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IMPACTOS DO USO DE DROGAS NA GESTAÇÃO: RISCOS PARA MÃE E BEBÊ

Editora Saúde Vital

Abstract

Autores Mikaelly Fabianny Honorato Graduanda de enfermagem pela Faculdade Wenceslau Braz - FWB, Itajubá MG Ana Beatriz Queiroz Da Silva Graduanda de medicina pela faculdade de Guarulhos-FAG Camila Maria Souza Fernandes Graduanda de medicina pela faculdade de medicina de Jundiaí-FMJ Larissa Da Cruz Soares Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário do Norte-Uninorte, Manaus-Am Raquel Da Silva Martins Graduanda em nutrição pela Universidade Maurício de Nassau Amanda Passos Santos Do Nascimento Graduado em Direito pela Faculdade Unyahna, Esp. em Direito Civil e Processo Civil pelo Centro Universitário Dom Pedro II, Pós-graduanda em Docência do Ensino Superior pela UNINASSAU, Pós-graduanda em Sexologia e Sexualidade Humana pela UNINASSAU Andréa Laué Passos Santos Bacharel em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Esp. em Saúde Pública em Ênfase em Atenção Básica pela UNINASSAU, Pós-graduanda em Docência do Ensino Superior pela UNINASSAU, Pós-graduanda em Sexologia e Sexualidade Humana pela UNINASSAU Maria Francisca De Aragão Mendes Graduanda em Enfermagem pela Universidade Estadual da Paraíba-UEPB, Campina Grande-PB Débora Cristina De Lima Leão Cavalcanti Mestranda em enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB

Full text

179 16. IMPACTOS DO USO DE DROGAS NA GESTAÇÃO: RISCOS PARA MÃE E BEBÊ IMPACTS OF DRUG USE DURING PREGNANCY: RISKS FOR MOTHER AND BABY Eixo Temático: Saúde Materna E Perinatal Mikaelly Fabianny Honorato Graduanda de enfermagem pela Faculdade Wenceslau Braz - FWB, Itajubá MG Ana Beatriz Queiroz Da Silva Graduanda de medicina pela faculdade de Guarulhos-FAG Camila Maria Souza Fernandes Graduanda de medicina pela faculdade de medicina de Jundiaí-FMJ Larissa Da Cruz Soares Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário do Norte-Uninorte, Manaus-Am Raquel Da Silva Martins Graduanda em nutrição pela Universidade Maurício de Nassau Amanda Passos Santos Do Nascimento Graduada em Direito pela Faculdade Unyahna , Esp. em Direito Civil e Processo Civil pelo Centro Universitário Dom Pedro II, Pósgraduanda em Docência do Ensino Superior pela UNINASSAU, Pós-graduanda em Sexologia e Sexualidade Humana pela UNINASSAU Andréa Laué Passos Santos Bacharel em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Esp. em Saúde Pública em Ênfase em Atenção Básica pela UNINASSAU , Pósgraduanda em Docência do Ensino Superior pela UNINASSAU, Pós-graduanda em Sexologia e Sexualidade Humana pela UNINASSAU Maria Francisca De Aragão Mendes Graduanda em Enfermagem pela Universidade Estadual da Paraíba-UEPB, Campina Grande-PB Débora Cristina De Lima Leão Cavalcanti Mestranda em enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB RESUMO Introdução: A gestação é um período de intensas alterações fisiológicas e emocionais, no qual fatores externos podem impactar o desenvolvimento fetal. O uso de drogas lícitas e ilícitas representa risco significativo ao binômio materno-fetal, pois substâncias psicoativas atravessam a barreira placentária e atingem um organismo imaturo, incapaz de metabolizálas adequadamente, podendo causar efeitos imediatos e de longo prazo. Objetivo: analisar os impactos do uso de substâncias lícitas e ilícitas durante a gestação. Metodologia: tratase de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases PubMed, SciELO, LILACS e BVS, entre 2020 e 2025, em português, inglês e espanhol. Foram utilizados descritores DeCS/MeSH combinados por operadores booleanos. Após critérios de inclusão e exclusão, 15 artigos compuseram a amostra final. Resultados e Discussão: os estudos evidenciaram associação entre álcool, tabaco e opioides com aborto, parto prematuro e baixo peso ao nascer. O álcool foi a principal causa da síndrome alcoólica fetal, e o tabaco relacionou-se à hipóxia crônica e restrição de crescimento intrauterino. Drogas ilícitas como cocaína, 180 crack e metanfetaminas atuam como vasoconstritoras, aumentando risco de descolamento prematuro de placenta e alterações neurológicas neonatais. Os opioides estavam associados à síndrome de abstinência neonatal, com repercussões cognitivas e comportamentais a longo prazo. Fatores sociais como baixa escolaridade, violência doméstica e ausência de apoio familiar agravam a exposição e dificultam o acesso ao pré-natal. Observou-se fragilidade no acolhimento humanizado, reforçando a necessidade de estratégias interdisciplinares e protocolos específicos. Considerações Finais: o uso de drogas na gestação gera repercussões clínicas e sociais relevantes, comprometendo a saúde materna, o desenvolvimento fetal e a qualidade de vida futura. Destaca-se a urgência de fortalecer políticas públicas, ampliar a formação profissional e adotar práticas multiprofissionais humanizadas, reduzindo danos e promovendo cuidado integral às gestantes e seus filhos. Palavras-Chaves: Uso de Substâncias; Drogas Ilícitas; Exposição Pré-Natal; Complicações na Gravidez. ABSTRACT Introduction: pregnancy is a period of intense physiological and emotional changes, during which external factors can impact fetal development. The use of legal and illegal drugs poses a significant risk to both mother and fetus, as psychoactive substances cross the placental barrier and reach an immature organism that is unable to metabolize them properly, causing immediate and long-term effects. Objective: to analyze the impacts of the use of licit and illicit substances during pregnancy. Methodology: this is an integrative review of the literature, conducted in the PubMed, SciELO, LILACS, and BVS databases between 2020 and 2025, in Portuguese, English, and Spanish. DeCS/MeSH descriptors combined with Boolean operators were used. After inclusion and exclusion criteria, 15 articles comprised the final sample. Results and Discussion: the studies showed an association between alcohol, tobacco, and opioids with abortion, premature birth, and low birth weight. Alcohol was the main cause of fetal alcohol syndrome, and tobacco was related to chronic hypoxia and intrauterine growth restriction. Illegal drugs such as cocaine, crack, and methamphetamines act as vasoconstrictors, increasing the risk of premature placental abruption and neonatal neurological changes. Opioids were associated with neonatal abstinence syndrome, with long-term cognitive and behavioral repercussions. Social factors such as low education, domestic violence, and lack of family support aggravate exposure and hinder access to prenatal care. Fragility in humanized care was observed, reinforcing the need for interdisciplinary strategies and specific protocols. Final considerations: drug use during pregnancy has significant clinical and social repercussions, compromising maternal health, fetal development, and future quality of life. There is an urgent need to strengthen public policies, expand professional training, and adopt humanized multidisciplinary practices, reducing harm and promoting comprehensive care for pregnant women and their children. 181 Keywords: Substance Use; Illegal Drugs; Prenatal Exposure; Pregnancy Complications. INTRODUÇÃO A gravidez é uma das fases mais críticas da vida da mulher, caracterizada por alterações substanciais nos aspectos fisiológicos, metabólicos e emocionais, o corpo se prepara para garantir a viabilidade da gestação, a nutrição fetal e todas as condições adequadas para o desenvolvimento do mesmo, no entanto, algumas medidas externas de cautela podem e devem ser tomadas a fim de proteger a saúde da mãe e garantir o desenvolvimento adequado do feto, e minimizar consequências ao neonato (Machado et al., 2021). O mecanismo mais comum para essa passagem é a difusão passiva, ocorrendo quando moléculas pequenas (geralmente com peso molecular inferior a 500 Da), lipossolúveis e não ionizadas que conseguem penetrar nas membranas placentárias, esta característica permite as moléculas chegarem ao feto em ainda em desenvolvimento. Aspecto este relevante porque o mesmo possui fígado e sistema renais imaturos, o que dificulta a metabolização e excreção das substâncias, prolongando a duração e a toxicidade da exposição. O transporte facilitado é outro processo envolvido, no qual certas substâncias utilizam os transportadores da placenta de nutrientes específicos, como glicose e aminoácidos. A metadona, por exemplo, se utiliza desse mecanismo. Há também situações em que o transporte ativo ocorre, em que proteínas da membrana placentária transportam moléculas contra o gradiente de concentração, como em certos antibióticos (Goetzl L. et al.2022). O sistema imaturo do bebê, especialmente o fígado e os rins são os órgãos do sistema mais afetados, não possuem mecanismos suficientes para metabolizar e excretar tais substâncias, abrindo, portanto, a suscetibilidade de tais compostos ao desenvolverem efeitos tóxicos. Com essa exposição, podem ocorrer alterações funcionais e comportamentais de curto, médio e longo prazo a vida deste indivíduo em formação. 182 Entre as substâncias mais pesquisadas, destacam-se os opioides. Eles são frequentemente associados à síndrome de abstinência neonatal (SAN), que pode ser caracterizada por choro excessivo, tremores, convulsões, dificuldade de alimentação e instabilidade autonômica nos primeiros dias de vida, a longo prazo, essas crianças podem apresentar déficit cognitivo, dificuldades de aprendizado e alterações comportamentais (Gamboa et al., 2022). Outro exemplo de substância amplamente estudada é o álcool, cuja exposição intrauterina pode resultar na síndrome alcoólica fetal (SAF), apresentando a tríade clássica que inclui dismorfismos craniofaciais, atraso no crescimento intrauterino e comprometimento neurocognitivo permanente (Kliegman et al., 2020). Diferentemente de algumas drogas, não existe dose considerada segura de álcool durante a gravidez, o que reforça a importância da abstinência completa. O tabaco, presente de forma legalizada em diversas sociedades, é responsável por hipóxia fetal crônica devido à ação combinada da nicotina e do monóxido de carbono. Evidências ligam o uso materno de tabaco ao índice de baixo peso ao nascer, ao parto prematuro e maior risco de morte súbita infantil. Além disso, podemos fazer a associação com doenças respiratórias recorrentes na infância, como bronquiolite e asma (Kliegman et al., 2020). No caso das drogas ilícitas estimulantes, como cocaína, crack e metanfetaminas, são ainda mais preocupantes e apresentam diversos efeitos adversos. A cocaína, por exemplo, causa vasoconstrição intensa e consequente aumenta as chances descolamento prematuro de placenta, condição potencialmente fatal tanto para a mãe caracterizada pela perda excessiva de sangue, quanto para o bebê que perde a fonte de troca gasosa e leva a morte intrauterina. Estudos recentes comprovam que crianças expostas intrauterinamente a essas substâncias apresentam alterações na microestrutura cerebral, o que pode se refletir em convulsões e alterações em reflexos e desenvolvimento neuro motor e dificuldades de aprendizagem.(Chen et al., 2022). Além disso, Kliegman et al. (2020) reforçam que a vulnerabilidade do feto à exposição de substâncias está diretamente relacionada ao estágio de desenvolvimento em 183 que ocorre a exposição. Durante o período embrionário, por exemplo, há maior risco de malformações estruturais, enquanto no período fetal as consequências tendem a estar ligadas a déficits funcionais e de crescimento. Essa diferenciação temporal evidencia a importância do acompanhamento pré-natal rigoroso, não apenas para identificar precocemente a exposição, mas também para orientar as gestantes quanto aos riscos específicos em cada fase da gestação. Além dos aspectos fisiopatológicos, é fundamental destacar a dimensão social do problema. O uso de drogas durante a gravidez está intimamente associado a contextos de vulnerabilidade, como baixa escolaridade, falta de apoio familiar, violência doméstica e dificuldade de acesso aos serviços de saúde, tais condições não apenas aumentam os riscos para mãe e bebê, mas também dificultam a implementação de políticas eficazes de prevenção e acompanhamento (Machado et al., 2021). Livros clássicos como Drugs in Pregnancy and Lactation , Fetal Medicine e o Nelson Textbook of Pediatrics Afirmam e Comprovam o conhecimento sobre os tais riscos do uso de substâncias na gestação, descrevendo tanto os mecanismos de teratogenicidade, quanto as manifestações clínicas nos neonatos e futuras consequências. Esses referenciais servem de base para profissionais de saúde de todas as áreas, especialmente médicos, enfermeiros e psicólogos. Este estudo, propõe-se aprofundar a discussão acerca dos impactos do uso de substâncias lícitas e ilícitas na gestação, bem como suas consequências e riscos associados na vida da mãe e do neonato, capacitando assim, profissionais para fornecer a reconhecer e acolher essas mães, empoderando estas mulheres quanto ao seu autocuidado e saúde. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, cujo objetivo foi reunir e analisar publicações científicas que abordam os impactos do uso de drogas lícitas e ilícitas durante 184 a gestação, seus riscos para a mãe e o bebê, além das consequências para o desenvolvimento fetal e neonatal. A questão norteadora foi: “De que forma o uso de substâncias psicoativas durante a gestação compromete os processos fisiológicos maternos e o desenvolvimento fetal, e quais são as implicações a curto e longo prazo para a saúde pública?”. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS e BVS, com artigos publicados entre 2016 a 2022 nos idiomas português, inglês e espanhol. através de descritores apurados, após consulta nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Uso de Substâncias”, “Drogas Ilícitas”, “Exposição Pré-Natal”, “Complicações na Gravidez”; e aos seus correspondentes em inglês do MeSH (Medical Subject Headings): “Substance Use”, “Illicit Drugs”, “Prenatal Exposure” e “Pregnancy Complications”. A estratégia de busca utilizou os operadores booleanos AND e OR, combinando os seguintes descritores: (“Uso de Substâncias” OR “Drogas Ilícitas” OR “Substance Use” OR “Illicit Drugs”) AND (“Exposição Pré-Natal” OR “Prenatal Exposure” OR “Complicações na Gravidez” OR “Pregnancy Complications”). Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 15 artigos foram selecionados para compor a amostra final da revisão. Foram incluídos artigos completos, disponíveis gratuitamente, que abordavam tipos de drogas utilizadas pelas mães, efeitos prejudiciais à saúde da mãe e recém nascido e danos irreversíveis. Foram excluídos artigos duplicados, editoriais, resumos sem acesso ao texto completo, estudos que não abordavam diretamente a temática ou apresentavam metodologia não clara. A revisão foi conduzida por dois avaliadores de forma independente, com base na leitura dos títulos e resumos. Os artigos que atendiam aos critérios foram lidos na íntegra e analisados quanto aos seus objetivos, resultados e contribuições para o tema. RESULTADOS E DISCUSSÃO 185 Os resultados encontrados na revisão demonstraram que o uso de substâncias psicoativas durante a gestação representa um dos fatores de maior impacto negativo na saúde materna e fetal. A literatura indica que drogas como álcool, tabaco e opioides possuem forte associação com complicações gestacionais, incluindo risco aumentado de aborto espontâneo, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Esses achados reforçam a relevância do tema e a necessidade de aprofundar a discussão sobre intervenções eficazes voltadas para a prevenção e o cuidado integral das gestantes expostas a tais substâncias (Brasil, 2022; Who, 2016). A análise das publicações revelou que a exposição intrauterina a drogas lícitas, como álcool e tabaco, é amplamente estudada e está relacionada a alterações estruturais e funcionais graves no feto. O álcool foi identificado como a principal causa da síndrome alcoólica fetal, que gera comprometimentos irreversíveis no desenvolvimento neurocognitivo. Já o tabaco mostrou associação com hipóxia crônica e restrição de crescimento intrauterino, condições que impactam diretamente a sobrevida neonatal e a qualidade de vida a longo prazo (Oliveira et al., 2021; May et al., 2018). No caso das drogas ilícitas, a cocaína, o crack e as metanfetaminas apresentaram maior potencial de danos, sobretudo pela sua ação vasoconstritora, que compromete o fluxo sanguíneo placentário. Estudos analisados demonstraram que a exposição a essas substâncias pode resultar em descolamento prematuro de placenta, convulsões neonatais e alterações neuromotoras. Esses achados confirmam a gravidade do uso de drogas ilícitas, indicando a necessidade de abordagens específicas para prevenção e tratamento (Miranda et al., 2020; Volkow et al., 2019). Os opioides merecem destaque entre os achados, principalmente pela associação com a síndrome de abstinência neonatal (SAN). Evidências apontam que recém-nascidos expostos a essas drogas apresentam sinais como irritabilidade, tremores, dificuldades de sucção e distúrbios gastrointestinais. Além das complicações imediatas, a literatura aponta risco elevado de comprometimentos cognitivos e comportamentais durante a infância e adolescência. A alta prevalência de SAN em diferentes contextos reforça a importância do acompanhamento especializado dessas crianças (Pereira; Silva, 2021; Koch et al., 2017). 186 Outro aspecto identificado foi a relação direta entre vulnerabilidade social e o uso de drogas durante a gestação. As pesquisas mostraram que fatores como baixa escolaridade, desemprego, violência doméstica e ausência de apoio familiar ampliam a exposição materna ao consumo de substâncias. Esse cenário dificulta não apenas a adesão ao prénatal, mas também o acesso a serviços de saúde especializados, agravando os riscos para mãe e bebê. A dimensão social do problema exige políticas públicas que integrem saúde, educação e assistência social (Brasil, 2021; Carvalho et al., 2019). Os resultados também evidenciaram lacunas no acompanhamento de gestantes usuárias de drogas no contexto do sistema de saúde. Muitos serviços ainda apresentam dificuldades em acolher essas mulheres de forma humanizada, o que pode reforçar o estigma e reduzir a procura por cuidados. A literatura sugere que estratégias interdisciplinares, envolvendo médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, podem contribuir para a adesão ao pré-natal e redução dos riscos. Assim, investir em formação profissional e protocolos específicos se mostra essencial (Souza; Cavalcante, 2020; OMS, 2018). Entre as limitações encontradas nos estudos revisados, destacam-se a escassez de ensaios clínicos controlados, a heterogeneidade das amostras e a subnotificação do uso de drogas na gestação, já que muitas gestantes omitem o consumo por medo de julgamentos ou represálias legais. Tais limitações dificultam a mensuração precisa da prevalência e dos efeitos das substâncias, mas não reduzem a gravidade dos riscos já evidenciados. Portanto, novas pesquisas devem buscar metodologias mais robustas e inclusivas (Ferreira et al., 2020; Alvares et al., 2020). De forma geral, a discussão dos achados permite concluir que o uso de drogas durante a gravidez compromete não apenas a saúde imediata do binômio mãe-bebê, mas também o desenvolvimento a longo prazo, com repercussões sociais e econômicas para toda a comunidade. Torna-se fundamental o fortalecimento de políticas públicas de prevenção, tratamento e acompanhamento multiprofissional, além do incentivo a pesquisas que explorem estratégias inovadoras de cuidado. Esses esforços poderão reduzir 187 significativamente os impactos negativos e garantir melhores condições de vida às mulheres e seus filhos (Brasil, 2022; Who, 2020). CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudo evidencia que o uso de substâncias lícitas e ilícitas durante a gestação representa um problema relevante de saúde pública, com impactos significativos sobre o binômio materno-fetal e repercussões sociais. Ressalta-se a importância do fortalecimento de políticas públicas de prevenção, do incentivo à formação profissional qualificada e da implementação de práticas multiprofissionais humanizadas, capazes de oferecer acolhimento seguro e eficaz às gestantes em situação de vulnerabilidade. Entre as limitações do estudo, destacam-se a escassez de ensaios clínicos controlados, a heterogeneidade das amostras analisadas e a subnotificação do consumo de drogas pelas gestantes, o que pode comprometer a mensuração precisa da prevalência e extensão dos impactos. Pesquisas futuras podem explorar metodologias mais robustas e inclusivas, avaliar estratégias de intervenção precoce e programas de apoio social e psicológico, bem como investigar os efeitos a longo prazo do consumo de diferentes substâncias no desenvolvimento infantil. REFERÊNCIAS BARONIAN, M. K.; SOUSA, G. T. P.; FRONTEIRA, E. C.; MATSUMOTO, S. B.; TOLEDO, V. A. C. P.; BONINI, L. M. M. O uso de drogas lícitas e ilícitas na gravidez: causas e consequências. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar, v. 2, n. 11, e211974, 2021. BRIGGS, G. G.; FREEMAN, R. K.; YAFFE, S. J. Drugs in pregnancy and lactation: a reference guide to fetal and neonatal risk. 12. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2021. BRISA. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 32, n. 1, e00192714, 2016.