302 Rocha; Durval; Mangaba; Marçal; Abrão Jr. (2025) v. 2 | n. 6 | e26043 | Set-Out 2025 5 Figura 1: Pirâmide de Maslow Adaptado por Chiavenato (2014) No terceiro nível estão as necessidades sociais, relacionadas à associação e participação dos indivíduos com a sociedade. Empreender pode proporcionar essa participação social ao oferecer oportunidades para se conectar com outros profissionais, formar parcerias e construir uma rede social em torno do novo negócio (Chiavenato, 2014). No quarto nível estão as necessidades de estima, que envolve autoconfiança, necessidade de aprovação social, status, prestígio e consideração. Ao alcançar o sucesso no empreendedorismo a pessoa passa a ter uma sensação de realização, além de ganhar a confiança e o respeito de si mesmo e dos outros (Chiavenato, 2014). No topo da pirâmide estão as necessidades humanas mais elevadas da hierarquia, relacionadas com a realização do próprio potencial. Dessa forma, ao empreender, a pessoa pode sair de uma necessidade a alcançar o nível mais alto de satisfação (Chiavenato, 2014). 2.2.1. Desafios do empreendedorismo O empreendedorismo por necessidade é o surgimento de uma alternativa para sair do desemprego e embora contribua positivamente para a melhoria da economia os empreendedores podem enfrentar diversas dificuldades, como a carga tributária pelos lucros e faturamento, burocracia para elaboração de contratos e impostos, obtenção de crédito, permanência no mercado, inovação para a criação ou melhoria dos seus produtos e processos, marketing em prol de focar nas vendas e imagem da empresa, gestão financeira e gestão de pessoas para capacitação profissional da equipe (Sebrae, 2023). A maioria dos empreendedores por necessidade inicia seus negócios com um capital limitado, ademais, sem acesso a bons financiamentos ou a uma linha de crédito, o que pode dificultar a aquisição de equipamentos e o investimento na implementação do marketing. Essa falta de recurso afeta negativamente o crescimento da empresa diminuindo sua competição no mercado ou a sua mortalidade. Segundo Lenzi, (2009, p. 10): Os números de empresas que fecham e o de empreendedores que criam negócios por necessidade são muito próximos. Por outro lado, não é possível afirmar com toda a certeza que são os empreendedores “por necessidade” que contribuem para os índices de mortalidade, mas servem como um alerta. Estima Fisiológicas Segurança Sociais Autorrealização Empreendedorismo por Necessidade: Superando Desafios e Criando Oportunidades em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.16782193 ISSN 2965-9302 Rocha; Durval; Mangaba; Marçal; Abrão Jr. (2025) v. 2 | n. 6 | e26043 | Set-Out 2025 6 Outro aspecto crucial que pode ser tornar um obstáculo é a falta de formação necessária para administrar o negócio e o conhecimento em relação a área que escolheu, “atuar em um mercado sem o conhecer é o mesmo que dar um tiro no escuro, ou seja, pode-se atirar para todos os lados, mas sem saber em que está acertando” (Lenzi, 2009, p. 14). Em meio aos desafios, os empreendedores por necessidade buscam prosperar seus próprios negócios com as ferramentas que têm em mãos. Apresentando uma resposta resiliente aos desafios da economia e às constantes mudanças e inovação. De acordo com o Sebrae, (2023): Felizmente, nem só de dores vive o empreendedorismo brasileiro. Para cada desafio, uma solução ou oportunidades surgem. Alta carga tributária, obtenção de crédito e gestão financeira passam por um bom planejamento financeiro. A iniciativa pode promover um ambiente mais favorável para que os empreendedores por necessidade não tenham tantas barreiras na hora de empreender, conquistando espaço no mercado e atraindo novos clientes. 2.2.2. Motivações para o empreendedorismo O ser humano é movido por motivações que os impulsionam a tomarem decisões e atitudes frente a suas metas. Para aqueles que empreendem por necessidade, existem diversos fatores motivacionais. Estas motivações segundo Robbins (2002) apud Rodrigues (2022, p. 7) podem estar relacionadas a: (1) fatores pessoais, com o desejo de realização pessoal, insatisfação no trabalho, vontade de ganhar dinheiro, mudança de estilo de vida, desemprego. Podem existir também necessidades de autoridade e de poder, neste caso, o indivíduo tem necessidade de ser influente, efetivo e de ter impacto. Existindo uma grande necessidade de liderar e de fazer com que as suas ideias prevaleçam; (2) fatores ambientais, identificação de oportunidades de negócio; (3) fatores sociológicos, estar no seio de um grupo de pessoas competentes e com características semelhantes, ou possibilidade de entrar num negócio de família com qual se identifique. Entretanto Bandeira; Silva (2023) explicam que a motivação de um empreendedor por necessidade pode estar ligada a dificuldades de precarização de trabalhos e inserção ao mercado de trabalho que ocorre geralmente com a população pobre urbana onde “a necessidade é uma condição de desequilíbrio causada pela carência de algo que ocorre no interior do empreendedor, predispondo-o para determinados tipos de comportamento” (Bandeira; Silva, 2023, p. 195). Uma pesquisa realizada em 2022 por Florencio; Paula no Caderno de Gestão e Empreendedorismo (CGE) com 19 empreendedoras femininas com empreendimentos ativos no período de 06 meses até 28 anos, que iniciaram seus negócios por necessidade na cidade de Macaé/RJ, aponta que o motivo mais citado como fator motivacional para abrirem seus próprios negócios é o desemprego. Além disso, outras razões foram mencionadas, como a necessidade de aumentar a renda e maior flexibilidade horários. “O empreendedorismo por necessidade é caracterizado por uma pessoa iniciar um negócio por falta de outras opções de renda, geralmente porque não consegue encontrar emprego ou precisa complementar sua renda atual” conforme Bandeira; Silva (2023, p. 191) relata. Portanto, um empreendedor que iniciou seu negócio por necessidade pode não ter habilidades necessárias ou conhecimentos para comandar seu empreendimento, mas acaba tendo motivações pela necessidade de sobrevivência, que as vezes se torna um negócio inovador e de sucesso. 2.3. Plano de negócios O plano de negócio é fundamental para um empreendimento, seja ele de pequeno, médio ou grande porte. Com objetivo de direcionar a empresa a alcançar os objetivos durante a trajetória, “o plano de negócio é uma ferramenta que se aplica tanto ao lançamento de novos empreendimentos quanto ao planejamento de empresas maduras” (Dornelas, 2017, p. 93). Empreendedorismo por Necessidade: Superando Desafios e Criando Oportunidades em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.16782193 ISSN 2965-9302 Rocha; Durval; Mangaba; Marçal; Abrão Jr. (2025) v. 2 | n. 6 | e26043 | Set-Out 2025 7 O modelo de plano de negócio inclui os seguintes processos, sumario executivo, missão visão e valores, descrição da empresa, definido quem são os seus públicos-alvo, análise de mercado em prol de estudar a concorrência e novas tendências, descrição dos serviços e produtos oferecidos, estratégias de marketing e vendas para atrair novos clientes e fidelizar os que já tem, projeção financeira para analisar a viabilidade, identificação de oportunidades e riscos para tomar as melhores decisões, captação de recursos visando atrair novos investidores e avaliação de desempenho em prol de ajustar as estratégias se necessário (Dornelas, 2023). Além disso, o plano de negócio pode ser modificado com o tempo, com base na avaliação do desempenho esperado. Segundo Dornelas (2017, p.94) “o plano de negócios é uma ferramenta dinâmica, que deve ser atualizada constantemente, pois o ato de planejar é dinâmico e corresponde a um processo cíclico”. Empresas que optam por não ter um plano de negócio bem definido tendem a ter mais dificuldade no mercado para ganhar espaço e menos chance de sucesso para competir com outros mercados. De acordo com Dornelas (2023, p.7): Negócios criados sem planejamento são empresas conhecidas como “estilo de vida” nas quais os empreendedores não têm visão clara de crescimento e de como será a empresa daqui a 5,10,20 anos. Por isso, ao se estabelecer um objetivo de crescimento para um negócio, seja em relação á receita, lucro, número de clientes, participação de mercado etc., fica mais evidente a necessidade de se planejar cada passo que será dado para que o objetivo seja atingido. No mundo contemporâneo é essencial que os empreendedores tenham em suas empresas um plano de negócio bem estruturado, para transformar suas ideias em realidade, traçar perspectivas de crescimento, diminuir riscos e incertezas, “devido à sua importância, o plano de negócios deve sempre ser inserido como disciplina regular em cursos de administração de empresas e de empreendedorismo (Dornelas, 2017, p. 94). Além disso, o plano de negócio pode ajudar os colaboradores a compreenderem de forma clara a meta da empresa, em prol de alcançarem os objetivos organizacionais de forma eficiente. 2.3.1. Mercado e público-alvo Ainda que o empreendimento seja motivado por uma necessidade é importante que haja planejamento, mesmo que básico. Definir o mercado de atuação e o público-alvo é uma etapa essencial, pois permite ao empreendedor entender as necessidades e características dos consumidores. Essa ação também facilitara a criação de estratégias para atrair e fidelizar clientes, aumentando as chances de sucesso para o negócio (Zenone, 20213). Com este mesmo objetivo, os 4 Ps do marketing (produto, preço, praça e promoção) constituem um modelo clássico que ajuda a entender e estruturar estratégias que podem ser utilizadas para definir com mais eficácia o negócio a ser criado (Keller; Kotler, 2019). O produto refere-se ao que está sendo oferecido aos consumidores, seja um bem ou um serviço, portanto é importante que seja algo que atenda as expectativas, desejos e necessidades dos clientes (Zenone, 2013). O preço é o valor cobrado pelo produto ou serviço e é sempre um fator crítico, principalmente quando não há planejamento. A estratégia de preço é baseada no custo para produzir e/ou comercializar em função da margem de lucro que se deseja obter, considerando também o preço da concorrência (Zenone, 2013). Praça ou ponto de venda diz respeito à distribuição e à acessibilidade com que o produto chega ao consumidor final, seja loja física ou online. De acordo com Zenone (2013 p.190) “Toda a atmosfera do ponto de venda (PDV) deve ser estrategicamente conduzida com o objetivo de agregar valor ao públicoalvo”. Empreendedorismo por Necessidade: Superando Desafios e Criando Oportunidades em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.16782193 ISSN 2965-9302 Rocha; Durval; Mangaba; Marçal; Abrão Jr. (2025) v. 2 | n. 6 | e26043 | Set-Out 2025 8 Promoção está relacionada com promover o produto ou serviço, provocar estímulos de compra, construir ofertas e aumentar o volume de vendas em um curto prazo de tempo. “Uma promoção de vendas é algo que se pode fazer com pouco ou muitos recursos, dependendo apenas da criatividade dos gestores envolvidos” (Ladeira; Santini, 2018 p. 96). Ao compreender e aplicar os 4 Ps, novos empreendedores podem tomar decisões mais informadas, aumentar suas chances de sucesso e construir uma base sólida para o futuro de seu negócio. 2.3.2. Habilidades e profissionalização Tendo em vista que o conhecimento é algo vasto e que pode ser aprimorado por meio de experiências práticas e intelectuais, muitos empreendedores que iniciam seus negócios por necessidade, adquirem habilidades ao longo de suas vidas profissionais, as quais podem ser exploradas. Contudo,” a habilidade de aplicar na prática esse conhecimento também é um fator indispensável ao empreendedor. Saber de que forma aplicar cada informação, técnica ou gerência no negócio é o que poderá diferenciar uma empresa da outra” Lenzi (2009, p. 26). Em um mercado vasto de competividade, a competência empreendedora torna-se um diferencial. Estas habilidades podem ser desenvolvidas com conhecimento ou podem existir por bagagens anteriores, como abordado anteriormente. Estes aspectos contribuem de forma positiva para quem busca abrir sua empresa. Para Lenzi (2009, p.26): A competência empreendedora é constituída pela intersecção de três aspectos fundamentais: conhecimentos, habilidades e atitudes. Isto é, não apenas por uma vontade de colocar esses aspectos em prática, mas de praticá-los diariamente e seguidamente em um ciclo interminável. Ou seja, a competência não é reconhecida pela intenção de demonstrar algum conhecimento, habilidade ou atitude, mas pela “entrega” desses fatores por meio de ações e realizações do empreendedor. Contudo, as habilidades e competências podem ser aperfeiçoadas com a realização de cursos profissionalizantes, de acordo com o portal do SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, “são feitos para quem deseja se inserir no mercado em curto prazo. São divididos em dois segmentos: longo e curto prazo. Todos possuem uma duração menor do que a de uma graduação” (Portal SENAI, 2018). Além do SENAI, há também outras opções para a realização de cursos, como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), uma instituição que oferece cursos para empreendedores, que englobam diversos temas, como: gestão de qualidade, marketing, fluxo de caixa, finanças etc. Além disso, também oferece conselhos sobre como abrir uma empresa, consultorias básicas e pontuais, promove rodas de negócios, participação das empresas em feiras e eventos nacionais e internacionais (Dornelas, 2005). O conhecimento para Lenzi (2009, p. 26), “é fundamental e deve ser sempre perseguido e o empreendedor deve estar sempre envolvido no negócio. Para isso, a capacitação constante, leitura, busca de informação são fundamentais”. Portanto a busca contínua por conhecimento e aprimoramento de habilidades, é essencial para que um negócio novo tenha possibilidades de sucesso. 2.3.3. A importância do planejamento financeiro Segundo Lucion, (2005, p. 143), “Atualmente onde a economia sofre variações e encontra-se vulnerável a fatores globais, o plano financeiro empresarial tende a ser mais valorizado e apreciado em primeiro plano no momento de se tomar uma decisão”. Mediante o destacado, pode-se citar como consequência dos fatores globais a pandemia da Covid-19 que impactou na inflação brasileira de forma inesperada, reafirmando mais uma vez a importância do planejamento diante de acontecimentos inoportunos (Lucion, 2005). Conforme Lucion, (2005, p. 150): A falta de um planejamento financeiro a longo prazo é o principal motivo de ocorrência de dificuldades e falências de empresas. Planos financeiros a longo prazo Empreendedorismo por Necessidade: Superando Desafios e Criando Oportunidades em Revista | 15 DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.16782193 ISSN 2965-9302 Rocha; Durval; Mangaba; Marçal; Abrão Jr. (2025) v. 2 | n. 6 | e26043 | Set-Out 2025 9 possuem a tendência a serem custeados por planos financeiros a curto prazo e estão ligados a planejamento estratégico da organização. Dentro dos prazos estipulados, sejam eles: curto prazo, até dois anos ou, a longo prazo, em dez anos, devem ser elaborados visando a expansão do empreendimento dentro dos períodos destacados, analisar se os objetivos serão alcançados por meio de balanço financeiro, ou haverá fatores de interferência ao longo do prazo estabelecido (Lucion, 2005). Para Corsini, (2024, p. 13), A administração financeira deve ser desempenhada como uma estratégia, potencializando os resultados organizacionais e possibilitando aos gestores e aos sócios a tomada de decisões embasadas em informações reais e seguras. Uma gestão financeira aprofundada, salientará tudo que ocorrerá durante o processo de tomada de decisão em relação ao que pode ser alcançado mediante o objetivo que se almeja, utilizando estrategicamente (Corsini, 2024). Conforme, Corsini, (2024, p. 17), “dispêndio de recursos em um montante superior ao planejado para a produção de um produto ou serviço a competitividade e a solidez financeira da organização será afetada negativamente”. Utilizar-se incorretamente dos recursos da empresa contrapondo o que foi definido no planejamento, seja, em serviço ou produto, interfere diretamente em todo o plano desenvolvido, agregando custos aos insumos, afetando a produção e as entregas, gerando insatisfação aos clientes (Corsini, 2024). De acordo com Corsini, (2024, p. 19): É fundamental que a administração financeira seja desenvolvida de forma eficiente, com o objetivo de minimizar os impactos negativos do mal gerenciamento financeiro. Portanto, uma gestão financeira adequada pode garantir o equilíbrio financeiro da organização, o cumprimento dos prazos, a maximização dos lucros e o desenvolvimento organizacional. Uma administração financeira eficaz deve priorizar reservas diante a divergências inesperadas que podem resultar em prejuízos, e empenhar-se a estabilizar o capital da empresa para ser dado continuidade ao planejamento (Corsini, 2024). 3. Método Para esse projeto, foi utilizado: bibliografias, artigos acadêmicos, páginas eletrônicas e pesquisa qualitativa. Por meio dos métodos citados, iniciou-se o projeto com ênfase em bibliografias, artigos e páginas eletrônicas, para constatar como um indivíduo diante do desemprego tem o propósito de criar um empreendimento e se inserir no mercado, destacando todas as chances de sucesso e a importância de adotar um planejamento para gerir um negócio. Tendo em vista, a aplicação do questionário na entrevista com um empreendedor que iniciou por necessidade, trouxe informações que foram apresentadas por meio de perguntas que destacaram a realidade e dificuldades que podem ocorrer mediante a falta de conhecimento sobre o mercado, público-alvo e outros obstáculos que surgem ao tentar iniciar o empreendimento e as possibilidades de se sobressair em meio a tantas adversidades. Dessa forma, foi abordado a importância de como superar fases instáveis, identificar erros e está sempre disposto a buscar soluções. Cabe mencionar, a importância de ter um plano de negócios elaborado, junto a criação de um planejamento financeiro que trará uma visão mais aprofundada sobre os objetivos que se almeja. Perante a pesquisa qualitativa, foi possível identificar todos os processos que o empreendedor teve que passar para adquirir experiências e enfrentar as dificuldades de se inserir no mercado em meio a concorrência, apontando erros e acertos, citando seu empenho na busca por conhecimento prático e teórico do ramo escolhido, por meio de cursos técnicos obteve seu diferencial.